The Project Gutenberg eBook of A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

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Title: A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Translator: João Ferreira d' Almeida

Release date: June 12, 2020 [eBook #62383]

Language: Portuguese

Credits: Produced by Júlio Reis, abi278, Sergio Queiroz and the
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*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK A BIBLIA SAGRADA, CONTENDO O VELHO E O NOVO TESTAMENTO ***

A
BIBLIA SAGRADA

CONTENDO
O VELHO E O NOVO TESTAMENTO

TRADUZIDA EM PORTUGUEZ
POR
JOÃO FERREIRA D’ALMEIDA

COM REFERENCIAS E ALGUMAS ALTERNATIVAS
EDIÇÃO REVISTA E CORRIGIDA

DEPOSITO DAS ESCRIPTURAS SAGRADAS
32—JANELLAS VERDES—32

LISBOA
1911

First Edition, 1900.

6,000 reprinted 1911.


INDICE DOS LIVROS QUE CONTÉM
A

BIBLIA SAGRADA

VELHO TESTAMENTO

Abreviaturas Pag. Cap.
Genesis Gen. 1 50
Exodo Exo. 51 40
Levitico Lev. 95 27
Numeros Num. 128 36
Deuteronomio Deu. 172 34
Josué Jos. 211 24
Juizes Jui. 236 21
Ruth Ruth 261 4
I Samuel I Sam. 265 31
II Samuel II Sam. 299 24
I Reis I Reis 326 22
II Reis II Reis 358 25
I Chronicas I Chr. 388 29
II Chronicas II Chr. 416 36
Esdras Esd. 451 10
Nehemias ou II Esdras Neh. 461 13
Esther Est. 475 10
Job Job 483 42
Psalmos Psa. 510 150
Proverbios Pro. 576 31
Ecclesiastes Ecc. 600 12
Cantico dos Canticos Can. 608 8
Isaias Isa. 612 66
Jeremias Jer. 663 52
Lamentações de Jeremias Lam. 719 5
Ezequiel Eze. 725 48
Daniel Dan. 776 12
Oseas Ose. 792 14
Joel Joel 800 3
Amós Amós 803 9
Obadias Oba. 809 1
Jonas Jon. 810 4
Miqueas Miq. 812 7
Nahum Nah. 816 3
Habacuc Hab. 818 3
Sofonias Sof. 820 3
Aggeo Agg. 823 2
Zacharias Zac. 825 14
Malachias Mal. 834 4

NOVO TESTAMENTO

Abreviaturas Pag. Cap.
Evangelho de S. Mattheus Mat. 839 28
de S. Marcos Mar. 875 16
de S. Lucas Luc. 898 24
de S. João João 936 21
Actos dos Apostolos Act. 964 28
Epistola de S. Paulo
aos Romanos Rom. 1000 16
I aos Corinthios I Cor. 1015 16
II aos Corinthios II Cor. 1030 13
aos Galatas Gal. 1039 6
aos Ephesios Eph. 1044 6
aos Philippenses Phi. 1050 4
aos Colossenses Col. 1054 4
I aos Thessalonicenses I The. 1057 5
II aos Thessalonicenses II The. 1061 3
I a Timotheo I Tim. 1063 6
II a Timotheo II Tim. 1067 4
a Tito Tito 1070 3
a Philemon Phi. 1072 1
aos Hebreos Heb. 1073 13
de S. Thiago Thi. 1084 5
I de S. Pedro I Ped. 1088 5
II de S. Pedro II Ped. 1092 3
I de S. João I João 1095 5
II de S. João II João 1099 1
III de S. João III João 1099 1
de S. Judas Jud. 1100 1
Apocalypse Apo. 1101 22

Nota do transcritor:

Algumas das referências estão erradas. Não foi possível para corrigi-los.


[1]

O PRIMEIRO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

GENESIS.

A creação do ceu e da terra e de tudo o que n’elles se contém.

Antes de Christo 4004

1 No [1] principio creou [2] Deus os céus e a terra.

2 E a terra [3] era sem fórma e vasia; e havia trevas sobre a face do abysmo: e o [4] Espirito de Deus se movia sobre a face das aguas.

3 E disse Deus: [5] Haja luz: e [6] houve luz.

4 E viu Deus que era boa a luz: e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

5 E Deus chamou á luz Dia; e ás [7] trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

6 E disse Deus: Haja uma expansão no meio das aguas, e haja separação entre aguas e aguas.

7 E fez Deus a expansão, [8] e fez separação entre as aguas que estavam debaixo da expansão e as aguas que [9] estavam sobre a expansão: e assim foi.

8 E chamou Deus á expansão Céus, e foi a tarde e a manhã o dia segundo.

9 E disse Deus: Ajuntem-se [10] as aguas debaixo dos céus n’um logar; e appareça a porção secca: e assim foi.

10 E chamou Deus á porção secca Terra; e ao ajuntamento das aguas chamou Mares: e viu Deus que era bom.

11 Disse Deus: Produza a terra herva verde, herva que dê semente, arvore fructifera que dê fructo segundo a sua especie, cuja semente está n’ella sobre a terra: e assim foi.

12 E a terra produziu herva, herva dando semente conforme a sua especie, e a arvore fructifera, cuja semente está n’ella conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

13 E foi a tarde, e a manhã, o dia terceiro.

14 E disse Deus: [11] Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; [12] e sejam elles para signaes e para [A] tempos determinados e para dias e annos.

15 E sejam para luminares na expansão dos céus, para allumiar a terra: e assim foi.

16 E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e [13] as estrellas.

17 E Deus os poz na expansão dos céus para allumiar a terra,

18 E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas: e viu Deus que era bom.

19 E foi a tarde, e a manhã, o dia quarto.

20 E disse Deus: Produzam as aguas abundantemente [B] reptis de alma vivente; e vôem as aves sobre a face da expansão dos céus.

21 E Deus creou as [C] grandes balêas, e todo o reptil de alma vivente que as aguas abundantemente produziram conforme as suas especies; e toda a ave de azas conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

22 E Deus as abençoou, dizendo: Fructificae e multiplicae-vos, e enchei as aguas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.

23 E foi a tarde, e a manhã, o dia quinto.

A creação dos seres viventes.

24 E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua especie; gado e reptis, e bestas feras da terra conforme a sua especie: e assim foi.

[2]

25 E fez Deus as bestas feras da terra conforme a sua especie, e o gado conforme a sua especie, e todo o reptil da terra conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

26 E disse Deus: [14] Façamos o homem á nossa imagem, conforme á nossa similhança: e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o reptil que se [D] move sobre a terra.

27 E creou Deus o homem á sua imagem: á imagem de Deus o creou: macho e femea os creou.

28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Fructificae e multiplicae-vos, e enchei a terra, e sujeitae-a: e dominae sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

29 E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a herva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a arvore, em que ha fructo de arvore que dá semente, [15] ser-vos-ha para mantimento.

30 E todo o animal da terra, e toda a ave dos céus, e todo o reptil da terra, em que ha alma vivente; toda a herva verde será para mantimento: e assim foi.

31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom: e foi a tarde, e a manhã, o dia sexto.

[1] Pro. 8.23. Heb. 1.10 e 11.3.

[2] Psa. 8.3 e 33.6. Isa. 40.26. Jer. 51.15. Zac. 12.1. Act. 14.15. Rom. 1.20. Col. 1.16.

[3] Jer. 4.23.

[4] Job 26.13. Psa. 104.30.

[5] Psa. 33.9.

[6] II Cor. 4.6.

[7] Isa. 45.7.

[8] Job 37.18. Jer. 10.12.

[9] Pro. 8.28. Psa. 148.3.

[10] Job 38.8. Psa. 104.9. Jer. 5.22. II Ped. 3.5.

[11] Psa. 136.7.

[12] Psa. 104.19.

[13] Psa. 138.6. Jer. 31.35.

[14] Ecc. 7.29. Eph. 4.24. Col. 3.10. I Cor. 11.7.

[15] cap. 9.3.

2 Assim os céus, e a terra e todo o seu exercito foram acabados.

2 E havendo Deus acabado no dia setimo a sua obra, que tinha feito, [1] descançou no setimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

3 E abençoou Deus o dia setimo, e o sanctificou; porque n’elle descançou de toda a sua obra, que Deus creára e fizera.

A formação do jardim do Eden.

4 Estas são as [E] origens dos céus e da terra, quando foram creados: no dia em que o [F] Senhor Deus fez a terra e os céus:

5 E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a herva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.

6 Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.

7 E formou o Senhor Deus o homem do [2] pó da terra, e soprou em seus [3] narizes o [4] folego da vida: e [5] o homem foi feito alma vivente.

8 E plantou o Senhor Deus um jardim no Eden, da banda do oriente: e poz ali o homem que tinha formado.

9 [6] E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a arvore agradavel á vista, e boa para comida: e a arvore da vida [7] no meio do jardim, e a arvore da [G] sciencia do bem e do mal.

10 E sahia um rio do Eden para regar o jardim; e d’ali se dividia e se tornava em quatro cabeças.

11 O nome do primeiro é Pison: este é o que rodeia toda a terra de [8] Havila, onde ha oiro.

12 E o oiro d’essa terra é bom: ali ha o bdellio, e a pedra [H] sardonica.

13 E o nome do segundo rio é Gihon: este é o que rodeia toda a terra de [I] Cush.

14 E o nome do terceiro rio é [9] [J] Hiddekel: este é o que vae para a banda do oriente da Assyria: e o quarto rio é o Euphrates.

15 E tomou o Senhor Deus o homem, e o poz no jardim do Eden para o lavrar e o guardar.

16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a arvore do jardim comerás livremente,

17 Mas da arvore da sciencia do bem e do mal, d’ella [10] não comerás; porque no dia em que d’ella comeres, certamente morrerás.

Como Deus creou a mulher.

18 E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: [11] far-lhe-hei uma ajudadora que [K] esteja como diante d’elle.

19 Havendo pois o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus os trouxe [12] a Adão, para este vêr como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

20 E Adão poz os nomes a todo o gado, e ás aves dos céus, e a toda a besta do campo; mas para o homem não se achava ajudadora que estivesse como diante d’elle.

21 Então o Senhor Deus fez cair um [13] somno pesado sobre Adão, e este adormeceu: e tomou uma das suas costellas, e cerrou a carne em seu logar;

[3]

22 E da costella que o Senhor Deus tomou do homem, [L] formou uma mulher: e trouxe-a a Adão.

23 E disse Adão: Esta é agora [14] osso dos meus ossos, e carne da minha carne: esta será chamada varôa, porquanto do varão foi tomada.

24 Portanto deixará [15] o varão o seu pae e a sua mãe, e apegar-se-ha á sua mulher, e serão ambos uma [16] carne.

25 E ambos estavam nús, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

[1] Exo. 20.1. Isa. 58.13. Mat. 12.8. Col. 2.16, 17. Heb. 4.4, 9.

[2] cap. 3.19. Psa. 103.14. Isa. 64.8.

[3] I Cor. 15.47. Job 33.4.

[4] Isa. 2.22.

[5] I Cor. 15.45.

[6] Eze. 31.8, 9.

[7] cap. 3.22. Pro. 3.18. Apo. 2.7.

[8] cap. 25.18.

[9] Dan. 10.4.

[10] cap. 3.3, 11.

[11] I Cor. 11.9. I Tim. 2.13.

[12] Psa. 8.6.

[13] cap. 15.2.

[14] Eph. 5.30.

[15] Mar. 10.7.

[16] I Cor. 6.16.

Tentação de Eva e queda do homem.

3 Ora a [1] serpente era [2] mais astuta que todas as alimarias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse á mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a arvore do jardim?

2 E disse a mulher á serpente: Do fructo das arvores do jardim comeremos,

3 Mas do fructo da arvore que está no meio do jardim, disse Deus: [3] Não comereis d’elle, nem n’elle tocareis para que não morraes.

4 Então a [4] serpente disse á mulher: [5] Certamente não morrereis.

5 Porque Deus sabe que no dia em que d’elle comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.

6 E viu a mulher que aquella arvore era boa para se comer, e agradavel aos olhos, e arvore desejavel para dar intendimento; tomou do seu fructo, e comeu, e deu tambem a seu marido comsigo, e elle comeu.

7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que [6] estavam nús; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si [M] aventaes.

8 E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as arvores do jardim.

9 E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?

10 E elle disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e [7] temi, porque estava nú, e escondi-me.

11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nú? Comeste tu da arvore de que te ordenei que não comesses?

12 Então disse Adão; [8] A mulher que me déste por companheira, ella me deu da arvore, e comi.

13 E disse o Senhor Deus á mulher: Porque fizeste isto? E disse a mulher A serpente me enganou, e eu comi.

14 Então o Senhor Deus disse á serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animaes do campo: sobre o teu ventre andarás, e [9] pó comerás todos os dias da tua vida.

15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a [10] tua semente e a [11] sua semente: esta [N] te [12] ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16 E á mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dôr, e a tua conceição; [13] com dôr parirás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e elle te dominará.

17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos á voz de tua mulher, e comeste da arvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás d’ella: maldita é a terra por causa de ti; com [14] dôr comerás d’ella todos os dias da tua vida.

18 [15] Espinhos, e cardos tambem, te produzirá; e comerás a herva do campo.

19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes á terra; porque d’ella foste tomado: porquanto és pó, e em pó te tornarás.

20 E chamou Adão o nome de sua mulher, [O] Eva; porquanto ella era a mãe de todos os viventes.

21 E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher tunicas de pelles, e [16] os vestiu.

22 Então disse o Senhor Deus: Eis [17] que o homem é como um de Nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome tambem da arvore da vida, [18] e coma e viva eternamente:

23 O Senhor Deus, pois, o enviou fóra do jardim do Eden, para lavrar a terra de que fôra tomado.

24 E havendo lançado fóra o homem, poz [19] cherubins ao oriente do jardim do Eden, e uma [20] espada inflammada que andava ao redor, para guardar o caminho da arvore da vida.

[1] Apo. 12.9.

[2] II Cor. 11.3.

[3] cap. 2.17.

[4] João 8.44.

[5] I Tim. 2.14.

[6] cap. 2.25.

[7] I João 3.20.

[8] Pro. 28.13.

[9] Isa. 65.25. Miq. 7.17.

[10] Mat. 13.38. João 8.44. I João 3.8.

[11] Isa. 7.14. Miq. 5.3. Mat. 1.23. Luc. 1.35.

[12] Rom. 16.20.

[13] I Tim. 2.14.

[14] Rom. 8.20.

[15] Isa. 55.13.

[16] Isa. 61.10. Phi. 3.9.

[17] ver. 5.

[18] Apo. 2.7.

[19] Exo. 25.18, 20. Psa. 80.1 e 99.1.

[20] I Chr. 21.16.

O nascimento de Caim, Abel, e Seth.

4 E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ella concebeu e pariu a [P] Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão.

2 E pariu mais a seu irmão [Q] Abel: e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

3 E aconteceu ao cabo de dias que[4] Caim trouxe do fructo da terra uma offerta ao Senhor.

4 E Abel tambem trouxe dos primogenitos das suas ovelhas, e da sua gordura: e attentou o Senhor para [1] Abel e para a sua offerta,

5 Mas para Caim e para a sua offerta não attentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante.

6 E o Senhor disse a Caim: Porque te iraste? E porque descaiu o teu semblante?

7 Se bem fizeres, não haverá [R] acceitação para ti? se não fizeres bem, o peccado jaz á porta, e para ti será o seu desejo, e sobre elle dominarás.

O primeiro homicidio.

8 E fallou Caim com o seu irmão Abel: e succedeu que, estando elles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e [2] o matou.

9 E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E elle disse: Não sei: sou eu guardador do meu irmão?

10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.

11 E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua bocca para receber o sangue do teu irmão da tua mão.

12 Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força: fugitivo e vagabundo serás na terra.

13 Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa [S] ser perdoada.

14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquelle que me achar, me matará.

15 O Senhor porém disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será [T] castigado. E poz o Senhor um signal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.

16 E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Nod, da banda do oriente do Eden.

17 E conheceu Caim a sua mulher, e ella concebeu, e pariu a Enoch: e elle edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoch:

18 E a Enoch nasceu Irad, e Irad gerou a Mehujael, e Mehujael gerou a Methusael e Methusael gerou a Lamech.

19 E tomou Lamech para si duas mulheres: o nome d’uma era Ada, e o nome da outra, Zilla.

20 E Ada pariu a Jabal: este foi o pae dos que habitam em tendas, e teem gado.

21 E o nome do seu irmão era Jubal: este foi o pae de todos os que tocam harpa e orgão.

22 E Zilla tambem pariu a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e de ferro: e a irmã de Tubalcaim foi Naama.

23 E disse Lamech a suas mulheres: Ada e Zilla, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lamech, escutae o meu dito; porque eu matei um varão por minha ferida, e um mancebo por minha pisadura.

24 Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lamech setenta vezes sete.

25 E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ella pariu um filho, e chamou o seu nome [U] Seth; porque, disse ella, Deus me deu outra semente em logar de Abel; porquanto Caim o matou.

26 E a Seth mesmo tambem nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos: então se começou a invocar o nome do Senhor.

[1] Heb. 11.4.

[2] I João 3.12.

A genealogia de Seth.

5 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus creou o homem, [1] á similhança de Deus o fez.

2 Macho [2] e femea os creou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram creados.

3 E Adão viveu cento e trinta annos, e gerou um filho á [3] sua similhança, conforme á sua imagem e chamou o seu nome Seth.

4 E foram os dias de Adão, depois que gerou a Seth, oitocentos annos: e gerou filhos e filhas.

5 E foram todos os dias que Adão viveu, novecentos e trinta annos; [4] e morreu.

6 E viveu Seth cento e cinco annos, e gerou a Enos.

7 E viveu Seth, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete annos, e gerou filhos e filhas.

8 E foram todos os dias de Seth novecentos e doze annos; e morreu.

9 E viveu Enos noventa annos; e gerou a Cainan.

10 E viveu Enos, depois que gerou a Cainan, oitocentos e quinze annos; e gerou filhos e filhas.

11 E foram todos os dias de Enos novecentos e cinco annos; e morreu.

12 E viveu Cainan, setenta annos; e gerou a Mahalalel.

[5]

13 E viveu Cainan, depois que gerou a Mahalalel, oitocentos e quarenta annos; e gerou filhos e filhas.

14 E foram todos os dias de Cainan novecentos e dez annos; e morreu.

15 E viveu Mahalalel sessenta e cinco annos; e gerou a Jared.

16 E viveu Mahalalel, depois que gerou a Jared, oitocentos e trinta annos; e gerou filhos e filhas.

17 E foram todos os dias de Mahalalel oitocentos e noventa e cinco annos; e morreu.

18 E viveu Jared cento e sessenta e dois annos; e gerou a Enoch.

19 E viveu Jared, depois que gerou a Enoch, oitocentos annos; e gerou filhos e filhas.

20 E foram todos os dias de Jared novecentos e sessenta e dois annos; e morreu.

21 E viveu Enoch sessenta e cinco annos; e gerou a Methusala.

22 E andou [5] Enoch com Deus, depois que gerou a Methusala, trezentos annos; e gerou filhos e filhas.

23 E foram todos os dias de Enoch trezentos e sessenta e cinco annos.

24 E andou Enoch com Deus; e não estava mais; [6] porquanto Deus para si o tomou.

25 E viveu Methusala cento e oitenta e sete annos; e gerou a Lamech.

26 E viveu Methusala, depois que gerou a Lamech, setecentos e oitenta e dois annos; e gerou filhos e filhas.

27 E foram todos os dias de Methusala novecentos e sessenta e nove annos; e morreu.

28 E viveu Lamech cento e oitenta e dois annos; e gerou um filho,

29 E chamou o seu nome [V] Noé, dizendo: Este nos consolará ácerca de nossas obras, e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o [7] Senhor amaldiçoou.

30 E viveu Lamech, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco annos; e gerou filhos e filhas.

31 E foram todos os dias de Lamech setecentos e setenta e sete annos; e morreu.

32 E era Noé da edade de quinhentos annos; e gerou Noé a [8] Sem, Cão, e Japhet.

[1] cap. 1.27. I Cor. 11.7. Col. 3.10.

[2] Mal. 2.15.

[3] Job 25.4. João 3.6. I Cor. 15.48.

[4] Heb. 9.27.

[5] cap. 6.9 e 17.1. Deu. 13.4. II Reis 20.3. Psa. 16.8. Amós 3.3. Mal. 2.6.

[6] Heb. 11.5.

[7] cap. 3.17 e 4.11.

[8] cap. 6.10 e 10.21.

A corrupção geral do genero humano.

Antes de Christo 2469

6 E aconteceu que, como os homens se começaram a multiplicar sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas;

2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram [1] formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

3 Então disse o Senhor: Não [W] contenderá o [2] meu Espirito para sempre com o homem; porque elle tambem é carne: [3] porém os seus dias serão cento e vinte annos.

4 Havia n’aquelles dias gigantes na terra; e tambem depois, quando os filhos de Deus entraram ás filhas dos homens, e d’ellas geraram filhos: estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama.

5 E viu o [4] Senhor que a maldade do homem se multiplicára sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.

6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pezou-lhe em seu coração.

7 E disse o Senhor: Destruirei o homem que creei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

8 Noé [5] porém achou graça aos olhos do Senhor.

9 Estas são as gerações de Noé: Noé era varão justo e recto em suas gerações: Noé andava com Deus.

10 E gerou Noé tres filhos: Sem, Cão, e Japhet.

11 A terra porém estava corrompida diante da face de Deus: e encheu-se a terra de violencia.

12 E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

Deus annuncia o diluvio a Noé.

13 Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violencia; e eis que os desfarei com a terra.

14 Faze para ti uma arca da madeira de Gopher: farás [X] compartimentos na arca, e a betumarás por dentro e por fóra com betume.

15 E d’esta maneira a farás: De trezentos covados o comprimento da arca, e de cincoenta covados a sua largura, e de trinta covados a sua altura.

16 Farás na arca uma janella, e de um covado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-has andares baixos, segundos e terceiros.

[6]

17 Porque eis que Eu trago um [6] diluvio de aguas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que ha espirito de vida debaixo dos céus: tudo o que ha na terra expirará.

18 Mas comtigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos comtigo.

19 E de tudo o que vive, de toda a carne, [7] dois de cada especie, metterás na arca, para os conservar vivos comtigo; macho e femea serão.

20 Das aves conforme a sua especie, e das bestas conforme a sua especie, de todo o reptil da terra conforme a sua especie, dois de cada especie virão a ti, para os conservar em vida.

21 E tu toma para ti de toda a comida que se come, e ajunta-a para ti; e te será para mantimento para ti e para elles.

22 Assim fez Noé: [8] conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

[1] Job 31.1.

[2] Neh. 9.30. Isa. 5.4 e 63.10. Jer. 11.7, 11. I Ped. 3.20.

[3] Psa. 78.39.

[4] Psa. 14.2 e 53.2. Rom. 3.9.

[5] Eze. 14.14.

[6] Psa. 20.10.

[7] cap. 7.8, 9.

[8] Heb. 11.7.

Noé e sua familia entram na arca.

Antes de Christo 2448

7 Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca: porque te hei visto [1] justo diante de mim n’esta geração.

2 De todo o animal [2] limpo tomarás para ti sete e sete, macho e sua femea; mas dos animaes que não são limpos, dois, o macho e sua femea.

3 Tambem das aves dos céus sete e sete, macho e femea, para conservar em vida a semente sobre a face de toda a terra.

4 Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substancia que fiz.

5 E fez Noé conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenára.

6 E era Noé da edade de seiscentos annos, quando o diluvio das aguas veiu sobre a terra.

7 E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com elle na arca, por causa das aguas do diluvio.

8 Dos animaes limpos, e dos animaes que não são limpos, e das aves, e de todo o reptil sobre a terra,

9 Entraram de dois em dois a Noé na arca, macho e femea, como Deus ordenára a Noé.

10 E aconteceu que, passados sete dias, vieram sobre a terra as aguas do diluvio.

11 No anno seiscentos da vida de Noé, no mez segundo, aos dezesete dias do mez, n’aquelle mesmo dia [3] se romperam todas as fontes do grande abysmo, e as janellas dos céus se abriram,

12 E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

13 E no mesmo dia entrou Noé, e Sem, e Cão, e Japhet, os filhos de Noé, como tambem a mulher de Noé, e as tres mulheres de seus filhos com elle na arca.

14 Elles, e todo o animal conforme a sua especie, e todo o gado conforme a sua especie, e todo o reptil que se roja sobre a terra conforme a sua especie, e toda a ave conforme a sua especie, todo o passaro de [Y] toda a qualidade.

15 E de toda a carne, em que havia espirito de vida, entraram de dois em dois a Noé na arca.

16 E os que entraram, macho e femea de toda a carne entraram, como Deus lhe tinha ordenado: e o Senhor [4] o fechou por fóra.

O diluvio.

17 E esteve o diluvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as aguas, e levantaram a arca, e ella se elevou sobre a terra.

18 E prevaleceram as aguas, e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca andava sobre as aguas.

19 E as aguas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e [5] todos os altos montes, que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos.

20 Quinze covados acima prevaleceram as aguas; e os montes foram cobertos.

21 E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o reptil que se roja sobre a terra, e [6] todo o homem.

22 Tudo o que tinha folego de espirito de vida em seus narizes, tudo o que havia no secco, morreu.

23 Assim foi desfeita toda a substancia que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus; e foram extinctos da terra: e ficou somente Noé, e os que com elle estavam na arca.

24 E prevaleceram as aguas sobre a terra [7] cento e cincoenta dias.

[1] I Ped. 3.20. II Ped. 2.5.

[2] Lev. 11.

[3] cap. 8.2. Pro. 8.28. Mat. 24.38. I The. 5.3.

[4] Deu. 33.27. Psa. 46.2.

[5] II Ped. 3.6.

[6] Job 22.15, 17.

[7] cap. 8.3.

As aguas do diluvio diminuem.

Antes de Christo 2349

8 E [1] lembrou-se Deus de Noé, e [2] de toda a besta, e de todo o animal, e de toda a rez que com elle estava[7] na arca: e Deus fez passar [3] um vento sobre a terra, e aquietaram-se as aguas.

2 Cerraram-se tambem as [4] fontes do abysmo, e as janellas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se.

3 E as aguas tornaram de sobre a terra [Z] continuamente, e ao cabo de cento e cincoenta dias as aguas minguaram.

4 E a arca repousou, no setimo mez, no dia dezesete do mez, sobre os montes de Ararat.

5 E foram as aguas indo e minguando até ao decimo mez: no decimo mez, no primeiro dia do mez, appareceram os cumes dos montes.

6 E aconteceu que, ao cabo de quarenta dias, [5] abriu Noé a janella da arca que tinha feito.

Noé solta um corvo e depois uma pomba.

7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as aguas se seccaram de sobre a terra.

8 Depois soltou uma pomba, a vêrse as aguas tinham minguado de sobre a face da terra.

9 A pomba porém não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a elle para a arca; porque as aguas estavam sobre a face de toda a terra: e elle estendeu a sua mão, e tomou-a, e metteu-a comsigo na arca.

10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fóra da arca.

11 E a pomba voltou a elle sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico: e conheceu Noé que as aguas tinham minguado sobre a terra.

12 Então esperou ainda outros sete dias; e enviou fóra a pomba, mas não tornou mais a elle.

13 E aconteceu que no anno seiscentos e um, no mez primeiro, no primeiro dia do mez, as aguas se seccaram de sobre a terra: então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta.

14 E no segundo mez, aos vinte e sete dias do mez, a terra estava secca.

Noé e sua familia saem da arca.

15 Então fallou Deus a Noé, dizendo:

16 Sae da arca, tu, e tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos comtigo.

17 Todo o animal que está comtigo, de toda a carne, de ave, e de gado, e de todo o reptil que se roja sobre a terra traze fóra comtigo; e povôem abundantemente a terra, e [6] fructifiquem, e se multipliquem sobre a terra.

18 Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com elle,

19 Todo o animal, todo o reptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas familias, saiu para fóra da arca.

20 E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o [7] animal limpo, e de toda a ave limpa, e offereceu holocaustos sobre o altar.

21 E o Senhor cheirou o [8] suave cheiro, e disse o Senhor em seu coração: [9] Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a [10] imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, [11] nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.

22 Emquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, [12] não cessarão.

[1] cap. 19.29. Exo. 2.24.

[2] Psa. 36.6.

[3] Exo. 14.21.

[4] Pro. 8.28.

[5] cap. 6.16.

[6] cap. 1.22.

[7] Lev. 1.11.

[8] Lev. 1.9. Eph. 5.2.

[9] cap. 3.17 e 6.17.

[10] cap. 6.5. Job 15.14. Jer. 17.9. Rom. 1.21.

[11] cap. 9.11, 15.

[12] Isa. 54.9. Jer. 33.20.

O pacto que Deus fez com Noé.

9 E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: [1] Fructificae e multiplicae-vos, e enchei a terra.

2 E será o vosso temor [2] e o vosso pavor sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus: tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, na vossa mão são entregues.

3 Tudo quanto se [3] move, que é vivente, será para vosso mantimento: tudo vos tenho dado [4] como herva verde.

4 A carne, porém, com [5] sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.

5 E certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas [AA] vidas; da mão de todo o animal o requererei: como tambem da mão [6] do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.

6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado: porque Deus fez [7] o homem conforme á sua imagem.

7 Mas vós fructificae e multiplicae-vos: povoae abundantemente a terra, e multiplicae-vos n’ella.

8 E fallou Deus a Noé, e a seus filhos com elle, dizendo:

9 E eu, eis que estabeleço o meu [8] concerto comvosco e com a vossa semente depois de vós,

[8]

10 E com toda [AB] a alma vivente, [9] que comvosco está, de aves, de rezes, e de todo o animal da terra comvosco: desde todos que sairam da arca, até todo o animal da terra.

11 E eu comvosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruida toda a carne pelas aguas [10] do diluvio: e que não haverá mais diluvio, para destruir a terra.

12 E disse Deus: Este é o signal [11] do concerto que ponho entre mim e vós, e entre toda a alma vivente, que está comvosco, por gerações eternas.

13 O meu [12] arco tenho posto na nuvem: este será por signal do concerto entre mim e a terra.

14 E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, apparecerá o arco nas nuvens:

15 Então me lembrarei do meu concerto, que está entre mim [13] e vós, e entre toda a alma vivente de toda a carne: e as aguas não se tornarão mais em diluvio, para destruir toda a carne.

16 E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar do concerto eterno entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra.

17 E disse Deus a Noé: Este é o signal do concerto que tenho estabelecido entre mim e entre toda a carne, que está sobre a terra.

18 E os filhos de Noé, que da arca sairam, foram Sem, e Cão, e Japhet; e [14] Cão, é o pae de Canaan.

19 Estes tres foram [15] os filhos de Noé; e d’estes se povoou toda a terra.

Noé planta uma vinha.

Antes de Christo 2348

20 E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha:

21 E bebeu do [16] vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda.

22 E viu Cão, o pae de Canaan, a nudez do seu pae, e fel-o saber a ambos seus irmãos fóra.

23 Então tomaram Sem e Japhet uma capa, e puzeram-n’a sobre ambos os seus hombros, e indo [17] virados para traz, cubriram a nudez do seu pae, e os seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez do seu pae.

24 E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera.

25 E disse: Maldito seja [18] Canaan: servo dos servos seja aos seus irmãos.

26 E disse: Bemdito seja o Senhor Deus de Sem: e seja-lhe Canaan por servo.

27 Alargue Deus a Japhet, e habite nas tendas de Sem: e seja-lhe Canaan por servo.

28 E viveu Noé, depois do diluvio, trezentos e cincoenta annos.

29 E foram todos os dias de Noé novecentos e cincoenta annos, e morreu.

[1] ver. 7, 19. cap. 10.32.

[2] Psa. 8.6. Thi. 3.7.

[3] Deu. 12.15 e 14.4. Act. 10.12, 14. I Tim. 4.3, 4.

[4] cap. 1.20.

[5] Lev. 17.10, 14 e 19.25. Deu. 12.23. I Sam. 14.34.

[6] Eze. 21.12, 28.

[7] Lev. 24.17. Rom. 13.4. cap. 1.27.

[8] ver. 11, 17. cap. 6.18.

[9] Psa. 145.9. cap. 8.1.

[10] II Ped. 3.7.

[11] cap. 17.11.

[12] Eze. 1.28. Apo. 4.3.

[13] Deu. 7.9. Neh. 9.32.

[14] cap. 10.1, 6.

[15] cap. 10.32. I Chr. 1.4.

[16] Pro. 20.1. Luc. 21.34. I Cor. 10.12.

[17] Gal. 6.1. I Ped. 4.8.

[18] Deu. 27.16. II Chr. 8.7, 8.

Os descendentes de Noé.

Antes de Christo 2347

10 Estas pois são as gerações dos filhos de Noé. Sem, Cão, [1] e Japhet; e nasceram-lhe filhos depois do diluvio.

2 Os filhos de Japhet, são: Gomer e Magog, e Madai, e Javan, e Tubal, e Mesech, e Tiras.

3 E os filhos de Gomer, são: Asquenaz, e Riphath, e Togarmah.

4 E os filhos de Javan, são: Elishah e Tarshish, Kittim, e Dodanim.

5 Por estes foram repartidas [2] as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua lingua, segundo as suas familias, entre as suas nações.

6 E os filhos de Cão, são: [3] Cush, e Mizraim, e Put, e Canaan.

7 E os filhos de Cush, são: [4] Seba, e Havilah, e Sabtah, e Raamah, e Sabteca: e os filhos de Raamah são, Scheba e Dedan.

8 E Cush gerou a [5] Nimrod: este começou a ser poderoso na terra.

9 E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor: pelo que se diz: Como Nimrod, poderoso caçador diante do Senhor.

10 E o principio do seu reino foi Babel, e Erech, e Accad, e [6] Calneh, na terra de Shinar.

11 D’esta mesma terra saiu á Assyria e edificou a Ninive, e Rehoboth-Ir e Calah,

12 E Resen, entre Niniveh e Calah (esta é a grande cidade).

13 E Mizraim gerou a Ludim, e a Anamim, e a Leabim, e a Naphtuhim,

14 E a [7] Pathrusim, e a Caslushim, (d’onde sairam os philisteus) e a Caphtorim.

15 E Canaan gerou a Sidon, seu primogenito, e a Heth;

16 E ao Jebuseu, e Amorrheu, e Girgaseu,

17 E ao Heveu, e ao Arkeu, e ao Sineu,

18 E ao Arvadeu, e ao Zemareu, e ao Hamatheu, e depois se espalharam as familias dos [8] cananeus.

19 E foi o termo dos cananeus desde Sidon, indo para Gerar, até Gaza; indo[9] para Sodoma, e Gomorrah, e Adamah e Zeboiim, até Lasha.

20 Estes são os filhos de Cão segundo as suas familias, segundo as suas linguas, em suas terras, em suas nações.

21 E a Sem nasceram filhos, e elle é o pae de todos os filhos de Eber, o irmão mais velho de Japhet.

22 Os filhos [9] de Sem, são: Elam, e Assur, e Arpachshad, e Lud.

23 E os filhos de Aram são: Uz, e Hul, e Gether, e Mash.

24 E Arpachshad gerou a Shelah: e Shelah gerou a Eber.

25 E a Eber nasceram dois filhos: o nome d’um foi Peleg, [AC] porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joktan.

26 E Joktan gerou a Almodad, e a Sheleph, e a Hazarmaveth, e a Jerah;

27 E a Hadoran, e a Uzal, e a Diclah;

28 E a Obal, e a Abimael, e a Sheba;

29 E a Ophir, e a Havila e a Jobab: todos estes foram filhos de Joktan.

30 E foi a sua habitação desde Mesha, indo para Sephar, montanha do Oriente.

31 Estes são os filhos de Sem segundo as suas familias, segundo as suas linguas, nas suas terras, segundo as suas nações.

32 Estas são as familias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, nas suas nações: e d’estes foram divididas as nações na terra depois do diluvio.

[1] I Chr. 1.5.

[2] Sof. 2.11.

[3] I Chr. 1.8.

[4] Psa. 72.10.

[5] Miq. 5.6.

[6] Amós 6.2.

[7] I Chr. 1.12.

[8] cap. 15.18, 21. Jos. 12.7, 8.

[9] I Chr. 1.17.

Toda a terra com uma mesma lingua.

Antes de Christo 2218

11 E era toda a terra d’uma mesma lingua, e d’uma mesma falla.

2 E aconteceu que, partindo elles do Oriente, acharam um valle na terra de Shinar; e habitaram ali.

3 E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos, e queimemol-os bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.

4 E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo [1] cume toque nos céus, e façamo-nos [2] um nome, para que não [3] sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

5 Então desceu o Senhor para [4] ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;

6 E disse: Eis que o povo é um, e todos teem uma mesma lingua; e isto é o que começam a fazer: e agora, não haverá restricção para tudo o que elles intentarem fazer?

A confusão das linguas.

7 Eia, desçamos, e [5] confundamos ali a sua lingua, para que não intenda um a lingua do outro.

8 Assim o Senhor os espalhou d’ali sobre a face de toda a terra: e cessaram de edificar a cidade.

9 Por isso se chamou o seu nome Babel, [AD] porquanto ali confundiu o Senhor a lingua de toda a terra, e d’ali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.

10 Estas são as gerações [6] de Sem: Sem era da edade de cem annos, e gerou a Arpachshad, dois annos depois do diluvio.

11 E viveu Sem, depois que gerou a Arpachshad, quinhentos annos; e gerou filhos e filhas.

12 E viveu Arpachshad trinta e cinco annos, e gerou a Selah.

13 E viveu Arpachshad depois que gerou a Selah, quatrocentos e tres annos; e gerou filhos e filhas.

14 E viveu Selah, trinta annos, e gerou a Eber:

15 E viveu Selah, depois que gerou a Eber, quatrocentos e tres annos, e gerou filhos e filhas.

16 E viveu Eber trinta e quatro annos e gerou a Peleg:

17 E viveu Eber, depois que gerou a Peleg, quatrocentos e trinta annos, e gerou filhos e filhas.

18 E viveu Peleg trinta annos, e gerou a Rehu:

19 E viveu Peleg, depois que gerou a Rehu, duzentos e nove annos, e gerou filhos e filhas.

20 E viveu Rehu, trinta e dois annos, e gerou a Serug:

21 E viveu Rehu, depois que gerou a Serug, duzentos e sete annos e gerou filhos e filhas.

22 E viveu Serug trinta annos, e gerou a Nahor:

23 E viveu Serug, depois que gerou a Nahor, duzentos annos, e gerou filhos e filhas.

24 E viveu Nahor vinte e nove annos, e gerou a Terah:

25 E viveu Nahor, depois que gerou a Terah, cento e dezenove annos, e gerou filhos e filhas.

26 E viveu Terah, setenta annos, e gerou a Abrão, a Nahor, [7] e a Haran.

27 E estas são as gerações de Terah: Terah gerou a Abrão, a Nahor, e a Haran: e Haran gerou a Lot.

[10]

28 E morreu Haran estando seu pae Terah, ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos Chaldeus.

29 E tomaram Abrão e Nahor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão [8] era Sarai, e o nome da mulher de Nahor era [9] Milcah, filha de Haran, pae de Milcah, e pae de Iscah.

30 E Sarai foi [10] esteril, e não tinha filhos.

31 E tomou Terah a Abrão seu filho, e a Lot filho de Haran, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com elles de Ur dos Chaldeus, [11] para ir á terra de Canaan; e vieram até Haran, e habitaram ali.

32 E foram os dias de Terah duzentos e cinco annos: e morreu Terah em Haran.

[1] Deu. 1.28.

[2] Psa. 49.2. Dan. 4.30. Pro. 10.7.

[3] ver. 9. Luc. 1.51.

[4] cap. 18.21.

[5] Psa. 55.9. Act. 2.6.

[6] cap. 10.24. I Chr. 1.17.

[7] Jos. 24.2. I Chr. 26.

[8] cap. 17.15.

[9] cap. 22.20 e 24.15.

[10] cap. 16.1 e 18.11 e 21.1, 2.

[11] cap. 12.1. Neh. 9.7. Act. 7.4.

Deus chama Abrão e lhe faz promessas.

Antes de Christo 1921

12 Ora o [1] Senhor disse a Abrão: Sae-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pae, para a terra que eu te mostrarei.

2 E far-te-hei [2] uma grande nação, e abençoar-te-hei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma benção.

3 E abençoarei [3] os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão bemditas [4] todas as familias da terra.

4 Assim partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Lot com elle: e era Abrão de edade de setenta e cinco annos, quando saiu de Haran.

5 E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Lot, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe accresceram em Haran: e sairam para irem á terra de Canaan; e vieram á terra de Canaan.

6 E passou Abrão por aquella terra até ao logar de Sichem, até ao carvalho [5] de Moreh; e estavam então os Cananeos na terra.

7 E appareceu o Senhor [6] a Abrão, e disse: Á tua semente darei esta terra. E edificou ali um [7] altar ao Senhor, que lhe apparecêra.

8 E moveu-se d’ali para a montanha á banda do Oriente [8] de Bethel, e armou a sua tenda, tendo [9] Bethel ao Occidente, e Ai ao Oriente; e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor.

9 Depois caminhou Abrão d’ali, seguindo ainda para a banda do Sul.

Abrão desce ao Egypto.

10 E havia fome n’aquella terra: e desceu Abrão ao Egypto, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.

11 E aconteceu que, chegando elle para entrar no Egypto, disse a Sarai, sua mulher: Ora bem sei que és mulher formosa á vista;

12 E será que, quando os Egypcios te virem, dirão: Esta é sua mulher. E matar-me-hão a mim, e a ti te guardarão em vida.

13 Dize, peço-te, que és [10] minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti.

14 E aconteceu que, entrando Abrão no Egypto, viram os Egypcios a mulher, que era mui formosa.

15 E viram-n’a os principes do Pharaó, e gabaram-n’a diante do Pharaó: e foi a mulher tomada para casa do Pharaó.

16 E fez bem a Abrão por amor d’ella; e elle teve ovelhas, e vaccas, e jumentos, e servos e servas, e jumentas, e camelos.

17 Feriu, porém, o Senhor o Pharaó com grandes pragas, e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18 Então chamou o Pharaó a Abrão, e disse: Que é isto que [11] me fizeste? porque não me disseste que ella era tua mulher?

19 Porque disseste: É minha irmã? de maneira que a houvera tomado por minha mulher: agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vae-te.

20 E o Pharaó, [12] deu ordens aos seus varões a seu respeito, e acompanharam-n’o a elle, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.

[1] cap. 11.31. Isa. 51.2. Act. 7.3. Heb. 11.8.

[2] cap. 17.6.

[3] cap. 18.18 e 28.4.

[4] cap. 27.29. Exo. 23.22. Num. 24.9.

[5] Deu. 11.30.

[6] cap. 17.1 e 18.1.

[7] cap. 13.15. Rom. 9.8. Gal. 3.16 e 4.28.

[8] cap. 13.4, 18 e 26.25 e 33.20. cap. 28.19.

[9] cap. 20.2 e 26.7.

[10] I Chr. 16.21. Psa. 105.14.

[11] cap. 20.10 e 26.10.

[12] Pro. 21.1.

Abrão volta do Egypto.

Antes de Christo 1918

13 Subiu, pois, Abrão do Egypto para a banda do Sul, elle e sua mulher, e tudo o que tinha, e com elle Lot.

2 E ia Abrão muito rico em gado, em prata, e em oiro.

3 E fez as suas jornadas do Sul até Beth-el, até ao logar onde ao principio estivera a sua tenda, entre Beth-el e Ai;

4 Até ao logar do altar [1] que d’antes[11] ali tinha feito; e Abrão invocou ali o nome do Senhor.

5 E tambem Lot, que ia com Abrão, tinha rebanhos, e vaccas, e tendas.

6 E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos; porque a sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos.

Abrão e Lot separam-se.

7 E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do gado de Lot: e os Cananeus e os Perizeus habitavam então na terra.

8 E disse Abrão a Lot: [2] Ora não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos varões somos.

9 Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda.

10 E levantou Lot os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter [3] destruido Sodoma e Gomorrha, e era como [4] o jardim do Senhor, como a terra do Egypto, quando se entra em [5] Zoar.

11 Então Lot escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Lot para o Oriente, e apartaram-se um do outro.

12 Habitou Abrão na terra de Canaan, e Lot habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma.

13 Ora eram maus os varões de Sodoma, e grandes peccadores [6] contra o Senhor.

14 E disse o Senhor a Abrão, depois que Lot se apartou d’elle: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o logar onde estás, para a banda do Norte, e do Sul, e do Oriente, e do Occidente;

15 Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e á tua semente, [7] para sempre.

16 E farei a tua semente como [8] o pó da terra; de maneira que se alguem podér contar o pó da terra, tambem a tua semente será contada.

17 Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei.

18 E Abrão armou as suas tendas, e veiu, e habitou nos carvalhaes de Mamre, [9] que estão junto a Hebron; e edificou ali um altar ao Senhor.

[1] cap. 12.7, 8.

[2] Phi. 2.14. Heb. 12.14.

[3] cap. 19.25. Eze. 16.49.

[4] Isa. 51.3.

[5] cap. 14.2.

[6] cap. 18.20. II Ped. 2.7, 8.

[7] cap. 12.7.

[8] cap. 15.5 e 2.17 e 28.14. Num. 23.10. Deu. 1.10. I Reis 4.20. Jer. 33.22.

[9] cap. 18.1 e 35.27 e 37.14.

Guerra de quatro reis contra cinco.

14 E aconteceu nos dias de Amraphel, rei de Shinar, Arioch, rei de Ellasar, Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de [AE] Goiim,

2 Que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsha, rei de Gomorrah, a Shinab, rei de Admah, e a Shemeber, rei de Zeboiim, e ao rei de Bela (esta é Zoar).

3 Todos estes se ajuntaram no valle de Siddim (que é o mar de sal).

4 Doze annos haviam servido a Chedorlaomer, mas ao decimo terceiro anno rebelaram-se.

5 E ao decimo quarto anno veiu Chedorlaomer, e os reis que estavam com elle, e feriram aos Rephains em Ashteroth-karnaim, e aos Zuzins em Ham, e aos Emins em Shave-kiriathaim,

6 E aos Horeos no seu monte Seir, até á campina de Paran, que está junto ao deserto.

7 Depois tornaram e vieram a Enmispat (que é Cades), e feriram toda a terra dos Amalekitas, e tambem os Amoreos, que habitavam em Hazazon-tamar.

8 Então saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorrah, e o rei de Admah, e o rei de Zeboiim, e o rei de Bela (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra elles no valle de Siddim,

9 Contra Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de Goiim, e Amraphel, rei de Shinar, e Arioch, rei de Ellasar; quatro reis contra cinco.

10 E o valle de Siddim estava cheio de poços de betume: e fugiram os reis de Sodoma, e de Gomorrah, e cairam ali; e os restantes fugiram para um monte.

11 E tomaram toda a fazenda de Sodoma, e de Gomorrah, e todo o seu mantimento, e foram-se.

Lot é levado captivo.

12 Tambem tomaram a [1] Lot, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda, e foram-se.

13 Então veiu um que escapára, e o contou a Abrão, o Hebreu: elle [2] habitava junto dos carvalhaes de Mamre, o Amoreo, irmão de Eshcol, e irmão de Aner; elles eram confederados de Abrão.

14 Ouvindo pois Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus creados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dan.

15 E dividiu-se contra elles de noite, elle e os seus creados, e os feriu, e os perseguiu até Hobah, que fica á esquerda de Damasco.

16 E tornou a trazer toda a fazenda, e[12] tornou a trazer tambem a Lot, seu irmão, e a sua fazenda, e tambem as mulheres, e o povo.

17 E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a Chedorlaomer e aos reis que estavam com elle) até ao valle de Schave, que é o valle [3] do rei.

Melchizedec abençoa Abrão.

18 E Melchizedec, [4] rei de Salem, trouxe pão e vinho: e era este sacerdote [5] do Deus altissimo.

19 E abençoou-o, e disse: Bemdito seja Abrão de Deus altissimo, o [6] Possuidor dos céus e da terra;

20 E bemdito seja o Deus altissimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dizimo [7] de tudo.

21 E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as almas, e a fazenda toma para ti.

22 Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: [8] Levantei minha mão ao Senhor, o Deus altissimo, [9] o Possuidor dos céus e da terra,

23 Que desde um fio até á correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu: para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;

24 Salvo tão sómente o que os mancebos comeram, e a parte que toca aos varões que commigo foram, Aner, Escol, e Mamre; estes que tomem a sua parte.

[1] cap. 13.12. Isa. 6.9.

[2] cap. 13.18.

[3] II Sam. 18.18.

[4] Heb. 7.1.

[5] Psa. 110.4. Heb. 5.6.

[6] ver. 22.

[7] Heb. 7.1, 10.

[8] Exo. 6.8.

[9] ver. 19.

Deus anima Abrão e promette-lhe um filho.

Antes de Christo 1913

15 Depois d’estas coisas veiu a palavra do Senhor a Abrão em visão, [1] dizendo: Não temas, Abrão, [2] eu sou o teu escudo, o teu grandissimo galardão.

2 Então disse Abrão: Senhor Jehovah, que me has de dar, pois ando sem [3] filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Elieser?

3 Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro.

4 E eis que veiu a palavra do Senhor a elle, dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquelle que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro.

5 Então o levou fóra, e disse: Olha agora para os céus, e conta as [4] estrellas, se as podes contar. E disse-lhe: [5] Assim será a tua semente.

6 E creu elle no Senhor, e [AF] imputou-lhe [6] isto por justiça.

7 Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei [7] de Ur dos Chaldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdal-a.

8 E disse elle: [8] Senhor Jehovah, como saberei que hei-de herdal-a?

9 E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de tres annos, e uma cabra de tres annos, e um carneiro de tres annos, uma rola, e um pombinho.

10 E trouxe-lhe todos estes, e [9] partiu-os pelo meio, e poz cada parte d’elles em frente da outra; mas as aves não partiu.

11 E as aves desciam sobre os cadaveres; Abrão, porém, as enxotava.

12 E [10] pondo-se o sol, um profundo somno caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre elle.

13 Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua, e servil-os-hão; [11] e affligil-os-hão quatrocentos annos;

14 Mas tambem eu julgarei a gente, a qual servirão, e depois sairão com [12] grande fazenda.

15 E tu irás a teus paes em paz: em boa velhice [13] serás sepultado.

16 E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos Amoreos [14] não está ainda cheia.

Deus faz um pacto com Abrão.

17 E succedeu que, posto o sol, houve escuridão: e eis um forno de fumo, e uma tocha de fogo, que passou por aquellas metades.

18 N’aquelle mesmo dia fez o Senhor um concerto com Abrão, dizendo: Á tua semente tenho dado esta terra, desde o rio Egypto até ao grande rio Euphrates;

19 E o Keneo, e o Kenezeo, e o Kadmoneo,

20 E o Hetheo, e o Pereseo, e os Rephains,

21 E o Amoreo, e o Cananeo, e o Girgaseo, e o Jebuseo.

[1] cap. 46.2. Num. 12.6. Dan. 10.1.

[2] Deu. 33.29. Psa. 84.11 e 91.4 e 119.114. Pro. 30.5.

[3] Act. 7.5.

[4] Deu. 1.10.

[5] Rom. 4.18.

[6] Rom. 4.3-6. Gal. 3.6. Can. 2.23.

[7] cap. 12.1.

[8] Jui. 6.17. II Reis 20.8. Luc. 1.18.

[9] Jer. 34.18, 19.

[10] cap. 2.21. I Sam. 26.12.

[11] Exo. 12.40. Act. 7.6.

[12] Exo. 12.36. Psa. 105.37.

[13] cap. 25.8.

[14] Mat. 23.32.

Hagar é dada por mulher a Abrão.

Antes de Christo 1911

16 Ora Sarai, mulher d’Abrão, não lhe paria, e elle tinha uma serva Egypcia, cujo nome era [1] Hagar.

[13]

2 E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de parir; entra [2] pois á minha serva; porventura [AG] terei filhos d’ella. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Hagar Egypcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez annos que Abrão habitara na terra de Canaan.

4 E elle entrou a Hagar, e ella concebeu; e vendo ella que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 Então disse Sarai a Abrão: Meu aggravo seja sobre ti: minha serva puz eu em teu regaço; vendo ella agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos: o Senhor julgue entre mim e ti.

6 E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão, faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E affligiu-a Sarai, e ella fugiu de sua face.

7 E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte d’agua no deserto, junto á fonte no caminho de Sur.

8 E disse: Hagar, serva de Sarai, d’onde vens, e para onde vaes? E ella disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora.

9 Então lhe disse o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te [3] debaixo de suas mãos.

10 Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 Disse-lhe tambem o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e parirás um filho, e chamarás o seu nome [AH] Ishmael; porquanto o Senhor ouviu a tua afflicção.

12 E elle será homem [AI] feroz, e a sua mão será contra todos, [4] e a mão de todos contra elle: e [5] habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 E ella chamou o nome do Senhor, que com ella fallava: Tu és Deus da vista, [AJ] porque disse: Não olhei eu tambem para [6] aquelle que me vê?

14 Por isso se chama aquelle poço de [AK] Lachai-roi; eis que está entre Kades e Bered.

15 E Hagar pariu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Hagar parira, Ishmael.

16 E era Abrão da edade de oitenta e seis annos, quando Hagar pariu Ishmael a Abrão.

[1] Gal. 4.24.

[2] cap. 30.3, 9.

[3] I Ped. 2.18.

[4] cap. 21.20.

[5] cap. 25.18.

[6] cap. 32.20. Jui. 6.22, 23.

Deus muda o nome de Abrão.

17 Sendo pois Abrão da edade de noventa e nove annos, appareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus [1] Todo-poderoso, anda [2] em minha presença e sê perfeito:

2 E porei o meu concerto entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente.

3 Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e fallou Deus com elle, dizendo:

4 Quanto a mim, eis o meu concerto, comtigo é e serás o pae [3] de uma multidão de nações;

5 E não se chamará mais o teu nome [4] Abrão, [AL] mas Abrahão [AM] será o teu nome; [5] porque por pae da multidão de nações te tenho posto:

6 E te farei fructificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis [6] sairão de ti:

7 E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto [7] perpetuo, para te ser a ti por Deus, e á tua semente depois de ti.

8 E te darei a ti, e á tua semente depois de ti, a terra de tuas peregrinações, [8] toda a terra de Canaan em perpetua possessão, e ser-lhes-hei Deus.

9 Disse mais Deus a Abrahão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu, e a tua semente depois de ti, nas suas gerações.

10 Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho vos será circumcidado.

11 E circumcidareis a carne do vosso prepucio; e isto será por signal do concerto [9] entre mim e vós.

12 O filho de oito dias, pois, vos será circumcidado, todo o macho nas vossas gerações: o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não fôr da tua semente.

13 Com effeito será circumcidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro: e estará o meu concerto na vossa carne por concerto perpetuo.

14 E o macho com prepucio, cuja carne do prepucio não estiver circumcidada, aquella alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto.

Deus muda o nome de Sarai.

15 Disse Deus mais a Abrahão: A Sarai tua mulher não chamarás mais[14] pelo nome de Sarai, mas Sarah [AN] será o seu nome,

16 Porque eu a hei de abençoar, e te hei de dar a ti d’ella um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão d’ella.

17 Então caiu Abrahão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem annos ha de nascer um filho? e parirá Sarah da edade de noventa annos?

18 E disse Abrahão a Deus: Oxalá que viva Ishmael diante de teu rosto!

19 E disse Deus: Na verdade, Sarah tua mulher te parirá um filho, e chamarás o seu nome [AO] Isaac, e com elle estabelecerei o meu concerto, por concerto perpetuo para a sua semente depois d’elle.

20 E emquanto a Ishmael, tambem te tenho ouvido: eis aqui o tenho abençoado, e fal-o-hei fructificar, e fal-o-hei multiplicar grandissimamente: doze principes gerará, e d’elle farei uma grande nação.

21 O meu concerto, porém, estabelecerei com Isaac, o qual Sarah te parirá n’este tempo determinado, no anno [10] seguinte.

22 E acabou de fallar com elle, e saiu Deus de Abrahão.

A instituição da circumcisão.

23 Então tomou Abrahão a seu filho Ishmael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o macho entre os homens da casa de Abrahão; e circumcidou a carne do seu prepucio, n’aquelle mesmo dia, como Deus fallára com elle.

24 E era Abrahão da edade de noventa e nove annos, quando lhe foi circumcidada a carne do seu prepucio.

25 E Ishmael, seu filho, era da edade de treze annos, quando lhe foi circumcidada a carne do seu prepucio.

26 N’este mesmo dia foi circumcidado Abrahão e Ishmael seu filho,

27 E todos os homens da sua casa, o nascido em casa, e o comprado por dinheiro do estrangeiro, foram circumcidados com elle.

[1] Exo. 6.3. Dan. 4.35.

[2] cap. 48.15. II Reis 20.3.

[3] cap. 13.16 e 22.17.

[4] Neh. 9.7.

[5] Rom. 4.17.

[6] ver. 16, 20. cap. 35.11.

[7] Lev. 26.12. Heb. 11.16.

[8] cap. 48.4.

[9] Act. 7.8. Rom. 4.11. Col. 2.11, 13.

[10] cap. 21.2.

Apparecem tres anjos a Abrahão.

Antes de Christo 1898

18 Depois appareceu-lhe o Senhor nos carvalhaes de [1] Mamre, estando elle assentado á porta da tenda, quando tinha aquecido [AP] o dia.

2 E levantou os seus olhos, e olhou, [2] e eis tres varões estavam em pé junto a elle. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, e inclinou-se á terra,

3 E disse; Meu Senhor, se agora tenho achado graça nos teus olhos, rogo-te que não [3] passes de teu servo,

4 Que se traga já uma [4] pouca d’agua, e lavae os vossos pés, e recostae-vos debaixo d’esta arvore;

5 E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como tens dito.

6 E Abrahão apressou-se em ir ter com Sarah á tenda, e disse-lhe: Amassa depressa tres medidas de flor de farinha, e faze bolos.

7 E correu Abrahão ás vaccas, e tomou uma vitella tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou era preparal-a.

8 E tomou [5] manteiga e leite, e a vitella que tinha preparado, e poz tudo diante d’elles, e elle estava em pé junto a elles debaixo da arvore; e comeram.

9 E disseram-lhe: Onde está Sarah, tua mulher? E elle disse: Eil-a ahi está na tenda.

10 E disse: Certamente [6] tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sarah tua mulher terá um filho. E ouviu-o Sarah á porta da tenda, que estava atraz d’elle.

11 E eram Abrahão e Sarah já [7] velhos, e adiantados em edade; já a Sarah havia cessado o costume das [8] mulheres.

12 Assim pois riu-se Sarah comsigo, [9] dizendo: Terei [10] ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo tambem o meu senhor já [11] velho?

13 E disse o Senhor a Abrahão: Porque se riu Sarah, dizendo: Na verdade parirei eu ainda, havendo já envelhecido?

14 Haveria coisa alguma difficil [12] ao Senhor? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sarah terá um filho.

15 E Sarah negou, dizendo: Não me ri: porquanto temeu. E elle disse: Não digas isso, porque [13] te riste.

16 E levantaram-se aquelles varões d’ali, e olharam para a banda de Sodoma; e Abrahão ia com elles, acompanhando-os.

Deus annuncia a destruição de Sodoma e Gomorrah.

17 E disse o Senhor: [14] Occultarei eu a Abrahão o que faço?

[15]

18 Visto que Abrahão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, [15] e n’elle serão bemditas todas as nações da terra.

19 Porque eu o tenho conhecido, que elle ha de ordenar a seus filhos [16] e a sua casa depois d’elle, para que guardem o caminho do Senhor, para obrar com justiça e juizo: para que o Senhor faça vir sobre Abrahão o que ácerca d’elle tem fallado.

20 Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorrah se tem multiplicado, e porquanto o seu peccado se tem aggravado muito,

21 Descerei [17] agora, e verei se com effeito tem praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabel-o-hei.

22 Então viraram aquelles varões o rosto d’ali, e foram-se para Sodoma; mas Abrahão ficou ainda em pé diante da face do Senhor.

Abrahão intercede com Deus pelos homens.

23 E chegou-se Abrahão, dizendo: Destruirás tambem o justo com o impio?

24 Se porventura houver cincoenta justos na cidade, destruil-os-has tambem, e não pouparás o logar por causa dos cincoenta justos que estão dentro d’ella?

25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o impio: que o justo seja como o impio, [18] longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?

26 Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cincoenta justos [19] dentro da cidade, pouparei a todo o logar por amor d’elles.

27 E respondeu Abrahão, dizendo: Eis que agora me atrevi a fallar ao Senhor, ainda que sou pó e [20] cinza:

28 Porventura faltarão de cincoenta justos cinco; destruirás por aquelles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.

29 E continuou ainda a fallar-lhe, e disse: Porventura se acharão ali quarenta. E disse: Não o farei por amor dos quarenta.

30 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, se eu ainda fallar: Porventura se acharão ali trinta. E disse: Não o farei se achar ali trinta.

31 E disse: Eis que agora me atrevi a fallar ao Senhor: Porventura se acharão ali vinte. E disse: Não a destruirei por amor dos vinte.

32 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, que ainda só mais esta [21] vez fallo: Porventura se acharão ali dez. E disse: Não a destruirei por amor dos dez.

33 E foi-se o Senhor, quando acabou de fallar a Abrahão: e Abrahão tornou-se ao seu logar.

[1] cap. 13.18 e 14.13.

[2] cap. 19.1.

[3] Heb. 13.2.

[4] cap. 43.24.

[5] Jui. 5.25.

[6] ver. 14. cap. 17.19 e 21.2. II Reis 4.16. Rom. 9.9. Gal. 4.23.

[7] Rom. 4.19. Heb. 11.11, 12.

[8] cap. 31.35.

[9] cap. 21.6.

[10] Luc. 1.18.

[11] I Ped. 3.6.

[12] Jer. 32.17.

[13] Psa. 44.21.

[14] Psa. 25.14. Amós 3.7. João 15.15.

[15] cap. 12.13.

[16] Deu. 4.9, 10. Psa. 78.5-8. Eph. 6.4.

[17] cap. 11.5. Exo. 3.8.

[18] Job 8.3 e 34.17. Rom. 3.6.

[19] Jer. 5.1.

[20] Job 4.19.

[21] Jui. 6.39.

Lot recebe os dois anjos em sua casa.

19 E vieram os dois [1] anjos a Sodoma á tarde, e estava Lot assentado á porta de Sodoma; e vendo-os Lot, levantou-se ao seu encontro, e inclinou-se com o rosto á terra;

2 E disse: Eis agora, meus senhores, entrae, peço-vos, em casa de vosso servo, e passae n’ella a noite, e lavae os vossos pés; e de madrugada vos levantareis, e ireis vosso caminho. E elles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.

3 E porfiou com elles muito, e vieram com elle, e entraram em sua casa: e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levadura, e comeram.

4 E antes que se deitassem, cercaram a casa, os varões d’aquella cidade, os varões de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.

5 E chamaram a Lot, e disseram-lhe: Onde estão os varões que a ti vieram n’esta [2] noite? Tral-os fóra a nós, para que os conheçamos.

6 Então saiu Lot a elles á porta, e fechou a porta atraz de si,

7 E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não [3] façaes mal:

8 Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não [4] conheceram varão; fora vol-as trarei, e fareis d’ellas como bom fôr nos vossos olhos; sómente nada façaes a estes varões, porque por isso vieram á sombra do meu telhado.

9 Elles porém disseram: Sae d’ali. Disseram mais: Como estrangeiro este individuo veiu aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a elles. E arremessaram-se sobre o varão, sobre Lot, e approximaram-se para arrombar a porta.

10 Aquelles varões porém estenderam a sua mão, e fizeram entrar a Lot comsigo na casa, e fecharam a porta;

11 E [5] feriram de cegueira os varões que estavam á porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cançaram para achar a porta.

12 Então disseram aquelles varões a Lot: Tens alguem mais aqui? teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos[16] tens n’esta cidade, tira-os fóra d’este logar;

13 Porque nós vamos destruir este logar, porque o seu clamor tem engrossado [6] diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruil-o.

14 Então saiu Lot, e fallou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantae-vos, sahi d’este logar; porque o Senhor ha de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros.

15 E ao amanhecer os anjos apertaram com Lot, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher, e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça d’esta cidade.

16 Elle porém demorava-se, e aquelles varões lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-o, e puzeram-o fóra da cidade.

17 E aconteceu que, tirando-os fóra, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes [7] para traz de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.

18 E Lot disse-lhe: Ora não, Senhor!

19 Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericordia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida: e eu não posso escapar no monte, para que porventura não me apanhe este mal, e eu morra.

20 Eis que agora esta cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena: ora para ali me escaparei (não é pequena?), para que minha alma viva.

21 E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te acceitado tambem n’este negocio, para não derribar esta cidade, de que fallaste:

22 Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, emquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade [AQ] Zoar.

23 Saiu o sol sobre a terra, quando Lot entrou em Zoar.

A destruição de Sodoma e Gomorrah.

24 Então o Senhor fez [8] chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorrah;

25 E derribou aquellas cidades, e toda aquella campina, e todos os moradores d’aquellas cidades, e o que nascia da terra.

26 E a mulher de Lot olhou para traz d’elle, e ficou convertida n’uma estatua de [9] sal.

27 E Abrahão levantou-se aquella mesma manhã, de madrugada, e foi para aquelle logar onde estivera [10] diante da face do Senhor;

28 E olhou para Sodoma e Gomorrah, e para toda a terra da campina; e viu, e eis que o fumo da terra subia, como o fumo d’uma fornalha.

29 E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, Deus se lembrou de Abrahão, e tirou a Lot do meio da destruição, derribando aquellas cidades em que Lot habitara.

30 E subiu Lot de Zoar, e habitou [11] no monte, e as suas duas filhas com elle; porque temia de habitar em Zoar; e habitou n’uma caverna, elle e as suas duas filhas.

31 Então a primogenita disse á menor: Nosso pae é já velho, e não ha varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;

32 Vem, demos de beber vinho a nosso pae, e deitemo-nos com elle, para que em vida conservemos semente de nosso pae.

33 E deram de beber vinho a seu pae [12] n’aquella noite; e veiu a primogenita, e deitou-se com seu pae, e não sentiu elle quando ella se deitou, nem quando se levantou.

34 E succedeu, no outro dia, que a primogenita disse á menor: Vês aqui, eu já hontem á noite me deitei com meu pae: demos-lhe de beber vinho tambem esta noite, e então entra tu, deita-te com elle, para que em vida conservemos semente de nosso pae.

35 E deram de beber vinho a seu pae, tambem n’aquella noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com elle; e não sentiu elle quando ella se deitou, nem quando se levantou.

36 E conceberam [13] as duas filhas de Lot de seu pae.

37 E pariu a primogenita um filho, e chamou o seu nome Moab; este é o pae dos [14] moabitas, até ao dia d’hoje.

38 E a menor tambem pariu um filho, e chamou o seu nome Benammi; este é o pae dos filhos de Ammon, até o dia [15] d’hoje.

[1] cap. 18.22.

[2] Jui. 19.22.

[3] Lev. 18.22. Deu. 23.17. Rom. 1.24. I Cor. 6.9, 11. Jud. 7.

[4] Jui. 19.24.

[5] II Reis 6.18. Act. 13.11.

[6] cap. 18.20.

[7] ver. 26.

[8] Deu. 29.23. Isa. 13.19. Jer. 49.18 e 50.40. Lam. 4.6. Eze. 16.49. Mat. 11.23. Luc. 17.28, 29. II Ped. 2.6. Jud. 7. Apo. 20.9.

[9] Luc. 17.32.

[10] cap. 18.22.

[11] ver. 17, 19.

[12] Pro. 23.31, 33.

[13] Lev. 18.6, 7.

[14] Deu. 2.9, 19.

[15] Sof. 2.9.

Abrahão nega que Sarah é sua mulher.

20 E partiu-se Abrahão d’ali para a terra do sul, e habitou entre Kades e Sur; e peregrinou em Gerar.

[17]

2 E havendo Abrahão dito de Sarah sua mulher; [1] É minha irmã, enviou Abimelech, rei de Gerar, e tomou a Sarah.

3 Deus porém veiu a Abimelech em [2] sonhos de noite, e disse-lhe: Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ella está casada com marido.

4 Mas Abimelech ainda não se tinha chegado a ella; por isso disse: Senhor, matarás tambem uma nação justa?

5 Não me disse elle mesmo: É minha irmã? e ella tambem disse: É meu irmão. Em sinceridade do coração e em pureza das minhas mãos tenho feito isto.

6 E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e tambem eu te tenho impedido de peccar contra mim; [3] por isso te não permitti tocal-a;

7 Agora pois restitue a mulher ao seu marido, porque propheta é, e rogará por ti, [4] para que vivas; porém senão lh’a restituires, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

8 E levantou-se Abimelech pela manhã de madrugada, chamou a todos os seus servos, e fallou todas estas palavras em seus ouvidos; e temeram muito aquelles varões.

9 Então chamou Abimelech a Abrahão e disse-lhe: Que nos fizeste? e em que pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho peccado? Tu me fizeste aquillo que não deverias ter feito.

10 Disse mais Abimelech a Abrahão: Que tens visto, para fazer tal coisa?

11 E disse Abrahão: Porque eu dizia commigo: [5] Certamente não ha temor de Deus n’este logar, e elles me matarão por amor da minha mulher.

12 E, na verdade, é ella tambem minha irmã, filha de meu pae, mas não filha da minha mãe; e veiu a ser minha mulher:

13 E aconteceu que, fazendo-me Deus sair errante da casa de meu pae, eu lhe disse: Seja esta a graça que me farás em todo o logar aonde viermos: diz de mim: É meu irmão.

14 Então tomou Abimelech ovelhas e vaccas, [6] e servos e servas, e os deu a Abrahão; e restituiu-lhe Sarah, sua mulher.

15 E disse Abimelech: Eis que a minha terra está diante da tua face: habita onde bom fôr aos teus olhos.

16 E a Sarah disse: Vês que tenho dado ao teu irmão mil moedas de prata: eis que elle te seja por véu dos olhos para com todos os que comtigo estão, e até para com todos os outros; e estás advertida.

17 E orou Abrahão a Deus, e sarou Deus a Abimelech, e á sua mulher, e ás suas servas, de maneira que pariram;

18 Porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimelech, por causa de Sarah, mulher de Abrahão.

[1] cap. 12.13 e 26.7.

[2] Job 33.15. Psa. 105.14.

[3] Psa. 51.4.

[4] I Sam. 7.5. Job 42.8. Thi. 5.16.

[5] Pro. 3.5.

[6] cap. 12.16.

O nascimento de Isaac.

Antes de Christo 1892

21 E o Senhor [1] visitou a Sarah, como tinha dito; e fez o Senhor a Sarah como tinha fallado.

2 E [2] concebeu Sarah, e pariu a Abrahão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito.

3 E chamou Abrahão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sarah lhe [3] parira, [AR] Isaac.

4 E Abrahão circumcidou o seu filho Isaac, quando era da edade de oito dias, como Deus lhe tinha [4] ordenado.

5 E era Abrahão da edade de cem annos, quando lhe nasceu Isaac seu filho.

6 E disse Sarah: Deus me tem feito riso: todo aquelle que o ouvir, se rirá commigo.

7 Disse mais: Quem diria a Abrahão, que Sarah daria de mamar a filhos? porque pari-lhe um filho na sua velhice.

8 E cresceu o menino, e foi desmamado; então Abrahão fez um grande banquete no dia em que Isaac foi desmamado.

9 E viu Sarah [5] que zombava o filho de Hagar a Egypcia, o qual tinha parido a Abrahão.

10 E disse a Abrahão: Deita fóra esta [6] serva e o seu filho; porque o filho d’esta serva não herdará com meu filho, com Isaac.

11 E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abrahão, por causa de seu filho.

12 Porém Deus disse a Abrahão: Não te pareça mal aos teus olhos ácerca do moço, e ácerca da tua serva; em tudo o que Sarah te diz, ouve a sua voz; porque [7] em Isaac será chamada a tua semente.

13 Mas tambem do [8] filho d’esta serva farei uma nação, porquanto é tua semente.

O despedimento de Hagar e Ishmael.

14 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e tomou pão, e um odre d’agua, e os deu a Hagar, pondo-os sobre o seu hombro; tambem lhe[18] deu o menino, e despediu-a; e ella foi-se, andando errante no deserto de [AS] Berseba.

15 E consumida a agua do odre, lançou o menino debaixo de uma das arvores.

16 E foi-se, e assentou-se em frente, afastando-se a distancia d’um tiro d’arco; porque dizia: Que não veja morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou.

17 E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Hagar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Hagar? não temas, porque Deus ouviu a voz do moço desde o logar onde está.

18 Ergue-te, levanta o moço, e pega-lhe pela mão, porque d’elle farei uma [9] grande nação.

19 E [10] abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço d’agua: e foi-se, e encheu o odre d’agua, e deu de beber ao moço.

20 E era Deus com o moço, que cresceu; e habitou no deserto, e foi frecheiro.

21 E habitou no deserto [11] de Paran; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egypto.

Abimelech faz um pacto com Abrahão.

22 E aconteceu n’aquelle mesmo tempo que Abimelech, com Phichol, [AT] principe do seu exercito, fallou com Abrahão, dizendo: Deus é [12] comtigo em tudo o que fazes;

23 Agora pois, jura-me aqui por Deus que me não mentirás a mim, nem a meu filho, nem a meu neto: segundo a beneficencia que te fiz, me farás a mim, e á terra onde peregrinaste.

24 E disse Abrahão: Eu jurarei.

25 Abrahão, porém, reprehendeu a Abimelech por causa de um poço d’agua, que os servos de Abimelech haviam tomado por [13] força.

26 Então disse Abimelech: Eu não sei quem fez isto; e tambem tu m’o não fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje.

27 E tomou Abrahão ovelhas e vaccas, e deu-as a Abimelech; e fizeram ambos concerto.

28 Poz Abrahão, porém, á parte sete cordeiras do rebanho.

29 E Abimelech disse a Abrahão: Para que estão aqui estas sete cordeiras, que pozeste á parte?

30 E disse: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam [14] em testemunho que eu cavei este poço.

31 Por isso se chamou aquelle logar [AU] Berseba, porquanto ambos juraram ali.

32 Assim fizeram concerto em Berseba. Depois se levantou Abimelech e Phichol, principe do seu exercito, e tornaram-se para a terra dos philisteus.

33 E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus [15] eterno.

34 E peregrinou Abrahão na terra dos philisteus muitos dias.

[1] I Sam. 2.21. Luc. 1.68.

[2] Heb. 11.11.

[3] cap. 17.19.

[4] Lev. 12.3. Act. 7.8.

[5] Gal. 4.29.

[6] Gal. 4.30.

[7] Rom. 9.7, 8. Heb. 11.18.

[8] cap. 16.10.

[9] ver. 13.

[10] Num. 22.31. II Reis 6.17, 20. Luc. 24.16, 31.

[11] Num. 10.12.

[12] cap. 26.28 e 39.2.

[13] cap. 26.15, 22.

[14] cap. 31.48. Jos. 22.27.

[15] Psa. 90.2.

Deus manda Abrahão matar seu filho Isaac.

Antes de Christo 1891

22 E aconteceu [1] depois d’estas coisas, que tentou Deus a Abrahão, e disse-lhe: Abrahão! E elle disse: Eis-me aqui.

2 E disse: Toma agora o teu filho, o teu unico filho, Isaac, a quem amas, e vae-te á terra de Moriah, e offerece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

3 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou comsigo dois de seus moços e Isaac seu filho; e fendeu lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao logar que Deus lhe dissera.

4 Ao terceiro dia levantou Abrahão os seus olhos, e viu o logar de longe.

5 E disse Abrahão a seus moços: Ficae-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós.

6 E tomou Abrahão a lenha do holocausto, [2] e pôl-a sobre Isaac seu filho; e elle tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.

7 Então fallou Isaac a Abrahão seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse: Eis-me aqui, meu filho! E elle disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?

8 E disse Abrahão: Deus proverá para si [3] o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.

9 E vieram ao logar que Deus lhe dissera, e edificou Abrahão ali um altar, e poz em ordem a lenha, e amarrou a Isaac seu filho, [4] e deitou-o sobre o altar em cima da lenha.

10 E estendeu Abrahão a sua mão, e tomou o cutelo para immolar o seu filho;

11 Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abrahão, Abrahão! E elle disse: Eis-me aqui.

12 Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada: porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu unico.

[19]

13 Então levantou Abrahão os seus olhos, e olhou; e eis um carneiro detraz d’elle, travado pelas suas pontas n’um [5] matto; e foi Abrahão, e tomou o carneiro, e offereceu-o em holocausto, em logar de seu filho.

14 E chamou Abrahão o nome d’aquelle logar, [AV] o Senhor proverá; d’onde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor [6] se proverá.

15 Então o anjo do Senhor bradou a Abrahão pela segunda vez desde os céus,

16 E disse: Por mim mesmo, [7] jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta acção, e não negaste o teu filho, o teu unico,

17 Que devéras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as [8] estrellas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos;

18 E em tua semente serão bemditas todas as nações da terra; [9] porquanto obedeceste á minha voz.

19 Então Abrahão tornou aos seus moços, e levantaram-se, e foram juntos para Berseba; e Abrahão habitou em Berseba.

20 E succedeu depois d’estas coisas, que annunciaram a Abrahão, dizendo: Eis que tambem [10] Milcah pariu filhos a Nahor teu irmão:

21 Uz o seu primogenito, e Buz seu irmão, e Kemuel, pae d’Aram,

22 E Chesed, e Hazo, e Pildas, e Jidlaph, e Bethuel.

23 E Bethuel [11] gerou Rebecca: estes oito pariu Milcah a Nahor, irmão de Abrahão.

24 E a sua concubina, cujo nome era Reuma, ella pariu tambem a Tebah, e Gaham, e Tahash e Maacah.

[1] Deu. 8.2.

[2] João 19.17.

[3] João 1.29. Apo. 5.6.

[4] Heb. 11.17. Thi. 2.21.

[5] I Cor. 10.13. II Cor. 1.9, 10.

[6] ver. 8.

[7] Luc. 1.73. Heb. 6.13, 14.

[8] Deu. 1.10. Jer. 33.22.

[9] I Sam. 2.30.

[10] cap. 11.29.

[11] cap. 24.15.

A morte de Sarah.

Antes de Christo 1860

23 E foi a vida de Sarah cento e vinte e sete annos: estes foram os annos da vida de Sarah.

2 E morreu Sarah em [1] Kiriath-arba, que é Hebron, na terra de Canaan; e veiu Abrahão lamentar a Sarah e chorar por ella.

3 Depois se levantou Abrahão de diante do seu morto, e fallou aos filhos de Heth, dizendo:

4 Estrangeiro e peregrino sou entre vós: dae-me [2] possessão de sepultura comvosco, para que eu sepulte o meu morto de diante da minha face.

5 E responderam os filhos de Heth a Abrahão, dizendo-lhe:

6 Ouve-nos, meu senhor; principe de Deus és no meio de nós; enterra o teu morto na mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrar o teu morto.

7 Então se levantou Abrahão, e inclinou-se diante do povo da terra, diante dos filhos de Heth.

8 E fallou com elles, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu morto de diante de minha face, ouvi-me e fallae por mim a Ephron, filho de Zohar,

9 Que elle me dê a cova de Machpelah, que elle tem no fim do seu campo; que m’a dê pelo devido preço em herança de sepulchro no meio de vós.

10 Ora Ephron habitava no meio dos filhos de Heth: e respondeu Ephron hetheo a Abrahão, aos ouvidos dos filhos de Heth, de todos os que entravam pela porta da sua cidade, dizendo:

11 Não, meu senhor: ouve-me, o campo te dou, tambem te dou a cova que n’elle está, diante dos olhos dos filhos do meu povo t’a dou; sepulta o teu morto.

12 Então Abrahão se inclinou diante da face do povo da terra,

13 E fallou a Ephron, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Mas se tu estás por isto, ouve-me, peço-te: o preço do campo o darei; toma-o de mim, e sepultarei ali o meu morto.

14 E respondeu Ephron a Abrahão, dizendo-lhe:

15 Meu senhor, ouve-me, a terra é de quatrocentos siclos de prata; que é isto entre mim e ti? sepulta o teu morto.

16 E Abrahão deu ouvidos a Ephron e Abrahão pesou a Ephron a prata de que tinha fallado aos ouvidos dos filhos de Heth, quatrocentos siclos de prata, correntes entre mercadores.

17 Assim o campo de Ephron, que estava em Machpelah, em frente de Mamre, o campo e a cova que n’elle estava, e todo o arvoredo que no campo havia, que estava em todo o seu contorno ao redor,

18 Se confirmou a Abrahão em possessão diante dos olhos dos filhos de Heth, de todos os que entravam pela porta da sua cidade.

19 E depois sepultou Abrahão a Sarah sua mulher na cova do campo de Machpelah, em frente de Mamre, que é Hebron, na terra de Canaan.

20 Assim o campo e a cova que n’elle[20] estava se confirmou a Abrahão em possessão de sepultura pelos filhos de Heth.

[1] Jos. 14.15. cap. 13.18.

[2] Act. 7.5.

Abrahão manda seu servo buscar uma mulher para Isaac.

Antes de Christo 1857

24 E era Abrahão já velho e adiantado em edade, e o Senhor havia [1] abençoado a Abrahão em tudo.

2 E disse Abrahão ao [2] seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuia: [3] Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa,

3 Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho [4] mulher das filhas dos cananeos no meio dos quaes eu habito,

4 Mas [5] que irás á minha terra e á minha parentela, e d’ahi tomarás mulher para meu filho Isaac.

5 E disse-lhe o servo: Porventura não quererá seguir-me a mulher a esta terra. Farei pois tornar o teu filho á terra d’onde saiste?

6 E Abrahão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho.

7 O Senhor, Deus dos [6] céus, que me [7] tomou da casa de meu pae e da terra da minha parentela, e que me fallou, e que me jurou, dizendo: Á tua semente darei esta terra: Elle enviará o seu [8] anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho.

8 Se a mulher, porém, não quizer seguir-te, serás livre d’este meu juramento; sómente não faças lá tornar a meu filho.

9 Então poz o servo a sua mão debaixo da coxa de Abrahão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negocio.

10 E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que toda a fazenda de seu senhor estava em sua mão, e levantou-se e partiu para [AW] Mesopotamia, para a cidade de [9] Nahor,

11 E fez ajoelhar os camelos fóra da cidade, junto a um poço d’agua, pela tarde, ao tempo que as moças sahiam a tirar [10] agua.

12 E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão! [11] dá-me hoje bom encontro, [12] e faze beneficencia ao meu senhor Abrahão!

13 Eis que eu estou em pé junto á fonte d’agua, e as filhas dous varões d’esta cidade saem para tirar agua;

14 Seja pois que a donzella, a quem eu disser: Abaixa agora o teu cantaro para que eu beba; e ella disser: Bebe, e tambem darei de beber aos teus camelos; esta seja a quem designaste ao teu servo Isaac, e que eu [13] conheça n’isso que fizeste beneficencia a meu senhor.

O encontro de Rebecca.

15 E succedeu [14] que, antes que elle acabasse de fallar, eis que Rebecca, que havia nascido a Bethuel, filho de Milcah, mulher de Nahor, irmão de Abrahão, sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro.

16 E a donzella era mui formosa á vista, virgem, a quem varão não havia conhecido: e desceu á fonte, e encheu o seu cantaro, e subiu.

17 Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Ora deixa-me beber uma pouca d’agua do teu cantaro.

18 E ella disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se, e abaixou o seu cantaro sobre a sua mão, e deu-lhe de beber.

19 E, acabando ella de lhe dar de beber, disse: Tirarei tambem agua para os teus camelos, até que acabem de beber.

20 E apressou-se, e vasou o seu cantaro na pia, e correu outra vez ao poço para tirar agua, e tirou para todos os seus camelos.

21 E o varão estava admirado de vel-a, calando-se, para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada, ou não.

22 E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o varão um pendente de oiro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de oiro.

23 E disse: De quem és filha? faze-m’o saber, peço-te; ha tambem em casa de teu pae logar para nós pousarmos?

24 E ella lhe disse: Eu sou a filha de [15] Bethuel, filho de Milcah, o qual ella pariu a Nahor.

25 Disse-lhe mais: Tambem temos palha e muito pasto, e logar para passar a noite.

26 Então inclinou-se [16] aquelle varão, e adorou ao Senhor,

27 E disse: Bemdito seja o Senhor Deus de meu senhor Abrahão, que não retirou a sua beneficencia e a sua verdade de meu senhor: quanto a mim, o Senhor me guiou no caminho á casa dos irmãos de meu senhor.

28 E a donzella correu, e fez saber estas coisas na casa de sua mãe.

29 E Rebecca tinha um irmão, cujo[21] nome era [17] Labão; e Labão correu ao encontro d’aquelle varão á fonte.

30 E aconteceu que, quando elle viu o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebecca, que dizia: Assim me fallou aquelle varão; veiu o varão, e eis que estava em pé junto aos camelos á fonte.

31 E disse: Entra, bemdito do Senhor, porque estarás fóra? pois eu já preparei a casa, e o logar para os camelos.

32 Então veiu aquelle varão á casa, e desataram os camelos, e deram palha e pasto aos camelos, e agua para lavar os pés d’elle e os pés dos varões que estavam com elle.

33 Depois pozeram de comer diante d’elle; elle porém disse: Não [18] comerei, até que tenha dito as minhas palavras. E elle disse: Falla.

34 Então disse: Eu sou o servo d’Abrahão.

35 E o Senhor [19] abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, [20] e deu-lhe ovelhas e vaccas, e prata e oiro, e servos e servas, e camelos e jumentos.

36 E Sarah, a mulher do meu senhor, pariu um filho a meu senhor depois da sua velhice, e elle deu-lhe tudo quanto tem.

37 E meu senhor me fez [21] jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeos, em cuja terra habito:

38 Irás porém á casa de meu pae, e á minha familia, e tomarás mulher para meu filho.

39 Então disse eu ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.

40 E elle me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo comtigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para meu filho da minha familia e da casa de meu pae:

41 Então serás livre do meu juramento, quando fores á minha familia; e se não t’a derem, livre serás do meu juramento.

42 E hoje cheguei á fonte, e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão! se tu agora prosperas o meu caminho, no qual eu ando,

43 Eis que estou junto á fonte d’agua: seja pois que a donzella que sair para tirar agua e á qual eu disser: Ora dá-me uma pouca d’agua do teu cantaro;

44 E ella me disser: Bebe tu tambem, e tambem tirarei agua para os [22] teus camelos; esta seja a mulher que o Senhor designou ao filho de meu senhor.

45 E antes que eu acabasse de fallar no [23] meu coração, eis que Rebecca sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro, e desceu á fonte, e tirou agua; e eu lhe disse: Ora dá-me de beber.

46 E ella se apressou, e abaixou o seu cantaro de sobre si, e disse: Bebe, e tambem darei de beber aos teus camelos; e bebi, e ella deu tambem de beber aos camelos.

47 Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ella disse: Filha de Bethuel, filho de Nahor, que lhe pariu Milcah. Então eu puz o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos;

48 E inclinando-me adorei ao Senhor, e bemdisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abrahão, [24] que me havia encaminhado pelo caminho da verdade, para tomar a filha do irmão de meu senhor para seu filho.

49 Agora pois, se vós haveis de fazer beneficencia e verdade a meu senhor, fazei-m’o saber; e se não tambem m’o fazei saber, para que eu olhe á mão direita, ou á esquerda.

50 Então responderam Labão e Bethuel, e disseram: Do Senhor procedeu este negocio; não podemos fallar-te mal ou [25] bem.

51 Eis que, Rebecca está diante da tua face; toma-a, e vae-te; seja a mulher do filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.

52 E aconteceu que, o servo de Abrahão, ouvindo as suas palavras, inclinou-se á terra diante do Senhor,

53 E tirou o servo [AX] vasos de prata e vasos de oiro, e vestidos, e deu-os a Rebecca; tambem deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.

54 Então comeram e beberam, elle e os varões que com elle estavam, e passaram a noite. E levantaram-se pela manhã, e disse: Deixae-me ir a meu senhor.

55 Então disseram seu irmão e sua mãe: Fique a donzella comnosco alguns dias, ou pelo menos dez dias, depois irá.

56 Elle porém lhes disse: Não me detenhaes, pois o Senhor tem prosperado o meu caminho; deixae-me partir, que eu volte a meu senhor.

57 E disseram: Chamemos a donzella, e perguntemos-lh’o.

[22]

Rebecca consente em casar com Isaac.

58 E chamaram a [26] Rebecca, e disseram-lhe: Irás tu com este varão? Ella respondeu: Irei.

59 Então despediram a Rebecca sua [27] irmã, e sua ama, e o servo de Abrahão, e seus varões.

60 E [28] abençoaram a Rebecca, e disseram-lhe: O nossa irmã, sejas tu em milhares de milhares, e que a tua semente possua a [29] porta de seus aborrecedores!

61 E Rebecca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os camelos, e seguiram o varão: e tomou aquelle servo a Rebecca, e partiu.

62 Ora Isaac vinha d’onde se vem do poço de Lahai-roi; porque habitava na terra do sul.

63 E Isaac saira a orar [AY] no campo, sobre a tarde: e levantou os seus olhos, e olhou, e eis que os camelos vinham.

64 Rebecca tambem levantou seus olhos, e viu a Isaac, e lançou-se do [30] camelo.

65 E disse ao servo: Quem é aquelle varão que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então tomou ella o véu, e cobriu-se.

66 E o servo contou a Isaac todas as coisas que fizera.

67 E Isaac trouxe-a para a tenda de sua mãe Sarah, e tomou a Rebecca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaac foi consolado depois da morte de sua mãe.

[1] cap. 13.2.

[2] cap. 15.2.

[3] cap. 47.29.

[4] Deu. 7.3.

[5] cap. 11.28 e 28.2.

[6] Esd. 1.2.

[7] cap. 12.1, 7.

[8] Heb. 1.14.

[9] cap. 11.31.

[10] Exo. 2.16. I Sam. 9.11.

[11] ver. 27. cap. 26.24. Exo. 3.6.

[12] Neh. 1.11. Pro. 3.6.

[13] Jui. 6.17, 37.

[14] Isa. 65.24. Dan. 9.21.

[15] cap. 22.23.

[16] ver. 52. Exo. 4.31.

[17] cap. 29.5.

[18] João 4.34. Eph. 6.5, 7.

[19] Pro. 10.22 e 22.4.

[20] Psa. 18.35.

[21] ver. 3.

[22] Pro. 19.14.

[23] I Sam. 1.13. Neh. 2.4.

[24] Psa. 32.8 e 48.14 e 107.7.

[25] cap. 31.34. II Sam. 13.22.

[26] Psa. 45.10.

[27] cap. 35.8.

[28] Ruth 4.11, 12.

[29] cap. 22.17.

[30] Jos. 15.18. Jui. 1.14.

Abrahão casa com Ketura e tem filhos d’ella.

25 E Abrahão tomou outra mulher; e o seu nome era [1] Ketura;

2 E pariu-lhe Zimran, e Joksan, e [2] Medan, e Midian, e Jisbac, e Shuah.

3 E Joksan gerou [3] Seba e Dedan: e os filhos de [4] Dedan foram Assurim, e Letusim e Leummim.

4 E os filhos de Midian foram [5] Epha, e Epher, e Henoch, e Abidah, e Eldah: estes todos foram filhos de Ketura.

5 Porém Abrahão deu tudo o que tinha a Isaac;

6 Mas aos filhos das concubinas que Abrahão tinha, deu Abrahão presentes, e, vivendo elle ainda, despediu-os do seu filho Isaac, ao oriente, para a terra [6] oriental.

7 Estes pois são os dias dos annos da vida de Abrahão, que viveu cento e setenta e cinco annos.

Abrahão morre.

Antes de Christo 1822

8 E Abrahão expirou e [7] morreu em boa velhice, velho e farto de dias: [8] e foi congregado ao seu povo;

9 E sepultaram-o Isaac e Ishmael, seus filhos, na cova de Machpelah, no campo d’Ephron, filho de Zohar hetheo, que estava em frente de Mamre,

10 O campo que Abrahão comprara aos filhos de Heth. Ali está sepultado Abrahão, e Sarah sua mulher.

11 E aconteceu depois da morte de Abrahão, que Deus abençoou a Isaac seu filho; e habitava Isaac junto ao poço Lahai-roi.

Os descendentes de Ishmael.

12 Estas porém são as gerações de Ishmael filho de Abrahão, que a serva de Sarah, Hagar Egypcia, pariu a Abrahão.

13 E estes são os nomes dos filhos de Ishmael pelos seus nomes, segundo as suas gerações: o [9] primogenito de Ishmael era Nebajoth, depois Kedar, e Abdeel, e Mibsam,

14 E Misma, e Duma, e Massa,

15 Hadar, e Tema, Jetur, Nafis, e Kedma.

16 Estes são os filhos de Ishmael, e estes são os seus nomes pelas suas villas e pelos seus [AZ] castellos: doze principes [10] segundo as suas [BA] familias.

17 E estes são os annos da vida de Ishmael, cento e trinta e sete annos; e elle expirou, e morreu, [11] e foi congregado ao seu povo.

18 E habitaram desde Havila até Sur, que está em frente do Egypto, indo para [BB] Assur; e fez o seu assento diante da face de todos os seus [12] irmãos.

Os descendentes de Isaac.

19 E estas são as gerações de Isaac, filho de Abrahão: Abrahão gerou a Isaac:

20 E era Isaac da edade de quarenta annos, quando tomou a Rebecca, filha de Bethuel [BC] arameo de Paddan-aram, irmã de Labão arameo, por sua mulher.

21 E Isaac orou instantemente ao Senhor por sua [13] mulher, porquanto era esteril; [14] e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebecca sua mulher concebeu.

22 E os filhos luctavam dentro d’ella; então disse: Se assim é, porque sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.

[23]

23 E o Senhor lhe disse: Duas nações ha no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao [15] menor.

O nascimento de Esaú e Jacob.

Antes de Christo 1838

24 E cumprindo-se os seus dias para parir, eis gemeos no seu ventre.

25 E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido cabelludo; por isso chamaram o seu nome [BD] Esaú.

26 E depois saiu o seu irmão, [16] agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome [BE] Jacob. E era Isaac da edade de sessenta annos quando os gerou.

27 E cresceram os meninos, e Esaú foi varão perito na caça, varão do campo; mas Jacob era varão simples, [17] habitando em tendas.

28 E amava Isaac a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebecca amava a Jacob.

29 E Jacob cozera um guisado; e veiu Esaú do campo, e estava elle [BF] cançado:

30 E disse Esaú a Jacob: Deixa-me, peço-te, sorver d’esse guisado vermelho, porque estou cançado. Por isso se chamou o seu nome [BG] Edom.

31 Então disse Jacob: Vende-me hoje a tua primogenitura.

32 E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?

33 Então disse Jacob: Jura-me hoje. E jurou-lhe [18] e vendeu a sua primogenitura a Jacob.

34 E Jacob deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas; e comeu, e bebeu, e levantou-se, e foi-se. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura.

[1] I Chr. 1.32.

[2] Num. 22.4.

[3] I Sam. 10.1. Psa. 72.10.

[4] Jer. 25.23.

[5] Isa. 60.6.

[6] Jui. 6.3.

[7] cap. 15.15. Job 5.26.

[8] cap. 35.29 e 49.32.

[9] I Chr. 1.29.

[10] cap. 17.20.

[11] I Sam. 15.7.

[12] cap. 16.12.

[13] I Sam. 1.11. Luc. 1.13.

[14] I Chr. 5.20. I Chr. 23.13. Esd. 8.20. Pro. 10.24.

[15] Mal. 1.2, 4. Rom. 9.10, 12.

[16] Ose. 12.3.

[17] Heb. 11.9.

[18] cap. 27.36. Heb. 12.16.

Isaac vae a Gerar por causa da fome.

Antes de Christo 1804

26 E havia fome na [1] terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abrahão: por isso foi-se Isaac a Abimelech, [2] rei dos philisteus, em Gerar.

2 E appareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egypto; habita na terra que eu te disser:

3 Peregrina n’esta terra, e serei comtigo, e te abençoarei; porque a ti e á tua semente darei todas estas [3] terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abrahão teu pae;

4 E multiplicarei a tua semente como as estrellas dos céus, [4] e darei á tua semente todas estas terras; e em tua semente serão bemditas todas as nações da terra;

5 Porquanto Abrahão obedeceu á minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis.

6 Assim habitou Isaac em Gerar.

7 E perguntando-lhe os varões d’aquelle logar ácerca de sua mulher, disse: É minha irmã; [5] porque temia de dizer: [6] É minha mulher; para que porventura (dizia elle) me não matem os varões d’aquelle logar por amor de Rebecca; porque era formosa á vista.

8 E aconteceu que, como elle esteve ali muito tempo, Abimelech rei dos philisteus olhou por uma janella, e viu, e eis que Isaac estava brincando com Rebecca sua mulher.

9 Então chamou Abimelech a Isaac, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaac: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa d’ella.

10 E disse Abimelech: [7] Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguem d’este povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delicto.

11 E mandou Abimelech a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar a este varão ou a sua mulher, certamente morrerá.

12 E semeou Isaac n’aquella mesma terra, e achou n’aquelle mesmo anno [BH] cem medidas, porque o Senhor o abençoava.

13 E engrandeceu-se o varão, e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande;

14 E tinha possessão d’ovelhas, e possessão de vaccas, e muita gente de serviço, de maneira que os philisteus o [8] invejavam.

15 E todos os poços, que os servos de seu pae tinham cavado nos dias de seu pae Abrahão, os philisteus entulharam e encheram de terra.

16 Disse tambem Abimelech a Isaac: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.

17 Então Isaac foi-se d’ali e fez o seu assento no valle de Gerar, e habitou lá.

18 E tornou Isaac, e cavou os poços d’agua que cavaram nos dias de Abrahão seu pae, e que os philisteus taparam depois da morte de Abrahão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pae.

19 Cavaram pois os servos de Isaac[24] n’aquelle valle, e acharam ali um poço d’aguas vivas.

20 E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaac, dizendo. Esta agua é nossa. Por isso chamou o nome d’aquelle poço [BI] Esek, porque contenderam com elle.

21 Então cavaram outro poço, e tambem porfiaram sobre elle: por isso chamou o seu nome [BJ] Sitnah.

22 E partiu d’ali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre elle: por isso chamou o seu nome [BK] Rehoboth, e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos n’esta terra.

23 Depois subiu d’ali a Berseba,

24 E appareceu-lhe o Senhor n’aquella mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Abrahão teu pae: [9] não temas, porque eu sou comtigo, e abençoar-te-hei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abrahão meu servo.

25 Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaac cavaram ali um poço.

Abimelech faz um pacto com Isaac.

26 E Abimelech veiu a elle de Gerar, com Ahuzzath seu amigo, e Phichol, [BL] principe do seu exercito.

27 E disse-lhes Isaac: Porque viestes a mim, pois que vós me aborreceis, e [10] me enviastes de vós?

28 E elles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é comtigo, pelo que dissemos: [11] Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto comtigo,

29 Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos sómente bem, e te deixámos ir em paz. Agora tu és o bemdito do Senhor.

30 Então lhes fez um [12] banquete, e comeram e beberam;

31 E levantaram-se de madrugada, e juraram um ao outro; depois os despediu Isaac, e despediram-se d’elle em paz.

32 E aconteceu n’aquelle mesmo dia que vieram os servos de Isaac, e annunciaram-lhe ácerca do negocio do peço, que tinham cavado; e disseram-lhe: Temos achado agua.

33 E chamou-o [BM] Seba: por isso é o nome d’aquella cidade [BN] Berseba até o dia de hoje.

34 Ora sendo Esaú da edade de quarenta annos, tomou por mulher a Judith, filha de Beeri, hetheo, [13] e a Basmath filha de Elon, hetheo.

35 E estas foram a Isaac e a Rebecca uma amargura [14] de espirito.

[1] cap. 12.10.

[2] cap. 20.2.

[3] cap. 13.15 e 15.18 e 22.16.

[4] cap. 22.16. Psa. 72.17.

[5] cap. 12.13 e 20.2, 13.

[6] Pro. 29.25.

[7] cap. 20.9.

[8] Ecc. 4.4.

[9] Psa. 27.1, 5. Isa. 51.12.

[10] ver. 16.

[11] cap. 21.23. Zac. 8.23.

[12] cap. 31.54.

[13] cap. 36.2.

[14] cap. 27.45.

Isaac manda Esaú fazer-lhe um guisado.

Antes de Christo 1726

27 E aconteceu que, como Isaac envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho. E elle lhe disse: Eis-me aqui.

2 E elle disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha morte;

3 Agora pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sae ao campo, e apanha para mim alguma caça,

4 E faze-me um guisado saboroso, como eu o amo, e traze-m’o, para que eu coma; para que minha alma [1] te abençoe, antes que morra.

5 E Rebecca escutou quando Isaac fallava ao seu filho Esaú: e foi-se Esaú ao campo, para apanhar caça que havia de trazer.

Rebecca e Jacob enganam Isaac.

Antes de Christo 1760

6 Então fallou Rebecca a Jacob seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pae que fallava com Esaú teu irmão, dizendo:

7 Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte.

8 Agora pois, filho meu, ouve a minha voz n’aquillo que eu te mando:

9 Vae agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos das cabras, e eu farei d’elles um guisado saboroso para teu pae, como elle ama,

10 E leval-o-has a teu pae, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte.

11 Então disse Jacob a Rebecca, sua mãe: Eis que Esaú meu irmão é varão [2] cabelludo, e eu varão liso;

12 Porventura me apalpará o meu pae, e serei em seus olhos enganador: assim trarei eu sobre mim maldição, e não benção.

13 E disse-lhe sua mãe: [3] Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; sómente obedece á minha voz, e vae, traze-m’os.

14 E foi, e tomou-os, e trouxe-os a sua mãe; e sua mãe fez um guisado saboroso, como seu pae amava.

15 Depois tomou Rebecca os vestidos [BO] de gala de Esaú, seu filho mais velho,[25] que tinha comsigo em casa, e vestiu a Jacob, seu filho menor;

16 E com as pelles dos cabritos das cabras cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço;

17 E deu o guisado saboroso, e o pão que tinha preparado, na mão de Jacob seu filho.

18 E veiu elle a seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho?

19 E Jacob disse a seu pae: Eu sou Esaú, teu primogenito; tenho feito como me disseste: levanta-te agora, assenta-te, e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe.

20 Então disse Isaac a seu filho: Como é isto, que tão cedo a achaste, filho meu? E elle disse: [4] Porque o Senhor teu Deus a mandou ao meu encontro.

21 E disse Isaac a Jacob: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho, se és meu filho Esaú mesmo, ou não.

22 Então se chegou Jacob a Isaac seu pae, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacob, porém as mãos são as mãos de Esaú.

23 E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam [5] cabelludas, como as mãos de Esaú seu irmão: e abençoou-o.

24 E disse: És tu meu filho Esaú mesmo? E elle disse: Eu [6] sou.

25 Então disse: Faze chegar isso perto de mim, para que coma da caça de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lh’o, e comeu; trouxe-lhe tambem vinho, e bebeu.

26 E disse-lhe Isaac seu pae: Ora chega-te, e beija-me, filho meu.

27 E chegou-se, e beijou-o; então cheirou o cheiro dos seus vestidos, e [7] abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o Senhor abençoou:

28 Assim pois te dê Deus do [8] orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundancia de trigo e de mosto:

29 Sirvam-te povos, e nações se incurvem a ti: sê senhor de teus irmãos, [9] e os filhos da tua mãe se incurvem a ti: malditos sejam os que te amaldiçoarem, e bemditos sejam os que te abençoarem.

Esaú traz ao seu pae o guisado e descobre que Jacob já tomou a benção.

30 E aconteceu que, acabando Isaac de abençoar a Jacob, apenas Jacob acabava de sair da face de Isaac seu pae, veiu Esaú, seu irmão, da sua caça;

31 E fez tambem elle um guisado saboroso, e trouxe-o a seu pae; e disse a seu pae: Levanta-te, meu pae, e come da caça de teu filho, para que me abençoe a tua alma.

32 E disse-lhe Isaac seu pae: Quem és tu? E elle disse: Eu sou teu filho, o teu primogenito, Esaú.

33 Então estremeceu Isaac de um estremecimento muito grande; e disse: Quem, pois, é aquelle que apanhou a caça, e m’a trouxe? e comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o: tambem será bemdito.

34 Esaú, ouvindo as palavras de seu pae, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pae: [10] Abençoa-me tambem a mim, meu pae.

35 E elle disse: Veiu o teu irmão com subtileza, e tomou a tua benção.

36 Então disse elle: Não foi o seu nome justamente chamado [11] Jacob, por isso que já duas vezes me enganou? a minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha benção. Mais disse: Não reservaste pois para mim benção alguma?

37 Então respondeu Isaac, e disse a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor [12] sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos: e de trigo e de mosto o tenho fortalecido;—que te farei pois agora a ti, meu filho?

38 E disse Esaú a seu pae: Tens uma só benção, meu pae? abençoa-me tambem a mim, meu pae. E levantou Esaú a sua voz, e chorou.

39 Então respondeu Isaac seu pae, e disse-lhe: Eis que nas gorduras da terra será a tua habitação, e do orvalho dos céus do alto serás abençoado,

40 E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que quando te senhoreares, então sacudirás o seu jugo [13] do teu pescoço.

41 E aborreceu Esaú a Jacob por causa d’aquella benção, com que seu pae o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-hão os dias de luto de meu pae: e matarei a Jacob meu irmão.

42 E foram denunciadas a Rebecca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; e ella enviou, e chamou a Jacob seu filho menor, e disse-lhe: Eis que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo-se matar-te.

43 Agora pois, meu filho, ouve a minha voz, e levanta-te; acolhe-te a Labão meu irmão, em [14] Haran,

44 E mora com elle alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;

45 Até que se desvie de ti a ira de teu[26] irmão, e se esqueça do que lhe fizeste: então enviarei, e te farei vir de lá; porque seria eu desfilhada tambem de vós ambos n’um mesmo dia?

46 E disse Rebecca a Isaac: [15] Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Heth; se Jacob tomar mulher das filhas de Heth, como estas são das filhas d’esta terra, para que me será a vida?

[1] ver. 25.

[2] cap. 25.25.

[3] I Sam. 25.24. II Sam. 14.9.

[4] Exo. 20.7.

[5] ver. 16.

[6] Eph. 4.25.

[7] Heb. 11.20.

[8] Deu. 33.13, 28.

[9] cap. 25.23.

[10] Heb. 12.17.

[11] cap. 25.26, 34.

[12] ver. 29. II Sam. 8.14.

[13] II Reis 8.20. II Chr. 21.8.

[14] cap. 11.31.

[15] cap. 26.35.

Isaac manda Jacob a Paddan-aram.

28 E Isaac chamou a Jacob, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de [1] Canaan:

2 Levanta-te, vae a [2] Paddan-aram, á casa de [3] Bethuel, pae de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de [4] Labão, irmão de tua mãe;

3 E Deus Todo-poderoso te abençoe, e te faça fructificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos;

4 E te dê [5] abenção de Abrahão, a ti e á tua semente comtigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, [6] que Deus deu a Abrahão.

5 Assim enviou Isaac a Jacob, o qual se foi a Paddan-aram, a Labão, filho de Bethuel [BP] arameo, irmão de Rebecca, mãe de Jacob e de Esaú.

6 Vendo pois Esaú [7] que Isaac abençoára a Jacob, e o enviára a Paddan-aram, para tomar mulher para si d’ali, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaan;

7 E que Jacob obedecera a seu pae e a sua mãe, e se fôra a Paddan-aram;

8 Vendo tambem Esaú que as filhas de Canaan eram más aos olhos de Isaac seu pae,

9 Foi-se Esaú a Ishmael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Mahalath filha de Ishmael, filho de Abrahão, irmã de Nebajoth.

A visão da escada de Jacob.

10 Partiu pois Jacob de Berseba, e foi-se a Haran;

11 E chegou a um logar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras d’aquelle logar, e a poz por sua cabeceira, e deitou-se n’aquelle logar,

12 E sonhou: e eis uma escada era posta na terra, cujo topo tocava nos céus: e eis que os [8] anjos de Deus subiam e desciam por ella;

13 E eis que o Senhor estava em cima d’ella, e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abrahão [9] teu pae, e o Deus de Isaac: esta terra, em que estás deitado, t’a darei a ti e á tua semente:

14 E a tua semente será como o pó da [10] terra, e estender-se-ha ao occidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua semente serão bemditas todas as [11] familias da terra:

15 E eis que estou comtigo, e te guardarei por onde quer que [12] fores, e te farei tornar a esta [13] terra: porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.

16 Acordado pois Jacob do seu somno, disse: Na verdade o Senhor está n’este logar; e eu não o sabia.

17 E temeu, e disse: Quão terrivel é este logar! Este não é outro logar senão a casa de Deus; e este é a porta dos céus.

A columna de Bethel.

18 Então levantou-se Jacob pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por sua cabeceira, e a poz por columna, e derramou azeite em cima d’ella.

19 E chamou o nome d’aquelle logar [BQ] Bethel: o nome porém d’aquella cidade d’antes era Luz.

20 E Jacob votou um voto, dizendo: Se Deus fôr commigo, [14] e me guardar n’esta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestidos para vestir;

21 E eu em paz tornar á casa de meu pae, o Senhor me será por Deus;

22 E esta pedra que tenho posto por [15] columna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dizimo.

[1] cap. 24.3.

[2] Ose. 12.12.

[3] cap. 25.20.

[4] cap. 24.29.

[5] cap. 12.2.

[6] cap. 17.8.

[7] cap. 27.33.

[8] João 1.51. Heb. 1.14.

[9] cap. 26.24.

[10] cap. 13.16.

[11] cap. 22.18.

[12] Psa. 121.5, 8.

[13] cap. 35.6.

[14] II Sam. 15.8.

[15] cap. 35.7.

Jacob chega ao poço de Haran.

29 Então poz-se Jacob a pé, e foi-se á terra dos filhos de oriente;

2 E olhou, e eis um poço no campo, e eis tres rebanhos d’ovelhas que estavam deitados junto a elle; porque d’aquelle poço davam de beber aos rebanhos: e havia uma grande pedra sobre a bocca do poço.

3 E ajuntavam ali todos os rebanhos, e removiam a pedra de sobre a bocca do poço, e davam de beber ás ovelhas: e tornavam a pôr a pedra sobre a bocca do poço, no seu logar.

4 E disse-lhes Jacob: Meus irmãos, d’onde sois? E disseram: Somos de Haran.

[27]

5 E elle lhes disse: Conheceis a Labão, filho de Nachor? E disseram: Conhecemos.

6 Disse-lhes mais: Está elle bem? E disseram: Está bem, e eis aqui Rachel sua filha, que vem com as ovelhas.

7 E elle disse: Eis que ainda é muito dia, não é tempo de ajuntar o gado; dae de beber ás ovelhas, e ide, apascentae-as.

8 E disseram: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e removam a pedra de sobre a bocca do poço, para que demos de beber ás ovelhas.

Jacob encontra Rachel.

9 Estando elle ainda fallando com elles, veiu Rachel com as ovelhas de seu pae: porque ella era pastora.

10 E aconteceu que, vendo Jacob a Rachel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou Jacob, e revolveu a pedra de sobre a bocca [1] do poço, e deu de beber ás ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.

11 E Jacob beijou a Rachel, e levantou a sua voz, e chorou.

12 E Jacob annunciou a Rachel que era [2] irmão de seu pae, e que era filho de Rebecca: então ella correu, e o annunciou a seu pae.

13 E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacob, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o á sua casa: e contou elle a Labão todas estas coisas.

14 Então Labão disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu [3] osso e a minha carne. E ficou com elle um mez inteiro.

15 Depois disse Labão a Jacob: Porque tu és meu irmão, has de servir-me de graça? declara-me qual será o teu salario.

16 E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Leah, e o nome da menor Rachel.

17 Leah porém tinha olhos [BR] tenros, mas Rachel era de formoso semblante e formosa á vista.

18 E Jacob amava a Rachel, e disse: Sete annos te servirei por Rachel, tua filha menor.

19 Então disse Labão: Melhor é que eu t’a dê, do que eu a dê a outro varão: fica commigo.

20 Assim [4] serviu Jacob sete annos por Rachel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava.

Labão engana Jacob.

Antes de Christo 1753

21 E disse Jacob a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu entre a ella.

22 Então ajuntou Labão a todos os varões d’aquelle logar, e fez um banquete.

23 E aconteceu, á tarde, que tomou Leah sua filha, e trouxe-lh’a: e entrou a ella.

24 E Labão deu sua serva Zilpah a Leah sua filha por serva.

25 E aconteceu pela manhã, eis que era Leah; pelo que disse a Labão: Porque me fizeste isso? não te tenho servido por Rachel? porque pois me enganaste?

26 E disse Labão: Não se faz assim no nosso logar, que a menor se dê antes da primogenita.

27 Cumpre a semana d’esta; então te daremos tambem a outra, pelo serviço que ainda outros sete annos servires commigo.

Jacob casa com Rachel.

28 E Jacob fez assim: e cumpriu a semana d’esta: então lhe deu por mulher Rachel sua filha.

29 E Labão deu [5] sua serva Bilha por serva a Rachel, sua filha.

30 E entrou tambem a Rachel, [6] e amou tambem a Rachel mais do que a Leah; e serviu com elle ainda outros sete annos.

31 Vendo pois o Senhor que Leah era aborrecida, abriu a sua [7] madre; porém Rachel era esteril.

O nascimento a Jacob de doze filhos e uma filha.

32 E concebeu Leah, e pariu um filho, e chamou o seu nome [BS] Ruben, porque disse: Porque o Senhor attendeu á minha afflicção, por isso agora me amará o meu marido.

33 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Porquanto o Senhor ouviu que eu era aborrecida, me deu tambem este; e chamou o seu nome [BT] Simeão.

34 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Agora esta vez se ajuntará meu marido commigo, porque tres filhos lhe tenho parido: por isso chamou o seu nome [BU] Levi.

35 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao Senhor. Por isso chamou o seu nome [BV] Judah: e cessou de parir.

[1] Exo. 2.17.

[2] cap. 13.8 e 14.14, 16. cap. 35.6.

[3] Jui. 9.2. II Sam. 5.1 e 19.12.

[4] Ose. 12.13.

[5] cap. 35.22 e 37.2.

[6] Deu. 21.15.

[7] Psa. 127.3. cap. 30.1.

[28]

30 Vendo pois Rachel que não paria filhos a Jacob, [1] teve Rachel inveja de sua irmã, e disse a Jacob: Dá-me filhos, ou se não morro.

Antes de Christo 1749

2 Então se accendeu a ira de Jacob contra Rachel, e disse: Estou eu no logar de Deus, que te impediu o [2] fructo de teu ventre?

3 E ella disse: Eis aqui minha serva Bilha; entra a ella, para que pára sobre os meus joelhos, e eu tambem [BW] seja edificada d’ella.

4 Assim lhe deu a Bilha sua serva por [3] mulher: e Jacob entrou a ella.

5 E concebeu Bilha, e pariu a Jacob um filho.

6 Então disse Rachel: Julgou-me Deus, e tambem ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou o seu nome [BX] Dan.

7 E Bilha, serva de Rachel, concebeu outra vez, e pariu a Jacob o segundo filho.

8 Então disse Rachel: Com luctas de Deus tenho luctado com minha irmã, tambem venci; e chamou o seu nome [BY] Naphtali.

9 Vendo pois Leah que cessava de parir, tomou tambem a Zilpah sua serva, e deu-a a Jacob por mulher.

10 E pariu Zilpah, serva de Leah, um filho a Jacob.

11 Então disse Leah: [BZ] Vem uma turba: e chamou o seu nome [CA] Gad.

12 Depois pariu Zilpah, serva de Leah, um segundo filho a Jacob.

13 Então disse Leah: [CB] Para minha ventura; porque as filhas me terão por bemaventurada: e chamou o seu nome [CC] Asher.

14 E foi Ruben nos dias da sega do trigo, e [4] achou mandrágoras no campo. E trouxe-as a Leah, sua mãe. Então disse Rachel a Leah: Ora dá-me das mandrágoras do teu filho.

15 E ella lhe disse: É já pouco que hajas tomado o meu marido, tomarás tambem as mandrágoras do meu filho? Então disse Rachel: Por isso se deitará comtigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.

16 Vindo pois Jacob á tarde do campo, saiu-lhe Leah ao encontro, e disse: A mim entrarás, porque certamente te aluguei com as mandrágoras do meu filho. E deitou-se com ella aquella noite.

17 E ouviu [5] Deus a Leah, e concebeu, e pariu um quinto filho.

18 Então disse Leah: Deus me tem dado o meu galardão, pois tenho dado minha serva ao meu marido: e chamou o seu nome [CD] Issacar.

19 E Leah concebeu outra vez, e pariu a Jacob um sexto filho.

20 E disse Leah: Deus me deu a mim uma boa dadiva; d’esta vez morará o meu marido commigo, porque lhe tenho parido seis filhos: e chamou o seu nome [CE] Zebulon.

21 E depois pariu uma filha, e chamou o seu nome [CF] Dinah.

22 E lembrou-se Deus [6] de Rachel, e Deus a ouviu, e abriu a sua madre,

23 E ella concebeu, e pariu um filho, e disse: [7] Tirou-me Deus a minha vergonha.

24 E chamou o seu nome [CG] José, dizendo: O Senhor me accrescente outro filho.

25 E aconteceu que, como Rachel pariu a José, disse Jacob a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu logar, e á minha terra.

26 Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quaes te tenho servido, e ir-me-hei; pois tu sabes o meu serviço, que te tenho feito.

Labão faz um novo pacto com Jacob.

Antes de Christo 1748

27 Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica commigo. Tenho [CH] experimentado que o Senhor me abençoou [8] por amor de ti.

28 E disse mais: Determina-me o teu salario, que t’o darei.

29 Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu gado commigo.

30 Porque o pouco que tinhas antes de mim, é augmentado até uma multidão: e o Senhor te tem abençoado por meu trabalho. Agora pois, quando hei-de trabalhar tambem por minha casa?

31 E disse elle: Que te darei? Então disse Jacob: Nada me darás; se me fizeres isto, tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho.

32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando d’elle todos os salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os malhados e salpicados entre as cabras: [9] e isto será o meu salario.

33 Assim testificará por mim a minha justiça no dia d’ámanhã, quando vieres e o meu salario estiver diante de tua face: tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros, ser-me-ha por furto.

[29]

34 Então disse Labão: Eis que oxalá seja conforme á tua palavra.

35 E separou n’aquelle mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, tudo em que havia brancura, e todo o moreno entre os cordeiros; e deu-os nas mãos dos seus filhos.

36 E poz tres dias de caminho entre si e Jacob: e Jacob apascentava o resto dos rebanhos de Labão.

A maneira como Jacob enganou Labão.

Antes de Christo 1745

37 Então tomou Jacob varas verdes d’alamo, e d’aveleira e de castanheiro, e descascou n’ellas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas havia,

38 E poz estas varas, que tinha descascado, em frente do rebanho, nos canos e nas pias d’agua, aonde o rebanho vinha a beber, e conceberam vindo a beber,

39 E concebia o rebanho diante das varas, e as ovelhas pariam listrados, salpicados [10] e malhados.

40 Então separou Jacob os cordeiros, e poz as faces do rebanho para os listrados, e todo o moreno entre o rebanho de Labão; e poz o seu rebanho á parte, e não o poz com o rebanho de Labão.

41 E succedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacob as varas diante dos olhos do rebanho nos canos, para que concebessem diante das varas.

42 Mas quando enfraqueceu o rebanho, não as poz. Assim as fracas eram de Labão, e as fortes de Jacob.

43 E cresceu o varão em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos e jumentos.

[1] I Thi. 4.5.

[2] I Sam. 1.5.

[3] cap. 16.3.

[4] Can. 7.13.

[5] Luc. 1.13.

[6] I Sam. 1.19.

[7] I Sam. 1.6. Isa. 4.1.

[8] cap. 39.3, 5.

[9] cap. 31.8.

[10] cap. 31.9, 12.

Deus manda Jacob tornar á terra dos seus paes.

Antes de Christo 1739

31 Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacob tem tomado tudo o que era de nosso pae, e do que era de nosso pae fez elle [1] toda esta [CI] gloria.

2 Viu tambem Jacob o rosto de Labão, e eis que não era para com elle como d’hontem e d’ante-hontem.

3 E disse o Senhor a Jacob: Torna-te á terra dos teus paes, e á tua parentela, [2] e eu serei comtigo.

4 Então enviou Jacob, e chamou a Rachel e a Leah ao campo, ao seu rebanho,

5 E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pae para commigo não é como d’hontem e d’ante-hontem; porém o Deus de meu pae esteve commigo;

6 E vós mesmas sabeis que com todo o meu poder tenho servido a vosso pae;

7 Mas vosso pae me enganou e mudou o salario dez vezes; [3] porém Deus não lhe permittiu [4] que me fizesse mal.

8 Quando elle dizia assim: Os salpicados serão o teu salario; então todos os rebanhos pariam salpicados. E quando elle dizia assim: Os listrados serão o teu salario, então todos os teus rebanhos pariam listrados.

9 Assim Deus tirou o gado de vosso pae, e m’o deu a mim.

10 E succedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos, e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, [5] salpicados e malhados.

11 E disse-me [6] o anjo de Deus em sonhos: Jacob. E eu disse: Eis-me aqui.

12 E disse elle: Levanta agora os teus olhos, e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados: [7] porque tenho visto tudo o que Labão te fez.

13 Eu sou o Deus de Beth-el, [8] onde teus ungido uma columna, onde me tens votado o voto; levanta-te agora, sae-te d’esta terra, [9] e torna-te á terra da tua parentela.

14 Então responderam Rachel e Leah, e disseram-lhe: Ha ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pae?

15 Não nos considera elle como estranhas? [10] pois vendeu-nos, e comeu de todo o nosso dinheiro.

16 Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pae, é nossa e de nossos filhos: agora pois, faze tudo o que Deus te tem dito.

17 Então se levantou Jacob, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre os camelos;

18 E levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado que possuia, que alcançara em Paddan-aram, [11] para ir a Isaac, seu pae, á terra de Canaan.

19 E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Rachel os idolos [CJ] que seu pae tinha.

20 E esquivou-se Jacob de Labão o [CK] arameo, porque não lhe fez saber que fugia.

21 E fugiu elle com tudo o que tinha,[30] e levantou-se, [12] e passou o rio: e poz o seu rosto para a montanha de Gilead.

Labão prosegue atraz de Jacob.

22 E no terceiro dia foi annunciado a Labão que Jacob tinha fugido.

23 Então tomou comsigo os seus irmãos, e atraz d’elle proseguiu o caminho por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gilead.

24 Veiu porém Deus a Labão o arameo em sonhos de noite, [13] e disse-lhe: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

25 Alcançou pois Labão a Jacob, e armara Jacob a sua tenda n’aquella montanha: armou tambem Labão com os seus irmãos a sua na montanha de Gilead.

26 Então disse Labão a Jacob: Que fizeste, que te esquivaste de mim, e levaste as minhas filhas como captivas pela espada?

27 Porque fugiste occultamente, e te esquivaste de mim, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com canticos, e com tamboril e com harpa?

28 Tambem não me permittiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente pois agora fizeste, fazendo assim.

29 Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pae me fallou hontem á noite, dizendo: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

30 E agora te querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar a casa de teu pae; [14] porque furtaste os meus deuses?

31 Então respondeu Jacob, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia commigo, se porventura me não arrebatarias as tuas filhas.

32 Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está commigo, e toma-o para ti. Pois Jacob não sabia que Rachel os tinha furtado.

33 Então entrou Labão na tenda de Jacob, e na tenda de Leah, e na tenda d’ambas as servas, e não os achou; e saindo da tenda de Leah, entrou na tenda de Rachel.

34 Mas tinha tomado Rachel os idolos, [15] e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre elles; e apalpou Labão toda a tenda, e não os achou.

35 E ella disse a seu pae: Não se accenda a ira aos olhos de meu senhor, [16] que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E elle procurou, mas não achou os idolos.

36 Então irou-se Jacob, [17] e contendeu com Labão; e respondeu Jacob, e disse a Labão: Qual é a minha transgressão? qual é o meu peccado, que tão furiosamente me tens perseguido?

37 Havendo apalpado todos os meus moveis, que achaste de todos os moveis da tua casa? põe-o aqui diante dos meus irmãos, e teus irmãos; e que julguem entre nós ambos.

38 Estes vinte annos eu estive comtigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca moveram, e não comi os carneiros do teu rebanho.

39 Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite [18] da minha mão o requerias.

40 Estive eu de sorte que de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu somno foi-se dos meus olhos.

41 Tenho estado agora vinte annos na tua casa; [19] quatorze annos te servi por tuas duas filhas, e seis annos por teu rebanho; [20] mas o meu salario tens mudado dez vezes.

42 Se o Deus de meu pae, o Deus de Abrahão, e o Temor de Isaac [21] não fôra commigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus attendeu á minha afflicção, e ao trabalho das minhas mãos, e reprehendeu-te hontem á noite.

O pacto entre Labão e Jacob em Galeed.

43 Então respondeu Labão, e disse a Jacob: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é o meu rebanho, e tudo o que vês, meu é: e que farei hoje a estas minhas filhas, ou a seus filhos, que pariram?

44 Agora pois vem, [22] e façamos concerto eu e tu, que seja por testemunho entre mim e ti.

45 Então tomou Jacob [23] uma pedra, e erigiu-a por columna.

46 E disse Jacob a seus irmãos: Ajuntae pedras. E tomaram pedras, e fizeram um montão, e comeram ali sobre aquelle montão.

47 E chamou-o Labão [CL] Jegar-sahadutha: porém Jacob chamou-o [CM] Galeed.

48 Então disse Labão: Este montão seja hoje [24] por testemunha entre mim[31] e entre ti: por isso se chamou o seu nome Galeed,

49 E [CN] Mizpah, porquanto disse: Attente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro:

50 Se affligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas filhas, ninguem está comnosco: attenta [25] que Deus é testemunha entre mim e ti.

51 Disse mais Labão a Jacob: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa columna que levantei entre mim e entre ti.

52 Este montão seja testemunha, e esta columna seja testemunha, que eu não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e esta columna a mim, para mal.

53 O Deus de Abrahão, e o Deus de Nahor, o Deus de seu pae julgue entre nós. [26] E jurou Jacob pelo Temor de seu pae Isaac.

54 E sacrificou Jacob um sacrificou na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.

55 E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos, e suas filhas, e abençoou-os, e partiu; e voltou Labão ao seu logar.

[1] Ecc. 4.4.

[2] cap. 28.15.

[3] Num. 14.22. Neh. 4.12. Job 19.3. Zac. 8.23.

[4] Job 1.10. Psa. 37.28 e 105.14.

[5] cap. 30.39.

[6] cap. 48.16.

[7] Ecc. 5.8.

[8] cap. 28.18.

[9] cap. 32.9.

[10] cap. 29.15, 27.

[11] cap. 28.21.

[12] cap. 15.18.

[13] cap. 20.3. Job 33.15.

[14] Jui. 18.24.

[15] ver. 19.

[16] Jos. 24.2.

[17] Eph. 4.26.

[18] Exo. 22.10, 13.

[19] cap. 29.18, 30.

[20] ver. 7.

[21] ver. 53.

[22] cap. 26.28.

[23] cap. 28.18.

[24] Jui. 22.27 e 24.27.

[25] I Sam. 12.5. Jer. 42.5.

[26] Ose. 10.14.

32 E foi tambem Jacob o seu caminho, e encontraram-o [1] os anjos de Deus.

2 E Jacob disse, quando os viu: Este é o exercito de Deus. E chamou o nome d’aquelle logar [CO] Mahanaim.

Jacob envia mensageiros a Esaú.

3 E enviou Jacob mensageiros diante da sua face a Esaú seu irmão, á terra de Seir, territorio de Edom.

4 E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: [2] Assim diz Jacob, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e me detive até agora;

5 E tenho bois e jumentos, ovelhas, e servos e servas; e enviei para o annunciar a meu senhor, para que ache graça em teus olhos.

6 E os mensageiros tornaram a Jacob, dizendo: Viemos a teu irmão Esaú; e tambem elle vem a encontrar-te, e quatrocentos varões com elle.

7 Então Jacob temeu muito, e angustiou-se; e repartiu o povo que com elle estava, e as ovelhas, e as vaccas, e os camelos, em dois bandos.

8 Porque dizia: Se Esaú vier a um bando, e o ferir, o outro bando escapará.

9 Disse mais Jacob: Deus de meu pae Abrahão, e Deus de meu pae Isaac, o Senhor, [3] que me disseste: Torna-te á tua terra, e á tua parentela, e far-te-hei bem;

10 Menor sou eu que todas as beneficencias, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e [4] agora me tornei em dois bandos;

11 Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú: porque o temo, que porventura não venha, [5] e me fira, e a mãe com os filhos.

12 E tu o disseste: Certamente te farei bem, [6] e farei a tua semente como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.

13 E passou ali aquella noite; e tomou do que lhe veiu á sua mão, [7] um presente para seu irmão Esaú:

14 Duzentas cabras, e vinte bodes; duzentas ovelhas, e vinte carneiros;

15 Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vaccas, e dez novilhos; vinte jumentas, e dez jumentinhos;

16 E deu-o na mão dos seus servos, cada rebanho á parte, e disse a seus servos: Passae adiante da minha face, e ponde espaço entre rebanho e rebanho.

17 E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar, e te perguntar, dizendo: De quem és, e para onde vaes, e cujos são estes diante da tua face,

18 Então dirás: São de teu servo Jacob, presente que envia a meu senhor, a Esaú; e eis que elle mesmo vem tambem atraz de nós.

19 E ordenou tambem ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atraz dos rebanhos, dizendo: Conforme a esta mesma palavra, fallareis a Esaú, quando o achardes.

20 E direis tambem: Eis que o teu servo Jacob vem atraz de nós. Porque dizia: [8] Eu o aplacarei com o presente, que vae diante de mim, e depois verei a sua face; porventura acceitará a minha face.

21 Assim passou o presente diante da sua face; elle porém passou aquella noite no arraial.

Jacob passa o váo de Jabbok e lucta com um Anjo.

22 E levantou-se aquella mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, [9] e passou o váo de Jabbok.

23 E tomou-os, e fel-os passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.

[32]

24 Jacob porém ficou só; e luctou com elle um varão, até que a alva subia.

25 E vendo que não prevalecia contra elle, tocou a juntura de sua côxa, e se deslocou a juntura da côxa de Jacob, luctando com elle.

26 E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém elle disse: [10] Não te deixarei ir, se me não abençoares.

27 E disse-lhe: Qual é o teu nome? E elle disse: Jacob.

28 Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas [CP] Israel: pois como principe luctaste com Deus, [11] e com os homens, e prevaleceste.

29 E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Porque perguntas pelo meu nome? [12] E abençoou-o ali.

30 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar [CQ] Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, [13] e a minha alma foi salva.

31 E saiu-lhe o sol, quando passou a Penuel; e manquejava da sua côxa.

32 Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da côxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da côxa de Jacob no nervo encolhido.

[1] Psa. 91.11. Heb. 1.14.

[2] Pro. 15.1.

[3] Psa. 50.15. cap. 31.3, 13.

[4] Psa. 18.35.

[5] Ose. 10.14.

[6] cap. 28.13, 15.

[7] Pro. 18.16.

[8] Pro. 21.14.

[9] Deu. 3.16.

[10] Luc. 18.1.

[11] cap. 33.4.

[12] Jui. 13.18.

[13] Jui. 6.22 e 13.22, 23. Isa. 6.5.

O encontro de Esaú e Jacob.

33 E levantou Jacob os seus olhos, e olhou, [1] e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com elle. Então repartiu os filhos entre Leah e Rachel, e as duas servas.

2 E poz as servas e seus filhos na frente, e a Leah e seus filhos atraz: porém a Rachel e José os derradeiros.

3 E elle mesmo passou adiante d’elles, e inclinou-se á terra sete vezes, até que chegou a seu irmão.

4 Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, [2] e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.

5 Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes comtigo? E elle disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo.

6 Então chegaram as servas; ellas, e os seus filhos, e inclinaram-se.

7 E chegou tambem Leah com seus filhos, e inclinaram-se: e depois chegou José e Rachel, e inclinaram-se.

8 E disse Esaú: De que te serve todo este bando que tenho encontrado? E elle disse: [3] Para achar graça aos olhos de meu senhor.

9 Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão; [4] seja para ti o que tens.

10 Então disse Jacob: Não, se agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão: porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim.

11 Toma, peço-te, a minha benção, que te foi trazida; porque Deus graciosamente m’a tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com elle, até que a tomou.

12 E disse: Caminhemos, e andemos, e eu partirei adiante de ti.

13 Porém elle lhe disse: Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que tenho commigo ovelhas e vaccas de leite; se as afadigarem sómente um dia, todo o rebanho morrerá.

14 Ora passe o meu senhor diante da face de seu servo; e eu irei como guia pouco a pouco, conforme ao passo do gado que é adiante da minha face, e conforme ao passo dos meninos, [5] até que chegue a meu senhor em Seir.

15 E Esaú disse: Deixarei logo comtigo d’esta gente, que está commigo. E elle disse: Para que é isso? Basta que eu ache graça aos olhos de meu senhor.

16 Assim se tornou Esaú aquelle dia pelo seu caminho a Seir.

17 Jacob, porém, partiu para [6] Succoth e edificou para si [CR] uma casa; e fez cabanas para o seu gado: por isso chamou o nome d’aquelle logar [CS] Succoth.

Jacob chega a Sichem e levanta um altar.

18 E chegou Jacob salvo á cidade de Sichem, [7] que está na terra de Canaan, quando vinha de Paddan-aram; e fez o seu assento diante da cidade.

19 E [8] comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hemor, pae de Sichem, por cem peças de dinheiro.

20 E levantou ali um altar, [9] e chamou-o Deus, o Deus d’Israel.

[1] cap. 32.6.

[2] cap. 32.28.

[3] cap. 32.5.

[4] Pro. 16.7.

[5] cap. 32.3.

[6] Jos. 13.27. Jui. 8.5.

[7] João 4.5.

[8] Jos. 24.32. Act. 7.16.

[9] cap. 35.7.

Dinah é desflorada.

Antes de Christo 1732

34 E saiu Dinah filha de Leah, [1] que parira a Jacob, para ver as filhas da terra.

2 E Sichem filho de Hemor heveo, principe d’aquella terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ella, e humilhou-a.

3 E apegou-se a sua alma com Dinah[33] filha de Jacob, e amou a moça e fallou [CT] affectuosamente á moça.

4 Fallou tambem Sichem a Hemor seu pae, dizendo: [2] Toma-me esta por mulher.

5 Quando Jacob ouviu que contaminara a Dinah sua filha, estavam os seus filhos no campo com o gado; e calou-se Jacob até que viessem.

6 E saiu Hemor pae de Sichem a Jacob, para fallar com elle.

7 E vieram os filhos de Jacob do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os varões, e iraram-se muito, porquanto fizera doidice em Israel, deitando-se com a filha de Jacob; o que não se devia fazer assim.

8 Então fallou Hemor com elles, dizendo: A alma de Sichem meu filho está namorada da vossa filha; dae-lh’a, peço-te, por mulher;

9 E aparentae-vos comnosco, dae-nos as vossas filhas, e tomae as nossas filhas para vós;

10 E habitareis comnosco; e a terra estará diante da vossa face: habitae e negociae n’ella, e tomae possessão n’ella.

11 E disse Sichem ao pae d’ella, e aos irmãos d’ella: Ache eu graça em vossos olhos, e darei o que me disserdes:

12 Augmentae muito sobre mim o dote e a dadiva, e darei o que me disserdes; dae-me sómente a moça por mulher.

13 Então responderam os filhos de Jacob a Sichem e a Hemor seu pae enganosamente, e fallaram, porquanto havia contaminado a Dinah sua irmã.

14 E disseram-lhes: Não podemos fazer isso, que déssemos a nossa irmã a um varão não circumcidado; [3] porque isso seria uma vergonha para nós;

15 N’isso, porém, consentiremos a vós: se fôrdes como nós, que se circumcide todo o macho entre vós:

16 Então dar-vos-hemos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos comvosco, e seremos um povo;

17 Mas se não nos ouvirdes, e não vos circumcidardes, tomaremos a nossa filha e ir-nos-hemos.

18 E suas palavras foram boas aos olhos de Hemor, e aos olhos de Sichem filho de Hemor.

19 E não tardou o mancebo em fazer isto; porque a filha de Jacob lhe contentava: e elle era o mais honrado de toda a casa de seu pae.

20 Veiu pois Hemor e Sichem seu filho á porta da sua cidade, e fallaram aos varões da sua cidade, dizendo:

21 Estes varões são pacificos comnosco; portanto habitarão n’esta terra, e negociarão n’ella; eis que a terra é larga de espaço diante da sua face: tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas filhas:

22 N’isto, porém, consentirão aquelles varões, de habitar comnosco, para que sejamos um povo, se todo o macho entre nós se circumcidar, como elles são circumcidados.

23 O seu gado, as suas possessões, e todos os seus animaes não serão nossos? consintamos sómente com elles, e habitarão comnosco.

24 E deram ouvidos a Hemor, e a Sichem seu filho [4] todos os que sahiam da porta da cidade; e foi circumcidado todo o macho, de todos os que sahiam pela porta da sua cidade.

A traição de Simeão e Levi.

25 E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dôr, os dois filhos de Jacob, Simeão e Levi, irmãos de Dinah, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, [5] e mataram todo o macho.

26 Mataram tambem ao fio da espada a Hemor, e a seu filho Sichem; e tomaram a Dinah da casa de Sichem, e sairam.

27 Vieram os filhos de Jacob aos mortos e saquearam a cidade; porquanto contaminaram a sua irmã.

28 As suas ovelhas, e as suas vaccas, e os seus jumentos, e o que na cidade, e o que no campo havia, tomaram,

29 E toda a sua fazenda, e todos os seus meninos, e as suas mulheres levaram presas, e despojaram-as, e tudo o que havia em casa.

30 Então disse Jacob a Simeão e a Levi: Tendes-me turbado, [6] fazendo-me cheirar mal entre os moradores d’esta terra, entre os Cananeus e Phereseus, [7] sendo eu pouco povo em numero; ajuntar-se-hão, e ficarei destruido, eu e minha casa.

31 E elles disseram: Faria pois elle a nossa irmã como a uma prostituta?

[1] cap. 30.21. Tito 2.5.

[2] Jui. 14.2.

[3] Jos. 5.9.

[4] cap. 23.18.

[5] cap. 49.5, 7.

[6] Exo. 5.21.

[7] I Sam. 27.12.

Deus manda Jacob a Bethel a levantar um altar.

35 Depois disse Deus a Jacob: [1] Levanta-te, sobe a Bethel, e habita ali; e faz ali um altar ao Deus que te appareceu, quando fugiste diante da face de Esaú teu irmão.

2 Então [2] disse Jacob á sua familia, e a todos os que com elle estavam: Tiras[34] os deuses estranhos, que ha no meio de vós, [3] e purificae-vos, e mudae os vossos vestidos.

3 E levantemo-nos, e subamos a Bethel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angustia, [4] e que foi commigo no caminho que tenho andado.

4 Então deram a Jacob todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, [5] e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e Jacob os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Sichem.

5 E partiram; [6] e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor d’elles, e não seguiram após os filhos de Jacob.

6 Assim chegou Jacob a Luz, que está na terra de Canaan, (esta é Bethel), elle e todo o povo que com elle havia.

7 E edificou ali um altar, e chamou aquelle logar [CU] El-beth-el: porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado quando fugia diante da face de seu irmão.

A morte de Debora.

8 E morreu Debora, a ama de Rebecca, e foi sepultada ao pé de Bethel, debaixo do carvalho cujo nome chamou [CV] Allonbachuth.

9 E appareceu Deus outra vez a Jacob, vindo de Paddan-aram, e abençoou-o.

10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacob; não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel será o teu nome. [7] E chamou o seu nome Israel.

11 Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-poderoso; [8] fructifica e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão dos teus lombos;

12 E te darei a ti [9] a terra que tenho dado a Abrahão e a Isaac, e á tua semente depois de ti darei a terra.

13 E Deus subiu d’elle, [10] do logar onde fallara com elle.

14 E Jacob poz uma columna no logar [11] onde fallara com elle, uma columna de pedra; e derramou sobre ella uma libação, e deitou sobre ella azeite.

15 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar, onde Deus fallara com elle, Bethel.

O nascimento de Benjamin e a morte de Rachel.

16 E partiram de Bethel: e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Ephrata, e pariu Rachel, e ella teve trabalho em seu parto.

17 E aconteceu que, tendo ella trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: [12] Não temas, porque tambem este filho terás.

18 E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome [CW] Benoni; mas seu pae o chamou [CX] Benjamin.

19 Assim morreu Rachel; [13] e foi sepultada no caminho d’Ephrata, este é Beth-lehem.

20 E Jacob poz uma columna sobre a sua sepultura; [14] esta é a columna da sepultura de Rachel até ao dia de hoje.

21 Então partiu Israel, e estendeu a sua tenda d’além de [CY] Migdal Eder.

22 E aconteceu que, [15] habitando Israel n’aquella terra, foi Ruben, e deitou-se com Bilhah, concubina de seu pae; e Israel ouviu-o. E eram doze os filhos de Jacob:

23 Os filhos de Leah: Ruben, o primogenito de Jacob, depois Simeão e Levi, e Judah, e Issacar e Zebulon;

24 Os filhos de Rachel: José e Benjamin;

25 E os filhos de Bilhah, serva de Rachel: Dan e Naphtali;

26 E os filhos de Zilpah, serva de Leah: Gad e Aser. Estes são os filhos de Jacob, que lhe nasceram em Paddan-aram.

27 E Jacob veiu a seu pae Isaac, [16] a Mamre, a Kiriath-arba (que é Hebron), onde peregrinaram Abrahão e Isaac.

28 E foram os dias de Isaac cento e oitenta annos.

29 E Isaac expirou, e morreu, [17] e foi recolhido aos seus povos, velho e farto de dias; e Esaú e Jacob, seus filhos, o sepultaram.

[1] cap. 28.19.

[2] cap. 18.19.

[3] cap. 31.19. Psa. 101.2, 7. I Sam. 7.3.

[4] cap. 32.7, 24. cap. 28.20 e 31.3, 42.

[5] Ose. 2.13. Jos. 24.26. Jui. 9.6.

[6] Exo. 23.27. Deu. 11.25. Jos. 2.9. II Chr. 14.14.

[7] cap. 32.28.

[8] cap. 17.1. Exo. 6.3.

[9] cap. 12.7 e 26.3.

[10] cap. 17.22.

[11] cap. 28.18.

[12] I Sam. 4.20.

[13] cap. 48.7. Ruth 1.2. Miq. 5.2. Mat. 2.6.

[14] I Sam. 10.2.

[15] cap. 49.4. I Chr. 5.1. I Cor. 5.1.

[16] cap. 13.18. Jos. 14.15 e 15.13.

[17] cap. 25.8. cap. 25.9.

Os descendentes de Esaú.

Antes de Christo 1796

36 E estas são as gerações de Esaú ([1] que é Edom).

2 Esaú tomou suas mulheres das filhas de Canaan: [2] a Adah, filha de Elon hetheo, e a Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon heveo.

3 E a Basemath, filha de Ishmael, irmã de Nebajoth.

4 E Adah pariu a Esaú Eliphaz; [3] e Basemath pariu a Rehuel;

[35]

5 E Aholibamah pariu a Jeush, e Jaelam e Corah: estes são os filhos de Esaú, que lhe nasceram na terra de Canaan.

6 E Esaú tomou suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, e todas as almas de sua casa, e seu gado, e todos os seus animaes, e toda a sua fazenda, que havia adquirido na terra de Canaan; e foi-se a outra terra de diante da face de Jacob seu irmão;

7 Porque a fazenda d’elles era muita para habitarem juntos; e a terra de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado.

8 Portanto Esaú habitou [4] na montanha de Seir; Esaú é Edom.

9 Estas pois são as gerações de Esaú, pae dos Idumeos, na montanha de Seir.

10 Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Eliphaz, filho de Adah, mulher de Esaú; Rehuel, filho de Basemath, mulher de Esaú.

11 E os filhos de Eliphsz foram: Teman, Omar, Zepho, e Gaetam, e Kenaz.

12 E Timnah era concubina de Eliphaz, filho de Esaú, e pariu a Eliphaz Amelek: estes são os filhos de Adah, mulher de Esaú.

13 E estes foram os filhos de Rehuel: Nahath, e Zerah, Shammah, e Mizzah: estes foram os filhos de Basemath, mulher de Esaú.

14 E estes foram os filhos de Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon, mulher de Esaú: e pariu a Esaú: Jeush, e Jalam, e Corah.

15 Estes são os principes dos filhos de Esaú; o filhos de Eliphaz, o primogenito de Esaú, foram: o principe Teman, o principe Omar, o principe Zepho, o principe Kenaz,

16 O principe Corah, o principe Gatam, o principe Amalek; estes são os principes de Eliphaz na terra de Edom, estes são os filhos de Adah.

17 E estes são os filhos de Rehuel, filho de Esaú: o principe Nahath, o principe Zerah, o principe Shammah, o principe Mizzah; estes são os principes de Rehuel, na terra de Edom, estes são os filhos de Besemath, mulher de Esaú.

18 E estes são os filhos de Aholibamah, mulher de Esaú: o principe Jeush, o principe Jalam, o principe Corah; estes são os principes do Aholibamah, filha de Anah, mulher de Esaú.

19 Estes são os filhos de Esaú, e estes são seus principes: elle é Edom.

20 Estes são os filhos de Seir horeo, [5] moradores d’aquella terra: Lotan, e Sobal e Zibeon, e Anah.

21 E Dishon, e Eser, e Dishan; estes são os principes dos horeos, filhos de Seir, na terra de Edom.

22 E os filhos de Lotan foram: Hori e Hemam; e a irmã de Lotan era Timnah.

23 Estes são os filhos de Sobal: Alvan, e Manahath, e Ebal, e Shepho, e Onam.

24 E estes são os filhos de Zibeon: Ajah, e Anah; este é o Anah que achou os [CZ] mulos no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeon seu pae.

25 E estes são os filhos de Anah: Dishon, e Aholibamah, a filha de Anah.

26 E estes são os filhos de Dishon: Hemdam, e Eshban, e Ithran, e Cheran.

27 Estes são os filhos de Eser: Bilhan, e Zaavan, e Akan.

28 Estes são os filhos de Dishan: Uz, e Aran.

29 Estes são os principes dos horeos: O principe Lotan, o principe Shobal, o principe Zibeon, o principe Anah,

30 O principe Dishon, o principe Eser, o principe Dishan; estes são os principes dos horeos segundo seus principes na terra de Seir.

31 E estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos d’Israel.

32 Reinou pois em Edom Bela, filho de Beor, e o nome da sua cidade foi Dinhaba.

33 E morreu Bela; e Jobab, filho de Zerah de Bosrah, reinou em seu logar.

34 E morreu Jobab; e Husam, da terra dos Temanitas, reinou em seu logar.

35 E morreu Husam, e em seu logar reinou Hadad, filho de Bedad, o que feriu a Midian no campo de Moab; e o nome da sua cidade foi Avith.

36 E morreu Hadad: e Samlah de Masreca reinou em seu logar.

37 E morreu Samlah; e Shaul de Rehoboth, pelo rio, reinou em seu logar.

38 E morreu Shaul; e Baal-hanan, filho de Achbor, reinou em seu logar.

39 E morreu Baal-hanan, filho de Achbor; e Hadar reinou em seu logar, e o nome da sua cidade foi Pau; e o nome de sua mulher foi Mehetabel, filha de Matred, filha de Mezahab.

40 E estes são os nomes dos principes de Esaú; segundo as suas gerações, segundo os seus logares, com os seus nomes: o principe Timnah, o principe Alvah, o principe Jetheth,

41 O principe Aholibamah, o principe Elah o principe Pinon,

[36]

42 O principe Kenez, o principe Teman, o principe Mibzar,

43 O principe Magdiel, o principe Iram: estes são os principes de Edom, segundo as suas habitações, na terra da sua possessão; este é Esaú, pae de Edom.

[1] cap. 25.30.

[2] cap. 26.34.

[3] I Chr. 1.35.

[4] Deu. 2.5. Jos. 24.4.

[5] cap. 14.6. Deu. 2.12, 22.

José é vendido por seus irmãos.

Antes de Christo 1729

37 E Jacob habitou na terra das peregrinações de seu pae, [1] na terra de Canaan.

2 Estas são as gerações de Jacob. Sendo José de dezesete annos, apascentava as ovelhas com seus irmãos, e estava este mancebo com os filhos de Bilhah, e com os filhos de Zilpah, mulheres de seu pae; e José trazia uma má fama d’elles a seu pae.

3 E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma tunica de varias côres.

4 Vendo pois seus irmãos que seu pae o amava mais do que a todos os seus irmãos, [2] aborreceram-o, e não podiam fallar com elle pacificamente.

5 Sonhou tambem José um sonho, que contou a seus irmãos: por isso o aborreciam ainda mais.

6 E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado:

7 Eis que estavamos atando mólhos no meio do campo, e eis que o meu mólho se levantava, e tambem ficava em pé, e eis que os vossos mólhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu mólho.

8 Então lhe disseram seus irmãos: Tu pois devéras reinarás sobre nós? Por isso tanto mais [3] o aborreciam por seus sonhos e por suas palavras.

9 E sonhou ainda outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que ainda sonhei um sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrellas se inclinavam a mim.

10 E contando-o a seu pae e a seus irmãos, reprehendeu-o seu pae, e disse-lhe: Que sonho é este que sonhaste? porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, para inclinar-nos a ti em terra?

11 Seus irmãos pois o invejavam; seu pae porém guardava este negocio no seu coração.

12 E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pae, junto de Sichem.

13 Disse pois Israel a José: Não apascentam os teus irmãos junto de Sichem? vem, e enviar-te-hei a elles. E elle lhe disse: Eis-me aqui.

14 E elle lhe disse: Ora vae-te, vê como estão teus irmãos, e como está o rebanho, e traze-me resposta. [4] Assim o enviou do valle de Hebron, e veiu a Sichem.

15 E achou-o um varão, porque eis que andava errado pelo campo, e perguntou-lhe o varão, dizendo: Que procuras?

16 E elle disse: Procuro meus irmãos; dize-me, peço-te, onde elles apascentam.

17 E disse aquelle varão: Foram-se d’aqui; porque ouvi-lhes dizer: Vamos a Dothan. José pois seguiu atraz de seus irmãos, [5] e achou-os em Dothan.

18 E viram-o de longe, e, antes que chegasse a elles, [6] conspiraram contra elle, para o matarem.

19 E disseram um ao outro: Eis lá vem o sonhador-mór!

20 Vinde pois agora, [7] e matemel-o, e lancemol-o n’uma d’estas covas, e diremos: Uma besta fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos.

21 E ouvindo-o Ruben, livrou-o das suas mãos, e disse: Não lhe tiremos a vida.

22 Tambem lhes disse Ruben: Não derrameis sangue; lançae-o n’esta cova, que está no deserto, e não lanceis mãos n’elle; para livral-o das suas mãos, e para tornal-o a seu pae.

23 E aconteceu que, chegando José a seus irmãos, tiraram a José a sua tunica, [8] a tunica de varias côres, que trazia.

24 E tomaram-o, e lançaram-o na cova; porém a cova estava vasia, não havia agua n’ella.

25 Depois assentaram-se a comer pão; e levantaram os seus olhos, e olharam, [9] e eis que uma companhia de ishmaelitas vinha de Gilead; e seus camelos traziam especiarias, e balsamo, e myrrha, e iam leval-os ao Egypto.

26 Então Judah disse aos seus irmãos: Que proveito haverá que matemos a nosso irmão, e escondamos a [DA] sua morte?

27 Vinde, e vendamol-o a estes ishmaelitas, e não seja nossa mão sobre elle; porque elle é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram.

28 Passando pois os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da cova, [10] e venderam José por vinte moedas de prata aos ishmaelitas, os quaes levaram José ao Egypto.

29 Tornando pois Ruben á cova, eis[37] que José não estava na cova; [11] então rasgou os seus vestidos,

30 E tornou a seus irmãos, e disse: O moço não apparece; e eu aonde irei?

31 Então tomaram a tunica de José, e mataram um cabrito, e tingiram a tunica no sangue,

32 E enviaram a tunica de varias côres, e fizeram leval-a a seu pae, e disseram: Temos achado esta tunica; conhece agora se esta será ou não a tunica de teu filho.

33 E conheceu-a, e disse: É a tunica de meu filho; uma besta fera o comeu; [12] certamente é despedaçado José.

34 Então Jacob rasgou os seus vestidos, e poz sacco [13] sobre os seus lombos, e lamentou a seu filho muitos dias.

35 E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; recusou porém ser consolado, e disse: Porquanto com chôro hei de descer ao meu filho até á sepultura. Assim o chorou seu pae.

36 E os midianitas venderam-o no Egypto a Potifar, [DB] eunucho de Pharaó, capitão da guarda.

[1] cap. 17.8 e 23.4 e 28.4. Heb. 11.9, 16.

[2] cap. 49.23. Psa. 38.19 e 69.4. Tito 3.3.

[3] cap. 42.6, 9 e 43.26 e 44.14. Psa. 119.22.

[4] cap. 35.27.

[5] II Reis 6.13.

[6] Psa. 31.13 e 37.12, 32. Mat. 21.38 e 27.1. João 11.53.

[7] Pro. 27.4.

[8] Mat. 27.28.

[9] ver. 28, 36. cap. 31.47. Jer. 8.22.

[10] Psa. 105.17. Zac. 11.12. Mat. 27.9. Act. 7.9.

[11] Num. 14.16. Jui. 11.35. Job 1.20.

[12] cap. 44.28.

[13] II Reis 19.1. Isa. 32.11. Jon. 3.5.

Judah e Tamar.

Antes de Christo 1727

38 E aconteceu no mesmo tempo que Judah desceu de entre seus irmãos, e entrou na casa d’um varão de Adullam, cujo nome era Hirah,

2 E viu Judah ali a filha d’um varão cananeu, cujo nome era Shuah; e tomou-a, e entrou a ella.

3 E ella concebeu, e pariu um filho, e chamou o seu nome [1] Er;

4 E tornou a conceber, e pariu um filho, e chamou o seu nome Onan;

5 E continuou ainda, e pariu um filho, e chamou o seu nome Selah; e elle estava em Chezib, quando ella o pariu.

6 Judah pois tomou uma mulher para Er, o seu primogenito, e o seu nome era Tamar.

7 Er, porém, o primogenito de Judah, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou.

8 Então disse Judah a Onan: Entra á mulher do teu irmão, [2] e casa-te com ella, e suscita semente a teu irmão.

9 Onan, porém, soube que esta semente não havia de ser para elle; e aconteceu que, quando entrava á mulher de seu irmão, derramava-a na terra, para não dar semente a seu irmão.

10 E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que tambem o matou.

11 Então disse Judah a Tamar sua nóra: Fica-te viuva na casa de teu pae, até que Selah, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra tambem este, como seus irmãos. Assim foi-se Tamar, e ficou-se na casa de seu pae.

12 Passando-se pois muitos dias, morreu a filha de Shuah, mulher de Judah; e depois se consolou Judah, e subiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timnah, elle e Hirah seu amigo, o adullamita.

13 E deram aviso a Tamar, dizendo: [3] Eis que o teu sogro sobe a Timnah, a tosquiar as suas ovelhas.

14 Então ella tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez, e cobriu-se com o véu, e envolveu-se, e assentou-se [DC] á entrada das duas fontes que estão no caminho de Timnah, porque via que Selah já era grande, e ella lhe não fôra dada por mulher.

15 E vendo-a Judah, teve-a por uma prostituta; [4] porque ella tinha coberto o seu rosto.

16 E apartou-se a ella ao caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me entrar a ti. Porquanto não sabia que era sua nóra: e ella disse: Que darás, para que entres a mim?

17 E elle disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ella disse: Dás-me penhor até que o envies?

18 Então elle disse: Que penhor é que te darei? E ella disse: O teu sello, e o teu lenço, [DD] e o cajado que está em tua mão. O que elle lhe deu, e entrou a ella, e ella concebeu d’elle.

19 E ella levantou-se, e foi-se, e tirou de sobre si o seu véu, [5] e vestiu os vestidos da sua viuvez.

20 E Judah enviou o cabrito por mão do seu amigo o adullamita, para tomar o penhor da mão da mulher, porém não a achou.

21 E perguntou aos homens d’aquelle logar, dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto ás duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.

22 E tornou-se a Judah, e disse: Não a achei; e tambem disseram os homens d’aquelle logar: Aqui não esteve prostituta.

23 Então disse Judah: Tome-o para si, para que porventura não venhamos[38] em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste.

24 E aconteceu que, quasi tres mezes depois, deram aviso a Judah, dizendo: Tamar, tua nóra, tem fornicado, e eis que está pejada da fornicação. Então disse Judah: [6] Tirae-a fóra para que seja queimada.

25 E tirando-a fóra, ella mandou dizer a seu sogro: Do varão de quem são estas coisas eu concebi. E ella disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este sello, [7] e estes [DE] lenços e este cajado.

26 E conheceu-os Judah, e disse: Mais justa é ella do que eu, [8] porquanto não a tenho dado a Selah meu filho. E nunca mais a conheceu.

27 E aconteceu ao tempo de parir, eis que havia gemeos em seu ventre;

28 E aconteceu que, parindo ella, que um poz fóra a mão, e a parteira tomou-a, e atou em sua mão um fio de grã, dizendo: Este saiu primeiro.

29 Mas aconteceu que, tornando elle a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão, e ella disse: Como tu tens rompido? sobre ti é a rotura. E chamaram o seu nome Perez;

30 E depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio de grã; e chamaram o seu nome Zerah.

[1] Num. 26.19. I Chr. 2.3.

[2] Deu. 25.5. Mat. 22.24.

[3] Jos. 15.57.

[4] Can. 1.7.

[5] II Sam. 14.2, 5.

[6] Lev. 21.9. Deu. 22.21.

[7] ver. 18.

[8] ver. 14.

José em casa de Potifar.

Antes de Christo 1720

39 E José foi levado ao Egypto, [1] e Potifar, eunucho [DF] de Pharaó, capitão da guarda, varão egypcio, comprou-o da mão dos ishmaelitas que o tinham levado lá.

2 E o Senhor estava com José, [2] e foi varão prospero; e estava na casa de seu senhor egypcio.

3 Vendo pois o seu senhor que o Senhor estava com elle, [3] e tudo o que fazia o Senhor prosperava em sua mão,

4 José achou graça em seus olhos, [4] e servia-o; e elle o poz sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.

5 E aconteceu que, desde que o puzera sobre a sua casa, e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egypcio por amor de José; e a benção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.

6 E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que de nada sabia do que estava com elle, mais do que do pão que comia. [5] E José era formoso de parecer, e formoso á vista.

7 E aconteceu depois d’estas coisas [6] que a mulher de seu senhor poz os seus olhos em José, e disse: Deita-te commigo.

8 Porém elle recusou, e disse á mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que ha em casa commigo, e entregou em minha mão tudo o que tem;

9 Ninguem ha maior do que eu n’esta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; [7] como pois faria eu este tamanho mal, e peccaria contra [8] Deus?

10 E aconteceu que fallando ella cada dia a José, e não lhe dando elle ouvidos, para deitar-se com ella, e estar com ella,

11 Succedeu n’um certo dia que veiu á casa para fazer seu serviço; e nenhum dos da casa estava ali em casa;

12 E ella lhe pegou pelo seu vestido, dizendo: [9] Deita-te commigo. E elle deixou o seu vestido na mão d’ella, e fugiu, e saiu para fóra.

13 E aconteceu que, vendo ella que deixara o seu vestido em sua mão, e fugira para fóra,

14 Chamou aos homens de sua casa, e fallou-lhes, dizendo: Vêde, trouxe-nos o varão hebreu, para escarnecer de nós; entrou a mim para deitar-se commigo, e eu gritei com grande voz,

15 E aconteceu que, ouvindo elle que eu levantava a minha voz e gritava, deixou o seu vestido commigo, e fugiu, e saiu para fóra.

16 E ella poz o seu vestido perto de si, até que o seu senhor veiu á sua casa.

17 Então [10] fallou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veiu a mim o servo hebreo, que nos trouxeste para escarnecer de nim;

18 E aconteceu que, levantando eu a minha voz e gritando, elle deixou o seu vestido commigo, e fugiu para fóra.

19 E aconteceu que, ouvindo o seu senhor as palavras de sua mulher, que lhe fallava, dizendo: Conforme a estas mesmas palavras me fez teu servo; [11] a sua ira se accendeu.

20 E o senhor de José o tomou, [12] e o entregou na casa do carcere, no logar onde os presos do rei estavam presos; assim esteve ali na casa do carcere.

21 O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre elle a sua benignidade,[39] [13] e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mór.

22 E o carcereiro-mór entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do carcere, e elle fazia tudo o que se fazia ali.

23 E o carcereiro-mór não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão d’elle; porquanto o Senhor estava com elle, e tudo o que fazia [14] o Senhor prosperava.

[1] cap. 37.36. Psa. 105.17.

[2] I Sam. 16.18 e 18.14, 28. Act. 7.9.

[3] Jos. 1.7, 8. I Chr. 22.13. Psa. 1.3.

[4] ver. 21. I Sam. 16.22.

[5] I Sam. 16.12.

[6] Job 31.1. Psa. 119.37.

[7] Lev. 20.10. Pro. 6.29, 32.

[8] II Sam. 12.13. Psa. 51.4.

[9] Pro. 7.13. Ecc. 7.26.

[10] Exo. 23.1. Psa. 120.3. Pro. 12.19.

[11] Pro. 6.34, 35. Can. 8.6.

[12] Psa. 105.18.

[13] Exo. 12.36. Psa. 106.46. Pro. 16.7. Dan. 1.9. Act. 7.10.

[14] ver. 2, 3.

José na prisão interpreta dois sonhos.

40 E aconteceu depois d’estas coisas que peccaram o copeiro do rei do Egypto, e o padeiro, contra o seu senhor, o rei do Egypto.

2 E [1] indignou-se Pharaó muito contra os seus dois eunuchos, contra o copeiro-mór e contra o padeiro-mór,

3 E entregou-os em guarda, [2] na casa do capitão da guarda, na casa do carcere, no logar onde José estava preso.

4 E o capitão da guarda deu cargo d’elles a José, para que os servisse; e estiveram muitos dias na prisão.

5 E ambos sonharam um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, [3] cada um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egypto, que estavam presos na casa do carcere.

6 E veiu José a elles pela manhã, e olhou para elles, [4] e eis que estavam turbados.

7 Então perguntou aos eunuchos de Pharaó, que com elle estavam no carcere da casa de seu senhor, dizendo: Porque estão hoje tristes os vossos semblantes?

8 E elles lhe disseram: Temos sonhado um sonho, e ninguem ha que o interprete. E José disse-lhes: [5] Não são de Deus as interpretações? contae-m’o, peço-vos.

9 Então contou o copeiro-mór o seu sonho a José, e disse-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante da minha face,

10 E na vide tres sarmentos, e estava como brotando; a sua flôr sahia, os seus cachos amadureciam em uvas:

11 E o copo de Pharaó estava na minha mão, e eu tomava as uvas, e as espremia no copo de Pharaó, e dava o copo na mão de Pharaó.

12 Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: os tres sarmentos são tres dias;

13 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça, [6] e te restaurará ao teu estado, e darás o copo de Pharaó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro.

14 Porem lembra-te de mim, quando te fôr bem; e rogo-te que uses commigo de compaixão, e que faças menção de mim a Pharaó, e faze-me sair d’esta casa;

15 Porque, de facto, fui roubado da terra dos hebreus; [7] e tão pouco aqui nada tenho feito para que me puzessem n’esta cova.

16 Vendo então o padeiro-mór que tinha interpretado bem, disse a José: Eu tambem sonhava, e eis que tres cestos [DG] brancos estavam sobre a minha cabeça;

17 E no cesto mais alto havia de todos os manjares de Pharaó, da obra de padeiro: e as aves o comiam do cesto de sobre a minha cabeça.

18 Então respondeu José, e disse: Esta é a sua interpretação: os tres cestos são tres dias;

19 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça sobre ti, e te pendurará n’um pau, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.

20 E aconteceu ao terceiro dia, o dia do nascimento de Pharaó, que fez um banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mór, e a cabeça do padeiro-mór, no meio dos seus servos.

21 E fez tornar o copeiro-mór ao seu officio de copeiro, [8] e deu o copo na mão de Pharaó,

22 Mas ao padeiro-mór enforcou, como José havia interpretado.

23 O copeiro-mór, porém, não se lembrou de José, antes esqueceu-se [9] d’elle.

[1] Pro. 16.14.

[2] cap. 39.20, 23.

[3] Job 33.15, 17.

[4] Dan. 4.5.

[5] cap. 41.15. Dan. 2.11, 28.

[6] II Reis 25.27. Jer. 52.31.

[7] Psa. 59.3, 4. Dan. 6.21.

[8] ver. 13. II Sam. 21.10.

[9] Job 19.14.

José interpreta os sonhos de Pharaó.

Antes de Christo 1718

41 E aconteceu que, ao fim de dois annos inteiros, [1] Pharaó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio,

2 E eis que subiam do rio sete vaccas, formosas á vista e gordas de carne, e pastavam no prado.

3 E eis que subiam do rio após ellas outras sete vaccas, feias á vista e magras de carne; e paravam junto ás outras vaccas na praia do rio.

4 E as vaccas feias á vista, e magras de carne, comiam as sete vaccas formosas á vista e gordas. Então acordou Pharaó.

[40]

5 Depois dormiu, e sonhou outra vez, e eis que brotavam d’uma cana sete espigas cheias e boas,

6 E eis que sete espigas miudas, e queimadas do vento oriental, brotavam após ellas.

7 E as espigas miudas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então acordou Pharaó, e eis que era um sonho.

8 E aconteceu que pela manhã o seu espirito perturbou-se, [2] e enviou e chamou todos os adivinhadores do Egypto, e todos os seus sabios; e Pharaó contou-lhes os seus sonhos, mas ninguem havia que os interpretasse a Pharaó.

9 Então fallou o copeiro-mór a Pharaó, dizendo: Dos meus peccados me lembro hoje:

10 Estando [3] Pharaó mui indignado contra os seus servos, e pondo-me em guarda na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mór,

11 Então [4] sonhámos um sonho na mesma noite, eu e elle, cada um conforme a interpretação do seu sonho sonhámos.

12 E estava ali comnosco um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda, e contámos-lh’os, e interpretou-nos os nossos sonhos, a cada um os interpretou conforme o seu sonho.

13 E como elle nos interpretou, assim mesmo foi feito: a mim me fez tornar ao meu estado, e a elle fez enforcar.

14 Então enviou Pharaó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova; [5] e barbeou-se e mudou os seus vestidos, e veiu a Pharaó.

15 E Pharaó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguem ha que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas.

16 E respondeu José a Pharaó, dizendo: Sem mim é isso: Deus responderá paz a Pharaó.

17 Então disse Pharaó a José: Eis que em meu sonho [6] estava eu em pé na praia do rio,

18 E eis que subiam do rio sete vaccas gordas de carne e formosas á vista, e pastavam no prado.

19 E eis que outras sete vaccas subiam após estas, muito feias á vista, e magras de carne; não tenho visto outras taes, emquanto á fealdade, em toda a terra do Egypto.

20 E as vaccas magras e feias comiam os primeiras sete vaccas gordas;

21 E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas: porque o seu parecer era feio como no principio. Então acordei.

22 Depois vi em meu sonho, e eis que d’uma cana subiam sete espigas cheias e boas;

23 E eis que sete espigas seccas, miudas e queimadas do vento oriental, brotavam após ellas.

24 E as sete espigas miudas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos [7] magos, mas ninguem houve que m’o interpretasse.

25 Então disse José a Pharaó: O sonho de Pharaó é um só; o que Deus ha de fazer, [8] notificou a Pharaó.

26 As sete vaccas formosas são sete annos; as sete espigas formosas tambem são sete annos: o sonho é um só.

27 E as sete vaccas feias á vista e magras, que subiam depois d’ellas, são sete annos; e as sete espigas miudas e queimadas do vento oriental, [9] serão sete annos de fome.

28 Esta é a palavra que tenho dito a Pharaó; o que Deus ha de fazer, mostrou-o a Pharaó.

29 E eis que veem sete annos, e [10] haverá grande fartura em toda a terra do Egypto.

30 E depois d’elles levantar-se-hão [11] sete annos de fome, e toda aquella fartura será esquecida na terra do Egypto, e a fome consumirá a terra;

31 E não será conhecida a abundancia na terra, por causa d’aquella fome que haverá depois; porquanto será gravissima.

32 E que o sonho foi duplicado duas vezes a Pharaó, é [12] porquanto esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazel-a.

33 Portanto Pharaó se proveja agora d’um varão entendido e sabio, e o ponha sobre a terra do Egypto:

34 Faça isso Pharaó, e ponha governadores sobre a terra, [13] e tome a quinta parte da terra do Egypto nos sete annos de fartura,

35 E ajuntem toda a comida d’estes bons annos, que veem, e amontoem o trigo debaixo da mão de Pharaó, para mantimento nas cidades, e o guardem;

36 Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete annos de fome, que haverá na terra do Egypto; para que a terra não pereça de fome.

37 E esta palavra foi boa aos olhos de[41] Pharaó, [14] e aos olhos de todos os seus servos.

Pharaó põe José como governador do Egypto.

Antes de Christo 1715

38 E disse Pharaó a seus servos: Achariamos um varão como este, em quem haja o espirito de Deus?

39 Depois disse Pharaó a José: Pois que Deus te fez saber tudo isto, ninguem ha tão entendido e sabio como tu:

40 Tu estarás sobre a minha casa, [15] e por tua bocca se governará todo o meu povo, sómente no throno eu serei maior que tu.

41 Disse mais Pharaó a José: Vês aqui te tenho posto sobre toda a terra do Egypto.

42 E tirou Pharaó o seu annel da sua mão, e o poz na mão de José, e o fez vestir de vestidos de linho fino, [16] e poz um collar d’oiro no seu pescoço,

43 E o fez subir no segundo carro que tinha, e clamavam diante d’elle: Ajoelhae; [17] assim o poz sobre toda a terra do Egypto.

44 E disse Pharaó a José: Eu sou Pharaó; porém sem ti ninguem levantará a sua mão ou o seu pé em toda a terra do Egypto.

45 E chamou Pharaó o nome de José [DH] Zaphnath-paneah, e deu-lhe por mulher a Asenath, [18] filha de Potiphera, sacerdote de On; e saiu José por toda a terra do Egypto.

46 E José era da edade de trinta annos quando esteve diante da face de Pharaó, rei do Egypto. E saiu José da face de Pharaó, e passou por toda a terra do Egypto.

47 E a terra produziu nos sete annos de fartura a mãos cheias.

48 E ajuntou todo o mantimento dos sete annos, que houve na terra do Egypto, e guardou o mantimento nas cidades, pondo nas cidades o mantimento do campo que estava ao redor de cada cidade.

49 Assim ajuntou José muitissimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de contar; porquanto não havia numeração.

50 E nasceram a José dois [19] filhos (antes que viesse um anno de fome), que lhe pariu Asenath, filha de Potiphera, sacerdote de On.

51 E chamou José o nome do primogenito Manasseh [DI]; porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pae.

52 E o nome do segundo chamou Ephraim [DJ]; porque disse: Deus me fez [20] crescer na terra da minha afflicção.

53 Então acabaram-se os sete annos de fartura que havia na terra do Egypto,

54 E começaram a vir os sete annos de fome, como José tinha dito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egypto havia pão.

55 E tendo toda a terra do Egypto fome, clamou o povo a Pharaó por pão; e Pharaó disse a todos os egypcios: Ide a José; o que elle vos disser, fazei.

56 Havendo pois fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, [21] e vendeu aos egypcios; porque a fome prevaleceu na terra de Egypto.

57 E todas as terras vinham ao Egypto, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.

[1] Dan. 2.1.

[2] Dan. 4.5, 19 e 7.28 e 8.27. Exo. 7.11. Isa. 29.14. Dan. 2.2.

[3] cap. 40.2.

[4] cap. 40.5.

[5] I Sam. 2.8. Psa. 105.20. Psa. 25.14. Dan. 5.16.

[6] ver. 1.

[7] ver. 8. Dan. 4.7.

[8] Dan. 2.29, 45.

[9] II Reis 8.1.

[10] ver. 47.

[11] ver. 54. cap. 47.13.

[12] cap. 37.7, 9. Num. 23.19. Isa. 46.10.

[13] Pro. 6.6, 8 e 22.3.

[14] Act. 7.10.

[15] Psa. 105.21.

[16] Dan. 5.7, 29.

[17] cap. 45.8, 26. Act. 7.10.

[18] Exo. 2.16.

[19] cap. 46.20 e 48.5.

[20] cap. 49.22.

[21] cap. 42.6.

Os irmãos de José descem ao Egypto.

Antes de Christo 1707

42 Vendo então Jacob que havia mantimento no Egypto, [1] disse Jacob a seus filhos: Porque estaes olhando uns para os outros?

2 Disse mais: Eis que tenho ouvido que ha mantimentos no Egypto; descei para lá, e comprae-nos d’ali, para que vivamos e não morramos.

3 Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo do Egypto.

4 A Benjamin, porém, irmão de José não enviou Jacob com os seus irmãos, porque dizia: [2] Para que lhe não succeda porventura algum desastre.

5 Assim vieram os filhos de Israel para comprar, entre os que vinham ; porque havia fome na terra de Canaan.

6 José, pois, era o governador d’aquella terra; [3] elle vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José vieram, e inclinaram-se a elle com a face na terra.

7 E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com elles, e fallou com elles asperamente, e disse-lhes: D’onde vindes? E elles disseram: Da terra de Canaan, para comprarmos mantimento.

8 José, pois, conheceu os seus irmãos; mas elles não o conheceram.

9 Então José lembrou-se dos sonhos, [4] que havia sonhado d’elles, e disse-lhes: Vós sois espias, e sois vindos para ver a nudez da terra.

10 E elles lhe disseram: Não, senhor meu; mas teus servos são vindos a comprar mantimento.

[42]

11 Todos nós somos filhos de um varão; somos homens de rectidão; os teus servos não são espias.

12 E elle lhes disse: Não; antes viestes para ver a nudez da terra.

13 E elles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um varão na terra de Canaan; e eis que aqui o mais novo está com nosso pae hoje; [5] mas um não está mais.

14 Então lhes disse José: Isso é o que vos tenho dito, dizendo que sois espias:

15 N’isto sereis provados; [6] pela vida de Pharaó, não saireis d’aqui senão quando vosso irmão mais novo vier aqui.

16 Enviae um d’entre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, e vossas palavras sejam provadas, se ha verdade comvosco; e se não, pela vida de Pharaó, vós sois espias.

17 E pôl-os juntos em guarda tres dias.

18 E ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; [7] porque eu temo a Deus.

19 Se sois homens de rectidão, que fique um de vossos irmãos preso na casa de vossa prisão; e vós ide, levae mantimento para a fome de vossa casa,

20 E trazei-me o vosso irmão mais novo, [8] e serão verificadas vossas palavras, e não morrereis. E elles assim fizeram.

21 Então disseram uns aos outros: [9] Na verdade, somos culpados ácerca de nosso irmão, pois vimos a angustia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos: por isso vem sobre nós esta angustia.

22 E Ruben respondeu-lhes, dizendo: [10] Não vol-o dizia eu, dizendo: Não pequeis contra o moço; mas não ouvistes: e vêdes aqui, o seu sangue tambem á requerido.

23 E elles não sabiam que José os entendia, porque havia interprete entre elles.

24 E retirou-se d’elles, e chorou. Depois tornou a elles, e fallou-lhes, e tomou a Simeão d’elles, e amarrou-o perante os seus olhos.

Os irmãos de José voltam do Egypto.

25 E ordenou José, que enchessem os seus saccos de trigo, e que lhes restituissem o seu dinheiro a cada um no seu sacco, e lhes dessem comida para o caminho; [11] e fizeram-lhes assim.

26 E carregaram o seu trigo sobre os seus jumentos, e partiram d’ali.

27 E, abrindo [12] um d’elles o seu sacco, para dar pasto ao seu jumento na venda, viu o seu dinheiro; porque eis que estava na bocca do seu sacco.

28 E disse a seus irmãos: Tornou-se o meu dinheiro, e eil-o tambem aqui no meu sacco. Então lhes desfalleceu o coração, e pasmavam, dizendo um ao outro: Que é isto que Deus nos tem feito?

29 E vieram para Jacob, seu pae, na terra de Canaan; e contaram-lhe tudo o que lhes aconteceu, dizendo:

30 O varão, o senhor da terra, fallou comnosco asperamente, [13] e tratou-nos como espias da terra;

31 Mas dissemos-lhe: Somos homens de rectidão: não somos espias:

32 Somos doze irmãos, filhos de nosso pae; um não é mais, e o mais novo está hoje com nosso pae na terra de Canaan.

33 E aquelle varão, o senhor da terra, nos disse: N’isto conhecerei que vós sois homens de rectidão; deixae commigo um de vossos irmãos, e tomae para a fome de vossas casas, e parti,

34 E trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas homens de rectidão; então vos darei o vosso irmão e negociareis na terra.

35 E aconteceu que, [14] despejando elles os seus saccos, eis que cada um tinha a trouxinha com seu dinheiro no seu sacco; e viram as trouxinhas com seu dinheiro, elles e seu pae, e temeram.

36 Então Jacob, seu pae, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; [15] José não está mais, e Simeão não está mais: agora levareis a Benjamin. Todas estas coisas vieram sobre mim.

37 Mas Ruben fallou a seu pae, dizendo: Mata os meus dois filhos, se t’o não tornar a trazer; dá-m’o em minha mão, e t’o tornarei a trazer.

38 Elle porém disse: Não descerá meu filho comvosco; [16] porquanto o seu irmão é morto, e elle só ficou. Se lhe succedesse algum desastre no caminho que fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza á sepultura.

[1] Act. 7.12.

[2] ver. 38.

[3] cap. 41.41.

[4] cap. 37.5, 9.

[5] cap. 37.30.

[6] I Sam. 1.26 e 17.55. Thi. 5.12.

[7] Lev. 25.43. Neh. 5.15. Luc. 18.2, 4.

[8] cap. 43.5.

[9] Num. 32.23. I Reis 17.18. Job 36.8, 9. Ose. 5.15.

[10] cap. 37.21. cap. 9.5. I Reis 2.32. II Chr. 24.22. Psa. 9.12.

[11] Mat. 5.44. Rom. 12.17, 20. Eph. 4.2.

[12] cap. 43.21.

[13] ver. 7, 12.

[14] cap. 43.21.

[15] cap. 43.14.

[16] cap. 44.29.

Os irmãos de José descem outra vez ao Egypto.

43 E a fome [1] era gravissima na terra.

2 E aconteceu que, como acabaram de comer o mantimento que trouxeram do[43] Egypto, disse-lhes seu pae: Tornae, comprae-nos um pouco de alimento.

3 Mas Judah respondeu-lhe, dizendo: Fortemente nos protestou aquelle varão, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier comvosco.

4 Se enviares comnosco o nosso irmão, desceremos, e te compraremos alimento;

5 Mas se não o enviares, não desceremos; porquanto aquelle varão nos disse: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier comvosco.

6 E disse Israel: Porque me fizestes tal mal, fazendo saber áquelle varão que tinheis ainda outro irmão?

7 E elles disseram: Aquelle varão particularmente nos perguntou por nós, e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pae? tendes mais um irmão? e respondemos-lhe conforme as mesmas palavras. Podiamos nós saber que diria: Trazei vosso irmão?

8 Então disse Judah a Israel, seu pae: Envia o mancebo commigo, e levantar-nos-hemos, e iremos, para que vivamos, e não morramos, nem nós, nem tu, nem os nossos filhos.

9 Eu serei fiador por elle, da minha mão o requererás; [2] se eu não t’o trouxer, e não o pozer perante a tua face, serei réu de crime para comtigo para sempre:

10 E se nós não nos tivessemos detido, certamente já estariamos segunda vez de volta.

11 Então disse-lhes Israel, seu pae: Pois que assim é, fazei isso; tomae do mais precioso d’esta terra em vossos vasos, [3] e levae ao varão um presente: um pouco de balsamo, e um pouco de mel, especiarias, e myrrha, terebintho e [DK] amendoas;

12 E tomae em vossas mãos dinheiro dobrado, [4] e o dinheiro que tornou na bocca dos vossos saccos tornae a levar em vossas mãos; bem pode ser que fosse erro;

13 Tomae tambem a vosso irmão, e levantae-vos, e voltae áquelle varão;

14 E Deus Todo-poderoso vos dê misericordia diante do varão, para que deixe vir comvosco vosso outro irmão, [5] e Benjamin; e eu, se fôr desfilhado, desfilhado ficarei.

Os irmãos de José jantam com elle.

15 E os varões tomaram aquelle presente, e tomaram dinheiro dobrado em suas mãos, e a Benjamin: e levantaram-se, e desceram ao Egypto, e apresentaram-se diante da face de José.

16 Vendo pois José a Benjamin com elles, disse ao que estava sobre a sua casa: [6] Leva estes varões á casa, e mata rezes, e apresta; porque estes varões comerão commigo ao meio dia.

17 E o varão fez como José dissera, e o varão levou aquelles varões á casa de José.

18 Então temeram aquelles varões, porquanto foram levados á casa de José, e diziam: Por causa do dinheiro que d’antes foi [DL] tornado nos nossos saccos, fomos levados aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos, e a nossos jumentos.

19 Por isso chegaram-se ao varão que estava sobre a casa de José, e fallaram com elle á porta da casa,

20 E disseram: Ai! senhor meu, certamente descemos d’antes a comprar mantimento;

21 E aconteceu que, [7] chegando nós á venda, e abrindo os nossos saccos, eis que o dinheiro de cada varão estava na bocca do seu sacco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazel-o em nossas mãos;

22 Tambem trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos saccos.

23 E elle disse: Paz seja comvosco, não temaes; o vosso Deus, e o Deus de vosso pae, vos tem dado um thesoiro nos vossos saccos; o vosso dinheiro me chegou a mim. E trouxe-lhes fóra a Simeão.

24 Depois levou o varão aquelles varões á casa de José, [8] e deu-lhes agua, e lavaram os seus pés; tambem deu pasto aos seus jumentos.

25 E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer pão.

26 Vindo pois José a casa, trouxeram-lhe a casa o presente, [9] que estava na sua mão; e inclinaram-se a elle á terra.

27 E [10] elle lhes perguntou como estavam, e disse: Vosso pae, o velho de quem fallastes, está bem? ainda vive?

28 E elles disseram: Bem está o teu servo, nosso pae [11] vive ainda. E abaixaram a cabeça, e inclinaram-se.

29 E elle levantou os seus olhos, e viu a Benjamin, seu irmão, [12] filho de sua mãe, e disse: Este é vosso irmão mais novo de quem me fallastes? Depois elle[44] disse: Deus te dê a sua graça, meu filho.

30 E José apressou-se, [13] porque as suas entranhas moveram-se para o seu irmão, e procurou onde chorar; e entrou na camara, e chorou ali.

31 Depois lavou o seu rosto, e saiu; e conteve-se, e disse: Ponde pão.

32 E pozeram-lhe a elle á parte, e a elles á parte, e aos egypcios, que comiam com elle, á parte; porque os egypcios não podem comer pão com os hebreus, porquanto é abominação para os egypcios.

33 E assentaram-se diante d’elle, o primogenito segundo a sua primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade: do que os varões se maravilhavam entre si.

34 E apresentou-lhes as porções que estavam diante d’elle; porém a porção de Benjamin era cinco vezes maior do que as porções d’elles todos. E elles beberam, e se regalaram com elle.

[1] cap. 41.54.

[2] cap. 44.32.

[3] Pro. 18.16. cap. 37.25.

[4] cap. 42.35.

[5] Neh. 1.11. Psa. 37.5.

[6] cap. 44.1.

[7] cap. 42.27.

[8] cap. 18.4 e 24.32.

[9] cap. 37.7, 10.

[10] cap. 42.11, 13.

[11] cap. 37.7, 10.

[12] cap. 35.17, 18.

[13] I Reis 3.20. Jer. 31.20. Phi. 1.8 e 2.1. Col. 3.12.

A astucia de José para deter seus irmãos.

44 E deu ordem ao que estava sobre a sua casa, dizendo: Enche os saccos d’estes varões de mantimento, quanto poderem levar, e põe o dinheiro de cada varão na bocca do seu sacco.

2 E o meu copo, o copo de prata, porás na bocca do sacco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo. E fez conforme a palavra de José, que tinha dito.

3 Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões, elles com os seus jumentos.

4 Saindo elles da cidade, e não se havendo ainda distanciado, disse José ao que estava sobre a sua casa: Levanta-te, e persegue aquelles varões: e, alcançando-os, lhes dirás: Porque pagastes mal por bem?

5 Não é este o copo por que bebe meu senhor? e em que elle bem [DM] attenta? fizestes mal no que fizestes.

6 E alcançou-os, e fallou-lhes as mesmas palavras.

7 E elles disseram-lhe: Porque diz meu senhor taes palavras? longe estejam teus servos de fazerem similhante coisa.

8 Eis que o dinheiro, [1] que temos achado nas boccas dos nossos saccos, te tornámos a trazer desde a terra de Canaan: como pois furtariamos da casa do teu senhor prata ou oiro?

9 Aquelle, [2] com quem de teus servos fôr achado, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor.

10 E elle disse: Ora seja tambem assim conforme as vossas palavras; aquelle com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados.

11 E elles apressaram-se, e cada um poz em terra o seu sacco, e cada um abriu o seu sacco.

12 E buscou, começando do maior, e acabando no mais novo: e achou-se o copo no sacco de Benjamin.

13 Então rasgaram os seus vestidos, [3] e carregou cada um o seu jumento, e tornaram á cidade.

14 E veiu Judah com os seus irmãos á casa de José, porque elle ainda estava ali; [4] e prostraram-se diante d’elle na terra.

15 E disse-lhes José: Que é isto que obrastes? não sabeis vós que tal homem como eu bem [DN] attentara?

A humilde supplica de Judah.

16 Então disse Judah: Que diremos a meu senhor? que fallaremos? e como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; [5] eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquelle em cuja mão foi achado o copo.

17 Mas elle disse: [6] Longe de mim que eu tal faça; o varão em cuja mão o copo foi achado, aquelle será meu servo; porém vós subi em paz para vosso pae.

18 Então Judah se chegou a elle, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se accenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Pharaó.

19 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pae, ou irmão?

20 E dissemos a meu senhor: Temos um pae velho, e um moço da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e elle ficou só de sua mãe, [7] e seu pae o ama.

21 Então tu disseste a teus servos: Trazei-m’o a mim, e porei os meus olhos sobre elle.

22 E nós dissemos a meu senhor: Aquelle moço não poderá deixar a seu pae: se deixar a seu pae, morrerá.

23 Então tu disseste a teus servos: Se vosso irmão mais novo não descer comvosco, [8] nunca mais vereis a minha face.

24 E aconteceu que, subindo nós a teu servo meu pae, e contando-lhe as palavras de meu senhor,

[45]

25 Disse nosso pae: [9] Tornae, comprae-nos um pouco de mantimento.

26 E nós dissemos: Não poderemos descer; se nosso irmão menor fôr comnosco, desceremos; pois não poderemos ver a face do varão, se este nosso irmão menor não estiver comnosco.

27 Então disse-nos teu servo meu pae: [10] Vós sabeis que minha mulher me pariu dois;

28 E um saiu de mim, e eu disse: [11] Certamente foi despedaçado, e não o tenho visto até agora;

29 Se agora tambem tirardes a este da minha face, e lhe acontecesse algum desastre, farieis descer as minhas cãs com dôr á sepultura.

30 Agora pois, vindo eu a teu servo meu pae, e o moço não indo comnosco, pois que a sua alma está atada com a alma d’elle,

31 Acontecerá que, vendo elle que o moço ali não está, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pae, com tristeza á sepultura.

32 Porque teu servo [12] se deu por fiador por este moço para com meu pae, dizendo: Se não t’o tornar, eu serei culpado a meu pae todos os dias.

33 Agora, pois, fique teu servo em logar d’este moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com os seus irmãos.

34 Porque como subirei eu a meu pae, se o moço não fôr commigo? para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pae.

[1] cap. 43.22.

[2] cap. 31.32.

[3] cap. 37.29, 34. Num. 14.6. II Sam. 1.11.

[4] cap. 37.7.

[5] Esd. 9.10. Job 40.4. Num. 32.23. Jos. 7.18. Luc. 12.2.

[6] Pro. 17.15.

[7] cap. 37.3.

[8] cap. 43.3, 5.

[9] cap. 43.2.

[10] cap. 30.23 e 35.18 e 46.19.

[11] cap. 37.33.

[12] cap. 43.9.

José dá-se a conhecer a seus irmãos.

Antes de Christo 1706

45 Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com elle; e clamou: Fazei sair de mim a todo o varão; e ninguem ficou com elle, quando José se deu a conhecer a seus irmãos.

2 E levantou a sua voz com chôro, de maneira que os egypcios o ouviam, e a casa de Pharaó o ouviu.

3 E disse José a seus irmãos: Eu sou José: vive ainda meu pae? E seus irmãos não lhe poderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face.

4 E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegae-vos a mim. E chegaram-se; então disse elle: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egypto.

5 Agora, pois, não vos entristeçaes, [1] nem vos peze aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face.

6 Porque já houve dois annos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco annos em que não haverá lavoura nem sega.

7 Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para que ficasseis um resto na terra, e para guardar-vos em vida por uma grande livração.

8 Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pae de Pharaó, [2] e por senhor de toda a sua casa, e como [DO] regente em toda a terra do Egypto.

9 Apressae-vos, e subi a meu pae, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egypto; desce a mim, e não te demores;

10 E habitarás na terra de Gosen, [3] e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vaccas, e tudo o que tens.

11 E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco annos de fome, para que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens.

12 E eis que vossos olhos o vêem, e os olhos de meu irmão Benjamin, que é minha bocca que vos falla.

13 E fazei saber a meu pae toda a minha gloria no Egypto, e tudo o que tendes visto, [4] e apressae-vos a fazer descer meu pae para cá.

14 E lançou-se ao pescoço de Benjamin seu irmão, e chorou; e Benjamin chorou tambem ao seu pescoço.

Pharaó ouve fallar dos irmãos de José.

15 E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre elles; e depois seus irmãos fallaram com elle.

16 E a fama ouviu-se na casa de Pharaó, dizendo: Os irmãos de José são vindos; e pareceu bem aos olhos de Pharaó, e aos olhos de seus servos.

17 E disse Pharaó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto, carregae as vossas bestas e parti, tornae á terra de Canaan,

18 E tornae a vosso pae, e a vossas familias, e vinde a mim; e eu vos farei o melhor da terra do Egypto, [5] e comereis a gordura da terra.

19 A ti pois é ordenado; fazei isto, tomae vós da terra do Egypto carros para vossos meninos, para vossas mulheres, e para vosso pae, e vinde.

20 E não vos peze coisa alguma das vossas alfaias; porque o melhor de toda a terra do Egypto será vosso.

21 E os filhos de Israel fizeram assim.[46] E José deu-lhes carros, conforme o mandado de Pharaó; tambem lhes deu comida para o caminho.

22 A todos lhes deu, a cada um, mudas de vestidos; mas a Benjamin deu trezentas peças de prata, [6] e cinco mudas de vestidos.

23 E a seu pae enviou similhantemente dez jumentos carregados do melhor do Egypto, e dez jumentos carregados de trigo, e pão, e comida para seu pae, para o caminho.

24 E despediu os seus irmãos, e partiram; e disse-lhes: Não contendaes pelo caminho.

25 E subiram do Egypto, e vieram á terra de Canaan, a Jacob seu pae.

26 Então lhe annunciaram, dizendo: José ainda vive, e elle tambem é regente em toda a terra do Egypto. [7] E o seu coração desmaiou-se, porque não os acreditava.

27 Porém, havendo-lhe elles contado todas as palavras de José, que elle lhes fallára, e vendo elle os carros que José enviara para leval-o, reviveu o espirito de Jacob seu pae.

28 E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei, e o verei antes que morra.

[1] cap. 37.28. II Cor. 2.7.

[2] João 19.11. cap. 41.43.

[3] cap. 46.29 e 47.1, 6. Exo. 8.22 e 9.26.

[4] Act. 7.14.

[5] cap. 47.6.

[6] cap. 43.34.

[7] Job 9.16 e 29.24. Psa. 126.1. Luc. 24.11, 41.

Jacob e toda a sua familia descem ao Egypto.

46 E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veiu a [1] Berseba, e sacrificou sacrificios ao Deus de seu pae Isaac.

2 E fallou Deus a Israel em visões da noite, [2] e disse: Jacob, Jacob! E elle disse: Eis-me aqui.

3 E disse: Eu sou o Deus, o Deus de teu pae; [3] não temas de descer ao Egypto, porque eu te farei ali uma grande nação.

4 E descerei comtigo ao Egypto, e certamente te farei tornar a subir, [4] e José porá a sua mão sobro os teus olhos.

5 Então levantou-se Jacob de Berseba, e os filhos de Israel levaram a seu pae Jacob, e seus meninos, e as suas mulheres, [5] nos carros que Pharaó enviara para o levar.

6 E tomaram o seu gado e a sua fazenda que tinham adquirido na terra de Canaan, [6] e vieram ao Egypto, Jacob e toda a sua semente com elle,

7 Os seus filhos, e os filhos de seus filhos com elle, as suas filhas, e as filhas de seus filhos, e toda a sua semente levou comsigo ao Egypto.

8 E estes são os nomes dos filhos de Israel, [7] que vieram ao Egypto, Jacob e seus filhos: Ruben, o primogenito de Jacob,

9 E os filhos de Ruben: Hanoch, e Pallu, e Hezron, e Carmi.

10 E os filhos de Simeão: Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e Shaul, filho de uma mulher cananea.

11 E os filhos de Levi: Gerson, Kohath, e Merari.

12 E os filhos de Judah: Er, e Onan, e Sela, e Perez, e Serah; [8] Er e Onan, porém, morreram na terra de Canaan; e os filhos de Perez foram Hezron e Hamul.

13 E os filhos de Issacar: Tola, e Puah, e Iob, e Simron.

14 E os filhos de Zebulon: Sered, e Elon, e Jahleel.

15 Estes são os filhos de Leah, que pariu a Jacob em Paddan-aram, com Dinah, sua filha: todas as almas de seus filhos e de suas filhas foram trinta e tres.

16 E os filhos de Gad: Ziphion, e Haggi, Shuni, e Ezbon, Eri, e Arodi, e Areli.

17 E os filhos de Asher: Imnah, e Ischva, e Ischvi, e Beria, e Serah, a irmã d’elles: e os filhos de Beria: Heber e Malchiel.

18 Estes são os filhos de Zilpah, [9] que Labão deu á sua filha Leah; e pariu a Jacob estas dezeseis almas.

19 Os filhos de Rachel, mulher de Jacob: José e Benjamin.

20 E nasceram a José na terra do Egypto Manasseh e Ephraim, que lhe pariu Asenath, [10] filha de Potiphera, sacerdote de On.

21 E os filhos de Benjamin: Belah, Becher, e Asbel, Gera, e Naaman, Echi e Rosh, Muppim, e Huppim, e Ard.

22 Estes são os filhos de Rachel, que nasceram a Jacob, ao todo quatorze almas.

23 E os filhos de Dan: Husim.

24 E os filhos de Naphtali: Jahzeel, e Guni, e Jezer, e Shilem.

25 Estes são os filhos de Bilha, [11] que Labão deu á sua filha Rachel; e pariu estes a Jacob; todas as almas foram sete.

26 Todas as almas que vieram com Jacob ao Egypto, que sairam da sua côxa, sem as mulheres dos filhos de Jacob, todas foram sessenta e seis almas.

[47]

27 E os filhos de José, que lhe nasceram no Egypto, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacob, que vieram ao Egypto, [12] foram setenta.

O encontro de José com seu pae.

28 E enviou a Judah diante da sua face a José, para o encaminhar a Gosen; e chegaram á [13] terra de Gosen.

29 Então José apromptou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu pae, a Gosen. E, mostrando-se-lhe, lançou-se ao seu pescoço, e chorou sobre o seu pescoço longo tempo.

30 E Israel disse a José: Morra eu agora, [14] pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives.

31 Depois disse José a seus irmãos, e á casa de seu pae: Eu subirei, e annunciarei a Pharaó, e lhe direi: Meus irmãos, e a casa de meu pae, que estavam na terra de Canaan, vieram a mim!

32 E os varões são pastores de ovelhas, porque são homens de gado, e trouxeram comsigo as suas ovelhas, e as suas vaccas, e tudo o que teem.

33 Quando pois acontecer que Pharaó vos chamar, e disser: [15] Qual é vosso [DP] negocio?

34 Então direis: [16] Teus servos foram homens de gado desde a nossa mocidade até agora, tanto nós como os nossos paes; para que habitemos na terra de Gosen; porque todo o pastor de ovelhas é abominação aos egypcios.

[1] cap. 21.31 e 31.42, 53.

[2] cap. 15.1. Job 33.15.

[3] cap. 12.2. Deu. 26.5.

[4] cap. 15.16 e 50.13, 25. Exo. 3.8. cap. 50.1. Act. 7.15.

[5] cap. 45.19, 27.

[6] Num. 20.15. Deu. 26.5. Jos. 24.4. Psa. 105.23. Isa. 52.4.

[7] Exo. 1.1 e 6.14. Num. 26.5.

[8] I Chr. 2.3.

[9] cap. 29.24 e 30.10.

[10] cap. 41.50.

[11] cap. 29.29.

[12] Deu. 10.22. Act. 7.14.

[13] cap. 47.1.

[14] Luc. 2.29, 30.

[15] cap. 47.3.

[16] cap. 30.35 e 37.12. Exo. 8.26.

José annuncia a Pharaó a chegada de seu pae.

47 Então veiu José, e annunciou a Pharaó, e disse: Meu pae, e os meus irmãos, e as suas ovelhas, e as suas vaccas, com tudo o que teem, são vindos da terra de Canaan, [1] e eis que estão na terra de Gosen.

2 E [2] tomou uma parte de seus irmãos, a saber cinco varões, e os poz diante de Pharaó.

3 Então disse Pharaó a seus irmãos: Qual é vosso negocio? E elles disseram a Pharaó: Teus servos são pastores de ovelhas, tanto nós como nossos paes.

4 Disseram mais a Pharaó: [3] Viemos para peregrinar n’esta terra; porque não ha pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de Canaan; agora pois rogamos-te que teus servos habitem na terra de Gosen.

5 Então fallou Pharaó a José, dizendo: Teu pae e teus irmãos vieram a ti:

6 A terra do Egypto está diante da tua face, no melhor da terra faze habitar teu pae e teus irmãos; habitem na terra de Gosen: e se sabes que entre elles ha homens [DQ] valentes, os porás por maioraes do [4] gado, sobre o que eu tenho.

7 E trouxe José a Jacob, seu pae, e o poz diante de Pharaó; e Jacob abençoou a Pharaó.

8 E Pharaó disse a Jacob: Quantos são os dias dos annos da tua vida?

9 E Jacob disse a Pharaó: Os dias dos annos das minhas peregrinações são cento e trinta annos; [5] poucos e maus foram os dias dos annos da minha vida, e não chegaram aos dias dos annos da vida de meus paes nos dias das suas peregrinações.

10 E Jacob abençoou a Pharaó, e saiu de diante da face de Pharaó.

11 E José fez habitar a seu pae e seus irmãos, e deu-lhes possessão na terra do Egypto, no melhor da terra, na terra de Rameses, [6] como Pharaó ordenara.

12 E José sustentou de pão a seu pae, e seus irmãos, e toda a casa de seu pae, segundo os seus meninos.

Como José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó.

13 E não havia pão em toda a terra, [7] porque a fome era mui grave; de maneira que a terra do Egypto e a terra de Canaan desfalleciam por causa da fome.

14 Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egypto, e na terra de Canaan, pelo trigo que compravam: e José trouxe o dinheiro á casa de Pharaó.

15 Acabando-se pois o dinheiro da terra do Egypto, e da terra de Canaan, vieram todos os egypcios a José, dizendo: Dá-nos pão; porque morreremos em tua presença? porquanto o dinheiro nos falta.

16 E José disse: Dae o vosso gado, e eu vol-o darei por vosso gado, se falta o dinheiro.

17 Então trouxeram o seu gado a José: e José deu-lhes pão em troca de cavallos, e do gado das ovelhas, e do gado das vaccas e dos jumentos; e os sustentou de pão aquelle anno por todo o seu gado.

18 E acabado aquelle anno, vieram a elle no segundo anno, e disseram-lhe: Não occultaremos ao meu senhor que o dinheiro é acabado, e meu senhor possue os animaes, e nenhuma outra coisa nos ficou diante da face de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra;

19 Porque morreremos diante dos teus[48] olhos, tanto nós como a nossa terra? [8] compra-nos a nós e á nossa terra por pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Pharaó, e dá semente para que vivamos, e não morramos, e a terra não se desole.

Antes de Christo 1702

20 Assim José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó, porque os egypcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome prevaleceu sobre elles: e a terra ficou sendo de Pharaó.

21 E, quanto ao povo, fel-o passar ás cidades, desde uma extremidade da terra do Egypto até á outra extremidade.

22 Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham porção de Pharaó, e elles comiam a sua porção que Pharaó lhes tinha dado; por isso não venderam a sua terra.

23 Então disse José ao povo: Eis que hoje tenho comprado a vós e a vossa terra para Pharaó; eis ahi tendes semente para vós, para que semeeis a terra.

24 Ha de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Pharaó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento, e dos que estão nas vossas casas, e para que comam vossos meninos.

25 E disseram: A vida nos tens dado; achemos graça nos olhos de meu senhor, e seremos servos de Pharaó.

26 José pois poz isto por estatuto até ao dia de hoje, sobre a terra do Egypto, que Pharaó tirasse o quinto: só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Pharaó.

27 Assim habitou Israel na terra do Egypto, na terra de Gosen, e n’ella tomaram possessão, [9] e fructificaram, e multiplicaram-se muito.

28 E Jacob viveu na terra do Egypto dezesete annos: de sorte que os dias de Jacob, os annos da sua vida, foram cento e quarenta e sete annos.

29 Chegando-se pois o tempo da morte d’Israel, chamou a José seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha côxa, [10] e usa commigo de beneficencia e verdade; rogo-te que me não enterres no Egypto.

30 Mas que eu jaza com os meus paes; [11] por isso me levarás do Egypto, e me sepultarás na sepultura d’elles. E elle disse: Farei conforme a tua palavra.

31 E disse elle: Jura-me. E elle jurou-lhe; e Israel inclinou-se sobre a cabeceira da cama.

[1] cap. 46.28.

[2] Act. 7.13.

[3] cap. 15.13. Deu. 26.5. Psa. 105.23. Isa. 52.4.

[4] I Chr. 27.29. Exo. 1.11.

[5] cap. 25.7, 8 e 35.28.

[6] ver. 6.

[7] cap. 41.30, 31.

[8] Job 2.4. Lam. 1.1.

[9] Exo. 1.7, 12. Deu. 10.22. Neh. 9.23.

[10] cap. 24.2.

[11] cap. 50.5, 13.

Jacob adoece.

Antes de Christo 1689

48 E aconteceu pois depois d’estas coisas, que um disse a José: Eis que teu pae está enfermo. Então tomou comsigo os seus dois filhos Manasseh e Ephraim.

2 E um deu parte a Jacob, e disse: Eis que José teu filho vem a ti. E esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama.

3 E Jacob disse a José: [1] O Deus Todo-poderoso me appareceu em Luz, na terra de Canaan, e me abençoou,

4 E me disse: Eis que te farei fructificar e multiplicar, e te porei por multidão de povos, e darei esta terra á tua semente depois de ti, [2] em possessão perpetua.

5 Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egypto, [3] antes que eu viesse a ti no Egypto, são meus: Ephraim e Manasseh serão meus, como Ruben e Simeão;

6 Mas a tua geração, que gerarás depois d’elles, será tua: segundo o nome de seus irmãos serão chamados na sua herança.

7 Vindo pois eu de Paddan, me [4] morreu Rachel na terra de Canaan, no caminho, quando ainda ficava um pequeno espaço de terra para vir a Ephrata; e eu a sepultei ali, no caminho d’Ephrata, que é Beth-lehem.

8 E Israel viu os filhos de José, e disse: Quem são estes?

9 E José disse a seu pae: Elles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui. E elle disse: [5] Peço-te, traze-m’os aqui, para que os abençoe.

10 Os olhos porem d’Israel eram carregados de velhice, já não podia vêr; e fel-os chegar a elle, e beijou-os, e abraçou-os.

Jacob abençoa José e os filhos d’este.

11 E Israel disse a José: Eu não cuidara vêr o teu rosto; [6] e eis que Deus me fez vêr a tua semente tambem.

12 Então José os tirou de seus joelhos, [7] e inclinou-se á terra diante da sua face.

13 E tomou José a ambos elles, a Ephraim na sua mão direita á esquerda d’Israel, e Manasseh na sua mão esquerda á direita d’Israel, e fel-os chegar a elle.

14 Mas Israel estendeu a sua mão direita, e a poz sobre a cabeça d’Ephraim, ainda que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manasseh, dirigindo[49] as suas mãos avisadamente, ainda que Manasseh era o primogenito.

15 E abençoou a José, e disse: O Deus, [8] em cuja presença andaram os meus paes Abrahão e Isaac, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia:

16 O anjo que me [DR] livrou de todo o mal, [9] abençôe estes rapazes, e seja chamado n’elle o meu nome, e o nome de meus paes Abrahão e Isaac, e multipliquem-se, como peixes, em multidão no meio da terra.

17 Vendo pois José que seu pae punha a sua mão direita sobre a cabeça d’Ephraim, foi máu aos seus olhos; e tomou a mão de seu pae, para a transpor de sobre a cabeça de Ephraim á cabeça de Manasseh.

18 E José disse a seu pae: Não assim, meu pae, porque este é o primogenito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.

19 Mas seu pae o recusou, e disse: Eu o sei, filho meu, eu o sei: tambem elle será um povo, e tambem elle [10] será grande: comtudo o seu irmão menor será maior que elle, e a sua semente será uma [DS] multidão de nações.

20 Assim os abençoou n’aquelle dia, dizendo: Em ti abençoará Israel, dizendo: [11] Deus te ponha como a Ephraim e como a Manasseh. E poz a Ephraim diante de Manasseh.

21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, [12] mas Deus será comvosco, e vos fará tornar á terra de vossos paes.

22 E eu te tenho dado a ti um pedaço da terra sobre teus irmãos, que [13] tomei com a minha espada e com o meu arco da mão dos amorrheos.

[1] cap. 28.13, 19 e 35.6.

[2] cap. 17.8. Amós 9.14, 15.

[3] cap. 41.50, 52. I Chr. 5.1.

[4] cap. 35.16, 19.

[5] cap. 27.4. Heb. 11.21.

[6] cap. 37.33, 35 e 45.26.

[7] Exo. 20.12.

[8] cap. 17.1 e 24.40. Psa. 103.4, 5.

[9] cap. 31.11. Isa. 63.9. Psa. 34.22. Num. 26.34, 37.

[10] Deu. 33.17.

[11] Ruth 4.11, 12.

[12] cap. 50.24. Jos. 23.14.

[13] Jos. 24.32. João 4.5.

Jacob abençoa seus filhos e morre.

49 Depois chamou Jacob a seus filhos, e disse: [1] Ajuntae-vos, e annunciar-vos-hei o que vos ha de acontecer nos derradeiros dias:

2 Ajuntae-vos, [2] e ouvi, filhos de Jacob; e ouvi a Israel vosso pae:

3 Ruben, tu és meu primogenito, minha força, [3] e o principio de meu vigor, o mais excellente em alteza, e o mais excellente em potencia.

4 Fervente como a agua, não serás o mais excellente; porquanto subiste ao leito de teu pae. Então o contaminaste; subiu á minha cama.

5 Simeão e Levi são irmãos: [4] as suas espadas são instrumentos de violencia.

6 No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha gloria não se ajunte; porque no seu furor mataram varões, e na sua teima arrebataram bois.

7 Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura: [5] eu os dividirei em Jacob, e os espalharei em Israel.

8 Judah, te louvarão os teus irmãos; [6] a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos: os filhos de teu pae a ti se inclinarão.

9 Judah é um leãosinho, [7] da preza subiste, filho meu: encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho: quem o despertará?

10 O sceptro [8] não se arredará de Judah, nem o legislador d’entre seus pés, até que não venha Shiloh; e a elle [DT] congregarão os povos.

11 Elle amarrará o seu jumentinho á vide, e o filho da sua jumenta á cepa mais excellente: elle lavará o seu vestido no vinho, e a sua capa em sangue de uvas.

12 Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite.

13 Zabulon [9] habitará no porto dos mares, e será porto dos navios, e o seu termo será para Sidon.

14 Issacar é jumento de fortes ossos, [DU] deitado entre dois fardos.

15 E viu elle que o descanço era bom, e seu hombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo.

16 Dan julgará o seu povo, como uma das tribus d’Israel.

17 Dan será serpente junto ao caminho, uma vibora junto á vereda, que morde os calcanhares do cavallo, e faz cair o seu cavalleiro por detrás.

18 A tua salvação espero, [10] ó Senhor!

19 Quanto a Gad, [11] uma tropa o accommetterá; mas elle a accommetterá por fim.

20 De Aser, o seu pão será gordo, e elle dará delicias reaes.

21 Naphtali é uma cerva solta: elle dá palavras formosas.

22 José é um ramo fructifero, ramo fructifero junto á fonte; seus ramos correm sobre o muro.

23 Os frecheiros lhe deram amargura, [12] e o frecharam e [DV] aborreceram.

[50]

24 O seu arco, porém, susteve-se no forte, [13] e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacob (d’onde é o pastor e a pedra d’Israel).

25 Pelo Deus de teu pae, o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso, o qual te abençoará com bençãos dos céus de cima, com bençãos do abysmo que está debaixo, com bençãos dos peitos e da madre.

26 As bençãos de teu pae excederão as bençãos de meus paes, até á extremidade dos outeiros eternos: ellas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do separado de seus irmãos.

27 Benjamin é lobo que despedaça; [14] pela manhã comerá a preza, e á tarde repartirá o despojo.

28 Todas estas são as doze tribus de Israel: e isto é o que lhes fallou seu pae quando os abençoou; a cada um d’elles abençoou segundo a sua benção.

29 Depois ordenou-lhes, e disse-lhes: [15] Eu me congrego ao meu povo; sepultae-me com meus paes, na cova que está no campo de Ephron, o hetheo,

30 Na cova que está no campo de Machpela, que está em frente de Mamre, na terra de Canaan, a qual Abrahão comprou com aquelle campo de Ephron, o hetheo, por [16] herança de sepultura:

31 Ali sepultaram a Abrahão, e a Sarah sua mulher: ali sepultaram a Isaac, e a Rebecca sua mulher: e ali eu sepultei a Leah.

32 O campo, e a cova que está n’elle, foi comprado aos filhos de Heth.

33 Acabando pois Jacob de dar mandamentos a seus filhos, encolheu os seus pés na cama, [17] e espirou, e foi congregado ao seu povo.

[1] Deu. 33.1. Num. 24.14. Isa. 2.2.

[2] Deu. 21.17.

[3] cap. 35.22. I Chr. 5.1.

[4] cap. 29.33, 34 e 34.25, 29.

[5] Jos. 21.5, 7.

[6] I Chr. 5.2.

[7] Num. 23.24. Apo. 5.5.

[8] Num. 24.17. Psa. 60.7 e 108.8. Isa. 33.22. Isa. 9.5, 6. Luc. 1.32, 33.

[9] Deu. 33.18. Jos. 19.10.

[10] Isa. 25.9.

[11] I Chr. 5.18.

[12] cap. 37.4 &c. e 39.20.

[13] Job 29.20. Psa. 18.32, 34. cap. 45.10, 11 e 50.21. Isa. 28.16.

[14] Jui. 20.21, 25.

[15] cap. 47.30.

[16] cap. 23.3, &c.

[17] ver. 29.

A lamentação por Jacob e o seu enterro.

50 Então José se lançou sobre o rosto de seu pae; e chorou sobre elle, e o beijou.

2 E José ordenou aos seus servos, os medicos, que embalsamassem a seu pae: e os medicos embalsamaram a Israel.

3 E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias d’aquelles que se embalsamam: e os egypcios o choraram setenta dias.

4 Passados pois os dias de seu choro, fallou José á casa de Pharaó, dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que falleis aos ouvidos de Pharaó, dizendo:

5 Meu pae me fez jurar, [1] dizendo: Eis que eu morro: em meu sepulchro, que cavei para mim na terra de Canaan, ali me sepultarás. Agora pois, te peço, que eu suba, para que sepulte a meu pae; então voltarei.

6 E Pharaó disse: Sobe, e sepulta a teu pae como elle te fez jurar.

7 E José subiu para sepultar a seu pae: e subiram com elle todos os servos de Pharaó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egypto,

8 Como tambem toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pae: sómente deixaram na terra de Gosen os seus meninos e as suas ovelhas, e as suas vaccas.

9 E subiram tambem com elle, tanto carros como gente a cavallo; e o concurso foi grandissimo.

10 Chegando elles pois á [DW] planicie do espinhal, que está além do Jordão, fizeram um grande e gravissimo pranto; e fez a seu pae um grande pranto por sete dias.

11 E vendo os moradores da terra, os cananeos, o luto na planicie do espinhal, disseram: É este o pranto grande dos egypcios. Por isso chamou-se o seu nome Abelmizraim, que está além do Jordão.

12 E fizeram-lhe os seus filhos assim [2] como elle lhes ordenara,

13 Pois os seus filhos o levaram á terra de Canaan, e o sepultaram na cova do campo de Machpela, que Abrahão tinha comprado com o campo, por herança de sepultura, d’Ephron, o hetheo, [3] em frente de Mamre.

José anima a seus irmãos.

14 Depois tornou-se José para o Egypto, elle e seus irmãos, e todos os que com elle subiram a sepultar seu pae, depois de haver sepultado seu pae.

15 Vendo então os irmãos de José que seu pae já estava morto, disseram: Porventura nos aborrecerá José, e nos pagará certamente todo o mal que lhe fizemos.

16 Portanto enviaram a José, dizendo: Teu pae mandou, antes da sua morte, dizendo:

17 Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu peccado, [4] porque te fizeram mal: agora pois rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pae. E José chorou quando elles lhe fallavam.

[51]

18 Depois vieram tambem seus irmãos, e prostraram-se diante d’elle, e disseram: Eis-nos aqui por teus servos.

19 E José lhes disse: Não temaes, porque porventura [5] estou eu em logar de Deus?

20 Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o intentou para bem, para fazer como está n’este dia, [6] para conservar em vida a um povo grande:

21 Agora pois não temaes: [7] eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim os consolou, e fallou segundo o coração d’elles.

A morte de José.

22 José pois habitou no Egypto, elle e a casa de seu pae: e viveu José cento e dez annos,

23 E viu José os filhos de Ephraim, da terceira geração: tambem [8] os filhos de Machir, filho de Manasseh, nasceram sobre os joelhos de José.

24 E disse José a seus irmãos: Eu morro; [9] mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir d’esta terra á terra que jurou a Abrahão, a Isaac e a Jacob.

25 E [10] José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos d’aqui.

26 E morreu José da edade de cento e dez annos; e o embalsamaram, e o pozeram n’um caixão no Egypto.

[1] cap. 47.29.

[2] cap. 49.29.

[3] cap. 23.16. Act. 7.16.

[4] Mat. 6.12, 14 e 18.35. Luc. 17.3, 4. Eph. 4.32. Col. 3.13. Thi. 5.16.

[5] cap. 45.8. Job 34.29.

[6] Act. 2.23 e 3.18.

[7] Mat. 5.44.

[8] Job 42.16. Num. 32.39.

[9] Exo. 3.16. cap. 15.18 e 26.3 e 35.2.

[10] Exo. 13.19. Jos. 24.32. Heb. 11.22.


O SEGUNDO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

EXODO.

Os descendentes de Jacob no Egypto.

Antes de Christo 1635

1 Estes pois são [1] os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egypto com Jacob: cada um entrou com sua casa:

2 Ruben, Simeão, Levi, e Judah;

3 Issacar, Zabulon, e Benjamin;

4 Dan e Naphtali, Gad e Aser.

5 Todas as almas, pois, que procederam da côxa de Jacob, foram [2] setenta almas: José, porém, estava no Egypto.

6 Sendo pois José fallecido, e todos os seus irmãos, e toda aquella geração,

7 Os filhos de Israel fructificaram, [3] e augmentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu d’elles.

8 Depois levantou-se um novo rei sobre o Egypto, que não conhecera a José;

9 O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.

10 Eia, [4] usemos sabiamente para com elle, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, elle tambem se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra.

11 E pozeram sobre elles maioraes de [DX] tributos, [5] para os affligirem com suas cargas. Porque edificaram a Pharaó cidades de thesouros, Pitom e Ramesses.

12 Mas quanto mais o affligiam, tanto mais se multiplicava, e tanto mais crescia: de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.

13 E os egypcios faziam servir os filhos de Israel com dureza;

14 Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão em barro, e em tijolos, [6] e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os serviam com dureza.

As parteiras poupam as vidas aos recemnascidos.

15 E o rei do Egypto fallou ás parteiras[52] das hebreas (das quaes o nome de uma era Siphra, e o nome da outra Pua),

16 E disse: Quando ajudardes a parir as hebreas, e as virdes sobre os assentos, se fôr filho, matae-o; mas se fôr filha, então viva.

17 As parteiras, [7] porém, temeram a Deus, e não fizeram como o rei do Egypto lhes dissera, antes conservavam os meninos com vida.

18 Então o rei do Egypto chamou as parteiras, e disse-lhes: Porque fizestes isto, que guardastes os meninos com vida?

19 E as parteiras disseram a Pharaó: Porquanto as mulheres hebreas não são como as egypcias: porque são [DY] vivas, e já teem parido antes que a parteira venha a ellas.

20 Portanto Deus fez bem ás parteiras. [8] E o povo se augmentou, e se fortaleceu muito.

21 E aconteceu que, porquanto as parteiras temeram a Deus, [9] estabeleceu-lhes casas.

22 Então ordenou Pharaó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.

[1] Gen. 46.8.

[2] Gen. 46.27. Deu. 10.22.

[3] Gen. 46.3. Deu. 26.5. Psa. 105.24. Act. 7.17.

[4] Pro. 21.30. Act. 7.19.

[5] Gen. 15.13. cap. 3.7. Deu. 26.6. Psa. 81.6. Gen. 47.11.

[6] cap. 2.23 e 6.9.

[7] Dan. 3.18 e 6.13. Act. 5.29.

[8] Pro. 11.18. Ecc. 8.12. Isa. 3.10. Heb. 6.10.

[9] I Sam. 2.35. II Sam. 7.11. I Reis 2.24. Psa. 127.1.

O nascimento de Moysés.

2 E foi-se [1] um varão da casa de Levi, e casou com uma filha de Levi.

2 E a mulher concebeu, [2] e pariu um filho, e, vendo que elle era formoso, escondeu-o tres mezes.

3 Não podendo, porém, mais escondel-o tomou uma arca de juncos, e a betumou com betume e pêz; e, pondo n’ella o menino, a poz nos juncos á borda do rio.

4 E sua irmã parou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer.

5 E a filha de Pharaó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzellas passeavam, pela borda do rio: e ella viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua creada, e a tomou.

6 E abrindo-a, viu ao menino, e eis que o menino chorava; e moveu-se [3] de compaixão d’elle, e disse: Dos meninos dos hebreos é este.

7 Então disse sua irmã á filha de Pharaó: Irei eu a chamar uma ama das hebreas, que crie este menino por ti?

8 E a filha de Pharaó disse-lhe: Vae. E foi-se a moça, e chamou a mãe do menino.

9 Então lhe disse a filha de Pharaó: Leva este menino, [4] e cria-m’o: eu te darei teu salario. E a mulher tomou o menino, e creou-o.

10 E, sendo o menino já grande, ella o trouxe á filha de Pharaó, a qual o adoptou; e chamou o seu nome [DZ] Moysés, e disse: Porque das aguas o tenho tirado.

Moysés mata um egypcio e foge para Midian.

Antes de Christo 1571

11 E aconteceu n’aquelles dias que, sendo Moysés já grande, saiu a seus irmãos, [5] e attentou nas suas cargas: e viu que um varão egypcio feria a um hebreu, varão de seus irmãos.

12 E olhou a uma e a outra banda, e, vendo que ninguem ali havia, feriu ao egypcio, e escondeu-o na areia.

13 E tornou a sair no dia seguinte, [6] e eis que dois varões hebreos contendiam; e disse ao injusto: Porque feres a teu proximo?

14 O qual disse: Quem te tem posto a ti por [EA] maioral e juiz sobre nós? pensas matar-me, como mataste o egypcio? Então temeu Moysés, e disse: Certamente este negocio foi descoberto.

15 Ouvindo pois Pharaó este negocio, procurou matar a Moysés: [7] mas Moysés fugiu de diante da face de Pharaó, e habitou na terra de Midian, e assentou-se junto a um poço.

16 E o sacerdote de Midian tinha sete filhas, as quaes vieram a tirar agua, e encheram as pias, para dar de beber ao rebanho de seu pae.

17 Então vieram os pastores, e lançaram-as d’ali; Moysés porém levantou-se, e defendeu-as, e abeberou-lhes o rebanho.

18 E vindo ellas a Reuel seu pae, elle disse: Porque hoje tomastes tão depressa?

19 E ellas disseram: Um homem egypcio nos livrou da mão dos pastores; e tambem nos tirou agua em abundancia, e abeberou o rebanho.

20 E disse a suas filhas: E onde está elle? porque deixastes o homem? chamae-o para que coma pão.

21 E Moysés consentiu em morar com aquelle homem: [8] e elle deu a Moysés sua filha Zippora,

22 A qual pariu um filho, e elle chamou o seu nome [EB] Gerson, porque disse: Peregrino fui em terra estranha.

[53]

A morte do rei do Egypto.

Antes de Christo 1531

23 E aconteceu depois de muitos d’estes dias, [9] morrendo o rei do Egypto, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram: e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.

24 E ouviu Deus o seu gemido, [10] e lembrou-se Deus do seu concerto com Abrahão, com Isaac, e com Jacob;

25 E attentou Deus para os filhos d’Israel, e conheceu-os Deus.

[1] cap. 6.20.

[2] Act. 7.20. Heb. 11.23.

[3] Psa. 106.46.

[4] Psa. 27.10.

[5] Act. 7.23, 24. Heb. 11.24, 26.

[6] Act. 7.26.

[7] Act. 7.29.

[8] cap. 18.2.

[9] Num. 20.16. Deu. 26.7. Psa. 12.5. cap. 3.9.

[10] Gen. 15.14 e 26.3 e 46.4. Luc. 1.72, 76.

Deus falla com Moysés do meio da sarça ardente.

Antes de Christo 1491

3 E apascentava Moysés o rebanho de Jethro, seu sogro, sacerdote em Midian: e levou o rebanho atrás do deserto, [1] e veiu ao monte de Deus, a Horeb.

2 E appareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chamma de fogo do meio d’uma sarça: [2] e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

3 E Moysés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima.

4 E vendo o Senhor que se virava para lá a vêr, bradou Deus a elle do meio da sarça, e disse: Moysés, Moysés. E elle disse: Eis-me aqui.

5 E disse: Não te chegues para cá: [3] tira os teus sapatos de teus pés; porque o logar em que tu estás é terra sancta.

6 Disse mais: [4] Eu sou o Deus de teu pae, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob. E Moysés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.

7 E disse o Senhor: [5] Tenho visto attentamente a afflicção do meu povo, que está no Egypto, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exactores, porque conheci as suas dôres.

8 Portanto desci para livral-o da mão dos egypcios, [6] e para fazel-o subir d’aquella terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel: ao logar do Cananeo, e do Hetheo, e do Amorrheo, e do Pherezeo, e do Heveo, e do Jebuseo.

9 E agora, eis que o clamor dos filhos d’Israel é vindo a mim, e tambem tenho visto a oppressão com que os egypcios os opprimem.

10 Vem agora, pois, e eu te enviarei a Pharaó, [7] para que tires o meu povo (os filhos d’Israel), do Egypto.

11 Então Moysés disse a Deus: Quem sou eu, [8] que vá a Pharaó e tire do Egypto os filhos d’Israel?

12 E Deus disse: Certamente eu serei comtigo; e isto te será por signal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egypto, servireis a Deus n’este monte.

13 Então disse Moysés a Deus: Eis que quando vier aos filhos d’Israel, e lhes disser: O Deus de vossos paes me enviou a vós; e elles me disserem: Qual é o seu nome? que lhes direi?

14 E disse Deus a Moysés: [EC] SEREI O QUE SEREI. Disse mais: Assim dirás aos filhos d’Israel: [9] Serei [ED] me enviou a vós.

15 E Deus disse mais a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: O Senhor Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob, me enviou a vós: este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.

16 Vae, e ajunta os anciãos d’Israel, e dize-lhes: O Senhor, o Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacob, me appareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado, [10] e visto o que vos é feito no Egypto.

17 Portanto eu disse: [11] Far-vos-hei subir da afflicção do Egypto á terra do cananeo, do hetheo, e do amorrheo, e do pherezeo, e do heveo, e do jebuseo, a uma terra que mana leite e mel.

18 E ouvirão a tua voz; e virás, tu e os anciãos d’Israel, ao rei do Egypto, e dir-lhe-heis: O Senhor, o Deus dos hebreos, nos encontrou: [12] agora pois deixa-nos ir caminho de tres dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus.

19 Eu sei, porém, que o rei do Egypto não vos deixará ir, [13] nem ainda por uma mão forte.

20 Porque eu estenderei a minha mão, [14] e ferirei ao Egypto com todas as minhas maravilhas que farei no meio d’elle: depois vos deixará ir.

21 E eu darei graça a este povo aos olhos dos egypcios; [15] e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios,

22 Porque cada mulher pedirá á sua visinha e á sua hospeda [EE] vasos de prata, e vasos de oiro, [16] e vestidos, os quaes poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis ao Egypto.

[1] cap. 18.5. I Reis 19.8.

[2] Deu. 33.16. Isa. 63.9. Act. 7.30.

[3] Jos. 5.15.

[4] Gen. 28.13. Mat. 22.32.

[5] Neh. 9.9. Psa. 142.3.

[6] Deu. 1.25.

[7] Miq. 6.4.

[8] Jer. 1.6.

[9] cap. 6.3. João 8.58.

[10] Gen. 50.24.

[11] Gen. 15.13, 20.

[12] cap. 5.3.

[13] cap. 5.2.

[14] cap. 7.3 e 11.9. Psa. 105.27. Jer. 32.20. Act. 7.36. cap. 12.31.

[15] cap. 11.3.

[16] cap. 12.36. Job 27.17. Pro. 13.22.

[54]

A vara de Moysés torna-se em cobra.

4 Então respondeu Moysés, e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te appareceu.

2 E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E elle disse: Uma vara.

3 E elle disse: Lança-a na terra. Elle a lançou na terra, e tornou-se em cobra: e Moysés fugia d’ella.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão, e pega-lhe pela cauda, E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão,

5 Para que creiam que te appareceu o Senhor, Deus de seus paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.

6 E disse-lhe mais o Senhor: Mette agora a tua mão no teu seio. E, tirando-a, eis que a sua mão estava leprosa, [1] branca como a neve.

7 E disse: Torna a metter a tua mão no teu seio. E tornou a metter sua mão no seu seio: depois tirou-a do seu seio, e eis que se tornara como a sua outra carne.

8 E acontecerá que, se elles te não crerem, nem ouvirem a voz do primeiro signal, crerão a voz do derradeiro signal;

9 E se acontecer que ainda não creiam a estes dois signaes, nem ouvirem a tua voz, tomarás das aguas do rio, e as derramarás na terra secca: e as aguas, que tomarás do rio, [2] tornar-se-hão em sangue sobre a terra secca.

10 Então disse Moysés ao Senhor: Ah Senhor! eu não sou homem que bem falla, nem de hontem nem de antehontem, nem ainda desde que tens fallado ao teu servo; porque sou pesado de bocca, e pesado de lingua.

11 E disse-lhe o Senhor: Quem fez a bocca do homem? [3] ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? não sou eu, o Senhor?

12 Vae pois agora, e eu serei com a tua bocca, [4] e te ensinarei o que has de fallar.

13 Elle porém disse: Ah Senhor! envia pela mão d’aquelle a quem tu has de enviar.

14 Então se accendeu a ira do Senhor contra Moysés, e disse: Não é Aarão, o levita, teu irmão? eu sei que elle fallará muito bem: e [5] eis que elle tambem sae ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração.

15 E tu lhe fallarás, e porás as palavras na sua bocca: e eu serei com a tua bocca, e com a sua bocca, ensinando-vos o que haveis de fazer.

16 E elle fallará por ti ao povo: e acontecerá que elle te será por bocca, [6] e tu lhe serás por Deus.

17 Toma pois esta vara na tua mão, [7] com que farás os signaes.

Moysés volta para o Egypto.

18 Então foi-se Moysés, e voltou para Jethro seu sogro, e disse-lhe; Eu irei agora, e tornarei a meus irmãos, que estão no Egypto, para ver se ainda vivem. Disse pois Jethro a Moysés: Vae em paz.

19 Disse tambem o Senhor a Moysés em Midian: Vae, volta para o Egypto; [8] porque todos os que buscavam a tua alma morreram.

20 Tomou pois Moysés sua mulher e seus filhos, e os levou sobre um jumento, e tornou-se á terra do Egypto; [9] e Moysés tomou a vara de Deus na sua mão.

21 E disse o Senhor a Moysés: Quando fores tornado ao Egypto, attenta que faças diante de Pharaó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão: [10] mas eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo.

22 Então dirás a Pharaó: Assim diz o Senhor: [11] Israel é meu filho, meu primogenito.

23 E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixal-o ir: eis que eu matarei a teu filho, [12] o teu primogenito.

24 E aconteceu no caminho, n’uma estalagem, que o Senhor o encontrou, [13] e o quiz matar.

25 Então Zippora tomou uma pedra aguda, e circumcidou o prepucio de seu filho, [14] e o lançou a seus pés, e disse: Certamente me és um esposo sanguinario.

26 E desviou-se d’elle. Então ella disse: Esposo sanguinario, por causa da circumcisão.

27 Disse tambem o Senhor a Aarão: Vae ao encontro de Moysés ao deserto. [15] E elle foi, encontrou-o no monte de Deus, e beijou-o.

28 E denunciou Moysés a Aarão todas as palavras do Senhor, que o enviara, e todos os signaes que lhe mandara.

29 Então foram Moysés e Aarão, e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel.

[55]

30 E Aarão fallou todas as palavras que o Senhor fallara a Moysés, [16] e fez os signaes perante os olhos do povo,

31 E o povo creu, [17] e ouviram que o Senhor visitava aos filhos d’Israel, e que via a sua afflicção: e inclinaram-se, e adoraram.

[1] Num. 12.10. II Reis 5.27.

[2] cap. 7.20. Psa. 78.44.

[3] Psa. 94.9. Jer. 1.6, 9.

[4] Mat. 10.19.

[5] ver. 27.

[6] cap. 7.1 e 18.19.

[7] ver. 2.

[8] cap. 2.15, 23. Mat. 2.20.

[9] cap. 7.3. Num. 20.8, 9.

[10] cap. 17.9. Deu. 2.30. Jos. 11.20. Isa. 6.10 e 63.17. João 12.40. Rom. 9.18.

[11] Deu. 14.1. Jer. 31.9. Ose. 11.1. Rom. 9.4.

[12] cap. 11.5 e 12.29.

[13] Gen. 17.14.

[14] Jos. 5.2, 3.

[15] cap. 3.1.

[16] ver. 8.

[17] cap. 3.16. ver. 3, 9. cap. 12.27.

Moysés e Aarão fallam a Pharaó.

5 E depois foram Moysés e Aarão, e disseram a Pharaó: Assim diz o Senhor Deus d’Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.

2 Mas Pharaó disse: [1] Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel.

3 E elles disseram: O Deus dos hebreos nos encontrou; portanto deixa-nos agora ir caminho de tres dias ao deserto, para que não venha sobre nós com pestilencia ou com espada.

4 Então disse-lhes o rei do Egypto: Moysés e Aarão, porque fazeis cessar o povo das suas obras? ide a vossas cargas.

5 E disse tambem Pharaó: Eis que o povo da terra já é muito, e vós fazeis cessal-os das suas cargas.

Pharaó afflige os israelitas.

6 Portanto deu ordem Pharaó n’aquelle mesmo dia aos exactores do povo, e aos seus officiaes, dizendo:

7 D’aqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como fizestes hontem e antehontem: vão elles mesmos, e colham palhas para si.

8 E lhes imporeis a conta dos tijolos que fizeram hontem, e antehontem: nada diminuireis d’ella: porque elles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus.

9 Aggrave-se o serviço sobre estes homens, para que se occupem n’elle, e não confiem em palavras de mentira.

10 Então sairam os exactores do povo, e seus officiaes, e fallaram ao povo, dizendo: Assim diz Pharaó: Eu não vos darei palha;

11 Ide vós mesmos, e tomae vós palha d’onde a achardes: porque nada se diminuirá de vosso serviço.

12 Então o povo se espalhou por toda a terra do Egypto, a colher rastolho em logar de palha.

13 E os exactores os apertavam, dizendo: Acabae vossa obra, a tarefa de cada dia, como quando havia palha.

14 E foram açoitados os officiaes dos filhos d’Israel, que os exactores de Pharaó tinham posto sobre elles, dizendo estes: Porque não acabastes vossa tarefa, fazendo tijolos como antes, assim tambem hontem e hoje?

15 Pelo que foram-se os officiaes dos filhos d’Israel, e clamaram a Pharaó, dizendo: Porque fazes assim a teus servos?

16 Palha não se dá a teus servos, e nos dizem: Fazei tijolos: e eis que teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa.

17 Mas elle disse: Vós sois ociosos: vós sois ociosos: por isso dizeis: Vamos, sacrifiquemos ao Senhor.

18 Ide pois agora, trabalhae: palha porém não se vos dará: comtudo, dareis a conta dos tijolos.

19 Então os officiaes dos filhos d’Israel viram-se em afflicção, porquanto [2] se dizia: Nada diminuireis de vossos tijolos, da tarefa do dia no seu dia.

Os israelitas queixam-se de Moysés e Aarão.

20 E encontraram a Moysés e a Aarão, que estavam defronte d’elles, quando sairam de Pharaó,

21 E disseram-lhes: O Senhor attente sobre vós, e julgue isso, [3] porquanto fizeste feder o nosso cheiro diante de Pharaó, e diante de seus servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar.

22 Então se tornou Moysés ao Senhor, e disse: Senhor! [4] porque fizeste mal a este povo? porque me enviaste?

23 Porque desde que entrei a Pharaó, para fallar em teu nome, elle maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo.

[1] Job 21.15. cap. 3.18.

[2] Ecc. 4.1 e 5.8.

[3] Gen. 34.30. I Sam. 27.12. II Sam. 10.6. I Chr. 19.6.

[4] Jer. 20.7. Hab. 2.3.

6 Então disse o Senhor a Moysés: Agora verás o que hei de fazer a Pharaó: porque por uma mão poderosa os deixará ir, sim, por uma mão poderosa [1] os lançará de sua terra.

Deus promette livrar os israelitas.

2 Fallou mais Deus a Moysés, e disse: Eu sou o [EF] Senhor,

3 E eu appareci a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, como Deus o Todo-poderoso: [2] mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido.

4 E tambem estabeleci o meu concerto com elles, [3] para dar-lhes a terra de Canaan, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos.

5 E tambem tenho ouvido o gemido dos filhos d’Israel, [4] aos quaes os[56] egypcios fazem servir, e me lembrei do meu concerto.

6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egypcios, [5] e vos resgatarei com braço estendido e com juizos grandes.

7 E eu vos tomarei [6] por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egypcios;

8 E eu vos levarei á terra, ácerca da qual levantei minha mão, que a daria a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, [7] e vol-a darei por herança, eu o Senhor.

9 D’este modo fallou Moysés aos filhos d’Israel, mas elles não ouviram a Moysés, por causa da ancia do espirito e da dura servidão.

10 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

11 Entra, e falla a Pharaó rei do Egypto, que deixe sair os filhos d’Israel da sua terra.

12 Moysés, porém, fallou perante o Senhor, dizendo: Eis que os filhos d’Israel me não teem ouvido; como pois Pharaó me ouvirá? [8] tambem eu sou incircumciso dos labios.

13 Todavia o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, e deu-lhes mandamento para os filhos de Israel, e para Pharaó rei do Egypto, para que tirassem os filhos de Israel da terra do Egypto.

Genealogias de Ruben, Simeão e Levi.

14 Estas são as cabeças das casas de seus paes: Os filhos de Ruben, o primogenito de Israel: Hanoch e Pallu, [9] Hezron e Carmi; estas são as familias de Ruben.

15 E os filhos de Simeão: [10] Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e Shaul, filho de uma cananea; estas são as familias de Simeão.

16 E estes são os nomes dos filhos de Levi, [11] segundo as suas gerações: Gerson, e Koath, e Merari: e os annos da vida de Levi foram cento e trinta e sete annos.

17 Os filhos de Gerson: Libni e Simei, segundo as suas familias;

18 E os filhos de Kohath: Amram, e Izhar, e Hebron, e Uzziel: e os annos da vida de Kohath foram cento e trinta e tres annos.

19 E os filhos de Merari: Mahali e Musi: estas são as familias de Levi, segundo as suas gerações.

20 E Amram [12] tomou por mulher a Jochebed, sua tia, e ella pariu-lhe a Aarão e a Moysés: e os annos da vida de Amram foram cento e trinta e sete annos.

21 E os filhos de Izhar: [13] Korah, e Nepheg, e Zichri.

22 E os filhos de Uzziel: [14] Misael, e Elzaphan e Sithri.

23 E Aarão tomou por mulher a Eliseba, filha de Amminadab, irmã de Nahasson; e ella pariu-lhe a Nadab, e Abihu, Eleazar e [15] Ithamar.

24 E os filhos de Korah: Assir, e Elkana, e Abiasaph: estas são as familias dos Korithas.

25 E Eleazar, filho de Aarão, tomou para si por mulher uma das filhas de Putiel, e ella pariu-lhe a Phineas: estas são as cabeças dos paes dos levitas, segundo as suas familias.

26 Estes são Aarão e Moysés, aos quaes o Senhor disse: Tirae os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

27 Estes são os que fallaram a Pharaó, rei do Egypto, para que tirasse do Egypto os filhos de Israel: [16] estes são Moysés e Aarão.

Deus anima Moysés, a fallar outra vez a Pharaó.

28 E aconteceu que n’aquelle dia, quando o Senhor fallou a Moysés na terra do Egypto,

29 Fallou o Senhor a Moysés, dizendo: Eu sou o Senhor; falla a Pharaó, rei do Egypto, tudo quanto eu [17] te digo a ti.

30 Então disse Moysés perante o Senhor: Eis que eu [18] sou incircumciso dos labios; como pois Pharaó me ouvirá?

[1] cap. 11.1.

[2] Gen. 17.1 e 35.11 e 48.3.

[3] Gen. 17.7, 8.

[4] cap. 2.24. Psa. 105.8.

[5] Deu. 26.8. Psa. 81.6. cap. 15.13. Deu. 7.8. I Chr. 17.21. Neh. 1.10.

[6] Deu. 4.20 e 7.6.

[7] Gen. 15.14 e 26.3 e 35.12.

[8] cap. 4.10. ver. 30.

[9] Gen. 46.9, &c.

[10] I Chr. 4.24.

[11] Num. 3.17. I Chr. 6.1.

[12] cap. 2.1. Num. 26.59.

[13] Num. 16.1.

[14] Lev. 10.4.

[15] Lev. 10.1, 6.

[16] Miq. 6.4.

[17] Jer. 1.7, 8, 17 e 26.2. Eze. 2.6, 7.

[18] ver. 12.

7 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que te tenho posto por Deus sobre Pharaó, [1] e Aarão, teu irmão, será o teu propheta.

2 Tu fallarás tudo o que eu te mandar: e Aarão teu irmão fallará a Pharaó, [2] que deixe ir os filhos de Israel da sua terra.

3 Eu, porém, endurecerei o coração de Pharaó, [3] e multiplicarei na terra do Egypto os meus signaes e as minhas maravilhas.

4 Pharaó pois não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egypto, e tirarei meus exercitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egypto, com grandes juizos.

[57]

5 Então os egypcios saberão que eu sou o Senhor, [4] quando estender a minha mão sobre o Egypto, e tirar os filhos de Israel do meio d’elles.

6 Então fez Moysés e Aarão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram.

7 E Moysés era da edade de oitenta annos, e Aarão da edade de oitenta e tres annos, quando fallaram a Pharaó.

8 E o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, dizendo:

9 Quando Pharaó vos fallar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; [5] dirás a Aarão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Pharaó; e se tornará em serpente.

10 Então Moysés e Aarão entraram a Pharaó, e fizeram assim como o Senhor ordenara: e lançou Aarão a sua vara diante de Pharaó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente.

11 E Pharaó tambem chamou os sabios e encantadores: e os magos do Egypto fizeram tambem o mesmo com os seus encantamentos,

12 Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes: mas a vara de Aarão tragou as varas d’elles.

13 Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha [6] dito.

O coração de Pharaó mostra-se endurecido.

14 Então disse o Senhor a Moysés: O coração de Pharaó está [EG] aggravado: [7] recusa deixar ir o povo.

15 Vae pela manhã a Pharaó: eis que elle sairá ás aguas: põe-te em frente d’elle na praia do rio, e tomarás em tua mão a vara [8] que se tornou em cobra.

16 E lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreos, me tem enviado a ti, dizendo: [9] Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis que até agora não tens ouvido.

17 Assim diz o Senhor: N’isto saberás que eu sou o Senhor: [10] Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as aguas que estão no rio, e tornar-se-hão [11] em sangue.

18 E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio federá; e os egypcios nausear-se-hão, bebendo a agua do rio.

19 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Toma tu a vara, e estende a tua mão sobre as aguas do Egypto, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, e sobre os seus tanques, e sobre todo o ajuntamento das suas aguas, para que se tornem em sangue: e haja sangue em toda a terra do Egypto, assim nos vasos de madeira como nos de pedra.

A primeira praga: as aguas tornam-se em sangue.

20 E Moysés e Aarão fizeram assim como o Senhor tinha mandado: e levantou a vara, e feriu as aguas que estavam no rio, diante dos olhos de Pharaó, e diante dos olhos de seus servos; e todas as aguas do rio se tornaram em sangue.

21 E os peixes, que estavam no rio, morreram, e o rio fedeu, que os egypcios não podiam beber a agua do rio: e houve sangue por toda a terra do Egypto.

22 Porém os magos do Egypto tambem fizeram o mesmo com os seus encantamentos; [12] de maneira que o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.

23 E virou-se Pharaó, e foi para sua casa: [13] nem ainda n’isto poz seu coração.

24 E todos os egypcios cavaram poços junto ao rio, para beberem agua; porquanto não podiam beber das aguas do rio.

25 Assim se cumpriram sete dias, depois que o Senhor ferira o rio.

[1] cap. 4.16.

[2] cap. 6.29.

[3] cap. 4.21 e 11.9.

[4] cap. 14.4, 18.

[5] João 2.18. cap. 4.2, 17.

[6] ver. 4. cap. 4.21.

[7] cap. 8.15 e 10.1, 27.

[8] ver. 10.

[9] cap. 3.18 e 5.1, 3.

[10] ver. 5. I Reis 20.28. II Reis 19.19. Eze. 29.9 e 38.23.

[11] Psa. 78.44 e 105.29. Apo. 8.8 e 16.4, 6.

[12] II Tim. 3.8. ver. 14.

[13] Isa. 26.11. Jer. 5.3 e 36.24. Agg. 1.5.

A praga das rans.

8 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 E se recusares deixal-o ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos.

3 E o rio creará rãs, que subirão e virão á tua casa, e ao teu dormitorio, e sobre a tua cama, e ás casas dos teus servos, e sobre o teu povo, e aos teus fornos, e ás tuas amassadeiras.

4 E as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus servos.

5 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua mão com tua vara sobre as correntes, e sobre os rios, e sobre os tanques, e faze subir rãs sobre a terra do Egypto.

6 E Aarão estendeu a sua mão sobre as aguas do Egypto, [1] e subiram rãs, e cobriram a terra do Egypto.

7 Então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos: e fizeram subir rãs sobre a terra do Egypto.

8 E Pharaó chamou a Moysés e a Aarão, e disse: [2] Rogae ao Senhor que tire as rãs de mim e do meu povo;[58] depois deixarei ir o povo, para que sacrifiquem ao Senhor.

9 E Moysés disse a Pharaó: [EH] Tu tenhas a honra sobre mim: Quando orarei por ti, e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de ti, e das suas casas, que sómente fiquem no rio?

10 E elle disse: Ámanhã. E Moysés disse: Seja conforme á tua palavra, para que saibas que ninguem ha como o Senhor nosso [3] Deus.

11 E as rãs apartar-se-hão de ti, e das tuas casas, e dos teus servos, e do teu povo: sómente ficarão no rio.

12 Então saiu Moysés e Aarão de Pharaó: [4] e Moysés clamou ao Senhor por causa das rãs que tinha posto sobre Pharaó,

13 E o Senhor fez conforme á palavra de Moysés: e as rãs morreram nas casas, nos pateos, e nos campos,

14 E ajuntaram-as em montões, e a terra fedeu.

15 Vendo pois Pharaó que havia descanço, aggravou o seu coração, [5] e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.

A praga dos piolhos.

16 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua vara, e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egypto.

17 E fizeram assim; porque Aarão estendeu a sua mão com a sua vara, e feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado: todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egypto.

18 E os magos fizeram tambem assim com os seus encantamentos para produzir piolhos, mas não poderam: e havia piolhos nos homens e no gado.

19 Então disseram os magos a Pharaó: Isto é [6] o dedo de Deus. Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito.

A praga das moscas.

20 Disse mais o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó; eis que elle sairá ás aguas, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

21 Porque se não deixares ir o meu povo, eis que enviarei enxames de moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e á tuas casas; e as casas dos egypcios se encherão d’estes enxames, e tambem a terra em que elles estiverem.

22 E n’aquelle dia eu separarei a terra de Goshen, [7] em que meu povo habita, que n’ella não haja enxames de moscas, para que saibas que eu sou o Senhor no meio d’esta terra.

23 E porei [EI] separação entre o meu povo e o teu povo: ámanhã será este signal.

24 E o Senhor fez assim; e vieram grandes enxames de moscas á casa de Pharaó, e ás casas dos seus servos, e sobre toda a terra do Egypto: a terra foi corrompida d’estes enxames.

25 Então chamou Pharaó a Moysés e a Aarão, e disse: Ide, e sacrificae ao vosso Deus n’esta terra.

26 E Moysés disse: Não convem que façamos assim, porque sacrificariamos ao Senhor nosso Deus a abominação dos egypcios: [8] eis que se sacrificassemos a abominação dos egypcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam elles?

27 Deixa-nos ir caminho de tres dias ao deserto, [9] para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus, como elle nos dirá.

28 Então disse Pharaó: Deixar-vos-hei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor vosso Deus no deserto; sómente que, indo, não vades longe; orae tambem por [10] mim.

29 E Moysés disse: Eis que saio de ti, e orarei ao Senhor, que estes enxames de moscas se retirem ámanhã de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: sómente que Pharaó não mais me engane, [11] não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor.

30 Então saiu Moysés de Pharaó, e orou ao Senhor,

31 E fez o Senhor conforme á palavra de Moysés, e os enxames de moscas se retiraram de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: não ficou uma só.

32 Mas aggravou Pharaó ainda esta vez seu coração, [12] e não deixou ir o povo.

[1] Psa. 78.45 e 105.30.

[2] cap. 9.28 e 10.17. Num. 21.7. I Reis 13.6. Act. 8.24.

[3] Psa. 86.8. Jer. 10.6, 7.

[4] Deu. 34.10, 12.

[5] cap. 7.14. Ecc. 8.11. cap. 7.4.

[6] I Sam. 6.3, 9.

[7] cap. 9.4, &c. e 10.23 e 11.6, 7 e 12.13.

[8] Gen. 43.32 e 46.34.

[9] cap. 3.18.

[10] ver. 8.

[11] Psa. 78.34, 37. Jer. 42.20, 21.

[12] ver. 15. cap. 4.21. Rom. 2.5.

A praga da peste nos animaes.

9 Depois o Senhor disse a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 Porque se recusares de os deixar ir, e ainda por força os detiveres,

3 Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo, sobre os cavallos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre as ovelhas, com pestilencia gravissima.

4 E o Senhor fará separação entre o gado dos israelitas, e o gado dos egypcios,[59] que nada morra de tudo o que fôr dos filhos d’Israel.

5 E o Senhor assignalou certo tempo, dizendo: Ámanhã fará o Senhor esta coisa na terra.

6 E o Senhor fez esta coisa no dia seguinte, [1] e todo o gado dos egypcios morreu: porém do gado dos filhos d’Israel não morreu nenhum.

7 E Pharaó enviou a ver, e eis que do gado d’Israel não morrera nenhum: porém o coração de Pharaó se aggravou, e não deixou ir o povo.

8 Então disse o Senhor a Moysés e a Aarão: Tomae vossos punhos cheios da cinza do forno, e Moysés a espalhe para o céu diante dos olhos de Pharaó;

9 E tornar-se-ha em pó miudo sobre toda a terra do [2] Egypto, e se tornará em sarna, que arrebente em ulceras nos homens e no gado, por toda a terra do Egypto.

10 E elles tomaram a cinza do forno, e pozeram-se diante de Pharaó, e Moysés a espalhou para o céu: e tornou-se em sarna, que arrebentava em ulceras nos homens e no gado;

11 De maneira que os magos não podiam parar diante de Moysés, por causa da sarna; porque havia sarna em os magos, e em todos os egypcios.

12 Porém o Senhor endureceu o coração de Pharaó, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito a [3] Moysés.

As ameaças de Deus.

13 Então disse o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva;

14 Porque esta vez [4] enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não ha outro como Eu em toda a terra.

15 Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilencia, e para que sejas destruido da terra;

16 Mas devéras para isto te levantei, para mostrar minha potencia em ti, [5] e para que o meu nome seja annunciado em toda a terra.

17 Tu ainda te levantas contra o meu povo, para não os deixar ir?

18 Eis que ámanhã por este tempo farei chover saraiva mui grave, qual nunca houve no Egypto, desde o dia em que foi fundado até agora.

19 Agora pois envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que fôr achado no campo, e não fôr recolhido á casa, a saraiva cairá sobre elles, e morrerão.

20 Quem dos servos de Pharaó temia a palavra do Senhor, fez fugir os seus servos e o seu gado para as casas;

21 Mas aquelle que não tinha applicado a palavra do Senhor ao seu coração, deixou os seus servos e o seu gado no campo.

A praga da saraiva.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e haverá saraiva em toda a terra do Egypto, sobre os homens e sobre o gado, e sobre toda a herva do campo na terra de Egypto.

23 E Moysés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e saraiva, [6] e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egypto.

24 E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, mui grave, qual nunca houve em toda a terra do Egypto, desde que veiu a ser uma nação.

25 E a saraiva feriu, em toda a terra do Egypto, tudo quanto havia no campo, desde os homens até aos animaes: tambem a saraiva feriu toda a herva do campo, e quebrou todas as arvores do campo.

26 Sómente na terra de Goshen, [7] onde estavam, os filhos de Israel, não havia saraiva.

27 Então Pharaó enviou para chamar a Moysés e a Aarão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo [8] impios.

28 Orae ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui.

29 Então lhe disse Moysés: Em saindo da cidade estenderei minhas mãos ao Senhor: os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; [9] para que saibas que a terra é do Senhor.

30 Todavia, quanto a ti e aos teus servos, eu sei [10] que ainda não temereis diante do Senhor Deus.

31 E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já estava na espiga, e o linho na cana,

32 Mas o trigo e o centeio não foram feridos, porque estavam cobertos.

33 Saiu pois Moysés de Pharaó, da[60] cidade, e estendeu as suas mãos ao Senhor: e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a terra.

34 Vendo Pharaó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, continuou em peccar: [11] e aggravou o seu coração, elle e os seus servos.

35 Assim o coração de Pharaó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o Senhor tinha dito por Moysés.

[1] Psa. 78.50.

[2] Deu. 28.27. Job 2.7. Apo. 16.2.

[3] cap. 4.21.

[4] I Sam. 4.8.

[5] Pro. 16.4. Rom. 9.17. I Ped. 2.8.

[6] Jos. 10.11. Job 38.22, 23. Psa. 18.13 e 78.47 e 105.32. Isa. 30.30. Eze. 38.22. Apo. 8.7.

[7] cap. 8.22.

[8] II Chr. 12.6.

[9] Psa. 24.1. I Chr. 10.26.

[10] Isa. 26.10.

[11] II Chr. 36.13. Rom. 2.4, 5.

Deus ameaça Pharaó com a praga dos gafanhotos.

10 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, porque tenho aggravado o seu coração, [1] e o coração de seus servos, para fazer estes meus signaes no meio d’elle,

2 E para que contes aos ouvidos de teus filhos, [2] e dos filhos de teus filhos, as coisas que obrei no Egypto, e os meus signaes, que tenho feito entre elles: para que saibaes que eu sou o Senhor.

3 Assim foram Moysés e Aarão a Pharaó, e disseram-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: [3] Até quando recusas humilhar-te diante de mim? deixa ir o meu povo, para que me sirva;

4 Porque se ainda recusares deixar ir o meu povo, [4] eis que trarei ámanhã gafanhotos aos teus termos,

5 E cobrirão a face da terra, que a terra não se poderá ver; e elles comerão o resto do que escapou, o que vos ficou da saraiva: [5] tambem comerão toda a arvore que vos cresce no campo;

6 E encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos, e as casas de todos os egypcios, quaes nunca viram teus paes, nem os paes de teus paes, desde o dia, era que elles foram sobre a terra até ao dia de hoje. E virou-se, e saiu da presença de Pharaó.

7 E os servos de Pharaó disseram-lhe: Até quando este nos ha de ser por laço? [6] deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus: ainda não sabes que o Egypto está destruido?

8 Então Moysés e Aarão foram levados outra vez a Pharaó, e elle disse-lhes: Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Quaes são os que hão de ir?

9 E Moysés disse: Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos.

10 Então elle lhes disse: Seja o Senhor assim comvosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos: olhae que ha mal diante da vossa face.

11 Não será assim: andae agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os empuxaram da face de Pharaó.

A praga dos gafanhotos.

12 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre a terra do Egypto pelos gafanhotos, para que venham sobre a terra do Egypto, e comam toda a herva da terra, tudo o que deixou a saraiva.

13 Então estendeu Moysés sua vara sobre a terra do Egypto, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquelle dia e toda aquella noite: e aconteceu que pela manhã o vento oriental trouxe os gafanhotos.

14 E vieram [7] os gafanhotos sobre toda a terra do Egypto, e assentaram-se sobre todos os termos do Egypto; mui graves foram; antes d’estes nunca houve taes gafanhotos, nem depois d’elles virão outros taes.

15 Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a herva da terra, e todo o fructo das arvores, que deixara a saraiva; e não ficou alguma verdura nas arvores, nem na herva do campo, em toda a terra do Egypto.

16 Então Pharaó se apressou a chamar a Moysés e a Aarão, e disse: Pequei contra o Senhor vosso Deus, [8] e contra vós.

17 Agora, pois, peço-vos que perdoeis o meu peccado sómente d’esta vez, e que oreis ao Senhor vosso Deus que tire de mim sómente esta [9] morte.

18 E saiu da presença de Pharaó, e orou ao Senhor.

19 Então o Senhor trouxe um vento occidental fortissimo, o qual levantou os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho; nem ainda um gafanhoto ficou em todos os termos do Egypto.

20 O Senhor, porém, endureceu o coração de Pharaó, [10] e não deixou ir os filhos de Israel.

A praga das trevas.

21 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e virão[61] trevas sobre a terra do Egypto, trevas que se apalpem.

22 E Moysés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egypto por tres dias.

23 Não viu um ao outro, e ninguem se levantou do seu logar por tres dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas [11] habitações.

24 Então Pharaó chamou a Moysés, e disse: Ide, servi ao Senhor: sómente fiquem vossas ovelhas e vossas vaccas: vão tambem comvosco as vossas creanças.

25 Moysés, porém, disse: Tu tambem darás em nossas mãos sacrificios e holocaustos, que offereçamos ao Senhor nosso Deus.

26 E tambem o nosso gado ha de ir comnosco, nem uma unha ficará; porque d’aquelle havemos de tomar, para servir ao Senhor nosso Deus: porque não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá.

27 O Senhor, porém, endureceu [12] o coração de Pharaó, e não os quiz deixar ir.

28 E disse-lhe Pharaó: Vae-te de mim, guarda-te que não mais vejas o meu rosto: porque no dia em que vires o meu rosto, morrerás.

29 E disse Moysés: Bem disseste; [13] eu nunca mais verei o teu rosto.

[1] cap. 7.13, 14.

[2] Deu. 4.9. Psa. 44.1 e 78.5.

[3] I Reis 21.29. II Chr. 7.14 e 33.12, 19. Job 42.6. Thi. 4.10.

[4] Pro. 30.27.

[5] cap. 9.32.

[6] Jos. 23.13.

[7] Psa. 78.46 e 105.34.

[8] cap. 9.27.

[9] I Reis 13.6.

[10] cap. 4.21.

[11] cap. 8.22 e 9.4, 26 e 12.13.

[12] ver. 1, 20. cap. 14.4, 8.

[13] Heb. 11.27.

Deus annuncia a Moysés a morte de todos os primogenitos.

11 E o senhor dissera a Moysés: Ainda uma praga trarei sobre Pharaó e sobre o Egypto: depois vos deixarei ir d’aqui: e, quando vos deixar ir totalmente, a toda a pressa [1] vos lançará d’aqui.

2 Falla agora aos ouvidos do povo, que cada varão peça ao seu visinho, e cada mulher á sua visinha, [EJ] vasos de prata e vasos de oiro.

3 E o Senhor deu graça ao povo aos olhos dos egypcios; [2] tambem o varão Moysés era mui grande na terra do Egypto, aos olhos dos servos de Pharaó, e aos olhos do povo.

4 Disse mais Moysés: Assim o Senhor tem dito: [3] Á meia noite eu sairei pelo meio do Egypto;

5 E todo o primogenito na terra do Egypto morrerá, [4] desde o primogenito de Pharaó, que houvera de assentar-se sobre o seu throno, até ao primogenito da serva que está detraz da mó, e todo o primogenito dos animaes.

6 E haverá grande clamor [5] em toda a terra do Egypto, qual nunca houve similhante e nunca haverá;

7 Mas entre todos os filhos de Israel nem ainda um cão moverá a sua lingua, desde os homens até aos animaes, [6] para que saibaes que o Senhor fez differença entre os egypcios e os israelitas.

8 Então todos estes teus servos [7] descerão a mim, e se inclinarão diante de mim, dizendo: Sae tu, e todo o povo que te segue as pisadas; e depois eu sairei. E saiu de Pharaó em ardor de ira.

9 O Senhor dissera a Moysés: Pharaó vos não ouvirá, para que as minhas maravilhas se multipliquem na terra do [8] Egypto.

10 E Moysés e Aarão fizeram todas estas maravilhas diante de Pharaó; mas o Senhor endureceu o coração de Pharaó, [9] que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra.

[1] cap. 12.31, 39.

[2] cap. 12.36.

[3] cap. 12.29. Job 34.20.

[4] cap. 4.23.

[5] cap. 12.30.

[6] Jos. 10.21. cap. 8.22.

[7] cap. 12.31, 33.

[8] cap. 7.3.

[9] cap. 10.20, 27.

A instituição da primeira paschoa.

12 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão na terra do Egypto, dizendo:

2 Este mesmo mez [1] vos será o principio dos mezes: este vos será o primeiro dos mezes do anno.

3 Fallae a toda a congregação d’Israel, dizendo: Aos dez d’este mez tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos paes, um cordeiro para cada casa.

4 Mas se a casa fôr pequena para um cordeiro, então elle tome a seu visinho perto de sua casa, conforme ao numero das almas: cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.

5 O cordeiro, ou cabrito, será sem macula, um macho [2] de um anno, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras,

6 E o guardareis até ao decimo quarto dia d’este mez [3], e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará á [EK] tarde.

7 E tomarão do sangue, e pol-o-hão em ambas as umbreiras, e na lumieira da porta, nas casas em que o comerão.

8 E n’aquella noite comerão a carne assada no fogo, [4] com pães asmos; com hervas amargosas a comerão.

9 Não comereis d’elle crú, nem cozido em agua, senão assado ao fogo, a sua cabeça[62] com os seus pés e com a sua fressura.

10 E nada d’elle deixareis até ámanhã: [5] mas o que d’elle ficar até ámanhã, queimareis no fogo.

11 Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, [6] os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão: e o comereis apressadamente: esta é a paschoa do Senhor.

12 E eu passarei pela terra do Egypto esta noite, e ferirei todo o primogenito na terra do Egypto, desde os homens até aos animaes; [7] e em todos os deuses do Egypto farei juizos, Eu sou o Senhor.

13 E aquelle sangue vos será por signal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egypto.

14 E este dia vos será por memoria, [8] e celebral-o-heis por festa ao Senhor: nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpetuo.

15 Sete dias comereis [9] pães asmos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao setimo dia, aquella alma será cortada d’Israel.

16 E ao primeiro dia haverá sancta convocação; tambem ao setimo dia tereis sancta convocação: [10] nenhuma obra se fará n’elles, senão o que cada alma houver de comer; isso sómente apromptareis para vós.

17 Guardae pois a festa dos pães asmos, porque n’aquelle mesmo dia tirei vossos exercitos da terra do Egypto: pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpetuo.

18 No primeiro mez, aos quatorze dias do mez, á tarde, comereis pães asmos até vinte e um do mez á tarde.

19 Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas: [11] porque qualquer que comer pão levedado, aquella alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra.

20 Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães asmos.

21 Chamou pois Moysés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomae vós cordeiros para vossas familias, e sacrificae a [12] paschoa.

22 Então tomae um mólho de hyssopo, e molhae-o no sangue que estiver na bacia, e mettei na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, do sangue que estiver na bacia, [13] porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até á manhã.

23 Porque o Senhor passará para ferir aos egypcios, porém quando vir o sangue na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, o Senhor passará aquella [14] porta, e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.

24 Portanto guardae isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.

25 E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto.

26 E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este [15] vosso?

27 Então direis: Este é o sacrificio da paschoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos d’Israel no Egypto, quando feriu aos egypcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e [16] adorou.

28 E foram os filhos d’Israel, e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

A morte dos primogenitos.

29 E aconteceu, á meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogenitos na terra do Egypto, [17] desde o primogenito de Pharaó, que se sentava em seu throno, até ao primogenito do captivo que estava no carcere, e todos os primogenitos dos animaes.

30 E Pharaó levantou-se de noite, elle e todos os seus servos, e todos os egypcios; e havia grande clamor no Egypto, [18] porque não havia casa em que não houvesse um morto.

31 Então chamou a Moysés e a Aarão de noite, e disse: Levantae-vos, sahi do meio do meu povo, tanto vós como os filhos d’Israel: e ide, servi ao Senhor, como tendes dito.

32 Levae tambem comvosco vossas ovelhas e vossas vaccas, como tendes dito; e ide, e abençoae-me tambem a mim.

33 E os egypcios apertavam [19] ao povo, apressando-se para lançal-os da terra; porque diziam: Todos somos mortos.

34 E o povo tomou a sua massa, antes que levedasse, as suas amassadeiras atadas em seus vestidos, sobre seus hombros.

35 Fizeram pois os filhos de Israel conforme á palavra de Moysés, e pediram[63] aos egypcios [EL] vasos de prata, e vasos de oiro, e [20] vestidos.

36 E o Senhor deu graça ao povo em os olhos dos egypcios, e [EM] emprestavam-lhes; e elles despojavam [21] aos egypcios.

A saida dos israelitas do Egypto.

37 Assim partiram os filhos de Israel de Rameses [22] para Succoth, coisa de seiscentos mil de pé, sómente de varões, sem contar os meninos.

38 E subiu tambem com elles muita mistura [23] de gente, e ovelhas, e vaccas, uma grande multidão de gado.

39 E cozeram bolos asmos da massa que levaram do Egypto, porque não se tinha levedado, porquanto foram lançados do Egypto; e não se poderam deter, nem ainda se prepararam comida.

40 O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egypto [24] foi de quatrocentos e trinta annos.

41 E aconteceu, passados os quatrocentos e trinta annos, n’aquelle mesmo dia succedeu que todos os exercitos do Senhor sairam da terra do Egypto.

42 Esta noite se guardará ao Senhor, porque n’ella os tirou da terra do Egypto: esta é a noite do Senhor, que devem guardar todos os filhos de Israel [25] nas suas gerações.

43 Disse mais o Senhor a Moysés e a Aarão: Esta é a ordenança da paschoa; nenhum filho do estrangeiro comerá [26] d’ella.

44 Porém todo o servo de qualquer, comprado por dinheiro, depois que o houveres circumcidado, [27] então comerá d’ella.

45 O estrangeiro e o assalariado não comerão [28] d’ella.

46 N’uma casa se comerá; não levarás d’aquella carne fóra da casa, nem d’ella quebrareis [29] osso.

47 Toda a congregação de Israel o fará.

48 Porém se algum estrangeiro se hospedar comtigo, e quizer celebrar a paschoa ao Senhor, seja-lhe circumcidado todo o macho, e então chegará a celebral-a, e será como o natural da terra; mas nenhum incircumciso comerá d’ella.

49 Uma mesma lei haja para o natural, e para o estrangeiro que peregrinar entre [30] vós.

50 E todos os filhos de Israel o fizeram: como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

51 E aconteceu n’aquelle mesmo dia [31] que o Senhor tirou os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

[1] cap. 13.4 e 34.18.

[2] Lev. 22.19, 21. Deu. 17.1. Mal. 1.8, 14. I Ped. 1.19.

[3] Lev. 23.5. Num. 9.3 e 28.16. Deu. 16.1, 6.

[4] cap. 34.25. Deu. 16.3. I Cor. 5.8.

[5] cap. 23.18.

[6] Luc. 12.35. Eph. 6.14. Eph. 6.15.

[7] Num. 33.4.

[8] Lev. 23.4, 5.

[9] cap. 13.6.

[10] Num. 29.12.

[11] cap. 23.15 e 34.18.

[12] Jos. 5.10. II Reis 23.21. Esd. 6.20. Mat. 26.18.

[13] Heb. 11.28.

[14] II Sam. 24.16. Eze. 9.4, 6. Apo. 7.3 e 9.4.

[15] cap. 13.8, 14. Jos. 4.6. Psa. 78.6.

[16] cap. 4.31.

[17] Num. 3.13 e 33.4. Psa. 78.51 e 105.36 e 135.8 e 136.10. Heb. 11.28.

[18] cap. 11.6.

[19] Psa. 105.38.

[20] cap. 11.2.

[21] cap. 3.21.

[22] Num. 33.3, 5. Num. 1.46 e 11.21.

[23] Num. 11.4.

[24] Gen. 15.13. Act. 7.6. Gal. 3.17.

[25] Deu. 16.1, 6.

[26] Eph. 2.19.

[27] Phi. 3.3.

[28] Lev. 22.10. Eph. 2.12.

[29] Num. 9.12. João 19.36.

[30] Num. 9.14. Gal. 3.28. Col. 3.11.

[31] ver. 41. cap. 6.26.

Os primogenitos são sanctificados a Deus.

13 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Sanctifica-me todo o primogenito, [1] o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animaes: porque meu é.

3 E Moysés disse ao povo: Lembrae-vos d’este mesmo dia, [2] em que saistes do Egypto, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou d’aqui: portanto não comereis pão levedado.

4 Hoje, no mez de Abib, vós [3] sahis.

5 E acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, e dos hetheos, e dos amorrheos, e dos heveos, e dos jebuzeos, a qual jurou a teus paes que t’a daria, [4] terra que mana leite e mel, guardarás este culto n’este mez.

6 Sete dias comerãs pães asmos; [5] e ao setimo dia haverá festa ao Senhor.

7 Sete dias se comerão pães asmos, e o levedado não se verá comtigo, nem ainda fermento será visto em todos os teus termos.

8 E n’aquelle mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: [6] Isto é pelo que o Senhor me tem feito, quando eu sahi do Egypto.

9 E te será por signal sobre tua mão, [7] e por lembrança entre teus olhos; para que a lei do Senhor esteja em tua bocca: porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egypto.

10 Portanto tu guardarás este estatuto a seu tempo, de anno em anno.

11 Tambem acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, como jurou a ti e a teus paes, quando t’a houver dado,

12 Farás passar ao Senhor tudo o que abrir a madre, e tudo o que abrir a madre do fructo dos animaes que terás: os machos serão do Senhor.

13 Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com [EN] cordeiro; e se o não resgatares cortar-lhe-has a cabeça: mas todo o primogenito do homem entre teus filhos resgatarás.

14 Se acontecer que teu filho no tempo futuro te pergunte, [8] dizendo: Que é[64] isto? dir-lhe-has: O Senhor nos tirou com mão forte do Egypto, da casa da servidão.

15 Porque succedeu que, endurecendo-se Pharaó, para não nos deixar ir, o Senhor matou todos os primogenitos na terra do Egypto, do primogenito do homem até ao primogenito dos animaes: por isso eu sacrifico ao Senhor os machos de tudo que abre a madre; porém a todo o primogenito de meus filhos eu resgato.

16 E será por signal sobre tua mão, e por frontaes entre os teus olhos; porque o Senhor nos tirou do Egypto com mão [9] forte.

Deus guia o povo pelo caminho.

17 E aconteceu, que quando Pharaó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos philisteos, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e se tornem ao [10] Egypto.

18 Mas Deus [11] fez rodear o povo pelo caminho no deserto do Mar Vermelho: e subiram os filhos de Israel da terra do Egypto armados.

19 E tomou Moysés os ossos de José comsigo, porquanto havia este estreitamente ajuramentado aos filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei pois subir d’aqui [12] os meus ossos comvosco.

20 Assim se partiram de Succoth, e acamparam-se em Etham, á entrada [13] do deserto.

21 E o Senhor ia adiante d’elles, [14] de dia n’uma columna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite n’uma columna de fogo, para os allumiar, para que caminhassem de dia e de noite.

22 Nunca tirou de diante da face do povo a columna de nuvem, de dia, nem a columna de fogo, de noite.

[1] cap. 22.29 e 34.19. Num. 3.13. Deu. 15.19. Luc. 2.23.

[2] cap. 12.42.

[3] cap. 23.15.

[4] Gen. 17.8 e 22.16.

[5] cap. 12.15.

[6] cap. 12.26. ver. 4.

[7] ver. 16. Deu. 6.8 e 11.18. Pro. 6.21. Can. 8.6.

[8] Deu. 6.20. Jos. 4.6, 21.

[9] Deu. 26.8.

[10] cap. 14.11, 12. Num. 14.1, 4.

[11] Deu. 32.10.

[12] Gen. 50.25. Jos. 24.32. Act. 7.16.

[13] Num. 33.6.

[14] Num. 9.15, 23 e 10.34 e 14.14. Deu. 1.33. Neh. 9.12, 19. Psa. 78.14 e 99.7 e 105.39. Isa. 4.5. I Cor. 10.2.

Deus annuncia a ruina dos egypcios.

14 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel que tornem, e que se acampem diante de Pi-hahiroth, [1] entre Migdol e o mar, diante de Baal-zephon: em frente d’elle assentareis o campo junto ao mar.

3 Então Pharaó dirá dos filhos de Israel: Estão embaraçados na terra, o deserto os encerrou.

4 E eu endurecerei [2] o coração de Pharaó, para que os persiga, e serei glorificado em Pharaó em todo o seu exercito, e saberão os egypcios que eu sou o Senhor. E elles fizeram assim.

5 Sendo pois annunciado ao rei do Egypto que o povo fugia, mudou-se o coração de Pharaó e dos seus servos contra o povo, e disseram: Porque fizemos isso, havendo deixado ir a Israel, que nos não sirva?

6 E apromptou o seu carro, e tomou comsigo o seu povo;

7 E tomou seiscentos carros escolhidos, [3] e todos os carros do Egypto, e os capitães sobre elles todos.

8 Porque o Senhor endureceu o coração de Pharaó, rei do Egypto, que perseguisse aos filhos de Israel: [4] porém os filhos de Israel sairam com alta mão.

9 E os egypcios perseguiram-n’os, todos os cavallos e carros de Pharaó, e os seus cavalleiros, e o seu exercito, e alcançaram-n’os acampados junto ao mar, perto de Pi-hahiroth, diante de Baal-zephon.

10 E, chegando Pharaó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egypcios vinham atraz d’elles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram [5] ao Senhor.

11 E disseram a Moysés: Não havia sepulchros no Egypto, que nos tiraste de lá, para que morramos n’este deserto? porque nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egypto?

12 Não é esta a palavra que te temos fallado no Egypto, [6] dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egypcios? pois que melhor nos fôra servir aos egypcios, do que morrermos no deserto.

13 Moysés, porém, disse ao povo: Não temaes; [7] estae quietos, e vêde o livramento do Senhor, que hoje vos fará: porque aos egypcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre:

14 O Senhor pelejará [8] por vós, e vos calareis.

A passagem pelo meio do mar.

15 Então disse o Senhor a Moysés: Porque clamas a mim? dize aos filhos de Israel que marchem.

16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em secco.

17 E eu, eis que endurecerei o coração dos egypcios, para que entrem n’elle atraz d’elles; e eu serei glorificado em Pharaó, e em todo o seu exercito, nos seus carros e nos seus cavalleiros,

[65]

18 E os egypcios saberão que eu sou o Senhor, quando fôr glorificado em Pharaó, nos seus carros e nos seus cavalleiros.

19 E o anjo de Deus, [9] que ia diante do exercito d’Israel, se retirou, e ia detraz d’elles: tambem a columna de nuvem se retirou de diante d’elles, e se poz atraz d’elles,

20 E ia entre o campo dos egypcios e o campo d’Israel: e a nuvem era escuridade para aquelles, e para estes esclarecia a noite: de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro.

21 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquella noite; e o mar tornou-se em secco, e as aguas [10] foram partidas.

22 E os filhos d’Israel entraram pelo meio do mar em secco: [11] e as aguas foram-lhes como muro á sua direita e á sua esquerda.

23 E os egypcios seguiram-n’os, e entraram atraz d’elles todos os cavallos de Pharaó, os seus carros e os seus cavalleiros, até ao meio do mar.

24 E aconteceu que, na vigilia d’aquella manhã, o Senhor, na columna do fogo e da nuvem, viu o campo dos egypcios: e alvorotou o campo dos egypcios,

25 E tirou-lhes as rodas dos seus carros, e fel-os andar difficultosamente. Então disseram os egypcios: Fujamos da face d’Israel, porque o Senhor por elles peleja contra os egypcios.

26 E disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as aguas tornem sobre os egypcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalleiros.

Os egypcios perecem no mar.

27 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar tornou-se em sua força ao amanhecer, e os egypcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derribou os egypcios no meio do mar,

28 Porque as aguas, tornando, cobriram os carros e os cavalleiros de todo o exercito de Pharaó, que os haviam seguido no mar: nem ainda um d’elles ficou.

29 Mas os filhos d’Israel foram pelo meio do mar secco: e as aguas foram-lhes como muro á sua mão direita e á sua esquerda.

30 Assim o Senhor salvou Israel n’aquelle dia da mão dos egypcios: e Israel viu os egypcios mortos na praia do mar.

31 E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egypcios; e temeu o povo ao Senhor, e [12] creram no Senhor e em Moysés, seu servo.

[1] Num. 33.7.

[2] cap. 4.21.

[3] cap. 15.4.

[4] Num. 33.3. Deu. 26.8.

[5] Jos. 24.7. Neh. 9.9.

[6] cap. 5.21 e 6.9.

[7] Deu. 20.3. II Reis 6.16. II Chr. 20.15, 17. Psa. 27.1, 2 e 46.1, 3. Isa. 41.10, 14.

[8] Deu. 1.30 e 20.4. Jos. 23.3, 10. Isa. 30.15.

[9] Num. 20.16. Isa. 63.9.

[10] Jos. 4.23. Psa. 66.6.

[11] I Cor. 10.1. Heb. 11.29.

[12] cap. 19.9. João 2.11.

O cantico de Moysés.

15 Então cantou Moysés e os filhos d’Israel este cantico ao Senhor, e fallaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque summamente se exaltou: lançou no mar o cavallo e o seu cavalleiro.

2 O Senhor é a minha força, e o meu cantico; [1] elle me foi por salvação; este é o meu Deus, [EO] portanto lhe farei uma habitação; elle é o Deus de meu pae, por isso o exaltarei.

3 O Senhor é varão de guerra: [2] o Senhor é o seu nome.

4 Lançou no mar os carros de Pharaó e o seu exercito; e os seus escolhidos principes afogaram-se no Mar Vermelho.

5 Os abysmos os cobriram: desceram ás profundezas [3] como pedra.

6 A tua dextra, ó Senhor, se tem glorificado em potencia: a tua dextra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo;

7 E com a grandeza da tua excellencia derribaste aos que se levantaram contra ti: enviaste o teu furor, que os consumiu [4] como o rastolho.

8 E com o sopro [5] dos teus narizes amontoaram-se as aguas, as correntes pararam-se como montão: os abysmos coalharam-se no coração do mar.

9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos: fartar-se-ha [EP] a minha alma d’elles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá,

10 Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu: afundaram-se como chumbo em vehementes aguas.

11 Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? quem é como tu [EQ] glorificado em sanctidade, terrivel em louvores, obrando maravilhas?

12 Estendeste a tua mão direita: a terra os tragou.

13 Tu, com a tua beneficencia, [6] guiaste a este povo, que salvaste: com a tua força o levaste á habitação da tua sanctidade.

14 Os povos o ouvirão, [7] elles estremecerão: apoderar-se-ha uma dôr dos habitantes da Palestina.

[66]

15 Então os principes de Edom se pasmarão, dos poderosos dos moabitas apoderar-se-ha um tremor, derreter-se-hão [8] todos os habitantes de Canaan.

16 Espanto e pavor [9] cairá sobre elles: pela grandeza do teu braço emmudecerão como pedra; até que o teu povo haja passado, ó Senhor, até que passe este povo [10] que adquiriste.

17 Tu os introduzirás, [11] e os plantarás no monte da tua herança, no logar que tu, ó Senhor, apparelhaste para a tua habitação, o sanctuario, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.

18 O Senhor reinará [12] eterna e perpetuamente;

19 Porque os cavallos de Pharaó, com os seus carros e com os seus cavalleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as aguas do mar sobre elles; mas os filhos d’Israel passaram em secco pelo meio do mar.

A dança de Miriam e das mulheres.

20 Então Miriam, a prophetiza, a irmã d’Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres sairam atraz d’ella com tamboris e com danças.

21 E Miriam lhes respondia: Cantae ao Senhor, porque summamente se exaltou, e lançou no mar o cavallo com o seu cavalleiro.

22 Depois fez Moysés partir os israelitas do Mar Vermelho, [13] e sairam ao deserto de Sur: e andaram tres dias no deserto, e não acharam aguas.

As aguas amargas tornam-se doces.

23 Então chegaram a [ER] Marah; [14] mas não poderam beber as aguas de Marah, porque eram amargas: por isso chamou-se o seu nome Marah.

24 E o povo murmurou contra Moysés, dizendo: Que havemos de beber?

25 E elle clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas aguas, e as aguas se tornaram doces: [15] ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou.

26 E disse: Se ouvires attento a voz do Senhor teu Deus, e obrares o que é recto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, [16] e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que puz sobre o Egypto; porque eu sou o Senhor [17] que te sara.

27 Então vieram [18] a Elim, e havia ali doze fontes d’agua e setenta palmeiras: e ali se acamparam junto das aguas.

[1] Psa. 118.14. Isa. 12.2.

[2] Psa. 24.8 e 45.3. Apo. 19.11.

[3] Neh. 9.11. Psa. 118.15, 16.

[4] Isa. 5.24 e 47.14.

[5] II Sam. 22.16. Job 4.9.

[6] Isa. 63.13.

[7] Num. 14.14. Jos. 2.10.

[8] Jos. 5.1.

[9] Deu. 2.25 e 11.25.

[10] Psa. 74.2.

[11] Psa. 44.2, 3. Psa. 78.54.

[12] Psa. 146.10. Dan. 4.3 e 7.27.

[13] Gen. 16.7.

[14] Num. 33.8.

[15] II Reis 2.21 e 4.41.

[16] cap. 23.25.

[17] Psa. 103.3.

[18] Num. 33.9.

Deus manda o manná.

16 E partidos de Elim, [1] toda a congregação dos filhos d’Israel veiu ao deserto de Sin, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mez segundo, depois que sairam da terra do Egypto.

2 E toda a congregação dos filhos d’Israel [2] murmurou contra Moysés e contra Aarão no deserto.

3 E os filhos d’Israel disseram-lhes: Quem déra que nós morressemos por mão do Senhor na terra do Egypto, quando estavamos sentados ás panellas da carne, quando comiamos pão até fartar! [3] porque nos tendes tirado a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que vos choverei pão dos céus, [4] e o povo sairá, e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.

5 E acontecerá, ao sexto dia, que apparelhem o que colheram: e será dobrado [5] do que colhem cada dia.

6 Então disse Moysés, e Aarão a todos os filhos d’Israel: A tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egypto,

7 E ámanhã vereis a gloria do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor: porque quem somos nós, que murmureis contra nós?

8 Disse mais Moysés: Isso será quando o Senhor á tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que murmuraes contra elle: porque, quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, mas sim [6] contra o Senhor.

9 Depois disse Moysés a Aarão: Dize a toda a congregação dos filhos d’Israel: Chegae-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações.

10 E aconteceu que, quando fallou Aarão a toda a congregação dos filhos d’Israel, e elles se viraram para o deserto, eis que a gloria do Senhor [7] appareceu na nuvem.

Deus manda carne.

11 E o Senhor fallou a Moysés, dizendo:

12 Tenho [8] ouvido as murmurações[67] dos filhos de Israel; falla-lhes, dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão: e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus.

13 E aconteceu que á tarde subiram codornizes, [9] e cobriram o arraial: e pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial,

14 E, alçando-se o orvalho caido, eis que sobre a face do deserto estava uma coisa miuda, redonda, miuda como a geada sobre a terra.

15 E, vendo-a os filhos d’Israel, disseram uns aos outros: [ES] Que é isto; porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moysés: Este é o pão que o Senhor vos deu para comer.

16 Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Colhei d’elle cada um conforme ao que pode comer, um gomer por cada cabeça, segundo o numero das vossas almas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda.

17 E os filhos d’Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros menos.

18 Porém, medindo-o com o gomer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava [10] ao que colhera pouco; cada um colheu tanto quanto podia comer.

19 E disse-lhes Moysés: Ninguem d’elle deixe para [11] ámanhã.

20 Elles, porém, não deram ouvidos a Moysés, antes alguns d’elles deixaram d’elle para a manhã; e aquelle criou bichos, e fedeu; por isso indignou-se Moysés contra elles.

21 Elles pois o colhiam cada manhã, cada um conforme ao que podia comer; porque, aquentando o sol, derretia-se.

22 E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gomeres para cada um: e todos os principes da congregação vieram, e contaram-n’o a Moysés.

23 E elle disse-lhes: Isto é o que o Senhor tem [12] dito: Amanhã é repouso, do sancto sabbado do Senhor: o que quizerdes cozer no forno, cozei-o, e o que quizerdes cozer em agua, cozei-o em agua; e tudo o que sobejar, para vós ponde em guarda até ámanhã.

24 E guardaram-n’o até ámanhã, como Moysés tinha ordenado: e não fedeu, nem n’elle houve algum [13] bicho.

25 Então disse Moysés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sabbado do Senhor: hoje não o achareis no campo.

26 Seis dias o colhereis, mas o setimo dia é o sabbado; n’aquelle não haverá.

27 E aconteceu ao setimo dia, que alguns do povo sairam para colher, mas não o acharam.

28 Então disse o Senhor a Moysés: Até quando recusareis de guardar os meus mandamentos [14] e as minhas leis?

29 Vêde, porquanto o Senhor vos deu o sabbado, portanto elle no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu logar, que ninguem saia do seu logar no setimo dia.

30 Assim repousou o povo no setimo dia.

31 E chamou a casa de Israel o seu nome manná; [15] e era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel.

32 E disse Moysés: Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Encherás um gomer d’elle em guarda para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer n’este deserto, quando eu vos tirei da terra do Egypto.

33 Disse tambem Moysés a Aarão: Toma um vaso, [16] e mette n’elle um gomer cheio de manná, e pôe-o diante do Senhor, em guarda para as vossas gerações.

34 Como o Senhor tinha ordenado a Moysés, assim Aarão o poz diante do testemunho em [17] guarda.

35 E comeram os filhos d’Israel manná quarenta annos, [18] até que entraram em terra habitada: comeram manná até que chegaram aos termos da terra de [19] Canaan.

36 E um [20] gomer é a decima parte do epha.

[1] Num. 33.10.

[2] cap. 15.24.

[3] Num. 11.4, 5.

[4] Psa. 78.24. João 6.31, 32. I Cor. 10.3. Deu. 8.16.

[5] ver. 22.

[6] I Sam. 8.7.

[7] Num. 14.10.

[8] ver. 7.

[9] Num. 11.31. Psa. 105.40.

[10] II Cor. 8.15.

[11] Mat. 6.34.

[12] Gen. 2.3. cap. 20.8 e 31.15. Lev. 23.3.

[13] ver. 20.

[14] Num. 14.11.

[15] ver. 15. Num. 11.7, 8.

[16] Heb. 9.4. Apo. 2.17.

[17] cap. 25.16. Num. 17.10. I Reis 8.9.

[18] Deu. 8.2, 3. Neh. 9.21. João 6.31, 49.

[19] Jos. 5.12.

[20] ver. 16, 32, 33.

A jornada pelo deserto de Sin e a falta de agua.

17 Depois toda a congregação dos filhos d’Israel partiu do deserto de Sin [1] pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Rephidim; e não havia ali agua para o povo beber.

2 Então contendeu o povo com Moysés, [2] e disseram: Dae-nos agua para beber. E Moysés lhes disse: Porque contendeis commigo? porque tentaes ao [3] Senhor?

3 Tendo pois ali o povo sêde d’agua, o povo murmurou contra Moysés, e[68] disse: Porque nos fizeste subir do Egypto, para nos matares de sêde, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?

4 E clamou Moysés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? d’aqui a pouco me [4] apedrejarão.

5 Então disse o Senhor a Moysés: Passa diante do povo, e toma comtigo alguns dos anciãos de Israel: e toma na tua mão a tua vara, [5] com que feriste o rio: vae.

6 Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horeb, e tu ferirás a rocha, e d’ella sairão aguas [6] e o povo beberá. E Moysés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.

7 E chamou o nome d’aquelle logar [ET] Massah e [EU] Meribah, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porquanto tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?

Amalek peleja contra os israelitas.

8 Então veiu Amalek, [7] e pelejou contra Israel em Rephidim.

9 Pelo que disse Moysés a Josué: Escolhe-nos homens, e sae, peleja contra Amalek: ámanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, [8] e a vara de Deus estará na minha mão.

10 E fez Josué como Moysés lhe dissera, pelejando contra Amalek: mas Moysés, Aarão, e Hur subiram ao cume do outeiro.

11 E acontecia que, quando Moysés levantava a sua mão, Israel prevalecia: mas quando elle abaixava a sua mão, Amalek prevalecia.

12 Porém as mãos de Moysés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a pozeram debaixo d’elle, para assentar-se sobre ella: [9] e Aarão e Hur sustentaram as suas mãos, um d’uma banda, e o outra da outra: assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se poz.

13 E assim Josué desfez a Amalek, e a seu povo, ao fio da espada.

14 Então disse o Senhor a Moysés; Escreve isto para memoria n’um livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memoria d’Amalek de debaixo [10] dos céus.

15 E Moysés edificou um altar, e chamou o seu nome, o Senhor é minha [EV] bandeira.

16 E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amalek de geração em geração.

[1] cap. 16.1. Num. 33.12, 14.

[2] Num. 20.3, 4.

[3] Deu. 6.16. Psa. 78.18, 41 e 95.8, 9. Isa. 7.12. Mat. 4.7. I Cor. 10.9.

[4] I Sam. 30.6. João 8.59.

[5] cap. 7.20. Num. 20.8, 11.

[6] Psa. 78.15 e 105.41. I Cor. 10.4.

[7] Num. 24.20.

[8] cap. 4.20.

[9] cap. 24.14.

[10] Deu. 25.19. I Sam. 15.3.

O sogro de Moysés traz-lhe sua mulher e seus filhos.

18 Ora Jethro, sacerdote de Midian, [1] sogro de Moysés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moysés e a Israel seu povo: como o Senhor tinha tirado a Israel do Egypto.

2 E Jethro, sogro de Moysés, tomou a Zippora, a mulher de Moysés, depois que elle lh’a [2] enviara,

3 Com seus dois filhos, dos quaes [3] um se chamava Gerson; porque disse: Eu fui peregrino em terra estranha;

4 E o outro se chamava Eliezer; porque disse: O Deus de meu pae foi por minha ajuda, e me livrou da espada de Pharaó.

5 Vindo pois Jethro, o sogro de Moysés, com seus filhos e com sua mulher, a Moysés no deserto, [4] ao monte de Deus, onde se tinha acampado,

6 Disse a Moysés: Eu, teu sogro Jethro, venho a ti, com tua mulher, e seus dois filhos com ella.

7 Então saiu Moysés ao [5] encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda.

8 E Moysés contou a seu sogro todas as coisas que o Senhor tinha feito a Pharaó e aos egypcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram no caminho, e como o [6] Senhor os livrara.

9 E alegrou-se Jethro de todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egypcios.

10 E Jethro disse: Bemdito [7] seja o Senhor, que vos livrou das mãos dos egypcios e da mão de Pharaó; que livrou a este povo de debaixo da mão dos egypcios.

11 Agora sei que o Senhor [8] é maior que todos os deuses: porque na coisa, em que se ensoberbeceram, os sobrepujou.

12 Então tomou Jethro, o sogro de Moysés, holocausto e sacrificios para Deus: e veiu Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moysés [9] diante de Deus.

13 E aconteceu que, ao outro dia, Moysés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moysés desde a manhã até á tarde.

14 Vendo pois o sogro de Moysés tudo o que elle fazia ao povo, disse: Que é isto, que tu fazes as povo? porque te assentas só, e todo o povo está em pé[69] diante de ti, desde a manhã até á tarde?

15 Então disse Moysés a seu sogro: É porque este [10] povo vem a mim, para consultar a Deus:

16 Quando tem algum negocio [11] vem a mim, para que eu julgue entre um e outro, e lhes declare os estatutos de Deus, e as suas leis.

17 O sogro de Moysés porém lhe disse: Não é bom o que fazes.

18 Totalmente desfallecerás, assim tu, como este povo que está comtigo: porque este negocio é mui difficil para ti; [12] tu só não o podes fazer.

19 Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, [13] e Deus será comtigo: Sê tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as coisas a Deus;

20 E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho [14] em que devem andar, e a obra que devem fazer.

21 E tu d’entre todo o povo procura homens capazes, tementes [15] a Deus, homens de verdade, que aborrecem a avareza; e põe-n’os sobre elles por maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez;

22 Para que julguem este povo em tempo; [16] e seja que todo o negocio pequeno elles o julguem: assim a ti mesmo te alliviarás da carga, [17] e elles a levarão comtigo.

23 Se isto fizeres, e Deus t’o mandar, [18] poderás então subsistir: assim tambem todo este povo em paz virá ao seu logar.

24 E Moysés deu ouvidos á voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito;

25 E escolheu Moysés homens capazes, de todo o Israel, [19] e os poz por cabeças sobre o povo: maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez.

26 E elles julgaram [20] o povo em todo o tempo; o negocio arduo trouxeram a Moysés, e todo o negocio pequeno julgaram elles.

27 Então despediu Moysés o seu sogro, o qual se foi á sua terra.

[1] cap. 2.16 e 3.1.

[2] cap. 4.26.

[3] Act. 7.29. cap. 2.22.

[4] cap. 3.1, 12.

[5] I Reis 2.19. Gen. 29.13 e 33.4.

[6] Psa. 78.42.

[7] Gen. 14.20. II Sam. 18.28. Luc. 1.68.

[8] II Chr. 2.5. Psa. 95.3. cap. 5.2, 7. I Sam. 2.3. Neh. 9.10. Psa. 31.23. Luc. 1.51.

[9] Deu. 12.7. I Chr. 29.22. I Cor. 10.18, 21, 31.

[10] Lev. 24.12. Num. 15.34.

[11] cap. 23.7. Deu. 17.8. Act. 18.15. I Cor. 6.1. Lev. 24.15. Num. 15.35.

[12] Num. 11.14, 17. Deu. 1.9, 12.

[13] cap. 3.12 e 4.16. Deu. 5.5. Num. 27.5.

[14] Deu. 4.1. Psa. 143.8. Deu. 1.18.

[15] Deu. 1.15. II Chr. 19.5, 10. Act. 6.3. II Chr. 19.9. Eze. 18.8. Deu. 16.19.

[16] ver. 26. Lev. 24.11. Num. 15.33. Deu. 1.17.

[17] Num. 11.17.

[18] ver. 18.

[19] Deu. 1.15. Act. 6.5.

[20] ver. 22. Job 29.16.

Deus falla com Moysés no monte de Sinai.

19 Ao terceiro mez da saida dos filhos de Israel da terra do Egypto, no mesmo dia vieram [1] ao deserto de Sinai,

2 Porque partiram de Rephidim [2] e vieram ao deserto de Sinai, e acamparam-se no deserto: Israel pois ali acampou-se defronte [3] do monte.

3 E subiu Moysés a Deus, [4] e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim fallarás á casa de Jacob, e annunciarás aos filhos de Israel:

4 Vós tendes visto o que fiz aos egypcios, [5] como vos levei sobre azas d’aguias, e vos trouxe a mim;

5 Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, [6] e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar d’entre todos os povos: porque toda a terra é minha.

6 E vós me sereis um [7] reino sacerdotal e o povo sancto. Estas são as palavras que fallarás aos filhos de Israel.

7 E veiu Moysés, e chamou os anciãos do povo, e expoz diante d’elles todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado.

8 Então todo o povo respondeu [8] a uma voz, e disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado, faremos. E relatou Moysés ao Senhor as palavras do povo.

9 E disse o Senhor a Moysés; Eis que eu virei a ti n’uma nuvem espessa, para [9] que o povo ouça, fallando eu comtigo, e para que tambem te creiam eternamente. Porque Moysés tinha annunciado as palavras do seu povo ao Senhor.

10 Disse tambem o Senhor a Moysés: Vae ao povo, e sanctifica-os [10] hoje e ámanhã, e lavem elles os seus vestidos,

11 E estejam promptos para o terceiro dia: porquanto no terceiro dia o Senhor descerá [11] ante dos olhos de todo o povo sobre o monte de Sinai.

12 E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardae-vos que não subaes ao monte, [12] nem toqueis o seu termo; todo aquelle, que tocar o monte, certamente morrerá.

13 Nenhuma mão tocará n’elle: porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando [13] [EW] a buzina longamente, então subirão ao monte.

[70]

14 Então Moysés desceu do monte ao povo, e sanctificou o povo; [14] e lavaram os seus vestidos.

15 E disse ao povo: Estae [15] promptos ao terceiro dia; e não chegueis a mulher.

16 E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões [16] e relampagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, [17] de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial.

17 E Moysés levou [18] o povo fóra do arraial ao encontro de Deus; e puzeram-se ao pé do monte.

18 E todo o monte de Sinai [19] fumegava, porque o Senhor descera sobre elle em fogo: e o seu fumo subiu como fumo d’um forno, e todo o monte tremia grandemente.

19 E o sonido da buzina ia esforçando-se em grande maneira: [20] Moysés fallava, e Deus lhe respondia em voz alta.

20 E, descendo o Senhor sobre o monte de Sinai, sobre o cume do monte, chamou o Senhor a Moysés ao cume do monte; e Moysés subiu.

21 E disse o Senhor a Moysés: Desce, protesta ao povo que não trespassem o termo, para ver o Senhor, [21] e muitos d’elles perecerem.

22 E tambem os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de sanctificar, [22] para que o Senhor não se lance sobre elles.

23 Então disse Moysés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte de Sinai, porque tu nos tens protestado, dizendo: Marca termos [23] ao monte, e sanctifica-o.

24 E disse-lhe o Senhor: Vae, desce: depois subirás tu, e Aarão comtigo: os sacerdotes, porém, e o povo não trespassem o termo para subir ao Senhor, para que não se lance sobre elles.

25 Então Moysés desceu ao povo, e disse-lhes isto.

[1] Num. 33.15.

[2] cap. 17.1.

[3] cap. 3.1, 12.

[4] cap. 20.21. Act. 7.38. cap. 3.4.

[5] Deu. 29.2. Isa. 63.9.

[6] Deu. 5.2. I Reis 8.53. Psa. 135.4. Isa. 41.8. Mal. 3.17. Tito 2.14. Deu. 10.14. I Cor. 10.26.

[7] I Ped. 2.5, 9. Apo. 1.6. Lev. 20.26. Isa. 62.12. I Cor. 3.17. I The. 5.27.

[8] cap. 24.3, 7. Deu. 5.27.

[9] ver. 16. cap. 20.21. Mat. 17.5. Deu. 4.12, 36. João 12.29, 30. cap. 14.31.

[10] Lev. 11.44, 45. Heb. 10.22. ver. 14. Gen. 35.2.

[11] ver. 16, 18. cap. 34.5. Deu. 33.2.

[12] Heb. 12.20.

[13] ver. 16, 19.

[14] ver. 10.

[15] ver. 11. I Sam. 21.4, 5. I Cor. 7.5.

[16] Heb. 12.18, 19. Apo. 4.5. cap. 40.34. II Chr. 5.14.

[17] Apo. 1.10 e 4.1. Heb. 12.21.

[18] Deu. 4.10.

[19] Deu. 4.11. Jui. 5.5. Psa. 68.8, 9. Hab. 3.3. II Chr. 7.1, 2, 3. Apo. 15.8. Heb. 12.26.

[20] ver. 13. Neh. 9.13.

[21] cap. 3.5. I Sam. 6.19.

[22] Lev. 10.3. II Sam. 6.7, 8.

[23] ver. 12. Jos. 3.4.

Os dez mandamentos.

20 Então fallou Deus todas [1] estas palavras, dizendo:

2 Eu sou o Senhor teu Deus, [2] que te tirei da terra do Egypto, da casa da servidão.

3 Não terás [3] outros deuses diante de mim.

4 Não farás para ti imagem [4] d’esculptura, nem alguma similhança do que ha em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas aguas debaixo da terra.

5 Não te encurvarás a ellas [5] nem as servirás: porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus [6] zeloso, que visito a maldade dos paes nos filhos, até á terceira e quarta geração d’aquelles que me aborrecem,

6 E faço misericordia [7] em milhares, aos que me amam, e aos que guardam os meus mandamentos.

7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por innocente o [8] que tomar o seu nome em vão.

8 Lembra-te do dia do sabbado, para o [9] sanctificar.

9 Seis dias trabalharás, [10] e farás toda a tua obra,

10 Mas o setimo [11] dia é o sabbado do Senhor teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem a tua besta, nem o teu estrangeiro, [12] que está dentro das tuas portas.

11 Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que n’elles ha, e ao setimo dia descançou: portanto abençoou o Senhor o dia do sabbado, e o sanctificou,

12 Honra a teu pae [13] e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

13 Não [14] matarás.

14 Não [15] adulterarás.

15 Não [16] furtarás.

16 Não dirás falso testemunho [17] contra o teu proximo.

17 Não cubiçarás a casa do teu proximo, [18] não cubiçarás a mulher do teu proximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu proximo.

18 E todo o povo viu os [19] trovões e os relampagos, e o sonido da buzina, e o[71] monte fumegando: e o povo, vendo isso retirou-se e poz-se de longe.

19 E disseram a Moysés: Falla [20] tu comnosco, e ouviremos: e não falle Deus comnosco, para que não morramos.

20 E disse Moysés ao povo: Não temaes, [21] que Deus veiu para provar-vos, e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis.

21 E o povo estava em pé de longe: Moysés, porém, se chegou [22] á escuridade, onde Deus estava.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: Vós tendes visto que eu fallei [23] comvosco desde os céus.

23 Não fareis outros deuses commigo; deuses de prata [24] ou deuses de oiro não fareis para vós.

24 Um altar de terra me farás, e sobre elle sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas offertas pacificas, as tuas ovelhas, [25] e as tuas vaccas: em todo o logar, onde eu fizer celebrar a memoria do meu nome, virei a ti, e te abençoarei.

25 E se me fizeres um altar de pedras, [26] não o farás de pedras lavradas: se sobre elle levantares o teu buril, profanal-o-has.

26 Não subirás tambem por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante d’elles.

[1] Deu. 5.22.

[2] Lev. 26.1, 13. Ose. 13.4. cap. 13.3.

[3] Deu. 5.7. Jer. 25.6.

[4] Lev. 26.1. Psa. 97.7.

[5] cap. 23.24. Jos. 23.7. II Reis 17.35. Isa. 44.15, 19. cap. 34.14.

[6] Jos. 24.19. Nah. 1.2. cap. 34.7. Num. 14.18, 33. Isa. 14.20, 21.

[7] cap. 34.7. Deu. 7.9. Rom. 11.28.

[8] Lev. 19.12. Deu. 5.11. Mat. 5.33.

[9] cap. 31.13, 14. Lev. 19.3, 30. Deu. 5.12.

[10] cap. 23.12. Lev. 23.3. Eze. 20.12. Luc. 13.14.

[11] Gen. 2.2, 3. cap. 16.26.

[12] Neh. 13.16, 19.

[13] Deu. 5.16. Mat. 15.4. Mar. 7.10. Luc. 18.20. Eph. 6.2.

[14] Deu. 5.17. Mat. 5.21. Rom. 13.9.

[15] Deu. 5.18. Mat. 5.27.

[16] Lev. 19.11. Mat. 19.18.

[17] cap. 23.1. Deu. 5.20.

[18] Deu. 5.21. Miq. 2.2. Hab. 2.9. Luc. 12.15. Rom. 7.7. Eph. 5.3, 5. Heb. 13.5. Jer. 5.8. Mat. 5.28.

[19] Heb. 12.18. cap. 19.18.

[20] Heb. 12.19. Deu. 5.25.

[21] Isa. 41.10, 13. Gen. 22.1. Deu. 4.10.

[22] cap. 19.16. Deu. 5.5.

[23] Deu. 4.36. Neh. 9.13.

[24] cap. 32.4. II Reis 17.33. Dan. 5.4, 23. Sof. 1.5. II Cor. 6.14, 15, 16.

[25] Lev. 1.2. Deu. 12.5, 11, 21. Neh. 1.9. Jer. 7.10, 12. Deu. 7.13.

[26] Deu. 27.5. Jos. 8.31.

As leis ácerca dos servos e dos homicidios.

21 Estes são os estatutos [1] que lhes proporás.

2 Se comprares um servo [2] hebreo, seis annos servirá; mas ao setimo sairá forro, de graça.

3 Se entrou com o seu corpo, com o seu corpo sairá: se elle era homem casado, sairá sua mulher com elle.

4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher, e ella lhe houver parido filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e elle sairá com seu corpo.

5 Mas se aquelle servo expressamente disser: [3] Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair forro:

6 Então seu senhor o levará [4] aos juizes, e o fará chegar á porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre.

7 E se algum vender [5] sua filha por serva, não sairá como saem os servos.

8 Se desagradar aos olhos de seu senhor, e não se desposar com ella, fará que se resgate: não poderá vendel-a a um povo estranho, usando deslealmente com ella.

9 Mas se a desposar com seu filho, fará com ella conforme ao direito das filhas.

10 Se lhe tomar outra, não deminuirá o mantimento d’esta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação [6] marital.

11 E se lhe não fizer estas tres coisas, sairá de graça, sem dar dinheiro.

12 Quem ferir alguem, [7] que morra, elle tambem certamente morrerá;

13 Porém o que lhe não [8] armou ciladas, mas Deus o fez encontrar nas suas mãos, ordenar-te-hei um logar, para onde elle fugirá.

14 Mas se alguem se ensoberbecer contra o seu proximo, [9] matando-o com engano, tiral-o-has do meu altar, para que morra.

15 O que ferir a seu pae, ou a sua mãe, certamente morrerá.

16 E quem furtar algum [10] homem, e o vender, ou fôr achado na sua mão, certamente morrerá.

As leis ácerca dos que amaldiçoam os paes ou ferem qualquer pessoa.

17 E quem amaldiçoar [11] a seu pae ou a sua mãe, certamente morrerá.

18 E se alguns homens pelejarem, ferindo-se um ao outro com pedra ou com o punho, e este não morrer, mas cair na cama;

19 Se elle tornar a levantar-se e andar fóra sobre o seu bordão, então aquelle que o feriu será absolvido: [12] sómente lhe pagará o tempo que perdera e o fará curar totalmente.

20 Se alguem ferir a seu servo, ou a sua serva com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será [EX] castigado;

21 Porém se ficar vivo por um ou dois dias, não será castigado, [13] porque é seu dinheiro.

22 Se alguns homens pelejarem, e ferirem uma mulher gravida, e forem causa que aborte, porém não houver morte, certamente será multado, [14] conforme ao que lhe impuzer o marido da mulher, e pagará diante dos juizes.

[72]

23 Mas se houver morte, então darás vida por vida,

24 Olho por olho, [15] dente por dente, mão por mão, pé por pé,

25 Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.

26 E quando alguem ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o damnificar, o deixará ir forro pelo seu olho.

27 E se tirar o dente do seu servo, ou o dente da sua serva, o deixará ir forro pelo seu dente.

28 E se algum boi escornear homem ou mulher, e morrer, o boi será apedrejado [16] certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do boi será absolvido.

29 Mas se o boi d’antes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor d’isso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado, e tambem o seu dono morrerá.

30 Se lhe fôr imposto resgate, então dará [17] por resgate da sua vida tudo quanto lhe fôr imposto,

31 Quer tenha escorneado um filho, quer tenha escorneado uma filha; conforme a este estatuto lhe será feito.

32 Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dará [18] trinta siclos de prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado.

33 Se alguem abrir uma cova, ou se alguem cavar uma cova, e não a cobrir, e n’ella cair um boi ou jumento,

34 O dono da cova o pagará, ao seu dono o dinheiro restituirá; mas o morto será seu.

35 Se o boi de alguem ferir o boi do seu proximo, e morrer, então se venderá o boi vivo, e o dinheiro d’elle se repartirá egualmente, e tambem o morto se repartirá egualmente.

36 Mas se foi notorio que aquelle boi d’antes era escorneador, e seu dono não o guardou, certamente pagará boi por boi; porém o morto será seu.

[1] cap. 24.3, 4. Deu. 4.14 e 6.1.

[2] Lev. 25.39, 40, 41. Deu. 15.12. Jer. 34.14.

[3] Deu. 15.16, 17.

[4] cap. 12.12 e 22.8, 28.

[5] Neh. 5.5. ver. 2, 3.

[6] I Cor. 7.5.

[7] Gen. 9.6. Lev. 24.17. Num. 35.30. Mat. 26.52.

[8] Deu. 19.4, 5. I Sam. 24.4, 10, 18. Num. 35.11. Jos. 20.2.

[9] Num. 15.30. Deu. 19.11, 12. Heb. 10.26. I Reis 2.28, 34.

[10] Deu. 24.7. Gen. 37.28.

[11] Lev. 20.9. Pro. 20.20. Mat. 15.4. Mar. 7.10.

[12] II Sam. 3.29.

[13] Lev. 25.45, 46.

[14] ver. 30. Deu. 22.18, 19.

[15] Lev. 24.20. Mat. 5.38.

[16] Gen. 9.5.

[17] ver. 22. Num. 35.31.

[18] Zac. 11.12, 13. Mat. 26.15. ver. 28.

As leis ácerca da propriedade.

22 Se alguem furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e [1] pela ovelha quatro ovelhas.

2 Se o ladrão fôr achado na mina, [2] e fôr ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue.

3 Se o sol houver saido sobre elle, será culpado do sangue: totalmente o restituirá: e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.

4 Se o furto fôr achado vivo [3] na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.

5 Se alguem fizer pastar n’um campo ou n’uma vinha, e largar a sua besta, para comer no campo de outro, o melhor do seu proprio campo e o melhor da sua propria vinha restituirá.

6 Se arrebentar um fogo, e prender os espinhos, e abrazar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquelle que accendeu o fogo totalmente pagará o queimado.

7 Se alguem der prata, os vasos ao seu proximo a guardar, e fôr furtado da casa d’aquelle homem, se o ladrão se achar, [4] pagará o dobro.

8 Se o ladrão não se achar, então o dono da casa será levado diante dos juizes, [5] a ver se não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo.

9 Sobre todo o negocio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miudo, sobre vestido, sobre toda a coisa perdida, de que alguem disser que é sua a causa de ambos virá perante os juizes, [6] aquelle a quem condemnarem os juizes o pagará em dobro ao seu proximo.

10 Se alguem der a seu proximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha, ou alguma besta, e morrer, ou fôr dilacerado, ou afugentado, ninguem o vendo,

11 Então haverá juramento [7] do Senhor entre ambos, que não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo: e seu dono o acceitará, e o outro não o restituirá.

12 Mas se lhe fôr furtado, o [8] pagará ao seu dono.

13 Porém se lhe fôr dilacerado, tral-o-ha em testemunho d’isso, e não pagará o dilacerado.

14 E se alguem a seu proximo pedir alguma coisa, e fôr damnificada ou morta, não estando presente o seu dono, certamente a restituirá.

15 Se o seu dono esteve presente, não a restituirá: se foi alugada, será pelo seu aluguer.

As leis ácerca da immoralidade e idolatria.

16 Se alguem enganar [9] alguma virgem, que não fôr desposada, e se deitar com ella, certamente a dotará por sua mulher.

17 Se seu pae inteiramente recusar dar-lh’a, dará dinheiro conforme ao dote das [10] virgens.

[73]

18 A feiticeira não [11] deixarás viver.

19 Todo aquelle que se deitar [12] com animal, certamente morrerá.

20 O que sacrificar [13] aos deuses, e não só ao Senhor, será morto.

21 O estrangeiro não [14] affligirás, nem o opprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egypto.

22 A nenhuma viuva nem orphão [15] affligireis.

23 Se de alguma maneira [16] os affligires, e elles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor,

24 E a minha ira [17] se accenderá, e vos matarei á espada; e vossas mulheres ficarão viuvas, e vossos filhos orphãos.

25 Se emprestares [18] dinheiro ao meu povo, ao pobre que está comtigo, não te haverás com elle como um usurario; não lhe imporeis usura.

26 Se tomares em penhor o vestido do teu proximo, [19] lh’o restituirás antes do pôr do sol,

27 Porque aquella é a sua cobertura, e o vestido da sua pelle; em que se deitaria? será pois que, quando clamar a [20] mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

28 Os juizes não [21] amaldiçoarás, e o principe d’entre o teu povo não maldirás.

29 As tuas primicias, [22] e os teus licores não dilatarás: o primogenito de teus filhos me darás.

30 Assim farás dos teus bois [23] e das tuas ovelhas: sete dias estarão com sua mãe, e ao oitavo dia m’os darás.

31 E ser-me-heis homens [24] sanctos; portanto não comereis carne despedaçada no campo: aos cães a lançareis.

[1] II Sam. 12.6. Luc. 19.8. Pro. 6.31.

[2] Num. 35.27.

[3] cap. 21.16. ver. 1, 7. Pro. 6.31.

[4] ver. 4.

[5] cap. 21.6. ver. 28.

[6] Deu. 25.1. II Chr. 19.10.

[7] Heb. 6.16.

[8] Gen. 31.39.

[9] Deu. 22.28, 29.

[10] Gen. 14.12.

[11] Deu. 18.10, 11. I Sam. 28.3, 9.

[12] Lev. 18.23.

[13] Deu. 13.1, 2.

[14] cap. 23.9. Deu. 10.19. Jer. 7.6. Zac. 7.10.

[15] Deu. 10.18. Psa. 94.6. Isa. 1.17, 23. Thi. 1.27.

[16] Job 35.9. Psa. 18.6. Thi. 5.4.

[17] Psa. 69.24. Lam. 5.3.

[18] Deu. 23.19, 20. Psa. 15.5. Eze. 8.8, 17.

[19] Deu. 24.6, 10, 13, 17. Eze. 18.7, 16.

[20] cap. 34.6. II Chr. 30.9. Psa. 86.15.

[21] Ecc. 10.20. Act. 23.5. Jud. 8.

[22] cap. 23.16, 19. Pro. 3.9. cap. 13.2, 12.

[23] Lev. 22.27.

[24] cap. 19.6. Lev. 19.2. Deu. 14.21.

O testemunho falso e a injustiça.

23 Não admittirás falso [1] rumor, e não porás a tua mão com o impio, para seres testemunha falsa.

2 Não seguirás a multidão [2] para fazeres o mal: nem n’uma demanda fallarás, tomando parte com o maior numero para torcer o direito.

3 Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.

4 Se encontrares o [3] boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, sem falta lh’o reconduzirás.

5 Se vires [4] o jumento d’aquelle que te aborrece deitado debaixo da sua carga, deixarás pois de ajudal-o? certamente o ajudarás juntamente com elle.

6 Não perverterás [5] o direito do teu pobre na sua demanda.

7 De palavras de falsidade te affastarás, [6] e não matarás o innocente e o justo; porque não justificarei o impio.

8 Tambem presente não [7] tomarás: porque o presente cega os que teem vista, e perverte as palavras dos justos.

9 Tambem não opprimirás [8] o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egypto.

O anno de descanço e o sabbado.

10 Tambem seis annos semearás tua [9] terra, e recolherás os seus fructos;

11 Mas ao setimo a soltarás e deixarás descançar, para que possam comer os pobres do teu povo, e do sobejo comam os animaes do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.

12 Seis dias farás os teus [10] negocios, mas ao setimo dia descançarás: para que descance o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua escrava, e o estrangeiro.

13 E em tudo o que vos tenho dito, guardae-vos: e [11] do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa bocca.

As tres festas.

14 Tres vezes no anno me celebrareis [12] festa.

15 A festa [13] dos pães asmos guardarás: sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado no mez de Abib; porque n’elle saiste do Egypto: [14] e ninguem appareça vasio perante mim.

16 E a festa da sega dos primeiros fructos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, [15] e a festa da colheita á saida do anno, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.

[74]

17 Tres vezes [16] no anno todos os teus machos apparecerão diante do Senhor.

18 Não offerecerás [17] o sangue do meu sacrificio com pão levedado: nem ficará a gordura da minha festa de noite até á manhã.

19 As primicias [18] dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não [19] cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

Deus promette enviar um anjo.

20 Eis-que eu envio [20] um anjo diante de ti, para que te guarde n’este caminho, e te leve ao logar que te tenho apparelhado.

21 Guarda-te diante d’elle, e ouve a sua voz, [21] e não o provoques á ira: porque não perdoará a vossa rebellião; porque o meu nome está n’elle.

22 Mas se diligentemente ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, [22] então serei inimigo dos teus inimigos, e adversario dos teus adversarios.

23 Porque o meu anjo [23] irá diante de ti, e te levará aos amorrheos, e aos hetheos, e aos phereseos, e aos cananeos, heveos e jebuseos: e eu os destruirei.

24 Não te inclinarás diante dos [24] seus deuses, nem os servirás, nem farás conforme ás suas obras: antes os destruirás totalmente, e quebrarás de todo [EY] as suas estatuas.

25 E servireis ao Senhor [25] vosso Deus, e elle abençoará o vosso pão e a vossa agua: e eu tirarei do meio de ti as enfermidades.

26 Não haverá alguma [26] que [EZ] mova, nem esteril na tua terra: o numero dos teus dias cumprirei.

27 Enviarei [27] o meu terror diante de ti, destruindo a todo o povo aonde entrares, e farei que todos os teus inimigos te virem as costas.

28 Tambem enviarei [28] vespões diante de ti, que lancem fóra os heveos, os cananeos, e os hetheos diante de ti.

29 N’um só anno os não lançarei fóra [29] diante de ti, para que a terra se não torne em deserto, e as feras do campo se não multipliquem contra ti.

30 Pouco a pouco os lançarei diante de ti, até que sejas multiplicado, e possuas a terra por herança.

31 E porei os [30] teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos philisteos, e desde o deserto até ao [FA] rio: porque darei nas tuas mãos os moradores [31] da terra, para que os lances fóra diante de ti.

32 Não farás concerto [32] algum com elles, ou com os seus deuses.

33 Na tua terra não habitarão, para que não te façam peccar contra mim: se servires aos seus deuses, [33] certamente te será um laço.

[1] Lev. 19.16. II Sam. 19.27. cap. 20.16. I Reis 21.10, 13. Pro. 19.5. Mat. 26.59. Act. 6.11, 13.

[2] Gen. 7.1. Jos. 24.15. Pro. 1.10. Mat. 27.24. Mar. 15.15. Luc. 23.23. Act. 24.27. Lev. 19.15. Deu. 1.17.

[3] Deu. 22.1. Mat. 5.44. Rom. 12.20. I The. 5.15.

[4] Deu. 22.4.

[5] Deu. 27.19. Job 31.13, 21. Isa. 10.1, 2. Jer. 5.28. Amós 5.12.

[6] Lev. 19.11. Eph. 4.25. Pro. 17.15. Mat. 27.4. Rom. 1.18.

[7] Deu. 16.19. I Sam. 8.3. Pro. 15.27. Isa. 1.23. Eze. 22.12. Amós 5.12. Act. 24.26.

[8] cap. 22.21. Deu. 10.19. Psa. 94.6. Eze. 22.7. Mal. 3.5.

[9] Lev. 25.3, 4.

[10] cap. 20.8, 9. Deu. 5.13. Luc. 13.14.

[11] Deu. 4.9. Jos. 22.5. Jos. 23.7.

[12] cap. 34.23. Lev. 23.4.

[13] cap. 12.15. Lev. 23.6.

[14] Deu. 16.16.

[15] Lev. 23.10. Deu. 16.13.

[16] Deu. 16.16.

[17] cap. 12.8. Lev. 2.11. Deu. 16.4.

[18] cap. 22.29. Lev. 23.10. Num. 18.12. Deu. 26.10. Neh. 10.35.

[19] cap. 34.26. Deu. 14.21.

[20] cap. 14.19. Num. 20.16. Jos. 5.13. Isa. 63.9.

[21] Num. 14.11. Heb. 3.10. Deu. 18.19. Jos. 24.19. I João 5.16.

[22] Gen. 12.3. Deu. 30.7. Jer. 30.20.

[23] cap. 33.2. Jos. 24.8.

[24] cap. 20.5. Lev. 18.3. Deu. 12.30. Num. 33.52. Deu. 7.5.

[25] Deu. 6.13. Jos. 22.5. I Sam. 7.3. Mat. 4.10. Deu. 7.13. cap. 15.26.

[26] Deu. 28.4. Job 21.10. Mal. 3.10. I Chr. 23.1. Job 5.26. Psa. 55.24.

[27] Gen. 35.5. cap. 15.14. Deu. 2.25. Jos. 2.9, 11. I Sam. 14.15. II Chr. 14.14.

[28] Deu. 7.20. Jos. 24.12.

[29] Deu. 7.22.

[30] Gen. 15.18. Num. 34.3. Deu. 11.24. Jos. 1.4.

[31] Jos. 21.44. Jui. 1.4.

[32] cap. 34.12, 15. Deu. 7.2.

[33] cap. 34.12. Deu. 7.16. Jos. 23.13. Jui. 2.3.

Deus manda Moysés e os anciãos subir ao monte.

24 Depois disse a Moysés: Sobe ao Senhor, tu e Aarão, Nadab [1] e Abihu, e setenta dos anciãos d’Israel; e inclinae-vos de longe.

2 E Moysés só [2] se chegará ao Senhor; mas elles não se cheguem, nem o povo suba com elle.

3 Vindo pois Moysés, e contando ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos, então o povo respondeu a uma voz, e disseram: Todas as palavras, que o Senhor tem fallado, [3] faremos.

4 E Moysés escreveu todas as palavras do Senhor, [4] e levantou-se pela manhã de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte, e doze [FB] monumentos, segundo as doze tribus d’Israel;

5 E enviou os mancebos dos filhos d’Israel, os quaes offereceram holocaustos, e sacrificaram ao Senhor sacrificios pacificos de bezerros.

6 E Moysés tomou a metade [5] do sangue, e a poz em bacias; e a outra metade do sangue espargiu sobre o altar.

7 E tomou o livro [6] do concerto e o leu aos ouvidos do povo, e elles disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado faremos, e obedeceremos.

8 Então tomou Moysés aquelle sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis-aqui o sangue [7] do concerto que o Senhor tem feito comvosco sobre todas estas palavras.

9 E subiram Moysés e Aarão, Nadab e Abihu, e setenta dos anciãos [8] d’Isrel,

[75]

10 E viram o Deus d’Israel, [9] e debaixo de seus pés havia como uma obra de pedra de saphira, e como o parecer do céu na sua claridade.

11 Porém não estendeu a sua mão sobre os escolhidos dos filhos d’Israel, mas [10] viram a Deus, e comeram e beberam.

12 Então disse o Senhor a Moysés: [11] Sobe a mim ao monte, e fica lá: e dar-te-hei taboas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escripto, para os ensinar.

13 E levantou-se Moysés com Josué seu servidor; [12] e subiu Moysés ao monte de Deus,

14 E disse aos anciãos: Esperae-nos aqui, até que tornemos a vós: e eis que Aarão e Hur ficam comvosco; quem tiver algum negocio, se chegará a elles.

15 E, subindo Moysés [13] ao monte, a nuvem cobriu o monte.

16 E habitava a gloria [14] do Senhor sobre o monte de Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias: e ao setimo dia chamou a Moysés do meio da nuvem.

17 E o parecer da gloria do Senhor era como um [15] fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos d’Israel.

18 E Moysés [16] entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte: e Moysés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.

[1] cap. 28.1. Lev. 10.1.

[2] ver. 13, 15, 18.

[3] ver. 7. cap. 19.8. Deu. 5.27. Gal. 3.19.

[4] Deu. 31.9. Gen. 28.18 e 31.45.

[5] Heb. 9.18.

[6] Heb. 9.19. ver. 3.

[7] Heb. 9.20 e 13.20. I Ped. 1.2.

[8] ver. 1.

[9] Gen. 32.30. Jui. 13.22. Isa. 6.1, 5. João 1.18. I João 4.12. Eze. 1.26. Apo. 4.3.

[10] Deu. 4.33. I Cor. 10.18.

[11] ver. 2, 15, 18. cap. 31.18. Deu. 5.22.

[12] cap. 17.9 e 33.11.

[13] cap. 19.9, 16. Mat. 17.5.

[14] cap. 16.10. Num. 14.10.

[15] cap. 3.2 e 19.18. Deu. 4.36. Heb. 12.18, 29.

[16] cap. 34.28. Deu. 9.9.

Deus manda o povo trazer offertas para o tabernaculo.

25 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, que me tragam uma offerta alçada: de todo [1] o homem cujo coração se mover voluntariamente, d’elle tomareis a minha offerta alçada.

3 E esta é a offerta alçada que tomareis d’elles: oiro, e prata, e cobre,

4 E azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras,

5 E pelles de carneiros tintas de vermelho, e pelles de teixugos, e madeira de [FC] sittim,

6 Azeite [2] para a luz, especiarias para o oleo da uncção, e especiarias para o incenso,

7 Pedras sardonicas, e pedras d’engaste para o [3] ephod e para o peitoral.

8 E me farão [4] um sanctuario, e habitarei no meio d’elles.

9 Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernaculo, [5] e para modelo de todos os seus vasos, assim mesmo o fareis.

A arca de madeira de sittim.

10 Tambem farão uma arca [6] de madeira de sittim: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio, e d’um covado e meio a sua altura.

11 E cobril-a-has d’oiro puro, por dentro e por fóra a cobrirás: e farás sobre ella uma corôa de oiro ao redor;

12 E fundirás para ella quatro argolas d’oiro, e as porás nos quatro cantos d’ella, duas argolas n’um lado d’ella, e duas argolas n’outro lado d’ella.

13 E farás varas de madeira de sittim, e as cobrirás com oiro,

14 E metterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para levar-se com ellas a arca.

15 As varas estarão nas argolas da arca, [7] não se tirarão d’ella.

16 Depois porás na arca o testemunho, [8] que eu te darei.

O propiciatorio de oiro puro.

17 Tambem farás um [9] propiciatorio, d’oiro puro: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio.

18 Farás tambem dois cherubins d’oiro: d’oiro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatorio.

19 Farás um cherubim na extremidade d’uma parte, e o outro cherubim na extremidade da outra parte: de uma só peça com o propiciatorio, fareis os cherubins nas duas extremidades d’elle.

20 Os cherubins estenderão as suas azas por de cima, [10] cobrindo com as suas azas o propiciatorio; as faces d’elles uma defronte da outra: as faces dos cherubins attentarão para o propiciatorio,

21 E porás o propiciatorio em cima da arca, [11] depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei.

[76]

22 E ali virei a ti, [12] e fallarei comtigo de cima do propiciatorio, do meio dos dois cherubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos d’Israel.

A mesa de madeira de sittim.

23 Tambem farás uma mesa de madeira de [13] sittim; o seu comprimento será de dois covados, e a sua largura d’um covado, e a sua altura de um covado e meio,

24 E cobril-a-has com oiro puro: tambem lhe farás uma corôa d’oiro ao redor.

25 Tambem lhe farás uma moldura ao redor, da largura d’uma mão, e lhe farás uma corôa d’oiro ao redor da moldura.

26 Tambem lhe farás quatro argolas d’oiro; e porás as argolas aos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés.

27 Defronte da moldura estarão as argolas, como logares para os varaes, para levar-se a mesa.

28 Farás pois estes varaes de madeira de sittim, e cobril-os-has com oiro; e levar-se-ha com elles a mesa.

29 Tambem farás os seus pratos, [14] e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigellas [FD] com que se hão de cobrir; d’oiro puro os farás.

30 E sobre a mesa porás o pão [15] da proposição perante a minha face continuamente.

31 Tambem farás um castiçal d’oiro puro; [16] d’oiro batido se fará este castiçal: o seu pé, as suas canas, as suas copas, as suas maçãs, e as suas flores serão do mesmo.

32 E dos seus lados sairão seis canas: tres canas do castiçal d’um lado d’elle, e tres canas do castiçal do outro lado d’elle.

33 N’uma cana haverá tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flor; e tres copos a modo d’amendoas na outra cana, uma maçã e uma flor: assim serão as seis canas que saem do castiçal.

34 Mas no castiçal mesmo haverá quatro copos a modo d’amendoas, com suas maçãs e com suas flores;

35 E uma maçã debaixo de duas canas que saem d’elle; e ainda uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d’elle; e ainda mais uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d’elle; assim se fará com as seis canas que saem do castiçal.

36 As suas macãs as suas canas serão do mesmo: tudo será d’uma só peça, obra batida d’oiro puro.

37 Tambem lhe farás sete lampadas, as quaes [17] se accenderão para alumiar defronte d’elle.

38 Os seus espevitadores e os seus apagadores serão d’oiro puro.

39 D’um talento d’oiro puro os farás, [18] com todos estes vasos.

40 Attenta pois que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte.

[1] cap. 35.5, 21. I Chr. 29.3, 5, 9, 14. Esd. 2.68 e 3.5 e 7.16. Neh. 11.2. II Cor. 8.12 e 9.7.

[2] cap. 27.20 e 30.23, 34.

[3] cap. 28.4, 6, 15.

[4] cap. 36.1, 3. Lev. 4.6. Heb. 9.1, 2. cap. 29.45. I Reis 6.13. Heb. 3.6. Apo. 21.3.

[5] ver. 40.

[6] cap. 37.1. Deu. 10.3. Heb. 9.4.

[7] I Reis 8.8.

[8] cap. 16.34. Deu. 10.2. II Reis 11.12. Heb. 9.4.

[9] cap. 37.6. Rom. 3.25. Heb. 9.5.

[10] I Reis 8.7. I Chr. 28.18.

[11] cap. 26.34. ver. 16.

[12] cap. 29.42, 43 e 30.6. Lev. 16.2. Num. 7.89. I Sam. 4.4. II Sam. 6.2. Psa. 80.1.

[13] cap. 37.10. I Reis 7.48. II Chr. 4.8. Heb. 9.2.

[14] cap. 37.16. Num. 4.7.

[15] Lev. 24.5, 6.

[16] cap. 37.17. I Reis 7.49. Zac. 4.2. Heb. 9.2.

[17] cap. 27.21. Lev. 24.3. II Chr. 13.11. Num. 8.2.

[18] cap. 26.30. Num. 8.4. I Chr. 28.11, 19. Act. 7.44. Heb. 8.5.

As cortinas do tabernaculo.

26 E o tabernaculo farás de [1] dez cortinas de linho fino torcido, e azul, purpura, e carmezim: com cherubins as farás d’obra [FE] esmerada.

2 O comprimento d’uma cortina será de vinte e oito covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: todas estas cortinas serão d’uma medida.

3 Cinco cortinas se enlaçarão uma á outra: e as outras cinco cortinas se enlaçarão uma com a outra.

4 E farás laçadas d’azul na ponta d’uma cortina, na extremidade, na juntura: assim tambem farás na ponta da extremidade da outra cortina, na segunda juntura.

5 Cincoenta laçadas farás n’uma cortina, e outras cincoenta laçadas farás na extremidade da cortina que está na segunda juntura: as laçadas estarão travadas uma com a outra.

6 Farás tambem cincoenta colchetes d’oiro, e ajuntarás com estes colchetes as cortinas, uma com a outra, e será um tabernaculo.

7 Farás [2] tambem cortinas de pellos de cabras por tenda sobre o tabernaculo: d’onze cortinas as farás.

8 O comprimento d’uma cortina será de trinta covados, e a largura da mesma cortina de quatro covados: estas onze cortinas serão d’uma medida.

9 E ajuntarás cinco d’estas cortinas por si, e as outras seis cortinas tambem por si: e dobrarás a sesta cortina diante da tenda.

10 E farás cincoenta laçadas na borda d’uma cortina, na extremidade, na juntura, e outras cincoenta laçadas na borda da outra cortina, na segunda juntura.

11 Farás tambem cincoenta colchetes de cobre, e metterás os colchetes nas[77] laçadas, e assim ajuntarás a tenda, para que seja uma.

12 E o resto que sobejar das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobejar, penderá de sobejo ás costas do tabernaculo.

13 E um covado d’uma banda, e outro covado da outra, que sobejará no comprimento das cortinas da tenda, penderá de sobejo aos lados do tabernaculo d’uma e d’outra banda, para cobril-o.

14 Farás [3] tambem á tenda uma coberta de pelles de carneiro, tintas de vermelho, e outra coberta de pelles de teixugo em cima.

As taboas do tabernaculo.

15 Farás tambem as taboas para o tabernaculo de madeira de sittim, que estarão levantadas.

16 O comprimento d’uma taboa será de dez covados, e a largura de cada taboa será d’um covado e meio.

17 Duas couceiras terá cada taboa, travadas uma com a outra: assim farás com todas as taboas do tabernaculo.

18 E farás as taboas para o tabernaculo assim: vinte taboas para a banda do meio dia ao sul.

19 Farás tambem quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo d’uma taboa para as suas duas couceiras, e duas bases debaixo d’outra taboa para as suas duas couceiras.

20 Tambem haverá vinte taboas ao outro lado do tabernaculo, para a banda do norte,

21 Com as suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo d’uma taboa, e duas bases debaixo d’outra taboa,

22 E ao lado do tabernaculo para o occidente farás seis taboas.

23 Farás tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo, d’ambos os lados;

24 E por baixo se ajuntarão, e tambem em cima d’elle se ajuntarão n’uma argola. Assim se fará com as duas taboas: ambas serão por taboas para os dois cantos.

25 Assim serão as oito taboas com as suas bases de prata, dezeseis bases: duas bases debaixo d’uma taboa, e duas bases debaixo d’outra taboa.

26 Farás tambem cinco barras de madeira de sittim, para as taboas d’um lado do tabernaculo,

27 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; como tambem cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo, d’ambas as bandas para o occidente.

28 E a barra do meio estará no meio das taboas, passando d’uma extremidade até á outra.

29 E cobrirás d’oiro as taboas, e farás d’oiro as suas argolas, para metter por ellas as barras: tambem as barras as cobrirás d’oiro.

30 Então levantarás o tabernaculo conforme [4] ao modelo que te foi mostrado no monte.

O véu do tabernaculo.

31 Depois farás um [5] véu de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido; com cherubins de obra prima se fará,

32 E o porás sobre quatro columnas de madeira de sittim, cobertas de oiro: seus colchetes serão de oiro, sobre quatro bases de prata.

33 Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e metterás a arca [6] do testemunho ali dentro do véu: e este véu vos fará separação [FF] entre o sanctuario e o logar sanctissimo.

34 E porás a coberta do propiciatorio [7] sobre a arca do testemunho no sanctissimo,

35 E a mesa porás [8] fóra do véu, e o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo, para o sul; mas a mesa porás á banda do norte.

36 Farás tambem para a porta da tenda [9] uma coberta de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador,

37 E farás para esta coberta [10] cinco columnas de madeira de sittim, e as cobrirás de oiro; seus colchetes serão de oiro, e far-lhe-has de fundição cinco bases de cobre.

[1] cap. 36.8.

[2] cap. 36.14.

[3] cap. 36.19.

[4] cap. 25.9. Act. 7.44. Heb. 8.5.

[5] cap. 36.35. Lev. 16.2. II Chr. 3.14. Mat. 27.51. Heb. 9.3.

[6] cap. 25.16. Lev. 16.2. Heb. 9.2, 3.

[7] cap. 25.21. Heb. 9.5.

[8] cap. 40.22. Heb. 9.2. cap. 40.24.

[9] cap. 36.37.

[10] cap. 36.38.

O altar dos holocaustos.

27 Farás tambem o altar [1] de madeira de sittim: cinco covados será o comprimento, e cinco covados a largura (será quadrado o altar), e tres covados a sua altura.

2 E farás os seus cornos aos seus quatro cantos: os seus cornos serão do mesmo, e o cobrirás [2] de cobre.

3 Far-lhe-has tambem as suas caldeirinhas, para recolher a sua cinza, e as suas pás, e as suas bacias, e os seus garfos, e os seus brazeiros: todos os seus vasos farás de cobre.

[78]

4 Far-lhe-has tambem um crivo de cobre era fórma de rede, e farás a esta rede quatro argolas de metal aos seus quatro cantos,

5 E as porás dentro do cerco do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar.

6 Farás tambem varaes para o altar, varaes de madeira de sittim, e os cobrirás de cobre.

7 E os varaes se metterão nas argolas, de maneira que os varaes estejam de ambos os lados do altar, quando fôr levado.

8 Oco de taboas o farás; como se te mostrou [3] no monte, assim o farão.

O pateo do tabernaculo.

9 Farás tambem o [4] pateo do tabernaculo, ao lado do meio-dia para o sul: o pateo terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem covados.

10 Tambem as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre: os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

11 Assim tambem ao lado do norte as cortinas na longura serão de cem covados de comprimento: e as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

12 E na largura do pateo ao lado do occidente haverá cortinas de cincoenta covados: as suas columnas dez, e as suas bases dez.

13 Similhantemente a largura do pateo ao lado oriental para o levante será de cincoenta covados.

14 De maneira que haja quinze covados das cortinas de um lado: suas columnas tres, e as suas bases tres.

15 E quinze covados das cortinas ao outro lado: as suas columnas tres, e as suas bases tres.

16 E á porta do pateo haverá uma coberta de vinte covados, de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador: as suas columnas quatro, e as suas bases quatro.

17 Todas as columnas do pateo ao redor serão cingidas de faixas de prata, mas as suas bases de cobre.

18 O comprimento do pateo será de cem covados, e a largura de cada banda de cincoenta, e a altura de cinco covados, de linho fino torcido: mas as suas bases serão de cobre.

19 No tocante a todos os vasos do tabernaculo em todo o seu serviço, até todos os seus pregos, e todos os pregos do pateo, serão de cobre.

O azeite puro.

20 Tu pois ordenarás [5] aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido para o candieiro; para fazer arder as lampadas continuamente.

21 Na tenda da congregação [6] fóra do véu, que está diante do testemunho, Aarão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até á manhã, perante o Senhor: um estatuto perpetuo [7] será este pelas suas gerações, aos filhos de Israel.

[1] cap. 38.1. Exo. 43.13.

[2] Num. 16.38.

[3] cap. 25.40 e 26.30.

[4] cap. 38.9.

[5] Lev. 24.2.

[6] cap. 26.31, 33 e 30.8. I Sam. 3.3. II Chr. 13.11.

[7] cap. 28.43 e 29.9, 28. Lev. 3.17. Num. 18.23. I Sam. 30.25.

Deus escolhe Aarão e seus filhos para sacerdotes.

28 Depois tu farás chegar a ti teu irmão Aarão, e seus filhos com elle, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o officio sacerdotal: a saber, [1] Aarão, Nadab e Abihu, Eleazar e Ithamar, os filhos de Aarão.

2 E [2] farás vestidos sanctos a Aarão teu irmão, para gloria e ornamento.

3 Fallarás [3] tambem a todos os que são sabios de coração, a quem eu tenho enchido do espirito da sabedoria, que façam vestidos a Aarão para sanctifical-o; para que me administre o officio sacerdotal.

As vestes sacerdotaes.

4 Estes pois são os vestidos que farão: [4] um peitoral, e um ephod, e um manto, e uma tunica bordada, uma mitra, e um cinto: farão pois sanctos vestidos a Aarão teu irmão, e a seus filhos, para me administrarem o officio sacerdotal.

5 E tomarão o oiro, e o azul, e a purpura, e o carmezim, e o linho fino,

6 E farão [5] o ephod de oiro, e de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, de obra esmerada.

7 Terá duas hombreiras, que se unam ás suas duas pontas, e assim se unirá.

8 E o cinto de obra esmerada do seu ephod, que estará sobre elle, será da sua mesma obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 E tomarás duas pedras sardonicas, e lavrarás n’ellas os nomes dos filhos de Israel,

10 Seis dos seus nomes n’uma pedra, e os outros seis nomes na outra pedra, segundo as suas gerações;

[79]

11 Conforme á obra do lapidario, como [FG] o lavor de sêllos lavrarás estas duas pedras, com os nomes dos filhos de Israel: engastadas ao redor em oiro as farás.

12 E porás as duas pedras nas hombreiras do ephod, por pedras de memoria para os filhos de Israel: [6] e Aarão levará os seus nomes sobre ambos os seus hombros, para memoria diante do Senhor.

13 Farás tambem engastes de oiro,

14 E duas cadeiasinhas de oiro puro: de egual medida, de obra de fieira as farás: e as cadeiasinhas de fieira porás nos engastes.

15 Farás tambem o peitoral [7] do juizo de obra esmerada, conforme á obra do ephod o farás: de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido o farás.

16 Quadrado e dobrado, será de um palmo o seu comprimento, e de um palmo a sua largura;

17 E o encherás de pedras de engaste, [8] com quatro ordens de pedras: a ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo: esta será a primeira ordem:

18 E a segunda ordem será de uma esmeralda, de uma saphira, e de um diamante:

19 E a terceira ordem será de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

20 E a quarta ordem será de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe; engastadas em oiro serão nos seus engastes.

21 E serão aquellas pedras segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes: serão esculpidas como sêllos, cada uma com o seu nome, para as doze tribus.

22 Tambem farás ao peitoral cadeiasinhas de egual medida da obra de trança de oiro puro.

23 Tambem farás ao peitoral dois anneis de oiro, e porás os dois anneis nas extremidades do peitoral.

24 Então metterás as duas cadeiasinhas de fieira d’oiro nos dois anneis, nas extremidades do peitoral:

25 E as duas pontas das duas cadeiasinhas de fieira metterás nos dois engastes, e as porás nas hombreiras do ephod, defronte d’elle.

26 Farás tambem dois anneis d’oiro, e os porás nas duas extremidades do peitoral, na sua borda que estiver junto ao ephod por dentro.

27 Farás tambem dois anneis d’oiro, que porás nas duas hombreiras do ephod, abaixo, defronte d’elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d’obra esmerada do ephod.

28 E ligarão o peitoral com os seus anneis aos anneis do ephod por cima com um cordão d’azul, para que esteja sobre o cinto d’obra esmerada do ephod; e nunca se separará o peitoral do ephod.

29 Assim Aarão levará os nomes dos filhos d’Israel no peitoral do juizo sobre o seu coração, quando entrar no sanctuario, para memoria [9] diante do Senhor continuamente.

Urim e Thummim.

30 Tambem porás no peitoral [10] do juizo [FH] Urim e Thummim, para que estejam sobre o coração de Aarão, quando entrar diante do Senhor: assim Aarão levará o juizo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente.

31 Tambem farás [11] o manto do ephod, todo azul.

32 E o collar da cabeça estará no meio d’elle: este collar terá uma borda d’obra tecida ao redor: como collar de saia de malha será n’elle, para que se não rompa.

33 E nas suas bordas farás romãs d’azul, e de purpura, e de carmezim, ao redor das suas bordas; e campainhas d’oiro no meio d’ellas ao redor.

34 Uma campainha d’oiro, e uma romã, outra campainha d’oiro, e outra romã, haverá nas bordas do manto ao redor,

35 E estará sobre Aarão quando ministrar, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no sanctuario diante do Senhor, e quando sair, para que não morra.

A lamina de oiro puro.

36 Tambem farás [12] uma lamina d’oiro puro, e n’ella gravarás á maneira de gravuras de sellos: [FI] Sanctidade ao Senhor.

37 E atal-a-has com um cordão d’azul, de maneira que esteja na mitra; sobre a frente da mitra estará.

38 E estará sobre a testa de Aarão, para que Aarão [13] leve a iniquidade das coisas sanctas, que os filhos d’Israel sanctificarem em todas as offertas de[80] suas coisas sanctas; e estará continuamente na sua testa, [14] para que tenham acceitação perante o Senhor.

39 Tambem farás tunica de linho fino: tambem farás uma mitra de linho fino: mas o cinto farás d’obra de bordador.

40 Tambem farás tunicas aos filhos [15] de Aarão, e far-lhes-has cintos: tambem lhes farás tiaras, para gloria e ornamento.

41 E vestirás com elles a Aarão teu irmão, e tambem seus filhos: e os ungirás e consagrarás, [16] e os sanctificarás, para que me administrem o sacerdocio.

42 Faze-lhes [17] tambem calções de linho, para cobrirem a carne nua: serão dos lombos até ás pernas.

43 E estarão sobre Aarão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no sanctuario, para que não levem iniquidade, e morram; [18] isto será estatuto perpetuo para elle e para a sua semente depois d’elle.

[1] Num. 18.7. Heb. 5.1, 4.

[2] cap. 29.5, 29 e 31.10. Lev. 8.7, 30. Num. 20.26.

[3] cap. 31.6 e 36.1 e 31.3 e 35.30, 31.

[4] ver. 6, 15, 31, 39.

[5] cap. 39.2.

[6] ver. 29. cap. 39.7. Jos. 4.7.

[7] cap. 39.8.

[8] cap. 39.10, etc.

[9] ver. 12.

[10] Lev. 8.8. Num. 27.21. Deu. 33.8. I Sam. 28.6. Esd. 2.63. Neh. 7.65.

[11] cap. 39.22.

[12] cap. 39.30. Zac. 14.20.

[13] ver. 43. Lev. 10.17. Num. 18.1. Isa. 53.11. Eze. 4.4, 5. João 1.29. Heb. 9.28. I Ped. 2.24.

[14] Lev. 1.4 e 22.27 e 23.11. Isa. 56.7.

[15] ver. 4. cap. 39.27, 28, 29, 41. Eze. 44.17, 18.

[16] cap. 29.7 e 30.30. cap. 29.9, etc. Lev. 8.

[17] cap. 39.28. Lev. 6.10 e 16.4. Eze. 44.18.

[18] Lev. 5.1, 17 e 20.19, 20 e 22.9. Num. 9.13 e 18.22. cap. 27.21.

O sacrificio e as ceremonias da consagração.

29 Isto é o que lhes has de fazer, para os sanctificar, para que me administrem o sacerdocio: Toma um [1] novilho, e dois carneiros sem macula,

2 E pão asmo, [2] e bolos asmos, amassados com azeite, e coscorões asmos, untados com azeite: com flor de farinha de trigo os farás,

3 E os porás n’um cesto, e os trarás no cesto, com o novilho e os dois carneiros.

4 Então farás chegar a Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação, e os lavarás [3] com agua;

5 Depois tomarás [4] os vestidos, e vestirás a Aarão da tunica e do manto do ephod, e do ephod mesmo, e do peitoral: e o cingirás com o cinto de obra de artifice do ephod.

6 E a [5] mitra porás sobre a sua cabeça: a corôa da sanctidade porás sobre a mitra;

7 E tomarás o azeite da [6] uncção, e o derramarás sobre a sua cabeça: assim o ungirás.

8 Depois farás [7] chegar seus filhos, e lhes farás vestir tunicas,

9 E os cingirás com o cinto, a Aarão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras, para que tenham [8] o sacerdocio por estatuto perpetuo, e sagrarás a Aarão e a seus filhos;

10 E farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, [9] e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho;

11 E degolarás o novilho perante o Senhor, á porta da tenda da congregação.

12 Depois tomarás do sangue [10] do novilho, e o porás com o teu dedo sobre os cornos do altar, e todo o de mais sangue derramarás á base do altar.

13 Tambem tomarás toda [11] a gordura que cobre as entranhas, e o redenho de sobre o figado, e ambos os rins, e a gordura que houver n’elles, e queimal-os-has sobre o altar;

14 Mas a carne [12] do novilho, e a sua pelle, e o seu esterco queimarás com fogo fóra do arraial: sacrificio por peccado é.

15 Depois tomarás [13] um carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro,

16 E degolarás o carneiro, e tomarás o seu sangue, e o espalharás sobre o altar ao redor;

17 E partirás o carneiro por suas partes, e lavarás as suas entranhas e as suas pernas, e as porás sobre as suas partes e sobre a sua cabeça,

18 Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar: é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; [14] uma offerta queimada ao Senhor.

19 Depois tomarás o outro [15] carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro;

20 E degolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Aarão, e sobre a ponta das orelhas direitas de seus filhos, como tambem sobre o dedo pollegar das suas mãos direitas, e sobre o dedo pollegar dos seus pés direitos: e o resto do sangue espalharás sobre o altar ao redor:

21 Então tomarás do sangue, que estará sobre o altar, e do azeite [16] da uncção, e o espargirás sobre Aarão e sobre os seus vestidos, e sobre seus filhos, e sobre os vestidos de seus filhos com elle; para que elle seja sanctificado, e os seus vestidos, tambem[81] seus filhos, e os vestidos de seus filhos com elle.

22 Depois tomarás do carneiro a gordura, e a cauda, e a gordura que cobre as entranhas, e o redenho do figado, e ambos os rins com a gordura que houver n’elles, e o hombro direito, porque é carneiro das consagrações;

23 E uma fogaça [17] de pão, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão do cesto dos pães asmos que estiverem diante do Senhor,

24 E tudo porás nas mãos de Aarão, e nas mãos de seus filhos: e com movimento o moverás [18] perante o Senhor.

25 Depois o [19] tomarás das suas mãos, e o queimarás no altar sobre o holocausto por cheiro suave perante o Senhor; offerta queimada ao Senhor é.

26 E tomarás [20] o peito do carneiro das consagrações, que é de Aarão, e com movimento o moverás perante o Senhor: e isto será [21] a tua porção.

27 E sanctificarás o peito do movimento e o hombro da offerta alçada, que foi [22] movido e alçado do carneiro das consagrações, que fôr d’Aarão e de seus filhos,

28 E será para Aarão e para seus filhos por estatuto [23] perpetuo dos filhos d’Israel, porque é offerta alçada: e a offerta alçada será dos filhos d’Israel dos seus sacrificios pacificos; a sua offerta alçada será para o Senhor.

29 E os vestidos sanctos, que são d’Aarão, serão de [24] seus filhos depois d’elle, para serem ungidos n’elles e para sagral-os n’elles.

30 Sete dias os vestirá aquelle que de seus filhos [25] fôr sacerdote em seu logar, quando entrar na tenda da congregação para ministrar no sanctuario.

31 E tomarás o carneiro das consagrações, e cozerás [26] a sua carne no logar sancto;

32 E Aarão e seus filhos comerão a carne d’este carneiro, e o pão [27] que está no cesto á porta da tenda da congregação,

33 E comerão as coisas com que fôr feita [FJ] expiação, para [28] consagral-os, e para sanctifical-os: mas um estranho as não [29] comerá, porque sanctas são.

34 E se sobejar alguma coisa da carne das consagrações ou do pão até á manhã, o que sobejar queimarás [30] com fogo: não se comerá, porque sancto é.

35 Assim pois farás a Aarão e a seus filhos, conforme a tudo o que eu te tenho ordenado: [31] por sete dias os sagrarás.

36 Tambem cada [32] dia prepararás um novilho por sacrificio pelo peccado para as expiações, e expiarás o altar, fazendo expiação sobre elle; e o ungirás para sanctifical-o.

37 Sete dias farás expiação pelo altar, e o sanctificarás: [33] e o altar será sanctissimo; tudo o que tocar o altar será sancto.

38 Isto pois é o que offerecereis sobre o altar: dois [34] cordeiros d’um anno cada dia continuamente.

39 Um cordeiro [35] offerecerás pela manhã, e o outro cordeiro offerecerás de tarde.

40 Com um cordeiro a decima parte de flor de farinha, misturada com a quarta parte d’um hin d’azeite moido, e para libação a quarta parte d’um hin de vinho,

41 E o outro cordeiro offerecerás á tarde, e [36] com elle farás como com a offerta da manhã, e conforme á sua libação, por cheiro suave; offerta queimada é ao Senhor.

42 Este será o holocausto [37] continuo por vossas gerações, á porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, [38] para fallar comtigo ali.

43 E ali virei aos filhos d’Israel, [FK] para que por minha gloria [39] sejam sanctificados,

44 E sanctificarei a tenda da congregação e o altar; tambem sanctificarei a [40] Aarão e seus filhos, para que me administrem o sacerdocio.

45 E habitarei [41] no meio dos filhos d’Israel, e lhes serei por Deus,

46 E saberão que eu sou [42] o Senhor seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egypto, para habitar no meio d’elles: Eu sou o Senhor seu Deus.

[1] Lev. 8.2.

[2] Lev. 2.4 e 6.20, 21, 22.

[3] cap. 40.12. Lev. 8.6. Heb. 10.22.

[4] cap. 28.2. Lev. 8.7. cap. 28.8.

[5] Lev. 8.9.

[6] cap. 28.41. Num. 35.25.

[7] Lev. 8.13.

[8] Num. 18.7. cap. 28.41. Lev. 8.22, etc. Heb. 7.28.

[9] Lev. 1.4 e 8.14.

[10] Lev. 8.15. cap. 27.2 e 30.2.

[11] Lev. 3.3.

[12] Lev. 4.11, 12, 21. Heb. 13.11.

[13] Lev. 8.18 e 1.4-9.

[14] Gen. 8.21.

[15] ver. 3. Lev. 8.22.

[16] cap. 30.25, 31. Lev. 8.30. ver. 1. Heb. 9.22.

[17] Lev. 8.26.

[18] Lev. 7.30.

[19] Lev. 8.28.

[20] Lev. 8.29.

[21] Psa. 99.6.

[22] Lev. 7.31, 34. Num. 18.11, 18. Deu. 18.3.

[23] Lev. 10.15 e 7.34.

[24] Num. 20.26 e 18.8.

[25] Num. 20.28. Lev. 8.35 e 9.1, 8.

[26] Lev. 8.31.

[27] Mat. 12.4.

[28] Lev. 10.14, 15, 17.

[29] Lev. 22.10.

[30] Lev. 8.32.

[31] Exo. 40.12. Lev. 8.33, 34, 35.

[32] Heb. 10.11. cap. 30.26.

[33] cap. 44.10 e 30.29. Mat. 23.19.

[34] Num. 28.3. I Chr. 16.40. II Chr. 2.4. Esd. 3.3. Dan. 9.27 e 12.11.

[35] II Reis 16.15. Eze. 46.13.

[36] I Reis 18.26, 36. II Reis 16.15. Esd. 9.4, 5. Dan. 9.21.

[37] ver. 38. Num. 28.6. Dan. 8.11, 12, 13.

[38] cap. 25.22 e 30.6, 36. Num. 17.4.

[39] cap. 40.34. I Reis 8.11. II Chr. 5.14. Eze. 43.5. Mal. 3.1.

[40] Lev. 21.15.

[41] Exo. 25.8. Lev. 26.12. Zac. 2.10. João 14.17, 23. II Cor. 6.16. Apo. 21.3.

[42] cap. 20.2.

O altar do incenso.

30 E farás [1] um altar para queimar o incenso: de madeira de sittim o farás.

[82]

2 O seu comprimento será d’um covado, e a sua largura d’um covado; será quadrado, e dois covados a sua altura: d’elle mesmo serão os seus cornos.

3 E com oiro puro o forrarás, o seu tecto, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos; e lhe farás uma corôa d’oiro ao redor.

4 Tambem lhe farás duas argolas d’oiro debaixo da sua corôa; aos dois lados as farás, d’ambas as bandas: e serão para logares dos varaes, com que será levado.

5 E os varaes farás de madeira de sittim, e os forrarás com oiro.

6 E o porás diante do véu que está diante da arca do testemunho, diante [2] do propiciatorio, que está sobre o testemunho, onde me ajuntarei comtigo.

7 E Aarão sobre elle queimará o incenso das especiarias; [3] cada manhã, quando põe em ordem as lampadas, o queimara.

8 E, accendendo Aarão as lampadas á tarde, o queimará: este será incenso continuo perante o Senhor pelas vossas gerações.

9 Não offerecereis sobre elle incenso estranho, [4] nem holocausto, nem offerta: nem tão pouco derramareis sobre elle libações.

10 E uma vez no anno Aarão [5] fará expiação sobre os seus cornos com o sangue do sacrificio das expiações: uma vez no anno fará expiação sobre elle pelas vossas gerações: sanctissimo é ao Senhor.

11 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

O resgate da alma.

12 Quando tomares a somma [6] dos filhos d’Israel, conforme á sua conta, cada um d’elles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre elles praga [7] alguma, quando os contares.

13 Isto dará todo aquelle que passar ao arrolamento: [8] a metade d’um siclo, segundo o siclo do sanctuario (este siclo é de vinte obolos): a metade d’um siclo é a offerta ao Senhor.

14 Qualquer que passar o arrolamento de vinte annos e acima, dará a offerta alçada ao Senhor.

15 O rico [9] não augmentará, e o pobre não deminuirá da metade do siclo, quando derem a offerta alçada ao Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

16 E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos d’Israel, e o darás ao [10] serviço da tenda da congregação; e será para memoria aos filhos d’Israel diante do Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

A pia de cobre.

17 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

18 Farás tambem uma pia [11] de cobre com a sua base de cobre, para lavar: e as porás entre a tenda da congregação e o altar; e deitarás agua n’ella.

19 E Aarão e seus filhos n’ella lavarão [12] as suas mãos e os seus pés.

20 Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-hão com agua, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para accender a offerta queimada ao Senhor.

21 Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram: e isto lhes será por estatuto perpetuo [13] a elle e á sua semente nas suas gerações.

O azeite da sancta uncção.

22 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

23 Tu pois toma para ti das principaes especiarias, [14] da mais pura myrrha quinhentos siclos, e de canella aromatica a metade, a saber, duzentos e cincoenta siclos, e de calamo aromatico duzentos e cincoenta siclos,

24 E de cassia [15] quinhentos siclos, segundo o siclo do sanctuario, e d’azeite de oliveiras um hin.

25 E d’isto farás o azeite [16] da sancta uncção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da sancta uncção.

26 E com elle ungirás [17] a tenda da congregação, e a arca do testemunho,

27 E a mesa com todos os seus vasos, e o castiçal com os seus vasos, e o altar do incenso,

28 E o altar do holocausto com todos os seus vasos, e a pia com a sua base.

29 Assim sanctificarás estas coisas, para que sejam sanctissimas: [18] tudo o que tocar n’ellas será sancto.

30 Tambem ungirás [19] a Aarão e seus[83] filhos, e os sanctificarás para me administrarem o sacerdocio.

31 E fallarás aos filhos d’Israel, dizendo: Este me será o azeite da sancta uncção nas vossas gerações.

32 Não se ungirá com elle a carne do homem, nem fareis outro similhante conforme á sua composição: sancto é, e será [20] sancto para vós.

33 O [21] homem que compozer tal perfume como este, ou que d’elle pozer sobre um estranho, será extirpado dos seus povos.

O incenso sancto.

34 Disse mais o Senhor a Moysés: Toma-te especiarias [22] aromaticas, estoraque, e onicha, e galbano; estas especiarias aromaticas e o incenso puro de egual peso;

35 E d’isto farás incenso, um perfume segundo a arte [23] do perfumista, temperado, puro e sancto;

36 E d’elle moendo o pizarás, e d’elle porás diante do testemunho, na [24] tenda da congregação, onde eu virei a ti: coisa sanctissima vos será.

37 Porém o incenso que farás conforme á composição d’este, [25] não o fareis para vós mesmos: sancto será para o Senhor.

38 O homem que fizer tal [26] como este para cheirar, será extirpado do seu povo.

[1] cap. 37.25. ver. 7, 8, 10. Lev. 4.7. Apo. 8.3.

[2] cap. 25.21, 22.

[3] ver. 34. I Sam. 2.28. I Chr. 23.13. Luc. 1.9. cap. 27.21.

[4] Lev. 10.1.

[5] Lev. 16.18 e 23.27.

[6] cap. 38.25. Num. 1.2. II Sam. 24.2. Num. 31.50. Job 33.24. Psa. 49.7. Mat. 20.28. Mar. 10.45. I Tim. 2.6. I Ped. 1.18.

[7] II Sam. 24.15.

[8] Mat. 17.24. Lev. 27.25. Num. 3.47. Eze. 45.12.

[9] Job 34.19. Pro. 22.2. Eph. 6.9. Col. 3.25.

[10] cap. 38.25. Num. 16.40.

[11] cap. 38.8. I Reis 7.38. cap. 40.7, 30.

[12] cap. 40.31. Psa. 26.6. Isa. 52.11. João 13.10. Heb. 10.22.

[13] cap. 28.43.

[14] Can. 4.14. Eze. 27.22. Pro. 7.17. Jer. 6.20.

[15] Psa. 45.8. cap. 29.40.

[16] cap. 37.29. Num. 35.25. Psa. 89.20 e 133.2.

[17] cap. 40.9. Lev. 8.10. Num. 7.1.

[18] cap. 29.37.

[19] cap. 29.7, etc. Lev. 8.12, 30.

[20] ver. 25, 37.

[21] Gen. 17.14. cap. 12.15. Lev. 7.20.

[22] cap. 25.6 e 37.29.

[23] ver. 25.

[24] cap. 29.42. Lev. 16.2. cap. 29.37. Lev. 2.3.

[25] ver. 32.

[26] ver. 33.

Os artifices da obra do tabernaculo.

31 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Eis que eu tenho chamado [1] por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho d’Ur, da tribu de Judah,

3 E o enchi do espirito [2] de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de sciencia, em todo o artificio,

4 Para inventar invenções, e obrar em oiro, em prata, e em cobre,

5 E em lavramento de pedras para engastar, e em artificio de madeira, para obrar em todo o lavor.

6 E eis que eu tenho posto com elle a [3] Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquelle que é sabio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado;

7 A saber, a tenda da [4] congregação, e a arca do testemunho, e o [5] propiciatorio que estará sobre ella, e todos os vasos da tenda;

8 E a mesa [6] com os seus vasos, e o castiçal puro com todos os seus vasos, e o altar do incenso;

9 E o altar do holocausto [7] com todos os seus vasos, e a pia com a sua base;

10 E os vestidos [8] do ministerio, e os vestidos sanctos de Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio;

11 E o azeite da uncção, [9] e o incenso aromatico para o sanctuario: farão conforme a tudo que te tenho mandado.

O sabbado sancto e as duas taboas do testemunho.

12 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

13 Tu pois falla aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis [10] meus sabbados: porquanto isso é um signal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibaes que eu sou o Senhor, que vos sanctifica.

14 Portanto guardareis [11] o sabbado, porque sancto é para vós: aquelle que o profanar certamente morrerá; porque [12] qualquer que n’elle fizer alguma obra, aquella alma será extirpada do meio do seu povo.

15 Seis dias se fará [13] obra, porém o setimo dia é o sabbado do descanço, sancto ao Senhor; qualquer que no dia do sabbado fizer obra, certamente morrerá.

16 Guardarão pois o sabbado os filhos de Israel, celebrando o sabbado nas suas gerações por concerto perpetuo.

17 Entre mim e os filhos de Israel será um signal [14] para sempre: porque em seis dias fez o Senhor [15] os céus e a terra, e ao setimo dia descançou, e restaurou-se.

18 E deu a Moysés (quando acabou de fallar com elle no monte de Sinai) as duas taboas [16] do testemunho, taboas de pedra, escriptas pelo dedo de Deus.

[1] cap. 35.30 e 36.1. I Chr. 2.20.

[2] cap. 35.31. I Reis 7.14.

[3] cap. 35.34 e 28.3 e 35.10, 25 e 36.1.

[4] cap. 36.8 e 37.1.

[5] cap. 37.6.

[6] cap. 37.10, 17.

[7] cap. 38.1, 8.

[8] cap. 39.1, 41. Num. 4.5, 6, etc.

[9] cap. 30.25, 31 e 37.29. cap. 30.34.

[10] Lev. 19.3, 30 e 26.2. Eze. 20.12, 20 e 44.24.

[11] cap. 20.8. Deu. 5.12. Eze. 20.12.

[12] cap. 35.2. Num. 15.35.

[13] cap. 20.9. Gen. 2.2. cap. 16.23 e 20.10.

[14] Eze. 20.12, 20.

[15] Gen. 1.31 e 2.2.

[16] cap. 24.12 e 32.15, 16. Deu. 4.13 e 5.22. II Cor. 3.3.

O bezerro de oiro.

32 Mas vendo o povo que Moysés [1] tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disseram-lhe; Levanta-te, [2] faze-nos [FL] deuses, que vão adiante de nós: porque emquanto[84] a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe succedeu.

2 E Aarão lhes disse: Arrancae os pendentes de oiro, [3] que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazeim’os.

3 Então todo o povo arrancou [4] os pendentes de oiro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Aarão,

4 E elle os tomou das suas mãos, e formou o oiro com um buril, e fez d’elle um bezerro de fundição. Então disseram: [FM] Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

5 E Aarão, vendo isto, edificou um altar diante d’elle: e Aarão apregoou, e disse: [5] Ámanhã será festa ao Senhor.

6 E no dia seguinte madrugaram, e offereceram holocaustos, e trouxeram offertas pacificas; e o povo [6] assentou-se a comer e a beber; depois levantaram-se a folgar.

7 Então disse [7] o Senhor a Moysés: Vae, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egypto, se tem [8] corrompido,

8 E depressa se tem desviado do caminho que eu lhes tinha [9] ordenado: fizeram para si um bezerro de fundição, e perante elle se inclinaram, e sacrificaram-lhe, e disseram: Estes são os teus deuses, [10] ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

9 Disse mais o Senhor a Moysés: Tenho visto [11] a este povo, e eis que é povo [FN] obstinado.

10 Agora pois deixa-me [12] que o meu furor se accenda contra elles, e os consuma: e eu te farei uma grande nação.

11 Porém Moysés supplicou ao Senhor seu Deus, e disse: O Senhor, porque se accende o teu [13] furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egypto com grande força e com forte mão?

12 Porque hão de fallar [14] os egypcios, dizendo: Para mal os tirou, para matal-os nos montes, e para destruil-os da face da terra? Torna-te da ira do teu furor, e arrepende-te [15] d’este mal contra o teu povo.

13 Lembra-te de Abrahão, de Isaac, e de Israel, os teus servos, aos quaes por ti mesmo tens jurado, [16] e lhes disseste: Multiplicarei a vossa semente como as estrellas dos céus, e darei á vossa semente toda esta terra, de que tenho dito, para que a possuam por herança eternamente.

14 Então o Senhor [17] arrependeu-se do mal que dissera, que havia de fazer ao seu povo.

15 E tornou-se Moysés, [18] e desceu do monte com as duas taboas do testemunho na sua mão, taboas escriptas de ambas as bandas; de uma e de outra banda escriptas estavam,

16 E aquellas taboas [19] eram obra de Deus; tambem a escriptura era a mesma escriptura de Deus, esculpida nas taboas.

17 E, ouvindo Josué a voz do povo que jubilava, disse a Moysés: Alarido de guerra ha no arraial.

18 Porém elle disse: Não é alarido dos victoriosos, nem alarido dos vencidos, mas o alarido dos que cantam eu ouço.

Moysés quebra as taboas do testemunho.

19 E aconteceu que, chegando elle ao arraial, e vendo [20] o bezerro e as danças, accendeu-se o furor de Moysés, e arremessou as taboas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte;

20 E tomou [21] o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as aguas, e deu-o a beber aos filhos de Israel.

21 E Moysés disse a Aarão: Que te tem feito este povo, [22] que sobre elle trouxeste tamanho peccado?

22 Então disse Aarão: Não se accenda a ira do meu senhor: tu sabes [23] que este povo é inclinado ao mal;

23 E elles me disseram: [24] Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque não sabemos que succedeu a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto.

24 Então eu lhes disse: Quem tem oiro, arranque-o: e deram-m’o, e lancei-o no fogo, [25] e saiu este bezerro.

Moysés manda matar os idolatras.

25 E vendo Moysés que o povo estava despido, porque Aarão o havia despido para vergonha [26] entre os seus inimigos,

[85]

26 Poz-se em pé Moysés na porta do arraial, e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então se ajuntaram a elle todos os filhos de Levi.

27 E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa: e passae e tornae pelo arraial de porta em porta, e mate [27] cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu proximo.

28 E os filhos de Levi fizeram conforme á palavra de Moysés: e cairam do povo aquelle dia uns tres mil homens.

29 Porquanto Moysés tinha [28] dito: Consagrae hoje as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho, e contra o seu irmão: e isto para elle vos dar hoje benção.

Moysés intercede pelo povo.

30 E aconteceu que no dia seguinte Moysés disse ao povo: Vós peccastes [29] grande peccado: agora porém subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso peccado.

31 Assim tornou-se Moysés [30] ao Senhor, e disse: Ora, este povo peccou peccado grande, [31] fazendo para si deuses d’oiro.

32 Agora pois perdoa o seu peccado, senão risca-me, peço-te, [32] do teu Livro, que tens escripto.

33 Então disse o Senhor a Moysés: Aquelle que peccar contra mim, a este riscarei eu do meu [33] livro.

34 Vae pois agora, conduze este povo para onde te tenho dito: eis que o meu [34] anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei n’elles o seu peccado.

35 Assim feriu o Senhor o povo, porquanto fizeram [35] o bezerro que Aarão tinha feito.

[1] cap. 24.18. Deu. 9.9.

[2] Act. 7.40. cap. 13.21.

[3] Jui. 8.24, 25, 26, 27.

[4] Deu. 9.16. Jui. 17.3. I Reis 12.23. Neh. 9.18. Isa. 46.6. Act. 7.41. Rom. 1.23.

[5] Lev. 23.2, 4, 21, 37. II Reis 10.20. II Chr. 30.5.

[6] I Cor. 16.7.

[7] cap. 33.1. Deu. 9.12. Dan. 9.24.

[8] Gen. 6.11. Deu. 4.16. Jui. 2.19. Ose. 9.9.

[9] cap. 20.3. Deu. 9.16.

[10] I Reis 12.28.

[11] cap. 33.3. Deu. 9.6. II Chr. 30.8. Isa. 48.4. Act. 7.51.

[12] Deu. 9.14. cap. 22.24. Num. 14.12.

[13] Deu. 9.18. Psa. 74.1, 2.

[14] Num. 14.13. Deu. 9.28 e 32.27.

[15] ver. 14.

[16] Gen. 22.16. Heb. 6.13.

[17] Deu. 32.26. II Sam. 24.16. I Chr. 21.15. Psa. 106.45. Jer. 18.8. Joel 2.13. Jon. 4.2.

[18] Deu. 9.15.

[19] cap. 31.18.

[20] Deu. 9.16, 17.

[21] Deu. 9.21.

[22] Gen. 20.9 e 26.10.

[23] cap. 14.11 e 15.24 e 16.2, 20, 28 e 17.2, 4.

[24] ver. 1.

[25] ver. 4.

[26] cap. 33.4, 5. II Chr. 28.19.

[27] Num. 25.5. Deu. 33.9.

[28] Num. 25.11, 12, 13. Deu. 13.6, 11. I Sam. 15.18, 22. Zac. 13.3. Mat. 10.37.

[29] I Sam. 12.20. Luc. 15.18. Amós 5.15. Num. 25.13.

[30] Deu. 9.18.

[31] cap. 20.23.

[32] Rom. 9.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Apo. 3.5.

[33] Lev. 23.30. Eze. 18.4.

[34] cap. 33.2, 14, etc. Num. 20.16. Deu. 32.35. Rom. 2.5, 6.

[35] II Sam. 12.9. Act. 7.41.

Deus não irá no meio do povo mas enviará um anjo.

33 Disse mais o Senhor a Moysés: Vae, sobe d’aqui, tu [1] e o povo que fizeste subir da terra do Egypto, á terra que jurei a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, dizendo: Á tua semente [2] a darei.

2 E enviarei um anjo [3] diante de ti, e lançarei fóra os cananeos, e os amorrheos, e os hetheos, e os phereseos, e os heveos, e os jebuseos,

3 A uma terra [4] que mana leite e mel: porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para [5] que te não consuma eu no caminho.

4 E, ouvindo o povo esta má palavra, entristeceram-se, [6] e nenhum d’elles poz sobre si os seus atavios.

5 Porquanto o Senhor tinha dito a Moysés: Dize aos filhos de Israel: [7] Povo obstinado és; se um momento subir no meio de ti, te consumirei: porém agora tira de ti os teus atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer.

6 Então os filhos d’Israel se despojaram dos seus atavios, ao pé do monte de Horeb.

7 E tomou Moysés a tenda, e a estendeu para si fóra do arraial, desviada longe do arraial, e chamou-a [8] a tenda da congregação: e aconteceu que todo aquelle que buscava o Senhor saiu á tenda da congregação, que estava fóra do arraial.

8 E aconteceu que, saindo Moysés á tenda, todo o povo se levantava, e cada um ficou em pé á porta da sua tenda: [9] e olhavam para Moysés pelas costas, até elle entrar na tenda.

9 E aconteceu que, entrando Moysés na tenda, descia a columna de nuvem, e punha-se á porta da tenda: e o Senhor fallava [10] com Moysés.

10 E, vendo todo o povo a columna de nuvem que estava á porta da tenda, todo o povo se levantou e inclinaram-se [11] cada um á porta da sua tenda.

11 E fallava o Senhor a Moysés cara a cara, como qualquer falla com o seu amigo: depois tornou-se ao arraial; mas o seu servidor [12] Josué, filho de Nun, mancebo, nunca se apartava do meio da tenda.

Moysés roga a Deus a Sua presença.

12 E Moysés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: [13] Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem has de enviar commigo: e tu disseste: Conheço-te [14] por teu nome, tambem achaste graça aos meus olhos.

13 Agora pois, se tenho achado graça[86] [15] aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-hei, para que ache graça aos teus olhos: [16] e attenta que esta nação é o teu povo.

14 Disse pois: Irá [17] a minha face comtigo para te fazer descançar.

15 Então disse-lhe: Se a tua [18] face não fôr comnosco, não nos faças subir d’aqui.

16 Como pois se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é n’isso que andas [19] tu comnosco? assim separados seremos, eu e o teu povo, de todo o povo que ha sobre a face da terra.

17 Então disse o Senhor a Moysés: Farei tambem isto, que tens [20] dito; porquanto achaste graça aos meus olhos; e te conheço por nome.

Moysés roga a Deus lhe mostre a sua gloria.

18 Então elle disse: Rogo-te que me mostres [21] a tua gloria.

19 Porém elle disse: Eu [22] farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericordia de quem tiver misericordia, e me compadecerei de [23] quem me compadecer.

20 E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá [24] a minha face, e viverá.

21 Disse mais o Senhor: Eis aqui um logar junto a mim; ali te porás sobre a [FO] penha.

22 E acontecerá que, quando a minha gloria passar, te porei n’uma fenda [25] da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.

23 E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas: [26] mas a minha face não se verá.

[1] cap. 32.7.

[2] Gen. 12.7. cap. 32.13.

[3] cap. 32.34. Deu. 7.22. Jos. 24.11.

[4] cap. 3.8.

[5] Deu. 9.6, 13. cap. 23.21 e 32.10. Num. 16.21, 45.

[6] Num. 14.1, 39. Lev. 10.6. II Sam. 19.24. I Reis 21.27. Esd. 9.3. Job 1.20. Isa. 32.11. Eze. 24.17.

[7] ver. 3. Num. 16.45, 46.

[8] cap. 29.42. Deu. 4.29. II Sam. 21.1.

[9] Num. 16.27.

[10] cap. 25.22 e 31.18. Psa. 99.7.

[11] cap. 4.31.

[12] Gen. 32.30. Num. 12.8. Deu. 34.10. cap. 24.13.

[13] cap. 32.24.

[14] Gen. 18.19. Jer. 1.5. João 10.14. II Tim. 2.19.

[15] cap. 34.9. Psa. 25.4.

[16] Deu. 9.26. Joel 2.17.

[17] cap. 13.21. Isa. 63.9. Deu. 3.20. Jos. 21.44.

[18] ver. 3. cap. 34.9.

[19] Num. 14.14. Deu. 4.7. II Sam. 7.23.

[20] Gen. 19.21. Thi. 5.16.

[21] ver. 20. I Tim. 6.16.

[22] cap. 34.5. Jer. 31.14.

[23] Rom. 9.15 e 4.4.

[24] Gen. 32.30. Deu. 5.24. Jui. 6.22. Isa. 6.5. Apo. 1.16, 17.

[25] Isa. 2.21. Psa. 91.1, 4.

[26] ver. 20. João 1.18.

As novas taboas dos dez mandamentos.

34 Então disse o Senhor a Moysés: [1] Lavra-te duas taboas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nas taboas as mesmas palavras que estavam nas primeiras taboas, que tu quebraste.

2 E apparelha-te para ámanhã, para que subas pela manhã ao monte de Sinai, e ali põe-te diante de mim no cume [2] do monte.

3 E ninguem suba [3] comtigo, e tambem ninguem appareça em todo o monte; nem ovelhas nem bois se apascentem defronte do monte.

4 Então elle lavrou duas taboas de pedra, como as primeiras; e levantou-se Moysés pela manhã de madrugada, e subiu ao monte de Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado: e tomou as duas taboas de pedra na sua mão.

5 E o Senhor desceu n’uma nuvem, e se poz ali junto a elle: e elle apregoou [4] o nome do Senhor.

6 Passando pois o Senhor perante a sua face, clamou: Jehovah o Senhor, [5] Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficencia e verdade;

7 Que guarda a beneficencia [6] em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o peccado; que o culpado não tem por innocente; [7] que visita a iniquidade dos paes sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até á terceira e quarta geração.

8 E Moysés apressou-se, e inclinou a cabeça á terra, encurvou-se,

9 E disse: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá [8] agora o Senhor no meio de nós: porque este é povo obstinado; porém perdoa a nossa iniquidade e o nosso peccado, e toma-nos [9] pela tua herança.

Deus faz um pacto.

10 Então disse: Eis que eu faço um concerto; farei diante de todo o [10] teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem entre gente alguma: de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, [11] veja a obra do Senhor; porque coisa terrivel é o que faço comtigo.

11 Guarda o [12] que eu te ordeno hoje: eis que eu lançarei fóra diante de ti os amorrheos, e os cananeos, e os hetheos, e os pereseos, e os heveos e os jebuseos.

12 Guarda-te [13] que não faças concerto com os moradores da terra aonde has[87] de entrar; para que não seja por laço no meio de ti.

13 Mas os seus altares [14] transtornareis, e as suas estatuas quebrareis, e os seus bosques cortareis.

14 Porque te não inclinarás [15] diante d’outro deus: pois o nome do Senhor é Zeloso: Deus zeloso é elle:

15 Para que não faças concerto com os moradores da terra, [16] e não forniquem após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado d’elles, comas dos seus sacrificios,

16 E tomes mulheres das suas [17] filhas para os teus filhos, e suas filhas, fornicando após os seus deuses, façam que tambem teus filhos [18] forniquem após os seus deuses.

17 Não te farás deuses de fundição.

18 A festa dos pães [19] asmos guardarás; sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado do mez de Abib: porque no mez d’Abib sais-te do Egypto.

19 Tudo [20] o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, abrindo a madre de vaccas e d’ovelhas;

20 O burro porém, [21] que abrir a madre, resgatarás com [FP] cordeiro: mas, se o não resgatares, cortar-lhe-has a cabeça: todo o primogenito de teus filhos resgatarás. E ninguem [22] apparecerá vazio diante de mim.

21 Seis dias obrarás, [23] mas ao setimo dia descançarás: na aradura e na sega descançarás.

22 Tambem guardarás [24] a festa das semanas, que é a festa das primicias da sega do trigo, e a festa da colheita á volta do anno.

23 Tres vezes no anno todo o macho entre ti apparecerá [25] perante o Senhor, Jehovah, Deus d’Israel;

24 Porque eu lançarei fóra as nações de diante de [26] ti, e alargarei o teu termo: ninguem cubiçará a tua terra, quando subires para apparecer tres vezes no anno diante do Senhor teu Deus.

25 Não sacrificarás [27] o sangue do meu sacrificio com pão levedado, nem o sacrificio da festa da paschoa ficará da noite para a manhã.

26 As primicias [28] dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não cozerás [29] o cabrito no leite de sua mãe.

27 Disse mais o Senhor a Moysés: Escreve-te [30] estas palavras: porque conforme ao teor d’estas palavras tenho feito concerto comtigo e com Israel.

28 E esteve ali [31] com o Senhor quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão, nem bebeu agua, [32] e escreveu nas taboas as palavras do concerto, [FQ] os dez mandamentos.

O rosto de Moysés resplandece.

29 E aconteceu que, descendo Moysés do monte Sinai (e Moysés trazia as duas taboas [33] do testemunho em sua mão, quando desceu do monte), Moysés não sabia que a pelle do [34] seu rosto resplandecia, depois que fallara com elle.

30 Olhando pois Aarão e todos os filhos d’Israel para Moysés, eis que a pelle do seu rosto resplandecia; pelo que temeram de chegar-se a elle.

31 Então Moysés os chamou, e Aarão e todos os principes da congregação tornaram-se a elle: e Moysés lhes fallou.

32 Depois chegaram tambem todos os filhos d’Israel: e elle lhes ordenou tudo [35] o que o Senhor fallára com elle no monte Sinai.

33 Assim acabou Moysés de fallar com elles, e tinha [36] posto um véu sobre o seu rosto.

34 Porém, entrando [37] Moysés perante o Senhor, para fallar com elle, tirava o véu até que sahia: e, saido, fallava com os filhos de Israel o que lhe era ordenado.

35 Assim pois viam os filhos d’Israel o rosto de Moysés, que resplandecia a pelle do rosto de Moysés: e tornou Moysés a pôr o véu sobre o seu rosto, até que entrava para fallar com elle.

[1] cap. 32.16, 19. Deu. 10.1.

[2] cap. 19.20 e 24.12.

[3] cap. 19.12.

[4] cap. 33.19. Num. 14.17.

[5] Num. 14.18. II Chr. 30.9. Neh. 9.17. Psa. 86.15. Joel 2.13. Rom. 2.4.

[6] cap. 20.6. Deu. 5.10. Jer. 32.18. Dan. 9.4. Psa. 103.3. Eph. 4.32. I João 1.9.

[7] Jos. 24.19. Job 10.14. Miq. 6.11. Nah. 1.3.

[8] cap. 33.3, 15, 16.

[9] Psa. 28.9. Jer. 10.16. Zac. 2.12.

[10] Deu. 5.2 e 29.12, 14. II Sam. 7.23. Psa. 77.14.

[11] Deu. 10.21. Psa. 145.6. Isa. 64.3.

[12] Deu. 5.32. cap. 33.2.

[13] cap. 23.32. Deu. 7.2. Jui. 2.2.

[14] cap. 23.24. Deu. 12.3. Jui. 2.2. II Reis 18.4 e 23.14. II Chr. 31.1.

[15] cap. 20.3, 5. Isa. 9.6.

[16] Deu. 31.16. Jui. 2.17. Jer. 3.9. Eze. 6.9. Num. 25.2. Psa. 106.28. I Cor. 8.4, 7, 10.

[17] Deu. 7.3. I Reis 11.2. Esd. 9.2. Neh. 13.25. Num. 25.1. I Reis 11.4.

[18] Lev. 19.4.

[19] cap. 12.15 e 13.4 e 23.15.

[20] cap. 22.29. Eze. 44.30. Luc. 2.23.

[21] cap. 13.13. Num. 18.15.

[22] cap. 23.15. Deu. 16.16. I Sam. 9.7.

[23] cap. 20.9. Deu. 5.12. Luc. 13.14.

[24] cap. 23.16. Deu. 16.10.

[25] Deu. 16.16.

[26] cap. 33.2. Lev. 18.24. Deu. 7.1. Psa. 78.55. II Chr. 17.10. Pro. 16.7. Act. 18.10.

[27] cap. 23.18 e 12.10.

[28] cap. 23.19. Deu. 26.2, 10.

[29] Deu. 14.21.

[30] ver. 10. Deu. 4.13 e 31.9.

[31] cap. 24.18. Deu. 9.9, 18.

[32] ver. 1. cap. 31.18 e 32.16.

[33] cap. 32.15.

[34] Mat. 17.2. II Cor. 3.7, 13.

[35] cap. 24.3.

[36] II Cor. 3.13.

[37] II Cor. 3.16.

O sabbado e as offertas para o tabernaculo.

35 Então fez Moysés ajuntar toda a congregação dos filhos d’Israel, e disse-lhes: Estas [1] são as palavras que o Senhor ordenou que se fizessem.

2 Seis dias [2] se trabalhará, mas o setimo dia vos será sancto, o sabbado do repouso ao Senhor: todo aquelle que fizer obra n’elle morrerá.

[88]

3 Não accendereis [3] fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sabbado.

4 Fallou mais Moysés a toda a congregação dos filhos d’Israel, dizendo: [4] Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:

5 Tomae, do que vós tendes, uma offerta para o Senhor: [5] cada um, cujo coração é voluntariamente disposto, a trará por offerta alçada ao Senhor; oiro, e prata, e cobre,

6 Como tambem azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras.

7 E pelles de carneiros, tintas de vermelho, e pelles de teixugos, madeira de sittim,

8 E azeite para a luminaria, e especiarias para o [6] azeite da uncção, e para o incenso aromatico,

9 E pedras sardonicas, e pedras d’engaste, para o ephod e para o peitoral.

10 E todos os sabios de coração entre vós [7] virão, e farão tudo o que o Senhor tem mandado:

11 O tabernaculo, [8] a sua tenda, e a sua coberta, os seus colchetes, e as suas taboas, as suas barras, as suas columnas, e as suas bases,

12 A arca [9] e os seus varaes, o propiciatorio e o véu da coberta,

13 A mesa, [10] e os seus varaes, e todos os seus vasos; e os pães da proposição,

14 E o castiçal [11] da luminaria, e os seus vasos, e as suas lampadas, e o azeite para a luminaria,

15 E o altar do incenso [12] e os seus varaes, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta á entrada do tabernaculo,

16 O altar do [13] holocausto, e o crivo de cobre que terá seus varaes, e todos os seus vasos, a pia e a sua base,

17 As cortinas do pateo, [14] as suas columnas e as suas bases, e a coberta da porta do pateo,

18 As estacas do tabernaculo, e as estacas do pateo, e as suas cordas,

19 Os vestidos [15] do ministerio para ministrar no sanctuario, os vestidos sanctos d’Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

A promptidão do povo em trazer offertas.

20 Então toda a congregação dos filhos d’Israel saiu de diante de Moysés,

21 E veiu todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquelle cujo espirito voluntariamente o excitou, e trouxeram a [16] offerta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para os vestidos sanctos.

22 Assim que vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração: trouxeram fivelas, e pendentes, e anneis, e braceletes, todo o vaso d’oiro; e todo o homem offerecia offerta d’oiro ao Senhor;

23 E todo o homem que se achou com [17] azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras, e pelles de carneiro tintas de vermelho, e pelles de teixugos, os trazia;

24 Todo aquelle que offerecia offerta alçada de prata ou de metal, a trazia por offerta alçada ao Senhor; e todo aquelle que se achava com madeira de sittim, a trazia para toda a obra do serviço.

25 E todas as mulheres [18] sabias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado, o azul e a purpura, o carmezim e o linho fino.

26 E todas as mulheres, cujo coração as moveu em sabedoria, fiavam os pellos das cabras.

27 E os principes [19] traziam pedras sardonicas, e pedras d’engastes para o ephod e para o peitoral,

28 E especiarias, [20] e azeite para a luminaria, e para o azeite da uncção, e para o incenso aromatico.

29 Todo o homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma [21] coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moysés, aquillo trouxeram os filhos de Israel por offerta voluntaria ao Senhor.

Deus chama Bezaleel e Aholiab.

30 Depois disse Moysés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor [22] tem chamado por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho de Ur, da tribu de Judah.

31 E o espirito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e sciencia em todo o artificio,

32 E para inventar invenções, para trabalhar em oiro, e em prata, e em cobre,

33 E em artificio de pedras para engastar, e em artificio de madeira para obrar em toda a obra esmerada.

34 Tambem lhe tem dado no seu coração para ensinar a outros: a elle e a [23] Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan.

[89]

35 Encheu-os de [24] sabedoria do coração, para fazer toda a obra de mestre, e a mais engenhosa, e do bordador, em azul, e em purpura, em carmezim, e em linho fino, e do tecelão: fazendo toda a obra, e inventando invenções.

[1] cap. 34.32.

[2] cap. 20.9. Lev. 23.3. Num. 15.32. Deu. 5.12. Luc. 13.14.

[3] cap. 16.23.

[4] cap. 25.1, 2.

[5] cap. 25.2.

[6] cap. 25.6.

[7] cap. 31.6.

[8] cap. 26.1, 2, etc.

[9] cap. 25.10, etc.

[10] cap. 25.23, 30. Lev. 24.5, 6.

[11] cap. 25.31, etc.

[12] cap. 30.1, 23, 34.

[13] cap. 27.1.

[14] cap. 27.9.

[15] cap. 31.10 e 39.1, 41. Num. 4.5, 6, etc.

[16] ver. 5. cap. 25.2 e 36.2. I Chr. 28.2, 9. Esd. 7.27. II Cor. 8.12 e 9.7.

[17] I Chr. 29.8.

[18] cap. 28.3 e 31.6 e 36.1. II Reis 23.7. Pro. 31.19.

[19] I Chr. 29.6. Esd. 2.68.

[20] cap. 30.23.

[21] ver. 21. I Chr. 29.9.

[22] cap. 31.2, etc.

[23] cap. 31.6.

[24] ver. 31. cap. 31.3. I Reis 7.14. Isa. 28.26.

36 Assim obraram Bezaleel e Aholiab, e todo o homem [1] sabio de coração, a quem o Senhor déra sabedoria e intelligencia, para saber como haviam de fazer toda a obra para o serviço do [2] sanctuario, conforme a tudo o que o Senhor tinha ordenado.

Moysés entrega aos obreiros as offertas do povo.

2 Porque Moysés chamara a Bezaleel e a Aholiab, e a todo o homem sabio de coração, em cujo coração Deus tinha dado sabedoria: a todo aquelle [3] a quem o seu coração movera que se chegasse á obra para fazel-a.

3 Tomaram pois de diante de Moysés toda a offerta alçada, que trouxeram os filhos de Israel para a obra [4] do serviço do sanctuario, para fazel-a, e ainda elles lhe traziam cada manhã offerta voluntaria.

4 E vieram todos os sabios, que faziam toda a obra do sanctuario, cada um da obra que elles faziam,

5 E fallaram a Moysés, dizendo: O povo [5] traz muito mais do que basta para o serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse.

6 Então mandou Moysés que fizessem passar uma voz pelo arraial, dizendo: Nenhum homem nem mulher faça mais obra alguma para a offerta alçada do sanctuario. Assim o povo foi prohibido de trazer mais,

7 Porque tinham materia bastante para toda a obra que havia de fazer-se, e ainda sobejava.

8 Assim todo o sabio [6] de coração, entre os que faziam a obra, fez o tabernaculo de dez cortinas, de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, com cherubins; da obra mais esmerada as fez.

9 O comprimento de uma cortina era de vinte e oito covados, e a largura de outra cortina de quatro covados: todas as cortinas tinham uma mesma medida.

10 E elle ligou cinco cortinas uma com a outra; e outras cinco cortinas ligou uma com outra.

11 Depois fez laçadas de azul na borda de uma cortina, á extremidade, na juntura: assim tambem fez na borda, á extremidade da juntura da segunda cortina.

12 Cincoenta laçadas fez [7] n’uma cortina, e cincoenta laçadas fez n’uma extremidade da cortina, que se ligava com a segunda: estas laçadas travavam uma com a outra.

13 Tambem fez cincoenta colchetes de oiro, e com estes colchetes uniu as cortinas uma com a outra; e foi feito assim um tabernaculo.

14 Fez tambem cortinas [8] de pellos de cabras para a tenda sobre o tabernaculo: de onze cortinas as fez.

15 O comprimento de uma cortina era de trinta covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: estas onze cortinas tinham uma mesma medida.

16 E elle uniu cinco cortinas á parte, e seis cortinas á parte,

17 E fez cincoenta laçadas na borda da ultima cortina, na juntura: tambem fez cincoenta laçadas na borda da cortina, na outra juntura.

18 Fez tambem cincoenta colchetes de metal, para ajuntar a tenda, para que fosse uma.

A coberta de pelles e as taboas.

19 Fez tambem [9] para a tenda uma coberta de pelles de carneiros, tintas de vermelho; e por cima uma coberta de pelles de teixugos.

20 Tambem fez [10] taboas levantadas para o tabernaculo, de madeira de sittim.

21 O comprimento de uma taboa era de dez covados, e a largura de cada taboa era de um covado e meio.

22 Cada taboa tinha duas coiceiras, pregadas uma com a outra: assim fez com todas as taboas do tabernaculo.

23 Assim pois fez as taboas para o tabernaculo: vinte taboas para a banda do sul ao meio dia:

24 E fez quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo de uma taboa ás suas duas coiceiras, e duas bases de baixo d’outra taboa ás suas duas coiceiras.

25 Tambem fez vinte taboas ao outro lado do tabernaculo da banda do norte,

26 Com as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma taboa, e duas bases debaixo de outra taboa.

27 E ao lado do tabernaculo para o occidente fez seis taboas.

28 Fez tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo aos dois lados,

29 As quaes estavam juntas debaixo,[90] e tambem se ajuntavam por cima com uma argola: assim fez com ellas ambas nos dois cantos.

30 Assim eram oito taboas com as suas bases de prata, a saber, dezeseis bases: duas bases debaixo de cada taboa.

31 Fez tambem barras [11] de madeira de sittim: cinco para as taboas d’um lado do tabernaculo,

32 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; e outras cinco barras para as taboas do tabernaculo d’ambas as bandas do occidente.

33 E fez que a barra do meio passasse pelo meio das taboas d’uma extremidade até á outra.

34 E cobriu as taboas d’oiro, e as suas argolas (os logares das barras) fez d’oiro: as barras tambem cobriu d’oiro.

Os véus e as columnas.

35 Depois fez o véu [12] d’azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; d’obra esmerada o fez com cherubins.

36 E fez-lhe quatro columnas de madeira de sittim, e as cobriu d’oiro: e seus colchetes fez d’oiro, e fundiu-lhe quatro bases de prata.

37 Fez tambem [13] para a porta da tenda o véu d’azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, da obra do bordador,

38 Com as suas cinco columnas e os seus colchetes; e as suas cabeças e as suas molduras cobriu d’oiro: e as suas cinco bases eram de cobre.

[1] cap. 28.3, 35.10, 35.

[2] cap. 25.8.

[3] cap. 35.21, 26. I Chr. 29.5.

[4] cap. 35.27.

[5] II Cor. 8.2.

[6] cap. 26.1.

[7] cap. 26.5.

[8] cap. 26.7.

[9] cap. 26.14.

[10] cap. 26.15.

[11] cap. 26.26.

[12] cap. 26.31.

[13] cap. 26.36.

A arca.

37 Fez tambem Bezaleel [1] a arca de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados e meio; e a sua largura d’um covado e meio; e a sua altura d’um covado e meio.

2 E cobriu-a d’oiro puro por dentro e por fóra; e fez-lhe uma corôa d’oiro ao redor;

3 E fundiu-lhe quatro argolas d’oiro aos seus quatro cantos, n’um lado duas, e no outro lado duas argolas;

4 E fez varaes de madeira de sittim, e os cobriu d’oiro;

5 E metteu os varaes pelas argolas aos lados da arca, para levar a arca.

O propiciatorio.

6 Fez tambem [2] d’oiro puro o propiciatorio: o seu comprimento era de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio.

7 Fez tambem dois cherubins d’oiro; d’obra batida os fez, ás duas extremidades do propiciatorio;

8 Um cherubim a uma extremidade d’esta banda, e o outro cherubim á outra extremidade da outra banda: do mesmo propiciatorio fez sair os cherubins ás duas extremidades d’elles.

9 E os cherubins estendiam as azas por cima, cobrindo com as suas azas o propiciatorio: e os seus rostos estavam defronte um do outro: os rostos dos cherubins estavam virados para o propiciatorio.

A mesa.

10 Fez tambem [3] a mesa de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados, e a sua largura d’um covado, e a sua altura d’um covado e meio.

11 E cobriu-a d’oiro puro, e fez-lhe uma corôa d’oiro ao redor.

12 Fez-lhe tambem uma moldura da largura d’uma mão ao redor: e fez uma corôa d’oiro ao redor da sua moldura.

13 Fundiu-lhe tambem quatro argolas d’oiro; e poz as argolas aos quatro cantos que estavam aos seus quatro pés.

14 Defronte da moldura estavam as argolas para os logares dos varaes, para levar a mesa.

15 Fez tambem os varaes de madeira de sittim, e os cobriu d’oiro, para levar a mesa.

16 E fez os vasos que haviam de estar sobre a mesa, os seus pratos, e [4] as suas colheres, e as suas escudelas, e as suas [FR] cobertas, com que se haviam de cobrir, d’oiro puro.

O castiçal.

17 Fez tambem [5] o castiçal de oiro puro: d’obra batida fez este castiçal: o seu pé, e as suas canas, os seus copos, as suas maçãs, e as suas flôres do mesmo.

18 Seis canas sahiam dos seus lados: tres canas do castiçal, de um lado d’elle, e tres canas do castiçal, d’outro lado.

19 N’uma cana estavam tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flôr: e n’outra cana tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flôr: assim para as seis canas que sahiam do castiçal.

20 Mas no mesmo castiçal havia quatro copos a modo d’amendoas com as suas maçãs e com as suas flôres.

21 E era uma maçã debaixo de duas canas do mesmo; e outra maçã debaixo de duas canas do mesmo; e mais uma[91] maçã debaixo de duas canas do mesmo: assim se fez para as seis canas, que sahiam d’elle.

22 As suas maçãs e as suas canas eram do mesmo: tudo era uma obra batida de oiro puro.

23 E fez-lhe sete lampadas: os seus [FS] espivitadores e os seus [FT] apagadores eram d’oiro puro.

24 D’um talento d’oiro puro o fez, e todos os seus vasos.

25 E fez o altar [6] do incenso de madeira de sittim: d’um covado era o seu comprimento, e de um covado a sua largura, quadrado; e de dois covados a sua altura: d’elle mesmo eram feitos os seus cornos.

26 E cobriu-o de oiro puro, a sua coberta, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos: e fez-lhe uma corôa de oiro ao redor.

27 Fez-lhe tambem duas argolas de oiro debaixo da sua corôa, e os seus dois cantos, d’ambos os seus lados, para os logares dos varaes, para leval-o com elles.

28 E os varaes fez de madeira de sittim, e os cobriu de oiro.

29 Tambem fez [7] o azeite sancto da uncção, e o incenso aromatico, puro, de obra do perfumista.

[1] cap. 25.10.

[2] cap. 25.17.

[3] cap. 25.23.

[4] cap. 25.29.

[5] cap. 25.31.

[6] cap. 30.1.

[7] cap. 30.23, 34.

O altar do holocausto.

38 Fez tambem [1] o altar do holocausto de madeira de sittim: de cinco covados era o seu comprimento, e de cinco covados a sua largura, quadrado; e de tres covados a sua altura.

2 E fez-lhe os seus cornos aos seus quatro cantos; do mesmo eram os seus cornos; e cobriu-o de cobre.

3 Fez tambem todos os vasos do altar: os caldeirões, e as pás, e as bacias, e os garfos, e os brazeiros: todos os seus vasos fez de cobre.

4 Fez tambem ao altar um crivo de cobre, de obra de rede, no seu cerco debaixo, até ao meio d’elle.

5 E fundiu quatro argolas ás quatro extremidades do crivo de cobre, para os logares dos varaes.

6 E fez os varaes de madeira de sittim, e os cobriu de cobre.

7 E metteu os varaes pelas argolas aos lados do altar, para leval-o com elles: fel-o oco de taboas.

8 Fez tambem a [2] pia de cobre com a sua base de cobre, dos espelhos das mulheres que se ajuntavam, ajuntando-se á porta da tenda da congregação.

O pateo.

9 Fez tambem o [3] pateo da banda do meio dia ao sul: as cortinas do pateo eram de linho fino torcido, de cem covados.

10 As suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre: os colchetes d’estas columnas e as suas molduras eram de prata;

11 E da banda do norte cortinas de cem covados; as suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre, os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

12 E da banda do occidente cortinas de cincoenta covados, as suas columnas dez, e as suas bases dez: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

13 E da banda oriental, ao oriente, cortinas de cincoenta covados.

14 As cortinas d’esta banda da porta eram de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

15 E da outra banda da porta do pateo de ambos os lados eram cortinas de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

16 Todas as cortinas do pateo ao redor eram de linho fino torcido.

17 E as bases das columnas eram de cobre: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata; e a coberta das suas cabeças de prata; e todas as columnas do pateo eram cingidas de prata.

18 E a coberta da porta do pateo era de obra de bordador, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; e o comprimento era de vinte covados, e a altura, na largura, de cinco covados, defronte das cortinas do pateo.

19 E as suas quatro columnas e as suas quatro bases eram de cobre, os seus colchetes de prata, e a coberta das suas cabeças, e as suas molduras, de prata.

20 E todas as [4] estacas do tabernaculo e do pateo ao redor eram de cobre.

A numeração das coisas do tabernaculo.

21 Esta é a numeração das coisas contadas [5] do tabernaculo do testemunho, que por ordem de Moysés foram contadas para o ministerio dos levitas por mão [6] de Ithamar, filho de Aarão o sacerdote.

22 Fez pois Bezaleel, [7] o filho de Uri,[92] filho de Hur, da tribu de Judah, tudo quanto o Senhor tinha ordenado a Moysés.

23 E com elle Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, um mestre de obra, e engenhoso artifice, e bordador em azul, e em purpura e em carmezim e em linho fino.

24 Todo o oiro gasto na obra, em toda a obra do sanctuario, a saber, o oiro da offerta, foi vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos, [8] conforme ao siclo do Sanctuario;

25 E a prata dos arrolados da congregação foi cem talentos e mil e setecentos e setenta e cinco siclos, conforme ao siclo do sanctuario;

26 Um beca por cada cabeça, isto é, meio siclo, [9] conforme ao siclo do sanctuario: de qualquer que passava aos arrolados, da edade de vinte annos e acima, que foram seiscentos e tres mil e quinhentos e cincoenta.

27 E houve cem talentos de prata para fundir as bases do sanctuario e as bases do véu: para cem bases eram cem talentos; um talento para cada base.

28 Mas dos mil e setecentos e setenta siclos fez os colchetes das columnas, e cobriu as suas cabeças, e as cingiu de molduras.

29 E o cobre da offerta foi setenta talentos e dois mil e quatrocentos siclos.

30 E d’elle fez as bases da porta da tenda da congregação e o altar de cobre, e o crivo de cobre e todos os vasos do altar,

31 E as bases do pateo ao redor, e as bases da porta do pateo, e todas as estacas do tabernaculo e todas as estacas do pateo ao redor.

[1] cap. 27.1.

[2] cap. 30.18.

[3] cap. 27.9.

[4] cap. 27.19.

[5] Num. 1.50, 53 e 9.15 e 10.11 e 17.7, 8 e 18.2. II Chr. 24.6. Act. 7.44.

[6] Num. 4.28, 33.

[7] cap. 31.2, 6.

[8] cap. 30.13, 24. Lev. 5.15 e 27.3, 25. Num. 3.47 e 18.16.

[9] cap. 26.19, 21, 25, 32.

As vestes dos Sacerdotes.

39 Fizeram tambem [1] os vestidos do ministerio, para ministrar no sanctuario de azul, e de purpura e de carmezim: tambem fizeram [2] os vestidos sanctos, para Aarão, [3] como o Senhor ordenara a Moysés.

2 Assim fez o ephod [4] de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim e de linho fino torcido.

3 E estenderam as laminas de oiro, e as cortaram em fios, para entretecer entre o azul, e entre a purpura, e entre o carmezim, e entre o linho fino da obra mais esmerada.

4 Fizeram n’elle hombreiras que se ajuntassem: ás suas duas pontas se ajuntava.

5 E o cinto [FU] de artificio do ephod, que estava sobre elle, era conforme á sua obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, como o Senhor ordenara a Moysés.

6 Tambem prepararam as [5] pedras sardonicas, engastadas em oiro, lavradas com gravuras de sêllo, com os nomes dos filhos de Israel,

7 E as poz sobre as hombreiras do ephod por pedras [6] de memoria para os filhos de Israel, como o Senhor ordenara a Moysés.

8 Fez tambem [7] o peitoral de obra de artifice, como a obra do ephod, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 Quadrado era; dobrado fizeram o peitoral: o seu comprimento era de um palmo, e a sua largura de um palmo dobrado.

10 E engastaram n’elle [8] quatro ordens de pedras: uma ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo; esta é a primeira ordem:

11 E a segunda ordem de uma esmeralda, de uma saphira e de um diamante:

12 E a terceira ordem de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

13 E a quarta ordem de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe, engastadas nos seus engastes de oiro.

14 Estas pedras pois eram segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; de gravura de sêllo, cada um com o seu nome, segundo as doze tribus.

15 Tambem fizeram para o peitoral cadeiasinhas de egual medida, obra de trança, de oiro puro.

16 E fizeram dois engastes de oiro e duas argolas de oiro; e pozeram as duas argolas nas duas extremidades do peitoral.

17 E pozeram as duas cadeiasinhas de trança de oiro nas duas argolas, nas duas extremidades do peitoral.

18 E as outras duas pontas das duas cadeiasinhas de trança pozeram nos dois engastes: e as pozeram sobre as hombreiras do ephod, defronte d’elle.

19 Fizeram tambem duas argolas de oiro, que pozeram nas outras duas extremidades do peitoral, na sua borda que estava junto ao ephod por dentro.

20 Fizeram mais [9] duas argolas de oiro, que pozeram nas duas hombreiras do ephod, debaixo, defronte d’elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d’artificio do ephod.

[93]

21 E ligaram o peitoral com as suas argolas ás argolas do ephod com um cordão de azul, para que estivesse sobre o cinto de artificio do ephod, e o peitoral não se apartasse do ephod, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 E fez o manto do ephod de obra torcida, todo de azul.

23 E [FV] o collar do [10] manto estava no meio d’elle, como collar de saia de malha: este collar tinha uma borda em volta, para que se não rompesse.

24 E nas bordas do manto fizeram romãs de azul, e de purpura, e de carmezim, a fio torcido.

25 Fizeram tambem as campainhas de oiro puro, [11] pondo as campainhas no meio das romãs nas bordas da capa, em roda, entre as romãs:

26 Uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã, nas bordas do manto á roda: para ministrar, como o Senhor ordenara a Moysés.

27 Fizeram tambem [12] as tunicas de linho fino, de obra tecida, para Aarão e para seus filhos,

28 E a mitra [13] de linho fino, e o ornato das tiaras de linho fino, e os calções de linho fino torcido,

29 E o cinto de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, de obra de bordador, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Fizeram tambem [14] a folha da [FW] corôa de sanctidade de oiro puro, e n’ella escreveram o escripto como de gravura de sêllo: [FX] Sanctidade ao Senhor.

31 E ataram-n’o com um cordão de azul, para a atar á mitra em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

32 Assim se acabou toda a obra do tabernaculo da tenda da congregação; e os filhos de Israel fizeram [15] conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés; assim o fizeram.

O tabernaculo é entregue a Moysés.

33 Depois trouxeram a Moysés o tabernaculo, a tenda e todos os seus vasos; os seus colchetes, as suas taboas, os seus varaes, e as suas columnas, e as suas bases;

34 E a coberta de pelles de carneiro tintas de vermelho, e a coberta de pelles de teixugos, e o véu da coberta;

35 A arca do testemunho, e os seus varaes, e o propiciatorio:

36 A mesa com todos os seus vasos, e os pães da proposição;

37 O castiçal puro com suas lampadas, as lampadas da ordenança, e todos os seus vasos, e o azeite para a luminaria;

38 Tambem o altar de oiro, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta da tenda;

39 O altar de cobre, e o seu crivo de cobre, os seus varaes, e todos os seus vasos, a pia, e a sua base;

40 As cortinas do pateo, as suas columnas, e as suas bases, e a coberta da porta do pateo, as suas cordas, e os seus pregos, e todos os vasos do serviço do tabernaculo, para a tenda da congregação;

41 Os vestidos do ministerio para ministrar no sanctuario; os sanctos vestidos de Aarão o sacerdote, e os vestidos dos seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

42 Conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés, assim fizeram [16] os filhos de Israel toda a obra.

43 Viu pois Moysés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor ordenara, assim a fizeram: então Moysés [17] os abençoou.

[1] cap. 35.23.

[2] cap. 31.10 e 35.19.

[3] cap. 28.4.

[4] cap. 28.6.

[5] cap. 28.9.

[6] cap. 28.12.

[7] cap. 28.15.

[8] cap. 28.17, etc.

[9] cap. 28.31.

[10] cap. 28.33.

[11] cap. 28.33.

[12] cap. 28.4, 39, 40, 42. Eze. 44.18.

[13] cap. 28.39.

[14] cap. 28.36, 37.

[15] ver. 42, 43. cap. 25.40.

[16] cap. 35.10.

[17] Lev. 9.22, 23. Num. 6.23. Jos. 22.6. II Sam. 6.18. I Reis 8.14. II Chr. 30.27.

Deus manda Moysés levantar o tabernaculo.

40 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 No primeiro mez, [1] no primeiro dia do mez, levantarás [2] o tabernaculo da tenda da congregação,

3 E porás [3] n’elle a arca do testemunho, e cobrirás a arca com o véu.

4 Depois metterás [4] n’elle a mesa, e porás em ordem o que se deve pôr em ordem n’ella; tambem metterás [5] n’elle o castiçal, e accenderás as suas lampadas.

5 E porás [6] o altar de oiro para o incenso diante da arca do testemunho: então pendurarás a coberta da porta do tabernaculo.

6 Porás tambem o altar do holocausto diante da porta do tabernaculo da tenda da congregação.

7 E porás a [7] pia entre a tenda da congregação e o altar, e n’ella porás agua.

8 Depois porás o pateo ao redor, e pendurarás a coberta á porta do pateo.

9 Então tomarás o azeite da [8] uncção, e ungirás o tabernaculo, e tudo o que[94] ha n’elle: e o sanctificarás com todos os seus vasos, e será sancto.

10 Ungirás tambem o altar do holocausto, e todos os seus vasos; e sanctificarás o altar; e o altar será uma coisa sanctissima.

11 Então ungirás a pia e a sua base, [9] e a sanctificarás.

12 Farás tambem chegar a [10] Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação; e os lavarás com agua.

13 E vestirás a Aarão os vestidos sanctos, [11] e o ungirás, e o sanctificarás, para que me administre o sacerdocio.

14 Tambem farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as tunicas,

15 E os ungirás como ungiste a seu pae, para que me administrem o sacerdocio, e a sua uncção lhes será por sacerdocio perpetuo nas suas gerações.

16 E fel-o Moysés: conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenou, assim o fez.

O tabernaculo é levantado.

17 E aconteceu no mez primeiro, no anno segundo, ao primeiro do mez, que o tabernaculo foi [12] levantado;

18 Porque Moysés levantou o tabernaculo, e poz as suas bases, e armou as suas taboas, e metteu n’elle os seus varaes, e levantou as suas columnas;

19 E estendeu a tenda sobre o tabernaculo, e poz a coberta da tenda sobre ella, em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

20 Tomou o testemunho, [13] e pôl-o na arca, e metteu os varaes á arca; e poz o propiciatorio sobre a arca, em cima.

21 E levou a arca no tabernaculo, [14] e pendurou o véu da cobertura, e cobriu a arca do testemunho, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 Poz tambem [15] a mesa na tenda da congregação, ao lado do tabernaculo para o norte, fóra do véu,

23 E sobre ella poz em ordem [16] o pão perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

24 Poz tambem na tenda da congregação [17] o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo para o sul,

25 [18] E accendeu as lampadas perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

26 E poz o altar d’oiro [19] na tenda da congregação, diante do véu,

27 E accendeu sobre [20] elle o incenso d’especiarias aromaticas, como o Senhor ordenara a Moysés.

28 Pendurou tambem [21] a coberta da porta do tabernaculo,

29 E poz o altar do [22] holocausto á porta do tabernaculo da tenda da congregação, e [23] offereceu sobre elle holocausto e offerta de manjares, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Poz tambem [24] a pia entre a tenda da congregação e o altar, e derramou agua n’ella, para lavar.

31 E Moysés, e Aarão e seus filhos lavaram n’ella as suas mãos e os seus pés.

32 Quando entravam na tenda da congregação, e quando chegavam ao altar, [25] lavavam-se, como o Senhor ordenara a Moysés.

33 Levantou tambem o [26] pateo ao redor do tabernaculo e do altar, e pendurou a coberta da porta do pateo. Assim Moysés acabou a obra.

A nuvem cobre o tabernaculo.

34 Então a nuvem [27] cobriu a tenda da congregação, e a gloria do Senhor encheu o tabernaculo;

35 De maneira que Moysés não [28] podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem ficava sobre elle, e a gloria do Senhor enchia o tabernaculo.

36 Quando pois a nuvem [29] se levantava de sobre o tabernaculo, então os filhos de Israel caminhavam em todas as suas jornadas.

37 Se a nuvem porém não se levantava, não [30] caminhavam, até ao dia em que ella se levantava;

38 Porquanto a [31] nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernaculo, e o fogo estava de noite sobre elle, perante os olhos de toda a casa d’Israel, em todas as suas jornadas.

[1] cap. 12.2 e 13.4.

[2] ver. 17. cap. 26.1, 30.

[3] ver. 21. cap. 26.33. Num. 4.5.

[4] ver. 22. cap. 26.35. ver. 23. cap. 25.30. Lev. 24.5, 6.

[5] ver. 24, 25.

[6] ver. 26.

[7] ver. 30. cap. 30.18.

[8] cap. 30.26.

[9] cap. 29.36, 37.

[10] Lev. 8.1, 13.

[11] cap. 28.41. Num. 25.13.

[12] ver. 1. Num. 7.1.

[13] cap. 25.16.

[14] cap. 26.33 e 35.12.

[15] cap. 26.35.

[16] ver. 4.

[17] cap. 26.35.

[18] ver. 4. cap. 25.37.

[19] ver. 5. cap. 30.6.

[20] cap. 30.7.

[21] ver. 5. cap. 26.36.

[22] ver. 6.

[23] cap. 29.38, etc.

[24] ver. 7. cap. 30.18.

[25] cap. 30.19, 20.

[26] ver. 8. cap. 27.9, 16.

[27] cap. 29.43. Lev. 16.2. Num. 9.15. II Reis 8.10, 11. II Chr. 5.13 e 7.2. Isa. 6.4. Agg. 2.7, 9. Apo. 15.8.

[28] II Chr. 5.14.

[29] Num. 9.17 e 10.11. Neh. 9.19.

[30] Num. 9.19, 22.

[31] cap. 13.21. Num. 9.15.

[95]


O TERCEIRO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

LEVITICO.

Os holocaustos.

Antes de Christo 1490

1 E chamou [1] o Senhor a Moysés, e fallou com elle da [2] tenda da congregação, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, e dize-lhes: [3] Quando algum de vós offerecer offerta ao Senhor, offerecereis as vossas offertas de gado, de vaccas e d’ovelhas.

3 Se a sua offerta fôr [FY] holocausto de gado, offerecerá macho [4] sem mancha: á porta da tenda da congregação a offerecerá, [FZ] de sua propria vontade, perante o Senhor.

4 E porá a [5] sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja acceito por elle, [6] para a sua expiação.

5 Depois degolará [7] o bezerro perante o Senhor; e os filhos de Aarão, os sacerdotes, offerecerão o sangue, [8] e espargirão o sangue á roda sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação.

6 Então esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços.

7 E os filhos d’Aarão, os sacerdotes, porão fogo [9] sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo.

8 Tambem os filhos d’Aarão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho sobre a lenha que está no fogo em cima do altar;

9 Porém a sua fressura e as suas pernas lavar-se-hão com agua; e o sacerdote tudo isto queimará sobre o altar: holocausto é, offerta queimada, [10] de cheiro suave ao Senhor.

10 E se a sua offerta fôr de gado miudo, d’ovelhas ou de cabras, para holocausto, offerecerá macho [11] sem mancha,

11 E o degolará ao lado do altar para a banda do norte [12] perante o Senhor; e os filhos de Aarão, os sacerdotes, espargirão o seu sangue á roda sobre o altar.

12 Depois o partirá nos seus pedaços, como tambem a sua cabeça e o seu redenho: e o sacerdote os porá em ordem sobre a lenha que está no fogo sobre o altar.

13 Porém a fressura e as pernas lavar-se-hão com agua; e o sacerdote tudo offerecerá, e o queimará sobre o altar; holocausto é, offerta queimada, de cheiro suave ao Senhor.

14 E se a sua offerta ao Senhor fôr holocausto d’aves, offerecerá a sua offerta de rolas [13] ou de pombinhos;

15 E o sacerdote a offerecerá sobre o altar, e lhe torcerá o pescoço com a sua unha, e a queimará sobre o altar; e o seu sangue será espremido na parede do altar;

16 E o seu papo com as suas pennas tirará e o lançará junto [14] ao altar, para a banda do oriente, no logar da cinza;

17 E fendel-a-ha com as suas azas, porém não a partirá; [15] e o sacerdote a queimará em cima do altar sobre a lenha que está no fogo: holocausto é, offerta [16] queimada de cheiro suave ao Senhor.

[1] Exo. 19.3.

[2] Exo. 40.34, 35. Num. 12.4, 5.

[3] cap. 22.18, 19.

[4] Exo. 12.5. cap. 3.1 e 22.20, 21. Deu. 15.21. Mal. 1.14. Eph. 5.27. Heb. 9.14. I Ped. 1.19.

[5] Exo. 29.10, 15, 19. cap. 3.2, 8, 13 e 4.15 e 8.14, 22 e 16.21.

[6] cap. 22.21, 27. Isa. 56.7. Rom. 12.1. Phi. 4.18. cap. 4.20, 26, 31, 35 e 9.7 e 16.24. Num. 15.25. II Chr. 29.23, 24.

[7] Miq. 6.6. II Chr. 35.11. Heb. 10.11.

[8] cap. 3.8. Heb. 12.24. I Ped. 1.2.

[9] Gen. 22.2.

[10] Gen. 8.21. Eze. 20.28, 41. II Cor. 2.15. Eph. 5.2. Phi. 4.18.

[11] ver. 3.

[12] ver. 5.

[13] cap. 5.7 e 12.8. Luc. 2.24.

[14] cap. 6.10.

[15] Gen. 15.10.

[16] ver. 9, 13.

As offertas de manjares.

2 E quando alguma pessoa offerecer [1] offerta de manjares ao Senhor, a sua offerta será de flor de farinha, e n’ella deitará azeite, e porá o incenso sobre ella;

2 E a trará aos filhos de Aarão, os[96] sacerdotes, um dos quaes tomará d’ella um punhado da flor de farinha, e do seu azeite com todo o seu incenso: e o sacerdote queimará o seu memorial sobre o altar: [2] offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

3 E o que sobejar [3] da offerta de manjares, será de Aarão e de seus filhos: [4] coisa sanctissima é, de offertas queimadas ao Senhor.

4 E, quando offereceres offerta de manjares, cozida no forno, será de bolos asmos de flor de farinha, amassados com azeite, e coscorões asmos [5] untados com azeite.

5 E, se a tua offerta fôr offerta de manjares, cozida na caçoila, será da flor de farinha sem fermento, amassada com azeite.

6 Em pedaços a partirás, e sobre ella deitarás azeite; offerta é de manjares.

7 E, se a tua offerta fôr offerta de manjares da sertã, far-se-ha da flor de farinha com azeite.

8 Então trarás a offerta de manjares, que se fará d’aquillo, ao Senhor; e se apresentará ao sacerdote, o qual a levará ao altar.

9 E o sacerdote tomará d’aquella offerta de manjares o seu [6] memorial, e a queimará [7] sobre o altar: offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

10 E, o que sobejar da offerta de manjares, [8] será de Aarão e de seus filhos: coisa sanctissima é de offertas queimadas ao Senhor.

11 Nenhuma offerta de manjares, que offerecerdes ao Senhor, se fará com [9] fermento: porque de nenhum fermento, nem de mel algum, offerecereis offerta queimada ao Senhor.

12 D’elles [10] offerecereis ao Senhor por offerta das primicias; porém sobre o altar não subirão por cheiro suave.

13 E toda a offerta dos teus manjares salgarás [11] com sal; e não deixarás faltar á tua offerta de manjares o sal do concerto do teu Deus: em toda [12] a tua offerta offerecerás sal.

14 E, se offereceres ao Senhor offerta de manjares das primicias, offerecerás a offerta de manjares das tuas primicias de espigas verdes, [13] tostadas ao fogo; isto é, do grão trilhado de espigas verdes cheias.

15 E sobre ella deitarás azeite, [14] e porás sobre ella incenso; offerta é de manjares.

16 Assim o sacerdote queimará [15] o seu memorial do seu grão trilhado, e do seu azeite, com todo o seu incenso: offerta queimada é ao Senhor.

[1] cap. 6.14 e 9.17. Num. 15.4.

[2] ver. 9. cap. 5.12 e 6.15 e 24.7. Act. 10.4.

[3] cap. 7.9 e 10, 12, 13.

[4] Exo. 29.37. Num. 18.9.

[5] Exo. 29.2.

[6] ver. 2.

[7] Exo. 29.18.

[8] ver. 3.

[9] cap. 6.17. Mat. 16.12. Mar. 8.15. Luc. 12.1. I Cor. 5.8. Gal. 5.9.

[10] Exo. 23.29. cap. 23.10, 11.

[11] Mar. 9.49. Col. 4.6. Num. 18.19.

[12] Eze. 43.24.

[13] cap. 22.10, 14. II Reis 4.42.

[14] ver. 1.

[15] ver. 2.

Os sacrificios de paz ou das graças.

3 E se a sua offerta fôr [1] sacrificio [GA] pacifico: se a offerecer de gado macho ou femea, a offerecerá sem mancha [2] diante do Senhor.

2 E porá a sua mão sobre [3] a cabeça da sua offerta, e a degolará diante da porta da tenda da congregação: e os filhos de Aarão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o altar em roda.

3 Depois offerecerá do sacrificio pacifico a offerta queimada ao Senhor; a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que [4] está sobre a fressura.

4 Então ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins, tirará.

5 E os filhos de Aarão o [5] queimarão sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha que está no fogo: offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

6 E, se a sua [6] offerta fôr de gado miudo por sacrificio pacifico ao Senhor, seja macho ou femea, sem mancha o offerecerá.

7 Se offerecer um cordeiro por sua offerta, offerecel-o-ha perante o Senhor;

8 E porá a sua mão sobre a cabeça da sua offerta, e a degolará diante da tenda da congregação; e os filhos de Aarão espargirão o seu sangue sobre o altar em redor.

9 Então do sacrificio pacifico offerecerá ao Senhor por offerta queimada a sua gordura, a cauda toda, a qual tirará do espinhaço, e a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura;

10 Como tambem tirará ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins.

11 E o sacerdote o queimará sobre o altar: manjar [7] é da offerta queimada ao Senhor.

[97]

12 Mas, se a sua offerta fôr uma cabra, perante o Senhor [8] a offerecerá,

13 E porá a sua mão sobre a sua cabeça, e a degolará diante da tenda da congregação; e os filhos de Aarão espargirão o seu sangue sobre o altar em redor.

14 Depois offerecerá d’ella a sua offerta, por offerta queimada ao Senhor, a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura;

15 Como tambem tirará ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins.

16 E o sacerdote o queimará sobre o altar; manjar é da offerta queimada de cheiro suave. Toda [9] a gordura será do Senhor.

17 Estatuto perpetuo [10] é nas vossas gerações, em todas as vossas habitações: [11] nenhuma gordura nem sangue algum comereis.

[1] cap. 7.11, 29 e 22.21.

[2] cap. 1.3.

[3] Exo. 29.10. cap. 1.4, 5.

[4] Exo. 29.13, 22. cap. 4.8, 9.

[5] Exo. 29.13. cap. 6.12.

[6] ver. 1, etc.

[7] cap. 21.6, 8, 17, 21 e 22.25. Eze. 44.7. Mal. 1.7, etc.

[8] ver. 1, 7, etc.

[9] cap. 7.23, 25. I Sam. 2.15. II Chr. 7.7.

[10] cap. 23.14.

[11] ver. 16. Gen. 9.4. cap. 7.23, 26 e 17.10, 14. Deu. 12.16. I Sam. 14.33. Eze. 44.7, 15.

O sacrificio pelos erros dos sacerdotes.

4 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Quando uma [1] alma peccar por erro contra alguns dos mandamentos do Senhor, ácerca do que se não deve fazer, e obrar contra algum d’elles:

3 Se o sacerdote ungido [2] peccar para escandalo do povo, offerecerá pelo seu peccado, que peccou, um novilho sem mancha, ao Senhor, por expiação do peccado.

4 E trará o novilho á porta [3] da tenda da congregação, perante o Senhor, e porá a sua mão sobre a cabeça do novilho, e degolará o novilho perante o Senhor.

5 Então o sacerdote ungido tomará do [4] sangue do novilho, e o trará á tenda da congregação:

6 E o sacerdote molhará o seu dedo no sangue, e d’aquelle sangue espargirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu do sanctuario.

7 Tambem porá [5] o sacerdote d’aquelle sangue sobre os cornos do altar do incenso aromatico, perante o Senhor, que está na tenda da congregação: e todo o resto do sangue do novilho derramará á base do altar do holocausto, que está á porta da tenda da congregação.

8 E toda a gordura do novilho da expiação tirará d’elle: a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura,

9 E os dois rins, e a gordura que está sobre elles, que está sobre as tripas, e o redenho de sobre o figado, com os rins, o tirará,

10 Como se tira [6] do boi do sacrificio pacifico: e o sacerdote o queimará sobre o altar do holocausto.

11 Mas o coiro [7] do novilho, e toda a sua carne, com a sua cabeça e as suas pernas, e as suas entranhas, e o seu esterco,

12 Todo aquelle novilho levará fóra do arraial a um logar limpo, onde se lança [8] a cinza, e o queimará com fogo sobre a lenha: onde se lança a cinza se queimará.

O sacrificio pelos erros do povo.

13 Mas, se toda a congregação d’Israel errar, [9] e o negocio fôr occulto aos olhos da congregação, e se fizerem, contra um de todos os mandamentos do Senhor, aquillo que se não deve fazer, e forem culpados;

14 E o peccado em que peccarem fôr notorio, então a congregação offerecerá um novilho, por expiação do peccado, e o trará diante da tenda da congregação,

15 E os anciãos da congregação porão [10] as suas mãos sobre a cabeça do novilho perante o Senhor: e degolar-se-ha o novilho perante o Senhor.

16 Então o sacerdote [11] ungido trará do sangue do novilho á tenda da congregação,

17 E o sacerdote molhará o seu dedo n’aquelle sangue, e o espargirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu.

18 E d’aquelle sangue porá sobre os cornos do altar, que está perante a face do Senhor, na tenda da congregação: e todo o resto do sangue derramará á base do altar do holocausto, que está diante da porta da tenda da congregação.

19 E tirará d’elle toda a sua gordura, e queimal-a-ha sobre o altar;

20 E fará a este novilho, [12] como fez ao novilho da expiação; assim lhe fará, e o sacerdote por elles fará propiciação, e lhes será perdoado o peccado.

21 Depois levará o novilho fóra do arraial, e o queimará como queimou[98] o primeiro novilho: é expiação do peccado da congregação.

O sacrificio pelos erros d’um principe.

22 Quando um principe peccar, e por erro [13] obrar contra algum de todos os mandamentos do Senhor seu Deus, n’aquillo que se não deve fazer, e assim fôr culpado;

23 Ou se o seu [14] peccado, no qual peccou, lhe fôr notificado, então trará pela sua offerta um bode tirado das cabras, macho sem mancha,

24 E porá a sua mão [15] sobre a cabeça do bode, e o degolará no logar onde se degola o holocausto, perante a face do Senhor: expiação do peccado é.

25 Depois o sacerdote [16] com o seu dedo tomará do sangue da expiação, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: então o resto do seu sangue derramará á base do altar do holocausto.

26 Tambem queimará [17] sobre o altar toda a sua gordura como gordura do sacrificio pacifico: assim o sacerdote por elle fará expiação do seu peccado, e lhe será perdoado.

O sacrificio pelos erros de qualquer pessoa.

27 E, se qualquer outra pessoa do [18] povo da terra peccar por erro, fazendo contra algum dos mandamentos do Senhor, aquillo que se não deve fazer, e assim fôr culpada;

28 Ou se o seu [19] peccado, no qual peccou, lhe fôr notificado, então trará pela sua offerta uma cabra sem mancha, pelo seu peccado que peccou,

29 E porá a sua mão sobre [20] a cabeça da expiação do peccado, e degolará a expiação do peccado no logar do holocausto.

30 Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do seu sangue, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: e todo o resto do seu sangue derramará á base do altar;

31 E tirará toda a gordura, [21] como se tira a gordura do sacrificio pacifico; e o sacerdote a queimará sobre o altar por [22] cheiro suave ao Senhor: e o sacerdote fará propiciação por ella, e lhe será perdoado o peccado.

32 Mas, se pela sua offerta trouxer uma cordeira para expiação do peccado, [23] sem mancha trará,

33 E porá a sua mão sobre a cabeça da expiação do peccado, e a degolará por expiação do peccado, no logar onde se degola o holocausto.

34 Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do sangue da expiação do peccado, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: então todo o resto do seu sangue derramará na base do altar,

35 E tirará toda a sua gordura, como se tira a gordura do cordeiro do sacrificio pacifico; e o sacerdote a queimará [24] sobre o altar, em cima das offertas queimadas do Senhor: assim o sacerdote por ella fará expiação dos seus peccados que peccou, e lhe será perdoado o peccado.

[1] cap. 5.15, 17. Num. 15.22, etc.

[2] cap. 9.2.

[3] cap. 1.3, 4.

[4] cap. 16.14. Num. 19.4.

[5] cap. 8.15 e 9.9 e 16.18 e 5.9.

[6] cap. 3.3, 4, 5.

[7] Exo. 29.14. Num. 19.5.

[8] cap. 6.11. Heb. 13.11.

[9] Num. 15.24. Jos. 7.11. cap. 5.2, 3, 4, 17.

[10] cap. 1.4.

[11] ver. 5. Heb. 9.12, 13, 14.

[12] ver. 3. Num. 15.25. Rom. 5.11. Heb. 2.17 e 10.10, 11, 12. I João 1.7 e 2.2.

[13] ver. 2, 13.

[14] ver. 14.

[15] ver. 4, etc.

[16] ver. 30.

[17] ver. 20. cap. 3, 5. Num. 15.28.

[18] ver. 2. Num. 15.27.

[19] ver. 23.

[20] ver. 4, 24.

[21] cap. 3.3, 14.

[22] Exo. 29.18. cap. 1.9. ver. 26.

[23] ver. 28.

[24] cap. 3.5. ver. 26, 31.

O sacrificio pelos peccados occultos.

5 E quando alguma pessoa [1] peccar, ouvindo uma voz de blasphemia, de que fôr testemunha, seja que o viu, ou que o soube, se o não denunciar, [2] então levará a sua iniquidade.

2 Ou, quando alguma pessoa [3] tocar em alguma coisa immunda, seja corpo morto de besta fera immunda, seja corpo morto d’animal immundo, seja corpo morto de reptil immundo, ainda que lhe fosse occulto, contudo será elle immundo e culpado.

3 Ou, quando tocar [4] a immundicia d’um homem, seja qualquer que fôr a sua immundicia, com que se faça immundo, e lhe fôr occulto, e o souber depois, será culpado.

4 Ou, quando alguma pessoa jurar, pronunciando temerariamente com os seus beiços, [5] para fazer mal, ou para fazer bem, em tudo o que o homem pronuncia temerariamente com juramento, e lhe fôr occulto, e o souber depois, culpado será n’uma d’estas coisas.

5 Será pois que, culpado sendo n’uma d’estas coisas, confessará [6] aquillo em que peccou,

6 E a sua expiação trará ao Senhor, pelo seu peccado que peccou: uma femea de gado miudo, uma cordeira, ou uma cabrinha pelo peccado: assim o sacerdote por ella fará expiação do seu peccado.

7 Mas, se a sua mão não alcançar o que bastar para gado miudo, então trará, em sua expiação da culpa que commetteu, [7] ao Senhor duas rolas ou dois pombinhos; um para expiação do peccado, e o outro para holocausto;

[99]

8 E os trará ao sacerdote, o qual primeiro offerecerá aquelle que é para expiação do peccado; e com a sua unha lhe torcerá [8] a cabeça junto ao pescoço, mas não o partirá:

9 E do sangue da expiação do peccado espargirá sobre a parede do altar, porém [9] o que sobejar d’aquelle sangue espremer-se-ha á base do altar: expiação do peccado é.

10 E do outro fará holocausto [10] conforme ao costume: assim o sacerdote por ella fará expiação do seu peccado que peccou, e lhe será perdoado.

11 Porém, se a sua mão não alcançar duas rolas, ou dois pombinhos, então aquelle que peccou trará pela sua offerta a decima parte d’um epha de flor de farinha, para expiação do peccado: não deitará sobre ella [11] azeite, nem lhe porá em cima o incenso, porquanto é expiação do peccado:

12 E a trará ao sacerdote, e o sacerdote d’ella tomará o seu punho cheio pelo seu memorial, e a queimará sobre o altar, [12] em cima das offertas queimadas do Senhor: expiação de peccado é.

13 Assim o sacerdote por [13] ella fará expiação do seu peccado, que peccou em alguma d’estas coisas, e lhe será perdoado; e o resto será do sacerdote, como a offerta de manjares.

O sacrificio pelo sacrilegio.

14 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

15 Quando alguma pessoa commetter um trespasso, e peccar [14] por ignorancia nas coisas sagradas do Senhor, então trará ao Senhor pela expiação [15] um carneiro sem mancha do rebanho, conforme á tua estimação em siclos de prata, segundo o siclo do sanctuario, para expiação da culpa.

16 Assim restituirá o que peccar nas coisas sagradas, e ainda de mais accrescentará [16] o seu quinto, e o dará ao sacerdote: [17] assim o sacerdote com o carneiro da expiação fará expiação por ella, e ser-lhe-ha perdoado o peccado.

O sacrificio pelos peccados de ignorancia.

17 E, se alguma pessoa [18] peccar, e obrar contra algum de todos os mandamentos do Senhor o que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, comtudo será ella culpada, [19] e levará a sua iniquidade:

18 E trará ao sacerdote um carneiro sem [20] mancha do rebanho, conforme á tua estimação, para expiação da culpa, e o sacerdote [21] por ella fará expiação do seu erro em que errou sem saber; e lhe será perdoado.

19 Expiação de culpa é: [22] certamente se fez culpado ao Senhor.

[1] I Reis 8.31.

[2] ver. 17. cap. 7.18 e 17.16 e 19.8 e 20.17. Num. 9.13.

[3] cap. 11.24, 28, 31, 39. Num. 19.11, 13, 16. ver. 17.

[4] cap. 12 e 13 e 15.

[5] Act. 23.12. Mar. 6.23.

[6] cap. 26.40. Num. 5.7. Esd. 10.11, 12.

[7] cap. 1.14 e 12.8 e 14.21.

[8] cap. 1.15.

[9] cap. 4.7, 18, 30, 34.

[10] cap. 1.14 e 4.26.

[11] Num. 5.15.

[12] cap. 2.2 e 4.35.

[13] cap. 4.26 e 2.3.

[14] cap. 22.14.

[15] Esd. 10.19.

[16] cap. 6.5 e 22.14 e 27.13, 15, 27, 31. Num. 5.7.

[17] cap. 4.26.

[18] cap. 4.2.

[19] ver. 15. cap. 4.2, 13, 22, 27. Psa. 19.12. Luc. 12.48. ver. 1, 2.

[20] ver. 15.

[21] ver. 16.

[22] Esd. 10.2.

O sacrificio pelos peccados voluntarios.

6 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Quando alguma pessoa peccar, [1] e trespassar contra o Senhor, e negar ao seu proximo o que se lhe deu em guarda, ou o que depoz na sua mão, ou o roubo, ou [2] o que retem violentamente ao seu proximo,

3 Ou que achou [3] o perdido, e o negar com falso juramento, ou fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma peccar;

4 Será pois que, porquanto peccou e ficou culpado, restituirá o roubo que roubou, ou o retido que retem violentamente, ou o deposito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou,

5 Ou tudo aquillo [4] sobre que jurou falsamente; e o restituirá no seu cabedal, e ainda sobre isso accrescentará o quinto; áquelle de quem é o dará no dia de sua expiação.

6 E a sua expiação trará ao Senhor: um carneiro [5] sem mancha do rebanho, conforme á tua estimação, para expiação da culpa, trará ao sacerdote:

7 E o sacerdote fará expiação por ella diante do Senhor, [6] e será perdoada de qualquer de todas as coisas que fez, sendo culpada n’ellas.

A lei do holocausto.

8 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

9 Dá ordem a Aarão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto; o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite até á manhã, e o fogo do altar arderá n’elle.

10 E o sacerdote [7] vestirá a sua veste de linho, e vestirá as calças de linho sobre a sua carne, e levantará a cinza, quando o fogo [8] houver consumido o[100] holocausto sobre o altar, e a porá junto ao altar.

11 Depois despirá [9] as suas vestes, e vestirá outras vestes: e levará a cinza fóra do arraial para um logar [10] limpo.

12 O fogo pois sobre o altar arderá n’elle, não se apagará; mas o sacerdote accenderá lenha n’elle cada manhã, e sobre elle porá em ordem o holocausto, e sobre elle [11] queimará a gordura das offertas pacificas.

13 O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.

A lei da offerta de manjares.

14 E esta é a lei [12] da offerta de manjares: um dos filhos de Aarão a offerecerá perante o Senhor diante do altar,

15 E d’ella tomará o seu punho cheio da flor de farinha da offerta e do seu azeite, e todo o incenso que estiver sobre a offerta de manjares: então o accenderá sobre o altar, cheiro suave [13] é isso, por ser memorial ao Senhor.

16 E o restante [14] d’ella comerão Aarão e seus filhos: asmo [15] se comerá no logar sancto, no pateo da tenda da congregação o comerão.

17 Levedado não se cozerá: [16] sua porção é que lhes dei das minhas offertas queimadas: coisa sanctissima [17] é, como a expiação do peccado e como a expiação da culpa.

18 Todo o macho [18] entre os filhos d’Aarão comerá d’ella: estatuto perpetuo será para as vossas gerações das offertas queimadas do Senhor; tudo o que tocar n’ellas será [19] sancto.

A offerta na consagração dos sacerdotes.

19 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

20 Esta é a offerta [20] d’Aarão e de seus filhos, que offerecerão ao Senhor no dia em que fôr ungido: a decima parte d’um [21] epha de flor de farinha pela offerta de manjares continua; a metade d’ella pela manhã, e a outra metade d’ella á tarde.

21 N’uma caçoila se fará com azeite; cosida a trarás; e os pedaços cosidos da offerta offerecerás em cheiro suave ao Senhor.

22 Tambem o sacerdote, que de entre seus filhos [22] fôr ungido em seu logar, fará o mesmo; por estatuto perpetuo seja, toda será queimada ao Senhor.

23 Assim toda a offerta do sacerdote totalmente será queimada; não se comerá.

A lei da expiação do peccado.

24 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

25 Falla a Aarão e a seus filhos, dizendo: [23] Esta é a lei da expiação do peccado: no logar onde se degola o holocausto se degolará a expiação do peccado perante o Senhor; [24] coisa sanctissima é.

26 O sacerdote que a offerecer [25] pelo peccado a comerá: no logar sancto se comerá, no pateo da tenda da congregação.

27 Tudo o que tocar [26] a sua carne será sancto: se espargir alguem do seu sangue sobre o seu vestido, lavarás aquillo sobre o que caiu n’um logar sancto.

28 E o vaso de barro em que fôr cosida [27] será quebrado; porém, se fôr cosida n’um vaso de cobre, esfregar-se-ha e lavar-se-ha na agua.

29 Todo o macho entre os sacerdotes a [28] comerá: coisa sanctissima é.

30 Porém nenhuma expiação de peccado, [29] cujo sangue se traz á tenda da congregação, para expiar no sanctuario, se comerá: no fogo será queimada.

[1] Num. 5.6. cap. 19.11. Act. 5.4. Col. 3.9. Exo. 22.7, 10.

[2] Pro. 24.28 e 26.19.

[3] Deu. 22.1, 2, 3. Exo. 22.11. cap. 19.12. Jer. 7.9. Zac. 5.4.

[4] cap. 5.16. Num. 5.7. II Sam. 12.6. Luc. 19.8.

[5] cap. 5.15.

[6] cap. 4.26.

[7] Exo. 28.39, 40, 41, 43. cap. 16.4. Eze. 44.17, 18.

[8] cap. 1.16.

[9] Eze. 44.19.

[10] cap. 4.12.

[11] cap. 3.3, 9, 14.

[12] cap. 2.1. Num. 15.4.

[13] cap. 2.2, 9.

[14] cap. 2.3. Eze. 44.29.

[15] ver. 26. cap. 10.12, 13. Num. 18.10.

[16] cap. 2.11. Num. 18.10.

[17] ver. 25. Exo. 29.37. cap. 2.3 e 7.1.

[18] ver. 29. Num. 18.10. cap. 3.17.

[19] Exo. 29.37. cap. 22.3, 4, 5, 6, 7.

[20] Exo. 29.2.

[21] Exo. 16.36.

[22] cap. 4.3. Exo. 29.25.

[23] cap. 4.2 e 1.3, 5, 11 e 4.24, 29, 33.

[24] ver. 17. cap. 21.22.

[25] cap. 10.17, 18. Num. 18.10. Eze. 44.28, 29. ver. 16.

[26] Exo. 29.37 e 30.29.

[27] cap. 11.33 e 15.12.

[28] ver. 18, 25. Num. 18.10.

[29] cap. 4.7, 11, 12, 18, 21 e 10.18 e 16.27. Heb. 13.11.

A lei da expiação da culpa.

7 E esta é a [1] lei da expiação da culpa: coisa sanctissima é.

2 No logar onde degolam [2] o holocausto, degolarão a expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor.

3 E d’ella se offerecerá toda a sua gordura; a cauda, [3] e a gordura que cobre a fressura.

4 Tambem ambos os rins, e a gordura que n’elles ha, que está sobro as tripas, e o redenho sobre o figado, com os rins se tirará,

5 E o sacerdote o queimará sobre o altar em offerta queimada ao Senhor: expiação da culpa é.

6 Todo o macho [4] entre os sacerdotes[101] a comerá: no logar sancto se comerá: coisa sanctissima é.

7 Como a expiação do [5] peccado, assim será a expiação da culpa: uma mesma lei haverá para ellas; será do sacerdote que houver feito propiciação com ella.

8 Tambem o sacerdote, que offerecer o holocausto d’alguem, o mesmo sacerdote terá o coiro do holocausto que offerecer.

9 Como tambem toda a offerta que se cozer no forno, [6] com tudo que se preparar na sertã e na caçoila, será do sacerdote que o offerece.

10 Tambem toda a offerta amassada com azeite, ou secca, será de todos os filhos d’Aarão, assim de um como de outro.

A lei do sacrificio da paz.

11 E esta é a lei [7] do sacrificio pacifico que se offerecerá ao Senhor:

12 Se o offerecer por offerta de louvores, com o sacrificio de louvores, offerecerá bolos asmos amassados com azeite; [8] e coscorões asmos amassados com azeite; e os bolos amassados com azeite serão fritos, de flor de farinha.

13 Com os bolos offerecerá [9] pão levedado pela sua offerta, com o sacrificio de louvores da sua offerta pacifica.

14 E de toda a offerta offerecerá um d’elles por offerta alçada ao Senhor, que será do sacerdote [10] que espargir o sangue da offerta pacifica.

15 Mas a carne do sacrificio de louvores da sua offerta pacifica [11] se comerá no dia do seu offerecimento: nada se deixará d’ella até á manhã.

16 E, se [12] o sacrificio da sua offerta fôr voto, ou offerta voluntaria, no dia em que offerecer o seu sacrificio se comerá; e o que d’elle ficar tambem se comerá no dia seguinte;

17 E o que ainda ficar da carne do sacrificio ao terceiro dia será queimado no fogo.

18 Porque, se da carne do seu sacrificio pacifico se comer ao terceiro dia, aquelle que a offereceu não será [13] acceito, nem lhe será imputado; coisa abominavel será, e a pessoa que comer d’ella levará a sua iniquidade.

19 E a carne que tocar alguma coisa immunda não se comerá; com fogo será queimada: mas da outra carne qualquer que estiver limpo comerá d’ella.

20 Porém, se alguma pessoa comer a carne do sacrificio pacifico, que é do Senhor, tendo ella sobre si a sua immundicia, aquella pessoa será [14] extirpada dos seus povos.

21 E, se uma pessoa tocar alguma coisa immunda, [15] como immundicia de homem, ou gado immundo, ou qualquer abominação immunda, e comer da carne do sacrificio pacifico, que é do Senhor, aquella pessoa será extirpada dos seus povos.

Deus prohibe o comer a gordura e o sangue.

22 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

23 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Nenhuma gordura de boi, nem de carneiro, nem de cabra [16] comereis,

24 Porém pode usar-se da gordura do corpo morto, e da gordura do dilacerado, para toda a obra, mas de nenhuma maneira a comereis;

25 Porque qualquer que comer a gordura do animal, do qual se offerecer ao Senhor offerta queimada, a pessoa que a comer será extirpada dos seus povos.

26 E nenhum sangue comereis em qualquer das vossas habitações, [17] quer de aves quer de gado.

27 Toda a pessoa que comer algum sangue, aquella pessoa será extirpada dos seus povos.

A porção dos sacerdotes.

28 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

29 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Quem offerecer ao Senhor o seu sacrificio pacifico, [18] trará a sua offerta ao Senhor do seu sacrificio pacifico.

30 As suas proprias mãos trarão as offertas queimadas do Senhor; a gordura do [19] peito com o peito trará para movel-o por offerta movida perante o Senhor.

31 E o sacerdote queimará [20] a gordura sobre o altar, porém o peito [21] será de Aarão e de seus filhos.

32 Tambem a espadua [22] direita dareis ao sacerdote por offerta alçada dos vossos sacrificios pacificos.

33 Aquelle dos filhos de Aarão que offerecer o sangue do sacrificio pacifico, e a gordura, aquelle terá a espadua direita para a sua porção;

[102]

34 Porque o peito movido [23] e a espadua alçada tomei dos filhos de Israel dos seus sacrificios pacificos, e os dei a Aarão, o sacerdote, e a seus filhos, por estatuto perpetuo dos filhos de Israel.

35 Esta é a porção de Aarão e a porção de seus filhos das offertas queimadas do Senhor, no dia em que os apresentou para administrar o sacerdocio ao Senhor.

36 O que o Senhor ordenou que se lhes désse d’entre os filhos de Israel [24] no dia em que os ungiu, [GB] estatuto perpetuo é pelas suas gerações.

37 Esta é a lei do holocausto, [25] da offerta de manjares, e da expiação do peccado, [26] e da expiação da culpa, [27] e da offerta das consagrações, [28] e do sacrificio pacifico.

38 Que o Senhor ordenou a Moysés no monte Sinai, no dia em que ordenou aos filhos de Israel que offerecessem [29] as suas offertas ao Senhor no deserto de Sinai.

[1] cap. 5 e 6.1-7 e 6.17, 25 e 21.22.

[2] cap. 1.3, 5, 11 e 4.24, 29, 33.

[3] cap. 3, 4, 9, 10, 14, 15, 16 e 4.8, 9. Exo. 29.13.

[4] cap. 6.16, 17, 18. Num. 18.9, 10. cap. 2.3.

[5] cap. 6.25, 26 e 14.13.

[6] cap. 2.3, 10. Num. 18.9. Eze. 44.29.

[7] cap. 3.1 e 22.18,