The Project Gutenberg eBook of A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

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Title: A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Translator: João Ferreira d' Almeida

Release date: June 12, 2020 [eBook #62383]
Most recently updated: October 18, 2024

Language: Portuguese

Credits: Produced by Júlio Reis, abi278, Sergio Queiroz and the
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*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK A BIBLIA SAGRADA, CONTENDO O VELHO E O NOVO TESTAMENTO ***

A
BIBLIA SAGRADA

CONTENDO
O VELHO E O NOVO TESTAMENTO

TRADUZIDA EM PORTUGUEZ
POR
JOÃO FERREIRA D’ALMEIDA

COM REFERENCIAS E ALGUMAS ALTERNATIVAS
EDIÇÃO REVISTA E CORRIGIDA

DEPOSITO DAS ESCRIPTURAS SAGRADAS
32—JANELLAS VERDES—32

LISBOA
1911

First Edition, 1900.

6,000 reprinted 1911.


INDICE DOS LIVROS QUE CONTÉM
A

BIBLIA SAGRADA

VELHO TESTAMENTO

Abreviaturas Pag. Cap.
Genesis Gen. 1 50
Exodo Exo. 51 40
Levitico Lev. 95 27
Numeros Num. 128 36
Deuteronomio Deu. 172 34
Josué Jos. 211 24
Juizes Jui. 236 21
Ruth Ruth 261 4
I Samuel I Sam. 265 31
II Samuel II Sam. 299 24
I Reis I Reis 326 22
II Reis II Reis 358 25
I Chronicas I Chr. 388 29
II Chronicas II Chr. 416 36
Esdras Esd. 451 10
Nehemias ou II Esdras Neh. 461 13
Esther Est. 475 10
Job Job 483 42
Psalmos Psa. 510 150
Proverbios Pro. 576 31
Ecclesiastes Ecc. 600 12
Cantico dos Canticos Can. 608 8
Isaias Isa. 612 66
Jeremias Jer. 663 52
Lamentações de Jeremias Lam. 719 5
Ezequiel Eze. 725 48
Daniel Dan. 776 12
Oseas Ose. 792 14
Joel Joel 800 3
Amós Amós 803 9
Obadias Oba. 809 1
Jonas Jon. 810 4
Miqueas Miq. 812 7
Nahum Nah. 816 3
Habacuc Hab. 818 3
Sofonias Sof. 820 3
Aggeo Agg. 823 2
Zacharias Zac. 825 14
Malachias Mal. 834 4

NOVO TESTAMENTO

Abreviaturas Pag. Cap.
Evangelho de S. Mattheus Mat. 839 28
de S. Marcos Mar. 875 16
de S. Lucas Luc. 898 24
de S. João João 936 21
Actos dos Apostolos Act. 964 28
Epistola de S. Paulo
aos Romanos Rom. 1000 16
I aos Corinthios I Cor. 1015 16
II aos Corinthios II Cor. 1030 13
aos Galatas Gal. 1039 6
aos Ephesios Eph. 1044 6
aos Philippenses Phi. 1050 4
aos Colossenses Col. 1054 4
I aos Thessalonicenses I The. 1057 5
II aos Thessalonicenses II The. 1061 3
I a Timotheo I Tim. 1063 6
II a Timotheo II Tim. 1067 4
a Tito Tito 1070 3
a Philemon Phi. 1072 1
aos Hebreos Heb. 1073 13
de S. Thiago Thi. 1084 5
I de S. Pedro I Ped. 1088 5
II de S. Pedro II Ped. 1092 3
I de S. João I João 1095 5
II de S. João II João 1099 1
III de S. João III João 1099 1
de S. Judas Jud. 1100 1
Apocalypse Apo. 1101 22

Nota do transcritor:

Algumas das referências estão erradas. Não foi possível para corrigi-los.


[1]

O PRIMEIRO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

GENESIS.

A creação do ceu e da terra e de tudo o que n’elles se contém.

Antes de Christo 4004

1 No [1] principio creou [2] Deus os céus e a terra.

2 E a terra [3] era sem fórma e vasia; e havia trevas sobre a face do abysmo: e o [4] Espirito de Deus se movia sobre a face das aguas.

3 E disse Deus: [5] Haja luz: e [6] houve luz.

4 E viu Deus que era boa a luz: e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

5 E Deus chamou á luz Dia; e ás [7] trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

6 E disse Deus: Haja uma expansão no meio das aguas, e haja separação entre aguas e aguas.

7 E fez Deus a expansão, [8] e fez separação entre as aguas que estavam debaixo da expansão e as aguas que [9] estavam sobre a expansão: e assim foi.

8 E chamou Deus á expansão Céus, e foi a tarde e a manhã o dia segundo.

9 E disse Deus: Ajuntem-se [10] as aguas debaixo dos céus n’um logar; e appareça a porção secca: e assim foi.

10 E chamou Deus á porção secca Terra; e ao ajuntamento das aguas chamou Mares: e viu Deus que era bom.

11 Disse Deus: Produza a terra herva verde, herva que dê semente, arvore fructifera que dê fructo segundo a sua especie, cuja semente está n’ella sobre a terra: e assim foi.

12 E a terra produziu herva, herva dando semente conforme a sua especie, e a arvore fructifera, cuja semente está n’ella conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

13 E foi a tarde, e a manhã, o dia terceiro.

14 E disse Deus: [11] Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; [12] e sejam elles para signaes e para [A] tempos determinados e para dias e annos.

15 E sejam para luminares na expansão dos céus, para allumiar a terra: e assim foi.

16 E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e [13] as estrellas.

17 E Deus os poz na expansão dos céus para allumiar a terra,

18 E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas: e viu Deus que era bom.

19 E foi a tarde, e a manhã, o dia quarto.

20 E disse Deus: Produzam as aguas abundantemente [B] reptis de alma vivente; e vôem as aves sobre a face da expansão dos céus.

21 E Deus creou as [C] grandes balêas, e todo o reptil de alma vivente que as aguas abundantemente produziram conforme as suas especies; e toda a ave de azas conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

22 E Deus as abençoou, dizendo: Fructificae e multiplicae-vos, e enchei as aguas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.

23 E foi a tarde, e a manhã, o dia quinto.

A creação dos seres viventes.

24 E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua especie; gado e reptis, e bestas feras da terra conforme a sua especie: e assim foi.

[2]

25 E fez Deus as bestas feras da terra conforme a sua especie, e o gado conforme a sua especie, e todo o reptil da terra conforme a sua especie: e viu Deus que era bom.

26 E disse Deus: [14] Façamos o homem á nossa imagem, conforme á nossa similhança: e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o reptil que se [D] move sobre a terra.

27 E creou Deus o homem á sua imagem: á imagem de Deus o creou: macho e femea os creou.

28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Fructificae e multiplicae-vos, e enchei a terra, e sujeitae-a: e dominae sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

29 E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a herva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a arvore, em que ha fructo de arvore que dá semente, [15] ser-vos-ha para mantimento.

30 E todo o animal da terra, e toda a ave dos céus, e todo o reptil da terra, em que ha alma vivente; toda a herva verde será para mantimento: e assim foi.

31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom: e foi a tarde, e a manhã, o dia sexto.

[1] Pro. 8.23. Heb. 1.10 e 11.3.

[2] Psa. 8.3 e 33.6. Isa. 40.26. Jer. 51.15. Zac. 12.1. Act. 14.15. Rom. 1.20. Col. 1.16.

[3] Jer. 4.23.

[4] Job 26.13. Psa. 104.30.

[5] Psa. 33.9.

[6] II Cor. 4.6.

[7] Isa. 45.7.

[8] Job 37.18. Jer. 10.12.

[9] Pro. 8.28. Psa. 148.3.

[10] Job 38.8. Psa. 104.9. Jer. 5.22. II Ped. 3.5.

[11] Psa. 136.7.

[12] Psa. 104.19.

[13] Psa. 138.6. Jer. 31.35.

[14] Ecc. 7.29. Eph. 4.24. Col. 3.10. I Cor. 11.7.

[15] cap. 9.3.

2 Assim os céus, e a terra e todo o seu exercito foram acabados.

2 E havendo Deus acabado no dia setimo a sua obra, que tinha feito, [1] descançou no setimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

3 E abençoou Deus o dia setimo, e o sanctificou; porque n’elle descançou de toda a sua obra, que Deus creára e fizera.

A formação do jardim do Eden.

4 Estas são as [E] origens dos céus e da terra, quando foram creados: no dia em que o [F] Senhor Deus fez a terra e os céus:

5 E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a herva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.

6 Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.

7 E formou o Senhor Deus o homem do [2] pó da terra, e soprou em seus [3] narizes o [4] folego da vida: e [5] o homem foi feito alma vivente.

8 E plantou o Senhor Deus um jardim no Eden, da banda do oriente: e poz ali o homem que tinha formado.

9 [6] E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a arvore agradavel á vista, e boa para comida: e a arvore da vida [7] no meio do jardim, e a arvore da [G] sciencia do bem e do mal.

10 E sahia um rio do Eden para regar o jardim; e d’ali se dividia e se tornava em quatro cabeças.

11 O nome do primeiro é Pison: este é o que rodeia toda a terra de [8] Havila, onde ha oiro.

12 E o oiro d’essa terra é bom: ali ha o bdellio, e a pedra [H] sardonica.

13 E o nome do segundo rio é Gihon: este é o que rodeia toda a terra de [I] Cush.

14 E o nome do terceiro rio é [9] [J] Hiddekel: este é o que vae para a banda do oriente da Assyria: e o quarto rio é o Euphrates.

15 E tomou o Senhor Deus o homem, e o poz no jardim do Eden para o lavrar e o guardar.

16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a arvore do jardim comerás livremente,

17 Mas da arvore da sciencia do bem e do mal, d’ella [10] não comerás; porque no dia em que d’ella comeres, certamente morrerás.

Como Deus creou a mulher.

18 E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: [11] far-lhe-hei uma ajudadora que [K] esteja como diante d’elle.

19 Havendo pois o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus os trouxe [12] a Adão, para este vêr como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

20 E Adão poz os nomes a todo o gado, e ás aves dos céus, e a toda a besta do campo; mas para o homem não se achava ajudadora que estivesse como diante d’elle.

21 Então o Senhor Deus fez cair um [13] somno pesado sobre Adão, e este adormeceu: e tomou uma das suas costellas, e cerrou a carne em seu logar;

[3]

22 E da costella que o Senhor Deus tomou do homem, [L] formou uma mulher: e trouxe-a a Adão.

23 E disse Adão: Esta é agora [14] osso dos meus ossos, e carne da minha carne: esta será chamada varôa, porquanto do varão foi tomada.

24 Portanto deixará [15] o varão o seu pae e a sua mãe, e apegar-se-ha á sua mulher, e serão ambos uma [16] carne.

25 E ambos estavam nús, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

[1] Exo. 20.1. Isa. 58.13. Mat. 12.8. Col. 2.16, 17. Heb. 4.4, 9.

[2] cap. 3.19. Psa. 103.14. Isa. 64.8.

[3] I Cor. 15.47. Job 33.4.

[4] Isa. 2.22.

[5] I Cor. 15.45.

[6] Eze. 31.8, 9.

[7] cap. 3.22. Pro. 3.18. Apo. 2.7.

[8] cap. 25.18.

[9] Dan. 10.4.

[10] cap. 3.3, 11.

[11] I Cor. 11.9. I Tim. 2.13.

[12] Psa. 8.6.

[13] cap. 15.2.

[14] Eph. 5.30.

[15] Mar. 10.7.

[16] I Cor. 6.16.

Tentação de Eva e queda do homem.

3 Ora a [1] serpente era [2] mais astuta que todas as alimarias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse á mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a arvore do jardim?

2 E disse a mulher á serpente: Do fructo das arvores do jardim comeremos,

3 Mas do fructo da arvore que está no meio do jardim, disse Deus: [3] Não comereis d’elle, nem n’elle tocareis para que não morraes.

4 Então a [4] serpente disse á mulher: [5] Certamente não morrereis.

5 Porque Deus sabe que no dia em que d’elle comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.

6 E viu a mulher que aquella arvore era boa para se comer, e agradavel aos olhos, e arvore desejavel para dar intendimento; tomou do seu fructo, e comeu, e deu tambem a seu marido comsigo, e elle comeu.

7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que [6] estavam nús; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si [M] aventaes.

8 E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as arvores do jardim.

9 E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?

10 E elle disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e [7] temi, porque estava nú, e escondi-me.

11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nú? Comeste tu da arvore de que te ordenei que não comesses?

12 Então disse Adão; [8] A mulher que me déste por companheira, ella me deu da arvore, e comi.

13 E disse o Senhor Deus á mulher: Porque fizeste isto? E disse a mulher A serpente me enganou, e eu comi.

14 Então o Senhor Deus disse á serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animaes do campo: sobre o teu ventre andarás, e [9] pó comerás todos os dias da tua vida.

15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a [10] tua semente e a [11] sua semente: esta [N] te [12] ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16 E á mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dôr, e a tua conceição; [13] com dôr parirás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e elle te dominará.

17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos á voz de tua mulher, e comeste da arvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás d’ella: maldita é a terra por causa de ti; com [14] dôr comerás d’ella todos os dias da tua vida.

18 [15] Espinhos, e cardos tambem, te produzirá; e comerás a herva do campo.

19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes á terra; porque d’ella foste tomado: porquanto és pó, e em pó te tornarás.

20 E chamou Adão o nome de sua mulher, [O] Eva; porquanto ella era a mãe de todos os viventes.

21 E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher tunicas de pelles, e [16] os vestiu.

22 Então disse o Senhor Deus: Eis [17] que o homem é como um de Nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome tambem da arvore da vida, [18] e coma e viva eternamente:

23 O Senhor Deus, pois, o enviou fóra do jardim do Eden, para lavrar a terra de que fôra tomado.

24 E havendo lançado fóra o homem, poz [19] cherubins ao oriente do jardim do Eden, e uma [20] espada inflammada que andava ao redor, para guardar o caminho da arvore da vida.

[1] Apo. 12.9.

[2] II Cor. 11.3.

[3] cap. 2.17.

[4] João 8.44.

[5] I Tim. 2.14.

[6] cap. 2.25.

[7] I João 3.20.

[8] Pro. 28.13.

[9] Isa. 65.25. Miq. 7.17.

[10] Mat. 13.38. João 8.44. I João 3.8.

[11] Isa. 7.14. Miq. 5.3. Mat. 1.23. Luc. 1.35.

[12] Rom. 16.20.

[13] I Tim. 2.14.

[14] Rom. 8.20.

[15] Isa. 55.13.

[16] Isa. 61.10. Phi. 3.9.

[17] ver. 5.

[18] Apo. 2.7.

[19] Exo. 25.18, 20. Psa. 80.1 e 99.1.

[20] I Chr. 21.16.

O nascimento de Caim, Abel, e Seth.

4 E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ella concebeu e pariu a [P] Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão.

2 E pariu mais a seu irmão [Q] Abel: e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

3 E aconteceu ao cabo de dias que[4] Caim trouxe do fructo da terra uma offerta ao Senhor.

4 E Abel tambem trouxe dos primogenitos das suas ovelhas, e da sua gordura: e attentou o Senhor para [1] Abel e para a sua offerta,

5 Mas para Caim e para a sua offerta não attentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante.

6 E o Senhor disse a Caim: Porque te iraste? E porque descaiu o teu semblante?

7 Se bem fizeres, não haverá [R] acceitação para ti? se não fizeres bem, o peccado jaz á porta, e para ti será o seu desejo, e sobre elle dominarás.

O primeiro homicidio.

8 E fallou Caim com o seu irmão Abel: e succedeu que, estando elles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e [2] o matou.

9 E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E elle disse: Não sei: sou eu guardador do meu irmão?

10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.

11 E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua bocca para receber o sangue do teu irmão da tua mão.

12 Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força: fugitivo e vagabundo serás na terra.

13 Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa [S] ser perdoada.

14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquelle que me achar, me matará.

15 O Senhor porém disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será [T] castigado. E poz o Senhor um signal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.

16 E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Nod, da banda do oriente do Eden.

17 E conheceu Caim a sua mulher, e ella concebeu, e pariu a Enoch: e elle edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoch:

18 E a Enoch nasceu Irad, e Irad gerou a Mehujael, e Mehujael gerou a Methusael e Methusael gerou a Lamech.

19 E tomou Lamech para si duas mulheres: o nome d’uma era Ada, e o nome da outra, Zilla.

20 E Ada pariu a Jabal: este foi o pae dos que habitam em tendas, e teem gado.

21 E o nome do seu irmão era Jubal: este foi o pae de todos os que tocam harpa e orgão.

22 E Zilla tambem pariu a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e de ferro: e a irmã de Tubalcaim foi Naama.

23 E disse Lamech a suas mulheres: Ada e Zilla, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lamech, escutae o meu dito; porque eu matei um varão por minha ferida, e um mancebo por minha pisadura.

24 Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lamech setenta vezes sete.

25 E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ella pariu um filho, e chamou o seu nome [U] Seth; porque, disse ella, Deus me deu outra semente em logar de Abel; porquanto Caim o matou.

26 E a Seth mesmo tambem nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos: então se começou a invocar o nome do Senhor.

[1] Heb. 11.4.

[2] I João 3.12.

A genealogia de Seth.

5 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus creou o homem, [1] á similhança de Deus o fez.

2 Macho [2] e femea os creou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram creados.

3 E Adão viveu cento e trinta annos, e gerou um filho á [3] sua similhança, conforme á sua imagem e chamou o seu nome Seth.

4 E foram os dias de Adão, depois que gerou a Seth, oitocentos annos: e gerou filhos e filhas.

5 E foram todos os dias que Adão viveu, novecentos e trinta annos; [4] e morreu.

6 E viveu Seth cento e cinco annos, e gerou a Enos.

7 E viveu Seth, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete annos, e gerou filhos e filhas.

8 E foram todos os dias de Seth novecentos e doze annos; e morreu.

9 E viveu Enos noventa annos; e gerou a Cainan.

10 E viveu Enos, depois que gerou a Cainan, oitocentos e quinze annos; e gerou filhos e filhas.

11 E foram todos os dias de Enos novecentos e cinco annos; e morreu.

12 E viveu Cainan, setenta annos; e gerou a Mahalalel.

[5]

13 E viveu Cainan, depois que gerou a Mahalalel, oitocentos e quarenta annos; e gerou filhos e filhas.

14 E foram todos os dias de Cainan novecentos e dez annos; e morreu.

15 E viveu Mahalalel sessenta e cinco annos; e gerou a Jared.

16 E viveu Mahalalel, depois que gerou a Jared, oitocentos e trinta annos; e gerou filhos e filhas.

17 E foram todos os dias de Mahalalel oitocentos e noventa e cinco annos; e morreu.

18 E viveu Jared cento e sessenta e dois annos; e gerou a Enoch.

19 E viveu Jared, depois que gerou a Enoch, oitocentos annos; e gerou filhos e filhas.

20 E foram todos os dias de Jared novecentos e sessenta e dois annos; e morreu.

21 E viveu Enoch sessenta e cinco annos; e gerou a Methusala.

22 E andou [5] Enoch com Deus, depois que gerou a Methusala, trezentos annos; e gerou filhos e filhas.

23 E foram todos os dias de Enoch trezentos e sessenta e cinco annos.

24 E andou Enoch com Deus; e não estava mais; [6] porquanto Deus para si o tomou.

25 E viveu Methusala cento e oitenta e sete annos; e gerou a Lamech.

26 E viveu Methusala, depois que gerou a Lamech, setecentos e oitenta e dois annos; e gerou filhos e filhas.

27 E foram todos os dias de Methusala novecentos e sessenta e nove annos; e morreu.

28 E viveu Lamech cento e oitenta e dois annos; e gerou um filho,

29 E chamou o seu nome [V] Noé, dizendo: Este nos consolará ácerca de nossas obras, e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o [7] Senhor amaldiçoou.

30 E viveu Lamech, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco annos; e gerou filhos e filhas.

31 E foram todos os dias de Lamech setecentos e setenta e sete annos; e morreu.

32 E era Noé da edade de quinhentos annos; e gerou Noé a [8] Sem, Cão, e Japhet.

[1] cap. 1.27. I Cor. 11.7. Col. 3.10.

[2] Mal. 2.15.

[3] Job 25.4. João 3.6. I Cor. 15.48.

[4] Heb. 9.27.

[5] cap. 6.9 e 17.1. Deu. 13.4. II Reis 20.3. Psa. 16.8. Amós 3.3. Mal. 2.6.

[6] Heb. 11.5.

[7] cap. 3.17 e 4.11.

[8] cap. 6.10 e 10.21.

A corrupção geral do genero humano.

Antes de Christo 2469

6 E aconteceu que, como os homens se começaram a multiplicar sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas;

2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram [1] formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

3 Então disse o Senhor: Não [W] contenderá o [2] meu Espirito para sempre com o homem; porque elle tambem é carne: [3] porém os seus dias serão cento e vinte annos.

4 Havia n’aquelles dias gigantes na terra; e tambem depois, quando os filhos de Deus entraram ás filhas dos homens, e d’ellas geraram filhos: estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama.

5 E viu o [4] Senhor que a maldade do homem se multiplicára sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.

6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pezou-lhe em seu coração.

7 E disse o Senhor: Destruirei o homem que creei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

8 Noé [5] porém achou graça aos olhos do Senhor.

9 Estas são as gerações de Noé: Noé era varão justo e recto em suas gerações: Noé andava com Deus.

10 E gerou Noé tres filhos: Sem, Cão, e Japhet.

11 A terra porém estava corrompida diante da face de Deus: e encheu-se a terra de violencia.

12 E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

Deus annuncia o diluvio a Noé.

13 Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violencia; e eis que os desfarei com a terra.

14 Faze para ti uma arca da madeira de Gopher: farás [X] compartimentos na arca, e a betumarás por dentro e por fóra com betume.

15 E d’esta maneira a farás: De trezentos covados o comprimento da arca, e de cincoenta covados a sua largura, e de trinta covados a sua altura.

16 Farás na arca uma janella, e de um covado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-has andares baixos, segundos e terceiros.

[6]

17 Porque eis que Eu trago um [6] diluvio de aguas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que ha espirito de vida debaixo dos céus: tudo o que ha na terra expirará.

18 Mas comtigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos comtigo.

19 E de tudo o que vive, de toda a carne, [7] dois de cada especie, metterás na arca, para os conservar vivos comtigo; macho e femea serão.

20 Das aves conforme a sua especie, e das bestas conforme a sua especie, de todo o reptil da terra conforme a sua especie, dois de cada especie virão a ti, para os conservar em vida.

21 E tu toma para ti de toda a comida que se come, e ajunta-a para ti; e te será para mantimento para ti e para elles.

22 Assim fez Noé: [8] conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

[1] Job 31.1.

[2] Neh. 9.30. Isa. 5.4 e 63.10. Jer. 11.7, 11. I Ped. 3.20.

[3] Psa. 78.39.

[4] Psa. 14.2 e 53.2. Rom. 3.9.

[5] Eze. 14.14.

[6] Psa. 20.10.

[7] cap. 7.8, 9.

[8] Heb. 11.7.

Noé e sua familia entram na arca.

Antes de Christo 2448

7 Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca: porque te hei visto [1] justo diante de mim n’esta geração.

2 De todo o animal [2] limpo tomarás para ti sete e sete, macho e sua femea; mas dos animaes que não são limpos, dois, o macho e sua femea.

3 Tambem das aves dos céus sete e sete, macho e femea, para conservar em vida a semente sobre a face de toda a terra.

4 Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substancia que fiz.

5 E fez Noé conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenára.

6 E era Noé da edade de seiscentos annos, quando o diluvio das aguas veiu sobre a terra.

7 E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com elle na arca, por causa das aguas do diluvio.

8 Dos animaes limpos, e dos animaes que não são limpos, e das aves, e de todo o reptil sobre a terra,

9 Entraram de dois em dois a Noé na arca, macho e femea, como Deus ordenára a Noé.

10 E aconteceu que, passados sete dias, vieram sobre a terra as aguas do diluvio.

11 No anno seiscentos da vida de Noé, no mez segundo, aos dezesete dias do mez, n’aquelle mesmo dia [3] se romperam todas as fontes do grande abysmo, e as janellas dos céus se abriram,

12 E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

13 E no mesmo dia entrou Noé, e Sem, e Cão, e Japhet, os filhos de Noé, como tambem a mulher de Noé, e as tres mulheres de seus filhos com elle na arca.

14 Elles, e todo o animal conforme a sua especie, e todo o gado conforme a sua especie, e todo o reptil que se roja sobre a terra conforme a sua especie, e toda a ave conforme a sua especie, todo o passaro de [Y] toda a qualidade.

15 E de toda a carne, em que havia espirito de vida, entraram de dois em dois a Noé na arca.

16 E os que entraram, macho e femea de toda a carne entraram, como Deus lhe tinha ordenado: e o Senhor [4] o fechou por fóra.

O diluvio.

17 E esteve o diluvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as aguas, e levantaram a arca, e ella se elevou sobre a terra.

18 E prevaleceram as aguas, e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca andava sobre as aguas.

19 E as aguas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e [5] todos os altos montes, que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos.

20 Quinze covados acima prevaleceram as aguas; e os montes foram cobertos.

21 E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o reptil que se roja sobre a terra, e [6] todo o homem.

22 Tudo o que tinha folego de espirito de vida em seus narizes, tudo o que havia no secco, morreu.

23 Assim foi desfeita toda a substancia que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao reptil, e até á ave dos céus; e foram extinctos da terra: e ficou somente Noé, e os que com elle estavam na arca.

24 E prevaleceram as aguas sobre a terra [7] cento e cincoenta dias.

[1] I Ped. 3.20. II Ped. 2.5.

[2] Lev. 11.

[3] cap. 8.2. Pro. 8.28. Mat. 24.38. I The. 5.3.

[4] Deu. 33.27. Psa. 46.2.

[5] II Ped. 3.6.

[6] Job 22.15, 17.

[7] cap. 8.3.

As aguas do diluvio diminuem.

Antes de Christo 2349

8 E [1] lembrou-se Deus de Noé, e [2] de toda a besta, e de todo o animal, e de toda a rez que com elle estava[7] na arca: e Deus fez passar [3] um vento sobre a terra, e aquietaram-se as aguas.

2 Cerraram-se tambem as [4] fontes do abysmo, e as janellas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se.

3 E as aguas tornaram de sobre a terra [Z] continuamente, e ao cabo de cento e cincoenta dias as aguas minguaram.

4 E a arca repousou, no setimo mez, no dia dezesete do mez, sobre os montes de Ararat.

5 E foram as aguas indo e minguando até ao decimo mez: no decimo mez, no primeiro dia do mez, appareceram os cumes dos montes.

6 E aconteceu que, ao cabo de quarenta dias, [5] abriu Noé a janella da arca que tinha feito.

Noé solta um corvo e depois uma pomba.

7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as aguas se seccaram de sobre a terra.

8 Depois soltou uma pomba, a vêrse as aguas tinham minguado de sobre a face da terra.

9 A pomba porém não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a elle para a arca; porque as aguas estavam sobre a face de toda a terra: e elle estendeu a sua mão, e tomou-a, e metteu-a comsigo na arca.

10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fóra da arca.

11 E a pomba voltou a elle sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico: e conheceu Noé que as aguas tinham minguado sobre a terra.

12 Então esperou ainda outros sete dias; e enviou fóra a pomba, mas não tornou mais a elle.

13 E aconteceu que no anno seiscentos e um, no mez primeiro, no primeiro dia do mez, as aguas se seccaram de sobre a terra: então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta.

14 E no segundo mez, aos vinte e sete dias do mez, a terra estava secca.

Noé e sua familia saem da arca.

15 Então fallou Deus a Noé, dizendo:

16 Sae da arca, tu, e tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos comtigo.

17 Todo o animal que está comtigo, de toda a carne, de ave, e de gado, e de todo o reptil que se roja sobre a terra traze fóra comtigo; e povôem abundantemente a terra, e [6] fructifiquem, e se multipliquem sobre a terra.

18 Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com elle,

19 Todo o animal, todo o reptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas familias, saiu para fóra da arca.

20 E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o [7] animal limpo, e de toda a ave limpa, e offereceu holocaustos sobre o altar.

21 E o Senhor cheirou o [8] suave cheiro, e disse o Senhor em seu coração: [9] Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a [10] imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, [11] nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.

22 Emquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, [12] não cessarão.

[1] cap. 19.29. Exo. 2.24.

[2] Psa. 36.6.

[3] Exo. 14.21.

[4] Pro. 8.28.

[5] cap. 6.16.

[6] cap. 1.22.

[7] Lev. 1.11.

[8] Lev. 1.9. Eph. 5.2.

[9] cap. 3.17 e 6.17.

[10] cap. 6.5. Job 15.14. Jer. 17.9. Rom. 1.21.

[11] cap. 9.11, 15.

[12] Isa. 54.9. Jer. 33.20.

O pacto que Deus fez com Noé.

9 E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: [1] Fructificae e multiplicae-vos, e enchei a terra.

2 E será o vosso temor [2] e o vosso pavor sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus: tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, na vossa mão são entregues.

3 Tudo quanto se [3] move, que é vivente, será para vosso mantimento: tudo vos tenho dado [4] como herva verde.

4 A carne, porém, com [5] sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.

5 E certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas [AA] vidas; da mão de todo o animal o requererei: como tambem da mão [6] do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.

6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado: porque Deus fez [7] o homem conforme á sua imagem.

7 Mas vós fructificae e multiplicae-vos: povoae abundantemente a terra, e multiplicae-vos n’ella.

8 E fallou Deus a Noé, e a seus filhos com elle, dizendo:

9 E eu, eis que estabeleço o meu [8] concerto comvosco e com a vossa semente depois de vós,

[8]

10 E com toda [AB] a alma vivente, [9] que comvosco está, de aves, de rezes, e de todo o animal da terra comvosco: desde todos que sairam da arca, até todo o animal da terra.

11 E eu comvosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruida toda a carne pelas aguas [10] do diluvio: e que não haverá mais diluvio, para destruir a terra.

12 E disse Deus: Este é o signal [11] do concerto que ponho entre mim e vós, e entre toda a alma vivente, que está comvosco, por gerações eternas.

13 O meu [12] arco tenho posto na nuvem: este será por signal do concerto entre mim e a terra.

14 E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, apparecerá o arco nas nuvens:

15 Então me lembrarei do meu concerto, que está entre mim [13] e vós, e entre toda a alma vivente de toda a carne: e as aguas não se tornarão mais em diluvio, para destruir toda a carne.

16 E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar do concerto eterno entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra.

17 E disse Deus a Noé: Este é o signal do concerto que tenho estabelecido entre mim e entre toda a carne, que está sobre a terra.

18 E os filhos de Noé, que da arca sairam, foram Sem, e Cão, e Japhet; e [14] Cão, é o pae de Canaan.

19 Estes tres foram [15] os filhos de Noé; e d’estes se povoou toda a terra.

Noé planta uma vinha.

Antes de Christo 2348

20 E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha:

21 E bebeu do [16] vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda.

22 E viu Cão, o pae de Canaan, a nudez do seu pae, e fel-o saber a ambos seus irmãos fóra.

23 Então tomaram Sem e Japhet uma capa, e puzeram-n’a sobre ambos os seus hombros, e indo [17] virados para traz, cubriram a nudez do seu pae, e os seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez do seu pae.

24 E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera.

25 E disse: Maldito seja [18] Canaan: servo dos servos seja aos seus irmãos.

26 E disse: Bemdito seja o Senhor Deus de Sem: e seja-lhe Canaan por servo.

27 Alargue Deus a Japhet, e habite nas tendas de Sem: e seja-lhe Canaan por servo.

28 E viveu Noé, depois do diluvio, trezentos e cincoenta annos.

29 E foram todos os dias de Noé novecentos e cincoenta annos, e morreu.

[1] ver. 7, 19. cap. 10.32.

[2] Psa. 8.6. Thi. 3.7.

[3] Deu. 12.15 e 14.4. Act. 10.12, 14. I Tim. 4.3, 4.

[4] cap. 1.20.

[5] Lev. 17.10, 14 e 19.25. Deu. 12.23. I Sam. 14.34.

[6] Eze. 21.12, 28.

[7] Lev. 24.17. Rom. 13.4. cap. 1.27.

[8] ver. 11, 17. cap. 6.18.

[9] Psa. 145.9. cap. 8.1.

[10] II Ped. 3.7.

[11] cap. 17.11.

[12] Eze. 1.28. Apo. 4.3.

[13] Deu. 7.9. Neh. 9.32.

[14] cap. 10.1, 6.

[15] cap. 10.32. I Chr. 1.4.

[16] Pro. 20.1. Luc. 21.34. I Cor. 10.12.

[17] Gal. 6.1. I Ped. 4.8.

[18] Deu. 27.16. II Chr. 8.7, 8.

Os descendentes de Noé.

Antes de Christo 2347

10 Estas pois são as gerações dos filhos de Noé. Sem, Cão, [1] e Japhet; e nasceram-lhe filhos depois do diluvio.

2 Os filhos de Japhet, são: Gomer e Magog, e Madai, e Javan, e Tubal, e Mesech, e Tiras.

3 E os filhos de Gomer, são: Asquenaz, e Riphath, e Togarmah.

4 E os filhos de Javan, são: Elishah e Tarshish, Kittim, e Dodanim.

5 Por estes foram repartidas [2] as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua lingua, segundo as suas familias, entre as suas nações.

6 E os filhos de Cão, são: [3] Cush, e Mizraim, e Put, e Canaan.

7 E os filhos de Cush, são: [4] Seba, e Havilah, e Sabtah, e Raamah, e Sabteca: e os filhos de Raamah são, Scheba e Dedan.

8 E Cush gerou a [5] Nimrod: este começou a ser poderoso na terra.

9 E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor: pelo que se diz: Como Nimrod, poderoso caçador diante do Senhor.

10 E o principio do seu reino foi Babel, e Erech, e Accad, e [6] Calneh, na terra de Shinar.

11 D’esta mesma terra saiu á Assyria e edificou a Ninive, e Rehoboth-Ir e Calah,

12 E Resen, entre Niniveh e Calah (esta é a grande cidade).

13 E Mizraim gerou a Ludim, e a Anamim, e a Leabim, e a Naphtuhim,

14 E a [7] Pathrusim, e a Caslushim, (d’onde sairam os philisteus) e a Caphtorim.

15 E Canaan gerou a Sidon, seu primogenito, e a Heth;

16 E ao Jebuseu, e Amorrheu, e Girgaseu,

17 E ao Heveu, e ao Arkeu, e ao Sineu,

18 E ao Arvadeu, e ao Zemareu, e ao Hamatheu, e depois se espalharam as familias dos [8] cananeus.

19 E foi o termo dos cananeus desde Sidon, indo para Gerar, até Gaza; indo[9] para Sodoma, e Gomorrah, e Adamah e Zeboiim, até Lasha.

20 Estes são os filhos de Cão segundo as suas familias, segundo as suas linguas, em suas terras, em suas nações.

21 E a Sem nasceram filhos, e elle é o pae de todos os filhos de Eber, o irmão mais velho de Japhet.

22 Os filhos [9] de Sem, são: Elam, e Assur, e Arpachshad, e Lud.

23 E os filhos de Aram são: Uz, e Hul, e Gether, e Mash.

24 E Arpachshad gerou a Shelah: e Shelah gerou a Eber.

25 E a Eber nasceram dois filhos: o nome d’um foi Peleg, [AC] porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joktan.

26 E Joktan gerou a Almodad, e a Sheleph, e a Hazarmaveth, e a Jerah;

27 E a Hadoran, e a Uzal, e a Diclah;

28 E a Obal, e a Abimael, e a Sheba;

29 E a Ophir, e a Havila e a Jobab: todos estes foram filhos de Joktan.

30 E foi a sua habitação desde Mesha, indo para Sephar, montanha do Oriente.

31 Estes são os filhos de Sem segundo as suas familias, segundo as suas linguas, nas suas terras, segundo as suas nações.

32 Estas são as familias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, nas suas nações: e d’estes foram divididas as nações na terra depois do diluvio.

[1] I Chr. 1.5.

[2] Sof. 2.11.

[3] I Chr. 1.8.

[4] Psa. 72.10.

[5] Miq. 5.6.

[6] Amós 6.2.

[7] I Chr. 1.12.

[8] cap. 15.18, 21. Jos. 12.7, 8.

[9] I Chr. 1.17.

Toda a terra com uma mesma lingua.

Antes de Christo 2218

11 E era toda a terra d’uma mesma lingua, e d’uma mesma falla.

2 E aconteceu que, partindo elles do Oriente, acharam um valle na terra de Shinar; e habitaram ali.

3 E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos, e queimemol-os bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.

4 E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo [1] cume toque nos céus, e façamo-nos [2] um nome, para que não [3] sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

5 Então desceu o Senhor para [4] ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;

6 E disse: Eis que o povo é um, e todos teem uma mesma lingua; e isto é o que começam a fazer: e agora, não haverá restricção para tudo o que elles intentarem fazer?

A confusão das linguas.

7 Eia, desçamos, e [5] confundamos ali a sua lingua, para que não intenda um a lingua do outro.

8 Assim o Senhor os espalhou d’ali sobre a face de toda a terra: e cessaram de edificar a cidade.

9 Por isso se chamou o seu nome Babel, [AD] porquanto ali confundiu o Senhor a lingua de toda a terra, e d’ali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.

10 Estas são as gerações [6] de Sem: Sem era da edade de cem annos, e gerou a Arpachshad, dois annos depois do diluvio.

11 E viveu Sem, depois que gerou a Arpachshad, quinhentos annos; e gerou filhos e filhas.

12 E viveu Arpachshad trinta e cinco annos, e gerou a Selah.

13 E viveu Arpachshad depois que gerou a Selah, quatrocentos e tres annos; e gerou filhos e filhas.

14 E viveu Selah, trinta annos, e gerou a Eber:

15 E viveu Selah, depois que gerou a Eber, quatrocentos e tres annos, e gerou filhos e filhas.

16 E viveu Eber trinta e quatro annos e gerou a Peleg:

17 E viveu Eber, depois que gerou a Peleg, quatrocentos e trinta annos, e gerou filhos e filhas.

18 E viveu Peleg trinta annos, e gerou a Rehu:

19 E viveu Peleg, depois que gerou a Rehu, duzentos e nove annos, e gerou filhos e filhas.

20 E viveu Rehu, trinta e dois annos, e gerou a Serug:

21 E viveu Rehu, depois que gerou a Serug, duzentos e sete annos e gerou filhos e filhas.

22 E viveu Serug trinta annos, e gerou a Nahor:

23 E viveu Serug, depois que gerou a Nahor, duzentos annos, e gerou filhos e filhas.

24 E viveu Nahor vinte e nove annos, e gerou a Terah:

25 E viveu Nahor, depois que gerou a Terah, cento e dezenove annos, e gerou filhos e filhas.

26 E viveu Terah, setenta annos, e gerou a Abrão, a Nahor, [7] e a Haran.

27 E estas são as gerações de Terah: Terah gerou a Abrão, a Nahor, e a Haran: e Haran gerou a Lot.

[10]

28 E morreu Haran estando seu pae Terah, ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos Chaldeus.

29 E tomaram Abrão e Nahor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão [8] era Sarai, e o nome da mulher de Nahor era [9] Milcah, filha de Haran, pae de Milcah, e pae de Iscah.

30 E Sarai foi [10] esteril, e não tinha filhos.

31 E tomou Terah a Abrão seu filho, e a Lot filho de Haran, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com elles de Ur dos Chaldeus, [11] para ir á terra de Canaan; e vieram até Haran, e habitaram ali.

32 E foram os dias de Terah duzentos e cinco annos: e morreu Terah em Haran.

[1] Deu. 1.28.

[2] Psa. 49.2. Dan. 4.30. Pro. 10.7.

[3] ver. 9. Luc. 1.51.

[4] cap. 18.21.

[5] Psa. 55.9. Act. 2.6.

[6] cap. 10.24. I Chr. 1.17.

[7] Jos. 24.2. I Chr. 26.

[8] cap. 17.15.

[9] cap. 22.20 e 24.15.

[10] cap. 16.1 e 18.11 e 21.1, 2.

[11] cap. 12.1. Neh. 9.7. Act. 7.4.

Deus chama Abrão e lhe faz promessas.

Antes de Christo 1921

12 Ora o [1] Senhor disse a Abrão: Sae-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pae, para a terra que eu te mostrarei.

2 E far-te-hei [2] uma grande nação, e abençoar-te-hei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma benção.

3 E abençoarei [3] os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão bemditas [4] todas as familias da terra.

4 Assim partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Lot com elle: e era Abrão de edade de setenta e cinco annos, quando saiu de Haran.

5 E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Lot, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe accresceram em Haran: e sairam para irem á terra de Canaan; e vieram á terra de Canaan.

6 E passou Abrão por aquella terra até ao logar de Sichem, até ao carvalho [5] de Moreh; e estavam então os Cananeos na terra.

7 E appareceu o Senhor [6] a Abrão, e disse: Á tua semente darei esta terra. E edificou ali um [7] altar ao Senhor, que lhe apparecêra.

8 E moveu-se d’ali para a montanha á banda do Oriente [8] de Bethel, e armou a sua tenda, tendo [9] Bethel ao Occidente, e Ai ao Oriente; e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor.

9 Depois caminhou Abrão d’ali, seguindo ainda para a banda do Sul.

Abrão desce ao Egypto.

10 E havia fome n’aquella terra: e desceu Abrão ao Egypto, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.

11 E aconteceu que, chegando elle para entrar no Egypto, disse a Sarai, sua mulher: Ora bem sei que és mulher formosa á vista;

12 E será que, quando os Egypcios te virem, dirão: Esta é sua mulher. E matar-me-hão a mim, e a ti te guardarão em vida.

13 Dize, peço-te, que és [10] minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti.

14 E aconteceu que, entrando Abrão no Egypto, viram os Egypcios a mulher, que era mui formosa.

15 E viram-n’a os principes do Pharaó, e gabaram-n’a diante do Pharaó: e foi a mulher tomada para casa do Pharaó.

16 E fez bem a Abrão por amor d’ella; e elle teve ovelhas, e vaccas, e jumentos, e servos e servas, e jumentas, e camelos.

17 Feriu, porém, o Senhor o Pharaó com grandes pragas, e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18 Então chamou o Pharaó a Abrão, e disse: Que é isto que [11] me fizeste? porque não me disseste que ella era tua mulher?

19 Porque disseste: É minha irmã? de maneira que a houvera tomado por minha mulher: agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vae-te.

20 E o Pharaó, [12] deu ordens aos seus varões a seu respeito, e acompanharam-n’o a elle, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.

[1] cap. 11.31. Isa. 51.2. Act. 7.3. Heb. 11.8.

[2] cap. 17.6.

[3] cap. 18.18 e 28.4.

[4] cap. 27.29. Exo. 23.22. Num. 24.9.

[5] Deu. 11.30.

[6] cap. 17.1 e 18.1.

[7] cap. 13.15. Rom. 9.8. Gal. 3.16 e 4.28.

[8] cap. 13.4, 18 e 26.25 e 33.20. cap. 28.19.

[9] cap. 20.2 e 26.7.

[10] I Chr. 16.21. Psa. 105.14.

[11] cap. 20.10 e 26.10.

[12] Pro. 21.1.

Abrão volta do Egypto.

Antes de Christo 1918

13 Subiu, pois, Abrão do Egypto para a banda do Sul, elle e sua mulher, e tudo o que tinha, e com elle Lot.

2 E ia Abrão muito rico em gado, em prata, e em oiro.

3 E fez as suas jornadas do Sul até Beth-el, até ao logar onde ao principio estivera a sua tenda, entre Beth-el e Ai;

4 Até ao logar do altar [1] que d’antes[11] ali tinha feito; e Abrão invocou ali o nome do Senhor.

5 E tambem Lot, que ia com Abrão, tinha rebanhos, e vaccas, e tendas.

6 E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos; porque a sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos.

Abrão e Lot separam-se.

7 E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do gado de Lot: e os Cananeus e os Perizeus habitavam então na terra.

8 E disse Abrão a Lot: [2] Ora não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos varões somos.

9 Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda.

10 E levantou Lot os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter [3] destruido Sodoma e Gomorrha, e era como [4] o jardim do Senhor, como a terra do Egypto, quando se entra em [5] Zoar.

11 Então Lot escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Lot para o Oriente, e apartaram-se um do outro.

12 Habitou Abrão na terra de Canaan, e Lot habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma.

13 Ora eram maus os varões de Sodoma, e grandes peccadores [6] contra o Senhor.

14 E disse o Senhor a Abrão, depois que Lot se apartou d’elle: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o logar onde estás, para a banda do Norte, e do Sul, e do Oriente, e do Occidente;

15 Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e á tua semente, [7] para sempre.

16 E farei a tua semente como [8] o pó da terra; de maneira que se alguem podér contar o pó da terra, tambem a tua semente será contada.

17 Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei.

18 E Abrão armou as suas tendas, e veiu, e habitou nos carvalhaes de Mamre, [9] que estão junto a Hebron; e edificou ali um altar ao Senhor.

[1] cap. 12.7, 8.

[2] Phi. 2.14. Heb. 12.14.

[3] cap. 19.25. Eze. 16.49.

[4] Isa. 51.3.

[5] cap. 14.2.

[6] cap. 18.20. II Ped. 2.7, 8.

[7] cap. 12.7.

[8] cap. 15.5 e 2.17 e 28.14. Num. 23.10. Deu. 1.10. I Reis 4.20. Jer. 33.22.

[9] cap. 18.1 e 35.27 e 37.14.

Guerra de quatro reis contra cinco.

14 E aconteceu nos dias de Amraphel, rei de Shinar, Arioch, rei de Ellasar, Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de [AE] Goiim,

2 Que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsha, rei de Gomorrah, a Shinab, rei de Admah, e a Shemeber, rei de Zeboiim, e ao rei de Bela (esta é Zoar).

3 Todos estes se ajuntaram no valle de Siddim (que é o mar de sal).

4 Doze annos haviam servido a Chedorlaomer, mas ao decimo terceiro anno rebelaram-se.

5 E ao decimo quarto anno veiu Chedorlaomer, e os reis que estavam com elle, e feriram aos Rephains em Ashteroth-karnaim, e aos Zuzins em Ham, e aos Emins em Shave-kiriathaim,

6 E aos Horeos no seu monte Seir, até á campina de Paran, que está junto ao deserto.

7 Depois tornaram e vieram a Enmispat (que é Cades), e feriram toda a terra dos Amalekitas, e tambem os Amoreos, que habitavam em Hazazon-tamar.

8 Então saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorrah, e o rei de Admah, e o rei de Zeboiim, e o rei de Bela (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra elles no valle de Siddim,

9 Contra Chedorlaomer, rei de Elam, e Tidal, rei de Goiim, e Amraphel, rei de Shinar, e Arioch, rei de Ellasar; quatro reis contra cinco.

10 E o valle de Siddim estava cheio de poços de betume: e fugiram os reis de Sodoma, e de Gomorrah, e cairam ali; e os restantes fugiram para um monte.

11 E tomaram toda a fazenda de Sodoma, e de Gomorrah, e todo o seu mantimento, e foram-se.

Lot é levado captivo.

12 Tambem tomaram a [1] Lot, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda, e foram-se.

13 Então veiu um que escapára, e o contou a Abrão, o Hebreu: elle [2] habitava junto dos carvalhaes de Mamre, o Amoreo, irmão de Eshcol, e irmão de Aner; elles eram confederados de Abrão.

14 Ouvindo pois Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus creados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dan.

15 E dividiu-se contra elles de noite, elle e os seus creados, e os feriu, e os perseguiu até Hobah, que fica á esquerda de Damasco.

16 E tornou a trazer toda a fazenda, e[12] tornou a trazer tambem a Lot, seu irmão, e a sua fazenda, e tambem as mulheres, e o povo.

17 E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a Chedorlaomer e aos reis que estavam com elle) até ao valle de Schave, que é o valle [3] do rei.

Melchizedec abençoa Abrão.

18 E Melchizedec, [4] rei de Salem, trouxe pão e vinho: e era este sacerdote [5] do Deus altissimo.

19 E abençoou-o, e disse: Bemdito seja Abrão de Deus altissimo, o [6] Possuidor dos céus e da terra;

20 E bemdito seja o Deus altissimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dizimo [7] de tudo.

21 E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as almas, e a fazenda toma para ti.

22 Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: [8] Levantei minha mão ao Senhor, o Deus altissimo, [9] o Possuidor dos céus e da terra,

23 Que desde um fio até á correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu: para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;

24 Salvo tão sómente o que os mancebos comeram, e a parte que toca aos varões que commigo foram, Aner, Escol, e Mamre; estes que tomem a sua parte.

[1] cap. 13.12. Isa. 6.9.

[2] cap. 13.18.

[3] II Sam. 18.18.

[4] Heb. 7.1.

[5] Psa. 110.4. Heb. 5.6.

[6] ver. 22.

[7] Heb. 7.1, 10.

[8] Exo. 6.8.

[9] ver. 19.

Deus anima Abrão e promette-lhe um filho.

Antes de Christo 1913

15 Depois d’estas coisas veiu a palavra do Senhor a Abrão em visão, [1] dizendo: Não temas, Abrão, [2] eu sou o teu escudo, o teu grandissimo galardão.

2 Então disse Abrão: Senhor Jehovah, que me has de dar, pois ando sem [3] filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Elieser?

3 Disse mais Abrão: Eis que me não tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro.

4 E eis que veiu a palavra do Senhor a elle, dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquelle que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro.

5 Então o levou fóra, e disse: Olha agora para os céus, e conta as [4] estrellas, se as podes contar. E disse-lhe: [5] Assim será a tua semente.

6 E creu elle no Senhor, e [AF] imputou-lhe [6] isto por justiça.

7 Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei [7] de Ur dos Chaldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdal-a.

8 E disse elle: [8] Senhor Jehovah, como saberei que hei-de herdal-a?

9 E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de tres annos, e uma cabra de tres annos, e um carneiro de tres annos, uma rola, e um pombinho.

10 E trouxe-lhe todos estes, e [9] partiu-os pelo meio, e poz cada parte d’elles em frente da outra; mas as aves não partiu.

11 E as aves desciam sobre os cadaveres; Abrão, porém, as enxotava.

12 E [10] pondo-se o sol, um profundo somno caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre elle.

13 Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua, e servil-os-hão; [11] e affligil-os-hão quatrocentos annos;

14 Mas tambem eu julgarei a gente, a qual servirão, e depois sairão com [12] grande fazenda.

15 E tu irás a teus paes em paz: em boa velhice [13] serás sepultado.

16 E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos Amoreos [14] não está ainda cheia.

Deus faz um pacto com Abrão.

17 E succedeu que, posto o sol, houve escuridão: e eis um forno de fumo, e uma tocha de fogo, que passou por aquellas metades.

18 N’aquelle mesmo dia fez o Senhor um concerto com Abrão, dizendo: Á tua semente tenho dado esta terra, desde o rio Egypto até ao grande rio Euphrates;

19 E o Keneo, e o Kenezeo, e o Kadmoneo,

20 E o Hetheo, e o Pereseo, e os Rephains,

21 E o Amoreo, e o Cananeo, e o Girgaseo, e o Jebuseo.

[1] cap. 46.2. Num. 12.6. Dan. 10.1.

[2] Deu. 33.29. Psa. 84.11 e 91.4 e 119.114. Pro. 30.5.

[3] Act. 7.5.

[4] Deu. 1.10.

[5] Rom. 4.18.

[6] Rom. 4.3-6. Gal. 3.6. Can. 2.23.

[7] cap. 12.1.

[8] Jui. 6.17. II Reis 20.8. Luc. 1.18.

[9] Jer. 34.18, 19.

[10] cap. 2.21. I Sam. 26.12.

[11] Exo. 12.40. Act. 7.6.

[12] Exo. 12.36. Psa. 105.37.

[13] cap. 25.8.

[14] Mat. 23.32.

Hagar é dada por mulher a Abrão.

Antes de Christo 1911

16 Ora Sarai, mulher d’Abrão, não lhe paria, e elle tinha uma serva Egypcia, cujo nome era [1] Hagar.

[13]

2 E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de parir; entra [2] pois á minha serva; porventura [AG] terei filhos d’ella. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Hagar Egypcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez annos que Abrão habitara na terra de Canaan.

4 E elle entrou a Hagar, e ella concebeu; e vendo ella que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 Então disse Sarai a Abrão: Meu aggravo seja sobre ti: minha serva puz eu em teu regaço; vendo ella agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos: o Senhor julgue entre mim e ti.

6 E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão, faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E affligiu-a Sarai, e ella fugiu de sua face.

7 E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte d’agua no deserto, junto á fonte no caminho de Sur.

8 E disse: Hagar, serva de Sarai, d’onde vens, e para onde vaes? E ella disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora.

9 Então lhe disse o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te [3] debaixo de suas mãos.

10 Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 Disse-lhe tambem o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e parirás um filho, e chamarás o seu nome [AH] Ishmael; porquanto o Senhor ouviu a tua afflicção.

12 E elle será homem [AI] feroz, e a sua mão será contra todos, [4] e a mão de todos contra elle: e [5] habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 E ella chamou o nome do Senhor, que com ella fallava: Tu és Deus da vista, [AJ] porque disse: Não olhei eu tambem para [6] aquelle que me vê?

14 Por isso se chama aquelle poço de [AK] Lachai-roi; eis que está entre Kades e Bered.

15 E Hagar pariu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Hagar parira, Ishmael.

16 E era Abrão da edade de oitenta e seis annos, quando Hagar pariu Ishmael a Abrão.

[1] Gal. 4.24.

[2] cap. 30.3, 9.

[3] I Ped. 2.18.

[4] cap. 21.20.

[5] cap. 25.18.

[6] cap. 32.20. Jui. 6.22, 23.

Deus muda o nome de Abrão.

17 Sendo pois Abrão da edade de noventa e nove annos, appareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus [1] Todo-poderoso, anda [2] em minha presença e sê perfeito:

2 E porei o meu concerto entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente.

3 Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e fallou Deus com elle, dizendo:

4 Quanto a mim, eis o meu concerto, comtigo é e serás o pae [3] de uma multidão de nações;

5 E não se chamará mais o teu nome [4] Abrão, [AL] mas Abrahão [AM] será o teu nome; [5] porque por pae da multidão de nações te tenho posto:

6 E te farei fructificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis [6] sairão de ti:

7 E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto [7] perpetuo, para te ser a ti por Deus, e á tua semente depois de ti.

8 E te darei a ti, e á tua semente depois de ti, a terra de tuas peregrinações, [8] toda a terra de Canaan em perpetua possessão, e ser-lhes-hei Deus.

9 Disse mais Deus a Abrahão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu, e a tua semente depois de ti, nas suas gerações.

10 Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho vos será circumcidado.

11 E circumcidareis a carne do vosso prepucio; e isto será por signal do concerto [9] entre mim e vós.

12 O filho de oito dias, pois, vos será circumcidado, todo o macho nas vossas gerações: o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não fôr da tua semente.

13 Com effeito será circumcidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro: e estará o meu concerto na vossa carne por concerto perpetuo.

14 E o macho com prepucio, cuja carne do prepucio não estiver circumcidada, aquella alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto.

Deus muda o nome de Sarai.

15 Disse Deus mais a Abrahão: A Sarai tua mulher não chamarás mais[14] pelo nome de Sarai, mas Sarah [AN] será o seu nome,

16 Porque eu a hei de abençoar, e te hei de dar a ti d’ella um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão d’ella.

17 Então caiu Abrahão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem annos ha de nascer um filho? e parirá Sarah da edade de noventa annos?

18 E disse Abrahão a Deus: Oxalá que viva Ishmael diante de teu rosto!

19 E disse Deus: Na verdade, Sarah tua mulher te parirá um filho, e chamarás o seu nome [AO] Isaac, e com elle estabelecerei o meu concerto, por concerto perpetuo para a sua semente depois d’elle.

20 E emquanto a Ishmael, tambem te tenho ouvido: eis aqui o tenho abençoado, e fal-o-hei fructificar, e fal-o-hei multiplicar grandissimamente: doze principes gerará, e d’elle farei uma grande nação.

21 O meu concerto, porém, estabelecerei com Isaac, o qual Sarah te parirá n’este tempo determinado, no anno [10] seguinte.

22 E acabou de fallar com elle, e saiu Deus de Abrahão.

A instituição da circumcisão.

23 Então tomou Abrahão a seu filho Ishmael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o macho entre os homens da casa de Abrahão; e circumcidou a carne do seu prepucio, n’aquelle mesmo dia, como Deus fallára com elle.

24 E era Abrahão da edade de noventa e nove annos, quando lhe foi circumcidada a carne do seu prepucio.

25 E Ishmael, seu filho, era da edade de treze annos, quando lhe foi circumcidada a carne do seu prepucio.

26 N’este mesmo dia foi circumcidado Abrahão e Ishmael seu filho,

27 E todos os homens da sua casa, o nascido em casa, e o comprado por dinheiro do estrangeiro, foram circumcidados com elle.

[1] Exo. 6.3. Dan. 4.35.

[2] cap. 48.15. II Reis 20.3.

[3] cap. 13.16 e 22.17.

[4] Neh. 9.7.

[5] Rom. 4.17.

[6] ver. 16, 20. cap. 35.11.

[7] Lev. 26.12. Heb. 11.16.

[8] cap. 48.4.

[9] Act. 7.8. Rom. 4.11. Col. 2.11, 13.

[10] cap. 21.2.

Apparecem tres anjos a Abrahão.

Antes de Christo 1898

18 Depois appareceu-lhe o Senhor nos carvalhaes de [1] Mamre, estando elle assentado á porta da tenda, quando tinha aquecido [AP] o dia.

2 E levantou os seus olhos, e olhou, [2] e eis tres varões estavam em pé junto a elle. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, e inclinou-se á terra,

3 E disse; Meu Senhor, se agora tenho achado graça nos teus olhos, rogo-te que não [3] passes de teu servo,

4 Que se traga já uma [4] pouca d’agua, e lavae os vossos pés, e recostae-vos debaixo d’esta arvore;

5 E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como tens dito.

6 E Abrahão apressou-se em ir ter com Sarah á tenda, e disse-lhe: Amassa depressa tres medidas de flor de farinha, e faze bolos.

7 E correu Abrahão ás vaccas, e tomou uma vitella tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou era preparal-a.

8 E tomou [5] manteiga e leite, e a vitella que tinha preparado, e poz tudo diante d’elles, e elle estava em pé junto a elles debaixo da arvore; e comeram.

9 E disseram-lhe: Onde está Sarah, tua mulher? E elle disse: Eil-a ahi está na tenda.

10 E disse: Certamente [6] tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sarah tua mulher terá um filho. E ouviu-o Sarah á porta da tenda, que estava atraz d’elle.

11 E eram Abrahão e Sarah já [7] velhos, e adiantados em edade; já a Sarah havia cessado o costume das [8] mulheres.

12 Assim pois riu-se Sarah comsigo, [9] dizendo: Terei [10] ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo tambem o meu senhor já [11] velho?

13 E disse o Senhor a Abrahão: Porque se riu Sarah, dizendo: Na verdade parirei eu ainda, havendo já envelhecido?

14 Haveria coisa alguma difficil [12] ao Senhor? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sarah terá um filho.

15 E Sarah negou, dizendo: Não me ri: porquanto temeu. E elle disse: Não digas isso, porque [13] te riste.

16 E levantaram-se aquelles varões d’ali, e olharam para a banda de Sodoma; e Abrahão ia com elles, acompanhando-os.

Deus annuncia a destruição de Sodoma e Gomorrah.

17 E disse o Senhor: [14] Occultarei eu a Abrahão o que faço?

[15]

18 Visto que Abrahão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, [15] e n’elle serão bemditas todas as nações da terra.

19 Porque eu o tenho conhecido, que elle ha de ordenar a seus filhos [16] e a sua casa depois d’elle, para que guardem o caminho do Senhor, para obrar com justiça e juizo: para que o Senhor faça vir sobre Abrahão o que ácerca d’elle tem fallado.

20 Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorrah se tem multiplicado, e porquanto o seu peccado se tem aggravado muito,

21 Descerei [17] agora, e verei se com effeito tem praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabel-o-hei.

22 Então viraram aquelles varões o rosto d’ali, e foram-se para Sodoma; mas Abrahão ficou ainda em pé diante da face do Senhor.

Abrahão intercede com Deus pelos homens.

23 E chegou-se Abrahão, dizendo: Destruirás tambem o justo com o impio?

24 Se porventura houver cincoenta justos na cidade, destruil-os-has tambem, e não pouparás o logar por causa dos cincoenta justos que estão dentro d’ella?

25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o impio: que o justo seja como o impio, [18] longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?

26 Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cincoenta justos [19] dentro da cidade, pouparei a todo o logar por amor d’elles.

27 E respondeu Abrahão, dizendo: Eis que agora me atrevi a fallar ao Senhor, ainda que sou pó e [20] cinza:

28 Porventura faltarão de cincoenta justos cinco; destruirás por aquelles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.

29 E continuou ainda a fallar-lhe, e disse: Porventura se acharão ali quarenta. E disse: Não o farei por amor dos quarenta.

30 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, se eu ainda fallar: Porventura se acharão ali trinta. E disse: Não o farei se achar ali trinta.

31 E disse: Eis que agora me atrevi a fallar ao Senhor: Porventura se acharão ali vinte. E disse: Não a destruirei por amor dos vinte.

32 Disse mais: Ora não se ire o Senhor, que ainda só mais esta [21] vez fallo: Porventura se acharão ali dez. E disse: Não a destruirei por amor dos dez.

33 E foi-se o Senhor, quando acabou de fallar a Abrahão: e Abrahão tornou-se ao seu logar.

[1] cap. 13.18 e 14.13.

[2] cap. 19.1.

[3] Heb. 13.2.

[4] cap. 43.24.

[5] Jui. 5.25.

[6] ver. 14. cap. 17.19 e 21.2. II Reis 4.16. Rom. 9.9. Gal. 4.23.

[7] Rom. 4.19. Heb. 11.11, 12.

[8] cap. 31.35.

[9] cap. 21.6.

[10] Luc. 1.18.

[11] I Ped. 3.6.

[12] Jer. 32.17.

[13] Psa. 44.21.

[14] Psa. 25.14. Amós 3.7. João 15.15.

[15] cap. 12.13.

[16] Deu. 4.9, 10. Psa. 78.5-8. Eph. 6.4.

[17] cap. 11.5. Exo. 3.8.

[18] Job 8.3 e 34.17. Rom. 3.6.

[19] Jer. 5.1.

[20] Job 4.19.

[21] Jui. 6.39.

Lot recebe os dois anjos em sua casa.

19 E vieram os dois [1] anjos a Sodoma á tarde, e estava Lot assentado á porta de Sodoma; e vendo-os Lot, levantou-se ao seu encontro, e inclinou-se com o rosto á terra;

2 E disse: Eis agora, meus senhores, entrae, peço-vos, em casa de vosso servo, e passae n’ella a noite, e lavae os vossos pés; e de madrugada vos levantareis, e ireis vosso caminho. E elles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.

3 E porfiou com elles muito, e vieram com elle, e entraram em sua casa: e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levadura, e comeram.

4 E antes que se deitassem, cercaram a casa, os varões d’aquella cidade, os varões de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.

5 E chamaram a Lot, e disseram-lhe: Onde estão os varões que a ti vieram n’esta [2] noite? Tral-os fóra a nós, para que os conheçamos.

6 Então saiu Lot a elles á porta, e fechou a porta atraz de si,

7 E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não [3] façaes mal:

8 Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não [4] conheceram varão; fora vol-as trarei, e fareis d’ellas como bom fôr nos vossos olhos; sómente nada façaes a estes varões, porque por isso vieram á sombra do meu telhado.

9 Elles porém disseram: Sae d’ali. Disseram mais: Como estrangeiro este individuo veiu aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a elles. E arremessaram-se sobre o varão, sobre Lot, e approximaram-se para arrombar a porta.

10 Aquelles varões porém estenderam a sua mão, e fizeram entrar a Lot comsigo na casa, e fecharam a porta;

11 E [5] feriram de cegueira os varões que estavam á porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cançaram para achar a porta.

12 Então disseram aquelles varões a Lot: Tens alguem mais aqui? teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos[16] tens n’esta cidade, tira-os fóra d’este logar;

13 Porque nós vamos destruir este logar, porque o seu clamor tem engrossado [6] diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruil-o.

14 Então saiu Lot, e fallou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantae-vos, sahi d’este logar; porque o Senhor ha de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros.

15 E ao amanhecer os anjos apertaram com Lot, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher, e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça d’esta cidade.

16 Elle porém demorava-se, e aquelles varões lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-o, e puzeram-o fóra da cidade.

17 E aconteceu que, tirando-os fóra, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes [7] para traz de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.

18 E Lot disse-lhe: Ora não, Senhor!

19 Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericordia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida: e eu não posso escapar no monte, para que porventura não me apanhe este mal, e eu morra.

20 Eis que agora esta cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena: ora para ali me escaparei (não é pequena?), para que minha alma viva.

21 E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te acceitado tambem n’este negocio, para não derribar esta cidade, de que fallaste:

22 Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, emquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade [AQ] Zoar.

23 Saiu o sol sobre a terra, quando Lot entrou em Zoar.

A destruição de Sodoma e Gomorrah.

24 Então o Senhor fez [8] chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorrah;

25 E derribou aquellas cidades, e toda aquella campina, e todos os moradores d’aquellas cidades, e o que nascia da terra.

26 E a mulher de Lot olhou para traz d’elle, e ficou convertida n’uma estatua de [9] sal.

27 E Abrahão levantou-se aquella mesma manhã, de madrugada, e foi para aquelle logar onde estivera [10] diante da face do Senhor;

28 E olhou para Sodoma e Gomorrah, e para toda a terra da campina; e viu, e eis que o fumo da terra subia, como o fumo d’uma fornalha.

29 E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, Deus se lembrou de Abrahão, e tirou a Lot do meio da destruição, derribando aquellas cidades em que Lot habitara.

30 E subiu Lot de Zoar, e habitou [11] no monte, e as suas duas filhas com elle; porque temia de habitar em Zoar; e habitou n’uma caverna, elle e as suas duas filhas.

31 Então a primogenita disse á menor: Nosso pae é já velho, e não ha varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;

32 Vem, demos de beber vinho a nosso pae, e deitemo-nos com elle, para que em vida conservemos semente de nosso pae.

33 E deram de beber vinho a seu pae [12] n’aquella noite; e veiu a primogenita, e deitou-se com seu pae, e não sentiu elle quando ella se deitou, nem quando se levantou.

34 E succedeu, no outro dia, que a primogenita disse á menor: Vês aqui, eu já hontem á noite me deitei com meu pae: demos-lhe de beber vinho tambem esta noite, e então entra tu, deita-te com elle, para que em vida conservemos semente de nosso pae.

35 E deram de beber vinho a seu pae, tambem n’aquella noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com elle; e não sentiu elle quando ella se deitou, nem quando se levantou.

36 E conceberam [13] as duas filhas de Lot de seu pae.

37 E pariu a primogenita um filho, e chamou o seu nome Moab; este é o pae dos [14] moabitas, até ao dia d’hoje.

38 E a menor tambem pariu um filho, e chamou o seu nome Benammi; este é o pae dos filhos de Ammon, até o dia [15] d’hoje.

[1] cap. 18.22.

[2] Jui. 19.22.

[3] Lev. 18.22. Deu. 23.17. Rom. 1.24. I Cor. 6.9, 11. Jud. 7.

[4] Jui. 19.24.

[5] II Reis 6.18. Act. 13.11.

[6] cap. 18.20.

[7] ver. 26.

[8] Deu. 29.23. Isa. 13.19. Jer. 49.18 e 50.40. Lam. 4.6. Eze. 16.49. Mat. 11.23. Luc. 17.28, 29. II Ped. 2.6. Jud. 7. Apo. 20.9.

[9] Luc. 17.32.

[10] cap. 18.22.

[11] ver. 17, 19.

[12] Pro. 23.31, 33.

[13] Lev. 18.6, 7.

[14] Deu. 2.9, 19.

[15] Sof. 2.9.

Abrahão nega que Sarah é sua mulher.

20 E partiu-se Abrahão d’ali para a terra do sul, e habitou entre Kades e Sur; e peregrinou em Gerar.

[17]

2 E havendo Abrahão dito de Sarah sua mulher; [1] É minha irmã, enviou Abimelech, rei de Gerar, e tomou a Sarah.

3 Deus porém veiu a Abimelech em [2] sonhos de noite, e disse-lhe: Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ella está casada com marido.

4 Mas Abimelech ainda não se tinha chegado a ella; por isso disse: Senhor, matarás tambem uma nação justa?

5 Não me disse elle mesmo: É minha irmã? e ella tambem disse: É meu irmão. Em sinceridade do coração e em pureza das minhas mãos tenho feito isto.

6 E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e tambem eu te tenho impedido de peccar contra mim; [3] por isso te não permitti tocal-a;

7 Agora pois restitue a mulher ao seu marido, porque propheta é, e rogará por ti, [4] para que vivas; porém senão lh’a restituires, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

8 E levantou-se Abimelech pela manhã de madrugada, chamou a todos os seus servos, e fallou todas estas palavras em seus ouvidos; e temeram muito aquelles varões.

9 Então chamou Abimelech a Abrahão e disse-lhe: Que nos fizeste? e em que pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho peccado? Tu me fizeste aquillo que não deverias ter feito.

10 Disse mais Abimelech a Abrahão: Que tens visto, para fazer tal coisa?

11 E disse Abrahão: Porque eu dizia commigo: [5] Certamente não ha temor de Deus n’este logar, e elles me matarão por amor da minha mulher.

12 E, na verdade, é ella tambem minha irmã, filha de meu pae, mas não filha da minha mãe; e veiu a ser minha mulher:

13 E aconteceu que, fazendo-me Deus sair errante da casa de meu pae, eu lhe disse: Seja esta a graça que me farás em todo o logar aonde viermos: diz de mim: É meu irmão.

14 Então tomou Abimelech ovelhas e vaccas, [6] e servos e servas, e os deu a Abrahão; e restituiu-lhe Sarah, sua mulher.

15 E disse Abimelech: Eis que a minha terra está diante da tua face: habita onde bom fôr aos teus olhos.

16 E a Sarah disse: Vês que tenho dado ao teu irmão mil moedas de prata: eis que elle te seja por véu dos olhos para com todos os que comtigo estão, e até para com todos os outros; e estás advertida.

17 E orou Abrahão a Deus, e sarou Deus a Abimelech, e á sua mulher, e ás suas servas, de maneira que pariram;

18 Porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimelech, por causa de Sarah, mulher de Abrahão.

[1] cap. 12.13 e 26.7.

[2] Job 33.15. Psa. 105.14.

[3] Psa. 51.4.

[4] I Sam. 7.5. Job 42.8. Thi. 5.16.

[5] Pro. 3.5.

[6] cap. 12.16.

O nascimento de Isaac.

Antes de Christo 1892

21 E o Senhor [1] visitou a Sarah, como tinha dito; e fez o Senhor a Sarah como tinha fallado.

2 E [2] concebeu Sarah, e pariu a Abrahão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito.

3 E chamou Abrahão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sarah lhe [3] parira, [AR] Isaac.

4 E Abrahão circumcidou o seu filho Isaac, quando era da edade de oito dias, como Deus lhe tinha [4] ordenado.

5 E era Abrahão da edade de cem annos, quando lhe nasceu Isaac seu filho.

6 E disse Sarah: Deus me tem feito riso: todo aquelle que o ouvir, se rirá commigo.

7 Disse mais: Quem diria a Abrahão, que Sarah daria de mamar a filhos? porque pari-lhe um filho na sua velhice.

8 E cresceu o menino, e foi desmamado; então Abrahão fez um grande banquete no dia em que Isaac foi desmamado.

9 E viu Sarah [5] que zombava o filho de Hagar a Egypcia, o qual tinha parido a Abrahão.

10 E disse a Abrahão: Deita fóra esta [6] serva e o seu filho; porque o filho d’esta serva não herdará com meu filho, com Isaac.

11 E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abrahão, por causa de seu filho.

12 Porém Deus disse a Abrahão: Não te pareça mal aos teus olhos ácerca do moço, e ácerca da tua serva; em tudo o que Sarah te diz, ouve a sua voz; porque [7] em Isaac será chamada a tua semente.

13 Mas tambem do [8] filho d’esta serva farei uma nação, porquanto é tua semente.

O despedimento de Hagar e Ishmael.

14 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e tomou pão, e um odre d’agua, e os deu a Hagar, pondo-os sobre o seu hombro; tambem lhe[18] deu o menino, e despediu-a; e ella foi-se, andando errante no deserto de [AS] Berseba.

15 E consumida a agua do odre, lançou o menino debaixo de uma das arvores.

16 E foi-se, e assentou-se em frente, afastando-se a distancia d’um tiro d’arco; porque dizia: Que não veja morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou.

17 E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Hagar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Hagar? não temas, porque Deus ouviu a voz do moço desde o logar onde está.

18 Ergue-te, levanta o moço, e pega-lhe pela mão, porque d’elle farei uma [9] grande nação.

19 E [10] abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço d’agua: e foi-se, e encheu o odre d’agua, e deu de beber ao moço.

20 E era Deus com o moço, que cresceu; e habitou no deserto, e foi frecheiro.

21 E habitou no deserto [11] de Paran; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egypto.

Abimelech faz um pacto com Abrahão.

22 E aconteceu n’aquelle mesmo tempo que Abimelech, com Phichol, [AT] principe do seu exercito, fallou com Abrahão, dizendo: Deus é [12] comtigo em tudo o que fazes;

23 Agora pois, jura-me aqui por Deus que me não mentirás a mim, nem a meu filho, nem a meu neto: segundo a beneficencia que te fiz, me farás a mim, e á terra onde peregrinaste.

24 E disse Abrahão: Eu jurarei.

25 Abrahão, porém, reprehendeu a Abimelech por causa de um poço d’agua, que os servos de Abimelech haviam tomado por [13] força.

26 Então disse Abimelech: Eu não sei quem fez isto; e tambem tu m’o não fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje.

27 E tomou Abrahão ovelhas e vaccas, e deu-as a Abimelech; e fizeram ambos concerto.

28 Poz Abrahão, porém, á parte sete cordeiras do rebanho.

29 E Abimelech disse a Abrahão: Para que estão aqui estas sete cordeiras, que pozeste á parte?

30 E disse: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam [14] em testemunho que eu cavei este poço.

31 Por isso se chamou aquelle logar [AU] Berseba, porquanto ambos juraram ali.

32 Assim fizeram concerto em Berseba. Depois se levantou Abimelech e Phichol, principe do seu exercito, e tornaram-se para a terra dos philisteus.

33 E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus [15] eterno.

34 E peregrinou Abrahão na terra dos philisteus muitos dias.

[1] I Sam. 2.21. Luc. 1.68.

[2] Heb. 11.11.

[3] cap. 17.19.

[4] Lev. 12.3. Act. 7.8.

[5] Gal. 4.29.

[6] Gal. 4.30.

[7] Rom. 9.7, 8. Heb. 11.18.

[8] cap. 16.10.

[9] ver. 13.

[10] Num. 22.31. II Reis 6.17, 20. Luc. 24.16, 31.

[11] Num. 10.12.

[12] cap. 26.28 e 39.2.

[13] cap. 26.15, 22.

[14] cap. 31.48. Jos. 22.27.

[15] Psa. 90.2.

Deus manda Abrahão matar seu filho Isaac.

Antes de Christo 1891

22 E aconteceu [1] depois d’estas coisas, que tentou Deus a Abrahão, e disse-lhe: Abrahão! E elle disse: Eis-me aqui.

2 E disse: Toma agora o teu filho, o teu unico filho, Isaac, a quem amas, e vae-te á terra de Moriah, e offerece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

3 Então se levantou Abrahão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou comsigo dois de seus moços e Isaac seu filho; e fendeu lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao logar que Deus lhe dissera.

4 Ao terceiro dia levantou Abrahão os seus olhos, e viu o logar de longe.

5 E disse Abrahão a seus moços: Ficae-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós.

6 E tomou Abrahão a lenha do holocausto, [2] e pôl-a sobre Isaac seu filho; e elle tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.

7 Então fallou Isaac a Abrahão seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse: Eis-me aqui, meu filho! E elle disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?

8 E disse Abrahão: Deus proverá para si [3] o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.

9 E vieram ao logar que Deus lhe dissera, e edificou Abrahão ali um altar, e poz em ordem a lenha, e amarrou a Isaac seu filho, [4] e deitou-o sobre o altar em cima da lenha.

10 E estendeu Abrahão a sua mão, e tomou o cutelo para immolar o seu filho;

11 Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abrahão, Abrahão! E elle disse: Eis-me aqui.

12 Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada: porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu unico.

[19]

13 Então levantou Abrahão os seus olhos, e olhou; e eis um carneiro detraz d’elle, travado pelas suas pontas n’um [5] matto; e foi Abrahão, e tomou o carneiro, e offereceu-o em holocausto, em logar de seu filho.

14 E chamou Abrahão o nome d’aquelle logar, [AV] o Senhor proverá; d’onde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor [6] se proverá.

15 Então o anjo do Senhor bradou a Abrahão pela segunda vez desde os céus,

16 E disse: Por mim mesmo, [7] jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta acção, e não negaste o teu filho, o teu unico,

17 Que devéras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as [8] estrellas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos;

18 E em tua semente serão bemditas todas as nações da terra; [9] porquanto obedeceste á minha voz.

19 Então Abrahão tornou aos seus moços, e levantaram-se, e foram juntos para Berseba; e Abrahão habitou em Berseba.

20 E succedeu depois d’estas coisas, que annunciaram a Abrahão, dizendo: Eis que tambem [10] Milcah pariu filhos a Nahor teu irmão:

21 Uz o seu primogenito, e Buz seu irmão, e Kemuel, pae d’Aram,

22 E Chesed, e Hazo, e Pildas, e Jidlaph, e Bethuel.

23 E Bethuel [11] gerou Rebecca: estes oito pariu Milcah a Nahor, irmão de Abrahão.

24 E a sua concubina, cujo nome era Reuma, ella pariu tambem a Tebah, e Gaham, e Tahash e Maacah.

[1] Deu. 8.2.

[2] João 19.17.

[3] João 1.29. Apo. 5.6.

[4] Heb. 11.17. Thi. 2.21.

[5] I Cor. 10.13. II Cor. 1.9, 10.

[6] ver. 8.

[7] Luc. 1.73. Heb. 6.13, 14.

[8] Deu. 1.10. Jer. 33.22.

[9] I Sam. 2.30.

[10] cap. 11.29.

[11] cap. 24.15.

A morte de Sarah.

Antes de Christo 1860

23 E foi a vida de Sarah cento e vinte e sete annos: estes foram os annos da vida de Sarah.

2 E morreu Sarah em [1] Kiriath-arba, que é Hebron, na terra de Canaan; e veiu Abrahão lamentar a Sarah e chorar por ella.

3 Depois se levantou Abrahão de diante do seu morto, e fallou aos filhos de Heth, dizendo:

4 Estrangeiro e peregrino sou entre vós: dae-me [2] possessão de sepultura comvosco, para que eu sepulte o meu morto de diante da minha face.

5 E responderam os filhos de Heth a Abrahão, dizendo-lhe:

6 Ouve-nos, meu senhor; principe de Deus és no meio de nós; enterra o teu morto na mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrar o teu morto.

7 Então se levantou Abrahão, e inclinou-se diante do povo da terra, diante dos filhos de Heth.

8 E fallou com elles, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu morto de diante de minha face, ouvi-me e fallae por mim a Ephron, filho de Zohar,

9 Que elle me dê a cova de Machpelah, que elle tem no fim do seu campo; que m’a dê pelo devido preço em herança de sepulchro no meio de vós.

10 Ora Ephron habitava no meio dos filhos de Heth: e respondeu Ephron hetheo a Abrahão, aos ouvidos dos filhos de Heth, de todos os que entravam pela porta da sua cidade, dizendo:

11 Não, meu senhor: ouve-me, o campo te dou, tambem te dou a cova que n’elle está, diante dos olhos dos filhos do meu povo t’a dou; sepulta o teu morto.

12 Então Abrahão se inclinou diante da face do povo da terra,

13 E fallou a Ephron, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Mas se tu estás por isto, ouve-me, peço-te: o preço do campo o darei; toma-o de mim, e sepultarei ali o meu morto.

14 E respondeu Ephron a Abrahão, dizendo-lhe:

15 Meu senhor, ouve-me, a terra é de quatrocentos siclos de prata; que é isto entre mim e ti? sepulta o teu morto.

16 E Abrahão deu ouvidos a Ephron e Abrahão pesou a Ephron a prata de que tinha fallado aos ouvidos dos filhos de Heth, quatrocentos siclos de prata, correntes entre mercadores.

17 Assim o campo de Ephron, que estava em Machpelah, em frente de Mamre, o campo e a cova que n’elle estava, e todo o arvoredo que no campo havia, que estava em todo o seu contorno ao redor,

18 Se confirmou a Abrahão em possessão diante dos olhos dos filhos de Heth, de todos os que entravam pela porta da sua cidade.

19 E depois sepultou Abrahão a Sarah sua mulher na cova do campo de Machpelah, em frente de Mamre, que é Hebron, na terra de Canaan.

20 Assim o campo e a cova que n’elle[20] estava se confirmou a Abrahão em possessão de sepultura pelos filhos de Heth.

[1] Jos. 14.15. cap. 13.18.

[2] Act. 7.5.

Abrahão manda seu servo buscar uma mulher para Isaac.

Antes de Christo 1857

24 E era Abrahão já velho e adiantado em edade, e o Senhor havia [1] abençoado a Abrahão em tudo.

2 E disse Abrahão ao [2] seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuia: [3] Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa,

3 Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho [4] mulher das filhas dos cananeos no meio dos quaes eu habito,

4 Mas [5] que irás á minha terra e á minha parentela, e d’ahi tomarás mulher para meu filho Isaac.

5 E disse-lhe o servo: Porventura não quererá seguir-me a mulher a esta terra. Farei pois tornar o teu filho á terra d’onde saiste?

6 E Abrahão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho.

7 O Senhor, Deus dos [6] céus, que me [7] tomou da casa de meu pae e da terra da minha parentela, e que me fallou, e que me jurou, dizendo: Á tua semente darei esta terra: Elle enviará o seu [8] anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho.

8 Se a mulher, porém, não quizer seguir-te, serás livre d’este meu juramento; sómente não faças lá tornar a meu filho.

9 Então poz o servo a sua mão debaixo da coxa de Abrahão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negocio.

10 E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que toda a fazenda de seu senhor estava em sua mão, e levantou-se e partiu para [AW] Mesopotamia, para a cidade de [9] Nahor,

11 E fez ajoelhar os camelos fóra da cidade, junto a um poço d’agua, pela tarde, ao tempo que as moças sahiam a tirar [10] agua.

12 E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão! [11] dá-me hoje bom encontro, [12] e faze beneficencia ao meu senhor Abrahão!

13 Eis que eu estou em pé junto á fonte d’agua, e as filhas dous varões d’esta cidade saem para tirar agua;

14 Seja pois que a donzella, a quem eu disser: Abaixa agora o teu cantaro para que eu beba; e ella disser: Bebe, e tambem darei de beber aos teus camelos; esta seja a quem designaste ao teu servo Isaac, e que eu [13] conheça n’isso que fizeste beneficencia a meu senhor.

O encontro de Rebecca.

15 E succedeu [14] que, antes que elle acabasse de fallar, eis que Rebecca, que havia nascido a Bethuel, filho de Milcah, mulher de Nahor, irmão de Abrahão, sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro.

16 E a donzella era mui formosa á vista, virgem, a quem varão não havia conhecido: e desceu á fonte, e encheu o seu cantaro, e subiu.

17 Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Ora deixa-me beber uma pouca d’agua do teu cantaro.

18 E ella disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se, e abaixou o seu cantaro sobre a sua mão, e deu-lhe de beber.

19 E, acabando ella de lhe dar de beber, disse: Tirarei tambem agua para os teus camelos, até que acabem de beber.

20 E apressou-se, e vasou o seu cantaro na pia, e correu outra vez ao poço para tirar agua, e tirou para todos os seus camelos.

21 E o varão estava admirado de vel-a, calando-se, para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada, ou não.

22 E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o varão um pendente de oiro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de oiro.

23 E disse: De quem és filha? faze-m’o saber, peço-te; ha tambem em casa de teu pae logar para nós pousarmos?

24 E ella lhe disse: Eu sou a filha de [15] Bethuel, filho de Milcah, o qual ella pariu a Nahor.

25 Disse-lhe mais: Tambem temos palha e muito pasto, e logar para passar a noite.

26 Então inclinou-se [16] aquelle varão, e adorou ao Senhor,

27 E disse: Bemdito seja o Senhor Deus de meu senhor Abrahão, que não retirou a sua beneficencia e a sua verdade de meu senhor: quanto a mim, o Senhor me guiou no caminho á casa dos irmãos de meu senhor.

28 E a donzella correu, e fez saber estas coisas na casa de sua mãe.

29 E Rebecca tinha um irmão, cujo[21] nome era [17] Labão; e Labão correu ao encontro d’aquelle varão á fonte.

30 E aconteceu que, quando elle viu o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebecca, que dizia: Assim me fallou aquelle varão; veiu o varão, e eis que estava em pé junto aos camelos á fonte.

31 E disse: Entra, bemdito do Senhor, porque estarás fóra? pois eu já preparei a casa, e o logar para os camelos.

32 Então veiu aquelle varão á casa, e desataram os camelos, e deram palha e pasto aos camelos, e agua para lavar os pés d’elle e os pés dos varões que estavam com elle.

33 Depois pozeram de comer diante d’elle; elle porém disse: Não [18] comerei, até que tenha dito as minhas palavras. E elle disse: Falla.

34 Então disse: Eu sou o servo d’Abrahão.

35 E o Senhor [19] abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, [20] e deu-lhe ovelhas e vaccas, e prata e oiro, e servos e servas, e camelos e jumentos.

36 E Sarah, a mulher do meu senhor, pariu um filho a meu senhor depois da sua velhice, e elle deu-lhe tudo quanto tem.

37 E meu senhor me fez [21] jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeos, em cuja terra habito:

38 Irás porém á casa de meu pae, e á minha familia, e tomarás mulher para meu filho.

39 Então disse eu ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.

40 E elle me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo comtigo, e prosperará o teu caminho, para que tomes mulher para meu filho da minha familia e da casa de meu pae:

41 Então serás livre do meu juramento, quando fores á minha familia; e se não t’a derem, livre serás do meu juramento.

42 E hoje cheguei á fonte, e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abrahão! se tu agora prosperas o meu caminho, no qual eu ando,

43 Eis que estou junto á fonte d’agua: seja pois que a donzella que sair para tirar agua e á qual eu disser: Ora dá-me uma pouca d’agua do teu cantaro;

44 E ella me disser: Bebe tu tambem, e tambem tirarei agua para os [22] teus camelos; esta seja a mulher que o Senhor designou ao filho de meu senhor.

45 E antes que eu acabasse de fallar no [23] meu coração, eis que Rebecca sahia com o seu cantaro sobre o seu hombro, e desceu á fonte, e tirou agua; e eu lhe disse: Ora dá-me de beber.

46 E ella se apressou, e abaixou o seu cantaro de sobre si, e disse: Bebe, e tambem darei de beber aos teus camelos; e bebi, e ella deu tambem de beber aos camelos.

47 Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ella disse: Filha de Bethuel, filho de Nahor, que lhe pariu Milcah. Então eu puz o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos;

48 E inclinando-me adorei ao Senhor, e bemdisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abrahão, [24] que me havia encaminhado pelo caminho da verdade, para tomar a filha do irmão de meu senhor para seu filho.

49 Agora pois, se vós haveis de fazer beneficencia e verdade a meu senhor, fazei-m’o saber; e se não tambem m’o fazei saber, para que eu olhe á mão direita, ou á esquerda.

50 Então responderam Labão e Bethuel, e disseram: Do Senhor procedeu este negocio; não podemos fallar-te mal ou [25] bem.

51 Eis que, Rebecca está diante da tua face; toma-a, e vae-te; seja a mulher do filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.

52 E aconteceu que, o servo de Abrahão, ouvindo as suas palavras, inclinou-se á terra diante do Senhor,

53 E tirou o servo [AX] vasos de prata e vasos de oiro, e vestidos, e deu-os a Rebecca; tambem deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.

54 Então comeram e beberam, elle e os varões que com elle estavam, e passaram a noite. E levantaram-se pela manhã, e disse: Deixae-me ir a meu senhor.

55 Então disseram seu irmão e sua mãe: Fique a donzella comnosco alguns dias, ou pelo menos dez dias, depois irá.

56 Elle porém lhes disse: Não me detenhaes, pois o Senhor tem prosperado o meu caminho; deixae-me partir, que eu volte a meu senhor.

57 E disseram: Chamemos a donzella, e perguntemos-lh’o.

[22]

Rebecca consente em casar com Isaac.

58 E chamaram a [26] Rebecca, e disseram-lhe: Irás tu com este varão? Ella respondeu: Irei.

59 Então despediram a Rebecca sua [27] irmã, e sua ama, e o servo de Abrahão, e seus varões.

60 E [28] abençoaram a Rebecca, e disseram-lhe: O nossa irmã, sejas tu em milhares de milhares, e que a tua semente possua a [29] porta de seus aborrecedores!

61 E Rebecca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os camelos, e seguiram o varão: e tomou aquelle servo a Rebecca, e partiu.

62 Ora Isaac vinha d’onde se vem do poço de Lahai-roi; porque habitava na terra do sul.

63 E Isaac saira a orar [AY] no campo, sobre a tarde: e levantou os seus olhos, e olhou, e eis que os camelos vinham.

64 Rebecca tambem levantou seus olhos, e viu a Isaac, e lançou-se do [30] camelo.

65 E disse ao servo: Quem é aquelle varão que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então tomou ella o véu, e cobriu-se.

66 E o servo contou a Isaac todas as coisas que fizera.

67 E Isaac trouxe-a para a tenda de sua mãe Sarah, e tomou a Rebecca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaac foi consolado depois da morte de sua mãe.

[1] cap. 13.2.

[2] cap. 15.2.

[3] cap. 47.29.

[4] Deu. 7.3.

[5] cap. 11.28 e 28.2.

[6] Esd. 1.2.

[7] cap. 12.1, 7.

[8] Heb. 1.14.

[9] cap. 11.31.

[10] Exo. 2.16. I Sam. 9.11.

[11] ver. 27. cap. 26.24. Exo. 3.6.

[12] Neh. 1.11. Pro. 3.6.

[13] Jui. 6.17, 37.

[14] Isa. 65.24. Dan. 9.21.

[15] cap. 22.23.

[16] ver. 52. Exo. 4.31.

[17] cap. 29.5.

[18] João 4.34. Eph. 6.5, 7.

[19] Pro. 10.22 e 22.4.

[20] Psa. 18.35.

[21] ver. 3.

[22] Pro. 19.14.

[23] I Sam. 1.13. Neh. 2.4.

[24] Psa. 32.8 e 48.14 e 107.7.

[25] cap. 31.34. II Sam. 13.22.

[26] Psa. 45.10.

[27] cap. 35.8.

[28] Ruth 4.11, 12.

[29] cap. 22.17.

[30] Jos. 15.18. Jui. 1.14.

Abrahão casa com Ketura e tem filhos d’ella.

25 E Abrahão tomou outra mulher; e o seu nome era [1] Ketura;

2 E pariu-lhe Zimran, e Joksan, e [2] Medan, e Midian, e Jisbac, e Shuah.

3 E Joksan gerou [3] Seba e Dedan: e os filhos de [4] Dedan foram Assurim, e Letusim e Leummim.

4 E os filhos de Midian foram [5] Epha, e Epher, e Henoch, e Abidah, e Eldah: estes todos foram filhos de Ketura.

5 Porém Abrahão deu tudo o que tinha a Isaac;

6 Mas aos filhos das concubinas que Abrahão tinha, deu Abrahão presentes, e, vivendo elle ainda, despediu-os do seu filho Isaac, ao oriente, para a terra [6] oriental.

7 Estes pois são os dias dos annos da vida de Abrahão, que viveu cento e setenta e cinco annos.

Abrahão morre.

Antes de Christo 1822

8 E Abrahão expirou e [7] morreu em boa velhice, velho e farto de dias: [8] e foi congregado ao seu povo;

9 E sepultaram-o Isaac e Ishmael, seus filhos, na cova de Machpelah, no campo d’Ephron, filho de Zohar hetheo, que estava em frente de Mamre,

10 O campo que Abrahão comprara aos filhos de Heth. Ali está sepultado Abrahão, e Sarah sua mulher.

11 E aconteceu depois da morte de Abrahão, que Deus abençoou a Isaac seu filho; e habitava Isaac junto ao poço Lahai-roi.

Os descendentes de Ishmael.

12 Estas porém são as gerações de Ishmael filho de Abrahão, que a serva de Sarah, Hagar Egypcia, pariu a Abrahão.

13 E estes são os nomes dos filhos de Ishmael pelos seus nomes, segundo as suas gerações: o [9] primogenito de Ishmael era Nebajoth, depois Kedar, e Abdeel, e Mibsam,

14 E Misma, e Duma, e Massa,

15 Hadar, e Tema, Jetur, Nafis, e Kedma.

16 Estes são os filhos de Ishmael, e estes são os seus nomes pelas suas villas e pelos seus [AZ] castellos: doze principes [10] segundo as suas [BA] familias.

17 E estes são os annos da vida de Ishmael, cento e trinta e sete annos; e elle expirou, e morreu, [11] e foi congregado ao seu povo.

18 E habitaram desde Havila até Sur, que está em frente do Egypto, indo para [BB] Assur; e fez o seu assento diante da face de todos os seus [12] irmãos.

Os descendentes de Isaac.

19 E estas são as gerações de Isaac, filho de Abrahão: Abrahão gerou a Isaac:

20 E era Isaac da edade de quarenta annos, quando tomou a Rebecca, filha de Bethuel [BC] arameo de Paddan-aram, irmã de Labão arameo, por sua mulher.

21 E Isaac orou instantemente ao Senhor por sua [13] mulher, porquanto era esteril; [14] e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebecca sua mulher concebeu.

22 E os filhos luctavam dentro d’ella; então disse: Se assim é, porque sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.

[23]

23 E o Senhor lhe disse: Duas nações ha no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao [15] menor.

O nascimento de Esaú e Jacob.

Antes de Christo 1838

24 E cumprindo-se os seus dias para parir, eis gemeos no seu ventre.

25 E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido cabelludo; por isso chamaram o seu nome [BD] Esaú.

26 E depois saiu o seu irmão, [16] agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome [BE] Jacob. E era Isaac da edade de sessenta annos quando os gerou.

27 E cresceram os meninos, e Esaú foi varão perito na caça, varão do campo; mas Jacob era varão simples, [17] habitando em tendas.

28 E amava Isaac a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebecca amava a Jacob.

29 E Jacob cozera um guisado; e veiu Esaú do campo, e estava elle [BF] cançado:

30 E disse Esaú a Jacob: Deixa-me, peço-te, sorver d’esse guisado vermelho, porque estou cançado. Por isso se chamou o seu nome [BG] Edom.

31 Então disse Jacob: Vende-me hoje a tua primogenitura.

32 E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?

33 Então disse Jacob: Jura-me hoje. E jurou-lhe [18] e vendeu a sua primogenitura a Jacob.

34 E Jacob deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas; e comeu, e bebeu, e levantou-se, e foi-se. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura.

[1] I Chr. 1.32.

[2] Num. 22.4.

[3] I Sam. 10.1. Psa. 72.10.

[4] Jer. 25.23.

[5] Isa. 60.6.

[6] Jui. 6.3.

[7] cap. 15.15. Job 5.26.

[8] cap. 35.29 e 49.32.

[9] I Chr. 1.29.

[10] cap. 17.20.

[11] I Sam. 15.7.

[12] cap. 16.12.

[13] I Sam. 1.11. Luc. 1.13.

[14] I Chr. 5.20. I Chr. 23.13. Esd. 8.20. Pro. 10.24.

[15] Mal. 1.2, 4. Rom. 9.10, 12.

[16] Ose. 12.3.

[17] Heb. 11.9.

[18] cap. 27.36. Heb. 12.16.

Isaac vae a Gerar por causa da fome.

Antes de Christo 1804

26 E havia fome na [1] terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abrahão: por isso foi-se Isaac a Abimelech, [2] rei dos philisteus, em Gerar.

2 E appareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egypto; habita na terra que eu te disser:

3 Peregrina n’esta terra, e serei comtigo, e te abençoarei; porque a ti e á tua semente darei todas estas [3] terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abrahão teu pae;

4 E multiplicarei a tua semente como as estrellas dos céus, [4] e darei á tua semente todas estas terras; e em tua semente serão bemditas todas as nações da terra;

5 Porquanto Abrahão obedeceu á minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis.

6 Assim habitou Isaac em Gerar.

7 E perguntando-lhe os varões d’aquelle logar ácerca de sua mulher, disse: É minha irmã; [5] porque temia de dizer: [6] É minha mulher; para que porventura (dizia elle) me não matem os varões d’aquelle logar por amor de Rebecca; porque era formosa á vista.

8 E aconteceu que, como elle esteve ali muito tempo, Abimelech rei dos philisteus olhou por uma janella, e viu, e eis que Isaac estava brincando com Rebecca sua mulher.

9 Então chamou Abimelech a Isaac, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaac: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa d’ella.

10 E disse Abimelech: [7] Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguem d’este povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delicto.

11 E mandou Abimelech a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar a este varão ou a sua mulher, certamente morrerá.

12 E semeou Isaac n’aquella mesma terra, e achou n’aquelle mesmo anno [BH] cem medidas, porque o Senhor o abençoava.

13 E engrandeceu-se o varão, e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande;

14 E tinha possessão d’ovelhas, e possessão de vaccas, e muita gente de serviço, de maneira que os philisteus o [8] invejavam.

15 E todos os poços, que os servos de seu pae tinham cavado nos dias de seu pae Abrahão, os philisteus entulharam e encheram de terra.

16 Disse tambem Abimelech a Isaac: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.

17 Então Isaac foi-se d’ali e fez o seu assento no valle de Gerar, e habitou lá.

18 E tornou Isaac, e cavou os poços d’agua que cavaram nos dias de Abrahão seu pae, e que os philisteus taparam depois da morte de Abrahão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pae.

19 Cavaram pois os servos de Isaac[24] n’aquelle valle, e acharam ali um poço d’aguas vivas.

20 E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaac, dizendo. Esta agua é nossa. Por isso chamou o nome d’aquelle poço [BI] Esek, porque contenderam com elle.

21 Então cavaram outro poço, e tambem porfiaram sobre elle: por isso chamou o seu nome [BJ] Sitnah.

22 E partiu d’ali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre elle: por isso chamou o seu nome [BK] Rehoboth, e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos n’esta terra.

23 Depois subiu d’ali a Berseba,

24 E appareceu-lhe o Senhor n’aquella mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Abrahão teu pae: [9] não temas, porque eu sou comtigo, e abençoar-te-hei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abrahão meu servo.

25 Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaac cavaram ali um poço.

Abimelech faz um pacto com Isaac.

26 E Abimelech veiu a elle de Gerar, com Ahuzzath seu amigo, e Phichol, [BL] principe do seu exercito.

27 E disse-lhes Isaac: Porque viestes a mim, pois que vós me aborreceis, e [10] me enviastes de vós?

28 E elles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é comtigo, pelo que dissemos: [11] Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto comtigo,

29 Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos sómente bem, e te deixámos ir em paz. Agora tu és o bemdito do Senhor.

30 Então lhes fez um [12] banquete, e comeram e beberam;

31 E levantaram-se de madrugada, e juraram um ao outro; depois os despediu Isaac, e despediram-se d’elle em paz.

32 E aconteceu n’aquelle mesmo dia que vieram os servos de Isaac, e annunciaram-lhe ácerca do negocio do peço, que tinham cavado; e disseram-lhe: Temos achado agua.

33 E chamou-o [BM] Seba: por isso é o nome d’aquella cidade [BN] Berseba até o dia de hoje.

34 Ora sendo Esaú da edade de quarenta annos, tomou por mulher a Judith, filha de Beeri, hetheo, [13] e a Basmath filha de Elon, hetheo.

35 E estas foram a Isaac e a Rebecca uma amargura [14] de espirito.

[1] cap. 12.10.

[2] cap. 20.2.

[3] cap. 13.15 e 15.18 e 22.16.

[4] cap. 22.16. Psa. 72.17.

[5] cap. 12.13 e 20.2, 13.

[6] Pro. 29.25.

[7] cap. 20.9.

[8] Ecc. 4.4.

[9] Psa. 27.1, 5. Isa. 51.12.

[10] ver. 16.

[11] cap. 21.23. Zac. 8.23.

[12] cap. 31.54.

[13] cap. 36.2.

[14] cap. 27.45.

Isaac manda Esaú fazer-lhe um guisado.

Antes de Christo 1726

27 E aconteceu que, como Isaac envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho. E elle lhe disse: Eis-me aqui.

2 E elle disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha morte;

3 Agora pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sae ao campo, e apanha para mim alguma caça,

4 E faze-me um guisado saboroso, como eu o amo, e traze-m’o, para que eu coma; para que minha alma [1] te abençoe, antes que morra.

5 E Rebecca escutou quando Isaac fallava ao seu filho Esaú: e foi-se Esaú ao campo, para apanhar caça que havia de trazer.

Rebecca e Jacob enganam Isaac.

Antes de Christo 1760

6 Então fallou Rebecca a Jacob seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pae que fallava com Esaú teu irmão, dizendo:

7 Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte.

8 Agora pois, filho meu, ouve a minha voz n’aquillo que eu te mando:

9 Vae agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos das cabras, e eu farei d’elles um guisado saboroso para teu pae, como elle ama,

10 E leval-o-has a teu pae, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte.

11 Então disse Jacob a Rebecca, sua mãe: Eis que Esaú meu irmão é varão [2] cabelludo, e eu varão liso;

12 Porventura me apalpará o meu pae, e serei em seus olhos enganador: assim trarei eu sobre mim maldição, e não benção.

13 E disse-lhe sua mãe: [3] Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; sómente obedece á minha voz, e vae, traze-m’os.

14 E foi, e tomou-os, e trouxe-os a sua mãe; e sua mãe fez um guisado saboroso, como seu pae amava.

15 Depois tomou Rebecca os vestidos [BO] de gala de Esaú, seu filho mais velho,[25] que tinha comsigo em casa, e vestiu a Jacob, seu filho menor;

16 E com as pelles dos cabritos das cabras cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço;

17 E deu o guisado saboroso, e o pão que tinha preparado, na mão de Jacob seu filho.

18 E veiu elle a seu pae, e disse: Meu pae! E elle disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho?

19 E Jacob disse a seu pae: Eu sou Esaú, teu primogenito; tenho feito como me disseste: levanta-te agora, assenta-te, e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe.

20 Então disse Isaac a seu filho: Como é isto, que tão cedo a achaste, filho meu? E elle disse: [4] Porque o Senhor teu Deus a mandou ao meu encontro.

21 E disse Isaac a Jacob: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho, se és meu filho Esaú mesmo, ou não.

22 Então se chegou Jacob a Isaac seu pae, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacob, porém as mãos são as mãos de Esaú.

23 E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam [5] cabelludas, como as mãos de Esaú seu irmão: e abençoou-o.

24 E disse: És tu meu filho Esaú mesmo? E elle disse: Eu [6] sou.

25 Então disse: Faze chegar isso perto de mim, para que coma da caça de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lh’o, e comeu; trouxe-lhe tambem vinho, e bebeu.

26 E disse-lhe Isaac seu pae: Ora chega-te, e beija-me, filho meu.

27 E chegou-se, e beijou-o; então cheirou o cheiro dos seus vestidos, e [7] abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o Senhor abençoou:

28 Assim pois te dê Deus do [8] orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundancia de trigo e de mosto:

29 Sirvam-te povos, e nações se incurvem a ti: sê senhor de teus irmãos, [9] e os filhos da tua mãe se incurvem a ti: malditos sejam os que te amaldiçoarem, e bemditos sejam os que te abençoarem.

Esaú traz ao seu pae o guisado e descobre que Jacob já tomou a benção.

30 E aconteceu que, acabando Isaac de abençoar a Jacob, apenas Jacob acabava de sair da face de Isaac seu pae, veiu Esaú, seu irmão, da sua caça;

31 E fez tambem elle um guisado saboroso, e trouxe-o a seu pae; e disse a seu pae: Levanta-te, meu pae, e come da caça de teu filho, para que me abençoe a tua alma.

32 E disse-lhe Isaac seu pae: Quem és tu? E elle disse: Eu sou teu filho, o teu primogenito, Esaú.

33 Então estremeceu Isaac de um estremecimento muito grande; e disse: Quem, pois, é aquelle que apanhou a caça, e m’a trouxe? e comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o: tambem será bemdito.

34 Esaú, ouvindo as palavras de seu pae, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pae: [10] Abençoa-me tambem a mim, meu pae.

35 E elle disse: Veiu o teu irmão com subtileza, e tomou a tua benção.

36 Então disse elle: Não foi o seu nome justamente chamado [11] Jacob, por isso que já duas vezes me enganou? a minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha benção. Mais disse: Não reservaste pois para mim benção alguma?

37 Então respondeu Isaac, e disse a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor [12] sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos: e de trigo e de mosto o tenho fortalecido;—que te farei pois agora a ti, meu filho?

38 E disse Esaú a seu pae: Tens uma só benção, meu pae? abençoa-me tambem a mim, meu pae. E levantou Esaú a sua voz, e chorou.

39 Então respondeu Isaac seu pae, e disse-lhe: Eis que nas gorduras da terra será a tua habitação, e do orvalho dos céus do alto serás abençoado,

40 E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que quando te senhoreares, então sacudirás o seu jugo [13] do teu pescoço.

41 E aborreceu Esaú a Jacob por causa d’aquella benção, com que seu pae o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-hão os dias de luto de meu pae: e matarei a Jacob meu irmão.

42 E foram denunciadas a Rebecca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; e ella enviou, e chamou a Jacob seu filho menor, e disse-lhe: Eis que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo-se matar-te.

43 Agora pois, meu filho, ouve a minha voz, e levanta-te; acolhe-te a Labão meu irmão, em [14] Haran,

44 E mora com elle alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;

45 Até que se desvie de ti a ira de teu[26] irmão, e se esqueça do que lhe fizeste: então enviarei, e te farei vir de lá; porque seria eu desfilhada tambem de vós ambos n’um mesmo dia?

46 E disse Rebecca a Isaac: [15] Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Heth; se Jacob tomar mulher das filhas de Heth, como estas são das filhas d’esta terra, para que me será a vida?

[1] ver. 25.

[2] cap. 25.25.

[3] I Sam. 25.24. II Sam. 14.9.

[4] Exo. 20.7.

[5] ver. 16.

[6] Eph. 4.25.

[7] Heb. 11.20.

[8] Deu. 33.13, 28.

[9] cap. 25.23.

[10] Heb. 12.17.

[11] cap. 25.26, 34.

[12] ver. 29. II Sam. 8.14.

[13] II Reis 8.20. II Chr. 21.8.

[14] cap. 11.31.

[15] cap. 26.35.

Isaac manda Jacob a Paddan-aram.

28 E Isaac chamou a Jacob, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de [1] Canaan:

2 Levanta-te, vae a [2] Paddan-aram, á casa de [3] Bethuel, pae de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de [4] Labão, irmão de tua mãe;

3 E Deus Todo-poderoso te abençoe, e te faça fructificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos;

4 E te dê [5] abenção de Abrahão, a ti e á tua semente comtigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, [6] que Deus deu a Abrahão.

5 Assim enviou Isaac a Jacob, o qual se foi a Paddan-aram, a Labão, filho de Bethuel [BP] arameo, irmão de Rebecca, mãe de Jacob e de Esaú.

6 Vendo pois Esaú [7] que Isaac abençoára a Jacob, e o enviára a Paddan-aram, para tomar mulher para si d’ali, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaan;

7 E que Jacob obedecera a seu pae e a sua mãe, e se fôra a Paddan-aram;

8 Vendo tambem Esaú que as filhas de Canaan eram más aos olhos de Isaac seu pae,

9 Foi-se Esaú a Ishmael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Mahalath filha de Ishmael, filho de Abrahão, irmã de Nebajoth.

A visão da escada de Jacob.

10 Partiu pois Jacob de Berseba, e foi-se a Haran;

11 E chegou a um logar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras d’aquelle logar, e a poz por sua cabeceira, e deitou-se n’aquelle logar,

12 E sonhou: e eis uma escada era posta na terra, cujo topo tocava nos céus: e eis que os [8] anjos de Deus subiam e desciam por ella;

13 E eis que o Senhor estava em cima d’ella, e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abrahão [9] teu pae, e o Deus de Isaac: esta terra, em que estás deitado, t’a darei a ti e á tua semente:

14 E a tua semente será como o pó da [10] terra, e estender-se-ha ao occidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua semente serão bemditas todas as [11] familias da terra:

15 E eis que estou comtigo, e te guardarei por onde quer que [12] fores, e te farei tornar a esta [13] terra: porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.

16 Acordado pois Jacob do seu somno, disse: Na verdade o Senhor está n’este logar; e eu não o sabia.

17 E temeu, e disse: Quão terrivel é este logar! Este não é outro logar senão a casa de Deus; e este é a porta dos céus.

A columna de Bethel.

18 Então levantou-se Jacob pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por sua cabeceira, e a poz por columna, e derramou azeite em cima d’ella.

19 E chamou o nome d’aquelle logar [BQ] Bethel: o nome porém d’aquella cidade d’antes era Luz.

20 E Jacob votou um voto, dizendo: Se Deus fôr commigo, [14] e me guardar n’esta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestidos para vestir;

21 E eu em paz tornar á casa de meu pae, o Senhor me será por Deus;

22 E esta pedra que tenho posto por [15] columna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dizimo.

[1] cap. 24.3.

[2] Ose. 12.12.

[3] cap. 25.20.

[4] cap. 24.29.

[5] cap. 12.2.

[6] cap. 17.8.

[7] cap. 27.33.

[8] João 1.51. Heb. 1.14.

[9] cap. 26.24.

[10] cap. 13.16.

[11] cap. 22.18.

[12] Psa. 121.5, 8.

[13] cap. 35.6.

[14] II Sam. 15.8.

[15] cap. 35.7.

Jacob chega ao poço de Haran.

29 Então poz-se Jacob a pé, e foi-se á terra dos filhos de oriente;

2 E olhou, e eis um poço no campo, e eis tres rebanhos d’ovelhas que estavam deitados junto a elle; porque d’aquelle poço davam de beber aos rebanhos: e havia uma grande pedra sobre a bocca do poço.

3 E ajuntavam ali todos os rebanhos, e removiam a pedra de sobre a bocca do poço, e davam de beber ás ovelhas: e tornavam a pôr a pedra sobre a bocca do poço, no seu logar.

4 E disse-lhes Jacob: Meus irmãos, d’onde sois? E disseram: Somos de Haran.

[27]

5 E elle lhes disse: Conheceis a Labão, filho de Nachor? E disseram: Conhecemos.

6 Disse-lhes mais: Está elle bem? E disseram: Está bem, e eis aqui Rachel sua filha, que vem com as ovelhas.

7 E elle disse: Eis que ainda é muito dia, não é tempo de ajuntar o gado; dae de beber ás ovelhas, e ide, apascentae-as.

8 E disseram: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e removam a pedra de sobre a bocca do poço, para que demos de beber ás ovelhas.

Jacob encontra Rachel.

9 Estando elle ainda fallando com elles, veiu Rachel com as ovelhas de seu pae: porque ella era pastora.

10 E aconteceu que, vendo Jacob a Rachel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou Jacob, e revolveu a pedra de sobre a bocca [1] do poço, e deu de beber ás ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.

11 E Jacob beijou a Rachel, e levantou a sua voz, e chorou.

12 E Jacob annunciou a Rachel que era [2] irmão de seu pae, e que era filho de Rebecca: então ella correu, e o annunciou a seu pae.

13 E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacob, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o á sua casa: e contou elle a Labão todas estas coisas.

14 Então Labão disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu [3] osso e a minha carne. E ficou com elle um mez inteiro.

15 Depois disse Labão a Jacob: Porque tu és meu irmão, has de servir-me de graça? declara-me qual será o teu salario.

16 E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Leah, e o nome da menor Rachel.

17 Leah porém tinha olhos [BR] tenros, mas Rachel era de formoso semblante e formosa á vista.

18 E Jacob amava a Rachel, e disse: Sete annos te servirei por Rachel, tua filha menor.

19 Então disse Labão: Melhor é que eu t’a dê, do que eu a dê a outro varão: fica commigo.

20 Assim [4] serviu Jacob sete annos por Rachel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava.

Labão engana Jacob.

Antes de Christo 1753

21 E disse Jacob a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu entre a ella.

22 Então ajuntou Labão a todos os varões d’aquelle logar, e fez um banquete.

23 E aconteceu, á tarde, que tomou Leah sua filha, e trouxe-lh’a: e entrou a ella.

24 E Labão deu sua serva Zilpah a Leah sua filha por serva.

25 E aconteceu pela manhã, eis que era Leah; pelo que disse a Labão: Porque me fizeste isso? não te tenho servido por Rachel? porque pois me enganaste?

26 E disse Labão: Não se faz assim no nosso logar, que a menor se dê antes da primogenita.

27 Cumpre a semana d’esta; então te daremos tambem a outra, pelo serviço que ainda outros sete annos servires commigo.

Jacob casa com Rachel.

28 E Jacob fez assim: e cumpriu a semana d’esta: então lhe deu por mulher Rachel sua filha.

29 E Labão deu [5] sua serva Bilha por serva a Rachel, sua filha.

30 E entrou tambem a Rachel, [6] e amou tambem a Rachel mais do que a Leah; e serviu com elle ainda outros sete annos.

31 Vendo pois o Senhor que Leah era aborrecida, abriu a sua [7] madre; porém Rachel era esteril.

O nascimento a Jacob de doze filhos e uma filha.

32 E concebeu Leah, e pariu um filho, e chamou o seu nome [BS] Ruben, porque disse: Porque o Senhor attendeu á minha afflicção, por isso agora me amará o meu marido.

33 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Porquanto o Senhor ouviu que eu era aborrecida, me deu tambem este; e chamou o seu nome [BT] Simeão.

34 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Agora esta vez se ajuntará meu marido commigo, porque tres filhos lhe tenho parido: por isso chamou o seu nome [BU] Levi.

35 E concebeu outra vez, e pariu um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao Senhor. Por isso chamou o seu nome [BV] Judah: e cessou de parir.

[1] Exo. 2.17.

[2] cap. 13.8 e 14.14, 16. cap. 35.6.

[3] Jui. 9.2. II Sam. 5.1 e 19.12.

[4] Ose. 12.13.

[5] cap. 35.22 e 37.2.

[6] Deu. 21.15.

[7] Psa. 127.3. cap. 30.1.

[28]

30 Vendo pois Rachel que não paria filhos a Jacob, [1] teve Rachel inveja de sua irmã, e disse a Jacob: Dá-me filhos, ou se não morro.

Antes de Christo 1749

2 Então se accendeu a ira de Jacob contra Rachel, e disse: Estou eu no logar de Deus, que te impediu o [2] fructo de teu ventre?

3 E ella disse: Eis aqui minha serva Bilha; entra a ella, para que pára sobre os meus joelhos, e eu tambem [BW] seja edificada d’ella.

4 Assim lhe deu a Bilha sua serva por [3] mulher: e Jacob entrou a ella.

5 E concebeu Bilha, e pariu a Jacob um filho.

6 Então disse Rachel: Julgou-me Deus, e tambem ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou o seu nome [BX] Dan.

7 E Bilha, serva de Rachel, concebeu outra vez, e pariu a Jacob o segundo filho.

8 Então disse Rachel: Com luctas de Deus tenho luctado com minha irmã, tambem venci; e chamou o seu nome [BY] Naphtali.

9 Vendo pois Leah que cessava de parir, tomou tambem a Zilpah sua serva, e deu-a a Jacob por mulher.

10 E pariu Zilpah, serva de Leah, um filho a Jacob.

11 Então disse Leah: [BZ] Vem uma turba: e chamou o seu nome [CA] Gad.

12 Depois pariu Zilpah, serva de Leah, um segundo filho a Jacob.

13 Então disse Leah: [CB] Para minha ventura; porque as filhas me terão por bemaventurada: e chamou o seu nome [CC] Asher.

14 E foi Ruben nos dias da sega do trigo, e [4] achou mandrágoras no campo. E trouxe-as a Leah, sua mãe. Então disse Rachel a Leah: Ora dá-me das mandrágoras do teu filho.

15 E ella lhe disse: É já pouco que hajas tomado o meu marido, tomarás tambem as mandrágoras do meu filho? Então disse Rachel: Por isso se deitará comtigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.

16 Vindo pois Jacob á tarde do campo, saiu-lhe Leah ao encontro, e disse: A mim entrarás, porque certamente te aluguei com as mandrágoras do meu filho. E deitou-se com ella aquella noite.

17 E ouviu [5] Deus a Leah, e concebeu, e pariu um quinto filho.

18 Então disse Leah: Deus me tem dado o meu galardão, pois tenho dado minha serva ao meu marido: e chamou o seu nome [CD] Issacar.

19 E Leah concebeu outra vez, e pariu a Jacob um sexto filho.

20 E disse Leah: Deus me deu a mim uma boa dadiva; d’esta vez morará o meu marido commigo, porque lhe tenho parido seis filhos: e chamou o seu nome [CE] Zebulon.

21 E depois pariu uma filha, e chamou o seu nome [CF] Dinah.

22 E lembrou-se Deus [6] de Rachel, e Deus a ouviu, e abriu a sua madre,

23 E ella concebeu, e pariu um filho, e disse: [7] Tirou-me Deus a minha vergonha.

24 E chamou o seu nome [CG] José, dizendo: O Senhor me accrescente outro filho.

25 E aconteceu que, como Rachel pariu a José, disse Jacob a Labão: Deixa-me ir, que me vá ao meu logar, e á minha terra.

26 Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quaes te tenho servido, e ir-me-hei; pois tu sabes o meu serviço, que te tenho feito.

Labão faz um novo pacto com Jacob.

Antes de Christo 1748

27 Então lhe disse Labão: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica commigo. Tenho [CH] experimentado que o Senhor me abençoou [8] por amor de ti.

28 E disse mais: Determina-me o teu salario, que t’o darei.

29 Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu gado commigo.

30 Porque o pouco que tinhas antes de mim, é augmentado até uma multidão: e o Senhor te tem abençoado por meu trabalho. Agora pois, quando hei-de trabalhar tambem por minha casa?

31 E disse elle: Que te darei? Então disse Jacob: Nada me darás; se me fizeres isto, tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho.

32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando d’elle todos os salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os malhados e salpicados entre as cabras: [9] e isto será o meu salario.

33 Assim testificará por mim a minha justiça no dia d’ámanhã, quando vieres e o meu salario estiver diante de tua face: tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros, ser-me-ha por furto.

[29]

34 Então disse Labão: Eis que oxalá seja conforme á tua palavra.

35 E separou n’aquelle mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, tudo em que havia brancura, e todo o moreno entre os cordeiros; e deu-os nas mãos dos seus filhos.

36 E poz tres dias de caminho entre si e Jacob: e Jacob apascentava o resto dos rebanhos de Labão.

A maneira como Jacob enganou Labão.

Antes de Christo 1745

37 Então tomou Jacob varas verdes d’alamo, e d’aveleira e de castanheiro, e descascou n’ellas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas havia,

38 E poz estas varas, que tinha descascado, em frente do rebanho, nos canos e nas pias d’agua, aonde o rebanho vinha a beber, e conceberam vindo a beber,

39 E concebia o rebanho diante das varas, e as ovelhas pariam listrados, salpicados [10] e malhados.

40 Então separou Jacob os cordeiros, e poz as faces do rebanho para os listrados, e todo o moreno entre o rebanho de Labão; e poz o seu rebanho á parte, e não o poz com o rebanho de Labão.

41 E succedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacob as varas diante dos olhos do rebanho nos canos, para que concebessem diante das varas.

42 Mas quando enfraqueceu o rebanho, não as poz. Assim as fracas eram de Labão, e as fortes de Jacob.

43 E cresceu o varão em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos e jumentos.

[1] I Thi. 4.5.

[2] I Sam. 1.5.

[3] cap. 16.3.

[4] Can. 7.13.

[5] Luc. 1.13.

[6] I Sam. 1.19.

[7] I Sam. 1.6. Isa. 4.1.

[8] cap. 39.3, 5.

[9] cap. 31.8.

[10] cap. 31.9, 12.

Deus manda Jacob tornar á terra dos seus paes.

Antes de Christo 1739

31 Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacob tem tomado tudo o que era de nosso pae, e do que era de nosso pae fez elle [1] toda esta [CI] gloria.

2 Viu tambem Jacob o rosto de Labão, e eis que não era para com elle como d’hontem e d’ante-hontem.

3 E disse o Senhor a Jacob: Torna-te á terra dos teus paes, e á tua parentela, [2] e eu serei comtigo.

4 Então enviou Jacob, e chamou a Rachel e a Leah ao campo, ao seu rebanho,

5 E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pae para commigo não é como d’hontem e d’ante-hontem; porém o Deus de meu pae esteve commigo;

6 E vós mesmas sabeis que com todo o meu poder tenho servido a vosso pae;

7 Mas vosso pae me enganou e mudou o salario dez vezes; [3] porém Deus não lhe permittiu [4] que me fizesse mal.

8 Quando elle dizia assim: Os salpicados serão o teu salario; então todos os rebanhos pariam salpicados. E quando elle dizia assim: Os listrados serão o teu salario, então todos os teus rebanhos pariam listrados.

9 Assim Deus tirou o gado de vosso pae, e m’o deu a mim.

10 E succedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos, e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, [5] salpicados e malhados.

11 E disse-me [6] o anjo de Deus em sonhos: Jacob. E eu disse: Eis-me aqui.

12 E disse elle: Levanta agora os teus olhos, e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados: [7] porque tenho visto tudo o que Labão te fez.

13 Eu sou o Deus de Beth-el, [8] onde teus ungido uma columna, onde me tens votado o voto; levanta-te agora, sae-te d’esta terra, [9] e torna-te á terra da tua parentela.

14 Então responderam Rachel e Leah, e disseram-lhe: Ha ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pae?

15 Não nos considera elle como estranhas? [10] pois vendeu-nos, e comeu de todo o nosso dinheiro.

16 Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pae, é nossa e de nossos filhos: agora pois, faze tudo o que Deus te tem dito.

17 Então se levantou Jacob, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre os camelos;

18 E levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado que possuia, que alcançara em Paddan-aram, [11] para ir a Isaac, seu pae, á terra de Canaan.

19 E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Rachel os idolos [CJ] que seu pae tinha.

20 E esquivou-se Jacob de Labão o [CK] arameo, porque não lhe fez saber que fugia.

21 E fugiu elle com tudo o que tinha,[30] e levantou-se, [12] e passou o rio: e poz o seu rosto para a montanha de Gilead.

Labão prosegue atraz de Jacob.

22 E no terceiro dia foi annunciado a Labão que Jacob tinha fugido.

23 Então tomou comsigo os seus irmãos, e atraz d’elle proseguiu o caminho por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gilead.

24 Veiu porém Deus a Labão o arameo em sonhos de noite, [13] e disse-lhe: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

25 Alcançou pois Labão a Jacob, e armara Jacob a sua tenda n’aquella montanha: armou tambem Labão com os seus irmãos a sua na montanha de Gilead.

26 Então disse Labão a Jacob: Que fizeste, que te esquivaste de mim, e levaste as minhas filhas como captivas pela espada?

27 Porque fugiste occultamente, e te esquivaste de mim, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com canticos, e com tamboril e com harpa?

28 Tambem não me permittiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente pois agora fizeste, fazendo assim.

29 Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pae me fallou hontem á noite, dizendo: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

30 E agora te querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar a casa de teu pae; [14] porque furtaste os meus deuses?

31 Então respondeu Jacob, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia commigo, se porventura me não arrebatarias as tuas filhas.

32 Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está commigo, e toma-o para ti. Pois Jacob não sabia que Rachel os tinha furtado.

33 Então entrou Labão na tenda de Jacob, e na tenda de Leah, e na tenda d’ambas as servas, e não os achou; e saindo da tenda de Leah, entrou na tenda de Rachel.

34 Mas tinha tomado Rachel os idolos, [15] e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre elles; e apalpou Labão toda a tenda, e não os achou.

35 E ella disse a seu pae: Não se accenda a ira aos olhos de meu senhor, [16] que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E elle procurou, mas não achou os idolos.

36 Então irou-se Jacob, [17] e contendeu com Labão; e respondeu Jacob, e disse a Labão: Qual é a minha transgressão? qual é o meu peccado, que tão furiosamente me tens perseguido?

37 Havendo apalpado todos os meus moveis, que achaste de todos os moveis da tua casa? põe-o aqui diante dos meus irmãos, e teus irmãos; e que julguem entre nós ambos.

38 Estes vinte annos eu estive comtigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca moveram, e não comi os carneiros do teu rebanho.

39 Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite [18] da minha mão o requerias.

40 Estive eu de sorte que de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu somno foi-se dos meus olhos.

41 Tenho estado agora vinte annos na tua casa; [19] quatorze annos te servi por tuas duas filhas, e seis annos por teu rebanho; [20] mas o meu salario tens mudado dez vezes.

42 Se o Deus de meu pae, o Deus de Abrahão, e o Temor de Isaac [21] não fôra commigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus attendeu á minha afflicção, e ao trabalho das minhas mãos, e reprehendeu-te hontem á noite.

O pacto entre Labão e Jacob em Galeed.

43 Então respondeu Labão, e disse a Jacob: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é o meu rebanho, e tudo o que vês, meu é: e que farei hoje a estas minhas filhas, ou a seus filhos, que pariram?

44 Agora pois vem, [22] e façamos concerto eu e tu, que seja por testemunho entre mim e ti.

45 Então tomou Jacob [23] uma pedra, e erigiu-a por columna.

46 E disse Jacob a seus irmãos: Ajuntae pedras. E tomaram pedras, e fizeram um montão, e comeram ali sobre aquelle montão.

47 E chamou-o Labão [CL] Jegar-sahadutha: porém Jacob chamou-o [CM] Galeed.

48 Então disse Labão: Este montão seja hoje [24] por testemunha entre mim[31] e entre ti: por isso se chamou o seu nome Galeed,

49 E [CN] Mizpah, porquanto disse: Attente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro:

50 Se affligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas filhas, ninguem está comnosco: attenta [25] que Deus é testemunha entre mim e ti.

51 Disse mais Labão a Jacob: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa columna que levantei entre mim e entre ti.

52 Este montão seja testemunha, e esta columna seja testemunha, que eu não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e esta columna a mim, para mal.

53 O Deus de Abrahão, e o Deus de Nahor, o Deus de seu pae julgue entre nós. [26] E jurou Jacob pelo Temor de seu pae Isaac.

54 E sacrificou Jacob um sacrificou na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.

55 E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos, e suas filhas, e abençoou-os, e partiu; e voltou Labão ao seu logar.

[1] Ecc. 4.4.

[2] cap. 28.15.

[3] Num. 14.22. Neh. 4.12. Job 19.3. Zac. 8.23.

[4] Job 1.10. Psa. 37.28 e 105.14.

[5] cap. 30.39.

[6] cap. 48.16.

[7] Ecc. 5.8.

[8] cap. 28.18.

[9] cap. 32.9.

[10] cap. 29.15, 27.

[11] cap. 28.21.

[12] cap. 15.18.

[13] cap. 20.3. Job 33.15.

[14] Jui. 18.24.

[15] ver. 19.

[16] Jos. 24.2.

[17] Eph. 4.26.

[18] Exo. 22.10, 13.

[19] cap. 29.18, 30.

[20] ver. 7.

[21] ver. 53.

[22] cap. 26.28.

[23] cap. 28.18.

[24] Jui. 22.27 e 24.27.

[25] I Sam. 12.5. Jer. 42.5.

[26] Ose. 10.14.

32 E foi tambem Jacob o seu caminho, e encontraram-o [1] os anjos de Deus.

2 E Jacob disse, quando os viu: Este é o exercito de Deus. E chamou o nome d’aquelle logar [CO] Mahanaim.

Jacob envia mensageiros a Esaú.

3 E enviou Jacob mensageiros diante da sua face a Esaú seu irmão, á terra de Seir, territorio de Edom.

4 E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: [2] Assim diz Jacob, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e me detive até agora;

5 E tenho bois e jumentos, ovelhas, e servos e servas; e enviei para o annunciar a meu senhor, para que ache graça em teus olhos.

6 E os mensageiros tornaram a Jacob, dizendo: Viemos a teu irmão Esaú; e tambem elle vem a encontrar-te, e quatrocentos varões com elle.

7 Então Jacob temeu muito, e angustiou-se; e repartiu o povo que com elle estava, e as ovelhas, e as vaccas, e os camelos, em dois bandos.

8 Porque dizia: Se Esaú vier a um bando, e o ferir, o outro bando escapará.

9 Disse mais Jacob: Deus de meu pae Abrahão, e Deus de meu pae Isaac, o Senhor, [3] que me disseste: Torna-te á tua terra, e á tua parentela, e far-te-hei bem;

10 Menor sou eu que todas as beneficencias, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e [4] agora me tornei em dois bandos;

11 Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú: porque o temo, que porventura não venha, [5] e me fira, e a mãe com os filhos.

12 E tu o disseste: Certamente te farei bem, [6] e farei a tua semente como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.

13 E passou ali aquella noite; e tomou do que lhe veiu á sua mão, [7] um presente para seu irmão Esaú:

14 Duzentas cabras, e vinte bodes; duzentas ovelhas, e vinte carneiros;

15 Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vaccas, e dez novilhos; vinte jumentas, e dez jumentinhos;

16 E deu-o na mão dos seus servos, cada rebanho á parte, e disse a seus servos: Passae adiante da minha face, e ponde espaço entre rebanho e rebanho.

17 E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar, e te perguntar, dizendo: De quem és, e para onde vaes, e cujos são estes diante da tua face,

18 Então dirás: São de teu servo Jacob, presente que envia a meu senhor, a Esaú; e eis que elle mesmo vem tambem atraz de nós.

19 E ordenou tambem ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atraz dos rebanhos, dizendo: Conforme a esta mesma palavra, fallareis a Esaú, quando o achardes.

20 E direis tambem: Eis que o teu servo Jacob vem atraz de nós. Porque dizia: [8] Eu o aplacarei com o presente, que vae diante de mim, e depois verei a sua face; porventura acceitará a minha face.

21 Assim passou o presente diante da sua face; elle porém passou aquella noite no arraial.

Jacob passa o váo de Jabbok e lucta com um Anjo.

22 E levantou-se aquella mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, [9] e passou o váo de Jabbok.

23 E tomou-os, e fel-os passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.

[32]

24 Jacob porém ficou só; e luctou com elle um varão, até que a alva subia.

25 E vendo que não prevalecia contra elle, tocou a juntura de sua côxa, e se deslocou a juntura da côxa de Jacob, luctando com elle.

26 E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém elle disse: [10] Não te deixarei ir, se me não abençoares.

27 E disse-lhe: Qual é o teu nome? E elle disse: Jacob.

28 Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas [CP] Israel: pois como principe luctaste com Deus, [11] e com os homens, e prevaleceste.

29 E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Porque perguntas pelo meu nome? [12] E abençoou-o ali.

30 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar [CQ] Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, [13] e a minha alma foi salva.

31 E saiu-lhe o sol, quando passou a Penuel; e manquejava da sua côxa.

32 Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da côxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da côxa de Jacob no nervo encolhido.

[1] Psa. 91.11. Heb. 1.14.

[2] Pro. 15.1.

[3] Psa. 50.15. cap. 31.3, 13.

[4] Psa. 18.35.

[5] Ose. 10.14.

[6] cap. 28.13, 15.

[7] Pro. 18.16.

[8] Pro. 21.14.

[9] Deu. 3.16.

[10] Luc. 18.1.

[11] cap. 33.4.

[12] Jui. 13.18.

[13] Jui. 6.22 e 13.22, 23. Isa. 6.5.

O encontro de Esaú e Jacob.

33 E levantou Jacob os seus olhos, e olhou, [1] e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com elle. Então repartiu os filhos entre Leah e Rachel, e as duas servas.

2 E poz as servas e seus filhos na frente, e a Leah e seus filhos atraz: porém a Rachel e José os derradeiros.

3 E elle mesmo passou adiante d’elles, e inclinou-se á terra sete vezes, até que chegou a seu irmão.

4 Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, [2] e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.

5 Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes comtigo? E elle disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo.

6 Então chegaram as servas; ellas, e os seus filhos, e inclinaram-se.

7 E chegou tambem Leah com seus filhos, e inclinaram-se: e depois chegou José e Rachel, e inclinaram-se.

8 E disse Esaú: De que te serve todo este bando que tenho encontrado? E elle disse: [3] Para achar graça aos olhos de meu senhor.

9 Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão; [4] seja para ti o que tens.

10 Então disse Jacob: Não, se agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão: porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim.

11 Toma, peço-te, a minha benção, que te foi trazida; porque Deus graciosamente m’a tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com elle, até que a tomou.

12 E disse: Caminhemos, e andemos, e eu partirei adiante de ti.

13 Porém elle lhe disse: Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que tenho commigo ovelhas e vaccas de leite; se as afadigarem sómente um dia, todo o rebanho morrerá.

14 Ora passe o meu senhor diante da face de seu servo; e eu irei como guia pouco a pouco, conforme ao passo do gado que é adiante da minha face, e conforme ao passo dos meninos, [5] até que chegue a meu senhor em Seir.

15 E Esaú disse: Deixarei logo comtigo d’esta gente, que está commigo. E elle disse: Para que é isso? Basta que eu ache graça aos olhos de meu senhor.

16 Assim se tornou Esaú aquelle dia pelo seu caminho a Seir.

17 Jacob, porém, partiu para [6] Succoth e edificou para si [CR] uma casa; e fez cabanas para o seu gado: por isso chamou o nome d’aquelle logar [CS] Succoth.

Jacob chega a Sichem e levanta um altar.

18 E chegou Jacob salvo á cidade de Sichem, [7] que está na terra de Canaan, quando vinha de Paddan-aram; e fez o seu assento diante da cidade.

19 E [8] comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hemor, pae de Sichem, por cem peças de dinheiro.

20 E levantou ali um altar, [9] e chamou-o Deus, o Deus d’Israel.

[1] cap. 32.6.

[2] cap. 32.28.

[3] cap. 32.5.

[4] Pro. 16.7.

[5] cap. 32.3.

[6] Jos. 13.27. Jui. 8.5.

[7] João 4.5.

[8] Jos. 24.32. Act. 7.16.

[9] cap. 35.7.

Dinah é desflorada.

Antes de Christo 1732

34 E saiu Dinah filha de Leah, [1] que parira a Jacob, para ver as filhas da terra.

2 E Sichem filho de Hemor heveo, principe d’aquella terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ella, e humilhou-a.

3 E apegou-se a sua alma com Dinah[33] filha de Jacob, e amou a moça e fallou [CT] affectuosamente á moça.

4 Fallou tambem Sichem a Hemor seu pae, dizendo: [2] Toma-me esta por mulher.

5 Quando Jacob ouviu que contaminara a Dinah sua filha, estavam os seus filhos no campo com o gado; e calou-se Jacob até que viessem.

6 E saiu Hemor pae de Sichem a Jacob, para fallar com elle.

7 E vieram os filhos de Jacob do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os varões, e iraram-se muito, porquanto fizera doidice em Israel, deitando-se com a filha de Jacob; o que não se devia fazer assim.

8 Então fallou Hemor com elles, dizendo: A alma de Sichem meu filho está namorada da vossa filha; dae-lh’a, peço-te, por mulher;

9 E aparentae-vos comnosco, dae-nos as vossas filhas, e tomae as nossas filhas para vós;

10 E habitareis comnosco; e a terra estará diante da vossa face: habitae e negociae n’ella, e tomae possessão n’ella.

11 E disse Sichem ao pae d’ella, e aos irmãos d’ella: Ache eu graça em vossos olhos, e darei o que me disserdes:

12 Augmentae muito sobre mim o dote e a dadiva, e darei o que me disserdes; dae-me sómente a moça por mulher.

13 Então responderam os filhos de Jacob a Sichem e a Hemor seu pae enganosamente, e fallaram, porquanto havia contaminado a Dinah sua irmã.

14 E disseram-lhes: Não podemos fazer isso, que déssemos a nossa irmã a um varão não circumcidado; [3] porque isso seria uma vergonha para nós;

15 N’isso, porém, consentiremos a vós: se fôrdes como nós, que se circumcide todo o macho entre vós:

16 Então dar-vos-hemos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos comvosco, e seremos um povo;

17 Mas se não nos ouvirdes, e não vos circumcidardes, tomaremos a nossa filha e ir-nos-hemos.

18 E suas palavras foram boas aos olhos de Hemor, e aos olhos de Sichem filho de Hemor.

19 E não tardou o mancebo em fazer isto; porque a filha de Jacob lhe contentava: e elle era o mais honrado de toda a casa de seu pae.

20 Veiu pois Hemor e Sichem seu filho á porta da sua cidade, e fallaram aos varões da sua cidade, dizendo:

21 Estes varões são pacificos comnosco; portanto habitarão n’esta terra, e negociarão n’ella; eis que a terra é larga de espaço diante da sua face: tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas filhas:

22 N’isto, porém, consentirão aquelles varões, de habitar comnosco, para que sejamos um povo, se todo o macho entre nós se circumcidar, como elles são circumcidados.

23 O seu gado, as suas possessões, e todos os seus animaes não serão nossos? consintamos sómente com elles, e habitarão comnosco.

24 E deram ouvidos a Hemor, e a Sichem seu filho [4] todos os que sahiam da porta da cidade; e foi circumcidado todo o macho, de todos os que sahiam pela porta da sua cidade.

A traição de Simeão e Levi.

25 E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dôr, os dois filhos de Jacob, Simeão e Levi, irmãos de Dinah, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, [5] e mataram todo o macho.

26 Mataram tambem ao fio da espada a Hemor, e a seu filho Sichem; e tomaram a Dinah da casa de Sichem, e sairam.

27 Vieram os filhos de Jacob aos mortos e saquearam a cidade; porquanto contaminaram a sua irmã.

28 As suas ovelhas, e as suas vaccas, e os seus jumentos, e o que na cidade, e o que no campo havia, tomaram,

29 E toda a sua fazenda, e todos os seus meninos, e as suas mulheres levaram presas, e despojaram-as, e tudo o que havia em casa.

30 Então disse Jacob a Simeão e a Levi: Tendes-me turbado, [6] fazendo-me cheirar mal entre os moradores d’esta terra, entre os Cananeus e Phereseus, [7] sendo eu pouco povo em numero; ajuntar-se-hão, e ficarei destruido, eu e minha casa.

31 E elles disseram: Faria pois elle a nossa irmã como a uma prostituta?

[1] cap. 30.21. Tito 2.5.

[2] Jui. 14.2.

[3] Jos. 5.9.

[4] cap. 23.18.

[5] cap. 49.5, 7.

[6] Exo. 5.21.

[7] I Sam. 27.12.

Deus manda Jacob a Bethel a levantar um altar.

35 Depois disse Deus a Jacob: [1] Levanta-te, sobe a Bethel, e habita ali; e faz ali um altar ao Deus que te appareceu, quando fugiste diante da face de Esaú teu irmão.

2 Então [2] disse Jacob á sua familia, e a todos os que com elle estavam: Tiras[34] os deuses estranhos, que ha no meio de vós, [3] e purificae-vos, e mudae os vossos vestidos.

3 E levantemo-nos, e subamos a Bethel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angustia, [4] e que foi commigo no caminho que tenho andado.

4 Então deram a Jacob todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, [5] e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e Jacob os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Sichem.

5 E partiram; [6] e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor d’elles, e não seguiram após os filhos de Jacob.

6 Assim chegou Jacob a Luz, que está na terra de Canaan, (esta é Bethel), elle e todo o povo que com elle havia.

7 E edificou ali um altar, e chamou aquelle logar [CU] El-beth-el: porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado quando fugia diante da face de seu irmão.

A morte de Debora.

8 E morreu Debora, a ama de Rebecca, e foi sepultada ao pé de Bethel, debaixo do carvalho cujo nome chamou [CV] Allonbachuth.

9 E appareceu Deus outra vez a Jacob, vindo de Paddan-aram, e abençoou-o.

10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacob; não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel será o teu nome. [7] E chamou o seu nome Israel.

11 Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-poderoso; [8] fructifica e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão dos teus lombos;

12 E te darei a ti [9] a terra que tenho dado a Abrahão e a Isaac, e á tua semente depois de ti darei a terra.

13 E Deus subiu d’elle, [10] do logar onde fallara com elle.

14 E Jacob poz uma columna no logar [11] onde fallara com elle, uma columna de pedra; e derramou sobre ella uma libação, e deitou sobre ella azeite.

15 E chamou Jacob o nome d’aquelle logar, onde Deus fallara com elle, Bethel.

O nascimento de Benjamin e a morte de Rachel.

16 E partiram de Bethel: e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Ephrata, e pariu Rachel, e ella teve trabalho em seu parto.

17 E aconteceu que, tendo ella trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: [12] Não temas, porque tambem este filho terás.

18 E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome [CW] Benoni; mas seu pae o chamou [CX] Benjamin.

19 Assim morreu Rachel; [13] e foi sepultada no caminho d’Ephrata, este é Beth-lehem.

20 E Jacob poz uma columna sobre a sua sepultura; [14] esta é a columna da sepultura de Rachel até ao dia de hoje.

21 Então partiu Israel, e estendeu a sua tenda d’além de [CY] Migdal Eder.

22 E aconteceu que, [15] habitando Israel n’aquella terra, foi Ruben, e deitou-se com Bilhah, concubina de seu pae; e Israel ouviu-o. E eram doze os filhos de Jacob:

23 Os filhos de Leah: Ruben, o primogenito de Jacob, depois Simeão e Levi, e Judah, e Issacar e Zebulon;

24 Os filhos de Rachel: José e Benjamin;

25 E os filhos de Bilhah, serva de Rachel: Dan e Naphtali;

26 E os filhos de Zilpah, serva de Leah: Gad e Aser. Estes são os filhos de Jacob, que lhe nasceram em Paddan-aram.

27 E Jacob veiu a seu pae Isaac, [16] a Mamre, a Kiriath-arba (que é Hebron), onde peregrinaram Abrahão e Isaac.

28 E foram os dias de Isaac cento e oitenta annos.

29 E Isaac expirou, e morreu, [17] e foi recolhido aos seus povos, velho e farto de dias; e Esaú e Jacob, seus filhos, o sepultaram.

[1] cap. 28.19.

[2] cap. 18.19.

[3] cap. 31.19. Psa. 101.2, 7. I Sam. 7.3.

[4] cap. 32.7, 24. cap. 28.20 e 31.3, 42.

[5] Ose. 2.13. Jos. 24.26. Jui. 9.6.

[6] Exo. 23.27. Deu. 11.25. Jos. 2.9. II Chr. 14.14.

[7] cap. 32.28.

[8] cap. 17.1. Exo. 6.3.

[9] cap. 12.7 e 26.3.

[10] cap. 17.22.

[11] cap. 28.18.

[12] I Sam. 4.20.

[13] cap. 48.7. Ruth 1.2. Miq. 5.2. Mat. 2.6.

[14] I Sam. 10.2.

[15] cap. 49.4. I Chr. 5.1. I Cor. 5.1.

[16] cap. 13.18. Jos. 14.15 e 15.13.

[17] cap. 25.8. cap. 25.9.

Os descendentes de Esaú.

Antes de Christo 1796

36 E estas são as gerações de Esaú ([1] que é Edom).

2 Esaú tomou suas mulheres das filhas de Canaan: [2] a Adah, filha de Elon hetheo, e a Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon heveo.

3 E a Basemath, filha de Ishmael, irmã de Nebajoth.

4 E Adah pariu a Esaú Eliphaz; [3] e Basemath pariu a Rehuel;

[35]

5 E Aholibamah pariu a Jeush, e Jaelam e Corah: estes são os filhos de Esaú, que lhe nasceram na terra de Canaan.

6 E Esaú tomou suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, e todas as almas de sua casa, e seu gado, e todos os seus animaes, e toda a sua fazenda, que havia adquirido na terra de Canaan; e foi-se a outra terra de diante da face de Jacob seu irmão;

7 Porque a fazenda d’elles era muita para habitarem juntos; e a terra de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado.

8 Portanto Esaú habitou [4] na montanha de Seir; Esaú é Edom.

9 Estas pois são as gerações de Esaú, pae dos Idumeos, na montanha de Seir.

10 Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Eliphaz, filho de Adah, mulher de Esaú; Rehuel, filho de Basemath, mulher de Esaú.

11 E os filhos de Eliphsz foram: Teman, Omar, Zepho, e Gaetam, e Kenaz.

12 E Timnah era concubina de Eliphaz, filho de Esaú, e pariu a Eliphaz Amelek: estes são os filhos de Adah, mulher de Esaú.

13 E estes foram os filhos de Rehuel: Nahath, e Zerah, Shammah, e Mizzah: estes foram os filhos de Basemath, mulher de Esaú.

14 E estes foram os filhos de Aholibamah, filha de Anah, filha de Zibeon, mulher de Esaú: e pariu a Esaú: Jeush, e Jalam, e Corah.

15 Estes são os principes dos filhos de Esaú; o filhos de Eliphaz, o primogenito de Esaú, foram: o principe Teman, o principe Omar, o principe Zepho, o principe Kenaz,

16 O principe Corah, o principe Gatam, o principe Amalek; estes são os principes de Eliphaz na terra de Edom, estes são os filhos de Adah.

17 E estes são os filhos de Rehuel, filho de Esaú: o principe Nahath, o principe Zerah, o principe Shammah, o principe Mizzah; estes são os principes de Rehuel, na terra de Edom, estes são os filhos de Besemath, mulher de Esaú.

18 E estes são os filhos de Aholibamah, mulher de Esaú: o principe Jeush, o principe Jalam, o principe Corah; estes são os principes do Aholibamah, filha de Anah, mulher de Esaú.

19 Estes são os filhos de Esaú, e estes são seus principes: elle é Edom.

20 Estes são os filhos de Seir horeo, [5] moradores d’aquella terra: Lotan, e Sobal e Zibeon, e Anah.

21 E Dishon, e Eser, e Dishan; estes são os principes dos horeos, filhos de Seir, na terra de Edom.

22 E os filhos de Lotan foram: Hori e Hemam; e a irmã de Lotan era Timnah.

23 Estes são os filhos de Sobal: Alvan, e Manahath, e Ebal, e Shepho, e Onam.

24 E estes são os filhos de Zibeon: Ajah, e Anah; este é o Anah que achou os [CZ] mulos no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeon seu pae.

25 E estes são os filhos de Anah: Dishon, e Aholibamah, a filha de Anah.

26 E estes são os filhos de Dishon: Hemdam, e Eshban, e Ithran, e Cheran.

27 Estes são os filhos de Eser: Bilhan, e Zaavan, e Akan.

28 Estes são os filhos de Dishan: Uz, e Aran.

29 Estes são os principes dos horeos: O principe Lotan, o principe Shobal, o principe Zibeon, o principe Anah,

30 O principe Dishon, o principe Eser, o principe Dishan; estes são os principes dos horeos segundo seus principes na terra de Seir.

31 E estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos d’Israel.

32 Reinou pois em Edom Bela, filho de Beor, e o nome da sua cidade foi Dinhaba.

33 E morreu Bela; e Jobab, filho de Zerah de Bosrah, reinou em seu logar.

34 E morreu Jobab; e Husam, da terra dos Temanitas, reinou em seu logar.

35 E morreu Husam, e em seu logar reinou Hadad, filho de Bedad, o que feriu a Midian no campo de Moab; e o nome da sua cidade foi Avith.

36 E morreu Hadad: e Samlah de Masreca reinou em seu logar.

37 E morreu Samlah; e Shaul de Rehoboth, pelo rio, reinou em seu logar.

38 E morreu Shaul; e Baal-hanan, filho de Achbor, reinou em seu logar.

39 E morreu Baal-hanan, filho de Achbor; e Hadar reinou em seu logar, e o nome da sua cidade foi Pau; e o nome de sua mulher foi Mehetabel, filha de Matred, filha de Mezahab.

40 E estes são os nomes dos principes de Esaú; segundo as suas gerações, segundo os seus logares, com os seus nomes: o principe Timnah, o principe Alvah, o principe Jetheth,

41 O principe Aholibamah, o principe Elah o principe Pinon,

[36]

42 O principe Kenez, o principe Teman, o principe Mibzar,

43 O principe Magdiel, o principe Iram: estes são os principes de Edom, segundo as suas habitações, na terra da sua possessão; este é Esaú, pae de Edom.

[1] cap. 25.30.

[2] cap. 26.34.

[3] I Chr. 1.35.

[4] Deu. 2.5. Jos. 24.4.

[5] cap. 14.6. Deu. 2.12, 22.

José é vendido por seus irmãos.

Antes de Christo 1729

37 E Jacob habitou na terra das peregrinações de seu pae, [1] na terra de Canaan.

2 Estas são as gerações de Jacob. Sendo José de dezesete annos, apascentava as ovelhas com seus irmãos, e estava este mancebo com os filhos de Bilhah, e com os filhos de Zilpah, mulheres de seu pae; e José trazia uma má fama d’elles a seu pae.

3 E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma tunica de varias côres.

4 Vendo pois seus irmãos que seu pae o amava mais do que a todos os seus irmãos, [2] aborreceram-o, e não podiam fallar com elle pacificamente.

5 Sonhou tambem José um sonho, que contou a seus irmãos: por isso o aborreciam ainda mais.

6 E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado:

7 Eis que estavamos atando mólhos no meio do campo, e eis que o meu mólho se levantava, e tambem ficava em pé, e eis que os vossos mólhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu mólho.

8 Então lhe disseram seus irmãos: Tu pois devéras reinarás sobre nós? Por isso tanto mais [3] o aborreciam por seus sonhos e por suas palavras.

9 E sonhou ainda outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que ainda sonhei um sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrellas se inclinavam a mim.

10 E contando-o a seu pae e a seus irmãos, reprehendeu-o seu pae, e disse-lhe: Que sonho é este que sonhaste? porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, para inclinar-nos a ti em terra?

11 Seus irmãos pois o invejavam; seu pae porém guardava este negocio no seu coração.

12 E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pae, junto de Sichem.

13 Disse pois Israel a José: Não apascentam os teus irmãos junto de Sichem? vem, e enviar-te-hei a elles. E elle lhe disse: Eis-me aqui.

14 E elle lhe disse: Ora vae-te, vê como estão teus irmãos, e como está o rebanho, e traze-me resposta. [4] Assim o enviou do valle de Hebron, e veiu a Sichem.

15 E achou-o um varão, porque eis que andava errado pelo campo, e perguntou-lhe o varão, dizendo: Que procuras?

16 E elle disse: Procuro meus irmãos; dize-me, peço-te, onde elles apascentam.

17 E disse aquelle varão: Foram-se d’aqui; porque ouvi-lhes dizer: Vamos a Dothan. José pois seguiu atraz de seus irmãos, [5] e achou-os em Dothan.

18 E viram-o de longe, e, antes que chegasse a elles, [6] conspiraram contra elle, para o matarem.

19 E disseram um ao outro: Eis lá vem o sonhador-mór!

20 Vinde pois agora, [7] e matemel-o, e lancemol-o n’uma d’estas covas, e diremos: Uma besta fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos.

21 E ouvindo-o Ruben, livrou-o das suas mãos, e disse: Não lhe tiremos a vida.

22 Tambem lhes disse Ruben: Não derrameis sangue; lançae-o n’esta cova, que está no deserto, e não lanceis mãos n’elle; para livral-o das suas mãos, e para tornal-o a seu pae.

23 E aconteceu que, chegando José a seus irmãos, tiraram a José a sua tunica, [8] a tunica de varias côres, que trazia.

24 E tomaram-o, e lançaram-o na cova; porém a cova estava vasia, não havia agua n’ella.

25 Depois assentaram-se a comer pão; e levantaram os seus olhos, e olharam, [9] e eis que uma companhia de ishmaelitas vinha de Gilead; e seus camelos traziam especiarias, e balsamo, e myrrha, e iam leval-os ao Egypto.

26 Então Judah disse aos seus irmãos: Que proveito haverá que matemos a nosso irmão, e escondamos a [DA] sua morte?

27 Vinde, e vendamol-o a estes ishmaelitas, e não seja nossa mão sobre elle; porque elle é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram.

28 Passando pois os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da cova, [10] e venderam José por vinte moedas de prata aos ishmaelitas, os quaes levaram José ao Egypto.

29 Tornando pois Ruben á cova, eis[37] que José não estava na cova; [11] então rasgou os seus vestidos,

30 E tornou a seus irmãos, e disse: O moço não apparece; e eu aonde irei?

31 Então tomaram a tunica de José, e mataram um cabrito, e tingiram a tunica no sangue,

32 E enviaram a tunica de varias côres, e fizeram leval-a a seu pae, e disseram: Temos achado esta tunica; conhece agora se esta será ou não a tunica de teu filho.

33 E conheceu-a, e disse: É a tunica de meu filho; uma besta fera o comeu; [12] certamente é despedaçado José.

34 Então Jacob rasgou os seus vestidos, e poz sacco [13] sobre os seus lombos, e lamentou a seu filho muitos dias.

35 E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; recusou porém ser consolado, e disse: Porquanto com chôro hei de descer ao meu filho até á sepultura. Assim o chorou seu pae.

36 E os midianitas venderam-o no Egypto a Potifar, [DB] eunucho de Pharaó, capitão da guarda.

[1] cap. 17.8 e 23.4 e 28.4. Heb. 11.9, 16.

[2] cap. 49.23. Psa. 38.19 e 69.4. Tito 3.3.

[3] cap. 42.6, 9 e 43.26 e 44.14. Psa. 119.22.

[4] cap. 35.27.

[5] II Reis 6.13.

[6] Psa. 31.13 e 37.12, 32. Mat. 21.38 e 27.1. João 11.53.

[7] Pro. 27.4.

[8] Mat. 27.28.

[9] ver. 28, 36. cap. 31.47. Jer. 8.22.

[10] Psa. 105.17. Zac. 11.12. Mat. 27.9. Act. 7.9.

[11] Num. 14.16. Jui. 11.35. Job 1.20.

[12] cap. 44.28.

[13] II Reis 19.1. Isa. 32.11. Jon. 3.5.

Judah e Tamar.

Antes de Christo 1727

38 E aconteceu no mesmo tempo que Judah desceu de entre seus irmãos, e entrou na casa d’um varão de Adullam, cujo nome era Hirah,

2 E viu Judah ali a filha d’um varão cananeu, cujo nome era Shuah; e tomou-a, e entrou a ella.

3 E ella concebeu, e pariu um filho, e chamou o seu nome [1] Er;

4 E tornou a conceber, e pariu um filho, e chamou o seu nome Onan;

5 E continuou ainda, e pariu um filho, e chamou o seu nome Selah; e elle estava em Chezib, quando ella o pariu.

6 Judah pois tomou uma mulher para Er, o seu primogenito, e o seu nome era Tamar.

7 Er, porém, o primogenito de Judah, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou.

8 Então disse Judah a Onan: Entra á mulher do teu irmão, [2] e casa-te com ella, e suscita semente a teu irmão.

9 Onan, porém, soube que esta semente não havia de ser para elle; e aconteceu que, quando entrava á mulher de seu irmão, derramava-a na terra, para não dar semente a seu irmão.

10 E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que tambem o matou.

11 Então disse Judah a Tamar sua nóra: Fica-te viuva na casa de teu pae, até que Selah, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra tambem este, como seus irmãos. Assim foi-se Tamar, e ficou-se na casa de seu pae.

12 Passando-se pois muitos dias, morreu a filha de Shuah, mulher de Judah; e depois se consolou Judah, e subiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timnah, elle e Hirah seu amigo, o adullamita.

13 E deram aviso a Tamar, dizendo: [3] Eis que o teu sogro sobe a Timnah, a tosquiar as suas ovelhas.

14 Então ella tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez, e cobriu-se com o véu, e envolveu-se, e assentou-se [DC] á entrada das duas fontes que estão no caminho de Timnah, porque via que Selah já era grande, e ella lhe não fôra dada por mulher.

15 E vendo-a Judah, teve-a por uma prostituta; [4] porque ella tinha coberto o seu rosto.

16 E apartou-se a ella ao caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me entrar a ti. Porquanto não sabia que era sua nóra: e ella disse: Que darás, para que entres a mim?

17 E elle disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ella disse: Dás-me penhor até que o envies?

18 Então elle disse: Que penhor é que te darei? E ella disse: O teu sello, e o teu lenço, [DD] e o cajado que está em tua mão. O que elle lhe deu, e entrou a ella, e ella concebeu d’elle.

19 E ella levantou-se, e foi-se, e tirou de sobre si o seu véu, [5] e vestiu os vestidos da sua viuvez.

20 E Judah enviou o cabrito por mão do seu amigo o adullamita, para tomar o penhor da mão da mulher, porém não a achou.

21 E perguntou aos homens d’aquelle logar, dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto ás duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.

22 E tornou-se a Judah, e disse: Não a achei; e tambem disseram os homens d’aquelle logar: Aqui não esteve prostituta.

23 Então disse Judah: Tome-o para si, para que porventura não venhamos[38] em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste.

24 E aconteceu que, quasi tres mezes depois, deram aviso a Judah, dizendo: Tamar, tua nóra, tem fornicado, e eis que está pejada da fornicação. Então disse Judah: [6] Tirae-a fóra para que seja queimada.

25 E tirando-a fóra, ella mandou dizer a seu sogro: Do varão de quem são estas coisas eu concebi. E ella disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este sello, [7] e estes [DE] lenços e este cajado.

26 E conheceu-os Judah, e disse: Mais justa é ella do que eu, [8] porquanto não a tenho dado a Selah meu filho. E nunca mais a conheceu.

27 E aconteceu ao tempo de parir, eis que havia gemeos em seu ventre;

28 E aconteceu que, parindo ella, que um poz fóra a mão, e a parteira tomou-a, e atou em sua mão um fio de grã, dizendo: Este saiu primeiro.

29 Mas aconteceu que, tornando elle a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão, e ella disse: Como tu tens rompido? sobre ti é a rotura. E chamaram o seu nome Perez;

30 E depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio de grã; e chamaram o seu nome Zerah.

[1] Num. 26.19. I Chr. 2.3.

[2] Deu. 25.5. Mat. 22.24.

[3] Jos. 15.57.

[4] Can. 1.7.

[5] II Sam. 14.2, 5.

[6] Lev. 21.9. Deu. 22.21.

[7] ver. 18.

[8] ver. 14.

José em casa de Potifar.

Antes de Christo 1720

39 E José foi levado ao Egypto, [1] e Potifar, eunucho [DF] de Pharaó, capitão da guarda, varão egypcio, comprou-o da mão dos ishmaelitas que o tinham levado lá.

2 E o Senhor estava com José, [2] e foi varão prospero; e estava na casa de seu senhor egypcio.

3 Vendo pois o seu senhor que o Senhor estava com elle, [3] e tudo o que fazia o Senhor prosperava em sua mão,

4 José achou graça em seus olhos, [4] e servia-o; e elle o poz sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.

5 E aconteceu que, desde que o puzera sobre a sua casa, e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egypcio por amor de José; e a benção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.

6 E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que de nada sabia do que estava com elle, mais do que do pão que comia. [5] E José era formoso de parecer, e formoso á vista.

7 E aconteceu depois d’estas coisas [6] que a mulher de seu senhor poz os seus olhos em José, e disse: Deita-te commigo.

8 Porém elle recusou, e disse á mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que ha em casa commigo, e entregou em minha mão tudo o que tem;

9 Ninguem ha maior do que eu n’esta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; [7] como pois faria eu este tamanho mal, e peccaria contra [8] Deus?

10 E aconteceu que fallando ella cada dia a José, e não lhe dando elle ouvidos, para deitar-se com ella, e estar com ella,

11 Succedeu n’um certo dia que veiu á casa para fazer seu serviço; e nenhum dos da casa estava ali em casa;

12 E ella lhe pegou pelo seu vestido, dizendo: [9] Deita-te commigo. E elle deixou o seu vestido na mão d’ella, e fugiu, e saiu para fóra.

13 E aconteceu que, vendo ella que deixara o seu vestido em sua mão, e fugira para fóra,

14 Chamou aos homens de sua casa, e fallou-lhes, dizendo: Vêde, trouxe-nos o varão hebreu, para escarnecer de nós; entrou a mim para deitar-se commigo, e eu gritei com grande voz,

15 E aconteceu que, ouvindo elle que eu levantava a minha voz e gritava, deixou o seu vestido commigo, e fugiu, e saiu para fóra.

16 E ella poz o seu vestido perto de si, até que o seu senhor veiu á sua casa.

17 Então [10] fallou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veiu a mim o servo hebreo, que nos trouxeste para escarnecer de nim;

18 E aconteceu que, levantando eu a minha voz e gritando, elle deixou o seu vestido commigo, e fugiu para fóra.

19 E aconteceu que, ouvindo o seu senhor as palavras de sua mulher, que lhe fallava, dizendo: Conforme a estas mesmas palavras me fez teu servo; [11] a sua ira se accendeu.

20 E o senhor de José o tomou, [12] e o entregou na casa do carcere, no logar onde os presos do rei estavam presos; assim esteve ali na casa do carcere.

21 O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre elle a sua benignidade,[39] [13] e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mór.

22 E o carcereiro-mór entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do carcere, e elle fazia tudo o que se fazia ali.

23 E o carcereiro-mór não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão d’elle; porquanto o Senhor estava com elle, e tudo o que fazia [14] o Senhor prosperava.

[1] cap. 37.36. Psa. 105.17.

[2] I Sam. 16.18 e 18.14, 28. Act. 7.9.

[3] Jos. 1.7, 8. I Chr. 22.13. Psa. 1.3.

[4] ver. 21. I Sam. 16.22.

[5] I Sam. 16.12.

[6] Job 31.1. Psa. 119.37.

[7] Lev. 20.10. Pro. 6.29, 32.

[8] II Sam. 12.13. Psa. 51.4.

[9] Pro. 7.13. Ecc. 7.26.

[10] Exo. 23.1. Psa. 120.3. Pro. 12.19.

[11] Pro. 6.34, 35. Can. 8.6.

[12] Psa. 105.18.

[13] Exo. 12.36. Psa. 106.46. Pro. 16.7. Dan. 1.9. Act. 7.10.

[14] ver. 2, 3.

José na prisão interpreta dois sonhos.

40 E aconteceu depois d’estas coisas que peccaram o copeiro do rei do Egypto, e o padeiro, contra o seu senhor, o rei do Egypto.

2 E [1] indignou-se Pharaó muito contra os seus dois eunuchos, contra o copeiro-mór e contra o padeiro-mór,

3 E entregou-os em guarda, [2] na casa do capitão da guarda, na casa do carcere, no logar onde José estava preso.

4 E o capitão da guarda deu cargo d’elles a José, para que os servisse; e estiveram muitos dias na prisão.

5 E ambos sonharam um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, [3] cada um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egypto, que estavam presos na casa do carcere.

6 E veiu José a elles pela manhã, e olhou para elles, [4] e eis que estavam turbados.

7 Então perguntou aos eunuchos de Pharaó, que com elle estavam no carcere da casa de seu senhor, dizendo: Porque estão hoje tristes os vossos semblantes?

8 E elles lhe disseram: Temos sonhado um sonho, e ninguem ha que o interprete. E José disse-lhes: [5] Não são de Deus as interpretações? contae-m’o, peço-vos.

9 Então contou o copeiro-mór o seu sonho a José, e disse-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante da minha face,

10 E na vide tres sarmentos, e estava como brotando; a sua flôr sahia, os seus cachos amadureciam em uvas:

11 E o copo de Pharaó estava na minha mão, e eu tomava as uvas, e as espremia no copo de Pharaó, e dava o copo na mão de Pharaó.

12 Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: os tres sarmentos são tres dias;

13 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça, [6] e te restaurará ao teu estado, e darás o copo de Pharaó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro.

14 Porem lembra-te de mim, quando te fôr bem; e rogo-te que uses commigo de compaixão, e que faças menção de mim a Pharaó, e faze-me sair d’esta casa;

15 Porque, de facto, fui roubado da terra dos hebreus; [7] e tão pouco aqui nada tenho feito para que me puzessem n’esta cova.

16 Vendo então o padeiro-mór que tinha interpretado bem, disse a José: Eu tambem sonhava, e eis que tres cestos [DG] brancos estavam sobre a minha cabeça;

17 E no cesto mais alto havia de todos os manjares de Pharaó, da obra de padeiro: e as aves o comiam do cesto de sobre a minha cabeça.

18 Então respondeu José, e disse: Esta é a sua interpretação: os tres cestos são tres dias;

19 Dentro ainda de tres dias Pharaó levantará a tua cabeça sobre ti, e te pendurará n’um pau, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.

20 E aconteceu ao terceiro dia, o dia do nascimento de Pharaó, que fez um banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mór, e a cabeça do padeiro-mór, no meio dos seus servos.

21 E fez tornar o copeiro-mór ao seu officio de copeiro, [8] e deu o copo na mão de Pharaó,

22 Mas ao padeiro-mór enforcou, como José havia interpretado.

23 O copeiro-mór, porém, não se lembrou de José, antes esqueceu-se [9] d’elle.

[1] Pro. 16.14.

[2] cap. 39.20, 23.

[3] Job 33.15, 17.

[4] Dan. 4.5.

[5] cap. 41.15. Dan. 2.11, 28.

[6] II Reis 25.27. Jer. 52.31.

[7] Psa. 59.3, 4. Dan. 6.21.

[8] ver. 13. II Sam. 21.10.

[9] Job 19.14.

José interpreta os sonhos de Pharaó.

Antes de Christo 1718

41 E aconteceu que, ao fim de dois annos inteiros, [1] Pharaó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio,

2 E eis que subiam do rio sete vaccas, formosas á vista e gordas de carne, e pastavam no prado.

3 E eis que subiam do rio após ellas outras sete vaccas, feias á vista e magras de carne; e paravam junto ás outras vaccas na praia do rio.

4 E as vaccas feias á vista, e magras de carne, comiam as sete vaccas formosas á vista e gordas. Então acordou Pharaó.

[40]

5 Depois dormiu, e sonhou outra vez, e eis que brotavam d’uma cana sete espigas cheias e boas,

6 E eis que sete espigas miudas, e queimadas do vento oriental, brotavam após ellas.

7 E as espigas miudas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então acordou Pharaó, e eis que era um sonho.

8 E aconteceu que pela manhã o seu espirito perturbou-se, [2] e enviou e chamou todos os adivinhadores do Egypto, e todos os seus sabios; e Pharaó contou-lhes os seus sonhos, mas ninguem havia que os interpretasse a Pharaó.

9 Então fallou o copeiro-mór a Pharaó, dizendo: Dos meus peccados me lembro hoje:

10 Estando [3] Pharaó mui indignado contra os seus servos, e pondo-me em guarda na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mór,

11 Então [4] sonhámos um sonho na mesma noite, eu e elle, cada um conforme a interpretação do seu sonho sonhámos.

12 E estava ali comnosco um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda, e contámos-lh’os, e interpretou-nos os nossos sonhos, a cada um os interpretou conforme o seu sonho.

13 E como elle nos interpretou, assim mesmo foi feito: a mim me fez tornar ao meu estado, e a elle fez enforcar.

14 Então enviou Pharaó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova; [5] e barbeou-se e mudou os seus vestidos, e veiu a Pharaó.

15 E Pharaó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguem ha que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas.

16 E respondeu José a Pharaó, dizendo: Sem mim é isso: Deus responderá paz a Pharaó.

17 Então disse Pharaó a José: Eis que em meu sonho [6] estava eu em pé na praia do rio,

18 E eis que subiam do rio sete vaccas gordas de carne e formosas á vista, e pastavam no prado.

19 E eis que outras sete vaccas subiam após estas, muito feias á vista, e magras de carne; não tenho visto outras taes, emquanto á fealdade, em toda a terra do Egypto.

20 E as vaccas magras e feias comiam os primeiras sete vaccas gordas;

21 E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas: porque o seu parecer era feio como no principio. Então acordei.

22 Depois vi em meu sonho, e eis que d’uma cana subiam sete espigas cheias e boas;

23 E eis que sete espigas seccas, miudas e queimadas do vento oriental, brotavam após ellas.

24 E as sete espigas miudas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos [7] magos, mas ninguem houve que m’o interpretasse.

25 Então disse José a Pharaó: O sonho de Pharaó é um só; o que Deus ha de fazer, [8] notificou a Pharaó.

26 As sete vaccas formosas são sete annos; as sete espigas formosas tambem são sete annos: o sonho é um só.

27 E as sete vaccas feias á vista e magras, que subiam depois d’ellas, são sete annos; e as sete espigas miudas e queimadas do vento oriental, [9] serão sete annos de fome.

28 Esta é a palavra que tenho dito a Pharaó; o que Deus ha de fazer, mostrou-o a Pharaó.

29 E eis que veem sete annos, e [10] haverá grande fartura em toda a terra do Egypto.

30 E depois d’elles levantar-se-hão [11] sete annos de fome, e toda aquella fartura será esquecida na terra do Egypto, e a fome consumirá a terra;

31 E não será conhecida a abundancia na terra, por causa d’aquella fome que haverá depois; porquanto será gravissima.

32 E que o sonho foi duplicado duas vezes a Pharaó, é [12] porquanto esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazel-a.

33 Portanto Pharaó se proveja agora d’um varão entendido e sabio, e o ponha sobre a terra do Egypto:

34 Faça isso Pharaó, e ponha governadores sobre a terra, [13] e tome a quinta parte da terra do Egypto nos sete annos de fartura,

35 E ajuntem toda a comida d’estes bons annos, que veem, e amontoem o trigo debaixo da mão de Pharaó, para mantimento nas cidades, e o guardem;

36 Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete annos de fome, que haverá na terra do Egypto; para que a terra não pereça de fome.

37 E esta palavra foi boa aos olhos de[41] Pharaó, [14] e aos olhos de todos os seus servos.

Pharaó põe José como governador do Egypto.

Antes de Christo 1715

38 E disse Pharaó a seus servos: Achariamos um varão como este, em quem haja o espirito de Deus?

39 Depois disse Pharaó a José: Pois que Deus te fez saber tudo isto, ninguem ha tão entendido e sabio como tu:

40 Tu estarás sobre a minha casa, [15] e por tua bocca se governará todo o meu povo, sómente no throno eu serei maior que tu.

41 Disse mais Pharaó a José: Vês aqui te tenho posto sobre toda a terra do Egypto.

42 E tirou Pharaó o seu annel da sua mão, e o poz na mão de José, e o fez vestir de vestidos de linho fino, [16] e poz um collar d’oiro no seu pescoço,

43 E o fez subir no segundo carro que tinha, e clamavam diante d’elle: Ajoelhae; [17] assim o poz sobre toda a terra do Egypto.

44 E disse Pharaó a José: Eu sou Pharaó; porém sem ti ninguem levantará a sua mão ou o seu pé em toda a terra do Egypto.

45 E chamou Pharaó o nome de José [DH] Zaphnath-paneah, e deu-lhe por mulher a Asenath, [18] filha de Potiphera, sacerdote de On; e saiu José por toda a terra do Egypto.

46 E José era da edade de trinta annos quando esteve diante da face de Pharaó, rei do Egypto. E saiu José da face de Pharaó, e passou por toda a terra do Egypto.

47 E a terra produziu nos sete annos de fartura a mãos cheias.

48 E ajuntou todo o mantimento dos sete annos, que houve na terra do Egypto, e guardou o mantimento nas cidades, pondo nas cidades o mantimento do campo que estava ao redor de cada cidade.

49 Assim ajuntou José muitissimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de contar; porquanto não havia numeração.

50 E nasceram a José dois [19] filhos (antes que viesse um anno de fome), que lhe pariu Asenath, filha de Potiphera, sacerdote de On.

51 E chamou José o nome do primogenito Manasseh [DI]; porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pae.

52 E o nome do segundo chamou Ephraim [DJ]; porque disse: Deus me fez [20] crescer na terra da minha afflicção.

53 Então acabaram-se os sete annos de fartura que havia na terra do Egypto,

54 E começaram a vir os sete annos de fome, como José tinha dito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egypto havia pão.

55 E tendo toda a terra do Egypto fome, clamou o povo a Pharaó por pão; e Pharaó disse a todos os egypcios: Ide a José; o que elle vos disser, fazei.

56 Havendo pois fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, [21] e vendeu aos egypcios; porque a fome prevaleceu na terra de Egypto.

57 E todas as terras vinham ao Egypto, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.

[1] Dan. 2.1.

[2] Dan. 4.5, 19 e 7.28 e 8.27. Exo. 7.11. Isa. 29.14. Dan. 2.2.

[3] cap. 40.2.

[4] cap. 40.5.

[5] I Sam. 2.8. Psa. 105.20. Psa. 25.14. Dan. 5.16.

[6] ver. 1.

[7] ver. 8. Dan. 4.7.

[8] Dan. 2.29, 45.

[9] II Reis 8.1.

[10] ver. 47.

[11] ver. 54. cap. 47.13.

[12] cap. 37.7, 9. Num. 23.19. Isa. 46.10.

[13] Pro. 6.6, 8 e 22.3.

[14] Act. 7.10.

[15] Psa. 105.21.

[16] Dan. 5.7, 29.

[17] cap. 45.8, 26. Act. 7.10.

[18] Exo. 2.16.

[19] cap. 46.20 e 48.5.

[20] cap. 49.22.

[21] cap. 42.6.

Os irmãos de José descem ao Egypto.

Antes de Christo 1707

42 Vendo então Jacob que havia mantimento no Egypto, [1] disse Jacob a seus filhos: Porque estaes olhando uns para os outros?

2 Disse mais: Eis que tenho ouvido que ha mantimentos no Egypto; descei para lá, e comprae-nos d’ali, para que vivamos e não morramos.

3 Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo do Egypto.

4 A Benjamin, porém, irmão de José não enviou Jacob com os seus irmãos, porque dizia: [2] Para que lhe não succeda porventura algum desastre.

5 Assim vieram os filhos de Israel para comprar, entre os que vinham ; porque havia fome na terra de Canaan.

6 José, pois, era o governador d’aquella terra; [3] elle vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José vieram, e inclinaram-se a elle com a face na terra.

7 E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com elles, e fallou com elles asperamente, e disse-lhes: D’onde vindes? E elles disseram: Da terra de Canaan, para comprarmos mantimento.

8 José, pois, conheceu os seus irmãos; mas elles não o conheceram.

9 Então José lembrou-se dos sonhos, [4] que havia sonhado d’elles, e disse-lhes: Vós sois espias, e sois vindos para ver a nudez da terra.

10 E elles lhe disseram: Não, senhor meu; mas teus servos são vindos a comprar mantimento.

[42]

11 Todos nós somos filhos de um varão; somos homens de rectidão; os teus servos não são espias.

12 E elle lhes disse: Não; antes viestes para ver a nudez da terra.

13 E elles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um varão na terra de Canaan; e eis que aqui o mais novo está com nosso pae hoje; [5] mas um não está mais.

14 Então lhes disse José: Isso é o que vos tenho dito, dizendo que sois espias:

15 N’isto sereis provados; [6] pela vida de Pharaó, não saireis d’aqui senão quando vosso irmão mais novo vier aqui.

16 Enviae um d’entre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, e vossas palavras sejam provadas, se ha verdade comvosco; e se não, pela vida de Pharaó, vós sois espias.

17 E pôl-os juntos em guarda tres dias.

18 E ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; [7] porque eu temo a Deus.

19 Se sois homens de rectidão, que fique um de vossos irmãos preso na casa de vossa prisão; e vós ide, levae mantimento para a fome de vossa casa,

20 E trazei-me o vosso irmão mais novo, [8] e serão verificadas vossas palavras, e não morrereis. E elles assim fizeram.

21 Então disseram uns aos outros: [9] Na verdade, somos culpados ácerca de nosso irmão, pois vimos a angustia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos: por isso vem sobre nós esta angustia.

22 E Ruben respondeu-lhes, dizendo: [10] Não vol-o dizia eu, dizendo: Não pequeis contra o moço; mas não ouvistes: e vêdes aqui, o seu sangue tambem á requerido.

23 E elles não sabiam que José os entendia, porque havia interprete entre elles.

24 E retirou-se d’elles, e chorou. Depois tornou a elles, e fallou-lhes, e tomou a Simeão d’elles, e amarrou-o perante os seus olhos.

Os irmãos de José voltam do Egypto.

25 E ordenou José, que enchessem os seus saccos de trigo, e que lhes restituissem o seu dinheiro a cada um no seu sacco, e lhes dessem comida para o caminho; [11] e fizeram-lhes assim.

26 E carregaram o seu trigo sobre os seus jumentos, e partiram d’ali.

27 E, abrindo [12] um d’elles o seu sacco, para dar pasto ao seu jumento na venda, viu o seu dinheiro; porque eis que estava na bocca do seu sacco.

28 E disse a seus irmãos: Tornou-se o meu dinheiro, e eil-o tambem aqui no meu sacco. Então lhes desfalleceu o coração, e pasmavam, dizendo um ao outro: Que é isto que Deus nos tem feito?

29 E vieram para Jacob, seu pae, na terra de Canaan; e contaram-lhe tudo o que lhes aconteceu, dizendo:

30 O varão, o senhor da terra, fallou comnosco asperamente, [13] e tratou-nos como espias da terra;

31 Mas dissemos-lhe: Somos homens de rectidão: não somos espias:

32 Somos doze irmãos, filhos de nosso pae; um não é mais, e o mais novo está hoje com nosso pae na terra de Canaan.

33 E aquelle varão, o senhor da terra, nos disse: N’isto conhecerei que vós sois homens de rectidão; deixae commigo um de vossos irmãos, e tomae para a fome de vossas casas, e parti,

34 E trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas homens de rectidão; então vos darei o vosso irmão e negociareis na terra.

35 E aconteceu que, [14] despejando elles os seus saccos, eis que cada um tinha a trouxinha com seu dinheiro no seu sacco; e viram as trouxinhas com seu dinheiro, elles e seu pae, e temeram.

36 Então Jacob, seu pae, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; [15] José não está mais, e Simeão não está mais: agora levareis a Benjamin. Todas estas coisas vieram sobre mim.

37 Mas Ruben fallou a seu pae, dizendo: Mata os meus dois filhos, se t’o não tornar a trazer; dá-m’o em minha mão, e t’o tornarei a trazer.

38 Elle porém disse: Não descerá meu filho comvosco; [16] porquanto o seu irmão é morto, e elle só ficou. Se lhe succedesse algum desastre no caminho que fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza á sepultura.

[1] Act. 7.12.

[2] ver. 38.

[3] cap. 41.41.

[4] cap. 37.5, 9.

[5] cap. 37.30.

[6] I Sam. 1.26 e 17.55. Thi. 5.12.

[7] Lev. 25.43. Neh. 5.15. Luc. 18.2, 4.

[8] cap. 43.5.

[9] Num. 32.23. I Reis 17.18. Job 36.8, 9. Ose. 5.15.

[10] cap. 37.21. cap. 9.5. I Reis 2.32. II Chr. 24.22. Psa. 9.12.

[11] Mat. 5.44. Rom. 12.17, 20. Eph. 4.2.

[12] cap. 43.21.

[13] ver. 7, 12.

[14] cap. 43.21.

[15] cap. 43.14.

[16] cap. 44.29.

Os irmãos de José descem outra vez ao Egypto.

43 E a fome [1] era gravissima na terra.

2 E aconteceu que, como acabaram de comer o mantimento que trouxeram do[43] Egypto, disse-lhes seu pae: Tornae, comprae-nos um pouco de alimento.

3 Mas Judah respondeu-lhe, dizendo: Fortemente nos protestou aquelle varão, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier comvosco.

4 Se enviares comnosco o nosso irmão, desceremos, e te compraremos alimento;

5 Mas se não o enviares, não desceremos; porquanto aquelle varão nos disse: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier comvosco.

6 E disse Israel: Porque me fizestes tal mal, fazendo saber áquelle varão que tinheis ainda outro irmão?

7 E elles disseram: Aquelle varão particularmente nos perguntou por nós, e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pae? tendes mais um irmão? e respondemos-lhe conforme as mesmas palavras. Podiamos nós saber que diria: Trazei vosso irmão?

8 Então disse Judah a Israel, seu pae: Envia o mancebo commigo, e levantar-nos-hemos, e iremos, para que vivamos, e não morramos, nem nós, nem tu, nem os nossos filhos.

9 Eu serei fiador por elle, da minha mão o requererás; [2] se eu não t’o trouxer, e não o pozer perante a tua face, serei réu de crime para comtigo para sempre:

10 E se nós não nos tivessemos detido, certamente já estariamos segunda vez de volta.

11 Então disse-lhes Israel, seu pae: Pois que assim é, fazei isso; tomae do mais precioso d’esta terra em vossos vasos, [3] e levae ao varão um presente: um pouco de balsamo, e um pouco de mel, especiarias, e myrrha, terebintho e [DK] amendoas;

12 E tomae em vossas mãos dinheiro dobrado, [4] e o dinheiro que tornou na bocca dos vossos saccos tornae a levar em vossas mãos; bem pode ser que fosse erro;

13 Tomae tambem a vosso irmão, e levantae-vos, e voltae áquelle varão;

14 E Deus Todo-poderoso vos dê misericordia diante do varão, para que deixe vir comvosco vosso outro irmão, [5] e Benjamin; e eu, se fôr desfilhado, desfilhado ficarei.

Os irmãos de José jantam com elle.

15 E os varões tomaram aquelle presente, e tomaram dinheiro dobrado em suas mãos, e a Benjamin: e levantaram-se, e desceram ao Egypto, e apresentaram-se diante da face de José.

16 Vendo pois José a Benjamin com elles, disse ao que estava sobre a sua casa: [6] Leva estes varões á casa, e mata rezes, e apresta; porque estes varões comerão commigo ao meio dia.

17 E o varão fez como José dissera, e o varão levou aquelles varões á casa de José.

18 Então temeram aquelles varões, porquanto foram levados á casa de José, e diziam: Por causa do dinheiro que d’antes foi [DL] tornado nos nossos saccos, fomos levados aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos, e a nossos jumentos.

19 Por isso chegaram-se ao varão que estava sobre a casa de José, e fallaram com elle á porta da casa,

20 E disseram: Ai! senhor meu, certamente descemos d’antes a comprar mantimento;

21 E aconteceu que, [7] chegando nós á venda, e abrindo os nossos saccos, eis que o dinheiro de cada varão estava na bocca do seu sacco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazel-o em nossas mãos;

22 Tambem trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos saccos.

23 E elle disse: Paz seja comvosco, não temaes; o vosso Deus, e o Deus de vosso pae, vos tem dado um thesoiro nos vossos saccos; o vosso dinheiro me chegou a mim. E trouxe-lhes fóra a Simeão.

24 Depois levou o varão aquelles varões á casa de José, [8] e deu-lhes agua, e lavaram os seus pés; tambem deu pasto aos seus jumentos.

25 E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer pão.

26 Vindo pois José a casa, trouxeram-lhe a casa o presente, [9] que estava na sua mão; e inclinaram-se a elle á terra.

27 E [10] elle lhes perguntou como estavam, e disse: Vosso pae, o velho de quem fallastes, está bem? ainda vive?

28 E elles disseram: Bem está o teu servo, nosso pae [11] vive ainda. E abaixaram a cabeça, e inclinaram-se.

29 E elle levantou os seus olhos, e viu a Benjamin, seu irmão, [12] filho de sua mãe, e disse: Este é vosso irmão mais novo de quem me fallastes? Depois elle[44] disse: Deus te dê a sua graça, meu filho.

30 E José apressou-se, [13] porque as suas entranhas moveram-se para o seu irmão, e procurou onde chorar; e entrou na camara, e chorou ali.

31 Depois lavou o seu rosto, e saiu; e conteve-se, e disse: Ponde pão.

32 E pozeram-lhe a elle á parte, e a elles á parte, e aos egypcios, que comiam com elle, á parte; porque os egypcios não podem comer pão com os hebreus, porquanto é abominação para os egypcios.

33 E assentaram-se diante d’elle, o primogenito segundo a sua primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade: do que os varões se maravilhavam entre si.

34 E apresentou-lhes as porções que estavam diante d’elle; porém a porção de Benjamin era cinco vezes maior do que as porções d’elles todos. E elles beberam, e se regalaram com elle.

[1] cap. 41.54.

[2] cap. 44.32.

[3] Pro. 18.16. cap. 37.25.

[4] cap. 42.35.

[5] Neh. 1.11. Psa. 37.5.

[6] cap. 44.1.

[7] cap. 42.27.

[8] cap. 18.4 e 24.32.

[9] cap. 37.7, 10.

[10] cap. 42.11, 13.

[11] cap. 37.7, 10.

[12] cap. 35.17, 18.

[13] I Reis 3.20. Jer. 31.20. Phi. 1.8 e 2.1. Col. 3.12.

A astucia de José para deter seus irmãos.

44 E deu ordem ao que estava sobre a sua casa, dizendo: Enche os saccos d’estes varões de mantimento, quanto poderem levar, e põe o dinheiro de cada varão na bocca do seu sacco.

2 E o meu copo, o copo de prata, porás na bocca do sacco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo. E fez conforme a palavra de José, que tinha dito.

3 Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões, elles com os seus jumentos.

4 Saindo elles da cidade, e não se havendo ainda distanciado, disse José ao que estava sobre a sua casa: Levanta-te, e persegue aquelles varões: e, alcançando-os, lhes dirás: Porque pagastes mal por bem?

5 Não é este o copo por que bebe meu senhor? e em que elle bem [DM] attenta? fizestes mal no que fizestes.

6 E alcançou-os, e fallou-lhes as mesmas palavras.

7 E elles disseram-lhe: Porque diz meu senhor taes palavras? longe estejam teus servos de fazerem similhante coisa.

8 Eis que o dinheiro, [1] que temos achado nas boccas dos nossos saccos, te tornámos a trazer desde a terra de Canaan: como pois furtariamos da casa do teu senhor prata ou oiro?

9 Aquelle, [2] com quem de teus servos fôr achado, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor.

10 E elle disse: Ora seja tambem assim conforme as vossas palavras; aquelle com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados.

11 E elles apressaram-se, e cada um poz em terra o seu sacco, e cada um abriu o seu sacco.

12 E buscou, começando do maior, e acabando no mais novo: e achou-se o copo no sacco de Benjamin.

13 Então rasgaram os seus vestidos, [3] e carregou cada um o seu jumento, e tornaram á cidade.

14 E veiu Judah com os seus irmãos á casa de José, porque elle ainda estava ali; [4] e prostraram-se diante d’elle na terra.

15 E disse-lhes José: Que é isto que obrastes? não sabeis vós que tal homem como eu bem [DN] attentara?

A humilde supplica de Judah.

16 Então disse Judah: Que diremos a meu senhor? que fallaremos? e como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; [5] eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquelle em cuja mão foi achado o copo.

17 Mas elle disse: [6] Longe de mim que eu tal faça; o varão em cuja mão o copo foi achado, aquelle será meu servo; porém vós subi em paz para vosso pae.

18 Então Judah se chegou a elle, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se accenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Pharaó.

19 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pae, ou irmão?

20 E dissemos a meu senhor: Temos um pae velho, e um moço da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e elle ficou só de sua mãe, [7] e seu pae o ama.

21 Então tu disseste a teus servos: Trazei-m’o a mim, e porei os meus olhos sobre elle.

22 E nós dissemos a meu senhor: Aquelle moço não poderá deixar a seu pae: se deixar a seu pae, morrerá.

23 Então tu disseste a teus servos: Se vosso irmão mais novo não descer comvosco, [8] nunca mais vereis a minha face.

24 E aconteceu que, subindo nós a teu servo meu pae, e contando-lhe as palavras de meu senhor,

[45]

25 Disse nosso pae: [9] Tornae, comprae-nos um pouco de mantimento.

26 E nós dissemos: Não poderemos descer; se nosso irmão menor fôr comnosco, desceremos; pois não poderemos ver a face do varão, se este nosso irmão menor não estiver comnosco.

27 Então disse-nos teu servo meu pae: [10] Vós sabeis que minha mulher me pariu dois;

28 E um saiu de mim, e eu disse: [11] Certamente foi despedaçado, e não o tenho visto até agora;

29 Se agora tambem tirardes a este da minha face, e lhe acontecesse algum desastre, farieis descer as minhas cãs com dôr á sepultura.

30 Agora pois, vindo eu a teu servo meu pae, e o moço não indo comnosco, pois que a sua alma está atada com a alma d’elle,

31 Acontecerá que, vendo elle que o moço ali não está, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pae, com tristeza á sepultura.

32 Porque teu servo [12] se deu por fiador por este moço para com meu pae, dizendo: Se não t’o tornar, eu serei culpado a meu pae todos os dias.

33 Agora, pois, fique teu servo em logar d’este moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com os seus irmãos.

34 Porque como subirei eu a meu pae, se o moço não fôr commigo? para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pae.

[1] cap. 43.22.

[2] cap. 31.32.

[3] cap. 37.29, 34. Num. 14.6. II Sam. 1.11.

[4] cap. 37.7.

[5] Esd. 9.10. Job 40.4. Num. 32.23. Jos. 7.18. Luc. 12.2.

[6] Pro. 17.15.

[7] cap. 37.3.

[8] cap. 43.3, 5.

[9] cap. 43.2.

[10] cap. 30.23 e 35.18 e 46.19.

[11] cap. 37.33.

[12] cap. 43.9.

José dá-se a conhecer a seus irmãos.

Antes de Christo 1706

45 Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com elle; e clamou: Fazei sair de mim a todo o varão; e ninguem ficou com elle, quando José se deu a conhecer a seus irmãos.

2 E levantou a sua voz com chôro, de maneira que os egypcios o ouviam, e a casa de Pharaó o ouviu.

3 E disse José a seus irmãos: Eu sou José: vive ainda meu pae? E seus irmãos não lhe poderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face.

4 E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegae-vos a mim. E chegaram-se; então disse elle: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egypto.

5 Agora, pois, não vos entristeçaes, [1] nem vos peze aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face.

6 Porque já houve dois annos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco annos em que não haverá lavoura nem sega.

7 Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para que ficasseis um resto na terra, e para guardar-vos em vida por uma grande livração.

8 Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pae de Pharaó, [2] e por senhor de toda a sua casa, e como [DO] regente em toda a terra do Egypto.

9 Apressae-vos, e subi a meu pae, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egypto; desce a mim, e não te demores;

10 E habitarás na terra de Gosen, [3] e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vaccas, e tudo o que tens.

11 E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco annos de fome, para que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens.

12 E eis que vossos olhos o vêem, e os olhos de meu irmão Benjamin, que é minha bocca que vos falla.

13 E fazei saber a meu pae toda a minha gloria no Egypto, e tudo o que tendes visto, [4] e apressae-vos a fazer descer meu pae para cá.

14 E lançou-se ao pescoço de Benjamin seu irmão, e chorou; e Benjamin chorou tambem ao seu pescoço.

Pharaó ouve fallar dos irmãos de José.

15 E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre elles; e depois seus irmãos fallaram com elle.

16 E a fama ouviu-se na casa de Pharaó, dizendo: Os irmãos de José são vindos; e pareceu bem aos olhos de Pharaó, e aos olhos de seus servos.

17 E disse Pharaó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto, carregae as vossas bestas e parti, tornae á terra de Canaan,

18 E tornae a vosso pae, e a vossas familias, e vinde a mim; e eu vos farei o melhor da terra do Egypto, [5] e comereis a gordura da terra.

19 A ti pois é ordenado; fazei isto, tomae vós da terra do Egypto carros para vossos meninos, para vossas mulheres, e para vosso pae, e vinde.

20 E não vos peze coisa alguma das vossas alfaias; porque o melhor de toda a terra do Egypto será vosso.

21 E os filhos de Israel fizeram assim.[46] E José deu-lhes carros, conforme o mandado de Pharaó; tambem lhes deu comida para o caminho.

22 A todos lhes deu, a cada um, mudas de vestidos; mas a Benjamin deu trezentas peças de prata, [6] e cinco mudas de vestidos.

23 E a seu pae enviou similhantemente dez jumentos carregados do melhor do Egypto, e dez jumentos carregados de trigo, e pão, e comida para seu pae, para o caminho.

24 E despediu os seus irmãos, e partiram; e disse-lhes: Não contendaes pelo caminho.

25 E subiram do Egypto, e vieram á terra de Canaan, a Jacob seu pae.

26 Então lhe annunciaram, dizendo: José ainda vive, e elle tambem é regente em toda a terra do Egypto. [7] E o seu coração desmaiou-se, porque não os acreditava.

27 Porém, havendo-lhe elles contado todas as palavras de José, que elle lhes fallára, e vendo elle os carros que José enviara para leval-o, reviveu o espirito de Jacob seu pae.

28 E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei, e o verei antes que morra.

[1] cap. 37.28. II Cor. 2.7.

[2] João 19.11. cap. 41.43.

[3] cap. 46.29 e 47.1, 6. Exo. 8.22 e 9.26.

[4] Act. 7.14.

[5] cap. 47.6.

[6] cap. 43.34.

[7] Job 9.16 e 29.24. Psa. 126.1. Luc. 24.11, 41.

Jacob e toda a sua familia descem ao Egypto.

46 E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veiu a [1] Berseba, e sacrificou sacrificios ao Deus de seu pae Isaac.

2 E fallou Deus a Israel em visões da noite, [2] e disse: Jacob, Jacob! E elle disse: Eis-me aqui.

3 E disse: Eu sou o Deus, o Deus de teu pae; [3] não temas de descer ao Egypto, porque eu te farei ali uma grande nação.

4 E descerei comtigo ao Egypto, e certamente te farei tornar a subir, [4] e José porá a sua mão sobro os teus olhos.

5 Então levantou-se Jacob de Berseba, e os filhos de Israel levaram a seu pae Jacob, e seus meninos, e as suas mulheres, [5] nos carros que Pharaó enviara para o levar.

6 E tomaram o seu gado e a sua fazenda que tinham adquirido na terra de Canaan, [6] e vieram ao Egypto, Jacob e toda a sua semente com elle,

7 Os seus filhos, e os filhos de seus filhos com elle, as suas filhas, e as filhas de seus filhos, e toda a sua semente levou comsigo ao Egypto.

8 E estes são os nomes dos filhos de Israel, [7] que vieram ao Egypto, Jacob e seus filhos: Ruben, o primogenito de Jacob,

9 E os filhos de Ruben: Hanoch, e Pallu, e Hezron, e Carmi.

10 E os filhos de Simeão: Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e Shaul, filho de uma mulher cananea.

11 E os filhos de Levi: Gerson, Kohath, e Merari.

12 E os filhos de Judah: Er, e Onan, e Sela, e Perez, e Serah; [8] Er e Onan, porém, morreram na terra de Canaan; e os filhos de Perez foram Hezron e Hamul.

13 E os filhos de Issacar: Tola, e Puah, e Iob, e Simron.

14 E os filhos de Zebulon: Sered, e Elon, e Jahleel.

15 Estes são os filhos de Leah, que pariu a Jacob em Paddan-aram, com Dinah, sua filha: todas as almas de seus filhos e de suas filhas foram trinta e tres.

16 E os filhos de Gad: Ziphion, e Haggi, Shuni, e Ezbon, Eri, e Arodi, e Areli.

17 E os filhos de Asher: Imnah, e Ischva, e Ischvi, e Beria, e Serah, a irmã d’elles: e os filhos de Beria: Heber e Malchiel.

18 Estes são os filhos de Zilpah, [9] que Labão deu á sua filha Leah; e pariu a Jacob estas dezeseis almas.

19 Os filhos de Rachel, mulher de Jacob: José e Benjamin.

20 E nasceram a José na terra do Egypto Manasseh e Ephraim, que lhe pariu Asenath, [10] filha de Potiphera, sacerdote de On.

21 E os filhos de Benjamin: Belah, Becher, e Asbel, Gera, e Naaman, Echi e Rosh, Muppim, e Huppim, e Ard.

22 Estes são os filhos de Rachel, que nasceram a Jacob, ao todo quatorze almas.

23 E os filhos de Dan: Husim.

24 E os filhos de Naphtali: Jahzeel, e Guni, e Jezer, e Shilem.

25 Estes são os filhos de Bilha, [11] que Labão deu á sua filha Rachel; e pariu estes a Jacob; todas as almas foram sete.

26 Todas as almas que vieram com Jacob ao Egypto, que sairam da sua côxa, sem as mulheres dos filhos de Jacob, todas foram sessenta e seis almas.

[47]

27 E os filhos de José, que lhe nasceram no Egypto, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacob, que vieram ao Egypto, [12] foram setenta.

O encontro de José com seu pae.

28 E enviou a Judah diante da sua face a José, para o encaminhar a Gosen; e chegaram á [13] terra de Gosen.

29 Então José apromptou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu pae, a Gosen. E, mostrando-se-lhe, lançou-se ao seu pescoço, e chorou sobre o seu pescoço longo tempo.

30 E Israel disse a José: Morra eu agora, [14] pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives.

31 Depois disse José a seus irmãos, e á casa de seu pae: Eu subirei, e annunciarei a Pharaó, e lhe direi: Meus irmãos, e a casa de meu pae, que estavam na terra de Canaan, vieram a mim!

32 E os varões são pastores de ovelhas, porque são homens de gado, e trouxeram comsigo as suas ovelhas, e as suas vaccas, e tudo o que teem.

33 Quando pois acontecer que Pharaó vos chamar, e disser: [15] Qual é vosso [DP] negocio?

34 Então direis: [16] Teus servos foram homens de gado desde a nossa mocidade até agora, tanto nós como os nossos paes; para que habitemos na terra de Gosen; porque todo o pastor de ovelhas é abominação aos egypcios.

[1] cap. 21.31 e 31.42, 53.

[2] cap. 15.1. Job 33.15.

[3] cap. 12.2. Deu. 26.5.

[4] cap. 15.16 e 50.13, 25. Exo. 3.8. cap. 50.1. Act. 7.15.

[5] cap. 45.19, 27.

[6] Num. 20.15. Deu. 26.5. Jos. 24.4. Psa. 105.23. Isa. 52.4.

[7] Exo. 1.1 e 6.14. Num. 26.5.

[8] I Chr. 2.3.

[9] cap. 29.24 e 30.10.

[10] cap. 41.50.

[11] cap. 29.29.

[12] Deu. 10.22. Act. 7.14.

[13] cap. 47.1.

[14] Luc. 2.29, 30.

[15] cap. 47.3.

[16] cap. 30.35 e 37.12. Exo. 8.26.

José annuncia a Pharaó a chegada de seu pae.

47 Então veiu José, e annunciou a Pharaó, e disse: Meu pae, e os meus irmãos, e as suas ovelhas, e as suas vaccas, com tudo o que teem, são vindos da terra de Canaan, [1] e eis que estão na terra de Gosen.

2 E [2] tomou uma parte de seus irmãos, a saber cinco varões, e os poz diante de Pharaó.

3 Então disse Pharaó a seus irmãos: Qual é vosso negocio? E elles disseram a Pharaó: Teus servos são pastores de ovelhas, tanto nós como nossos paes.

4 Disseram mais a Pharaó: [3] Viemos para peregrinar n’esta terra; porque não ha pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de Canaan; agora pois rogamos-te que teus servos habitem na terra de Gosen.

5 Então fallou Pharaó a José, dizendo: Teu pae e teus irmãos vieram a ti:

6 A terra do Egypto está diante da tua face, no melhor da terra faze habitar teu pae e teus irmãos; habitem na terra de Gosen: e se sabes que entre elles ha homens [DQ] valentes, os porás por maioraes do [4] gado, sobre o que eu tenho.

7 E trouxe José a Jacob, seu pae, e o poz diante de Pharaó; e Jacob abençoou a Pharaó.

8 E Pharaó disse a Jacob: Quantos são os dias dos annos da tua vida?

9 E Jacob disse a Pharaó: Os dias dos annos das minhas peregrinações são cento e trinta annos; [5] poucos e maus foram os dias dos annos da minha vida, e não chegaram aos dias dos annos da vida de meus paes nos dias das suas peregrinações.

10 E Jacob abençoou a Pharaó, e saiu de diante da face de Pharaó.

11 E José fez habitar a seu pae e seus irmãos, e deu-lhes possessão na terra do Egypto, no melhor da terra, na terra de Rameses, [6] como Pharaó ordenara.

12 E José sustentou de pão a seu pae, e seus irmãos, e toda a casa de seu pae, segundo os seus meninos.

Como José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó.

13 E não havia pão em toda a terra, [7] porque a fome era mui grave; de maneira que a terra do Egypto e a terra de Canaan desfalleciam por causa da fome.

14 Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egypto, e na terra de Canaan, pelo trigo que compravam: e José trouxe o dinheiro á casa de Pharaó.

15 Acabando-se pois o dinheiro da terra do Egypto, e da terra de Canaan, vieram todos os egypcios a José, dizendo: Dá-nos pão; porque morreremos em tua presença? porquanto o dinheiro nos falta.

16 E José disse: Dae o vosso gado, e eu vol-o darei por vosso gado, se falta o dinheiro.

17 Então trouxeram o seu gado a José: e José deu-lhes pão em troca de cavallos, e do gado das ovelhas, e do gado das vaccas e dos jumentos; e os sustentou de pão aquelle anno por todo o seu gado.

18 E acabado aquelle anno, vieram a elle no segundo anno, e disseram-lhe: Não occultaremos ao meu senhor que o dinheiro é acabado, e meu senhor possue os animaes, e nenhuma outra coisa nos ficou diante da face de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra;

19 Porque morreremos diante dos teus[48] olhos, tanto nós como a nossa terra? [8] compra-nos a nós e á nossa terra por pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Pharaó, e dá semente para que vivamos, e não morramos, e a terra não se desole.

Antes de Christo 1702

20 Assim José comprou toda a terra do Egypto para Pharaó, porque os egypcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome prevaleceu sobre elles: e a terra ficou sendo de Pharaó.

21 E, quanto ao povo, fel-o passar ás cidades, desde uma extremidade da terra do Egypto até á outra extremidade.

22 Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham porção de Pharaó, e elles comiam a sua porção que Pharaó lhes tinha dado; por isso não venderam a sua terra.

23 Então disse José ao povo: Eis que hoje tenho comprado a vós e a vossa terra para Pharaó; eis ahi tendes semente para vós, para que semeeis a terra.

24 Ha de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Pharaó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento, e dos que estão nas vossas casas, e para que comam vossos meninos.

25 E disseram: A vida nos tens dado; achemos graça nos olhos de meu senhor, e seremos servos de Pharaó.

26 José pois poz isto por estatuto até ao dia de hoje, sobre a terra do Egypto, que Pharaó tirasse o quinto: só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Pharaó.

27 Assim habitou Israel na terra do Egypto, na terra de Gosen, e n’ella tomaram possessão, [9] e fructificaram, e multiplicaram-se muito.

28 E Jacob viveu na terra do Egypto dezesete annos: de sorte que os dias de Jacob, os annos da sua vida, foram cento e quarenta e sete annos.

29 Chegando-se pois o tempo da morte d’Israel, chamou a José seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha côxa, [10] e usa commigo de beneficencia e verdade; rogo-te que me não enterres no Egypto.

30 Mas que eu jaza com os meus paes; [11] por isso me levarás do Egypto, e me sepultarás na sepultura d’elles. E elle disse: Farei conforme a tua palavra.

31 E disse elle: Jura-me. E elle jurou-lhe; e Israel inclinou-se sobre a cabeceira da cama.

[1] cap. 46.28.

[2] Act. 7.13.

[3] cap. 15.13. Deu. 26.5. Psa. 105.23. Isa. 52.4.

[4] I Chr. 27.29. Exo. 1.11.

[5] cap. 25.7, 8 e 35.28.

[6] ver. 6.

[7] cap. 41.30, 31.

[8] Job 2.4. Lam. 1.1.

[9] Exo. 1.7, 12. Deu. 10.22. Neh. 9.23.

[10] cap. 24.2.

[11] cap. 50.5, 13.

Jacob adoece.

Antes de Christo 1689

48 E aconteceu pois depois d’estas coisas, que um disse a José: Eis que teu pae está enfermo. Então tomou comsigo os seus dois filhos Manasseh e Ephraim.

2 E um deu parte a Jacob, e disse: Eis que José teu filho vem a ti. E esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama.

3 E Jacob disse a José: [1] O Deus Todo-poderoso me appareceu em Luz, na terra de Canaan, e me abençoou,

4 E me disse: Eis que te farei fructificar e multiplicar, e te porei por multidão de povos, e darei esta terra á tua semente depois de ti, [2] em possessão perpetua.

5 Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egypto, [3] antes que eu viesse a ti no Egypto, são meus: Ephraim e Manasseh serão meus, como Ruben e Simeão;

6 Mas a tua geração, que gerarás depois d’elles, será tua: segundo o nome de seus irmãos serão chamados na sua herança.

7 Vindo pois eu de Paddan, me [4] morreu Rachel na terra de Canaan, no caminho, quando ainda ficava um pequeno espaço de terra para vir a Ephrata; e eu a sepultei ali, no caminho d’Ephrata, que é Beth-lehem.

8 E Israel viu os filhos de José, e disse: Quem são estes?

9 E José disse a seu pae: Elles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui. E elle disse: [5] Peço-te, traze-m’os aqui, para que os abençoe.

10 Os olhos porem d’Israel eram carregados de velhice, já não podia vêr; e fel-os chegar a elle, e beijou-os, e abraçou-os.

Jacob abençoa José e os filhos d’este.

11 E Israel disse a José: Eu não cuidara vêr o teu rosto; [6] e eis que Deus me fez vêr a tua semente tambem.

12 Então José os tirou de seus joelhos, [7] e inclinou-se á terra diante da sua face.

13 E tomou José a ambos elles, a Ephraim na sua mão direita á esquerda d’Israel, e Manasseh na sua mão esquerda á direita d’Israel, e fel-os chegar a elle.

14 Mas Israel estendeu a sua mão direita, e a poz sobre a cabeça d’Ephraim, ainda que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manasseh, dirigindo[49] as suas mãos avisadamente, ainda que Manasseh era o primogenito.

15 E abençoou a José, e disse: O Deus, [8] em cuja presença andaram os meus paes Abrahão e Isaac, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia:

16 O anjo que me [DR] livrou de todo o mal, [9] abençôe estes rapazes, e seja chamado n’elle o meu nome, e o nome de meus paes Abrahão e Isaac, e multipliquem-se, como peixes, em multidão no meio da terra.

17 Vendo pois José que seu pae punha a sua mão direita sobre a cabeça d’Ephraim, foi máu aos seus olhos; e tomou a mão de seu pae, para a transpor de sobre a cabeça de Ephraim á cabeça de Manasseh.

18 E José disse a seu pae: Não assim, meu pae, porque este é o primogenito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.

19 Mas seu pae o recusou, e disse: Eu o sei, filho meu, eu o sei: tambem elle será um povo, e tambem elle [10] será grande: comtudo o seu irmão menor será maior que elle, e a sua semente será uma [DS] multidão de nações.

20 Assim os abençoou n’aquelle dia, dizendo: Em ti abençoará Israel, dizendo: [11] Deus te ponha como a Ephraim e como a Manasseh. E poz a Ephraim diante de Manasseh.

21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, [12] mas Deus será comvosco, e vos fará tornar á terra de vossos paes.

22 E eu te tenho dado a ti um pedaço da terra sobre teus irmãos, que [13] tomei com a minha espada e com o meu arco da mão dos amorrheos.

[1] cap. 28.13, 19 e 35.6.

[2] cap. 17.8. Amós 9.14, 15.

[3] cap. 41.50, 52. I Chr. 5.1.

[4] cap. 35.16, 19.

[5] cap. 27.4. Heb. 11.21.

[6] cap. 37.33, 35 e 45.26.

[7] Exo. 20.12.

[8] cap. 17.1 e 24.40. Psa. 103.4, 5.

[9] cap. 31.11. Isa. 63.9. Psa. 34.22. Num. 26.34, 37.

[10] Deu. 33.17.

[11] Ruth 4.11, 12.

[12] cap. 50.24. Jos. 23.14.

[13] Jos. 24.32. João 4.5.

Jacob abençoa seus filhos e morre.

49 Depois chamou Jacob a seus filhos, e disse: [1] Ajuntae-vos, e annunciar-vos-hei o que vos ha de acontecer nos derradeiros dias:

2 Ajuntae-vos, [2] e ouvi, filhos de Jacob; e ouvi a Israel vosso pae:

3 Ruben, tu és meu primogenito, minha força, [3] e o principio de meu vigor, o mais excellente em alteza, e o mais excellente em potencia.

4 Fervente como a agua, não serás o mais excellente; porquanto subiste ao leito de teu pae. Então o contaminaste; subiu á minha cama.

5 Simeão e Levi são irmãos: [4] as suas espadas são instrumentos de violencia.

6 No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha gloria não se ajunte; porque no seu furor mataram varões, e na sua teima arrebataram bois.

7 Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura: [5] eu os dividirei em Jacob, e os espalharei em Israel.

8 Judah, te louvarão os teus irmãos; [6] a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos: os filhos de teu pae a ti se inclinarão.

9 Judah é um leãosinho, [7] da preza subiste, filho meu: encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho: quem o despertará?

10 O sceptro [8] não se arredará de Judah, nem o legislador d’entre seus pés, até que não venha Shiloh; e a elle [DT] congregarão os povos.

11 Elle amarrará o seu jumentinho á vide, e o filho da sua jumenta á cepa mais excellente: elle lavará o seu vestido no vinho, e a sua capa em sangue de uvas.

12 Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite.

13 Zabulon [9] habitará no porto dos mares, e será porto dos navios, e o seu termo será para Sidon.

14 Issacar é jumento de fortes ossos, [DU] deitado entre dois fardos.

15 E viu elle que o descanço era bom, e seu hombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo.

16 Dan julgará o seu povo, como uma das tribus d’Israel.

17 Dan será serpente junto ao caminho, uma vibora junto á vereda, que morde os calcanhares do cavallo, e faz cair o seu cavalleiro por detrás.

18 A tua salvação espero, [10] ó Senhor!

19 Quanto a Gad, [11] uma tropa o accommetterá; mas elle a accommetterá por fim.

20 De Aser, o seu pão será gordo, e elle dará delicias reaes.

21 Naphtali é uma cerva solta: elle dá palavras formosas.

22 José é um ramo fructifero, ramo fructifero junto á fonte; seus ramos correm sobre o muro.

23 Os frecheiros lhe deram amargura, [12] e o frecharam e [DV] aborreceram.

[50]

24 O seu arco, porém, susteve-se no forte, [13] e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacob (d’onde é o pastor e a pedra d’Israel).

25 Pelo Deus de teu pae, o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso, o qual te abençoará com bençãos dos céus de cima, com bençãos do abysmo que está debaixo, com bençãos dos peitos e da madre.

26 As bençãos de teu pae excederão as bençãos de meus paes, até á extremidade dos outeiros eternos: ellas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do separado de seus irmãos.

27 Benjamin é lobo que despedaça; [14] pela manhã comerá a preza, e á tarde repartirá o despojo.

28 Todas estas são as doze tribus de Israel: e isto é o que lhes fallou seu pae quando os abençoou; a cada um d’elles abençoou segundo a sua benção.

29 Depois ordenou-lhes, e disse-lhes: [15] Eu me congrego ao meu povo; sepultae-me com meus paes, na cova que está no campo de Ephron, o hetheo,

30 Na cova que está no campo de Machpela, que está em frente de Mamre, na terra de Canaan, a qual Abrahão comprou com aquelle campo de Ephron, o hetheo, por [16] herança de sepultura:

31 Ali sepultaram a Abrahão, e a Sarah sua mulher: ali sepultaram a Isaac, e a Rebecca sua mulher: e ali eu sepultei a Leah.

32 O campo, e a cova que está n’elle, foi comprado aos filhos de Heth.

33 Acabando pois Jacob de dar mandamentos a seus filhos, encolheu os seus pés na cama, [17] e espirou, e foi congregado ao seu povo.

[1] Deu. 33.1. Num. 24.14. Isa. 2.2.

[2] Deu. 21.17.

[3] cap. 35.22. I Chr. 5.1.

[4] cap. 29.33, 34 e 34.25, 29.

[5] Jos. 21.5, 7.

[6] I Chr. 5.2.

[7] Num. 23.24. Apo. 5.5.

[8] Num. 24.17. Psa. 60.7 e 108.8. Isa. 33.22. Isa. 9.5, 6. Luc. 1.32, 33.

[9] Deu. 33.18. Jos. 19.10.

[10] Isa. 25.9.

[11] I Chr. 5.18.

[12] cap. 37.4 &c. e 39.20.

[13] Job 29.20. Psa. 18.32, 34. cap. 45.10, 11 e 50.21. Isa. 28.16.

[14] Jui. 20.21, 25.

[15] cap. 47.30.

[16] cap. 23.3, &c.

[17] ver. 29.

A lamentação por Jacob e o seu enterro.

50 Então José se lançou sobre o rosto de seu pae; e chorou sobre elle, e o beijou.

2 E José ordenou aos seus servos, os medicos, que embalsamassem a seu pae: e os medicos embalsamaram a Israel.

3 E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias d’aquelles que se embalsamam: e os egypcios o choraram setenta dias.

4 Passados pois os dias de seu choro, fallou José á casa de Pharaó, dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que falleis aos ouvidos de Pharaó, dizendo:

5 Meu pae me fez jurar, [1] dizendo: Eis que eu morro: em meu sepulchro, que cavei para mim na terra de Canaan, ali me sepultarás. Agora pois, te peço, que eu suba, para que sepulte a meu pae; então voltarei.

6 E Pharaó disse: Sobe, e sepulta a teu pae como elle te fez jurar.

7 E José subiu para sepultar a seu pae: e subiram com elle todos os servos de Pharaó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egypto,

8 Como tambem toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pae: sómente deixaram na terra de Gosen os seus meninos e as suas ovelhas, e as suas vaccas.

9 E subiram tambem com elle, tanto carros como gente a cavallo; e o concurso foi grandissimo.

10 Chegando elles pois á [DW] planicie do espinhal, que está além do Jordão, fizeram um grande e gravissimo pranto; e fez a seu pae um grande pranto por sete dias.

11 E vendo os moradores da terra, os cananeos, o luto na planicie do espinhal, disseram: É este o pranto grande dos egypcios. Por isso chamou-se o seu nome Abelmizraim, que está além do Jordão.

12 E fizeram-lhe os seus filhos assim [2] como elle lhes ordenara,

13 Pois os seus filhos o levaram á terra de Canaan, e o sepultaram na cova do campo de Machpela, que Abrahão tinha comprado com o campo, por herança de sepultura, d’Ephron, o hetheo, [3] em frente de Mamre.

José anima a seus irmãos.

14 Depois tornou-se José para o Egypto, elle e seus irmãos, e todos os que com elle subiram a sepultar seu pae, depois de haver sepultado seu pae.

15 Vendo então os irmãos de José que seu pae já estava morto, disseram: Porventura nos aborrecerá José, e nos pagará certamente todo o mal que lhe fizemos.

16 Portanto enviaram a José, dizendo: Teu pae mandou, antes da sua morte, dizendo:

17 Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu peccado, [4] porque te fizeram mal: agora pois rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pae. E José chorou quando elles lhe fallavam.

[51]

18 Depois vieram tambem seus irmãos, e prostraram-se diante d’elle, e disseram: Eis-nos aqui por teus servos.

19 E José lhes disse: Não temaes, porque porventura [5] estou eu em logar de Deus?

20 Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o intentou para bem, para fazer como está n’este dia, [6] para conservar em vida a um povo grande:

21 Agora pois não temaes: [7] eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim os consolou, e fallou segundo o coração d’elles.

A morte de José.

22 José pois habitou no Egypto, elle e a casa de seu pae: e viveu José cento e dez annos,

23 E viu José os filhos de Ephraim, da terceira geração: tambem [8] os filhos de Machir, filho de Manasseh, nasceram sobre os joelhos de José.

24 E disse José a seus irmãos: Eu morro; [9] mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir d’esta terra á terra que jurou a Abrahão, a Isaac e a Jacob.

25 E [10] José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos d’aqui.

26 E morreu José da edade de cento e dez annos; e o embalsamaram, e o pozeram n’um caixão no Egypto.

[1] cap. 47.29.

[2] cap. 49.29.

[3] cap. 23.16. Act. 7.16.

[4] Mat. 6.12, 14 e 18.35. Luc. 17.3, 4. Eph. 4.32. Col. 3.13. Thi. 5.16.

[5] cap. 45.8. Job 34.29.

[6] Act. 2.23 e 3.18.

[7] Mat. 5.44.

[8] Job 42.16. Num. 32.39.

[9] Exo. 3.16. cap. 15.18 e 26.3 e 35.2.

[10] Exo. 13.19. Jos. 24.32. Heb. 11.22.


O SEGUNDO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

EXODO.

Os descendentes de Jacob no Egypto.

Antes de Christo 1635

1 Estes pois são [1] os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egypto com Jacob: cada um entrou com sua casa:

2 Ruben, Simeão, Levi, e Judah;

3 Issacar, Zabulon, e Benjamin;

4 Dan e Naphtali, Gad e Aser.

5 Todas as almas, pois, que procederam da côxa de Jacob, foram [2] setenta almas: José, porém, estava no Egypto.

6 Sendo pois José fallecido, e todos os seus irmãos, e toda aquella geração,

7 Os filhos de Israel fructificaram, [3] e augmentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu d’elles.

8 Depois levantou-se um novo rei sobre o Egypto, que não conhecera a José;

9 O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.

10 Eia, [4] usemos sabiamente para com elle, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, elle tambem se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra.

11 E pozeram sobre elles maioraes de [DX] tributos, [5] para os affligirem com suas cargas. Porque edificaram a Pharaó cidades de thesouros, Pitom e Ramesses.

12 Mas quanto mais o affligiam, tanto mais se multiplicava, e tanto mais crescia: de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.

13 E os egypcios faziam servir os filhos de Israel com dureza;

14 Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão em barro, e em tijolos, [6] e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os serviam com dureza.

As parteiras poupam as vidas aos recemnascidos.

15 E o rei do Egypto fallou ás parteiras[52] das hebreas (das quaes o nome de uma era Siphra, e o nome da outra Pua),

16 E disse: Quando ajudardes a parir as hebreas, e as virdes sobre os assentos, se fôr filho, matae-o; mas se fôr filha, então viva.

17 As parteiras, [7] porém, temeram a Deus, e não fizeram como o rei do Egypto lhes dissera, antes conservavam os meninos com vida.

18 Então o rei do Egypto chamou as parteiras, e disse-lhes: Porque fizestes isto, que guardastes os meninos com vida?

19 E as parteiras disseram a Pharaó: Porquanto as mulheres hebreas não são como as egypcias: porque são [DY] vivas, e já teem parido antes que a parteira venha a ellas.

20 Portanto Deus fez bem ás parteiras. [8] E o povo se augmentou, e se fortaleceu muito.

21 E aconteceu que, porquanto as parteiras temeram a Deus, [9] estabeleceu-lhes casas.

22 Então ordenou Pharaó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.

[1] Gen. 46.8.

[2] Gen. 46.27. Deu. 10.22.

[3] Gen. 46.3. Deu. 26.5. Psa. 105.24. Act. 7.17.

[4] Pro. 21.30. Act. 7.19.

[5] Gen. 15.13. cap. 3.7. Deu. 26.6. Psa. 81.6. Gen. 47.11.

[6] cap. 2.23 e 6.9.

[7] Dan. 3.18 e 6.13. Act. 5.29.

[8] Pro. 11.18. Ecc. 8.12. Isa. 3.10. Heb. 6.10.

[9] I Sam. 2.35. II Sam. 7.11. I Reis 2.24. Psa. 127.1.

O nascimento de Moysés.

2 E foi-se [1] um varão da casa de Levi, e casou com uma filha de Levi.

2 E a mulher concebeu, [2] e pariu um filho, e, vendo que elle era formoso, escondeu-o tres mezes.

3 Não podendo, porém, mais escondel-o tomou uma arca de juncos, e a betumou com betume e pêz; e, pondo n’ella o menino, a poz nos juncos á borda do rio.

4 E sua irmã parou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer.

5 E a filha de Pharaó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzellas passeavam, pela borda do rio: e ella viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua creada, e a tomou.

6 E abrindo-a, viu ao menino, e eis que o menino chorava; e moveu-se [3] de compaixão d’elle, e disse: Dos meninos dos hebreos é este.

7 Então disse sua irmã á filha de Pharaó: Irei eu a chamar uma ama das hebreas, que crie este menino por ti?

8 E a filha de Pharaó disse-lhe: Vae. E foi-se a moça, e chamou a mãe do menino.

9 Então lhe disse a filha de Pharaó: Leva este menino, [4] e cria-m’o: eu te darei teu salario. E a mulher tomou o menino, e creou-o.

10 E, sendo o menino já grande, ella o trouxe á filha de Pharaó, a qual o adoptou; e chamou o seu nome [DZ] Moysés, e disse: Porque das aguas o tenho tirado.

Moysés mata um egypcio e foge para Midian.

Antes de Christo 1571

11 E aconteceu n’aquelles dias que, sendo Moysés já grande, saiu a seus irmãos, [5] e attentou nas suas cargas: e viu que um varão egypcio feria a um hebreu, varão de seus irmãos.

12 E olhou a uma e a outra banda, e, vendo que ninguem ali havia, feriu ao egypcio, e escondeu-o na areia.

13 E tornou a sair no dia seguinte, [6] e eis que dois varões hebreos contendiam; e disse ao injusto: Porque feres a teu proximo?

14 O qual disse: Quem te tem posto a ti por [EA] maioral e juiz sobre nós? pensas matar-me, como mataste o egypcio? Então temeu Moysés, e disse: Certamente este negocio foi descoberto.

15 Ouvindo pois Pharaó este negocio, procurou matar a Moysés: [7] mas Moysés fugiu de diante da face de Pharaó, e habitou na terra de Midian, e assentou-se junto a um poço.

16 E o sacerdote de Midian tinha sete filhas, as quaes vieram a tirar agua, e encheram as pias, para dar de beber ao rebanho de seu pae.

17 Então vieram os pastores, e lançaram-as d’ali; Moysés porém levantou-se, e defendeu-as, e abeberou-lhes o rebanho.

18 E vindo ellas a Reuel seu pae, elle disse: Porque hoje tomastes tão depressa?

19 E ellas disseram: Um homem egypcio nos livrou da mão dos pastores; e tambem nos tirou agua em abundancia, e abeberou o rebanho.

20 E disse a suas filhas: E onde está elle? porque deixastes o homem? chamae-o para que coma pão.

21 E Moysés consentiu em morar com aquelle homem: [8] e elle deu a Moysés sua filha Zippora,

22 A qual pariu um filho, e elle chamou o seu nome [EB] Gerson, porque disse: Peregrino fui em terra estranha.

[53]

A morte do rei do Egypto.

Antes de Christo 1531

23 E aconteceu depois de muitos d’estes dias, [9] morrendo o rei do Egypto, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram: e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.

24 E ouviu Deus o seu gemido, [10] e lembrou-se Deus do seu concerto com Abrahão, com Isaac, e com Jacob;

25 E attentou Deus para os filhos d’Israel, e conheceu-os Deus.

[1] cap. 6.20.

[2] Act. 7.20. Heb. 11.23.

[3] Psa. 106.46.

[4] Psa. 27.10.

[5] Act. 7.23, 24. Heb. 11.24, 26.

[6] Act. 7.26.

[7] Act. 7.29.

[8] cap. 18.2.

[9] Num. 20.16. Deu. 26.7. Psa. 12.5. cap. 3.9.

[10] Gen. 15.14 e 26.3 e 46.4. Luc. 1.72, 76.

Deus falla com Moysés do meio da sarça ardente.

Antes de Christo 1491

3 E apascentava Moysés o rebanho de Jethro, seu sogro, sacerdote em Midian: e levou o rebanho atrás do deserto, [1] e veiu ao monte de Deus, a Horeb.

2 E appareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chamma de fogo do meio d’uma sarça: [2] e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

3 E Moysés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima.

4 E vendo o Senhor que se virava para lá a vêr, bradou Deus a elle do meio da sarça, e disse: Moysés, Moysés. E elle disse: Eis-me aqui.

5 E disse: Não te chegues para cá: [3] tira os teus sapatos de teus pés; porque o logar em que tu estás é terra sancta.

6 Disse mais: [4] Eu sou o Deus de teu pae, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob. E Moysés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.

7 E disse o Senhor: [5] Tenho visto attentamente a afflicção do meu povo, que está no Egypto, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exactores, porque conheci as suas dôres.

8 Portanto desci para livral-o da mão dos egypcios, [6] e para fazel-o subir d’aquella terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel: ao logar do Cananeo, e do Hetheo, e do Amorrheo, e do Pherezeo, e do Heveo, e do Jebuseo.

9 E agora, eis que o clamor dos filhos d’Israel é vindo a mim, e tambem tenho visto a oppressão com que os egypcios os opprimem.

10 Vem agora, pois, e eu te enviarei a Pharaó, [7] para que tires o meu povo (os filhos d’Israel), do Egypto.

11 Então Moysés disse a Deus: Quem sou eu, [8] que vá a Pharaó e tire do Egypto os filhos d’Israel?

12 E Deus disse: Certamente eu serei comtigo; e isto te será por signal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egypto, servireis a Deus n’este monte.

13 Então disse Moysés a Deus: Eis que quando vier aos filhos d’Israel, e lhes disser: O Deus de vossos paes me enviou a vós; e elles me disserem: Qual é o seu nome? que lhes direi?

14 E disse Deus a Moysés: [EC] SEREI O QUE SEREI. Disse mais: Assim dirás aos filhos d’Israel: [9] Serei [ED] me enviou a vós.

15 E Deus disse mais a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: O Senhor Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob, me enviou a vós: este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.

16 Vae, e ajunta os anciãos d’Israel, e dize-lhes: O Senhor, o Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacob, me appareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado, [10] e visto o que vos é feito no Egypto.

17 Portanto eu disse: [11] Far-vos-hei subir da afflicção do Egypto á terra do cananeo, do hetheo, e do amorrheo, e do pherezeo, e do heveo, e do jebuseo, a uma terra que mana leite e mel.

18 E ouvirão a tua voz; e virás, tu e os anciãos d’Israel, ao rei do Egypto, e dir-lhe-heis: O Senhor, o Deus dos hebreos, nos encontrou: [12] agora pois deixa-nos ir caminho de tres dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus.

19 Eu sei, porém, que o rei do Egypto não vos deixará ir, [13] nem ainda por uma mão forte.

20 Porque eu estenderei a minha mão, [14] e ferirei ao Egypto com todas as minhas maravilhas que farei no meio d’elle: depois vos deixará ir.

21 E eu darei graça a este povo aos olhos dos egypcios; [15] e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios,

22 Porque cada mulher pedirá á sua visinha e á sua hospeda [EE] vasos de prata, e vasos de oiro, [16] e vestidos, os quaes poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis ao Egypto.

[1] cap. 18.5. I Reis 19.8.

[2] Deu. 33.16. Isa. 63.9. Act. 7.30.

[3] Jos. 5.15.

[4] Gen. 28.13. Mat. 22.32.

[5] Neh. 9.9. Psa. 142.3.

[6] Deu. 1.25.

[7] Miq. 6.4.

[8] Jer. 1.6.

[9] cap. 6.3. João 8.58.

[10] Gen. 50.24.

[11] Gen. 15.13, 20.

[12] cap. 5.3.

[13] cap. 5.2.

[14] cap. 7.3 e 11.9. Psa. 105.27. Jer. 32.20. Act. 7.36. cap. 12.31.

[15] cap. 11.3.

[16] cap. 12.36. Job 27.17. Pro. 13.22.

[54]

A vara de Moysés torna-se em cobra.

4 Então respondeu Moysés, e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te appareceu.

2 E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E elle disse: Uma vara.

3 E elle disse: Lança-a na terra. Elle a lançou na terra, e tornou-se em cobra: e Moysés fugia d’ella.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão, e pega-lhe pela cauda, E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão,

5 Para que creiam que te appareceu o Senhor, Deus de seus paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.

6 E disse-lhe mais o Senhor: Mette agora a tua mão no teu seio. E, tirando-a, eis que a sua mão estava leprosa, [1] branca como a neve.

7 E disse: Torna a metter a tua mão no teu seio. E tornou a metter sua mão no seu seio: depois tirou-a do seu seio, e eis que se tornara como a sua outra carne.

8 E acontecerá que, se elles te não crerem, nem ouvirem a voz do primeiro signal, crerão a voz do derradeiro signal;

9 E se acontecer que ainda não creiam a estes dois signaes, nem ouvirem a tua voz, tomarás das aguas do rio, e as derramarás na terra secca: e as aguas, que tomarás do rio, [2] tornar-se-hão em sangue sobre a terra secca.

10 Então disse Moysés ao Senhor: Ah Senhor! eu não sou homem que bem falla, nem de hontem nem de antehontem, nem ainda desde que tens fallado ao teu servo; porque sou pesado de bocca, e pesado de lingua.

11 E disse-lhe o Senhor: Quem fez a bocca do homem? [3] ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? não sou eu, o Senhor?

12 Vae pois agora, e eu serei com a tua bocca, [4] e te ensinarei o que has de fallar.

13 Elle porém disse: Ah Senhor! envia pela mão d’aquelle a quem tu has de enviar.

14 Então se accendeu a ira do Senhor contra Moysés, e disse: Não é Aarão, o levita, teu irmão? eu sei que elle fallará muito bem: e [5] eis que elle tambem sae ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração.

15 E tu lhe fallarás, e porás as palavras na sua bocca: e eu serei com a tua bocca, e com a sua bocca, ensinando-vos o que haveis de fazer.

16 E elle fallará por ti ao povo: e acontecerá que elle te será por bocca, [6] e tu lhe serás por Deus.

17 Toma pois esta vara na tua mão, [7] com que farás os signaes.

Moysés volta para o Egypto.

18 Então foi-se Moysés, e voltou para Jethro seu sogro, e disse-lhe; Eu irei agora, e tornarei a meus irmãos, que estão no Egypto, para ver se ainda vivem. Disse pois Jethro a Moysés: Vae em paz.

19 Disse tambem o Senhor a Moysés em Midian: Vae, volta para o Egypto; [8] porque todos os que buscavam a tua alma morreram.

20 Tomou pois Moysés sua mulher e seus filhos, e os levou sobre um jumento, e tornou-se á terra do Egypto; [9] e Moysés tomou a vara de Deus na sua mão.

21 E disse o Senhor a Moysés: Quando fores tornado ao Egypto, attenta que faças diante de Pharaó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão: [10] mas eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo.

22 Então dirás a Pharaó: Assim diz o Senhor: [11] Israel é meu filho, meu primogenito.

23 E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixal-o ir: eis que eu matarei a teu filho, [12] o teu primogenito.

24 E aconteceu no caminho, n’uma estalagem, que o Senhor o encontrou, [13] e o quiz matar.

25 Então Zippora tomou uma pedra aguda, e circumcidou o prepucio de seu filho, [14] e o lançou a seus pés, e disse: Certamente me és um esposo sanguinario.

26 E desviou-se d’elle. Então ella disse: Esposo sanguinario, por causa da circumcisão.

27 Disse tambem o Senhor a Aarão: Vae ao encontro de Moysés ao deserto. [15] E elle foi, encontrou-o no monte de Deus, e beijou-o.

28 E denunciou Moysés a Aarão todas as palavras do Senhor, que o enviara, e todos os signaes que lhe mandara.

29 Então foram Moysés e Aarão, e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel.

[55]

30 E Aarão fallou todas as palavras que o Senhor fallara a Moysés, [16] e fez os signaes perante os olhos do povo,

31 E o povo creu, [17] e ouviram que o Senhor visitava aos filhos d’Israel, e que via a sua afflicção: e inclinaram-se, e adoraram.

[1] Num. 12.10. II Reis 5.27.

[2] cap. 7.20. Psa. 78.44.

[3] Psa. 94.9. Jer. 1.6, 9.

[4] Mat. 10.19.

[5] ver. 27.

[6] cap. 7.1 e 18.19.

[7] ver. 2.

[8] cap. 2.15, 23. Mat. 2.20.

[9] cap. 7.3. Num. 20.8, 9.

[10] cap. 17.9. Deu. 2.30. Jos. 11.20. Isa. 6.10 e 63.17. João 12.40. Rom. 9.18.

[11] Deu. 14.1. Jer. 31.9. Ose. 11.1. Rom. 9.4.

[12] cap. 11.5 e 12.29.

[13] Gen. 17.14.

[14] Jos. 5.2, 3.

[15] cap. 3.1.

[16] ver. 8.

[17] cap. 3.16. ver. 3, 9. cap. 12.27.

Moysés e Aarão fallam a Pharaó.

5 E depois foram Moysés e Aarão, e disseram a Pharaó: Assim diz o Senhor Deus d’Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.

2 Mas Pharaó disse: [1] Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel.

3 E elles disseram: O Deus dos hebreos nos encontrou; portanto deixa-nos agora ir caminho de tres dias ao deserto, para que não venha sobre nós com pestilencia ou com espada.

4 Então disse-lhes o rei do Egypto: Moysés e Aarão, porque fazeis cessar o povo das suas obras? ide a vossas cargas.

5 E disse tambem Pharaó: Eis que o povo da terra já é muito, e vós fazeis cessal-os das suas cargas.

Pharaó afflige os israelitas.

6 Portanto deu ordem Pharaó n’aquelle mesmo dia aos exactores do povo, e aos seus officiaes, dizendo:

7 D’aqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como fizestes hontem e antehontem: vão elles mesmos, e colham palhas para si.

8 E lhes imporeis a conta dos tijolos que fizeram hontem, e antehontem: nada diminuireis d’ella: porque elles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus.

9 Aggrave-se o serviço sobre estes homens, para que se occupem n’elle, e não confiem em palavras de mentira.

10 Então sairam os exactores do povo, e seus officiaes, e fallaram ao povo, dizendo: Assim diz Pharaó: Eu não vos darei palha;

11 Ide vós mesmos, e tomae vós palha d’onde a achardes: porque nada se diminuirá de vosso serviço.

12 Então o povo se espalhou por toda a terra do Egypto, a colher rastolho em logar de palha.

13 E os exactores os apertavam, dizendo: Acabae vossa obra, a tarefa de cada dia, como quando havia palha.

14 E foram açoitados os officiaes dos filhos d’Israel, que os exactores de Pharaó tinham posto sobre elles, dizendo estes: Porque não acabastes vossa tarefa, fazendo tijolos como antes, assim tambem hontem e hoje?

15 Pelo que foram-se os officiaes dos filhos d’Israel, e clamaram a Pharaó, dizendo: Porque fazes assim a teus servos?

16 Palha não se dá a teus servos, e nos dizem: Fazei tijolos: e eis que teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa.

17 Mas elle disse: Vós sois ociosos: vós sois ociosos: por isso dizeis: Vamos, sacrifiquemos ao Senhor.

18 Ide pois agora, trabalhae: palha porém não se vos dará: comtudo, dareis a conta dos tijolos.

19 Então os officiaes dos filhos d’Israel viram-se em afflicção, porquanto [2] se dizia: Nada diminuireis de vossos tijolos, da tarefa do dia no seu dia.

Os israelitas queixam-se de Moysés e Aarão.

20 E encontraram a Moysés e a Aarão, que estavam defronte d’elles, quando sairam de Pharaó,

21 E disseram-lhes: O Senhor attente sobre vós, e julgue isso, [3] porquanto fizeste feder o nosso cheiro diante de Pharaó, e diante de seus servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar.

22 Então se tornou Moysés ao Senhor, e disse: Senhor! [4] porque fizeste mal a este povo? porque me enviaste?

23 Porque desde que entrei a Pharaó, para fallar em teu nome, elle maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo.

[1] Job 21.15. cap. 3.18.

[2] Ecc. 4.1 e 5.8.

[3] Gen. 34.30. I Sam. 27.12. II Sam. 10.6. I Chr. 19.6.

[4] Jer. 20.7. Hab. 2.3.

6 Então disse o Senhor a Moysés: Agora verás o que hei de fazer a Pharaó: porque por uma mão poderosa os deixará ir, sim, por uma mão poderosa [1] os lançará de sua terra.

Deus promette livrar os israelitas.

2 Fallou mais Deus a Moysés, e disse: Eu sou o [EF] Senhor,

3 E eu appareci a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, como Deus o Todo-poderoso: [2] mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido.

4 E tambem estabeleci o meu concerto com elles, [3] para dar-lhes a terra de Canaan, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos.

5 E tambem tenho ouvido o gemido dos filhos d’Israel, [4] aos quaes os[56] egypcios fazem servir, e me lembrei do meu concerto.

6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egypcios, [5] e vos resgatarei com braço estendido e com juizos grandes.

7 E eu vos tomarei [6] por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egypcios;

8 E eu vos levarei á terra, ácerca da qual levantei minha mão, que a daria a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, [7] e vol-a darei por herança, eu o Senhor.

9 D’este modo fallou Moysés aos filhos d’Israel, mas elles não ouviram a Moysés, por causa da ancia do espirito e da dura servidão.

10 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

11 Entra, e falla a Pharaó rei do Egypto, que deixe sair os filhos d’Israel da sua terra.

12 Moysés, porém, fallou perante o Senhor, dizendo: Eis que os filhos d’Israel me não teem ouvido; como pois Pharaó me ouvirá? [8] tambem eu sou incircumciso dos labios.

13 Todavia o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, e deu-lhes mandamento para os filhos de Israel, e para Pharaó rei do Egypto, para que tirassem os filhos de Israel da terra do Egypto.

Genealogias de Ruben, Simeão e Levi.

14 Estas são as cabeças das casas de seus paes: Os filhos de Ruben, o primogenito de Israel: Hanoch e Pallu, [9] Hezron e Carmi; estas são as familias de Ruben.

15 E os filhos de Simeão: [10] Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e Shaul, filho de uma cananea; estas são as familias de Simeão.

16 E estes são os nomes dos filhos de Levi, [11] segundo as suas gerações: Gerson, e Koath, e Merari: e os annos da vida de Levi foram cento e trinta e sete annos.

17 Os filhos de Gerson: Libni e Simei, segundo as suas familias;

18 E os filhos de Kohath: Amram, e Izhar, e Hebron, e Uzziel: e os annos da vida de Kohath foram cento e trinta e tres annos.

19 E os filhos de Merari: Mahali e Musi: estas são as familias de Levi, segundo as suas gerações.

20 E Amram [12] tomou por mulher a Jochebed, sua tia, e ella pariu-lhe a Aarão e a Moysés: e os annos da vida de Amram foram cento e trinta e sete annos.

21 E os filhos de Izhar: [13] Korah, e Nepheg, e Zichri.

22 E os filhos de Uzziel: [14] Misael, e Elzaphan e Sithri.

23 E Aarão tomou por mulher a Eliseba, filha de Amminadab, irmã de Nahasson; e ella pariu-lhe a Nadab, e Abihu, Eleazar e [15] Ithamar.

24 E os filhos de Korah: Assir, e Elkana, e Abiasaph: estas são as familias dos Korithas.

25 E Eleazar, filho de Aarão, tomou para si por mulher uma das filhas de Putiel, e ella pariu-lhe a Phineas: estas são as cabeças dos paes dos levitas, segundo as suas familias.

26 Estes são Aarão e Moysés, aos quaes o Senhor disse: Tirae os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

27 Estes são os que fallaram a Pharaó, rei do Egypto, para que tirasse do Egypto os filhos de Israel: [16] estes são Moysés e Aarão.

Deus anima Moysés, a fallar outra vez a Pharaó.

28 E aconteceu que n’aquelle dia, quando o Senhor fallou a Moysés na terra do Egypto,

29 Fallou o Senhor a Moysés, dizendo: Eu sou o Senhor; falla a Pharaó, rei do Egypto, tudo quanto eu [17] te digo a ti.

30 Então disse Moysés perante o Senhor: Eis que eu [18] sou incircumciso dos labios; como pois Pharaó me ouvirá?

[1] cap. 11.1.

[2] Gen. 17.1 e 35.11 e 48.3.

[3] Gen. 17.7, 8.

[4] cap. 2.24. Psa. 105.8.

[5] Deu. 26.8. Psa. 81.6. cap. 15.13. Deu. 7.8. I Chr. 17.21. Neh. 1.10.

[6] Deu. 4.20 e 7.6.

[7] Gen. 15.14 e 26.3 e 35.12.

[8] cap. 4.10. ver. 30.

[9] Gen. 46.9, &c.

[10] I Chr. 4.24.

[11] Num. 3.17. I Chr. 6.1.

[12] cap. 2.1. Num. 26.59.

[13] Num. 16.1.

[14] Lev. 10.4.

[15] Lev. 10.1, 6.

[16] Miq. 6.4.

[17] Jer. 1.7, 8, 17 e 26.2. Eze. 2.6, 7.

[18] ver. 12.

7 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que te tenho posto por Deus sobre Pharaó, [1] e Aarão, teu irmão, será o teu propheta.

2 Tu fallarás tudo o que eu te mandar: e Aarão teu irmão fallará a Pharaó, [2] que deixe ir os filhos de Israel da sua terra.

3 Eu, porém, endurecerei o coração de Pharaó, [3] e multiplicarei na terra do Egypto os meus signaes e as minhas maravilhas.

4 Pharaó pois não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egypto, e tirarei meus exercitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egypto, com grandes juizos.

[57]

5 Então os egypcios saberão que eu sou o Senhor, [4] quando estender a minha mão sobre o Egypto, e tirar os filhos de Israel do meio d’elles.

6 Então fez Moysés e Aarão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram.

7 E Moysés era da edade de oitenta annos, e Aarão da edade de oitenta e tres annos, quando fallaram a Pharaó.

8 E o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, dizendo:

9 Quando Pharaó vos fallar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; [5] dirás a Aarão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Pharaó; e se tornará em serpente.

10 Então Moysés e Aarão entraram a Pharaó, e fizeram assim como o Senhor ordenara: e lançou Aarão a sua vara diante de Pharaó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente.

11 E Pharaó tambem chamou os sabios e encantadores: e os magos do Egypto fizeram tambem o mesmo com os seus encantamentos,

12 Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes: mas a vara de Aarão tragou as varas d’elles.

13 Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha [6] dito.

O coração de Pharaó mostra-se endurecido.

14 Então disse o Senhor a Moysés: O coração de Pharaó está [EG] aggravado: [7] recusa deixar ir o povo.

15 Vae pela manhã a Pharaó: eis que elle sairá ás aguas: põe-te em frente d’elle na praia do rio, e tomarás em tua mão a vara [8] que se tornou em cobra.

16 E lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreos, me tem enviado a ti, dizendo: [9] Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis que até agora não tens ouvido.

17 Assim diz o Senhor: N’isto saberás que eu sou o Senhor: [10] Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as aguas que estão no rio, e tornar-se-hão [11] em sangue.

18 E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio federá; e os egypcios nausear-se-hão, bebendo a agua do rio.

19 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Toma tu a vara, e estende a tua mão sobre as aguas do Egypto, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, e sobre os seus tanques, e sobre todo o ajuntamento das suas aguas, para que se tornem em sangue: e haja sangue em toda a terra do Egypto, assim nos vasos de madeira como nos de pedra.

A primeira praga: as aguas tornam-se em sangue.

20 E Moysés e Aarão fizeram assim como o Senhor tinha mandado: e levantou a vara, e feriu as aguas que estavam no rio, diante dos olhos de Pharaó, e diante dos olhos de seus servos; e todas as aguas do rio se tornaram em sangue.

21 E os peixes, que estavam no rio, morreram, e o rio fedeu, que os egypcios não podiam beber a agua do rio: e houve sangue por toda a terra do Egypto.

22 Porém os magos do Egypto tambem fizeram o mesmo com os seus encantamentos; [12] de maneira que o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.

23 E virou-se Pharaó, e foi para sua casa: [13] nem ainda n’isto poz seu coração.

24 E todos os egypcios cavaram poços junto ao rio, para beberem agua; porquanto não podiam beber das aguas do rio.

25 Assim se cumpriram sete dias, depois que o Senhor ferira o rio.

[1] cap. 4.16.

[2] cap. 6.29.

[3] cap. 4.21 e 11.9.

[4] cap. 14.4, 18.

[5] João 2.18. cap. 4.2, 17.

[6] ver. 4. cap. 4.21.

[7] cap. 8.15 e 10.1, 27.

[8] ver. 10.

[9] cap. 3.18 e 5.1, 3.

[10] ver. 5. I Reis 20.28. II Reis 19.19. Eze. 29.9 e 38.23.

[11] Psa. 78.44 e 105.29. Apo. 8.8 e 16.4, 6.

[12] II Tim. 3.8. ver. 14.

[13] Isa. 26.11. Jer. 5.3 e 36.24. Agg. 1.5.

A praga das rans.

8 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 E se recusares deixal-o ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos.

3 E o rio creará rãs, que subirão e virão á tua casa, e ao teu dormitorio, e sobre a tua cama, e ás casas dos teus servos, e sobre o teu povo, e aos teus fornos, e ás tuas amassadeiras.

4 E as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus servos.

5 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua mão com tua vara sobre as correntes, e sobre os rios, e sobre os tanques, e faze subir rãs sobre a terra do Egypto.

6 E Aarão estendeu a sua mão sobre as aguas do Egypto, [1] e subiram rãs, e cobriram a terra do Egypto.

7 Então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos: e fizeram subir rãs sobre a terra do Egypto.

8 E Pharaó chamou a Moysés e a Aarão, e disse: [2] Rogae ao Senhor que tire as rãs de mim e do meu povo;[58] depois deixarei ir o povo, para que sacrifiquem ao Senhor.

9 E Moysés disse a Pharaó: [EH] Tu tenhas a honra sobre mim: Quando orarei por ti, e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de ti, e das suas casas, que sómente fiquem no rio?

10 E elle disse: Ámanhã. E Moysés disse: Seja conforme á tua palavra, para que saibas que ninguem ha como o Senhor nosso [3] Deus.

11 E as rãs apartar-se-hão de ti, e das tuas casas, e dos teus servos, e do teu povo: sómente ficarão no rio.

12 Então saiu Moysés e Aarão de Pharaó: [4] e Moysés clamou ao Senhor por causa das rãs que tinha posto sobre Pharaó,

13 E o Senhor fez conforme á palavra de Moysés: e as rãs morreram nas casas, nos pateos, e nos campos,

14 E ajuntaram-as em montões, e a terra fedeu.

15 Vendo pois Pharaó que havia descanço, aggravou o seu coração, [5] e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.

A praga dos piolhos.

16 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua vara, e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egypto.

17 E fizeram assim; porque Aarão estendeu a sua mão com a sua vara, e feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado: todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egypto.

18 E os magos fizeram tambem assim com os seus encantamentos para produzir piolhos, mas não poderam: e havia piolhos nos homens e no gado.

19 Então disseram os magos a Pharaó: Isto é [6] o dedo de Deus. Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito.

A praga das moscas.

20 Disse mais o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó; eis que elle sairá ás aguas, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

21 Porque se não deixares ir o meu povo, eis que enviarei enxames de moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e á tuas casas; e as casas dos egypcios se encherão d’estes enxames, e tambem a terra em que elles estiverem.

22 E n’aquelle dia eu separarei a terra de Goshen, [7] em que meu povo habita, que n’ella não haja enxames de moscas, para que saibas que eu sou o Senhor no meio d’esta terra.

23 E porei [EI] separação entre o meu povo e o teu povo: ámanhã será este signal.

24 E o Senhor fez assim; e vieram grandes enxames de moscas á casa de Pharaó, e ás casas dos seus servos, e sobre toda a terra do Egypto: a terra foi corrompida d’estes enxames.

25 Então chamou Pharaó a Moysés e a Aarão, e disse: Ide, e sacrificae ao vosso Deus n’esta terra.

26 E Moysés disse: Não convem que façamos assim, porque sacrificariamos ao Senhor nosso Deus a abominação dos egypcios: [8] eis que se sacrificassemos a abominação dos egypcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam elles?

27 Deixa-nos ir caminho de tres dias ao deserto, [9] para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus, como elle nos dirá.

28 Então disse Pharaó: Deixar-vos-hei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor vosso Deus no deserto; sómente que, indo, não vades longe; orae tambem por [10] mim.

29 E Moysés disse: Eis que saio de ti, e orarei ao Senhor, que estes enxames de moscas se retirem ámanhã de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: sómente que Pharaó não mais me engane, [11] não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor.

30 Então saiu Moysés de Pharaó, e orou ao Senhor,

31 E fez o Senhor conforme á palavra de Moysés, e os enxames de moscas se retiraram de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: não ficou uma só.

32 Mas aggravou Pharaó ainda esta vez seu coração, [12] e não deixou ir o povo.

[1] Psa. 78.45 e 105.30.

[2] cap. 9.28 e 10.17. Num. 21.7. I Reis 13.6. Act. 8.24.

[3] Psa. 86.8. Jer. 10.6, 7.

[4] Deu. 34.10, 12.

[5] cap. 7.14. Ecc. 8.11. cap. 7.4.

[6] I Sam. 6.3, 9.

[7] cap. 9.4, &c. e 10.23 e 11.6, 7 e 12.13.

[8] Gen. 43.32 e 46.34.

[9] cap. 3.18.

[10] ver. 8.

[11] Psa. 78.34, 37. Jer. 42.20, 21.

[12] ver. 15. cap. 4.21. Rom. 2.5.

A praga da peste nos animaes.

9 Depois o Senhor disse a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 Porque se recusares de os deixar ir, e ainda por força os detiveres,

3 Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo, sobre os cavallos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre as ovelhas, com pestilencia gravissima.

4 E o Senhor fará separação entre o gado dos israelitas, e o gado dos egypcios,[59] que nada morra de tudo o que fôr dos filhos d’Israel.

5 E o Senhor assignalou certo tempo, dizendo: Ámanhã fará o Senhor esta coisa na terra.

6 E o Senhor fez esta coisa no dia seguinte, [1] e todo o gado dos egypcios morreu: porém do gado dos filhos d’Israel não morreu nenhum.

7 E Pharaó enviou a ver, e eis que do gado d’Israel não morrera nenhum: porém o coração de Pharaó se aggravou, e não deixou ir o povo.

8 Então disse o Senhor a Moysés e a Aarão: Tomae vossos punhos cheios da cinza do forno, e Moysés a espalhe para o céu diante dos olhos de Pharaó;

9 E tornar-se-ha em pó miudo sobre toda a terra do [2] Egypto, e se tornará em sarna, que arrebente em ulceras nos homens e no gado, por toda a terra do Egypto.

10 E elles tomaram a cinza do forno, e pozeram-se diante de Pharaó, e Moysés a espalhou para o céu: e tornou-se em sarna, que arrebentava em ulceras nos homens e no gado;

11 De maneira que os magos não podiam parar diante de Moysés, por causa da sarna; porque havia sarna em os magos, e em todos os egypcios.

12 Porém o Senhor endureceu o coração de Pharaó, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito a [3] Moysés.

As ameaças de Deus.

13 Então disse o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva;

14 Porque esta vez [4] enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não ha outro como Eu em toda a terra.

15 Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilencia, e para que sejas destruido da terra;

16 Mas devéras para isto te levantei, para mostrar minha potencia em ti, [5] e para que o meu nome seja annunciado em toda a terra.

17 Tu ainda te levantas contra o meu povo, para não os deixar ir?

18 Eis que ámanhã por este tempo farei chover saraiva mui grave, qual nunca houve no Egypto, desde o dia em que foi fundado até agora.

19 Agora pois envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que fôr achado no campo, e não fôr recolhido á casa, a saraiva cairá sobre elles, e morrerão.

20 Quem dos servos de Pharaó temia a palavra do Senhor, fez fugir os seus servos e o seu gado para as casas;

21 Mas aquelle que não tinha applicado a palavra do Senhor ao seu coração, deixou os seus servos e o seu gado no campo.

A praga da saraiva.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e haverá saraiva em toda a terra do Egypto, sobre os homens e sobre o gado, e sobre toda a herva do campo na terra de Egypto.

23 E Moysés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e saraiva, [6] e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egypto.

24 E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, mui grave, qual nunca houve em toda a terra do Egypto, desde que veiu a ser uma nação.

25 E a saraiva feriu, em toda a terra do Egypto, tudo quanto havia no campo, desde os homens até aos animaes: tambem a saraiva feriu toda a herva do campo, e quebrou todas as arvores do campo.

26 Sómente na terra de Goshen, [7] onde estavam, os filhos de Israel, não havia saraiva.

27 Então Pharaó enviou para chamar a Moysés e a Aarão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo [8] impios.

28 Orae ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui.

29 Então lhe disse Moysés: Em saindo da cidade estenderei minhas mãos ao Senhor: os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; [9] para que saibas que a terra é do Senhor.

30 Todavia, quanto a ti e aos teus servos, eu sei [10] que ainda não temereis diante do Senhor Deus.

31 E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já estava na espiga, e o linho na cana,

32 Mas o trigo e o centeio não foram feridos, porque estavam cobertos.

33 Saiu pois Moysés de Pharaó, da[60] cidade, e estendeu as suas mãos ao Senhor: e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a terra.

34 Vendo Pharaó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, continuou em peccar: [11] e aggravou o seu coração, elle e os seus servos.

35 Assim o coração de Pharaó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o Senhor tinha dito por Moysés.

[1] Psa. 78.50.

[2] Deu. 28.27. Job 2.7. Apo. 16.2.

[3] cap. 4.21.

[4] I Sam. 4.8.

[5] Pro. 16.4. Rom. 9.17. I Ped. 2.8.

[6] Jos. 10.11. Job 38.22, 23. Psa. 18.13 e 78.47 e 105.32. Isa. 30.30. Eze. 38.22. Apo. 8.7.

[7] cap. 8.22.

[8] II Chr. 12.6.

[9] Psa. 24.1. I Chr. 10.26.

[10] Isa. 26.10.

[11] II Chr. 36.13. Rom. 2.4, 5.

Deus ameaça Pharaó com a praga dos gafanhotos.

10 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, porque tenho aggravado o seu coração, [1] e o coração de seus servos, para fazer estes meus signaes no meio d’elle,

2 E para que contes aos ouvidos de teus filhos, [2] e dos filhos de teus filhos, as coisas que obrei no Egypto, e os meus signaes, que tenho feito entre elles: para que saibaes que eu sou o Senhor.

3 Assim foram Moysés e Aarão a Pharaó, e disseram-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: [3] Até quando recusas humilhar-te diante de mim? deixa ir o meu povo, para que me sirva;

4 Porque se ainda recusares deixar ir o meu povo, [4] eis que trarei ámanhã gafanhotos aos teus termos,

5 E cobrirão a face da terra, que a terra não se poderá ver; e elles comerão o resto do que escapou, o que vos ficou da saraiva: [5] tambem comerão toda a arvore que vos cresce no campo;

6 E encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos, e as casas de todos os egypcios, quaes nunca viram teus paes, nem os paes de teus paes, desde o dia, era que elles foram sobre a terra até ao dia de hoje. E virou-se, e saiu da presença de Pharaó.

7 E os servos de Pharaó disseram-lhe: Até quando este nos ha de ser por laço? [6] deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus: ainda não sabes que o Egypto está destruido?

8 Então Moysés e Aarão foram levados outra vez a Pharaó, e elle disse-lhes: Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Quaes são os que hão de ir?

9 E Moysés disse: Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos.

10 Então elle lhes disse: Seja o Senhor assim comvosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos: olhae que ha mal diante da vossa face.

11 Não será assim: andae agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os empuxaram da face de Pharaó.

A praga dos gafanhotos.

12 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre a terra do Egypto pelos gafanhotos, para que venham sobre a terra do Egypto, e comam toda a herva da terra, tudo o que deixou a saraiva.

13 Então estendeu Moysés sua vara sobre a terra do Egypto, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquelle dia e toda aquella noite: e aconteceu que pela manhã o vento oriental trouxe os gafanhotos.

14 E vieram [7] os gafanhotos sobre toda a terra do Egypto, e assentaram-se sobre todos os termos do Egypto; mui graves foram; antes d’estes nunca houve taes gafanhotos, nem depois d’elles virão outros taes.

15 Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a herva da terra, e todo o fructo das arvores, que deixara a saraiva; e não ficou alguma verdura nas arvores, nem na herva do campo, em toda a terra do Egypto.

16 Então Pharaó se apressou a chamar a Moysés e a Aarão, e disse: Pequei contra o Senhor vosso Deus, [8] e contra vós.

17 Agora, pois, peço-vos que perdoeis o meu peccado sómente d’esta vez, e que oreis ao Senhor vosso Deus que tire de mim sómente esta [9] morte.

18 E saiu da presença de Pharaó, e orou ao Senhor.

19 Então o Senhor trouxe um vento occidental fortissimo, o qual levantou os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho; nem ainda um gafanhoto ficou em todos os termos do Egypto.

20 O Senhor, porém, endureceu o coração de Pharaó, [10] e não deixou ir os filhos de Israel.

A praga das trevas.

21 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e virão[61] trevas sobre a terra do Egypto, trevas que se apalpem.

22 E Moysés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egypto por tres dias.

23 Não viu um ao outro, e ninguem se levantou do seu logar por tres dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas [11] habitações.

24 Então Pharaó chamou a Moysés, e disse: Ide, servi ao Senhor: sómente fiquem vossas ovelhas e vossas vaccas: vão tambem comvosco as vossas creanças.

25 Moysés, porém, disse: Tu tambem darás em nossas mãos sacrificios e holocaustos, que offereçamos ao Senhor nosso Deus.

26 E tambem o nosso gado ha de ir comnosco, nem uma unha ficará; porque d’aquelle havemos de tomar, para servir ao Senhor nosso Deus: porque não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá.

27 O Senhor, porém, endureceu [12] o coração de Pharaó, e não os quiz deixar ir.

28 E disse-lhe Pharaó: Vae-te de mim, guarda-te que não mais vejas o meu rosto: porque no dia em que vires o meu rosto, morrerás.

29 E disse Moysés: Bem disseste; [13] eu nunca mais verei o teu rosto.

[1] cap. 7.13, 14.

[2] Deu. 4.9. Psa. 44.1 e 78.5.

[3] I Reis 21.29. II Chr. 7.14 e 33.12, 19. Job 42.6. Thi. 4.10.

[4] Pro. 30.27.

[5] cap. 9.32.

[6] Jos. 23.13.

[7] Psa. 78.46 e 105.34.

[8] cap. 9.27.

[9] I Reis 13.6.

[10] cap. 4.21.

[11] cap. 8.22 e 9.4, 26 e 12.13.

[12] ver. 1, 20. cap. 14.4, 8.

[13] Heb. 11.27.

Deus annuncia a Moysés a morte de todos os primogenitos.

11 E o senhor dissera a Moysés: Ainda uma praga trarei sobre Pharaó e sobre o Egypto: depois vos deixarei ir d’aqui: e, quando vos deixar ir totalmente, a toda a pressa [1] vos lançará d’aqui.

2 Falla agora aos ouvidos do povo, que cada varão peça ao seu visinho, e cada mulher á sua visinha, [EJ] vasos de prata e vasos de oiro.

3 E o Senhor deu graça ao povo aos olhos dos egypcios; [2] tambem o varão Moysés era mui grande na terra do Egypto, aos olhos dos servos de Pharaó, e aos olhos do povo.

4 Disse mais Moysés: Assim o Senhor tem dito: [3] Á meia noite eu sairei pelo meio do Egypto;

5 E todo o primogenito na terra do Egypto morrerá, [4] desde o primogenito de Pharaó, que houvera de assentar-se sobre o seu throno, até ao primogenito da serva que está detraz da mó, e todo o primogenito dos animaes.

6 E haverá grande clamor [5] em toda a terra do Egypto, qual nunca houve similhante e nunca haverá;

7 Mas entre todos os filhos de Israel nem ainda um cão moverá a sua lingua, desde os homens até aos animaes, [6] para que saibaes que o Senhor fez differença entre os egypcios e os israelitas.

8 Então todos estes teus servos [7] descerão a mim, e se inclinarão diante de mim, dizendo: Sae tu, e todo o povo que te segue as pisadas; e depois eu sairei. E saiu de Pharaó em ardor de ira.

9 O Senhor dissera a Moysés: Pharaó vos não ouvirá, para que as minhas maravilhas se multipliquem na terra do [8] Egypto.

10 E Moysés e Aarão fizeram todas estas maravilhas diante de Pharaó; mas o Senhor endureceu o coração de Pharaó, [9] que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra.

[1] cap. 12.31, 39.

[2] cap. 12.36.

[3] cap. 12.29. Job 34.20.

[4] cap. 4.23.

[5] cap. 12.30.

[6] Jos. 10.21. cap. 8.22.

[7] cap. 12.31, 33.

[8] cap. 7.3.

[9] cap. 10.20, 27.

A instituição da primeira paschoa.

12 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão na terra do Egypto, dizendo:

2 Este mesmo mez [1] vos será o principio dos mezes: este vos será o primeiro dos mezes do anno.

3 Fallae a toda a congregação d’Israel, dizendo: Aos dez d’este mez tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos paes, um cordeiro para cada casa.

4 Mas se a casa fôr pequena para um cordeiro, então elle tome a seu visinho perto de sua casa, conforme ao numero das almas: cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.

5 O cordeiro, ou cabrito, será sem macula, um macho [2] de um anno, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras,

6 E o guardareis até ao decimo quarto dia d’este mez [3], e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará á [EK] tarde.

7 E tomarão do sangue, e pol-o-hão em ambas as umbreiras, e na lumieira da porta, nas casas em que o comerão.

8 E n’aquella noite comerão a carne assada no fogo, [4] com pães asmos; com hervas amargosas a comerão.

9 Não comereis d’elle crú, nem cozido em agua, senão assado ao fogo, a sua cabeça[62] com os seus pés e com a sua fressura.

10 E nada d’elle deixareis até ámanhã: [5] mas o que d’elle ficar até ámanhã, queimareis no fogo.

11 Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, [6] os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão: e o comereis apressadamente: esta é a paschoa do Senhor.

12 E eu passarei pela terra do Egypto esta noite, e ferirei todo o primogenito na terra do Egypto, desde os homens até aos animaes; [7] e em todos os deuses do Egypto farei juizos, Eu sou o Senhor.

13 E aquelle sangue vos será por signal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egypto.

14 E este dia vos será por memoria, [8] e celebral-o-heis por festa ao Senhor: nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpetuo.

15 Sete dias comereis [9] pães asmos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao setimo dia, aquella alma será cortada d’Israel.

16 E ao primeiro dia haverá sancta convocação; tambem ao setimo dia tereis sancta convocação: [10] nenhuma obra se fará n’elles, senão o que cada alma houver de comer; isso sómente apromptareis para vós.

17 Guardae pois a festa dos pães asmos, porque n’aquelle mesmo dia tirei vossos exercitos da terra do Egypto: pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpetuo.

18 No primeiro mez, aos quatorze dias do mez, á tarde, comereis pães asmos até vinte e um do mez á tarde.

19 Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas: [11] porque qualquer que comer pão levedado, aquella alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra.

20 Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães asmos.

21 Chamou pois Moysés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomae vós cordeiros para vossas familias, e sacrificae a [12] paschoa.

22 Então tomae um mólho de hyssopo, e molhae-o no sangue que estiver na bacia, e mettei na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, do sangue que estiver na bacia, [13] porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até á manhã.

23 Porque o Senhor passará para ferir aos egypcios, porém quando vir o sangue na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, o Senhor passará aquella [14] porta, e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.

24 Portanto guardae isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.

25 E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto.

26 E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este [15] vosso?

27 Então direis: Este é o sacrificio da paschoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos d’Israel no Egypto, quando feriu aos egypcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e [16] adorou.

28 E foram os filhos d’Israel, e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

A morte dos primogenitos.

29 E aconteceu, á meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogenitos na terra do Egypto, [17] desde o primogenito de Pharaó, que se sentava em seu throno, até ao primogenito do captivo que estava no carcere, e todos os primogenitos dos animaes.

30 E Pharaó levantou-se de noite, elle e todos os seus servos, e todos os egypcios; e havia grande clamor no Egypto, [18] porque não havia casa em que não houvesse um morto.

31 Então chamou a Moysés e a Aarão de noite, e disse: Levantae-vos, sahi do meio do meu povo, tanto vós como os filhos d’Israel: e ide, servi ao Senhor, como tendes dito.

32 Levae tambem comvosco vossas ovelhas e vossas vaccas, como tendes dito; e ide, e abençoae-me tambem a mim.

33 E os egypcios apertavam [19] ao povo, apressando-se para lançal-os da terra; porque diziam: Todos somos mortos.

34 E o povo tomou a sua massa, antes que levedasse, as suas amassadeiras atadas em seus vestidos, sobre seus hombros.

35 Fizeram pois os filhos de Israel conforme á palavra de Moysés, e pediram[63] aos egypcios [EL] vasos de prata, e vasos de oiro, e [20] vestidos.

36 E o Senhor deu graça ao povo em os olhos dos egypcios, e [EM] emprestavam-lhes; e elles despojavam [21] aos egypcios.

A saida dos israelitas do Egypto.

37 Assim partiram os filhos de Israel de Rameses [22] para Succoth, coisa de seiscentos mil de pé, sómente de varões, sem contar os meninos.

38 E subiu tambem com elles muita mistura [23] de gente, e ovelhas, e vaccas, uma grande multidão de gado.

39 E cozeram bolos asmos da massa que levaram do Egypto, porque não se tinha levedado, porquanto foram lançados do Egypto; e não se poderam deter, nem ainda se prepararam comida.

40 O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egypto [24] foi de quatrocentos e trinta annos.

41 E aconteceu, passados os quatrocentos e trinta annos, n’aquelle mesmo dia succedeu que todos os exercitos do Senhor sairam da terra do Egypto.

42 Esta noite se guardará ao Senhor, porque n’ella os tirou da terra do Egypto: esta é a noite do Senhor, que devem guardar todos os filhos de Israel [25] nas suas gerações.

43 Disse mais o Senhor a Moysés e a Aarão: Esta é a ordenança da paschoa; nenhum filho do estrangeiro comerá [26] d’ella.

44 Porém todo o servo de qualquer, comprado por dinheiro, depois que o houveres circumcidado, [27] então comerá d’ella.

45 O estrangeiro e o assalariado não comerão [28] d’ella.

46 N’uma casa se comerá; não levarás d’aquella carne fóra da casa, nem d’ella quebrareis [29] osso.

47 Toda a congregação de Israel o fará.

48 Porém se algum estrangeiro se hospedar comtigo, e quizer celebrar a paschoa ao Senhor, seja-lhe circumcidado todo o macho, e então chegará a celebral-a, e será como o natural da terra; mas nenhum incircumciso comerá d’ella.

49 Uma mesma lei haja para o natural, e para o estrangeiro que peregrinar entre [30] vós.

50 E todos os filhos de Israel o fizeram: como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

51 E aconteceu n’aquelle mesmo dia [31] que o Senhor tirou os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

[1] cap. 13.4 e 34.18.

[2] Lev. 22.19, 21. Deu. 17.1. Mal. 1.8, 14. I Ped. 1.19.

[3] Lev. 23.5. Num. 9.3 e 28.16. Deu. 16.1, 6.

[4] cap. 34.25. Deu. 16.3. I Cor. 5.8.

[5] cap. 23.18.

[6] Luc. 12.35. Eph. 6.14. Eph. 6.15.

[7] Num. 33.4.

[8] Lev. 23.4, 5.

[9] cap. 13.6.

[10] Num. 29.12.

[11] cap. 23.15 e 34.18.

[12] Jos. 5.10. II Reis 23.21. Esd. 6.20. Mat. 26.18.

[13] Heb. 11.28.

[14] II Sam. 24.16. Eze. 9.4, 6. Apo. 7.3 e 9.4.

[15] cap. 13.8, 14. Jos. 4.6. Psa. 78.6.

[16] cap. 4.31.

[17] Num. 3.13 e 33.4. Psa. 78.51 e 105.36 e 135.8 e 136.10. Heb. 11.28.

[18] cap. 11.6.

[19] Psa. 105.38.

[20] cap. 11.2.

[21] cap. 3.21.

[22] Num. 33.3, 5. Num. 1.46 e 11.21.

[23] Num. 11.4.

[24] Gen. 15.13. Act. 7.6. Gal. 3.17.

[25] Deu. 16.1, 6.

[26] Eph. 2.19.

[27] Phi. 3.3.

[28] Lev. 22.10. Eph. 2.12.

[29] Num. 9.12. João 19.36.

[30] Num. 9.14. Gal. 3.28. Col. 3.11.

[31] ver. 41. cap. 6.26.

Os primogenitos são sanctificados a Deus.

13 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Sanctifica-me todo o primogenito, [1] o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animaes: porque meu é.

3 E Moysés disse ao povo: Lembrae-vos d’este mesmo dia, [2] em que saistes do Egypto, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou d’aqui: portanto não comereis pão levedado.

4 Hoje, no mez de Abib, vós [3] sahis.

5 E acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, e dos hetheos, e dos amorrheos, e dos heveos, e dos jebuzeos, a qual jurou a teus paes que t’a daria, [4] terra que mana leite e mel, guardarás este culto n’este mez.

6 Sete dias comerãs pães asmos; [5] e ao setimo dia haverá festa ao Senhor.

7 Sete dias se comerão pães asmos, e o levedado não se verá comtigo, nem ainda fermento será visto em todos os teus termos.

8 E n’aquelle mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: [6] Isto é pelo que o Senhor me tem feito, quando eu sahi do Egypto.

9 E te será por signal sobre tua mão, [7] e por lembrança entre teus olhos; para que a lei do Senhor esteja em tua bocca: porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egypto.

10 Portanto tu guardarás este estatuto a seu tempo, de anno em anno.

11 Tambem acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, como jurou a ti e a teus paes, quando t’a houver dado,

12 Farás passar ao Senhor tudo o que abrir a madre, e tudo o que abrir a madre do fructo dos animaes que terás: os machos serão do Senhor.

13 Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com [EN] cordeiro; e se o não resgatares cortar-lhe-has a cabeça: mas todo o primogenito do homem entre teus filhos resgatarás.

14 Se acontecer que teu filho no tempo futuro te pergunte, [8] dizendo: Que é[64] isto? dir-lhe-has: O Senhor nos tirou com mão forte do Egypto, da casa da servidão.

15 Porque succedeu que, endurecendo-se Pharaó, para não nos deixar ir, o Senhor matou todos os primogenitos na terra do Egypto, do primogenito do homem até ao primogenito dos animaes: por isso eu sacrifico ao Senhor os machos de tudo que abre a madre; porém a todo o primogenito de meus filhos eu resgato.

16 E será por signal sobre tua mão, e por frontaes entre os teus olhos; porque o Senhor nos tirou do Egypto com mão [9] forte.

Deus guia o povo pelo caminho.

17 E aconteceu, que quando Pharaó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos philisteos, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e se tornem ao [10] Egypto.

18 Mas Deus [11] fez rodear o povo pelo caminho no deserto do Mar Vermelho: e subiram os filhos de Israel da terra do Egypto armados.

19 E tomou Moysés os ossos de José comsigo, porquanto havia este estreitamente ajuramentado aos filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei pois subir d’aqui [12] os meus ossos comvosco.

20 Assim se partiram de Succoth, e acamparam-se em Etham, á entrada [13] do deserto.

21 E o Senhor ia adiante d’elles, [14] de dia n’uma columna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite n’uma columna de fogo, para os allumiar, para que caminhassem de dia e de noite.

22 Nunca tirou de diante da face do povo a columna de nuvem, de dia, nem a columna de fogo, de noite.

[1] cap. 22.29 e 34.19. Num. 3.13. Deu. 15.19. Luc. 2.23.

[2] cap. 12.42.

[3] cap. 23.15.

[4] Gen. 17.8 e 22.16.

[5] cap. 12.15.

[6] cap. 12.26. ver. 4.

[7] ver. 16. Deu. 6.8 e 11.18. Pro. 6.21. Can. 8.6.

[8] Deu. 6.20. Jos. 4.6, 21.

[9] Deu. 26.8.

[10] cap. 14.11, 12. Num. 14.1, 4.

[11] Deu. 32.10.

[12] Gen. 50.25. Jos. 24.32. Act. 7.16.

[13] Num. 33.6.

[14] Num. 9.15, 23 e 10.34 e 14.14. Deu. 1.33. Neh. 9.12, 19. Psa. 78.14 e 99.7 e 105.39. Isa. 4.5. I Cor. 10.2.

Deus annuncia a ruina dos egypcios.

14 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel que tornem, e que se acampem diante de Pi-hahiroth, [1] entre Migdol e o mar, diante de Baal-zephon: em frente d’elle assentareis o campo junto ao mar.

3 Então Pharaó dirá dos filhos de Israel: Estão embaraçados na terra, o deserto os encerrou.

4 E eu endurecerei [2] o coração de Pharaó, para que os persiga, e serei glorificado em Pharaó em todo o seu exercito, e saberão os egypcios que eu sou o Senhor. E elles fizeram assim.

5 Sendo pois annunciado ao rei do Egypto que o povo fugia, mudou-se o coração de Pharaó e dos seus servos contra o povo, e disseram: Porque fizemos isso, havendo deixado ir a Israel, que nos não sirva?

6 E apromptou o seu carro, e tomou comsigo o seu povo;

7 E tomou seiscentos carros escolhidos, [3] e todos os carros do Egypto, e os capitães sobre elles todos.

8 Porque o Senhor endureceu o coração de Pharaó, rei do Egypto, que perseguisse aos filhos de Israel: [4] porém os filhos de Israel sairam com alta mão.

9 E os egypcios perseguiram-n’os, todos os cavallos e carros de Pharaó, e os seus cavalleiros, e o seu exercito, e alcançaram-n’os acampados junto ao mar, perto de Pi-hahiroth, diante de Baal-zephon.

10 E, chegando Pharaó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egypcios vinham atraz d’elles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram [5] ao Senhor.

11 E disseram a Moysés: Não havia sepulchros no Egypto, que nos tiraste de lá, para que morramos n’este deserto? porque nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egypto?

12 Não é esta a palavra que te temos fallado no Egypto, [6] dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egypcios? pois que melhor nos fôra servir aos egypcios, do que morrermos no deserto.

13 Moysés, porém, disse ao povo: Não temaes; [7] estae quietos, e vêde o livramento do Senhor, que hoje vos fará: porque aos egypcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre:

14 O Senhor pelejará [8] por vós, e vos calareis.

A passagem pelo meio do mar.

15 Então disse o Senhor a Moysés: Porque clamas a mim? dize aos filhos de Israel que marchem.

16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em secco.

17 E eu, eis que endurecerei o coração dos egypcios, para que entrem n’elle atraz d’elles; e eu serei glorificado em Pharaó, e em todo o seu exercito, nos seus carros e nos seus cavalleiros,

[65]

18 E os egypcios saberão que eu sou o Senhor, quando fôr glorificado em Pharaó, nos seus carros e nos seus cavalleiros.

19 E o anjo de Deus, [9] que ia diante do exercito d’Israel, se retirou, e ia detraz d’elles: tambem a columna de nuvem se retirou de diante d’elles, e se poz atraz d’elles,

20 E ia entre o campo dos egypcios e o campo d’Israel: e a nuvem era escuridade para aquelles, e para estes esclarecia a noite: de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro.

21 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquella noite; e o mar tornou-se em secco, e as aguas [10] foram partidas.

22 E os filhos d’Israel entraram pelo meio do mar em secco: [11] e as aguas foram-lhes como muro á sua direita e á sua esquerda.

23 E os egypcios seguiram-n’os, e entraram atraz d’elles todos os cavallos de Pharaó, os seus carros e os seus cavalleiros, até ao meio do mar.

24 E aconteceu que, na vigilia d’aquella manhã, o Senhor, na columna do fogo e da nuvem, viu o campo dos egypcios: e alvorotou o campo dos egypcios,

25 E tirou-lhes as rodas dos seus carros, e fel-os andar difficultosamente. Então disseram os egypcios: Fujamos da face d’Israel, porque o Senhor por elles peleja contra os egypcios.

26 E disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as aguas tornem sobre os egypcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalleiros.

Os egypcios perecem no mar.

27 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar tornou-se em sua força ao amanhecer, e os egypcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derribou os egypcios no meio do mar,

28 Porque as aguas, tornando, cobriram os carros e os cavalleiros de todo o exercito de Pharaó, que os haviam seguido no mar: nem ainda um d’elles ficou.

29 Mas os filhos d’Israel foram pelo meio do mar secco: e as aguas foram-lhes como muro á sua mão direita e á sua esquerda.

30 Assim o Senhor salvou Israel n’aquelle dia da mão dos egypcios: e Israel viu os egypcios mortos na praia do mar.

31 E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egypcios; e temeu o povo ao Senhor, e [12] creram no Senhor e em Moysés, seu servo.

[1] Num. 33.7.

[2] cap. 4.21.

[3] cap. 15.4.

[4] Num. 33.3. Deu. 26.8.

[5] Jos. 24.7. Neh. 9.9.

[6] cap. 5.21 e 6.9.

[7] Deu. 20.3. II Reis 6.16. II Chr. 20.15, 17. Psa. 27.1, 2 e 46.1, 3. Isa. 41.10, 14.

[8] Deu. 1.30 e 20.4. Jos. 23.3, 10. Isa. 30.15.

[9] Num. 20.16. Isa. 63.9.

[10] Jos. 4.23. Psa. 66.6.

[11] I Cor. 10.1. Heb. 11.29.

[12] cap. 19.9. João 2.11.

O cantico de Moysés.

15 Então cantou Moysés e os filhos d’Israel este cantico ao Senhor, e fallaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque summamente se exaltou: lançou no mar o cavallo e o seu cavalleiro.

2 O Senhor é a minha força, e o meu cantico; [1] elle me foi por salvação; este é o meu Deus, [EO] portanto lhe farei uma habitação; elle é o Deus de meu pae, por isso o exaltarei.

3 O Senhor é varão de guerra: [2] o Senhor é o seu nome.

4 Lançou no mar os carros de Pharaó e o seu exercito; e os seus escolhidos principes afogaram-se no Mar Vermelho.

5 Os abysmos os cobriram: desceram ás profundezas [3] como pedra.

6 A tua dextra, ó Senhor, se tem glorificado em potencia: a tua dextra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo;

7 E com a grandeza da tua excellencia derribaste aos que se levantaram contra ti: enviaste o teu furor, que os consumiu [4] como o rastolho.

8 E com o sopro [5] dos teus narizes amontoaram-se as aguas, as correntes pararam-se como montão: os abysmos coalharam-se no coração do mar.

9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos: fartar-se-ha [EP] a minha alma d’elles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá,

10 Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu: afundaram-se como chumbo em vehementes aguas.

11 Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? quem é como tu [EQ] glorificado em sanctidade, terrivel em louvores, obrando maravilhas?

12 Estendeste a tua mão direita: a terra os tragou.

13 Tu, com a tua beneficencia, [6] guiaste a este povo, que salvaste: com a tua força o levaste á habitação da tua sanctidade.

14 Os povos o ouvirão, [7] elles estremecerão: apoderar-se-ha uma dôr dos habitantes da Palestina.

[66]

15 Então os principes de Edom se pasmarão, dos poderosos dos moabitas apoderar-se-ha um tremor, derreter-se-hão [8] todos os habitantes de Canaan.

16 Espanto e pavor [9] cairá sobre elles: pela grandeza do teu braço emmudecerão como pedra; até que o teu povo haja passado, ó Senhor, até que passe este povo [10] que adquiriste.

17 Tu os introduzirás, [11] e os plantarás no monte da tua herança, no logar que tu, ó Senhor, apparelhaste para a tua habitação, o sanctuario, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.

18 O Senhor reinará [12] eterna e perpetuamente;

19 Porque os cavallos de Pharaó, com os seus carros e com os seus cavalleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as aguas do mar sobre elles; mas os filhos d’Israel passaram em secco pelo meio do mar.

A dança de Miriam e das mulheres.

20 Então Miriam, a prophetiza, a irmã d’Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres sairam atraz d’ella com tamboris e com danças.

21 E Miriam lhes respondia: Cantae ao Senhor, porque summamente se exaltou, e lançou no mar o cavallo com o seu cavalleiro.

22 Depois fez Moysés partir os israelitas do Mar Vermelho, [13] e sairam ao deserto de Sur: e andaram tres dias no deserto, e não acharam aguas.

As aguas amargas tornam-se doces.

23 Então chegaram a [ER] Marah; [14] mas não poderam beber as aguas de Marah, porque eram amargas: por isso chamou-se o seu nome Marah.

24 E o povo murmurou contra Moysés, dizendo: Que havemos de beber?

25 E elle clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas aguas, e as aguas se tornaram doces: [15] ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou.

26 E disse: Se ouvires attento a voz do Senhor teu Deus, e obrares o que é recto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, [16] e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que puz sobre o Egypto; porque eu sou o Senhor [17] que te sara.

27 Então vieram [18] a Elim, e havia ali doze fontes d’agua e setenta palmeiras: e ali se acamparam junto das aguas.

[1] Psa. 118.14. Isa. 12.2.

[2] Psa. 24.8 e 45.3. Apo. 19.11.

[3] Neh. 9.11. Psa. 118.15, 16.

[4] Isa. 5.24 e 47.14.

[5] II Sam. 22.16. Job 4.9.

[6] Isa. 63.13.

[7] Num. 14.14. Jos. 2.10.

[8] Jos. 5.1.

[9] Deu. 2.25 e 11.25.

[10] Psa. 74.2.

[11] Psa. 44.2, 3. Psa. 78.54.

[12] Psa. 146.10. Dan. 4.3 e 7.27.

[13] Gen. 16.7.

[14] Num. 33.8.

[15] II Reis 2.21 e 4.41.

[16] cap. 23.25.

[17] Psa. 103.3.

[18] Num. 33.9.

Deus manda o manná.

16 E partidos de Elim, [1] toda a congregação dos filhos d’Israel veiu ao deserto de Sin, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mez segundo, depois que sairam da terra do Egypto.

2 E toda a congregação dos filhos d’Israel [2] murmurou contra Moysés e contra Aarão no deserto.

3 E os filhos d’Israel disseram-lhes: Quem déra que nós morressemos por mão do Senhor na terra do Egypto, quando estavamos sentados ás panellas da carne, quando comiamos pão até fartar! [3] porque nos tendes tirado a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que vos choverei pão dos céus, [4] e o povo sairá, e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.

5 E acontecerá, ao sexto dia, que apparelhem o que colheram: e será dobrado [5] do que colhem cada dia.

6 Então disse Moysés, e Aarão a todos os filhos d’Israel: A tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egypto,

7 E ámanhã vereis a gloria do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor: porque quem somos nós, que murmureis contra nós?

8 Disse mais Moysés: Isso será quando o Senhor á tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que murmuraes contra elle: porque, quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, mas sim [6] contra o Senhor.

9 Depois disse Moysés a Aarão: Dize a toda a congregação dos filhos d’Israel: Chegae-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações.

10 E aconteceu que, quando fallou Aarão a toda a congregação dos filhos d’Israel, e elles se viraram para o deserto, eis que a gloria do Senhor [7] appareceu na nuvem.

Deus manda carne.

11 E o Senhor fallou a Moysés, dizendo:

12 Tenho [8] ouvido as murmurações[67] dos filhos de Israel; falla-lhes, dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão: e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus.

13 E aconteceu que á tarde subiram codornizes, [9] e cobriram o arraial: e pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial,

14 E, alçando-se o orvalho caido, eis que sobre a face do deserto estava uma coisa miuda, redonda, miuda como a geada sobre a terra.

15 E, vendo-a os filhos d’Israel, disseram uns aos outros: [ES] Que é isto; porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moysés: Este é o pão que o Senhor vos deu para comer.

16 Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Colhei d’elle cada um conforme ao que pode comer, um gomer por cada cabeça, segundo o numero das vossas almas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda.

17 E os filhos d’Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros menos.

18 Porém, medindo-o com o gomer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava [10] ao que colhera pouco; cada um colheu tanto quanto podia comer.

19 E disse-lhes Moysés: Ninguem d’elle deixe para [11] ámanhã.

20 Elles, porém, não deram ouvidos a Moysés, antes alguns d’elles deixaram d’elle para a manhã; e aquelle criou bichos, e fedeu; por isso indignou-se Moysés contra elles.

21 Elles pois o colhiam cada manhã, cada um conforme ao que podia comer; porque, aquentando o sol, derretia-se.

22 E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gomeres para cada um: e todos os principes da congregação vieram, e contaram-n’o a Moysés.

23 E elle disse-lhes: Isto é o que o Senhor tem [12] dito: Amanhã é repouso, do sancto sabbado do Senhor: o que quizerdes cozer no forno, cozei-o, e o que quizerdes cozer em agua, cozei-o em agua; e tudo o que sobejar, para vós ponde em guarda até ámanhã.

24 E guardaram-n’o até ámanhã, como Moysés tinha ordenado: e não fedeu, nem n’elle houve algum [13] bicho.

25 Então disse Moysés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sabbado do Senhor: hoje não o achareis no campo.

26 Seis dias o colhereis, mas o setimo dia é o sabbado; n’aquelle não haverá.

27 E aconteceu ao setimo dia, que alguns do povo sairam para colher, mas não o acharam.

28 Então disse o Senhor a Moysés: Até quando recusareis de guardar os meus mandamentos [14] e as minhas leis?

29 Vêde, porquanto o Senhor vos deu o sabbado, portanto elle no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu logar, que ninguem saia do seu logar no setimo dia.

30 Assim repousou o povo no setimo dia.

31 E chamou a casa de Israel o seu nome manná; [15] e era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel.

32 E disse Moysés: Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Encherás um gomer d’elle em guarda para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer n’este deserto, quando eu vos tirei da terra do Egypto.

33 Disse tambem Moysés a Aarão: Toma um vaso, [16] e mette n’elle um gomer cheio de manná, e pôe-o diante do Senhor, em guarda para as vossas gerações.

34 Como o Senhor tinha ordenado a Moysés, assim Aarão o poz diante do testemunho em [17] guarda.

35 E comeram os filhos d’Israel manná quarenta annos, [18] até que entraram em terra habitada: comeram manná até que chegaram aos termos da terra de [19] Canaan.

36 E um [20] gomer é a decima parte do epha.

[1] Num. 33.10.

[2] cap. 15.24.

[3] Num. 11.4, 5.

[4] Psa. 78.24. João 6.31, 32. I Cor. 10.3. Deu. 8.16.

[5] ver. 22.

[6] I Sam. 8.7.

[7] Num. 14.10.

[8] ver. 7.

[9] Num. 11.31. Psa. 105.40.

[10] II Cor. 8.15.

[11] Mat. 6.34.

[12] Gen. 2.3. cap. 20.8 e 31.15. Lev. 23.3.

[13] ver. 20.

[14] Num. 14.11.

[15] ver. 15. Num. 11.7, 8.

[16] Heb. 9.4. Apo. 2.17.

[17] cap. 25.16. Num. 17.10. I Reis 8.9.

[18] Deu. 8.2, 3. Neh. 9.21. João 6.31, 49.

[19] Jos. 5.12.

[20] ver. 16, 32, 33.

A jornada pelo deserto de Sin e a falta de agua.

17 Depois toda a congregação dos filhos d’Israel partiu do deserto de Sin [1] pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Rephidim; e não havia ali agua para o povo beber.

2 Então contendeu o povo com Moysés, [2] e disseram: Dae-nos agua para beber. E Moysés lhes disse: Porque contendeis commigo? porque tentaes ao [3] Senhor?

3 Tendo pois ali o povo sêde d’agua, o povo murmurou contra Moysés, e[68] disse: Porque nos fizeste subir do Egypto, para nos matares de sêde, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?

4 E clamou Moysés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? d’aqui a pouco me [4] apedrejarão.

5 Então disse o Senhor a Moysés: Passa diante do povo, e toma comtigo alguns dos anciãos de Israel: e toma na tua mão a tua vara, [5] com que feriste o rio: vae.

6 Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horeb, e tu ferirás a rocha, e d’ella sairão aguas [6] e o povo beberá. E Moysés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.

7 E chamou o nome d’aquelle logar [ET] Massah e [EU] Meribah, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porquanto tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?

Amalek peleja contra os israelitas.

8 Então veiu Amalek, [7] e pelejou contra Israel em Rephidim.

9 Pelo que disse Moysés a Josué: Escolhe-nos homens, e sae, peleja contra Amalek: ámanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, [8] e a vara de Deus estará na minha mão.

10 E fez Josué como Moysés lhe dissera, pelejando contra Amalek: mas Moysés, Aarão, e Hur subiram ao cume do outeiro.

11 E acontecia que, quando Moysés levantava a sua mão, Israel prevalecia: mas quando elle abaixava a sua mão, Amalek prevalecia.

12 Porém as mãos de Moysés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a pozeram debaixo d’elle, para assentar-se sobre ella: [9] e Aarão e Hur sustentaram as suas mãos, um d’uma banda, e o outra da outra: assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se poz.

13 E assim Josué desfez a Amalek, e a seu povo, ao fio da espada.

14 Então disse o Senhor a Moysés; Escreve isto para memoria n’um livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memoria d’Amalek de debaixo [10] dos céus.

15 E Moysés edificou um altar, e chamou o seu nome, o Senhor é minha [EV] bandeira.

16 E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amalek de geração em geração.

[1] cap. 16.1. Num. 33.12, 14.

[2] Num. 20.3, 4.

[3] Deu. 6.16. Psa. 78.18, 41 e 95.8, 9. Isa. 7.12. Mat. 4.7. I Cor. 10.9.

[4] I Sam. 30.6. João 8.59.

[5] cap. 7.20. Num. 20.8, 11.

[6] Psa. 78.15 e 105.41. I Cor. 10.4.

[7] Num. 24.20.

[8] cap. 4.20.

[9] cap. 24.14.

[10] Deu. 25.19. I Sam. 15.3.

O sogro de Moysés traz-lhe sua mulher e seus filhos.

18 Ora Jethro, sacerdote de Midian, [1] sogro de Moysés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moysés e a Israel seu povo: como o Senhor tinha tirado a Israel do Egypto.

2 E Jethro, sogro de Moysés, tomou a Zippora, a mulher de Moysés, depois que elle lh’a [2] enviara,

3 Com seus dois filhos, dos quaes [3] um se chamava Gerson; porque disse: Eu fui peregrino em terra estranha;

4 E o outro se chamava Eliezer; porque disse: O Deus de meu pae foi por minha ajuda, e me livrou da espada de Pharaó.

5 Vindo pois Jethro, o sogro de Moysés, com seus filhos e com sua mulher, a Moysés no deserto, [4] ao monte de Deus, onde se tinha acampado,

6 Disse a Moysés: Eu, teu sogro Jethro, venho a ti, com tua mulher, e seus dois filhos com ella.

7 Então saiu Moysés ao [5] encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda.

8 E Moysés contou a seu sogro todas as coisas que o Senhor tinha feito a Pharaó e aos egypcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram no caminho, e como o [6] Senhor os livrara.

9 E alegrou-se Jethro de todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egypcios.

10 E Jethro disse: Bemdito [7] seja o Senhor, que vos livrou das mãos dos egypcios e da mão de Pharaó; que livrou a este povo de debaixo da mão dos egypcios.

11 Agora sei que o Senhor [8] é maior que todos os deuses: porque na coisa, em que se ensoberbeceram, os sobrepujou.

12 Então tomou Jethro, o sogro de Moysés, holocausto e sacrificios para Deus: e veiu Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moysés [9] diante de Deus.

13 E aconteceu que, ao outro dia, Moysés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moysés desde a manhã até á tarde.

14 Vendo pois o sogro de Moysés tudo o que elle fazia ao povo, disse: Que é isto, que tu fazes as povo? porque te assentas só, e todo o povo está em pé[69] diante de ti, desde a manhã até á tarde?

15 Então disse Moysés a seu sogro: É porque este [10] povo vem a mim, para consultar a Deus:

16 Quando tem algum negocio [11] vem a mim, para que eu julgue entre um e outro, e lhes declare os estatutos de Deus, e as suas leis.

17 O sogro de Moysés porém lhe disse: Não é bom o que fazes.

18 Totalmente desfallecerás, assim tu, como este povo que está comtigo: porque este negocio é mui difficil para ti; [12] tu só não o podes fazer.

19 Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, [13] e Deus será comtigo: Sê tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as coisas a Deus;

20 E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho [14] em que devem andar, e a obra que devem fazer.

21 E tu d’entre todo o povo procura homens capazes, tementes [15] a Deus, homens de verdade, que aborrecem a avareza; e põe-n’os sobre elles por maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez;

22 Para que julguem este povo em tempo; [16] e seja que todo o negocio pequeno elles o julguem: assim a ti mesmo te alliviarás da carga, [17] e elles a levarão comtigo.

23 Se isto fizeres, e Deus t’o mandar, [18] poderás então subsistir: assim tambem todo este povo em paz virá ao seu logar.

24 E Moysés deu ouvidos á voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito;

25 E escolheu Moysés homens capazes, de todo o Israel, [19] e os poz por cabeças sobre o povo: maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez.

26 E elles julgaram [20] o povo em todo o tempo; o negocio arduo trouxeram a Moysés, e todo o negocio pequeno julgaram elles.

27 Então despediu Moysés o seu sogro, o qual se foi á sua terra.

[1] cap. 2.16 e 3.1.

[2] cap. 4.26.

[3] Act. 7.29. cap. 2.22.

[4] cap. 3.1, 12.

[5] I Reis 2.19. Gen. 29.13 e 33.4.

[6] Psa. 78.42.

[7] Gen. 14.20. II Sam. 18.28. Luc. 1.68.

[8] II Chr. 2.5. Psa. 95.3. cap. 5.2, 7. I Sam. 2.3. Neh. 9.10. Psa. 31.23. Luc. 1.51.

[9] Deu. 12.7. I Chr. 29.22. I Cor. 10.18, 21, 31.

[10] Lev. 24.12. Num. 15.34.

[11] cap. 23.7. Deu. 17.8. Act. 18.15. I Cor. 6.1. Lev. 24.15. Num. 15.35.

[12] Num. 11.14, 17. Deu. 1.9, 12.

[13] cap. 3.12 e 4.16. Deu. 5.5. Num. 27.5.

[14] Deu. 4.1. Psa. 143.8. Deu. 1.18.

[15] Deu. 1.15. II Chr. 19.5, 10. Act. 6.3. II Chr. 19.9. Eze. 18.8. Deu. 16.19.

[16] ver. 26. Lev. 24.11. Num. 15.33. Deu. 1.17.

[17] Num. 11.17.

[18] ver. 18.

[19] Deu. 1.15. Act. 6.5.

[20] ver. 22. Job 29.16.

Deus falla com Moysés no monte de Sinai.

19 Ao terceiro mez da saida dos filhos de Israel da terra do Egypto, no mesmo dia vieram [1] ao deserto de Sinai,

2 Porque partiram de Rephidim [2] e vieram ao deserto de Sinai, e acamparam-se no deserto: Israel pois ali acampou-se defronte [3] do monte.

3 E subiu Moysés a Deus, [4] e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim fallarás á casa de Jacob, e annunciarás aos filhos de Israel:

4 Vós tendes visto o que fiz aos egypcios, [5] como vos levei sobre azas d’aguias, e vos trouxe a mim;

5 Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, [6] e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar d’entre todos os povos: porque toda a terra é minha.

6 E vós me sereis um [7] reino sacerdotal e o povo sancto. Estas são as palavras que fallarás aos filhos de Israel.

7 E veiu Moysés, e chamou os anciãos do povo, e expoz diante d’elles todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado.

8 Então todo o povo respondeu [8] a uma voz, e disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado, faremos. E relatou Moysés ao Senhor as palavras do povo.

9 E disse o Senhor a Moysés; Eis que eu virei a ti n’uma nuvem espessa, para [9] que o povo ouça, fallando eu comtigo, e para que tambem te creiam eternamente. Porque Moysés tinha annunciado as palavras do seu povo ao Senhor.

10 Disse tambem o Senhor a Moysés: Vae ao povo, e sanctifica-os [10] hoje e ámanhã, e lavem elles os seus vestidos,

11 E estejam promptos para o terceiro dia: porquanto no terceiro dia o Senhor descerá [11] ante dos olhos de todo o povo sobre o monte de Sinai.

12 E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardae-vos que não subaes ao monte, [12] nem toqueis o seu termo; todo aquelle, que tocar o monte, certamente morrerá.

13 Nenhuma mão tocará n’elle: porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando [13] [EW] a buzina longamente, então subirão ao monte.

[70]

14 Então Moysés desceu do monte ao povo, e sanctificou o povo; [14] e lavaram os seus vestidos.

15 E disse ao povo: Estae [15] promptos ao terceiro dia; e não chegueis a mulher.

16 E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões [16] e relampagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, [17] de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial.

17 E Moysés levou [18] o povo fóra do arraial ao encontro de Deus; e puzeram-se ao pé do monte.

18 E todo o monte de Sinai [19] fumegava, porque o Senhor descera sobre elle em fogo: e o seu fumo subiu como fumo d’um forno, e todo o monte tremia grandemente.

19 E o sonido da buzina ia esforçando-se em grande maneira: [20] Moysés fallava, e Deus lhe respondia em voz alta.

20 E, descendo o Senhor sobre o monte de Sinai, sobre o cume do monte, chamou o Senhor a Moysés ao cume do monte; e Moysés subiu.

21 E disse o Senhor a Moysés: Desce, protesta ao povo que não trespassem o termo, para ver o Senhor, [21] e muitos d’elles perecerem.

22 E tambem os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de sanctificar, [22] para que o Senhor não se lance sobre elles.

23 Então disse Moysés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte de Sinai, porque tu nos tens protestado, dizendo: Marca termos [23] ao monte, e sanctifica-o.

24 E disse-lhe o Senhor: Vae, desce: depois subirás tu, e Aarão comtigo: os sacerdotes, porém, e o povo não trespassem o termo para subir ao Senhor, para que não se lance sobre elles.

25 Então Moysés desceu ao povo, e disse-lhes isto.

[1] Num. 33.15.

[2] cap. 17.1.

[3] cap. 3.1, 12.

[4] cap. 20.21. Act. 7.38. cap. 3.4.

[5] Deu. 29.2. Isa. 63.9.

[6] Deu. 5.2. I Reis 8.53. Psa. 135.4. Isa. 41.8. Mal. 3.17. Tito 2.14. Deu. 10.14. I Cor. 10.26.

[7] I Ped. 2.5, 9. Apo. 1.6. Lev. 20.26. Isa. 62.12. I Cor. 3.17. I The. 5.27.

[8] cap. 24.3, 7. Deu. 5.27.

[9] ver. 16. cap. 20.21. Mat. 17.5. Deu. 4.12, 36. João 12.29, 30. cap. 14.31.

[10] Lev. 11.44, 45. Heb. 10.22. ver. 14. Gen. 35.2.

[11] ver. 16, 18. cap. 34.5. Deu. 33.2.

[12] Heb. 12.20.

[13] ver. 16, 19.

[14] ver. 10.

[15] ver. 11. I Sam. 21.4, 5. I Cor. 7.5.

[16] Heb. 12.18, 19. Apo. 4.5. cap. 40.34. II Chr. 5.14.

[17] Apo. 1.10 e 4.1. Heb. 12.21.

[18] Deu. 4.10.

[19] Deu. 4.11. Jui. 5.5. Psa. 68.8, 9. Hab. 3.3. II Chr. 7.1, 2, 3. Apo. 15.8. Heb. 12.26.

[20] ver. 13. Neh. 9.13.

[21] cap. 3.5. I Sam. 6.19.

[22] Lev. 10.3. II Sam. 6.7, 8.

[23] ver. 12. Jos. 3.4.

Os dez mandamentos.

20 Então fallou Deus todas [1] estas palavras, dizendo:

2 Eu sou o Senhor teu Deus, [2] que te tirei da terra do Egypto, da casa da servidão.

3 Não terás [3] outros deuses diante de mim.

4 Não farás para ti imagem [4] d’esculptura, nem alguma similhança do que ha em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas aguas debaixo da terra.

5 Não te encurvarás a ellas [5] nem as servirás: porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus [6] zeloso, que visito a maldade dos paes nos filhos, até á terceira e quarta geração d’aquelles que me aborrecem,

6 E faço misericordia [7] em milhares, aos que me amam, e aos que guardam os meus mandamentos.

7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por innocente o [8] que tomar o seu nome em vão.

8 Lembra-te do dia do sabbado, para o [9] sanctificar.

9 Seis dias trabalharás, [10] e farás toda a tua obra,

10 Mas o setimo [11] dia é o sabbado do Senhor teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem a tua besta, nem o teu estrangeiro, [12] que está dentro das tuas portas.

11 Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que n’elles ha, e ao setimo dia descançou: portanto abençoou o Senhor o dia do sabbado, e o sanctificou,

12 Honra a teu pae [13] e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

13 Não [14] matarás.

14 Não [15] adulterarás.

15 Não [16] furtarás.

16 Não dirás falso testemunho [17] contra o teu proximo.

17 Não cubiçarás a casa do teu proximo, [18] não cubiçarás a mulher do teu proximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu proximo.

18 E todo o povo viu os [19] trovões e os relampagos, e o sonido da buzina, e o[71] monte fumegando: e o povo, vendo isso retirou-se e poz-se de longe.

19 E disseram a Moysés: Falla [20] tu comnosco, e ouviremos: e não falle Deus comnosco, para que não morramos.

20 E disse Moysés ao povo: Não temaes, [21] que Deus veiu para provar-vos, e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis.

21 E o povo estava em pé de longe: Moysés, porém, se chegou [22] á escuridade, onde Deus estava.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Assim dirás aos filhos d’Israel: Vós tendes visto que eu fallei [23] comvosco desde os céus.

23 Não fareis outros deuses commigo; deuses de prata [24] ou deuses de oiro não fareis para vós.

24 Um altar de terra me farás, e sobre elle sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas offertas pacificas, as tuas ovelhas, [25] e as tuas vaccas: em todo o logar, onde eu fizer celebrar a memoria do meu nome, virei a ti, e te abençoarei.

25 E se me fizeres um altar de pedras, [26] não o farás de pedras lavradas: se sobre elle levantares o teu buril, profanal-o-has.

26 Não subirás tambem por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante d’elles.

[1] Deu. 5.22.

[2] Lev. 26.1, 13. Ose. 13.4. cap. 13.3.

[3] Deu. 5.7. Jer. 25.6.

[4] Lev. 26.1. Psa. 97.7.

[5] cap. 23.24. Jos. 23.7. II Reis 17.35. Isa. 44.15, 19. cap. 34.14.

[6] Jos. 24.19. Nah. 1.2. cap. 34.7. Num. 14.18, 33. Isa. 14.20, 21.

[7] cap. 34.7. Deu. 7.9. Rom. 11.28.

[8] Lev. 19.12. Deu. 5.11. Mat. 5.33.

[9] cap. 31.13, 14. Lev. 19.3, 30. Deu. 5.12.

[10] cap. 23.12. Lev. 23.3. Eze. 20.12. Luc. 13.14.

[11] Gen. 2.2, 3. cap. 16.26.

[12] Neh. 13.16, 19.

[13] Deu. 5.16. Mat. 15.4. Mar. 7.10. Luc. 18.20. Eph. 6.2.

[14] Deu. 5.17. Mat. 5.21. Rom. 13.9.

[15] Deu. 5.18. Mat. 5.27.

[16] Lev. 19.11. Mat. 19.18.

[17] cap. 23.1. Deu. 5.20.

[18] Deu. 5.21. Miq. 2.2. Hab. 2.9. Luc. 12.15. Rom. 7.7. Eph. 5.3, 5. Heb. 13.5. Jer. 5.8. Mat. 5.28.

[19] Heb. 12.18. cap. 19.18.

[20] Heb. 12.19. Deu. 5.25.

[21] Isa. 41.10, 13. Gen. 22.1. Deu. 4.10.

[22] cap. 19.16. Deu. 5.5.

[23] Deu. 4.36. Neh. 9.13.

[24] cap. 32.4. II Reis 17.33. Dan. 5.4, 23. Sof. 1.5. II Cor. 6.14, 15, 16.

[25] Lev. 1.2. Deu. 12.5, 11, 21. Neh. 1.9. Jer. 7.10, 12. Deu. 7.13.

[26] Deu. 27.5. Jos. 8.31.

As leis ácerca dos servos e dos homicidios.

21 Estes são os estatutos [1] que lhes proporás.

2 Se comprares um servo [2] hebreo, seis annos servirá; mas ao setimo sairá forro, de graça.

3 Se entrou com o seu corpo, com o seu corpo sairá: se elle era homem casado, sairá sua mulher com elle.

4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher, e ella lhe houver parido filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e elle sairá com seu corpo.

5 Mas se aquelle servo expressamente disser: [3] Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair forro:

6 Então seu senhor o levará [4] aos juizes, e o fará chegar á porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre.

7 E se algum vender [5] sua filha por serva, não sairá como saem os servos.

8 Se desagradar aos olhos de seu senhor, e não se desposar com ella, fará que se resgate: não poderá vendel-a a um povo estranho, usando deslealmente com ella.

9 Mas se a desposar com seu filho, fará com ella conforme ao direito das filhas.

10 Se lhe tomar outra, não deminuirá o mantimento d’esta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação [6] marital.

11 E se lhe não fizer estas tres coisas, sairá de graça, sem dar dinheiro.

12 Quem ferir alguem, [7] que morra, elle tambem certamente morrerá;

13 Porém o que lhe não [8] armou ciladas, mas Deus o fez encontrar nas suas mãos, ordenar-te-hei um logar, para onde elle fugirá.

14 Mas se alguem se ensoberbecer contra o seu proximo, [9] matando-o com engano, tiral-o-has do meu altar, para que morra.

15 O que ferir a seu pae, ou a sua mãe, certamente morrerá.

16 E quem furtar algum [10] homem, e o vender, ou fôr achado na sua mão, certamente morrerá.

As leis ácerca dos que amaldiçoam os paes ou ferem qualquer pessoa.

17 E quem amaldiçoar [11] a seu pae ou a sua mãe, certamente morrerá.

18 E se alguns homens pelejarem, ferindo-se um ao outro com pedra ou com o punho, e este não morrer, mas cair na cama;

19 Se elle tornar a levantar-se e andar fóra sobre o seu bordão, então aquelle que o feriu será absolvido: [12] sómente lhe pagará o tempo que perdera e o fará curar totalmente.

20 Se alguem ferir a seu servo, ou a sua serva com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será [EX] castigado;

21 Porém se ficar vivo por um ou dois dias, não será castigado, [13] porque é seu dinheiro.

22 Se alguns homens pelejarem, e ferirem uma mulher gravida, e forem causa que aborte, porém não houver morte, certamente será multado, [14] conforme ao que lhe impuzer o marido da mulher, e pagará diante dos juizes.

[72]

23 Mas se houver morte, então darás vida por vida,

24 Olho por olho, [15] dente por dente, mão por mão, pé por pé,

25 Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.

26 E quando alguem ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o damnificar, o deixará ir forro pelo seu olho.

27 E se tirar o dente do seu servo, ou o dente da sua serva, o deixará ir forro pelo seu dente.

28 E se algum boi escornear homem ou mulher, e morrer, o boi será apedrejado [16] certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do boi será absolvido.

29 Mas se o boi d’antes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor d’isso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado, e tambem o seu dono morrerá.

30 Se lhe fôr imposto resgate, então dará [17] por resgate da sua vida tudo quanto lhe fôr imposto,

31 Quer tenha escorneado um filho, quer tenha escorneado uma filha; conforme a este estatuto lhe será feito.

32 Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dará [18] trinta siclos de prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado.

33 Se alguem abrir uma cova, ou se alguem cavar uma cova, e não a cobrir, e n’ella cair um boi ou jumento,

34 O dono da cova o pagará, ao seu dono o dinheiro restituirá; mas o morto será seu.

35 Se o boi de alguem ferir o boi do seu proximo, e morrer, então se venderá o boi vivo, e o dinheiro d’elle se repartirá egualmente, e tambem o morto se repartirá egualmente.

36 Mas se foi notorio que aquelle boi d’antes era escorneador, e seu dono não o guardou, certamente pagará boi por boi; porém o morto será seu.

[1] cap. 24.3, 4. Deu. 4.14 e 6.1.

[2] Lev. 25.39, 40, 41. Deu. 15.12. Jer. 34.14.

[3] Deu. 15.16, 17.

[4] cap. 12.12 e 22.8, 28.

[5] Neh. 5.5. ver. 2, 3.

[6] I Cor. 7.5.

[7] Gen. 9.6. Lev. 24.17. Num. 35.30. Mat. 26.52.

[8] Deu. 19.4, 5. I Sam. 24.4, 10, 18. Num. 35.11. Jos. 20.2.

[9] Num. 15.30. Deu. 19.11, 12. Heb. 10.26. I Reis 2.28, 34.

[10] Deu. 24.7. Gen. 37.28.

[11] Lev. 20.9. Pro. 20.20. Mat. 15.4. Mar. 7.10.

[12] II Sam. 3.29.

[13] Lev. 25.45, 46.

[14] ver. 30. Deu. 22.18, 19.

[15] Lev. 24.20. Mat. 5.38.

[16] Gen. 9.5.

[17] ver. 22. Num. 35.31.

[18] Zac. 11.12, 13. Mat. 26.15. ver. 28.

As leis ácerca da propriedade.

22 Se alguem furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e [1] pela ovelha quatro ovelhas.

2 Se o ladrão fôr achado na mina, [2] e fôr ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue.

3 Se o sol houver saido sobre elle, será culpado do sangue: totalmente o restituirá: e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.

4 Se o furto fôr achado vivo [3] na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.

5 Se alguem fizer pastar n’um campo ou n’uma vinha, e largar a sua besta, para comer no campo de outro, o melhor do seu proprio campo e o melhor da sua propria vinha restituirá.

6 Se arrebentar um fogo, e prender os espinhos, e abrazar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquelle que accendeu o fogo totalmente pagará o queimado.

7 Se alguem der prata, os vasos ao seu proximo a guardar, e fôr furtado da casa d’aquelle homem, se o ladrão se achar, [4] pagará o dobro.

8 Se o ladrão não se achar, então o dono da casa será levado diante dos juizes, [5] a ver se não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo.

9 Sobre todo o negocio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miudo, sobre vestido, sobre toda a coisa perdida, de que alguem disser que é sua a causa de ambos virá perante os juizes, [6] aquelle a quem condemnarem os juizes o pagará em dobro ao seu proximo.

10 Se alguem der a seu proximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha, ou alguma besta, e morrer, ou fôr dilacerado, ou afugentado, ninguem o vendo,

11 Então haverá juramento [7] do Senhor entre ambos, que não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo: e seu dono o acceitará, e o outro não o restituirá.

12 Mas se lhe fôr furtado, o [8] pagará ao seu dono.

13 Porém se lhe fôr dilacerado, tral-o-ha em testemunho d’isso, e não pagará o dilacerado.

14 E se alguem a seu proximo pedir alguma coisa, e fôr damnificada ou morta, não estando presente o seu dono, certamente a restituirá.

15 Se o seu dono esteve presente, não a restituirá: se foi alugada, será pelo seu aluguer.

As leis ácerca da immoralidade e idolatria.

16 Se alguem enganar [9] alguma virgem, que não fôr desposada, e se deitar com ella, certamente a dotará por sua mulher.

17 Se seu pae inteiramente recusar dar-lh’a, dará dinheiro conforme ao dote das [10] virgens.

[73]

18 A feiticeira não [11] deixarás viver.

19 Todo aquelle que se deitar [12] com animal, certamente morrerá.

20 O que sacrificar [13] aos deuses, e não só ao Senhor, será morto.

21 O estrangeiro não [14] affligirás, nem o opprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egypto.

22 A nenhuma viuva nem orphão [15] affligireis.

23 Se de alguma maneira [16] os affligires, e elles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor,

24 E a minha ira [17] se accenderá, e vos matarei á espada; e vossas mulheres ficarão viuvas, e vossos filhos orphãos.

25 Se emprestares [18] dinheiro ao meu povo, ao pobre que está comtigo, não te haverás com elle como um usurario; não lhe imporeis usura.

26 Se tomares em penhor o vestido do teu proximo, [19] lh’o restituirás antes do pôr do sol,

27 Porque aquella é a sua cobertura, e o vestido da sua pelle; em que se deitaria? será pois que, quando clamar a [20] mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

28 Os juizes não [21] amaldiçoarás, e o principe d’entre o teu povo não maldirás.

29 As tuas primicias, [22] e os teus licores não dilatarás: o primogenito de teus filhos me darás.

30 Assim farás dos teus bois [23] e das tuas ovelhas: sete dias estarão com sua mãe, e ao oitavo dia m’os darás.

31 E ser-me-heis homens [24] sanctos; portanto não comereis carne despedaçada no campo: aos cães a lançareis.

[1] II Sam. 12.6. Luc. 19.8. Pro. 6.31.

[2] Num. 35.27.

[3] cap. 21.16. ver. 1, 7. Pro. 6.31.

[4] ver. 4.

[5] cap. 21.6. ver. 28.

[6] Deu. 25.1. II Chr. 19.10.

[7] Heb. 6.16.

[8] Gen. 31.39.

[9] Deu. 22.28, 29.

[10] Gen. 14.12.

[11] Deu. 18.10, 11. I Sam. 28.3, 9.

[12] Lev. 18.23.

[13] Deu. 13.1, 2.

[14] cap. 23.9. Deu. 10.19. Jer. 7.6. Zac. 7.10.

[15] Deu. 10.18. Psa. 94.6. Isa. 1.17, 23. Thi. 1.27.

[16] Job 35.9. Psa. 18.6. Thi. 5.4.

[17] Psa. 69.24. Lam. 5.3.

[18] Deu. 23.19, 20. Psa. 15.5. Eze. 8.8, 17.

[19] Deu. 24.6, 10, 13, 17. Eze. 18.7, 16.

[20] cap. 34.6. II Chr. 30.9. Psa. 86.15.

[21] Ecc. 10.20. Act. 23.5. Jud. 8.

[22] cap. 23.16, 19. Pro. 3.9. cap. 13.2, 12.

[23] Lev. 22.27.

[24] cap. 19.6. Lev. 19.2. Deu. 14.21.

O testemunho falso e a injustiça.

23 Não admittirás falso [1] rumor, e não porás a tua mão com o impio, para seres testemunha falsa.

2 Não seguirás a multidão [2] para fazeres o mal: nem n’uma demanda fallarás, tomando parte com o maior numero para torcer o direito.

3 Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.

4 Se encontrares o [3] boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, sem falta lh’o reconduzirás.

5 Se vires [4] o jumento d’aquelle que te aborrece deitado debaixo da sua carga, deixarás pois de ajudal-o? certamente o ajudarás juntamente com elle.

6 Não perverterás [5] o direito do teu pobre na sua demanda.

7 De palavras de falsidade te affastarás, [6] e não matarás o innocente e o justo; porque não justificarei o impio.

8 Tambem presente não [7] tomarás: porque o presente cega os que teem vista, e perverte as palavras dos justos.

9 Tambem não opprimirás [8] o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egypto.

O anno de descanço e o sabbado.

10 Tambem seis annos semearás tua [9] terra, e recolherás os seus fructos;

11 Mas ao setimo a soltarás e deixarás descançar, para que possam comer os pobres do teu povo, e do sobejo comam os animaes do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.

12 Seis dias farás os teus [10] negocios, mas ao setimo dia descançarás: para que descance o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua escrava, e o estrangeiro.

13 E em tudo o que vos tenho dito, guardae-vos: e [11] do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa bocca.

As tres festas.

14 Tres vezes no anno me celebrareis [12] festa.

15 A festa [13] dos pães asmos guardarás: sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado no mez de Abib; porque n’elle saiste do Egypto: [14] e ninguem appareça vasio perante mim.

16 E a festa da sega dos primeiros fructos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, [15] e a festa da colheita á saida do anno, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.

[74]

17 Tres vezes [16] no anno todos os teus machos apparecerão diante do Senhor.

18 Não offerecerás [17] o sangue do meu sacrificio com pão levedado: nem ficará a gordura da minha festa de noite até á manhã.

19 As primicias [18] dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não [19] cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

Deus promette enviar um anjo.

20 Eis-que eu envio [20] um anjo diante de ti, para que te guarde n’este caminho, e te leve ao logar que te tenho apparelhado.

21 Guarda-te diante d’elle, e ouve a sua voz, [21] e não o provoques á ira: porque não perdoará a vossa rebellião; porque o meu nome está n’elle.

22 Mas se diligentemente ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, [22] então serei inimigo dos teus inimigos, e adversario dos teus adversarios.

23 Porque o meu anjo [23] irá diante de ti, e te levará aos amorrheos, e aos hetheos, e aos phereseos, e aos cananeos, heveos e jebuseos: e eu os destruirei.

24 Não te inclinarás diante dos [24] seus deuses, nem os servirás, nem farás conforme ás suas obras: antes os destruirás totalmente, e quebrarás de todo [EY] as suas estatuas.

25 E servireis ao Senhor [25] vosso Deus, e elle abençoará o vosso pão e a vossa agua: e eu tirarei do meio de ti as enfermidades.

26 Não haverá alguma [26] que [EZ] mova, nem esteril na tua terra: o numero dos teus dias cumprirei.

27 Enviarei [27] o meu terror diante de ti, destruindo a todo o povo aonde entrares, e farei que todos os teus inimigos te virem as costas.

28 Tambem enviarei [28] vespões diante de ti, que lancem fóra os heveos, os cananeos, e os hetheos diante de ti.

29 N’um só anno os não lançarei fóra [29] diante de ti, para que a terra se não torne em deserto, e as feras do campo se não multipliquem contra ti.

30 Pouco a pouco os lançarei diante de ti, até que sejas multiplicado, e possuas a terra por herança.

31 E porei os [30] teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos philisteos, e desde o deserto até ao [FA] rio: porque darei nas tuas mãos os moradores [31] da terra, para que os lances fóra diante de ti.

32 Não farás concerto [32] algum com elles, ou com os seus deuses.

33 Na tua terra não habitarão, para que não te façam peccar contra mim: se servires aos seus deuses, [33] certamente te será um laço.

[1] Lev. 19.16. II Sam. 19.27. cap. 20.16. I Reis 21.10, 13. Pro. 19.5. Mat. 26.59. Act. 6.11, 13.

[2] Gen. 7.1. Jos. 24.15. Pro. 1.10. Mat. 27.24. Mar. 15.15. Luc. 23.23. Act. 24.27. Lev. 19.15. Deu. 1.17.

[3] Deu. 22.1. Mat. 5.44. Rom. 12.20. I The. 5.15.

[4] Deu. 22.4.

[5] Deu. 27.19. Job 31.13, 21. Isa. 10.1, 2. Jer. 5.28. Amós 5.12.

[6] Lev. 19.11. Eph. 4.25. Pro. 17.15. Mat. 27.4. Rom. 1.18.

[7] Deu. 16.19. I Sam. 8.3. Pro. 15.27. Isa. 1.23. Eze. 22.12. Amós 5.12. Act. 24.26.

[8] cap. 22.21. Deu. 10.19. Psa. 94.6. Eze. 22.7. Mal. 3.5.

[9] Lev. 25.3, 4.

[10] cap. 20.8, 9. Deu. 5.13. Luc. 13.14.

[11] Deu. 4.9. Jos. 22.5. Jos. 23.7.

[12] cap. 34.23. Lev. 23.4.

[13] cap. 12.15. Lev. 23.6.

[14] Deu. 16.16.

[15] Lev. 23.10. Deu. 16.13.

[16] Deu. 16.16.

[17] cap. 12.8. Lev. 2.11. Deu. 16.4.

[18] cap. 22.29. Lev. 23.10. Num. 18.12. Deu. 26.10. Neh. 10.35.

[19] cap. 34.26. Deu. 14.21.

[20] cap. 14.19. Num. 20.16. Jos. 5.13. Isa. 63.9.

[21] Num. 14.11. Heb. 3.10. Deu. 18.19. Jos. 24.19. I João 5.16.

[22] Gen. 12.3. Deu. 30.7. Jer. 30.20.

[23] cap. 33.2. Jos. 24.8.

[24] cap. 20.5. Lev. 18.3. Deu. 12.30. Num. 33.52. Deu. 7.5.

[25] Deu. 6.13. Jos. 22.5. I Sam. 7.3. Mat. 4.10. Deu. 7.13. cap. 15.26.

[26] Deu. 28.4. Job 21.10. Mal. 3.10. I Chr. 23.1. Job 5.26. Psa. 55.24.

[27] Gen. 35.5. cap. 15.14. Deu. 2.25. Jos. 2.9, 11. I Sam. 14.15. II Chr. 14.14.

[28] Deu. 7.20. Jos. 24.12.

[29] Deu. 7.22.

[30] Gen. 15.18. Num. 34.3. Deu. 11.24. Jos. 1.4.

[31] Jos. 21.44. Jui. 1.4.

[32] cap. 34.12, 15. Deu. 7.2.

[33] cap. 34.12. Deu. 7.16. Jos. 23.13. Jui. 2.3.

Deus manda Moysés e os anciãos subir ao monte.

24 Depois disse a Moysés: Sobe ao Senhor, tu e Aarão, Nadab [1] e Abihu, e setenta dos anciãos d’Israel; e inclinae-vos de longe.

2 E Moysés só [2] se chegará ao Senhor; mas elles não se cheguem, nem o povo suba com elle.

3 Vindo pois Moysés, e contando ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos, então o povo respondeu a uma voz, e disseram: Todas as palavras, que o Senhor tem fallado, [3] faremos.

4 E Moysés escreveu todas as palavras do Senhor, [4] e levantou-se pela manhã de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte, e doze [FB] monumentos, segundo as doze tribus d’Israel;

5 E enviou os mancebos dos filhos d’Israel, os quaes offereceram holocaustos, e sacrificaram ao Senhor sacrificios pacificos de bezerros.

6 E Moysés tomou a metade [5] do sangue, e a poz em bacias; e a outra metade do sangue espargiu sobre o altar.

7 E tomou o livro [6] do concerto e o leu aos ouvidos do povo, e elles disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado faremos, e obedeceremos.

8 Então tomou Moysés aquelle sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis-aqui o sangue [7] do concerto que o Senhor tem feito comvosco sobre todas estas palavras.

9 E subiram Moysés e Aarão, Nadab e Abihu, e setenta dos anciãos [8] d’Isrel,

[75]

10 E viram o Deus d’Israel, [9] e debaixo de seus pés havia como uma obra de pedra de saphira, e como o parecer do céu na sua claridade.

11 Porém não estendeu a sua mão sobre os escolhidos dos filhos d’Israel, mas [10] viram a Deus, e comeram e beberam.

12 Então disse o Senhor a Moysés: [11] Sobe a mim ao monte, e fica lá: e dar-te-hei taboas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escripto, para os ensinar.

13 E levantou-se Moysés com Josué seu servidor; [12] e subiu Moysés ao monte de Deus,

14 E disse aos anciãos: Esperae-nos aqui, até que tornemos a vós: e eis que Aarão e Hur ficam comvosco; quem tiver algum negocio, se chegará a elles.

15 E, subindo Moysés [13] ao monte, a nuvem cobriu o monte.

16 E habitava a gloria [14] do Senhor sobre o monte de Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias: e ao setimo dia chamou a Moysés do meio da nuvem.

17 E o parecer da gloria do Senhor era como um [15] fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos d’Israel.

18 E Moysés [16] entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte: e Moysés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.

[1] cap. 28.1. Lev. 10.1.

[2] ver. 13, 15, 18.

[3] ver. 7. cap. 19.8. Deu. 5.27. Gal. 3.19.

[4] Deu. 31.9. Gen. 28.18 e 31.45.

[5] Heb. 9.18.

[6] Heb. 9.19. ver. 3.

[7] Heb. 9.20 e 13.20. I Ped. 1.2.

[8] ver. 1.

[9] Gen. 32.30. Jui. 13.22. Isa. 6.1, 5. João 1.18. I João 4.12. Eze. 1.26. Apo. 4.3.

[10] Deu. 4.33. I Cor. 10.18.

[11] ver. 2, 15, 18. cap. 31.18. Deu. 5.22.

[12] cap. 17.9 e 33.11.

[13] cap. 19.9, 16. Mat. 17.5.

[14] cap. 16.10. Num. 14.10.

[15] cap. 3.2 e 19.18. Deu. 4.36. Heb. 12.18, 29.

[16] cap. 34.28. Deu. 9.9.

Deus manda o povo trazer offertas para o tabernaculo.

25 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, que me tragam uma offerta alçada: de todo [1] o homem cujo coração se mover voluntariamente, d’elle tomareis a minha offerta alçada.

3 E esta é a offerta alçada que tomareis d’elles: oiro, e prata, e cobre,

4 E azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras,

5 E pelles de carneiros tintas de vermelho, e pelles de teixugos, e madeira de [FC] sittim,

6 Azeite [2] para a luz, especiarias para o oleo da uncção, e especiarias para o incenso,

7 Pedras sardonicas, e pedras d’engaste para o [3] ephod e para o peitoral.

8 E me farão [4] um sanctuario, e habitarei no meio d’elles.

9 Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernaculo, [5] e para modelo de todos os seus vasos, assim mesmo o fareis.

A arca de madeira de sittim.

10 Tambem farão uma arca [6] de madeira de sittim: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio, e d’um covado e meio a sua altura.

11 E cobril-a-has d’oiro puro, por dentro e por fóra a cobrirás: e farás sobre ella uma corôa de oiro ao redor;

12 E fundirás para ella quatro argolas d’oiro, e as porás nos quatro cantos d’ella, duas argolas n’um lado d’ella, e duas argolas n’outro lado d’ella.

13 E farás varas de madeira de sittim, e as cobrirás com oiro,

14 E metterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para levar-se com ellas a arca.

15 As varas estarão nas argolas da arca, [7] não se tirarão d’ella.

16 Depois porás na arca o testemunho, [8] que eu te darei.

O propiciatorio de oiro puro.

17 Tambem farás um [9] propiciatorio, d’oiro puro: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio.

18 Farás tambem dois cherubins d’oiro: d’oiro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatorio.

19 Farás um cherubim na extremidade d’uma parte, e o outro cherubim na extremidade da outra parte: de uma só peça com o propiciatorio, fareis os cherubins nas duas extremidades d’elle.

20 Os cherubins estenderão as suas azas por de cima, [10] cobrindo com as suas azas o propiciatorio; as faces d’elles uma defronte da outra: as faces dos cherubins attentarão para o propiciatorio,

21 E porás o propiciatorio em cima da arca, [11] depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei.

[76]

22 E ali virei a ti, [12] e fallarei comtigo de cima do propiciatorio, do meio dos dois cherubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos d’Israel.

A mesa de madeira de sittim.

23 Tambem farás uma mesa de madeira de [13] sittim; o seu comprimento será de dois covados, e a sua largura d’um covado, e a sua altura de um covado e meio,

24 E cobril-a-has com oiro puro: tambem lhe farás uma corôa d’oiro ao redor.

25 Tambem lhe farás uma moldura ao redor, da largura d’uma mão, e lhe farás uma corôa d’oiro ao redor da moldura.

26 Tambem lhe farás quatro argolas d’oiro; e porás as argolas aos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés.

27 Defronte da moldura estarão as argolas, como logares para os varaes, para levar-se a mesa.

28 Farás pois estes varaes de madeira de sittim, e cobril-os-has com oiro; e levar-se-ha com elles a mesa.

29 Tambem farás os seus pratos, [14] e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigellas [FD] com que se hão de cobrir; d’oiro puro os farás.

30 E sobre a mesa porás o pão [15] da proposição perante a minha face continuamente.

31 Tambem farás um castiçal d’oiro puro; [16] d’oiro batido se fará este castiçal: o seu pé, as suas canas, as suas copas, as suas maçãs, e as suas flores serão do mesmo.

32 E dos seus lados sairão seis canas: tres canas do castiçal d’um lado d’elle, e tres canas do castiçal do outro lado d’elle.

33 N’uma cana haverá tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flor; e tres copos a modo d’amendoas na outra cana, uma maçã e uma flor: assim serão as seis canas que saem do castiçal.

34 Mas no castiçal mesmo haverá quatro copos a modo d’amendoas, com suas maçãs e com suas flores;

35 E uma maçã debaixo de duas canas que saem d’elle; e ainda uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d’elle; e ainda mais uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d’elle; assim se fará com as seis canas que saem do castiçal.

36 As suas macãs as suas canas serão do mesmo: tudo será d’uma só peça, obra batida d’oiro puro.

37 Tambem lhe farás sete lampadas, as quaes [17] se accenderão para alumiar defronte d’elle.

38 Os seus espevitadores e os seus apagadores serão d’oiro puro.

39 D’um talento d’oiro puro os farás, [18] com todos estes vasos.

40 Attenta pois que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte.

[1] cap. 35.5, 21. I Chr. 29.3, 5, 9, 14. Esd. 2.68 e 3.5 e 7.16. Neh. 11.2. II Cor. 8.12 e 9.7.

[2] cap. 27.20 e 30.23, 34.

[3] cap. 28.4, 6, 15.

[4] cap. 36.1, 3. Lev. 4.6. Heb. 9.1, 2. cap. 29.45. I Reis 6.13. Heb. 3.6. Apo. 21.3.

[5] ver. 40.

[6] cap. 37.1. Deu. 10.3. Heb. 9.4.

[7] I Reis 8.8.

[8] cap. 16.34. Deu. 10.2. II Reis 11.12. Heb. 9.4.

[9] cap. 37.6. Rom. 3.25. Heb. 9.5.

[10] I Reis 8.7. I Chr. 28.18.

[11] cap. 26.34. ver. 16.

[12] cap. 29.42, 43 e 30.6. Lev. 16.2. Num. 7.89. I Sam. 4.4. II Sam. 6.2. Psa. 80.1.

[13] cap. 37.10. I Reis 7.48. II Chr. 4.8. Heb. 9.2.

[14] cap. 37.16. Num. 4.7.

[15] Lev. 24.5, 6.

[16] cap. 37.17. I Reis 7.49. Zac. 4.2. Heb. 9.2.

[17] cap. 27.21. Lev. 24.3. II Chr. 13.11. Num. 8.2.

[18] cap. 26.30. Num. 8.4. I Chr. 28.11, 19. Act. 7.44. Heb. 8.5.

As cortinas do tabernaculo.

26 E o tabernaculo farás de [1] dez cortinas de linho fino torcido, e azul, purpura, e carmezim: com cherubins as farás d’obra [FE] esmerada.

2 O comprimento d’uma cortina será de vinte e oito covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: todas estas cortinas serão d’uma medida.

3 Cinco cortinas se enlaçarão uma á outra: e as outras cinco cortinas se enlaçarão uma com a outra.

4 E farás laçadas d’azul na ponta d’uma cortina, na extremidade, na juntura: assim tambem farás na ponta da extremidade da outra cortina, na segunda juntura.

5 Cincoenta laçadas farás n’uma cortina, e outras cincoenta laçadas farás na extremidade da cortina que está na segunda juntura: as laçadas estarão travadas uma com a outra.

6 Farás tambem cincoenta colchetes d’oiro, e ajuntarás com estes colchetes as cortinas, uma com a outra, e será um tabernaculo.

7 Farás [2] tambem cortinas de pellos de cabras por tenda sobre o tabernaculo: d’onze cortinas as farás.

8 O comprimento d’uma cortina será de trinta covados, e a largura da mesma cortina de quatro covados: estas onze cortinas serão d’uma medida.

9 E ajuntarás cinco d’estas cortinas por si, e as outras seis cortinas tambem por si: e dobrarás a sesta cortina diante da tenda.

10 E farás cincoenta laçadas na borda d’uma cortina, na extremidade, na juntura, e outras cincoenta laçadas na borda da outra cortina, na segunda juntura.

11 Farás tambem cincoenta colchetes de cobre, e metterás os colchetes nas[77] laçadas, e assim ajuntarás a tenda, para que seja uma.

12 E o resto que sobejar das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobejar, penderá de sobejo ás costas do tabernaculo.

13 E um covado d’uma banda, e outro covado da outra, que sobejará no comprimento das cortinas da tenda, penderá de sobejo aos lados do tabernaculo d’uma e d’outra banda, para cobril-o.

14 Farás [3] tambem á tenda uma coberta de pelles de carneiro, tintas de vermelho, e outra coberta de pelles de teixugo em cima.

As taboas do tabernaculo.

15 Farás tambem as taboas para o tabernaculo de madeira de sittim, que estarão levantadas.

16 O comprimento d’uma taboa será de dez covados, e a largura de cada taboa será d’um covado e meio.

17 Duas couceiras terá cada taboa, travadas uma com a outra: assim farás com todas as taboas do tabernaculo.

18 E farás as taboas para o tabernaculo assim: vinte taboas para a banda do meio dia ao sul.

19 Farás tambem quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo d’uma taboa para as suas duas couceiras, e duas bases debaixo d’outra taboa para as suas duas couceiras.

20 Tambem haverá vinte taboas ao outro lado do tabernaculo, para a banda do norte,

21 Com as suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo d’uma taboa, e duas bases debaixo d’outra taboa,

22 E ao lado do tabernaculo para o occidente farás seis taboas.

23 Farás tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo, d’ambos os lados;

24 E por baixo se ajuntarão, e tambem em cima d’elle se ajuntarão n’uma argola. Assim se fará com as duas taboas: ambas serão por taboas para os dois cantos.

25 Assim serão as oito taboas com as suas bases de prata, dezeseis bases: duas bases debaixo d’uma taboa, e duas bases debaixo d’outra taboa.

26 Farás tambem cinco barras de madeira de sittim, para as taboas d’um lado do tabernaculo,

27 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; como tambem cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo, d’ambas as bandas para o occidente.

28 E a barra do meio estará no meio das taboas, passando d’uma extremidade até á outra.

29 E cobrirás d’oiro as taboas, e farás d’oiro as suas argolas, para metter por ellas as barras: tambem as barras as cobrirás d’oiro.

30 Então levantarás o tabernaculo conforme [4] ao modelo que te foi mostrado no monte.

O véu do tabernaculo.

31 Depois farás um [5] véu de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido; com cherubins de obra prima se fará,

32 E o porás sobre quatro columnas de madeira de sittim, cobertas de oiro: seus colchetes serão de oiro, sobre quatro bases de prata.

33 Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e metterás a arca [6] do testemunho ali dentro do véu: e este véu vos fará separação [FF] entre o sanctuario e o logar sanctissimo.

34 E porás a coberta do propiciatorio [7] sobre a arca do testemunho no sanctissimo,

35 E a mesa porás [8] fóra do véu, e o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo, para o sul; mas a mesa porás á banda do norte.

36 Farás tambem para a porta da tenda [9] uma coberta de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador,

37 E farás para esta coberta [10] cinco columnas de madeira de sittim, e as cobrirás de oiro; seus colchetes serão de oiro, e far-lhe-has de fundição cinco bases de cobre.

[1] cap. 36.8.

[2] cap. 36.14.

[3] cap. 36.19.

[4] cap. 25.9. Act. 7.44. Heb. 8.5.

[5] cap. 36.35. Lev. 16.2. II Chr. 3.14. Mat. 27.51. Heb. 9.3.

[6] cap. 25.16. Lev. 16.2. Heb. 9.2, 3.

[7] cap. 25.21. Heb. 9.5.

[8] cap. 40.22. Heb. 9.2. cap. 40.24.

[9] cap. 36.37.

[10] cap. 36.38.

O altar dos holocaustos.

27 Farás tambem o altar [1] de madeira de sittim: cinco covados será o comprimento, e cinco covados a largura (será quadrado o altar), e tres covados a sua altura.

2 E farás os seus cornos aos seus quatro cantos: os seus cornos serão do mesmo, e o cobrirás [2] de cobre.

3 Far-lhe-has tambem as suas caldeirinhas, para recolher a sua cinza, e as suas pás, e as suas bacias, e os seus garfos, e os seus brazeiros: todos os seus vasos farás de cobre.

[78]

4 Far-lhe-has tambem um crivo de cobre era fórma de rede, e farás a esta rede quatro argolas de metal aos seus quatro cantos,

5 E as porás dentro do cerco do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar.

6 Farás tambem varaes para o altar, varaes de madeira de sittim, e os cobrirás de cobre.

7 E os varaes se metterão nas argolas, de maneira que os varaes estejam de ambos os lados do altar, quando fôr levado.

8 Oco de taboas o farás; como se te mostrou [3] no monte, assim o farão.

O pateo do tabernaculo.

9 Farás tambem o [4] pateo do tabernaculo, ao lado do meio-dia para o sul: o pateo terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem covados.

10 Tambem as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre: os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

11 Assim tambem ao lado do norte as cortinas na longura serão de cem covados de comprimento: e as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

12 E na largura do pateo ao lado do occidente haverá cortinas de cincoenta covados: as suas columnas dez, e as suas bases dez.

13 Similhantemente a largura do pateo ao lado oriental para o levante será de cincoenta covados.

14 De maneira que haja quinze covados das cortinas de um lado: suas columnas tres, e as suas bases tres.

15 E quinze covados das cortinas ao outro lado: as suas columnas tres, e as suas bases tres.

16 E á porta do pateo haverá uma coberta de vinte covados, de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador: as suas columnas quatro, e as suas bases quatro.

17 Todas as columnas do pateo ao redor serão cingidas de faixas de prata, mas as suas bases de cobre.

18 O comprimento do pateo será de cem covados, e a largura de cada banda de cincoenta, e a altura de cinco covados, de linho fino torcido: mas as suas bases serão de cobre.

19 No tocante a todos os vasos do tabernaculo em todo o seu serviço, até todos os seus pregos, e todos os pregos do pateo, serão de cobre.

O azeite puro.

20 Tu pois ordenarás [5] aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido para o candieiro; para fazer arder as lampadas continuamente.

21 Na tenda da congregação [6] fóra do véu, que está diante do testemunho, Aarão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até á manhã, perante o Senhor: um estatuto perpetuo [7] será este pelas suas gerações, aos filhos de Israel.

[1] cap. 38.1. Exo. 43.13.

[2] Num. 16.38.

[3] cap. 25.40 e 26.30.

[4] cap. 38.9.

[5] Lev. 24.2.

[6] cap. 26.31, 33 e 30.8. I Sam. 3.3. II Chr. 13.11.

[7] cap. 28.43 e 29.9, 28. Lev. 3.17. Num. 18.23. I Sam. 30.25.

Deus escolhe Aarão e seus filhos para sacerdotes.

28 Depois tu farás chegar a ti teu irmão Aarão, e seus filhos com elle, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o officio sacerdotal: a saber, [1] Aarão, Nadab e Abihu, Eleazar e Ithamar, os filhos de Aarão.

2 E [2] farás vestidos sanctos a Aarão teu irmão, para gloria e ornamento.

3 Fallarás [3] tambem a todos os que são sabios de coração, a quem eu tenho enchido do espirito da sabedoria, que façam vestidos a Aarão para sanctifical-o; para que me administre o officio sacerdotal.

As vestes sacerdotaes.

4 Estes pois são os vestidos que farão: [4] um peitoral, e um ephod, e um manto, e uma tunica bordada, uma mitra, e um cinto: farão pois sanctos vestidos a Aarão teu irmão, e a seus filhos, para me administrarem o officio sacerdotal.

5 E tomarão o oiro, e o azul, e a purpura, e o carmezim, e o linho fino,

6 E farão [5] o ephod de oiro, e de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, de obra esmerada.

7 Terá duas hombreiras, que se unam ás suas duas pontas, e assim se unirá.

8 E o cinto de obra esmerada do seu ephod, que estará sobre elle, será da sua mesma obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 E tomarás duas pedras sardonicas, e lavrarás n’ellas os nomes dos filhos de Israel,

10 Seis dos seus nomes n’uma pedra, e os outros seis nomes na outra pedra, segundo as suas gerações;

[79]

11 Conforme á obra do lapidario, como [FG] o lavor de sêllos lavrarás estas duas pedras, com os nomes dos filhos de Israel: engastadas ao redor em oiro as farás.

12 E porás as duas pedras nas hombreiras do ephod, por pedras de memoria para os filhos de Israel: [6] e Aarão levará os seus nomes sobre ambos os seus hombros, para memoria diante do Senhor.

13 Farás tambem engastes de oiro,

14 E duas cadeiasinhas de oiro puro: de egual medida, de obra de fieira as farás: e as cadeiasinhas de fieira porás nos engastes.

15 Farás tambem o peitoral [7] do juizo de obra esmerada, conforme á obra do ephod o farás: de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido o farás.

16 Quadrado e dobrado, será de um palmo o seu comprimento, e de um palmo a sua largura;

17 E o encherás de pedras de engaste, [8] com quatro ordens de pedras: a ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo: esta será a primeira ordem:

18 E a segunda ordem será de uma esmeralda, de uma saphira, e de um diamante:

19 E a terceira ordem será de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

20 E a quarta ordem será de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe; engastadas em oiro serão nos seus engastes.

21 E serão aquellas pedras segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes: serão esculpidas como sêllos, cada uma com o seu nome, para as doze tribus.

22 Tambem farás ao peitoral cadeiasinhas de egual medida da obra de trança de oiro puro.

23 Tambem farás ao peitoral dois anneis de oiro, e porás os dois anneis nas extremidades do peitoral.

24 Então metterás as duas cadeiasinhas de fieira d’oiro nos dois anneis, nas extremidades do peitoral:

25 E as duas pontas das duas cadeiasinhas de fieira metterás nos dois engastes, e as porás nas hombreiras do ephod, defronte d’elle.

26 Farás tambem dois anneis d’oiro, e os porás nas duas extremidades do peitoral, na sua borda que estiver junto ao ephod por dentro.

27 Farás tambem dois anneis d’oiro, que porás nas duas hombreiras do ephod, abaixo, defronte d’elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d’obra esmerada do ephod.

28 E ligarão o peitoral com os seus anneis aos anneis do ephod por cima com um cordão d’azul, para que esteja sobre o cinto d’obra esmerada do ephod; e nunca se separará o peitoral do ephod.

29 Assim Aarão levará os nomes dos filhos d’Israel no peitoral do juizo sobre o seu coração, quando entrar no sanctuario, para memoria [9] diante do Senhor continuamente.

Urim e Thummim.

30 Tambem porás no peitoral [10] do juizo [FH] Urim e Thummim, para que estejam sobre o coração de Aarão, quando entrar diante do Senhor: assim Aarão levará o juizo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente.

31 Tambem farás [11] o manto do ephod, todo azul.

32 E o collar da cabeça estará no meio d’elle: este collar terá uma borda d’obra tecida ao redor: como collar de saia de malha será n’elle, para que se não rompa.

33 E nas suas bordas farás romãs d’azul, e de purpura, e de carmezim, ao redor das suas bordas; e campainhas d’oiro no meio d’ellas ao redor.

34 Uma campainha d’oiro, e uma romã, outra campainha d’oiro, e outra romã, haverá nas bordas do manto ao redor,

35 E estará sobre Aarão quando ministrar, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no sanctuario diante do Senhor, e quando sair, para que não morra.

A lamina de oiro puro.

36 Tambem farás [12] uma lamina d’oiro puro, e n’ella gravarás á maneira de gravuras de sellos: [FI] Sanctidade ao Senhor.

37 E atal-a-has com um cordão d’azul, de maneira que esteja na mitra; sobre a frente da mitra estará.

38 E estará sobre a testa de Aarão, para que Aarão [13] leve a iniquidade das coisas sanctas, que os filhos d’Israel sanctificarem em todas as offertas de[80] suas coisas sanctas; e estará continuamente na sua testa, [14] para que tenham acceitação perante o Senhor.

39 Tambem farás tunica de linho fino: tambem farás uma mitra de linho fino: mas o cinto farás d’obra de bordador.

40 Tambem farás tunicas aos filhos [15] de Aarão, e far-lhes-has cintos: tambem lhes farás tiaras, para gloria e ornamento.

41 E vestirás com elles a Aarão teu irmão, e tambem seus filhos: e os ungirás e consagrarás, [16] e os sanctificarás, para que me administrem o sacerdocio.

42 Faze-lhes [17] tambem calções de linho, para cobrirem a carne nua: serão dos lombos até ás pernas.

43 E estarão sobre Aarão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no sanctuario, para que não levem iniquidade, e morram; [18] isto será estatuto perpetuo para elle e para a sua semente depois d’elle.

[1] Num. 18.7. Heb. 5.1, 4.

[2] cap. 29.5, 29 e 31.10. Lev. 8.7, 30. Num. 20.26.

[3] cap. 31.6 e 36.1 e 31.3 e 35.30, 31.

[4] ver. 6, 15, 31, 39.

[5] cap. 39.2.

[6] ver. 29. cap. 39.7. Jos. 4.7.

[7] cap. 39.8.

[8] cap. 39.10, etc.

[9] ver. 12.

[10] Lev. 8.8. Num. 27.21. Deu. 33.8. I Sam. 28.6. Esd. 2.63. Neh. 7.65.

[11] cap. 39.22.

[12] cap. 39.30. Zac. 14.20.

[13] ver. 43. Lev. 10.17. Num. 18.1. Isa. 53.11. Eze. 4.4, 5. João 1.29. Heb. 9.28. I Ped. 2.24.

[14] Lev. 1.4 e 22.27 e 23.11. Isa. 56.7.

[15] ver. 4. cap. 39.27, 28, 29, 41. Eze. 44.17, 18.

[16] cap. 29.7 e 30.30. cap. 29.9, etc. Lev. 8.

[17] cap. 39.28. Lev. 6.10 e 16.4. Eze. 44.18.

[18] Lev. 5.1, 17 e 20.19, 20 e 22.9. Num. 9.13 e 18.22. cap. 27.21.

O sacrificio e as ceremonias da consagração.

29 Isto é o que lhes has de fazer, para os sanctificar, para que me administrem o sacerdocio: Toma um [1] novilho, e dois carneiros sem macula,

2 E pão asmo, [2] e bolos asmos, amassados com azeite, e coscorões asmos, untados com azeite: com flor de farinha de trigo os farás,

3 E os porás n’um cesto, e os trarás no cesto, com o novilho e os dois carneiros.

4 Então farás chegar a Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação, e os lavarás [3] com agua;

5 Depois tomarás [4] os vestidos, e vestirás a Aarão da tunica e do manto do ephod, e do ephod mesmo, e do peitoral: e o cingirás com o cinto de obra de artifice do ephod.

6 E a [5] mitra porás sobre a sua cabeça: a corôa da sanctidade porás sobre a mitra;

7 E tomarás o azeite da [6] uncção, e o derramarás sobre a sua cabeça: assim o ungirás.

8 Depois farás [7] chegar seus filhos, e lhes farás vestir tunicas,

9 E os cingirás com o cinto, a Aarão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras, para que tenham [8] o sacerdocio por estatuto perpetuo, e sagrarás a Aarão e a seus filhos;

10 E farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, [9] e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho;

11 E degolarás o novilho perante o Senhor, á porta da tenda da congregação.

12 Depois tomarás do sangue [10] do novilho, e o porás com o teu dedo sobre os cornos do altar, e todo o de mais sangue derramarás á base do altar.

13 Tambem tomarás toda [11] a gordura que cobre as entranhas, e o redenho de sobre o figado, e ambos os rins, e a gordura que houver n’elles, e queimal-os-has sobre o altar;

14 Mas a carne [12] do novilho, e a sua pelle, e o seu esterco queimarás com fogo fóra do arraial: sacrificio por peccado é.

15 Depois tomarás [13] um carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro,

16 E degolarás o carneiro, e tomarás o seu sangue, e o espalharás sobre o altar ao redor;

17 E partirás o carneiro por suas partes, e lavarás as suas entranhas e as suas pernas, e as porás sobre as suas partes e sobre a sua cabeça,

18 Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar: é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; [14] uma offerta queimada ao Senhor.

19 Depois tomarás o outro [15] carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro;

20 E degolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Aarão, e sobre a ponta das orelhas direitas de seus filhos, como tambem sobre o dedo pollegar das suas mãos direitas, e sobre o dedo pollegar dos seus pés direitos: e o resto do sangue espalharás sobre o altar ao redor:

21 Então tomarás do sangue, que estará sobre o altar, e do azeite [16] da uncção, e o espargirás sobre Aarão e sobre os seus vestidos, e sobre seus filhos, e sobre os vestidos de seus filhos com elle; para que elle seja sanctificado, e os seus vestidos, tambem[81] seus filhos, e os vestidos de seus filhos com elle.

22 Depois tomarás do carneiro a gordura, e a cauda, e a gordura que cobre as entranhas, e o redenho do figado, e ambos os rins com a gordura que houver n’elles, e o hombro direito, porque é carneiro das consagrações;

23 E uma fogaça [17] de pão, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão do cesto dos pães asmos que estiverem diante do Senhor,

24 E tudo porás nas mãos de Aarão, e nas mãos de seus filhos: e com movimento o moverás [18] perante o Senhor.

25 Depois o [19] tomarás das suas mãos, e o queimarás no altar sobre o holocausto por cheiro suave perante o Senhor; offerta queimada ao Senhor é.

26 E tomarás [20] o peito do carneiro das consagrações, que é de Aarão, e com movimento o moverás perante o Senhor: e isto será [21] a tua porção.

27 E sanctificarás o peito do movimento e o hombro da offerta alçada, que foi [22] movido e alçado do carneiro das consagrações, que fôr d’Aarão e de seus filhos,

28 E será para Aarão e para seus filhos por estatuto [23] perpetuo dos filhos d’Israel, porque é offerta alçada: e a offerta alçada será dos filhos d’Israel dos seus sacrificios pacificos; a sua offerta alçada será para o Senhor.

29 E os vestidos sanctos, que são d’Aarão, serão de [24] seus filhos depois d’elle, para serem ungidos n’elles e para sagral-os n’elles.

30 Sete dias os vestirá aquelle que de seus filhos [25] fôr sacerdote em seu logar, quando entrar na tenda da congregação para ministrar no sanctuario.

31 E tomarás o carneiro das consagrações, e cozerás [26] a sua carne no logar sancto;

32 E Aarão e seus filhos comerão a carne d’este carneiro, e o pão [27] que está no cesto á porta da tenda da congregação,

33 E comerão as coisas com que fôr feita [FJ] expiação, para [28] consagral-os, e para sanctifical-os: mas um estranho as não [29] comerá, porque sanctas são.

34 E se sobejar alguma coisa da carne das consagrações ou do pão até á manhã, o que sobejar queimarás [30] com fogo: não se comerá, porque sancto é.

35 Assim pois farás a Aarão e a seus filhos, conforme a tudo o que eu te tenho ordenado: [31] por sete dias os sagrarás.

36 Tambem cada [32] dia prepararás um novilho por sacrificio pelo peccado para as expiações, e expiarás o altar, fazendo expiação sobre elle; e o ungirás para sanctifical-o.

37 Sete dias farás expiação pelo altar, e o sanctificarás: [33] e o altar será sanctissimo; tudo o que tocar o altar será sancto.

38 Isto pois é o que offerecereis sobre o altar: dois [34] cordeiros d’um anno cada dia continuamente.

39 Um cordeiro [35] offerecerás pela manhã, e o outro cordeiro offerecerás de tarde.

40 Com um cordeiro a decima parte de flor de farinha, misturada com a quarta parte d’um hin d’azeite moido, e para libação a quarta parte d’um hin de vinho,

41 E o outro cordeiro offerecerás á tarde, e [36] com elle farás como com a offerta da manhã, e conforme á sua libação, por cheiro suave; offerta queimada é ao Senhor.

42 Este será o holocausto [37] continuo por vossas gerações, á porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, [38] para fallar comtigo ali.

43 E ali virei aos filhos d’Israel, [FK] para que por minha gloria [39] sejam sanctificados,

44 E sanctificarei a tenda da congregação e o altar; tambem sanctificarei a [40] Aarão e seus filhos, para que me administrem o sacerdocio.

45 E habitarei [41] no meio dos filhos d’Israel, e lhes serei por Deus,

46 E saberão que eu sou [42] o Senhor seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egypto, para habitar no meio d’elles: Eu sou o Senhor seu Deus.

[1] Lev. 8.2.

[2] Lev. 2.4 e 6.20, 21, 22.

[3] cap. 40.12. Lev. 8.6. Heb. 10.22.

[4] cap. 28.2. Lev. 8.7. cap. 28.8.

[5] Lev. 8.9.

[6] cap. 28.41. Num. 35.25.

[7] Lev. 8.13.

[8] Num. 18.7. cap. 28.41. Lev. 8.22, etc. Heb. 7.28.

[9] Lev. 1.4 e 8.14.

[10] Lev. 8.15. cap. 27.2 e 30.2.

[11] Lev. 3.3.

[12] Lev. 4.11, 12, 21. Heb. 13.11.

[13] Lev. 8.18 e 1.4-9.

[14] Gen. 8.21.

[15] ver. 3. Lev. 8.22.

[16] cap. 30.25, 31. Lev. 8.30. ver. 1. Heb. 9.22.

[17] Lev. 8.26.

[18] Lev. 7.30.

[19] Lev. 8.28.

[20] Lev. 8.29.

[21] Psa. 99.6.

[22] Lev. 7.31, 34. Num. 18.11, 18. Deu. 18.3.

[23] Lev. 10.15 e 7.34.

[24] Num. 20.26 e 18.8.

[25] Num. 20.28. Lev. 8.35 e 9.1, 8.

[26] Lev. 8.31.

[27] Mat. 12.4.

[28] Lev. 10.14, 15, 17.

[29] Lev. 22.10.

[30] Lev. 8.32.

[31] Exo. 40.12. Lev. 8.33, 34, 35.

[32] Heb. 10.11. cap. 30.26.

[33] cap. 44.10 e 30.29. Mat. 23.19.

[34] Num. 28.3. I Chr. 16.40. II Chr. 2.4. Esd. 3.3. Dan. 9.27 e 12.11.

[35] II Reis 16.15. Eze. 46.13.

[36] I Reis 18.26, 36. II Reis 16.15. Esd. 9.4, 5. Dan. 9.21.

[37] ver. 38. Num. 28.6. Dan. 8.11, 12, 13.

[38] cap. 25.22 e 30.6, 36. Num. 17.4.

[39] cap. 40.34. I Reis 8.11. II Chr. 5.14. Eze. 43.5. Mal. 3.1.

[40] Lev. 21.15.

[41] Exo. 25.8. Lev. 26.12. Zac. 2.10. João 14.17, 23. II Cor. 6.16. Apo. 21.3.

[42] cap. 20.2.

O altar do incenso.

30 E farás [1] um altar para queimar o incenso: de madeira de sittim o farás.

[82]

2 O seu comprimento será d’um covado, e a sua largura d’um covado; será quadrado, e dois covados a sua altura: d’elle mesmo serão os seus cornos.

3 E com oiro puro o forrarás, o seu tecto, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos; e lhe farás uma corôa d’oiro ao redor.

4 Tambem lhe farás duas argolas d’oiro debaixo da sua corôa; aos dois lados as farás, d’ambas as bandas: e serão para logares dos varaes, com que será levado.

5 E os varaes farás de madeira de sittim, e os forrarás com oiro.

6 E o porás diante do véu que está diante da arca do testemunho, diante [2] do propiciatorio, que está sobre o testemunho, onde me ajuntarei comtigo.

7 E Aarão sobre elle queimará o incenso das especiarias; [3] cada manhã, quando põe em ordem as lampadas, o queimara.

8 E, accendendo Aarão as lampadas á tarde, o queimará: este será incenso continuo perante o Senhor pelas vossas gerações.

9 Não offerecereis sobre elle incenso estranho, [4] nem holocausto, nem offerta: nem tão pouco derramareis sobre elle libações.

10 E uma vez no anno Aarão [5] fará expiação sobre os seus cornos com o sangue do sacrificio das expiações: uma vez no anno fará expiação sobre elle pelas vossas gerações: sanctissimo é ao Senhor.

11 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

O resgate da alma.

12 Quando tomares a somma [6] dos filhos d’Israel, conforme á sua conta, cada um d’elles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre elles praga [7] alguma, quando os contares.

13 Isto dará todo aquelle que passar ao arrolamento: [8] a metade d’um siclo, segundo o siclo do sanctuario (este siclo é de vinte obolos): a metade d’um siclo é a offerta ao Senhor.

14 Qualquer que passar o arrolamento de vinte annos e acima, dará a offerta alçada ao Senhor.

15 O rico [9] não augmentará, e o pobre não deminuirá da metade do siclo, quando derem a offerta alçada ao Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

16 E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos d’Israel, e o darás ao [10] serviço da tenda da congregação; e será para memoria aos filhos d’Israel diante do Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

A pia de cobre.

17 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

18 Farás tambem uma pia [11] de cobre com a sua base de cobre, para lavar: e as porás entre a tenda da congregação e o altar; e deitarás agua n’ella.

19 E Aarão e seus filhos n’ella lavarão [12] as suas mãos e os seus pés.

20 Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-hão com agua, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para accender a offerta queimada ao Senhor.

21 Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram: e isto lhes será por estatuto perpetuo [13] a elle e á sua semente nas suas gerações.

O azeite da sancta uncção.

22 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

23 Tu pois toma para ti das principaes especiarias, [14] da mais pura myrrha quinhentos siclos, e de canella aromatica a metade, a saber, duzentos e cincoenta siclos, e de calamo aromatico duzentos e cincoenta siclos,

24 E de cassia [15] quinhentos siclos, segundo o siclo do sanctuario, e d’azeite de oliveiras um hin.

25 E d’isto farás o azeite [16] da sancta uncção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da sancta uncção.

26 E com elle ungirás [17] a tenda da congregação, e a arca do testemunho,

27 E a mesa com todos os seus vasos, e o castiçal com os seus vasos, e o altar do incenso,

28 E o altar do holocausto com todos os seus vasos, e a pia com a sua base.

29 Assim sanctificarás estas coisas, para que sejam sanctissimas: [18] tudo o que tocar n’ellas será sancto.

30 Tambem ungirás [19] a Aarão e seus[83] filhos, e os sanctificarás para me administrarem o sacerdocio.

31 E fallarás aos filhos d’Israel, dizendo: Este me será o azeite da sancta uncção nas vossas gerações.

32 Não se ungirá com elle a carne do homem, nem fareis outro similhante conforme á sua composição: sancto é, e será [20] sancto para vós.

33 O [21] homem que compozer tal perfume como este, ou que d’elle pozer sobre um estranho, será extirpado dos seus povos.

O incenso sancto.

34 Disse mais o Senhor a Moysés: Toma-te especiarias [22] aromaticas, estoraque, e onicha, e galbano; estas especiarias aromaticas e o incenso puro de egual peso;

35 E d’isto farás incenso, um perfume segundo a arte [23] do perfumista, temperado, puro e sancto;

36 E d’elle moendo o pizarás, e d’elle porás diante do testemunho, na [24] tenda da congregação, onde eu virei a ti: coisa sanctissima vos será.

37 Porém o incenso que farás conforme á composição d’este, [25] não o fareis para vós mesmos: sancto será para o Senhor.

38 O homem que fizer tal [26] como este para cheirar, será extirpado do seu povo.

[1] cap. 37.25. ver. 7, 8, 10. Lev. 4.7. Apo. 8.3.

[2] cap. 25.21, 22.

[3] ver. 34. I Sam. 2.28. I Chr. 23.13. Luc. 1.9. cap. 27.21.

[4] Lev. 10.1.

[5] Lev. 16.18 e 23.27.

[6] cap. 38.25. Num. 1.2. II Sam. 24.2. Num. 31.50. Job 33.24. Psa. 49.7. Mat. 20.28. Mar. 10.45. I Tim. 2.6. I Ped. 1.18.

[7] II Sam. 24.15.

[8] Mat. 17.24. Lev. 27.25. Num. 3.47. Eze. 45.12.

[9] Job 34.19. Pro. 22.2. Eph. 6.9. Col. 3.25.

[10] cap. 38.25. Num. 16.40.

[11] cap. 38.8. I Reis 7.38. cap. 40.7, 30.

[12] cap. 40.31. Psa. 26.6. Isa. 52.11. João 13.10. Heb. 10.22.

[13] cap. 28.43.

[14] Can. 4.14. Eze. 27.22. Pro. 7.17. Jer. 6.20.

[15] Psa. 45.8. cap. 29.40.

[16] cap. 37.29. Num. 35.25. Psa. 89.20 e 133.2.

[17] cap. 40.9. Lev. 8.10. Num. 7.1.

[18] cap. 29.37.

[19] cap. 29.7, etc. Lev. 8.12, 30.

[20] ver. 25, 37.

[21] Gen. 17.14. cap. 12.15. Lev. 7.20.

[22] cap. 25.6 e 37.29.

[23] ver. 25.

[24] cap. 29.42. Lev. 16.2. cap. 29.37. Lev. 2.3.

[25] ver. 32.

[26] ver. 33.

Os artifices da obra do tabernaculo.

31 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Eis que eu tenho chamado [1] por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho d’Ur, da tribu de Judah,

3 E o enchi do espirito [2] de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de sciencia, em todo o artificio,

4 Para inventar invenções, e obrar em oiro, em prata, e em cobre,

5 E em lavramento de pedras para engastar, e em artificio de madeira, para obrar em todo o lavor.

6 E eis que eu tenho posto com elle a [3] Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquelle que é sabio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado;

7 A saber, a tenda da [4] congregação, e a arca do testemunho, e o [5] propiciatorio que estará sobre ella, e todos os vasos da tenda;

8 E a mesa [6] com os seus vasos, e o castiçal puro com todos os seus vasos, e o altar do incenso;

9 E o altar do holocausto [7] com todos os seus vasos, e a pia com a sua base;

10 E os vestidos [8] do ministerio, e os vestidos sanctos de Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio;

11 E o azeite da uncção, [9] e o incenso aromatico para o sanctuario: farão conforme a tudo que te tenho mandado.

O sabbado sancto e as duas taboas do testemunho.

12 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

13 Tu pois falla aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis [10] meus sabbados: porquanto isso é um signal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibaes que eu sou o Senhor, que vos sanctifica.

14 Portanto guardareis [11] o sabbado, porque sancto é para vós: aquelle que o profanar certamente morrerá; porque [12] qualquer que n’elle fizer alguma obra, aquella alma será extirpada do meio do seu povo.

15 Seis dias se fará [13] obra, porém o setimo dia é o sabbado do descanço, sancto ao Senhor; qualquer que no dia do sabbado fizer obra, certamente morrerá.

16 Guardarão pois o sabbado os filhos de Israel, celebrando o sabbado nas suas gerações por concerto perpetuo.

17 Entre mim e os filhos de Israel será um signal [14] para sempre: porque em seis dias fez o Senhor [15] os céus e a terra, e ao setimo dia descançou, e restaurou-se.

18 E deu a Moysés (quando acabou de fallar com elle no monte de Sinai) as duas taboas [16] do testemunho, taboas de pedra, escriptas pelo dedo de Deus.

[1] cap. 35.30 e 36.1. I Chr. 2.20.

[2] cap. 35.31. I Reis 7.14.

[3] cap. 35.34 e 28.3 e 35.10, 25 e 36.1.

[4] cap. 36.8 e 37.1.

[5] cap. 37.6.

[6] cap. 37.10, 17.

[7] cap. 38.1, 8.

[8] cap. 39.1, 41. Num. 4.5, 6, etc.

[9] cap. 30.25, 31 e 37.29. cap. 30.34.

[10] Lev. 19.3, 30 e 26.2. Eze. 20.12, 20 e 44.24.

[11] cap. 20.8. Deu. 5.12. Eze. 20.12.

[12] cap. 35.2. Num. 15.35.

[13] cap. 20.9. Gen. 2.2. cap. 16.23 e 20.10.

[14] Eze. 20.12, 20.

[15] Gen. 1.31 e 2.2.

[16] cap. 24.12 e 32.15, 16. Deu. 4.13 e 5.22. II Cor. 3.3.

O bezerro de oiro.

32 Mas vendo o povo que Moysés [1] tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disseram-lhe; Levanta-te, [2] faze-nos [FL] deuses, que vão adiante de nós: porque emquanto[84] a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe succedeu.

2 E Aarão lhes disse: Arrancae os pendentes de oiro, [3] que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazeim’os.

3 Então todo o povo arrancou [4] os pendentes de oiro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Aarão,

4 E elle os tomou das suas mãos, e formou o oiro com um buril, e fez d’elle um bezerro de fundição. Então disseram: [FM] Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

5 E Aarão, vendo isto, edificou um altar diante d’elle: e Aarão apregoou, e disse: [5] Ámanhã será festa ao Senhor.

6 E no dia seguinte madrugaram, e offereceram holocaustos, e trouxeram offertas pacificas; e o povo [6] assentou-se a comer e a beber; depois levantaram-se a folgar.

7 Então disse [7] o Senhor a Moysés: Vae, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egypto, se tem [8] corrompido,

8 E depressa se tem desviado do caminho que eu lhes tinha [9] ordenado: fizeram para si um bezerro de fundição, e perante elle se inclinaram, e sacrificaram-lhe, e disseram: Estes são os teus deuses, [10] ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

9 Disse mais o Senhor a Moysés: Tenho visto [11] a este povo, e eis que é povo [FN] obstinado.

10 Agora pois deixa-me [12] que o meu furor se accenda contra elles, e os consuma: e eu te farei uma grande nação.

11 Porém Moysés supplicou ao Senhor seu Deus, e disse: O Senhor, porque se accende o teu [13] furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egypto com grande força e com forte mão?

12 Porque hão de fallar [14] os egypcios, dizendo: Para mal os tirou, para matal-os nos montes, e para destruil-os da face da terra? Torna-te da ira do teu furor, e arrepende-te [15] d’este mal contra o teu povo.

13 Lembra-te de Abrahão, de Isaac, e de Israel, os teus servos, aos quaes por ti mesmo tens jurado, [16] e lhes disseste: Multiplicarei a vossa semente como as estrellas dos céus, e darei á vossa semente toda esta terra, de que tenho dito, para que a possuam por herança eternamente.

14 Então o Senhor [17] arrependeu-se do mal que dissera, que havia de fazer ao seu povo.

15 E tornou-se Moysés, [18] e desceu do monte com as duas taboas do testemunho na sua mão, taboas escriptas de ambas as bandas; de uma e de outra banda escriptas estavam,

16 E aquellas taboas [19] eram obra de Deus; tambem a escriptura era a mesma escriptura de Deus, esculpida nas taboas.

17 E, ouvindo Josué a voz do povo que jubilava, disse a Moysés: Alarido de guerra ha no arraial.

18 Porém elle disse: Não é alarido dos victoriosos, nem alarido dos vencidos, mas o alarido dos que cantam eu ouço.

Moysés quebra as taboas do testemunho.

19 E aconteceu que, chegando elle ao arraial, e vendo [20] o bezerro e as danças, accendeu-se o furor de Moysés, e arremessou as taboas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte;

20 E tomou [21] o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as aguas, e deu-o a beber aos filhos de Israel.

21 E Moysés disse a Aarão: Que te tem feito este povo, [22] que sobre elle trouxeste tamanho peccado?

22 Então disse Aarão: Não se accenda a ira do meu senhor: tu sabes [23] que este povo é inclinado ao mal;

23 E elles me disseram: [24] Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque não sabemos que succedeu a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto.

24 Então eu lhes disse: Quem tem oiro, arranque-o: e deram-m’o, e lancei-o no fogo, [25] e saiu este bezerro.

Moysés manda matar os idolatras.

25 E vendo Moysés que o povo estava despido, porque Aarão o havia despido para vergonha [26] entre os seus inimigos,

[85]

26 Poz-se em pé Moysés na porta do arraial, e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então se ajuntaram a elle todos os filhos de Levi.

27 E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa: e passae e tornae pelo arraial de porta em porta, e mate [27] cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu proximo.

28 E os filhos de Levi fizeram conforme á palavra de Moysés: e cairam do povo aquelle dia uns tres mil homens.

29 Porquanto Moysés tinha [28] dito: Consagrae hoje as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho, e contra o seu irmão: e isto para elle vos dar hoje benção.

Moysés intercede pelo povo.

30 E aconteceu que no dia seguinte Moysés disse ao povo: Vós peccastes [29] grande peccado: agora porém subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso peccado.

31 Assim tornou-se Moysés [30] ao Senhor, e disse: Ora, este povo peccou peccado grande, [31] fazendo para si deuses d’oiro.

32 Agora pois perdoa o seu peccado, senão risca-me, peço-te, [32] do teu Livro, que tens escripto.

33 Então disse o Senhor a Moysés: Aquelle que peccar contra mim, a este riscarei eu do meu [33] livro.

34 Vae pois agora, conduze este povo para onde te tenho dito: eis que o meu [34] anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei n’elles o seu peccado.

35 Assim feriu o Senhor o povo, porquanto fizeram [35] o bezerro que Aarão tinha feito.

[1] cap. 24.18. Deu. 9.9.

[2] Act. 7.40. cap. 13.21.

[3] Jui. 8.24, 25, 26, 27.

[4] Deu. 9.16. Jui. 17.3. I Reis 12.23. Neh. 9.18. Isa. 46.6. Act. 7.41. Rom. 1.23.

[5] Lev. 23.2, 4, 21, 37. II Reis 10.20. II Chr. 30.5.

[6] I Cor. 16.7.

[7] cap. 33.1. Deu. 9.12. Dan. 9.24.

[8] Gen. 6.11. Deu. 4.16. Jui. 2.19. Ose. 9.9.

[9] cap. 20.3. Deu. 9.16.

[10] I Reis 12.28.

[11] cap. 33.3. Deu. 9.6. II Chr. 30.8. Isa. 48.4. Act. 7.51.

[12] Deu. 9.14. cap. 22.24. Num. 14.12.

[13] Deu. 9.18. Psa. 74.1, 2.

[14] Num. 14.13. Deu. 9.28 e 32.27.

[15] ver. 14.

[16] Gen. 22.16. Heb. 6.13.

[17] Deu. 32.26. II Sam. 24.16. I Chr. 21.15. Psa. 106.45. Jer. 18.8. Joel 2.13. Jon. 4.2.

[18] Deu. 9.15.

[19] cap. 31.18.

[20] Deu. 9.16, 17.

[21] Deu. 9.21.

[22] Gen. 20.9 e 26.10.

[23] cap. 14.11 e 15.24 e 16.2, 20, 28 e 17.2, 4.

[24] ver. 1.

[25] ver. 4.

[26] cap. 33.4, 5. II Chr. 28.19.

[27] Num. 25.5. Deu. 33.9.

[28] Num. 25.11, 12, 13. Deu. 13.6, 11. I Sam. 15.18, 22. Zac. 13.3. Mat. 10.37.

[29] I Sam. 12.20. Luc. 15.18. Amós 5.15. Num. 25.13.

[30] Deu. 9.18.

[31] cap. 20.23.

[32] Rom. 9.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Apo. 3.5.

[33] Lev. 23.30. Eze. 18.4.

[34] cap. 33.2, 14, etc. Num. 20.16. Deu. 32.35. Rom. 2.5, 6.

[35] II Sam. 12.9. Act. 7.41.

Deus não irá no meio do povo mas enviará um anjo.

33 Disse mais o Senhor a Moysés: Vae, sobe d’aqui, tu [1] e o povo que fizeste subir da terra do Egypto, á terra que jurei a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, dizendo: Á tua semente [2] a darei.

2 E enviarei um anjo [3] diante de ti, e lançarei fóra os cananeos, e os amorrheos, e os hetheos, e os phereseos, e os heveos, e os jebuseos,

3 A uma terra [4] que mana leite e mel: porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para [5] que te não consuma eu no caminho.

4 E, ouvindo o povo esta má palavra, entristeceram-se, [6] e nenhum d’elles poz sobre si os seus atavios.

5 Porquanto o Senhor tinha dito a Moysés: Dize aos filhos de Israel: [7] Povo obstinado és; se um momento subir no meio de ti, te consumirei: porém agora tira de ti os teus atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer.

6 Então os filhos d’Israel se despojaram dos seus atavios, ao pé do monte de Horeb.

7 E tomou Moysés a tenda, e a estendeu para si fóra do arraial, desviada longe do arraial, e chamou-a [8] a tenda da congregação: e aconteceu que todo aquelle que buscava o Senhor saiu á tenda da congregação, que estava fóra do arraial.

8 E aconteceu que, saindo Moysés á tenda, todo o povo se levantava, e cada um ficou em pé á porta da sua tenda: [9] e olhavam para Moysés pelas costas, até elle entrar na tenda.

9 E aconteceu que, entrando Moysés na tenda, descia a columna de nuvem, e punha-se á porta da tenda: e o Senhor fallava [10] com Moysés.

10 E, vendo todo o povo a columna de nuvem que estava á porta da tenda, todo o povo se levantou e inclinaram-se [11] cada um á porta da sua tenda.

11 E fallava o Senhor a Moysés cara a cara, como qualquer falla com o seu amigo: depois tornou-se ao arraial; mas o seu servidor [12] Josué, filho de Nun, mancebo, nunca se apartava do meio da tenda.

Moysés roga a Deus a Sua presença.

12 E Moysés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: [13] Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem has de enviar commigo: e tu disseste: Conheço-te [14] por teu nome, tambem achaste graça aos meus olhos.

13 Agora pois, se tenho achado graça[86] [15] aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-hei, para que ache graça aos teus olhos: [16] e attenta que esta nação é o teu povo.

14 Disse pois: Irá [17] a minha face comtigo para te fazer descançar.

15 Então disse-lhe: Se a tua [18] face não fôr comnosco, não nos faças subir d’aqui.

16 Como pois se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é n’isso que andas [19] tu comnosco? assim separados seremos, eu e o teu povo, de todo o povo que ha sobre a face da terra.

17 Então disse o Senhor a Moysés: Farei tambem isto, que tens [20] dito; porquanto achaste graça aos meus olhos; e te conheço por nome.

Moysés roga a Deus lhe mostre a sua gloria.

18 Então elle disse: Rogo-te que me mostres [21] a tua gloria.

19 Porém elle disse: Eu [22] farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericordia de quem tiver misericordia, e me compadecerei de [23] quem me compadecer.

20 E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá [24] a minha face, e viverá.

21 Disse mais o Senhor: Eis aqui um logar junto a mim; ali te porás sobre a [FO] penha.

22 E acontecerá que, quando a minha gloria passar, te porei n’uma fenda [25] da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.

23 E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas: [26] mas a minha face não se verá.

[1] cap. 32.7.

[2] Gen. 12.7. cap. 32.13.

[3] cap. 32.34. Deu. 7.22. Jos. 24.11.

[4] cap. 3.8.

[5] Deu. 9.6, 13. cap. 23.21 e 32.10. Num. 16.21, 45.

[6] Num. 14.1, 39. Lev. 10.6. II Sam. 19.24. I Reis 21.27. Esd. 9.3. Job 1.20. Isa. 32.11. Eze. 24.17.

[7] ver. 3. Num. 16.45, 46.

[8] cap. 29.42. Deu. 4.29. II Sam. 21.1.

[9] Num. 16.27.

[10] cap. 25.22 e 31.18. Psa. 99.7.

[11] cap. 4.31.

[12] Gen. 32.30. Num. 12.8. Deu. 34.10. cap. 24.13.

[13] cap. 32.24.

[14] Gen. 18.19. Jer. 1.5. João 10.14. II Tim. 2.19.

[15] cap. 34.9. Psa. 25.4.

[16] Deu. 9.26. Joel 2.17.

[17] cap. 13.21. Isa. 63.9. Deu. 3.20. Jos. 21.44.

[18] ver. 3. cap. 34.9.

[19] Num. 14.14. Deu. 4.7. II Sam. 7.23.

[20] Gen. 19.21. Thi. 5.16.

[21] ver. 20. I Tim. 6.16.

[22] cap. 34.5. Jer. 31.14.

[23] Rom. 9.15 e 4.4.

[24] Gen. 32.30. Deu. 5.24. Jui. 6.22. Isa. 6.5. Apo. 1.16, 17.

[25] Isa. 2.21. Psa. 91.1, 4.

[26] ver. 20. João 1.18.

As novas taboas dos dez mandamentos.

34 Então disse o Senhor a Moysés: [1] Lavra-te duas taboas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nas taboas as mesmas palavras que estavam nas primeiras taboas, que tu quebraste.

2 E apparelha-te para ámanhã, para que subas pela manhã ao monte de Sinai, e ali põe-te diante de mim no cume [2] do monte.

3 E ninguem suba [3] comtigo, e tambem ninguem appareça em todo o monte; nem ovelhas nem bois se apascentem defronte do monte.

4 Então elle lavrou duas taboas de pedra, como as primeiras; e levantou-se Moysés pela manhã de madrugada, e subiu ao monte de Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado: e tomou as duas taboas de pedra na sua mão.

5 E o Senhor desceu n’uma nuvem, e se poz ali junto a elle: e elle apregoou [4] o nome do Senhor.

6 Passando pois o Senhor perante a sua face, clamou: Jehovah o Senhor, [5] Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficencia e verdade;

7 Que guarda a beneficencia [6] em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o peccado; que o culpado não tem por innocente; [7] que visita a iniquidade dos paes sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até á terceira e quarta geração.

8 E Moysés apressou-se, e inclinou a cabeça á terra, encurvou-se,

9 E disse: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá [8] agora o Senhor no meio de nós: porque este é povo obstinado; porém perdoa a nossa iniquidade e o nosso peccado, e toma-nos [9] pela tua herança.

Deus faz um pacto.

10 Então disse: Eis que eu faço um concerto; farei diante de todo o [10] teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem entre gente alguma: de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, [11] veja a obra do Senhor; porque coisa terrivel é o que faço comtigo.

11 Guarda o [12] que eu te ordeno hoje: eis que eu lançarei fóra diante de ti os amorrheos, e os cananeos, e os hetheos, e os pereseos, e os heveos e os jebuseos.

12 Guarda-te [13] que não faças concerto com os moradores da terra aonde has[87] de entrar; para que não seja por laço no meio de ti.

13 Mas os seus altares [14] transtornareis, e as suas estatuas quebrareis, e os seus bosques cortareis.

14 Porque te não inclinarás [15] diante d’outro deus: pois o nome do Senhor é Zeloso: Deus zeloso é elle:

15 Para que não faças concerto com os moradores da terra, [16] e não forniquem após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado d’elles, comas dos seus sacrificios,

16 E tomes mulheres das suas [17] filhas para os teus filhos, e suas filhas, fornicando após os seus deuses, façam que tambem teus filhos [18] forniquem após os seus deuses.

17 Não te farás deuses de fundição.

18 A festa dos pães [19] asmos guardarás; sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado do mez de Abib: porque no mez d’Abib sais-te do Egypto.

19 Tudo [20] o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, abrindo a madre de vaccas e d’ovelhas;

20 O burro porém, [21] que abrir a madre, resgatarás com [FP] cordeiro: mas, se o não resgatares, cortar-lhe-has a cabeça: todo o primogenito de teus filhos resgatarás. E ninguem [22] apparecerá vazio diante de mim.

21 Seis dias obrarás, [23] mas ao setimo dia descançarás: na aradura e na sega descançarás.

22 Tambem guardarás [24] a festa das semanas, que é a festa das primicias da sega do trigo, e a festa da colheita á volta do anno.

23 Tres vezes no anno todo o macho entre ti apparecerá [25] perante o Senhor, Jehovah, Deus d’Israel;

24 Porque eu lançarei fóra as nações de diante de [26] ti, e alargarei o teu termo: ninguem cubiçará a tua terra, quando subires para apparecer tres vezes no anno diante do Senhor teu Deus.

25 Não sacrificarás [27] o sangue do meu sacrificio com pão levedado, nem o sacrificio da festa da paschoa ficará da noite para a manhã.

26 As primicias [28] dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não cozerás [29] o cabrito no leite de sua mãe.

27 Disse mais o Senhor a Moysés: Escreve-te [30] estas palavras: porque conforme ao teor d’estas palavras tenho feito concerto comtigo e com Israel.

28 E esteve ali [31] com o Senhor quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão, nem bebeu agua, [32] e escreveu nas taboas as palavras do concerto, [FQ] os dez mandamentos.

O rosto de Moysés resplandece.

29 E aconteceu que, descendo Moysés do monte Sinai (e Moysés trazia as duas taboas [33] do testemunho em sua mão, quando desceu do monte), Moysés não sabia que a pelle do [34] seu rosto resplandecia, depois que fallara com elle.

30 Olhando pois Aarão e todos os filhos d’Israel para Moysés, eis que a pelle do seu rosto resplandecia; pelo que temeram de chegar-se a elle.

31 Então Moysés os chamou, e Aarão e todos os principes da congregação tornaram-se a elle: e Moysés lhes fallou.

32 Depois chegaram tambem todos os filhos d’Israel: e elle lhes ordenou tudo [35] o que o Senhor fallára com elle no monte Sinai.

33 Assim acabou Moysés de fallar com elles, e tinha [36] posto um véu sobre o seu rosto.

34 Porém, entrando [37] Moysés perante o Senhor, para fallar com elle, tirava o véu até que sahia: e, saido, fallava com os filhos de Israel o que lhe era ordenado.

35 Assim pois viam os filhos d’Israel o rosto de Moysés, que resplandecia a pelle do rosto de Moysés: e tornou Moysés a pôr o véu sobre o seu rosto, até que entrava para fallar com elle.

[1] cap. 32.16, 19. Deu. 10.1.

[2] cap. 19.20 e 24.12.

[3] cap. 19.12.

[4] cap. 33.19. Num. 14.17.

[5] Num. 14.18. II Chr. 30.9. Neh. 9.17. Psa. 86.15. Joel 2.13. Rom. 2.4.

[6] cap. 20.6. Deu. 5.10. Jer. 32.18. Dan. 9.4. Psa. 103.3. Eph. 4.32. I João 1.9.

[7] Jos. 24.19. Job 10.14. Miq. 6.11. Nah. 1.3.

[8] cap. 33.3, 15, 16.

[9] Psa. 28.9. Jer. 10.16. Zac. 2.12.

[10] Deu. 5.2 e 29.12, 14. II Sam. 7.23. Psa. 77.14.

[11] Deu. 10.21. Psa. 145.6. Isa. 64.3.

[12] Deu. 5.32. cap. 33.2.

[13] cap. 23.32. Deu. 7.2. Jui. 2.2.

[14] cap. 23.24. Deu. 12.3. Jui. 2.2. II Reis 18.4 e 23.14. II Chr. 31.1.

[15] cap. 20.3, 5. Isa. 9.6.

[16] Deu. 31.16. Jui. 2.17. Jer. 3.9. Eze. 6.9. Num. 25.2. Psa. 106.28. I Cor. 8.4, 7, 10.

[17] Deu. 7.3. I Reis 11.2. Esd. 9.2. Neh. 13.25. Num. 25.1. I Reis 11.4.

[18] Lev. 19.4.

[19] cap. 12.15 e 13.4 e 23.15.

[20] cap. 22.29. Eze. 44.30. Luc. 2.23.

[21] cap. 13.13. Num. 18.15.

[22] cap. 23.15. Deu. 16.16. I Sam. 9.7.

[23] cap. 20.9. Deu. 5.12. Luc. 13.14.

[24] cap. 23.16. Deu. 16.10.

[25] Deu. 16.16.

[26] cap. 33.2. Lev. 18.24. Deu. 7.1. Psa. 78.55. II Chr. 17.10. Pro. 16.7. Act. 18.10.

[27] cap. 23.18 e 12.10.

[28] cap. 23.19. Deu. 26.2, 10.

[29] Deu. 14.21.

[30] ver. 10. Deu. 4.13 e 31.9.

[31] cap. 24.18. Deu. 9.9, 18.

[32] ver. 1. cap. 31.18 e 32.16.

[33] cap. 32.15.

[34] Mat. 17.2. II Cor. 3.7, 13.

[35] cap. 24.3.

[36] II Cor. 3.13.

[37] II Cor. 3.16.

O sabbado e as offertas para o tabernaculo.

35 Então fez Moysés ajuntar toda a congregação dos filhos d’Israel, e disse-lhes: Estas [1] são as palavras que o Senhor ordenou que se fizessem.

2 Seis dias [2] se trabalhará, mas o setimo dia vos será sancto, o sabbado do repouso ao Senhor: todo aquelle que fizer obra n’elle morrerá.

[88]

3 Não accendereis [3] fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sabbado.

4 Fallou mais Moysés a toda a congregação dos filhos d’Israel, dizendo: [4] Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:

5 Tomae, do que vós tendes, uma offerta para o Senhor: [5] cada um, cujo coração é voluntariamente disposto, a trará por offerta alçada ao Senhor; oiro, e prata, e cobre,

6 Como tambem azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras.

7 E pelles de carneiros, tintas de vermelho, e pelles de teixugos, madeira de sittim,

8 E azeite para a luminaria, e especiarias para o [6] azeite da uncção, e para o incenso aromatico,

9 E pedras sardonicas, e pedras d’engaste, para o ephod e para o peitoral.

10 E todos os sabios de coração entre vós [7] virão, e farão tudo o que o Senhor tem mandado:

11 O tabernaculo, [8] a sua tenda, e a sua coberta, os seus colchetes, e as suas taboas, as suas barras, as suas columnas, e as suas bases,

12 A arca [9] e os seus varaes, o propiciatorio e o véu da coberta,

13 A mesa, [10] e os seus varaes, e todos os seus vasos; e os pães da proposição,

14 E o castiçal [11] da luminaria, e os seus vasos, e as suas lampadas, e o azeite para a luminaria,

15 E o altar do incenso [12] e os seus varaes, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta á entrada do tabernaculo,

16 O altar do [13] holocausto, e o crivo de cobre que terá seus varaes, e todos os seus vasos, a pia e a sua base,

17 As cortinas do pateo, [14] as suas columnas e as suas bases, e a coberta da porta do pateo,

18 As estacas do tabernaculo, e as estacas do pateo, e as suas cordas,

19 Os vestidos [15] do ministerio para ministrar no sanctuario, os vestidos sanctos d’Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

A promptidão do povo em trazer offertas.

20 Então toda a congregação dos filhos d’Israel saiu de diante de Moysés,

21 E veiu todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquelle cujo espirito voluntariamente o excitou, e trouxeram a [16] offerta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para os vestidos sanctos.

22 Assim que vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração: trouxeram fivelas, e pendentes, e anneis, e braceletes, todo o vaso d’oiro; e todo o homem offerecia offerta d’oiro ao Senhor;

23 E todo o homem que se achou com [17] azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras, e pelles de carneiro tintas de vermelho, e pelles de teixugos, os trazia;

24 Todo aquelle que offerecia offerta alçada de prata ou de metal, a trazia por offerta alçada ao Senhor; e todo aquelle que se achava com madeira de sittim, a trazia para toda a obra do serviço.

25 E todas as mulheres [18] sabias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado, o azul e a purpura, o carmezim e o linho fino.

26 E todas as mulheres, cujo coração as moveu em sabedoria, fiavam os pellos das cabras.

27 E os principes [19] traziam pedras sardonicas, e pedras d’engastes para o ephod e para o peitoral,

28 E especiarias, [20] e azeite para a luminaria, e para o azeite da uncção, e para o incenso aromatico.

29 Todo o homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma [21] coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moysés, aquillo trouxeram os filhos de Israel por offerta voluntaria ao Senhor.

Deus chama Bezaleel e Aholiab.

30 Depois disse Moysés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor [22] tem chamado por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho de Ur, da tribu de Judah.

31 E o espirito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e sciencia em todo o artificio,

32 E para inventar invenções, para trabalhar em oiro, e em prata, e em cobre,

33 E em artificio de pedras para engastar, e em artificio de madeira para obrar em toda a obra esmerada.

34 Tambem lhe tem dado no seu coração para ensinar a outros: a elle e a [23] Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan.

[89]

35 Encheu-os de [24] sabedoria do coração, para fazer toda a obra de mestre, e a mais engenhosa, e do bordador, em azul, e em purpura, em carmezim, e em linho fino, e do tecelão: fazendo toda a obra, e inventando invenções.

[1] cap. 34.32.

[2] cap. 20.9. Lev. 23.3. Num. 15.32. Deu. 5.12. Luc. 13.14.

[3] cap. 16.23.

[4] cap. 25.1, 2.

[5] cap. 25.2.

[6] cap. 25.6.

[7] cap. 31.6.

[8] cap. 26.1, 2, etc.

[9] cap. 25.10, etc.

[10] cap. 25.23, 30. Lev. 24.5, 6.

[11] cap. 25.31, etc.

[12] cap. 30.1, 23, 34.

[13] cap. 27.1.

[14] cap. 27.9.

[15] cap. 31.10 e 39.1, 41. Num. 4.5, 6, etc.

[16] ver. 5. cap. 25.2 e 36.2. I Chr. 28.2, 9. Esd. 7.27. II Cor. 8.12 e 9.7.

[17] I Chr. 29.8.

[18] cap. 28.3 e 31.6 e 36.1. II Reis 23.7. Pro. 31.19.

[19] I Chr. 29.6. Esd. 2.68.

[20] cap. 30.23.

[21] ver. 21. I Chr. 29.9.

[22] cap. 31.2, etc.

[23] cap. 31.6.

[24] ver. 31. cap. 31.3. I Reis 7.14. Isa. 28.26.

36 Assim obraram Bezaleel e Aholiab, e todo o homem [1] sabio de coração, a quem o Senhor déra sabedoria e intelligencia, para saber como haviam de fazer toda a obra para o serviço do [2] sanctuario, conforme a tudo o que o Senhor tinha ordenado.

Moysés entrega aos obreiros as offertas do povo.

2 Porque Moysés chamara a Bezaleel e a Aholiab, e a todo o homem sabio de coração, em cujo coração Deus tinha dado sabedoria: a todo aquelle [3] a quem o seu coração movera que se chegasse á obra para fazel-a.

3 Tomaram pois de diante de Moysés toda a offerta alçada, que trouxeram os filhos de Israel para a obra [4] do serviço do sanctuario, para fazel-a, e ainda elles lhe traziam cada manhã offerta voluntaria.

4 E vieram todos os sabios, que faziam toda a obra do sanctuario, cada um da obra que elles faziam,

5 E fallaram a Moysés, dizendo: O povo [5] traz muito mais do que basta para o serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse.

6 Então mandou Moysés que fizessem passar uma voz pelo arraial, dizendo: Nenhum homem nem mulher faça mais obra alguma para a offerta alçada do sanctuario. Assim o povo foi prohibido de trazer mais,

7 Porque tinham materia bastante para toda a obra que havia de fazer-se, e ainda sobejava.

8 Assim todo o sabio [6] de coração, entre os que faziam a obra, fez o tabernaculo de dez cortinas, de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, com cherubins; da obra mais esmerada as fez.

9 O comprimento de uma cortina era de vinte e oito covados, e a largura de outra cortina de quatro covados: todas as cortinas tinham uma mesma medida.

10 E elle ligou cinco cortinas uma com a outra; e outras cinco cortinas ligou uma com outra.

11 Depois fez laçadas de azul na borda de uma cortina, á extremidade, na juntura: assim tambem fez na borda, á extremidade da juntura da segunda cortina.

12 Cincoenta laçadas fez [7] n’uma cortina, e cincoenta laçadas fez n’uma extremidade da cortina, que se ligava com a segunda: estas laçadas travavam uma com a outra.

13 Tambem fez cincoenta colchetes de oiro, e com estes colchetes uniu as cortinas uma com a outra; e foi feito assim um tabernaculo.

14 Fez tambem cortinas [8] de pellos de cabras para a tenda sobre o tabernaculo: de onze cortinas as fez.

15 O comprimento de uma cortina era de trinta covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: estas onze cortinas tinham uma mesma medida.

16 E elle uniu cinco cortinas á parte, e seis cortinas á parte,

17 E fez cincoenta laçadas na borda da ultima cortina, na juntura: tambem fez cincoenta laçadas na borda da cortina, na outra juntura.

18 Fez tambem cincoenta colchetes de metal, para ajuntar a tenda, para que fosse uma.

A coberta de pelles e as taboas.

19 Fez tambem [9] para a tenda uma coberta de pelles de carneiros, tintas de vermelho; e por cima uma coberta de pelles de teixugos.

20 Tambem fez [10] taboas levantadas para o tabernaculo, de madeira de sittim.

21 O comprimento de uma taboa era de dez covados, e a largura de cada taboa era de um covado e meio.

22 Cada taboa tinha duas coiceiras, pregadas uma com a outra: assim fez com todas as taboas do tabernaculo.

23 Assim pois fez as taboas para o tabernaculo: vinte taboas para a banda do sul ao meio dia:

24 E fez quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo de uma taboa ás suas duas coiceiras, e duas bases de baixo d’outra taboa ás suas duas coiceiras.

25 Tambem fez vinte taboas ao outro lado do tabernaculo da banda do norte,

26 Com as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma taboa, e duas bases debaixo de outra taboa.

27 E ao lado do tabernaculo para o occidente fez seis taboas.

28 Fez tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo aos dois lados,

29 As quaes estavam juntas debaixo,[90] e tambem se ajuntavam por cima com uma argola: assim fez com ellas ambas nos dois cantos.

30 Assim eram oito taboas com as suas bases de prata, a saber, dezeseis bases: duas bases debaixo de cada taboa.

31 Fez tambem barras [11] de madeira de sittim: cinco para as taboas d’um lado do tabernaculo,

32 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; e outras cinco barras para as taboas do tabernaculo d’ambas as bandas do occidente.

33 E fez que a barra do meio passasse pelo meio das taboas d’uma extremidade até á outra.

34 E cobriu as taboas d’oiro, e as suas argolas (os logares das barras) fez d’oiro: as barras tambem cobriu d’oiro.

Os véus e as columnas.

35 Depois fez o véu [12] d’azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; d’obra esmerada o fez com cherubins.

36 E fez-lhe quatro columnas de madeira de sittim, e as cobriu d’oiro: e seus colchetes fez d’oiro, e fundiu-lhe quatro bases de prata.

37 Fez tambem [13] para a porta da tenda o véu d’azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, da obra do bordador,

38 Com as suas cinco columnas e os seus colchetes; e as suas cabeças e as suas molduras cobriu d’oiro: e as suas cinco bases eram de cobre.

[1] cap. 28.3, 35.10, 35.

[2] cap. 25.8.

[3] cap. 35.21, 26. I Chr. 29.5.

[4] cap. 35.27.

[5] II Cor. 8.2.

[6] cap. 26.1.

[7] cap. 26.5.

[8] cap. 26.7.

[9] cap. 26.14.

[10] cap. 26.15.

[11] cap. 26.26.

[12] cap. 26.31.

[13] cap. 26.36.

A arca.

37 Fez tambem Bezaleel [1] a arca de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados e meio; e a sua largura d’um covado e meio; e a sua altura d’um covado e meio.

2 E cobriu-a d’oiro puro por dentro e por fóra; e fez-lhe uma corôa d’oiro ao redor;

3 E fundiu-lhe quatro argolas d’oiro aos seus quatro cantos, n’um lado duas, e no outro lado duas argolas;

4 E fez varaes de madeira de sittim, e os cobriu d’oiro;

5 E metteu os varaes pelas argolas aos lados da arca, para levar a arca.

O propiciatorio.

6 Fez tambem [2] d’oiro puro o propiciatorio: o seu comprimento era de dois covados e meio, e a sua largura d’um covado e meio.

7 Fez tambem dois cherubins d’oiro; d’obra batida os fez, ás duas extremidades do propiciatorio;

8 Um cherubim a uma extremidade d’esta banda, e o outro cherubim á outra extremidade da outra banda: do mesmo propiciatorio fez sair os cherubins ás duas extremidades d’elles.

9 E os cherubins estendiam as azas por cima, cobrindo com as suas azas o propiciatorio: e os seus rostos estavam defronte um do outro: os rostos dos cherubins estavam virados para o propiciatorio.

A mesa.

10 Fez tambem [3] a mesa de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados, e a sua largura d’um covado, e a sua altura d’um covado e meio.

11 E cobriu-a d’oiro puro, e fez-lhe uma corôa d’oiro ao redor.

12 Fez-lhe tambem uma moldura da largura d’uma mão ao redor: e fez uma corôa d’oiro ao redor da sua moldura.

13 Fundiu-lhe tambem quatro argolas d’oiro; e poz as argolas aos quatro cantos que estavam aos seus quatro pés.

14 Defronte da moldura estavam as argolas para os logares dos varaes, para levar a mesa.

15 Fez tambem os varaes de madeira de sittim, e os cobriu d’oiro, para levar a mesa.

16 E fez os vasos que haviam de estar sobre a mesa, os seus pratos, e [4] as suas colheres, e as suas escudelas, e as suas [FR] cobertas, com que se haviam de cobrir, d’oiro puro.

O castiçal.

17 Fez tambem [5] o castiçal de oiro puro: d’obra batida fez este castiçal: o seu pé, e as suas canas, os seus copos, as suas maçãs, e as suas flôres do mesmo.

18 Seis canas sahiam dos seus lados: tres canas do castiçal, de um lado d’elle, e tres canas do castiçal, d’outro lado.

19 N’uma cana estavam tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flôr: e n’outra cana tres copos a modo d’amendoas, uma maçã e uma flôr: assim para as seis canas que sahiam do castiçal.

20 Mas no mesmo castiçal havia quatro copos a modo d’amendoas com as suas maçãs e com as suas flôres.

21 E era uma maçã debaixo de duas canas do mesmo; e outra maçã debaixo de duas canas do mesmo; e mais uma[91] maçã debaixo de duas canas do mesmo: assim se fez para as seis canas, que sahiam d’elle.

22 As suas maçãs e as suas canas eram do mesmo: tudo era uma obra batida de oiro puro.

23 E fez-lhe sete lampadas: os seus [FS] espivitadores e os seus [FT] apagadores eram d’oiro puro.

24 D’um talento d’oiro puro o fez, e todos os seus vasos.

25 E fez o altar [6] do incenso de madeira de sittim: d’um covado era o seu comprimento, e de um covado a sua largura, quadrado; e de dois covados a sua altura: d’elle mesmo eram feitos os seus cornos.

26 E cobriu-o de oiro puro, a sua coberta, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos: e fez-lhe uma corôa de oiro ao redor.

27 Fez-lhe tambem duas argolas de oiro debaixo da sua corôa, e os seus dois cantos, d’ambos os seus lados, para os logares dos varaes, para leval-o com elles.

28 E os varaes fez de madeira de sittim, e os cobriu de oiro.

29 Tambem fez [7] o azeite sancto da uncção, e o incenso aromatico, puro, de obra do perfumista.

[1] cap. 25.10.

[2] cap. 25.17.

[3] cap. 25.23.

[4] cap. 25.29.

[5] cap. 25.31.

[6] cap. 30.1.

[7] cap. 30.23, 34.

O altar do holocausto.

38 Fez tambem [1] o altar do holocausto de madeira de sittim: de cinco covados era o seu comprimento, e de cinco covados a sua largura, quadrado; e de tres covados a sua altura.

2 E fez-lhe os seus cornos aos seus quatro cantos; do mesmo eram os seus cornos; e cobriu-o de cobre.

3 Fez tambem todos os vasos do altar: os caldeirões, e as pás, e as bacias, e os garfos, e os brazeiros: todos os seus vasos fez de cobre.

4 Fez tambem ao altar um crivo de cobre, de obra de rede, no seu cerco debaixo, até ao meio d’elle.

5 E fundiu quatro argolas ás quatro extremidades do crivo de cobre, para os logares dos varaes.

6 E fez os varaes de madeira de sittim, e os cobriu de cobre.

7 E metteu os varaes pelas argolas aos lados do altar, para leval-o com elles: fel-o oco de taboas.

8 Fez tambem a [2] pia de cobre com a sua base de cobre, dos espelhos das mulheres que se ajuntavam, ajuntando-se á porta da tenda da congregação.

O pateo.

9 Fez tambem o [3] pateo da banda do meio dia ao sul: as cortinas do pateo eram de linho fino torcido, de cem covados.

10 As suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre: os colchetes d’estas columnas e as suas molduras eram de prata;

11 E da banda do norte cortinas de cem covados; as suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre, os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

12 E da banda do occidente cortinas de cincoenta covados, as suas columnas dez, e as suas bases dez: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

13 E da banda oriental, ao oriente, cortinas de cincoenta covados.

14 As cortinas d’esta banda da porta eram de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

15 E da outra banda da porta do pateo de ambos os lados eram cortinas de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

16 Todas as cortinas do pateo ao redor eram de linho fino torcido.

17 E as bases das columnas eram de cobre: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata; e a coberta das suas cabeças de prata; e todas as columnas do pateo eram cingidas de prata.

18 E a coberta da porta do pateo era de obra de bordador, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; e o comprimento era de vinte covados, e a altura, na largura, de cinco covados, defronte das cortinas do pateo.

19 E as suas quatro columnas e as suas quatro bases eram de cobre, os seus colchetes de prata, e a coberta das suas cabeças, e as suas molduras, de prata.

20 E todas as [4] estacas do tabernaculo e do pateo ao redor eram de cobre.

A numeração das coisas do tabernaculo.

21 Esta é a numeração das coisas contadas [5] do tabernaculo do testemunho, que por ordem de Moysés foram contadas para o ministerio dos levitas por mão [6] de Ithamar, filho de Aarão o sacerdote.

22 Fez pois Bezaleel, [7] o filho de Uri,[92] filho de Hur, da tribu de Judah, tudo quanto o Senhor tinha ordenado a Moysés.

23 E com elle Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, um mestre de obra, e engenhoso artifice, e bordador em azul, e em purpura e em carmezim e em linho fino.

24 Todo o oiro gasto na obra, em toda a obra do sanctuario, a saber, o oiro da offerta, foi vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos, [8] conforme ao siclo do Sanctuario;

25 E a prata dos arrolados da congregação foi cem talentos e mil e setecentos e setenta e cinco siclos, conforme ao siclo do sanctuario;

26 Um beca por cada cabeça, isto é, meio siclo, [9] conforme ao siclo do sanctuario: de qualquer que passava aos arrolados, da edade de vinte annos e acima, que foram seiscentos e tres mil e quinhentos e cincoenta.

27 E houve cem talentos de prata para fundir as bases do sanctuario e as bases do véu: para cem bases eram cem talentos; um talento para cada base.

28 Mas dos mil e setecentos e setenta siclos fez os colchetes das columnas, e cobriu as suas cabeças, e as cingiu de molduras.

29 E o cobre da offerta foi setenta talentos e dois mil e quatrocentos siclos.

30 E d’elle fez as bases da porta da tenda da congregação e o altar de cobre, e o crivo de cobre e todos os vasos do altar,

31 E as bases do pateo ao redor, e as bases da porta do pateo, e todas as estacas do tabernaculo e todas as estacas do pateo ao redor.

[1] cap. 27.1.

[2] cap. 30.18.

[3] cap. 27.9.

[4] cap. 27.19.

[5] Num. 1.50, 53 e 9.15 e 10.11 e 17.7, 8 e 18.2. II Chr. 24.6. Act. 7.44.

[6] Num. 4.28, 33.

[7] cap. 31.2, 6.

[8] cap. 30.13, 24. Lev. 5.15 e 27.3, 25. Num. 3.47 e 18.16.

[9] cap. 26.19, 21, 25, 32.

As vestes dos Sacerdotes.

39 Fizeram tambem [1] os vestidos do ministerio, para ministrar no sanctuario de azul, e de purpura e de carmezim: tambem fizeram [2] os vestidos sanctos, para Aarão, [3] como o Senhor ordenara a Moysés.

2 Assim fez o ephod [4] de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim e de linho fino torcido.

3 E estenderam as laminas de oiro, e as cortaram em fios, para entretecer entre o azul, e entre a purpura, e entre o carmezim, e entre o linho fino da obra mais esmerada.

4 Fizeram n’elle hombreiras que se ajuntassem: ás suas duas pontas se ajuntava.

5 E o cinto [FU] de artificio do ephod, que estava sobre elle, era conforme á sua obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, como o Senhor ordenara a Moysés.

6 Tambem prepararam as [5] pedras sardonicas, engastadas em oiro, lavradas com gravuras de sêllo, com os nomes dos filhos de Israel,

7 E as poz sobre as hombreiras do ephod por pedras [6] de memoria para os filhos de Israel, como o Senhor ordenara a Moysés.

8 Fez tambem [7] o peitoral de obra de artifice, como a obra do ephod, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 Quadrado era; dobrado fizeram o peitoral: o seu comprimento era de um palmo, e a sua largura de um palmo dobrado.

10 E engastaram n’elle [8] quatro ordens de pedras: uma ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo; esta é a primeira ordem:

11 E a segunda ordem de uma esmeralda, de uma saphira e de um diamante:

12 E a terceira ordem de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

13 E a quarta ordem de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe, engastadas nos seus engastes de oiro.

14 Estas pedras pois eram segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; de gravura de sêllo, cada um com o seu nome, segundo as doze tribus.

15 Tambem fizeram para o peitoral cadeiasinhas de egual medida, obra de trança, de oiro puro.

16 E fizeram dois engastes de oiro e duas argolas de oiro; e pozeram as duas argolas nas duas extremidades do peitoral.

17 E pozeram as duas cadeiasinhas de trança de oiro nas duas argolas, nas duas extremidades do peitoral.

18 E as outras duas pontas das duas cadeiasinhas de trança pozeram nos dois engastes: e as pozeram sobre as hombreiras do ephod, defronte d’elle.

19 Fizeram tambem duas argolas de oiro, que pozeram nas outras duas extremidades do peitoral, na sua borda que estava junto ao ephod por dentro.

20 Fizeram mais [9] duas argolas de oiro, que pozeram nas duas hombreiras do ephod, debaixo, defronte d’elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d’artificio do ephod.

[93]

21 E ligaram o peitoral com as suas argolas ás argolas do ephod com um cordão de azul, para que estivesse sobre o cinto de artificio do ephod, e o peitoral não se apartasse do ephod, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 E fez o manto do ephod de obra torcida, todo de azul.

23 E [FV] o collar do [10] manto estava no meio d’elle, como collar de saia de malha: este collar tinha uma borda em volta, para que se não rompesse.

24 E nas bordas do manto fizeram romãs de azul, e de purpura, e de carmezim, a fio torcido.

25 Fizeram tambem as campainhas de oiro puro, [11] pondo as campainhas no meio das romãs nas bordas da capa, em roda, entre as romãs:

26 Uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã, nas bordas do manto á roda: para ministrar, como o Senhor ordenara a Moysés.

27 Fizeram tambem [12] as tunicas de linho fino, de obra tecida, para Aarão e para seus filhos,

28 E a mitra [13] de linho fino, e o ornato das tiaras de linho fino, e os calções de linho fino torcido,

29 E o cinto de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, de obra de bordador, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Fizeram tambem [14] a folha da [FW] corôa de sanctidade de oiro puro, e n’ella escreveram o escripto como de gravura de sêllo: [FX] Sanctidade ao Senhor.

31 E ataram-n’o com um cordão de azul, para a atar á mitra em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

32 Assim se acabou toda a obra do tabernaculo da tenda da congregação; e os filhos de Israel fizeram [15] conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés; assim o fizeram.

O tabernaculo é entregue a Moysés.

33 Depois trouxeram a Moysés o tabernaculo, a tenda e todos os seus vasos; os seus colchetes, as suas taboas, os seus varaes, e as suas columnas, e as suas bases;

34 E a coberta de pelles de carneiro tintas de vermelho, e a coberta de pelles de teixugos, e o véu da coberta;

35 A arca do testemunho, e os seus varaes, e o propiciatorio:

36 A mesa com todos os seus vasos, e os pães da proposição;

37 O castiçal puro com suas lampadas, as lampadas da ordenança, e todos os seus vasos, e o azeite para a luminaria;

38 Tambem o altar de oiro, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta da tenda;

39 O altar de cobre, e o seu crivo de cobre, os seus varaes, e todos os seus vasos, a pia, e a sua base;

40 As cortinas do pateo, as suas columnas, e as suas bases, e a coberta da porta do pateo, as suas cordas, e os seus pregos, e todos os vasos do serviço do tabernaculo, para a tenda da congregação;

41 Os vestidos do ministerio para ministrar no sanctuario; os sanctos vestidos de Aarão o sacerdote, e os vestidos dos seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

42 Conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés, assim fizeram [16] os filhos de Israel toda a obra.

43 Viu pois Moysés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor ordenara, assim a fizeram: então Moysés [17] os abençoou.

[1] cap. 35.23.

[2] cap. 31.10 e 35.19.

[3] cap. 28.4.

[4] cap. 28.6.

[5] cap. 28.9.

[6] cap. 28.12.

[7] cap. 28.15.

[8] cap. 28.17, etc.

[9] cap. 28.31.

[10] cap. 28.33.

[11] cap. 28.33.

[12] cap. 28.4, 39, 40, 42. Eze. 44.18.

[13] cap. 28.39.

[14] cap. 28.36, 37.

[15] ver. 42, 43. cap. 25.40.

[16] cap. 35.10.

[17] Lev. 9.22, 23. Num. 6.23. Jos. 22.6. II Sam. 6.18. I Reis 8.14. II Chr. 30.27.

Deus manda Moysés levantar o tabernaculo.

40 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 No primeiro mez, [1] no primeiro dia do mez, levantarás [2] o tabernaculo da tenda da congregação,

3 E porás [3] n’elle a arca do testemunho, e cobrirás a arca com o véu.

4 Depois metterás [4] n’elle a mesa, e porás em ordem o que se deve pôr em ordem n’ella; tambem metterás [5] n’elle o castiçal, e accenderás as suas lampadas.

5 E porás [6] o altar de oiro para o incenso diante da arca do testemunho: então pendurarás a coberta da porta do tabernaculo.

6 Porás tambem o altar do holocausto diante da porta do tabernaculo da tenda da congregação.

7 E porás a [7] pia entre a tenda da congregação e o altar, e n’ella porás agua.

8 Depois porás o pateo ao redor, e pendurarás a coberta á porta do pateo.

9 Então tomarás o azeite da [8] uncção, e ungirás o tabernaculo, e tudo o que[94] ha n’elle: e o sanctificarás com todos os seus vasos, e será sancto.

10 Ungirás tambem o altar do holocausto, e todos os seus vasos; e sanctificarás o altar; e o altar será uma coisa sanctissima.

11 Então ungirás a pia e a sua base, [9] e a sanctificarás.

12 Farás tambem chegar a [10] Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação; e os lavarás com agua.

13 E vestirás a Aarão os vestidos sanctos, [11] e o ungirás, e o sanctificarás, para que me administre o sacerdocio.

14 Tambem farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as tunicas,

15 E os ungirás como ungiste a seu pae, para que me administrem o sacerdocio, e a sua uncção lhes será por sacerdocio perpetuo nas suas gerações.

16 E fel-o Moysés: conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenou, assim o fez.

O tabernaculo é levantado.

17 E aconteceu no mez primeiro, no anno segundo, ao primeiro do mez, que o tabernaculo foi [12] levantado;

18 Porque Moysés levantou o tabernaculo, e poz as suas bases, e armou as suas taboas, e metteu n’elle os seus varaes, e levantou as suas columnas;

19 E estendeu a tenda sobre o tabernaculo, e poz a coberta da tenda sobre ella, em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

20 Tomou o testemunho, [13] e pôl-o na arca, e metteu os varaes á arca; e poz o propiciatorio sobre a arca, em cima.

21 E levou a arca no tabernaculo, [14] e pendurou o véu da cobertura, e cobriu a arca do testemunho, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 Poz tambem [15] a mesa na tenda da congregação, ao lado do tabernaculo para o norte, fóra do véu,

23 E sobre ella poz em ordem [16] o pão perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

24 Poz tambem na tenda da congregação [17] o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo para o sul,

25 [18] E accendeu as lampadas perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

26 E poz o altar d’oiro [19] na tenda da congregação, diante do véu,

27 E accendeu sobre [20] elle o incenso d’especiarias aromaticas, como o Senhor ordenara a Moysés.

28 Pendurou tambem [21] a coberta da porta do tabernaculo,

29 E poz o altar do [22] holocausto á porta do tabernaculo da tenda da congregação, e [23] offereceu sobre elle holocausto e offerta de manjares, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Poz tambem [24] a pia entre a tenda da congregação e o altar, e derramou agua n’ella, para lavar.

31 E Moysés, e Aarão e seus filhos lavaram n’ella as suas mãos e os seus pés.

32 Quando entravam na tenda da congregação, e quando chegavam ao altar, [25] lavavam-se, como o Senhor ordenara a Moysés.

33 Levantou tambem o [26] pateo ao redor do tabernaculo e do altar, e pendurou a coberta da porta do pateo. Assim Moysés acabou a obra.

A nuvem cobre o tabernaculo.

34 Então a nuvem [27] cobriu a tenda da congregação, e a gloria do Senhor encheu o tabernaculo;

35 De maneira que Moysés não [28] podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem ficava sobre elle, e a gloria do Senhor enchia o tabernaculo.

36 Quando pois a nuvem [29] se levantava de sobre o tabernaculo, então os filhos de Israel caminhavam em todas as suas jornadas.

37 Se a nuvem porém não se levantava, não [30] caminhavam, até ao dia em que ella se levantava;

38 Porquanto a [31] nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernaculo, e o fogo estava de noite sobre elle, perante os olhos de toda a casa d’Israel, em todas as suas jornadas.

[1] cap. 12.2 e 13.4.

[2] ver. 17. cap. 26.1, 30.

[3] ver. 21. cap. 26.33. Num. 4.5.

[4] ver. 22. cap. 26.35. ver. 23. cap. 25.30. Lev. 24.5, 6.

[5] ver. 24, 25.

[6] ver. 26.

[7] ver. 30. cap. 30.18.

[8] cap. 30.26.

[9] cap. 29.36, 37.

[10] Lev. 8.1, 13.

[11] cap. 28.41. Num. 25.13.

[12] ver. 1. Num. 7.1.

[13] cap. 25.16.

[14] cap. 26.33 e 35.12.

[15] cap. 26.35.

[16] ver. 4.

[17] cap. 26.35.

[18] ver. 4. cap. 25.37.

[19] ver. 5. cap. 30.6.

[20] cap. 30.7.

[21] ver. 5. cap. 26.36.

[22] ver. 6.

[23] cap. 29.38, etc.

[24] ver. 7. cap. 30.18.

[25] cap. 30.19, 20.

[26] ver. 8. cap. 27.9, 16.

[27] cap. 29.43. Lev. 16.2. Num. 9.15. II Reis 8.10, 11. II Chr. 5.13 e 7.2. Isa. 6.4. Agg. 2.7, 9. Apo. 15.8.

[28] II Chr. 5.14.

[29] Num. 9.17 e 10.11. Neh. 9.19.

[30] Num. 9.19, 22.

[31] cap. 13.21. Num. 9.15.

[95]


O TERCEIRO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

LEVITICO.

Os holocaustos.

Antes de Christo 1490

1 E chamou [1] o Senhor a Moysés, e fallou com elle da [2] tenda da congregação, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, e dize-lhes: [3] Quando algum de vós offerecer offerta ao Senhor, offerecereis as vossas offertas de gado, de vaccas e d’ovelhas.

3 Se a sua offerta fôr [FY] holocausto de gado, offerecerá macho [4] sem mancha: á porta da tenda da congregação a offerecerá, [FZ] de sua propria vontade, perante o Senhor.

4 E porá a [5] sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja acceito por elle, [6] para a sua expiação.

5 Depois degolará [7] o bezerro perante o Senhor; e os filhos de Aarão, os sacerdotes, offerecerão o sangue, [8] e espargirão o sangue á roda sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação.

6 Então esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços.

7 E os filhos d’Aarão, os sacerdotes, porão fogo [9] sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo.

8 Tambem os filhos d’Aarão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho sobre a lenha que está no fogo em cima do altar;

9 Porém a sua fressura e as suas pernas lavar-se-hão com agua; e o sacerdote tudo isto queimará sobre o altar: holocausto é, offerta queimada, [10] de cheiro suave ao Senhor.

10 E se a sua offerta fôr de gado miudo, d’ovelhas ou de cabras, para holocausto, offerecerá macho [11] sem mancha,

11 E o degolará ao lado do altar para a banda do norte [12] perante o Senhor; e os filhos de Aarão, os sacerdotes, espargirão o seu sangue á roda sobre o altar.

12 Depois o partirá nos seus pedaços, como tambem a sua cabeça e o seu redenho: e o sacerdote os porá em ordem sobre a lenha que está no fogo sobre o altar.

13 Porém a fressura e as pernas lavar-se-hão com agua; e o sacerdote tudo offerecerá, e o queimará sobre o altar; holocausto é, offerta queimada, de cheiro suave ao Senhor.

14 E se a sua offerta ao Senhor fôr holocausto d’aves, offerecerá a sua offerta de rolas [13] ou de pombinhos;

15 E o sacerdote a offerecerá sobre o altar, e lhe torcerá o pescoço com a sua unha, e a queimará sobre o altar; e o seu sangue será espremido na parede do altar;

16 E o seu papo com as suas pennas tirará e o lançará junto [14] ao altar, para a banda do oriente, no logar da cinza;

17 E fendel-a-ha com as suas azas, porém não a partirá; [15] e o sacerdote a queimará em cima do altar sobre a lenha que está no fogo: holocausto é, offerta [16] queimada de cheiro suave ao Senhor.

[1] Exo. 19.3.

[2] Exo. 40.34, 35. Num. 12.4, 5.

[3] cap. 22.18, 19.

[4] Exo. 12.5. cap. 3.1 e 22.20, 21. Deu. 15.21. Mal. 1.14. Eph. 5.27. Heb. 9.14. I Ped. 1.19.

[5] Exo. 29.10, 15, 19. cap. 3.2, 8, 13 e 4.15 e 8.14, 22 e 16.21.

[6] cap. 22.21, 27. Isa. 56.7. Rom. 12.1. Phi. 4.18. cap. 4.20, 26, 31, 35 e 9.7 e 16.24. Num. 15.25. II Chr. 29.23, 24.

[7] Miq. 6.6. II Chr. 35.11. Heb. 10.11.

[8] cap. 3.8. Heb. 12.24. I Ped. 1.2.

[9] Gen. 22.2.

[10] Gen. 8.21. Eze. 20.28, 41. II Cor. 2.15. Eph. 5.2. Phi. 4.18.

[11] ver. 3.

[12] ver. 5.

[13] cap. 5.7 e 12.8. Luc. 2.24.

[14] cap. 6.10.

[15] Gen. 15.10.

[16] ver. 9, 13.

As offertas de manjares.

2 E quando alguma pessoa offerecer [1] offerta de manjares ao Senhor, a sua offerta será de flor de farinha, e n’ella deitará azeite, e porá o incenso sobre ella;

2 E a trará aos filhos de Aarão, os[96] sacerdotes, um dos quaes tomará d’ella um punhado da flor de farinha, e do seu azeite com todo o seu incenso: e o sacerdote queimará o seu memorial sobre o altar: [2] offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

3 E o que sobejar [3] da offerta de manjares, será de Aarão e de seus filhos: [4] coisa sanctissima é, de offertas queimadas ao Senhor.

4 E, quando offereceres offerta de manjares, cozida no forno, será de bolos asmos de flor de farinha, amassados com azeite, e coscorões asmos [5] untados com azeite.

5 E, se a tua offerta fôr offerta de manjares, cozida na caçoila, será da flor de farinha sem fermento, amassada com azeite.

6 Em pedaços a partirás, e sobre ella deitarás azeite; offerta é de manjares.

7 E, se a tua offerta fôr offerta de manjares da sertã, far-se-ha da flor de farinha com azeite.

8 Então trarás a offerta de manjares, que se fará d’aquillo, ao Senhor; e se apresentará ao sacerdote, o qual a levará ao altar.

9 E o sacerdote tomará d’aquella offerta de manjares o seu [6] memorial, e a queimará [7] sobre o altar: offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

10 E, o que sobejar da offerta de manjares, [8] será de Aarão e de seus filhos: coisa sanctissima é de offertas queimadas ao Senhor.

11 Nenhuma offerta de manjares, que offerecerdes ao Senhor, se fará com [9] fermento: porque de nenhum fermento, nem de mel algum, offerecereis offerta queimada ao Senhor.

12 D’elles [10] offerecereis ao Senhor por offerta das primicias; porém sobre o altar não subirão por cheiro suave.

13 E toda a offerta dos teus manjares salgarás [11] com sal; e não deixarás faltar á tua offerta de manjares o sal do concerto do teu Deus: em toda [12] a tua offerta offerecerás sal.

14 E, se offereceres ao Senhor offerta de manjares das primicias, offerecerás a offerta de manjares das tuas primicias de espigas verdes, [13] tostadas ao fogo; isto é, do grão trilhado de espigas verdes cheias.

15 E sobre ella deitarás azeite, [14] e porás sobre ella incenso; offerta é de manjares.

16 Assim o sacerdote queimará [15] o seu memorial do seu grão trilhado, e do seu azeite, com todo o seu incenso: offerta queimada é ao Senhor.

[1] cap. 6.14 e 9.17. Num. 15.4.

[2] ver. 9. cap. 5.12 e 6.15 e 24.7. Act. 10.4.

[3] cap. 7.9 e 10, 12, 13.

[4] Exo. 29.37. Num. 18.9.

[5] Exo. 29.2.

[6] ver. 2.

[7] Exo. 29.18.

[8] ver. 3.

[9] cap. 6.17. Mat. 16.12. Mar. 8.15. Luc. 12.1. I Cor. 5.8. Gal. 5.9.

[10] Exo. 23.29. cap. 23.10, 11.

[11] Mar. 9.49. Col. 4.6. Num. 18.19.

[12] Eze. 43.24.

[13] cap. 22.10, 14. II Reis 4.42.

[14] ver. 1.

[15] ver. 2.

Os sacrificios de paz ou das graças.

3 E se a sua offerta fôr [1] sacrificio [GA] pacifico: se a offerecer de gado macho ou femea, a offerecerá sem mancha [2] diante do Senhor.

2 E porá a sua mão sobre [3] a cabeça da sua offerta, e a degolará diante da porta da tenda da congregação: e os filhos de Aarão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o altar em roda.

3 Depois offerecerá do sacrificio pacifico a offerta queimada ao Senhor; a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que [4] está sobre a fressura.

4 Então ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins, tirará.

5 E os filhos de Aarão o [5] queimarão sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha que está no fogo: offerta queimada é de cheiro suave ao Senhor.

6 E, se a sua [6] offerta fôr de gado miudo por sacrificio pacifico ao Senhor, seja macho ou femea, sem mancha o offerecerá.

7 Se offerecer um cordeiro por sua offerta, offerecel-o-ha perante o Senhor;

8 E porá a sua mão sobre a cabeça da sua offerta, e a degolará diante da tenda da congregação; e os filhos de Aarão espargirão o seu sangue sobre o altar em redor.

9 Então do sacrificio pacifico offerecerá ao Senhor por offerta queimada a sua gordura, a cauda toda, a qual tirará do espinhaço, e a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura;

10 Como tambem tirará ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins.

11 E o sacerdote o queimará sobre o altar: manjar [7] é da offerta queimada ao Senhor.

[97]

12 Mas, se a sua offerta fôr uma cabra, perante o Senhor [8] a offerecerá,

13 E porá a sua mão sobre a sua cabeça, e a degolará diante da tenda da congregação; e os filhos de Aarão espargirão o seu sangue sobre o altar em redor.

14 Depois offerecerá d’ella a sua offerta, por offerta queimada ao Senhor, a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura;

15 Como tambem tirará ambos os rins, e a gordura que está sobre elles, e sobre as tripas, e o redenho que está sobre o figado com os rins.

16 E o sacerdote o queimará sobre o altar; manjar é da offerta queimada de cheiro suave. Toda [9] a gordura será do Senhor.

17 Estatuto perpetuo [10] é nas vossas gerações, em todas as vossas habitações: [11] nenhuma gordura nem sangue algum comereis.

[1] cap. 7.11, 29 e 22.21.

[2] cap. 1.3.

[3] Exo. 29.10. cap. 1.4, 5.

[4] Exo. 29.13, 22. cap. 4.8, 9.

[5] Exo. 29.13. cap. 6.12.

[6] ver. 1, etc.

[7] cap. 21.6, 8, 17, 21 e 22.25. Eze. 44.7. Mal. 1.7, etc.

[8] ver. 1, 7, etc.

[9] cap. 7.23, 25. I Sam. 2.15. II Chr. 7.7.

[10] cap. 23.14.

[11] ver. 16. Gen. 9.4. cap. 7.23, 26 e 17.10, 14. Deu. 12.16. I Sam. 14.33. Eze. 44.7, 15.

O sacrificio pelos erros dos sacerdotes.

4 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Quando uma [1] alma peccar por erro contra alguns dos mandamentos do Senhor, ácerca do que se não deve fazer, e obrar contra algum d’elles:

3 Se o sacerdote ungido [2] peccar para escandalo do povo, offerecerá pelo seu peccado, que peccou, um novilho sem mancha, ao Senhor, por expiação do peccado.

4 E trará o novilho á porta [3] da tenda da congregação, perante o Senhor, e porá a sua mão sobre a cabeça do novilho, e degolará o novilho perante o Senhor.

5 Então o sacerdote ungido tomará do [4] sangue do novilho, e o trará á tenda da congregação:

6 E o sacerdote molhará o seu dedo no sangue, e d’aquelle sangue espargirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu do sanctuario.

7 Tambem porá [5] o sacerdote d’aquelle sangue sobre os cornos do altar do incenso aromatico, perante o Senhor, que está na tenda da congregação: e todo o resto do sangue do novilho derramará á base do altar do holocausto, que está á porta da tenda da congregação.

8 E toda a gordura do novilho da expiação tirará d’elle: a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura,

9 E os dois rins, e a gordura que está sobre elles, que está sobre as tripas, e o redenho de sobre o figado, com os rins, o tirará,

10 Como se tira [6] do boi do sacrificio pacifico: e o sacerdote o queimará sobre o altar do holocausto.

11 Mas o coiro [7] do novilho, e toda a sua carne, com a sua cabeça e as suas pernas, e as suas entranhas, e o seu esterco,

12 Todo aquelle novilho levará fóra do arraial a um logar limpo, onde se lança [8] a cinza, e o queimará com fogo sobre a lenha: onde se lança a cinza se queimará.

O sacrificio pelos erros do povo.

13 Mas, se toda a congregação d’Israel errar, [9] e o negocio fôr occulto aos olhos da congregação, e se fizerem, contra um de todos os mandamentos do Senhor, aquillo que se não deve fazer, e forem culpados;

14 E o peccado em que peccarem fôr notorio, então a congregação offerecerá um novilho, por expiação do peccado, e o trará diante da tenda da congregação,

15 E os anciãos da congregação porão [10] as suas mãos sobre a cabeça do novilho perante o Senhor: e degolar-se-ha o novilho perante o Senhor.

16 Então o sacerdote [11] ungido trará do sangue do novilho á tenda da congregação,

17 E o sacerdote molhará o seu dedo n’aquelle sangue, e o espargirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu.

18 E d’aquelle sangue porá sobre os cornos do altar, que está perante a face do Senhor, na tenda da congregação: e todo o resto do sangue derramará á base do altar do holocausto, que está diante da porta da tenda da congregação.

19 E tirará d’elle toda a sua gordura, e queimal-a-ha sobre o altar;

20 E fará a este novilho, [12] como fez ao novilho da expiação; assim lhe fará, e o sacerdote por elles fará propiciação, e lhes será perdoado o peccado.

21 Depois levará o novilho fóra do arraial, e o queimará como queimou[98] o primeiro novilho: é expiação do peccado da congregação.

O sacrificio pelos erros d’um principe.

22 Quando um principe peccar, e por erro [13] obrar contra algum de todos os mandamentos do Senhor seu Deus, n’aquillo que se não deve fazer, e assim fôr culpado;

23 Ou se o seu [14] peccado, no qual peccou, lhe fôr notificado, então trará pela sua offerta um bode tirado das cabras, macho sem mancha,

24 E porá a sua mão [15] sobre a cabeça do bode, e o degolará no logar onde se degola o holocausto, perante a face do Senhor: expiação do peccado é.

25 Depois o sacerdote [16] com o seu dedo tomará do sangue da expiação, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: então o resto do seu sangue derramará á base do altar do holocausto.

26 Tambem queimará [17] sobre o altar toda a sua gordura como gordura do sacrificio pacifico: assim o sacerdote por elle fará expiação do seu peccado, e lhe será perdoado.

O sacrificio pelos erros de qualquer pessoa.

27 E, se qualquer outra pessoa do [18] povo da terra peccar por erro, fazendo contra algum dos mandamentos do Senhor, aquillo que se não deve fazer, e assim fôr culpada;

28 Ou se o seu [19] peccado, no qual peccou, lhe fôr notificado, então trará pela sua offerta uma cabra sem mancha, pelo seu peccado que peccou,

29 E porá a sua mão sobre [20] a cabeça da expiação do peccado, e degolará a expiação do peccado no logar do holocausto.

30 Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do seu sangue, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: e todo o resto do seu sangue derramará á base do altar;

31 E tirará toda a gordura, [21] como se tira a gordura do sacrificio pacifico; e o sacerdote a queimará sobre o altar por [22] cheiro suave ao Senhor: e o sacerdote fará propiciação por ella, e lhe será perdoado o peccado.

32 Mas, se pela sua offerta trouxer uma cordeira para expiação do peccado, [23] sem mancha trará,

33 E porá a sua mão sobre a cabeça da expiação do peccado, e a degolará por expiação do peccado, no logar onde se degola o holocausto.

34 Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do sangue da expiação do peccado, e o porá sobre os cornos do altar do holocausto: então todo o resto do seu sangue derramará na base do altar,

35 E tirará toda a sua gordura, como se tira a gordura do cordeiro do sacrificio pacifico; e o sacerdote a queimará [24] sobre o altar, em cima das offertas queimadas do Senhor: assim o sacerdote por ella fará expiação dos seus peccados que peccou, e lhe será perdoado o peccado.

[1] cap. 5.15, 17. Num. 15.22, etc.

[2] cap. 9.2.

[3] cap. 1.3, 4.

[4] cap. 16.14. Num. 19.4.

[5] cap. 8.15 e 9.9 e 16.18 e 5.9.

[6] cap. 3.3, 4, 5.

[7] Exo. 29.14. Num. 19.5.

[8] cap. 6.11. Heb. 13.11.

[9] Num. 15.24. Jos. 7.11. cap. 5.2, 3, 4, 17.

[10] cap. 1.4.

[11] ver. 5. Heb. 9.12, 13, 14.

[12] ver. 3. Num. 15.25. Rom. 5.11. Heb. 2.17 e 10.10, 11, 12. I João 1.7 e 2.2.

[13] ver. 2, 13.

[14] ver. 14.

[15] ver. 4, etc.

[16] ver. 30.

[17] ver. 20. cap. 3, 5. Num. 15.28.

[18] ver. 2. Num. 15.27.

[19] ver. 23.

[20] ver. 4, 24.

[21] cap. 3.3, 14.

[22] Exo. 29.18. cap. 1.9. ver. 26.

[23] ver. 28.

[24] cap. 3.5. ver. 26, 31.

O sacrificio pelos peccados occultos.

5 E quando alguma pessoa [1] peccar, ouvindo uma voz de blasphemia, de que fôr testemunha, seja que o viu, ou que o soube, se o não denunciar, [2] então levará a sua iniquidade.

2 Ou, quando alguma pessoa [3] tocar em alguma coisa immunda, seja corpo morto de besta fera immunda, seja corpo morto d’animal immundo, seja corpo morto de reptil immundo, ainda que lhe fosse occulto, contudo será elle immundo e culpado.

3 Ou, quando tocar [4] a immundicia d’um homem, seja qualquer que fôr a sua immundicia, com que se faça immundo, e lhe fôr occulto, e o souber depois, será culpado.

4 Ou, quando alguma pessoa jurar, pronunciando temerariamente com os seus beiços, [5] para fazer mal, ou para fazer bem, em tudo o que o homem pronuncia temerariamente com juramento, e lhe fôr occulto, e o souber depois, culpado será n’uma d’estas coisas.

5 Será pois que, culpado sendo n’uma d’estas coisas, confessará [6] aquillo em que peccou,

6 E a sua expiação trará ao Senhor, pelo seu peccado que peccou: uma femea de gado miudo, uma cordeira, ou uma cabrinha pelo peccado: assim o sacerdote por ella fará expiação do seu peccado.

7 Mas, se a sua mão não alcançar o que bastar para gado miudo, então trará, em sua expiação da culpa que commetteu, [7] ao Senhor duas rolas ou dois pombinhos; um para expiação do peccado, e o outro para holocausto;

[99]

8 E os trará ao sacerdote, o qual primeiro offerecerá aquelle que é para expiação do peccado; e com a sua unha lhe torcerá [8] a cabeça junto ao pescoço, mas não o partirá:

9 E do sangue da expiação do peccado espargirá sobre a parede do altar, porém [9] o que sobejar d’aquelle sangue espremer-se-ha á base do altar: expiação do peccado é.

10 E do outro fará holocausto [10] conforme ao costume: assim o sacerdote por ella fará expiação do seu peccado que peccou, e lhe será perdoado.

11 Porém, se a sua mão não alcançar duas rolas, ou dois pombinhos, então aquelle que peccou trará pela sua offerta a decima parte d’um epha de flor de farinha, para expiação do peccado: não deitará sobre ella [11] azeite, nem lhe porá em cima o incenso, porquanto é expiação do peccado:

12 E a trará ao sacerdote, e o sacerdote d’ella tomará o seu punho cheio pelo seu memorial, e a queimará sobre o altar, [12] em cima das offertas queimadas do Senhor: expiação de peccado é.

13 Assim o sacerdote por [13] ella fará expiação do seu peccado, que peccou em alguma d’estas coisas, e lhe será perdoado; e o resto será do sacerdote, como a offerta de manjares.

O sacrificio pelo sacrilegio.

14 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

15 Quando alguma pessoa commetter um trespasso, e peccar [14] por ignorancia nas coisas sagradas do Senhor, então trará ao Senhor pela expiação [15] um carneiro sem mancha do rebanho, conforme á tua estimação em siclos de prata, segundo o siclo do sanctuario, para expiação da culpa.

16 Assim restituirá o que peccar nas coisas sagradas, e ainda de mais accrescentará [16] o seu quinto, e o dará ao sacerdote: [17] assim o sacerdote com o carneiro da expiação fará expiação por ella, e ser-lhe-ha perdoado o peccado.

O sacrificio pelos peccados de ignorancia.

17 E, se alguma pessoa [18] peccar, e obrar contra algum de todos os mandamentos do Senhor o que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, comtudo será ella culpada, [19] e levará a sua iniquidade:

18 E trará ao sacerdote um carneiro sem [20] mancha do rebanho, conforme á tua estimação, para expiação da culpa, e o sacerdote [21] por ella fará expiação do seu erro em que errou sem saber; e lhe será perdoado.

19 Expiação de culpa é: [22] certamente se fez culpado ao Senhor.

[1] I Reis 8.31.

[2] ver. 17. cap. 7.18 e 17.16 e 19.8 e 20.17. Num. 9.13.

[3] cap. 11.24, 28, 31, 39. Num. 19.11, 13, 16. ver. 17.

[4] cap. 12 e 13 e 15.

[5] Act. 23.12. Mar. 6.23.

[6] cap. 26.40. Num. 5.7. Esd. 10.11, 12.

[7] cap. 1.14 e 12.8 e 14.21.

[8] cap. 1.15.

[9] cap. 4.7, 18, 30, 34.

[10] cap. 1.14 e 4.26.

[11] Num. 5.15.

[12] cap. 2.2 e 4.35.

[13] cap. 4.26 e 2.3.

[14] cap. 22.14.

[15] Esd. 10.19.

[16] cap. 6.5 e 22.14 e 27.13, 15, 27, 31. Num. 5.7.

[17] cap. 4.26.

[18] cap. 4.2.

[19] ver. 15. cap. 4.2, 13, 22, 27. Psa. 19.12. Luc. 12.48. ver. 1, 2.

[20] ver. 15.

[21] ver. 16.

[22] Esd. 10.2.

O sacrificio pelos peccados voluntarios.

6 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Quando alguma pessoa peccar, [1] e trespassar contra o Senhor, e negar ao seu proximo o que se lhe deu em guarda, ou o que depoz na sua mão, ou o roubo, ou [2] o que retem violentamente ao seu proximo,

3 Ou que achou [3] o perdido, e o negar com falso juramento, ou fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma peccar;

4 Será pois que, porquanto peccou e ficou culpado, restituirá o roubo que roubou, ou o retido que retem violentamente, ou o deposito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou,

5 Ou tudo aquillo [4] sobre que jurou falsamente; e o restituirá no seu cabedal, e ainda sobre isso accrescentará o quinto; áquelle de quem é o dará no dia de sua expiação.

6 E a sua expiação trará ao Senhor: um carneiro [5] sem mancha do rebanho, conforme á tua estimação, para expiação da culpa, trará ao sacerdote:

7 E o sacerdote fará expiação por ella diante do Senhor, [6] e será perdoada de qualquer de todas as coisas que fez, sendo culpada n’ellas.

A lei do holocausto.

8 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

9 Dá ordem a Aarão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto; o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite até á manhã, e o fogo do altar arderá n’elle.

10 E o sacerdote [7] vestirá a sua veste de linho, e vestirá as calças de linho sobre a sua carne, e levantará a cinza, quando o fogo [8] houver consumido o[100] holocausto sobre o altar, e a porá junto ao altar.

11 Depois despirá [9] as suas vestes, e vestirá outras vestes: e levará a cinza fóra do arraial para um logar [10] limpo.

12 O fogo pois sobre o altar arderá n’elle, não se apagará; mas o sacerdote accenderá lenha n’elle cada manhã, e sobre elle porá em ordem o holocausto, e sobre elle [11] queimará a gordura das offertas pacificas.

13 O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.

A lei da offerta de manjares.

14 E esta é a lei [12] da offerta de manjares: um dos filhos de Aarão a offerecerá perante o Senhor diante do altar,

15 E d’ella tomará o seu punho cheio da flor de farinha da offerta e do seu azeite, e todo o incenso que estiver sobre a offerta de manjares: então o accenderá sobre o altar, cheiro suave [13] é isso, por ser memorial ao Senhor.

16 E o restante [14] d’ella comerão Aarão e seus filhos: asmo [15] se comerá no logar sancto, no pateo da tenda da congregação o comerão.

17 Levedado não se cozerá: [16] sua porção é que lhes dei das minhas offertas queimadas: coisa sanctissima [17] é, como a expiação do peccado e como a expiação da culpa.

18 Todo o macho [18] entre os filhos d’Aarão comerá d’ella: estatuto perpetuo será para as vossas gerações das offertas queimadas do Senhor; tudo o que tocar n’ellas será [19] sancto.

A offerta na consagração dos sacerdotes.

19 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

20 Esta é a offerta [20] d’Aarão e de seus filhos, que offerecerão ao Senhor no dia em que fôr ungido: a decima parte d’um [21] epha de flor de farinha pela offerta de manjares continua; a metade d’ella pela manhã, e a outra metade d’ella á tarde.

21 N’uma caçoila se fará com azeite; cosida a trarás; e os pedaços cosidos da offerta offerecerás em cheiro suave ao Senhor.

22 Tambem o sacerdote, que de entre seus filhos [22] fôr ungido em seu logar, fará o mesmo; por estatuto perpetuo seja, toda será queimada ao Senhor.

23 Assim toda a offerta do sacerdote totalmente será queimada; não se comerá.

A lei da expiação do peccado.

24 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

25 Falla a Aarão e a seus filhos, dizendo: [23] Esta é a lei da expiação do peccado: no logar onde se degola o holocausto se degolará a expiação do peccado perante o Senhor; [24] coisa sanctissima é.

26 O sacerdote que a offerecer [25] pelo peccado a comerá: no logar sancto se comerá, no pateo da tenda da congregação.

27 Tudo o que tocar [26] a sua carne será sancto: se espargir alguem do seu sangue sobre o seu vestido, lavarás aquillo sobre o que caiu n’um logar sancto.

28 E o vaso de barro em que fôr cosida [27] será quebrado; porém, se fôr cosida n’um vaso de cobre, esfregar-se-ha e lavar-se-ha na agua.

29 Todo o macho entre os sacerdotes a [28] comerá: coisa sanctissima é.

30 Porém nenhuma expiação de peccado, [29] cujo sangue se traz á tenda da congregação, para expiar no sanctuario, se comerá: no fogo será queimada.

[1] Num. 5.6. cap. 19.11. Act. 5.4. Col. 3.9. Exo. 22.7, 10.

[2] Pro. 24.28 e 26.19.

[3] Deu. 22.1, 2, 3. Exo. 22.11. cap. 19.12. Jer. 7.9. Zac. 5.4.

[4] cap. 5.16. Num. 5.7. II Sam. 12.6. Luc. 19.8.

[5] cap. 5.15.

[6] cap. 4.26.

[7] Exo. 28.39, 40, 41, 43. cap. 16.4. Eze. 44.17, 18.

[8] cap. 1.16.

[9] Eze. 44.19.

[10] cap. 4.12.

[11] cap. 3.3, 9, 14.

[12] cap. 2.1. Num. 15.4.

[13] cap. 2.2, 9.

[14] cap. 2.3. Eze. 44.29.

[15] ver. 26. cap. 10.12, 13. Num. 18.10.

[16] cap. 2.11. Num. 18.10.

[17] ver. 25. Exo. 29.37. cap. 2.3 e 7.1.

[18] ver. 29. Num. 18.10. cap. 3.17.

[19] Exo. 29.37. cap. 22.3, 4, 5, 6, 7.

[20] Exo. 29.2.

[21] Exo. 16.36.

[22] cap. 4.3. Exo. 29.25.

[23] cap. 4.2 e 1.3, 5, 11 e 4.24, 29, 33.

[24] ver. 17. cap. 21.22.

[25] cap. 10.17, 18. Num. 18.10. Eze. 44.28, 29. ver. 16.

[26] Exo. 29.37 e 30.29.

[27] cap. 11.33 e 15.12.

[28] ver. 18, 25. Num. 18.10.

[29] cap. 4.7, 11, 12, 18, 21 e 10.18 e 16.27. Heb. 13.11.

A lei da expiação da culpa.

7 E esta é a [1] lei da expiação da culpa: coisa sanctissima é.

2 No logar onde degolam [2] o holocausto, degolarão a expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor.

3 E d’ella se offerecerá toda a sua gordura; a cauda, [3] e a gordura que cobre a fressura.

4 Tambem ambos os rins, e a gordura que n’elles ha, que está sobro as tripas, e o redenho sobre o figado, com os rins se tirará,

5 E o sacerdote o queimará sobre o altar em offerta queimada ao Senhor: expiação da culpa é.

6 Todo o macho [4] entre os sacerdotes[101] a comerá: no logar sancto se comerá: coisa sanctissima é.

7 Como a expiação do [5] peccado, assim será a expiação da culpa: uma mesma lei haverá para ellas; será do sacerdote que houver feito propiciação com ella.

8 Tambem o sacerdote, que offerecer o holocausto d’alguem, o mesmo sacerdote terá o coiro do holocausto que offerecer.

9 Como tambem toda a offerta que se cozer no forno, [6] com tudo que se preparar na sertã e na caçoila, será do sacerdote que o offerece.

10 Tambem toda a offerta amassada com azeite, ou secca, será de todos os filhos d’Aarão, assim de um como de outro.

A lei do sacrificio da paz.

11 E esta é a lei [7] do sacrificio pacifico que se offerecerá ao Senhor:

12 Se o offerecer por offerta de louvores, com o sacrificio de louvores, offerecerá bolos asmos amassados com azeite; [8] e coscorões asmos amassados com azeite; e os bolos amassados com azeite serão fritos, de flor de farinha.

13 Com os bolos offerecerá [9] pão levedado pela sua offerta, com o sacrificio de louvores da sua offerta pacifica.

14 E de toda a offerta offerecerá um d’elles por offerta alçada ao Senhor, que será do sacerdote [10] que espargir o sangue da offerta pacifica.

15 Mas a carne do sacrificio de louvores da sua offerta pacifica [11] se comerá no dia do seu offerecimento: nada se deixará d’ella até á manhã.

16 E, se [12] o sacrificio da sua offerta fôr voto, ou offerta voluntaria, no dia em que offerecer o seu sacrificio se comerá; e o que d’elle ficar tambem se comerá no dia seguinte;

17 E o que ainda ficar da carne do sacrificio ao terceiro dia será queimado no fogo.

18 Porque, se da carne do seu sacrificio pacifico se comer ao terceiro dia, aquelle que a offereceu não será [13] acceito, nem lhe será imputado; coisa abominavel será, e a pessoa que comer d’ella levará a sua iniquidade.

19 E a carne que tocar alguma coisa immunda não se comerá; com fogo será queimada: mas da outra carne qualquer que estiver limpo comerá d’ella.

20 Porém, se alguma pessoa comer a carne do sacrificio pacifico, que é do Senhor, tendo ella sobre si a sua immundicia, aquella pessoa será [14] extirpada dos seus povos.

21 E, se uma pessoa tocar alguma coisa immunda, [15] como immundicia de homem, ou gado immundo, ou qualquer abominação immunda, e comer da carne do sacrificio pacifico, que é do Senhor, aquella pessoa será extirpada dos seus povos.

Deus prohibe o comer a gordura e o sangue.

22 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

23 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Nenhuma gordura de boi, nem de carneiro, nem de cabra [16] comereis,

24 Porém pode usar-se da gordura do corpo morto, e da gordura do dilacerado, para toda a obra, mas de nenhuma maneira a comereis;

25 Porque qualquer que comer a gordura do animal, do qual se offerecer ao Senhor offerta queimada, a pessoa que a comer será extirpada dos seus povos.

26 E nenhum sangue comereis em qualquer das vossas habitações, [17] quer de aves quer de gado.

27 Toda a pessoa que comer algum sangue, aquella pessoa será extirpada dos seus povos.

A porção dos sacerdotes.

28 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

29 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Quem offerecer ao Senhor o seu sacrificio pacifico, [18] trará a sua offerta ao Senhor do seu sacrificio pacifico.

30 As suas proprias mãos trarão as offertas queimadas do Senhor; a gordura do [19] peito com o peito trará para movel-o por offerta movida perante o Senhor.

31 E o sacerdote queimará [20] a gordura sobre o altar, porém o peito [21] será de Aarão e de seus filhos.

32 Tambem a espadua [22] direita dareis ao sacerdote por offerta alçada dos vossos sacrificios pacificos.

33 Aquelle dos filhos de Aarão que offerecer o sangue do sacrificio pacifico, e a gordura, aquelle terá a espadua direita para a sua porção;

[102]

34 Porque o peito movido [23] e a espadua alçada tomei dos filhos de Israel dos seus sacrificios pacificos, e os dei a Aarão, o sacerdote, e a seus filhos, por estatuto perpetuo dos filhos de Israel.

35 Esta é a porção de Aarão e a porção de seus filhos das offertas queimadas do Senhor, no dia em que os apresentou para administrar o sacerdocio ao Senhor.

36 O que o Senhor ordenou que se lhes désse d’entre os filhos de Israel [24] no dia em que os ungiu, [GB] estatuto perpetuo é pelas suas gerações.

37 Esta é a lei do holocausto, [25] da offerta de manjares, e da expiação do peccado, [26] e da expiação da culpa, [27] e da offerta das consagrações, [28] e do sacrificio pacifico.

38 Que o Senhor ordenou a Moysés no monte Sinai, no dia em que ordenou aos filhos de Israel que offerecessem [29] as suas offertas ao Senhor no deserto de Sinai.

[1] cap. 5 e 6.1-7 e 6.17, 25 e 21.22.

[2] cap. 1.3, 5, 11 e 4.24, 29, 33.

[3] cap. 3, 4, 9, 10, 14, 15, 16 e 4.8, 9. Exo. 29.13.

[4] cap. 6.16, 17, 18. Num. 18.9, 10. cap. 2.3.

[5] cap. 6.25, 26 e 14.13.

[6] cap. 2.3, 10. Num. 18.9. Eze. 44.29.

[7] cap. 3.1 e 22.18, 21.

[8] cap. 2.4. Num. 6.15.

[9] Amós 4, 5.

[10] Num. 18.8, 11, 19.

[11] cap. 22.30.

[12] cap. 19.6, 7, 8.

[13] cap. 11.10, 11, 41 e 19.7.

[14] cap. 15.3. Gen. 17.14.

[15] cap. 21 e 13 e 15 e 11.24, 28. Eze. 4.14. ver. 20.

[16] cap. 3.17.

[17] Gen. 9.4. cap. 3.17 e 17.10-14.

[18] cap. 3.1.

[19] cap. 3.3, 4, 9, 14. Exo. 29.24, 27. cap. 8.27 e 9.21. Num. 6.20.

[20] cap. 3.5, 11, 16.

[21] ver. 34.

[22] ver. 34. cap. 9.21. Num. 6.20.

[23] Exo. 29.28. cap. 10.14, 15. Num. 18.18, 19. Deu. 18.3.

[24] Exo. 40.13, 15. cap. 8.12, 30.

[25] cap. 6.9.

[26] cap. 6.14.

[27] cap. 6.25. ver. 1.

[28] Exo. 29.1. cap. 6.20. ver. 11.

[29] cap. 1.2.

A consagração de Aarão e seus filhos.

8 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Toma [1] a Aarão e a seus filhos com elle, e os vestidos, e o azeite da uncção, como tambem o novilho da expiação do peccado, e os dois carneiros, e o cesto dos pães asmos,

3 E ajunta toda a congregação á porta da tenda da congregação.

4 Fez pois Moysés como o Senhor lhe ordenara, e a congregação ajuntou-se á porta da tenda da congregação.

5 Então disse Moysés á congregação: isto é [2] o que o Senhor ordenou que se fizesse.

6 E Moysés fez chegar a Aarão e a seus filhos, [3] e os lavou com agua,

7 E lhe vestiu a tunica, [4] e cingiu-o com o cinto, e pôz sobre elle o manto; tambem pôz sobre elle o ephod, e cingiu-o com o cinto de [GC] artificio do ephod, e o apertou com elle.

8 Depois poz-lhe o [5] peitoral, pondo no peitoral o Urim e o Thummim;

9 E pôz a mitra sobre a sua [6] cabeça, e na mitra diante do seu rosto pôz a lamina de oiro, a corôa da [GD] sanctidade, como o Senhor ordenara a Moysés.

10 Então Moysés tomou o [7] azeite da uncção, e ungiu o tabernaculo, e tudo o que havia n’elle, e o sanctificou;

11 E d’elle espargiu sete vezes sobre o altar, e ungiu o altar e todos os seus vasos, como tambem a pia e a sua base, para sanctifical-as.

12 Depois derramou [8] do azeite da uncção sobre a cabeça de Aarão, e ungiu-o, para sanctifical-o.

13 Tambem Moysés fez chegar os filhos [9] de Aarão, e vestiu-lhes as tunicas, e cingiu-os com o cinto, e apertou-lhes as tiaras, como o Senhor ordenara a Moysés.

14 Então fez chegar o novilho da expiação do peccado; [10] e Aarão e seus filhos pozeram as suas mãos sobre a cabeça do novilho da expiação do peccado;

15 E o degolou; e Moysés [11] tomou o sangue, e pôz d’elle com o seu dedo sobre os cornos do altar em redor, e expiou o altar: depois derramou o resto do sangue á base do altar, e o sanctificou, para fazer expiação sobre elle.

16 Depois tomou toda a gordura que está na fressura, [12] e o redenho do figado, e os dois rins e a sua gordura: e Moysés o queimou sobre o altar.

17 Mas o novilho com o seu coiro, e a sua carne, e o seu esterco queimou com fogo fóra do arraial, como o Senhor [13] ordenara a Moysés.

18 Depois fez [14] chegar o carneiro do holocausto; e Aarão e seus filhos pozeram as suas mãos sobre a cabeça do carneiro:

19 E o degolou; e Moysés espargiu o sangue sobre o altar em redor.

20 Partiu tambem o carneiro nos seus pedaços; e Moysés queimou a cabeça, e os pedaços e a gordura.

21 Porém a fressura e as pernas lavou com agua; e Moysés queimou todo o carneiro sobre o altar: holocausto de cheiro suave, uma offerta queimada era ao Senhor, [15] como o Senhor ordenou a Moysés.

22 Depois fez [16] chegar o outro carneiro, o carneiro da consagração: e Aarão com seus filhos pozeram as suas mãos sobre a cabeça do carneiro,

23 E o degolou; e Moysés tomou do seu sangue, e o poz sobre a ponta da orelha direita de Aarão, e sobre o pollegar[103] da sua mão direita, e sobre o pollegar do seu pé direito.

24 Tambem fez chegar os filhos de Aarão; e Moysés poz d’aquelle sangue sobre a ponta da orelha direita d’elles, e sobre o pollegar da sua mão direita, e sobre o pollegar do seu pé direito: e Moysés espargiu o resto do sangue sobre o altar em redor.

25 E tomou a gordura, e a cauda, [17] e toda a gordura que está na fressura, e o redenho do figado, e ambos os rins, e a sua gordura e a espadua direita.

26 Tambem do cesto dos pães asmos, que estava diante do Senhor, tomou um bolo asmo, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão, e os poz sobre a gordura e sobre a espadua direita.

27 E tudo isto deu nas mãos [18] de Aarão e nas mãos de seus filhos: e os moveu por offerta de movimento perante o Senhor.

28 Depois Moysés [19] tomou-os das suas mãos, e os queimou no altar sobre o holocausto; estas foram uma consagração, por cheiro suave, offerta queimada ao Senhor.

29 E tomou Moysés o peito, e moveu-o por offerta [20] de movimento perante o Senhor: aquella foi a porção de Moysés do carneiro da consagração, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Tomou [21] Moysés tambem do azeite da uncção, e do sangue que estava sobre o altar, e o espargiu sobre Aarão e sobre os seus vestidos, e sobre os seus filhos, e sobre os vestidos de seus filhos com elle; e sanctificou a Aarão e os seus vestidos, e seus filhos, e os vestidos de seus filhos com elle.

31 E Moysés disse a Aarão, e a seus filhos: [22] Cozei a carne diante da porta da tenda da congregação, e ali a comei com o pão que está no cesto da consagração, como tenho ordenado, dizendo: Aarão e seus filhos a comerão.

32 Mas o [23] que sobejar da carne e do pão, queimareis com fogo.

33 Tambem da porta da tenda da congregação não saireis em sete dias, até ao dia em que se cumprirem os dias da vossa consagração: porquanto por sete [24] dias elle vos consagrará.

34 Como se fez n’este dia, assim o Senhor ordenou se fizesse, para fazer expiação por vós.

35 Ficareis pois á porta da tenda da congregação dia e noite [25] por sete dias, e fareis a guarda do Senhor, para que não morraes: porque assim me foi ordenado.

36 E Aarão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Senhor ordenou pela mão de Moysés.

[1] Exo. 29.1, 2, 3 e 28.2, 4 e 30.24, 25.

[2] Exo. 29.4.

[3] Exo. 29.4.

[4] Exo. 29.5 e 28.4.

[5] Exo. 28.30.

[6] Exo. 29.6 e 28.37.

[7] Exo. 30.26, 27, 28, 29.

[8] Exo. 29.7 e 30.30. cap. 21.10, 12. Psa. 133.2.

[9] Exo. 29.8, 9.

[10] Exo. 29.10. Eze. 43.19. cap. 4.4.

[11] Exo. 29.12, 36. cap. 4.7. Eze. 43.20, 26. Heb. 9.22.

[12] Exo. 29.13. cap. 4.8.

[13] Exo. 29.14. cap. 4.11, 12.

[14] Exo. 29.15.

[15] Exo. 29.28.

[16] Exo. 29.19, 31.

[17] Exo. 29.18.

[18] Exo. 29.24, etc.

[19] Exo. 29.25.

[20] Exo. 29.26.

[21] Exo. 29.21 e 30.30. Num. 3.3.

[22] Exo. 29.31, 32.

[23] Exo. 29.34.

[24] Exo. 29.30, 35. Eze. 43.25, 26.

[25] Num. 3.7 e 9.19. Deu. 11.1. I Reis 2.3.

Aarão offerece sacrificios por si e pelo povo.

9 E aconteceu, ao dia [1] oitavo, que Moysés chamou a Aarão e seus filhos, e os anciãos de Israel,

2 E disse a Aarão: Toma-te [2] um bezerro, para expiação do peccado, e um carneiro para holocausto, sem mancha: e traze-os perante o Senhor.

3 Depois fallarás aos filhos de Israel, dizendo: Tomae um [3] bode para expiação do peccado, e um bezerro, e um cordeiro d’um anno, sem mancha, para holocausto:

4 Tambem um boi e um carneiro por sacrificio pacifico, para sacrificar perante o Senhor, e offerta de manjares, [4] amassada com azeite: porquanto hoje o Senhor vos apparecerá.

5 Então trouxeram o que ordenou Moysés, diante da tenda da congregação, e chegou-se toda a congregação, e se poz perante o Senhor.

6 E disse Moysés: Esta coisa que o Senhor ordenou fareis: [5] e a gloria do Senhor vos apparecerá.

7 E disse Moysés a Aarão: Chega-te ao altar, [6] e faze a tua expiação de peccado e o teu holocausto; e faze expiação por ti e pelo povo: depois faze a offerta [7] do povo, e faze expiação por elles, como ordenou o Senhor.

8 Então Aarão se chegou ao altar, e degolou o bezerro da expiação que era por elle.

9 E os filhos d’Aarão trouxeram-lhe o sangue, [8] e molhou o seu dedo no sangue, e o poz sobre os cornos do altar; e o resto do sangue derramou á base do altar.

10 Mas a gordura, e [9] os rins, e o redenho do figado de expiação do peccado queimou sobre o altar, [10] como o Senhor ordenara a Moysés.

11 Porém a carne [11] e o coiro queimou com fogo fóra do arraial.

12 Depois degolou o holocausto, e os filhos d’Aarão lhe entregaram o sangue, [12] e espargiu-o sobre o altar em redor.

13 Tambem lhe entregaram [13] o holocausto[104] nos seus pedaços, com a cabeça; e queimou-o sobre o altar.

14 E lavou [14] a fressura e as pernas, e as queimou sobre o holocausto no altar.

15 Depois fez chegar a offerta do povo, e tomou o bode [15] da expiação do peccado, que era do povo, e o degolou, e o preparou por expiação do peccado, como o primeiro.

16 Fez tambem chegar [16] o holocausto, e o preparou segundo o rito.

17 E fez chegar a offerta de manjares, e [17] a sua mão encheu d’ella, e a queimou sobre o altar, além do holocausto da manhã.

18 Depois degolou o boi e o [18] carneiro em sacrificio pacifico, que era do povo; e os filhos de Aarão entregaram-lhe o sangue, que espargiu sobre o altar em redor,

19 Como tambem a gordura do boi e do carneiro, a cauda, e o que cobre a fressura, e os rins, e o redenho do figado.

20 E pozeram a gordura sobre os peitos, e queimou [19] a gordura sobre o altar;

21 Mas os peitos e a espadua [20] direita Aarão moveu por offerta de movimento perante o Senhor, como Moysés tinha ordenado.

22 Depois Aarão levantou as suas mãos ao povo [21] e os abençoou; e desceu, havendo feito a expiação do peccado, e o holocausto, e a offerta pacifica.

23 Então entraram Moysés e Aarão na tenda da congregação: depois sairam, e abençoaram ao povo; e a gloria [22] do Senhor appareceu a todo o povo,

24 Porque o fogo saiu [23] de diante do Senhor, e consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar: o que vendo todo o povo [24], jubilaram e cairam sobre as suas faces.

[1] Eze. 43.27.

[2] Exo. 29.1. cap. 4.3 e 8.14, 18.

[3] cap. 4.23. Esd. 6.17 e 10.19.

[4] cap. 2.4. ver. 23. Exo. 29.43.

[5] ver. 23. Exo. 24.16.

[6] cap. 4.3. Heb. 5.3 e 7.27 e 9.

[7] cap. 4.16, 20. Heb. 5.1.

[8] cap. 8.15 e 4.7.

[9] cap. 8.16.

[10] cap. 4.8.

[11] cap. 4.11 e 8.17.

[12] cap. 1.5 e 8.19.

[13] cap. 8.20.

[14] cap. 8.21.

[15] ver. 3. Heb. 2.17 e 5.3.

[16] cap. 1.3, 10.

[17] ver. 4. cap. 2.1, 2. Exo. 29.38.

[18] cap. 3.1, etc.

[19] cap. 3.5, 16.

[20] Exo. 29.24, 26. cap. 7.30, 31, 32, 33, 34.

[21] Num. 6.23. Deu. 21.5. Luc. 24.50.

[22] ver. 6. Num. 14.10 e 16.19, 42.

[23] Jui. 6.21. I Reis 18.38. II Chr. 7.1. Psa. 20.3.

[24] I Reis 18.39. II Chr. 7.3. Esd. 3.11.

Nadab e Abihu morrem diante do Senhor.

10 E os filhos d’Aarão, Nadab [1] e Abihu, tomaram cada um o seu incensario, e puzeram n’elles fogo, e puzeram incenso sobre elle, [2] e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara.

2 Então [3] saiu fogo de diante do Senhor, e os consumiu; e morreram perante o Senhor.

3 E disse Moysés a Aarão: Isto é o que o Senhor fallou, dizendo: Serei sanctificado n’aquelles que se [4] cheguem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Aarão [5] calou-se.

4 E Moysés chamou a Misael e a Elzaphan, filhos d’Ussiel, [6] tio de Aarão, e disse-lhes: Chegae, tirae a vossos irmãos de diante do sanctuario, [7] para fóra do arraial.

5 Então chegaram, e levaram-n’os nas suas tunicas para fóra do arraial, como Moysés tinha dito.

6 E Moysés disse a Aarão, e a seus filhos Eleazar e Ithamar: Não descobrireis [8] as vossas cabeças, nem rasgareis vossos vestidos, para que não morraes, nem venha grande indignação sobre toda a congregação: mas vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem este incendio que o Senhor accendeu.

7 Nem saireis da porta da tenda da congregação, para que não [9] morraes; porque está sobre vós o azeite da uncção do Senhor. E fizeram conforme á palavra de Moysés.

8 E fallou o Senhor a Aarão, dizendo:

9 Vinho nem bebida forte tu e teus filhos [10] comtigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morraes: estatuto perpetuo será isso entre as vossas gerações;

10 E para fazer differença [11] entre o sancto e o profano e entre o immundo e o limpo,

11 E para ensinar [12] aos filhos d’Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem fallado pela mão de Moysés.

A lei ácerca das coisas sanctas.

12 E disse Moysés a Aarão, e a Eleazar e a Ithamar, seus filhos, que lhe ficaram: [13] Tomae a offerta de manjares, restante das offertas queimadas do Senhor, e comei-a sem levadura junto ao altar, porquanto uma [14] coisa sanctissima é.

13 Portanto o comereis no logar sancto;[105] porque isto é a tua porção, e a porção de teus filhos das offertas queimadas do Senhor: [15] porque assim me foi ordenado.

14 Tambem o peito da offerta do movimento e a espadua da offerta alçada comereis em logar limpo, tu, e teus filhos [16] e tuas filhas comtigo; porque foram dados por tua porção, e por porção de teus filhos, dos sacrificios pacificos dos filhos de Israel.

15 A espadua da offerta alçada [17] e o peito da offerta do movimento trarão com as offertas queimadas de gordura, para mover por offerta de movimento perante o Senhor; o que será por estatuto perpetuo, para ti e para teus filhos comtigo, como o Senhor tem ordenado.

16 E Moysés diligentemente buscou o bode [18] da expiação, e eis que já era queimado: portanto indignou-se grandemente contra Eleazar e contra Ithamar, os filhos que de Aarão ficaram, dizendo:

17 Porque não comestes [19] a expiação do peccado no logar sancto? pois uma coisa sanctissima é: e o Senhor a deu a vós, para que levasseis a iniquidade da congregação, para fazer expiação por elles diante do Senhor.

18 Eis-que não se trouxe o [20] seu sangue para dentro do sanctuario; certamente haveis de comel-a no sanctuario, como [21] tenho ordenado.

19 Então disse Aarão a Moysés: Eis-que hoje [22] offereceram a sua expiação de peccado e o seu holocausto perante o Senhor, e taes coisas me succederam: se eu hoje comera a expiação do peccado, [23] seria pois acceito aos olhos do Senhor?

20 E Moysés ouvindo isto, foi acceito aos seus olhos.

[1] cap. 16.1 e 22.9. Num. 3.3, 4 e 26.61. I Chr. 24.2. cap. 16.12. Num. 16.18.

[2] Exo. 30.9.

[3] cap. 9.24. Num. 16.35. II Sam. 6.7.

[4] Exo. 19.22 e 29.43. cap. 21.6, 17, 21. Eze. 20.41. Isa. 49.3. Eze. 28.22. João 13.31, 32 e 14.13. II The. 1.10.

[5] Psa. 39.9.

[6] Exo. 6.18, 22. Num. 3.19, 30.

[7] Luc. 7.12. Act. 5.6, 9, 10 e 8.2.

[8] Exo. 33.5. cap. 13.45 e 21.1, 10. Eze. 24.16, 17. Num. 16.22, 46. Jos. 7.1 e 22.18, 20. II Sam. 24.1.

[9] cap. 21.12. Exo. 28.41. cap. 8.30.

[10] Eze. 44.21. Luc. 1.15. I Tim. 3.3. Tito 1.7.

[11] cap. 11.47 e 20.25. Jer. 15.19. Eze. 22.26 e 44.23.

[12] Deu. 24.8. Neh. 8.2, 8, 9, 13. Mal. 3.7.

[13] Exo. 29.2. cap. 6.16.

[14] cap. 21.22.

[15] cap. 2.3 e 6.16.

[16] Exo. 29.24, 26, 27. cap. 7.31, 34. Num. 18.11.

[17] cap. 7.29, 30, 34.

[18] cap. 9.3, 15.

[19] cap. 6.26.

[20] cap. 6.30.

[21] cap. 6.26.

[22] cap. 9.8, 12.

[23] Jer. 6.20 e 14.12. Ose. 9.4. Mal. 1.10, 13.

Os animaes que se devem comer e os que se não devem comer.

11 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo-lhes:

2 Falla aos filhos d’Israel, dizendo: [1] Estes são os animaes, que comereis de todas as bestas que ha sobre a terra:

3 Tudo o que tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, e remoe, entre os animaes, aquillo comereis.

4 D’estes porém não comereis, dos que remoem ou dos que teem unhas fendidas: o camelo, que remoe mas não tem unhas fendidas; este vos será immundo;

5 E o coelho, porque remoe, mas não tem as unhas fendidas; este vos será immundo;

6 E a lebre, porque remoe, mas não tem as unhas fendidas esta vos será immunda.

7 Tambem o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não remoe; este vos será immundo.

8 Da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadaver; [2] estes vos serão immundos.

9 Isto comereis [3] de tudo o que ha nas aguas, tudo o que tem barbatanas e escamas nas aguas, nos mares e nos rios; aquillo comereis.

10 Mas tudo o que não tem barbatanas nem escamas, nos mares e nos rios, de todo o reptil das aguas, e de toda a [GE] alma vivente que ha nas aguas, estes serão para vós [4] abominação.

11 Ser-vos-hão pois por abominação: da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadaver.

12 Tudo o que não tem barbatanas ou escamas, nas aguas, será para vós abominação.

13 E estas abominareis [5] das aves: não se comerão, serão abominação: a aguia, e o quebrantosso, e o xofrango,

14 E o milhano, e o abutre segundo a sua especie,

15 Todo o corvo segundo a sua especie,

16 E o abestruz, e o mocho, e o cuco, e o gavião segundo a sua especie,

17 E o bufo, e o corvo marinho, e a curuja,

18 E a gralha, e o cisne, e o pelicão,

19 E a cegonha, a garça segundo a sua especie, e a poupa, e o morcego.

20 Todo o reptil que vôa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação.

21 Mas isto comereis de todo o reptil que vôa, que anda sobre quatro pés: o que tiver pernas sobre os seus pés, para saltar com ellas sobre a terra.

22 D’elles comereis estes: o gafanhoto [6] segundo a sua especie, e o solham segundo a sua especie, e o hargol segundo a sua especie, e o hagab segundo a sua especie.

23 E todo o reptil que vôa, que tem[106] quatro pés, será para vós uma abominação,

24 E por estes sereis immundos: qualquer que tocar os seus cadaveres, immundo será até á tarde.

25 Qualquer que levar os seus cadaveres [7] lavará os seus vestidos, e será immundo até á tarde.

26 Todo o animal que tem unhas fendidas, mas a fenda não se divide em duas, e todo o que não remoe, vos será por immundo: qualquer que tocar n’elles será immundo.

27 E tudo o que anda sobre as suas patas, de todo o animal que anda a quatro pés, vos será por immundo: qualquer que tocar nos seus cadaveres será immundo até á tarde.

28 E o que levar os seus cadaveres lavará os seus vestidos, e será immundo até á tarde: elles vos serão por immundos.

29 Estes tambem vos serão por immundos entre os reptis que se arrastam sobre a terra: a doninha, e o rato, [8] e o cágado segundo a sua especie,

30 E o ouriço cacheiro, e o lagarto, e a lagartixa, e a lesma e a toupeira.

31 Estes vos serão por immundos entre todo o reptil; qualquer que os tocar, estando elles mortos, será immundo até á tarde.

32 E tudo aquillo sobre o que d’elles cair alguma coisa, estando elles mortos, será immundo; seja vaso de madeira, ou vestido, ou pelle, ou sacco, qualquer instrumento, com que se faz alguma obra, será mettido [9] na agua, e será immundo até á tarde; depois será limpo.

33 E todo o vaso de barro, em que cair alguma coisa d’elles, tudo o que houver n’elle será immundo, e o [10] vaso quebrareis.

34 Todo o manjar que se come, sobre o que vier tal agua, será immundo; e toda a bebida que se bebe, em todo o vaso, será immunda.

35 E aquillo sobre o que cair alguma coisa de seu corpo morto, será immundo: o forno e o vaso de barro serão quebrados; immundos são: portanto vos serão por immundos.

36 Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem aguas, será limpa, mas quem tocar no seu cadaver será immundo.

37 E, se dos seus cadaveres cair alguma coisa sobre alguma semente de semear, que se semeia, será limpa;

38 Mas se fôr deitada agua sobre a semente, e se do seu cadaver cair alguma coisa sobre ella, vos será por immunda.

39 E se morrer algum dos animaes, que vos servem de mantimento, quem tocar no seu cadaver será immundo até á tarde;

40 E quem comer [11] do seu cadaver lavará os seus vestidos, e será immundo até á tarde; e quem levar o seu corpo morto lavará os seus vestidos, e será immundo até á tarde.

41 Tambem todo o reptil, que se arrasta sobre a terra, será abominação; não se comerá.

42 Tudo o que anda sobre o ventre, e tudo o que anda sobre quatro pés, ou que tem mais pés, entre todo o reptil que se arrasta sobre a terra, não comereis, porquanto são uma abominação.

43 Não façaes [12] as vossas almas abominaveis por nenhum reptil que se arrasta, nem n’elles vos contamineis, para ser immundos por elles;

44 Porque eu sou o Senhor vosso Deus: portanto [13] vós os sanctificareis, e sereis sanctos, porque eu sou sancto; e não contaminareis as vossas almas por nenhum reptil que se arrasta sobre a terra;

45 Porque eu sou [14] o Senhor, que vos faço subir da terra do Egypto, para que eu seja vosso Deus, e para que sejaes sanctos; porque eu sou sancto.

46 Esta é a lei dos animaes, e das aves, e de toda a alma vivente que se move nas aguas, e de toda a alma que se arrasta sobre a terra;

47 Para fazer [15] differença entre o immundo e o limpo; e entre os animaes que se podem comer e os animaes que não se podem comer.

[1] Deu. 14.4. Act. 10.12, 14.

[2] Isa. 65.4 e 66.3, 17 e 52.11. Mat. 15.11, 20. Mar. 7.2, 15, 18. Act. 10.14, 15 e 15.29. Rom. 14.14, 17. I Cor. 8.8. Col. 2.16, 21. Heb. 9.10.

[3] Deu. 14.9.

[4] cap. 7.18. Deu. 14.3.

[5] Deu. 14.12.

[6] Mat. 3.4. Mar. 1.6.

[7] cap. 14.8 e 15.5. Num. 19.10, 22 e 31.24.

[8] Isa. 66.17.

[9] cap. 15.12.

[10] cap. 6.28 e 15.12.

[11] cap. 17.15. Deu. 14.21. Eze. 4.14 e 44.31.

[12] cap. 20.25.

[13] Exo. 19.6. cap. 19.2 e 20.7, 26. I The. 4.7. I Ped. 1.16.

[14] Exo. 6.7. ver. 44.

[15] cap. 10.10.

A purificação da mulher depois do parto.

12 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, dizendo: Se uma mulher conceber [1] e parir um macho, será immunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade será immunda.

3 E no dia oitavo [2] se circumcidará ao menino a carne do seu prepucio.

4 Depois ficará ella trinta e tres dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa sancta tocará, e não virá ao sanctuario até que se cumpram os dias da sua purificação.

[107]

5 Mas, se parir uma femea, será immunda duas semanas, como na sua separação: depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação.

6 E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação [3] por filho ou por filha, trará um cordeiro d’um anno por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do peccado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote,

7 O qual o offerecerá perante o Senhor, e por ella fará propiciação; e será limpa do fluxo do seu sangue: esta é a lei da que parir macho ou femea.

8 Mas, se a sua mão [4] não alcançar assaz para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para a propiciação do peccado: [5] assim o sacerdote por ella fará expiação, e será limpa.

[1] cap. 15.19. Luc. 2.22.

[2] Gen. 17.12. Luc. 1.59 e 2.21. João 7.22, 23.

[3] Luc. 2.22.

[4] cap. 5.7. Luc. 2.24.

[5] cap. 4.26.

As leis ácerca da praga da lepra.

13 Fallou mais o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

2 O homem, quando na pelle da sua carne houver inchação, [1] ou pustula, ou empola branca, que estiver na pelle de sua carne como praga da lepra, então será levado [2] a Aarão o sacerdote, ou a um de seus filhos, os sacerdotes,

3 E o sacerdote examinará a praga na pelle da carne; se o pello na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pelle da sua carne, praga da lepra é; o sacerdote, vendo-o, então o declarará por immundo.

4 Mas, se a empola na pelle de sua carne fôr branca, e não parecer mais profunda do que a pelle, e o pello não se tornou branco, então o sacerdote encerrará o que tem a praga por sete dias;

5 E ao setimo dia o sacerdote o examinará; e eis que, se a praga ao seu parecer parou, e a praga na pelle se não estendeu, então o sacerdote o encerrará por outros sete dias;

6 E o sacerdote ao setimo dia o examinará outra vez; e eis-que, se a praga se recolheu, e a praga na pelle se não estendeu, então o sacerdote o declarará por limpo: apostema é; e lavará [3] os seus vestidos, e será limpo.

7 Mas, se a apostema na pelle se estende grandemente, depois que foi mostrado ao sacerdote para a sua purificação, outra vez será mostrado ao sacerdote,

8 E o sacerdote o examinará, e eis que, se a apostema na pelle se tem estendido, o sacerdote o declarará por immundo: lepra é.

9 Quando no homem houver praga de lepra, será levado ao sacerdote,

10 E o sacerdote o [4] examinará, e eis que, se ha inchação branca na pelle, a qual tornou o pello em branco, e houver alguma vivificação da carne viva na inchação,

11 Lepra envelhecida é na pelle da sua carne: portanto o sacerdote o declarará por immundo: não o encerrará, porque immundo é.

12 E, se a lepra florescer de todo na pelle, e a lepra cobrir toda a pelle do que tem a praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote.

13 Então o sacerdote examinará, e eis-que, se a lepra tem coberto toda a sua carne, então declarará o que tem a praga por limpo: todo se tornou branco; limpo está.

14 Mas no dia em que apparecer n’ella carne viva será immundo.

15 Vendo pois o sacerdote a carne viva, declaral-o-ha por immundo: a carne é immunda: lepra é.

16 Ou, tornando a carne viva, e mudando-se em branca, então virá ao sacerdote,

17 E o sacerdote o examinará, e eis que, se a praga se tornou branca, então o sacerdote por limpo declarará o que tem a praga; limpo está.

18 Se tambem a carne, em cuja pelle houver alguma [5] ulcera, se sarar,

19 E, em logar da apostema, vier inchação branca ou empola branca, tirando a vermelho, mostrar-se-ha então ao sacerdote.

20 E o sacerdote examinará, e eis que, se ella parece mais funda do que a pelle, e o seu pello se tornou branco, o sacerdote o declarará por immundo: praga da lepra é; pela apostema brotou.

21 E o sacerdote, vendo-a, e eis que n’ella não apparece pello branco, nem estiver mais funda do que a pelle, mas encolhida, então o sacerdote o encerrará por sete dias.

22 Se depois grandemente se estender na pelle, o sacerdote o declarará por immundo; praga é.

23 Mas, se a empola parar no seu logar, não se estendendo, inflammação da apostema é; o sacerdote pois o declarará por limpo.

24 Ou, quando na pelle da carne houver queimadura de fogo, e no que é sarado da queimadura houver empola branca, tirando a vermelho ou branco,

[108]

25 E o sacerdote vendo-a, e eis que o pello na empola se tornou branco, e ella parece mais funda do que a pelle, lepra é, que floresceu pela queimadura: portanto o sacerdote o declarará por immundo; praga de lepra é.

26 Mas, se o sacerdote, vendo-a, e eis que, na empola não apparecer pello branco, nem estiver mais funda do que a pelle, mas recolhida, o sacerdote o encerrará por sete dias.

27 Depois o sacerdote o examinará ao setimo dia; se grandemente se houver estendido na pelle, o sacerdote o declarará por immundo; praga de lepra é.

28 Mas se a empola parar no seu logar, e na pelle não se estender, mas se recolher, inchação da queimadura é: portanto o sacerdote o declarará por limpo, porque signal é da queimadura.

29 E, quando homem ou mulher tiverem chaga na cabeça ou na barba,

30 E o sacerdote, examinando a chaga, e eis que, se ella parece mais funda do que a pelle, e pello amarello fino n’ella ha, o sacerdote o declarará por immundo; tinha é, lepra da cabeça ou da barba é.

31 Mas, se o sacerdote, havendo examinado a praga da tinha, e eis que, se ella não parece mais funda do que a pelle, e se n’ella não houver pello preto, então o sacerdote encerrará o que tem a praga da tinha por sete dias,

32 E o sacerdote examinará a praga ao setimo dia, e eis que se a tinha não fôr estendida, e n’ella não houver pello amarello, nem a tinha parecer mais funda do que a pelle,

33 Então se rapará; mas não rapará a tinha; e o sacerdote segunda vez encerrará o que a tinha por sete dias.

34 Depois o sacerdote examinará a tinha ao setimo dia; e eis que, se a tinha não se houver estendido na pelle, e ella não parecer mais funda do que a pelle, o sacerdote o declarará por limpo, e lavará os seus vestidos, e será limpo.

35 Mas, se a tinha, depois da sua purificação, se houver estendido grandemente na pelle,

36 Então o sacerdote o examinará, e eis que, se a tinha se tem estendido na pelle, o sacerdote não buscará pello amarello: immundo está.

37 Mas, se a tinha ao seu ver parou, e pello preto n’ella cresceu, a tinha está sã, limpo está: portanto o sacerdote o declarará por limpo.

38 E, quando homem ou mulher tiverem empolas brancas na pelle da sua carne,

39 Então o sacerdote olhará, e eis que, se na pelle da sua carne apparecem empolas recolhidas, brancas, bustela branca é, que floresceu na pelle; limpo está.

40 E, quando se pellar a cabeça do homem, calvo é, limpo está.

41 E, se se lhe pellar a frente da cabeça, meio calvo é; limpo está.

42 Porém, se na calva, ou na meia calva houver praga branca avermelhada, lepra é, florescendo na sua calva ou na sua meia calva.

43 Havendo pois o sacerdote examinado, e eis que, se a inchação da praga na sua calva ou meia calva está branca, tirando a vermelho, como parece a lepra na pelle da carne,

44 Leproso é aquelle homem, immundo está: o sacerdote o declarará totalmente por immundo, na sua cabeça tem a sua praga.

45 Tambem os vestidos do leproso, em quem está a praga, serão rasgados, e a sua cabeça será descoberta, e [6] cobrirá o beiço superior, e clamará: Immundo, immundo.

46 Todos os dias em que a praga houver n’elle, será immundo; immundo está, habitará só: a sua habitação [7] será fóra do arraial.

47 Quando tambem em algum vestido houver praga de lepra, em vestido de lã, ou em vestido de linho,

48 Ou no fio urdido, ou no fio tecido, seja de linho, ou seja de lã, ou em pelle, ou em qualquer obra de pelles,

49 E a praga no vestido, ou na pelle, ou no fio urdido, ou no fio tecido, ou em qualquer coisa de pelles apparecer verde ou vermelha, praga de lepra é, pelo que se mostrará ao sacerdote,

50 E o sacerdote examinará a praga, e encerrará a coisa que tem a praga por sete dias.

51 Então examinará a praga ao setimo dia; se a praga se houver estendido no vestido, ou no fio urdido, ou no fio tecido, ou na pelle, para qualquer obra que fôr feita da pelle, lepra [8] roedora é, immunda está;

52 Pelo que se queimará aquelle vestido, ou fio urdido, ou fio tecido de lã, ou de linho, ou de qualquer obra de pelles, em que houver a praga, porque lepra roedora é; com fogo se queimará.

53 Mas, o sacerdote, vendo, e eis que, se a praga se não estendeu no vestido, ou no fio urdido, ou no tecido, ou em qualquer obra de pelles,

54 Então o sacerdote ordenará que[109] se lave aquillo no qual havia a praga, e o encerrará segunda vez por sete dias;

55 E o sacerdote, examinando a praga, depois que fôr lavada, e eis que se a praga não mudou o seu parecer, nem a praga se estendeu, immundo está, com fogo o queimarás; praga penetrante é, seja raso [GF] em todo ou em parte.

56 Mas se o sacerdote vir que a praga se tem recolhido, depois que fôr lavada, então a rasgará do vestido, ou da pelle, ou do fio urdido ou tecido;

57 E, se ainda apparecer no vestido, ou no fio urdido ou tecido ou em qualquer coisa de pelles, lepra brotante é: com fogo queimarás aquillo em que ha a praga;

58 Mas o vestido, ou fio urdido ou tecido, ou qualquer coisa de pelles, que lavares, e de que a praga se retirar, se lavará segunda vez, e será limpo.

59 Esta é a lei da praga da lepra do vestido de lã, ou de linho, ou do fio urdido ou tecido, ou de qualquer coisa de pelles, para declaral-o por limpo, ou para declaral-o por immundo.

[1] Deu. 28.27. Isa. 3.17.

[2] Deu. 17.8, 9 e 24.8. Luc. 17.14.

[3] cap. 11.25 e 14.8.

[4] Num. 12.10, 12. II Reis 5.27. II Chr. 26.20.

[5] Exo. 9.9.

[6] Eze. 24.17, 22. Miq. 3.7. Lam. 4.15.

[7] Num. 5.2 e 12.14. II Reis 7.3 e 15.5. II Chr. 26.21. Luc. 17.12.

[8] cap. 14.44.

A lei ácerca do leproso depois de sarado.

14 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado [1] ao sacerdote,

3 E o sacerdote sairá fóra do arraial, e o sacerdote, examinando, e eis que, se a praga da lepra do leproso fôr sarada,

4 Então o sacerdote ordenará que por aquelle que se houver de purificar se tomem duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, [2] e carmezim e hyssopo.

5 Mandará tambem o sacerdote que se degole uma ave n’um vaso de barro sobre aguas vivas,

6 E tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o carmezim, e o hyssopo, e os molhará com a ave viva no sangue da ave que foi degolada sobre as aguas vivas.

7 E sobre aquelle que ha de purificar-se da lepra espargirá [3] sete vezes; então o declarará por limpo, e soltará a ave viva sobre a face do campo.

8 E aquelle que tem a [4] purificar-se lavará os seus vestidos, e rapará todo o seu pello, e se lavará com agua; assim será limpo: e depois entrará no arraial, porém ficará [5] fóra da sua tenda por sete dias;

9 E será que ao setimo dia rapará todo o seu pello, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas dos seus olhos; e rapará todo o seu outro pello, e lavará os seus vestidos, e lavará a sua carne com agua, e será limpo.

10 E ao dia oitavo tomará dois cordeiros sem mancha, e uma cordeira sem mancha, de um anno, e tres dizimas de flor de farinha para offerta de manjares, amassada [6] com azeite, e um log de azeite;

11 E o sacerdote que faz a purificação apresentará ao homem que houver de purificar-se com aquellas coisas perante o Senhor, á porta da tenda da congregação.

12 E o sacerdote tomará um dos cordeiros, [7] e o offerecerá por expiação da culpa, e o log de azeite; e os moverá por offerta movida perante o Senhor.

13 Então degolará o cordeiro [8] no logar em que se degola a expiação do peccado e o holocausto, no logar sancto; porque assim a [9] expiação da culpa como a expiação do peccado é para o sacerdote; coisa sanctissima é.

14 E o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o sacerdote o porá sobre a ponta [10] da orelha direita d’aquelle que tem a purificar-se, e sobre o dedo pollegar da sua mão direita, e no dedo pollegar do seu pé direito.

15 Tambem o sacerdote tomará do log de azeite, e o derramará na palma da sua propria mão esquerda.

16 Então o sacerdote molhará o seu dedo direito no azeite que está na sua mão esquerda, e d’aquelle azeite com o seu dedo espargirá sete vezes perante o Senhor;

17 E o restante do azeite, que está na sua mão, o sacerdote porá sobre a ponta da orelha direita d’aquelle que tem a purificar-se, e sobre o dedo pollegar da sua mão direita, e sobre o dedo pollegar do seu pé direito, em cima do sangue da expiação da culpa;

18 E o restante do azeite que está na mão do sacerdote, o porá sobre a cabeça d’aquelle que tem a purificar-se: assim o sacerdote fará expiação por elle perante o Senhor.

19 Tambem o sacerdote fará a expiação do peccado, e fará [11] expiação por aquelle que tem a purificar-se da sua[110] immundicia; e depois degolará [12] o holocausto;

20 E o sacerdote offerecerá o holocausto e a offerta de manjares sobre o altar: assim o sacerdote fará expiação por elle, e será limpo.

21 Porém se fôr pobre, [13] e a sua mão não alcançar tanto, tomará um cordeiro para expiação da culpa em offerta de movimento, para fazer expiação por elle, e a dizima de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares, e um log de azeite,

22 E duas rolas, ou dois [14] pombinhos, conforme alcançar a sua mão, dos quaes um será para expiação do peccado, e o outro para holocausto.

23 E ao oitavo [15] dia da sua purificação os trará ao sacerdote, á porta da tenda da congregação, perante o Senhor,

24 E o sacerdote tomará [16] o cordeiro da expiação da culpa, e o log de azeite, e o sacerdote os moverá por offerta movida perante o Senhor.

25 Então degolará o cordeiro [17] da expiação da culpa, e o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o porá sobre a ponta da orelha direita d’aquelle que tem a purificar-se, e sobre o dedo pollegar da sua mão direita, e sobre o dedo pollegar do seu pé direito.

26 Tambem o sacerdote derramará do azeite na palma da sua propria mão esquerda;

27 Depois o sacerdote com o seu dedo direito espargirá do azeite que está na sua mão esquerda, sete vezes perante o Senhor,

28 E o sacerdote porá do azeite que está na sua mão na ponta da orelha direita d’aquelle que tem a purificar-se, e no dedo pollegar da sua mão direita, e no dedo pollegar do seu pé direito; no logar do sangue da expiação da culpa.

29 E o que sobejar do azeite que está na mão do sacerdote porá sobre a cabeça do que tem a purificar-se, para fazer expiação por elle perante o Senhor.

30 Depois offerecerá uma das [18] rolas ou dos pombinhos, conforme alcançar a sua mão.

31 Do que alcançar a sua mão, será um para expiação do peccado e o outro para holocausto com a offerta de manjares; e assim o sacerdote fará expiação por aquelle que tem a purificar-se perante o Senhor.

32 Esta é a lei d’aquelle em quem estiver a praga da lepra, cuja mão não alcançar aquillo para a sua purificação.

A lei ácerca da lepra n’uma casa.

33 Fallou mais o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

34 Quando tiverdes entrado na terra [19] de Canaan que vos hei de dar por possessão, e eu enviar a praga da lepra em alguma casa da terra da vossa possessão,

35 Então virá aquelle, cuja fôr a casa, e o fará saber ao sacerdote, dizendo: Parece-me que ha como que [20] praga em minha casa.

36 E o sacerdote ordenará que despejem a casa, antes que venha o sacerdote para examinar a praga, para que tudo o que está na casa não seja contaminado: e depois virá o sacerdote, para examinar a casa:

37 E, vendo a praga, e eis que se a praga nas paredes da casa tem covinhas verdes ou vermelhas, e parecem mais fundas do que a parede,

38 Então o sacerdote sairá d’aquella casa para fóra da porta da casa, e cerrará a casa por sete dias.

39 Depois tornará o sacerdote ao setimo dia, e examinará; e se vir que a praga nas paredes da casa se tem estendido,

40 Então o sacerdote ordenará que arranquem as pedras, em que estiver a praga, e que as lancem fóra da cidade n’um logar immundo:

41 E fará raspar a casa por dentro ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão fóra da cidade n’um logar immundo.

42 Depois tomarão outras pedras, e as porão no logar das primeiras pedras; o outro barro se tomará, e a casa se rebocará.

43 Porém, se a praga tornar, e brotar na casa, depois de se arrancarem as pedras, e depois da casa ser raspada, e depois de ser rebocada,

44 Então o sacerdote entrará, e, examinando, eis que, se a praga na casa se tem estendido, lepra roedora ha na casa: immunda está.

45 Portanto se derribará a casa, as suas pedras, e a sua madeira, como tambem todo o barro da casa; e se levará para fóra [21] da cidade a um logar immundo.

46 E o que entrar n’aquella casa, em qualquer dia em que estiver fechada, será immundo até á tarde.

47 Tambem o que se deitar a dormir em tal casa, lavará os seus vestidos: e o que comer em tal casa lavará os seus vestidos.

[111]

48 Porém, tornando o sacerdote a entrar, e, examinando, eis que, se a praga na casa se não tem estendido, depois que a casa foi rebocada, o sacerdote declarará a casa por limpa, porque a praga está curada.

49 Depois tomará para [22] expiar a casa duas aves, e pau de cedro, e carmezim e hyssopo:

50 E degolará uma ave n’um vaso de barro sobre aguas vivas:

51 Então tomará pau de cedro, e o hyssopo, e o carmezim, e a ave viva, e o molhará na ave degolada e nas aguas vivas, e espargirá a casa sete vezes:

52 Assim expiará aquella casa com o sangue da avezinha, e com as aguas vivas, e com a avezinha viva, e com o pau de cedro, e com o hyssopo, e com o carmezim.

53 Então soltará a ave viva para fóra da cidade sobre a face do campo: assim fará expiação pela casa, [23] e será limpa.

54 Esta é a lei de toda a praga da lepra, [24] e da tinha,

55 E da lepra dos vestidos, [25] e das casas,

56 E da inchação, [26] e da apostema, e das empolas;

57 Para ensinar [27] em que dia alguma coisa será immunda, e em que dia será limpa. Esta é a lei da lepra.

[1] Mat. 8.2, 4. Mar. 1.40, 44. Luc. 5.12, 14 e 17.14.

[2] Num. 19.6. Heb. 9.19. Psa. 51.7.

[3] Heb. 9.13. II Reis 5.10, 14.

[4] cap. 13.6. cap. 11.25.

[5] Num. 12.15.

[6] cap. 2.1. Num. 15.4, 15.

[7] cap. 5.18 e 6.6, 7. Exo. 29.24.

[8] Exo. 29.11. cap. 1.5, 11 e 4.4, 24.

[9] cap. 7.7 e 2.3 e 7.6 e 21.22.

[10] Exo. 29.20. cap. 8.23.

[11] cap. 4.26.

[12] cap. 5.1, 6 e 12.7.

[13] cap. 5.7 e 12.8.

[14] cap. 15.14, 15.

[15] ver. 10, 11.

[16] ver. 12.

[17] ver. 14.

[18] ver. 22. cap. 15.15.

[19] Gen. 17.8. Num. 32.22. Deu. 7.1 e 32.49.

[20] Psa. 91.10. Pro. 3.33. Zac. 5.4.

[21] cap. 13.51. Zac. 5.4.

[22] ver. 4.

[23] ver. 20.

[24] cap. 13.30.

[25] cap. 13.47. ver. 34.

[26] cap. 13.2.

[27] Deu. 24.8. Eze. 44.23.

Immundicias do homem e da mulher.

15 Fallou mais o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

2 Fallae aos filhos de Israel, e dizei-lhes; Qualquer homem que tiver fluxo da sua carne, [1] será immundo por causa do seu fluxo.

3 Esta pois será a sua immundicia por causa do seu fluxo: se a sua carne vasa do seu fluxo, ou se a sua carne estanca do seu fluxo, esta é a sua immundicia.

4 Toda a cama, em que se deitar o que tiver fluxo, será immunda; e toda a coisa, sobre o que se assentar, será immunda.

5 E, qualquer que tocar a sua cama, lavará os seus vestidos, e se banhará em agua, e será immundo até á tarde.

6 E aquelle que se assentar sobre aquillo em que se assentou o que tem o fluxo, lavará os seus vestidos, e se banhará em agua e será immundo até á tarde.

7 E aquelle que tocar a carne do que tem o fluxo, lavará os seus vestidos, e se banhará em agua, [2] e será immundo até á tarde.

8 Quando tambem o que tem o fluxo cuspir sobre um limpo, então lavará este os seus vestidos, e se banhará em agua, e será immundo até á tarde.

9 Tambem toda a sella, em que cavalgar o que tem o fluxo, será immunda.

10 E qualquer que tocar em alguma coisa que estiver debaixo d’elle, será immundo até á tarde; e aquelle que a levar, lavará os seus vestidos, e se banhará em agua, e será immundo até á tarde.

11 Tambem todo aquelle, a quem tocar o que tem o fluxo, sem haver lavado as suas mãos com agua, lavará os seus vestidos, e se banhará em agua e será immundo até á tarde.

12 E [3] o vaso de barro, que tocar o que tem o fluxo, será quebrado; porém todo o vaso de madeira será lavado com agua.

13 Quando, pois, o que tem o fluxo, estiver limpo do seu fluxo, [4] contar-se-ha sete dias para a sua purificação, e lavará os seus vestidos, e banhará a sua carne em aguas vivas; e será limpo.

14 E ao dia oitavo tomará [5] duas rolas ou dois pombinhos, e virá perante o Senhor, á porta da tenda da congregação, e os dará ao sacerdote:

15 E o sacerdote offerecerá [6] um para expiação do peccado, e o outro para holocausto; e assim [7] o sacerdote fará por elle expiação do seu fluxo perante o Senhor.

16 Tambem o [8] homem, quando sair d’elle a semente da copula, toda a sua carne banhará com agua, e será immundo até á tarde.

17 Tambem todo o vestido, e toda a pelle em que houver semente da copula, se lavará com agua, e será immundo até á tarde.

18 E tambem a mulher, com que homem se deitar com semente da copula, ambos se banharão com agua, e serão [9] immundos até á tarde;

19 Mas [10] a mulher, quando tiver fluxo, e o seu fluxo de sangue estiver na sua carne, estará sete dias na sua separação, e qualquer que a tocar será immundo até á tarde.

20 E tudo aquillo, sobre o que ella se deitar durante a sua separação, será immundo; e tudo, sobre o que se assentar, será immundo.

21 E qualquer que tocar a sua cama,[112] lavará os seus vestidos, e se banhará com agua, e será immundo até á tarde.

22 E qualquer que tocar alguma coisa, sobre o que ella se tiver assentado, lavará os seus vestidos, e se banhará com agua, e será immundo até á tarde.

23 Se tambem alguma coisa estiver sobre a cama, ou sobre o vaso em que ella se assentou, se a tocar, será immundo até á tarde.

24 E se, com effeito, qualquer homem se [11] deitar com ella, e a sua immundicia estiver sobre elle, immundo será por sete dias; tambem toda a cama, sobre que se deitar, será immunda.

25 Tambem a mulher, [12] quando manar o fluxo do seu sangue, por muitos dias fóra do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua immundicia será immunda, como nos dias da sua separação.

26 Toda a cama, sobre que se deitar todos os dias do seu fluxo, ser-lhe-ha como a cama da sua separação; e toda a coisa, sobre que se assentar, será immunda, conforme á immundicia da sua separação.

27 E qualquer que a tocar será immundo; portanto lavará os seus vestidos, e se banhará com agua, e será immundo até á tarde.

28 Porém quando fôr [13] limpa do seu fluxo, então se contarão sete dias, e depois será limpa.

29 E ao oitavo dia tomará duas rolas, ou dois pombinhos, e os trará ao sacerdote, á porta da tenda da congregação.

30 Então o sacerdote offerecerá um para expiação do peccado, e o outro para holocausto: e o sacerdote fará por ella expiação do fluxo da sua immundicia perante o Senhor.

31 Assim separareis os [14] filhos de Israel das suas immundicias, para que não morram nas suas immundicias, contaminando [15] o meu tabernaculo, que está no meio d’elles.

32 Esta é a [16] lei d’aquelle que tem o fluxo, e d’aquelle de quem sae a semente da copula, e que fica por ella immundo;

33 Como tambem da mulher enferma na sua [17] separação, e d’aquelle que padece do seu fluxo, seja macho ou femea, e do homem que se deita com mulher immunda.

[1] cap. 22.4. Num. 5.2. II Sam. 3.29. Mat. 9.20. Mar. 5.25. Luc. 8.43.

[2] cap. 11.25 e 17.15.

[3] cap. 6.28 e 11.32, 33.

[4] ver. 28. cap. 14.8.

[5] cap. 14.22, 23.

[6] cap. 14.30, 31.

[7] cap. 14.19, 31.

[8] cap. 22.4. Deu. 23.10.

[9] I Sam. 21.4.

[10] cap. 12.2.

[11] cap. 20.18.

[12] Mat. 9.20. Mar. 5.25. Luc. 8.43.

[13] ver. 13.

[14] cap. 11.47. Deu. 24.8. Eze. 44.23.

[15] Num. 5.3 e 19.13, 20. Eze. 5.11 e 23.38.

[16] ver. 2 e 16.

[17] ver. 19, 24 e 25.

Como Aarão deve entrar no sanctuario.

16 E fallou o Senhor a Moysés, depois que [1] morreram os dois filhos de Aarão, quando se chegaram diante do Senhor e morreram.

2 Disse pois o Senhor a Moysés: Dize a Aarão, teu irmão que não [2] entre no sanctuario em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatorio que está sobre a arca, para que não morra; [3] porque eu appareço na nuvem sobre o propiciatorio.

3 Com isto Aarão entrará no sanctuario: [4] com um novilho, para expiação do peccado, e um carneiro para holocausto.

4 Vestirá elle [5] a tunica sancta de linho, e terá ceroulas de linho sobre a sua carne, e cingir-se-ha com um cinto de linho, e se cobrirá com uma mitra de linho: estes são vestidos sanctos: por isso banhará a sua carne na agua, e [6] os vestirá.

5 E da [7] congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do peccado e um carneiro para holocausto.

6 Depois Aarão offerecerá o novilho da [8] expiação, que será para elle; e fará expiação por si e pela sua casa.

7 Tambem tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, á porta da tenda da congregação.

8 E Aarão lançará sortes sobre os dois bodes: uma sorte pelo Senhor, e a outra sorte pelo bode emissario.

9 Então Aarão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o offerecerá para expiação do peccado.

10 Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissario, apresentar-se-ha vivo perante o Senhor, para fazer expiação [9] com elle, para envial-o ao deserto como bode emissario.

O sacrificio pelo proprio summo sacerdote.

11 E Aarão fará chegar o novilho da expiação, que será para elle, e fará expiação por si e pela sua casa; e degolará o novilho da expiação, que é para elle.

12 Tomará tambem [10] o incensario cheio de brazas de fogo do altar, de diante do Senhor, e os seus punhos[113] [11] cheios de incenso aromatico moido, e o metterá dentro do véu.

13 E porá [12] o incenso sobre o fogo perante o Senhor, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatorio, que está sobre o [13] testemunho, para que não morra.

14 E tomará do sangue [14] do novilho, e com o seu dedo espargirá sobre a face do propiciatorio, para a banda do oriente; e perante o propiciatorio espargirá sete vezes do sangue com o seu dedo.

O sacrificio pelo povo.

15 Depois degolará o [15] bode da expiação, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do [16] véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o espargirá sobre o propiciatorio, e perante a face do propiciatorio.

16 Assim fará expiação [17] pelo sanctuario por causa das immundicias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo todos os seus peccados: e assim fará para a tenda da congregação que mora com elles no meio das suas immundicias.

17 E nenhum homem [18] estará na tenda da congregação quando elle entrar a fazer expiação no sanctuario, até que elle saia: assim fará expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.

18 Então sairá ao altar, que está perante o Senhor, e [19] fará expiação por elle; e tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre os cornos do altar ao redor.

19 E d’aquelle sangue espargirá sobre elle com o seu dedo sete vezes, e o [20] purificará das immundicias dos filhos de Israel, e o sanctificará.

20 Havendo pois acabado de expiar o sanctuario, [21] e a tenda da congregação, e o altar, então fará chegar o bode vivo.

21 E Aarão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vive, e sobre elle confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, [22] segundo todos os seus peccados: e os porá sobre a cabeça do bode, e envial-o-ha ao deserto, pela mão d’um homem designado para isso.

22 Assim aquelle bode [23] levará sobre si todas as iniquidades d’elles á terra solitaria; e enviará o bode ao deserto.

23 Depois Aarão virá á tenda da congregação, e despirá [24] os vestidos de linho, que havia vestido quando entrara no sanctuario, e ali os deixará.

24 E banhará a sua carne em agua no logar sancto, e vestirá os seus vestidos; então sairá e preparará [25] o seu holocausto, e o holocausto do povo, e fará expiação por si e pelo povo.

25 Tambem queimará a gordura da expiação do peccado sobre [26] o altar.

26 E aquelle que tiver levado o bode (que era bode emissario) lavará os seus vestidos, e banhará a sua [27] carne em agua; e depois entrará no arraial.

27 Mas [28] o novilho da expiação, e o bode da expiação do peccado, cujo sangue foi trazido para fazer expiação no sanctuario, será levado fóra do arraial: porém as suas pelles, a sua carne, e o seu esterco queimarão com fogo.

28 E aquelle que os queimar lavará os seus vestidos, e banhará a sua carne em agua; e depois entrará no arraial.

A festa annual das expiações.

29 E isto vos será por estatuto perpetuo: no setimo mez, aos dez [29] do mez, affligireis as vossas almas, e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós.

30 Porque n’aquelle dia fará expiação por vós, para purificar-vos: e sereis purificados [30] de todos os vossos peccados perante o Senhor.

31 É um [31] sabbado de descanço para vós, e affligireis as vossas almas: isto é estatuto perpetuo.

32 E o sacerdote, que fôr [32] ungido, e que fôr sagrado, para administrar o sacerdocio no logar de seu pae, fará a expiação, havendo vestido os vestidos de linho, os vestidos sanctos:

33 Assim expiará [33] o sancto sanctuario; tambem expiará a tenda da congregação e o altar; similhantemente fará expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação.

34 E isto vos [34] será por estatuto perpetuo, para fazer expiação pelos filhos d’Israel de todos os seus peccados, uma vez no anno. [35] E fez Aarão como o Senhor ordenara a Moysés.

[1] cap. 10.1, 2.

[2] Heb. 10.19.

[3] Exo. 25.22 e 40.34. I Reis 8.10, 11, 12.

[4] Heb. 9.7, 12, 24, 25. cap. 4.3.

[5] Exo. 28.39, 42, 43. cap. 6.10. Eze. 44.17, 18.

[6] Exo. 30.20. cap. 8.6, 7.

[7] cap. 4.14. Num. 29.11. II Chr. 29.21. Esd. 6.17. Eze. 45.22, 23.

[8] cap. 9.7. Heb. 7.27, 28 e 9.7.

[9] I João 2.2.

[10] cap. 10.1. Num. 16.18, 46. Apo. 8.5.

[11] Exo. 30.34.

[12] Exo. 30.1, 7, 8. Num. 16.7, 18, 46. Apo. 8.3, 4.

[13] Exo. 25.21.

[14] cap. 4.5. Heb. 9.13, 25 e 10.4. cap. 4.6.

[15] Heb. 2.17 e 5.2 e 9.7, 28.

[16] ver. 2. Heb. 6.19 e 9.3, 7, 12.

[17] Exo. 29.36. Eze. 45.18. Heb. 9.22, 23.

[18] Exo. 34.3. Luc. 1.10.

[19] Exo. 30.10. cap. 4.7, 18. Heb. 9.22, 28.

[20] Eze. 43.20.

[21] ver. 16. Eze. 45.20.

[22] Isa. 53.6.

[23] Isa. 53.11, 12. João 1.29. Heb. 9.28. I Ped. 2.24.

[24] Eze. 42.14 e 44.19.

[25] ver. 3, 5.

[26] cap. 4.10.

[27] cap. 15.5.

[28] cap. 4.12, 21 e 6.30. Heb. 13.11.

[29] cap. 23.27. Num. 29.7. Isa. 58.3, 5.

[30] Psa. 51.2. Jer. 33.8. Eph. 5.26. Heb. 9.13, 14 e 10.1, 2. I João 1.7, 9.

[31] cap. 23.32.

[32] cap. 4.3, 5, 16. Exo. 29.29, 30. Num. 20.26, 28. ver. 4.

[33] ver. 6, 16, 17, 18, 24.

[34] cap. 23.31.

[35] Exo. 30.10. Heb. 9.7, 25.

[114]

O sangue de todos os animaes deve trazer-se á porta do tabernaculo.

17 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla a Aarão e aos seus filhos, e a todos os filhos d’Israel, e dize-lhes: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:

3 Qualquer homem da casa de Israel que degolar [1] boi, ou cordeiro, ou cabra, no arraial, ou quem os degolar fóra do arraial,

4 E os não trouxer [2] á porta da tenda da congregação, para offerecer offerta ao Senhor diante do tabernaculo do Senhor, a tal homem será imputado o sangue; derramou sangue: [3] pelo que tal homem será extirpado do seu povo,

5 Para que os filhos de Israel, trazendo os seus sacrificios, que sacrificam sobre a face [4] do campo, os tragam ao Senhor, á porta da tenda da congregação, ao sacerdote, e os sacrifiquem por sacrificios pacificos ao Senhor.

6 E o sacerdote espargirá [5] o sangue sobre o altar do Senhor, á porta da tenda da congregação, [6] e queimará a gordura por cheiro suave ao Senhor.

7 E nunca mais sacrificarão os seus sacrificios [7] aos demonios, após os quaes elles fornicam: isto ser-lhes-ha por estatuto perpetuo nas suas gerações.

8 Dize-lhes pois: Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós, que offerecer holocausto [8] ou sacrificio,

9 E não trouxer á porta [9] da tenda da congregação, para offerecel-o ao Senhor, o tal homem será extirpado dos seus povos.

A prohibição de comer sangue.

10 E, qualquer homem [10] da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre elles, que comer algum sangue, [11] contra aquella alma que comer sangue, eu porei a minha face, e a extirparei do seu povo.

11 Porque [12] a [GG] alma da carne está no sangue; pelo que vol o tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que [13] fará expiação pela alma.

12 Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrine entre vós, comerá sangue.

13 Tambem, qualquer homem dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre elles, que caçar [14] caça d’animal ou d’ave que se come, [15] derramará o seu sangue, e o cobrirá com pó;

14 Porquanto [16] é a alma de toda a carne; o seu sangue é pela sua alma: por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a alma de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado.

15 E toda a alma entre os naturaes, ou entre os estrangeiros, [17] que comer corpo morto ou dilacerado, [18] lavará os seus vestidos, e se banhará com agua, e será immunda até á tarde; depois será limpa.

16 Mas, se os não lavar, nem banhar a sua carne, levará [19] sobre si a sua iniquidade.

[1] Deu. 12.15, 21.

[2] Deu. 12.6, 13, 14.

[3] Gen. 17.14.

[4] Gen. 21.33 e 22.2 e 31.54. II Reis 16.4 e 17.10. II Chr. 28.4. Eze. 20.28.

[5] cap. 3.2.

[6] Exo. 29.18. cap. 3.5, 11, 16 e 4.31. Num. 18.17.

[7] Deu. 32.17. II Chr. 11.15. Psa. 106.37. I Cor. 10.20. Apo. 9.20. Exo. 34.15. cap. 20. Deu. 31.16.

[8] cap. 1.2, 3.

[9] ver. 4.

[10] Gen. 9.4. cap. 3.17 e 7.26, 27 e 19.26. Deu. 12.16, 23 e 15.23. I Sam. 14.33. Eze. 44.7.

[11] cap. 20.3, 5, 6 e 26.17. Jer. 44.11. Eze. 14.8 e 15.7.

[12] ver. 14. Mat. 26.28. Mar. 14.24. Rom. 3.25 e 5.9. Eph. 1.7. Col. 1.14, 20. Heb. 13.12. I Ped. 1.2. I João 1.7. Apo. 1.5.

[13] Heb. 9.22.

[14] cap. 7.26.

[15] Deu. 12.16, 24 e 15.23. Eze. 24.7.

[16] ver. 11, 12. Gen. 9.4. Deu. 12.23.

[17] Exo. 22.31. cap. 22.8. Deu. 14.21. Eze. 4.14 e 44.31.

[18] cap. 11.25 e 15.5.

[19] cap. 5.1 e 19.8. Num. 19.20.

Casamentos illicitos.

18 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou [1] o Senhor vosso Deus.

3 Não fareis segundo [2] as obras da terra do Egypto, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaan, na qual eu vos metto, nem andareis nos seus estatutos.

4 Fareis conforme aos [3] meus juizos, e os meus estatutos guardareis, para andardes n’elles: Eu sou o Senhor vosso Deus.

5 Portanto os meus estatutos e os meus juizos guardareis; os quaes, fazendo [4] o homem, viverá por elles: Eu sou o Senhor.

6 Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para descobrir a sua nudez: Eu sou o Senhor.

[115]

7 Não descobrirás [5] a nudez de tua mãe: ella é tua mãe; não descobrirás a sua nudez.

8 Não descobrirás a nudez [6] da mulher de teu pae.

9 A nudez [7] de tua irmã, filha de teu pae, ou filha de tua mãe, nascida em casa, ou fóra da casa, a sua nudez não descobrirás.

10 A nudez da filha do teu filho, ou da filha de tua filha, a sua nudez não descobrirás: porque ella é tua nudez.

11 A nudez da filha da mulher de teu pae, gerada de teu pae (ella é tua irmã), a sua nudez não descobrirás.

12 A nudez da irmã de teu pae não descobrirás; [8] ella é parenta de teu pae.

13 A nudez da irmã de tua mãe não descobrirás; pois ella é parenta de tua mãe.

14 A nudez do irmão de teu pae não descobrirás; [9] não chegarás á sua mulher; ella é tua tia.

15 A nudez de tua nora não descobrirás: [10] ella é mulher de teu filho: não descobrirás a sua nudez.

16 A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás; [11] é a nudez de teu irmão.

17 A nudez d’uma mulher e de sua filha não descobrirás: [12] não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez; parentas são: maldade é.

18 E não tomarás [13] uma mulher com sua irmã, para affligil-a, descobrindo a sua nudez com ella na sua vida.

Uniões abominaveis.

19 E não chegarás [14] á mulher durante a separação da sua immundicia, para descobrir a sua nudez,

20 Nem te deitarás [15] com a mulher de teu proximo para copula de semente, para te contaminar com ella.

21 E da tua semente não darás para fazer passar pelo fogo [16] perante Molech; e não profanarás [17] o nome de teu Deus: Eu sou o Senhor.

22 Com macho te não [18] deitarás, como se fosse mulher: abominação é;

23 Nem te deitarás [19] com um animal, para te não contaminar com elle: nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com elle; confusão é.

24 Com nenhuma d’estas coisas vos contamineis: [20] porque em todas estas coisas se contaminaram as gentes que eu lanço fóra de diante da vossa face.

25 Pelo que a terra está contaminada; [21] e eu visitarei sobre ella a sua iniquidade, e a terra vomitará os seus moradores.

26 Porém vós guardareis [22] os meus estatutos e os meus juizos, e nenhuma d’estas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós;

27 Porque todas estas abominações fizeram os homens d’esta terra, que n’ella estavam antes de vós; e a terra foi contaminada.

28 Para que a terra vos não vomite, [23] havendo-a contaminado, como vomitou a gente que n’ella estava antes de vós.

29 Porém, qualquer que fizer alguma d’estas abominações, as almas que as fizeram serão extirpadas do seu povo.

30 Portanto guardareis o meu mandado, não fazendo [24] nenhum dos estatutos abominaveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com elles: Eu sou o Senhor vosso Deus.

[1] ver. 4. Exo. 6.7. cap. 11.14 e 19.4, 10, 34 e 20.7. Eze. 20.5, 7, 19, 20.

[2] Eze. 20.7, 8 e 23.8. Exo. 23.24. cap. 20.23. Deu. 12.4, 30, 31.

[3] Deu. 4.1, 2 e 6.1. Eze. 20.19.

[4] Eze. 20.11, 13, 21. Luc. 10.28. Rom. 10.5. Gal. 3.12. Exo. 6.2, 6, 29. Mal. 3.6.

[5] cap. 20.11.

[6] Gen. 49.4. cap. 20.11. Deu. 22.30 e 27.20. Eze. 22.10. Amós 2.7. I Cor. 5.1.

[7] cap. 20.17. II Sam. 13.12. Eze. 22.11.

[8] cap. 20.19.

[9] cap. 20.20.

[10] Gen. 38.18, 26. cap. 20.12. Eze. 22.11.

[11] cap. 20.21. Mat. 14.4. Deu. 25.5. Mat. 22.24. Mar. 12.19.

[12] cap. 20.14.

[13] I Sam. 1.6, 8.

[14] cap. 20.18. Eze. 18.6 e 22.10.

[15] cap. 20.10. Exo. 20.14. Deu. 5.18 e 22.22. Pro. 6.29, 32. Mal. 3.5. Mat. 5.37. Rom. 2.22. I Cor. 6.9. Heb. 13.4.

[16] cap. 20.2. II Reis 16.3 e 21.6 e 23.10. Jer. 19.5. Eze. 20.31 e 23.37, 39. I Reis 11.7, 33. Act. 7.43.

[17] cap. 19.12 e 20.3 e 21.6 e 22.2, 32. Eze. 36.20, etc. Mal. 1.12.

[18] cap. 20.13. Rom. 1.27. I Cor. 6.9. I Tim. 1.10.

[19] cap. 20.15, 16. Exo. 22.19. cap. 20.12.

[20] ver. 30. Mar. 7.21, 22, 23. I Cor. 3.17. cap. 20.23. Deu. 18.12.

[21] Num. 35.34. Jer. 2.7 e 16.18. Eze. 36.17. Isa. 26.21. Jer. 5.9, 29 e 23.2. Ose. 2.13 e 8.13 e 9.9.

[22] ver. 5, 30. cap. 20.22, 23.

[23] cap. 20.22. Jer. 9.19. Eze. 36.13, 17.

[24] ver. 8, 26. cap. 20.23. Deu. 18.9. ver. 2, 4, 24.

A repetição de diversas leis.

19 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: [1] Sanctos sereis, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou sancto.

3 Cada um temerá a sua mãe [2] e a seu pae, e guardará os meus sabbados: Eu sou o Senhor vosso Deus.

4 Não vos virareis para os idolos, [3] nem vos fareis deuses de fundição: Eu sou o Senhor vosso Deus.

5 E, quando sacrificardes sacrificio pacifico [4] ao Senhor, [GH] da vossa propria vontade o sacrificareis.

6 No dia em que o sacrificardes, e no dia seguinte, se comerá; mas o[116] que sobejar ao terceiro dia será queimado com fogo.

7 E, se alguma coisa d’elle fôr comida ao terceiro dia, coisa abominavel é: não será acceita.

8 E qualquer que o comer levará a sua iniquidade, porquanto profanou a sanctidade do Senhor; por isso tal alma será extirpada do seu povo.

9 Quando tambem segardes [5] a sega da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caidas colherás da tua sega.

10 Similhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caidos da tua vinha: deixal-os-has ao pobre e ao estrangeiro: Eu sou o Senhor vosso Deus.

11 Não furtareis [6] nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu proximo;

12 Nem jurareis [7] falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus: Eu sou o Senhor.

13 Não opprimirás [8] o teu proximo, nem o roubarás: a paga do jornaleiro não ficará comtigo até á manhã.

14 Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço [9] diante do cego: mas terás temor do teu Deus: Eu sou o Senhor.

15 Não fareis injustiça [10] no juizo: não acceitarás o pobre, nem respeitarás o grande; com justiça julgarás o teu proximo.

16 Não andarás como [11] mexeriqueiro entre os teus povos: não te porás contra [12] o sangue do teu proximo: Eu sou o Senhor.

17 Não aborrecerás a [13] teu irmão no teu coração: não deixarás de [14] reprehender o teu proximo, e n’elle não soffrerás peccado.

18 Não te vingarás [15] nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu proximo como a ti mesmo: Eu sou o Senhor.

19 Guardareis os meus estatutos: não permittirás que se ajuntem misturadamente os teus animaes de differente especie: no teu campo [16] não semearás semente de mistura, e vestido de diversos estofos misturados não vestireis.

20 E, quando um homem se deitar com uma mulher que fôr serva desposada do homem, e não fôr resgatada, nem se lhe houver dado liberdade, então serão açoitados; não morrerão, pois não foi libertada.

21 E, por expiação da sua [17] culpa, trará ao Senhor, á porta da tenda da congregação, um carneiro da expiação,

22 E, com o carneiro da expiação da culpa, o sacerdote fará propiciação por elle perante o Senhor, pelo seu peccado que peccou; e o seu peccado, que peccou, lhe será perdoado.

23 E, quando tiverdes entrado na terra, e plantardes toda a arvore de comer, ser-vos-ha incircumciso o seu fructo; tres annos vos será incircumciso; d’elle não se comerá.

24 Porém no quarto anno todo o seu fructo será sancto para dar [18] louvores ao Senhor.

25 E no quinto anno comereis o seu fructo, para que [GI] vos faça crescer a sua novidade: Eu sou o Senhor vosso Deus.

26 Não comereis [19] coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis.

27 Não cortareis o cabello, [20] arredondando os cantos da vossa cabeça, nem damnificarás a ponta da tua barba.

28 Pelos mortos não dareis golpes [21] na vossa carne: nem fareis marca alguma sobre vós: Eu sou o Senhor.

29 Não contaminarás [22] a tua filha, fazendo-a fornicar: para que a terra não fornique, nem se encha de maldade.

30 Guardareis [23] os meus sabbados, e o meu sanctuario reverenciareis: Eu sou o Senhor.

31 Não vos virareis para [24] os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com elles: Eu sou o Senhor vosso Deus.

32 Diante das cãs te levantarás, [25] e honrarás a face do velho; e terás temor do teu Deus: Eu sou o Senhor.

[117]

33 E quando o estrangeiro [26] peregrinar comtigo na vossa terra, não o opprimireis.

34 Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina comvosco: amal-o-has [27] como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egypto: Eu sou o Senhor vosso Deus.

35 Não commettereis [28] injustiça no juizo, nem na vara, nem no peso, nem na medida.

36 Balanças justas, [29] pedras justas, epha justa, e justo hin tereis: Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egypto.

37 Pelo que guardareis todos os meus estatutos, [30] e todos os meus juizos, e os fareis: Eu sou o Senhor.

[1] cap. 11.44 e 20.7, 26. I Ped. 1.16.

[2] Exo. 20.8, 12 e 31.13.

[3] Exo. 20.4. cap. 26.1. I Cor. 10.14. I João 5.21. Exo. 34.17. Deu. 27.15.

[4] cap. 7.16.

[5] cap. 23.22. Deu. 24.19, 20, 21. Ruth 2.15, 16.

[6] Exo. 20.15 e 22.1, 7, 10-12. Deu. 5.19. cap. 6.2. Eph. 4.25. Col. 3.9.

[7] Exo. 20.7. cap. 6.3. Deu. 5.11. Mat. 5.33. Thi. 5.12. cap. 18.21.

[8] Mar. 10.19. I The. 4.6. Deu. 24.14, 15. Mal. 3.5. Thi. 5.4.

[9] Deu. 27.18. Rom. 14.13. ver. 32. Gen. 42.18. cap. 25.17. Ecc. 5.7. I Ped. 2.17.

[10] Exo. 23.2, 3. Deu. 1.17 e 16.19 e 27.19. Pro. 24.23. Thi. 2.9.

[11] Exo. 23.1. Psa. 15.3 e 50.20. Pro. 11.13 e 20.19. Eze. 22.9.

[12] Exo. 23.1, 7. I Reis 21.13. Mat. 26.60.

[13] I João 2.9, 11 e 3.15.

[14] Mat. 18.15. Luc. 17.3. Gal. 6.1. Eph. 5.11. I Tim. 5.20. II Tim. 4.2. Tito 1.13 e 2.15.

[15] II Sam. 13.22. Pro. 20.22. Rom. 12.17, 19. Gal. 5.20. Eph. 4.31. Thi. 5.9. I Ped. 2.1. Mat. 5.43.

[16] Deu. 22.9, 10, 11.

[17] cap. 5.15 e 6.6.

[18] Deu. 12.17, 18. Pro. 3.9.

[19] cap. 17.10, etc. Deu. 12.23 e 18.10, 11, 14. I Sam. 15.23. II Reis 17.17 e 21.6. II Chr. 33.6. Mal. 3.5.

[20] cap. 21.5. Isa. 15.2. Jer. 48.37.

[21] cap. 21.5. Deu. 14.1. Jer. 16.6 e 48.37.

[22] Deu. 23.17.

[23] ver. 3. cap. 26.2. Ecc. 5.1.

[24] Exo. 22.18. cap. 20.6, 27. Deu. 18.10. I Sam. 28.7. I Chr. 10.13. Isa. 8.19. Act. 16.16.

[25] Pro. 20.29. I Tim. 5.1. ver. 14.

[26] Exo. 22.21 e 23.9.

[27] Exo. 12.48, 49. Deu. 10.19.

[28] ver. 15.

[29] Deu. 25.13, 15. Pro. 11.1 e 16.11 e 20.10.

[30] cap. 13.4, 5. Deu. 4.5, 6 e 5.1 e 6.25.

As penas de diversos crimes.

20 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Tambem dirás [1] aos filhos de Israel: Qualquer que, dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, dér da sua semente a Molech, certamente morrerá; o povo da terra o apedrejará com pedras.

3 E eu porei [2] a minha face contra esse homem, e o extirparei do meio do seu povo, porquanto deu da sua semente a Molech, para contaminar o meu sanctuario e profanar o meu sancto nome.

4 E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os seus olhos d’aquelle homem que houver dado da sua semente a Molech, assim que o [3] não matem,

5 Então eu porei a minha [4] face contra aquelle homem, e contra a sua familia, e o extirparei do meio do seu povo, com todos os que fornicam após d’elle, fornicando após de Molech.

6 Quando uma alma se virar para [5] os adivinhadores e encantadores, para fornicar após d’elles, eu porei a minha face contra aquella alma, e a extirparei do meio do seu povo.

7 Portanto sanctificae-vos, [6] e sêde sanctos, pois Eu sou o Senhor vosso Deus.

8 E guardae os meus estatutos, [7] e fazei-os: Eu sou o Senhor que vos sanctifica.

9 Quando um homem amaldiçoar a seu [8] pae ou a sua mãe certamente morrerá: amaldiçoou a seu pae ou a sua mãe; o seu sangue [9] é sobre elle.

10 Tambem o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado [10] com a mulher do seu proximo, certamente morrerá o adultero e a adultera.

11 E o homem que se deitar com a mulher de seu pae [11] descobriu a nudez de seu pae; ambos certamente morrerão: o seu sangue é sobre elles.

12 Similhantemente, quando um homem se deitar com a sua nora, [12] ambos certamente morrerão: fizeram confusão; o seu sangue é sobre elles.

13 Quando tambem um homem se deitar com outro homem, [13] como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue é sobre elles.

14 E, quando um homem tomar uma mulher e a sua mãe, [14] maldade é: a elle e a ellas queimarão com fogo, para que não haja maldade no meio de vós.

15 Quando tambem um homem se deitar [15] com um animal, certamente morrerá; e matareis o animal.

16 Tambem a mulher que se chegar a algum animal, para ter ajuntamento com elle, aquella mulher matarás com o animal; certamente morrerão; o seu sangue é sobre elles.

17 E, quando um homem tomar [16] a sua irmã, filha de seu pae, ou filha de sua mãe, e elle vir a nudez d’ella, e ella vir a sua, torpeza é: portanto serão extirpados aos olhos dos filhos do seu povo: descobriu a nudez de sua irmã, levará sobre si a sua iniquidade.

18 E, quando um homem [17] se deitar com uma mulher que tem a sua enfermidade, e descobriu a sua nudez, descobrindo a sua fonte, e ella descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão extirpados do meio do seu povo.

19 Tambem a nudez [18] da irmã de tua mãe, ou da irmã de teu pae não descobrirás: porquanto descobriu a sua parenta, sobre si levarão a sua iniquidade.

20 Quando tambem um homem se deitar com a sua tia [19] descobriu a nudez de seu tio: seu peccado sobre si levarão; sem filhos morrerão.

[118]

21 E quando um homem tomar a mulher de seu irmão, [20] immundicia é: a nudez de seu irmão descobriu: sem filhos ficarão.

22 Guardae pois todos os meus estatutos, e todos os meus juizos, e fazei-os, [21] para que vos não vomite a terra, na qual eu vos metto para habitar n’ella.

23 E não andeis [22] nos estatutos da gente que eu lanço fóra diante da vossa face, porque fizeram todas estas coisas: portanto fui enfadado d’elles.

24 E a vós [23] vos tenho dito: Em herança possuireis a sua terra, e eu a darei a vós, para possuil-a em herança, terra que mana leite e mel: Eu sou o Senhor vosso Deus, [24] que vos separei dos povos.

25 Fareis pois differença [25] entre os animaes limpos e immundos, e entre as aves immundas e as limpas; [26] e as vossas almas não fareis abominaveis por causa dos animaes, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra; as quaes coisas apartae de vós, para tel-as por immundas.

26 E ser-me-heis sanctos, [27] porque Eu, o Senhor, sou sancto, e separei-vos dos povos, para serdes meus.

27 Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espirito adivinho, [28] ou fôr encantador, certamente morrerão: com pedras se apedrejarão; o seu sangue é sobre elles.

[1] cap. 18.2, 21. Jer. 7.31 e 32.35. Eze. 20.31.

[2] cap. 17.10. Eze. 5.11 e 23.38, 39. cap. 18.21.

[3] Deu. 17.2, 3, 5.

[4] cap. 17.10. Exo. 20.5. cap. 17.7.

[5] cap. 19.31.

[6] cap. 11.44 e 19.2. I Ped. 1.16.

[7] cap. 19.37. Exo. 31.13. cap. 21.8. Eze. 37.28.

[8] Exo. 21.17. Deu. 27.16. Pro. 20.20. Mat. 15.4.

[9] ver. 11, 12, 13, 16, 27. II Sam. 1.16.

[10] cap. 18.20. Deu. 22.22.

[11] cap. 18.8. Deu. 27.23.

[12] cap. 18.22. Deu. 23.17. Gen. 19.5.

[13] cap. 18.22. Deu. 23.17. Gen. 19.5.

[14] cap. 18.17. Deu. 27.33.

[15] cap. 18.23. Deu. 27.21.

[16] cap. 18.9. Deu. 27.22. Gen. 20.12.

[17] cap. 18.19 e 15.24.

[18] cap. 18.6, 12, 13.

[19] cap. 18.14.

[20] cap. 18.16.

[21] cap. 18.26 e 18.25, 28.

[22] cap. 18.3, 24, 20. cap. 18.27. Deu. 9.5.

[23] Exo. 3.17 e 6.8.

[24] ver. 26. Exo. 19.5 e 33.16. Deu. 7.6 e 14.2. I Reis 8.53.

[25] cap. 11.47. Deu. 14.4.

[26] cap. 11.47.

[27] ver. 7. cap. 19.2. I Ped. 1.16. ver. 24. Tito 2.14.

[28] Exo. 22.18. cap. 19.31. Deu. 18.10, 11. I Sam. 28.7, 8. ver. 9.

Leis ácerca dos sacerdotes.

21 Depois disse o Senhor a Moysés: Falla aos sacerdotes, filhos d’Aarão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará [1] por causa d’um morto entre os seus povos,

2 Salvo por seu parente mais chegado a elle: por sua mãe, e por seu pae, e por seu filho, e sua filha, e por seu irmão,

3 E por sua irmã virgem, chegada a elle, que ainda não teve marido: por ella se contaminará.

4 Não se contaminará por principe entre os seus povos, para se profanar.

5 Não farão calva na sua cabeça, [2] e não raparão a ponta da sua barba, nem darão golpes na sua carne.

6 Sanctos serão a seu Deus, e não profanarão [3] o nome do seu Deus, porque offerecem as offertas queimadas do Senhor, o pão do seu Deus: portanto serão sanctos.

7 Não tomarão mulher [4] prostituta ou infame, nem tomarão mulher repudiada de seu marido; pois sancto é a seu Deus.

8 Portanto o sanctificarás, porquanto offerece o pão do teu Deus: sancto será para ti, pois Eu, o Senhor [5] que vos sanctifica, sou sancto.

9 E quando a filha [6] d’um sacerdote começar a fornicar, profana a seu pae; com fogo será queimada.

10 E o summo sacerdote entre seus irmãos, [7] sobre cuja cabeça foi derramado o azeite da uncção, e que fôr sagrado para vestir os vestidos, não descobrirá a sua cabeça nem rasgará os seus vestidos;

11 E não se chegará [8] a cadaver algum, nem por causa de seu pae, nem por sua mãe, se contaminará;

12 Nem sairá [9] do sanctuario, para que não profane o sanctuario do seu Deus, pois a corôa do azeite da uncção do seu Deus está sobre elle; Eu sou o Senhor.

13 E elle tomará uma mulher na [10] sua virgindade.

14 Viuva, ou repudiada, ou deshonrada, ou prostituta, estas não tomará, mas virgem dos seus povos tomará por mulher.

15 E não profanará a sua semente entre os seus povos; porque Eu sou [11] o Senhor que o sanctifico.

16 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

17 Falla a Aarão, dizendo: Ninguem da tua semente, nas suas gerações, em que houver alguma falta, se chegará a offerecer o pão do seu Deus.

18 Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará: como homem cego, ou côxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos,

19 Ou homem que tiver quebrado o pé, ou quebrada a mão,

20 Ou corcovado, ou anão, ou que tiver belida no olho, ou sarna, ou impigens, [12] ou que tiver testiculo quebrado.

21 Nenhum homem da semente de Aarão, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará [13] para offerecer as offertas queimadas do Senhor:[119] falta n’elle ha; não se chegará para offerecer o pão do seu Deus.

22 O pão [14] do seu Deus [GJ] das sanctidades de sanctidades e das coisas sanctas poderá comer.

23 Porém até ao véu não entrará, nem se chegará ao altar, porquanto falta ha n’elle, [15] para que não profane os meus sanctuarios; porque Eu sou o Senhor que os sanctifico.

24 E Moysés fallou isto a Aarão e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel.

[1] Eze. 44.25.

[2] cap. 19.27, 28. Deu. 14.1. Eze. 44.20.

[3] cap. 18.21 e 19.12.

[4] Eze. 44.22. Deu. 24.1, 2.

[5] cap. 20.7, 8.

[6] Gen. 38.24.

[7] Exo. 29.29, 30. cap. 8.12 e 16.32. Num. 35.25. Exo. 28.2. cap. 16.32 e 10.6.

[8] Num. 19.14. ver. 1, 2.

[9] cap. 10.7. cap. 8.12, 30.

[10] ver. 7. Eze. 44.22.

[11] ver. 8.

[12] Deu. 23.1.

[13] ver. 6.

[14] cap. 2.3, 10 e 6.17, 29 e 7.1 e 24.9. Num. 18.9.

[15] ver. 12.

A lei ácerca de comer coisas sanctas.

22 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Dize a Aarão e a seus filhos que se apartem [1] das coisas sanctas dos filhos de Israel, que a mim me sanctificam, para que não profanem [2] o [GK] nome da minha sanctidade: Eu sou o Senhor.

3 Dize-lhes: Todo o homem, que entre as vossas gerações, de toda a vossa semente, se chegar ás coisas sanctas que os filhos de Israel sanctificam ao Senhor, tendo sobre si a sua [3] immundicia, aquella alma será extirpada de diante da minha face: Eu sou o Senhor.

4 Ninguem da semente d’Aarão, que fôr leproso, ou tiver [4] fluxo, comerá das coisas sanctas, até que seja limpo: como tambem o que tocar alguma coisa immunda de cadaver, ou aquelle de que sair a semente da copula,

5 Ou qualquer que tocar a algum reptil, [5] pelo que se fez immundo, ou a algum homem, pelo que se fez immundo, segundo toda a sua immundicia.

6 O homem que o tocar será immundo até á tarde, e não comerá das coisas sanctas, [6] mas banhará a sua carne em agua.

7 E havendo-se o sol já posto, então será limpo, e depois comerá das coisas sanctas; porque este é o seu [7] pão.

8 O corpo morto e o dilacerado não comerá, [8] para n’elle se não contaminar: Eu sou o Senhor.

9 Guardarão pois o meu [9] mandamento, para que por isso não levem peccado, e morram n’elle, havendo-as profanado: Eu sou o Senhor que os sanctifico.

10 Tambem nenhum estranho comerá das coisas sanctas: nem o hospede do sacerdote nem o jornaleiro comerão das coisas sanctas.

11 Mas quando o sacerdote comprar alguma alma com o seu dinheiro, aquella comerá d’ellas, e o nascido na sua casa: estes comerão [10] do seu pão.

12 E, quando a filha do sacerdote se casar com homem estranho, ella não comerá da offerta movida das coisas sanctas.

13 Mas quando a filha do sacerdote fôr viuva ou repudiada, e não tiver semente, [11] e se houver tornado á casa de seu pae, como na sua mocidade, do pão de seu pae comerá; mas nenhum estranho comerá d’elle.

14 E quando alguem por erro [12] comer a coisa sancta, sobre ella accrescentará seu quinto, e o dará ao sacerdote com a coisa sancta.

15 Assim não profanarão [13] as coisas sanctas dos filhos de Israel, que offerecem ao Senhor,

16 Nem os farão levar a iniquidade da culpa, [14] comendo as suas coisas sanctas: pois Eu sou o Senhor que as sanctifico.

Os animaes sacrificados devem ser sem defeito.

17 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

18 Falla a Aarão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e dize-lhes: [15] Qualquer que, da casa de Israel, ou dos estrangeiros em Israel, offerecer a sua offerta, quer dos seus votos, quer das suas offertas voluntarias, que offerecerem ao Senhor em holocausto,

19 [GL] Segundo a sua [16] vontade, offerecerá macho sem mancha, das vaccas, dos cordeiros, ou das cabras.

20 Nenhuma coisa em que haja defeito [17] offerecereis, porque não seria acceita por vós.

21 E, quando alguem offerecer sacrificio pacifico [18] ao Senhor, separando das vaccas ou das ovelhas um voto, ou offerta voluntaria, sem mancha será, para que seja acceito; nenhum defeito haverá n’elle.

22 O cego, [19] ou quebrado, ou aleijado, o verrugoso, ou sarnoso, ou cheio[120] de impigens, este não offerecereis ao Senhor, e d’elles não poreis offerta queimada ao Senhor sobre o altar.

23 Porém boi, [20] ou gado miudo, comprido ou curto de membros, poderás offerecer por offerta voluntaria, mas por voto não será acceito.

24 O machucado, ou moido, ou despedaçado, ou cortado, não offerecereis ao Senhor: não fareis isto na vossa terra.

25 Tambem da mão do [21] estrangeiro nenhum manjar offerecereis ao vosso Deus, de todas estas coisas, pois a sua corrupção está n’ellas; falta n’ellas ha; não serão acceitas por vós.

26 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

27 Quando nascer o boi, [22] ou cordeiro, ou cabra, sete dias estará debaixo de sua mãe; depois, desde o dia oitavo em diante, será acceito por offerta queimada ao Senhor.

28 Tambem boi ou gado miudo, [23] a elle e a seu filho não degolareis n’um dia.

29 E, quando sacrificardes sacrificio de [24] louvores ao Senhor, o sacrificareis da vossa vontade.

30 No mesmo dia se comerá; nada deixareis ficar [25] até á manhã: Eu sou o Senhor.

31 Pelo que guardareis [26] os meus mandamentos, e os fareis: Eu sou o Senhor.

32 E não profanareis [27] o meu sancto nome, para que eu seja sanctificado no meio dos filhos de Israel: Eu sou o Senhor que vos sanctifico;

33 Que vos tirei [28] da terra do Egypto, para vos ser por Deus: Eu sou o Senhor.

[1] Num. 6.3.

[2] cap. 18.21. Exo. 28.33. Num. 18.32. Deu. 15.19.

[3] cap. 7.20.

[4] cap. 15.2 e 14.2 e 15.13. Num. 19.11, 22. cap. 15.16.

[5] cap. 11.24, 43, 44 e 15.7, 19.

[6] cap. 15.5. Heb. 10.22.

[7] cap. 21.22. Num. 18.11, 13.

[8] Exo. 22.31. cap. 17.15. Eze. 44.31.

[9] Exo. 28.43. Num. 18.22, 32.

[10] Num. 18.22, 32.

[11] Gen. 38.11. cap. 10.14. Num. 18.11.

[12] cap. 5.15, 16.

[13] Num. 18.32.

[14] ver. 9.

[15] cap. 1.2, 3, 10. Num. 15.14.

[16] cap. 1.3.

[17] Deu. 15.21 e 17.1. Mal. 1.8, 14. Eph. 5.27. Heb. 9.14. I Ped. 1.19.

[18] cap. 3.1, 6. cap. 7.16. Num. 15.3, 8. Deu. 23.21, 23. Psa. 61.8 e 65.1. Ecc. 5.4, 5.

[19] ver. 20. Mal. 1.8. cap. 1.9, 13 e 3.3, 5.

[20] cap. 21.18.

[21] Num. 15.15, 16.

[22] Exo. 22.30.

[23] Deu. 22.6.

[24] cap. 7.12. Psa. 107.23 e 116.17. Amós 4.5.

[25] cap. 7.15.

[26] cap. 19.37. Num. 15.40. Deu. 4.40.

[27] cap. 18.21 e 10.3. Mat. 6.9. Luc. 11.2. cap. 20.8.

[28] Exo. 6.7. cap. 11.45 e 19.36 e 25.38.

As festas solemnes do Senhor.

23 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla [1] aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solemnidades do Senhor, que convocareis, serão sanctas convocações: estas são as minhas solemnidades:

O sabbado.

3 Seis dias obra se fará, [2] mas ao setimo dia será o sabbado do descanço, sancta convocação; nenhuma obra fareis; sabbado do Senhor é em todas as vossas habitações.

A paschoa.

4 Estas são as solemnidades [3] do Senhor, as sanctas convocações, que convocareis ao seu tempo determinado;

5 No mez primeiro, aos [4] quatorze do mez, pela tarde, é a paschoa do Senhor.

6 E aos quinze dias d’este mez é a festa dos asmos do Senhor: sete dias comereis asmos.

7 No primeiro dia [5] tereis sancta convocação: nenhuma obra servil fareis;

8 Mas sete dias offerecereis offerta queimada ao Senhor: ao setimo dia haverá sancta convocação: nenhuma obra servil fareis.

As primicias.

9 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

10 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes [6] entrado na terra, que vos hei de dar, e segardes a sua sega, então trareis um mólho das primicias da vossa sega ao sacerdote:

11 E elle moverá o mólho perante o Senhor, para que sejaes acceitos: ao seguinte dia do sabbado o moverá o sacerdote.

12 E no dia em que moverdes o mólho, preparareis um cordeiro sem mancha, de um anno, em holocausto ao Senhor,

13 E a sua offerta [7] de manjares, duas dizimas de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta queimada em cheiro suave ao Senhor, e a sua libação de vinho, o quarto de um hin.

14 E não comereis pão, nem trigo tostado, nem espigas verdes, até áquelle mesmo dia em que trouxerdes a offerta do vosso Deus: estatuto perpetuo é por vossas gerações, em todas as vossas habitações.

15 Depois para vós [8] contareis desde o dia seguinte ao sabbado, desde o dia em que trouxerdes o mólho da offerta movida: sete semanas inteiras serão.

16 Até ao dia seguinte, ao setimo sabbado, contareis [9] cincoenta dias: então offerecereis nova offerta de manjares ao Senhor.

17 Das vossas habitações trareis dois pães de movimento: de duas dizimas de farinha serão, levedados se cozerão: [10] primicias são ao Senhor.

[121]

18 Tambem com o pão offerecereis sete cordeiros sem mancha, de um anno, e um novilho, e dois carneiros; holocausto serão ao Senhor, com a sua offerta de manjares, e as suas libações, por offerta queimada de cheiro suave ao Senhor.

19 Tambem offerecereis um [11] bode para expiação do peccado, e dois cordeiros de um anno por sacrificio pacifico.

20 Então o sacerdote os moverá com o pão das primicias por offerta movida perante o Senhor, com os dois cordeiros: sanctidade [12] serão ao Senhor para o sacerdote.

21 E n’aquelle mesmo dia apregoareis que tereis sancta convocação: nenhuma obra servil fareis: estatuto perpetuo é em todas as vossas habitações pelas vossas gerações.

22 E, quando segardes a [13] sega da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colhereis as [14] espigas caidas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás: Eu sou o Senhor vosso Deus.

23 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

24 Falla aos filhos de Israel, dizendo: No mez setimo, [15] ao primeiro do mez, tereis descanço, [16] memoria da jubilação, sancta convocação.

25 Nenhuma obra servil fareis, mas offerecereis offerta queimada ao Senhor.

O dia da expiação.

26 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

27 Mas aos dez d’este [17] mez setimo será o dia da expiação: tereis sancta convocação, e affligireis as vossas almas; e offerecereis offerta queimada ao Senhor.

28 E n’aquelle mesmo dia nenhuma obra fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.

29 Porque toda a alma, que n’aquelle mesmo dia se não affligir, será extirpada [18] do seu povo.

30 Tambem toda a alma, que n’aquelle mesmo dia fizer alguma obra, aquella alma eu destruirei do meio do seu povo.

31 Nenhuma obra fareis: [19] estatuto perpetuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações.

32 Sabbado de descanço vos será; então affligireis as vossas almas: aos nove do mez á tarde, d’uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sabbado.

33 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

34 Falla aos filhos de Israel, [20] dizendo: Aos quinze dias d’este mez setimo será a festa dos tabernaculos ao Senhor por sete dias.

35 Ao primeiro dia haverá sancta convocação: nenhuma obra servil fareis.

36 Sete dias offerecereis offertas queimadas ao Senhor: [21] ao dia oitavo tereis sancta convocação, e offerecereis offertas queimadas ao Senhor: dia de prohibição é, nenhuma obra servil fareis.

37 Estas são as solemnidades do Senhor, [22] que apregoareis para sanctas convocações, para offerecer ao Senhor offerta queimada, holocausto e offerta de manjares, sacrificio e libações, cada qual em seu dia proprio:

38 Além [23] dos sabbados do Senhor, e além dos vossos dons, e além de todos os vossos votos, e além de todas as vossas offertas voluntarias que dareis ao Senhor.

39 Porém aos quinze dias do mez setimo, quando tiverdes recolhido [24] a novidade da terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; ao dia primeiro haverá descanço, e ao dia oitavo haverá descanço.

40 E [25] ao primeiro dia [GM] tomareis para vós ramos de formosas arvores, ramos de palmas, ramos de arvores espessas, e salgueiros de ribeiras; [26] e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.

41 E [27] celebrareis esta festa ao Senhor por sete dias cada anno: estatuto perpetuo é pelas vossas gerações; no mez setimo a celebrareis.

42 Sete [28] dias habitareis debaixo de tendas: todos os naturaes em Israel habitarão em tendas:

43 Para que saibam as vossas gerações [29] que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egypto; Eu sou o Senhor vosso Deus.

44 Assim pronunciou [30] Moysés as solemnidades do Senhor aos filhos de Israel.

[1] ver. 4, 37. Exo. 32.5. II Reis 10.20. Psa. 81.3.

[2] Exo. 20.9 e 23.12 e 31.15 e 34.21. cap. 19.3. Deu. 5.13. Luc. 13.14.

[3] ver. 2, 37. Exo. 23.14.

[4] Exo. 12.6, 14, 18 e 13.3 e 23.15 e 34.18. Num. 9.2, 3 e 28.16, 17. Deu. 16.1, 8. Jos. 5.10.

[5] Exo. 12.16. Num. 28.18, 25.

[6] Exo. 23.16, 19 e 34.22, 26. Num. 15.2, 18 e 28.26. Deu. 16.9. Jos. 3.15. Thi. 1.18. Apo. 14.4.

[7] cap. 2.14, 15, 16.

[8] cap. 25.8. Deu. 16.9.

[9] Act. 2.1. Num. 28.26.

[10] Exo. 23.19 e 34.22, 26. Num. 15.17, 21 e 28.26.

[11] cap. 4.23, 28. Num. 28.30. cap. 3.1.

[12] Deu. 18.4.

[13] cap. 19.9.

[14] Deu. 24.19.

[15] Num. 29.1.

[16] cap. 25.9.

[17] cap. 16.30. Num. 29.7.

[18] Gen. 17.14.

[19] cap. 20.3, 5, 6.

[20] Num. 29.12. Deu. 16.13. Esd. 3.4 e 8.14. Zac. 14.16. João 7.37.

[21] Num. 29.35. Neh. 8.18. João 7.37. Deu. 16.8. II Chr. 7.9. Joel 1.14 e 2.15.

[22] ver. 2, 4.

[23] Num. 29.39.

[24] Exo. 23.16. Deu. 16.13.

[25] Neh. 8.15.

[26] Deu. 16.14, 15.

[27] Num. 29.12. Neh. 8.18.

[28] Neh. 8.14, 15, 16.

[29] Deu. 31.13. Psa. 78.5, 6.

[30] ver. 2.

[122]

A lei ácerca das lampadas.

24 E Fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Ordena [1] aos filhos d’Israel que te tragam azeite de oliveiras, puro, batido, para a luminaria, para accender as lampadas continuamente.

3 Aarão as porá em ordem perante o Senhor continuamente, desde a tarde até á manhã, fóra do véu do testemunho, na tenda da congregação: estatuto perpetuo é pelas vossas gerações.

4 Sobre o castiçal puro porá em ordem as lampadas [2] perante o Senhor continuamente.

O pão para a mesa do Senhor.

5 Tambem tomarás da flor de farinha, e d’ella cozerás [3] doze bolos: cada bolo será de duas dizimas.

6 E os porás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a [4] mesa pura, perante o Senhor.

7 E sobre cada fileira porás incenso puro, para que seja para o pão por offerta memorial; offerta queimada é ao Senhor.

8 Em cada dia de [5] sabbado, isto se porá em ordem perante o Senhor continuamente, pelos filhos de Israel, por concerto perpetuo.

9 E será [6] de Aarão e de seus filhos, os quaes o comerão no logar sancto, porque uma coisa sanctissima é para elle, das offertas queimadas ao Senhor, por estatuto perpetuo.

A pena do peccado de blasphemia.

10 E saiu um filho d’uma mulher israelita, o qual era filho d’um homem egypcio, no meio dos filhos de Israel; e o filho da israelita e um homem israelita porfiaram no arraial.

11 Então o filho da mulher israelita blasphemou o [7] nome do Senhor, e o amaldiçoou, pelo que o trouxeram a Moysés: e o nome de sua mãe era Shelomith, filha de Dibri, da tribu de Dan.

12 E o levaram á prisão, [8] até que se lhes fizesse declaração pela bocca do Senhor.

13 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

14 Tira o que tem blasphemado para fóra do arraial; e todos os que o ouviram porão [9] as suas mãos sobre a sua cabeça: então toda a congregação o apedrejará.

15 E aos filhos de Israel fallarás, dizendo: Qualquer que amaldiçoar o seu Deus, [10] levará sobre si o seu peccado.

16 E aquelle que blasphemar o [11] nome do Senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasphemando o nome do Senhor, será morto.

17 E quem matar [12] a alguem certamente morrerá.

18 Mas quem matar [13] um animal, o restituirá, vida por vida.

19 Quando tambem alguem desfigurar o seu proximo, como elle fez [14] assim lhe será feito:

20 Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente: como elle tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.

21 Quem pois matar [15] um animal, restituil-o-ha, mas quem matar um homem [16] será morto.

22 Uma mesma lei tereis; [17] assim será o estrangeiro como o natural; pois eu sou o Senhor vosso Deus.

23 E disse Moysés aos filhos de Israel que levassem [18] o que tinha blasphemado para fóra do arraial, e o apedrejassem com pedras: e fizeram os filhos de Israel como o Senhor ordenara a Moysés.

[1] Exo. 27.20.

[2] Exo. 31.8 e 39.37.

[3] Exo. 25.30.

[4] I Reis 7.48. II Chr. 4.19 e 13.11. Heb. 9.2.

[5] Num. 4.7. II Chr. 2.4.

[6] Exo. 29.33. cap. 8.31 e 21.22.

[7] ver. 16. Job 1.5, 11 e 2.5, 9, 10. Isa. 8.21.

[8] Num. 15.34. Num. 27.5.

[9] Deu. 13.9 e 17.7.

[10] cap. 5.1 e 20.17. Num. 9.13.

[11] I Reis 21.10, 13. Psa. 74.10, 18. Mat. 12.31. Mar. 3.28. Thi. 2.7.

[12] Num. 35.31. Deu. 19.11, 12.

[13] ver. 21.

[14] Exo. 21.24. Deu. 19.21. Mat. 5.38 e 7.2.

[15] ver. 18. Exo. 21.23.

[16] ver. 17.

[17] Exo. 12.49. cap. 19.34. Num. 15.16.

[18] ver. 14.

25 Fallou mais o Senhor a Moysés no monte de Sinai, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra, que eu vos dou, então a terra descançará um [1] sabbado ao Senhor.

3 Seis annos semearás a tua terra, e seis annos podarás a tua vinha, e colherás a sua novidade:

4 Porém ao setimo anno haverá sabbado de descanço para a terra, um sabbado ao Senhor: não semearás o teu campo nem podarás a tua vinha.

5 O que nascer de si mesmo da tua sega não segarás, [2] e as uvas da tua separação não vindimarás: anno de descanço será para a terra.

6 E o sabbado da terra vos será por alimento, a ti, e ao teu servo, e á tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao estrangeiro que peregrina comtigo;

[123]

7 E ao teu gado, e aos teus animaes, que estão na tua terra, toda a sua novidade será por mantimento.

O anno do jubileu.

8 Tambem contarás sete semanas d’annos, sete vezes sete annos: de maneira que os dias das sete semanas d’annos te serão quarenta e nove annos.

9 Então no mez setimo, aos dez do mez, farás passar a trombeta do jubileu: no dia da expiação [3] fareis passar a trombeta por toda a vossa terra.

10 E sanctificareis o anno quinquagesimo, e apregoareis [4] liberdade na terra a todos os seus moradores: anno de jubileu vos será, e tornareis, cada um á sua possessão, e [5] tornareis, cada um á sua familia.

11 O anno quinquagesimo vos será jubileu: não semearás [6] nem segarás o que n’elle nascer de si mesmo, nem n’elle vindimareis as uvas das separações,

12 Porque jubileu é, sancto será para vós: a novidade do campo [7] comereis.

13 N’este [8] anno do jubileu tornareis cada um á sua possessão.

14 E quando venderdes alguma coisa ao vosso proximo, ou a comprardes da mão do vosso proximo, ninguem opprima [9] a seu irmão:

15 Conforme ao numero dos annos desde o jubileu, [10] comprarás ao teu proximo; e conforme ao numero dos annos das novidades, elle a venderá a ti.

16 Conforme á multidão dos annos, augmentarás o seu preço, e conforme á diminuição dos annos abaixarás o seu preço; porque conforme ao numero das novidades é que elle te vende.

17 Ninguem pois opprima [11] ao seu proximo; mas terás temor do teu Deus: porque Eu sou o Senhor vosso Deus.

18 E fazei os meus [12] estatutos, e guardae os meus juizos, e fazei-os: assim habitareis [13] seguros na terra.

19 E a terra dará o seu fructo, e comereis a [14] fartar, e n’ella habitareis seguros.

20 E se disserdes: Que comeremos no [15] anno setimo? eis que não havemos de semear [16] nem colher a nossa novidade;

21 Então eu mandarei [17] a minha benção sobre vós no sexto anno, para que dê fructo por tres annos.

22 E no oitavo anno semeareis, [18] e comereis da novidade velha até ao anno nono: até que venha a sua novidade, comereis a velha.

23 Tambem a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha: pois [19] vós sois estrangeiros e peregrinos comigo.

24 Portanto em toda a terra da vossa possessão dareis resgate á terra.

25 Quando teu irmão [20] empobrecer e vender alguma porção da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão.

26 E se alguem não tiver resgatador, porém a sua mão alcançar e achar o que basta para o seu resgate,

27 Então contará [21] os annos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem o vendeu, e tornará á sua possessão.

28 Mas, se a sua mão não alcançar o que basta para restituir-lh’a, então a que fôr vendida ficará na mão do comprador até ao anno do jubileu: [22] porém no anno do jubileu sairá, e elle tornará á sua possessão.

29 E, quando algum vender uma casa de moradia em cidade murada, então a pode resgatar até que se cumpra o anno da sua venda; durante um anno inteiro será licito o seu resgate.

30 Mas, se, cumprindo-se-lhe um anno inteiro, ainda não fôr resgatada, então a casa, que estiver na cidade que tem muro, em perpetuidade ficará ao que a comprou, pelas suas gerações: não sairá no jubileu.

31 Mas as casas das aldeias que não teem muro em roda serão estimadas como o campo da terra: para ellas haverá resgate, e sairão no jubileu.

32 Mas, tocante ás cidades dos levitas, ás casas das cidades [23] da sua possessão, direito perpetuo de resgate terão os levitas.

33 E, havendo feito resgate um dos levitas, então a compra da casa e da cidade da sua possessão sairá no jubileu: [24] porque as casas das cidades dos levitas são a sua possessão no meio dos filhos de Israel.

34 Mas o campo do arrabalde das suas cidades [25] não se venderá, porque lhes é possessão perpetua.

[124]

35 E, quando teu irmão empobrecer, e as suas forças decairem, então sustental-o-has, [26] como estrangeiro e peregrino, para que viva comtigo.

36 Não tomarás d’elle usura [27] nem ganho; mas do teu Deus terás temor, [28] para que teu irmão viva comtigo.

37 Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás o teu manjar por interesse.

38 Eu [29] sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egypto, para vos dar a terra de Canaan, para ser vosso Deus.

39 Quando tambem teu irmão empobrecer, estando elle comtigo, e se vender a ti, [30] não o farás servir serviço de escravo.

40 Como jornaleiro, como peregrino estará comtigo; até ao anno do jubileu te servirá:

41 Então sairá do teu serviço, elle e seus filhos com elle, e tornará á sua familia, [31] e á possessão de seus paes tornará.

42 Porque são meus [32] servos, que tirei da terra do Egypto: não serão vendidos como se vendem os escravos.

43 Não te assenhorearás d’elle com rigor, mas do teu Deus [33] terás temor.

44 E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; d’elles comprareis escravos e escravas.

45 Tambem os comprareis dos filhos dos forasteiros [34] que peregrinam entre vós, d’elles e das suas gerações que estiverem comvosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão.

46 E possuil-os-heis por [35] herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir: [36] mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, cada um sobre seu irmão, não vos assenhoreareis d’elle com rigor.

47 E quando a mão do estrangeiro e peregrino que está comtigo alcançar riqueza, e teu irmão, que está com elle, [37] empobrecer, e se vender ao estrangeiro ou peregrino que está comtigo, ou á raça da linhagem do estrangeiro.

48 Depois que se houver vendido, haverá resgate para elle: um de seus irmãos [38] o resgatará;

49 Ou seu tio, ou o filho de seu tio o resgatará; ou um dos seus parentes, da sua familia, o resgatará; ou, se a sua mão alcançar riqueza, [39] se resgatará a si mesmo.

50 E contará com aquelle que o comprou, desde o anno que se vendeu a elle até ao anno do jubileu, e o dinheiro da sua venda será conforme ao numero dos annos: conforme [40] aos dias de um jornaleiro estará com elle.

51 Se ainda muitos annos faltarem, conforme a elles restituirá o seu resgate do dinheiro pelo qual foi vendido,

52 E se ainda restarem poucos annos até ao anno do jubileu, então fará contas com elle: segundo os seus annos restituirá o seu resgate.

53 Como jornaleiro, de anno em anno, estará com elle: não se assenhoreará sobre elle com rigor diante dos teus olhos.

54 E, se d’esta sorte se não [41] resgatar, sairá no anno do jubileu, elle e seus filhos com elle.

55 Porque [42] os filhos de Israel me são servos; meus servos são elles, que tirei da terra do Egypto: Eu sou o Senhor vosso Deus.

[1] Exo. 23.10. cap. 26.34, 35. II Chr. 36.21.

[2] II Reis 19.29.

[3] cap. 23.24, 27.

[4] Isa. 61.2 e 63.4. Jer. 34.8, 15, 17. Luc. 4.19.

[5] ver. 13. Num. 36.4.

[6] ver. 5.

[7] ver. 6, 7.

[8] ver. 10. cap. 27.24. Num. 36.4.

[9] ver. 17. cap. 19.13. I Sam. 12.3, 4. Miq. 2.2. I Cor. 6.8.

[10] cap. 27.18, 23.

[11] ver. 14, 43. cap. 19.14, 32.

[12] cap. 19.37.

[13] cap. 26.5. Deu. 12.10. Psa. 3.8. Pro. 1.33. Jer. 23.6.

[14] cap. 26.5. Eze. 34.25, 27, 28.

[15] Mat. 6.25, 31.

[16] ver. 4, 5.

[17] Deu. 28.8.

[18] II Reis 19.29. Jos. 5.11, 12.

[19] I Chr. 29.15. Psa. 39.12 e 119.19. I Ped. 2.11.

[20] Ruth 2.20 e 4.4, 6 e 3.2, 9, 12. Jer. 32.7, 8.

[21] ver. 50, 51, 52.

[22] ver. 13.

[23] Num. 35.2. Jos. 21.2, etc.

[24] ver. 28.

[25] Act. 4.36, 37.

[26] Deu. 15.7, 8. Psa. 37.26 e 41.2 e 112.5, 9. Pro. 14.31. Luc. 6.35. Act. 11.29. Rom. 12.10. I João 3.17.

[27] Exo. 22.25. Deu. 23.19. Neh. 5.7. Psa. 15.5. Pro. 28.8. Eze. 18.8, 13, 17 e 22.12.

[28] ver. 17. Neh. 5.9.

[29] cap. 22.32, 33.

[30] Exo. 21.2. Deu. 15.12. I Reis 9.22. II Reis 4.1. Neh. 5.5. Jer. 34.14.

[31] Exo. 21.3. ver. 28.

[32] ver. 55. Rom. 6.22. I Cor. 7.23.

[33] Eph. 6.9. Col. 4.1. ver. 46. Exo. 1.13. ver. 17. Exo. 1.17, 21. Deu. 25.18. Mal. 3.5.

[34] Isa. 56.3, 6.

[35] Isa. 14.2.

[36] ver. 43.

[37] ver. 25, 35.

[38] Neh. 5.5.

[39] ver. 26.

[40] Job 7.1. Isa. 16.14 e 21.26.

[41] ver. 41. Exo. 21.2, 3.

[42] ver. 42.

Mandamentos, promessas e ameaças.

26 Não fareis para vós idolos, [1] nem vos levantareis imagem de esculptura nem [GN] estatua, nem poreis pedra figurada na vossa terra, para inclinar-vos a ella: porque Eu sou o Senhor vosso Deus.

2 Guardareis [2] os meus sabbados, e reverenciareis o meu sanctuario: Eu sou o Senhor.

3 Se [3] andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os fizerdes,

4 Então eu vos darei as vossas chuvas [4] a seu tempo; e a terra dará a sua novidade, e a arvore do campo dará o seu fructo:

5 E a debulha se vos chegará á [5] vindima, e a vindima se chegará á sementeira: [6] e comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra.

[125]

6 Tambem darei paz [7] na terra, e dormireis seguros, e não haverá quem vos espante: [8] e farei cessar as más bestas da terra, e pela vossa terra não passará espada.

7 E perseguireis os vossos inimigos, e cairão á espada diante de vós.

8 Cinco [9] de vós perseguirão um cento, e cem de vós perseguirão dez mil; e os vossos inimigos cairão á espada diante de vós.

9 E para vós olharei, [10] e vos farei fructificar, e vos multiplicarei, e confirmarei o meu concerto comvosco.

10 E comereis o deposito velho, depois [11] de envelhecido; e tirareis fóra o velho por causa do novo.

11 E porei [12] o meu tabernaculo no meio de vós, e a minha alma de vós não se [13] enfadará.

12 E andarei [14] no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo.

13 Eu sou [15] o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra dos egypcios, para que não fosseis seus escravos: e quebrantei [16] os timões do vosso jugo, e vos fiz andar direitos.

14 Mas, se [17] me não ouvirdes, e não fizerdes todos estes mandamentos,

15 E se rejeitardes [18] os meus estatutos, e a vossa alma se enfadar dos meus juizos, não fazendo todos os meus mandamentos, para invalidar o meu concerto.

16 Então eu tambem vos farei isto: porei sobre vós terror, a tisica e a febre ardente, [19] que consumam os olhos e atormentem a alma: e semeareis debalde [20] a vossa semente, e os vossos inimigos a comerão.

17 E porei [21] a minha face contra vós, e sereis feridos diante de vossos inimigos; e os que vos [22] aborrecerem de vós se assenhorearão, e fugireis, sem ninguem vos perseguir.

18 E, se ainda com estas coisas não me ouvirdes, então eu proseguirei a castigar-vos [23] sete vezes mais por causa dos vossos peccados.

19 Porque quebrantarei [24] a soberba da vossa força; e farei que os vossos céus sejam como ferro e a vossa terra como cobre.

20 E debalde se gastará a sua força: [25] a vossa terra não dará a sua novidade, e as arvores da terra não darão o seu fructo.

21 E se andardes contrariamente para comigo, e não me quizerdes ouvir, trazer-vos-hei pragas sete vezes mais, conforme aos vossos peccados.

22 Porque enviarei [26] entre vós as feras do campo, as quaes vos destilharão, e desfarão o vosso gado, e vos apoucarão; e os vossos caminhos [27] serão desertos.

23 Se ainda com estas coisas não fôrdes [28] restaurados por mim, mas ainda andardes contrariamente comigo,

24 Eu tambem comvosco andarei contrariamente, [29] e eu, mesmo eu, vos ferirei sete vezes mais por causa dos vossos peccados.

25 Porque trarei sobre vós a espada, que executará [30] a vingança do concerto; e ajuntados estareis nas vossas cidades: então enviarei [31] a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo.

26 Quando eu vos quebrantar [32] o sustento do pão, então dez mulheres cozerão o vosso pão n’um forno, e tornar-vos-hão o vosso pão por peso; e comereis, mas não vos [33] fartareis.

27 E se [34] com isto me não ouvirdes, mas ainda andardes contrariamente comigo,

28 Tambem eu comvosco andarei contrariamente [35] em furor; e vos castigarei sete vezes mais por causa dos vossos peccados.

29 Porque comereis [36] a carne de vossos filhos, e a carne de vossas filhas comereis.

30 E destruirei [37] os vossos altos, e desfarei as vossas imagens do sol, e lançarei os vossos cadaveres sobre os cadaveres mortos [38] dos vossos deuses; a minha alma se enfadará de vós.

31 E porei as vossas cidades por deserto, [39] e assolarei os vossos sanctuarios, e não cheirarei o vosso cheiro suave.

[126]

32 E assolarei a [40] terra e se espantarão d’isso os vossos inimigos que n’ella morarem.

33 E vos espalharei entre [41] as nações, e desembainharei a espada após de vós; e a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas.

34 Então [42] a terra folgará nos seus sabbados, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; então a terra descançará, e folgará nos seus sabbados.

35 Todos os dias da assolação descançará, porque não descançou nos vossos sabbados, [43] quando habitaveis n’ella.

36 E, quanto aos que de vós ficarem, eu metterei tal pavor [44] nos seus corações, nas terras dos seus inimigos, que o sonido d’uma folha movida os perseguirá; e fugirão como de fugida da espada; e cairão sem ninguem os perseguir.

37 E cairão [45] uns sobre os outros como de diante da espada, sem ninguem os perseguir; e não podereis parar diante [46] dos vossos inimigos.

38 E perecereis entre as gentes, e a terra dos vossos inimigos vos consumirá.

39 E aquelles que entre vós ficarem se derreterão [47] pela sua iniquidade nas terras dos vossos inimigos, e pela iniquidade de seus paes com elles se derreterão.

40 Então confessarão [48] a sua iniquidade, e a iniquidade de seus paes, com os seus trespassos, com que trespassaram contra mim; como tambem elles andaram contrariamente para comigo,

41 Eu tambem andei com elles contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se então o seu coração [49] incircumciso se humilhar, e então tomarem por bem o castigo da sua iniquidade,

42 Tambem eu me lembrarei [50] do meu concerto com Jacob, e tambem do meu concerto com Isaac, e tambem do meu concerto com Abrahão me lembrarei, e da terra me lembrarei.

43 E a terra será desamparada d’elles, e [51] folgará nos seus sabbados, sendo assolada por causa d’elles; e tomarão por bem o castigo da sua iniquidade, em razão mesmo de que rejeitaram os meus juizos e a sua alma se enfastiou dos meus estatutos.

44 E, demais d’isto tambem, estando elles na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei [52] nem me enfadarei d’elles, para consumil-os e invalidar o meu concerto com elles, porque Eu sou o Senhor seu Deus.

45 Antes por amor d’elles me lembrarei [53] do concerto com os seus antepassados, que tirei da terra do Egypto perante os olhos das nações, para lhes ser por Deus: Eu sou o Senhor.

46 Estes são os estatutos, [54] e os juizos, e as leis que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela mão de Moysés.

[1] Exo. 20.4, 5. Deu. 5.8 e 16.22.

[2] cap. 19.30.

[3] Deu. 11.13 e 28.1-14.

[4] Isa. 30.26. Eze. 30.26. Joel 2.23. Eze. 34.26 e 36.30. Zac. 8.12.

[5] Amós 9.13.

[6] cap. 25.19. Deu. 11.15. Joel 2.19, 26. cap. 25.18. Job 11.18. Eze. 34.25.

[7] I Sam. 29.9. Psa. 29.11 e 146.14. Isa. 45.7. Agg. 2.9. Job 11.19. Isa. 35.9. Jer. 30.10. Ose. 2.18. Sof. 3.13.

[8] II Reis 17.25.

[9] Deu. 32.30. Jos. 23.10.

[10] Exo. 2.25. I Reis 13.23. Gen. 17.6. Neh. 9.23.

[11] cap. 25.22.

[12] Exo. 25.8. Jos. 22.19. Psa. 76.2. Eze. 37.26. Apo. 21.3.

[13] cap. 20.23. Deu. 32.19.

[14] II Cor. 6.16. Exo. 6.7. Jer. 7.23 e 11.4. Eze. 11.20 e 36.28.

[15] cap. 25.38.

[16] Jer. 2.20. Eze. 34.27.

[17] Deu. 28.15. Lam. 2.17. Mal. 2.2.

[18] ver. 43. II Reis 17.15.

[19] Deu. 28.65 e 32.25. Jer. 15.8. Deu. 28.22. I Sam. 2.33.

[20] Deu. 28.33. Job 31.8. Jer. 5.17 e 12.13. Miq. 6.15.

[21] cap. 17.10. Deu. 28.25. Jui. 2.14. Jer. 19.7.

[22] Psa. 106.41. Pro. 28.1.

[23] I Sam. 2.5. Pro. 24.16.

[24] Isa. 25.11 e 25.5. Eze. 7.24 e 30.6. Deu. 28.23.

[25] Psa. 127.1. Isa. 49.4. Deu. 11.17. Agg. 1.10.

[26] Deu. 32.24. II Reis 17.25. Eze. 5.17 e 14.15.

[27] Jui. 5.6. II Chr. 15.5. Isa. 33.8. Zac. 7.14.

[28] Jer. 2.30. Amós 4.6-12.

[29] II Sam. 22.27.

[30] Eze. 5.17 e 6.3 e 14.17 e 29.8 e 32.2.

[31] Num. 14.12. Deu. 28.21. Jer. 14.12 e 24.10. Amós 4.10.

[32] Psa. 105.16. Isa. 3.1. Eze. 4.16 e 5.16.

[33] Isa. 9.20. Miq. 6.14. Agg. 1.6.

[34] ver. 21, 24.

[35] Isa. 59.18 e 63.3. Jer. 21.5. Eze. 5.13, 15.

[36] Deu. 28.53. II Reis 6.29. Lam. 4.10. Eze. 5.10.

[37] II Chr. 34.3, 4, 7. Isa. 27.9. Eze. 6.3-13.

[38] II Reis 23.20. II Chr. 34.5. cap. 20.23. Psa. 78.58. Jer. 14.19.

[39] Neh. 2.3. Jer. 4.7. Lam. 1.10. Eze. 9.6.

[40] Jer. 9.11 e 25.11, 18. Deu. 28.37. I Reis 9.8. Eze. 5.15.

[41] Deu. 4.27 e 28.64. Psa. 44.12. Jer. 9.16. Eze. 12.15. Zac. 7.14.

[42] II Chr. 36.21.

[43] cap. 25.2.

[44] Eze. 21.7. Job 15.21. Pro. 28.1.

[45] Isa. 10.4. Jui. 7.22. I Sam. 14.15.

[46] Jos. 7.12. Jui. 2.14.

[47] Deu. 4.27. Neh. 1.8. Jer. 3.25. Eze. 4.71 e 6.9 e 20.43. Ose. 5.15. Zac. 10.9.

[48] Num. 5.7. I Reis 8.33, 35, 47. Neh. 9.2. Pro. 28.13. Dan. 9.3, 4. Luc. 15.18. I João 1.9.

[49] Jer. 9.25, 26. Eze. 44.7. Act. 7.31. Rom. 2.29. Col. 2.11. I Reis 21.29. II Chr. 12 e 32.26.

[50] Exo. 2.24 e 6.5. Psa. 106.45. Eze. 16.60.

[51] ver. 15, 34, 35.

[52] Deu. 4.31. II Reis 13.23. Rom. 11.2.

[53] Rom. 11.28. cap. 22.33 e 25.38. Eze. 20.9.

[54] cap. 27.34. Deu. 6.1 e 12.1 e 33.4. João 1.17. cap. 25.1.

Votos particulares e a avaliação d’elles.

27 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguem fizer particular voto, [1] segundo a tua avaliação serão as pessoas ao Senhor.

3 Se fôr a tua avaliação d’um macho, da edade de vinte annos até á edade de sessenta, será a tua avaliação de cincoenta siclos de prata, segundo o siclo [2] do sanctuario.

4 Porém, se fôr femea, a tua avaliação será de trinta siclos.

5 E, se fôr de cinco annos até vinte, a tua avaliação d’um macho será vinte siclos, e da femea dez siclos.

6 E, se fôr d’um mez até cinco annos, a tua avaliação d’um macho será de cinco siclos de prata, e a tua avaliação pela femea será de tres siclos de prata.

7 E, se fôr de sessenta annos e acima, pelo macho a tua avaliação será de quinze siclos, e pela femea dez siclos.

8 Mas, se fôr mais pobre do que a tua avaliação, então apresentar-se-ha diante do sacerdote, para que o sacerdote o avalie: conforme ao que alcançar a mão do que fez o voto, o avaliará o sacerdote.

9 E, se fôr animal de que se offerece offerta ao Senhor, tudo quanto der d’elle ao Senhor será sancto.

10 Não o mudará, nem o trocará bom por mau, ou mau por bom: se porém em alguma maneira trocar animal por animal, o tal e o trocado serão ambos sanctos.

[127]

11 E, se fôr algum animal immundo, dos que se não offerecem em offerta ao Senhor, então apresentará o animal diante do sacerdote,

12 E o sacerdote o avaliará, seja bom ou seja mau: segundo a avaliação do sacerdote, assim será.

13 Porém, se em alguma maneira o resgatar, então [3] accrescentará o seu quinto além da tua avaliação.

14 E quando algum sanctificar a sua casa para ser sancta ao Senhor, o sacerdote a avaliará, seja boa ou seja má: como o sacerdote a avaliar, assim será.

15 Mas, se o que sanctificou resgatar a sua casa, então accrescentará o quinto a mais do dinheiro da tua avaliação, e será sua.

Voto d’um campo e o resgate d’elle.

16 Se tambem algum sanctificar ao Senhor [4] uma parte do campo da sua possessão, então a tua avaliação será segundo a sua semente: um homer de semente de cevada será avaliado por cincoenta siclos de prata.

17 Se sanctificar o seu campo desde o anno do jubileu, conforme á tua avaliação ficará.

18 Mas, se sanctificar o seu campo depois do anno do jubileu, então o sacerdote lhe contará o [5] dinheiro conforme aos annos restantes até ao anno do jubileu, e isto se abaterá da tua avaliação.

19 E se [6] aquelle que sanctificou o campo d’alguma maneira o resgatar, então accrescentará o quinto, a mais do dinheiro da tua avaliação, e lhe ficará.

20 E se não resgatar o campo, ou se vender o campo a outro homem, nunca mais se resgatará.

21 Porém, havendo o campo [7] saido no anno do jubileu, será sancto ao Senhor, como campo consagrado: [8] a possessão d’elle será do sacerdote.

22 E se sanctificar ao Senhor o campo que comprou, e não fôr do campo da sua [9] possessão,

23 Então o sacerdote [10] lhe contará a somma da tua avaliação até ao anno do jubileu; e no mesmo dia dará a tua avaliação por [GO] sanctidade ao Senhor.

24 No anno do jubileu [11] o campo tornará áquelle de quem o comprou, áquelle cuja era a possessão do campo.

25 E toda a tua avaliação se fará conforme ao siclo do sanctuario: o siclo será de [12] vinte geras.

26 Mas o que primeiro nascer d’um animal, [13] ninguem ao Senhor sanctificará; seja boi ou gado miudo, do Senhor é.

27 Mas, se fôr d’um animal immundo, o resgatará, segundo a tua estimação, e sobre elle [14] accrescentará o seu quinto: e, se não se resgatar, vender-se-ha segundo a tua estimação.

Não ha resgate para as coisas consagradas.

28 Todavia, nenhuma coisa consagrada, [15] que algum consagrar ao Senhor de tudo o que tem, d’homem, ou d’animal, ou do campo da sua possessão, se venderá nem resgatará: toda a coisa consagrada será uma coisa sanctissima ao Senhor.

29 Toda a coisa consagrada [16] que fôr consagrada do homem, não será resgatada: certamente morrerá.

30 Tambem todas as dizimas [17] do campo, da semente do campo, do fructo das arvores, são do Senhor: sanctas são ao Senhor.

31 Porém, se algum [18] das suas dizimas resgatar alguma coisa, accrescentará o seu quinto sobre ella.

32 Tocante a todas as dizimas de vaccas e ovelhas, tudo o que passar debaixo da vara, [19] o dizimo será sancto ao Senhor.

33 Não esquadrinhará entre o bom e o mau, [20] nem o trocará: mas, se em alguma maneira o trocar, o tal e o trocado será sancto; não será resgatado.

34 Estes são os mandamentos [21] que o Senhor ordenou a Moysés, para os filhos de Israel, no monte de Sinai.

[1] Num. 6.2. Jui. 11.30, 31, 39. I Sam. 1.11, 28.

[2] Exo. 30.13.

[3] ver. 15, 19.

[4] ver. 13.

[5] cap. 25.15, 16.

[6] ver. 13.

[7] cap. 25.10. ver. 28.

[8] Num. 14.14. Eze. 44.29.

[9] cap. 25.25.

[10] ver. 18.

[11] cap. 25.28.

[12] Exo. 30.13.

[13] Exo. 13.2, 12 e 22.30. Deu. 15.19.

[14] ver. 11-13.

[15] ver. 21.

[16] Num. 21.2.

[17] Gen. 28.22. Num. 13.21. II Chr. 31.5, 6, 12. Neh. 13.12. Mal. 3.8.

[18] ver. 13.

[19] Jer. 33.13. Eze. 20.37. Miq. 7.14.

[20] ver. 10.

[21] cap. 26.46.

[128]


O QUARTO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

NUMEROS.

Deus manda Moysés numerar as tribus.

1 Fallou mais o Senhor a Moysés no deserto [1] de Sinai, na tenda da congregação, no primeiro dia do mez segundo no segundo anno da sua saida da terra do Egypto, dizendo:

2 Tomae [2] a somma de toda a congregação dos filhos d’Israel, segundo as suas gerações, segundo a casa de seus paes, no numero dos nomes de todo o macho, cabeça por cabeça;

3 Da edade de vinte annos e para cima, todos os que saem á guerra em Israel: a estes contareis segundo os seus exercitos, tu e Aarão.

4 Estará comvosco de cada tribu um homem que seja cabeça da casa de seus paes,

5 Estes pois são os nomes dos homens que estarão comvosco: De Ruben, Elizur, filho de Sedeur;

6 De Simeão, Selumiel, filho de Surisaddai;

7 De Judah, Naasson, filho de Amminadab;

8 D’Issacar, Nathanael, filho de Suhar;

9 De Zebulon, Eliab, filho de Helon;

10 Dos filhos de José: d’Ephraim; Elisama, filho d’Ammihud; de Manasseh, Gamaliel, filho de Pedazur;

11 De Benjamin, Abidan, filho de Gideoni;

12 De Dan, Ahieser, filho de Ammisaddai;

13 De Aser, Pagiel, filho d’Ochran;

14 De Gad, Eliasaph, filho de [3] Dehuel;

15 De Naphtali, Ahira, filho d’Enan.

16 Estes foram os chamados da congregação, os principes [4] das tribus de seus paes, os Cabeças dos milhares d’Israel.

17 Então tomaram Moysés e Aarão a estes homens, que foram declarados pelos seus nomes.

18 E ajuntaram toda a congregação no primeiro dia do mez segundo, e declararam a sua descendencia segundo as suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, cabeça por cabeça;

19 Como o Senhor ordenara a Moysés, assim os contou no deserto de Sinai.

20 Foram pois os filhos de Ruben, o primogenito d’Israel; as suas gerações pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes, cabeça por cabeça, todo o macho de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra;

21 Foram contados d’elles, da tribu de Ruben, quarenta e seis mil e quinhentos.

22 Dos filhos de Simeão, as suas gerações pelas suas familias, segundo a casa dos seus paes; os seus contados, pelo numero dos nomes, cabeça por cabeça, todo o macho de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

23 Foram contados d’elles, da tribu de Simeão, cincoenta e nove mil e trezentos.

24 Dos filhos de Gad, as suas gerações pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

25 Foram contados d’elles, da tribu de Gad, quarenta e cinco mil e seiscentos e cincoenta.

26 Dos filhos de Judah, as suas gerações pelas suas familias, segundo a casa de seus paes; pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

27 Foram contados d’elles, da tribu de Judah, setenta e quatro mil e seiscentos.

28 Dos filhos d’Issacar, as suas gerações pelas suas familias, segundo a casa[129] de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

29 Foram contados d’elles, da tribu d’Issacar, cincoenta e quatro mil e quatrocentos.

30 Dos filhos de Zebulon, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

31 Foram contados d’elles, da tribu de Zebulon, cincoenta e sete mil e quatrocentos.

32 Dos filhos de José, dos filhos d’Ephraim, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

33 Foram contados d’elles, da tribu d’Ephraim, quarenta mil e quinhentos.

34 Dos filhos de Manasseh, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

35 Foram contados d’elles, da tribu de Manasseh, trinta e dois mil e duzentos.

36 Dos filhos de Benjamin, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

37 Foram contados d’elles, da tribu de Benjamin, trinta e cinco mil e quatrocentos.

38 Dos filhos de Dan, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

39 Foram contados d’elles, da tribu de Dan, sessenta e dois mil e setecentos.

40 Dos filhos d’Aser, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

41 Foram contados d’elles, da tribu d’Aser, quarenta e um mil e quinhentos.

42 Dos filhos de Naphtali, as suas gerações, pelas suas familias, segundo a casa de seus paes, pelo numero dos nomes dos de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra,

43 Foram contados d’elles, da tribu de Naphtali, cincoenta e tres mil e quatrocentos.

44 Estes [5] foram os contados, que contou Moysés e Aarão, e os principes d’Israel, doze homens, cada um era pela casa de seus paes.

45 Assim foram todos os contados dos filhos d’Israel, segundo a casa de seus paes, de vinte annos e para cima, todos os que podiam sair á guerra em Israel;

46 Todos os contados pois foram seiscentos [6] e tres mil e quinhentos e cincoenta.

Os levitas não são contados.

47 Mas os levitas, [7] segundo a tribu de seus paes, não foram contados entre elles,

48 Porquanto o Senhor tinha fallado a Moysés, dizendo:

49 Porém não contarás [8] a tribu de Levi, nem tomarás a somma d’elles entre os filhos d’Israel:

50 Mas tu [9] põe os levitas sobre o tabernaculo do testemunho, e sobre todos os seus vasos, e sobre tudo o que pertence a elle: elles levarão o tabernaculo e todos os seus vasos; e elles o administrarão, e assentarão o seu arraial ao [10] redor do tabernaculo.

51 E, quando o tabernaculo [11] partir, os levitas o desarmarão; e, quando o tabernaculo assentar no arraial, os levitas o armarão; e o estranho [12] que se chegar morrerá.

52 E os filhos d’Israel assentarão as suas tendas, [13] cada um no seu esquadrão, e cada um junto á sua bandeira, segundo os seus exercitos.

53 Mas os levitas assentarão as suas tendas ao redor do tabernaculo do [14] testemunho, para que não haja indignação sobre a congregação dos filhos d’Israel, [15] pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernaculo do testemunho.

54 Assim fizeram os filhos d’Israel: conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés, assim o fizeram.

[1] Exo. 19.1. cap. 10.12. Exo. 25.22.

[2] Exo. 30.12. cap. 26.2, 63, 64. II Sam. 24.2. I Chr. 21.2.

[3] cap. 2.14.

[4] cap. 7.2. I Chr. 27.16. Exo. 18.21.

[5] cap. 26.64.

[6] Exo. 38.26 e 12.37. cap. 2.32 e 26.51.

[7] cap. 2.33. I Chr. 21.6.

[8] cap. 26.62.

[9] Exo. 38.21. cap. 3.7, 8 e 4.15, 25.

[10] cap. 3.23, 29, 35, 38.

[11] cap. 10.17, 21.

[12] cap. 3.10, 38 e 18.22.

[13] cap. 2.2, 34.

[14] Lev. 10.6. cap. 8.19 e 16.46 e 18.5. I Sam. 6.19.

[15] cap. 8.24, 25, 26 e 31.30, 47. I Chr. 23.32. II Chr. 13.11.

A ordem das tribus no acampamento.

2 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

2 Os filhos [1] d’Israel assentarão as suas tendas, cada um debaixo da sua bandeira, segundo as insignias da casa de seus paes; ao redor, defronte da tenda da congregação, assentarão as suas tendas.

3 Os que assentarem as suas tendas da banda do oriente para o nascente serão os da bandeira do exercito de Judah,[130] segundo os seus esquadrões, [2] e Naasson, filho d’Amminadab, será principe dos filhos de Judah.

4 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram setenta e quatro mil e seiscentos.

5 E junto a elle assentará as suas tendas a tribu d’Issacar, e Nathanael, filho de Suhar, será principe dos filhos d’Issacar.

6 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram cincoenta e quatro mil e quatrocentos.

7 Depois a tribu de Zebulon; e Eliab, filho de Helon, será principe dos filhos de Zebulon.

8 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram cincoenta e sete mil e quatrocentos.

9 Todos os que foram contados do exercito de Judah, cento e oitenta e seis mil e quatrocentos, segundo os seus esquadrões, [3] estes marcharão os primeiros.

10 A bandeira do exercito de Ruben, segundo os seus esquadrões, estará para a banda do sul: e Eliasur, filho de Sedeur, será principe dos filhos de Ruben.

11 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles foram quarenta e seis mil e quinhentos.

12 E junto a elle assentará as suas tendas a tribu de Simeão; e Selumiel, filho de Surisaddai, será principe dos filhos de Simeão.

13 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram cincoenta e nove mil e trezentos.

14 Depois a tribu de Gad; e Eliasaph, filho de Rehuel, [4] será principe dos filhos de Gad.

15 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram quarenta e cinco mil e seiscentos e cincoenta.

16 Todos os que foram contados no exercito de Ruben foram cento e cincoenta e um mil e quatrocentos e cincoenta, segundo os seus esquadrões: e estes [5] marcharão, os segundos.

17 Então partirá a tenda da congregação [6] com o exercito dos levitas no meio dos exercitos: como assentaram as suas tendas, assim marcharão, cada um no seu logar, segundo as suas bandeiras.

18 A bandeira do exercito d’Ephraim, segundo os seus esquadrões, estará para a banda do occidente; e Elisama, filho d’Ammihud, será principe dos filhos d’Ephraim.

19 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram quarenta mil e quinhentos.

20 E junto a elle a tribu de Manasseh: e Gamaliel, filho de Pedazur, será principe dos filhos de Manasseh.

21 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram trinta e dois mil e duzentos.

22 Depois a tribu de Benjamin: e Abidan, filho de Gideoni, será principe dos filhos de Benjamin,

23 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram trinta e cinco mil e quatrocentos.

24 Todos os que foram contados no exercito de Ephraim foram cento e oito mil e cem, segundo os seus esquadrões: e estes [7] marcharão os terceiros.

25 A bandeira do exercito de Dan estará para o norte, segundo os seus esquadrões: e Ahiezer, filho de Ammisaddai, será principe dos filhos de Dan.

26 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram sessenta e dois mil e setecentos.

27 E junto a elle assentará as suas tendas a tribu de Aser: e Pagiel, filho de Ochran, será principe dos filhos de Aser.

28 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram quarenta e um mil e quinhentos.

29 Depois a tribu de Naphtali: e Ahira, filho de Enan, será principe dos filhos de Naphtali.

30 E o seu exercito, e os que foram contados d’elles, foram cincoenta e tres mil e quatrocentos.

31 Todos os que foram contados no exercito de Dan foram cento e cincoenta e sete mil e seiscentos: estes marcharão [8] no ultimo logar, segundo as suas bandeiras.

32 Estes são os que foram contados dos filhos de Israel, segundo a casa de seus paes: todos os que foram contados dos exercitos pelos seus esquadrões foram [9] seiscentos e tres mil e quinhentos e cincoenta.

33 Mas os levitas [10] não foram contados entre os filhos de Israel, como o Senhor ordenara a Moysés.

34 E os filhos de Israel fizeram conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés; assim [11] assentaram o arraial segundo as suas bandeiras, e assim marcharam, cada qual segundo as suas gerações, segundo a casa de seus paes.

[1] cap. 1.52. Jos. 3.4.

[2] cap. 10.14. Ruth 4.20. I Chr. 2.10. Mat. 1.4. Luc. 3.32.

[3] cap. 10.14.

[4] cap. 1.14 e 7.42.

[5] cap. 10.18.

[6] cap. 10.17, 21.

[7] cap. 10.22.

[8] cap. 10.25.

[9] Exo. 38.26. cap. 1.46 e 11.21.

[10] cap. 1.47.

[11] cap. 24.2, 5, 6.

Os filhos de Aarão e os levitas são escolhidos para o serviço do tabernaculo.

3 E estas são as gerações de Aarão e de Moysés, no dia em que o Senhor[131] fallou com Moysés no monte de Sinai.

2 E estes são os nomes dos filhos de Aarão: o primogenito [1] Nadab; depois Abihu, Eleasar e Ithamar.

3 Estes são os nomes dos filhos de Aarão, [2] dos sacerdotes ungidos, cujas mãos foram sagradas para administrar o sacerdocio.

4 Mas [3] Nadab e Abihu morreram perante o Senhor, quando offereceram fogo estranho perante o Senhor no deserto de Sinai, e não tiveram filhos: porém Eleasar e Ithamar administraram o sacerdocio diante de Aarão, seu pae.

5 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

6 Faze chegar [4] a tribu de Levi, e põe-n’a diante de Aarão, o sacerdote, para que o sirvam,

7 E tenham cuidado da sua guarda, e da guarda de toda [5] a congregação, diante da tenda da congregação, para administrar o ministerio do tabernaculo.

8 E tenham cuidado de todos os vasos da tenda da congregação, e da guarda dos filhos de Israel, para administrar o ministerio do tabernaculo.

9 Darás [6] pois os levitas a Aarão e a seus filhos: d’entre os filhos de Israel lhes são dados em dadiva.

10 Mas a Aarão e a seus filhos ordenarás que guardem o seu sacerdocio, [7] e estranho que chegar morrerá.

11 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

12 E eu, [8] eis que, tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em logar de todo o primogenito, que abre a madre, entre os filhos de Israel: e os levitas serão meus.

13 Porque todo o [9] primogenito meu é: desde o dia em que tenho ferido a todo o primogenito na terra do Egypto, sanctifiquei-me todo o primogenito em Israel, desde o homem até ao animal: meus serão; Eu sou o Senhor.

14 E fallou o Senhor a Moysés no deserto de Sinai, dizendo:

15 Conta os filhos de Levi, segundo a casa de seus paes, pelas suas gerações; contarás a todo [10] o macho da edade de um anno e para cima.

16 E Moysés os contou conforme ao mandado do Senhor, como lhe foi ordenado.

17 Estes pois foram os filhos [11] de Levi pelos seus nomes: Gerson, e Kohath e Merari.

18 E estes são os nomes dos filhos de Gerson pelas suas gerações; [12] Libni e Simei.

19 E os filhos de Kohath pelas suas gerações: Amram, [13] e Jizhar, Hebron e Uziel.

20 E os filhos de [14] Merari pelas suas gerações: Maheli e Musi: estas são as gerações dos levitas, segundo a casa de seus paes.

21 De Gerson é a geração dos libnitas e a geração dos simeitas: estas são as gerações dos gersonitas.

22 Os que d’elles foram contados pelo numero de todo o macho da edade de um mez e para cima, os que d’elles foram contados foram sete mil e quinhentos.

23 As gerações [15] dos gersonitas assentarão as suas tendas atraz do tabernaculo, ao occidente.

24 E o principe da casa paterna dos gersonitas será Eliasaph, filho de Lael.

25 E a guarda [16] dos filhos de Gerson na tenda da congregação será o tabernaculo, e a tenda, a [17] sua coberta, e o véu da porta da tenda da congregação,

26 E as cortinas do pateo, e o pavilhão da porta do pateo, que estão junto ao tabernaculo e junto ao altar, em redor: como tambem as suas cordas para todo o seu serviço.

27 E de Kohath [18] é a geração dos amramitas, e a geração dos jiznaritas, e a geração dos hebronitas, e a geração dos hussielitas: estas são as gerações dos kohathitas.

28 Pelo numero contado de todo o macho da edade de um mez e para cima, foram cito mil e seiscentos, que tinham cuidado da guarda do sanctuario.

29 As gerações dos filhos de Kohath assentarão [19] as suas tendas ao lado do tabernaculo, da banda do sul.

30 E o principe de casa paterna das gerações dos kohathitas será Elisaphan, filho de Ussiel.

31 E a sua guarda será a [20] arca, e a mesa, e o castiçal, e os altares, e os vasos do sanctuario com que ministram, e o véu com todo o seu serviço.

32 E o principe dos principes de Levi será Eleasar, filho de Aarão, o sacerdote: terá a superintendencia sobre os que teem cuidado da guarda do sanctuario.

33 De Merari é a geração dos mahelitas[132] e a geração dos musitas; estas são as gerações de Merari.

34 E os que d’elles foram contados pelo numero de todo o macho de um mez e para cima foram seis mil e duzentos.

35 E o principe da casa paterna das gerações de Merari será Suriel, filho de Abihail: assentarão [21] as suas tendas ao lado do tabernaculo, da banda do norte.

36 E o cargo [22] da guarda dos filhos de Merari serão as taboas do tabernaculo, e os seus varaes, e as suas columnas, e as suas bases, e todos os seus vasos, com todo o seu serviço,

37 E as columnas do pateo em redor, e as suas bases, e as suas estacas e as suas cordas.

38 E os que assentarão [23] as suas tendas diante do tabernaculo, ao oriente, diante da tenda da congregação, para a banda do nascente, serão Moysés e Aarão, com seus filhos, tendo o cuidado da guarda do sanctuario, pela guarda dos filhos de Israel: [24] e o estranho que se chegar morrerá.

39 Todos os que foram contados dos levitas, que contou [25] Moysés e Aarão, por mandado do Senhor, segundo as suas gerações, todo o macho de um mez e para cima, foram vinte e dois mil.

40 E disse o Senhor a Moysés: Conta [26] todo e primogenito macho dos filhos d’Israel, da edade d’um mez e para cima, e toma o numero dos seus nomes.

41 E para mim tomarás [27] os levitas (Eu sou o Senhor), em logar de todo o primogenito dos filhos d’Israel, e os animaes dos levitas, em logar de todo o primogenito entre os animaes dos filhos d’Israel.

42 E contou Moysés, como o Senhor lhe ordenara, todo o primogenito entre os filhos d’Israel.

43 E todos os primogenitos dos machos, pelo numero dos nomes dos da edade d’um mez e para cima, segundo os que foram contados d’elles, foram vinte e dois mil e duzentos e sessenta e tres.

44 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

45 Toma [28] os levitas em logar de todo o primogenito entre os filhos d’Israel, e os animaes dos levitas em logar dos seus animaes: porquanto os levitas serão meus: Eu sou o Senhor.

46 Quanto [29] aos duzentos e setenta e tres, que se houverem de resgatar, que sobrepujam [30] aos levitas dos primogenitos dos filhos d’Israel,

47 Tomarás por cada cabeça [31] cinco siclos: conforme ao siclo do sanctuario os tomarás, a vinte geras o [32] siclo.

48 E a Aarão e a seus filhos darás o dinheiro dos resgatados, dos que sobejam entre elles.

49 Então Moysés tomou o dinheiro do resgate dos que sobejaram sobre os resgatados pelos levitas.

50 Dos primogenitos dos filhos d’Israel tomou o dinheiro, [33] mil e trezentos e sessenta e cinco siclos, segundo o siclo do sanctuario.

51 E Moysés deu [34] o dinheiro dos resgatados a Aarão e a seus filhos, segundo o mandado do Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

[1] Exo. 6.23.

[2] Exo. 28.41. Lev. 8.

[3] Lev. 10.1. cap. 26.61. I Chr. 24.2.

[4] cap. 8.6 e 18.2.

[5] cap. 1.50 e 8.11, 15, 24, 26.

[6] cap. 8.19.

[7] cap. 18.7. ver. 38. cap. 1.51 e 16.40.

[8] ver. 41. cap. 8.16 e 18.6.

[9] Exo. 13.2. Lev. 27.26. Luc. 2.23. Exo. 13.12, 15. cap. 8.17.

[10] ver. 39. cap. 26.62.

[11] Gen. 46.11. Exo. 6.16. cap. 26.57. I Chr. 6.1 e 23.6.

[12] Exo. 6.17.

[13] Exo. 6.18.

[14] Exo. 6.19.

[15] cap. 1.53.

[16] cap. 4.24-26.

[17] Exo. 25.9 e 26.1, 7.

[18] I Chr. 26.23.

[19] cap. 1.53.

[20] cap. 4.15. Exo. 25.10, 23, 31 e 27.1 e 30.1 e 26.32.

[21] cap. 1.53.

[22] cap. 4.31, 32.

[23] cap. 1.53 e 18.5. ver. 7, 8.

[24] ver. 10.

[25] cap. 26.62.

[26] ver. 15.

[27] ver. 12, 45.

[28] ver. 12, 41.

[29] Exo. 13.13. cap. 18.15.

[30] ver. 39, 43.

[31] Lev. 27.6. cap. 18.16.

[32] Exo. 30.13. Lev. 27.25. cap. 18.16. Eze. 45.12.

[33] ver. 46, 47.

[34] ver. 48.

Os deveres dos levitas.

4 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

2 Toma a somma dos filhos de Kohath, do meio dos filhos de Levi, pelas suas gerações, segundo a casa de seus paes;

3 Da edade de [1] trinta annos e para cima até aos cincoenta annos será todo aquelle que entrar n’este exercito, para fazer obra na tenda da congregação.

4 Este será o ministerio [2] dos filhos de Kohath na tenda da congregação, nas coisas sanctissimas.

5 Quando partir o arraial, Aarão e seus filhos virão, e tirarão o véu da [3] coberta, e com elle cobrirão a arca do testemunho;

6 E pôr-lhe-hão por cima uma coberta de pelles de teixugos, e sobre ella estenderão um panno, todo d’azul, e lhe metterão [4] os varaes.

7 Tambem sobre a mesa da proposição estenderão um panno d’azul: e sobre ella porão os pratos [GP] os seus incensarios, e as taças e escudellas; tambem o pão continuo estará sobre ella.

8 Depois estenderão em cima d’elles um panno de carmezim, e com a coberta de pelles de teixugos o cobrirão, e lhe porão os seus varaes.

9 Então tomarão um panno d’azul, e cobrirão [5] o castiçal da luminaria, e as suas lampadas, [6] e [GQ] os seus espivitadores, e os seus apagadores, e todos os seus vasos d’azeite, com que o servem.

[133]

10 E metterão, a elle e a todos os seus vasos, na coberta de pelles de teixugos: e o porão sobre os varaes.

11 E sobre o [7] altar d’oiro estenderão um panno d’azul, e com a coberta de pelles de teixugos o cobrirão, e lhe porão os seus varaes.

12 Tambem tomarão todos os vasos do ministerio, com que servem no sanctuario; e os porão n’um panno d’azul, e os cobrirão com uma coberta de pelles de teixugos, e os porão sobre os varaes.

13 E tirarão as cinzas do altar, e por cima d’elle estenderão um panno de purpura.

14 E sobre elle porão todos os seus instrumentos com que o servem: os seus brazeiros, os garfos, e as pás, e as bacias; todos os vasos do altar: e por cima d’elle estenderão uma coberta de pelles de teixugos, e lhe porão os seus varaes.

15 Havendo pois Aarão e seus filhos, ao partir do arraial, acabado de cobrir o sanctuario, e todos os instrumentos do sanctuario, então [8] os filhos de Kohath virão para leval-o; mas no sanctuario não tocarão, para que não morram: este é o cargo dos filhos de Kohath na tenda da congregação.

16 Porém o cargo d’Eleasar, filho d’Aarão, o sacerdote, será [9] o azeite da luminaria, e o incenso aromatico, e a continua offerta dos manjares, e azeite da uncção, o cargo de todo o tabernaculo, e de tudo que n’elle ha, no sanctuario e nos seus vasos.

17 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

18 Não deixareis extirpar a tribu das gerações dos kohatitas do meio dos levitas.

19 Mas isto lhes fareis, para que vivam e não morram, [10] quando chegarem [GR] á Sanctidade das Sanctidades: Aarão e seus filhos virão, e a cada um porão no seu ministerio e no seu cargo.

20 Porem [11] não entrarão a ver, quando cobrirem o sanctuario, para que não morram.

21 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

22 Toma tambem a somma dos filhos de Gerson, segundo a casa de seus paes, segundo as suas gerações;

23 Da edade de trinta [12] annos e para cima, até aos cincoenta, contarás a todo aquelle que entrar a servir no seu serviço, para administrar o ministerio na tenda da congregação.

24 Este será o ministerio das gerações dos gersonitas, no serviço e no cargo.

25 Levarão pois as cortinas [13] do tabernaculo, e a tenda da congregação, e a sua coberta, e a coberta de pelles de teixugos, que está em cima sobre elle, e o véu da porta da tenda da congregação,

26 E as cortinas do pateo, e o véu da porta do pateo, que está junto ao tabernaculo, e junto ao altar em redor, e as suas cordas, e todos os instrumentos do seu ministerio, com tudo o que se adereçar para elles, para que ministrem.

27 Todo o ministerio dos filhos dos gersonitas, em todo o seu cargo, e em todo o seu ministerio, será segundo o mandado d’Aarão e de seus filhos: e lhes encommendareis em guarda todo o seu cargo.

28 Este é o ministerio das gerações dos filhos dos gersonitas na tenda da congregação: e a sua guarda será debaixo da mão d’Ithamar, filho d’Aarão, o sacerdote.

29 Quanto aos filhos de Merari, segundo as suas gerações e segundo a casa de seus paes os contarás;

30 Da edade de trinta [14] annos e para cima, até aos cincoenta, contarás a todo aquelle que entrar n’este serviço, para administrar o ministerio da tenda da congregação.

31 Esta pois será a guarda do seu cargo, [15] segundo todo o seu ministerio, na tenda da congregação: as taboas do tabernaculo, e os seus varaes, e as suas columnas, e as suas bases;

32 Como tambem as columnas do pateo em redor, e as suas bases, e as suas estacas, e as suas cordas, com todos [16] os seus instrumentos, e com todo o seu ministerio; e contareis os vasos da guarda do seu cargo, nome por nome.

33 Este é o ministerio das gerações dos filhos de Merari, segundo todo o seu ministerio, na tenda da congregação, debaixo da mão d’Ithamar, filho d’Aarão, o sacerdote.

34 Moysés, pois, [17] e Aarão e os principes da congregação contaram os filhos dos kohathitas, segundo as suas gerações e segundo a casa de seus paes;

35 Da edade de trinta annos e para cima, até ao cincoenta, todo aquelle que entrou n’este serviço, para o ministerio da tenda da congregação.

36 Os que d’elles foram contados, pois, segundo as sua gerações, foram dois mil e setecentos e cincoenta.

[134]

37 Estes são os que foram contados das gerações dos kohathitas, de todo aquelle que ministrava na tenda da congregação, os quaes contaram Moysés e Aarão, conforme ao mandado do Senhor pela mão de Moysés.

38 Similhantemente os que foram contados dos filhos de Gerson, segundo as suas gerações, e segundo a casa de seus paes,

39 Da edade de trinta annos e para cima, até aos cincoenta, todo aquelle que entrou n’este serviço, para o ministerio na tenda da congregação.

40 Os que d’elles foram contados, segundo as suas gerações, segundo a casa de seus paes, foram dois mil e seiscentos e trinta.

41 Estes são os contados das gerações dos filhos de Gerson, de todo aquelle que ministrava na tenda da congregação: [18] os quaes contaram Moysés e Aarão, conforme ao mandado do Senhor.

42 E os que foram contados das gerações dos filhos de Merari, segundo as suas gerações, segundo a casa de seus paes;

43 Da edade de trinta annos e para cima, até aos cincoenta, todo aquelle que entrou n’este serviço, para o ministerio na tenda da congregação.

44 Foram pois os que foram d’elles contados, segundo as suas gerações, tres mil e duzentos.

45 Estes são os contados das gerações dos filhos de Merari: os quaes contaram Moysés e Aarão, conforme ao mandado do Senhor, [19] pela mão de Moysés.

46 Todos os que d’elles foram contados, que contaram Moysés e Aarão, e os principes de Israel, dos levitas, segundo as suas gerações, segundo a casa de seus paes;

47 Da edade de [20] trinta annos e para cima, até aos cincoenta, todo aquelle que entrava a executar o ministerio da administração, e o ministerio do cargo na tenda da congregação.

48 Os que d’elles foram contados foram oito mil quinhentos e oitenta.

49 Conforme ao mandado do Senhor, pela mão de Moysés, foram contados, [21] cada qual segundo o seu ministerio, e segundo o seu cargo: e foram, os que d’elles foram contados, aquelles que [22] o Senhor ordenara a Moysés.

[1] cap. 8.24. I Chr. 23.3, 24, 27.

[2] ver. 15, 19.

[3] Exo. 26.31 e 25.10, 16.

[4] Exo. 25.13, 23, 29, 30. Lev. 24.6.

[5] Exo. 25.31.

[6] Exo. 25.37.

[7] Exo. 30.1, 3.

[8] cap. 7 e 9.10, 21. Deu. 31.9. II Sam. 6.13. I Chr. 15.2, 15. II Sam. 6.6. I Chr. 13.9. cap. 3.31.

[9] Exo. 25.6. Lev. 24.2. Exo. 30.34 e 29.40.

[10] ver. 4.

[11] Exo. 19.21. I Sam. 6.19.

[12] ver. 3.

[13] cap. 3.25, 26.

[14] ver. 3.

[15] cap. 3.36, 37. Exo. 26.15.

[16] Exo. 38.21.

[17] ver. 2.

[18] ver. 22.

[19] ver. 29.

[20] ver. 3, 23, 30.

[21] ver. 15, 24, 31.

[22] ver. 1, 21.

O leproso e o immundo são lançados fóra do arraial.

5 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Ordena aos filhos de Israel que lancem fóra do arraial a todo [1] o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os immundos por causa de contacto com algum morto.

3 Desde o[o?] homem até á mulher os lançareis: fóra do arraial os lançareis, para que não contaminem os seus arraiaes, no meio dos quaes eu [2] habito.

4 E os filhos de Israel fizeram assim, e os lançaram fóra do arraial: como o Senhor fallara a Moysés, assim fizeram os filhos de Israel.

5 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

6 Dize aos filhos de Israel: [3] Quando homem ou mulher fizer algum de todos os peccados humanos, trespassando contra o Senhor, tal alma culpada é.

7 E confessarão o seu peccado [4] que fizeram; então restituirá a sua culpa, segundo a somma total, e lhe accrescentará o seu quinto, e o dará áquelle contra quem se fez culpado.

8 Mas, se aquelle homem não tiver resgatador, a quem se restitua a culpa, então a culpa que se restituir ao Senhor será do sacerdote, além do carneiro [5] da expiação com que por elle fará expiação.

9 Similhantemente toda a [6] offerta de todas as coisas sanctificadas dos filhos de Israel, que trouxerem ao sacerdote, será sua.

10 E as coisas sanctificadas de cada um serão suas: o que alguem der ao sacerdote [7] será seu.

A prova da mulher suspeita de adulterio.

11 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

12 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes; Quando a mulher de algum se desviar, e trespassar contra elle,

13 De maneira que algum homem se houver [8] deitado com ella, e fôr occulto aos olhos de seu marido, e ella o tiver occultado, havendo-se ella contaminado, e contra ella não houver testemunha, e no feito não fôr apanhada,

14 E o espirito de ciumes vier sobre elle, e de sua mulher tiver ciumes, por ella se haver contaminado, ou sobre elle vier o espirito de ciumes, e de sua mulher tiver ciumes, não se havendo ella contaminado,

15 Então aquelle varão trará a sua mulher perante o sacerdote, e juntamente trará a sua offerta por ella: uma decima de epha de farinha de cevada, sobre a qual não deitará azeite, nem sobre ella porá incenso, porquanto é[135] offerta de manjares de ciumes, offerta memorativa, [9] que traz a iniquidade em memoria.

16 E o sacerdote a fará chegar, e a porá perante a face do Senhor.

17 E o sacerdote tomará agua sancta n’um vaso de barro; tambem tomará o sacerdote do pó que houver no chão do tabernaculo, e o deitará na agua.

18 Então o sacerdote apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da mulher; e a offerta memorativa de manjares, que é a offerta de manjares dos ciumes, porá sobre as suas mãos, e a agua amarga, que traz comsigo a maldição, estará na mão do sacerdote.

19 E o sacerdote a conjurará, e dirá áquella mulher: Se ninguem comtigo se deitou, e se não te apartaste de teu marido pela immundicia, d’estas aguas amargas, amaldiçoantes, serás livre.

20 Mas, se te apartaste de teu marido, e te contaminaste, e algum homem, fóra de teu marido, se deitou comtigo;

21 Então o sacerdote conjurará á mulher com a conjuração da maldição; e o sacerdote dirá [10] á mulher: O Senhor te ponha por maldição e por conjuração no meio do [11] teu povo, fazendo-te o Senhor descair a côxa e inchar o ventre.

22 E esta agua [12] amaldiçoante entre nas tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer descair a côxa. Então a mulher dirá: [13] Amen, Amen.

23 Depois o sacerdote escreverá estas mesmas maldições n’um livro, e com a agua amarga as apagará.

24 E a agua amarga, amaldiçoante, dará a beber á mulher, e a agua amaldiçoante entrará n’ella para amargurar.

25 E o sacerdote tomará a offerta de manjares dos ciumes da mão da mulher, e moverá a offerta de manjares [14] perante o Senhor; e a offerecerá sobre o altar.

26 Tambem o sacerdote tomará um punhado [15] da offerta de manjares, da offerta memorativa, e sobre o altar o queimará: e depois dará a beber a agua á mulher.

27 E, havendo-lhe dado a beber aquella agua, será que, se ella se tiver contaminado, e contra seu marido tiver trespassado, a agua amaldiçoante entrará n’ella para amargura, e o seu ventre se inchará, e a sua côxa descairá; e aquella mulher será [16] por maldição no meio do seu povo.

28 E, se a mulher se não tiver contaminado, mas estiver limpa, então será livre, e conceberá semente.

29 Esta é a lei dos ciumes, quando a mulher, em poder de seu marido, se desviar [17] e fôr contaminada;

30 Ou quando sobre o homem vier o espirito de ciumes, e tiver ciumes de sua mulher, apresente a mulher perante o Senhor, e o sacerdote n’ella execute toda esta lei.

31 E o homem será livre da iniquidade, porém a mulher levará [18] a sua iniquidade.

[1] Lev. 13.3, 46. cap. 12.14. Lev. 15.2. cap. 9.6, 10 e 19.11.

[2] Lev. 26.11. II Cor. 6.16.

[3] Lev. 6.2, 3.

[4] Lev. 5.5 e 26.40. Jos. 7.19.

[5] Lev. 6.6 e 7.7.

[6] Exo. 29.28. Lev. 6.17, 18, 26. cap. 18.8, 9, 19. Deu. 18.3. Eze. 44.29.

[7] Lev. 10.13.

[8] Lev. 18.20.

[9] I Reis 17.18. Eze. 29.16.

[10] Jos. 6.28. I Sam. 14.24. Neh. 10.29.

[11] Jer. 29.22.

[12] Psa. 109.18.

[13] Deu. 27.15.

[14] Lev. 8.27.

[15] Lev. 2.2, 9.

[16] Deu. 28.27. Jer. 24.9 e 29.18, 22. Zac. 8.13.

[17] ver. 19.

[18] Lev. 20.17, 19, 20.

A lei do nazireado.

6 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto [1] de nazireo, para se separar ao Senhor,

3 De vinho e de bebida forte se apartará: [2] vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem d’uvas; nem uvas frescas nem seccas comerá.

4 Todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da vinha, desde os caroços até ás cascas.

5 Todos os dias do voto do seu nazireado sobre a sua cabeça não passará navalha: [3] até que se cumpram os dias, que se separou ao Senhor, sancto será, deixando crescer as guedelhas do cabello da sua cabeça.

6 Todos os dias que se separar ao Senhor não [4] se chegará a corpo d’um morto.

7 Por seu pae, ou por sua mãe, por seu irmão, ou por sua irmã, por elles se não contaminará, [5] quando forem mortos; porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça.

8 Todos os dias do seu nazireado sancto será ao Senhor.

9 E se o morto vier a morrer junto a elle por acaso, subitamente, que contaminasse a cabeça do seu nazireado, então no dia da sua purificação [6] rapará a sua cabeça, e ao setimo dia a rapará.

10 E ao oitavo [7] dia trará duas rolas, ou dois pombinhos, ao sacerdote, á porta da tenda da congregação:

11 E o sacerdote offerecerá um para expiação do peccado, e o outro para holocausto; e fará propiciação por elle, do que peccou no corpo morto: assim[136] n’aquelle mesmo dia sanctificará a sua cabeça.

12 Então separará os dias do seu nazireado ao Senhor, e para expiação do trespasso trará um cordeiro d’um anno: [8] e os dias antecedentes serão perdidos, porquanto o seu nazireado foi contaminado.

13 E esta é a lei do nazireo: no dia em que se [9] cumprirem os dias do seu nazireado, tral-o-hão á porta da tenda da congregação:

14 E elle offerecerá a sua offerta ao Senhor, um cordeiro sem mancha d’um anno em holocausto, e uma cordeira sem mancha de um anno para expiação do [10] peccado, e um carneiro sem mancha por offerta pacifica;

15 E um [11] cesto de bolos asmos, bolos de flor de farinha com azeite, amassados, e coscorões asmos untados com azeite, [12] como tambem a sua offerta de manjares, e as suas libações.

16 E o sacerdote os trará perante o Senhor, e sacrificará a sua expiação do peccado, e o seu holocausto:

17 Tambem sacrificará o carneiro em sacrificio pacifico ao Senhor, com o cesto dos bolos asmos: e o sacerdote offerecerá a sua offerta de manjares, e a sua libação.

18 Então o nazireo á porta da tenda da congregação rapará a cabeça do seu nazireado, e tomará o [13] cabello da cabeça do seu nazireado, e o porá sobre o fogo que está debaixo do sacrificio pacifico.

19 Depois o sacerdote tomará a espadua [14] cozida do carneiro, e um bolo asmo do cesto, e um coscorão asmo, e os porá nas mãos do nazireo, depois de haver rapado o seu nazireado.

20 E o sacerdote os moverá em offerta de movimento perante o Senhor; isto é sancto [15] para o sacerdote, juntamente com o peito da offerta de movimento, e com a espadua da offerta alçada; e depois o nazireo beba vinho.

21 Esta é a lei do nazireo, que fizer voto da sua offerta ao Senhor pelo seu nazireado, além do que alcançar a sua mão: segundo o seu voto, que fizer, assim fará conforme á lei do seu nazireado.

22 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

O modo de abençoar os filhos de Israel.

23 Falla a Aarão, e a seus filhos, dizendo: [16] Assim abençoareis os filhos d’Israel, dizendo-lhes:

24 O Senhor te abençoe e te guarde:

25 O Senhor faça resplandecer o seu rosto [17] sobre ti, e tenha misericordia de ti:

26 O Senhor sobre ti levante o seu rosto, [18] e te dê a paz.

27 Assim porão o meu [19] nome sobre os filhos d’Israel, e eu os abençoarei.

[1] Lev. 27.2. Jui. 13.5. Act. 21.23.

[2] Amós 2.12. Luc. 1.15.

[3] Jui. 16.17. I Sam. 1.11.

[4] cap. 19.11, 16.

[5] Lev. 21.1, 2, 11. cap. 9.6.

[6] Act. 18.18 e 21.24.

[7] Lev. 5.7 e 14.22 e 15.14, 29.

[8] Lev. 5.6.

[9] Act. 21.26.

[10] Lev. 4.2, 27, 32 e 3.6.

[11] Lev. 2.4.

[12] Exo. 29.2. cap. 15.5, 7, 10.

[13] Act. 21.24.

[14] I Sam. 2.15. Exo. 29.23, 24.

[15] Exo. 29.27, 28.

[16] Lev. 9.22. I Chr. 23.13.

[17] Psa. 31.16 e 119.135. Dan. 9.17. Gen. 43.29.

[18] João 14.27. II The. 3.16.

[19] Deu. 28.10. II Chr. 7.14. Isa. 43.7. Dan. 9.18.

As offertas dos principes na dedicação do tabernaculo e do altar.

7 E aconteceu, no dia em que Moysés acabou [1] de levantar o tabernaculo, e o ungiu, e o sanctificou, e todos os seus vasos; tambem o altar, e todos os seus vasos, e os ungiu, e os sanctificou,

2 Que os principes [2] d’Israel, os Cabeças da casa de seus paes, os que foram principes das tribus, que estavam sobre os que foram contados, offereceram,

3 E trouxeram a sua offerta perante o Senhor, seis carros cobertos, e doze bois; por dois principes um carro, e por cada um um boi: e os trouxeram diante do tabernaculo.

4 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

5 Toma os d’elles, e serão para servir no ministerio da tenda da congregação: e os darás aos levitas, a cada qual segundo o seu ministerio.

6 Assim Moysés tomou os carros e os bois, e os deu aos levitas.

7 Dois carros e quatro bois deu [3] aos filhos de Gerson, segundo o seu ministerio:

8 E [4] quatro carros e oito bois deu aos filhos de Merari, segundo o seu ministerio, debaixo da mão [5] d’Ithamar, filho d’Aarão, o sacerdote.

9 Mas aos filhos de Kohath nada deu, [6] porquanto a seu cargo estava o ministerio e o levavam aos hombros.

10 E offereceram os principes para a consagração [7] do altar, no dia em que foi ungido; offereceram pois os principes a sua offerta perante o altar.

11 E disse o Senhor a Moysés: Cada principe offerecerá a sua offerta (cada qual em seu dia) para a consagração do altar.

12 O que pois no primeiro dia offereceu a sua offerta foi Naasson, [8] filho d’Amminadab, pela tribu de Judah.

13 E a sua offerta foi um prato de[137] prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo [9] o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, [10] amassada com azeite, para offerta de manjares;

14 Uma [GS] taça de dez siclos de oiro, [11] cheia de incenso;

15 Um novilho, [12] um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

16 Um bode [13] para expiação do peccado;

17 E para sacrificio [14] pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Naasson, filho d’Amminadab.

18 No segundo dia fez a sua offerta Nathanael, filho de Suhar, principe d’Issacar.

19 E pela sua offerta offereceu um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario: ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a offerta de manjares;

20 Uma taça de dez siclos de oiro, cheia de incenso;

21 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

22 Um bode para expiação do peccado;

23 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Nathanael, filho de Suhar.

24 No terceiro dia offereceu o principe dos filhos de Zebulon, Eliab, filho de Helon.

25 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para offerta de manjares;

26 Uma taça de dez siclos de oiro, cheia de incenso;

27 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

28 Um bode para expiação do peccado;

29 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta d’Eliab, filho de Helon.

30 No quarto dia offereceu o principe dos filhos de Ruben, Elizur, filho de Sedeur:

31 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

32 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

33 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

34 Um bode para expiação do peccado;

35 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Elizur, filho de Sedeur.

36 No quinto dia offereceu o principe dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de Surisaddai.

37 A sua offerta foi um prato de prata, de peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para offerta de manjares;

38 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

39 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

40 Um bode para expiação do peccado.

41 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Selumiel, filho de Surisaddai.

42 No sexto dia offereceu o principe dos filhos de Gad, Eliasaph, filho de Dehuel.

43 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

44 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

45 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

46 Um bode para expiação do peccado;

47 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta d’Eliasaph, filho de Dehuel.

48 No setimo dia offereceu o principe dos filhos d’Ephraim, Elisama, filho d’Ammihud.

49 A sua offerta foi um prato de prata do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

50 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

[138]

51 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

52 Um bode para expiação do peccado;

53 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta d’Elisama, filho d’Ammihud.

54 No oitavo dia offereceu o principe dos filhos de Manasseh, Gamaliel, filho de Pedazur:

55 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha amassada, com azeite para offerta de manjares;

56 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

57 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

58 Um bode para expiação do peccado;

59 E para sacrificio pacifico dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Gamaliel, filho de Pedazur.

60 No dia nono offereceu o principe dos filhos de Benjamin, Abidan, filho de Gideoni:

61 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

62 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

63 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

64 Um bode para expiação do peccado;

65 E para sacrificio pacifico, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno; esta foi a offerta d’Abidan, filho de Gideoni.

66 No decimo dia offereceu o principe dos filhos de Dan, Ahieser, filho d’Amisaddai,

67 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

68 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

69 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno, para holocausto;

70 Um bode para expiação do peccado;

71 E para sacrificio pacifico, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta d’Ahieser, filho d’Amisaddai.

72 No dia undecimo offereceu o principe dos filhos d’Aser, Pagiel, filho d’Ochran.

73 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

74 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

75 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno para holocausto;

76 Um bode para expiação do peccado;

77 E para sacrificio pacifico, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta de Pagiel, filho d’Ochran.

78 No duodecimo dia offereceu o principe dos filhos de Naphtali, Ahira, filho d’Enan.

79 A sua offerta foi um prato de prata, do peso de cento e trinta siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do sanctuario; ambos cheios de flor de farinha, amassada com azeite, para offerta de manjares;

80 Uma taça de dez siclos d’oiro, cheia de incenso;

81 Um novilho, um carneiro, um cordeiro d’um anno para holocausto;

82 Um bode para expiação do peccado;

83 E para sacrificio pacifico, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, cinco cordeiros d’um anno: esta foi a offerta d’Ahira, filho d’Enan.

84 Esta é a consagração do altar, feita pelos principes d’Israel, no dia em que foi ungido, doze pratos de prata, doze bacias de prata, doze [GT] taças d’oiro.

85 Cada prato de prata de cento e trinta siclos, e cada bacia de setenta: toda a prata dos vasos foi dois mil e quatrocentos siclos, segundo o siclo do sanctuario:

86 Doze taças d’oiro cheias de incenso, cada taça de dez siclos, segundo o siclo do sanctuario: todo o oiro das taças foi de cento e vinte siclos;

87 Todos os bois para holocausto foram doze novilhos, doze carneiros, doze cordeiros d’um anno, com a sua offerta de manjares, e doze bodes para expiação do peccado.

88 E todos os bois para sacrificio pacifico foram vinte e quatro novilhos: os carneiros sessenta, os bodes sessenta, os cordeiros d’um anno sessenta: esta[139] é a consagração do altar, depois que [15] foi ungido.

89 E, quando Moysés entrava na tenda da congregação [16] para fallar com Elle, então ouvia a voz que lhe fallava de cima do propiciatorio, que está sobre a arca do testemunho entre os dois cherubins: assim com elle fallava.

[1] Exo. 40.18. Lev. 8.10.

[2] cap. 1.4, etc.

[3] cap. 4.25.

[4] cap. 4.31.

[5] cap. 4.28, 33.

[6] cap. 4.6, 8, 10, 12, 14, 15. II Sam. 6.13.

[7] Deu. 20.5. I Reis 8.63. II Chr. 7.5, 9. Esd. 6.16. Neh. 12.27.

[8] cap. 2.3.

[9] Exo. 30.13.

[10] Lev. 2.1.

[11] Exo. 30.34.

[12] Lev. 1.2.

[13] Lev. 4.23.

[14] Lev. 3.1.

[15] ver. 1.

[16] cap. 12.8. Exo. 33.9, 11 e 25.22.

Como devem ser accesas as lampadas.

8 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla a Aarão, e dize-lhe: Quando accenderes [1] as lampadas, defronte do candieiro allumiarão as sete lampadas.

3 E Aarão fez assim: defronte da face do candieiro accendeu as suas lampadas, como o Senhor ordenara a Moysés.

4 E era esta obra [2] do candieiro de oiro batido; desde o seu pé até ás suas flores era batido: [3] conforme ao modelo que o Senhor mostrara a Moysés, assim elle fez o candieiro.

A consagração dos levitas.

5 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

6 Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os;

7 E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre elles [4] a agua da expiação; e sobre [5] toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão os seus vestidos, e se purificarão.

8 Então tomarão um novilho, com a sua offerta de manjares de flor de farinha [6] amassada com azeite; e tomarás outro novilho, para expiação do peccado.

9 E farás chegar os levitas [7] perante a tenda da congregação; e farás ajuntar toda a congregação dos filhos de Israel.

10 Farás pois chegar os levitas perante o Senhor; e os filhos de Israel porão [8] as suas mãos sobre os levitas.

11 E Aarão moverá os levitas por offerta de movimento perante o Senhor pelos filhos de Israel; e serão para servirem no ministerio do Senhor.

12 E os levitas porão [9] as suas mãos sobre a cabeça dos novilhos: então sacrifica tu um para expiação do peccado, e o outro para holocausto ao Senhor, para fazer expiação sobre os levitas.

13 E porás os levitas perante Aarão, e perante os seus filhos, e os moverás por offerta de movimento ao Senhor.

14 E separarás os levitas do meio dos filhos de Israel, para que os levitas meus [10] sejam.

15 E depois os levitas entrarão para fazerem o serviço da tenda da congregação: e tu os purificarás, e por offerta de movimento os moverás.

16 Porquanto elles [11] do meio dos filhos de Israel, me são dados: em [12] logar de todo aquelle que abre a madre, do primogenito de cada qual dos filhos de Israel, para mim os tenho tomado.

17 Porque meu é todo [13] o primogenito entre os filhos de Israel, entre os homens e entre os animaes; no dia em que, na terra do Egypto, feri a todo o primogenito, os sanctifiquei para mim.

18 E tomei os levitas em logar de todo o primogenito entre os filhos de Israel.

19 E os levitas, dados [14] a Aarão e a seus filhos, do meio dos filhos de Israel, tenho dado para ministrarem o ministerio dos filhos de Israel na tenda da congregação, e para fazer expiação pelos filhos de Israel, para que não haja praga [15] entre os filhos de Israel, chegando-se os filhos de Israel ao sanctuario.

20 E fez Moysés e Aarão, e toda a congregação dos filhos de Israel, com os levitas assim: conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés ácerca dos levitas, assim os filhos de Israel lhes fizeram.

21 E os levitas se [16] purificaram, e lavaram os seus vestidos, e Aarão os moveu por offerta movida [17] perante o Senhor, e Aarão fez expiação por elles, para purifical-os.

22 E depois [18] vieram os levitas, para ministrarem o seu ministerio na tenda da congregação, perante Aarão e perante os seus filhos: como [19] o Senhor ordenara a Moysés ácerca dos levitas, assim lhes fizeram.

23 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

24 Isto é o officio dos levitas: Da edade de vinte e cinco [20] annos e para cima entrarão, para fazerem o serviço no ministerio da tenda da congregação;

25 Mas desde a edade de cincoenta annos sairá [GU] da milicia d’este ministerio, e nunca mais servirá:

[140]

26 Porém com os seus irmãos servirá na tenda da congregação, para terem cuidado da guarda; [21] porém o ministerio não ministrará: assim farás com os levitas nas suas guardas.

[1] Exo. 25.37 e 40.25.

[2] Exo. 25.31.

[3] Exo. 25.18, 40.

[4] cap. 19.9, 17, 18.

[5] Lev. 14.8.

[6] Lev. 2.1.

[7] Exo. 29.4 e 40.12. Lev. 8.3.

[8] Lev. 1.4.

[9] Exo. 29.10.

[10] cap. 3.45 e 16.9.

[11] ver. 11, 13.

[12] cap. 3.12, 45.

[13] Exo. 13.2, 12, 13, 15. cap. 3.13. Luc. 2.23.

[14] cap. 3.9.

[15] cap. 1.53 e 16.46 e 18.5. II Chr. 26.16.

[16] ver. 7.

[17] ver. 11, 12.

[18] ver. 5, etc.

[19] cap. 4.3.

[20] I Chr. 23.3, 24, 27.

[21] cap. 1.53.

A celebração da paschoa no deserto de Sinai.

9 E fallou o Senhor a Moysés no deserto de Sinai, no anno segundo da sua saida da terra do Egypto, no mez primeiro, dizendo:

2 Que os filhos de Israel celebrem a paschoa a [1] seu tempo determinado.

3 No dia quatorze d’este mez, pela tarde, a seu tempo determinado a celebrareis: segundo todos os seus estatutos, e segundo todos os seus ritos, a celebrareis.

4 Disse pois Moysés aos filhos de Israel que celebrassem a paschoa.

5 Então celebraram [2] a paschoa no dia quatorze do mez primeiro, pela tarde, no deserto de Sinai; conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés, assim fizeram os filhos de Israel.

Segunda celebração para os ausentes e os immundos.

6 E houve alguns que estavam [3] immundos pelo corpo de um homem morto; e no mesmo dia não podiam celebrar a paschoa: pelo que se chegaram perante [4] Moysés e perante Aarão aquelle mesmo dia.

7 E aquelles homens disseram-lhe: Immundos estamos nós pelo corpo de um homem morto; porque seriamos privados de offerecer a offerta do Senhor a seu tempo determinado no meio dos filhos de Israel?

8 E disse-lhes Moysés: Esperae, e ouvirei o que o Senhor [5] vos ordenará.

9 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

10 Falla aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguem entre vós, ou entre as vossas gerações, fôr immundo por corpo morto, ou se achar em jornada longe de vós, comtudo ainda celebrará a paschoa ao Senhor.

11 No mez segundo, no dia [6] quatorze, de tarde, a celebrarão: [7] com pães asmos e hervas amargas a comerão.

12 D’ella nada [8] deixarão até á manhã, e d’ella não quebrarão osso algum: segundo todo o estatuto da paschoa a celebrarão.

13 Porém, quando um homem fôr limpo, e não estiver de caminho, e deixar de celebrar a paschoa, tal alma dos [9] seus povos será extirpada: porquanto não offereceu a offerta do Senhor a seu tempo determinado; tal homem levará o seu peccado.

14 E, quando um estrangeiro peregrinar entre vós, e tambem celebrar a paschoa ao Senhor, segundo o estatuto da paschoa e segundo o seu rito assim a celebrará: um mesmo [10] estatuto haverá para vós, assim para o estrangeiro como para o natural da terra.

A nuvem guiando a marcha dos israelitas.

15 E no dia [11] de levantar o tabernaculo, a nuvem cobriu o tabernaculo sobre a tenda do testemunho: e á tarde [12] estava sobre o tabernaculo como uma apparencia de fogo até á manhã.

16 Assim era de continuo: a nuvem o cobria, e de noite havia apparencia de fogo.

17 Mas sempre [13] que a nuvem se alçava sobre a tenda, os filhos de Israel após d’ella partiam: e no logar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel assentavam o seu arraial.

18 Segundo o dito do Senhor, os filhos de Israel partiam, e segundo o dito do Senhor assentavam o arraial: todos os dias [14] em que a nuvem parava sobre o tabernaculo assentavam o arraial.

19 E, quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernaculo, então os filhos de Israel tinham cuidado da guarda [15] do Senhor, e não partiam.

20 E era que, quando a nuvem poucos dias estava sobre o tabernaculo, segundo o dito do Senhor se alojavam, e segundo o dito do Senhor partiam.

21 Porém era que, quando a nuvem desde a tarde até a manhã ficava ali, e a nuvem se alçava pela manhã, então partiam: quer de dia quer de noite, alçando-se a nuvem, partiam.

22 Ou, quando a nuvem sobre o tabernaculo se detinha dois dias, ou um mez, ou um anno, ficando sobre elle, [16] então os filhos d’Israel se alojavam, e não partiam; e alçando-se ella partiam.

23 Segundo o dito do Senhor se alojavam, e segundo o dito do Senhor partiam: da guarda [17] do Senhor tinham cuidado segundo o dito do Senhor pela mão de Moysés.

[1] Exo. 12.1, etc. Lev. 23.5. cap. 28.16. Deu. 16.1.

[2] Jos. 5.10.

[3] cap. 5.2 e 19.11, 16. João 18.28.

[4] Exo. 18.15, 19, 26. cap. 27.2.

[5] cap. 27.5.

[6] II Chr. 30.2, 15.

[7] Exo. 12.8.

[8] Exo. 12.10 e 12.43, 46. João 19.36.

[9] Gen. 17.14. Exo. 12.15. ver. 7. cap. 5.31.

[10] Exo. 12.49.

[11] Exo. 40.34. Neh. 9.12, 19. Psa. 78.14.

[12] Exo. 13.21 e 40.36, 37.

[13] cap. 10.11, 33, 34. Psa. 80.2.

[14] I Cor. 10.1.

[15] cap. 1.53 e 3.8.

[16] Exo. 40.36, 37.

[17] ver. 19.

[141]

As duas trombetas de prata.

10 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Faze-te duas trombetas de prata: d’obra batida as farás: e te serão para a [1] convocação da congregação, e para a partida dos arraiaes.

3 E, quando [2] as tocarem ambas, então toda a congregação se congregará a ti á porta da tenda da congregação.

4 Mas, quando tocar uma , então a ti se congregarão os principes, os [3] Cabeças dos milhares de Israel.

5 Quando, retinindo, as tocardes, então partirão [4] os arraiaes que alojados estão da banda do oriente.

6 Mas, quando a segunda vez, retinindo, as tocardes, então partirão os arraiaes que se alojam da banda [5] do sul: retinindo, as tocarão para as suas partidas.

7 Porém, ajuntando a congregação, as tocareis; mas sem [6] retinir.

8 E os filhos [7] d’Aarão, sacerdotes, tocarão as trombetas: e a vós serão por estatuto perpetuo nas vossas gerações.

9 E, quando na [8] vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos aperta, tambem tocareis as trombetas retinindo, e perante o Senhor vosso Deus haverá lembrança [9] de vós, e sereis salvos de vossos inimigos.

10 Similhantemente, no dia [10] da vossa alegria, e nas vossas solemnidades, e nos principios dos vossos mezes, tambem tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrificios pacificos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o Senhor vosso Deus.

Os israelitas partem de Sinai.

11 E aconteceu, no anno segundo, no segundo mez, aos vinte do mez, que a nuvem se alçou [11] de sobre o tabernaculo da congregação.

12 E os filhos d’Israel se [12] partiram segundo as suas partidas do deserto de Sinai: e a nuvem parou [13] no deserto de Paran.

13 Assim partiram pela primeira vez segundo [14] o dito do Senhor, pela mão de Moysés.

14 Porque primeiramente partiu a bandeira do arraial dos filhos de Judah segundo os seus exercitos: [15] e sobre o seu exercito estava Naasson, filho d’Amminadab.

15 E sobre o exercito da tribu dos filhos d’Issacar, Nathanael, filho de Suhar.

16 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Zebulon, Eliab, filho de Helon.

17 Então desarmaram o [16] tabernaculo, e os filhos de Gerson e os filhos de Merari partiram, levando o tabernaculo.

18 Depois partiu [17] a bandeira do arraial de Ruben segundo os seus exercitos: e sobre o seu exercito estava Elizur, filho de Sedeur.

19 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de Surisaddai.

20 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Gad, Eliasaph, filho de Dehuel.

21 Então partiram os kohathitas, levando o sanctuario; e os outros levantaram [18] o tabernaculo, entretanto que estes vinham.

22 Depois partiu a bandeira do arraial [19] dos filhos d’Ephraim segundo os seus exercitos: e sobre o seu exercito estava Elisama, filho d’Ammihud.

23 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Manasseh, Gamaliel, filho de Pedazur.

24 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Benjamin, Abidan, filho de Gideoni.

25 Então partiu [20] a bandeira do arraial dos filhos de Dan, fechando todos os arraiaes segundo os seus exercitos: e sobre o seu exercito estava Ahiezer, filho de Ammisaddai.

26 E sobre o exercito da tribu dos filhos d’Aser, Pagiel, filho de Ochran.

27 E sobre o exercito da tribu dos filhos de Naphtali, Ahira, filho d’Enan.

28 Estas eram as partidas [21] dos filhos d’Israel segundo os seus exercitos, quando partiam.

Moysés roga a Hobab que vá com elles.

29 Disse então Moysés a Hobab, filho de Reguel [22] o midianita, sogro de Moysés: Nós caminhamos para aquelle logar, de que o Senhor disse: Vol-o darei: [23] vae comnosco, e te faremos[142] bem; porque o Senhor fallou bem [24] sobre Israel.

30 Porém elle lhe disse: Não irei; antes irei á minha terra e á minha parentela.

31 E elle disse: Ora não nos deixes: porque tu sabes que nós nos alojamos no deserto; nos servirás [25] d’olhos.

32 E será que, vindo tu comnosco, e succedendo o bem, com que o Senhor [26] nos fará bem, tambem nós te faremos bem.

33 Assim partiram [27] do monte do Senhor caminho de tres dias: e a arca do concerto do Senhor [28] caminhou diante d’elles caminho de tres dias, para lhes buscar logar de descanço.

34 E a nuvem [29] do Senhor ia sobre elles de dia, quando partiam do arraial.

35 Era pois que, partindo a arca, Moysés dizia: Levanta-te, [30] Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os aborrecedores.

36 E, pousando ella, dizia: Torna-te, ó Senhor, para os muitos milhares d’Israel.

[1] Isa. 1.13.

[2] Jer. 4.5. Joel 2.15.

[3] Exo. 18.21. cap. 1.16 e 7.2.

[4] cap. 2.3.

[5] cap. 2.10.

[6] ver. 3. Joel 2.1.

[7] cap. 31.6. Jos. 6.4. I Chr. 15.24.

[8] cap. 31.6. Jos. 6.5. II Chr. 13.14. Jui. 2.18 e 4.3 e 6.9 e 10.8. I Sam. 10.18. Psa. 106.42.

[9] Gen. 8.1. Psa. 106.42.

[10] cap. 29.1. Lev. 23.24. II Chr. 5.12 e 7.6. Esd. 3.10. Neh. 12.35.

[11] cap. 9.17.

[12] Exo. 40.36. cap. 2.9, 16, 24, 31. Exo. 19.1. cap. 1.1 e 9.5.

[13] Gen. 21.21. cap. 12.26 e 13.3, 26. Deu. 1.1.

[14] ver. 5, 6. cap. 2.34.

[15] cap. 2.3, 9. cap. 1.7.

[16] cap. 1.51. cap. 4.24, 31 e 7.6, 8.

[17] cap. 2.10, 16.

[18] cap. 4.4, 15.

[19] cap. 2.18, 24.

[20] cap. 2.25, 31. Jos. 6.9.

[21] cap. 2.34.

[22] Exo. 2.18.

[23] Gen. 12.7.

[24] Gen. 32.12. Exo. 3.8 e 6.7, 8.

[25] Job 29.15.

[26] Jui. 1.16.

[27] Exo. 3.1.

[28] Deu. 1.33. Jos. 3.3, 4, 6. Psa. 132.8.

[29] Exo. 13.21. Neh. 9.12, 19.

[30] Psa. 68.1, 2, 3.

As murmurações dos israelitas.

11 E aconteceu [1] que, queixando-se o povo, era mal aos ouvidos do Senhor; porque o Senhor ouviu-o, e a sua ira se accendeu, [2] e o fogo do Senhor ardeu entre elles, e consumiu os que estavam na ultima parte do arraial.

2 Então o povo clamou a Moysés, e Moysés orou [3] ao Senhor, e o fogo se apagou.

3 Pelo que chamou aquelle logar Tabera, porquanto o fogo do Senhor se accendera entre elles.

4 E o vulgo, [4] que estava no meio d’elles, veiu a ter grande desejo: pelo que os filhos d’Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer?

5 Lembramo-nos dos peixes [5] que no Egypto comiamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos pórros, e das cebolas, e dos alhos.

6 Mas agora a [6] nossa alma se secca; coisa nenhuma ha senão este manná diante dos nossos olhos.

7 E era [7] o manná como semente de coentro, e a sua côr como a côr de bedelio.

8 Espalhava-se o povo, e o colhia, e em moinhos o moia, ou n’um gral o pizava, e em panellas o cozia, e d’elle fazia bolos: e o seu sabor [8] era como o sabor d’azeite fresco.

9 E, quando o orvalho [9] descia de noite sobre o arraial, o manná descia sobre elle.

10 Então Moysés ouviu chorar o povo pelas suas familias, cada qual á porta da sua tenda: [10] e a ira do Senhor grandemente se accendeu, e pareceu mal aos olhos de Moysés.

Moysés acha pesado o seu cargo.

11 E disse [11] Moysés ao Senhor: Porque fizeste mal a teu servo, e porque não achei graça aos teus olhos; que pozesses sobre mim o cargo de todo este povo?

12 Concebi eu porventura todo este povo? pari-o [12] eu? que me dissesses: leva-o ao teu collo, como o aio leva o que cria, á terra que juraste a seus paes?

13 D’onde [13] teria eu carne para dar a todo este povo? porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer:

14 Eu só não posso [14] levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim.

15 E se assim fazes comigo, mata-me eu t’o peço, [15] se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver [16] o meu mal.

Deus designa setenta anciãos para ajudarem Moysés.

16 E disse o Senhor a Moysés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos d’Israel [17], de quem sabes que são anciãos do povo, e seus officiaes: e os trarás perante a tenda da congregação, e ali se porão comtigo.

17 Então eu descerei [18] e ali fallarei comtigo, e tirarei [19] do espirito que está sobre ti, e o porei sobre elles: e comtigo levarão o cargo do povo, para que tu só o não leves.

18 E dirás ao povo: [20] Sanctificae-vos para ámanhã, e comereis carne: porquanto chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: [21] Quem nos dará carne a comer? pois bem nos ia no Egypto:[143] pelo que o Senhor vos dará carne, e comereis:

19 Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias;

20 Até um mez inteiro, [22] até vos sair pelos narizes, até que vos enfastieis d’ella: porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante d’elle, dizendo: Porque [23] saimos do Egypto?

21 E disse Moysés: Seiscentos mil homens de pé é este [24] povo, no meio do qual estou: e tu tens dito: Dar-lhes-hei carne, e comerão um mez inteiro.

22 Degolar-se-hão [25] para elles ovelhas e vaccas, que lhes bastem? ou ajuntar-se-hão para elles todos os peixes do mar, que lhes bastem?

23 Porém o Senhor disse a Moysés: Seria pois [26] encurtada a mão do Senhor? agora verás [27] se a minha palavra te acontecerá ou não.

24 E saiu Moysés, e fallou as palavras do Senhor ao povo, [28] e ajuntou setenta homens dos anciãos do povo e os poz de roda da tenda.

25 Então o Senhor desceu [29] na nuvem, e lhe fallou; e, tirando do espirito, que estava sobre elle, o poz sobre aquelles setenta anciãos: e aconteceu que, assim como o espirito repousou sobre elles, [30] prophetizaram; mas depois nunca mais.

26 Porém no arraial ficaram dois homens; o nome d’um era Eldad, e o nome do outro Medad; e repousou sobre elles o espirito (porquanto estavam entre os escriptos, aiuda que não sairam [31] á tenda), e prophetizavam no arraial.

27 Então correu um moço, e o annunciou a Moysés, e disse: Eldad e Medad prophetizam no arraial.

28 E Josué, filho de Nun, servidor de Moysés, um dos seus mancebos escolhidos, respondeu, e disse: [32] Senhor meu, Moysés, prohibe-lh’o.

29 Porém Moysés lhe disse: Tens tu ciumes por mim? Oxalá que todo o povo do Senhor fosse propheta, que o Senhor désse o seu espirito sobre elle!

30 Depois Moysés se recolheu ao arraial, elle e os anciãos de Israel.

31 Então soprou um vento [33] do Senhor, e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quasi caminho d’um dia d’uma banda, e quasi caminho d’um dia da outra banda, á roda do arraial; e estavam quasi dois covados sobre a terra.

32 Então o povo se levantou todo aquelle dia e toda aquella noite, e todo o dia seguinte, e colheram as codornizes; o que menos tinha, colhera [34] dez homers; e as estenderam para si ao redor do arraial.

33 Quando a [35] carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se accendeu a ira do Senhor contra o povo, e feriu o Senhor o povo com uma praga mui grande.

34 Pelo que o nome d’aquelle logar se chamou [GV] Kibroth-hattaava porquanto ali enterraram [36] o povo que teve o desejo.

35 De Kibroth-hattaava caminhou o povo para Hazaaroth, e pararam em Hazaaroth.

[1] Deu. 9.22.

[2] Psa. 78.21. Lev. 10.2. cap. 16.35. II Reis 1.12. Psa. 106.18.

[3] Thi. 5.16.

[4] Exo. 12.38. Psa. 78.18 e 106.14. I Cor. 10.6.

[5] Exo. 16.3.

[6] cap. 21.5.

[7] Exo. 16.14, 31. Gen. 2.12.

[8] Exo. 16.31.

[9] Exo. 16.13, 14.

[10] Psa. 78.21.

[11] Deu. 1.12.

[12] Isa. 40.11 e 49.23. I The. 2.7. Gen. 26.3 e 50.24. Exo. 13.5.

[13] Mat. 15.33. Mar. 8.4.

[14] Exo. 18.18.

[15] I Reis 19.4. Jon. 4.3.

[16] Sof. 3.15.

[17] Exo. 24.1, 9. Deu. 16.18.

[18] ver. 25. Gen. 11.5 e 18.21. Exo. 19.20.

[19] I Sam. 10.6. II Reis 2.15. Neh. 9.20. Isa. 44.3. Joel 2.28.

[20] Exo. 19.10.

[21] Exo. 16.7. ver. 5. Act. 7.39.

[22] Psa. 78.29 e 106.15.

[23] cap. 21.5.

[24] Gen. 12.2. Exo. 12.37 e 38.26. cap. 1.46.

[25] II Reis 7.2. Mat. 15.33. Mar. 8.4. João 6.7, 9.

[26] Isa. 50.2 e 59.1.

[27] cap. 23.19. Eze. 12.25 e 24.14.

[28] ver. 16.

[29] ver. 17. cap. 12.5.

[30] II Reis 2.15. I Sam. 10.5, 6, 10 e 19.20, 21, 23. Joel 2.28. Act. 2.17. I Cor. 14.1, etc.

[31] I Sam. 20.26. Jer. 36.5.

[32] Mar. 9.38. Luc. 9.49. João 3.26.

[33] Exo. 16.13. Psa. 78.26 e 105.40.

[34] Exo. 16.36. Eze. 45.11.

[35] Psa. 78.30, 31.

[36] cap. 33.17.

A sedição de Miriam e Aarão.

12 E fallaram Miriam e Aarão contra Moysés, [1] por causa da mulher cushita, que tomara: porquanto tinha tomado a mulher cushita.

2 E disseram: Porventura fallou o Senhor sómente por Moysés? não fallou [2] tambem por nós? [3] E o Senhor o ouviu.

3 E era o homem Moysés mui manso, mais de que todos os homens que havia sobre a terra.

4 E logo o Senhor disse [4] a Moysés, e a Aarão, e a Miriam: Vós tres sahi á tenda da congregação. E sairam elles tres.

5 Então o Senhor desceu [5] na columna da nuvem, e se poz á porta da tenda: depois chamou a Aarão e a Miriam, e elles sairam ambos.

6 E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver propheta, Eu, o Senhor, em visão a elle me farei conhecer, ou em sonhos [6] fallarei com elle.

7 Não é assim com o meu servo Moysés [7] que é fiel em toda a minha casa.

8 Bocca a bocca fallo [8] com elle, e de vista, e não por figuras; pois elle[144] a similhança do Senhor: porque pois não [9] tivestes temor de fallar contra o meu servo, contra Moysés?

9 Assim a ira do Senhor contra elles se accendeu; e foi-se.

10 E a nuvem se desviou de sobre a tenda; e eis que [10] Miriam era leprosa como a neve: e olhou Aarão para Miriam, e eis que era leprosa.

11 Pelo que Aarão disse a Moysés: Ah senhor meu, ora não ponhas [11] sobre nós este peccado, que fizemos loucamente, e com que havemos peccado.

12 Ora não seja ella como [12] um morto, que saindo do ventre de sua mãe, a metade da sua carne já está consumida.

13 Clamou pois Moysés ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures.

14 E disse o Senhor a Moysés: [13] Se seu pae cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? esteja fechada [14] sete dias fóra do arraial, e depois a recolham.

15 Assim Miriam esteve [15] fechada fóra do arraial sete dias, e o povo não partiu, até que recolheram a Miriam.

16 Porém depois o povo [16] partiu de Hazeroth; e assentaram o arraial no deserto de Paran.

[1] Exo. 2.21.

[2] Exo. 15.20. Miq. 6.4.

[3] Gen. 29.33. cap. 11.1. II Reis 19.4. Isa. 37.4. Eze. 35.12.

[4] Psa. 76.10.

[5] cap. 11.25 e 16.19.

[6] Gen. 15.1. Job 33.15. Eze. 1.1. Dan. 8.2 e 10.8, 16. Luc. 1.11, 22. Act. 10.11, 17 e 22.17. Gen. 31.10. I Reis 3.5. Mat. 1.20.

[7] Psa. 105.26. Heb. 3.2, 5. I Tim. 3.15.

[8] Exo. 33.11. Deu. 34.10. I Cor. 13.12. Exo. 33.19.

[9] II Ped. 2.10. Jud. 8.

[10] Deu. 24.9. II Reis 5.27 e 15.5. II Chr. 26.19, 20.

[11] II Sam. 19.19 e 24.10. Pro. 30.32.

[12] Psa. 88.4.

[13] Heb. 12.9.

[14] Lev. 13.46. cap. 5.2, 3.

[15] Deu. 24.9. II Chr. 26.20, 21.

[16] cap. 11.35 e 33.18.

Doze homens são enviados para espiar a terra de Canaan.

13 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Envia [1] homens que espiem a terra de Canaan, que eu hei de dar aos filhos d’Israel; de cada tribu de seus paes enviareis um homem, sendo cada qual maioral entre elles.

3 E enviou-os Moysés do [2] deserto de Paran, segundo o dito do Senhor; todos aquelles homens eram Cabeças dos filhos d’Israel.

4 E estes são os seus nomes: Da tribu de Ruben, Sammua, filho de Saccur,

5 Da tribu de Simeão [3] Saphath, filho de Hori;

6 Da tribu de Judah, Caleb, filho de Jefoné;

7 Da tribu d’Issacar, Jigeal, filho de José;

8 Da tribu d’Ephraim, Hosea, [4] filho de Nun;

9 Da tribu de Benjamin, Palti, filho de Raphu;

10 Da tribu de Zebulon, Gaddiel, filho de Sodi;

11 Da tribu de José, pela tribu de Manasseh, Gaddi filho de Susi;

12 Da tribu de Dan, Ammiel, filho de Gemalli;

13 Da tribu d’Aser, Sethur, filho de Michael;

14 Da tribu de Naphtali, Nabbi, filho de Vophsi;

15 Da tribu de Gad, Guel, filho de Machi.

16 Estes são os nomes dos homens que Moysés enviou a espiar aquella terra: e a Hosea, [5] filho de Nun, Moysés chamou Josué.

17 Enviou-os pois Moysés a espiar a terra de Canaan: e disse-lhes: Subi por aqui para a banda do sul, [6] e subi á montanha:

18 E vêde que terra é, e o povo que n’ella habita; se é forte ou fraco; se pouco ou muito.

19 E qual é a terra em que habita, se boa [7] ou má: e quaes são as cidades em que habita; ou em arraiaes, ou em fortalezas.

20 Tambem qual é a terra, se grossa ou magra: se n’ella ha arvores, ou não: e esforçae-vos, e [8] tomae do fructo da terra. E eram aquelles dias os dias das primicias das uvas.

21 Assim subiram, e espiaram a terra desde o [9] deserto de Zin, até Rehob, á entrada de Hamath.

22 E subiram para a banda do sul, e vieram até Hebron; e estavam [10] ali Aiman, Sesai, e Talmai, filhos d’Enac: e Hebron foi [11] edificada sete annos antes de Zoan no Egypto.

23 Depois vieram até ao valle [12] d’Escol, e d’ali cortaram um ramo de vide com um cacho d’uvas, o qual trouxeram dois homens sobre uma verga: como tambem das romãs e dos figos.

24 Chamaram áquelle logar o valle [GW] d’Escol, por causa do cacho que d’ali cortaram os filhos de Israel.

25 Depois tornaram-se d’espiar a terra, ao fim de quarenta dias.

26 E caminharam, e vieram a Moysés e a Aarão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no [13] deserto de Paran, a Cades, e, tornando, deram-lhes conta a elles, e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fructo da terra.

27 E contaram-lhe e disseram: Fomos[145] á terra a que nos enviaste; e verdadeiramente mana [14] leite e mel, e este é o fructo.

28 O povo porém que habita n’essa terra é poderoso, [15] e as cidades fortes e mui grandes; e tambem ali vimos os filhos d’Enac.

29 Os amalequitas [16] habitam na terra do sul; e os heteos, e os jebuseos, e os amorrheos habitam na montanha: e os cananeos habitam ao pé do mar, e pela ribeira do Jordão.

30 Então Caleb [17] fez calar o povo perante Moysés, e disse: Subamos animosamente, e possuamol-a em herança: porque certamente prevaleceremos contra ella.

31 Porém os homens que com elle subiram [18] disseram: Não poderemos subir contra aquelle povo, porque é mais forte do que nós.

32 E infamaram a terra que tinham espiado [19] para com os filhos d’Israel, dizendo: A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos [20] no meio d’ella são homens de grande estatura.

33 Tambem vimos ali gigantes, filhos d’Enac, descendentes [21] dos gigantes: e eramos aos nossos olhos como gafanhotos, [22] e assim tambem eramos aos seus olhos.

[1] cap. 32.8. Deu. 1.22.

[2] cap. 12.16 e 52.8. Deu. 1.19 e 9.23.

[3] cap. 34.19. I Chr. 4.15. ver. 30. cap. 14.6, 7, 13, 14. Jui. 1.12.

[4] ver. 16.

[5] ver. 8. Exo. 17.9. cap. 14.6, 30.

[6] ver. 21. Gen. 14.10. Jui. 1.9, 19.

[7] Neh. 9.25, 35. Eze. 34.14.

[8] Deu. 31.6, 7, 23.

[9] cap. 34.4. Jos. 15.1 e 19.28.

[10] Jos. 11.21, 22 e 15.13. Jui. 1.10. ver. 33.

[11] Jos. 21.11. Psa. 78.12. Isa. 19.11.

[12] Deu. 1.24, 25.

[13] ver. 3. cap. 20.1, 16 e 32.8 e 33.36. Deu. 1.19. Jos. 14.6.

[14] Exo. 3.8 e 33.3. Deu. 1.25.

[15] Deu. 1.28 e 9.1, 2. ver. 33.

[16] Exo. 17.8. cap. 14.43. Jui. 6.3. I Sam. 14.48 e 15.3, etc.

[17] cap. 14.6, 24. Jos. 14.7.

[18] cap. 32.9. Deu. 1.28. Jos. 14.8.

[19] cap. 14.36, 37.

[20] Amós 2.9.

[21] Deu. 2.10, 20 e 9.2.

[22] Isa. 40.22. I Sam. 17.42.

Os israelitas querem voltar para o Egypto.

14 Então levantou-se toda a congregação, e alçaram a sua voz: e o povo chorou [1] n’aquella mesma noite.

2 E todos os filhos d’Israel murmuraram [2] contra Moysés e contra Aarão; e toda a congregação lhe disse: Ah se morrêramos na terra do Egypto! ou, ah se morrêramos n’este deserto!

3 E porque o Senhor nos traz a esta terra, [3] para cairmos á espada, e para que nossas mulheres e nossas creanças sejam por presa? não nos seria melhor voltar-mos ao Egypto?

4 E diziam um ao outro: Levantemo-nos [4] um capitão, e voltemos ao Egypto.

5 Então [5] Moysés e Aarão cairam sobre os seus rostos perante todo o ajuntamento dos filhos de Israel.

6 E Josué, [6] filho de Nun, e Caleb filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram os seus vestidos.

7 E fallaram a toda a congregação dos filhos d’Israel, dizendo: [7] A terra pelo meio da qual passámos a espiar é terra muito boa.

8 Se o Senhor [8] se agradar de nós, então nos porá n’esta terra, e nol-a dará: terra que [9] mana leite e mel.

9 Tão sómente não sejaes [10] rebeldes contra o Senhor, e não temaes o povo d’esta terra, porquanto são elles nosso pão: [11] retirou-se d’elles o seu amparo, e o Senhor [12] é comnosco; não os temaes.

10 Então disse toda [13] a congregação que os apedrejassem com pedras: porém a gloria [14] do Senhor appareceu na tenda da congregação a todos os filhos d’Israel.

11 E disse o Senhor a Moysés: Até quando me provocará [15] este povo? e até quando me não crerão [16] por todos os signaes que fiz no meio d’elles?

12 Com pestilencia o ferirei, e o rejeitarei: e te farei a ti povo maior e mais forte do que este.

13 E disse Moysés [17] ao Senhor: Assim os egypcios o ouvirão; porquanto com a tua força fizeste subir este povo do meio d’elles.

14 E dirão aos [18] moradores d’esta terra, os que ouviram que tu, ó Senhor, estás no meio d’este povo, que [GX] de cara a cara, ó Senhor, lhes appareces, que tua nuvem [19] está sobre elles, e que vaes adiante d’elles n’uma columna de nuvem de dia, e n’uma columna de fogo de noite.

15 E matarias este povo como a um só homem? as gentes pois, que ouviram a tua fama, fallarão, dizendo:

16 Porquanto o Senhor não podia [20] pôr este povo na terra que lhes tinha jurado; por isso os matou no deserto.

17 Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça; como tens fallado, dizendo:

[146]

18 O Senhor é longanimo, [21] e grande em beneficencia, que perdôa a iniquidade e a transgressão, que o culpado não tem por innocente, e [22] visita a iniquidade dos paes sobre os filhos até á terceira e quarta geração.

19 Perdôa [23] pois a iniquidade d’este povo, segundo a grandeza da tua benignidade: e como tambem perdoaste a este povo desde a terra do Egypto até aqui.

20 E disse o Senhor: [24] Conforme á tua palavra lhe perdoei.

21 Porém tão certamente como eu vivo, [25] que a gloria do Senhor encherá toda a terra,

22 E que todos [26] os homens que viram a minha gloria e os meus signaes, que fiz no Egypto e no deserto; e me tentaram estas [27] dez vezes, e não obedeceram á minha voz;

23 Não [28] verão a terra de que a seus paes jurei, e até nenhum d’aquelles que me provocaram a verá.

24 Porém o meu servo [29] Caleb, porquanto n’elle houve outro espirito, e perseverou em [30] seguir-me, eu o levarei á terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança:

25 E os amalequitas e os cananeos habitam no valle: tornae-vos [31] ámanhã, e caminhae para o deserto pelo caminho do Mar Vermelho.

Aos murmuradores não é permittido entrar na terra de Canaan.

26 Depois fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

27 Até quando soffrerei esta má congregação, que murmura contra mim? tenho ouvido [32] as murmurações dos filhos de Israel, com que murmuram contra mim.

28 Dize-lhes: Assim eu vivo, [33] diz o Senhor, que, como fallastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros.

29 N’este deserto cairão os vossos cadaveres, como tambem [34] todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte annos e para cima, os que d’entre vós contra mim murmurastes;

30 Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar n’ella, [35] salvo Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.

31 Mas os vossos filhos, [36] de que dizeis: Por presa serão, metterei n’ella; e elles saberão da terra que vós [37] desprezastes.

32 Porém, quanto a vós, os vossos cadaveres [38] cairão n’este deserto.

33 E vossos filhos [39] pastorearão n’este deserto quarenta annos, e levarão sobre si as vossas fornicações, até que os vossos cadaveres se consumam n’este deserto.

34 Segundo [40] o numero dos dias em que espiastes esta terra, quarenta dias, por cada dia um anno, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta annos, e conhecereis o meu apartamento.

35 Eu, o Senhor, fallei: [41] se assim não fizer a toda esta má congregação, que se levantou contra mim, n’este deserto se consumirão, e ahi fallecerão.

36 E os homens que [42] Moysés mandara a espiar a terra, e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra elle, infamando a terra,

37 Aquelles mesmos homens, que infamaram a terra, [43] morreram da praga perante o Senhor.

38 Mas [44] Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, que eram dos homens que foram espiar a terra, ficaram com vida.

39 E fallou Moysés estas palavras a todos os filhos de Israel: então o povo se contristou [45] muito.

40 E levantaram-se pela manhã de madrugada, e subiram ao cume do monte, dizendo: [46] Eis-nos aqui, e subiremos ao logar que o Senhor tem dito; porquanto havemos peccado.

41 Mas Moysés disse: Porque quebrantaes [47] o mandado do Senhor? pois isso não prosperará.

42 Não subaes, [48] pois o Senhor não estará no meio de vós, para que não sejaes feridos diante dos vossos inimigos.

43 Porque os amalequitas e os cananeos estão ali diante da vossa face, e caireis á espada: pois, porquanto [49] vos desviastes do Senhor, o Senhor não será comvosco.

44 Comtudo, temerariamente, [50] tentaram subir ao cume do monte: mas a[147] arca do concerto do Senhor e Moysés não se apartaram do meio do arraial.

45 Então desceram os amalequitas e [51] os cananeos, que habitavam na montanha, e os feriram, derrotando-os até [52] Horma.

[1] cap. 11.4.

[2] Exo. 16.2 e 17.3. cap. 16.41. Psa. 106.26.

[3] ver. 28, 29.

[4] Neh. 9.17. Deu. 17.16. Act. 6.39.

[5] cap. 16.4.

[6] ver. 24, 30. cap. 13.6, 8.

[7] cap. 13.27. Deu. 1.25.

[8] Deu. 10.15. II Sam. 15.25 e 22.20. I Reis 10.9.

[9] cap. 13.27.

[10] Deu. 9.7, 23, 24.

[11] Deu. 7.18 e 20.3. cap. 24.8.

[12] Gen. 48.21. Exo. 33.16. Deu. 20.1 e 31.6, 8. Jos. 1.5. Jui. 1.22. II Chr. 13.12 e 15.2 e 20.17 e 32.8. Isa. 41.10. Amós 5.14. Zac. 8.23.

[13] Exo. 17.4.

[14] Exo. 16.10 e 24.16, 17. Lev. 9.23. cap. 16.19.

[15] ver. 23. Psa. 95.8. Heb. 3.8, 16.

[16] Deu. 1.32 e 9.23. Psa. 78.22. João 12.37. Heb. 3.18.

[17] Exo. 32.12. Psa. 106.23. Deu. 9.26 e 32.27. Eze. 20.9, 14.

[18] Exo. 15.14. Jos. 2.9, 10 e 5.1.

[19] Exo. 13.21 e 40.38. cap. 10.34. Neh. 9.12.

[20] Deu. 9.28. Jos. 7.9.

[21] Exo. 34.6, 7. Psa. 103.8 e 144.8. Jon. 4.2.

[22] Exo. 20.5 e 34.7.

[23] Exo. 34.9. Psa. 106.45. Psa. 78.38.

[24] Psa. 106.23. Thi. 5.16. I João 5.14.

[25] Psa. 72.19.

[26] Deu. 1.35. Psa. 95.11 e 106.26. Heb. 3.17.

[27] Gen. 31.7.

[28] cap. 32.11. Eze. 20.15.

[29] Deu. 1.36. Jos. 14.6, 8, 9, 14.

[30] cap. 32.12.

[31] Deu. 1.40.

[32] ver. 11. Exo. 16.28. Mat. 17.16. Exo. 16.12.

[33] cap. 26.65 e 32.11. Deu. 1.35. Heb. 3.17.

[34] cap. 1.45 e 26.64.

[35] ver. 38. cap. 26.65 e 32.12. Deu. 1.36.

[36] Deu. 1.39.

[37] Psa. 106.24.

[38] I Cor. 10.5. Heb. 3.17.

[39] cap. 32.13. Psa. 107.40. Deu. 2.14. Eze. 23.35.

[40] cap. 13.25. Psa. 95.10. Eze. 4.6. I Reis 8.56. Psa. 105.42. Heb. 4.1.

[41] cap. 23.19. ver. 27, 29. cap. 26.65. I Cor. 10.5.

[42] cap. 13.31, 32.

[43] I Cor. 10.10. Heb. 3.17. Jud. 5.

[44] cap. 26.65. Jos. 14.6, 19.

[45] Exo. 33.4.

[46] Deu. 1.41.

[47] ver. 25. II Chr. 24.20.

[48] Deu. 1.42.

[49] II Chr. 15.

[50] Deu. 1.43.

[51] ver. 43. Deu. 1.17.

[52] cap. 21.3. Jui. 1.17.

A repetição de diversas leis.

15 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla [1] aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na terra das vossas habitações, que eu vos hei de dar;

3 E ao Senhor fizerdes [2] offerta queimada, holocausto, ou sacrificio, para lhe separar um voto, ou em offerta voluntaria, ou nas vossas solemnidades, para ao Senhor fazer um cheiro suave de ovelhas ou vaccas;

4 Então aquelle [3] que offerecer a sua offerta ao Senhor, por offerta de manjares offerecerá uma decima de flor de farinha misturada com a quarta parte d’um hin de azeite.

5 E de vinho para libação preparareis a quarta parte [4] de um hin, para holocausto ou para sacrificio por cada cordeiro:

6 E por cada carneiro [5] prepararás uma offerta de manjares de duas decimas de flor de farinha, misturada com a terça parte d’um hin de azeite.

7 E de vinho para a libação offerecerás a terça parte de um hin ao Senhor, em cheiro suave.

8 E, quando preparares novilho para holocausto ou sacrificio, para separar um voto, ou um [6] sacrificio pacifico ao Senhor,

9 Com o novilho [7] offerecerás uma offerta de manjares de tres decimas de flor de farinha misturada com a metade d’um hin de azeite,

10 E de vinho para a libação offerecerás a metade de um hin, offerta queimada em cheiro suave ao Senhor.

11 Assim se fará [8] com cada boi, ou com cada carneiro, ou com o gado miudo dos cordeiros ou das cabras.

12 Segundo o numero que offerecerdes, assim o fareis com cada um, segundo o numero d’elles.

13 Todo o natural assim fará estas coisas, offerecendo offerta queimada em cheiro suave ao Senhor.

14 Quando tambem peregrinar comvosco algum estrangeiro, ou que estiver no meio de vós nas vossas gerações, e elle offerecer uma offerta queimada de cheiro suave ao Senhor, como vós fizerdes assim fará elle.

15 Um mesmo [9] estatuto haja para vós, ó congregação, e para o estrangeiro que entre vós peregrina, por estatuto perpetuo nas vossas gerações; como vós, assim será o peregrino perante o Senhor.

16 Uma mesma lei e um mesmo direito haverá para vós e para o estrangeiro que peregrina comvosco.

17 Fallou mais [10] o Senhor a Moysés, dizendo:

18 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na terra em que vos hei de metter,

19 Acontecerá que, quando comerdes do pão da [11] terra, então offerecereis ao Senhor offerta alçada.

20 Das primicias [12] da vossa massa offerecereis um bolo em offerta alçada: como a offerta da eira, assim o offerecereis.

21 Das primicias das vossas massas dareis ao Senhor offerta alçada nas vossas gerações.

22 E, quando vierdes a errar, e não fizerdes todos estes mandamentos, que o Senhor fallou a Moysés,

23 Tudo quanto o Senhor vos tem mandado por mão de Moysés, desde o dia que o Senhor ordenou, e d’ali em diante, nas vossas gerações;

24 Será que, quando se fizer alguma coisa por erro, [13] e fôr encoberto aos olhos da congregação, toda a congregação offerecerá um novilho para holocausto em cheiro suave ao Senhor, com a [14] sua offerta de manjares e libação conforme ao estatuto, e um bode para expiação do peccado.

25 E [15] o sacerdote fará propiciação por toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, porquanto foi erro: e trouxeram a sua offerta, offerta queimada ao Senhor, e a sua expiação do peccado perante o Senhor, por causa do seu erro.

26 Será pois perdoado a toda a congregação dos filhos de Israel, e mais ao estrangeiro que peregrina no meio d’elles, porquanto por erro sobreveiu a todo o povo.

27 E, se alguma alma [16] peccar por erro, para expiação do peccado offerecerá uma cabra d’um anno.

[148]

28 E [17] o sacerdote fará expiação pela alma errante, quando peccar por erro, perante o Senhor, fazendo expiação por ella, e lhe será perdoado.

29 Para o natural [18] dos filhos de Israel, e para o estrangeiro que no meio d’elles peregrina, uma mesma lei vos será, para aquelle que isso fizer por erro.

30 Mas [19] a alma que fizer alguma coisa á mão levantada, quer seja dos naturaes quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor: e tal alma será extirpada do meio do seu povo,

31 Pois desprezou [20] a palavra do Senhor, e annulou o seu mandamento: totalmente será extirpada aquella alma, a sua iniquidade será sobre ella.

32 Estando pois os filhos de Israel no deserto, [21] acharam um homem apanhando lenha no dia de sabbado.

33 E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moysés e a Aarão, e a toda a congregação.

34 E o pozeram em [22] guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer.

35 Disse pois o Senhor a Moysés: Certamente morrerá o tal [23] homem; toda a congregação com pedras o apedrejará para fóra do arraial.

36 Então toda a congregação o tirou para fóra do arraial, e com pedras o apedrejaram, e morreu, como o Senhor ordenara a Moysés.

37 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

A lei ácerca das bordas dos vestidos.

38 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Que nas bordas [24] dos seus vestidos façam franjas pelas suas gerações: e nas franjas das bordas porão um cordão de azul.

39 E nas franjas vos estará, para que o vejaes, e vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os façaes: e não seguireis [25] após o vosso coração, nem após os vossos olhos, após os quaes andaes fornicando.

40 Para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os façaes, e sanctos [26] sejaes a vosso Deus.

41 Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egypto, para vos ser por Deus: Eu sou o Senhor vosso Deus.

[1] ver. 18. Lev. 23.10. Deu. 7.1.

[2] Lev. 1.2, 3 e 22.18, 21 e 23.8, 12. cap. 28.19, 27 e 29.2, 8, 13. Deu. 16.10. Gen. 8.21. Exo. 29.18.

[3] Lev. 2.1 e 6.14. Exo. 29.40. Lev. 23.13 e 14.10. cap. 28.5.

[4] cap. 28.7, 14.

[5] cap. 28.12, 14.

[6] Lev. 7.11.

[7] cap. 28.12, 14.

[8] cap. 28.

[9] ver. 29. Exo. 12.49. cap. 9.14.

[10] ver. 2. Deu. 26.1.

[11] Jos. 5.11.

[12] Lev. 2.14 e 23.10, 16. Deu. 26.2, 10. Pro. 3.9, 10.

[13] Lev. 4.13.

[14] ver. 8, 9, 10. Lev. 4.23. cap. 28.15. Esd. 6.17 e 8.35.

[15] Lev. 4.20.

[16] Lev. 4.27.

[17] Lev. 4.35.

[18] ver. 15.

[19] Deu. 17.12. Heb. 10.26. II Ped. 2.10.

[20] II Sam. 12.9. Pro. 13.13. Lev. 5.1. Eze. 18.20.

[21] Exo. 31.14 e 35.2, 3.

[22] Lev. 24.12.

[23] Lev. 24.14. I Reis 21.13. Act. 7.58.

[24] Deu. 22.12. Mat. 23.5.

[25] Deu. 29.19. Job 31.7. Jer. 9.14. Eze. 6.9. Psa. 73.27 e 106.39. Thi. 4.4.

[26] Lev. 11.44, 45. Rom. 12.1. Col. 1.22. I Ped. 1.15, 16.

A rebellião de Coré, Dathan e Abiram.

Antes de Christo 1471

16 E Coré, filho [1] de Jizhar, filho de Kohath, filho de Levi, tomou comsigo a Dathan e a Abiram, filhos de Eliab, e a On, filho de Peleth, filhos de Ruben,

2 E levantaram-se perante Moysés com duzentos e cincoenta homens dos filhos de Israel, maioraes da congregação, chamados ao ajuntamento, varões de nome,

3 E se congregaram contra Moysés e contra Aarão, e lhes disseram: Baste-vos, pois toda esta [2] congregação, pois que toda a congregação é sancta, todos elles são sanctos, e o Senhor está no meio d’elles: porque pois vos elevaes sobre a congregação do Senhor?

4 Como Moysés isto ouviu, [3] caiu sobre o seu rosto,

5 E fallou a Coré e a toda a sua congregação, dizendo: Ámanhã pela manhã o Senhor fará saber quem é seu, e quem o sancto que elle fará chegar a si: [4] e aquelle a quem [5] escolher fará chegar a si.

6 Fazei isto: tomae vós incensarios, Coré e toda a sua congregação;

7 E, pondo fogo n’elles ámanhã, sobre elles deitae incenso perante o Senhor: e será que o homem a quem o Senhor escolher, este será o sancto: baste-vos, filhos de Levi.

8 Disse mais Moysés a Coré: Ouvi agora, filhos de Levi:

9 Porventura pouco [6] para vós é que o Deus de Israel vos separou [7] da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a administrar o ministerio do tabernaculo do Senhor e estar perante a congregação para ministrar-lhe:

10 E te fez chegar, e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, comtigo; ainda tambem procuraes o sacerdocio?

11 Pelo que tu e toda a tua congregação congregados estaes contra o Senhor; e Aarão, [8] que é elle, que murmuraes contra elle?

12 E Moysés enviou a chamar a Dathan e a Abiram, filhos de Eliab: porém elles disseram: Não subiremos;

13 Porventura pouco é que nos fizeste subir [9] de uma terra que mana leite e mel, para nos matares n’este deserto,[149] senão que tambem totalmente te assenhoreias [10] de nós?

14 Nem tão pouco nos trouxeste a uma terra [11] que mana leite e mel, nem nos déste campos e vinhas em herança; porventura arrancarás os olhos a estes homens? não subiremos.

15 Então Moysés irou-se muito, e disse ao Senhor; Não [12] attentes para a sua offerta; nem um só jumento tomei d’elles, nem a nenhum d’elles fiz mal.

16 Disse mais Moysés a Coré: Tu e toda [13] a tua congregação vos ponde perante o Senhor, tu, e elles, e Aarão, ámanhã.

17 E tomae cada um o seu incensario, e n’elles ponde incenso; e trazei cada um o seu incensario perante o Senhor, duzentos e cincoenta incensarios; tambem tu e Aarão, cada qual o seu incensario.

18 Tomaram pois cada qual o seu incensario, e n’elles pozeram fogo, e n’elles deitaram incenso, e se pozeram perante a porta da tenda da congregação com Moysés e Aarão.

19 E Coré fez ajuntar contra elles toda a congregação á porta da tenda da congregação: então a gloria do [14] Senhor appareceu a toda a congregação.

20 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

21 Apartae-vos [15] do meio d’esta congregação, e os consumirei como n’um momento.

22 Mas elles se prostraram sobre os seus rostos, [16] e disseram: Ó Deus, Deus dos espiritos de toda a carne, peccaria um só homem, e indignar-te-has tu tanto contra toda esta congregação?

23 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

24 Falla a toda esta congregação, dizendo: Levantae-vos do redor da habitação de Coré, Dathan e Abiram.

25 Então Moysés levantou-se, e foi a Dathan e a Abiram: e após d’elle foram os anciãos de Israel.

26 E fallou á congregação, [17] dizendo: Desviae-vos, peço-vos, das tendas d’estes impios homens, e não toqueis nada do que é seu, para que porventura não pereçaes em todos os seus peccados.

27 Levantaram-se pois do redor da habitação de Coré, Dathan e Abiram. E Dathan e Abiram sairam, e se pozeram á porta das suas tendas, juntamente com as suas mulheres, e seus filhos, e suas creanças.

28 Então disse Moysés: N’isto [18] conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todos estes feitos, que de meu coração não procedem.

29 Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como se visitam [19] todos os homens, então o Senhor me não enviou.

30 Mas, se o Senhor crear alguma coisa [20] nova, e a terra abrir a sua bocca e os tragar com tudo o que é seu, e vivos descerem ao sepulchro, então conhecereis que estes homens irritaram ao Senhor.

31 E aconteceu que, acabando [21] elle de fallar todas estas palavras, a terra que estava debaixo d’elles se fendeu.

32 E a terra abriu a sua bocca, e os tragou com as suas casas, como tambem a todos os homens que pertenciam a Coré, e a [22] toda a sua fazenda.

33 E elles e tudo o que era seu desceram vivos ao sepulchro, e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação.

34 E todo o Israel, que estava ao redor d’elles, fugiu do clamor d’elles; porque diziam: Para que porventura tambem nos não trague a terra a nós.

35 Então saiu [23] fogo do Senhor, e consumiu os duzentos e cincoenta homens que offereciam o incenso.

36 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

37 Dize a Eleazar, filho de Aarão, o sacerdote, que tome os incensarios do meio do incendio, e espalhe o fogo longe, porque [24] sanctos são;

38 Quanto aos incensarios d’aquelles [25] que peccaram contra as suas almas, d’elles se façam folhas estendidas para cobertura do altar; porquanto os trouxeram perante o Senhor; pelo que sanctos são: e serão por [26] signal aos filhos de Israel.

39 E Eleazar, o sacerdote, tomou os incensarios de metal, que trouxeram aquelles que foram queimados, e os estenderam para cobertura do altar,

40 Por memorial para os filhos de[150] Israel, que nenhum estranho, [27] que não fôr da semente de Aarão, se chegue para accender incenso perante o Senhor; para que não seja como Coré e a sua congregação, como o Senhor lhe tinha dito pela bocca de Moysés.

41 Mas no dia seguinte toda [28] a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moysés e contra Aarão, dizendo; Vós matastes o povo do Senhor.

42 E aconteceu que, ajuntando-se a congregação contra Moysés e Aarão, e virando-se para a tenda da congregação, eis que a nuvem a cobriu, e a gloria do Senhor appareceu.

43 Vieram pois Moysés e Aarão perante a tenda da congregação.

44 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

45 Levantae-vos [29] do meio d’esta congregação, e a consumirei como n’um momento: então se prostraram [30] sobre os seus rostos,

46 E disse Moysés a Aarão: Toma o teu incensario, e põe n’elle fogo do altar, e deita incenso sobre elle, e vae depressa á congregação, e faze expiação por elles: porque grande indignação saiu de diante do Senhor; [31] já começou a praga.

47 E tomou-o Aarão, como Moysés tinha fallado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso n’elle, e fez expiação pelo povo.

48 E estava em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga.

49 E os que morreram d’aquella praga foram quatorze mil e setecentos, fóra os que morreram pela causa de Coré.

50 E voltou Aarão a Moysés á porta da tenda da congregação: e cessou a praga.

[1] Exo. 6.21. cap. 26.9 e 27.3. Jud. 11.

[2] Exo. 19.6 e 29.45. cap. 14.14 e 35.34.

[3] cap. 14.5 e 20.6.

[4] ver. 3. Lev. 21.6, 7, 8, 12, 15.

[5] Exo. 28.1. cap. 17.5. I Sam. 2.28. cap. 3.10. Lev. 10.3 e 21.17, 18. Eze. 40.46 e 44.15, 16.

[6] I Sam. 18.23. Isa. 7.13.

[7] cap. 3.41, 45 e 8.14. Deu. 10.8.

[8] Exo. 16.8. I Cor. 3.5.

[9] ver. 9.

[10] Exo. 2.14. Act. 7.27, 35.

[11] Exo. 3.8. Lev. 20.24.

[12] Gen. 4.4, 5. I Sam. 12.3. Act. 20.33. II Cor. 7.2.

[13] ver. 6, 7. I Sam. 12.3, 7.

[14] Exo. 16.7, 10. Lev. 9.6, 23. cap. 14.10.

[15] ver. 45. Gen. 19.17, 22. Jer. 51. Act. 2.40. Apo. 18.4.

[16] cap. 14.5 e 27.16. Job 12.10. Ecc. 12.7. Isa. 57.16. Zac. 12.1. Heb. 12.9.

[17] Gen. 19.12, 14. Isa. 52.11. II Cor. 6.17. Apo. 18.4.

[18] Exo. 3.12. Deu. 18.22. Zac. 2.9, 11 e 4.9. João 5.36. cap. 24.13. Jer. 23.16. Eze. 13.17. João 5.30 e 6.38.

[19] Exo. 20.5. Job 35.15. Isa. 10.3. Jer. 5.9.

[20] Job 31.3. Isa. 28.21. ver. 33. Psa. 55.15.

[21] cap. 26.10 e 27.3. Deu. 11.6.

[22] ver. 17. cap. 26.11. I Chr. 6.22, 37.

[23] Lev. 10.2. cap. 11.1. Psa. 106.18. ver. 17.

[24] Lev. 27.28.

[25] Pro. 20.2. Heb. 2.10.

[26] cap. 17.10 e 26.10. Eze. 14.8.

[27] cap. 3.10. II Chr. 26.18.

[28] cap. 14.2. Psa. 106.25.

[29] ver. 21, 24.

[30] ver. 22. cap. 20.6.

[31] Lev. 10.6. cap. 1.53 e 8.19 e 11.33. I Chr. 27.24. Psa. 106.29.

A vara de Aarão floresce.

17 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, e toma d’elles uma vara por cada casa paterna de todos os seus principes, segundo as casas de seus paes doze varas; e escreverás o nome de cada um sobre a sua vara.

3 Porém o nome de Aarão escreverás sobre a vara de Levi; porque cada cabeça da casa de seus paes terá uma vara.

4 E as porás na tenda da congregação, perante o testemunho, onde [1] eu virei a vós.

5 E será que a vara do homem que eu tiver escolhido [2] florescerá; assim farei cessar as murmurações dos filhos d’Israel contra mim, com que murmuram [3] contra vós.

6 Fallou pois Moysés aos filhos d’Israel: e todos os seus maioraes deram-lhe cada um uma vara, por cada maioral uma vara, segundo as casas de seus paes; doze varas; e a vara d’Aarão estava entre as suas varas.

7 E Moysés poz estas varas perante o Senhor na tenda do [4] testemunho.

8 Succedeu pois que no dia seguinte Moysés entrou na tenda do testemunho, e eis-que a vara d’Aarão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores, e brotara renovos e dera amendoas.

9 Então Moysés tirou todas as varas de diante do Senhor a todos os filhos d’Israel; e elles o viram, e tomaram cada um a sua vara.

10 Então o Senhor disse a Moysés: Torna a pôr a vara [5] d’Aarão perante o testemunho, para que se guarde por signal para os filhos rebeldes: assim farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão.

11 E Moysés fez assim; como lhe ordenára o Senhor, assim fez.

12 Então fallaram os filhos de Israel a Moysés, dizendo: Eis-aqui, nós expiramos, perecemos, nós perecemos todos.

13 Todo aquelle [6] que se approximar do tabernaculo do Senhor, morrerá: seremos pois todos consumidos?

[1] Exo. 25.22 e 29.42, 43 e 30.36.

[2] cap. 16.5.

[3] cap. 16.11.

[4] Exo. 38.21. cap. 18.2. Act. 7.44.

[5] Heb. 9.4. cap. 16.38. ver. 5.

[6] cap. 1.51 e 18.4, 7.

Os deveres e direitos dos sacerdotes, e dos levitas.

18 Então disse o Senhor a Aarão: [1] Tu, e teus filhos, e a casa de teu pae comtigo, levareis sobre vós a iniquidade do sanctuario: e tu e teus filhos comtigo levareis sobre vós a iniquidade do vosso sacerdocio.

2 E tambem farás chegar comtigo a teus irmãos, a tribu [2] de Levi, a tribu de teu pae, para que se ajuntem a ti, e te sirvam; mas tu e teus filhos comtigo estareis perante a tenda do testemunho.

3 E elles farão a tua guarda, a guarda de toda [3] a tenda: mas não se chegarão aos vasos do sanctuario, e ao altar, para que não morram, tanto elles como vós.

[151]

4 Mas se ajuntarão a ti, e farão a guarda da tenda da congregação em todo o ministerio da tenda; e o estranho [4] não se chegará a vós.

5 Vós pois fareis [5] a guarda do sanctuario e a guarda do altar; para que não haja outra vez furor sobre os filhos d’Israel.

6 E eu, eis-que eu tenho tomado vossos irmãos, os [6] levitas, do meio dos filhos d’Israel: a vós são dados em [7] dadiva pelo Senhor, para administrar o ministerio da tenda da congregação.

7 Mas tu [8] e teus filhos comtigo guardareis o vosso sacerdocio em todo o negocio do altar, e no que estiver dentro do [9] véu, isto administrareis: eu vos tenho dado o vosso sacerdocio em dadiva ministerial, e o estranho que se chegar morrerá.

8 Disse mais o Senhor a Aarão: E eu, eis-que [10] te tenho dado a guarda das minhas offertas alçadas, com todas as coisas sanctas dos filhos d’Israel; por causa da uncção as tenho dado a ti [11] e a teus filhos por estatuto perpetuo.

9 Isto terás das coisas sanctissimas do fogo: todas as suas offertas com todas as suas offertas de manjares, [12] e com todas as suas expiações do peccado, e com todas as suas expiações da culpa, que me restituirão; será coisa sanctissima para ti e para teus filhos.

10 No logar sanctissimo [13] o comerás: todo o macho o comerá; sanctidade será para ti.

11 Tambem isto será teu: [14] a offerta alçada dos seus dons com todas as offertas movidas dos filhos d’Israel; a ti, a teus filhos, e a tuas filhas comtigo, as tenho dado por estatuto perpetuo; todo o que estiver limpo na [15] tua casa as comerá.

12 Tudo o [16] melhor do azeite, e tudo o melhor do mosto e do grão, as suas primicias que derem ao Senhor, as tenho dado a ti.

13 Os primeiros fructos de tudo que houver na terra, [17] que trouxerem ao Senhor, serão teus: todo o que estiver limpo na tua casa os comerá.

14 Toda a coisa [18] consagrada em Israel será tua.

15 Tudo o que abrir a madre, de [19] toda a carne que trouxerem ao Senhor, tanto d’homens como d’animaes, será teu; porém os primogenitos dos homens resgatarás; tambem os primogenitos dos animaes immundos resgatarás.

16 Os que pois d’elles se houverem de resgatar [20] resgatarás, da edade d’um mez, segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do sanctuario, que é de vinte geras.

17 Mas [21] o primogenito de vacca, ou primogenito d’ovelha, ou primogenito de cabra, não resgatarás, sanctos são: o seu sangue espargirás sobre o altar, e a sua gordura queimarás em offerta queimada de cheiro suave ao Senhor.

18 E a carne d’elles será tua: assim como o peito do movimento, e [22] como o hombro direito, tua será.

19 Todas as offertas [23] alçadas das sanctidades, que os filhos de Israel offerecerem ao Senhor, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas comtigo, por estatuto perpetuo: concerto perpetuo de sal perante o Senhor é, para ti e para a tua semente comtigo.

20 Disse tambem o Senhor a Aarão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio d’elles, nenhuma parte terás: eu [24] sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos d’Israel.

21 E eis-que aos filhos de Levi tenho dado [25] todos os dizimos em Israel por herança, pelo seu ministerio que administra, o ministerio da [26] tenda da congregação.

22 E nunca mais os filhos de Israel se chegarão [27] á tenda da congregação, para que não levem sobre si o peccado, e morram.

23 Mas os levitas [28] administrarão o ministerio da tenda da congregação, e elles levarão sobre si a sua iniquidade: pelas vossas gerações estatuto perpetuo será; e no meio dos filhos d’Israel nenhuma herança herdarão.

24 Porque os dizimos dos filhos d’Israel, que [29] offerecerem ao Senhor em offerta alçada, tenho dado por herança aos levitas: porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança herdarão.

25 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

26 Tambem fallarás aos levitas, e dir-lhes-has: Quando receberdes os dizimos dos filhos de Israel, que eu d’elles vos tenho dado em vossa herança, d’elles[152] offerecereis uma offerta alçada ao Senhor; os [30] dizimos dos dizimos.

27 E contar-se-vos-ha a vossa offerta alçada, como grão da eira, e como plenitude do lagar.

28 Assim tambem offerecereis ao Senhor uma offerta alçada de todos os vossos dizimos, que receberdes dos filhos d’Israel, e d’elles dareis a offerta alçada do Senhor a Aarão, o sacerdote.

29 De todos os vossos dons offerecereis toda a offerta alçada do Senhor: de tudo o melhor d’elles, a sua sancta parte.

30 Dir-lhes-has pois: Quando offerecerdes o melhor d’elles, como novidade da eira, e [31] como novidade do lagar, se contará aos levitas.

31 E o comereis em todo o logar, vós e a vossa casa, porque vosso galardão é [32] pelo vosso ministerio na tenda da congregação.

32 Pelo que não levareis sobre vós o peccado, [33] quando d’elles offerecerdes o melhor: e não [34] profanareis as coisas sanctas dos filhos de Israel, para que não morraes.

[1] cap. 17.13. Exo. 28.38.

[2] Gen. 29.34. cap. 3.6, 7, 10.

[3] cap. 3.25, 31, 36 e 16.40 e 4.15.

[4] cap. 3.10.

[5] Exo. 27.21 e 30.7. Lev. 24.3. cap. 8.2 e 16.46.

[6] cap. 3.12, 45.

[7] cap. 3.9 e 8.19.

[8] ver. 5.

[9] Heb. 9.3, 6.

[10] Lev. 6.16, 18, 26 e 7.6, 32. cap. 5.9.

[11] Exo. 29.29.

[12] Lev. 2.2 e 4.22 e 5.1, 7 e 6.25 e 10.12 e 14.13.

[13] Lev. 6.16, 18, 26, 29.

[14] Exo. 29.27, 28. Lev. 7.30, 34 e 10.14. Deu. 18.3.

[15] Lev. 22.2, 3, 11, 12, 13.

[16] Exo. 23.19. Deu. 18.4. Neh. 10.35. Exo. 22.29.

[17] Exo. 34.26. Lev. 2.14. cap. 15.19. Deu. 26.2. ver. 11.

[18] Lev. 27.28.

[19] Exo. 13.2. Lev. 27.26. cap. 13.13 e 34.20.

[20] Lev. 27.2, 6, 25. cap. 3.47. Eze. 45.12.

[21] Deu. 15.16. Lev. 3.2.

[22] Exo. 29.26. Lev. 7.31.

[23] ver. 11. Lev. 2.3. II Chr. 13.5.

[24] Deu. 10.9 e 12.12. Jos. 13.14, 33 e 14.3. Eze. 44.28.

[25] ver. 24, 26. Lev. 27.30. Neh. 10.37 e 12.41. Heb. 7.5.

[26] cap. 3.7, 8.

[27] cap. 1.51. Lev. 22.9.

[28] cap. 3.7.

[29] ver. 21, 20. Deu. 10.9 e 14.27, 29 e 18.1.

[30] Neh. 10.38. ver. 30.

[31] ver. 27.

[32] Mat. 10.10. Luc. 10.7. I Cor. 9.13. I Tim. 5.18.

[33] Lev. 19.18.

[34] Lev. 22.2, 15.

A agua de separação.

19 Fallou mais o Senhor a Moysés e a Aarão, dizendo:

2 Este é o estatuto da lei, que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que te tragam uma bezerra ruiva sem defeito, que não tenha mancha, e [1] sobre que não subiu jugo.

3 E a dareis a Eleazar, o sacerdote; e a tirará fóra [2] do arraial, e se degolará diante d’elle.

4 E Eleazar, o sacerdote, tomará do seu sangue com o seu dedo, e d’elle espargirá [3] para a frente da tenda da congregação sete vezes.

5 Então queimará a bezerra perante os seus olhos; o seu coiro, e a sua [4] carne, e o seu sangue, com o seu esterco se queimará.

6 E o sacerdote tomará pau de cedro, e hyssopo, [5] e carmezim, e os lançará no meio do incendio da bezerra.

7 Então o sacerdote lavará [6] os seus vestidos, e banhará a sua carne na agua, e depois entrará no arraial, e o sacerdote será immundo até á tarde.

8 Tambem o que a queimou lavará os seus vestidos com agua, e em agua banhará a sua carne, e immundo será até á tarde.

9 E um homem limpo ajuntará a cinza [7] da bezerra, e a porá fóra do arraial, n’um logar limpo, e estará ella em guarda para a congregação dos filhos d’Israel, para a agua da [8] separação: expiação é.

10 E o que apanhou a cinza da bezerra lavará os seus vestidos, e será immundo até á tarde: isto será por estatuto perpetuo aos filhos d’Israel e ao estrangeiro que peregrina no meio d’elles.

11 Aquelle que tocar [9] a algum morto, cadaver d’algum homem, immundo será sete dias.

12 Ao [10] terceiro dia se purificará com ella, e ao setimo dia será limpo: mas, se ao terceiro dia se não purificar, não será limpo ao setimo dia.

13 Todo aquelle que tocar a algum morto, cadaver d’algum homem, que estiver morto, e não se purificar, contamina o tabernaculo [11] do Senhor: e aquella alma será extirpada d’Israel: porque a agua da separação não foi espargida sobre elle, immundo será: está n’elle ainda a sua immundicia.

14 Esta é a lei, quando morrer algum homem em alguma tenda: todo aquelle que entrar n’aquella tenda, e todo aquelle que estiver n’aquella tenda, será immundo sete dias.

15 Tambem todo o vaso [12] aberto, sobre que não houver panno atado, será immundo.

16 E todo aquelle que sobre a face do campo [13] tocar a algum que fôr morto pela espada, ou outro morto, ou aos ossos d’algum homem, ou a uma sepultura, será immundo sete dias.

17 Para um immundo pois tomarão do pó [14] da queima da expiação, e sobre elle porão agua viva n’um vaso.

18 E um homem limpo tomará [15] hyssopo, e o molhará n’aquella agua, e a espargirá sobre aquella tenda, e sobre todo o fato, e sobre as almas que ali estiverem: como tambem sobre aquelle que tocar os ossos, ou a algum que foi morto, ou que falleceu, ou uma sepultura.

19 E o limpo ao terceiro e setimo dia espargirá sobre o immundo: e ao setimo dia o purificará; e [16] lavará os seus vestidos, e se banhará na agua, e á tarde será limpo.

20 Porém o que fôr immundo, e se não purificar, a tal alma do meio da[153] congregação será extirpada; porquanto contaminou [17] o sanctuario do Senhor: agua de separação sobre elle não foi espargida; immundo é.

21 Isto lhes será por estatuto perpetuo: e o que espargir a agua da separação lavará os seus vestidos; e o que tocar a agua da separação será immundo até á tarde.

22 E tudo [18] o que tocar ao immundo tambem será immundo; e a alma que o tocar será immunda até á tarde.

[1] Deu. 21.3. I Sam. 6.7.

[2] Lev. 4.12, 21 e 26.27. Heb. 13.11.

[3] Lev. 4.6 e 16.14, 19. Heb. 9.13.

[4] Exo. 29.14. Lev. 4.11, 12.

[5] Lev. 14.4, 6, 49.

[6] Lev. 11.25 e 15.5.

[7] Heb. 9.13.

[8] ver. 13, 20, 21. cap. 31.23.

[9] ver. 16. Lev. 21.1. cap. 5.2 e 9.6, 10 e 31.19. Lam. 4.14. Agg. 2.13.

[10] cap. 31.19.

[11] Lev. 15.20 e 22.3. ver. 9. cap. 8.7. Lev. 7.20 e 22.3.

[12] Lev. 11.32. cap. 31.20.

[13] ver. 11.

[14] ver. 9.

[15] Psa. 51.9.

[16] Lev. 14.9.

[17] ver. 13.

[18] Agg. 2.13. Lev. 15.5.

A morte de Miriam.

Antes de Christo 1453

20 Chegando [1] os filhos d’Israel, toda a congregação, ao deserto de Zin, no mez primeiro, o povo ficou em Cades: e Miriam [2] morreu ali, e ali foi sepultada.

2 E não havia agua [3] para a congregação: então se congregaram contra Moysés e contra Aarão.

3 E o povo contendeu [4] com Moysés, e fallaram, dizendo: Oxalá tivessemos expirado quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor!

4 E [5] porque trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos ali, nós e os nossos animaes?

5 E porque nos fizestes subir do Egypto, para nos trazer a este logar máu? logar não de semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem d’agua para beber.

6 Então Moysés e Aarão se foram de diante da congregação á porta da tenda da congregação, e se [6] lançaram sobre os seus rostos: e a gloria do Senhor lhes appareceu.

Moysés fere a rocha e as aguas saem.

7 E o Senhor fallou a Moysés, dizendo:

8 Toma a vara, [7] e ajunta a congregação, tu e Aarão, teu irmão, e fallae á rocha perante os seus olhos, e dará a sua agua: assim lhes tirarás [8] agua da rocha, e darás a beber á congregação e aos seus animaes.

9 Então Moysés tomou a vara de diante do Senhor, [9] como lhe tinha ordenado,

10 E Moysés e Aarão congregaram a congregação diante da rocha, e [10] disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos agua d’esta rocha para vós?

11 Então Moysés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e [11] sairam muitas aguas; e bebeu a congregação e os seus animaes.

12 E o Senhor disse a Moysés e a Aarão: Porquanto não me crestes a mim, [12] para me sanctificar diante dos filhos de Israel, por isso não mettereis esta congregação na terra que lhes tenho dado.

13 Estas são as aguas de [13] Meribah, porque os filhos de Israel contenderam com o Senhor: e se sanctificou n’elles.

Moysés solicita passagem pelo Edom.

14 Depois Moysés [14] desde Cades mandou mensageiros ao rei d’Edom, dizendo: Assim diz teu irmão Israel: sabes todo o trabalho que nos sobreveiu:

15 Como nossos paes desceram ao Egypto, [15] e nós no Egypto habitámos muitos dias; e como os egypcios nos maltrataram, a nós e a nossos paes:

16 E clamámos ao Senhor, [16] e elle ouviu a nossa voz, e mandou um anjo, e nos tirou do Egypto: e eis que estamos em Cades, cidade na extremidade dos teus termos.

17 Deixa-nos pois passar [17] pela tua terra; não passaremos pelo campo, nem pelas vinhas, nem beberemos a agua dos poços: iremos pela estrada real; não nos desviaremos para a direita nem para a esquerda, até que passemos pelos teus termos.

18 Porém Edom lhe disse: Não passarás por mim, para que porventura eu não saia á espada ao teu encontro.

19 Então os filhos d’Israel lhe disseram: Subiremos pelo caminho egualado, e se eu e o meu gado bebermos das tuas aguas, [18] darei o preço d’ellas: sem alguma outra coisa sómente passarei a pé.

20 Porém elle disse: [19] Não passarás. E saiu-lhe Edom ao encontro com muita gente, e com mão forte.

21 Assim recusou [20] Edom deixar passar a Israel pelo seu termo: pelo que Israel se desviou d’elle.

A morte de Aarão.

22 Então partiram de Cades: [21] e os filhos de Israel, toda a congregação, vieram ao monte de Hor.

[154]

23 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão no monte de Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo:

24 Aarão [22] recolhido será a seus povos, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebeldes fostes á minha bocca, ás aguas de Meribah.

25 Toma [23] a Aarão e a Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte de Hor.

26 E despe a Aarão os seus vestidos, e veste-os a Eleazar, seu filho, porque Aarão será recolhido, e morrerá ali.

27 Fez pois Moysés como o Senhor lhe ordenara: porque subiram ao monte de Hor perante os olhos de toda a congregação.

28 E Moysés despiu a Aarão os vestidos, [24] e os vestiu a Eleazar, seu filho; e morreu Aarão ali sobre o cume do monte; e [25] desceram Moysés e Eleazar do monte.

29 Vendo pois toda a congregação que Aarão era morto, [26] choraram a Aarão trinta dias, toda a casa de Israel.

[1] cap. 22.36.

[2] Exo. 15.20. cap. 26.59.

[3] Exo. 17.1. cap. 16.19, 42.

[4] Exo. 17.2. cap. 11.1, 33 e 14.37 e 16.32, 35, 49.

[5] Exo. 17.3.

[6] cap. 14.5 e 16.4, 22.

[7] Exo. 17.5.

[8] Neh. 9.15. Psa. 79.15 e 105.41 e 114.8. Isa. 43.20 e 48.21.

[9] cap. 17.10.

[10] Psa. 107.33.

[11] Exo. 17.6. Deu. 8.15. I Cor. 10.4.

[12] cap. 27.14. Deu. 1.37 e 3.26 e 32.51. Lev. 10.3. Eze. 20.41 e 36.23. I Ped. 3.15.

[13] Deu. 33.8. Psa. 96.8 e 107.32, etc.

[14] Jui. 11.16. Deu. 2.4, etc. e 23.7. Abd. 10, 12.

[15] Gen. 46.6. Act. 7.15. Exo. 12.40. Deu. 26.6. Act. 7.19.

[16] Exo. 2.23 e 3.2, 7 e 14.19.

[17] cap. 21.22. Deu. 2.27.

[18] Deu. 2.6, 28.

[19] Jui. 11.17.

[20] Deu. 2.27 e 2.4, 5, 8. Jui. 11.18.

[21] cap. 33.37 e 21.4.

[22] Gen. 25.8. cap. 27.13 e 31.2. Deu. 32.50.

[23] cap. 33.38. Deu. 32.50.

[24] Exo. 29.20, 30.

[25] cap. 33.38. Deu. 10.6 e 32.50.

[26] Deu. 34.8.

Os israelitas destroem aos cananeos.

21 Ouvindo [1] o cananeo, o rei de Harad, que habitava para a banda do sul, que Israel vinha pelo [2] caminho das espias, pelejou contra Israel, e d’elle levou alguns d’elles por prisioneiros.

2 Então Israel [3] fez um voto ao Senhor, dizendo: Se totalmente entregares este povo na minha mão, [4] destruirei totalmente as suas cidades.

3 O Senhor pois ouviu a voz de Israel, e entregou os cananeos, e os destruiu totalmente, a elles e ás suas cidades: e o nome d’aquelle logar chamou Horma.

As serpentes ardentes e a serpente de metal.

4 Então partiram [5] do monte de Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom: porém a alma do povo angustiou-se n’este caminho.

5 E o povo fallou [6] contra Deus e contra Moysés: Porque nos fizestes subir do Egypto para que morressemos n’este deserto? pois aqui nem pão nem agua ha: [7] e a nossa alma tem fastio d’este pão tão vil.

6 Então o Senhor [8] mandou entre o povo serpentes ardentes, que morderam o povo; e morreu muito povo de Israel.

7 Pelo que o povo veiu a Moysés, e [9] disse: Havemos peccado, porquanto temos fallado contra o Senhor e contra ti; [10] ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moysés orou pelo povo.

8 E disse o Senhor a Moysés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-n’a sobre uma haste: e será que viverá todo o mordido que attentar para ella.

9 E Moysés [11] fez uma serpente de metal, e pôl-a sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguem, attentava para a serpente de metal, e ficava vivo.

Jornadas dos israelitas.

10 Então os filhos de Israel partiram, [12] e alojaram-se em Oboth.

11 Depois partiram [13] de Oboth, e alojaram-se nos outeiros de Abarim, no deserto que está defronte de Moab, ao nascente do sol.

12 D’ali partiram, [14] e alojaram-se junto ao ribeiro de Zered.

13 E d’ali partiram, e alojaram-se d’esta banda de Arnon, que está no deserto e sae dos termos dos amorrheos: porque [15] Arnon é o termo de Moab, entre Moab e os amorrheos.

14 Pelo que se diz no livro das guerras do Senhor: Contra Vaheb em Supha, e contra os ribeiros de Arnon,

15 E contra a corrente dos ribeiros, que se volve para a situação de Ar, [16] e se encosta aos termos de Moab.

16 E d’ali se partiram a Beer; este é o poço [17] do qual o Senhor disse a Moysés: Ajunta o povo, e lhe darei agua

17 (Então [18] Israel cantou este cantico: Sobe, poço, cantae d’elle:

18 Tu, poço, que cavaram os principes, que escavaram os nobres do povo, e o legislador [19] com os seus bordões): e do deserto partiram para Mattana;

19 E de Mattana a Nahaliel, e de Nahaliel a Bamoth;

Os israelitas ferem os reis de Moab e de Bashan.

Antes de Christo 1452

20 E de Bamoth ao valle que está no campo de Moab, [20] no cume de Pisga, e á vista do deserto.

21 Então Israel [21] mandou mensageiros[155] a Sehon, rei dos amorrheos, dizendo:

22 Deixa-me [22] passar pela tua terra; não nos desviaremos pelos campos nem pelas vinhas: as aguas dos poços não beberemos: iremos pela estrada real até que passemos os teus termos.

23 Porem [23] Sehon não deixou passar a Israel pelos seus termos; antes Sehon congregou todo o seu povo, e saiu ao encontro de Israel ao deserto, e veiu [24] a Jazha, e pelejou contra Israel.

24 Mas Israel [25] o feriu ao fio da espada, e tomou a sua terra em possessão, desde Arnon até Jabbok, até aos filhos de Ammon: porquanto o termo dos filhos de Ammon era firme.

25 Assim Israel tomou todas estas cidades: e Israel habitou em todas as cidades dos amorrheos, em Hesbon e em todas as suas aldeias.

26 Porque Hesbon era cidade de Sehon, rei dos amorrheos, e tinha pelejado contra o precedente rei dos moabitas, e tinha tomado da sua mão toda a sua terra até Arnon.

27 Pelo que dizem os que fallam em proverbios: Vinde a Hesbon; edifique-se e fortifique-se a cidade de Sehon.

28 Porque fogo [26] saiu de Hesbon, e uma chamma da cidade de Sehon: e consumiu a Ar dos moabitas, e os senhores dos altos de Arnon.

29 Ai de ti, Moab! perdido és, povo de Chamoz! [27] entregou seus filhos, que iam fugindo, e suas filhas, a ser captivos a Sehon, rei dos amorrheos.

30 E nós os derribámos: [28] Hesbon perdida é até Dibon, e os assolámos até Nophah, que se estende até [29] Medeba.

31 Assim Israel habitou na terra dos amorrheos.

32 Depois mandou Moysés espiar a [30] Jaezer, e tomaram as suas aldeias, e d’aquella possessão lançaram os amorrheos que estavam ali.

33 Então viraram-se, [31] e subiram o caminho de Basan: e Og, rei de Basan, saiu contra elles, elle e todo o seu povo, á peleja em [32] Edrei.

34 E disse o Senhor a [33] Moysés: Não o temas, porque eu t’o tenho dado na tua mão, a elle, e a todo o seu povo, e a sua terra, [34] e far-lhe-has como fizeste a Sehon, rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon.

35 E de tal maneira o feriram, [35] a elle e a seus filhos, e a todo o seu povo, que nenhum d’elles escapou: e tomaram a sua terra em possessão.

[1] cap. 33.21. Jui. 1.16.

[2] cap. 13.21.

[3] Gen. 28.20. Jui. 11.30.

[4] Lev. 27.28.

[5] cap. 20.22 e 33.41. Jui. 11.18.

[6] Psa. 78.19. Exo. 16.3 e 17.3.

[7] cap. 11.6.

[8] I Cor. 10.9. Deu. 8.15.

[9] Psa. 78.34. ver. 5.

[10] Exo. 8.8, 28. I Sam. 12.19. I Reis 13.6. Act. 8.24.

[11] II Reis 18.4. João 3.14.

[12] cap. 33.43.

[13] cap. 23.44.

[14] Deu. 2.13.

[15] cap. 22.36. Jui. 11.18.

[16] Deu. 2.18, 29.

[17] Jui. 9.21.

[18] Exo. 15.1. Psa. 105.2 e 106.12.

[19] Isa. 33.22.

[20] cap. 23.28.

[21] Deu. 2.26, 27. Jui. 11.19.

[22] cap. 20.17.

[23] Deu. 29.7.

[24] Deu. 2.32. Jui. 11.20.

[25] Deu. 2.33 e 29.7. Jos. 12.1, 2 e 24.8. Neh. 9.22. Psa. 135.10 e 136.19. Amós 2.9.

[26] Jer. 48.45. Deu. 2.9, 18. Isa. 15.1.

[27] Jui. 11.24. I Reis 11.7, 33. II Reis 23.13. Jer. 48.7, 13.

[28] Jer. 48.18, 22.

[29] Isa. 15.2.

[30] cap. 32.1. Jer. 48.32.

[31] Deu. 3.1 e 29.7.

[32] Jos. 13.12.

[33] Deu. 3.2.

[34] ver. 24. Psa. 135.10 e 136.20.

[35] Deu. 3.3, 4, etc.

Balac e Balaão.

22 Depois [1] partiram os filhos de Israel, e acamparam-se nas campinas de Moab, d’esta banda do Jordão de Jericó.

2 Vendo pois [2] Balac, filho de Zippor, tudo o que Israel fizera aos amorrheos,

3 Moab temeu [3] muito diante d’este povo, porque era muito: e Moab andava angustiado por causa dos filhos de Israel.

4 Pelo que Moab disse aos [4] anciãos dos midianitas: Agora lamberá esta congregação tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a herva do campo. N’aquelle tempo Balac, filho de Zippor, era rei dos moabitas.

5 Este enviou [5] mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Pethor, que está junto ao rio, na terra dos filhos do seu povo, a chamal-o, dizendo: [6] Eis que um povo saiu do Egypto; eis que cobre a face da terra, e parado está defronte de mim.

6 Vem pois agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; porventura o poderei ferir, e o lançarei fóra da terra: porque eu sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.

7 Então foram-se os anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas com o preço dos encantamentos nas suas mãos: [7] e chegaram a Balaão, e lhe fallaram as palavras de Balac.

8 E elle lhes disse: Passae [8] aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o Senhor me fallar: então os principes dos moabitas ficaram com Balaão.

9 E veiu Deus a Balaão, [9] e disse: Quem são estes homens que estão comtigo?

10 E Balaão disse a Deus: Balac, filho de Zippor, rei dos moabitas, m’os enviou, dizendo:

11 Eis que o povo que saiu do Egypto cobriu a face da terra: vem agora, amaldiçoa-m’o; porventura poderei pelejar contra elle, e o lançarei fóra.

[156]

12 Então disse Deus a Balaão: Não irás com elles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto [10] bemdito é.

13 Então Balaão levantou-se pela manhã, e disse aos principes de Balac: Ide á vossa terra, porque o Senhor recusa deixar-me ir comvosco.

14 E levantaram-se os principes dos moabitas, e vieram a Balac, e disseram: Balaão recusou vir comnosco.

15 Porém Balac proseguiu ainda em enviar mais principes, e mais honrados do que aquelles,

16 Os quaes vieram a Balaão, e lhe disseram: Assim diz Balac, filho de Zippor: Rogo-te que não te demores em vir a mim,

17 Porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres: vem pois, rogo-te, [11] amaldiçoa-me este povo.

18 Então Balaão [12] respondeu, e disse aos servos de Balac: Ainda que Balac me désse a sua casa cheia de prata e de oiro, [13] eu não poderia traspassar [GY] o mandado do Senhor meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande;

19 Agora, pois, rogo-vos que tambem aqui [14] fiqueis esta noite, para que eu saiba o que o Senhor me fallar mais.

20 Veiu pois o Senhor a Balaão, de noite, e disse-lhe: [15] Se aquelles homens te vieram chamar, levanta-te, vae com elles; todavia, farás o que eu te disser.

21 Então Balaão levantou-se pela manhã, e albardou a sua jumenta, e foi-se com os principes de Moab.

22 E a ira de [16] Deus accendeu-se, porque elle se ia: e o anjo do Senhor poz-se-lhe no caminho por adversario: e elle ia caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus moços com elle.

23 Viu pois a [17] jumenta o anjo do Senhor, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que desviou-se a jumenta do caminho, e foi-se pelo campo: então Balaão espancou a jumenta para fazel-a tornar ao caminho.

24 Mas o anjo do Senhor poz-se n’uma vereda de vinhas, havendo uma parede d’esta banda e uma parede da outra.

25 Vendo pois a jumenta o anjo do Senhor, apertou-se contra a parede, e apertou contra a parede o pé de Balaão; pelo que tornou a espancal-a.

26 Então o anjo do Senhor passou mais adiante, e poz-se n’um logar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.

27 E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão: e a ira de Balaão accendeu-se, e espancou a jumenta com o bordão.

28 Então o Senhor abriu [18] a bocca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas tres vezes?

29 E Balaão disse á jumenta: Porque zombaste de mim: [19] oxalá tivesse eu uma espada na mão, porque agora te matara.

30 E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? costumei eu alguma vez de fazer assim comtigo? E elle respondeu: Não.

31 Então o Senhor abriu os [20] olhos a Balaão, e elle viu o anjo do Senhor, que estava no caminho, e a sua espada desembainhada [21] na mão: pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face.

32 Então o anjo do Senhor lhe disse: Porque já tres vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu sahi para ser teu adversario, porquanto [22] o teu caminho é perverso diante de mim:

33 Porém a jumenta me viu, e já tres vezes se desviou de diante de mim: se ella se não desviara de diante de mim, na verdade que eu agora te tivera matado, e a ella deixara com vida.

34 Então Balaão disse ao anjo do Senhor: [23] Pequei, que não soube que estava n’este caminho para me oppôr: e agora, se parece mal aos teus olhos, tornar-me-hei.

35 E disse o anjo do Senhor a Balaão: Vae-te com estes [24] homens; mas sómente a palavra que eu fallar a ti esta fallarás. Assim Balaão foi-se com os principes de Balac.

36 Ouvindo pois Balac que Balaão vinha, saiu-lhe ao encontro até á cidade de Moab, [25] que está no termo de Arnon, na extremidade do termo d’elle.

37 E Balac disse a Balaão: Porventura não enviei diligentemente a chamar-te? [26] porque não vieste a mim? não posso eu na verdade honrar-te?

38 Então Balaão disse a Balac: Eis que eu tenho vindo a ti: porventura poderei eu agora de alguma fórma fallar alguma coisa? [27] a palavra que Deus pozer na minha bocca esta fallarei.

[157]

39 E Balaão foi com Balac, e vieram a Quiriath-huzoth.

40 Então Balac matou bois e ovelhas; e d’elles enviou a Balaão e aos principes que estavam com elle.

41 E succedeu que, pela manhã, Balac tomou a Balaão, e o fez subir [28] aos altos de Baal, e viu elle d’ali a ultima parte do povo.

[1] cap. 33.48.

[2] Jui. 11.25.

[3] Exo. 15.15.

[4] cap. 31.8. Jos. 13.21.

[5] Deu. 23.4. Jos. 13.22 e 24.9. Neh. 13.1. Miq. 6.5. II Ped. 2.15. Jud. 11. Apo. 2.14.

[6] cap. 23.7. Deu. 23.4.

[7] I Sam. 9.7, 8.

[8] ver. 13.

[9] ver. 20. Gen. 20.3.

[10] cap. 23.20. Rom. 11.29.

[11] ver. 6.

[12] cap. 24.3.

[13] I Reis 22.14. II Chr. 18.13.

[14] ver. 8.

[15] ver. 35. cap. 23.12, 26 e 24.13.

[16] Exo. 4.24.

[17] II Reis 6.17. Dan. 10.7. Act. 22.9. Jud. 11.

[18] II Ped. 2.16.

[19] Pro. 12.10.

[20] Gen. 21.19. II Reis 6.17. Luc. 24.16, 31.

[21] Exo. 34.8.

[22] II Ped. 2.14, 15.

[23] I Sam. 15.24, 30 e 26.21. II Sam. 12.13. Job 34.31.

[24] ver. 20.

[25] Gen. 14.17. cap. 21.13.

[26] ver. 17. cap. 24.11.

[27] cap. 23.26 e 24.13. I Reis 22.14. II Chr. 18.13.

[28] Deu. 12.2.

Balac edifica sete altares.

23 Então Balaão disse a Balac: [1] Edifica-me aqui sete altares, e prepara-me aqui sete bezerros e sete carneiros.

2 Fez pois Balac como Balaão dissera: [2] e Balac e Balaão offereceram um bezerro e um carneiro sobre cada altar.

3 Então Balaão disse a Balac: [3] Fica-te ao pé do teu holocausto, e eu irei; porventura o Senhor me sairá [4] ao encontro, e o que me mostrar te notificarei. Então foi a um alto.

4 E, encontrando-se Deus [5] com Balaão, lhe disse este: Preparei sete altares, e offereci um bezerro e um carneiro sobre cada altar.

5 Então o Senhor poz a palavra [6] na bocca de Balaão, e disse: Torna-te para Balac, e falla assim.

6 E, tornando para elle, eis que estava ao pé do seu holocausto, elle e todos os principes dos moabitas.

7 Então alçou a [7] sua parabola, e disse: Da Syria me mandou trazer Balac, rei dos moabitas, das montanhas do oriente, [8] dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacob; e vem, detesta a Israel.

8 Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? e como detestarei, quando o Senhor não detesta?

9 Porque do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo: [9] eis que este povo habitará só, e entre as gentes não será contado.

10 Quem contará [10] o pó de Jacob e o numero da quarta parte de Israel? a minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.

11 Então disse Balac a Balaão: Que me fizeste? [11] chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste.

12 E elle respondeu, [12] e disse: Porventura não terei cuidado de fallar o que o Senhor poz na minha bocca?

13 Então Balac lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro logar, d’onde o verás; verás sómente a ultima parte d’elle, mas a todo elle não verás: e amaldiçoa-m’o d’ali.

14 Assim o tomou comsigo ao campo de Zophim, ao cume de Pisga: e edificou sete [13] altares, e offereceu um bezerro e um carneiro sobre cada altar.

15 Então disse a Balac: Fica aqui ao pé do teu holocausto, e eu irei ali ao seu encontro.

16 E, encontrando-se o Senhor com Balaão, poz [14] uma palavra na sua bocca, e disse: Torna para Balac, e falla assim.

17 E, vindo a elle, eis-que estava ao pé do holocausto, e os principes dos moabitas com elle: disse-lhe pois Balac: Que coisa fallou o Senhor?

As prophecias de Balaão.

18 Então alçou a sua parabola, e disse: [15] Levanta-te, Balac, e ouve: inclina os teus ouvidos a mim, filho de Zippor.

19 Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa: porventura diria elle, e não o faria? ou fallaria, e não o confirmaria?

20 Eis que recebi mandado de abençoar: [16] pois elle tem abençoado, e eu não o posso revogar.

21 Não viu iniquidade [17] em Israel, nem contemplou maldade em Jacob: o Senhor seu Deus [18] é com elle, e n’elle, e entre elles se ouve o alarido d’um rei.

22 Deus [19] os tirou do Egypto; as suas forças são como as do unicornio.

23 Pois contra Jacob não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel: n’este tempo se dirá de Jacob e d’Israel: [20] Que coisas Deus tem obrado!

24 Eis que o povo se levantará como leoa, [21] e se exalçará como leão: não se deitará até que coma a presa, e beba o sangue de mortos.

25 Então Balac disse a Balaão: Nem totalmente o amaldiçoarás, nem totalmente o abençoarás.

26 Porém Balaão respondeu, e disse a Balac: Não te fallei eu, dizendo: Tudo o que [22] o Senhor fallar aquillo farei?

27 Disse mais Balac a [23] Balaão: Ora vem, e te levarei a outro logar: porventura bem parecerá aos olhos de Deus que d’ali m’o amaldiçoes.

[158]

28 Então Balac levou Balaão comsigo ao cume de Peor, [24] que olha para a banda do deserto.

29 Balaão disse a Balac: [25] Edifica-me aqui sete altares, e prepara-me aqui sete bezerros e sete carneiros.

30 Balac pois fez como dissera Balaão; e offereceu um bezerro e um carneiro sobre cada altar.

[1] ver. 29.

[2] ver. 14, 30.

[3] ver. 15.

[4] cap. 24.1.

[5] ver. 16.

[6] cap. 22.35. Deu. 18.18. Jer. 1.9.

[7] ver. 18. cap. 24.3, 15, 23. Job 27.1 e 29.1. Psa. 78.2. Eze. 17.2. Miq. 2.4. Hab. 2.6.

[8] cap. 22.6, 11, 17. I Sam. 17. Isa. 47.12.

[9] Deu. 33.28. Exo. 33.16. Esd. 9.2. Eph. 2.14.

[10] Gen. 13.16 e 22.17. Psa. 116.15.

[11] cap. 22.11, 17 e 24.10.

[12] cap. 22.38.

[13] ver. 1, 2.

[14] ver. 5. cap. 22.35.

[15] Jui. 2.20. I Sam. 15.29. Mal. 3.6. Rom. 11.29. Tito 1.2. Thi. 1.17.

[16] Gen. 12.2 e 22.17. cap. 22.12.

[17] Rom. 4.7.

[18] Exo. 13.21 e 29.45, 46 e 33.14. Psa. 89.16.

[19] cap. 24.8. Deu. 33.17. Job 39.10.

[20] Psa. 31.20 e 44.2.

[21] Gen. 49.9, 27.

[22] ver. 12. cap. 22.38. I Reis 22.14.

[23] ver. 13.

[24] cap. 21.20.

[25] ver. 1.

24 Vendo Balaão que bem parecia aos olhos do Senhor que abençoasse a Israel, não se foi esta vez [1] como d’antes ao encontro dos encantamentos: mas poz o seu rosto para o deserto.

2 E, levantando Balaão os seus olhos, e vendo a Israel, [2] que habitava segundo as suas tribus, veiu sobre elle o Espirito de Deus.

3 E alçou [3] a sua parabola, e disse: Falla, Balaão, filho de Beor, e falla o homem d’olhos abertos;

4 Falla aquelle que ouviu os ditos de Deus, o que vê a visão do Todo-poderoso [4] caido em extasis e d’olhos abertos:

5 Que boas são as tuas tendas, ó Jacob! as tuas moradas ó Israel.

6 Como ribeiros se estendam, como jardins ao pé dos rios: [5] como arvores de sandalo o Senhor os plantou, como cedros junto ás aguas,

7 De seus baldes manarão aguas, e a sua semente estará [6] em muitas aguas: e o seu rei se exalçará mais do que Agag, e [7] o seu reino será levantado.

8 Deus o tirou do Egypto; as suas forças são como as do unicornio: consumirá [8] as gentes, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e com as suas settas os atravessará.

9 Encurvou-se, [9] deitou-se como leão, e como leoa: quem o despertará? bemditos os que te abençoarem, [10] e malditos os que te amaldiçoarem.

10 Então a ira de Balac se accendeu contra Balaão, e bateu elle as suas palmas: [11] e Balac disse a Balaão: [12] Para amaldiçoar os meus inimigos te tenho chamado; porém agora já tres vezes os abençoaste inteiramente.

11 Agora pois foge para o ten logar: eu tinha dito que te honraria [13] grandemente; mas eis que o Senhor te privou d’esta honra.

12 Então Balaão disse a Balac: Não fallei eu tambem aos teus mensageiros, que me enviaste, dizendo:

13 Ainda que [14] Balac me désse a sua casa cheia de prata e oiro, não posso traspassar o mandado do Senhor, fazendo bem ou mal de meu proprio coração: o que o Senhor fallar, isso fallarei eu.

14 Agora pois eis que me vou ao meu povo: vem, [15] avisar-te-hei do que este povo fará ao teu povo nos ultimos dias.

15 Então alçou [16] a sua parabola, e disse: Falla Balaão, filho de Beor, e falla o homem d’olhos abertos;

16 Falla aquelle que ouviu os ditos de Deus, e o que sabe a sciencia do Altissimo: o que viu a visão do Todo Poderoso, caido em extasis, e d’olhos abertos:

17 Vel-o-hei, [17] mas não agora contemplal-o-hei mas não de perto: [18] uma estrella procederá de Jacob, e um sceptro subirá de Israel, que ferirá os termos dos moabitas, e destruirá todos os filhos de [GZ] Seth.

18 E Edom [19] será uma possessão, e Seir tambem será uma possessão hereditaria para os seus inimigos: pois Israel fará proezas.

19 E dominará um de Jacob, [20] e matará os que restam das cidades.

20 E vendo os amalequitas, alçou a sua parabola, e disse: Amalek é o primeiro das gentes; porém o seu fim será para perdição.

21 E vendo os quenitas, alçou a sua parabola, e disse: Firme está a tua habitação, e pozeste o teu ninho na penha.

22 Todavia o quenita será consumido, até que Assur te leve por prisioneiro.

23 E, alçando ainda a sua parabola, disse: Ai, quem viverá, quando Deus fizer isto?

24 E as naus [21] das costas de Chittim affligirão a Assur; tambem affligirão a Heber; e tambem elle será para perdição.

25 Então Balaão levantou-se, e foi-se, e voltou ao seu logar [22], e tambem Balac foi-se pelo seu caminho.

[1] cap. 23.3, 15.

[2] cap. 2.2, etc. e 11.25. I Sam. 10.10 e 19.20, 23. II Chr. 15.1.

[3] cap. 23.7, 18.

[4] I Sam. 19.24. Eze. 1.28. Dan. 8.18 e 10.15, 16. II Cor. 12.2, 3, 4. Apo. 1.10, 17.

[5] Psa. 1.3. Jer. 17.8. Psa. 104.16.

[6] Jer. 51.13. Apo. 17.1, 15.

[7] I Sam. 15.9. II Sam. 5.12. I Chr. 14.2. cap. 23.22.

[8] cap. 14.9. Psa. 2.9. Isa. 38.13. Jer. 50.9.

[9] Gen. 49.9.

[10] Gen. 12.3 e 27.29.

[11] Eze. 21.14, 17 e 22.13.

[12] cap. 23.11. Deu. 23.4, 5. Jos. 24.9. Neh. 13.2.

[13] cap. 22.17, 37.

[14] cap. 22.18.

[15] Miq. 6.5. Apo. 2.14. Gen. 49.1. Dan. 2.28 e 10.14.

[16] ver. 3, 4.

[17] Apo. 1.7.

[18] Mat. 2.2. Apo. 22.16. Gen. 49.10. Psa. 110.2.

[19] II Sam. 8.14. Psa. 60.10, 11, 13.

[20] Gen. 49.10.

[21] Dan. 11.30. Gen. 10.21, 26.

[22] cap. 31.8.

[159]

Os israelitas peccam com as filhas dos moabitas.

25 E Israel deteve-se em [1] Sittim, e o povo começou a fornicar com as filhas dos moabitas.

2 E convidaram o povo aos [2] sacrificios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses.

3 Juntando-se pois Israel a Baalpeor, a ira [3] do Senhor se accendeu contra Israel.

4 Disse o Senhor a Moysés: [4] Toma todos os Cabeças do povo, e enforca-os ao Senhor diante do sol, e o ardor da ira [5] do Senhor se retirará d’Israel.

5 Então Moysés disse aos [6] juizes d’Israel: Cada [7] um mate os seus homens que se conjuntaram a Baalpeor.

6 E eis que veiu um homem dos filhos de Israel, e trouxe a seus irmãos uma midianita aos olhos de Moysés, e aos olhos de toda a congregação dos filhos de Israel, chorando elles [8] diante da tenda da congregação.

7 Vendo isso Phineas, [9] filho de Eleazar, o filho d’Aarão, sacerdote, se levantou do meio da congregação, e tomou uma lança na sua mão;

8 E foi após do varão israelita até á tenda, e os atravessou a ambos, ao varão israelita e á mulher, pela sua barriga: então a praga cessou de sobre os filhos de Israel.

9 E os que morreram d’aquella praga foram [10] vinte e quatro mil.

10 Então o Senhor fallou a Moysés, dizendo:

11 Phineas, [11] filho d’Eleazar, o filho d’Aarão sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois zelou o meu zelo no meio d’elles; que no meu [12] zelo não consumi os filhos d’Israel.

12 Portanto dize: [13] Eis que lhe dou o meu concerto de paz,

13 E elle, e a sua [14] semente depois d’elle, terá o concerto do sacerdocio perpetuo; porquanto teve zelo pelo seu Deus, e fez propiciação pelos filhos d’Israel.

14 E o nome do israelita morto, que foi morto com a midianita, era Zimri, filho de Salu, maioral da casa paterna dos simeonitas.

15 E o nome da mulher midianita, morta, era Cosbi, filha [15] de Zur, cabeça do povo da casa paterna entre os midianitas.

16 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

17 Affligireis os midianitas e os ferireis,

18 Porque elles vos affligiram a vós outros com os seus enganos [16] com que vos enganaram no negocio de Peor, e no negocio de Cosbi, filha do maioral dos midianitas, a irmã d’elles, que foi morta no dia da praga no negocio de Peor.

[1] cap. 33.49. Jos. 2.1. Miq. 6.5. cap. 31.16. I Cor. 10.8.

[2] Jos. 2.1. Ose. 9.10. I Cor. 10.20.

[3] Psa. 106.29.

[4] Deu. 4.3. Jos. 22.17.

[5] ver. 11. Deu. 13.17.

[6] Exo. 18.21, 25.

[7] Exo. 32.27. Deu. 13.6, 9, 13, 15.

[8] Joel 2.17.

[9] Psa. 106.30. Exo. 6.25.

[10] Deu. 4.3. I Cor. 10.8.

[11] Psa. 106.30.

[12] Exo. 20.5. Deu. 32.16, 21. I Reis 14.22. Eze. 16.38. Sof. 1.18.

[13] Mal. 2.4, 5 e 3.1.

[14] I Chr. 6.4, etc. Exo. 40.15. Act. 22.3. Rom. 10.2. Heb. 2.17.

[15] cap. 31.8. Jos. 13.21.

[16] cap. 31.16. Apo. 2.14.

Deus manda tomar a somma de todos os israelitas.

26 Aconteceu pois que, depois d’aquella praga, fallou o Senhor a Moysés, e a Eleazar, filho d’Aarão o sacerdote, dizendo:

2 Tomae [1] a somma de toda a congregação dos filhos de Israel, da edade de vinte annos e para cima, segundo as casas de seus paes: todo o que em Israel sae ao exercito.

3 Fallou-lhes pois Moysés e Eleazar o sacerdote, nas campinas [2] de Moab, ao pé do Jordão de Jericó, dizendo:

4 Conta o povo da edade de vinte annos e para cima, como o [3] Senhor ordenara a Moysés e aos filhos d’Israel, que sairam do Egypto.

5 Ruben, [4] o primogenito de Israel: os filhos de Ruben foram Hanoch, do qual era a familia dos hanochitas: de Pallu a familia dos palluitas;

6 De Hezrona, familia dos hezronitas: de Carmi, a familia dos carmitas:

7 Estas são as familias dos rubenitas: e os que foram d’elles contados, foram quarenta e tres mil e setecentos e trinta.

8 E os filhos de Pallu, Eliab:

9 E os filhos d’Eliab, Nemuel, e Dathan, e Abiram: estes, Dathan e Abiram, foram os afamados da congregação, [5] que moveram a contenda contra Moysés e contra Aarão na congregação de Coré, quando moveram a contenda contra o Senhor;

10 E a terra abriu [6] a sua bocca, e os tragou com Coré, quando morreu a congregação: quando o fogo consumiu duzentos e cincoenta homens, [7] e foram por signal.

11 Mas [8] os filhos de Coré não morreram.

[160]

12 Os filhos de Simeão, segundo as suas familias: de Nemuel, [9] a familia dos nemuelitas: de Jamin, a familia dos jaminitas: de Jachin, a familia dos jachinitas:

13 De Zerah, [10] a familia dos zerahitas: de Saul, a familia dos saulitas.

14 Estas são as familias dos simeonitas vinte e dois mil e duzentos.

15 Os filhos de Gad, segundo as suas gerações: de Zephon, [11] a familia dos zephonitas: de Haggi, a familia dos haggitas: de Suni, a familia dos sunitas:

16 De Ozni, a familia dos oznitas: de Heri, a familia dos heritas:

17 De Arod [12], a familia dos aroditas: de Areli, a familia dos arelitas.

18 Estas são as familias dos filhos de Gad, segundo os que foram d’elles contados, quarenta mil e quinhentos.

19 Os filhos [13] de Judah, Er e Onan: mas Er e Onan morreram na terra de Canaan.

20 Assim os filhos [14] de Judah foram segundo as suas familias; de Selah a familia dos selanitas: de Pharez, a familia dos pharezitas; de Zerah, a familia dos zerahitas.

21 E os filhos de Pharez foram; de Hezron, a familia dos hezronitas: de Hamul, a familia doa hamulitas.

22 Estas são as familias de Judah, segundo os que foram d’elles contados, setenta e seis mil e quinhentos.

23 Os filhos d’Issacar, segundo as suas familias, foram; de Tola, a familia dos tolaitas: de Puva a familia dos puvitas,

24 De Jasub a familia dos jasubitas: de Simron, a familia dos simronitas.

25 Estas são as familias d’Issacar, segundo os que foram d’elles contados, sessenta e quatro mil e trezentos.

26 Os filhos [15] de Zebulon, segundo as suas familias, foram; de Sered, a familia dos sereditas: d’Elon, a familia dos elonitas: de Jahleel, a familia dos jahleelitas.

27 Estas são as familias dos zebulonitas, segundo os que foram d’elles contados, sessenta mil e quinhentos.

28 Os filhos de José [16] segundo as suas familias, foram Manasseh e Ephraim.

29 Os filhos de Manasseh foram; de Machir, [17] a familia dos machiritas; e Machir gerou a Gilead: de Gilead, a familia dos gileaditas.

30 Estes são os filhos de Gilead: [18] de Jezer, a familia dos jezeritas: de Helek, a familia das helekitas:

31 E d’Asriel, a familia dos asrielitas: e de Sechen, a familia dos sechenitas:

32 E de Semida, a familia dos semidaitas: e de Hepher, a familia dos hepheritas.

33 Porém Selofad, [19] filho de Hepher, não tinha filhos, senão filhas: e os nomes das filhas de Selofad foram Machla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.

34 Estas são as familias de Manasseh: e os que foram d’elles contados, foram cincoenta e dois mil e setecentos.

35 Estes são os filhos d’Ephraim, segundo as suas familias: de Sutelah, a familia dos sutelahitas: [20] de Becher, a familia dos becheritas: de Tahan, a familia dos tahanitas.

36 E estes são os filhos de Sutelah: d’Eran, a familia dos eranitas.

37 Estas são as familias dos filhos d’Ephraim, segundo os que foram d’elles contados, trinta e dois mil e quinhentos: estes são os filhos de José, segundo as suas familias.

38 Os filhos [21] de Benjamin, segundo as suas familias; de Bela, a familia dos belaitas: d’Asbel, a familia dos asbelitas: de [22] Ahiram, a familia dos ahiramitas;

39 De Supham, [23] a familia dos suphamitas: de Hupham, a familia dos huphamitas.

40 E os filhos de Bela foram [24] Ard e Naaman: d’Ard a familia dos arditas: de Naaman a familia dos naamanitas.

41 Estes são os filhos de Benjamin, segundo as suas familias: e os que foram d’elles contados, foram quarenta e cinco mil e seiscentos.

42 Estes são os filhos [25] de Dan, segundo as suas familias; de Suham a familia dos suhamitas: estas são as familias de Dan, segundo as suas familias.

43 Todas as familias dos suhamitas, secundo os que foram d’elles contados, foram sessenta e quatro mil e quatrocentos.

44 Os filhos d’Aser, [26] segundo as suas familias, foram: d’Imna, a familia dos imnaitas: d’Isvi, a familia dos isvitas, de Berish, a familia dos beriitas.

45 Dos filhos de Beriah, foram; de Heber, a familia dos heberitas; de Malchiel, a familia dos malchielitas.

46 E o nome da filha d’Aser foi Serah.

47 Estas são as familias dos filhos d’Aser, segundo os que foram d’elles contados, cincoenta e tres mil e quatrocentos.

48 Os filhos de [27] Naphtali, segundo as[161] suas familias: de Jahzeel, a familia dos jahzeelitas: de Guni, a familia dos gunitas:

49 De Jezer, a familia dos jezeritas: de Sillem, [28] a familia dos sillemitas.

50 Estas são as familias de Naphtali, segundo as suas familias: e os que foram d’elles contados, foram quarenta e cinco mil e quatrocentos.

51 Estes [29] são os contados dos filhos d’Israel, seiscentos e um mil e setecentos e trinta.

A lei ácerca da divisão da terra.

52 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

53 A [30] estes se repartirá a terra em herança, segundo o numero dos nomes.

54 Aos muitos multiplicarás [31] a sua herança, e aos poucos diminuirás a sua herança: a cada qual se dará a sua herança, segundo os que foram d’elles contados.

55 Todavia a terra se repartirá [32] por sortes: segundo os nomes das tribus de seus paes a herdarão.

56 Segundo sair a sorte, se repartirá a herança d’elles entre os muitos e poucos.

57 E estes [33] são os que foram contados de Levi, segundo as suas familias: de Gerson, a familia dos gersonitas; de Kohath, a familia dos kohathitas; de Merari, a familia dos meraritas.

58 Estas são as familias de Levi: a familia dos libnitas, a familia dos hebronitas, a familia dos mahlitas, a familia dos musitas, a familia dos corhitas: e Kohath gerou a Amram.

59 E o nome da mulher de Amram foi Jochebed, [34] filha de Levi, a qual a Levi nasceu no Egypto: e esta a Amram pariu Aarão, e Moysés, e Miriam, sua irmã.

60 E a Aarão [35] nasceram Nadab, Abihu, Eleazar, e Ithamar.

61 Porém [36] Nadab e Abihu morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor.

62 E foram [37] os que foram d’elles contados vinte e tres mil, todo o macho da edade de um mez e para cima: porque estes não foram contados entre os filhos de Israel, porquanto lhes não foi dada herança entre os filhos de Israel.

63 Estes são os que foram contados por Moysés e Eleazar, o sacerdote, que contaram os filhos de Israel nas [38] campinas de Moab, ao pé do Jordão de Jericó.

64 E entre [39] estes nenhum houve dos que foram contados por Moysés e Aarão, o sacerdote; quando contaram aos filhos de Israel no deserto de Sinai.

65 Porque o Senhor dissera d’elles que certamente morreriam no deserto: e nenhum d’elles ficou, senão Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.

[1] Exo. 30.12 e 38.25, 26. cap. 1.2, 3.

[2] ver. 63. cap. 22.1 e 31.12 e 33.48 e 35.1.

[3] cap. 1.1.

[4] Gen. 46.8. Exo. 6.14. I Chr. 5.1.

[5] cap. 16.1, 2.

[6] cap. 16.32, 35.

[7] cap. 16.33. I Cor. 10.6. II Ped. 2.6.

[8] Exo. 6.24. I Chr. 6.22.

[9] Gen. 46.10. Exo. 6.15. I Chr. 4.24.

[10] Gen. 46.10.

[11] Gen. 46.16.

[12] Gen. 46.16.

[13] Gen. 38.2, etc. e 46.12.

[14] I Chr. 2.3.

[15] Gen. 46.14.

[16] Gen. 46.20.

[17] Jos. 17.1. I Chr. 7.14, 15.

[18] Jos. 17.2. Jui. 6.11, 24, 34.

[19] cap. 27.1 e 36.1.

[20] I Chr. 7.20.

[21] Gen. 46.21. I Chr. 7.6.

[22] Gen. 45.21. I Chr. 8.1.

[23] Gen. 46.21.

[24] I Chr. 8.3.

[25] Gen. 46.17. I Chr. 7.30.

[26] Gen. 46.24. I Chr. 7.13.

[27] I Chr. 7.13.

[28] cap. 1.46.

[29] Jos. 11.23 e 14.1.

[30] cap. 33.54.

[31] cap. 33.54 e 34.13. Jos. 11.23 e 14.2.

[32] Gen. 46.11. Exo. 6.16, 17, 18, 19. I Chr. 6.1, 16.

[33] Exo. 2.1, 2 e 6.20.

[34] cap. 3.2.

[35] Lev. 10.1. cap. 3.4. I Chr. 24.2.

[36] cap. 3.39 e 1.49 e 18.20, 23, 24. Deu. 10.9. Jos. 13.14, 33 e 14.3.

[37] ver. 3.

[38] cap. 1. Deu. 2.14.

[39] cap. 14.28. I Cor. 10.5. cap. 14.30.

A lei ácerca das heranças.

27 E chegaram as filhas [1] de Selofad, filho de Hepher, filho de Gilead, filho de Machir, filho de Manasseh, entre as familias de Manasseh, filho de José: (e estes são os nomes de suas filhas: Machla, Noa, Hogla, Milca, e Tirza);

2 E pozeram-se diante de Moysés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos principes e de toda a congregação, á porta da tenda da congregação, dizendo:

3 Nosso pae morreu [2] no deserto, e não estava entre a congregação dos que se congregaram contra o Senhor na congregação de Coré: mas morreu no seu proprio peccado, e não teve filhos.

4 Porque se tiraria o nome de nosso pae do meio da sua familia, porquanto não teve filhos? [3] Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pae.

5 E Moysés levou [4] a sua causa perante o Senhor.

6 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

7 As filhas de Selofad fallam rectamente: [5] certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pae; e a herança de seu pae farás passar a ellas.

8 E fallarás aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguem morrer, e não tiver filho, então fareis passar a sua herança a sua filha.

9 E, se não tiver filha, então a sua herança dareis a seus irmãos.

10 Porém, se não tiver irmãos, então dareis a sua herança aos irmãos de seu pae.

11 Se tambem seu pae não tiver irmãos, então a sua herança dareis a seu parente, áquelle que lhe fôr o mais chegado da sua familia, para que a possua: isto aos filhos de Israel será por [6] estatuto de [HA] direito, como o Senhor ordenou a Moysés.

[162]

Deus annuncia a morte de Moysés.

12 Depois disse o Senhor a Moysés: Sobe [7] a este monte de Abarim, e vê a terra que tenho dado aos filhos de Israel.

13 E, havendo-a visto, [8] então serás recolhido aos teus povos, assim tu como foi recolhido teu irmão Aarão:

14 Porquanto rebeldes [9] fostes no deserto de Zin, na contenda da congregação, ao meu mandado de me sanctificar nas aguas diante dos seus olhos: (estas são as aguas [10] de Meribah de Cades, no deserto de Zin.)

15 Então fallou Moysés ao Senhor, dizendo:

16 O Senhor, [11] Deus dos espiritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação,

17 Que saia [12] diante d’elles, e que entre diante d’elles, e que os faça sair, e que os faça entrar: para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não teem pastor.

Josué é designado para successor de Moysés.

18 Então disse o Senhor a Moysés: Toma para ti a Josué, filho de Nun, [13] homem em quem ha o espirito, e põe a tua mão sobre elle.

19 E apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação, e dá-lhe mandamentos aos olhos d’elles.

20 E põe sobre elle da tua gloria, para que [14] obedeça toda a congregação dos filhos de Israel.

21 E se porá perante Eleazar, [15] o sacerdote, o qual por elle consultará, segundo o juizo de Urim, perante o Senhor: conforme ao seu dito sairão, e conforme ao seu dito entrarão, elle e todos os filhos de Israel com elle, e toda a congregação.

22 E fez Moysés como o Senhor lhe ordenara: porque tomou a Josué, e apresentou-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação:

23 E sobre elle poz as suas mãos, e lhe deu mandamentos, [16] como o Senhor ordenara pela mão de Moysés.

[1] cap. 26.33 e 36.1, 11. Jos. 17.3.

[2] cap. 14.35 e 26.64, 65 e 16.1, 2.

[3] Jos. 17.4.

[4] Exo. 18.15, 19.

[5] cap. 36.2.

[6] cap. 35.29.

[7] cap. 33.47. Deu. 3.27 e 32.49 e 34.1.

[8] cap. 20.24, 28 e 31.2. Deu. 10.6.

[9] cap. 20.12, 24. Deu. 1.37 e 32.51. Psa. 106.32.

[10] Exo. 17.7.

[11] cap. 16.22. Heb. 12.9.

[12] Deu. 31.2. I Sam. 8.20 e 18.13. II Chr. 1.10. I Reis 22.17. Zac. 10.2. Mat. 9.36. Mar. 6.34.

[13] Gen. 41.38. Jui. 3.10 e 11.29. I Sam. 16.13, 18. Deu. 34.9.

[14] Deu. 31.7. cap. 11.17. I Sam. 10.6, 9. II Reis 2.15. Jos. 1.16.

[15] Jos. 9.14. Jui. 1.1 e 20.18, 23, 26. I Sam. 23.9 e 30.7. Exo. 28.30. Jos. 9.14. I Sam. 22.10, 13, 15.

[16] Deu. 3.28, 31.7.

O holocausto perpetuo.

28 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Da minha offerta, [1] do meu manjar para as minhas offertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para m’as offerecer ao seu tempo determinado.

3 E dir-lhes-has: Esta é a offerta queimada que [2] offerecereis ao Senhor: dois cordeiros d’um anno, sem mancha, cada dia, em continuo holocausto:

4 Um cordeiro sacrificarás pela manhã, e o outro cordeiro sacrificarás de tarde:

5 E a decima parte d’um [3] epha de flor de farinha em offerta de manjares, misturada com a quarta parte d’um hin de azeite moido.

6 Este é o holocausto [4] continuo, instituido no monte Sinai, em cheiro suave, offerta queimada ao Senhor.

7 E a sua libação será a quarta parte d’um hin para um cordeiro: no sanctuario [5] offerecerás a libação de bebida forte ao Senhor.

8 E o outro cordeiro sacrificarás de tarde, como a offerta de manjares da manhã, e como a sua libação o apparelharás em offerta queimada de cheiro suave ao Senhor.

As offertas nos sabbados, nas luas novas, na paschoa e no dia das primicias.

9 Porém no dia de sabbado dois cordeiros d’um anno, sem mancha, e duas decimas de flor de farinha, misturada com azeite, em offerta de manjares, com a sua libação.

10 Holocausto é do sabbado em cada sabbado, [6] além do holocausto continuo, e a sua libação.

11 E nos principios [7] dos vossos mezes offerecereis, em holocausto ao Senhor, dois bezerros e um carneiro, sete cordeiros d’um anno, sem mancha;

12 E tres decimas de flor de farinha misturada com azeite, em offerta de manjares, para um bezerro; e duas decimas de flor de farinha misturada com azeite, em offerta de manjares, para um carneiro.

13 E uma decima de flor de farinha misturada com azeite, em offerta de manjares, para um cordeiro: holocausto é de cheiro suave, offerta queimada ao Senhor.

14 E as suas libações serão a metade[163] d’um hin de vinho para um bezerro, e a terça parte d’um hin para um carneiro, e a quarta parte d’um hin para um cordeiro: este é o holocausto da lua nova de cada mez, segundo os mezes do anno.

15 Tambem um bode para expiação [8] do peccado ao Senhor, além do holocausto continuo, com a sua libação se offerecerá.

16 Porém no mez [9] primeiro, aos quatorze dias do mez, é a paschoa do Senhor.

17 E aos quinze [10] dias do mesmo mez haverá festa: sete dias se comerão pães asmos.

18 No [11] primeiro dia haverá sancta convocação: nenhuma obra servil fareis:

19 Mas offerecereis offerta queimada em holocausto ao Senhor, dois bezerros e um carneiro, e sete cordeiros d’um anno: servos-hão elles [12] sem mancha.

20 E a sua offerta de manjares será de flor de farinha misturada com azeite: offerecereis tres decimas para um bezerro, e duas decimas para um carneiro.

21 Para cada cordeiro offerecereis uma decima, para cada um dos sete cordeiros;

22 E um bode [13] para expiação do peccado, para fazer expiação por vós.

23 Estas coisas offerecereis, além do holocausto da manhã, que é o holocausto continuo.

24 Segundo este modo, cada dia offerecereis por sete dias o manjar da offerta queimada em cheiro suave ao Senhor: além do holocausto continuo se offerecerá com a sua libação.

25 E no setimo [14] dia tereis sancta convocação: nenhuma obra servil fareis.

26 Similhantemente, tereis sancta convocação no dia das primicias, [15] quando offerecerdes offerta nova de manjares ao Senhor, segundo as vossas semanas; nenhuma obra servil fareis.

27 Então offerecereis ao Senhor por holocausto, em cheiro suave, dois bezerros, [16] um carneiro e sete cordeiros d’um anno:

28 E a sua offerta de manjares de flor de farinha misturada com azeite: tres decimas para um bezerro, duas decimas para um carneiro;

29 Para cada cordeiro uma decima, para cada um dos sete cordeiros;

30 Um bode para fazer expiação por vós.

31 Além do holocausto continuo, e a sua offerta de manjares, os offerecereis (ser-vos-hão elles sem [17] mancha) com as suas libações.

[1] Lev. 3.11 e 21.6, 8. Mal. 1.7, 12.

[2] Exo. 29.38.

[3] Exo. 16.36. cap. 15.4. Lev. 2.1. Exo. 29.40.

[4] Exo. 29.46. Amós 5.25.

[5] Exo. 29.42.

[6] Eze. 46.1.

[7] cap. 10.10. I Sam. 20.5. I Chr. 23.31. II Chr. 2.4. Esd. 3.5. Neh. 10.33. Isa. 1.13, 14. Eze. 45.17. Ose. 2.11. Col. 2.16.

[8] ver. 22. cap. 15.24.

[9] Exo. 12.6, 18. Lev. 23.5. cap. 9.3. Deu. 16.1. Eze. 45.21.

[10] Lev. 23.6.

[11] Exo. 12.16. Lev. 23.7.

[12] ver. 31. Lev. 22.20. cap. 29.8. Deu. 15.21.

[13] ver. 15.

[14] Exo. 12.16 e 13.6. Lev. 23.8.

[15] Exo. 23.16 e 34.22. Lev. 23.10, 15. Deu. 16.10. Act. 2.1.

[16] Lev. 23.18, 19.

[17] ver. 19.

As offertas na festa das trombetas.

29 Similhantemente, tereis sancta convocação no setimo mez, no primeiro dia do mez: nenhuma obra servil fareis: servos-ha um [1] dia de jubilação.

2 Então por holocausto, em cheiro suave ao Senhor, offerecereis um bezerro, um carneiro e sete cordeiros d’um anno, sem mancha.

3 E pela sua offerta de manjares de flor de farinha misturada com azeite, tres decimas para o bezerro, e duas decimas para o carneiro,

4 E uma decima para um cordeiro, para cada um dos sete cordeiros.

5 E um bode para expiação do peccado, para fazer expiação por vós;

6 Além do holocausto [2] do mez, e a sua offerta manjares, e o holocausto continuo, e a sua offerta de manjares, com as suas libações, segundo o seu estatuto, em cheiro suave, offerta queimada ao Senhor.

7 E no dia [3] dez d’este setimo mez tereis sancta convocação, e affligireis as vossas almas: nenhuma obra fareis.

8 Mas por holocausto, em cheiro suave ao Senhor, offerecereis um bezerro, um carneiro e sete cordeiros d’um anno: ser-vos-hão elles sem mancha.

9 E, pela sua offerta de manjares de flor de farinha misturada com azeite, tres decimas para o bezerro, duas decimas para o carneiro,

10 E uma decima para um cordeiro, para cada um dos sete cordeiros;

11 Um bode para expiação do peccado, além da [4] expiação do peccado pelas propiciações, e o holocausto continuo, e a sua offerta de manjares com as suas libações.

As offertas nas festas solemnes.

12 Similhantemente, aos quinze dias [5] d’este setimo mez tereis sancta convocação; nenhuma obra servil fareis: mas sete dias celebrareis festa ao Senhor.

13 E, por holocausto [6] em offerta queimada, de cheiro suave ao Senhor, offerecereis treze bezerros, dois carneiros e quatorze cordeiros d’um anno: ser-vos-hão elles sem mancha.

[164]

14 E, pela sua offerta de manjares de flor de farinha misturada com azeite, tres decimas para um bezerro, para cada um dos treze bezerros, duas decimas para cada carneiro, entre os dois carneiros;

15 E para um cordeiro uma decima, para cada um dos quatorze cordeiros;

16 E um bode para expiação do peccado, além do holocausto continuo, a sua offerta de manjares e a sua libação:

17 Depois, no segundo dia, doze bezerros, dois carneiros, quatorze cordeiros d’um anno, sem mancha;

18 E a sua offerta de manjares e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao seu numero, segundo [7] o estatuto;

19 E um bode para expiação do peccado, além do holocausto continuo, a sua offerta de manjares e as suas libações.

20 E, no terceiro dia, onze bezerros, dois carneiros, quatorze cordeiros d’um anno, sem mancha;

21 E as suas offertas de manjares, e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao seu numero, segundo [8] o estatuto;

22 E um bode para expiação do peccado, além do holocausto continuo, e a sua offerta de manjares e a sua libação.

23 E, no quarto dia, dez bezerros, dois carneiros, quatorze cordeiros d’um anno, sem mancha;

24 A sua offerta de manjares, e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao numero, segundo o estatuto;

25 E um bode para expiação do peccado, além do holocausto continuo, a sua offerta de manjares e a sua libação.

26 E, no quinto dia, nove bezerros, dois carneiros e quatorze cordeiros d’um anno sem mancha;

27 E a sua offerta de manjares, e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao numero, segundo o estatuto;

28 E um bode para expiação do peccado, além do holocausto continuo, e a sua offerta de manjares e a sua libação.

29 E, no sexto dia, oito bezerros, dois carneiros, quatorze cordeiros d’um anno, sem mancha;

30 E a sua offerta de manjares, e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao seu numero, segundo o estatuto;

31 E um bode para expiação do peccado, de mais do holocausto continuo, a sua offerta de manjares e a sua libação.

32 E, no setimo dia, sete bezerros, dois carneiros, quatorze cordeiros d’um anno, sem mancha;

33 E a sua offerta de manjares, e as suas libações para os bezerros, para os carneiros e para os cordeiros, conforme ao seu numero, segundo o seu estatuto,

34 E um bode para expiação do peccado, de mais do holocausto continuo, a sua offerta de manjares e a sua libação.

35 No oitavo dia tereis dia de solemnidade; [9] nenhuma obra servil fareis;

36 E por holocausto em offerta queimada de cheiro suave ao Senhor offerecereis um bezerro, um carneiro, sete cordeiros d’um anno, sem mancha;

37 A sua offerta de manjares e as suas libações para o bezerro, para o carneiro e para os cordeiros, conforme ao seu numero, segundo o estatuto,

38 E um bode para expiação do peccado, [10] de mais do holocausto continuo, e a sua offerta de manjares e a sua libação.

39 Estas coisas fareis ao Senhor nas vossas solemnidades, de mais dos vossos votos, e das vossas offertas voluntarias, com os vossos holocaustos, e com as vossas offertas de manjares, e com as vossas libações, e com as vossas offertas pacificas.

40 E fallou Moysés aos filhos d’Israel, conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés.

[1] Lev. 23.24.

[2] cap. 28.11, 3 e 15.11, 12.

[3] Lev. 16.29 e 23.27. Psa. 35.13. Isa. 58.5.

[4] Lev. 16.3, 5.

[5] Lev. 23.34. Deu. 16.13. Eze. 45.25.

[6] Esd. 3.4.

[7] ver. 3, 4, 9, 10. cap. 15.12 e 28.7, 14.

[8] ver. 18.

[9] Lev. 23.36.

[10] Lev. 23.2. I Chr. 23.31. II Chr. 31.3. Esd. 3.5. Neh. 10.33. Isa. 1.14. Lev. 7.11, 16 e 22.21, 23.

A lei ácerca dos votos das mulheres.

30 E fallou Moysés aos Cabeças [1] das tribus dos filhos d’Israel, dizendo: Esta é a palavra que o Senhor tem ordenado:

2 Quando um homem [2] fizer voto ao Senhor, ou jurar juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua bocca, fará.

3 Tambem quando uma mulher fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar em casa de seu pae na sua mocidade;

4 E seu pae ouvir o seu voto e a sua obrigação, com que ligou a sua alma; e seu pae se calar para com ella, todos os seus votos serão valiosos: e toda a obrigação com que ligou a sua alma, será valiosa.

5 Mas se seu pae lhe tolher no dia que tal ouvir, todos os seus votos e as suas obrigações, com que tiver ligado a sua alma, não serão valiosos: mas o Senhor[165] lh’o perdoará, porquanto seu pae lh’os tolheu.

6 E se ella tiver marido, e fôr obrigada a alguns votos, ou á pronunciação dos seus beiços, com que tiver ligado a sua alma;

7 E seu marido o ouvir, e se calar para com ella no dia em que o ouvir, os seus votos serão valiosos: e as suas obrigações com que ligou a sua alma, serão valiosas.

8 Mas se seu marido lh’o tolher no dia em que o ouvir, e anullar o seu voto a que [3] estava obrigada, como tambem a pronunciação dos seus beiços, com que ligou a sua alma; o Senhor lh’o perdoará.

9 No tocante ao voto da viuva, ou da repudiada; tudo com que ligar a sua alma, sobre ella será valioso.

10 Porém se fez voto na casa de seu marido, ou ligou a sua alma com obrigação de juramento;

11 E seu marido o ouviu, e se calou para com ella, e lh’o não tolheu; todos os seus votos serão valiosos; e toda a obrigação, com que ligou a sua alma, será valiosa.

12 Porém se seu marido lh’os annullou no dia em que os ouviu; tudo quanto saiu dos seus beiços, quer dos seus votos, quer da obrigação da sua alma, não será valioso: seu marido lh’os annullou, e o Senhor lh’o perdoará.

13 Todo o voto, e todo o juramento d’obrigação, para humilhar a alma, seu marido o confirmará, ou annullará.

14 Porém se seu marido de dia em dia se calar inteiramente para com ella; então confirma todos os seus votos e todas as suas obrigações, que estiverem sobre ella: confirmado lh’os tem, porquanto se calou para com ella no dia em que o ouviu.

15 Porém se de todo lh’os annullar depois que o ouviu; então elle levará a iniquidade d’ella.

16 Estes são os estatutos que o Senhor ordenou a Moysés entre o marido e sua mulher; entre o pae e a sua filha, na sua mocidade, em casa de seu pae.

[1] cap. 1.4, 16 e 7.2.

[2] Lev. 27.2. Deu. 23.21. Jui. 11.30, 35. Ecc. 5.4. Lev. 5.4. Mat. 14.9. Act. 23.14. Job 22.27. Psa. 22.24 e 41.14. Nah. 1.15.

[3] Gen. 3.16.

A victoria sobre os midianitas.

31 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Vinga [1] os filhos d’Israel dos midianitas: [2] depois recolhido serás aos teus povos.

3 Fallou pois Moysés ao povo, dizendo: Armem-se alguns de vós para a guerra, e saiam contra os midianitas, para fazerem a vingança do Senhor nos midianitas.

4 Mil de cada tribu entre todas as tribus de Israel enviareis á guerra.

5 Assim foram dados dos milhares d’Israel mil de cada tribu: doze mil armados para a peleja.

6 E Moysés os mandou á guerra de cada tribu mil, a elles e a Phineas, filho d’Eleazar sacerdote, á guerra com os vasos sanctos, e com [3] as trombetas do alarido na sua mão.

7 E pelejaram contra os midianitas, como o Senhor ordenara a Moysés: [4] e mataram a todo o macho.

8 Mataram mais, além dos que já foram mortos, os reis dos midianitas, Evi, [5] e a Requem, e a Zur, e a Hur, e a Reba, cinco reis dos midianitas: tambem a Balaão [6] filho de Beor mataram á espada.

9 Porém os filhos d’Israel levaram presas as mulheres dos midianitas, e as suas creanças: tambem roubaram todos os seus animaes, e todo o seu gado, e toda a sua fazenda.

10 E queimaram a fogo todas as suas cidades com todas as suas habitações, e todos os seus acampamentos.

11 E tomaram todo o despojo e toda a presa [7] d’homens e d’animais.

12 E trouxeram a Moysés e a Eleazar o sacerdote e á congregação dos filhos de Israel os captiveiros, e a presa, e o despojo para o arraial, nas campinas de Moab, que estão junto do Jordão de Jericó.

A purificação dos soldados.

13 Porém Moysés e Eleazar, o sacerdote, e todos os maioraes da congregação sairam a recebel-os até fóra do arraial.

14 E indignou-se Moysés grandemente contra os officiaes do exercito, capitães dos milhares e capitães das centenas, que vinham do serviço d’aquella guerra.

15 E Moysés disse-lhes: [8] Deixastes viver todas as mulheres?

16 Eis que estas foram as que por conselho de Balaão deram occasião [9] aos filhos de Israel de traspassar contra o Senhor, no negocio de Peor: [10] pelo que aquella praga houve entre a congregação do Senhor.

17 Agora pois matae todo [11] o macho entre as creanças; e matae toda a mulher, que conheceu algum homem, deitando-se com elle.

[166]

18 Porém todas as creanças femeas, que não conheceram algum homem deitando-se com elle, para vós deixae viver.

19 E vós alojae-vos sete dias fóra [12] do arraial: qualquer que tiver matado alguma pessoa, e qualquer que tiver tocado algum morto, ao terceiro dia, e ao setimo dia vos purificareis, a vós e a vossos captivos.

20 Tambem purificareis todo o vestido, e toda a obra de pelles, e toda a obra de pellos de cabras, e todo o vaso de madeira.

21 E disse Eleazar, o sacerdote, aos homens da guerra, que partiram á peleja: Este é o estatuto da lei que o Senhor ordenou a Moysés.

22 Comtudo o oiro, e a prata, o cobre, o ferro, o estanho, e o chumbo;

23 Toda a cousa que pode supportar o fogo, para que fique limpo: todavia se expiará com a agua da separação: mas tudo que não pode supportar o fogo, o fareis passar [13] pela agua.

24 Tambem lavareis [14] os vossos vestidos ao setimo dia, para que fiqueis limpos: e depois entrareis no arraial.

A divisão da presa.

25 Fallou mais o Senhor a Moysés dizendo:

26 Toma a somma da presa [15] dos prisioneiros, de homens, e d’animaes, tu e Eleazar, o sacerdote, e os Cabeças das casas dos paes da congregação;

27 E divide a presa em duas metades, entre os que accometteram a peleja, e sairam á guerra, e toda a congregação.

28 Então para o [16] Senhor tomará o tributo dos homens de guerra, que sairam a esta guerra, de cada quinhentos uma alma, dos homens, e dos bois, e dos jumentos e das ovelhas.

29 Da sua ametade o tomareis, e o dareis ao sacerdote, Eleazar, para a offerta alçada do Senhor.

30 Mas da metade dos filhos de Israel [17] tomarás de cada cincoenta um, dos homens, dos bois, dos jumentos, e das ovelhas, de todos os animaes; e os darás aos levitas [18] que teem cuidado da guarda do tabernaculo do Senhor.

31 E fizeram Moysés e Eleazar, o sacerdote, como o Senhor ordenara a Moysés.

32 Foi pois a presa, o restante do despojo, que tomaram os homens de guerra, seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas;

33 E setenta e dois mil bois;

34 E sessenta e um mil jumentos;

35 E, das mulheres que não conheceram homem algum deitando-se com elle, todas as almas foram trinta e duas mil.

36 E a metade, a parte dos que sairam á guerra, foi em numero de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas.

37 E das ovelhas foi o tributo para o Senhor seiscentas e setenta e cinco.

38 E foram os bois trinta e seis mil: e o seu tributo para o Senhor setenta e dois.

39 E foram os jumentos trinta mil e quinhentos: e o seu tributo para o Senhor sessenta e um.

40 E houve d’almas humanas dezeseis mil: e o seu tributo para o Senhor trinta e duas almas.

41 E deu Moysés a Eleazar, o sacerdote, o tributo da offerta alçada do Senhor, como [19] o Senhor ordenara a Moysés.

42 E da metade dos filhos de Israel que Moysés partira da dos homens que pelejaram.

43 (A metade para a congregação foi, das ovelhas, trezentas e trinta e sete mil e quinhentas;

44 E dos bois trinta e seis mil;

45 E dos jumentos trinta mil e quinhentos;

46 E das almas humanas dezeseis mil),

47 D’esta metade dos filhos de Israel, Moysés [20] tomou um de cada cincoenta, d’homens e d’animaes, e os deu aos levitas, que tinham cuidado da guarda do tabernaculo do Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

A offerta voluntaria dos capitães.

48 Então chegaram-se a Moysés os capitães que estavam sobre os milhares do exercito, os tribunos e os centuriões;

49 E disseram a Moysés: Teus servos tomaram a somma dos homens de guerra que estiveram sob a nossa mão; e nenhum falta de nós.

50 Pelo que trouxemos uma offerta ao Senhor, cada um o que achou, [HB] vasos d’oiro, cadeias, ou manilhas, anneis, arrecadas, e collares, para fazer propiciação [21] pelas nossas almas perante o Senhor.

51 Assim Moysés e Eleazar o sacerdote tomaram d’elles o oiro; sendo todos os vasos bem obrados.

52 E foi todo o oiro da offerta alçada, que offereceram ao Senhor, dezeseis mil e setecentos e cincoenta siclos, dos tribunos e dos centuriões.

53 (Pois os homens de guerra, cada um tinha tomado presa [22] para si).

54 Tomaram pois Moysés e Eleazar o sacerdote o oiro dos tribunos e dos[167] centuriões, e o trouxeram á tenda da congregação [23] por lembrança para os filhos d’Israel perante o Senhor.

[1] cap. 25.17.

[2] cap. 27.13.

[3] cap. 10.9.

[4] Deu. 20.13. Jui. 21.11. I Sam. 27.9. I Reis 11.15, 16. Jui. 6.1, 2, 33.

[5] Jos. 13.21.

[6] Jos. 13.22.

[7] Deu. 20.14.

[8] Deu. 20.14. I Sam. 15.3.

[9] cap. 25.2 e 24.14. II Ped. 2.15. Apo. 10.14.

[10] cap. 25.9.

[11] Jui. 21.11.

[12] cap. 5.2 e 19.11, etc.

[13] cap. 19.9, 17.

[14] Lev. 11.25.

[15] Jos. 22.8. I Sam. 30.27.

[16] ver. 30, 47. cap. 18.26.

[17] ver. 42, 17.

[18] cap. 3.7, 8, 25, 31, 36 e 18.3, 4.

[19] cap. 18.8, 19.

[20] ver. 30.

[21] Exo. 30.12, 16.

[22] Deu. 20.14.

[23] Exo. 30.16.

As tribus de Ruben e Gad pedem a terra de Gilead.

32 E os filhos de Ruben e os filhos de Gad tinham muito gado em grande multidão; e viram a terra de Jaezer, e [1] a terra de Gilead, e eis que o logar era logar de gado.

2 Vieram pois os filhos de Gad e os filhos de Ruben, e fallaram a Moysés e a Eleazar, o sacerdote, e aos maioraes da congregação, dizendo:

3 Ataroth, e Dibon, e Jaezer, e Nimra, [2] e Hesbon, e Eleal, [3] e Schebam, e Nebo, [4] e Behon;

4 A terra que [5] o Senhor feriu diante da congregação de Israel, é terra de gado: e os teus servos teem gado.

5 Disseram mais: Se achámos graça aos teus olhos, dê-se esta terra aos teus servos em possessão; e não nos faças passar o Jordão.

6 Porém Moysés disse aos filhos de Gad e aos filhos de Ruben: Irão vossos irmãos á peleja, e ficareis vós aqui?

7 Porque pois descorajaes o coração dos filhos d’Israel, para que não passem á terra que o Senhor lhes tem dado?

8 Assim fizeram vossos paes, quando os mandei de Cades-barnea, [6] a ver esta terra.

9 Chegando elles até ao valle d’Escol, [7] e vendo esta terra, descorajaram o coração dos filhos de Israel, para que não viessem á terra que o Senhor lhes tinha dado.

10 Então a ira do Senhor se accendeu n’aquelle mesmo dia, e [8] jurou, dizendo:

11 Que os varões, que subiram do Egypto, [9] de vinte annos e para cima não verão a terra que jurei a Abrahão, a Isaac, e a Jacob porquanto não [10] perseveraram em seguir-me;

12 Excepto Caleb, filho de Jefoné o kenezeo, e Josué filho de Nun, [11] porquanto perseveraram em seguir ao Senhor.

13 Assim se accendeu a ira do Senhor contra Israel, e fêl-os andar [12] errantes até que se consumiu toda aquella geração, que fizera mal aos olhos do Senhor.

14 E eis-que vós, uma multidão de homens peccadores, vos levantastes em logar de vossos paes, para ainda mais accrescentar o furor [13] da ira do Senhor contra Israel.

15 Se vós vos virardes de [14] seguil-o, tambem elle os deixará de novo no deserto, e destruireis a todo este povo.

16 Então chegaram-se a elle, e disseram: Edificaremos curraes aqui para o nosso gado, e cidades para as nossas crianças;

17 Porém [15] nós nos armaremos, apressando-nos diante dos d’Israel, até que os levemos ao seu logar: e ficarão as nossas crianças nas cidades fortes por causa dos moradores da terra.

18 Não voltaremos [16] para nossas casas, até que os filhos d’Israel estejam de posse cada um da sua herança.

19 Porque não herdaremos com elles d’além do Jordão, nem mais adiante; porquanto nós já teremos [17] a nossa herança d’áquem do Jordão ao oriente.

20 Então Moysés lhes disse: [18] Se isto fizerdes assim, se vos armardes á guerra perante o Senhor;

21 E cada um de vós, armado, passar o Jordão perante o Senhor, até que haja lançado fóra os seus inimigos de diante d’elle;

22 E a terra esteja [19] subjugada perante o Senhor; então voltareis depois, e ficareis desculpados perante o Senhor e perante Israel: e esta terra vos será por possessão perante o Senhor:

23 E se não fizerdes assim, eis que peccastes contra o Senhor: [HC] porém sentireis [20] o vosso peccado, quando vos achar.

24 Edificae vós cidades [21] para as vossas crianças, e curraes para as vossas ovelhas; e fazei o que saiu da vossa bocca.

25 Então fallaram os filhos de Gad, e os filhos de Ruben a Moysés, dizendo: Como ordena meu senhor, assim farão teus servos.

26 As nossas crianças, [22] as nossas mulheres, a nossa fazenda, e todos os nossos animaes estarão ahi nas cidades de Gilead.

27 Mas os teus servos [23] passarão, cada um armado para pelejar para a guerra, perante o Senhor, como tem dito meu senhor.

28 Então Moysés deu [24] ordem ácêrca d’elles a Eleazar, o sacerdote, e a Josué[168] filho de Nun, e aos Cabeças das casas dos paes das tribus dos filhos d’Israel;

29 E disse-lhes Moysés: Se os filhos de Gad, e os filhos de Ruben passarem comvosco o Jordão, armado cada um para a guerra perante o Senhor; e a terra estiver subjugada diante de vós, em possessão lhes dareis a terra de Gilead;

30 Porém se não passarem, armados, comvosco, então se porão por possuidores no meio de vós na terra de Canaan.

31 E responderam os filhos de Gad e os filhos de Ruben, dizendo: O que o Senhor fallou a teus servos, isso faremos.

32 Nós passaremos, armados, perante o Senhor á terra de Canaan, e teremos a possessão de nossa herança d’áquem do Jordão.

33 Assim deu-lhes Moysés, [25] aos filhos de Gad, e aos filhos de Ruben, e á meia tribu de Manasseh, filho de José, o reino de Sehon, rei dos amorrheos, e o reino d’Og, rei de Basan: a terra com as suas cidades nos seus termos, as cidades do seu contorno.

34 E os filhos de Gad edificaram a Dibon, e [26] Ataroth, e Aroer;

35 E Atroth-sophan, e Jaezer, e Jogbeha;

36 E Beth-nimra, [27] e Bethharan, cidades fortes; e curraes d’ovelhas.

37 E os filhos de Ruben edificaram a Hesbon, e Eleal, [28] as e Quiriathaim;

38 E Nebo, e Baal-meon, [29] mudando-lhes o nome, e Sibma: e os nomes das cidades que edificaram chamaram por outros nomes.

39 E os filhos de Machir, [30] filho de Manasseh, foram-se para Gilead, e a tomaram: e d’aquella possessão lançaram os amorrheos, que estavam n’ella.

40 Assim Moysés deu [31] Gilead a Machir, filho de Manasseh, o qual habitou n’ella.

41 E foi-se Jair, filho [32] de Manasseh, e tomou as suas aldeias; e chamou-as Havot-jair.

42 E foi-se Nobah, e tomou a Quenath com as suas aldeias; e chamou-a Nobah, segundo o seu nome.

[1] cap. 21.32. Jos. 13.25. II Sam. 24.5.

[2] ver. 36.

[3] ver. 38.

[4] ver. 38.

[5] cap. 21.24, 34.

[6] cap. 13.3, 26. Deu. 1.22.

[7] cap. 13.24, 31. Deu. 1.24, 28.

[8] cap. 14.11, 21. Deu. 1.34.

[9] cap. 14.28, 29. Deu. 1.35.

[10] cap. 14.24, 30.

[11] cap. 14.24. Deu. 1.36. Jos. 14.8, 9.

[12] cap. 14.33, 34, 35 e 26.64, 65.

[13] Deu. 1.34.

[14] Deu. 30.17. Jos. 22.16, 18. II Chr. 7.19 e 15.2.

[15] Jos. 4.12.

[16] Jos. 22.4.

[17] ver. 33. Jos. 12.1 e 13.8.

[18] Deu. 3.18. Jos. 1.14 e 4.12, 13.

[19] Deu. 3.20. Jos. 11.23 e 18.1 e 22.4. Deu. 3.12 e 15.16, 18. Jos. 1.15 e 13.8, 32 e 22.4, 9.

[20] Gen. 4.7 e 44.16. Isa. 59.12.

[21] ver. 16, 34, etc.

[22] Jos. 1.14.

[23] Jos. 4.12.

[24] Jos. 1.13.

[25] Deu. 3.14, 17 e 29.8. Jos. 12.6 e 13.8 e 22.4. cap. 21.24, 33, 35.

[26] cap. 33.45, 46. Deu. 2.36. ver. 1, 3.

[27] ver. 3, 24.

[28] cap. 21.27.

[29] Isa. 46.1. cap. 22.41. ver. 3. Exo. 23.13. Jos. 23.7.

[30] Gen. 50.23.

[31] Deu. 3.12, 13, 15. Jos. 13.31 e 17.1.

[32] Deu. 3.10. Jos. 13.30. I Chr. 2.21, 22, 23. Jui. 10.4. I Reis 4.13.

As jornadas desde o Egypto até Moab.

33 Estas são as jornadas dos filhos d’Israel, que sairam da terra do Egypto, segundo os seus exercitos, pela mão de Moysés e Aarão.

2 E escreveu Moysés as suas saidas, segundo as suas partidas, conforme ao mandado do Senhor: e estas são as suas jornadas segundo as suas saidas.

3 Partiram pois de [1] Rahmeses no mez primeiro, no dia quinze do primeiro mez; o seguinte dia da paschoa sairam os filhos de Israel por [2] alta mão aos olhos de todos os egypcios,

4 Enterrando [3] os egypcios os que o Senhor tinha ferido entre elles, a todo o primogenito, e havendo o Senhor executado os seus juizos nos seus deuses.

5 Partidos [4] pois os filhos de Israel de Rahmeses, acamparam-se em Succoth.

6 E partiram de Succoth, e acamparam-se [5] em Etham, que está no fim do deserto.

7 E partiram [6] d’Etham, e viraram-se a Pi-hahiroth, que está defronte de Baal-zephon, e acamparam-se diante de Migdol.

8 E partiram de Hahiroth, [7] e passaram pelo meio do mar ao deserto, e andaram caminho de tres dias no deserto de Etham, e acamparam-se em Marah.

9 E partiram de Marah, e vieram [8] a Elim, e em Elim havia doze fontes de aguas, e setenta palmeiras, e acamparam-se ali.

10 E partiram d’Elim, e acamparam-se junto ao Mar Vermelho.

11 E partiram do Mar Vermelho, e acamparam-se [9] no deserto de Sin.

12 E partiram do deserto de Sin, e acamparam-se em Dophka.

13 E partiram de Dophka, e acamparam-se em Alus.

14 E partiram d’Alus, e acamparam-se em Raphidim; [10] porém não havia ali agua, para que o povo bebesse.

15 Partiram pois de Raphidim, [11] e acamparam-se no deserto de Sinai.

16 E partiram [12] do deserto de Sinai, e acamparam-se em Quibroth-taava.

17 E partiram de Quibroth-taava, e acamparam-se em Hazeroth.

18 E partiram de Hazeroth, [13] e acamparam-se em Rithma.

19 E partiram de [14] Rithma, e acamparam-se em Rimmon-parez.

20 E partiram de Rimmon-perez, e acamparam-se em Libna.

21 E partiram de Libna, e acamparam-se em Rissa.

[169]

22 E partiram de Rissa, e acamparam-se em Kehelatha.

23 E partiram de Kehelatha, e acamparam-se no monte de Sapher.

24 E partiram do monte de Sapher, e acamparam-se em Harada.

25 E partiram de Harada, e acamparam-se em Magheloth.

26 E partiram de Magheloth, e acamparam-se em Tachath.

27 E partiram de Tachath, e acamparam-se em Tarah.

28 E partiram de Tarah, e acamparam-se em Mithka.

29 E partiram de Mithka, e acamparam-se em Hasmona.

30 E partiram de Hasmona, [15] e acamparam-se em Moseroth.

31 E partiram de Moseroth, e acamparam-se em Bene-jaakan.

32 E partiram de Bene-jaakan, e [16] acamparam-se em Hor-hagidgad.

33 E partiram de Hor-hagidgad, e acamparam-se em Jothbatha.

34 E partiram de Jothbatha, e acamparam-se em Abrona.

35 E partiram d’Abrona, [17] e acamparam-se em Ezion-geber.

36 E partiram [18] d’Ezion-geber, e acamparam-se no deserto de Zin, que é Cades.

37 E partiram de Cades, [19] e acamparam-se no monte de Hor, no fim da terra d’Edom.

38 Então Aarão [20], o sacerdote, subiu ao monte de Hor, conforme ao mandado do Senhor; e morreu ali no quinto mez do anno quadragesimo da saida dos filhos de Israel da terra do Egypto, no primeiro dia do mez.

39 E era Aarão d’edade de cento e vinte e tres annos, quando morreu no monte de Hor.

40 E ouviu o cananeo, rei de Harad, [21] que habitava o sul na terra de Canaan, que chegavam os filhos d’Israel.

41 E partiram do monte de Hor, e [22] acamparam-se em Zalmona.

42 E partiram de Zalmona, e acamparam-se em Phunon.

43 E partiram de Phunon, [23] e acamparam-se em Oboth.

44 E partiram d’Oboth, [24] e acamparam-se nos outeirinhos de Abarim, no termo de Moab.

45 E partiram dos outeirinhos d’Abarim, [25] e acamparam-se em Dibon-gad.

46 E partiram [26] de Dibon-gad, e acamparam-se em Almon-diblathaim.

47 E partiram d’Almon-diblathaim, e acamparam-se nos montes, [27] d’Abarim, defronte de Nebo.

48 E partiram dos montes de Abarim, e acamparam-se nas campinas [28] dos moabitas, junto ao Jordão de Jericó.

49 E acamparam-se junto ao Jordão, desde Beth-jesimoth até Abel-sittim, nas campinas [29] dos moabitas.

Deus manda lançar fóra os moradores de Canaan.

50 E fallou o Senhor a Moysés, nas campinas dos moabitas, junto ao Jordão de Jericó, dizendo:

51 Falla aos filhos d’Israel, e dize-lhes: Quando houverdes passado [30]; o Jordão para a terra de Canaan,

52 Lançareis [31] fóra todos os moradores da terra diante de vós, e destruireis todas as suas pinturas: tambem destruireis todas as suas imagens de fundição, e desfareis todos os seus altos;

53 E tomareis a terra em possessão, e n’ella habitareis: porquanto vos tenho dado esta terra, para possuil-a.

54 E por sortes herdareis [32] a terra segundo as vossas familias; aos muitos a herança multiplicareis, e aos poucos a herança diminuireis; onde a sorte sair a alguem, ali a terá: segundo as tribus de vossos paes tomareis as heranças.

55 Mas se não lançardes fóra os moradores da terra de diante de vós, então os que deixardes ficar d’elles vos serão [33] por espinhos nos vossos olhos, e por aguilhões nas vossas ilhargas, e apertar-vos-hão na terra em que habitardes.

56 E será que farei a vós como pensei fazer-lhes a elles.

[1] Exo. 12.37.

[2] Exo. 14.

[3] Exo. 12.29 e 12.12 e 18.11. Isa. 19.1. Apo. 12.8.

[4] Exo. 12.37.

[5] Exo. 13.20.

[6] Exo. 14.2, 9.

[7] Exo. 14.22 e 15.22, 23.

[8] Exo. 15.27.

[9] Exo. 16.1.

[10] Exo. 17.1 e 19.2.

[11] Exo. 19.1, 2.

[12] cap. 11.34.

[13] cap. 11.35.

[14] cap. 12.16.

[15] Deu. 10.6.

[16] Gen. 36.27. Deu. 10.6. I Chr. 1.42.

[17] Deu. 2.8. I Reis 9.26 e 22.48.

[18] cap. 20.1 e 27.14.

[19] cap. 20.22, 23 e 21.4.

[20] cap. 20.25, 28. Deu. 32.50.

[21] cap. 21.1, etc.

[22] cap. 21.4.

[23] cap. 21.10.

[24] cap. 21.11.

[25] cap. 32.34.

[26] Jer. 48.22. Eze. 6.14.

[27] cap. 21.20. Deu. 32.49.

[28] cap. 22.1.

[29] cap. 25.1. Jos. 2.1.

[30] Deu. 7.1 e 9.1. Jos. 3.17.

[31] Exo. 23.24, 33 e 34.13. Deu. 7.2, 5, 12, 13. Jos. 11.12. Jui. 2.2.

[32] cap. 26.53, 54, 55.

[33] Jos. 23.13. Jui. 2.2. Psa. 106.34, 36. Exo. 23.33. Eze. 28.24.

Os confins da terra.

34 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Dá ordem aos filhos d’Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na [1] terra de Canaan, esta ha de ser a terra que vos cairá em herança: a terra de Canaan, segundo os seus termos.

3 A banda do sul [2] vos será desde o deserto de Zin até aos termos de Edom; e o termo do sul vos será desde a extremidade do mar [3] salgado para a banda do oriente,

4 E este termo vos irá rodeando do sul para a subida [4] de Acrabbim, e[170] passará até Zin; e as suas saidas serão do sul a Cades-barnea; [5] e sairá a Hazar-addar, e passará a Azmon:

5 Rodeará mais este termo de Azmon até ao rio [6] do Egypto: e as suas saidas serão para a banda do mar.

6 Ácerca do termo do occidente, o mar grande vos será por termo: este vos será o termo do occidente.

7 E este vos será o termo do norte: desde o mar grande marcareis [7] até ao monte de Hor.

8 Desde o monte de Hor marcareis até á entrada de Hamath: [8] e as saidas d’este termo serão até Zedad.

9 E este termo sairá até Ziphron, e as suas saidas serão [9] em Hazar-enan: este vos será o termo do norte.

10 E por termo da banda do oriente vos marcareis de Hazar-enan até Sepham.

11 E este termo descerá desde Sepham até Ribla, [10] para a banda do oriente de Ain: depois descerá este termo, e irá ao longo da borda [11] do mar de Cinnereth para a banda do oriente.

12 Descerá tambem este termo ao longo do Jordão, e as suas saidas serão [12] no mar salgado: esta vos será a terra, segundo os seus termos em roda.

13 E Moysés deu ordem aos filhos de Israel, dizendo: [13] Esta é a terra que tomareis em sorte por herança, a qual o Senhor mandou dar ás nove tribus e á meia tribu.

14 Porque a tribu dos filhos [14] dos rubenitas, segundo a casa de seus paes, e a tribu dos filhos dos gaditas, segundo a casa de seus paes, já receberam; tambem a meia tribu de Manasseh recebeu a sua herança.

15 Já duas tribus e meia tribu receberam a sua herança d’aquem do Jordão de Jericó, da banda do oriente ao nascente.

Os homens que devem dividir a terra.

16 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

17 Estes são os nomes dos homens que vos repartirão a terra por herança: Eleazar, o sacerdote, e Josué, [15] o filho de Nun.

18 Tomareis mais de [16] cada tribu um principe, para repartir a terra em herança.

19 E estes são os nomes dos homens: Da tribu de Judah, Caleb, filho de Jefoné;

20 E, da tribu dos filhos de Simeão, Samuel, filho de Ammihud;

21 Da tribu de Benjamin, Elidad, filho de Chislon;

22 E, da tribu dos filhos de Dan, o principe Buci, filho de Jogli;

23 Dos filhos de José, da tribu dos filhos de Manasseh, o principe Hanniel, filho de Ephod;

24 E, da tribu dos filhos de Ephraim, o principe Quemuel, filho de Siphtan;

25 E, da tribu dos filhos de Zebulon, o principe Elizaphan, filho de Parnah;

26 E, da tribu dos filhos de Issacar, o principe Paltiel, filho de Assan;

27 E, da tribu dos filhos de Aser, o principe Ahihud, filho de Selomi;

28 E, da tribu dos filhos de Naphtali, o principe Pedael, filho de Ammihud.

29 Estes são aquelles a quem o Senhor ordenou, que repartissem as heranças aos filhos de Israel na terra de Canaan.

[1] Gen. 17.8. Deu. 1.7. Psa. 78.54, 55.

[2] Jos. 15.1. Eze. 47.13, etc.

[3] Gen. 14.3. Jos. 15.2.

[4] Jos. 15.3.

[5] cap. 13.26 e 32.8. Jos. 15.3, 4.

[6] Gen. 15.18. Jos. 15.4, 47. I Reis 8.65. Isa. 27.12.

[7] cap. 33.37.

[8] cap. 13.21. II Reis 14.25. Eze. 47.15.

[9] Eze. 47.17.

[10] II Reis 23.33. Jer. 39.5.

[11] Deu. 3.17. Jos. 11.12 e 19.35. Mat. 14.34. Luc. 5.1.

[12] ver. 3.

[13] ver. 1. Jos. 14.1, 2.

[14] cap. 32.33. Jos. 14.2, 3.

[15] Jos. 14.1 e 19.51.

[16] cap. 1.4, 16.

As cidades dos levitas.

35 E fallou o Senhor a Moysés nas campinas dos moabitas, junto ao Jordão de Jericó, dizendo:

2 Dá ordem [1] aos filhos de Israel que, da herança da sua possessão, dêem cidades aos levitas, em que habitem: e tambem aos levitas dareis arrabaldes ao redor d’ellas.

3 E terão estas cidades para habitalas: porém os seus arrabaldes serão para as suas bestas, e para a sua fazenda, e para todos os seus animaes.

4 E os arrabaldes das cidades que dareis aos levitas, desde o muro da cidade e para fóra, serão de mil covados em redor.

5 E de fóra da cidade, da banda do oriente, medireis dois mil covados, e da banda do sul dois mil covados, e da banda do occidente dois mil covados, e da banda do norte dois mil covados, e a cidade no meio: isto terão por arrabaldes das cidades.

6 Das cidades pois que dareis aos levitas haverá [2] seis cidades de refugio, as quaes dareis para que o homicida ali se acolha: e, além d’estas, lhes dareis quarenta e duas cidades.

7 Todas as cidades que dareis aos levitas serão [3] quarenta e oito cidades, juntamente com os seus arrabaldes.

8 E as cidades [4] que derdes da herança dos filhos de Israel, do que tiver muito tomareis muito, e do que tiver pouco[171] tomareis pouco: cada um dará das suas cidades aos levitas, segundo a sua herança que herdar.

9 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

Seis cidades de refugio.

10 Falla aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando passardes [5] o Jordão á terra de Canaan,

11 Fazei [6] com que vos estejam á mão cidades que vos sirvam de cidades de refugio, para que ali se acolha o homicida que ferir a alguma alma por erro.

12 E estas cidades vos serão por refugio [7] do vingador do sangue: para que o homicida não morra, até que esteja perante a congregação no juizo.

13 E das cidades [8] que derdes haverá seis cidades de refugio para vós.

14 Tres d’estas [9] cidades dareis d’áquem do Jordão, e tres d’estas cidades dareis na terra de Canaan: cidades de refugio serão.

15 Serão por refugio estas seis cidades para [10] os filhos de Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio d’elles, para que ali se acolha aquelle que ferir a alguma alma por erro.

16 Porém, se a ferir [11] com instrumento de ferro, e morrer, homicida é: certamente o homicida morrerá.

17 Ou, se lhe atirar uma pedrada, de que possa morrer, e ella morrer, homicida é: certamente o homicida morrerá.

18 Ou, se a ferir com instrumento de pau que tiver na mão, de que possa morrer, e ella morrer, homicida é: certamente morrerá o homicida.

19 O vingador [12] do sangue matará o homicida: encontrando-o, matal-o-ha.

20 Se tambem a empurrar com odio, [13] ou com intento lançar contra ella alguma coisa, e morrer;

21 Ou por inimizade a ferir com a sua mão, e morrer, certamente morrerá o feridor; homicida é: o vingador do sangue, encontrando o homicida, o matará.

22 Porém, se a empurrar de improviso, [14] sem inimizade, ou contra ella lançar algum instrumento sem designio;

23 Ou, sobre ella fizer cair alguma pedra sem o ver, de que possa morrer, e ella morrer, e elle não era seu inimigo nem procurava o seu mal;

24 Então a congregação julgará entre o feridor e [15] entre o vingador do sangue, segundo estas leis.

25 E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar á cidade do seu refugio, [16] onde se tinha acolhido: e ali ficará até á morte do summo sacerdote, a quem ungiram com o sancto oleo.

26 Porém, se de alguma maneira o homicida sair dos termos da cidade do seu refugio, onde se tinha acolhido,

27 E o vingador do sangue o achar fóra dos termos da cidade do seu refugio, se o vingador do sangue matar o homicida, não será culpado do sangue.

28 Pois deve ficar na cidade do seu refugio, até á morte do summo sacerdote: mas, depois da morte do summo sacerdote, o homicida voltará á terra da sua possessão.

29 E estas coisas vos serão por estatuto [17] de direito a vossas gerações, em todas as vossas habitações.

30 Todo aquelle que ferir a alguma pessoa, conforme ao dito das testemunhas, [18] matarão o homicida: mas uma testemunha não testemunhará contra algum, para que morra.

31 E não tomareis expiação pela [HD] vida o homicida, que culpado está de morte: antes certamente morrerá.

32 Tambem não tomareis expiação por aquelle que se acolher á cidade do seu refugio, para tornar a habitar na terra, até a morte do summo sacerdote.

33 Assim não profanareis [19] a terra em que estaes; porque o sangue faz profanar a terra: e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que se derramar n’ella, senão com o sangue d’aquelle [20] que o derramou.

34 Não contaminareis pois [21] a terra na qual vós habitareis, no meio da qual eu habitarei: pois eu, o Senhor, habito no meio dos filhos d’Israel.

[1] Jos. 21.2. Eze. 45.1, etc. e 48.8, etc.

[2] ver. 13. Deu. 4.41. Jos. 20.2, 7, 8 e 21.3, 13, 21, 27, 32, 36, 38.

[3] Jos. 21.41.

[4] Jos. 21.3. cap. 26.54.

[5] Deu. 19.2. Jos. 20.2.

[6] Exo. 21.13.

[7] Deu. 19.6. Jos. 20.3, 5, 6.

[8] ver. 6.

[9] Deu. 4.41. Jos. 20.8.

[10] cap. 15.16.

[11] Exo. 21.12, 14. Lev. 24.17. Deu. 19.11.

[12] ver. 21, 24, 27. Deu. 19.6, 12. Jos. 20.3, 5.

[13] Gen. 4.8. II Sam. 3.27 e 20.10. I Reis 2.31, 32. Exo. 21.14. Deu. 19.11.

[14] Exo. 21.13.

[15] ver. 12. Jos. 20.6.

[16] Exo. 29.7. Lev. 4.3 e 21.10.

[17] cap. 27.11.

[18] Deu. 17.6 e 19.15. Mat. 18.16. II Cor. 13.1. Heb. 10.28.

[19] Psa. 106.38. Miq. 4.11.

[20] Gen. 9.6.

[21] Lev. 18.25. Deu. 21.23. Exo. 29.45.

Os casamentos das herdeiras.

36 E chegaram [1] os cabeças dos paes da geração dos filhos de Gilead, filho de Machir, filho de Manasseh, das familias dos filhos de José,[172] e fallaram diante de Moysés, e diante dos maioraes, cabeças dos paes dos filhos d’Israel,

2 E disseram: O Senhor [2] mandou dar esta terra a meu senhor por sorte, por herança aos filhos d’Israel: e a meu senhor foi ordenado pelo Senhor, que a herança do nosso irmão Selofad se désse a suas filhas.

3 E, casando-se ellas com algum dos filhos das outras tribus dos filhos d’Israel, então a sua herança seria diminuida da herança de nossos paes, e accrescentada á herança da tribu de quem forem: assim se tiraria da sorte da nossa herança.

4 Vindo tambem o anno do [3] jubileo dos filhos d’Israel, a sua herança se accrescentaria á herança da tribu d’aquelles com que se casarem: assim a sua herança será tirada da herança da tribu de nossos paes.

5 Então Moysés deu ordem aos filhos d’Israel, segundo o mandado do Senhor, dizendo: A tribu dos [4] filhos de José falla bem.

6 Esta é a palavra que o Senhor mandou ácerca das filhas de Selofad, dizendo: Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, [5] comtanto que se casem na familia da tribu de seu pae.

7 Assim a herança dos filhos d’Israel não passará de tribu em [6] tribu: pois os filhos d’Israel se chegarão cada um á herança da tribu de seus paes.

8 E qualquer filha [7] que herdar alguma herança das tribus dos filhos d’Israel se casará com alguem da geração da tribu de seu pae: para que os filhos de Israel possuam cada, um a herança de seus paes.

9 Assim a herança não passará d’uma tribu a outra: pois as tribus dos filhos d’Israel se chegarão cada uma á sua herança.

10 Como o Senhor ordenara a Moysés, assim fizeram as filhas de Selofad.

11 Pois Machla, [8] Thirsa, e Hogla, e Milca, e Noha, filhas de Selofad, se casaram com os filhos de seus tios.

12 Das familias dos de Manasseh, filho de José, ellas foram mulheres: assim a sua herança ficou á tribu da familia de seu pae.

13 Estes são os mandamentos e os juizos que mandou o Senhor pela mão de Moysés aos filhos de Israel [9] nas campinas dos moabitas, junto ao Jordão de Jericó.

[1] cap. 26.29.

[2] cap. 26.55 e 33.54. Jos. 17.3. cap. 27.1, 7. Jos. 17.3, 4.

[3] Lev. 25.10.

[4] cap. 27.7.

[5] ver. 12.

[6] I Sam. 21.3.

[7] I Chr. 23.22.

[8] cap. 27.1.

[9] cap. 26.3 e 33.50.


O QUINTO LIVRO DE MOYSÉS
CHAMADO

DEUTERONOMIO.

O discurso de Moysés na planicie do Jordão.

Antes de Christo 1451

1 Estas são as palavras que Moysés fallou a todo o Israel [1] d’áquem do Jordão, no deserto, na planicie defronte do Mar de Suph, entre Paran e Tophel, e Laban, e Hazeroth, e Dizahab.

2 Onze jornadas ha, desde Horeb, caminho da montanha de Seir, [2] até Cades-barnea.

3 E succedeu que, no anno quadragesimo, [3] no mez undecimo, no primeiro dia do mez, Moysés fallou aos filhos de Israel, conforme a tudo o que o Senhor lhe mandara ácerca d’elles,

4 Depois que feriu [4] a Sehon, rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon, e a Og, rei de Basan, que habitava em Astaroth, [5] em Edrei.

5 D’áquem do Jordão, na terra de Moab, começou Moysés a declarar esta lei, dizendo:

6 O Senhor nosso Deus nos fallou em Horeb, [6] dizendo: Assás haveis estado n’este monte.

7 Virae-vos, e parti-vos, e ide á montanha dos amorrheos, e a todos os seus visinhos, á planicie, e á montanha, e ao valle, e ao sul, e á ribeira do mar; á terra dos cananeos, e ao Libano, até ao grande rio, o rio Euphrates.

[173]

8 Vêdes aqui esta terra vol-a dei diante de vós: entrae e possui a terra que o Senhor jurou a vossos paes, Abrahão, [7] Isaac, e Jacob, que a daria a elles e á sua semente depois d’elles.

9 E no mesmo tempo [8] eu vos fallei, dizendo: Eu não poderei levar-vos só.

10 O Senhor vosso Deus já vos tem multiplicado: e eis-que já hoje em multidão sois [9] como as estrellas dos céus.

11 O Senhor Deus [10] de vossos paes vos augmente, como sois, ainda mil vezes mais: e vos abençoe, como [11] vos tem fallado.

12 Como supportaria [12] eu só as vossas molestias, e as vossas cargas, e as vossas differenças?

13 Tomae-vos homens [13] sabios e entendidos, experimentados entre as vossas tribus, para que os ponha por vossas cabeças.

14 Então vós me respondestes, e dissestes: Bom é de fazer a palavra que tens fallado.

15 Tomei pois os cabeças de vossas tribus, homens sabios e experimentados, [14] e os tenho posto por cabeças sobre vós, por capitães de milhares, e por capitães de cem, e por capitães de cincoenta, e por capitães de dez, e por governadores das vossas tribus.

16 E no mesmo tempo mandei a vossos juizes, dizendo: Ouvi a causa entre vossos irmãos, e julgae [15] justamente entre o homem e seu irmão, e entre o estrangeiro que está com elle.

17 Não attentareis [16] para pessoa alguma em juizo, ouvireis assim o pequeno como o grande: não temereis a face de ninguem, porque o juizo é de Deus; [17] porém a causa que vos fôr difficil fareis vir a mim, e eu a ouvirei.

18 Assim n’aquelle tempo vos ordenei todas as coisas que havieis de fazer.

19 Então partimos de Horeb, [18] e caminhámos por todo aquelle grande e tremendo deserto que vistes, pelo caminho das montanhas dos amorrheos, como o Senhor nosso Deus nos ordenara: e chegámos a Cades-barnea.

20 Então eu vos disse: Chegados sois ás montanhas dos amorrheos, que o Senhor nosso Deus nos dará.

21 Eis aqui o Senhor teu Deus te deu esta terra diante de ti: sobe, possue-a, como te fallou o Senhor Deus de teus paes: [19] não temas, e não te assustes.

22 Então todos vós vos chegastes a mim, e dissestes: Mandemos homens adiante de nós, para que nos espiem a terra, e nos dêem resposta, por que caminho devemos subir a ella, e a que cidades devemos ir.

23 Pareceu-me pois bem este negocio: de sorte que de vós tomei [20] doze homens, de cada tribu um homem.

24 E foram-se, e subiram á montanha, e [21] vieram até ao valle de Escol, e o espiaram.

25 E tomaram do fructo da terra nas suas mãos, e nol-o trouxeram, e nos tornaram a dar resposta, e disseram: Boa [22] é a terra que nos dá o Senhor nosso Deus.

26 Porém vós não quizestes [23] subir: mas fostes rebeldes ao mandado do Senhor nosso Deus.

27 E murmurastes nas vossas tendas, e dissestes: Porquanto o Senhor nos aborrece, [24] nos tirou da terra do Egypto para nos entregar nas mãos dos amorrheos, para destruir-nos.

28 Para onde subiremos? nossos irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração, dizendo: Maior e mais alto é este povo [25] do que nós, as cidades são grandes e fortificadas até aos céus; e tambem vimos ali filhos [26] dos gigantes.

29 Então eu vos disse: Não vos espanteis, nem os temaes.

30 O Senhor vosso Deus [27] que vae adiante de vós, elle por vós pelejará, conforme a tudo o que fez comvosco, diante de vossos olhos, no Egypto;

31 Como tambem no deserto, onde viste que [28] o Senhor teu Deus n’elle te levou, como um homem leva seu filho, por todo o caminho que andastes, até chegardes a este logar.

32 Mas nem por isso [29] crestes ao Senhor vosso Deus,

33 Que foi [30] adiante de vós por todo o caminho, para vos achar o logar onde vós deverieis acampar: de noite no fogo, para vos mostrar o caminho por onde havieis de andar, e de dia na nuvem.

34 Ouvindo pois o Senhor a voz das vossas palavras, indignou-se, e jurou, [31] dizendo:

35 Nenhum dos homens d’esta maligna[174] geração verá [32] esta boa terra que jurei de dar a vossos paes,

36 Salvo Caleb, [33] filho de Jefoné; elle a verá, e a terra que pisou darei a elle e a seus filhos: porquanto perseverou em [34] seguir ao Senhor.

37 Tambem o Senhor [35] se indignou contra mim por causa de vós, dizendo: Tambem tu lá não entrarás.

38 [36] Josué, filho de Nun, que está em pé diante de ti, elle ali entrará: esforça-o, [37] porque elle a fará herdar a Israel.

39 E vossos meninos, [38] de que dissestes: Por presa serão: e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, elles ali entrarão, e a elles, a darei, e elles a possuirão.

40 Porém vós [39] virae-vos, e parti para o deserto, pelo caminho do Mar Vermelho.

41 Então respondestes, [40] e me dissestes: Peccámos contra o Senhor: nós subiremos e pelejaremos, conforme a tudo o que nos ordenou o Senhor nosso Deus: e armastes-vos pois vós, cada um dos seus instrumentos de guerra, e estivestes prestes para subir á montanha.

42 E disse-me o Senhor: Dize-lhes: Não subaes [41] nem pelejeis, pois não estou no meio de vós; para que não sejaes feridos diante de vossos inimigos.

43 Porém, fallando-vos eu, não ouvistes: antes fostes rebeldes ao mandado do Senhor, e vos [42] ensoberbecestes, e subistes á montanha.

44 E os amorrheos, que habitavam n’aquella montanha, vos sairam ao encontro; e perseguiram-vos como fazem as [43] abelhas, e vos derrotaram desde Seir até Horma.

45 Tornando pois vós, e chorando perante o Senhor, o Senhor não ouviu a vossa voz, nem vos escutou.

46 Assim em [44] Cades estivestes muitos dias, segundo os dias que ali estivestes.

[1] Jos. 9.1, 10 e 22.4, 7.

[2] Num. 13.26. cap. 9.23.

[3] Num. 33.38.

[4] Num. 21.24.

[5] Num. 21.23. Jos. 13.12.

[6] Exo. 3.1 e 19.1. Num. 10.11.

[7] Gen. 12.7 e 15.18 e 17.7, 8 e 26.4 e 28.13.

[8] Exo. 18.18. Num. 11.14.

[9] Gen. 15.5. cap. 10.22 e 28.62.

[10] II Sam. 24.3.

[11] Gen. 15.5 e 22.17 e 26.4. Exo. 32.13.

[12] I Reis 3.8.

[13] Exo. 18.21. Num. 11.16, 17.

[14] Exo. 18.25.

[15] cap. 16.18. João 7.24. Lev. 24.22.

[16] Lev. 19.15. cap. 16.19. I Sam. 16.7. Pro. 24.23. Thi. 2.1.

[17] II Chr. 19.6. Exo. 18.22, 26.

[18] Num. 10.12. cap. 8.15. Jer. 2.6.

[19] Jos. 1.9.

[20] Num. 13.3.

[21] Num. 13.22, 23, 24.

[22] Num. 13.27.

[23] Num. 14.1, 2, 3, 4. Psa. 106.24, 25.

[24] cap. 9.28.

[25] Num. 13.31, 32, 33.

[26] Num. 13.28.

[27] Exo. 14.14, 25. Neh. 4.20.

[28] Exo. 19.4. cap. 32.11, 12. Isa. 46.3, 4 e 63.9. Ose. 11.3. Act. 13.18.

[29] Psa. 106.24. Jud. 5.

[30] Exo. 13.21. Psa. 78.14. Num. 10.33. Eze. 20.6.

[31] cap. 2.14, 15.

[32] Num. 14.22, 23. Psa. 25.11.

[33] Num. 14.24, 30. Jos. 14.9.

[34] Num. 14.24.

[35] Num. 20.12 e 27.14. cap. 3.26 e 4.21 e 34.4. Psa. 106.32.

[36] Num. 14.30. Exo. 24.13 e 33.11. I Sam. 16.22.

[37] Num. 27.18. cap. 31.7, 23.

[38] Num. 14.13, 31. Isa. 7.15, 16. Rom. 9.11.

[39] Num. 14.25.

[40] Num. 14.40.

[41] Num. 14.42.

[42] Num. 14.44, 45.

[43] Psa. 118.12.

[44] Num. 20.1, 22. Jui. 11.17.

Moysés falla ácerca dos edomitas, moabitas, e ammonitas.

Antes de Christo 1490

2 Depois virámo-nos, e caminhámos ao deserto, caminho do Mar Vermelho, como o [1] Senhor me tinha dito, e muitos dias rodeámos a montanha de Seir.

2 Então o Senhor me fallou, dizendo:

3 Assás tendes [2] rodeado esta montanha: virae-vos para o norte.

4 E dá ordem ao povo, dizendo: Passareis [3] pelos termos de vossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir: e elles terão medo de vós; porém guardae-vos bem,

5 Não vos entremettaes com elles, porque vos não darei da sua terra nem ainda a pisada da planta de um pé: porquanto a Esaú tenho dado a montanha [4] de Seir por herança.

6 Comprareis d’elles, por dinheiro, comida para comerdes: e tambem agua para beber d’elles comprareis por dinheiro.

7 Pois o Senhor teu Deus te abençoou em toda a obra das tuas mãos; elle sabe que andas por este grande deserto: [5] estes quarenta annos o Senhor teu Deus esteve comtigo, coisa nenhuma te faltou.

8 Passando [6] pois de nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitavam em Seir, desde o caminho da planicie [7] de Elath e de Ezeon-geber, nos virámos e passámos o caminho do deserto de Moab.

9 Então o Senhor me disse: Não molestes a Moab, e não contendas com elles em peleja, porque te não darei herança da sua terra; porquanto tenho dado a [8] Ar aos filhos de Lot por herança.

10 (Os emeos [9] d’antes habitaram n’ella: um povo grande e numeroso, e alto como os gigantes;

11 Tambem estes foram contados por gigantes como os enaquins: e os moabitas os chamavam emeos.

12 D’antes os horeos tambem habitaram em Seir: [10] porém os filhos de Esaú os lançaram fóra, e os destruiram de diante de si, e habitaram no seu logar, assim como Israel fez á terra da sua herança, que o Senhor lhes tinha dado.)

13 Levantae-vos agora, e passae o ribeiro [11] de Zered: assim passámos o ribeiro de Zered.

14 E os dias que caminhámos, desde Cades-barnea [12] até que passámos o ribeiro de Zered, foram trinta e oito annos, [13] até que toda aquella geração dos homens de guerra se consumiu do meio do arraial, como o Senhor lhes jurara.

15 Assim [14] tambem foi contra elles a mão do Senhor, para os destruir do meio do arraial até os haver consumido.

[175]

16 E succedeu que, sendo já consumidos todos os homens de guerra, pela morte, do meio do arraial.

17 O Senhor me fallou, dizendo:

18 Hoje passarás a Ar, pelos termos de Moab;

19 E te chegarás até defronte dos filhos de Ammon: não os molestes, e com elles não contendas: porque da terra dos filhos de Ammon te não darei herança, porquanto [15] aos filhos de Lot a tenho dado por herança.

20 (Tambem esta foi contada por terra de gigantes; d’antes n’ella habitavam gigantes, e os ammonitas os chamavam [16] zamzummeos:

21 Um povo [17] grande, e numeroso, e alto, como os gigantes: e o Senhor os destruiu de diante de si, e elles os lançaram fóra, e habitaram no seu logar;

22 Assim como fez com os filhos d’Esaú, que habitavam [18] em Seir, de diante dos quaes destruiu os horeos, e elles os lançaram fóra, e habitaram no seu logar até este dia;

23 Tambem os caftoreos, que sairam de Caftor, destruiram os [19] aveos, que habitavam em Kazerim até Gaza, e habitaram no seu logar).

24 Levantae-vos, parti e passae [20] o ribeiro d’Arnon; eis-aqui na tua mão tenho dado a Sehon, amorrheo, rei de Hesbon, e a sua terra; começa a possuil-a, e contende com elles em peleja.

25 N’este dia [21] começarei a pôr um terror e um temor de ti diante dos povos que estão debaixo de todo o céu: os que ouvirem a tua fama tremerão diante de ti e se angustiarão.

26 Então mandei mensageiros desde o deserto de Quedemoth a Sehon, rei de Hesbon, com palavras de [22] paz, dizendo:

27 Deixa-me passar pela [23] tua terra: sómente pela estrada irei; não me desviarei para a direita nem para a esquerda.

28 A comida que eu coma vender-m’a-has por dinheiro, e dar-me-has por dinheiro a agua que beba: tão sómente deixa-me [24] passar a pé;

29 Como fizeram comigo os [25] filhos d’Esaú, que habitam em Seir, e os moabitas que habitam em Ar: até que eu passe o Jordão, a terra que o Senhor nosso Deus nos ha de dar.

30 Mas Sehon, [26] rei de Hesbon, não nos quiz deixar passar por si, porquanto o Senhor teu Deus endurecera o seu espirito, [27] e fizera obstinado o seu coração, por t’o dar na tua mão, como n’este dia se vê.

31 E o Senhor me disse: Eis-aqui, tenho começado a dar-te Sehon, [28] e a sua terra diante de ti: começa pois a possuil-a, para que herdes a sua terra.

32 E Sehon saiu-nos ao encontro, elle e todo o seu povo, á peleja, a Jahaz:

33 E o Senhor nosso Deus nol-o deu diante [29] de nós, e o ferimos a elle, e a seus filhos, e a todo o seu povo.

34 E n’aquelle tempo tomámos todas as suas cidades, e destruimos todas as cidades, homens, e mulheres e creanças: [30] não deixámos a ninguem.

35 Sómente tomámos em presa o gado para nós, e o despojo das cidades que tinhamos tomado.

36 Desde Aroer, [31] que está á borda do ribeiro d’Arnon, e a cidade que está junto ao ribeiro, até Gilead, nenhuma cidade houve que de nós escapasse: tudo isto [32] o Senhor nosso Deus nos entregou diante de nós.

37 Sómente á terra dos filhos de Ammon não chegaste: nem a toda a borda do ribeiro de Jabbok, [33] nem ás cidades da montanha, nem a coisa alguma que nos prohibira o Senhor nosso Deus.

[1] Num. 14.25. cap. 1.40.

[2] ver. 7, 14.

[3] Num. 20.14.

[4] Gen. 36.8. Jos. 24.4.

[5] cap. 8.2, 3, 4.

[6] Jui. 11.18.

[7] I Reis 9.26.

[8] Num. 21.28. Gen. 19.36, 37.

[9] Gen. 14.5. Num. 13.22, 33. cap. 9.2.

[10] ver. 22. Gen. 14.6 e 36.20.

[11] Num. 21.12.

[12] Num. 13.26.

[13] Num. 14.33 e 26.64. cap. 1.34, 35. Eze. 20.15.

[14] Psa. 78.33 e 106.26.

[15] Gen. 19.38.

[16] Gen. 14.5.

[17] ver. 10.

[18] Gen. 36.8 e 14.6 e 36.20-30. ver. 12.

[19] Jos. 13.3. Jer. 25.20. Amós 9.7.

[20] Num. 21.13. Jui. 11.17, 21.

[21] Exo. 15.14. cap. 11.25. Jos. 2.9, 10.

[22] cap. 20.10.

[23] Num. 21.21.

[24] Num. 20.19.

[25] Num. 20.18. cap. 23.3, 4. Jui. 11.16, 18.

[26] Num. 21.23.

[27] Jos. 11.20. Exo. 4.21.

[28] cap. 1.8.

[29] cap. 7.2 e 20.16. Num. 21.24. cap. 29.7.

[30] Lev. 27.28. cap. 7.2, 26.

[31] cap. 3.12 e 4.48. Jos. 13.9.

[32] Psa. 44.5.

[33] Gen. 32.22. cap. 3.16. ver. 5, 9, 19.

Moysés falla ácerca de Og, rei de Basan.

3 Depois nós virámos e subimos o caminho de Basan: e Og [1] rei de Basan, nos saiu ao encontro, elle e todo o seu povo, á peleja em [2] Edrei.

2 Então o Senhor me disse: Não temas, porque a elle e a todo o seu povo, e a sua terra, tenho dado na tua mão: e far-lhe-has como fizeste a Sehon, [3] rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon.

3 E tambem o Senhor nosso Deus nos deu na nossa mão a Og, rei de Basan, e a todo o seu povo: de maneira que o ferimos, até que [4] ninguem lhe ficou de restante.

4 E n’aquelle tempo tomámos todas as suas cidades: nenhuma cidade houve que lhes não tomassemos: sessenta cidades, toda a borda da terra d’Argob, o reino d’Og [5] em Basan.

5 Todas estas cidades eram fortificadas com altos muros, portas e ferrolhos: de[176] mais d’outras muitas cidades sem muros.

6 E destruimol-as como fizemos a Sehon, [6] rei de Hesbon, destruindo todas as cidades, homens, mulheres e creanças.

7 Porém todo o gado, e o despojo das cidades, tomámos para nós por presa.

8 Assim n’aquelle tempo tomámos a terra da mão d’aquelles dois reis dos amorrheos, que estavam d’áquem do Jordão: desde o rio d’Arnon, até ao monte de Hermon;

9 (Os Sidonios [7] a Hermon chamam Sirion; porém os amorrheos o chamam Senir);

10 Todas as cidades [8] da terra plana, e todo o Gilead, e todo o Basan, até Salcha e Edrei, cidades do reino d’Og em Basan.

11 Porque só Og, o rei de Basan, ficou do resto dos gigantes; eis que o seu leito, um leito de ferro, não está porventura [9] em Rabba dos filhos d’Ammon? de nove covados o seu comprimento, e de quatro covados a sua largura, pelo covado d’um homem.

12 Tomámos pois esta terra em possessão n’aquelle tempo: desde Aroer, [10] que está junto ao ribeiro d’Arnon, e a metade da montanha de Gilead, com as suas cidades, tenho dado aos rubenitas e gaditas.

13 E o resto de Gilead, como tambem [11] todo o Basan, o reino d’Og, dei á meia tribu de Manasseh; toda aquella borda da terra d’Argob, por todo o Basan, se chamava a terra dos gigantes.

14 Jair, filho de Manasseh, alcançou toda a borda da terra de Argob, até ao termo dos gesuritas, [12] e maachatitas, e a chamou de seu nome, Basan-havot-jair até este dia.

15 E a Machir dei [13] Gilead.

16 Mas aos rubenitas [14] e gaditas dei desde Gilead até ao ribeiro d’Arnon, o meio do ribeiro, e o termo: e até ao ribeiro de Jabbok, o [15] termo dos filhos d’Ammon.

17 Como tambem a campina, e o Jordão com o termo: desde Cinnereth até [16] ao mar da campina, o Mar Salgado, abaixo d’Asdoth-pisga para o oriente.

18 E vos dei ordem mais no mesmo tempo, dizendo: O Senhor vosso Deus vos deu esta terra, para possuil-a: [17] passae pois armados vós, todos os homens valentes, diante de vossos irmãos, os filhos d’Israel.

19 Tão sómente vossas mulheres, e vossas creanças, e vosso gado (porque eu sei que tendes muito gado) ficarão nas vossas cidades, que já vos tenho dado,

20 Até que o Senhor dê descanço a vossos irmãos como a vós: para que elles herdem tambem a terra que o Senhor vosso Deus lhes ha de dar d’além do Jordão: [18] então voltareis cada qual á sua herança que já vos tenho dado.

21 Tambem dei ordem a [19] Josué no mesmo tempo, dizendo: Os teus olhos vêem tudo o que o Senhor vosso Deus tem feito a estes dois reis; assim fará o Senhor a todos os reinos, a que tu passarás.

22 Não os temaes: porque o Senhor vosso Deus é o [20] que peleja por vós.

23 Tambem eu pedi graça [21] ao Senhor no mesmo tempo, dizendo:

A oração de Moysés para entrar em Canaan.

24 Senhor Jehovah! já começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e [22] a tua forte mão: porque, que Deus ha nos céus e na terra, que possa obrar segundo as tuas obras, e segundo a tua fortaleza?

25 Rogo-te que me deixes passar, para que veja [23] esta boa terra que está d’além do Jordão; esta boa montanha, e o Libano.

26 Porém o Senhor [24] indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes me disse: Baste-te; não me falles mais n’este negocio:

27 Sobe [25] ao cume de Pisga, e levanta os teus olhos ao occidente, e ao norte, e ao sul, e ao oriente, e vê com os teus olhos: porque não passarás este Jordão.

28 Manda pois a Josué, [26] e esforça-o, e conforta-o; porque elle passará diante d’este povo, e o fará possuir a terra que vires.

29 Assim ficámos n’este valle, [27] defronte de Beth-peor.

[1] Num. 21.33, etc. cap. 29.7.

[2] cap. 1.4.

[3] Num. 21.34.

[4] Num. 21.35.

[5] I Reis 4.13.

[6] cap. 2.24. Psa. 135.10, 11, 12 e 136.19, 20, 21.

[7] cap. 4.48. Psa. 29.6. I Chr. 5.23.

[8] cap. 4.49. Jos. 12.5 e 13.11.

[9] Amós 2.9. Gen. 14.5. II Sam. 12.26. Jer. 49.2. Eze. 21.20.

[10] cap. 2.36. Jos. 12.2. Num. 32.33. Jos. 12.6 e 13.8, etc.

[11] Jos. 13.29.

[12] I Chr. 2.22. Jos. 13.13. II Sam. 3.3 e 10.6. Num. 32.41.

[13] Num. 32.39.

[14] II Sam. 24.6.

[15] Num. 21.24. Jos. 12.2.

[16] Num. 34.11. cap. 4.49. Jos. 12.3. Gen. 14.3.

[17] Num. 32.20, etc.

[18] Jos. 22.4.

[19] Num. 27.18.

[20] Exo. 14.14. cap. 1.30 e 20.4.

[21] II Cor. 12.8, 9.

[22] cap. 11.2. Exo. 15.11. II Sam. 7.22. Psa. 71.19.

[23] Exo. 3.8. cap. 4.22.

[24] Num. 20.12 e 27.14. cap. 1.37 e 31.2 e 32.51, 52. Psa. 106.32.

[25] Num. 27.12.

[26] Num. 27.18, 23. cap. 1.38 e 31.3, 7.

[27] cap. 4.46 e 34.6.

Moysés exhorta o povo á obediencia.

4 Agora, pois, ó Israel, ouve [1] os estatutos e os juizos que eu vos ensino,[177] para os fazerdes: para que vivaes, e entreis, e possuaes a terra que o Senhor Deus de vossos paes vos dá.

2 Não accrescentareis [2] á palavra que vos mando, nem diminuireis d’ella, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.

3 Os vossos olhos teem visto o que Deus fez por Baal-peor; [3] pois a todo o homem que seguiu a Baal-peor o Senhor teu Deus consumiu do meio de ti.

4 Porém vós, que vos chegastes ao Senhor vosso Deus, hoje todos estaes vivos.

5 Vêdes aqui vos tenho ensinado estatutos e juizos, como me mandou o Senhor meu Deus: para que assim façaes no meio da terra a qual ides a herdar.

6 Guardae-os pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria [4] e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo só é gente sabia e entendida.

7 Porque, que [5] gente ha tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o chamamos?

8 E que gente ha tão grande, que tenha estatutos e juizos tão justos como toda esta lei que hoje dou perante vós?

9 Tão sómente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem [6] a tua alma, que te não esqueças d’aquellas coisas que os teus olhos teem visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida: e as farás saber [7] a teus filhos, e aos filhos de teus filhos:

10 O [8] dia em que estiveste perante o Senhor teu Deus em Horeb, quando o Senhor me disse: Ajunta-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, e aprendel-as-hão, para me temerem todos os dias que na terra viverem, e as ensinarão a seus filhos;

11 E vós vos chegastes, e vos pozestes ao pé do monte: e o monte ardia [9] em fogo até ao meio dos céus, e havia trevas, e nuvens e escuridão;

12 Então o Senhor vos fallou do meio do fogo: [10] a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes similhança nenhuma.

13 Então vos annunciou elle o seu concerto, [11] que vos ordenou fazer, [HE] os dez mandamentos, e os escreveu em duas taboas de pedra.

14 Tambem [12] o Senhor me ordenou ao mesmo tempo que vos ensinasse estatutos e juizos, para que os fizesseis na terra a qual passaes a possuir.

15 Guardae pois com diligencia as vossas almas, [13] pois similhança nenhuma vistes no dia em que o Senhor vosso Deus em Horeb fallou comvosco do meio do fogo;

16 Para que não [14] vos corrompaes, e vos façaes alguma esculptura, similhança de imagem, figura de macho ou de femea;

17 Figura d’algum animal que haja na terra; figura d’alguma ave aligera que vôa pelos céus;

18 Figura d’algum animal que anda de rastos sobre a terra; figura d’algum peixe que esteja nas aguas debaixo da terra;

19 Que não levantes [15] os teus olhos aos céus e vejas [16] o sol, e a lua, e as estrellas, todo o exercito dos céus; e sejas impellido a que te inclines perante elles, e sirvas áquelles que o Senhor teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.

20 Mas o Senhor vos tomou, e vos tirou do forno de ferro do Egypto, para que lhe sejaes por [17] povo hereditario, como n’este dia se vê.

21 Tambem o [18] Senhor se indignou contra mim por causa das vossas palavras, e jurou que eu não passaria o Jordão, e que não entraria na boa terra que o Senhor teu Deus te dará por herança.

22 Porque eu n’esta [19] terra morrerei, não passarei o Jordão: porém vós o passareis, e possuireis aquella boa terra.

23 Guardae-vos de que vos esqueçaes [20] do concerto do Senhor vosso Deus, que tem feito comvosco, e vos façaes esculptura alguma, [21] imagem d’alguma coisa que o Senhor vosso Deus vos prohibiu.

24 Porque o Senhor teu [22] Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso.

25 Quando pois gerardes filhos, e filhos de filhos, e vos envelhecerdes na terra, e vos corromperdes, e fizerdes alguma esculptura, [23] similhança d’alguma coisa,[178] e fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira:

26 Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, [24] que certamente perecereis depressa da terra, a qual passaes o Jordão a possuir: não prolongareis os vossos dias n’ella, antes sereis de todo destruidos.

27 E o Senhor vos espalhará entre os povos, [25] e ficareis poucos em numero entre as gentes ás quaes o Senhor vos conduzirá.

28 E ali servireis a deuses [26] que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem nem ouvem, nem comem nem cheiram.

29 Então d’ali buscarás ao Senhor teu Deus, [27] e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

30 Quando estiveres em angustia, e todas estas coisas [28] te alcançarem, então no fim de dias te virarás ao Senhor teu Deus, e ouvirás a sua voz.

31 Porquanto o Senhor teu [29] Deus é Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a teus paes.

32 Porque, [30] pergunta agora aos tempos passados, que te precederam desde o dia em que Deus creou o homem sobre a terra, desde uma [31] extremidade do céu até á outra, se succedeu jámais coisa tão grande como esta, ou se se ouviu coisa como esta?

33 Ou se algum povo ouviu [32] a voz de Deus fallando do meio do fogo, como tu a ouviste, e ficou vivo?

34 Ou se um Deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo [33] com provas, com signaes, e com milagres, e com peleja, e com mão forte, e com braço estendido, e com grandes espantos, conforme a tudo quanto o Senhor vosso Deus vos fez no Egypto aos vossos olhos?

35 A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus: [34] nenhum outro ha senão elle.

36 Desde os céus te fez [35] ouvir a sua voz, para te ensinar, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo, e ouviste as suas palavras do meio do fogo.

37 E, porquanto amava teus [36] paes, e escolhera a sua semente depois d’elles, te tirou do Egypto diante de si, com a sua grande força:

38 Para lançar [37] fóra de diante de ti gentes maiores e mais poderosas do que tu, para te introduzir n’ella, e te dar a sua terra por herança, como n’este dia se vê.

39 Pelo que hoje saberás, e reflectirás no teu coração, que só o Senhor [38] é Deus em cima no céu, e em baixo na terra; nenhum outro ha.

40 E guardarás os teus estatutos [39] e os seus mandamentos, que te ordeno hoje, para que bem te vá a ti, e a teus filhos depois de ti, e para que prolongues os dias na terra que o Senhor teu Deus te dá para todo o sempre.

Moysés designa tres das cidades de refugio.

41 Então Moysés separou tres [40] cidades d’áquem do Jordão, da banda do nascimento do sol;

42 Para que ali se acolhesse o homicida [41] que de improviso matasse o seu proximo a quem d’antes não tivesse odio algum: e se acolhesse a uma d’estas cidades, e vivesse;

43 A Bezer, [42] no deserto, na terra plana, para os rubenitas; e a Ramoth, em Gilead, para os gaditas; e a Golan, em Basan, para os manassitas.

44 Esta é pois a lei que Moysés propoz aos filhos de Israel.

45 Estes são os testemunhos, e os estatutos, e os juizos, que Moysés fallou aos filhos de Israel, havendo saido do Egypto;

46 D’aquem do Jordão, [43] no valle defronte de Beth-peor, na terra de Sehon, rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon: a quem feriu Moysés e [44] os filhos de Israel, havendo elles saido do Egypto.

47 E tomaram a sua terra em possessão, como tambem a terra [45] de Og, rei de Basan, dois reis dos amorrheos, que estavam d’áquem do Jordão, da banda do nascimento do sol.

48 Desde Aroer, [46] que está á borda do ribeiro de Arnon, até ao monte de Sion, que é Hermon,

49 E toda a campina d’áquem do Jordão, da banda do oriente, [47] até ao mar da campina, abaixo de Asdoth-pisga.

[1] Lev. 19.37 e 20.8 e 22.31. cap. 5.1 e 8.1. Eze. 20.11. Rom. 10.5.

[2] cap. 12.32. Jos. 1.7. Pro. 30.6. Ecc. 12.13. Apo. 22.18, 19.

[3] Num. 25.4, etc. Jos. 22.17. Psa. 106.28.

[4] Job 28.28. Psa. 19.8 e 110.10. Pro. 1.7.

[5] II Sam. 7.23. Psa. 46.2 e 145.18. Isa. 55.6.

[6] Pro. 4.23.

[7] Gen. 18.19. cap. 6.7 e 11.19. Psa. 78.5, 6. Eph. 6.4.

[8] Exo. 19.9, 16. Heb. 12.18.

[9] Exo. 19.18. cap. 5.23.

[10] cap. 5.4, 22. ver. 33, 36. Exo. 20.22. I Reis 19.12.

[11] cap. 9.9, 11. Exo. 34.28 e 24.12.

[12] Exo. 21.1, 23.

[13] Jos. 23.11. Isa. 40.18.

[14] Exo. 32.7. ver. 23. Exo. 20.4, 5. cap. 5.8. Rom. 1.23.

[15] cap. 17.3. Job 31.26, 27. Rom. 1.25.

[16] cap. 17.3. Job 31.26, 27.

[17] I Reis 8.51. Jer. 11.4. Exo. 19.5. cap. 9.29 e 32.9.

[18] Num. 20.12. cap. 1.37.

[19] II Ped. 1.13, 14, 15. cap. 3.25, 27.

[20] ver. 9.

[21] ver. 16. Exo. 20.4, 5.

[22] Exo. 24.17. cap. 9.3. Isa. 33.14. Heb. 12.29. cap. 6.15. Isa. 42.8.

[23] ver. 16. II Reis 17.17, etc.

[24] cap. 30.18. Isa. 1.2. Miq. 6.2.

[25] Lev. 26.33. cap. 28.62, 64. Neh. 1.8.

[26] cap. 28.64. I Sam. 26.19. Jer. 16.13. Psa. 115.4 e 135.15. Isa. 44.9 e 46.7.

[27] Lev. 26.39, 40. cap. 30.1. II Chr. 15.4. Neh. 1.9. Isa. 55.6, 7. Jer. 29.12.

[28] Gen. 49.1. cap. 31.29. Jer. 23.20. Ose. 3.5. Joel 2.12.

[29] II Chr. 30.9. Neh. 9.31. Psa. 116.5. Jon. 4.2.

[30] Job 8.8.

[31] Mat. 24.31.

[32] Exo. 24.11 e 33.20. cap. 5.24.

[33] cap. 7.19 e 29.3. Exo. 7.3 e 13.3 e 6.6. cap. 26.8 e 34.12.

[34] cap. 32.39. I Sam. 2.2. Isa. 45.5, 18, 22. Mar. 12.29, 32.

[35] Exo. 19.9, 19 e 20.18, 22 e 24.15.

[36] cap. 10.15. Exo. 13.3, 9, 14.

[37] cap. 7.1 e 9.1, 4, 5.

[38] ver. 35. Jos. 2.11.

[39] Lev. 22.31. cap. 5.16 e 6.3, 18 e 12.25, 28 e 22.7. Eph. 6.3.

[40] Num. 35.6, 14.

[41] cap. 19.4.

[42] Jos. 20.8.

[43] cap. 3.29.

[44] Num. 21.24. cap. 1.4.

[45] Num. 21.35. cap. 3.3, 4.

[46] cap. 2.36 e 3.12.

[47] cap. 3.17.

[179]

A repetição dos dez mandamentos.

5 E chamou Moysés a todo o Israel, e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juizos que hoje vos fallo aos ouvidos: e aprendel-os-heis, e guardal-os-heis, para os fazer.

2 O Senhor nosso Deus [1] fez comnosco concerto em Horeb.

3 Não com nossos paes [2] fez o Senhor este concerto, senão comnosco, todos os que hoje aqui estamos vivos.

4 Cara a cara o Senhor fallou [3] comnosco no monte, do meio do fogo

5 (N’aquelle tempo eu estava em pé [4] entre o Senhor e vós, para vos notificar a palavra do Senhor: porque temestes o fogo, e não subistes ao monte), dizendo:

6 Eu sou o Senhor [5] teu Deus, que te tirei da terra do Egypto, da casa da servidão:

7 Não terás [6] outros deuses diante de mim;

8 Não farás para ti imagem [7] de esculptura, nem similhança alguma do que ha em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas aguas debaixo da terra:

9 Não te encurvarás a ellas, nem as servirás: porque Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade [8] dos paes sobre os filhos, até á terceira e quarta geração d’aquelles que me aborrecem,

10 E faço misericordia [9] em milhares aos que me amam, e guardam os meus mandamentos.

11 Não tomarás [10] o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por innocente ao que tomar o seu nome em vão;

12 Guarda o dia de sabbado, [11] para o sanctificar, como te ordenou o Senhor teu Deus.

13 Seis dias [12] trabalharás, e farás toda a tua obra,

14 Mas o setimo dia é o sabbado do [13] Senhor teu Deus: não farás nenhuma obra n’elle, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas: para que o teu servo e a tua serva descancem como tu:

15 Porque te lembrarás [14] que foste servo na terra do Egypto, e que o Senhor teu Deus te tirou d’ali com mão forte e braço estendido: pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sabbado.

16 Honra a teu pae e a tua [15] mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o Senhor teu Deus.

17 [16] Não matarás.

18 [17] E não adulterarás.

19 [18] E não furtarás.

20 E não dirás falso testemunho contra [19] o teu proximo;

21 E não cobiçarás a [20] mulher do teu proximo: e não desejarás a casa do teu proximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu proximo.

O povo pede a Moysés para receber a lei do Senhor.

22 Estas palavras fallou o Senhor a toda a vossa congregação no monte do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, [21] e nada accrescentou: e as escreveu em duas taboas de pedra, e a mim m’as deu.

23 E succedeu que, [22] ouvindo a voz do meio das trevas, e vendo o monte ardendo em fogo, vos achegastes a mim, todos os Cabeças das vossas tribus, e vossos anciãos;

24 E dissestes: Eis aqui o Senhor vosso Deus nos fez ver a sua gloria e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do [23] meio do fogo: hoje vimos que Deus falla com o homem, e que o homem [24] fica vivo.

25 Agora pois, porque morreriamos? [25] pois este grande fogo nos consumiria: se ainda mais ouvissemos a voz do Senhor nosso Deus, morreriamos.

26 Porque, quem ha de toda a [26] carne, que ouviu a voz do Deus vivente fallando do meio do fogo, como nós, e ficou vivo?

27 Chega-te tu, e ouve tudo o que disser o Senhor nosso Deus: e tu nos dirás tudo o que te disser o Senhor nosso Deus, [27] e o ouviremos, e o faremos.

28 Ouvindo pois o Senhor a voz das[180] vossas palavras, quando me fallaveis a mim, o Senhor me disse: Eu ouvi a voz das palavras d’este povo, que te disseram: em tudo [28] fallaram elles bem.

29 Quem dera que elles tivessem tal coração que me temessem, [29] e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias! para que bem lhes fosse a elles e a seus filhos para sempre.

30 Vae, dize-lhes: Tornae-vos ás vossas tendas.

31 Porém tu está aqui [30] commigo, para que eu a ti te diga todos os mandamentos, e estatutos, e juizos, que tu lhes has de ensinar que façam na terra que eu lhes darei para possuil-a.

32 Olhae pois que façaes como vos mandou o Senhor vosso Deus: [31] não declinareis, nem para a direita nem para a esquerda.

33 Andareis em todo o [32] caminho que vos manda o Senhor vosso Deus, para que vivaes e bem [33] vos succeda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.

[1] Exo. 19.5. cap. 4.23.

[2] Mat. 13.17. Heb. 8.9.

[3] Exo. 19.9, 19 e 20.22. cap. 4.33, 36 e 34.10.

[4] Gal. 3.19. Exo. 19.16 e 20.18 e 24.2.

[5] Exo. 20.2, etc. Lev. 26.1. cap. 6.4. Psa. 81.11.

[6] Exo. 20.3.

[7] Exo. 20.4.

[8] Exo. 34.7.

[9] Jer. 32.18. Dan. 9.4.

[10] Exo. 20.7. Lev. 19.12. Mat. 5.53.

[11] Exo. 20.8.

[12] Exo. 23.12 e 35.2. Eze. 20.12.

[13] Gen. 2.2. Exo. 16.29, 30. Heb. 4.4.

[14] cap. 15.15 e 16.12 e 24.18, 22 e 4.34, 37.

[15] Exo. 20.12. Lev. 19.3. cap. 27.16. Eph. 6.2. Col. 3.20. cap. 4.40.

[16] Exo. 20.13. Mat. 5.21.

[17] Exo. 20.14. Luc. 18.20. Thi. 2.11.

[18] Exo. 20.15. Rom. 13.9.

[19] Exo. 20.16.

[20] Exo. 20.17. Miq. 2.2. Hab. 2.9. Luc. 12.15. Rom. 7.7 e 13.9.

[21] Exo. 24.12 e 31.18.

[22] Exo. 20.18.

[23] Exo. 19.19.

[24] cap. 4.2. Jui. 11.12.

[25] cap. 18.16.

[26] cap. 4.33.

[27] Exo. 20.19.

[28] cap. 18.18.

[29] cap. 32.29. Psa. 81.14. Isa. 48.18. Mat. 23.37. Luc. 19.42. cap. 11.1 e 4.40.

[30] Gal. 3.19.

[31] cap. 17.20 e 28.14. Jos. 1.7 e 23.6. Pro. 4.27.

[32] cap. 10.12. Psa. 119.6. Jer. 7.23. Luc. 1.6.

[33] cap. 4.40.

O fim da lei é obediencia.

6 Estes, pois, são os mandamentos, [1] os estatutos e os juizos que mandou o Senhor vosso Deus para se vos ensinar, para que os fizesseis na terra a que passaes a possuir;

2 Para que temas [2] ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e que teus dias sejam [3] prolongados.

3 Ouve pois, ó Israel, e attenta que os guardes, para que bem te succeda, e muito te multipliques, como te disse o Senhor Deus de teus paes, na [4] terra que mana leite e mel.

4 Ouve, Israel, [5] o Senhor nosso Deus é o unico Senhor.

5 Amarás [6] pois o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.

6 E estas palavras, [7] que hoje te ordeno, estarão no teu coração;

7 E as intimarás [8] a teus filhos, e d’ellas fallarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.

8 Tambem as atarás [9] por signal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.

9 E as escreverás [10] nos umbraes de tua casa, e nas tuas portas.

10 Havendo-te pois o Senhor teu Deus introduzido na terra que jurou a teus paes, Abrahão, Isaac e Jacob, te daria: grandes e boas cidades, que tu [11] não edificaste,

11 E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivaes, que tu não plantaste, [12] e comeres, e te fartares,

12 Guarda-te, e que te não esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egypto, da casa da servidão.

13 O Senhor teu Deus [13] temerás, e a elle servirás, e pelo seu nome jurarás.

14 Não seguireis outros [14] deuses, os deuses dos povos que houver á roda de vós;

15 Porque o Senhor vosso Deus é um Deus zeloso no meio de ti, [15] para que a ira do Senhor teu Deus se não accenda contra ti, e te destrua de sobre a face da terra.

16 Não tentareis [16] o Senhor vosso Deus, como o tentaste em Massah.

17 Diligentemente guardareis [17] os mandamentos do Senhor vosso Deus; como tambem os seus testemunhos, e seus estatutos, que te tem mandado.

18 E farás o recto [18] e o bom aos olhos do Senhor: para que bem te succeda, e entres, e possuas a boa terra, sobre a qual o Senhor jurou a teus paes.

19 Para que lance fóra a todos os teus inimigos [19] de diante de ti, como o Senhor tem dito.

20 Quando teu filho [20] te perguntar pelo tempo adiante, dizendo: Quaes são os testemunhos, e estatutos e juizos que o Senhor nosso Deus vos ordenou?

21 Então dirás a teu filho: Eramos servos de Pharaó no Egypto; [21] porém o Senhor nos tirou com mão forte do Egypto;

22 E o Senhor deu signaes grandes,[181] e nocivas [22] maravilhas no Egypto, a Pharaó e a toda a sua casa, aos nossos olhos;

23 E d’ali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que jurára a nossos paes.

24 E o Senhor nos ordenou que fizessemos todos estes estatutos, para [23] temer ao Senhor nosso Deus, para o nosso perpetuo bem, para nos guardar em vida, como no dia d’hoje.

25 E será para nós [24] justiça, quando tivermos cuidado de fazer todos estes mandamentos perante o Senhor nosso Deus, como nos tem ordenado.

[1] cap. 4.5 e 1.31.

[2] Exo. 20.20. cap. 10.12. Psa. 111.10. Ecc. 12.13.

[3] cap. 4.40. Pro. 3.11.

[4] Gen. 15.5 e 22.17. Exo. 3.8.

[5] Isa. 42.8. Mar. 12.29, 32. João 17.3. I Cor. 8.4, 6.

[6] cap. 10.12. Mat. 22.37. Mar. 12.30. Luc. 10.27. II Reis 23.25.

[7] cap. 11.18 e 32.46. Psa. 37.31 e 119.11, 98. Pro. 3.3. Isa. 51.7.

[8] cap. 4.9 e 11.19. Psa. 78.4. Eph. 6.4.

[9] Exo. 13.9, 16. cap. 11.18. Pro. 6.21 e 7.3.

[10] cap. 11.20. Isa. 57.8.

[11] Jos. 24.13. Psa. 105.44.

[12] cap. 8.10, etc.

[13] cap. 10.12, 20 e 13.4. Mat. 4.10. Luc. 4.8. Psa. 63.12. Isa. 45.22. Jer. 4.2 e 5.7 e 12.16.

[14] cap. 8.19 e 11.28. Jer. 25.6. cap. 13.7.

[15] Exo. 20.5. cap. 4.21 e 7.4 e 11.17.

[16] Mat. 4.7. Luc. 4.12. Exo. 17.2, 7. Num. 29.3.

[17] cap. 11.13, 22.

[18] Exo. 15.26. cap. 12.28 e 13.18.

[19] Num. 33.52, 53.

[20] Exo. 13.14.

[21] Exo. 3.19 e 13.3.

[22] Exo. 7 e 8, 9, 10, 11 e 12. Psa. 135.9.

[23] ver. 2. cap. 10.13. Job 35.7, 8. Jer. 32.39. cap. 4.1 e 8.1. Psa. 41.3. Luc. 10.28.

[24] Lev. 18.5. cap. 24.13. Rom. 10.3, 5.

Ordena-se a destruição dos cananeos e seus idolos.

7 Quando o Senhor teu Deus [1] te tiver introduzido na terra, a qual vaes a possuir, e tiver lançado fóra muitas gentes de diante de ti, os hetheos, [2] e os girgaseos, e os amorrheos, e os cananeos, e os phereseos, e os heveos, e os jebuseos, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que [3] tu;

2 E o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; [4] não farás com ellas concerto, nem terás piedade d’ellas;

3 Nem te aparentarás com ellas: não [5] darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos;

4 Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira [6] do Senhor se accenderia contra vós, e depressa vos consumiria.

5 Porém assim lhes fareis: Derrubareis os seus altares, quebrantareis [7] [HF] as suas estatuas; e cortareis os seus bosques, e queimareis a fogo as suas imagens d’esculptura.

6 Porque povo sancto és ao Senhor teu Deus: [8] o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo proprio, de todos os povos que sobre a terra ha.

7 O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós ereis menos em numero [9] do que todos os povos:

8 Mas porque o Senhor vos amava, e para guardar o juramento que jurára a vossos paes, o [10] Senhor vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Pharaó, rei do Egypto.

9 Saberás pois que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel, [11] que guarda o concerto e a misericordia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos;

10 E dá o pago em sua cara a qualquer dos que o aborrecem, [12] fazendo-o perecer: não dilatará ao que o aborrece; em sua cara lh’o pagará.

11 Guarda pois os mandamentos, e os estatutos e os juizos que hoje te mando fazer.

12 Será [13] pois que, se, ouvindo estes juizos, os guardardes e fizerdes, o Senhor teu Deus te guardará o concerto [14] e a beneficencia que jurou a teus paes,

13 E amar-te-ha, [15] e abençoar-te-ha, e te fará multiplicar, e abençoará o fructo do teu ventre, e o fructo da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vaccas, e o rebanho do teu gado miudo, na terra que jurou a teus paes dar-te.

14 Bemdito serás mais do que todos os povos: nem macho nem femea entre ti haverá esteril, [16] nem entre os teus animaes.

15 E o Senhor de ti desviará toda a enfermidade: sobre ti não porá nenhuma das más [17] doenças dos egypcios, que bem sabes, antes as porá sobre todos os que te aborrecem.

16 Pois consumirás [18] a todos os povos que te der o Senhor teu Deus: o teu olho não os poupará: e [19] não servirás a seus deuses, pois isto te seria por laço.

17 Se disseres no teu coração: Estas gentes são mais numerosas do que eu; como as poderei [20] lançar fóra?

18 D’ellas não tenhas [21] temor: não deixes de te lembrar do que o Senhor[182] teu Deus fez a Pharaó e a todos os egypcios,

19 Das grandes provas [22] a que viram os teus olhos, e dos signaes, e maravilhas, e mão forte, e braço estendido, com que o Senhor teu Deus te tirou: assim fará o Senhor teu Deus com todos os povos, diante dos quaes tu temes.

20 E mais o Senhor teu Deus entre elles mandará [23] vespões, até que pereçam os que ficarem, e se escondam de diante de ti.

21 Não te espantes diante d’elles: porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, [24] Deus grande e terrivel.

22 E o Senhor teu Deus lançará fóra [25] estas gentes pouco a pouco de diante de ti: não poderás destruil-as todas de prompto, para que as feras do campo se não multipliquem contra ti.

23 E o Senhor t’as dará diante de ti, e as fará pasmar com grande pasmo, até que sejam destruidas.

24 Tambem os seus reis [26] te entregará na mão, para que desfaças os seus nomes de debaixo dos céus: nenhum homem parará diante de ti, até que os destruas.

25 As imagens d’esculptura de seus deuses queimarás a fogo; [27] a prata e o oiro que estão sobre ellas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não enlaces n’elles; pois [28] abominação é ao Senhor teu Deus.

26 Não metterás pois abominação em tua casa, para que não sejas anathema, assim como ella: de todo a detestarás, e de todo a abominarás, porque [29] anathema é.

[1] cap. 31.3. Psa. 44.2, 3.

[2] Gen. 15.19, etc. Exo. 33.2.

[3] cap. 4.38 e 9.1.

[4] cap. 23.14. Lev. 27.28. Num. 33.52. Jos. 6.17 e 8.24 e 9.25 e 10.28, 40 e 11.11. Exo. 23.32. Jui. 2.2. Jos. 2.14. Jui. 1.24.

[5] Jos. 23.12. I Reis 11.2. Esd. 9.2.

[6] cap. 6.15.

[7] Exo. 23.24 e 34.13. cap. 12.2.

[8] Exo. 19.6. cap. 14.2 e 26.19. Jer. 2.3. Exo. 19.5. Amós 3.2. II Ped. 2.9.

[9] cap. 10.22.

[10] cap. 10.15. Exo. 32.13. Psa. 105.8. Luc. 1.55, 72, 73. Exo. 13.3, 14.

[11] Isa. 49.7. I Cor. 1.9 e 10.13. II Cor. 1.18. I The. 5.24. II The. 3.3. II Tim. 2.13. Heb. 11.11. I João 1.9. Exo. 20.6. cap. 5.10. Neh. 1.5. Dan. 9.4.

[12] Isa. 59.18. Nah. 1.2. cap. 32.35.

[13] Lev. 26.3. cap. 28.1.

[14] Psa. 105.8. Luc. 1.55, 72, 73.

[15] João 14.21. cap. 28.4.

[16] Exo. 23.26, etc.

[17] Exo. 9.14 e 15.26. cap. 28.27, 60.

[18] ver. 2.

[19] cap. 13.8 e 19.13, 21 e 25.12. Exo. 23.33. cap. 12.30. Jui. 8.27.

[20] Num. 33.53.

[21] cap. 31.6. Psa. 105.5.

[22] cap. 4.34 e 29.3.

[23] Exo. 23.28. Jos. 24.12.

[24] Num. 11.20 e 14.9, 14, 42 e 16.3. Jos. 3.10. cap. 10.17. Neh. 1.5 e 4.14 e 9.32.

[25] Exo. 23.29.

[26] Jos. 10.24, 42 e 12.1, etc. Exo. 17.14. cap. 11.25. Jos. 1.5 e 23.9.

[27] ver. 5. Exo. 32.20. cap. 12.3. I Chr. 14.12. Jos. 7.1, 21.

[28] Jui. 8.27. Sof. 1.3. cap. 17.1.

[29] Lev. 27.28. cap. 13.17. Jos. 6.17, 18 e 7.1.

Exhortação a ter em memoria os benificios do Senhor.

8 Todos os mandamentos [1] que hoje vos ordeno guardareis para os fazer: para que vivaes, e vos multipliqueis, e entreis, e possuaes a terra que o Senhor jurou a vossos paes.

2 E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta annos, [2] para te humilhar, e te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não.

3 E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou [3] com o manná, que tu não conheceste, nem teus paes o conheceram: para te dar a entender que o homem não [4] viverá só de pão, mas que de tudo o que sae da bocca do Senhor viverá o homem.

4 Nunca se envelheceu o teu vestido [5] sobre ti, nem se inchou o teu pé estes quarenta annos.

5 Confessa pois [6] no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o Senhor teu Deus.

6 E guarda os mandamentos do Senhor teu Deus, [7] para o temer, e andar nos seus caminhos.

7 Porque o Senhor teu Deus te mette n’uma boa terra, terra de ribeiros [8] d’aguas, de fontes, e d’abysmos, que saem dos valles e das montanhas;

8 Terra de trigo e cevada, e de vides, e figueiras, e romeiras; terra de oliveiras, abundante de azeite e mel;

9 Terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará n’ella: terra cujas pedras são ferro, [9] e de cujos montes tu cavarás o cobre.

10 Quando pois tiveres [10] comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu.

11 Guarda-te que te esqueças do Senhor teu Deus, não guardando os seus mandamentos, e os seus juizos, e os seus estatutos que hoje te ordeno:

12 Para que, porventura, havendo tu comido [11] e fores farto, e havendo edificado boas casas, e habitando-as,

13 E se tiverem augmentado as tuas vaccas e as tuas ovelhas, e se accrescentar a prata e o oiro, e se multiplicar tudo quanto tens,

14 Se não eleve o teu coração e [12] te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egypto, da casa da servidão;

15 Que te guiou por aquelle grande e terrivel deserto [13] de serpentes ardentes, e d’escorpiões, e de secura, em que não havia agua; [14] e tirou agua para ti da rocha [HG] do seixal;

16 Que no deserto te sustentou com manná, [15] que teus paes não conheceram;[183] para te humilhar, e para te provar, para no teu fim te [16] fazer bem;

17 E digas no teu coração: [17] A minha força, e a fortaleza de meu braço, me adquiriu este poder.

18 Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que elle é o que te dá [18] força para adquirires poder; para confirmar o seu concerto, que jurou a teus paes; como se vê n’este dia.

19 Será porém que, se de qualquer sorte te esqueceres do Senhor teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante elles, hoje eu protesto contra vós que certamente [19] perecereis.

20 Como as gentes que o Senhor destruiu diante de vós, assim [20] vós perecereis: porquanto não querieis obedecer á voz do Senhor vosso Deus.

[1] cap. 4.1 e 5.32, 33 e 6.1, 2, 3.

[2] cap. 1.3 e 2.7 e 29.5. Amós 2.10. Exo. 16.4. cap. 13.3. II Chr. 32.31. João 2.25.

[3] Exo. 16.2, 3, 12, 14, 35.

[4] Psa. 104.29. Mat. 4.4. Luc. 4.4.

[5] cap. 29.5. Neh. 9.21.

[6] II Sam. 7.14. Psa. 89.32. Pro. 3.12. Heb. 12.5. Apo. 3.19.

[7] cap. 5.33.

[8] cap. 11.10, 11, 12.

[9] cap. 33.25.

[10] cap. 6.11.

[11] cap. 28.47 e 32.15. Pro. 30.9. Ose. 13.6.

[12] I Cor. 4.7. Psa. 106.21.

[13] Isa. 63.12, 13, 14. Jer. 2.6. Num. 21.6. Ose. 13.5.

[14] Num. 20.11. Psa. 78.15.

[15] ver. 3. Exo. 16.15.

[16] Jer. 24.5, 6. Heb. 12.11.

[17] cap. 9.4. I Cor. 4.7.

[18] Pro. 10.22. Ose. 2.8. cap. 7.8, 12.

[19] cap. 4.26 e 30.18.

[20] Dan. 9.11.

Moysés lembra aos israelitas as suas murmurações e suas infidelidades.

9 Ouve, ó Israel, hoje passarás [1] o Jordão, para entrar a possuir nações maiores [2] e mais fortes do que tu; cidades grandes, e muradas até aos céus;

2 Um povo grande e alto, filhos de gigantes, [3] que tu conheces, e de que já ouvistes: Quem pararia diante dos filhos dos gigantes?

3 Sabe pois hoje que o Senhor teu Deus, que passa diante de [4] ti, é um fogo que consome, que os destruirá, e os derrubará de diante de ti: e tu os lançarás fóra, [5] e cedo os desfarás, como o Senhor te tem dito.

4 Quando pois o Senhor teu Deus os lançar fóra de diante de ti, [6] não falles no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir: porque pela impiedade d’estas nações é que o Senhor as lança [7] fóra, diante de ti.

5 Não é por causa da tua [8] justiça, nem pela rectidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade d’estas nações o Senhor teu Deus as lança fóra, de diante de ti; e para confirmar a palavra que o Senhor teu Deus [9] jurou a teus paes, Abrahão, Isaac e Jacob.

6 Sabe pois que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá esta boa terra para possuil-a, pois tu és [10] povo obstinado.

7 Lembra-te, e não te esqueças, de que muito provocaste a ira ao Senhor teu Deus no deserto; desde [11] o dia em que saistes do Egypto, até que chegastes a esse logar, rebeldes fostes contra o Senhor;

8 Pois em Horeb [12] tanto provocastes á ira o Senhor, que se accendeu contra vós para vos destruir.

9 Subindo [13] eu ao monte a receber as taboas de pedra, as taboas do concerto que o Senhor fizera comvosco, então fiquei no [14] monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi, e agua não bebi;

10 E o Senhor me deu [15] as duas taboas de pedra, escriptas com o dedo de Deus; e n’ellas tinha escripto conforme a todas aquellas palavras que o Senhor tinha fallado comvosco no monte, do meio do fogo, no [16] dia da congregação.

11 Succedeu pois que ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o Senhor me deu as duas taboas de pedra, as taboas do concerto.

12 E o Senhor me disse: [17] Levanta-te, desce depressa d’aqui, porque o teu povo, que tiraste do Egypto, já se tem corrompido: cedo se desviaram do caminho que eu lhes tinha ordenado: imagem de fundição para si fizeram.

13 Fallou-me mais o Senhor, [18] dizendo: Attentei para este povo, e eis-que elle é povo obstinado:

14 Deixa-me [19] que os destrua, e apague o seu nome de debaixo dos céus: e te faça a ti nação mais poderosa e mais numerosa do que esta.

15 Então virei-me, e desci [20] do monte; e o monte ardia em fogo e as duas taboas do concerto estavam em ambas as minhas mãos.

16 E olhei, [21] e eis-que havieis peccado contra o Senhor vosso Deus; vós tinheis feito um bezerro de fundição: cedo vos desviastes do caminho que o Senhor vos ordenara.

17 Então peguei das duas taboas, e as arrojei d’ambas as minhas mãos, e as quebrei aos vossos olhos.

18 E me lancei perante o [22] Senhor; como d’antes, quarenta dias e quarenta noites não comi pão e não bebi agua,[184] por causa de todo o vosso peccado que havieis peccado, fazendo mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira.

19 Porque temi [23] por causa da ira e do furor, com que o Senhor tanto estava irado contra vós, para [24] vos destruir: porém ainda por esta vez o Senhor me ouviu.

20 Tambem o Senhor se irou muito contra Aarão para o destruir; mas tambem orei por Aarão ao mesmo tempo.

21 Porém eu tomei o [25] vosso peccado, o bezerro que tinheis feito, e o queimei a fogo, e o pisei, moendo-o bem, até que se desfez em pó: e o seu pó lancei no ribeiro que descia do monte.

22 Tambem em Taberah, e em Massah, e em Quibroth-hattaava provocastes [26] muito a ira do Senhor.

23 Quando tambem [27] o Senhor vos enviou desde Cades-barnea, dizendo: Subi, e possui a terra, que vos tenho dado: rebeldes fostes ao mandado do Senhor vosso Deus, e não o crestes, [28] e não obedecestes á sua voz.

24 Rebeldes fostes [29] contra o Senhor desde o dia em que vos conheci.

25 E prostrei-me [30] perante o Senhor aquelles quarenta dias e quarenta noites em que estava prostrado; porquanto o Senhor dissera que vos queria destruir.

26 E eu orei ao Senhor, [31] dizendo: Senhor Deus, não destruas o teu povo e a tua herança, que resgataste com a tua grandeza, que tiraste do Egypto com mão forte.

27 Lembra-te dos teus servos, Abrahão, Isaac, e Jacob: não attentes para a dureza d’este povo, nem para a sua impiedade, nem para o seu peccado:

28 Para que o povo da terra d’onde nos tiraste não diga: [32] Porquanto o Senhor os não pode introduzir na terra de que lhes tinha fallado, e porque os aborrecia, os tirou para os matar no deserto:

29 Todavia são elles o [33] teu povo e a tua herança, que tu tiraste com a tua grande força e com o teu braço estendido.

[1] cap. 11.31. Jos. 3.16 e 4.19.

[2] cap. 4.38 e 7.1 e 11.23 e 1.28.

[3] Num. 13.22, 28, 32.

[4] cap. 31.3. Jos. 3.11. cap. 4.24. Heb. 12.29. cap. 7.23.

[5] Exo. 23.31. cap. 7.24.

[6] cap. 8.17. Rom. 11.6, 20. I Cor. 4.4, 7.

[7] Gen. 15.16. Lev. 18.24. cap. 18.12.

[8] Tito 3.5.

[9] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.7 e 17.8 e 26.4 e 28.13.

[10] ver. 13. Exo. 32.9 e 33.3 e 34.9.

[11] Exo. 14.11 e 16.2 e 17.2. Num. 11.4 e 20.2 e 25.2. cap. 31.27.

[12] Exo. 32.4. Psa. 106.19.

[13] Exo. 24.12, 15.

[14] Exo. 24.18 e 34.28.

[15] Exo. 31.18.

[16] Exo. 19.17 e 20.1. cap. 4.10 e 10.4 e 18.16.

[17] Exo. 32.7. cap. 31.29. Jui. 2.17.

[18] Exo. 32.9. cap. 10.16 e 31.27. II Reis 17.14.

[19] Exo. 32.10. cap. 29.20. Psa. 9.6 e 109.13. Num. 14.12.

[20] Exo. 32.15. cap. 4.11 e 5.23.

[21] Exo. 32.19.

[22] Exo. 34.28. Psa. 106.23.

[23] Exo. 32.10.

[24] Exo. 32.14 e 33.17. cap. 10.10. Psa. 106.23.

[25] Exo. 32.20. Isa. 31.7.

[26] Num. 11.1, 3, 5. Exo. 17.7. Num. 11.4, 34.

[27] Num. 13.3 e 14.1.

[28] Psa. 106.24.

[29] cap. 31.27.

[30] ver. 18.

[31] Exo. 32.11, etc.

[32] Gen. 41.57. I Sam. 14.25. Exo. 32.12. Num. 14.16.

[33] cap. 4.20. I Reis 8.51. Neh. 1.10. Psa. 95.7.

Moysés falla das segundas taboas da lei.

10 N’aquelle mesmo tempo me disse o Senhor: Alisa [1] duas taboas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim a este monte, e faze-te [2] uma arca de madeira:

2 E n’aquellas taboas escreverei as palavras que estavam nas primeiras taboas que quebraste, [3] e as porás na arca.

3 Assim, fiz uma arca de madeira de [4] sittim, e alisei duas taboas de pedra, como as primeiras: e subi ao monte com as duas taboas na minha mão.

4 Então escreveu [5] nas taboas, conforme á primeira escriptura, os dez mandamentos, que o Senhor vos fallara no dia da congregação, no monte, do meio do fogo: e o Senhor m’as deu a mim.

5 E virei-me, e desci do [6] monte, e puz as taboas na arca que fizera: e ali estão, como o Senhor [7] me ordenou.

6 E partiram os filhos de Israel de Beeroth-Bene-jaakan a Mosera: [8] ali falleceu Aarão, e ali foi sepultado, e Eleazar, seu filho, administrou o sacerdocio em seu logar.

7 D’ali partiram [9] a Gudgod, e de Gudgod a Jotbath, terra de ribeiros de aguas.

Da vocação da tribu de Levi.

8 No mesmo tempo o Senhor separou [10] a tribu de Levi, para levar a arca do concerto do Senhor, [11] para estar diante do Senhor, para o servir, e para abençoar em seu nome até ao dia de hoje.

9 Pelo que Levi [12] com seus irmãos não tem parte na herança: o Senhor é a sua herança, como o Senhor teu Deus lhe tem dito.

10 E eu estive no monte, [13] como nos dias primeiros, quarenta dias e quarenta noites: e o Senhor me ouviu ainda por esta vez: não quiz o Senhor destruir-te.

11 Porém o Senhor me disse: [14] Levanta-te, põe-te a caminho diante do povo, para que entrem, e possuam a terra que jurei a seus paes dar-lhes.

Exhortação á obediencia.

12 Agora, pois, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão [15] que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,

13 Para guardar os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que hoje te ordeno, [16] para o teu bem?

[185]

14 Eis que [17] os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, [18] a terra e tudo o que n’ella ha.

15 Tão sómente o Senhor tomou prazer em teus paes para os amar: [19] e a vós, semente d’elles, escolheu depois d’elles, de todos os povos, como n’este dia se vê.

16 Circumcidae pois o prepucio [20] do vosso coração, e não mais endureçaes a vossa cerviz.

17 Pois o Senhor vosso Deus [21] é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrivel, que não faz accepção de [22] pessoas, nem acceita recompensas:

18 Que faz justiça [23] ao orphão e á viuva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestido.

19 Pelo que amareis [24] o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egypto.

20 Ao Senhor teu Deus [25] temerás, a elle servirás, e a elle te chegarás, e pelo seu nome jurarás.

21 Elle é o teu louvor [26] e o teu Deus, que te fez estas grandes e terriveis coisas que os teus olhos teem visto.

22 Com setenta almas [27] teus paes desceram ao Egypto; e agora o Senhor teu Deus [28] te poz como as estrellas dos céus em multidão.

[1] Exo. 34.1.

[2] Exo. 25.10.

[3] Exo. 25.16, 21.

[4] Exo. 25.5, 10 e 37.1 e 34.4.

[5] Exo. 34.28 e 20.1 e 19.17. cap. 9.10 e 18.16.

[6] Exo. 34.29 e 40.20.

[7] I Reis 8.9.

[8] Num. 33.30 e 34.38.

[9] Num. 33.32, 33.

[10] Num. 3.6 e 4.4 e 8.14 e 16.9 e 4.15.

[11] cap. 18.15. Lev. 9.22. Num. 6.23. cap. 21.5.

[12] Num. 18.20, 24. cap. 18.1, 2. Eze. 44.28.

[13] Exo. 34.28. cap. 9.18, 25. Exo. 32.14, 33, 34 e 33.17. cap. 9.19.

[14] Exo. 32.34 e 33.1.

[15] Miq. 6.8. cap. 6.13 e 5.33 e 6.5 e 11.13 e 30.16, 20. Mat. 22.37.

[16] cap. 6.24.

[17] I Reis 8.27. Psa. 149.4.

[18] Gen. 14.19. Exo. 19.5. Psa. 24.1.

[19] cap. 4.37.

[20] Lev. 26.41. cap. 30.6. Jer. 4.4. Rom. 2.28. Col. 2.11. cap. 9.6.

[21] Jos. 22.22. Dan. 2.47 e 11.36. Apo. 17.14 e 19.16. cap. 7.21.

[22] II Chr. 19.7. Job 34.19. Act. 10.34. Rom. 2.11. Gal. 2.6. Eph. 6.9. Col. 3.25. I Ped. 1.17.

[23] Psa. 146.9.

[24] Lev. 19.33.

[25] cap. 6.13. Mat. 4.10. Luc. 4.8. cap. 11.22 e 13.4.

[26] Exo. 15.2. Jer. 17.14. I Sam. 12.24. II Sam. 7.23. Psa. 106.21.

[27] Gen. 46.27. Exo. 1.5. Act. 7.14.

[28] cap. 1.10 e 28.62. Gen. 15.5.

11 Amarás pois [1] ao Senhor teu Deus, e guardarás a sua observancia, e os seus estatutos, e os seus juizos, e os seus mandamentos, todos os dias.

2 E hoje sabereis que fallo, não com vossos filhos, que o não sabem, e não viram a instrucção [2] do Senhor vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão forte, e o seu braço estendido;

3 Nem tão pouco os seus signaes, nem os seus feitos, [3] que fez no meio do Egypto a Pharaó, rei do Egypto, e a toda a sua terra;

4 Nem o que fez ao exercito dos egypcios, aos seus cavallos e aos seus carros, fazendo passar sobre elles as aguas [4] do Mar Vermelho quando vos perseguiam: e o Senhor os destruiu até ao dia de hoje;

5 Nem o que vos fez no deserto, até que chegastes a este logar;

6 E o que fez a Dathan [5] e a Abiram, filhos de Eliab, filho de Ruben: como a terra abriu a sua bocca e os tragou com as suas casas e com as suas tendas, como tambem tudo o que subsistia, e lhes pertencia, no meio de todo o Israel:

7 Porquanto os [6] vossos olhos são os que viram toda a grande obra que fez o Senhor.

8 Guardae pois todos os mandamentos que eu vos ordeno [7] hoje, para que vos esforceis, e entreis, e possuaes a terra que passaes a possuir;

9 E para que prolongueis os dias na terra [8] que o Senhor jurou a vossos paes dal-a a elles e á sua semente, terra que mana leite e mel.

10 Porque a terra que entras a possuir não é como a terra do Egypto, d’onde saistes, [9] em que semeavas a tua semente, e a regavas com o teu pé, como a uma horta.

11 Mas [10] a terra que passaes a possuir é terra de montes e de valles: da chuva dos céus beberá as aguas:

12 Terra de que o Senhor teu Deus tem cuidado: [11] os olhos do Senhor teu Deus estão sobre ella continuamente, desde o principio até ao fim do anno.

Os beneficios da obediencia.

13 E será que, se [12] diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje te ordeno, de amar ao Senhor teu Deus, e de o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma,

14 Então darei a chuva da vossa terra [13] a seu tempo, a temporã e a serodia, para que recolhas o teu grão, e o teu mosto e o teu azeite.

15 E darei herva no teu campo [14] ás tuas bestas, e comerás, e fartar-te-has.

16 Guardae-vos, que o vosso coração não se [15] engane, e vos desvieis, e sirvaes a outros deuses, e vos inclineis perante elles:

17 E a ira [16] do Senhor se accenda contra vós, e feche elle os céus, e não haja agua, e a terra não dê a sua novidade,[186] e cedo pereçaes [17] da boa terra que o Senhor vos dá.

18 Ponde [18] pois estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atae-as por signal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos,

19 E ensinae-as [19] a vossos filhos, fallando d’ellas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te;

20 E escreve-as [20] nos umbraes de tua casa, e nas tuas portas:

21 Para que se multipliquem os vossos dias [21] e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos paes dar-lhes, como os dias [22] dos céus sobre a terra.

22 Porque, se diligentemente guardardes todos estes mandamentos [23] que vos ordeno para os guardardes, amando ao Senhor vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, [24] e a elle vos achegardes,

23 Tambem o Senhor de diante de vós lançará [25] fóra todas estas nações, e possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós.

24 Todo o logar [26] que pisar a planta do vosso pé será vosso: desde o deserto, e [27] desde o Libano, desde o rio, o rio Euphrates, até ao mar occidental, será o vosso termo.

25 Ninguem parará diante de vós: o [28] Senhor vosso Deus porá sobre toda a terra que pisardes o vosso terror e o vosso temor, como já vos tem dito.

A benção e a maldição.

26 Eis que [29] hoje eu ponho diante de vós a benção e a maldição:

27 A benção, [30] quando ouvirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos mando;

28 Porém a maldição, [31] se não ouvirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.

29 E será que, havendo-te o Senhor teu Deus introduzido na terra, a que vaes para possuil-a, então pronunciarás a benção [32] sobre o monte de Gerizim, e a maldição sobre o monte d’Ebal.

30 Porventura não estão elles d’aquem do Jordão, junto ao caminho do pôr do sol, na terra dos cananeos, que habitam na campina defronte do Gilgal, [33] junto aos carvalhaes de Moreh?

31 Porque passareis [34] o Jordão para entrardes a possuir a terra, que vos dá o Senhor vosso Deus: e a possuireis, e n’ella habitareis.

32 Tende pois cuidado em [35] fazer todos os estatutos e os juizos, que eu hoje vos proponho.

[1] cap. 10.12 e 30.16, 20. Zac. 3.7.

[2] cap. 8.5 e 5.24 e 7.19.

[3] Psa. 73.12.

[4] Exo. 14.27, 28 e 15.9. Psa. 106.11.

[5] Num. 16.1, 31 e 27.3. Psa. 106.17.

[6] cap. 5.3 e 7.19.

[7] Jos. 1.6, 7.

[8] cap. 4.40 e 5.16. Pro. 10.27. cap. 9.5. Exo. 3.8.

[9] Zac. 14.18.

[10] cap. 8.7.

[11] I Reis 9.3.

[12] ver. 22. cap. 6.17 e 10.12.

[13] Lev. 26.4. cap. 28.12. Joel 2.23. Thi. 5.7.

[14] Psa. 104.14. cap. 6.11. Joel 2.19.

[15] cap. 29.18. Job 31.27. cap. 8.19 e 30.17.

[16] cap. 6.15. I Reis 8.35. II Chr. 6.26 e 7.13.

[17] cap. 4.26 e 8.19, 20 e 30.18. Jos. 23.13, 15, 16.

[18] cap. 6.6 e 32.46.

[19] cap. 4.9, 10 e 6.7.

[20] cap. 6.9.

[21] cap. 4.40. Pro. 3.2 e 4.10.

[22] Psa. 72.5 e 89.30.

[23] ver. 13. cap. 6.17.

[24] cap. 10.20 e 30.20.

[25] cap. 4.38 e 9.1, 5.

[26] Jos. 1.3 e 14.9.

[27] Gen. 15.18. Exo. 23.31. Num. 34.3, etc.

[28] cap. 7.24 e 2.25. Exo. 23.27.

[29] cap. 30.1, 15, 19.

[30] cap. 28.2.

[31] cap. 28.15.

[32] cap. 27.12. Jos. 8.33.

[33] Gen. 12.6. Jui. 7.11.

[34] cap. 9.1.

[35] cap. 5.32 e 12.32.

O unico logar de culto é o escolhido pelo Senhor.

12 Estes são os estatutos [1] e os juizos que tereis cuidado em fazer na terra que vos deu o Senhor Deus de vossos paes, para a possuir todos [2] os dias que viverdes sobre a terra.

2 Totalmente destruireis todos os logares, [3] onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, [4] sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda a arvore verde;

3 E derribareis os seus altares, e [5] quebrareis as [HH] suas estatuas, e os seus bosques queimareis a fogo, e talhareis as imagens esculpidas dos seus deuses, e apagareis o seu nome d’aquelle logar.

4 Assim não fareis [6] ao Senhor vosso Deus;

5 Mas o logar que o Senhor vosso Deus escolher [7] de todas as vossas tribus, para ali pôr o seu nome, buscareis para sua habitação, e ali vireis.

6 E ali trareis os vossos holocaustos, e os [8] vossos sacrificios, e os vossos dizimos, e a offerta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas offertas voluntarias, e os primogenitos das vossas vaccas e das vossas ovelhas.

7 E ali comereis [9] perante o Senhor vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que poreis a vossa mão, vós e as vossas casas, no que te abençoar o Senhor teu Deus.

8 Não fareis conforme a tudo o que hoje fazemos aqui, [10] cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos.

9 Porque até agora não entrastes no descanço e na herança que vos dá o Senhor vosso Deus.

10 Mas passareis o Jordão, [11] e habitareis[187] na terra que vos fará herdar o Senhor vosso Deus: e vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros.

11 Então haverá um logar [12] que escolherá o Senhor vosso Deus para ali fazer habitar o seu nome; ali trareis tudo o que vos ordeno; os vossos holocaustos, e os vossos sacrificios, e os vossos dizimos, e a offerta alçada da vossa mão, e toda a escolha dos vossos votos que votardes ao Senhor.

12 E vos alegrareis [13] perante o Senhor vosso Deus, vós, e vossos filhos, e vossas filhas, e os vossos servos, e as vossas servas, e o levita que está dentro das vossas portas; pois comvosco não tem parte nem [14] herança.

13 Guarda-te, que não offereças [15] os teus holocaustos em todo o logar que vires;

14 Mas no logar [16] que o Senhor escolher n’uma das tuas tribus ali offerecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que te ordeno.

15 Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, degolarás [17] e comerás carne segundo a benção do Senhor teu Deus, que te dá em todas as tuas portas: o immundo [18] e o limpo d’ella comerá; como do corço e do veado:

16 Tão sómente [19] o sangue não comereis: sobre a terra o derramareis como agua.

17 Nas tuas portas não poderás comer o dizimo do teu grão, nem do teu mosto, nem do teu azeite, nem as primogenituras das tuas vaccas, nem das tuas ovelhas; nem nenhum dos teus votos, que houveres votado, nem as tuas offertas voluntarias, nem a offerta alçada da tua mão;

18 Mas o comerás [20] perante o Senhor teu Deus, no logar que escolher o Senhor teu Deus, tu, e teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas: e perante o Senhor teu Deus te alegrarás em tudo em que pozeres a tua mão.

19 Guarda-te, [21] que não desampares ao levita todos os teus dias na terra.

20 Quando o Senhor teu Deus dilatar os teus termos como te disse, e disseres: [22] Comerei carne; porquanto a tua alma tem desejo de comer carne; conforme a todo o desejo da tua alma, comerás carne.

21 Se estiver longe de ti o logar que o Senhor teu Deus escolher para ali pôr o seu nome, então degolarás das tuas vaccas e tuas ovelhas, que o Senhor te tiver dado, como te tenho ordenado; e comerás dentro das tuas portas, conforme a todo o desejo da tua alma.

22 Porém, como se come o corço e o veado, [23] assim comerás: o immundo e o limpo juntamente comerão d’elles.

23 Sómente esforça-te para que não comas o sangue: [24] pois o sangue é a vida: pelo que não comerás a vida com a carne:

24 Não o comerás: na terra o derramarás como agua.

25 Não o comerás; [25] para que bem te succeda a ti, e a teus filhos, depois de ti, quando fizeres o que fôr recto aos olhos do Senhor.

26 Porém as tuas coisas [26] sanctas que tiveres, e os teus votos tomarás, e virás ao logar que o Senhor escolher.

27 E offerecerás [27] os teus holocaustos, a carne e o sangue sobre o altar do Senhor teu Deus; e o sangue dos teus sacrificios se derramará sobre o altar do Senhor teu Deus; porém a carne comerás.

28 Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te succeda a ti [28] e a teus filhos depois de ti para sempre, quando fizeres o que fôr bom e recto aos olhos do Senhor teu Deus.

29 Quando o Senhor teu Deus desarraigar [29] de diante de ti as nações, aonde vaes a possuil-as e as possuires e habitares na sua terra,

30 Guarda-te, [30] que te não enlaces após ellas, depois que forem destruidas diante de ti; e que não perguntes ácêrca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo tambem farei eu.

31 Assim não farás [31] ao Senhor teu Deus: porque tudo o que é abominavel ao Senhor, o que aborrece, [32] fizeram elles a seus deuses: pois até seus filhos e suas filhas queimaram com fogo aos seus deuses.

32 Tudo o que eu vos ordeno, observareis para fazer; [33] nada lhe diminuirás.

[1] cap. 6.1.

[2] cap. 4.10. I Reis 8.40.

[3] Exo. 34.13. cap. 7.5.

[4] II Reis 16.4 e 17.10. Jer. 3.6.

[5] Num. 33.52. Jui. 2.2.

[6] ver. 31.

[7] ver. 11. cap. 26.2. Jos. 9.27. I Reis 8.29. II Chr. 7.12. Psa. 78.68.

[8] Lev. 17.3. ver. 17. cap. 14.22, 23 e 15.19.

[9] cap. 14.26. ver. 12, 18. Lev. 23.30. cap. 16.11, 14, 15 e 26.11 e 27.7.

[10] Jui. 17.6 e 21.25.

[11] cap. 11.31.

[12] ver. 5, 14, 18, 21, 26. cap. 14.23 e 15.20 e 16.2 e 17.8 e 18.6 e 23.16 e 31.11. Jos. 18.1. I Reis 8.29. Psa. 78.68.

[13] ver. 7.

[14] cap. 10.9 e 14.29.

[15] Lev. 17.4.

[16] ver. 11.

[17] ver. 21.

[18] ver. 22. cap. 14.5 e 15.22.

[19] Gen. 9.4. Lev. 7.26 e 17.1. cap. 5.23. ver. 1, 24.

[20] ver. 11, 22. cap. 14.23.

[21] cap. 14.27.

[22] Gen. 15.18 e 28.14. Exo. 34.24. cap. 11.24 e 19.8.

[23] ver. 15.

[24] ver. 16. Gen. 9.4. Lev. 17.11, 14.

[25] cap. 4.40. Isa. 3.10. Exo. 15.26. cap. 13.18. I Reis 11.38.

[26] Num. 5.9, 10 e 18.19. I Sam. 1.21, 22, 24.

[27] Lev. 1.5, 9, 13 e 17.11.

[28] ver. 25.

[29] Exo. 23.23. cap. 19.1. Jos. 23.4.

[30] cap. 7.16.

[31] ver. 4. Lev. 18.3, 26, 30. II Reis 17.15.

[32] Lev. 18.21 e 20.2. cap. 18.10. Jer. 33.33. Eze. 23.37.

[33] cap. 4.2 e 13.18. Jos. 1.7. Pro. 30.6. Apo. 22.18.

[188]

O castigo dos falsos prophetas e dos idolatras.

13 Quando propheta ou sonhador de sonhos se levantar [1] no meio de ti, e te dér um signal ou prodigio,

2 E succeder o tal [2] signal ou prodigio, de que te houver fallado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamol-os;

3 Não ouvirás as palavras d’aquelle propheta ou sonhador de sonhos: porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, [3] para saber se amaes o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.

4 Após o Senhor vosso Deus [4] andareis, e a elle temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a elle servireis, e a elle vos achegareis.

5 E aquelle propheta [5] ou sonhador de sonhos morrerá, pois fallou rebeldia contra o Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egypto, e vos resgatou da casa da servidão, para te empuxar do caminho que te ordenou o Senhor teu Deus, para andares n’elle: assim [6] tirarás o mal do meio de ti.

6 Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, [7] ou teu amigo, que te é como a tua alma, dizendo-te em segredo: Vamos, e sirvamos a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus paes;

7 D’entre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até á outra extremidade;

8 Não consentirás com elle, nem o ouvirás; [8] nem o teu olho o poupará, nem terás piedade d’elle, nem o esconderás;

9 Mas certamente o matarás; [9] a tua mão será a primeira contra elle, para o matar; e depois a mão de todo o povo.

10 E com pedras o apedrejarás, até que morra, pois te procurou empuxar do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egypto, da casa da servidão;

11 Para que todo o Israel o ouça e o tema, [10] e não torne a fazer segundo esta coisa má no meio de ti.

12 Quando ouvires dizer de alguma [11] das tuas cidades que o Senhor teu Deus te dá, para ali habitar;

13 Uns homens, filhos de Belial, sairam [12] do meio de ti, que incitaram os moradores da sua cidade, dizendo: Vamos, [13] e sirvamos a outros deuses que não conhecestes;

14 Então inquirirás e informar-te-has, e com diligencia perguntarás; e eis que, sendo este negocio verdade, e certo que se fez uma tal abominação no meio de ti;

15 Então certamente ferirás ao fio da espada os moradores d’aquella [14] cidade, destruindo ao fio da espada a ella e a tudo o que n’ella houver, até aos animaes.

16 E ajuntarás todo o seu despojo no meio da sua praça; [15] e a cidade e todo o seu despojo queimarás totalmente para o Senhor teu Deus, e será montão perpetuo, nunca mais se edificará.

17 Tambem nada se pegará [16] á tua mão do anathema, para que o Senhor se aparte do ardor da sua ira, e te faça misericordia, [17] e tenha piedade de ti, e te multiplique, como jurou a teus paes;

18 Quando ouvires a voz do Senhor teu Deus, para guardar [18] todos os seus mandamentos, que hoje te ordeno; para fazer o que fôr recto aos olhos do Senhor teu Deus.

[1] Zac. 10.2. Mat. 24.24. II The. 2.9.

[2] cap. 18.22. Jer. 28.9. Mat. 7.22.

[3] cap. 8.2. Mat. 24.24. I Cor. 11. Apo. 13.14.

[4] II Reis 23.3. II Cor. 34.31. cap. 10.20 e 30.20.

[5] cap. 18.20. Jer. 14.15. Zac. 13.3.

[6] cap. 17.7 e 22.21, 22, 24. I Cor. 5.13.

[7] cap. 17.2. Gen. 16.5. cap. 28.54. Pro. 5.20. Miq. 7.5. I Sam. 18.1, 3 e 20.17.

[8] Pro. 1.10.

[9] cap. 17.5, 7. Act. 7.58.

[10] cap. 17.13 e 19.20.

[11] Jos. 22.11, etc. Jui. 20.1, 2.

[12] I João 2.19. Jud. 19. II Reis 17.21.

[13] ver. 2, 6.

[14] Exo. 22.20. Lev. 27.28. Jos. 6.17, 21.

[15] Jos. 6.24 e 8.28. Isa. 17.1 e 25.2. Jer. 49.2.

[16] cap. 7.26. Jos. 6.18.

[17] Jos. 6.26. Gen. 22.17 e 26.4, 24 e 28.14.

[18] cap. 12.25, 28, 32.

Animaes limpos e immundos.

14 Filhos sois do Senhor vosso Deus: [1] não vos dareis golpes, nem poreis calva entre vossos olhos por causa de algum morto.

2 Porque és povo [2] sancto ao Senhor teu Deus: e o Senhor te escolheu, de todos os povos que ha sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo proprio.

3 Nenhuma abominação [3] comereis.

4 Estes são os animaes [4] que comereis: o boi, o gado miudo das ovelhas, e o gado miudo das cabras,

5 O veado, e [HI] a corça, e o bufalo, e a cabra montez, e o teixugo, e o boi silvestre, e o gamo.

[189]

6 Todo o animal que tem unhas fendidas, que tem a unha dividida em duas, que remoe, entre os animaes, aquillo comereis.

7 Porém estes não comereis, dos que sómente remoem, ou que teem a unha fendida: o camelo, e a lebre, e o coelho, porque remoem mas não teem a unha fendida: immundos vos serão.

8 Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não remoe; immundo vos será: não comereis da carne d’estes, [5] e não tocareis no seu cadaver.

9 Isto comereis de tudo o que ha nas aguas: tudo o que tem barbatanas e escamas comereis.

10 Mas tudo o que não tiver barbatanas nem escamas não o comereis: immundo vos será.

11 Toda a ave limpa comereis.

12 Porém estas são as de que não comereis: [6] a aguia, e o quebrantosso, e o xofrango,

13 E o abutre, e a pêga, e o milhano, segundo a sua especie,

14 E todo o corvo, segundo a sua especie,

15 E o abestruz, e o mocho, e o cuco, e o gavião, segundo a sua especie,

16 E o bufo, e a coruja, e a gralha.

17 E o cysne, e o pelicano, e o corvo marinho,

18 E a cegonha, e a garça, segundo a sua especie, e a poupa, e o morcego.

19 Tambem todo o reptil que [7] vôa, vos será immundo: não se comerá.

20 Toda a ave limpa comereis.

21 Não comereis [8] nenhum animal morto; ao estrangeiro, que está dentro das tuas portas, o darás a comer, ou o venderás ao estranho, porquanto és povo sancto [9] ao Senhor teu Deus. Não cozerás [10] o cabrito com o leite da sua mãe.

Os dizimos para o serviço do Senhor.

22 Certamente [11] darás os dizimos de toda a novidade da tua semente, que cada anno se recolher do campo.

23 E, perante o Senhor teu Deus, no logar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, [12] comereis os dizimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogenitos [13] das tuas vaccas e das tuas ovelhas: para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias.

24 E quando o caminho [14] te fôr tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o logar que escolher o Senhor teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado;

25 Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vae ao logar que escolher o Senhor teu Deus;

26 E aquelle dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vaccas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma: [15] come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa;

27 Porém não desampararás o [16] levita que está dentro dos tuas portas; pois não tem parte nem herança comtigo.

28 Ao fim de tres annos [17] tirarás todos os dizimos da tua novidade no mesmo anno, e os recolherás nas tuas portas:

29 Então virá o levita [18] (pois nem parte nem herança tem comtigo), e o estrangeiro, e o orphão, e a viuva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-hão: para que o Senhor teu Deus te abençoe [19] em toda a obra das tuas mãos, que fizeres.

[1] Rom. 8.16 e 9.8, 26. Gal. 3.26. Lev. 19.28 e 21.5. Jer. 16.6 e 41.5 e 47.5. I The. 4.13.

[2] Lev. 20.26. cap. 7.6 e 26.18, 19.

[3] Eze. 4.14. Act. 10.13.

[4] Lev. 11.2, etc.

[5] Lev. 11.26, 27 e 11.9.

[6] Lev. 11.13.

[7] Lev. 11.20, 21.

[8] Lev. 17.15 e 22.8. Eze. 4.14.

[9] ver. 2.

[10] Exo. 23.19 e 34.26.

[11] Lev. 27.30. cap. 12.6, 17. Neh. 10.37.

[12] cap. 12.5, 6, 7, 17, 18.

[13] cap. 15.19.

[14] cap. 12.21.

[15] cap. 12.7, 18 e 26.11.

[16] cap. 12.12, 18, 19. Num. 18.20. cap. 18.1, 2.

[17] cap. 26.12. Amós 4.4.

[18] cap. 26.12. ver. 27. cap. 12.12.

[19] cap. 15.10. Pro. 3.9. Mal. 3.10.

O anno da remissão.

15 Ao fim dos sete [1] annos farás remissão.

2 Este pois é o modo da remissão: que todo o credor, que emprestou ao seu proximo uma coisa, permittirá: não a exigirá do seu proximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada.

3 Do estranho [2] a exigirás; mas o que tiveres em poder de teu irmão a tua mão o permittirá:

4 Sómente para que entre ti não haja pobre: [3] pois o Senhor abundantemente te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dará por herança, para possuil-a.

5 Se sómente [4] ouvires diligentemente a voz do Senhor teu Deus para cuidares em fazer todos estes mandamentos que hoje te ordeno:

6 Porque o Senhor teu Deus te abençoará, como te tem dito: assim, emprestarás a muitas nações, mas não tomarás emprestimos: [5] e dominarás sobre muitas nações, mas ellas não dominarão sobre ti.

7 Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na tua terra [6] que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que fôr pobre;

[190]

8 Antes lhe abrirás [7] de todo a tua mão, e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.

9 Guarda-te, que não haja [HJ] palavra de Belial no teu coração, dizendo: Vae-se approximando o setimo anno, o anno da remissão: e que o teu olho seja maligno para com teu [8] irmão pobre, e não lhe dês nada; e que elle clame contra ti ao Senhor, e que haja em ti peccado.

10 Livremente lhe darás e que o teu coração não seja maligno, [9] quando lhe déres: pois por esta causa te abençoará [10] o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que pozeres a tua mão.

11 Pois nunca cessará o [11] pobre do meio da terra: pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra.

12 Quando teu irmão [12] hebreo ou irmã hebrea se vender a ti, seis annos te servirá, mas no setimo anno o despedirás forro de ti.

13 E, quando o despedires de ti forro, não o despedirás vazio.

14 Liberalmente o fornecerás do teu rebanho, e da tua eira, e do teu lagar: d’aquillo com que o Senhor teu Deus te tiver [13] abençoado lhe darás.

15 E lembrar-te-has [14] de que foste servo na terra do Egypto, e de que o Senhor teu Deus te resgatou: pelo que te ordeno hoje esta coisa.

16 Porém será que, dizendo-te elle: [15] Não sairei de ti; porquanto te ama a ti e a tua casa, por estar bem comtigo;

17 Então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha, á porta, e teu servo será para sempre: e tambem assim farás á tua serva.

18 Não seja aos teus olhos coisa dura, quando o despedires forro de ti; pois seis annos [16] te serviu em dobro do salario do jornaleiro: assim o Senhor teu Deus te abençoará em tudo o que fizeres.

19 Todo o primogenito que nascer entre as tuas vaccas e entre as tuas ovelhas, o macho [17] sanctificarás ao Senhor teu Deus: com primogenito do teu boi não trabalharás, nem tosquiarás o primogenito das tuas ovelhas.

20 Perante o Senhor teu Deus os comerás [18] de anno em anno, no logar que o Senhor escolher, tu e a tua casa.

21 Porém, havendo [19] n’elle algum defeito, se fôr coxo, ou cego, ou tiver qualquer defeito, não o sacrificarás ao Senhor teu Deus.

22 Nas tuas portas o comerás: o [20] immundo e o limpo o comerão juntamente, como da corça ou do veado.

23 Sómente o seu sangue não comerás: [21] sobre a terra o derramarás como agua.

[1] Exo. 21.2 e 23.10, 11. Lev. 25.2, 4. cap. 31.10. Jer. 34.14.

[2] cap. 23.20.

[3] cap. 28.8.

[4] cap. 28.1.

[5] cap. 28.12, 13, 44. Pro. 22.7.

[6] I João 3.17.

[7] Lev. 25.35. Mat. 5.42. Luc. 6.34, 35.

[8] cap. 28.54, 56. Pro. 23.6 e 28.22. Mat. 20.15. cap. 24.15. Mat. 25.41.

[9] II Cor. 9.5, 7.

[10] cap. 14.29 e 24.19. Psa. 41.2. Pro. 22.9.

[11] Mat. 26.1. Mar. 14.7. João 12.8.

[12] Exo. 21.2. Lev. 25.39. Jer. 34.14.

[13] Pro. 10.22.

[14] cap. 5.15 e 16.12.

[15] Exo. 21.5.

[16] Isa. 16.14 e 21.16.

[17] Exo. 13.2 e 34.19. Lev. 27.26. Num. 3.13.

[18] cap. 12.5, 6, 7, 17 e 14.23 e 16.11, 14.

[19] Lev. 22.20. cap. 17.1.

[20] cap. 12.15, 22.

[21] cap. 12.16, 23.

As tres festas da paschoa, de pentecostes e dos tabernaculos.

16 Guarda o mez d’Abib, e celebra a paschoa [1] ao Senhor teu Deus: porque no mez d’Abib o Senhor teu Deus te tirou do Egypto, de noite.

2 Então sacrificarás a paschoa ao Senhor teu Deus, ovelhas [2] e vaccas, no logar que o Senhor escolher para ali fazer habitar o seu nome.

3 N’ella não comerás [3] levedado: sete dias n’ella comerás pães asmos, pão d’afflicção (porquanto apressadamente saiste da terra do Egypto), para que te lembres do dia da tua saida da terra do Egypto, todos os dias da tua vida.

4 Levedado não apparecerá comtigo por sete dias em todos os teus [4] termos: tambem da carne que matares á tarde, no primeiro dia, nada ficará até á manhã.

5 Não poderás sacrificar a paschoa em nenhuma das tuas portas que te dá o Senhor teu Deus;

6 Senão no logar que escolher o Senhor teu Deus, para fazer habitar o seu nome, ali sacrificarás a paschoa á tarde, [5] ao pôr do sol, ao tempo determinado da tua saida do Egypto.

7 Então a cozerás, [6] e comerás no logar que escolher o Senhor teu Deus; depois virás pela manhã, e irás ás tuas tendas.

8 Seis dias comerás pães asmos [7] e no setimo dia é solemnidade ao Senhor teu Deus: nenhuma obra farás.

9 Sete semanas [8] contarás; desde que a foice começar na seara começarás a contar as sete semanas.

10 Depois celebrarás a festa das semanas[191] ao Senhor teu Deus; o que déres será tributo voluntario da tua mão, [9] segundo o Senhor teu Deus te tiver abençoado.

11 E te alegrarás [10] perante o Senhor teu Deus, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas, e o estrangeiro, e o orphão, e a viuva, que estão no meio de ti, no logar que escolher o Senhor teu Deus para ali fazer habitar o seu nome.

12 E lembrar-te-has de [11] que foste servo no Egypto: e guardarás estes estatutos, e os farás.

13 A festa [12] dos tabernaculos guardarás sete dias, quando colheres da tua eira e do teu lagar.

14 E na tua festa [13] te alegrarás, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o orphão, e a viuva, que estão das tuas portas para dentro.

15 Sete dias celebrarás [14] a festa ao Senhor teu Deus, no logar que o Senhor escolher: porque o Senhor teu Deus te ha de abençoar em toda a tua colheita, e em toda a obra das tuas mãos; pelo que te alegrarás certamente.

16 Tres vezes [15] no anno todo o macho entre ti apparecerá perante o Senhor teu Deus, no logar que escolher, na festa dos pães asmos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernaculos; porém não apparecerá [16] vazio perante o Senhor:

17 Cada qual, conforme ao dom da sua mão, conforme [17] á benção do Senhor teu Deus, que te tiver dado.

Deveres dos juizes.

18 Juizes e officiaes [18] porás em todas as tuas portas que o Senhor teu Deus te der entre as tuas tribus, para que julguem o povo com juizo de justiça.

19 Não torcerás o juizo, [19] não farás accepção de pessoas, nem tomarás peitas; porquanto a peita cega os olhos dos sabios, e perverte as palavras dos justos.

20 A justiça, a justiça seguirás; para que vivas, [20] e possuas a terra que te dará o Senhor teu Deus.

21 Não plantarás [21] nenhum bosque d’arvores junto ao altar do Senhor teu Deus, que fizeres para ti,

22 Nem [22] levantarás [HK] estatua, a qual aborrece o Senhor teu Deus.

[1] Exo. 12.2, etc. e 13.4 e 34.18 e 12.29, 42.

[2] Num. 28.19. cap. 12.5, 26.

[3] Exo. 12.15, 19, 39 e 13.3, 6, 7 e 34.18.

[4] Exo. 13.7 e 12.10 e 34.25.

[5] Exo. 12.6.

[6] Exo. 12.8, 9. II Chr. 35.13. II Reis 23.23. João 2.13, 23 e 11.55.

[7] Exo. 12.16 e 13.6. Lev. 23.8.

[8] Exo. 23.16 e 34.22. Lev. 23.15. Num. 28.26. Act. 2.1.

[9] ver. 17. I Cor. 16.2.

[10] ver. 14. cap. 12.7, 12, 18.

[11] cap. 15.15.

[12] Exo. 23.16. Lev. 23.84. Num. 29.12.

[13] Neh. 8.9, etc.

[14] Lev. 23.39, 40.

[15] Exo. 23.14, 17 e 34.23.

[16] Exo. 23.15 e 34.20.

[17] ver. 10.

[18] cap. 1.16. I Chr. 23.4 e 26.29. II Chr. 13.5, 8.

[19] Exo. 23.2, 6. Lev. 19.15. cap. 1.17. Pro. 24.23. Exo. 23.8. Pro. 17.23. Ecc. 7.7.

[20] Eze. 18.5, 9.

[21] Exo. 34.13. I Reis 14.15 e 16.33. II Reis 17.16 e 21.3. II Chr. 33.3.

[22] Lev. 26.1.

O castigo da idolatria.

17 Não sacrificarás [1] ao Senhor teu Deus, boi ou gado miudo em que haja defeito ou alguma coisa má; pois abominação é ao Senhor teu Deus.

2 Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o Senhor teu Deus, se [2] achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do Senhor teu Deus, [3] traspassando o seu concerto,

3 Que se fôr, e servir a outros deuses, e se encurvar a elles, ou ao sol, ou á lua, [4] ou a todo o exercito do céu; o que eu não ordenei;

4 E te fôr [5] denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás: e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel.

5 Então tirarás o homem ou a mulher que fez este maleficio, [6] ás tuas portas, sim, o tal homem ou mulher: e os apedrejarás com pedras, até que morram.

6 Por bocca de duas [7] testemunhas, ou tres testemunhas, será morto o que houver de morrer: por bocca d’uma só testemunha não morrerá.

7 A mão das testemunhas [8] será primeiro contra elle, para matal-o; e depois a mão de todo o povo: assim tirarás o mal do meio de ti.

Consulta dos sacerdotes.

8 Quando alguma coisa te fôr difficultosa [9] em juizo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, em negocios de pendencias nas tuas portas, então te levantarás, e [10] subirás ao logar que escolher o Senhor teu Deus;

9 E virás aos [11] sacerdotes levitas, e ao juiz que houver n’aquelles dias, e inquirirás, e te annunciarão a palavra que fôr do juizo.

10 E farás conforme ao mandado da palavra que te annunciarão do logar que escolher o Senhor; e terás cuidado[192] de fazer conforme a tudo o que te ensinarem.

11 Conforme ao mandado da lei que te ensinarem, e conforme ao juizo que te disserem, farás: da palavra que te annunciarem te não desviarás, nem para a direita nem para a esquerda.

12 O homem pois que se houver soberbamente, [12] não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, o tal homem morrerá: e tirarás [13] o mal de Israel:

13 Para que todo o povo o [14] ouça, e tema, e nunca mais se ensoberbeça.

A eleição e os deveres d’um rei.

14 Quando entrares na terra, que te dá o Senhor teu Deus, e a possuires, e n’ella habitares, e disseres: Porei sobre mim [15] um rei, assim como teem todas as gentes que estão em redor de mim:

15 Porás certamente sobre ti como rei aquelle [16] que escolher o Senhor teu Deus: d’entre teus irmãos porás rei sobre ti: não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos.

16 Porém não multiplicará para si cavallos, [17] nem fará voltar o povo ao Egypto, para multiplicar cavallos; pois o Senhor vos tem dito: [18] Nunca mais voltareis por este caminho.

17 Tão pouco para si multiplicará mulheres, [19] para que o seu coração se não desvie: nem prata nem oiro multiplicará muito para si.

18 Será tambem [20] que, quando se assentar sobre o throno do seu reino, então escreverá para si um traslado d’esta lei n’um livro, [21] do que está diante dos sacerdotes levitas.

19 E o terá comsigo, [22] e n’elle lerá todos os dias da sua vida; para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras d’esta lei, e estes estatutos, para fazel-os;

20 Para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, [23] e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda: para que prolongue os dias no seu reino, elle e seus filhos no meio de Israel.

[1] cap. 15.21. Mal. 1.8, 13, 14.

[2] cap. 13.6.

[3] Jos. 7.11, 15 e 23.16. Jui. 2.20. II Reis 18.12. Ose. 8.1.

[4] cap. 4.19. Job 31.26. Jer. 7.22, 23, 31 e 19.5 e 32.35.

[5] cap. 13.12, 14.

[6] Lev. 24.14, 16. cap. 13.10. Jos. 7.25.

[7] Num. 35.30. cap. 19.15. Mat. 18.16. João 8.17. II Cor. 13.1. II Tim. 5.19. Heb. 10.28.

[8] cap. 13.9. Act. 7.58. cap. 13.5 e 19.19.

[9] II Chr. 19.10. Agg. 2.11. Mal. 2.7. Exo. 21.13, 20, 22, 28 e 22.2. Num. 35.11, 16, 19. cap. 19.4, 10, 11.

[10] cap. 12.5 e 19.17. Psa. 122.5.

[11] Jer. 18.18. cap. 19.17. Eze. 44.24.

[12] Num. 15.30. Esd. 10.8. Ose. 4.4. cap. 18.5, 7.

[13] cap. 13.5.

[14] cap. 13.11 e 19.20.

[15] I Sam. 8.5, 19, 20.

[16] I Sam. 9.15 e 10.24 e 16.12. I Chr. 22.10. Jer. 30.21.

[17] I Reis 4.26 e 10.26, 28. Psa. 20.8. Isa. 31.1. Eze. 17.15.

[18] Num. 14.3. cap. 28.68. Jer. 42.15. Ose. 11.15.

[19] I Reis 11.3, 4.

[20] II Reis 11.12.

[21] cap. 31.9, 26. II Reis 22.8.

[22] Jos. 1.8. Psa. 119.97.

[23] cap. 5.22. I Reis 15.5.

A herança e os direitos dos sacerdotes e dos levitas.

18 Os sacerdotes levitas, toda a [1] tribu de Levi, não terão parte nem herança em Israel: das offertas queimadas do Senhor e da sua herança comerão.

2 Pelo que não terá herança no meio de seus irmãos: o Senhor é a sua herança, como lhe tem dito.

3 Este pois será o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que sacrificarem sacrificio, seja boi ou gado miudo: [2] que dará ao sacerdote a espadoa, e as queixadas, e o bucho.

4 Dar-lhe-has as primicias do teu grão, [3] do teu mosto e do teu azeite, e as primicias da tosquia das tuas ovelhas.

5 Porque o Senhor teu Deus o escolheu [4] de todas as tuas tribus, para que assista a servir no nome do Senhor, elle e seus filhos, todos os dias.

6 E, quando vier um levita de alguma das tuas portas, de todo o Israel, onde habitar, [5] e vier com todo o desejo da sua alma ao logar que o Senhor escolheu,

7 E servir no nome do Senhor seu Deus, como tambem todos [6] os seus irmãos, os levitas, que assistem ali perante o Senhor;

8 Egual porção comerão, [7] além das suas vendas paternas.

As abominações das nações são prohibidas.

9 Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dér, não aprenderás a fazer conforme as [8] abominações d’aquellas nações.

10 Entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo a seu filho [9] ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;

11 Nem encantador [10] de encantamentos, nem quem pergunte a um espirito adivinhante, nem magico, nem quem pergunte aos mortos:

12 Pois todo aquelle que faz tal coisa é abominação ao Senhor; [11] e por estas abominações o Senhor teu Deus as lança fóra de diante d’elle.

13 Perfeito serás, como o Senhor teu Deus.

14 Porque estas nações, que has de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores: porém a ti o Senhor teu Deus não permittiu tal coisa.

A promessa d’um grande propheta.

15 O Senhor teu Deus [12] te despertará[193] um propheta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a elle ouvireis;

16 Conforme a tudo o que pediste ao Senhor teu Deus em Horeb, no dia da congregação, dizendo: [13] Não ouvirei mais a voz do Senhor meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra.

17 Então o Senhor me disse: [14] Bem fallaram n’aquillo que disseram.

18 Eis lhes suscitarei um propheta do meio de seus irmãos, como tu, [15] e porei as minhas palavras na sua bocca, e elle lhes fallará tudo o que eu lhe ordenar.

19 E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, [16] que elle fallar em meu nome, eu o requererei d’elle.

20 Porém [17] o propheta que presumir soberbamente de fallar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não tenho mandado fallar, ou o que fallar em nome [18] de outros deuses, o tal propheta morrerá.

21 E, se disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra que o Senhor não fallou?

22 Quando o tal propheta fallar [19] em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem succeder assim; esta é palavra que o Senhor não fallou: com soberba a fallou o tal propheta: [20] não tenhas temor d’elle.

[1] Num. 18.20 e 8.9.

[2] Lev. 7.30, 34.

[3] Exo. 22.29. Num. 18.12, 24.

[4] Exo. 28.1. Num. 3.10. cap. 10.8 e 17.12.

[5] Num. 35.2, 3. cap. 12.5.

[6] II Chr. 31.2.

[7] II Chr. 31.4. Neh. 12.44, 47.

[8] Lev. 18.26, 27, 30. cap. 12.29, 30, 31.

[9] Lev. 18.21. cap. 12.31. Lev. 19.26, 31 e 20.27. Isa. 8.19.

[10] Lev. 20.27. I Sam. 28.7.

[11] Lev. 18.24. cap. 9.4.

[12] ver. 18. João 1.45. Act. 3.22 e 7.37.

[13] cap. 9.10. Exo. 20.19. Heb. 12.19.

[14] cap. 5.28.

[15] ver. 15. João 1.45. Act. 3.22 e 7.37. Isa. 51.16. João 17.8 e 4.25 e 12.49.

[16] Act. 3.23.

[17] cap. 13.5. Jer. 14.14. Zac. 13.3.

[18] cap. 13.1. Jer. 2.8.

[19] Jer. 28.9. cap. 13.2.

[20] ver. 20.

A quem pertence os privilegios das cidades de refugio.

19 Quando o Senhor teu Deus [1] desarraigar as nações cuja terra te dará o Senhor teu Deus, e tu as possuires, e morares nas suas cidades e nas suas casas;

2 Tres cidades separarás no [2] meio da tua terra que te dará o Senhor teu Deus para a possuir.

3 Preparar-te-has o caminho; e os termos da tua terra, que te fará possuir o Senhor teu Deus, partirás em tres: e isto será para que todo o homicida se acolha ali.

4 E este é o caso tocante ao homicida, [3] que se acolher ali, para que viva: aquelle que por erro ferir o seu proximo, a quem não aborrecia d’antes:

5 Como aquelle que entrar com o seu proximo no bosque, para cortar lenha, e, pondo força na sua mão com o machado para cortar a arvore, o ferro saltar do cabo e ferir o seu proximo, e morrer, o tal se acolherá a uma d’estas cidades, e viverá:

6 Para que o vingador do sangue não vá [4] após o homicida, quando se esquentar o seu coração, e o alcançar, por ser comprido o caminho, e lhe tire a vida; porque não é culpado de morte, pois o não aborrecia d’antes.

7 Portanto te dou ordem, dizendo: Tres cidades separarás.

8 E, se o Senhor teu Deus [5] dilatar os teus termos, como jurou a teus paes, e te dér toda a terra que disse daria a teus paes

9 (Quando guardares todos estes mandamentos, que hoje te ordeno, para fazel-os, amando ao Senhor teu Deus e andando nos seus caminhos todos os dias), então [6] accrescentarás outras tres cidades além d’estas tres.

10 Para que o sangue innocente se não derrame no meio da tua terra, que o Senhor teu Deus te dá por herança, e haja sangue sobre ti.

11 Mas, havendo alguem [7] que aborrece a seu proximo, e lhe arma ciladas, e se levanta contra elle, e o fere na vida, que morra, e se acolhe a alguma d’estas cidades,

12 Então os anciãos da sua cidade mandarão, e d’ali o tirarão, e o entregarão na mão do vingador do sangue, para que morra.

13 O teu olho o não poupará; antes tirarás [8] o sangue innocente de Israel, para que bem te succeda.

Ácerca dos limites e das testemunhas.

14 Não mudes [9] o limite do teu proximo, que limitaram os antigos na tua herança, que possuires na terra, que te dá o Senhor teu Deus para a possuires.

15 [10] Uma só testemunha contra ninguem se levantará por qualquer iniquidade, ou por qualquer peccado, seja qual fôr o peccado que peccasse: pela bocca de duas testemunhas, ou pela bocca de tres testemunhas, se estabelecerá o negocio.

16 Quando se levantar testemunha falsa contra alguem, [11] para testificar contra elle ácerca de desvio,

17 Então aquelles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o Senhor, [12] diante dos sacerdotes[194] e dos juizes que houver n’aquelles dias;

18 E os juizes bem inquirirão; e eis que, sendo a testemunha falsa testemunha, que testificou falsidade contra seu irmão,

19 Far-lhe-heis como [13] cuidou fazer a seu irmão: e assim tirarás o mal do meio de ti.

20 Para que os que ficarem o ouçam [14] e temam, e nunca mais tornem a fazer tal mal no meio de ti.

21 O teu olho não poupará: [15] vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.

[1] cap. 12.29.

[2] Exo. 21.13. Num. 35.10, 14. Jos. 20.2.

[3] Num. 35.15. cap. 4.42.

[4] Num. 35.12.

[5] Gen. 15.18. cap. 12.20.

[6] Jos. 20.7, 8.

[7] Exo. 21.12, etc. Num. 35.16, 24. cap. 27.24. Pro. 28.17.

[8] cap. 13.8 e 25.12. Num. 35.33, 34. cap. 21.9. I Reis 2.31.

[9] cap. 27.17. Job 24.2. Pro. 22.28. Ose. 5.10.

[10] Num. 35.30. cap. 17.6. Mat. 18.16. João 8.17. II Cor. 13.1. I Tim. 5.19. Heb. 10.28.

[11] Psa. 27.12 e 35.11.

[12] cap. 17.9 e 21.5.

[13] Pro. 19.5, 9. Dan. 6.24. cap. 13.5 e 17.7 e 21.21 e 22.21, 24 e 24.7.

[14] cap. 17.13 e 21.21.

[15] ver. 13. Exo. 21.23, 24. Lev. 24.20. Mat. 5.38.

As leis da guerra.

20 Quando saires á peleja contra teus inimigos, e vires cavallos, [1] e carros, e povo maior em numero do que tu, d’elles não terás temor; pois o [2] Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egypto, está comtigo.

2 E será que, quando vos achegardes á peleja, o sacerdote se adiantará, e fallará ao povo,

3 E dir-lhe-ha: Ouve, ó Israel, hoje vos achegaes á peleja contra os vossos inimigos: que se não amolleça o vosso coração; não temaes nem tremaes, nem vos aterroriseis diante d’elles,

4 Pois o Senhor vosso Deus é o que vae comvosco, [3] a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos.

5 Então os officiaes fallarão ao povo, dizendo: Qual é o homem que edificou casa nova e ainda a não consagrou? [4] vá, e torne-se á sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro a consagre.

6 E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não logrou fructo d’ella? vá, e torne-se á sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro o logre.

7 E qual é o homem que está desposado com alguma [5] mulher e ainda a não recebeu? vá, e torne-se á sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro homem a receba.

8 E continuarão os officiaes a fallar ao povo, dizendo: Qual é o homem medroso [6] e de coração timido? vá, e torne-se á sua casa, para que o coração de seus irmãos se não derreta como o seu coração.

9 E será que, quando os officiaes acabarem de fallar ao povo, então ordenarão os maioraes dos exercitos na dianteira do povo.

10 Quando te achegares a alguma cidade a combatel-a, [7] apregoar-lhe-has a paz.

11 E será que, se te responder em paz, e te abrir, todo o povo que se achar n’ella te será tributario e te servirá.

12 Porém, se ella não fizer paz comtigo, mas antes te fizer guerra, então a sitiarás.

13 E o Senhor teu Deus a dará na tua mão; e todo o macho que houver n’ella passarás [8] ao fio da espada,

14 Salvo sómente as mulheres, e as creanças, e os animaes; [9] e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o Senhor teu Deus.

15 Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti, que não forem das cidades d’estas nações.

16 Porém, das cidades [10] d’estas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem folego deixarás com vida;

17 Antes destruil-as-has totalmente: aos hetheos, e aos amorrheos, e aos cananeos, e aos pherezeos, e aos heveos, e aos jebuseos, como te ordenou o Senhor teu Deus.

18 Para que vos não [11] ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis [12] contra o Senhor vosso Deus.

19 Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ella para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, mettendo n’elle o machado, porque d’elle comerás: pelo que o não cortarás (pois o arvoredo do campo é o mantimento do homem), para que sirva de tranqueira diante de ti.

20 Mas as arvores que souberes que não são arvores de comer, destruil-as-has e cortal-as-has: e contra a cidade que guerrear contra ti edificarás tranqueiras, até que esta seja derribada.

[1] Psa. 20.8. Isa. 31.1.

[2] Num. 23.21. cap. 31.6, 8. II Chr. 13.12 e 32.7.

[3] cap. 1.30 e 3.22. Jos. 23.10.

[4] Neh. 12.27.

[5] cap. 24.5.

[6] Jui. 7.3.

[7] II Sam. 20.18, 20.

[8] Num. 31.7.

[9] Jos. 8.2 e 22.8.

[10] Num. 21.2, 3, 35 e 33.52. cap. 7.1, 2. Jos. 11.14.

[11] cap. 7.4 e 12.30, 31 e 18.9.

[12] Exo. 23.33.

Expiação por uma morte cujo auctor é desconhecido.

21 Quando na terra que te dér o Senhor teu Deus para possuil-a se achar algum morto, caido no campo, sem que se saiba quem o matou,

2 Então sairão os teus anciãos e os teus juizes, e medirão o espaço até ás[195] cidades que estiverem em redor do morto;

3 E, na cidade mais chegada ao morto, os anciãos da mesma cidade tomarão uma bezerra da manada, que não tenha trabalhado nem tenha puxado com o jugo;

4 E os anciãos d’aquella cidade trarão a bezerra a um valle aspero, que nunca foi lavrado nem semeado: e ali, n’aquelle valle, degolarão a bezerra;

5 Então se achegarão os sacerdotes, filhos de Levi (pois o Senhor teu Deus [1] os escolheu para o servirem, e para abençoarem em nome do Senhor; e pelo seu dito se determinará [2] toda a demanda e toda a ferida);

6 E todos os anciãos da mesma cidade, mais chegados ao morto, lavarão [3] as suas mãos sobre a bezerra degolada no valle;

7 E protestarão, e dirão: As nossas mãos não derramaram este sangue, e os nossos olhos o não viram.

8 Sê propicio ao teu povo Israel, que tu, ó Senhor, resgataste, e não ponhas o sangue innocente [4] no meio do teu povo Israel. E aquelle sangue lhes será expiado.

9 Assim tirarás [5] o sangue innocente do meio de ti: pois farás o que é recto aos olhos do Senhor.

Ácerca da mulher prisioneira.

10 Quando saires á peleja contra os teus inimigos, e o Senhor teu Deus os entregar nas tuas mãos, e tu d’elles levares prisioneiros,

11 E tu entre os presos vires uma mulher formosa á vista, e a cobiçares, e a tomares por mulher,

12 Então a trarás para a tua casa: e ella se rapará a cabeça e cortará as suas unhas,

13 E despirá o vestido do seu captiveiro, [6] e se assentará na tua casa, e chorará a seu pae e a sua mãe um mez inteiro: e depois entrarás a ella, e tu serás seu marido e ella tua mulher.

14 E será que, se te não contentares d’ella, a deixarás ir á sua vontade; mas de sorte nenhuma a venderás por dinheiro, nem com ella mercadejarás, pois a tens [7] humilhado.

O direito do primogenito.

15 Quando um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a [8] quem aborrece, e a amada e a aborrecida lhe parirem filhos, e o filho primogenito fôr da aborrecida,

16 Será que, [9] no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, adiante do filho da aborrecida, que é o primogenito.

17 Mas o filho da aborrecida reconhecerá por primogenito, dando-lhe dobrada [10] porção de tudo quanto tiver: porquanto aquelle é o principio da sua força, o direito [11] da primogenitura seu é.

Ácerca dos filhos desobedientes.

18 Quando alguem tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer á voz de seu pae e á voz de sua mãe, e, castigando-o elles, lhes não dér ouvidos,

19 Então seu pae e sua mãe pegarão n’elle, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e á porta do seu logar;

20 E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos á nossa voz: é um comilão e beberrão.

21 Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão com pedras, até que morra; e tirarás [12] o mal do meio de ti, para que todo o Israel o [13] ouça, e tema.

Os cadaveres serão tirados do patibulo.

22 Quando tambem em alguem houver peccado, digno [14] do juizo de morte, e haja de morrer, e o pendurares n’um madeiro,

23 O seu cadaver [15] não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia: [16] porquanto o pendurado é maldito de Deus: assim não contaminarás [17] a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança.

[1] cap. 10.8. I Chr. 23.13.

[2] cap. 17.8.

[3] Psa. 19.13 e 26.6. Mat. 27.24.

[4] Jon. 1.14.

[5] cap. 19.13.

[6] Psa. 45.11.

[7] Gen. 34.2. cap. 22.29. Jui. 19.24.

[8] Gen. 29.33.

[9] I Chr. 5.2 e 26.10. II Chr. 11.19, 22.

[10] I Chr. 5.1.

[11] Gen. 49.3 e 25.31, 33.

[12] cap. 13.5 e 19.19, 20 e 22.21, 24.

[13] cap. 13.11.

[14] cap. 19.6. Act. 23.29 e 25.11, 25 e 26.31.

[15] Jos. 8.29 e 10.26, 27. João 19.31.

[16] Gal. 3.13. Num. 25.4. II Sam. 21.6, 9.

[17] Lev. 18.25. Num. 35.34.

Caridade com o proximo.

22 Vendo extraviado [1] o boi ou ovelha de teu irmão, não te esconderás d’elles: restituil-os-has sem falta a teu irmão.

2 E se teu irmão não estiver perto de ti, ou tu o não conheceres, recolhel-os-has na tua casa, para que fiquem comtigo, até que teu irmão os busque, e tu lh’os tornarás a dar.

3 Assim tambem farás com o seu[196] jumento, e assim farás com os seus vestidos; assim farás tambem com toda a coisa perdida, que se perder de teu irmão, e tu a achares; não te poderás esconder.

4 O jumento de teu irmão, ou o seu boi, não verás [2] caidos no caminho, e d’elles te esconderás: com elle os levantarás sem falta.

Ácerca dos vestidos do homem e dos da mulher.

5 Não haverá trajo de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher: porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.

6 Quando encontrares algum ninho d’ave no caminho em alguma arvore, ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe posta sobre os passarinhos, ou sobre os ovos, não tomarás [3] a mãe com os filhos;

7 Deixarás ir livremente a mãe, e os filhos tomarás para ti; para que bem te vá, [4] e para que te prolongue os dias.

8 Quando edificares uma casa nova, farás no teu telhado um parapeito, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguem d’alguma maneira cair d’ella.

9 Não [5] semearás a tua vinha de differentes especies de semente, para que se não profane o fructo da semente que semeares, e a novidade da vinha.

10 Com boi e com jumento juntamente não [6] lavrarás.

11 Não te vestirás [7] de diversos estofos de lã e linho juntamente.

12 Franjas porás [8] nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires.

As penas de diversos peccados commetidos para com mulheres.

13 Quando um homem tomar mulher [9] e, entrando a ella, a aborrecer,

14 E lhe imputar coisas escandalosas, e contra ella divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher, e me cheguei a ella, porém não a achei virgem;

15 Então o pae da moça e sua mãe tomarão os signaes da virgindade da moça, e leval-os-hão para fóra aos anciãos da cidade á porta;

16 E o pae da moça dirá aos anciãos; Eu dei minha filha por mulher a este homem, porém elle a aborreceu;

17 E eis que lhe imputou coisas escandalosas, dizendo: Não achei virgem tua filha: porém eis aqui os signaes da virgindade de minha filha. E estenderão o lençol diante dos anciãos da cidade.

18 Então os anciãos da mesma cidade tomarão aquelle homem, e o castigarão,

19 E o condemnarão em cem siclos de prata, e os darão ao pae da moça; porquanto divulgou má fama sobre uma virgem de Israel. E lhe será por mulher, em todos os seus dias não a poderá despedir.

20 Porém se este negocio fôr verdade, que a virgindade se não achou na moça,

21 Então tirarão a moça á porta da casa de seu pae, e os homens da sua cidade a apedrejarão com pedras, até que morra; pois [10] fez loucura em Israel, fornicando na casa de seu pae: assim tirarás [11] o mal do meio de ti.

22 Quando [12] um homem fôr achado deitado com mulher casada com marido, então ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher, e a mulher: assim tirarás o mal d’Israel.

23 Quando houver moça virgem, desposada [13] com algum homem, e um homem a achar na cidade, e se deitar com ella,

24 Então tirareis ambos á porta d’aquella cidade, e os apedrejareis com pedras, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou [14] a mulher do seu proximo: assim tirarás o mal do meio de ti.

25 E se algum homem no campo achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ella, então morrera só o homem que se deitou com ella;

26 Porém á moça não farás nada: a moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu proximo, e lhe tira a vida, assim é este negocio.

27 Pois a achou no campo: a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse.

28 Quando um homem [15] achar uma moça virgem, que não fôr desposada, e pegar n’ella, e se deitar com ella, e forem apanhados,

29 Então o homem que se deitou com ella dará ao pae da moça cincoenta siclos de prata: e porquanto a humilhou, [16] lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias.

30 Nenhum [17] homem tomará a mulher de seu pae, nem descobrirá [18] a ourela de seu pae.

[1] Exo. 23.4.

[2] Exo. 23.5.

[3] Lev. 22.28.

[4] cap. 4.40.

[5] Lev. 19.19.

[6] II Cor. 6.14, 15, 16.

[7] Lev. 19.19.

[8] Num. 15.38. Mat. 23.5.

[9] Gen. 29.21. Jui. 15.1.

[10] Gen. 34.7. Jui. 20.6, 10. II Sam. 13.12, 13.

[11] cap. 13.5.

[12] Lev. 20.10. João 8.5.

[13] Mat. 1.18.

[14] cap. 21.14. ver. 21, 22.

[15] Exo. 22.16.

[16] ver. 24.

[17] Lev. 18.8 e 20.11. cap. 27.20. I Cor. 5.1.

[18] Ruth 3.9. Eze. 16.8.

[197]

Pessoas que são excluidas das assembléas sanctas.

23 O quebrado de quebradura, e o castrado, não entrará na congregação do Senhor.

2 Nenhum bastardo entrará na congregação do Senhor: nem ainda a sua decima geração entrará na congregação do Senhor.

3 Nenhum [1] ammonita nem moabita entrará na congregação do Senhor: nem ainda a sua decima geração entrará na congregação do Senhor eternamente.

4 Porquanto [2] não sairam com pão e agua, a receber-vos no caminho, quando saíeis do Egypto; e porquanto alugou [3] contra ti a Balaão, filho de Beor, de Pethor, de Mesopotamia, para te amaldiçoar.

5 Porém o Senhor teu Deus não quiz ouvir Balaão: antes o Senhor teu Deus trocou em benção a maldição; porquanto o Senhor teu Deus te amava.

6 Não lhes procurarás [4] nem paz nem bem em todos os teus dias para sempre.

7 Não abominarás o [5] edumeo, pois é teu irmão: nem abominarás o egypcio; pois estrangeiro foste [6] na sua terra.

8 Os filhos que lhes nascerem na terceira geração, cada um d’elles entrará na congregação do Senhor.

9 Quando o exercito sair contra os teus inimigos, então te guardarás de toda a coisa má.

10 Quando entre ti [7] houver algum que por algum accidente de noite não estiver limpo, sairá fóra do exercito; não entrará no meio do exercito.

11 Porém será que, declinando a tarde, se lavará [8] em agua; e, em se pondo o sol, entrará [9] no meio do arraial.

12 Tambem terás um logar fóra do arraial; e ali sairás fóra.

13 E entre as tuas armas terás uma pá; e será que, quando estiveres assentado fóra, então com ella cavarás, e, virando-te, cobrirás aquillo que saiu de ti.

14 Porquanto o Senhor teu Deus anda no meio do teu arraial, para te livrar, e entregar os teus inimigos diante de ti: pelo que o teu arraial será sancto: para que elle não veja coisa feia em ti, e se torne atraz de ti.

Ácerca de fugitivos, prostitutas, usura e votos.

15 Não entregarás [10] a seu senhor o servo que se acolher a ti de seu senhor;

16 Comtigo ficará no meio de ti, no logar que escolher em alguma das tuas portas, onde lhe estiver bem: não o [11] opprimirás.

17 Não haverá [12] rameira d’entre as filhas d’Israel; nem haverá sodomita d’entre os filhos d’Israel.

18 Não trarás salario de rameira nem preço de cão á casa do Senhor teu Deus por qualquer voto: porque estes ambos são egualmente abominação ao Senhor teu Deus.

19 A teu irmão não emprestarás á [13] usura, nem á usura de dinheiro, nem á usura de comida, nem á usura de qualquer coisa que se empreste á usura.

20 Ao estranho [14] emprestarás á usura, porém a teu irmão não emprestarás á usura: para que o Senhor teu Deus te abençoe [15] em tudo no que pozeres a tua mão, na terra a qual vaes a possuir.

21 Quando votares algum voto [16] ao Senhor teu Deus, não tardarás em pagal-o; porque o Senhor teu Deus certamente o requererá de ti, e em ti haverá peccado.

22 Porém, abstendo-te de votar, não haverá peccado em ti.

23 O que saiu da tua bocca guardarás, [17] e o farás; trazendo a offerta voluntaria, assim como votaste ao Senhor teu Deus, o que declaraste pela tua bocca.

24 Quando entrares na vinha do teu proximo, comerás uvas conforme ao teu desejo até te fartares, porém não as porás no teu vaso.

25 Quando entrares na seara do teu proximo, com a tua mão arrancarás [18] as espigas; porém não metterás a foice na seara do teu proximo.

[1] Neh. 13.1, 2.

[2] cap. 2.29.

[3] Num. 22.5.

[4] Esd. 9.12.

[5] Gen. 25.24, 25, 26. Abd. 10, 12.

[6] Exo. 22.21 e 23.9. Lev. 19.34. cap. 10.19.

[7] Lev. 15.16.

[8] Lev. 15.5.

[9] Lev. 26.12.

[10] I Sam. 30.15.

[11] Exo. 22.21.

[12] Lev. 19.29. Pro. 2.16. Gen. 19.5. II Reis 23.7.

[13] Exo. 22.25. Lev. 25.36, 37. Neh. 5.2, 7. Psa. 15.5. Luc. 6.34, 35.

[14] Lev. 19.34. cap. 15.3.

[15] cap. 15.10.

[16] Num. 30.2. Ecc. 5.4.

[17] Num. 30.2. Psa. 66.14.

[18] Mat. 12.1. Mar. 2.23. Luc. 6.1.

Ácerca do divorcio, dos penhores, dos roubadores e da lepra.

24 Quando um [1] homem tomar uma mulher, e se casar com ella, então será que, se não achar graça em seus olhos, por n’ella achar coisa feia, elle lhe fará escripto de repudio, e lh’o dará na sua mão, e a despedirá da sua casa.

2 Se, pois, saindo da sua casa, fôr, e se casar com outro homem,

3 E este ultimo homem a aborrecer, e lhe fizer escripto de repudio, e lh’o dér na sua mão, e a despedir da sua casa, ou se este ultimo homem, que a[198] tomou para si por mulher, vier a morrer,

4 Então seu primeiro [2] marido, que a despediu, não poderá tornar a tomal-a, para que seja sua mulher, depois que foi contaminada: pois é abominação perante o Senhor; assim não farás peccar a terra que o Senhor teu Deus te dá por herança.

5 Quando algum [3] homem tomar uma mulher nova não sairá á guerra, nem se lhe imporá carga alguma; por um anno inteiro ficará livre na sua casa, e alegrará a sua mulher, [4] que tomou.

6 Não se tomarão em penhor as mós ambas, nem a mó de cima nem a de baixo; pois se penhoraria assim a vida.

7 Quando se achar [5] alguem que furtar um d’entre os seus irmãos, dos filhos d’Israel, e com elle ganhar, e o vender, o tal ladrão morrerá, e tirarás o [6] mal do meio de ti.

8 Guarda-te da praga [7] da lepra, que tenhas grande cuidado de fazer conforme a tudo o que te ensinarem os sacerdotes levitas; como lhes tenho ordenado, terás cuidado de o fazer.

9 Lembra-te [8] do que o Senhor teu Deus fez a Miriam no caminho, quando saiste do Egypto.

Ácerca de emprestimos.

10 Quando emprestares alguma coisa ao teu proximo, não entrarás em sua casa, para lhe tirar o penhor.

11 Fóra estarás; e o homem, a quem emprestaste, te trará fóra o penhor.

12 Porém, se fôr homem pobre, te não deitarás com o seu penhor.

13 Em se pondo o sol, certamente lhe [9] restituirás o penhor; para que durma na sua roupa, e te abençoe: e isto te será justiça diante [10] do Senhor teu Deus.

Caridade para com os pobres, os estrangeiros e os orphãos.

14 Não opprimirás [11] o jornaleiro pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que estão na tua terra e nas tuas portas.

15 No seu dia [12] lhe darás o seu jornal, e o sol se não porá sobre isso: porquanto pobre é, e sua alma se atém a isso: para que não [13] clame contra ti ao Senhor, e haja em ti peccado.

16 Os paes não morrerão pelos filhos, nem [14] os filhos pelos paes: cada qual morrerá pelo seu peccado.

17 Não perverterás [15] o direito do estrangeiro e do orphão; nem tomarás em penhor a roupa [16] da viuva.

18 Mas lembrar-te-has [17] de que foste servo no Egypto, e de que o Senhor te livrou d’ali: pelo que te ordeno que faças isto.

19 Quando no teu campo segares a tua sega, e esqueceres uma [HL] gavela no campo, não tornarás a tomal-a; para o estrangeiro, para o orphão, e para a viuva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe [18] em toda a obra das tuas mãos.

20 Quando sacudires a tua oliveira, não tornarás atraz de ti a sacudir os ramos: para o estrangeiro, para o orphão, e para a viuva será.

21 Quando vindimares a tua vinha, não tornarás atraz de ti a rabiscal-a: para o estrangeiro, para o orphão, e para a viuva será.

22 E lembrar-te-has de que foste servo na terra do Egypto: pelo que te ordeno que faças isto.

[1] Mat. 5.31 e 19.7. Mar. 10.4.

[2] Jer. 3.1.

[3] cap. 20.7.

[4] Pro. 5.18.

[5] Exo. 21.16.

[6] cap. 19.19.

[7] Lev. 13.2 e 14.2.

[8] Luc. 17.32. I Cor. 10.6. Num. 12.10.

[9] Exo. 22.26.

[10] Job 29.11, 13 e 31.20. II Cor. 9.13. II Tim. 1.18. cap. 6.25. Psa. 106.31 e 112.9. Dan. 4.27.

[11] Mal. 3.5.

[12] Lev. 19.13. Jer. 22.13. Thi. 5.4.

[13] Thi. 5.4.

[14] II Reis 14.6. II Chr. 25.4. Jer. 31.29. Eze. 18.20.

[15] Exo. 22.21. Pro. 22.22. Isa. 1.23. Jer. 5.28 e 22.3. Eze. 22.89. Zac. 7.10. Mal. 3.5.

[16] Exo. 22.26.

[17] ver. 22. cap. 16.12.

[18] cap. 15.10. Psa. 41.2. Pro. 19.17.

A pena de açoites.

25 Quando houver [1] contenda entre alguns, e vierem ao juizo, para que os julguem, [2] ao justo justificarão, e ao injusto condemnarão.

2 E será que, se o injusto merecer açoites, [3] o juiz o fará deitar, e o fará açoitar diante de si, quanto bastar pela sua injustiça, por certa conta.

3 Quarenta [4] açoites lhe fará dar, não mais; para que, porventura, se lhe fizer dar mais açoites do que estes, teu irmão não fique [5] envilecido aos teus olhos.

4 Não atarás [6] a bocca ao boi, quando trilhar.

A obrigação de um homem casar com a viuva do seu irmão.

5 Quando alguns irmãos [7] morarem juntos, e algum d’elles morrer, e não tiver filho, então a mulher do defunto não se casará com homem estranho de fóra; seu cunhado entrará a ella, e a tomará por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ella.

6 E será que o primogenito que ella[199] parir estará [8] em nome de seu irmão defunto; para que o seu [9] nome se não apague em Israel.

7 Porém, se o tal homem não quizer tomar sua cunhada, subirá então sua cunhada á [10] porta dos anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não quer fazer para comigo o dever de cunhado.

8 Então os anciãos da sua cidade o chamarão, e com elle fallarão: e, se elle ficar n’isto, e disser; Não [11] quero tomal-a;

9 Então sua cunhada se chegará a elle aos olhos dos anciãos; e lhe descalçará [12] o sapato do pé, e lhe cuspirá no rosto, e protestará, e dirá: Assim se fará ao homem que não edificar [13] a casa de seu irmão:

10 E o seu nome se chamará em Israel: A casa do descalçado.

11 Quando pelejarem dois homens, um contra o outro, e a mulher d’um chegar para livrar a seu marido da mão do que o fere, e ella estender a sua mão, e lhe pegar pelas suas vergonhas,

12 Então cortar-lhe-has a mão: [14] não a poupará o teu olho.

Pesos e medidas justas.

13 Na tua bolsa não terás [15] diversos pesos, um grande e um pequeno.

14 Na tua casa não terás duas sortes d’epha, uma grande e uma pequena.

15 Peso inteiro e justo terás; epha inteira e justa terás; para que se prolonguem os teus dias [16] na terra que te dará o Senhor teu Deus.

16 Porque abominação é ao Senhor teu Deus todo aquelle que faz isto, [17] todo aquelle que fizer injustiça.

Amalek será destruido.

17 Lembra-te [18] do que te fez Amalek no caminho, quando saieis do Egypto;

18 Como te saiu ao encontro no caminho, e te derribou na rectaguarda todos os fracos que iam após ti, estando tu cançado e afadigado; e não temeu [19] a Deus.

19 Será pois que, quando [20] o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dará por herança, para possuil-a, então apagarás [21] a memoria de Amalek de debaixo do céu: não te esqueças.

[1] cap. 19.17. Eze. 44.24.

[2] Pro. 17.15.

[3] Luc. 12.48. Mat. 10.17.

[4] II Cor. 11.24.

[5] Job 18.3.

[6] Pro. 12.10. I Cor. 9.9. I Tim. 5.18.

[7] Mat. 22.24. Mar. 12.19. Luc. 20.28.

[8] Gen. 38.9.

[9] Ruth 4.10.

[10] Ruth 4.1, 2.

[11] Ruth 4.6.

[12] Ruth 4.7.

[13] Ruth 4.11.

[14] cap. 19.13.

[15] Lev. 19.35, 36. Pro. 11.1. Eze. 45.10. Miq. 6.11.

[16] Exo. 20.12.

[17] Pro. 11.1. I The. 4.6.

[18] Exo. 17.8.

[19] Psa. 36.2. Pro. 16.6. Rom. 3.18.

[20] I Sam. 15.3.

[21] Exo. 17.14.

As primicias da terra.

26 E será que, quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dér por herança, e a possuires, e n’ella habitares,

2 Então tomarás [1] das primicias de todos os fructos da terra, que trouxeres da tua terra, que te dá o Senhor teu Deus, e as porás n’um cesto, e irás ao logar [2] que escolher o Senhor teu Deus, para ali fazer habitar o seu nome.

3 E virás ao sacerdote, que n’aquelles dias fôr, e dir-lhe-has: Hoje declaro perante o Senhor teu Deus que entrei na terra que o Senhor jurou a nossos paes dar-nos.

4 E o sacerdote tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar do Senhor teu Deus.

5 Então protestarás perante o Senhor teu Deus, e dirás: Syro [3] miseravel foi meu pae, e desceu [4] ao Egypto, e ali peregrinou com pouca gente: porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa e numerosa.

6 Mas os egypcios [5] nos maltrataram e nos affligiram, e sobre nós pozeram uma dura servidão.

7 Então clamámos [6] ao Senhor Deus de nossos paes; e o Senhor ouviu a nossa voz, e attentou para a nossa miseria, e para o nosso trabalho, e para a nossa oppressão.

8 E o Senhor nos tirou [7] do Egypto com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, [8] e com signaes, e com milagres;

9 E nos trouxe a este logar, e nos deu esta terra, [9] terra que mana leite e mel.

10 E eis que agora eu trouxe as primicias dos fructos da terra que tu, ó Senhor, me déste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e te inclinarás perante o Senhor teu Deus.

11 E te alegrarás [10] por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e á tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.

Oração d’aquelle que deu os dizimos.

12 Quando acabares de dizimar todos os dizimos [11] da tua novidade no anno terceiro, que é o anno dos dizimos, então a darás ao levita, ao estrangeiro, ao orphão e á viuva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem:

[200]

13 E dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei [HM] o que é consagrado de minha casa, e dei tambem ao levita, e ao estrangeiro, e ao orphão e á viuva, conforme a todos os teus mandamentos que me tens ordenado: nada traspassei dos teus mandamentos, nem [12] d’elles me esqueci.

14 D’elle não comi [13] na minha tristeza, nem d’elle nada tirei para immundicia, nem d’elle dei para algum morto: obedeci á voz do Senhor meu Deus; conforme a tudo o que me ordenaste, tenho feito.

15 Olha [14] desde a tua sancta habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo, a Israel, e a terra que nos déste, como juraste a nossos paes, terra que mana leite e mel.

16 N’este dia o Senhor teu Deus te manda fazer estes estatutos e juizos: guarda-os pois, e faze-os com todo o teu coração e com toda a tua alma.

17 Hoje [15] fizeste dizer ao Senhor que te será por Deus, e que andarás nos seus caminhos, e guardarás os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juizos, e darás ouvidos á sua voz.

18 E o Senhor [16] hoje te fez dizer que lhe serás por povo seu proprio, como te tem dito, e que guardarás todos os seus mandamentos.

19 Para assim te exaltar sobre todas as nações [17] que fez, para louvor, e para fama, e para gloria, e para que sejas um povo sancto ao [18] Senhor teu Deus, como tem dito.

[1] Exo. 23.19 e 34.26. Num. 17.13. cap. 16.10. Pro. 3.9.

[2] cap. 12.5.

[3] Ose. 12.12. Gen. 43.1, 2 e 45.7, 11.

[4] Gen. 46.1. Act. 7.15. Gen. 46.27. cap. 10.22.

[5] Exo. 1.11, 14.

[6] Exo. 2.23, 24, 25 e 3.9 e 4.31.

[7] Exo. 12.37, 51 e 13.3, 14, 16. cap. 5.15.

[8] cap. 4.34.

[9] Exo. 3.8.

[10] cap. 12.7, 12, 18 e 16.11.

[11] Lev. 27.30. Num. 18.24. cap. 14.28, 29.

[12] Psa. 119.141, 153, 176.

[13] Lev. 7.20 e 21.1, 11. Ose. 9.4.

[14] Isa. 63.15. Zac. 2.13.

[15] Exo. 20.19.

[16] Exo. 6.7 e 19.5. cap. 7.6 e 14.2 e 28.9.

[17] cap. 4.7, 8 e 28.1. Psa. 149.14.

[18] Exo. 19.6. cap. 7.6 e 28.9. I Ped. 2.9.

A ordem de levantar um padrão e gravar n’elle a lei.

27 E deram ordem, Moysés e os anciãos, ao povo de Israel, dizendo: Guardae todos estes mandamentos que hoje vos ordeno:

2 Será pois que, no dia em que passares [1] o Jordão á terra que te dér o Senhor teu Deus, levantar-te-has [2] umas pedras grandes, e as caiarás com cal.

3 E, havendo-o passado, escreverás n’ellas todas as palavras d’esta lei, para entrares na terra que te dér o Senhor teu Deus, terra que mana leite e mel, como te disse o Senhor Deus de teus paes.

4 Será pois que, quando houveres passado o Jordão, levantareis estas pedras, que hoje vos ordeno, no monte [3] Ebal, e as caiarás com cal.

5 E ali edificarás um altar ao Senhor teu Deus, [4] um altar de pedras; não alçarás ferro sobre ellas.

6 De pedras inteiras edificarás o altar do Senhor teu Deus: e sobre elle offerecerás holocaustos ao Senhor teu Deus.

7 Tambem sacrificarás offertas pacificas, e ali comerás perante o Senhor teu Deus, e te alegrarás.

8 E n’estas pedras escreverás todas as palavras d’esta lei, exprimindo-as bem.

9 Fallou mais Moysés, juntamente com os sacerdotes levitas, a todo o Israel, dizendo: Escuta e ouve, ó Israel! [5] n’este dia vieste a ser por povo ao Senhor teu Deus.

10 Portanto obedecerás á voz do Senhor teu Deus, e farás os seus mandamentos e os seus estatutos que hoje te ordeno.

As maldições que serão lançadas do monte Ebal.

11 E Moysés deu ordem n’aquelle dia ao povo, dizendo:

12 Quando houverdes passado o Jordão, estes estarão sobre o monte Gerizim, [6] para abençoarem o povo: Simeão, e Levi, e Judah, e Issacar, e José, e Benjamin;

13 E estes estarão [7] para amaldiçoar sobre o monte Ebal: Ruben, Gad, e Aser, e Zebulon, Dan e Naphtali.

14 E os levitas [8] protestarão a todo o povo de Israel em alta voz, e dirão:

15 Maldito [9] o homem que fizer imagem de esculptura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artifice, e a pozer em um logar escondido. [10] E todo o povo responderá, e dirá: Amen.

16 Maldito [11] aquelle que desprezar a seu pae ou a sua mãe. E todo o povo dirá: Amen.

17 Maldito [12] aquelle que arrancar o termo do seu proximo. E todo o povo dirá: Amen.

18 Maldito [13] aquelle que fizer que o cego erre do caminho. E todo o povo dirá: Amen.

19 Maldito [14] aquelle que perverter[201] o direito do estrangeiro, do orphão e da viuva. E todo o povo dirá: Amen.

20 Maldito [15] aquelle que se deitar com a mulher de seu pae, porquanto descobriu a ourela de seu pae. E todo o povo dirá: Amen.

21 Maldito [16] aquelle que se deitar com algum animal. E todo o povo dirá: Amen.

22 Maldito [17] aquelle que se deitar com sua irmã, filha de seu pae, ou filha de sua mãe. E todo o povo dirá: Amen.

23 Maldito [18] aquelle que se deitar com sua sogra. E todo o povo dirá: Amen.

24 Maldito [19] aquelle que ferir ao seu proximo em occulto. E todo o povo dirá: Amen.

25 Maldito [20] aquelle que tomar peita para ferir a alguma pessoa, o sangue do innocente. E todo o povo dirá: Amen.

26 Maldito [21] aquelle que não confirmar as palavras d’esta lei, não as fazendo. E todo o povo dirá: Amen.

[1] Jos. 4.1.

[2] Jos. 8.32.

[3] cap. 11.29. Jos. 8.30.

[4] Exo. 20.25. Jos. 8.31.

[5] cap. 26.18.

[6] cap. 11.19. Jos. 8.33. Jui. 9.7.

[7] cap. 12.19. Jos. 8.33.

[8] cap. 33.10. Dan. 9.11.

[9] Exo. 20.4, 23 e 34.17. Lev. 19.4 e 26.1. cap. 4.16, 23 e 5.8. Isa. 44.9. Ose. 13.2.

[10] Num. 5.22. Jer. 11.5. I Cor. 14.16.

[11] Exo. 20.12 e 21.17. Lev. 19.3. cap. 21.18.

[12] cap. 19.14. Pro. 22.28.

[13] Lev. 19.14.

[14] Exo. 22.21. cap. 10.18 e 24.17. Mat. 3.5.

[15] Lev. 18.8 e 20.11. cap. 22.30.

[16] Lev. 18.23 e 20.15.

[17] Lev. 18.9 e 20.15.

[18] Lev. 18.17 e 20.14.

[19] Exo. 20.13 e 21.12, 14. Lev. 24.17. Num. 35.31. cap. 19.11.

[20] Exo. 23.7. cap. 10.17 e 16.19. Eze. 22.15.

[21] cap. 28.15. Psa. 119.21. Jer. 11.3. Gal. 3.10.

As bençãos que serão lançadas do monte Gerizim.

28 E será que, [1] se ouvires a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor teu Deus te exaltará [2] sobre todas as nações da terra.

2 E todas estas bençãos virão sobre ti [3] e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus:

3 Bemdito [4] serás tu na cidade, e bemdito serás no campo.

4 Bemdito [5] o fructo do teu ventre, e o fructo da tua terra, e o fructo dos teus animaes; e a criação das tuas vaccas, e [HN] os rebanhos das tuas ovelhas.

5 Bemdito o teu cesto e a tua amassadeira;

6 Bemdito serás [6] ao entrares, e bemdito serás ao saires.

7 O Senhor entregará [7] os teus inimigos, que se levantarem contra ti, feridos diante de ti: por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão diante de ti.

8 O Senhor mandará [8] a benção, que esteja comtigo nos teus celeiros, e em tudo o que puzeres a tua mão: e te abençoará na terra que te der o Senhor teu Deus.

9 O Senhor [9] te confirmará para si por povo sancto, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos.

10 E todos os povos da terra verão que é chamado [10] sobre ti o nome do Senhor, [11] e terão temor de ti.

11 E o Senhor [12] te fará abundar de bem no fructo do teu ventre, e no fructo dos teus animaes, e no fructo da tua terra, sobre a terra que o Senhor jurou a teus paes te dar.

12 O Senhor te abrirá o seu bom thesouro, o céu, [13] para dar chuva á tua terra no seu tempo, e para [14] abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás [15] a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado.

13 E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; [16] e só estarás em cima, e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e fazer.

14 E não te desviarás [17] de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, para andares após outros deuses, para os servires.

Castigos por desobediencia.

15 Será porém que, se não deres ouvidos [18] á voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em fazer todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então sobre ti virão todas estas maldições, e te [19] alcançarão:

16 Maldito [20] serás tu na cidade, e maldito serás no campo.

17 Maldito o teu cesto e a tua amassadeira;

18 Maldito o fructo do teu ventre, e o fructo da tua terra, e a criação das tuas vaccas, e os rebanhos das tuas ovelhas.

[202]

19 Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saires.

20 O Senhor mandará sobre ti a maldição; [21] a turbação e a perdição em tudo em que puzeres a tua mão para fazer; até que sejas destruido, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, com que me deixaste.

21 O Senhor te fará pegar a pestilencia, [22] até que te consuma da terra a que passas a possuir.

22 O Senhor te ferirá [23] com a tisica e com a febre, e com a quentura, e com o ardor, [24] e com a seccura, e com corrupção de sementeiras e com ferrugem; e te perseguirão até que pereças.

23 E os teus céus [25] que estão sobre a cabeça, serão de bronze; e a terra que está debaixo de ti, será de ferro.

24 O Senhor por chuva da tua terra te dará pó e poeira; dos céus descerá sobre ti, até que pereças.

25 O Senhor [26] te fará cair diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra elles, e por sete caminhos fugirás diante d’elles, e serás espalhado [27] por todos os reinos da terra.

26 E o teu cadaver [28] será por comida a todas as aves dos céus, e aos animaes da terra: e ninguem os espantará.

27 O Senhor te ferirá com as ulceras do Egypto, [29] com hemorrhoidas, e com sarna, e com coceira, de que não possas curar-te;

28 O Senhor te ferirá com loucura, [30] e com cegueira, e com pasmo do coração:

29 E apalparás [31] ao meio dia, como o cego apalpa na escuridade, e não prosperarás nos teus caminhos: porém sómente serás opprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve.

30 Desposar-te-has [32] com uma mulher, porém outro homem dormirá com ella; edificarás [33] uma casa, porém não morarás n’ella; plantarás [34] uma vinha, porém não lograrás o seu fructo.

31 O teu boi será morto aos teus olhos, porém d’elle não comerás: o teu jumento será roubado diante de ti, e não voltará a ti: as tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, e não haverá quem te salve.

32 Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, [35] e após d’elles desfallecerão todo o dia; porém não haverá poder na tua mão.

33 O fructo [36] da tua terra e todo o teu trabalho comerá um povo que nunca conheceste: e tu serás opprimido e quebrantado todos os dias.

34 E serás louco [37] pelo que verás com os teus olhos.

35 O Senhor te ferirá [38] com ulceras malignas nos joelhos e nas pernas, de que não possas sarar, desde a planta do teu pé até ao alto da cabeça.

36 O Senhor te levará a ti [39] e a teu rei, que tiveres posto sobre ti, a uma gente que não conheceste, nem tu nem teus paes; e ali servirás a [40] outros deuses, ao pau e á pedra.

37 E serás por pasmo, por ditado, [41] e por fabula entre todos os povos a que o Senhor te levará.

38 Lançarás [42] muita semente ao campo; porém colherás pouco, porque o [43] gafanhoto a consumirá.

39 Plantarás vinhas, e cultivarás; porém não beberás vinho, nem colherás as uvas; porque o bicho as colherá.

40 Em todos os termos terás oliveiras; porém não te ungirás com azeite; porque a azeitona cairá da tua oliveira.

41 Filhos e filhas gerarás; porém não serão para ti; porque irão em [44] captiveiro.

42 Todo o teu arvoredo e o fructo da tua terra consumirá a lagarta.

43 O estrangeiro, que está no meio de ti, se elevará muito sobre ti, e tu mui baixo descerás;

44 Elle [45] te emprestará a ti, porém tu não lhe emprestarás a elle: elle será por [46] cabeça, e tu serás por cauda.

45 E todas [47] estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruido: porquanto não haverás dado ouvidos á voz do Senhor teu Deus, para guardar os seus mandamentos, e o seus estatutos, que te tem ordenado:

46 E serão entre ti por signal e por maravilha, [48] como tambem entre a tua semente para sempre.

47 Porquanto [49] não haverás servido ao Senhor teu Deus com alegria e bondade de coração, [50] pela abundancia de tudo.

[203]

48 Assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome, e com sede, e com nudez, e com falta de tudo: e sobre o teu pescoço porá um jugo [51] de ferro, até que te tenha destruido.

49 O Senhor [52] levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que vôa como a aguia, [53] nação cuja lingua não entenderás;

50 Nação feroz de rosto, que [54] não attentará para o rosto do velho, nem se apiedará do moço;

51 E comerá [55] o fructo dos teus animaes, e o fructo da tua terra, até que sejas destruido; e não te deixará grão mosto, nem azeite, creação das tuas vaccas, nem rebanhos das tuas ovelhas, até que te tenha consumido;

52 E te angustiará [56] em todas as tuas portas, até que venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas em toda a tua terra; e te angustiará até em todas as tuas portas, em toda a tua terra que te tem dado o Senhor teu Deus:

53 E comerás [57] o fructo do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão.

54 Quanto ao homem mais mimoso e mui delicado entre ti, o seu olho será maligno [58] contra o seu irmão, e contra a mulher de seu regaço, e contra os demais de seus filhos que ainda lhe ficarem;

55 De sorte que não dará a nenhum d’elles da carne de seus filhos, que elle comer; porquanto nada lhe ficou de resto no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará em todas as tuas portas.

56 E quanto á mulher mais mimosa e delicada entre ti, que de mimo e delicadeza nunca tentou pôr a planta de seu pé sobre a terra, será maligno o seu olho [59] contra o homem de seu regaço, e contra seu filho, e contra sua filha;

57 E isto por causa de suas páreas, que sairem [60] d’entre os seus pés, e por causa de seus filhos que parir; porque os comerá ás escondidas pela falta de tudo, no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará nas tuas portas.

58 Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras d’esta lei, que estão escriptas n’este livro, para temeres este nome glorioso [61] e terrivel, o Senhor teu Deus,

59 Então o Senhor fará maravilhosas as tuas pragas, [62] e as pragas de tua semente, grandes e certas pragas, e enfermidades más e certas;

60 E fará tornar sobre ti todos os males do [63] Egypto, de que tu tiveste temor, e se apegarão a ti.

61 Tambem o Senhor fará vir sobre ti toda a enfermidade e toda a praga, que não está escripta no livro d’esta lei, até que sejas destruido.

62 E ficareis [64] poucos homens, em logar de haverem sido como as estrellas dos céus em multidão: porquanto não déstes ouvidos á voz do Senhor teu Deus.

63 E será que, assim como [65] o Senhor se deleitava em vós, em fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitara em vós, em [66] destruir-vos e consumir-vos; e desarreigados sereis da terra a qual tu passas a possuir.

64 E o Senhor vos espalhará [67] entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até á outra extremidade da terra: e ali servirás [68] a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus paes: ao pau e á pedra.

65 E nem ainda [69] entre as mesmas gentes descançarás, nem a planta de teu pé terá repouso: porquanto [70] o Senhor ali te dará coração tremente, e desfallecimento dos olhos, e desmaio da alma.

66 E a tua vida como em suspenso estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua propria vida.

67 Pela manhã dirás: [71] Ah! quem me déra ver a noite! E á tarde dirás: Ah! quem me déra ver a manhã! pelo pasmo de teu coração, com que pasmarás, e pelo que verás com os teus olhos.

68 E o Senhor te fará voltar ao Egypto em navios, pelo caminho [72] de que te tenho dito: Nunca jámais o verás: e ali sereis vendidos por servos e por servas aos vossos inimigos; mas não haverá quem vos compre.

[1] Exo. 15.26. Lev. 26.3. Isa. 55.2.

[2] cap. 26.19.

[3] ver. 15. Zac. 1.6.

[4] Psa. 128.1, 4. Gen. 39.5. Gen. 22.17.

[5] Gen. 49.25. cap. 7.13. Psa. 107.38 e 127.3. Pro. 10.22. I Tim. 4.8.

[6] Psa. 121.8.

[7] ver. 25. Lev. 26.7, 8. II Sam. 22.38, 39, 41. Psa. 89.24.

[8] Lev. 25.21. cap. 15.10.

[9] Exo. 19.6. cap. 7.6 e 26.18, 19 e 29.13.

[10] Num. 6.27. II Sam. 7.14. Isa. 63.19. Dan. 9.18.

[11] cap. 11.25.

[12] ver. 4. cap. 30.9. Pro. 10.22.

[13] Lev. 26.4. cap. 11.14.

[14] cap. 14.29.

[15] cap. 15.6.

[16] Isa. 9.14, 15.

[17] cap. 5.32 e 11.16.

[18] Lev. 26.14. Lam. 2.17. Dan. 9.11, 13. Mal. 2.2.

[19] ver. 2.

[20] ver. 3, etc.

[21] Mal. 2.2. I Sam. 14.20. Zac. 14.13. Psa. 80.17. Isa. 30.17 e 51.20 e 66.15.

[22] Lev. 26.25. Jer. 24.10.

[23] Lev. 26.16.

[24] Amós 4.9.

[25] Lev. 26.19.

[26] Lev. 26.17, 37. cap. 32.30. Isa. 30.17.

[27] Jer. 15.4 e 24.9. Eze. 23.46.

[28] I Sam. 17.44, 46. Psa. 79.2. Jer. 7.38 e 16.4 e 34.20.

[29] ver. 35. Exo. 9.9 e 15.26. I Sam. 5.6. Psa. 78.66.

[30] Jer. 4.9.

[31] Job 5.14. Isa. 59.10.

[32] Job 31.10. Jer. 8.10.

[33] Jer. 12.13. Amós 5.11. Miq. 6.15. Sof. 1.13.

[34] cap. 20.6.

[35] Psa. 119.82.

[36] ver. 51. Lev. 26.16. Jer. 5.17.

[37] ver. 67.

[38] ver. 27.

[39] II Reis 17.4, 6 e 24.12, 14 e 25.7, 11. II Chr. 33.11 e 36.6, 20.

[40] ver. 46. cap. 4.28. Jer. 16.13.

[41] Jer. 24.9 e 25.9. Zac. 8.13. Psa. 44.14.

[42] Miq. 6.15. Agg. 1.6.

[43] Joel 1.4.

[44] Lam. 1.5.

[45] ver. 12.

[46] ver. 13.

[47] ver. 15.

[48] Isa. 8.18. Eze. 14.8.

[49] Neh. 9.35, 36, 37.

[50] cap. 32.15.

[51] Jer. 28.14.

[52] Jer. 5.15 e 6.22, 23. Luc. 19.43.

[53] Jer. 48.40 e 49.22. Lam. 4.19. Eze. 17.3, 12. Ose. 8.1.

[54] II Chr. 36.17. Isa. 47.6.

[55] ver. 33. Isa. 1.7 e 62.8.

[56] II Sam. 25.1, 2, 4.

[57] Lev. 26.29. II Reis 6.28, 29. Jer. 19.19. Lam. 2.20 e 4.10.

[58] cap. 15.9 e 13.6.

[59] ver. 54.

[60] Gen. 49.10.

[61] Exo. 6.3.

[62] Dan. 9.12.

[63] cap. 7.15.

[64] cap. 4.27 e 10.22. Neh. 9.23.

[65] cap. 30.9. Jer. 32.41.

[66] Pro. 1.26. Isa. 1.24.

[67] Lev. 26.33. cap. 4.27. Neh. 1.8. Jer. 16.13.

[68] ver. 36.

[69] Amós 9.4.

[70] Lev. 26.16, 36.

[71] Job 7.4. ver. 34.

[72] Jer. 43.7. Ose. 8.13 e 9.3. cap. 17.16.

[204]

Deus faz um novo pacto com o povo.

29 Estas são as palavras do concerto que o Senhor ordenou a Moysés na terra de Moab, que fizesse com os filhos de Israel, além do concerto [1] que fizera com elles em Horeb.

2 E chamou Moysés a todo o Israel, e disse-lhes: Tendes visto [2] tudo quanto o Senhor fez na terra do Egypto, perante vossos olhos, a Pharaó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra:

3 As grandes provas [3] que os teus olhos teem visto, aquelles signaes e grandes maravilhas:

4 Porém não vos tem dado [4] o Senhor um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje.

5 E quarenta annos vos fiz [5] andar pelo deserto: não se envelheceram sobre vós os vossos vestidos, e nem se envelheceu no teu pé o teu sapato.

6 Pão não comestes, [6] e vinho e bebida forte não bebestes: para que soubesseis que eu sou o Senhor vosso Deus.

7 Vindo vós pois a este logar, Sehon, [7] rei de Hesbon, e Og, rei de Basan, nos sairam ao encontro, á peleja, e nós os ferimos:

8 E tomámos a sua terra, e a démos [8] por herança aos rubenitas, e aos gaditas, e á meia tribu dos manassitas.

9 Guardae [9] pois as palavras d’este concerto, e fazei-as, para que [HO] prospereis [10] em tudo quanto fizerdes.

10 Vós todos estaes hoje perante o Senhor vosso Deus: os Cabeças de vossas tribus, vossos anciãos, e os vossos officiaes, todo o homem de Israel;

11 Os vossos meninos, as vossas mulheres, e o estrangeiro que está no meio do teu arraial; desde o rachador da tua lenha [11] até ao tirador da tua agua;

12 Para que entres no concerto do Senhor teu Deus, e no seu [12] juramento que o Senhor teu Deus hoje faz comtigo;

13 Para que hoje [13] te confirme a si por povo, e elle te seja a ti por Deus, como te tem dito, e como jurou a teus paes, Abrahão, Isaac e Jacob.

14 E não sómente comvosco [14] faço este concerto e este juramento,

15 Mas com aquelle que hoje está aqui em pé comnosco perante o Senhor nosso Deus, e com [15] aquelle que hoje não está aqui comnosco.

16 Porque vós sabeis como habitámos na terra do Egypto, e como passámos pelo meio das nações pelas quaes passastes;

17 E vistes as suas abominações, e os seus idolos, o pau e a pedra, a prata e o oiro que havia entre elles.

18 Para que entre vós não haja homem, nem mulher, nem familia, nem tribu, cujo coração [16] hoje se desvie do Senhor nosso Deus, para que vá servir aos deuses d’estas nações; para que entre [17] vós não haja raiz que dê fel e absintho;

19 E aconteça que, ouvindo as palavras d’esta maldição, se abençôe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme ao bom parecer [18] do meu coração; para accrescentar á sêde a bebedice.

20 O Senhor não lhe quererá perdoar; mas então fumegará [19] a ira do Senhor e o seu zelo sobre o tal homem, e toda a maldição escripta n’este livro jazerá sobre elle; e o Senhor apagará [20] o seu nome de debaixo do céu.

21 E o Senhor o separará para mal [21] de todas as tribus de Israel, conforme a todas as maldições do concerto escripto no livro d’esta lei.

22 Então dirá a geração vindoura, os vossos filhos, que se levantarem depois de vós, e o estranho que virá de terras remotas, vendo as pragas d’esta terra, e as suas doenças, com que o Senhor a terá affligido;

23 E toda a sua terra abrazada com enxofre e sal, [22] de sorte que não será semeada, e nada produzirá, nem n’ella crescerá herva alguma: assim como foi a [23] destruição de Sodoma e de Gomorrha, de Adama e de Zeboim, que o Senhor destruiu na sua ira e no seu furor.

24 E todas as nações dirão: Porque fez [24] o Senhor assim com esta terra? qual foi a causa do furor d’esta tão grande ira?

25 Então se dirá: Porquanto deixaram o concerto do Senhor, o Deus de seus paes, que com elles tinha feito, quando os tirou do Egypto.

26 E elles foram-se, e serviram a outros deuses, e se inclinaram diante d’elles; deuses que os não conheceram, e nenhum dos quaes elle lhes tinha dado.

[205]

27 Pelo que a ira do Senhor se accendeu contra esta terra, para trazer [25] sobre ella toda a maldição que está escripta n’este livro.

28 E o Senhor os tirou da sua terra com ira, e com indignação, e com grande furor, e os lançou em [26] outra terra, como n’este dia se vê.

29 As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre, para fazer todas as palavras d’esta lei.

[1] cap. 5.2, 3.

[2] Exo. 19.4.

[3] cap. 4.34 e 7.19.

[4] Isa. 6.9, 10 e 63.17. João 8.43. Act. 28.26, 27. Eph. 4.18. II The. 2.11, 12.

[5] cap. 1.3 e 8.2, 4.

[6] Exo. 16.12. cap. 8.3. Psa. 78.24.

[7] Num. 21.23, 24, 33. cap. 2.32 e 3.1.

[8] Num. 32.33. cap. 3.12.

[9] cap. 4.6. Jos. 1.7. I Reis 2.3.

[10] Jos. 1.7.

[11] Jos. 9.21, 23, 27.

[12] Neh. 10.29.

[13] cap. 28.9. Exo. 6.7. Gen. 17.7.

[14] Jer. 31.31, 32, 33. Heb. 8.7, 8.

[15] Act. 2.39. I Cor. 7.14.

[16] cap. 11.16.

[17] Act. 8.23. Heb. 12.15.

[18] Num. 15.39. Ecc. 11.9. Isa. 30.1.

[19] Eze. 14.7, 8. Psa. 74.1 e 79.5. Eze. 23.25.

[20] cap. 9.14.

[21] Mat. 24.51.

[22] Psa. 107.34. Jer. 17.6. Sof. 2.9.

[23] Gen. 19.24. Jer. 20.16.

[24] I Reis 9.8. Jer. 22.8, 9.

[25] Dan. 9.11, 13, 14.

[26] I Reis 14.15. II Chr. 7.20. Psa. 52.7. Pro. 2.22.

A misericordia de Deus para com os que se arrependem.

30 E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, [1] a benção ou a maldição, que tenho posto diante de ti, e te recordares [2] d’ellas entre todas as nações, para onde te lançar o Senhor teu Deus;

2 E te converteres [3] ao Senhor teu Deus, e deres ouvidos á sua voz, conforme a tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, com todo o teu coração, e com toda a tua alma;

3 Então o Senhor [4] teu Deus te fará voltar do teu captiveiro, e se apiedará de ti; e tornará a ajuntar-te [5] d’entre todas as nações entre as quaes te espalhou o Senhor teu Deus.

4 Ainda [6] que os teus desterrados estejam para a extremidade do céu, desde ali te ajuntará o Senhor teu Deus, e te tomará d’ali;

5 E o Senhor teu Deus te trará á terra que teus paes possuiram, e a possuirás; e te fará bem, e te multiplicará mais do que a teus paes.

6 E o Senhor [7] teu Deus circumcidará o teu coração, e o coração de tua semente; para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas.

7 E o Senhor teu Deus porá todas estas maldições sobre os teus inimigos, e sobre os teus aborrecedores, que te perseguiram.

8 Converter-te-has pois, e darás ouvidos á voz do Senhor; farás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno.

9 E [8] o Senhor teu Deus te fará abundar em toda a obra das tuas mãos, no fructo do teu ventre, e no fructo dos teus animaes, e no fructo da tua terra para bem; porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para bem, [9] como se alegrou em teus paes;

10 Quando deres ouvidos á voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus estatutos, escriptos n’este livro da lei, quando te converteres ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma.

A lei do Senhor é bem patente.

11 Porque este mandamento, que hoje te ordeno, te não é encoberto, e tão pouco está [10] longe de ti.

12 Não está nos céus, [11] para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que nol-o traga, e nol-o faça ouvir, para que o façamos?

13 Nem tão pouco está d’além do mar, para dizeres: Quem passará por nós d’além do mar, para que nol-o traga, e nol-o faça ouvir, para que o façamos?

14 Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua bocca, e no teu coração, para a fazeres.

15 Vês aqui, [12] hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;

16 Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juizos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.

17 Porém se o teu coração se desviar, e não quizeres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinar a outros deuses, e os servires,

18 Então eu vos [13] denuncio hoje que, certamente, perecereis: não prolongareis os dias na terra a que vaes, passando o Jordão, para que, entrando n’ella, a possuas;

19 Os céus e a terra [14] tomo hoje por testemunhas contra vós, que te tenho proposto a vida e a morte, a benção e a maldição: escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua semente,

20 Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos á sua voz, e te achegando a elle: pois elle é a tua vida, [15] e a longura dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus paes, a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, que lhes havia de dar.

[1] Lev. 26.40. cap. 28.

[2] cap. 4.29, 30. I Reis 8.47.

[3] Neh. 1.9. Isa. 55.7. Lam. 3.40. Joel 2.12, 13.

[4] Psa. 106.45. Jer. 29.14. Lam. 3.22, 32.

[5] Jer. 32.37. Eze. 34.13 e 36.24.

[6] cap. 28.64. Neh. 1.9.

[7] cap. 10.16. Jer. 32.39. Eze. 11.19 e 36.26.

[8] cap. 28.11.

[9] cap. 28.63. Jer. 32.41.

[10] Isa. 45.19.

[11] Rom. 10.6, etc.

[12] ver. 1, 19. cap. 11.26.

[13] cap. 4.26 e 8.19.

[14] cap. 4.26 e 31.28. ver. 15.

[15] Psa. 27.1. João 11.25.

[206]

Moysés nomeia Josué seu successor.

31 Depois foi Moysés, e fallou estas palavras a todo o Israel;

2 E disse-lhes: Da edade [1] de cento e vinte annos sou eu hoje: já não poderei mais sair e entrar: além d’isto, o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.

3 O Senhor teu Deus passará diante de ti; elle destruirá estas nações diante de ti, para que as possuas: Josué passará diante de ti, como [2] o Senhor tem dito.

4 E o Senhor lhes fará [3] como fez a Sehon e a Og, reis dos amorrheos, e á sua terra, os quaes destruiu.

5 Quando [4] pois o Senhor vol-os der diante de vós, então com elles fareis conforme a todo o mandamento que vos tenho ordenado.

6 Esforçae-vos, e animae-vos; não [5] temaes, nem vos espanteis diante d’elles: porque [6] o Senhor teu Deus é o que vae comtigo: não te deixará nem te desamparará.

7 E chamou Moysés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; [7] porque com este povo entrarás na terra que o Senhor jurou a teus paes lhes dar; e tu os farás herdal-a.

8 O Senhor pois é aquelle que vae diante de ti; elle será [8] comtigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.

A lei deve ser lida ao povo de sete em sete annos.

9 E Moysés escreveu esta lei, e a deu [9] aos sacerdotes, [10] filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do Senhor, e a todos os anciãos d’Israel.

10 E deu-lhes ordem Moysés, dizendo: Ao fim de cada sete annos, no tempo determinado do anno da [11] remissão, na festa dos tabernaculos,

11 Quando todo o Israel vier a comparecer perante [12] o Senhor teu Deus, no logar que elle escolher, lerás [13] esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos.

12 Ajunta o povo, [14] homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras d’esta lei;

13 E que seus filhos, [15] que a não souberem, ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual ides, passando o Jordão, a possuir.

Deus dá a Josué o encargo do povo.

14 E disse o Senhor a Moysés: Eis-que [16] os teus dias são chegados, para que morras; chama a Josué, e ponde-vos na tenda da congregação, para que eu [17] lhe dê ordem. Assim foi Moysés e Josué, e se puzeram na tenda da congregação.

15 Então o Senhor [18] appareceu na tenda, na columna de nuvem; e a columna de nuvem estava sobre a porta da tenda.

16 E disse o Senhor a Moysés: Eis que dormirás com teus paes: e este povo se levantará, e [19] fornicará em seguimento dos deuses dos estranhos da terra, para o meio dos quaes vae, e me deixará, [20] e annullará o meu concerto que tenho feito com elle.

17 Assim se accenderá a minha ira n’aquelle dia contra elle, [21] e desamparal-o-hei, e esconderei o meu rosto d’elles, para que sejam devorados: e tantos males e angustias o alcançarão, que dirá n’aquelle dia: Não me alcançaram estes males, porquanto o meu Deus não está no [22] meio de mim?

18 Esconderei [23] pois totalmente o meu rosto n’aquelle dia, por todo o mal que tiver feito, por se haver tornado a outros deuses.

Deus põe um cantico na bocca de Josué.

19 Agora pois escrevei-vos este cantico, e ensinae-o aos filhos d’Israel: ponde-o na sua bocca, para que este cantico me seja por testemunha contra [24] os filhos d’Israel.

20 Porque o metterei na terra que jurei a seus paes, que mana leite e mel; e comerá, e se fartará, e se engordará: [25] então se tornará a outros deuses, e os servirá, e me irritarão, e annullarão o meu concerto.

21 E será que, [26] quando o alcançarem[207] muitos males e angustias, então este cantico responderá contra elle por testemunha, pois não será esquecido da bocca de sua semente; porquanto conheço a sua boa imaginação, o que elle faz hoje, [27] antes que o metta na terra que tenho jurado.

22 Assim Moysés escreveu este cantico n’aquelle dia, e o ensinou aos filhos d’Israel.

23 E ordenou [28] a Josué, filho de Nun, e disse: Esforça-te e anima-te; [29] porque tu metterás os filhos d’Israel na terra que lhes jurei; e eu serei comtigo.

24 E aconteceu que, acabando [30] Moysés de escrever as palavras d’esta lei n’um livro, até de todo as acabar,

25 Deu ordem Moysés aos levitas que levavam a arca do concerto do Senhor, dizendo:

26 Tomae este livro da lei, e ponde-o [31] ao lado da arca do concerto do Senhor vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti.

27 Porque conheço a tua rebellião e a tua [32] dura cerviz: eis que, vivendo eu ainda hoje comvosco, rebeldes fostes contra o Senhor; e quanto mais depois da minha morte.

28 Ajuntae perante mim todos os anciãos das vossas tribus, e vossos officiaes, e aos vossos ouvidos fallarei estas palavras, e contra elles por testemunhas tomarei [33] os céus e a terra.

29 Porque eu sei que depois da minha morte certamente vos corrompereis, [34] e vos desviareis do caminho que vos ordenei: então este mal vos alcançará [35] nos ultimos dias, quando fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira com a obra das vossas mãos.

30 Então Moysés fallou as palavras d’este cantico aos ouvidos de toda a congregação de Israel, até se acabarem.

[1] Exo. 7.7. cap. 34.7. Num. 27.17. I Reis 3.7. Num. 20.12 e 27.13. cap. 3.27 e 9.3.

[2] Num. 27.21. cap. 3.28.

[3] cap. 3.21. Num. 21.24, 33.

[4] cap. 7.2.

[5] Jos. 10.25. I Chr. 22.13. cap. 1.29 e 7.18.

[6] cap. 20.4. Jos. 1.5. Heb. 13.5.

[7] ver. 23. cap. 1.38 e 3.28. Jos. 1.6.

[8] Exo. 13.21, 22 e 33.14. cap. 9.3. Jos. 1.6, 9. I Chr. 28.20.

[9] ver. 25. cap. 17.18.

[10] Num. 4.15. Jos. 3.3. I Chr. 15.12, 15.

[11] cap. 15.1. Lev. 23.24.

[12] cap. 16.16.

[13] Jos. 8.34. II Reis 23.2. Neh. 8.1, 2, 3, etc.

[14] cap. 4.10.

[15] cap. 11.2. Psa. 78.6, 7.

[16] Num. 27.13. cap. 34.5.

[17] ver. 23. Num. 27.19.

[18] Exo. 33.9.

[19] Exo. 32.6 e 34.15. Jui. 2.17.

[20] cap. 32.15. Jui. 2.12, 20 e 19.6, 13.

[21] II Chr. 15.2. cap. 32.20. Psa. 104.29. Isa. 8.17 e 64.7. Eze. 23.39.

[22] Jui. 6.13, 42. Num. 14.

[23] ver. 17.

[24] ver. 26.

[25] cap. 32.15. Neh. 9.25, 26. Ose. 13.6. ver. 16.

[26] ver. 17.

[27] Ose. 5.3 e 13.5, 6. Amós 5.25.

[28] ver. 14.

[29] ver. 7. Jos. 1.6.

[30] ver. 9.

[31] II Reis 22.8. ver. 19.

[32] cap. 9.24 e 32.20. Exo. 32.9. cap. 9.6.

[33] cap. 30.19 e 32.1.

[34] cap. 32.5. Jui. 2.19. Ose. 9.9.

[35] cap. 28.15. Gen. 49.1. cap. 4.30.

Ultimo cantico de Moysés.

32 Inclinae os ouvidos, [1] ó céus, e fallarei: e ouça a terra as palavras da minha bocca.

2 Goteje a minha doutrina [2] como a chuva, distille o meu dito como o orvalho, como [3] chuvisco sobre a herva e como gotas d’agua sobre a relva.

3 Porque apregoarei o nome do Senhor: dae grandeza [4] a nosso Deus.

4 Elle é a Rocha, cuja obra é perfeita, [5] porque todos os seus caminhos juizo são: Deus é a verdade, e [6] não ha n’elle injustiça; justo e recto é.

5 Corromperam-se [7] contra elle, seus filhos elles não são, a sua mancha é d’elles: geração perversa e torcida é.

6 Recompensaes assim [8] ao Senhor, povo louco e ignorante? não é elle teu Pae, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?

7 Lembra-te dos dias da antiguidade, attentae para os annos de muitas gerações: pergunta [9] a teu pae, e elle te informará, aos teus anciãos, e elles t’o dirão.

8 Quando o Altissimo distribuia as [10] heranças ás nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, os termos dos povos tem posto, conforme ao numero dos filhos d’Israel.

9 Porque a porção [11] do Senhor é o seu povo; Jacob é a corda da sua herança.

10 Achou-o na terra do [12] deserto, e n’um ermo solitario cheio de uivos; trouxe-o ao redor, instruiu-o, [13] guardou-o como a menina do seu olho.

11 Como [14] a aguia desperta o seu ninho, se move sobre os seus filhos, estende as suas azas, toma-os, e os leva sobre as suas azas,

12 Assim só o Senhor o guiou: e não havia com elle deus estranho.

13 Elle o fez cavalgar [15] sobre as alturas da terra, e comeu as novidades do campo, e o fez chupar [16] mel da rocha e azeite da dura pederneira,

14 Manteiga de vaccas, e leite do rebanho, com a gordura [17] dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Basan, e dos bodes, com gordura dos rins do trigo; e bebeste o [18] sangue das uvas, o vinho puro.

15 E, engordando-se [19] Jeshurun, deu coices; engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste: e deixou [20] a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação.

16 Com [21] deuses estranhos o provocaram[208] a zelos; com abominações o irritaram.

17 Sacrificios [22] offereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram ha pouco, dos quaes não se estremeceram vossos paes.

18 Esqueceste-te [23] da Rocha que te gerou; e em esquecimento puzeste o Deus que te formou.

19 O que vendo [24] o Senhor, os desprezou, provocado á ira contra seus filhos e suas filhas;

20 E disse: [25] Esconderei o meu rosto d’elles, verei qual será o seu fim; porque são geração de perversidade, filhos em quem não ha lealdade.

21 A zelos me provocaram [26] com aquillo que não é Deus; com as suas vaidades me provocaram á ira; portanto eu os provocarei [27] a zelos com os que não são povo; com nação louca os despertarei á ira.

22 Porque um fogo [28] se accendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consummirá a terra com a sua novidade, e abrazará os fundamentos dos montes.

23 Males amontoarei [29] sobre elles; as minhas settas esgotarei contra elles.

24 Exhaustos serão de fome, comidos de carbunculo e de peste amarga: e entre elles enviarei dentes [30] de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó.

25 Por fóra devastará a espada, [31] e por dentro o pavor: ao mancebo, juntamente com a virgem, assim á creança de mama, como ao homem de cãs.

26 Eu dizia: [32] Em todos os cantos os espalharia; faria cessar a sua memoria d’entre os homens,

27 Se eu não receiara a ira do inimigo, [33] para que os seus adversarios o não estranhassem, e para que não digam: A nossa mão está alta; o Senhor não fez tudo isto.

28 Porque são gente falta de conselhos, e n’elles não ha entendimento.

29 Oxalá elles fossem sabios! [34] que isto entendessem, e attentassem para o seu fim!

30 Como pode ser que um [35] só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil, se a sua Rocha os não vendera, [36] e o Senhor os não entregara?

31 Porque [37] a sua rocha não é como a nossa Rocha; sendo até os nossos inimigos juizes d’isto.

32 Porque a sua vinha [38] é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorrha: as suas uvas são uvas de fel, [39] cachos amargosos teem.

33 O seu vinho é ardente veneno de dragões, e peçonha cruel de viboras.

34 Não está isto [40] encerrado comigo? sellado nos meus thesouros?

35 Minha é a vingança [41] e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé: porque o dia da sua ruina está proximo, e as coisas que lhes hão de succeder, se apressam a chegar.

36 Porque o Senhor fará justiça [42] ao seu povo, e se arrependerá pelos seus servos: porquanto o poder d’elle foi-se, e não ha fechado [43] nem desamparado.

37 Então dirá: Onde estão [44] os seus deuses? a rocha em quem confiavam,

38 De cujos sacrificios comiam a gordura, e de cujas libações bebiam o vinho? levantem-se, e vos ajudem, para que haja para vós escondedouro.

39 Vêde agora que Eu, [45] Eu O sou, e mais nenhum Deus comigo: Eu mato, e Eu faço viver: [46] Eu firo, e Eu saro: e ninguem ha que escape da minha mão.

40 Porque levantarei [47] a minha mão aos céus, e direi: Eu vivo para sempre.

41 Se eu afiar a minha espada [48] reluzente, e se travar do juizo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversarios, e recompensarei aos meus aborrecedores.

42 Embriagarei as minhas settas de sangue, [49] e a minha espada comerá carne: do sangue dos mortos e dos prisioneiros, [50] desde a cabeça, haverá vinganças do inimigo.

43 Jubilae, [51] ó nações, com o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversarios fará tornar a vingança, e terá misericordia da sua terra e do seu povo.

44 E veiu Moysés, e fallou todas[209] palavras d’este cantico aos ouvidos do povo, elle e [HP] Hosea, filho de Nun.

45 E, acabando Moysés de fallar todas estas palavras a todo o Israel,

46 Disse-lhes: [52] Applicae o vosso coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, para que as recommendeis a vossos filhos, para que tenham cuidado de fazerem todas as palavras d’esta lei.

47 Porque esta palavra não vos é vã, antes é [53] a vossa vida; e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra a que passaes o Jordão a possuil-a.

48 Depois fallou [54] o Senhor a Moysés, n’aquelle mesmo dia, dizendo:

49 Sobe ao monte d’Abarim, [55] ao monte Nebo, que está na terra de Moab, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaan, que darei aos filhos de Israel por possessão.

50 E morre no monte, ao qual subirás; e recolhe-te aos teus povos, como [56] Aarão teu irmão morreu no monte de Hor, e se recolheu aos seus povos.

51 Porquanto traspassastes contra mim no meio dos filhos [57] de Israel, ás aguas da contenção em Cades, no deserto de Zin: pois me não sanctificastes no meio doe filhos de Israel.

52 Pelo que verás a terra diante de ti, [58] porém não entrarás n’ella, na terra que darei aos filhos de Israel.

[1] cap. 4.26 e 30.19 e 31.28. Psa. 50.4. Isa. 1.2. Jer. 2.12 e 6.19.

[2] Isa. 55.10. I Cor. 3.6.

[3] Psa. 72.6. Miq. 5.7.

[4] I Chr. 29.11.

[5] II Sam. 22.31. Dan. 4.37. Apo. 18.3.

[6] Jer. 10.10. Job 34.10. Psa. 92.16.

[7] cap. 31.26. Mat. 17.17. Luc. 9.41. Phi. 2.15.

[8] Psa. 116.12. Isa. 63.16. ver. 15. Isa. 27.11 e 44.2.

[9] Exo. 13.14. Psa. 44.2.

[10] Zac. 9.2. Act. 17.26. Gen. 11.8.

[11] Exo. 15.16 e 19.5. I Sam. 10.1.

[12] cap. 8.15. Jer. 2.6. Ose. 13.5.

[13] cap. 4.36. Psa. 17.8. Pro. 7.2. Zac. 2.8.

[14] Exo. 19.4. cap. 1.31. Isa. 31.5 e 46.4 e 63.9. Ose. 11.3.

[15] cap. 33.29. Isa. 58.14. Eze. 36.2.

[16] Job 29.6. Psa. 81.17.

[17] Psa. 81.17.

[18] Gen. 49.11.

[19] cap. 35.5, 26. Isa. 44.2. I Sam. 2.29. cap. 31.20. Neh. 9.25. Psa. 17.10. Jer. 2.7 e 5.7, 28. Ose. 13.6.

[20] cap. 31.16. Isa. 1.4. Isa. 51.13. II Sam. 22.47. Psa. 89.27.

[21] I Sam. 14.22. I Cor. 14.22.

[22] Lev. 17.7. Psa. 106.37.

[23] Isa. 17.10. Jer. 2.32.

[24] Jui. 2.14. Isa. 1.2.

[25] cap. 31.17. Isa. 30.9. Mat. 17.16.

[26] ver. 16. Psa. 78.58. I Sam. 12.21. I Reis 16.13, 25. Psa. 31.7. Jer. 8.19 e 10.8 e 14.22. Jon. 2.8. Act. 14.15.

[27] Ose. 1.10. Rom. 10.19.

[28] Jer. 15.14 e 17.4. Lam. 4.11.

[29] Isa. 26.15. Psa. 7.12. Eze. 5.16.

[30] Lev. 26.22.

[31] Lam. 1.20. Eze. 7.15. II Cor. 7.5.

[32] Eze. 20.13, 14, 23.

[33] Jer. 19.3. Psa. 139.9.

[34] Isa. 27.11. Jer. 4.22. cap. 5.29. Luc. 19.42. Isa. 47.7. Lam. 1.9.

[35] Lev. 26.8. Jos. 23.10. II Chr. 24.24. Isa. 30.17.

[36] Psa. 44.13. Isa. 50.1 e 52.3.

[37] I Sam. 2.2 e 4.8. Jer. 40.3.

[38] Isa. 1.10.

[39] Psa. 57.5. Rom. 3.13.

[40] Job 14.17. Jer. 2.22. Ose. 13.12. Rom. 2.5.

[41] Psa. 95.1. Rom. 12.19. Heb. 10.30. II Ped. 2.3.

[42] Psa. 135.14. Jui. 2.18. Psa. 106.45. Jer. 31.20. Joel 2.14.

[43] I Reis 14.10 e 21.21. II Reis 9.8 e 14.26.

[44] Jui. 10. Jer. 2.28.

[45] Psa. 102.28. Isa. 41.4 e 45.5, 18, 22.

[46] I Sam. 2.6. II Reis 5.7. Job 5.18. Ose. 6.1.

[47] Gen. 14.22. Exo. 6.8. Num. 14.30.

[48] Isa. 27.1. Eze. 21.9, 10, 14, 20. Isa. 1.24. Nah. 1.2.

[49] Jer. 46.10.

[50] Job 13.24. Jer. 30.14. Lam. 1.5.

[51] Rom. 15.10. Apo. 6.10. Psa. 85.2.

[52] cap. 6.6 e 11.18. Eze. 40.4.

[53] cap. 30.19. Lev. 18.5. Pro. 3.2, 22 e 4.22. Rom. 10.5.

[54] Num. 27.12, 13.

[55] Num. 33.47, 48. cap. 34.1.

[56] Num. 20.25, 28 e 33.38.

[57] Num. 20.11, 12, 13 e 27.14. Lev. 10.3.

[58] Num. 27.12. cap. 34.4.

A magestade de Deus.

33 Esta, porém, é a benção com [1] que Moysés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel antes da sua morte.

2 Disse pois: O Senhor veiu de Sinai, [2] e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Paran, e veiu com dez milhares de sanctos: á sua direita havia para elles o fogo da lei.

3 Na verdade ama os povos; [3] todos os seus sanctos estão na tua mão; [4] postos serão no meio, entre os teus pés, cada um receberá das tuas palavras.

4 Moysés nos deu a lei [5] por herança da congregação de Jacob.

5 E foi rei em Jeshurun, [6] quando se congregaram em um os Cabeças do povo com as tribus de Israel.

As bençãos das tribus.

6 Viva Ruben, e não morra, e que os seus homens sejam numerosos.

7 E isto é o que disse de Judah; e disse: Ouve, ó Senhor, a voz de Judah, e introduze-o no seu povo: as suas mãos [7] lhe bastem, e tu lhe sejas em ajuda contra os seus inimigos.

8 E de Levi disse: Teu Thummim [8] e teu Urim são para o teu amado, que tu provaste em Massah, com quem contendeste ás aguas de Meribah.

9 Aquelle que disse a seu pae e a sua mãe: Nunca o vi; e não [9] conheceu a seus irmãos, e não estimou a seus filhos: pois guardaram [10] a tua palavra e observaram o teu concerto.

10 Ensinaram os teus juizos a [11] Jacob, e a tua lei a Israel; metteram incenso no teu nariz, e o holocausto sobre o teu altar.

11 Abençoa o seu poder, ó Senhor, e a obra das suas mãos te aguarde: fere [12] os lombos dos que se levantam contra elle e o aborrecem, que nunca mais se levantem.

12 E de Benjamin disse: O amado do Senhor habitará seguro com elle; todo o dia o cobrirá, e morará entre os seus hombros.

13 E de José disse: Bemdita [13] do Senhor seja a sua terra, com o mais excellente dos céus, como orvalho, e com o abysmo que jaz abaixo.

14 E com as mais excellentes novidades do sol, e com as mais excellentes producções da lua,

15 E com o mais excellente [14] dos montes antigos, e com o mais excellente dos outeiros eternos,

16 E com o mais excellente da terra, e com a sua plenidão, [15] e com a benevolencia d’aquelle que habitava na sarça, a benção venha sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos.

17 Elle tem a gloria do primogenito do seu boi, [16] e [HQ] as suas pontas são pontas de unicornio; com elles escorneará os povos juntamente até ás extremidades da terra: estes pois são os dez milhares de Ephraim, [17] e estes são os milhares de Manasseh.

[210]

18 E de Zebulon disse: [18] Zebulon, alegra-te nas tuas saidas; e tu, Issacar, nas tuas tendas.

19 Elles chamarão [19] os povos ao monte: ali offerecerão offertas de justiça, porque chuparão a abundancia dos mares e os thesouros escondidos da areia.

20 E de Gad [20] disse: Bemdito aquelle que faz dilatar a Gad, habita como a leoa, e despedaça o braço e alto da cabeça.

21 E se [21] proveu do primeiro, porquanto ali estava escondida a porção do legislador: pelo que veiu com os chefes do povo, executou a justiça do Senhor e os seus juizos para com Israel.

22 E de Dan disse: Dan é leãozinho; saltará de [22] Basan.

23 E de Naphtali disse: Farta-te, ó Naphtali, da benevolencia, e [23] enchete da benção do Senhor; possue o occidente e o meio dia.

24 E de Aser disse: Bemdito seja Aser com seus filhos, [24] agrade a seus irmãos, e banhe em azeite o seu pé.

25 O ferro e o metal [25] será o teu calçado; e a tua força será como os teus dias.

26 Não ha outro, ó Jeshurun, similhante a Deus! [26] que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua alteza sobre as mais altas nuvens.

27 O Deus eterno te seja [27] por habitação, e por baixo sejam os braços eternos: e elle lance o inimigo de diante de ti, e diga: Destroe-o.

28 Israel pois habitará [28] só seguro, na terra da fonte de Jacob, na terra de grão e de mosto: e os seus céus gotejarão orvalho.

29 Bemaventurado tu, ó [29] Israel! quem é como tu? um povo salvo pelo Senhor, [30] o escudo do teu soccorro, e a espada da tua alteza: [31] pelo que os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas.

[1] Gen. 49.28. Psa. 90.1.

[2] Exo. 19.18. Jui. 5.4, 5. Hab. 3.3. Dan. 7.10. Act. 7.53. Gal. 3.19. Heb. 2.2. Apo. 5.11.

[3] Exo. 19.5. Ose. 11.1. Mal. 1.2.

[4] cap. 7.6. I Sam. 2.9. Luc. 10.39. Act. 22.3. Pro. 2.1.

[5] João 1.17. Psa. 119.111.

[6] Gen. 30.31. Jui. 9.2 e 17.6. cap. 32.15.

[7] Gen. 49.8. Psa. 146.5.

[8] Exo. 28.30 e 17.7. Num. 20.13. cap. 8.2, 3. Psa. 8.8.

[9] Gen. 29.32. I Chr. 17.17. Job 37.24. Exo. 32.26.

[10] Jer. 18.18. Mal. 2.5, 6.

[11] Lev. 10.11. cap. 17.9. Eze. 44.23. Mal. 2.7. Exo. 30.7, 8. Num. 16.40. I Sam. 2.28. Lev. 1.9. Eze. 43.27.

[12] II Sam. 24.23. Eze. 20.40.

[13] Gen. 49.25 e 27.28.

[14] Gen. 49.26. Hab. 3.6.

[15] Exo. 3.2, 4. Act. 7.30, 35. Gen. 49.26.

[16] I Chr. 5.7. Num. 23.22. I Reis 22.11.

[17] Gen. 48.19.

[18] Gen. 49.13, 14, 15.

[19] Isa. 2.3. Psa. 4.6.

[20] Jos. 13.10, etc. I Chr. 12.8, etc. Jos. 4.12.

[21] Num. 32.16, 17, etc. Jos. 4.12.

[22] Jos. 19.47. Jui. 18.27.

[23] Gen. 49.21. Jos. 19.32, etc.

[24] Gen. 49.20. Job 29.6.

[25] cap. 8.9.

[26] Exo. 15.11. Jer. 10.6. cap. 32.15. Psa. 68.5. Hab. 3.8.

[27] Psa. 88.1. cap. 9.3, 4, 5.

[28] Num. 23.9. Jer. 23.6 e 33.16. cap. 8.7, 8. Gen. 27.28. cap. 11.11.

[29] Psa. 144.15. II Sam. 7.23.

[30] Psa. 115.9, 10, 11.

[31] II Sam. 22.45. Psa. 18.44. cap. 32.13.

Moysés sobe ao monte Nebo, vê a terra promettida e morre.

34 Então subiu Moysés das campinas de Moab ao monte Nebo, ao [1] cume de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor mostrou-lhes toda a terra desde Gilead até Dan;

2 E todo Naphtali, e a terra d’Ephraim, e Manasseh; e toda a terra de Judah, até [2] ao mar [3] ultimo;

3 E o sul, e a campina do valle de Jericó, a cidade das palmeiras até Zoar.

4 E disse-lhe o Senhor: Esta é [4] a terra de que jurei a Abrahão, Isaac, e Jacob, dizendo: Á tua semente a darei: mostro-t’a para a veres com os teus olhos; porém lá não passarás.

5 Assim morreu ali [5] Moysés, servo do Senhor, na terra de Moab, conforme ao dito do Senhor.

6 E o sepultou n’um valle, na terra de Moab, defronte de Beth-peor; [6] e ninguem tem sabido até hoje a sua sepultura.

7 Era Moysés [7] da edade de cento e vinte annos quando morreu: os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor.

8 E os filhos d’Israel prantearam a Moysés trinta dias nas campinas de Moab: [8] e os dias do pranto do luto de Moysés se cumpriram.

9 E Josué, filho de Nun, [9] foi cheio do espirito de sabedoria, porquanto Moysés tinha posto sobre elle as suas mãos: assim os filhos d’Israel lhe deram ouvidos, e fizeram como o Senhor ordenara a Moysés.

10 E nunca mais se [10] levantou em Israel propheta algum como Moysés, a quem o Senhor conhecera cara a cara;

11 Nem similhante em todos os signaes [11] e maravilhas, a que o Senhor o enviou para fazer na terra do Egypto, a Pharaó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra;

12 E em toda a mão forte, e em todo o espanto grande, que obrou Moysés aos olhos de todo o Israel.

[1] Num. 27.12 e 33.47. cap. 32.49 e 3.27. Gen. 14.14.

[2] cap. 11.24.

[3] Jui. 1.16 e 3.13. II Chr. 28.15.

[4] Gen. 12.7 e 13.15 e 15.18 e 26.3 e 28.13. cap. 3.27 e 32.52.

[5] cap. 32.50. Jos. 1.1, 2.

[6] Jud. 9.

[7] cap. 31.2. Gen. 27.1 e 48.10. Jos. 14.10, 11.

[8] Gen. 50.3, 10. Num. 20.29.

[9] Isa. 11.2. Dan. 6.3. Num. 27.18, 23.

[10] cap. 18.15, 18. Exo. 33.11. Num. 12.6, 8. cap. 5.4.

[11] cap. 4.34 e 7.19.

[211]


O LIVRO DE JOSUÉ.

Deus falla a Josué e anima-o.

Antes de Christo 1451

1 E succedeu depois da morte de Moysés, servo do Senhor, que o Senhor fallou a Josué, filho de [1] Nun, servo de Moysés, dizendo:

2 Moysés, meu [2] servo, é morto: levanta-te pois agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, a terra que eu dou aos filhos d’Israel.

3 Todo o logar [3] que pisar a planta do vosso pé vol-o tenho dado, como eu disse a Moysés.

4 Desde o deserto [4] e desde este Libano, até ao grande rio, o rio Euphrates, toda a terra dos hetheos, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.

5 Nenhum [5] se susterá diante de ti, todos os dias da tua vida: como fui com Moysés, [6] assim serei comtigo: não te deixarei nem te desampararei.

6 Esforça-te, e tem bom animo: porque [7] tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus paes lhes daria.

7 Tão sómente esforça-te e tem mui bom animo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei [8] que meu servo Moysés te ordenou; d’ella não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

8 Não se aparte da tua bocca o livro d’esta lei; [9] antes medita n’elle dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto n’elle está escripto; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás.

9 Não t’o mandei eu? [10] esforça-te, e tem bom animo; não pasmes, nem te espantes: porque o Senhor teu Deus é comtigo, por onde quer que andares.

Josué prepara o povo para passar o Jordão.

10 Então deu ordem Josué aos principes do povo, dizendo:

11 Passae pelo meio do arraial, e ordenae ao povo, dizendo: Provei-vos de comida, porque dentro de [11] tres dias passareis este Jordão, para que entreis a possuir a terra que vos dá o Senhor vosso Deus, que possuaes.

12 E fallou Josué aos rubenitas, e aos gaditas, e á meia tribu de Manasseh, dizendo:

13 Lembrae-vos da palavra que vos mandou Moysés, [12] o servo do Senhor, dizendo: O Senhor vosso Deus vos dá descanço, e vos dá esta terra.

14 Vossas mulheres, vossos meninos e vosso gado fiquem na terra que Moysés vos deu d’esta banda do Jordão; porém vós passareis armados na frente de vossos irmãos, todos os valentes e valorosos, e ajudal-os-heis;

15 Até que o Senhor dê descanço a vossos irmãos, como a vós, e elles tambem possuam a terra que o Senhor vosso Deus lhes dá; [13] então tornareis á terra da vossa herança, e possuireis a que vos deu Moysés, o servo do Senhor, d’esta banda do Jordão, para o nascente do sol.

16 Então responderam a Josué, dizendo: Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos.

17 Como em tudo ouvimos a Moysés, assim te ouviremos a ti: tão sómente que o Senhor teu Deus seja comtigo, [14] como foi com Moysés.

18 Todo o homem, que fôr rebelde á tua bocca, e não ouvir as tuas palavras em tudo quanto lhe mandares, morrerá: tão sómente esforça-te, e tem bom animo.

[1] Exo. 24.13. Deu. 1.38.

[2] Deu. 34.5.

[3] Deu. 11.24. cap. 14.9.

[4] Gen. 15.18. Exo. 23.31. Num. 44.3-12.

[5] Deu. 7.24.

[6] Exo. 3.12. ver. 9, 17. Deu. 31.8, 23. cap. 3.7 e 6.27. Isa. 43.2, 5. Deu. 31.6, 8. Heb. 13.5.

[7] Deu. 31.23.

[8] Num. 27.23. Deu. 31.7. cap. 11.15. Deu. 5.32 e 28.14.

[9] Deu. 17.18. Psa. 1.2.

[10] Deu. 31.7, 8, 23. Psa. 27.1. Jer. 1.8.

[11] Deu. 9.1 e 11.31. cap. 3.2.

[12] Num. 32.20, 28. cap. 22.2, 3, 4.

[13] cap. 22.4, etc.

[14] ver. 5. I Sam. 20.13. I Reis 1.37.

Josué envia dois espias a Jericó.

2 E enviou Josué, filho de Nun, dois homens desde [1] Sittim a espiar secretamente, dizendo: Andae, considerae a terra, e a Jericó. Foram pois, e[212] entraram na casa d’uma mulher prostituta, cujo [2] nome era Rahab, e dormiram ali.

2 Então deu-se noticia ao [3] rei de Jericó, dizendo: Eis-que esta noite vieram aqui uns homens dos filhos d’Israel, para espiar a terra.

3 Pelo que enviou o rei de Jericó a Rahab, dizendo: Tira fóra os homens que vieram a ti, e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra.

4 Porém aquella mulher [4] tomou a ambos aquelles homens, e os escondeu, e disse: É verdade que vieram homens a mim, porém eu não sabia d’onde eram.

5 E aconteceu que, havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, aquelles homens sairam; não sei para onde aquelles homens se foram: ide após d’elles depressa, porque vós os alcançareis.

6 Porém [5] ella os tinha feito subir ao telhado, e os tinha escondido entre as canas do linho, que puzera em ordem sobre o telhado.

7 E foram-se aquelles homens após d’elles pelo caminho do Jordão, até aos váos: e fechou-se a porta, havendo saido os que iam após d’elles.

8 E, antes que elles dormissem, ella subiu a elles sobre o telhado;

9 E disse aos homens: Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor [6] de vós caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados diante de vós.

10 Porque temos ouvido [7] que o Senhor seccou as aguas do Mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egypto, e o que fizestes aos dois reis dos amorrheos, a Sehon e a Og, que estavam d’além do Jordão, os quaes destruistes.

11 O que ouvindo, [8] desmaiou o nosso coração, e em ninguem mais ha animo algum, por causa da vossa presença: porque o Senhor vosso Deus [9] é Deus em cima nos céus e em baixo na terra.

12 Agora pois, [10] jurae-me, vos peço, pelo Senhor, pois que vos fiz beneficencia, que vós tambem fareis beneficencia á casa de meu pae, e dae-me um certo signal.

13 De que dareis a vida a meu pae e a minha mãe, como tambem a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que teem, e de que livrareis as nossas vidas da morte.

14 Então aquelles homens responderam-lhe: A nossa vida responderá pela vossa até ao ponto de morrer, se não denunciardes este nosso negocio, e será pois que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos [11] comtigo de beneficencia e de fidelidade.

15 Ella então os fez descer [12] por uma corda pela janella, porquanto a sua casa estava sobre o muro da cidade, e ella morava sobre o muro.

16 E disse-lhes: Ide-vos ao monte, para que, porventura, vos não encontrem os perseguidores, e escondei-vos lá tres dias, até que voltem os perseguidores, e depois ide pelo vosso caminho.

17 E disseram-lhe aquelles homens: Desobrigados [13] seremos d’este teu juramento que nos fizeste jurar.

18 Eis que, vindo nós á [14] terra, atarás este cordão de fio d’escarlata á janella por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa comtigo a teu [15] pae, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a familia de teu pae.

19 Será pois que qualquer que sair fóra da porta da tua casa o seu sangue será [16] sobre a sua cabeça, e nós seremos sem culpa; mas qualquer que estiver comtigo em casa o seu sangue seja sobre a nossa cabeça, se n’elle se puzer mão.

20 Porém, se tu denunciares este nosso negocio, seremos desobrigados do teu juramento, que nos fizeste jurar.

21 E ella disse: Conforme ás vossas palavras, assim seja. Então os despediu; e elles se foram; e ella atou o cordão d’escarlata á janella.

22 Foram-se pois, e chegaram ao monte, e ficaram ali tres dias, até que voltaram os perseguidores, porque os perseguidores os buscaram por todo o caminho, porém não os acharam.

23 Assim aquelles dois homens voltaram, e desceram do monte, e passaram, e vieram a Josué, filho de Nun, e contaram-lhe tudo quanto lhes acontecera;

24 E disseram a Josué: [17] Certamente o Senhor tem dado toda esta terra nas nossas mãos, pois até todos os moradores estão desmaiados diante de nós.

[1] Num. 25.1.

[2] Heb. 11.31. Thi. 2.25. Mat. 1.5.

[3] Psa. 127.1. Pro. 21.30.

[4] II Sam. 17.19, 20.

[5] Exo. 1.17.

[6] Gen. 35.5. Exo. 23.27. Deu. 2.25 e 11.25.

[7] Exo. 14.21. cap. 4.23. Num. 21.21, 34, 35.

[8] Exo. 15.14. cap. 5.1 e 7.5. Isa. 13.7.

[9] Deu. 4.39.

[10] I Sam. 20.14, 15, 17. I Tim. 5.8. ver. 18.

[11] Jui. 1.24. Mat. 5.7.

[12] Act. 9.25.

[13] Exo. 20.7.

[14] ver. 12.

[15] cap. 6.23.

[16] Mat. 27.25.

[17] Exo. 23.31. cap. 6.2 e 21.44.

A passagem do Jordão.

3 Levantou-se pois Josué de madrugada, e partiram de Sittim, [1] e vieram até ao Jordão, elle e todos os filhos d’Israel: e pousaram ali, antes que passassem.

2 E succedeu, ao fim de tres dias, que os principes passaram pelo meio do arraial;

[213]

3 E ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes [2] a arca do concerto do Senhor vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, parti vós tambem do vosso logar, e segui-a.

4 Haja comtudo distancia entre vós e ella, como da [3] medida de dois mil covados: e não vos chegueis a ella, para que saibaes o caminho pelo qual haveis d’ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes.

5 Disse Josué [4] tambem ao povo: Sanctificae-vos, porque ámanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós.

6 E fallou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantae [5] a arca do concerto, e passae adiante d’este povo. Levantaram pois a arca do concerto, e foram andando adiante do povo.

7 E o Senhor disse a Josué: Este dia começarei a engrandecer-te [6] perante os olhos de todo o Israel, para que saibam, que assim como fui com Moysés assim serei comtigo.

8 Tu pois ordenarás aos sacerdotes que [7] levam a arca do concerto, dizendo: Quando vierdes até á borda das aguas do Jordão, parareis no [8] Jordão.

9 Então disse Josué aos filhos d’Israel: Chegae-vos para cá, e ouvi as palavras do Senhor vosso Deus.

10 Disse mais Josué: N’isto conhecereis [9] que o Deus vivo está no meio de vós: e que de todo lançará de diante de vós aos cananeos, e aos hetheos, e aos heveos, e aos phereseos, e aos girgaseos, e aos amorrheos, e aos jebuseos.

11 Eis que a arca do concerto do Senhor de toda a [10] terra passa o Jordão diante de vós.

12 Tomae-vos pois agora doze homens [11] das tribus d’Israel, de cada tribu um homem;

13 Porque ha de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que [12] levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, repousem nas aguas do Jordão, se separarão as aguas do Jordão, e as [13] aguas que de cima descem pararão n’um montão.

14 E aconteceu que, partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levavam [14] os sacerdotes a arca do concerto diante do povo.

15 E os que levavam a arca, quando chegaram até ao Jordão, e os pés [15] dos sacerdotes que levavam a arca, se molharam na borda das aguas, (porque o Jordão trasbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega),

16 Pararam-se as aguas, que vinham de cima; levantaram-se n’um montão, mui longe da cidade d’Adam, que está da banda de Santan; [16] e as que desciam ao mar [HR] das campinas, que é o mar salgado, faltavam de todo e separaram-se: então passou o povo defronte de Jericó.

17 Porém os sacerdotes, que levavam a arca do concerto do Senhor, pararam firmes em secco no meio do Jordão: [17] e todo o Israel passou em secco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão.

[1] cap. 2.1.

[2] Num. 10.33. Deu. 31.9, 25.

[3] Exo. 19.12.

[4] Exo. 19.10, 14, 15. Lev. 20.7. Num. 11.18. cap. 7.13. I Sam. 16.5. Joel 2.16.

[5] Num. 4.15.

[6] cap. 4.14. I Chr. 29.25. II Chr. 1.1. cap. 1.5.

[7] ver. 3.

[8] ver. 17.

[9] Deu. 5.26. I Sam. 17.26. II Reis 19.4. Ose. 1.10. Mat. 16.16. I The. 1.9. Exo. 33.2. Deu. 7.1.

[10] ver. 13. Miq. 4.13. Zac. 4.14 e 6.5.

[11] cap. 4.2.

[12] ver. 11, 15, 16.

[13] Psa. 78.13 e 114.3.

[14] Act. 7.45.

[15] ver. 13. I Chr. 12.15. Jer. 12.5 e 49.19. cap. 4.18 e 5.10, 12.

[16] I Reis 4.12 e 7.46. Deu. 3.17. Gen. 14.3. Num. 34.3.

[17] Exo. 14.29.

As doze pedras tiradas do meio do Jordão.

4 Succedeu pois que, acabando todo o povo de passar o Jordão, [1] fallou o Senhor a Josué, dizendo:

2 Tomae-vos do povo doze [2] homens, de cada tribu um homem;

3 E mandae-lhes, dizendo: Tomae-vos d’aqui, do meio do Jordão, [3] do logar do assento dos pés dos sacerdotes, doze pedras; e levae-as comvosco á outra banda e depositae-as no alojamento em que haveis de passar esta noite.

4 Chamou pois Josué os doze homens, que escolhera dos filhos d’Israel: de cada tribu um homem;

5 E disse-lhes Josué: Passae diante da arca do Senhor vosso Deus, ao meio do Jordão; e levantae vós cada um uma pedra sobre o seu hombro, segundo o numero das tribus dos filhos de Israel;

6 Para que isto seja por signal entre vós; e quando vossos filhos [4] no futuro perguntarem, dizendo: Que vos significam estas pedras?

7 Então lhes direis [5] que as aguas do Jordão se separaram diante da arca do concerto do Senhor; passando ella pelo Jordão, separaram-se as aguas do Jordão: assim que estas pedras serão para sempre por memorial aos filhos de [6] Israel.

8 Fizeram pois os filhos d’Israel assim como Josué tinha ordenado, e levantaram doze pedras do meio do Jordão, como o Senhor dissera a Josué, segundo o numero das tribus dos filhos de Israel:[214] e levaram-n’as comsigo ao alojamento, e as depositaram ali.

9 Levantou Josué tambem doze pedras no meio do Jordão, do logar do assento dos pés dos sacerdotes, que levavam a arca do concerto: e ali estão até ao dia d’hoje.

10 Pararam pois os sacerdotes, que levavam a arca, no meio do Jordão, em pé, até que se cumpriu quanto o Senhor a Josué mandara dizer ao povo, conforme a tudo quanto Moysés tinha ordenado a Josué; e apressou-se o povo, e passou.

11 E succedeu que, assim que todo o povo acabou de passar, então passou a arca do Senhor, e os sacerdotes á vista do povo.

12 E passaram os filhos [7] de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh, armados na frente dos filhos d’Israel, como Moysés lhes tinha dito;

13 Uns quarenta mil homens de guerra armados passaram diante do Senhor para batalha, ás campinas de Jericó.

14 N’aquelle dia o Senhor engrandeceu [8] a Josué diante dos olhos de todo o Israel: e temeram-n’o, como haviam temido a Moysés, todos os dias da sua vida.

15 Fallou pois o Senhor a Josué, dizendo:

16 Dá ordem aos sacerdotes, que levam [9] a arca do testemunho, que subam do Jordão.

17 E deu Josué ordem aos sacerdotes, dizendo: Subi do Jordão.

18 E aconteceu que, como os sacerdotes, que levavam a arca do concerto do Senhor, subiram do meio do Jordão, e as plantas dos pés dos sacerdotes se pozeram em secco, as aguas do Jordão se tornaram ao seu logar, e corriam, [10] como antes, sobre todas as suas ribanceiras.

19 Subiu pois o povo do Jordão no dia dez do mez primeiro: e alojaram-se em Gilgal, [11] da banda oriental de Jericó.

20 E as doze pedras, [12] que tinham tomado do Jordão, levantou Josué em Gilgal.

21 E fallou aos filhos d’Israel, [13] dizendo: Quando no futuro vossos filhos perguntarem a seus paes, dizendo: Que significam estas pedras?

22 Fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou [14] em secco este Jordão.

23 Porque o Senhor vosso Deus fez seccar [15] as aguas do Jordão diante de vós, até que passasseis; como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho, que fez seccar perante nós, até que passámos.

24 Para que [16] todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte: para que temaes ao [17] Senhor vosso Deus todos os dias.

[1] Deu. 27.2. cap. 3.17.

[2] cap. 3.12.

[3] cap. 3.13. ver. 19, 20.

[4] ver. 21. Exo. 12.26 e 13.14. Deu. 6.20. Psa. 44.2.

[5] cap. 3.13, 16.

[6] Exo. 12.14. Num. 16.40.

[7] Num. 32.20, 27, 28.

[8] cap. 3.7.

[9] Exo. 25.16, 22.

[10] cap. 3.15.

[11] cap. 5.9.

[12] ver. 3.

[13] ver. 6.

[14] cap. 3.17.

[15] Exo. 14.21.

[16] I Reis 8.42, 43. II Reis 19.19. Psa. 106.8. Exo. 15.16. I Chr. 29.12.

[17] Exo. 14.31. Deu. 6.2. Jer. 10.7.

A circumcisão dos filhos de Israel.

5 E succedeu que, ouvindo todos os reis dos amorrheos, que habitavam d’esta banda do Jordão, ao occidente, e todos os reis dos cananeos, [1] que estavam ao pé do mar, que o Senhor tinha seccado as aguas do Jordão, de diante dos filhos d’Israel, até que passámos, [2] derreteu-se-lhes o coração, e não houve mais animo n’elles, por causa dos filhos d’Israel.

2 N’aquelle tempo disse o Senhor a Josué: Faze facas de [HS] pedra, e torna a circumcidar segunda vez aos filhos d’Israel.

3 Então Josué fez para si facas de [3] pedra, e circumcidou aos filhos d’Israel no monte dos prepucios.

4 E foi esta a causa por que Josué os circumcidou: todo [4] o povo que tinha saido do Egypto, os machos, todos os homens de guerra, eram já mortos no deserto, pelo caminho, depois que sairam do Egypto.

5 Porque todo o povo que saira estava circumcidado, mas a nenhum do povo que nascera no deserto, pelo caminho, depois de terem saido do Egypto, haviam circumcidado.

6 Porque quarenta annos [5] andaram os filhos d’Israel pelo deserto, até se acabar toda a nação, os homens de guerra, que sairam do Egypto, e não obedeceram á voz do Senhor: aos quaes o Senhor [6] tinha jurado que lhes não havia de deixar ver a terra que o Senhor jurara a seus paes dar-nos; terra que mana leite e mel.

7 Porém em seu [7] logar poz a seus filhos; a estes Josué circumcidou: porquanto estavam incircumcisos, porque os não circumcidaram no caminho.

8 E aconteceu que, acabando de circumcidar a toda a nação, ficaram no seu logar no arraial, [8] até que sararam.

9 Disse mais o Senhor a [9] Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opprobrio do[215] Egypto; pelo que o nome d’aquelle logar se chamou [HT] Gilgal, até ao dia d’hoje.

Celebra-se a paschoa.

10 Estando pois os filhos d’Israel alojados em Gilgal, celebraram a paschoa no dia quatorze do [10] mez, á tarde, nas campinas de Jericó.

11 E comeram do trigo da terra do anno antecedente, ao outro dia depois da paschoa, pães asmos e espigas tostadas, no mesmo dia.

12 E cessou o manná [11] no dia seguinte, depois que comeram do trigo da terra do anno antecedente; e os filhos d’Israel não tiveram mais manná; porém no mesmo anno comeram das novidades da terra de Canaan.

Um anjo apparece a Josué.

13 E succedeu que, estando Josué ao pé de Jericó, levantou os seus olhos, e olhou; e eis-que se poz em pé diante d’elle um homem [12] que tinha na mão uma espada nua: e chegou-se Josué a elle, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?

14 E disse elle: Não, mas venho agora como [HU] principe do exercito do Senhor. Então Josué se prostrou sobre [13] o seu rosto na terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?

15 Então disse o principe do exercito do Senhor a Josué: [14] Descalça os sapatos de teus pés, porque o logar em que estás é sancto. E fez Josué assim.

[1] Num. 13.29. Exo. 15.14, 15. cap. 2.9, 10, 11. Psa. 48.7. Eze. 21.7.

[2] I Reis 10.5.

[3] Exo. 4.25.

[4] Num. 14.29 e 23.64, 65. Deu. 2.16.

[5] Num. 14.33. Deu. 1.3. Psa. 95.10, 11.

[6] Num. 14.23. Heb. 3.11. Exo. 3.8.

[7] Num. 14.31. Deu. 1.39.

[8] Gen. 34.25.

[9] Gen. 34.14. I Sam. 14.6. Lev. 18.3. cap. 24.14. Eze. 20.10. cap. 4.19.

[10] Exo. 12.6. Num. 9.5.

[11] Exo. 16.35.

[12] Gen. 18.2 e 32.24. Exo. 23.23. Zac. 1.8. Act. 1.10. Num. 22.23.

[13] Gen. 17.3.

[14] Exo. 3.5. Act. 7.33.

Jericó é destruida, Rahab é salva.

6 Ora Jericó cerrou-se, e estava cerrada por causa dos filhos d’Israel: nenhum sahia nem entrava.

2 Então disse o Senhor a Josué: Olha, [1] tenho dado na tua mão a Jericó e ao seu rei, os seus valentes e valorosos.

3 Vós pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando a cidade uma vez: assim fareis por seis dias.

4 E sete sacerdotes levarão sete buzinas [2] de carneiros diante da arca, e no setimo dia rodeareis a cidade sete vezes: e os sacerdotes [3] tocarão as buzinas.

5 E será que, tocando-se longamente a buzina de carneiro, ouvindo vós o sonido da buzina, todo o povo gritará com grande grita: e o muro da cidade cairá abaixo de si, e o povo subirá n’elle, cada qual em frente de si.

6 Então chamou Josué, filho de Nun, aos sacerdotes, e disse-lhes: Levae a arca do concerto; e sete sacerdotes levem sete buzinas de carneiros, diante da arca do Senhor.

7 E disse ao povo: Passae e rodeae a cidade; e quem estiver armado, passe diante da arca do Senhor.

8 E assim foi, como Josué dissera ao povo, que os sete sacerdotes, levando as sete buzinas de carneiros diante do Senhor, passaram, e tocaram as buzinas: e a arca do concerto do Senhor os seguia.

9 E os armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as buzinas: e a rectaguarda seguia após [4] da arca, andando e tocando as buzinas.

10 Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa bocca, até ao dia que eu vos diga: Gritae. Então gritareis.

11 E fez a arca do Senhor rodeiar a cidade, rodeiando-a uma vez: e vieram ao arraial, e passaram a noite no arraial.

12 Depois Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levaram [5] a arca do Senhor.

13 E os sete sacerdotes, que levavam as sete buzinas de carneiros diante da arca do Senhor, iam andando, e tocavam as buzinas, e os armados iam adiante d’elles, e a rectaguarda seguia atraz da arca do Senhor; os sacerdotes iam andando e tocando as buzinas.

14 Assim rodeiaram outra vez a cidade no segundo dia e tornaram para o arraial: e assim fizeram seis dias.

15 E succedeu que ao setimo dia madrugaram ao subir da alva, e da mesma maneira rodeiaram a cidade sete vezes: n’aquelle dia sómente rodeiaram a cidade sete vezes.

16 E succedeu que, tocando os sacerdotes a setima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritae; porque o Senhor vos tem dado a cidade.

17 Porém a cidade será [HV] anathema ao Senhor, ella e tudo quanto houver n’ella: sómente a prostituta Rahab viverá, ella e todos os que com ella estiverem em casa; porquanto escondeu [6] os mensageiros que enviámos.

18 Tão sómente guardae-vos do anathema, [7] para que não vos mettaes em anathema tomando d’ella, e assim façaes [HW] maldito o arraial de Israel, e [8] o turbeis.

[216]

19 Porém toda a prata, e o oiro, e os vasos de metal, e de ferro, são consagrados ao Senhor: irão ao thesouro do Senhor.

20 Gritou pois o povo, tocando os sacerdotes as buzinas: e succedeu que, ouvindo o povo o sonido da buzina, gritou o povo com grande grita; e [9] o muro caiu abaixo, e o povo subiu á cidade, cada qual em frente de si, e tomaram a cidade.

21 E, tudo quanto [10] na cidade havia, [HX] destruiram totalmente ao fio da espada, desde o homem até á mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miudo, e ao jumento.

22 Josué, porém, disse aos dois homens que tinham espiado a terra: Entrae na casa da mulher prostituta, e tirae de lá a mulher com tudo quanto tiver, como lhe tendes [11] jurado.

23 Então entraram os mancebos espias, e tiraram a Rahab, e a seu [12] pae, e a sua mãe, e a seus irmãos, e a tudo quanto tinha; tiraram tambem a todas as suas familias, e pozeram-n’os fóra do arraial d’Israel.

24 Porém a cidade e tudo quanto havia n’ella queimaram-n’o a fogo: tão sómente a prata, e o [13] oiro, e os vasos de metal e de ferro, deram para o thesouro da casa do Senhor.

25 Assim deu Josué vida á prostituta Rahab, e á familia de seu pae, e a tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel [14] até ao dia de hoje: porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar a Jericó.

26 E n’aquelle tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito [15] diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó: no seu primogenito a fundará, e no seu filho mais novo lhe porá as portas.

27 Assim era o Senhor com [16] Josué: e corria a sua fama por toda a terra.

[1] cap. 2.9, 24 e 8.1. Deu. 7.24.

[2] Jui. 7.16, 22.

[3] Num. 10.8.

[4] Num. 10.25.

[5] Deu. 31.25.

[6] cap. 2.4.

[7] Deu. 7.26 e 20.17. cap. 7.1, 11, 12.

[8] cap. 7.25. I Reis 18.17, 18. Jon. 1.12.

[9] ver. 5. Heb. 11.30.

[10] Deu. 7.2.

[11] cap. 2.14. Heb. 11.31.

[12] cap. 2.13.

[13] ver. 19.

[14] Mat. 1.5.

[15] I Reis 16.34.

[16] cap. 1.5 e 9.1, 3.

Os israelitas são derrotados por causa do peccado de Acan.

7 E trespassaram os filhos de Israel no [HY] anathema: porque Acan, [1] filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Sera, da tribu de Judah, tomou do anathema, e a ira do Senhor se accendeu contra os filhos d’Israel.

2 Enviando pois Josué de Jericó, alguns homens a Hai, que está junto a Bethaven, da banda do oriente de Beth-el, fallou-lhes, dizendo: Subi, e espiae a terra. Subiram pois aquelles homens, e espiaram a Hai.

3 E voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam alguns dois mil, ou tres mil homens, a ferir a Hai: não fatigues ali a todo o povo, porque poucos são.

4 Assim, subiram lá do povo alguns tres mil homens, os quaes fugiram [2] diante dos homens de Hai.

5 E os homens de Hai feriram d’elles alguns trinta e seis, e seguiram-n’os desde a porta até [HZ] Shebarim, e feriram-n’os na descida; e o coração [3] do povo se derreteu e se tornou como agua.

6 Então Josué rasgou [4] os seus vestidos, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até á tarde, elle e os anciãos de Israel: e deitaram pó sobre [5] as suas cabeças.

7 E disse Josué: Ah Senhor Jehovah! porque, [6] com effeito, fizeste passar a este povo o Jordão, para nos dares nas mãos dos amorrheos, para nos fazerem perecer? oxalá nos contentaramos com ficarmos d’além do Jordão.

8 Ah Senhor! que direi? pois Israel virou as costas diante dos seus inimigos!

9 Ouvindo isto, os cananeos, e todos os moradores da terra, nos cercarão e desarreigarão [7] o nosso nome da terra: e então que farás ao teu grande nome?

10 Então disse o Senhor a Josué: Levanta-te: porque estás prostrado assim sobre o teu rosto?

11 Israel peccou, [8] e até transgrediram o meu concerto que lhes tinha ordenado, e até tomaram [9] do [IA] anathema, e tambem furtaram, e tambem mentiram, e até debaixo da sua bagagem o pozeram.

12 Pelo que os filhos de Israel não poderam [10] subsistir perante os seus inimigos: viraram as costas diante dos seus inimigos; porquanto [11] estão amaldiçoados: não serei mais comvosco, se não desarreigardes o anathema do meio de vós.

13 Levanta-te, sanctifica [12] o povo, e dize: Sanctificae-vos para ámanhã, porque assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Anathema ha no meio de ti, Israel: diante dos teus inimigos não poderás suster-te, até que não tires o anathema do meio de vós.

[217]

14 Ámanhã pois vos chegareis, segundo as vossas tribus: e será [13] que a tribu que o Senhor tomar se chegará, segundo as familias; e a familia que o Senhor tomar se chegará por casas; e a casa que o Senhor tomar se chegará homem por homem.

15 E será que aquelle [14] que fôr tomado com o anathema será queimado a fogo, elle e tudo quanto tiver: porquanto transgrediu o concerto [15] do Senhor, e fez uma loucura em Israel.

16 Então Josué se levantou de madrugada, e fez chegar a Israel, segundo as suas tribus: e a tribu de Judah foi tomada:

17 E, fazendo chegar a tribu de Judah, tomou a familia de Zarchi: e, fazendo chegar a familia de Zarchi, homem por homem, foi tomado Zabdi:

18 E, fazendo chegar a sua casa, homem por homem, foi tomado Acan, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Serah, da tribu [16] de Judah.

19 Então disse Josué a Acan: Filho meu, dá, peço-te, gloria [17] ao Senhor Deus de Israel, e faze confissão perante elle; e declara-me [18] agora o que fizeste, não m’o occultes.

20 E respondeu Acan a Josué, e disse: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel, e fiz assim e assim.

21 Quando vi entre os despojos uma boa capa babylonica, e duzentos siclos de prata, e uma [IB] cunha d’oiro do peso de cincoenta siclos, cobicei-os e tomei-os: e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo d’ella.

22 Então Josué enviou mensageiros, que foram correndo á tenda: e eis que estava escondido na sua tenda, e a prata debaixo d’ella.

23 Tomaram pois aquellas coisas do meio da tenda, e as trouxeram a Josué e a todos os filhos de Israel: e as deitaram perante o Senhor.

24 Então Josué e todo o Israel com elle tomaram a Acan, filho de Serah, e a prata, e a capa, e a cunha de oiro, e a seus filhos, e a suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e a suas ovelhas, e a sua tenda, e a tudo quanto tinha: e levaram-n’os ao valle [19] de Acor.

25 E disse Josué: Como nos turbaste? [20] o Senhor te turbará a ti este dia. E todo o [21] Israel o apedrejou com pedras, e os queimaram a fogo, e os apedrejaram com pedras.

26 E levantaram [22] sobre elle um grande montão de pedras, até o dia de hoje; assim o Senhor se tornou do ardor da sua ira: [23] pelo que se chamou o nome d’aquelle logar o valle d’Acor, até ao dia de hoje.

[1] cap. 22.20.

[2] Lev. 26.17. Deu. 28.25.

[3] cap. 2.9, 11. Lev. 26.36. Psa. 22.15.

[4] Gen. 37.29, 34.

[5] I Sam. 4.12. II Sam. 1.2 e 13.19. Neh. 9.1. Job 2.12.

[6] Exo. 5.22. II Reis 3.10.

[7] Psa. 83.5. Exo. 32.12. Num. 14.13.

[8] ver. 1.

[9] cap. 6.17, 18. Act. 5.1, 2.

[10] Num. 14.45. Jui. 2.14.

[11] Deu. 7.26. cap. 6.18.

[12] Exo. 19.10. cap. 3.5.

[13] Pro. 16.33.

[14] I Sam. 14.38, 39.

[15] ver. 11. Gen. 34.7. Jui. 20.6.

[16] I Sam. 14.42.

[17] I Sam. 6.5. Jer. 13.16. João 9.24. Num. 5.6. II Chr. 30.22. Psa. 51.5. Dan. 9.4.

[18] I Sam. 14.43.

[19] ver. 26. cap. 15.7.

[20] cap. 6.18. I Chr. 2.7. Gal. 5.12.

[21] Deu. 17.5.

[22] cap. 8.29. II Sam. 18.17. Lam. 3.53. Deu. 13.17. II Sam. 21.14.

[23] ver. 24. Isa. 65.10. Ose. 2.15.

Hai é tomada e destruida.

8 Então disse o Senhor a Josué: Não temas, [1] e não te espantes; toma comtigo toda a gente de guerra, e levanta-te, sobe a Hai: olha que te tenho dado na tua mão o rei d’Hai, e o seu povo, e a sua cidade, e a sua terra.

2 Farás pois a Hai, e a seu rei, como fizeste a Jericó, [2] e a seu rei: salvo que para vós saqueareis os seus despojos, e o seu gado: põe-te emboscadas á cidade, por detraz d’ella.

3 Então Josué levantou-se, e toda a gente de guerra, para subir contra Hai: e escolheu Josué trinta mil homens valentes e valorosos, e enviou-os de noite.

4 E deu-lhes ordem, dizendo: Olhae, poreis emboscadas [3] á cidade, por detraz da cidade; não vos alongueis muito da cidade: e todos vós estareis apercebidos.

5 Porém eu e todo o povo que está comigo nos achegaremos á cidade: e será que, quando nos sairem ao encontro, como d’antes, [4] fugiremos diante d’elles.

6 Deixae-os pois sair atraz de nós, até que os tiremos da cidade; porque dirão: Fogem diante de nós como d’antes. Assim fugiremos diante d’elles.

7 Então saireis vós da emboscada, e tomareis a cidade: porque o Senhor vosso Deus vol-a dará na vossa mão.

8 E será que, tomando vós a cidade, poreis a cidade a fogo; conforme a palavra do Senhor fareis; olhae [5] que vol-o tenho mandado.

9 Assim Josué os enviou, e elles se foram á emboscada; e ficaram entre Bethel e Hai, ao occidente d’Hai: porém Josué passou aquella noite no meio do povo.

10 E levantou-se Josué de madrugada, e contou o povo: e subiram elle e os[218] anciãos de Israel diante do povo contra Hai.

11 Subiu tambem toda [6] a gente de guerra, que estava com elle, e chegaram-se, e vieram fronteiros á cidade: e alojaram-se da banda do norte d’Hai; e havia um valle entre elle e Hai.

12 Tomou tambem alguns cinco mil homens, e pôl-os entre Bethel e Hai em emboscada, ao occidente da cidade.

13 E pozeram o povo, todo o arraial que estava ao norte da cidade, e a sua emboscada ao occidente da cidade: e foi Josué aquella noite ao meio do valle.

14 E succedeu que, vendo-o o rei d’Hai, se apressaram, e se levantaram de madrugada, e os homens da cidade sairam ao encontro d’Israel ao combate, elle e todo o seu povo, ao tempo assignalado, perante as campinas: porque elle não sabia, [7] que se lhe houvesse posto emboscada detraz da cidade.

15 Josué pois e todo o Israel se houveram como feridos diante d’elles, e fugiram [8] pelo caminho do deserto.

16 Pelo que todo o povo, que estava na cidade, foi convocado para os seguir: e seguiram a Josué e foram attrahidos da cidade.

17 E nem um só homem ficou em Hai, nem em Bethel, que não saisse após Israel: e deixaram a cidade aberta, e seguiram a Israel.

18 Então o Senhor disse a Josué: Estende a lança que tens na tua mão, para Hai; porque a darei na tua mão. E Josué estendeu a lança, que estava na sua mão, para a cidade.

19 Então a emboscada se levantou do seu logar apressadamente, e correram, estendendo elle a sua mão, e vieram á cidade, e a tomaram: e apressaram-se, e pozeram a cidade a fogo.

20 E virando-se os homens de Hai para traz, olharam, e eis-que o fumo da cidade subia ao céu, e não tiveram logar para fugirem para uma parte nem outra: porque o povo, que fugia para o deserto, se tornou contra os que os seguiam.

21 E vendo Josué e todo o Israel que a emboscada tomara a cidade, e que o fumo da cidade subia, tornaram, e feriram os homens d’Hai.

22 Tambem aquelles da cidade lhes sairam ao encontro, e assim cairam no meio dos israelitas, uns de uma, e outros de outra parte: e feriram-n’os, até que nenhum d’elles ficou, [9] o que escapasse.

23 Porém ao rei d’Hai tomaram vivo, e o trouxeram a Josué.

24 E succedeu que, acabando os israelitas de matar todos os moradores d’Hai no campo, no deserto onde os tinham seguido, e havendo todos caido ao fio da espada, até todos serem consumidos, todo o Israel se tornou a Hai, e a pozeram a fio de espada.

25 E todos os que cairam aquelle dia, assim homens como mulheres, foram doze mil: todos moradores d’Hai.

26 Porque Josué não retirou a sua mão, que estendera com a lança, até destruir totalmente a todos os moradores d’Hai.

27 Tão [10] sómente os israelitas saquearam para si o gado e os despojos da cidade, conforme á palavra do Senhor, que tinha ordenado a Josué.

28 Queimou pois Josué a Hai: e a tornou n’um montão [11] perpetuo, em assolamento, até ao dia d’hoje.

29 E ao rei d’Hai enforcou n’um madeiro, até á tarde: e [12] ao pôr do sol ordenou Josué, que o seu corpo se tirasse do madeiro; e o lançaram á porta da cidade, e levantaram sobre elle um grande montão [13] de pedras, até ao dia d’hoje.

Josué edifica um altar, escreve a lei em pedras e lê-a.

30 Então Josué edificou um altar ao Senhor Deus d’Israel, [14] no monte d’Ebal,

31 Como Moysés, servo do Senhor, ordenou aos filhos d’Israel, conforme ao que está escripto no [15] livro da lei de Moysés, a saber: um altar de pedras inteiras, sobre o qual se não movera ferro: e offereceram [16] sobre elle holocaustos ao Senhor, e sacrificaram sacrificios pacificos.

32 Tambem escreveu [17] ali em pedras uma copia da lei de Moysés, que já tinha escripto diante dos filhos d’Israel.

33 E todo o Israel, com os seus anciãos, e os seus principes, e os seus juizes, estavam d’uma e outra banda da arca, perante os sacerdotes levitas, que levavam a [18] arca do concerto do Senhor, assim estrangeiros como naturaes; metade d’elles em frente do monte Gerizim, e a outra metade em frente do monte Ebal; como [19] Moysés, servo do Senhor, ordenara, para abençoar primeiramente o povo de Israel.

34 E depois leu [20] em alta voz todas[219] as palavras da lei, a benção e a maldição, conforme a tudo o que está escripto no livro da lei.

35 Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moysés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação d’Israel, e das mulheres, e [21] dos meninos, e dos estrangeiros, que andavam no meio d’elles.

[1] Deu. 1.21 e 7.18 e 31.8. cap. 1.9 e 6.2.

[2] cap. 6.21. Deu. 20.14.

[3] Jui. 20.29.

[4] Jui. 20.32.

[5] II Sam. 13.28.

[6] ver. 5.

[7] Jui. 20.34. Ecc. 9.12.

[8] Jui. 20.36, etc.

[9] Deu. 7.2.

[10] Num. 31.22, 26. ver. 2.

[11] Deu. 13.16.

[12] cap. 10.26. Psa. 107.40. Deu. 21.23. cap. 10.27.

[13] cap. 7.26 e 10.27.

[14] Deu. 27.4, 5.

[15] Exo. 20.25. Deu. 27.5, 6.

[16] Exo. 20.24.

[17] Deu. 27.2, 8.

[18] Deu. 31.9, 25 e 31.12.

[19] Deu. 11.29 e 27.12.

[20] Deu. 31.11. Neh. 8.3. Deu. 28.2, 15, 45 e 29.20, 21 e 30.19.

[21] Deu. 31.12. ver. 33.

Os gibeonitas enganam Josué, que faz com elles uma alliança.

9 E succedeu que, ouvindo isto todos os reis, que estavam d’áquem do Jordão, nas montanhas, e nas campinas, em toda a costa do grande [1] mar, em frente do Libano, os hetheos, e os amorrheos, os cananeos, os pherezeos, os heveos, e os jebuseos,

2 Se ajuntaram [2] elles de commum accordo, para pelejar contra Josué e contra Israel.

3 E [3] os moradores de Gibeon ouvindo o que Josué fizera com Jericó e com Hai,

4 Usaram tambem d’astucia, e foram e se fingiram embaixadores: e tomaram saccos velhos sobre os seus jumentos, e odres de vinho velhos, e rotos, e remendados;

5 E nos seus pés sapatos velhos e manchados, e vestidos velhos sobre si: e todo o pão que traziam para o caminho era secco e bolorento.

6 E vieram a [4] Josué, ao arraial, a Gilgal, e lhe disseram, a elle e aos homens d’Israel: Vimos d’uma terra distante; fazei pois agora concerto [5] comnosco.

7 E os homens d’Israel responderam aos heveos: Porventura habitaes no meio de nós; como pois faremos concerto comvosco?

8 Então disseram a Josué: Nós somos [6] teus servos. E disse-lhes Josué: Quem sois vós, e d’onde vindes?

9 E lhe responderam: Teus servos vieram d’uma terra mui distante, por causa do [7] nome do Senhor teu Deus: porquanto ouvimos a sua fama, e tudo quanto fez no Egypto;

10 E tudo quanto [8] fez aos dois reis dos amorrheos, que estavam d’além do Jordão, a Sehon rei de Hesbon, e a Og, rei de Basan, que estava em Astaroth.

11 Pelo que nossos anciãos e todos os moradores da nossa terra nos fallaram, dizendo: Tomae comvosco em vossas mãos provisão para o caminho, e ide-lhes ao encontro: e dizei-lhes: Nós somos vossos servos; fazei pois agora concerto comnosco.

12 Este nosso pão tomámos quente das nossas casas para nossa provisão, no dia em que saimos para vir a vós: e eil-o aqui agora já secco e bolorento:

13 E estes odres, que enchemos de vinho, eram novos, e eil-os aqui já rotos: e estes nossos vestidos e nossos sapatos já se teem envelhecido, por causa do mui longo caminho.

14 Então aquelles homens tomaram da sua provisão: e não [9] pediram conselho á bocca do Senhor.

15 E Josué fez paz com elles, e [10] fez um concerto com elles, que lhes daria a vida: e os principes da congregação lhes prestaram juramento.

16 E succedeu que, ao fim de tres dias, depois de fazerem concerto com elles, ouviram que eram seus visinhos, e que moravam no meio d’elles.

17 Porque, partindo os filhos de Israel, chegaram ás suas cidades ao terceiro dia: e suas cidades eram [11] Gibeon, e Cefira, e Beeroth, e Kiriath-jearim.

18 E os filhos de Israel os não feriram; porquanto [12] os principes da congregação lhes juraram pelo Senhor Deus de Israel: pelo que toda a congregação murmurava contra os principes.

19 Então todos os principes disseram a toda a congregação: Nós jurámos-lhes pelo Senhor Deus de Israel: pelo que não podemos tocal-os.

20 Isto, porém, lhes faremos: dar-lhes-hemos a vida; para que não haja grande ira [13] sobre nós, por causa do juramento que já lhes temos jurado.

21 Disseram-lhes pois os principes: Vivam, e sejam rachadores de lenha [14] e tiradores de agua para toda a congregação, como os principes lhes teem dito.

22 E Josué os chamou, e fallou-lhes dizendo: Porque nos enganastes, dizendo: Mui longe [15] de vós habitamos, morando vós no meio de nós?

23 Agora pois sereis malditos: [16] e d’entre vós não deixará de haver servos, nem rachadores de lenha, nem tiradores de agua, para a casa do meu Deus.

24 Então responderam a Josué, e disserem:[220] Porquanto com certeza foi annunciado aos teus servos que o Senhor teu Deus ordenou a [17] Moysés, seu servo, que a vós daria toda esta terra, e destruiria todos os moradores da terra diante de vós, tememos muito por [18] nossas vidas por causa de vós; por isso fizemos assim.

25 E eis que agora estamos [19] na tua mão: faze aquillo que te pareça bom e recto que se nos faça.

26 Assim pois lhes fez: e livrou-os das mãos dos filhos de Israel, e não os mataram.

27 E, n’aquelle dia, Josué os deu como rachadores de lenha [20] e tiradores de agua para a congregação e para o altar do Senhor, [21] até ao dia de hoje, no logar que escolhesse.

[1] Num. 34.6. Exo. 3.17 e 23.23.

[2] Psa. 83.4, 6.

[3] cap. 10.2. II Sam. 21.1. cap. 6.27.

[4] cap. 5.10.

[5] cap. 11.19. Exo. 23.32. Deu. 7.2 e 20.16. Jui. 2.2.

[6] Deu. 20.11. II Reis 10.5.

[7] Deu. 20.15. Exo. 15.14. Jos. 2.10.

[8] Num. 21.24, 33.

[9] Num. 27.21. Isa. 30.1, 2. Jui. 1.1. I Sam. 22.10 e 23.10, 11 e 30.8. II Sam. 2.1 e 5.19.

[10] cap. 11.19. II Sam. 21.2.

[11] cap. 18.25, 26, 28. Esd. 2.25.

[12] Psa. 15.4. Ecc. 5.2.

[13] II Sam. 21.1, 2, 6. Eze. 17.13, 15, 18, 19. Zac. 5.3, 4. Mal. 3.5.

[14] Deu. 29.21. ver. 15.

[15] ver. 6, 9, 16.

[16] Gen. 9.25. ver. 11, 27.

[17] Exo. 23.32. Deu. 7.1, 2.

[18] Exo. 15.14.

[19] Gen. 16.6.

[20] ver. 21, 23.

[21] Deu. 12.5.

Gibeon é sitiada por cinco reis.

10 E succedeu que, ouvindo Adonizedek, rei de Jerusalem, que Josué tomara a Hai, e a tinha destruido totalmente, e fizera a Hai e ao seu rei como tinha feito [1] a Jericó e ao seu rei, e que os moradores de Gibeon fizeram paz com os israelitas, e estavam no meio d’elles,

2 Temeram [2] muito: porque Gibeon era uma cidade grande como uma das cidades reaes, e ainda maior do que Hai, e todos os seus homens valentes.

3 Pelo que Adonizedek, rei de Jerusalem, enviou a Hoham, rei de Hebron, e a Piram, rei de Jarmuth, e a Jafia, rei de Lachis, e a Debir, rei de Eglon, dizendo:

4 Subi a mim, e ajudae-me, e firamos a Gibeon: porquanto [3] fez paz com Josué e com os filhos de Israel.

5 Então se ajuntaram, e subiram cinco reis dos amorrheos, o rei de Jerusalem, o rei de Hebron, o rei de Jarmuth, o rei de Lachis, o rei de Eglon, elles e todos os seus exercitos: e sitiaram [4] a Gibeon e pelejaram contra ella.

Josué soccorre a Gibeon.

6 Enviaram pois os homens de Gibeon a Josué [5] ao arraial de Gilgal, dizendo: Não retires as tuas mãos de teus servos; sobe apressadamente a nós, e livra-nos, e ajuda-nos, porquanto todos os reis dos amorrheos, que habitam na montanha, se ajuntaram contra nós.

7 Então subiu Josué de Gilgal, elle e toda a gente [6] de guerra com elle, e todos os valentes e valorosos.

8 E o Senhor disse a Josué: Não os temas, [7] porque os tenho dado na tua mão: nenhum d’elles parará diante de ti.

9 E Josué lhes sobreveiu de repente, porque toda a noite veiu subindo desde Gilgal.

10 E o Senhor os conturbou [8] diante de Israel, e os feriu de grande ferida em Gibeon; e seguiu-os pelo caminho que sobe a Bethoron, e os feriu até Azeka e a Makeda.

11 E succedeu que, fugindo elles diante de Israel, á descida de Bethoron, o Senhor lançou [9] sobre elles, do céu, grandes pedras até Azeka, e morreram: e foram muitos mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos d’Israel mataram á espada.

O sol e a lua são detidos.

12 Então Josué fallou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorrheos na mão dos filhos de Israel, e disse aos olhos dos israelitas: Sol, detem-te em Gibeon, e tu, [10] lua, no valle de Ajalon.

13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está [11] escripto no livro do [IC] Recto? O sol pois se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quasi um dia inteiro.

14 E não houve dia [12] similhante a este, nem antes nem depois d’elle, ouvindo o Senhor assim a voz d’um homem: porque o Senhor pelejava por Israel.

15 E tornou-se [13] Josué, e todo o Israel com elle, ao arraial a Gilgal.

Josué prende os cinco reis e mata-os.

16 Aquelles cinco reis, porém, fugiram, e se esconderam n’uma cova em Makeda.

17 E foi annunciado a Josué, dizendo: Acharam-se os cinco reis escondidos n’uma cova em Makeda.

18 Disse pois Josué: Arrojae grandes pedras á bocca da cova, e ponde sobre ella homens que os guardem:

19 Porém vos não vos detenhaes; segui os vossos inimigos, e feri os que ficaram atraz: não os deixeis entrar nas suas cidades, porque o Senhor vosso Deus já vol-os deu na vossa mão.

20 E succedeu que, acabando Josué e[221] os filhos de Israel de os ferir a grande ferida, até consumil-os, e que os que ficaram d’elles se retiraram ás cidades fortes,

21 Todo o povo se tornou em paz a Josué, ao arraial em Makeda: não havendo ninguem que movesse a sua lingua [14] contra os filhos de Israel.

22 Depois disse Josué: Abri a bocca da cova, e trazei-me aquelles cinco reis para fóra da cova.

23 Fizeram pois assim, e trouxeram-lhe aquelles cinco reis para fóra da cova: o rei de Jerusalem, o rei de Hebron, o rei de Jarmuth, o rei de Lachis, e o rei de Eglon.

24 E succedeu que, trazendo aquelles reis a Josué, Josué chamou todos os homens de Israel, e disse aos capitães da gente de guerra, que com elle foram: Chegae, ponde os vossos [15] pés sobre os pescoços d’estes reis. E chegaram, e pozeram os seus pés sobre os seus pescoços.

25 Então Josué lhes disse: Não temaes, nem vos espanteis: [16] esforçae-vos e animae-vos; porque assim o fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra os quaes pelejardes.

26 E, depois d’isto, Josué os feriu e os matou, e os enforcou em cinco madeiros: e ficaram enforcados [17] nos madeiros até á tarde.

27 E succedeu que, ao tempo do pôr do sol, deu Josué ordem que os tirassem [18] dos madeiros: e lançaram-n’os na cova onde se esconderam: e pozeram grandes pedras á bocca da cova, que ainda ali estão até ao mesmo dia de hoje.

Josué vence mais sete reis.

28 E n’aquelle mesmo dia tomou Josué a Makeda, e feriu-a a fio de espada, e destruiu o seu rei, a elles, e a toda a alma que n’ella havia; nada deixou de resto: e fez ao rei de Makeda como [19] fizera ao rei de Jericó.

29 Então Josué e todo o Israel com elle passou de Makeda a Libna, e pelejou contra Libna;

30 E tambem o Senhor a deu na mão d’Israel, a ella e a seu rei, e a feriu a fio de espada, a ella e a toda a alma que n’ella havia; nada deixou de resto: e fez ao seu rei como fizera ao rei de Jericó.

31 Então Josué, e todo o Israel com elle, passou de Libna a Lachis: e a sitiou, e pelejou contra ella;

32 E o Senhor deu a Lachis na mão d’Israel, e tomou-a no dia seguinte, e a feriu a fio de espada, a ella, e a toda a alma que n’ella havia, conforme a tudo o que fizera a Libna.

33 Então Horan, rei de Gezer, subiu a ajudar a Lachis: porém Josué o feriu, a elle e ao seu povo, até que nenhum lhe deixou de resto.

34 E Josué, e todo o Israel com elle, passou de Lachis a Eglon: e a sitiaram, e pelejaram contra ella:

35 E no mesmo dia a tomaram, e a feriram a fio de espada; e a toda a alma, que n’ella havia, destruiu totalmente no mesmo dia: conforme a tudo o que fizera a Lachis.

36 Depois Josué, e todo o Israel com elle, subiu d’Eglon a [20] Hebron, e pelejaram contra ella;

37 E a tomaram, e a feriram ao fio de espada, assim ao seu rei como a todas as suas cidades; e a toda a alma, que n’ellas havia, a ninguem deixou com vida, conforme a tudo o que fizera a Eglon: e a destruiu totalmente, a ella e a toda a alma que n’ella havia.

38 Então Josué, e todo o Israel com elle, tornou a Debir, [21] e pelejou contra ella;

39 E tomou-a com o seu rei, e a todas as suas cidades, e as feriram a fio de espada, e a toda a alma que n’ellas havia destruiram totalmente, nada deixou de resto: como fizera a Hebron, assim fez a Debir e ao seu rei, e como fizera a Libna e ao seu rei.

40 Assim feriu Josué toda aquella terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das aguas, e a todos os seus reis; nada deixou de resto: mas tudo o que tinha folego destruiu, como ordenara o [22] Senhor Deus d’Israel.

41 E Josué os feriu desde Cades-barnea, e até Gaza: [23] como tambem toda a terra de Gosen, e até Gibeon.

42 E d’uma vez tomou Josué todos estes reis, e as suas terras: porquanto o [24] Senhor Deus d’Israel pelejava por Israel.

43 Então Josué, e todo o Israel com elle, se tornou ao arraial em Gilgal.

[1] cap. 6.21 e 8.22, 26, 28 e 9.15.

[2] Exo. 15.14, 15, 16. Deu. 11.25.

[3] ver. 1. cap. 9.15.

[4] cap. 9.2.

[5] cap. 5.10 e 9.6.

[6] cap. 8.1.

[7] cap. 11.6. Jui. 4.14. cap. 1.5.

[8] Jui. 4.15. I Sam. 7.10, 12. Psa. 18.15. Isa. 28.21. cap. 16.3, 6 e 15.35.

[9] Psa. 18.14, 16 e 77.17. Isa. 30.30. Apo. 16.21.

[10] Isa. 28.21. Hab. 3.11. Jui. 12.12.

[11] II Sam. 1.18.

[12] Isa. 38.8. Deu. 1.30. ver. 42. cap. 23.3.

[13] ver. 43.

[14] Exo. 11.7.

[15] Psa. 107.40 e 110.5 e 149.8. Isa. 26.5, 6. Mal. 4.3.

[16] Deu. 31.6, 8. cap. 1.9. Deu. 3.21 e 7.19.

[17] cap. 8.29.

[18] Deu. 21.23. cap. 8.29.

[19] cap. 6.21.

[20] cap. 14.13 e 15.13. Jui. 1.10.

[21] cap. 15.15. Jui. 1.11.

[22] Deu. 20.16, 17.

[23] Gen. 10.19. cap. 11.16.

[24] ver. 14.

As victorias de Josué sobre diversos reis.

Antes de Christo 1450

11 Succedeu depois d’isto que, ouvindo-o Jabin, rei d’Hazor, enviou a Jobab, rei de Madon, e [1] ao rei de Simron, e ao rei d’Acsaph;

2 E os reis, que estavam ao norte, nas montanhas, e na campina para o sul[222] [2] de Cinneroth, e nas planicies, e em Naphoth-dor, da banda do mar;

3 Ao cananeo do oriente e do occidente; e ao amorrheo, e ao hetheo, e ao pherezeo, e ao jebuseo nas montanhas: e [3] ao heveo ao pé d’Hermon, na terra de Mispah.

4 Sairam pois estes, e todos os seus exercitos com elles, muito povo, como a areia [4] que está na praia do mar em multidão: e muitissimos cavallos e carros.

5 Todos estes reis se ajuntaram, e vieram e se acamparam junto ás aguas de Merom, para pelejarem contra Israel.

6 E disse o Senhor a Josué: Não temas [5] diante d’elles; porque ámanhã a esta mesma hora eu os darei todos feridos diante dos filhos d’Israel; [6] os seus cavallos jarretarás, e os seus carros queimarás a fogo.

7 E Josué, e toda a gente de guerra com elle, veiu apressadamente sobre elles ás aguas de Merom: e deram n’elles de repente.

8 E o Senhor os deu na mão d’Israel, e os feriram, e os seguiram até á grande Sidon, e até Misrephoth-main, [7] e até ao valle de Mispah ao oriente; feriram-os até não lhes deixarem nenhum.

9 E fez-lhes Josué como [8] o Senhor lhe dissera: os seus cavallos jarretou, e os seus carros queimou a fogo,

10 E n’aquelle mesmo tempo tornou Josué, e tomou a Hazor, e feriu á espada ao seu rei: porquanto Hazor d’antes era a cabeça de todos estes reinos.

11 E a toda a alma, que n’ella havia, feriram ao fio da espada, e totalmente os destruiram; nada restou do que tinha folego, e a Hazor queimou com fogo.

12 E Josué tomou todas as cidades d’estes reis, e todos os seus reis, e os feriu ao fio da espada, destruindo-os totalmente: como ordenara a [9] Moysés servo do Senhor.

13 Tão sómente não queimaram os israelitas as cidades que estavam sobre os seus outeiros: salvo sómente Hazor, a qual Josué queimou.

14 E todos os despojos d’estas cidades, e o gado, os filhos d’Israel saquearam para si: tão sómente a todos os homens feriram ao fio da espada, até que os destruiram: nada do que folego tinha deixaram com vida.

15 Como ordenara o [10] Senhor a Moysés seu servo, assim Moysés ordenou a Josué: e assim Josué o fez; nem uma só palavra tirou de tudo o que o Senhor ordenara a Moysés.

16 Assim Josué tomou toda aquella terra, as montanhas, [11] e todo o sul, e toda a terra de Gosen, e as planicies, e as campinas, e as montanhas d’Israel; e as suas planicies;

17 Desde o monte calvo, [12] que sobe a Seir, até Baal-gad, no valle do Libano, ás raizes do monte de Hermon: tambem tomou todos os seus reis, e os feriu [13] e os matou.

18 Por muitos dias Josué fez guerra contra todos estes reis.

19 Não houve cidade que fizesse paz com os filhos d’Israel, senão os heveos, [14] moradores de Gibeon: por guerra as tomaram todas.

20 Porquanto do [15] Senhor vinha, que os seus corações endurecessem, para sairem ao encontro a Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade d’elles; mas para os destruir a todos, como o [16] Senhor tinha ordenado a Moysés.

21 N’aquelle tempo veiu Josué, e extirpou os enaquins [17] das montanhas d’Hebron, de Debir, d’Anab, e de todas as montanhas de Judah, e de todas as montanhas d’Israel: Josué os destruiu totalmente com as suas cidades.

22 Nenhum dos enaquins ficou de resto na terra dos filhos d’Israel: sómente ficaram de resto em Gaza, em Gath, [18] e em Asdod.

23 Assim Josué tomou toda esta terra, conforme [19] a tudo o que o Senhor tinha dito a Moysés; e Josué a deu em herança [20] aos filhos d’Israel, conforme ás suas divisões, conforme ás suas tribus: e a terra repousou da guerra.

[1] cap. 10.3 e 19.15.

[2] Num. 34.11. cap. 17.11. Jui. 1.27. I Reis 4.11.

[3] Jui. 3.3. cap. 13.11. Gen. 31.49.

[4] Gen. 22.17 e 32.12. Jui. 7.12. I Sam. 13.5.

[5] cap. 10.8.

[6] II Sam. 3.4.

[7] cap. 13.6.

[8] ver. 6.

[9] Num. 33.52.

[10] Exo. 34.11. Deu. 7.2. cap. 1.7.

[11] cap. 12.8 e 10.41.

[12] cap. 12.7.

[13] Deu. 7.24. cap. 12.7.

[14] cap. 9.3, 7.

[15] Deu. 3.30. Jui. 14.4. I Sam. 2.25. I Reis 12.15. Rom. 9.19.

[16] Deu. 20.16.

[17] Num. 13.22, 23. Deu. 1.28. cap. 15.13.

[18] I Sam. 17.4. cap. 15.46.

[19] Num. 34.2, etc.

[20] Num. 26.53. cap. 14 e 15 e 16 e 17 e 18 e 19 e 14.15 e 21.44 e 22.4 e 23.1.

As terras que Moysés deu ás duas e meia tribus.

Antes de Christo 1445

12 Estes pois são os reis da terra, aos quaes os filhos de Israel feriram e possuiram a sua terra d’além do Jordão ao nascente do sol: desde o [1] [ID] ribeiro d’Arnon, até ao monte d’Hermon, e toda a planicie do oriente.

2 Sehon, [2] rei dos amorrheos, que habitava em Hesbon e que senhoreava desde Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e desde o meio do ribeiro, e[223] desde a metade de Gilead, e até ao ribeiro de Jabbok, o termo dos filhos de Ammon;

3 E desde a campina [3] até ao mar de Cinneroth para o oriente, e até ao mar da campina, o mar salgado para o oriente, pelo caminho de Beth-jesimoth: e desde o sul abaixo d’Asdoth-pisga.

4 Como tambem o termo [4] de Og, rei de Basan, que era do resto dos gigantes, e que habitava em Astaroth e [5] em Edrei;

5 E senhoreava no monte Hermon, e em Salcha, e em toda a Basan, até ao termo dos gesureos e dos maacateos, e metade de Gilead, termo de Sehon, rei de Hesbon.

6 A estes Moysés, servo do [6] Senhor, e os filhos de Israel feriram: e Moysés, servo do Senhor, deu esta terra aos rubenitas, e aos gaditas, e á meia tribu de Manasseh em possessão.

Os trinta e um reis que Josué feriu.

7 E estes são os reis da terra aos quaes feriu Josué [7] e os filhos de Israel d’áquem do Jordão para o occidente, desde Baal-gad, no valle do Libano, até ao monte calvo, que sobe a Seir: [8] e Josué a deu ás tribus de Israel em possessão, segundo as suas divisões;

8 O que havia nas montanhas, [9] e nas planicies, e nas campinas, e nas descidas das aguas, e no deserto, e para o sul: o heteo, o amorrheo, e o cananeo, o pherezeo, o heveo, e o jebuseo.

9 O rei de Jericó, [10] um; o rei d’Ai, que está ao lado de Bethel, outro;

10 O rei de Jerusalem, [11] outro; o rei d’Hebron, outro;

11 O rei de Jarmuth, outro; o rei de Lachis, outro;

12 O rei d’Eglon, [12] outro; o rei de Geser, outro;

13 O rei de Debir, [13] outro; o rei de Geder, outro;

14 O rei d’Horma, outro; o rei d’Harad, outro;

15 O rei de Libna, [14] outro; o rei d’Adullam, outro;

16 O rei de Makeda, [15] outro; o rei de Bethel, outro;

17 O rei de Tappuah, outro; o rei d’Hepher, [16] outro;

18 O rei d’Aphek, outro; o rei de Lassaron, outro;

19 O rei de Madon, outro; o rei d’Hazor, [17] outro;

20 O rei de Simron-meron, [18] outro; o rei d’Achsaph, outro;

21 O rei de Taanach, outro; o rei de Megiddo, outro;

22 O rei de Kedes, [19] outro; o rei de Jokneam do Carmel, outro;

23 O rei de Dor [20] em Nafath-dor, outro; o rei das nações em Gilgal, outro;

24 O rei de Tirza, outro: trinta e um reis por todos.

[1] Num. 21.24. Deu. 3.8.

[2] Num. 21.24. Deu. 2.33, 36 e 3.6, 16.

[3] Deu. 3.17. cap. 13.20.

[4] Num. 21.35. Deu. 3.4, 10, 11. Deu. 1.4.

[5] Deu. 3.8. cap. 13.11. Deu. 3.14.

[6] Num. 21.24, 33 e 32.29, 33. Deu. 3.11. cap. 13.8.

[7] cap. 11.17.

[8] Gen. 14.6 e 32.3. Deu. 2.1, 4. cap. 11.23.

[9] cap. 10.40 e 11.16. Exo. 3.8 e 23.23. cap. 9.1.

[10] cap. 6.2. cap. 8.29.

[11] cap. 10.23.

[12] cap. 10.33.

[13] cap. 10.38.

[14] cap. 10.29.

[15] cap. 10.28. cap. 8.17. Jui. 1.22.

[16] I Reis 4.10.

[17] cap. 11.10.

[18] cap. 11.1 e 19.15.

[19] cap. 19.37.

[20] cap. 11.2. Gen. 14.1. Isa. 9.1.

Josué reparte a terra que tinha conquistado.

13 Era, porém, Josué já velho, [1] entrado em dias; e disse-lhe o Senhor: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitissima terra ficou para possuir.

2 A terra que fica de resto [2] é esta: todos os termos dos philisteos, e toda a Gesuri;

3 Desde Sihor, [3] que está defronte do Egypto, até ao termo de Ekron para o norte, que se conta ser dos cananeos: cinco principes [4] dos philisteos, o gazeo, e o asdodeo, o ascalonita, o [5] getheo, e o ekroneo, e os aveos;

4 Desde o sul, toda a terra dos cananeos, e Meara, que é dos sidoneos; até Aphek: [6] até ao termo dos amorrheos;

5 Como [7] tambem a terra dos gibleos, e todo o Libano para o nascente do sol, desde Baal-gad, ao pé do monte Hermon, até á entrada d’Hamath;

6 Todos os que habitam nas montanhas desde o Libano até [8] Misrephoth-main, todos os sidoneos; eu os lançarei de diante dos filhos de Israel: tão sómente faze que a terra caia a Israel em sorte por [9] herança, como t’o tenho mandado.

7 Reparte pois agora esta terra por herança ás nove tribus e á meia tribu de Manasseh;

8 Com quem os rubenitas e os gaditas receberam a sua herança; a qual lhes deu Moysés d’além do Jordão para o oriente; como lhes tinha dado [10] Moysés, servo do Senhor,

9 Desde Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e a cidade que está no meio do valle, e toda [11] a campina de Medeba até Dibon;

10 E todas [12] as cidades de Sehon, rei[224] dos amorrheos, que reinou em Hesbon, até ao termo dos filhos d’Ammon;

11 E Gilead, e [13] o termo dos gesureos, e dos maacateos, e todo o monte Hermon, e toda a Basan até Salcha:

12 Todo o reino d’Og em Basan, que reinou em Astaroth e em Edrei; este ficou do resto dos gigantes [14] que Moysés feriu e expelliu.

13 Porém os filhos de Israel não expelliram os gesureos, nem os maacateos; antes Gesur [15] e Maacath habitaram no meio de Israel até ao dia de hoje.

14 Tão sómente á tribu [16] de Levi não deu herança: os sacrificios queimados do Senhor Deus de Israel são a sua herança, como lhe tinha dito.

15 Assim Moysés deu á tribu dos filhos de Ruben, conforme as suas familias.

16 E foi o seu termo desde [17] Aroer, que está á borda do ribeiro d’Arnon, e a cidade que está no meio do valle, e toda a campina até Medeba;

17 Hesbon e todas as suas cidades, que estão na campina: Dibon, e Bamoth-baal, e Beth-baal-meon;

18 E Jahsa, [18] e Kedemoth, e Mephaat;

19 E Kiriathaim, [19] e Sibma, e Zereth, e Hassahar, no monte do valle;

20 E Beth-peor, e [20] Asdoth-pisga, e Beth-jesimoth;

21 E todas [21] as cidades da campina, e todo o reino de Sehon, rei dos amorrheos, que reinou em Hesbon, a quem Moysés feriu, [22] como tambem aos principes de Midian, Evi, e Rekem, e Sur, e Hur, e Reba, principes de Sehon, moradores da terra.

22 Tambem os filhos de Israel mataram á espada a Balaão, [23] filho de Beor, o adivinho, como os mais que por elles foram mortos.

23 E foi o termo dos filhos de Ruben o Jordão e o seu termo; esta é a herança dos filhos de Ruben, segundo as suas familias, as cidades, e as suas aldeias.

24 E deu Moysés á tribu de Gad, aos filhos de Gad, segundo as suas familias.

25 E foi o seu termo [24] Jaezer, e todas as cidades de Gilead, e metade da terra dos filhos d’Ammon, até Aroer, que está defronte de Rabba;

26 E desde Hesbon até Ramath-mispe, e Bethonim: e desde Mahanaim até ao termo de Debir;

27 E no valle Beth-aram, e [25] Beth-nimra, e Succoth, e Saphon, que ficara do resto do reino do rei de Sehon em Hesbon, o Jordão e o seu termo, até á extremidade do [26] mar de Cinnereth d’além do Jordão para o oriente.

28 Esta é a herança dos filhos de Gad, segundo as suas familias, as cidades e as suas aldeias.

29 Deu tambem Moysés herança á meia tribu de Manasseh, que ficou á meia tribu dos filhos de Manasseh, segundo as suas familias,

30 De maneira que o seu termo foi desde Mahanaim, todo o Basan, todo o reino d’Og, rei de Basan, e todas as aldeias de Jair, [27] que estão em Basan, sessenta cidades,

31 E metade de Gilead, e Astaroth, e [28] Edrei, cidades do reino d’Og, em Basan, aos filhos de Machir, filho de Manasseh, a saber, á metade dos filhos de Machir, segundo as suas familias.

32 Isto é o que Moysés repartiu em herança nas campinas de Moab, d’além do Jordão de Jericó para o oriente.

33 Porém á tribu [29] de Levi Moysés não deu herança: o Senhor Deus de Israel é a sua herança, como lhe tinha dito.

[1] cap. 14.10 e 23.1.

[2] Jui. 3.1. Joel 3.4. ver. 13. II Sam. 3.3 e 13.37, 38.

[3] Jer. 2.18.

[4] Jui. 3.3. I Sam. 6.4, 16. Sof. 2.5.

[5] Deu. 2.23.

[6] cap. 19.30. Jui. 1.34.

[7] I Reis 5.18. Eze. 27.9. cap. 12.7.

[8] cap. 11.8. cap. 23.13. Jui. 2.21, 23.

[9] cap. 14.1.

[10] Num. 32.33. Deu. 3.12. cap. 22.4.

[11] ver. 16. Num. 21.30.

[12] Num. 21.24, 25.

[13] cap. 12.5.

[14] Deu. 3.11. cap. 12.4. Num. 21.24, 35.

[15] ver. 11.

[16] Num. 18.20, 23, 24. cap. 14.3, 4. ver. 33.

[17] cap. 12.2. Num. 21.28, 30. ver. 9.

[18] Num. 21.33.

[19] Num. 32.37, 38.

[20] Deu. 3.17. cap. 12.3.

[21] Deu. 3.10.

[22] Num. 21.24 e 31.8.

[23] Num. 22.5.

[24] Num. 32.35 e 21.26, 28, 29. Deu. 2.19. Jui. 11.13, 15, etc. II Sam. 11.1 e 12.26.

[25] Num. 32.36. Gen. 33.17. I Reis 7.46.

[26] Num. 34.11.

[27] Num. 32.41. I Chr. 2.23.

[28] cap. 12.4. Num. 32.39, 40.

[29] ver. 14. cap. 18.7. Num. 18.20. Deu. 10.9 e 18.1, 2.

Josué dá a Caleb, em herança, Hebron.

Antes de Christo 1444

14 Isto pois é o que os filhos de Israel tiveram em herança na terra de Canaan: o que Eleazar, o sacerdote, [1] e Josué, filho de Nun, e os Cabeças dos paes das tribus dos filhos de Israel lhes fizeram repartir,

2 Por sorte da sua herança, [2] come o Senhor ordenara, [IE] pelo ministerio de Moysés, ácerca das nove tribus e da meia tribu.

3 Porquanto ás duas tribus e á meia tribu deu Moysés [3] herança d’além do Jordão: mas aos levitas não tinha dado herança entre elles.

4 Porque os filhos de José foram duas tribus, [4] Manasseh e Ephraim: e aos levitas não deram herança na terra, senão cidades em que habitassem, e os seus arrabaldes para seu gado e para sua possessão.

5 Como o Senhor ordenara [5] a Moysés,[225] assim fizeram os filhos d’Israel, e repartiram a terra.

6 Então os filhos de Judah chegaram a Josué em Gilgal; e Caleb, filho de Jefoné o kenezeo, lhe disse: [6] Tu sabes a palavra que o Senhor fallou a Moysés, homem de Deus, em [7] Cades-barnea, por causa de mim e de ti.

7 Da edade de quarenta annos era eu, quando Moysés, servo do Senhor, me enviou de Cades-barnea a [8] espiar a terra: e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração:

8 Mas meus irmãos, [9] que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu porém perseverei [10] em seguir ao Senhor meu Deus.

9 Então Moysés n’aquelle dia jurou, dizendo: Certamente a terra [11] que pisou o teu pé será tua, e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir ao Senhor meu Deus.

10 E agora eis-que o Senhor me conservou em vida, [12] como disse; quarenta e cinco annos ha agora, desde que o Senhor fallou esta palavra a Moysés, andando Israel ainda no deserto: e agora eis-que já hoje sou de edade de oitenta e cinco annos.

11 E ainda hoje estou tão forte como [13] no dia em que Moysés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair e para entrar.

12 Agora pois dá-me este monte de que o Senhor fallou aquelle dia: pois n’aquelle dia tu ouviste que os anekins estão ali, e grandes e fortes cidades ha ali: porventura o Senhor será comigo, [14] para os expellir, como o Senhor disse.

13 E Josué [15] o abençoou, e deu a Caleb, filho de Jefoné, a Hebron em herança.

14 Portanto [16] Hebron foi de Caleb, filho de Jefoné o kenezeo, em herança até ao dia d’hoje: porquanto perseverara em seguir [17] ao Senhor Deus d’Israel.

15 E era d’antes o nome d’Hebron [IF] Kiriath-arba, [18] porque Arba foi um grande homem entre os anekins. E a terra repousou da guerra.

[1] Num. 34.17, 18.

[2] Num. 26.55 e 33.54 e 34.13.

[3] cap. 13.8, 32, 33.

[4] Gen. 48.5. I Chr. 5.1, 2.

[5] Num. 35.2. cap. 21.2.

[6] Num. 32.12. cap. 15.17. Num. 14.24, 30. Deu. 1.36, 38.

[7] Num. 13.26.

[8] Num. 13.6 e 14.6.

[9] Num. 13.31, 32. Deu. 1.28.

[10] Num. 14.24. Deu. 1.36.

[11] Num. 14.23, 24. Deu. 1.36. cap. 1.3. Num. 13.22.

[12] Num. 14.30.

[13] Deu. 34.7 e 31.2.

[14] Num. 13.28, 33. Psa. 18.33. Rom. 8.31. cap. 15.14. Jui. 1.20.

[15] cap. 22.6 e 10.37 e 15.13. Jui. 1.20. cap. 21.11, 12. I Chr. 6.55, 56.

[16] cap. 21.12.

[17] ver. 8, 9.

[18] Gen. 23.2. cap. 15.13 e 11.23.

As heranças das nove e meia tribus. A herança de Judah.

15 E foi a sorte da tribu dos filhos de Judah, segundo as suas familias, até ao termo d’Edom, [1] o deserto de Sin para o sul, até a extremidade da banda do sul.

2 E foi o seu termo para o sul, desde a ribeira do mar salgado, desde a [IG] bahia que olha para o sul;

3 E sae para o sul, até á subida d’Akrabbim, [2] e passa a Sin, e sobe do sul a Cades-Barnea, e passa por Hezron, e sobe a Adar, e rodeia a Carca:

4 E passa Asmon, [3] e sae ao ribeiro do Egypto, e as saidas d’este termo irão até ao mar: este será o vosso termo da banda do sul.

5 O termo porém para o oriente será o mar salgado, até á extremidade do Jordão: e o termo para o norte será da bahia do mar, desde a extremidade do Jordão.

6 E este termo subirá até [4] Beth-hogla, e passará do norte a Beth-araba, e este termo subirá até á pedra de Bohan, filho de Ruben.

7 Subirá mais este termo a Debir desde o valle d’Acor, [5] e olhará pelo norte para Gilgal, a qual está á subida d’Adummim, que está para o sul do ribeiro: então este termo passará até ás aguas d’En-semes: e as suas saidas estarão da banda [6] d’En-rogel.

8 E este termo passará pelo valle do filho [7] d’Hinnom, da banda dos jebuseos do sul: esta é Jerusalem: e subirá este termo até ao cume do monte que está diante do valle d’Hinnom para o occidente, que está no fim do valle [8] dos rephains da banda do norte.

9 Então este termo irá desde a altura do monte até á fonte [9] das aguas de Nephtoah; e sairá até ás cidades do monte d’Ephron; irá mais este termo até Baala; esta é Kiriath-jearim:

10 Então tornará este termo desde Baala para o occidente, até ás montanhas de Seir, e passará ao lado do monte de Jearim da banda do norte; esta é Kesalon, e descerá a Beth-semes, e passará [10] por Timna.

11 Sairá este termo mais ao lado d’Ekron[226] [11] para o norte, e este termo irá a Sicron, e passará o monte de Baala, e sairá em Jabneel: e as saidas d’este termo [12] eram no mar.

12 Será porém o termo da banda do occidente o mar grande, e o seu termo: este é o termo dos filhos [13] de Judah ao redor, segundo as suas familias.

13 Mas a Caleb, filho de Jefoné, deu uma parte no meio dos filhos de Judah, conforme ao dito do Senhor a Josué: a saber, a cidade de Arba, pae d’Enak; este é Hebron.

14 E expelliu Caleb d’ali [14] os tres filhos d’Enak: Sesai, e Ahiman, e Talmai, gerados d’Enak.

15 E d’ali subiu [15] aos habitantes de Debir: e fôra d’antes o nome de Debir Kiriath-sepher.

16 E disse Caleb: [16] Quem ferir a Kiriath-sepher, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher.

17 Tomou-a pois Othniel, [17] filho de Kenaz, irmão de Caleb: e deu-lhe a sua filha Acsa por mulher.

18 E succedeu que, [18] vindo ella a elle, o persuadiu que pedisse um campo a seu pae: e ella se apeou do jumento: então Caleb lhe disse: Que é que tens?

19 E ella disse; [19] Dá-me [IH] uma benção; pois me déste terra secca, dá-me tambem fontes de aguas. Então lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

20 Esta é a herança da tribu dos filhos de Judah, segundo as suas familias.

21 São pois as cidades da extremidade da tribu dos filhos de Judah até ao termo d’Edom para o sul: Cabzeel, e Eder, e Jagur,

22 E Kina, e Dimona, e Adada,

23 E Kedes, e Hasor, e Itnan,

24 Zif, e Telem, e Bealoth,

25 E Hasor, Hadattha, e Kirioth-hesron (que é Hasor),

26 Aman, e Sema, e Molada,

27 E Hasar-gadda, e Hesmone, e Beth-palet,

28 E Hasar-sual, e Beer-seba, e Bizjo-theja,

29 Baala, e Jim, e Ezem,

30 E Eltolad, e Chesil, e Horma,

31 E Siklag, [20] e Madmanna, e Sansanna,

32 E Lebaoth, e Silhim, e Ain, e Rimmon: todas as cidades e as suas aldeias, vinte e nove.

33 Nas planicies: [21] Esthaol, e Sora, e Asna,

34 E Zanoah, e En-gannim, Tappuah, e Enam,

35 Iarmuth, e Adullam, Socho, e Azeka,

36 E Saaraim, e Adithaim, e Gedera, e Gederothaim, quatorze cidades e as suas aldeias.

37 Senan, e Hadasa, e Migdal-gad,

38 E Dilan, e Mispah, [22] e Jokteel,

39 Lachis, e Boscath, e Eglon,

40 E Cabbon, e Lahmas, e Chitlis,

41 E Gederoth, Beth-dagon, e Naama, e Makeda: dezeseis cidades e as suas aldeias.

42 Libna, e Ether, e Asan,

43 E Iphtah, e Asna, e Nezib,

44 E Keila, e Aczib, e Maresa: nove cidades e as suas aldeias.

45 Ekron, e os logares da sua jurisdicção, e as suas aldeias:

46 Desde Ekron, e até ao mar, todas as que estão da banda d’Asdod, e as suas aldeias.

47 Asdod, os logares da sua jurisdicção, e as suas aldeias; Gaza, os logares [23] da sua jurisdicção, e as suas aldeias, até ao rio do Egypto: e o mar grande e o seu termo.

48 E nas montanhas, Samir, Iatthir, e Socoh,

49 E Danna, e Kiriath-sanna, que é Debir,

50 E Anab, Estemo, e Anim,

51 E Gosen, [24] e Holon, e Gilo: onze cidades e as suas aldeias.

52 Arab, e Duma, e Esan,

53 E Ianum, e Beth-tappuah, e Apheka,

54 E Humta, e Kiriath-arba [25] (que é Hebron), e Sihor: nove cidades e as suas aldeias.

55 Maon, Carmel, e Zif, e Iuta,

56 E Jezreel, e Jokdeam, e Zanoah,

57 Cain, Gibea, e Timna: dez cidades e as suas aldeias.

58 Halhul, Beth-sur, e Gedor,

59 E Maarath, e Beth-anoth, e Eltekon: seis cidades e as suas aldeias.

60 Kiriath-baal [26] (que é, Kiriath-jearim), e Rabba: duas cidades e as suas aldeias.

61 No deserto: Beth-araba, Middin, e Secaca,

62 E Nibsan, e a cidade do sal, e Engedi: seis cidades e as suas aldeias.

63 Não poderam porém os filhos de Judah expellir [27] os jebuseos que habitavam em Jerusalem; assim habitaram os jebuseos com os filhos de Judah em Jerusalem, até ao dia de hoje.

[1] Num. 34.3 e 33.36.

[2] Num. 34.4.

[3] Num. 34.5.

[4] cap. 18.19 e 18.17.

[5] cap. 7.26.

[6] II Sam. 17.17. I Reis 1.9.

[7] cap. 18.16. II Sam. 23.10. Jer. 19.2, 6. cap. 12.28. Jui. 1.21 e 19.10.

[8] cap. 18.16.

[9] cap. 18.15. I Chr. 13.6. Jui. 18.12.

[10] Gen. 38.13. Jui. 14.4.

[11] cap. 19.43.

[12] ver. 47. Num. 34.6, 7.

[13] cap. 14.13, 15.

[14] Jui. 1.10, 20. Num. 13.22.

[15] cap. 10.28. Jui. 1.11.

[16] Jui. 1.12.

[17] Jui. 1.13 e 3.9. Num. 32.12. cap. 14.6.

[18] Jui. 1.14. Gen. 24.64. I Sam. 25.23.

[19] Gen. 33.11.

[20] I Sam. 27.6.

[21] Num. 13.23.

[22] II Reis 14.7.

[23] ver. 4. Num. 34.6.

[24] cap. 10.41 e 11.16.

[25] ver. 13. cap. 14.15.

[26] cap. 18.14.

[27] Jui. 1.8, 21. II Sam. 5.6. Jui. 1.21.

[227]

As heranças dos filhos de José. A herança de Ephraim.

16 Saiu depois a sorte dos filhos de José, desde o Jordão de Jericó ás aguas de Jericó, para o oriente, subindo ao deserto de Jericó pelas montanhas de Beth-el;

2 E de Beth-el sae a Luza, [1] e passa ao termo dos archeos, até Ataroth;

3 E desce da banda do occidente ao termo [2] de Japhleti, até ao termo de Beth-horon de baixo, e até Gazer, sendo as suas saidas para o mar.

4 Assim alcançaram a sua herança os filhos de José, Manasseh e Ephraim.

5 E foi o termo dos filhos [3] de Ephraim, segundo as suas familias, a saber: o termo da sua herança para o oriente era Atharoth-addar [4] até Beth-horon de cima:

6 E sae este termo para o occidente junto a Mikametath, [5] desde o norte, e torna este termo para o oriente a Thaanat-silo, e passa por ella desde o oriente a Janoha;

7 E desce desde Janoha a Atharoth e a Naharath, [6] e toca em Jericó, e vae sair ao Jordão.

8 De Tappuah vae este termo para o occidente ao ribeiro de Cana, [7] e as suas saidas no mar: esta é a herança da tribu dos filhos de Ephraim, segundo as suas familias.

9 E as cidades que [8] se separaram para os filhos de Ephraim estavam no meio da herança dos filhos de Manasseh: todas aquellas cidades e as suas aldeias.

10 E não expelliram aos cananeos [9] que habitavam em Gazer: e os cananeos habitaram no meio dos ephraimitas até ao dia de hoje; porém serviam-n’os, sendo-lhes tributarios.

[1] cap. 18.13. Jui. 1.26.

[2] cap. 18.13. II Chr. 8.5. I Chr. 7.28. I Reis 9.15.

[3] cap. 17.14.

[4] cap. 18.13. II Chr. 8.5.

[5] cap. 17.7.

[6] I Chr. 7.28.

[7] cap. 17.9.

[8] cap. 17.9.

[9] Jui. 1.29. I Reis 9.10.

A herança da meia tribu de Manasseh.

17 Tambem caiu a sorte á tribu de Manasseh, porquanto era [1] o primogenito de José, a saber: Machir, o primogenito de Manasseh, pae de Gilead, porquanto era homem de guerra, teve a Gilead e Basan.

2 Tambem os mais [2] filhos de Manasseh tiveram sorte, segundo as suas familias, a saber: os filhos d’Abiezer, e [3] os filhos de Helek, e os filhos d’Asriel, e os filhos de Sechem, e os filhos de Hepher, e os filhos de Semida: estes são os filhos machos de Manasseh, filho de José, segundo as suas familias.

3 Selofad, [4] porém, filho d’Hepher, o filho de Gilead, filho de Machir, o filho de Manasseh, não teve filhos, mas só filhas: e estes são os nomes de suas filhas: Machla, Noa, Hogla, Milka e Tirsa.

4 Estas, pois, chegaram diante d’Eleazar, [5] o sacerdote, e diante de Josué, filho de Nun, e diante dos principes, dizendo: O Senhor ordenou a Moysés [6] que se nos désse herança no meio de nossos irmãos: pelo que, conforme ao dito do Senhor, lhes deu herança no meio dos irmãos de seu pae.

5 E cairam a Manasseh dez quinhões, afóra a terra de Gilead, e Basan que está d’além do Jordão;

6 Porque as filhas de Manasseh no meio de seus filhos possuiram herança: e a terra de Gilead tiveram os outros filhos de Manasseh.

7 E o termo de Manasseh foi desde Aser até [7] Mikmetath, que está diante de Sechem: e vae este termo á mão direita, até aos moradores d’En-tappuah.

8 Tinha Manasseh a terra de Tappuah: porém a Tappuah, [8] no termo de Manasseh, tinham os filhos d’Ephraim.

9 Então desce este termo ao ribeiro de Cana, para o sul do ribeiro: d’Ephraim são estas cidades [9] no meio das cidades de Manasseh: e o termo de Manasseh está ao norte do ribeiro, sendo as suas saidas no mar.

10 Ephraim ao sul, e Manasseh ao norte, e o mar é o seu termo: pelo norte tocam em Aser, e pelo oriente em Issacar.

11 Porque em Issacar e em Aser tinha Manasseh [10] a Beth-sean e os logares da sua jurisdicção, e Ibleam e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Dor e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes d’En-dor e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Thaanak e os logares da sua jurisdicção, e os habitantes de Megiddo e os logares da sua jurisdicção: tres comarcas.

12 E os filhos de Manasseh [11] não poderam expellir os habitantes d’aquellas cidades: porquanto os cananeos queriam habitar na mesma terra.

13 E succedeu que, engrossando em forças [12] os filhos de Israel, fizeram[228] tributarios aos cananeos; porém não os expelliram de todo.

14 Então os filhos de José fallaram a Josué, dizendo: [13] Porque me déste por herança uma sorte e um quinhão, sendo eu um tão grande povo, visto que o Senhor até aqui me tem abençoado?

15 E disse-lhes Josué: Se tão grande povo és, sobe ao bosque, e corta para ti ali logar na terra dos phereseos e dos rephains: pois que as montanhas de Ephraim te são tão estreitas.

16 Então disseram os filhos de José: As montanhas nos não bastariam: tambem carros ferrados ha entre todos os cananeos que habitam na terra do valle, entre os de Beth-sean e os logares [14] da sua jurisdicção, e entre os que estão no valle de Jezreel.

17 Então Josué fallou á casa de José, a Ephraim e a Manasseh, dizendo: Grande povo és, e grande força tens; uma sorte não terás;

18 Porém as montanhas serão tuas: e, pois que bosque é, corta-o, e as suas saidas serão tuas: porque expellirás os cananeos, ainda que tenham carros ferrados, [15] ainda que sejam fortes.

[1] Gen. 41.51 e 46.20 e 48.18 e 50.23. Num. 26.29 e 32.39. I Chr. 7.14. Deu. 3.15.

[2] Num. 26.29-32.

[3] I Chr. 7.18. Num. 26.31, 32.

[4] Num. 26.33 e 27.1 e 36.2.

[5] cap. 14.1.

[6] Num. 27.6.

[7] cap. 16.6.

[8] cap. 16.8.

[9] cap. 16.9.

[10] I Chr. 7.29. I Sam. 31.10. I Reis 4.12.

[11] Jui. 1.27.

[12] cap. 16.10.

[13] cap. 16.4. Gen. 48.22 e 48.19. Num. 26.34.

[14] Jui. 1.19 e 4.3. cap. 19.18. I Reis 2.12.

[15] Deu. 20.1.

O tabernaculo é levantado em Silo.

18 E toda a congregação dos filhos de Israel se ajuntou em Silo, [1] e ali armaram a tenda da congregação, depois que a terra foi sujeita diante d’elles.

2 E d’entre os filhos de Israel ficaram sete tribus que ainda não tinham repartido a sua herança.

3 E disse Josué aos filhos de Israel: Até quando sereis negligentes a passardes para [2] possuir a terra que o Senhor Deus de vossos paes vos deu?

4 De cada tribu escolhei vós tres homens, para que eu os envie, e se levantem, e corram a terra, e a descrevam segundo as suas heranças, e se tornem a mim.

5 E a repartirão em sete partes: Judah [3] ficará no seu termo para o sul, e a casa de José ficará no seu termo para o norte.

6 E vós descrevereis a terra em sete partes, e m’a trareis a mim aqui descripta: para que eu aqui lance as [4] sortes perante o Senhor nosso Deus.

7 Porquanto os levitas [5] não teem parte no meio de vós, porém o sacerdocio do Senhor é a sua parte: [6] e Gad, e Ruben e a meia tribu de Manasseh tomaram a sua herança d’além do Jordão para o oriente, a qual lhes deu Moysés, o servo do Senhor.

8 Então aquelles homens se levantaram, e se foram: e Josué deu ordem aos que iam descrever a terra, dizendo: Ide, e correi a terra, e descrevei-a, e então tornae a mim, e aqui vos lançarei as sortes perante o Senhor, em Silo.

9 Foram pois aquelles homens, e passaram pela terra, e a descreveram, segundo as cidades, em sete partes, n’um livro: e voltaram a Josué, ao arraial em Silo.

10 Então Josué lhes lançou as sortes, em Silo, perante o Senhor; e ali repartiu Josué a terra aos filhos de Israel, conforme ás suas divisões.

A herança de Benjamin.

11 E subiu a sorte da tribu dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias: e saiu o termo da sua sorte entre os filhos de Judah e os filhos de José.

12 E o seu termo [7] foi para a banda do norte, desde o Jordão: e sobe este termo ao lado de Jericó para o norte, e sobe pela montanha para o occidente, sendo as suas saidas no deserto de Beth-aven.

13 E d’ali passa este termo a Luza, ao lado de Luza (que é Beth-el) [8] para o sul: e desce este termo a Ataroth-adar, ao pé do monte que está da banda do sul de Beth-horon a baixa.

14 E vae este termo e torna á banda do occidente para o sul do monte que está defronte de Beth-horon, para o sul, e as suas saidas vão para Kiriath-baal [9] (que é Kiriath-jearim), cidade dos filhos de Judah: esta é a sua extensão para o occidente.

15 E a sua extensão para o sul está á extremidade de Kiriath-jearim: e sae este termo ao occidente, e vem a sair [10] á fonte das aguas de Nephtoah.

16 E desce este termo até á extremidade do monte que está defronte do valle [11] do filho de Hinnom, que está no valle dos rephains, para o norte, e desce pelo valle de Hinnom da banda dos jebuseos para o sul; e então desce á fonte de Rogel;

17 E vae desde o norte, e sae a Ensemes; e d’ali sae a Geliloth, que está defronte da subida de Adummim, e desce á pedra [12] de Bohan, filho de Ruben;

18 E passa até ao lado defronte [13] d’Araba para o norte, e desce a Araba;

[229]

19 Passa mais este termo até ao lado de Beth-hogla para o norte, estando as saidas d’este termo na lingua do mar salgado para o norte, na extremidade do Jordão para o sul: este é o termo do sul.

20 E termina o Jordão da banda do oriente: esta é a herança dos filhos de Benjamin, nos seus termos em redor, segundo as suas familias.

21 E as cidades da tribu dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias, são: Jericó, e Beth-hogla, e Emekkesis,

22 E Beth-araba, e Semaraim, e Beth-el,

23 E Havvim, e Para, e Ophra,

24 E Chephar-haammonai, e Ophni, e Gaba: doze cidades e as suas aldeias:

25 Gibeon, e Rama, e Beeroth,

26 E Mispah, e Chephira, e Mosa,

27 E Rekem, e Irpeel, e Tharala,

28 E Sela, Eleph, e Jebusi [14] (esta é Jerusalem), Gibeath e Kiriath: quatorze cidades com as suas aldeias: esta é a herança dos filhos de Benjamin, segundo as suas familias.

[1] cap. 19.51 e 21.2 e 22.9. Jer. 7.12. Jui. 18.31. I Sam. 1.3, 24 e 4.3, 4.

[2] Jui. 18.9.

[3] cap. 15.1 e 16.1, 4.

[4] ver. 10. cap. 14.2.

[5] cap. 13.33.

[6] cap. 13.8.

[7] cap. 16.1.

[8] Gen. 28.19. Jui. 1.23. cap. 16.3.

[9] cap. 15.9.

[10] cap. 15.9.

[11] cap. 15.8.

[12] cap. 15.6.

[13] cap. 15.6.

[14] cap. 15.8.

A herança de Simeão.

19 E saiu a segunda sorte por Simeão, pela tribu dos filhos de Simeão, segundo as suas familias: e foi [1] a sua herança no meio da [2] herança dos filhos de Judah.

2 E tiveram na sua herança: Beer-seba, e Seba, e Molada,

3 E Hassar-sual, e Bala, e Asem,

4 E Eltholad, e Bethul, e Horma,

5 E Siklag, e Beth-hammarcaboth, e Hassar-susa,

6 E Beth-lebaoth, e Saruhen: treze cidades e as suas aldeias.

7 Ain, e Rimmon, e Ether, e Asan: quatro cidades e as suas aldeias.

8 E todas as aldeias que havia em redor d’estas cidades, até Baalath-beer, que é Ramath do sul: esta é a herança da tribu dos filhos de Simeão, segundo as suas familias.

9 A herança dos filhos de Simeão está entre o quinhão dos de Judah; porquanto a herança dos filhos de Judah era demasiadamente grande para elles: pelo que os filhos [3] de Simeão tiveram a sua herança no meio d’elles.

A herança de Zebulon.

10 E saiu a terceira sorte pelos filhos de Zebulon, segundo as suas familias: e foi o termo da sua herança até Sarid.

11 E sobe [4] o seu termo pelo occidente a Marala, e chega até Dabbeseth: chega tambem até ao ribeiro que está defronte de Jokneam.

12 E de Sarid volta para o oriente, para o nascente do sol, até ao termo de Chisloth-tabor, e sae a Dobrath, e vae subindo a Japhia.

13 E d’ali passa pelo oriente para o nascente, a Gath-hepher, em Ethcasin; e sae a Rimmon-methoar, que é Nea.

14 E torna este termo para o norte a Hannathon: e as suas saidas são o valle de Iphtah-el,

15 E Cattath, e Nahalal, e Simron, e Idala, e Beth-lehem: doze cidades e as suas aldeias.

16 Esta é a herança dos filhos de Zebulon, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

17 A quarta sorte saiu por Issacar: pelos filhos d’Issacar, segundo as suas familias.

18 E foi o seu termo Jezreela, e Chesulloth, e Sunem,

19 E Hapharaim, e Sion, e Anacarath,

20 E Rabbith, e Kision, e Ebes,

21 E Remeth, e En-gannim, e En-hadda, e Beth-patses.

22 E chega este termo até Tabor, e Sahasima, e Beth-semes; e as saidas do seu termo estão para o Jordão: dezeseis cidades e as suas aldeias.

23 Esta é a herança da tribu dos filhos d’Issacar, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

A herança de Aser.

24 E saiu a quinta sorte pela tribu dos filhos d’Aser, segundo as suas familias.

25 E foi o seu termo Helkath, e Hali, e Beten, e Acsaph,

26 E Alammelech, e Amad, e Misal: e chega a Carmel para o occidente, e a Sihor-libnath;

27 E volta do nascente do sol a Beth-dagon, e chega a Zebulon e ao valle de Iphtah-el, ao norte de Beth-emek e de Neiel, e vem sair a Cabul pela esquerda,

28 E Ebron, e Rehob, e Hammon, e Cana, até á grande [5] Sidon.

29 E volta este termo a Rama, e até á forte cidade de Tyro: então torna este termo a Hosa, e as suas saidas estão para o mar, desde o quinhão da terra até [6] Achzib;

30 E Uma, e Aphek, e Rechob: vinte e duas cidades e as suas aldeias.

31 Esta é a herança da tribu dos filhos d’Aser, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

32 E saiu a sexta sorte pelos filhos de[230] Naphtali; para os filhos de Naphtali, segundo as suas familias.

33 E foi o seu termo desde Heleph e desde Allon em Saanannim, e Adami, Nekeb, e Jabneel, até Lakum: e estão as suas saidas no Jordão.

34 E volta este termo [7] pelo occidente a Azmoth-tabor, e d’ali passa a Huccok: e chega a Zebulon para o sul, e chega a Aser para o occidente, e a Judah pelo Jordão, para o nascente do sol.

35 E são as cidades fortes: Siddim, Ser, e Hammath, Raccath, e Chinnereth,

36 E Adama, e Rama, e Hasor,

37 E Kedes, e Edrei, e En-hazor,

38 E Iron, e Migdal-el, Horem, e Beth-anath, e Beth-semes: dezenove cidades e as suas aldeias.

39 Esta é a herança da tribu dos filhos de Naphtali, segundo as suas familias: estas cidades e as suas aldeias.

A herança de Dan.

40 A setima sorte saiu pela tribu dos filhos de Dan, segundo as suas familias.

41 E foi o termo da sua herança, Sora, e Estaol, e Ir-semes,

42 E Saalabbin, [8] e Ayalon, e Ithla,

43 E Elon, e Timnath, e Ekron,

44 E Elteke, e Gibthon, e Baalath,

45 E Jehud, e Bene-berak, e Gath-rimmon,

46 E Me-jarcom, e Raccon: com o termo defronte de [II] Japho:

47 Saiu porém pequeno o termo [9] aos filhos de Dan: pelo que subiram os filhos de Dan, e pelejaram contra Lesem, e a tomaram, e a feriram ao fio da espada, e a possuiram e habitaram n’ella, e a Lesem chamaram Dan, [10] conforme ao nome de Dan seu pae.

48 Esta é a herança da tribu dos filhos de Dan, segundo as suas familias; estas cidades e as suas aldeias.

49 Acabando pois de repartir a terra em herança segundo os seus termos, deram os filhos d’Israel a Josué, filho de Nun, herança no meio d’elles.

50 Segundo o dito do Senhor lhe deram [11] a cidade que pediu, a Timnath-serah, na montanha de Ephraim: e reedificou aquella cidade, e habitou n’ella.

51 Estas são as heranças [12] que Eleazar o sacerdote, e Josué filho de Nun, e os Cabeças dos paes das familias por sorte em herança repartiram ás tribus dos filhos d’Israel [13] em Silo, perante o Senhor, á porta da tenda da congregação. E assim acabaram de repartir a terra.

[1] ver. 9.

[2] I Chr. 4.28.

[3] ver. 1.

[4] Gen. 49.13. cap. 12.22.

[5] cap. 11.8. Jui. 1.31.

[6] Gen. 38.5. Jui. 1.31. Miq. 1.14.

[7] Deu. 33.32.

[8] Jui. 1.35.

[9] Jui. 18.

[10] Jui. 18.29.

[11] cap. 24.30. I Chr. 7.24.

[12] Num. 34.17. cap. 14.1.

[13] cap. 18.1, 10.

Estabelecem-se as cidades de refugio.

20 Fallou mais o Senhor a Josué, dizendo:

2 Falla aos filhos d’Israel, dizendo: [1] Apartae-vos as cidades de refugio, de que vos fallei pelo ministerio de Moysés:

3 Para que fuja para ali o homicida, que matar alguma pessoa por erro, e não com intento: para que vos sejam por refugio do vingador do sangue.

4 E, fugindo para alguma d’aquellas cidades, por-se-ha [2] á porta da cidade, e proporá as suas palavras perante os ouvidos dos anciãos da tal cidade: então o tomarão comsigo na cidade: e lhe darão logar, para que habite com elles.

5 E, se [3] o vingador do sangue o seguir, não entregarão na sua mão o homicida: porquanto não feriu a seu proximo com intento, e o não aborreceu d’antes.

6 E habitará na mesma cidade, [4] até que se ponha a juizo perante a congregação, até que morra o summo sacerdote que houver n’aquelles dias: então o homicida voltará, e virá á sua cidade, e á sua casa, á cidade d’onde fugiu.

7 Então [IJ] apartaram a Kedes [5] em Galilea, na montanha de Naphtali, e a Sichem [6] na montanha d’Ephraim, e a Kiriath-arba, esta é Hebron, na montanha de Judah.

8 E, d’além do Jordão de Jericó para o oriente, apartaram a Beser, no deserto, [7] na campina da tribu de Ruben, e a Ramoth em Gilead da tribu de Gad, e a Golan em Basan da tribu de Manasseh.

9 Estas são as cidades [8] que foram designadas para todos os filhos d’Israel, e para o estrangeiro que andasse entre elles; para que se acolhesse a ellas todo aquelle que ferisse alguma pessoa por erro: para que não morresse ás mãos do vingador do sangue, até [9] se pôr diante da congregação.

[1] Exo. 21.13. Num. 35.6, 11, 14. Deu. 19.2, 9.

[2] Ruth 4.1.

[3] Num. 35.12.

[4] Num. 35.12, 25.

[5] cap. 21.32. I Chr. 6.76.

[6] cap. 21.21. II Chr. 10.1. cap. 14.15 e 21.11, 13. Luc. 1.39.

[7] Deu. 4.43. cap. 21.36. I Chr. 6.78. cap. 21.38. I Reis 22.3. cap. 21.27.

[8] Num. 35.15.

[9] ver. 6.

As cidades da tribu de Levi.

21 Então os Cabeças dos paes dos levitas se achegaram [1] a Eleazar[231] o sacerdote, e a Josué, filho de Nun, e aos Cabeças dos paes das tribus dos filhos d’Israel;

2 E fallaram-lhes em Silo [2] na terra de Canaan, dizendo: O Senhor ordenou, pelo ministerio de Moysés, que se nos déssem cidades para habitar, e os seus arrabaldes para os nossos animaes.

3 Pelo que os filhos d’Israel deram aos levitas da sua herança, conforme ao dito do Senhor, estas cidades e os seus arrabaldes.

4 E saiu a sorte pelas familias dos kohathitas: e aos filhos [3] de Aarão, o sacerdote, d’entre os levitas, cairam por sorte da tribu de Judah, e da tribu de Simeão, e da tribu de Benjamin, treze cidades;

5 E aos outros filhos de [4] Kohath cairam por sorte das familias da tribu d’Ephraim, e da tribu de Dan, e da meia tribu de Manasseh, dez cidades;

6 E aos filhos de Gerson [5] cairam por sorte das familias da tribu d’Issacar, e da tribu d’Aser, e da tribu de Naphtali, e da meia tribu de Manasseh em Basan, treze cidades;

7 Aos filhos de Merari, [6] segundo as suas familias, da tribu de Ruben, e da tribu de Gad, e da tribu de Zebulon, doze cidades.

8 E deram os filhos de Israel aos [7] levitas estas cidades e os seus arrabaldes por sorte, como o Senhor ordenara pelo ministerio de Moysés.

9 Deram mais da tribu dos filhos de Judah e da tribu dos filhos de Simeão estas cidades, que por nome foram nomeadas:

10 Para que fossem dos filhos d’Aarão, [8] das familias dos kohathitas, dos filhos de Levi; porquanto a primeira sorte foi sua.

11 Assim lhes [9] deram a cidade d’Arba, do pae d’Anok (esta é Hebron), [10] no monte de Judah, e os seus arrabaldes em redor d’ella.

12 Porém o campo da cidade, e [11] as suas aldeias, deram a Caleb, filho de Jefoné, por sua possessão.

13 Assim aos filhos d’Aarão, o sacerdote, deram [12] a cidade do refugio do homicida, Hebron, e os seus arrabaldes, e [13] Libna, e os seus arrabaldes;

14 E Jatthir, [14] e os seus arrabaldes, e Estmoa, e os seus arrabaldes;

15 E Cholon, [15] e os seus arrabaldes, e Debir, e os seus arrabaldes,

16 E Ain, [16] e os seus arrabaldes, e Jutta, e os seus arrabaldes, e Beth-semes e os seus arrabaldes: nove cidades d’estas duas tribus.

17 E da tribu de Benjamin, Gibeon, e os seus arrabaldes, [17] Geba, e os seus arrabaldes;

18 Anathoth, e os seus arrabaldes, e Almon, [18] e os seus arrabaldes; quatro cidades.

19 Todas as cidades dos sacerdotes, filhos d’Aarão, foram treze cidades e os seus arrabaldes.

20 E as familias [19] dos filhos de Kohath, levitas, que ficaram dos filhos de Kohath, tiveram as cidades da sua sorte da tribu d’Ephraim.

21 E deram-lhes Sichem, [20] cidade do refugio do homicida, e os seus arrabaldes, no monte de Ephraim, e Gezer, e os seus arrabaldes;

22 E Kibsaim, e os seus arrabaldes, e Beth-horon, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

23 E da tribu de Dan, Elteke, e os seus arrabaldes, Gibbethon, e os seus arrabaldes;

24 Ajalon, e os seus arrabaldes, Gath-rimmon, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

25 E da meia tribu de Manasseh, Taanach, e os seus arrabaldes, e Gath-rimmon, e os seus arrabaldes: duas cidades.

26 Todas as cidades para as familias dos filhos de Kohath que ficavam, foram dez, e os seus arrabaldes.

27 E aos filhos [21] de Gerson, das familias dos levitas, Golan da meia tribu de Manasseh, cidade do [22] refugio do homicida, em Basan, e os seus arrabaldes, e Be-estra, e os seus arrabaldes: duas cidades.

28 E da tribu de Issacar, Kisjon, e os seus arrabaldes: Daberath, e os seus arrabaldes;

29 Jarmuth, e os seus arrabaldes, En-gannim, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

30 E da tribu d’Aser, Misal, e os seus arrabaldes, Abdon, e os seus arrabaldes;

31 Helkath, e os seus arrabaldes, e Rohob, e os seus arrabaldes; quatro cidades.

32 E da tribu de Naphtali, Kedes, cidade do refugio [23] do homicida, em Galilea, e os seus arrabaldes, e Hamoth-dor, e os seus arrabaldes; e Cartan, e os seus arrabaldes: tres cidades.

[232]

33 Todas as cidades dos gersonitas, segundo as suas familias, foram treze cidades e os seus arrabaldes.

34 E ás familias dos filhos [24] de Merari, dos levitas que ficavam, foram dadas da tribu de Zebulon, Jokneam e os seus arrabaldes, Carta e os seus arrabaldes,

35 Dimna e os seus arrabaldes, Nahalal e os seus arrabaldes: quatro cidades.

36 E da tribu de Ruben, Beser, e [25] os seus arrabaldes, e Jahaz, e os seus arrabaldes;

37 Kedemoth, e os seus arrabaldes, e Mephaath, e os seus arrabaldes: quatro cidades.

38 E da tribu de Gad, Ramoth, cidade do refugio [26] do homicida, em Gilead, e os seus arrabaldes, e Mahanaim, e os seus arrabaldes;

39 Hesbon, e os seus arrabaldes, Jaezer e os seus arrabaldes: por todas, quatro cidades.

40 Todas estas cidades foram dos filhos de Merari, segundo as suas familias, que ainda restavam das familias dos levitas; e foi a sua sorte doze cidades.

41 Todas as cidades [27] dos levitas, no meio da herança dos filhos d’Israel, foram quarenta e oito cidades e os seus arrabaldes.

42 Estavam estas cidades cada qual com os seus arrabaldes em redor d’ellas: assim estavam todas estas cidades.

43 D’esta sorte deu o Senhor a Israel toda a terra [28] que jurara dar a seus paes: e a possuiram e habitaram n’ella.

44 E o Senhor lhes deu repouso [29] em redor, conforme a tudo quanto jurara a seus paes; [30] e nenhum de todos os seus inimigos ficou em pé diante d’elles; todos os seus inimigos o Senhor deu na sua mão.

45 Palavra alguma falhou de todas as boas palavras que o Senhor fallara [31] á casa d’Israel: tudo se cumpriu.

[1] cap. 14.1 e 17.4.

[2] cap. 18.1. Num. 35.2.

[3] ver. 8, 19. cap. 24.33.

[4] ver. 20, etc.

[5] ver. 27, etc.

[6] ver. 34, etc.

[7] ver. 3. Num. 35.2.

[8] ver. 4.

[9] I Chr. 6.55. cap. 15.13.

[10] cap. 20.7. Luc. 1.39.

[11] cap. 14.14. I Chr. 6.56.

[12] I Chr. 6.57, etc. cap. 15.54 e 20.7.

[13] cap. 15.42.

[14] cap. 15.48, 50.

[15] I Chr. 6.58. cap. 15.51 e 15.49.

[16] I Chr. 6.59. cap. 15.10, 42, 55.

[17] cap. 18.24, 25.

[18] I Chr. 6.60.

[19] ver. 5. I Chr. 6.66.

[20] cap. 20.7.

[21] ver. 6. I Chr. 6.71.

[22] cap. 20.8.

[23] cap. 20.7.

[24] ver. 7. I Chr. 6.77.

[25] cap. 20.8.

[26] cap. 20.8.

[27] Num. 35.7.

[28] Gen. 13.15 e 15.18 e 26.3 e 28.4, 13.

[29] cap. 11.23 e 22.4.

[30] Deu. 7.24.

[31] cap. 23.14.

Josué abençoa e manda para suas casas as duas e meia tribus.

22 Então Josué chamou os rubenitas, e os gaditas, e a meia tribu de Manasseh,

2 E disse-lhes: [1] Tudo quanto Moysés, o servo do Senhor, vos ordenou, guardastes: e á minha voz obedecestes em tudo quanto vos ordenei.

3 A vossos irmãos por tanto tempo até ao dia d’hoje não desamparastes: antes tivestes cuidado da guarda do mandamento do Senhor vosso Deus.

4 E agora o Senhor vosso Deus deu repouso a vossos irmãos, como lhes tinha promettido: voltae-vos pois agora, e ide-vos a vossas tendas, á terra da vossa [2] possessão, que Moysés, o servo do Senhor, vos deu d’além do Jordão.

5 Tão sómente tende [3] cuidado de guardar com diligencia o mandamento e a lei que Moysés, o servo do Senhor, vos mandou: que ameis ao Senhor vosso Deus, e andeis em todos os seus caminhos, e guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a elle, e o sirvaes com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.

6 Assim Josué [4] os abençoou; e despediu-os, e foram-se ás suas tendas.

7 Porquanto Moysés déra herança em Basan a meia tribu de Manasseh; porém á outra [5] metade deu Josué entre seus irmãos, d’áquem do Jordão para o occidente; e enviando-os Josué tambem á suas tendas, os abençoou;

8 E fallou-lhes, dizendo: Voltae-vos ás vossas tendas com grandes riquezas, e com muitissimo gado, com prata, e com oiro, e com metal, e com ferro, e com muitissimos vestidos: [6] e com vossos irmãos reparti o despojo dos vossos inimigos.

9 Assim os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh voltaram, e partiram dos filhos de Israel, de Silo, que está na terra de Canaan; para se irem á terra [7] de Gilead, á terra da sua possessão, de que foram feitos possuidores, conforme ao dito do Senhor pelo ministerio de Moysés.

O altar do testemunho.

10 E, vindo elles aos limites do Jordão, que estão na terra de Canaan, ali os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh edificaram um altar junto ao Jordão, [IK] um altar de grande apparencia.

11 E ouviram [8] os filhos d’Israel dizer: Eis que os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh edificaram um altar na frente da terra de Canaan, nos limites do Jordão, da banda dos filhos d’Israel.

12 O que os filhos d’Israel ouvindo, ajuntou-se toda a congregação [9] dos filhos[233] de Israel em Silo, para sairem contra elles em exercito.

13 E enviaram [10] os filhos de Israel aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e á meia tribu de Manasseh, para a terra de Gilead, a Phineas, [11] filho de Eleazar, o sacerdote;

14 E a dez principes com elle, de [12] cada casa paterna um principe, de todas as tribus de Israel: e cada um era Cabeça da casa de seus paes nos milhares de Israel.

15 E, vindo elles, aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e á meia tribu de Manasseh, á terra de Gilead, fallaram com elles, dizendo:

16 Assim diz toda a congregação do Senhor: Que transgressão é esta, com que transgredistes contra o Deus d’Israel, tornando-vos hoje d’após do Senhor, edificando-vos um altar, [13] para vos rebellardes contra o Senhor?

17 Foi-nos pouco a iniquidade de Peor? [14] de que ainda até ao dia de hoje não estamos purificados, ainda que houve castigo na congregação do Senhor?

18 E hoje vos tornaes d’após do Senhor: será que, rebellando-vos hoje contra o Senhor, ámanhã se irará contra toda a congregação de Israel.

19 Se é, porém, que a terra da vossa possessão [15] é immunda, passae-vos para a terra da possessão do Senhor, onde habita [16] o tabernaculo do Senhor, e tomae possessão entre nós: mas não vos rebelleis contra o Senhor, nem tão pouco vos rebelleis contra nós, edificando-vos um altar, afóra do altar do Senhor nosso Deus.

20 Não commetteu Acan, [17] filho de Zera, transgressão no tocante ao [IL] anathema? e não veiu ira sobre toda a congregação d’Israel? assim que aquelle homem não morreu só na sua iniquidade.

21 Então responderam os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e a meia tribu de Manasseh, e disseram aos Cabeças dos milhares de Israel:

22 O Deus dos deuses, o Senhor, [18] elle o sabe, e Israel mesmo o saberá; se é por rebeldia, ou por transgressão contra o Senhor, hoje não nos preserve;

23 Se nós edificámos altar para nos tornar d’após do Senhor, ou para sobre elle offerecer holocausto e offerta de manjares, ou sobre elle fazer offerta pacifica, [19] o Senhor mesmo de nós o requeira.

24 E, se o não fizemos por receio d’isto, dizendo: Amanhã vossos filhos virão a fallar a nossos filhos, dizendo: Que tendes vós com o Senhor Deus de Israel?

25 Pois o Senhor poz o Jordão por termo entre nós e vós, ó filhos de Ruben, e filhos de Gad; não tendes parte no Senhor: e assim bem poderiam vossos filhos fazer desistir a nossos filhos de temer ao Senhor.

26 Pelo que dissemos: Façamos agora, e nos edifiquemos um altar: não para holocausto, nem para sacrificio,

27 Mas para que entre [20] nós e vós, e entre as nossas gerações depois de nós, nos seja em testemunho, para podermos exercitar o serviço do Senhor diante d’elle com os nossos holocaustos, e com os nossos sacrificios, e com as nossas offertas pacificas: e para que vossos filhos não digam ámanhã a nossos filhos: Não tendes parte no Senhor.

28 Pelo que dissemos: Quando fôr que ámanhã assim nos digam a nós e ás nossas gerações, então diremos: Vêde o modelo do altar do Senhor que fizeram nossos paes, não para holocausto nem para sacrificio, porém para ser testemunho entre nós e vós.

29 Nunca tal nos aconteça, que nos rebellassemos contra o Senhor, ou que hoje nos tornassemos d’após do Senhor, edificando [21] altar para holocausto, offerta de manjares ou sacrificio, fóra do altar do Senhor nosso Deus, que está perante o seu tabernaculo.

30 Ouvindo pois Phineas, o sacerdote, e os principes da congregação, e os Cabeças dos milhares de Israel, que com elle estavam, as palavras que disseram os filhos de Ruben, e os filhos de Gad, e os filhos de Manasseh, pareceu bem aos seus olhos.

31 E disse Phineas, filho de Eleazar, o sacerdote, aos filhos de Ruben, e aos filhos de Gad, e aos filhos de Manasseh: Hoje sabemos que o Senhor está no meio de nós; [22] porquanto não commettestes transgressão contra o Senhor: agora livrastes os filhos de Israel da mão do Senhor.

32 E tornou-se Phineas, filho de Eleazar, o sacerdote, com os principes, de com os filhos de Ruben, e de com os filhos de Gad, da terra de Gilead á terra de Canaan, aos filhos de Israel: e trouxeram-lhes a resposta.

33 E pareceu a resposta boa aos olhos dos [23] filhos d’Israel, e os filhos d’Israel[234] louvaram a Deus: e não fallaram mais de subir contra elles em exercito, para destruirem a terra em que habitavam os filhos de Ruben e os filhos de Gad.

34 E os filhos de Ruben e os filhos de Gad pozeram ao altar o nome [IM] Ed: para que seja testemunho entre nós que o Senhor é Deus.

[1] Num. 32.20. Deu. 3.18. cap. 1.16, 17.

[2] Num. 32.33. Deu. 29.8. cap. 13.8.

[3] Deu. 6.6, 17 e 11.22 e 10.22.

[4] Gen. 47.7. Exo. 39.43. cap. 14.13. II Sam. 6.18. Luc. 24.50.

[5] cap. 17.5.

[6] Num. 31.27. I Sam. 30.24.

[7] Num. 22.1, 26, 29.

[8] Deu. 13.12, etc. Jui. 20.12.

[9] Jui. 20.1.

[10] Deu. 13.14. Jui. 20.12.

[11] Exo. 6.25. Num. 25.7.

[12] Num. 1.4.

[13] Lev. 17.8, 9. Deu. 12.13, 14.

[14] Num. 25.3, 4.

[15] Num. 16.22.

[16] cap. 18.1.

[17] cap. 7.1, 5.

[18] Deu. 10.17. I Reis 8.39. Job 10.7. Psa. 44.21. Jer. 12.13. II Cor. 11.11, 31.

[19] Deu. 18.19. I Sam. 20.16.

[20] Gen. 31.48. cap. 24.27. ver. 34. Deu. 12.5, 6, 11, 12, 17, 18, 26.

[21] Deu. 12.13.

[22] Lev. 26.11. II Chr. 15.2.

[23] I Chr. 29.20. Neh. 8.6. Dan. 2.19. Luc. 2.28.

Josué exhorta o povo a observar a lei do Senhor.

Antes de Christo 1427

23 E succedeu que, muitos dias depois que o Senhor déra [1] repouso a Israel de todos os seus inimigos em redor, e Josué [2] fosse velho e entrado em dias,

2 Chamou Josué a todo o Israel, [3] aos seus anciãos, e aos seus Cabeças, e aos seus juizes, e aos seus officiaes, e disse-lhes: Eu sou velho e entrado em dias;

3 E vós já tendes visto tudo quanto o Senhor vosso Deus fez a todas estas nações por causa de vós: [4] porque o Senhor vosso Deus é o que pelejou por vós.

4 Vêdes aqui que vos fiz cair [5] em sorte ás vossas tribus estas nações que ficam desde o Jordão, com todas as nações que tenho destruido, até ao grande mar para o pôr do sol.

5 E o Senhor vosso Deus as empuxará de diante de vós, e as expellirá de diante de vós: e [6] vós possuireis a sua terra, [7] como o Senhor vosso Deus vos tem dito.

6 Esforçae-vos pois muito [8] para guardardes e para fazerdes tudo quanto está escripto no livro da lei de Moysés: para que d’elle não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda;

7 Por não entrardes a estas [9] nações que ainda ficaram comvosco: e dos nomes de seus deuses não façaes menção, nem por elles façaes jurar, nem os sirvaes, nem a elles vos inclineis.

8 Mas ao Senhor vosso Deus vos achegareis, [10] como fizestes até ao dia de hoje;

9 Pois o Senhor expelliu [11] de diante de vós grandes e numerosas nações: e, quanto a vós, ninguem ficou em pé diante de vós até ao dia de hoje.

10 Um homem d’entre vós perseguirá a mil: [12] pois é o mesmo Senhor vosso Deus o que peleja por vós, como vos tem dito.

11 Portanto, guardae muito [13] as vossas almas, para amardes ao Senhor vosso Deus.

12 Porque se d’alguma maneira vos apartardes, [14] e vos achegardes ao resto d’estas nações que ainda ficou comvosco, e com ellas vos aparentardes, e vós a ellas entrardes, e ellas a vós,

13 Sabei certamente que o Senhor vosso [15] Deus não continuará mais a expellir estas nações de diante de vós, mas vos serão por laço [16] e rede, e açoite ás vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos; até que pereçaes d’esta boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus.

14 E eis aqui eu vou hoje pelo caminho de toda a terra: [17] e vós bem sabeis, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma, que nem uma palavra caiu de todas as boas palavras que fallou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem d’ellas caiu uma palavra.

15 E será que, assim como sobre vós vieram todas estas boas coisas, que o Senhor vosso Deus vos disse, [18] assim trará o Senhor sobre vós todas aquellas más coisas, até vos destruir de sobre a boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus.

16 Quando traspassardes o concerto do Senhor vosso Deus, que vos tem ordenado, e fôrdes e servirdes a outros deuses, e a elles vos inclinardes, então a ira do Senhor sobre vós se accenderá, e logo perecereis de sobre a boa terra que vos deu.

[1] cap. 21.44 e 22.4.

[2] cap. 13.1.

[3] Deu. 31.28. cap. 24.1. I Chr. 28.1.

[4] Exo. 14.14. cap. 10.14, 42.

[5] cap. 13.2, 6 e 18.10.

[6] Exo. 23.30 e 33.2 e 34.11. Deu. 11.23. cap. 13.6.

[7] Num. 33.53.

[8] cap. 1.7. Deu. 5.32 e 28.14.

[9] Exo. 23.33. Deu. 7.2. Pro. 4.14. Eph. 5.11. Exo. 23.13. Jer. 5.7. Sof. 1.5. Num. 32.38.

[10] Deu. 10.20 e 11.22. cap. 22.5.

[11] Deu. 11.23. cap. 22.5.

[12] Lev. 26.8. Deu. 32.30. Jui. 3.31 e 15.15. II Sam. 23.8. Exo. 14.14 e 23.27. Deu. 3.22.

[13] cap. 22.5.

[14] Heb. 10.38, 39. II Ped. 2.20. Deu. 7.3.

[15] Jui. 2.3.

[16] Exo. 23.33. Num. 33.55. Deu. 7.16. I Reis 11.4.

[17] I Reis 2.2. Heb. 9.27. cap. 21.45. Luc. 21.33.

[18] Deu. 28.63. Lev. 26.16. Deu. 28.15, 16, etc.

Josué traz á memoria do povo tudo o que Deus tinha feito por elle.

24 Depois ajuntou Josué todas as tribus d’Israel em Sichem: [1] e chamou os anciãos d’Israel, e os seus Cabeças, e os seus juizes, e os seus officiaes: e elles se apresentaram diante de Deus.

2 Então Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus d’Israel: D’além do rio antigamente habitaram vossos paes, [2] Terah, pae d’Abrahão e pae de Nachor: [3] e serviram a outros deuses.

3 Eu porém tomei a vosso pae Abrahão[235] [4] d’além do rio, e o fiz andar por toda a terra de Canaan: tambem multipliquei a sua semente, e dei-lhe a Isaac.

4 E a Isaac [5] dei a Jacob e a Esaú: e a Esaú dei a montanha de Seir, para a possuir: porém Jacob e seus filhos desceram para o Egypto.

5 Então enviei a Moysés [6] e a Aarão, e feri ao Egypto, como o fiz no meio d’elle; e depois vos tirei de lá.

6 E, tirando eu a vossos paes do Egypto, [7] viestes ao mar: e os egypcios perseguiram a vossos paes, com carros e com cavalleiros, até ao Mar Vermelho.

7 E clamaram ao Senhor, [8] e poz uma escuridão entre vós e os egypcios, e trouxe o mar sobre elles, [9] e os cobriu, e os vossos olhos viram o que eu fiz no Egypto: depois habitastes no deserto muitos dias.

8 Então eu vos trouxe á terra dos amorrheos, que habitavam d’além do Jordão, os quaes pelejaram [10] contra vós: porém os dei na vossa mão, e possuistes a sua terra, e os destrui diante de vós.

9 Levantou-se tambem Balac, [11] filho de Zippor, rei dos moabitas, e pelejou contra Israel: e enviou e chamou a Balaão, filho de Beor, para que vos amaldiçoasse.

10 Porém eu não quiz ouvir [12] a Balaão: pelo que, abençoando-vos, abençoou, e livrei-vos da sua mão.

11 E, passando vós o Jordão, [13] e vindo a Jericó, os habitantes de Jericó pelejaram contra vós, os amorrheos, e os pherezeos, e os cananeos, e os hetheos, e os girgaseos, e os heveos, e os jebuseos; porém os dei na vossa mão.

12 E enviei vespões [14] diante de vós, que os expelliram de diante de vós, como a ambos os reis dos amorrheos: não com a tua espada, nem com o teu arco.

13 E eu vos dei a terra em que não trabalhastes, e cidades [15] que não edificastes, e habitaes n’ellas, e comeis das vinhas e dos olivaes que não plantastes.

Josué faz, de novo, concerto com o povo.

14 Agora pois temei [16] ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade: e deitae fóra os deuses aos quaes serviram vossos paes d’além do rio e no Egypto, e servi ao Senhor.

15 Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, [17] escolhei-vos hoje a quem sirvaes: se os deuses a quem serviram vossos paes, que estavam d’além do rio, ou os deuses dos amorrheos, em cuja terra habitaes: porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

16 Então respondeu o povo, e disse: Nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses;

17 Porque o Senhor é o nosso Deus; elle é o que nos fez subir, a nós e a nossos paes, da terra do Egypto, da casa da servidão, e o que tem feito estes grandes signaes aos nossos olhos, e nos guardou por todo o caminho que andámos, e entre todos os povos pelo meio dos quaes passámos.

18 E o Senhor expelliu de diante de nós a todas estas gentes, até ao amorrheo, morador da terra: tambem nós serviremos ao Senhor, porquanto é nosso Deus.

19 Então Josué disse ao povo: [18] Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus sancto, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos peccados.

20 Se deixardes ao Senhor, [19] e servirdes a deuses estranhos, então se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos fazer bem.

21 Então disse o povo a Josué: Não, antes ao Senhor serviremos.

22 E Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que vós escolhestes [20] ao Senhor, para o servir. E disseram: Somos testemunhas.

23 Deitae pois agora fóra [21] aos deuses estranhos que ha no meio de vós: e inclinae o vosso coração ao Senhor Deus d’Israel.

24 E disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos á sua voz.

25 Assim fez Josué concerto [22] n’aquelle dia com o povo, e lh’o poz por estatuto e direito em Sichem.

A pedra do testemunho.

26 E Josué escreveu [23] estas palavras no livro da lei de Deus: e tomou uma grande pedra, e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava junto ao sanctuario do Senhor.

27 E disse Josué a todo o [24] povo: Eis que esta pedra nos será por testemunho; pois ella ouviu todas as palavras que o Senhor nos tem dito: e tambem será testemunho contra vós, para que não mintaes a vosso Deus.

28 Então Josué enviou o povo, [25] a cada um para a sua herdade.

A morte de Josué e de Eleazar.

29 E depois d’estas coisas succedeu que [26] Josué, filho de Nun, o servo do Senhor, falleceu, sendo da edade de cento e dez annos.

30 E sepultaram-n’o no termo da sua herdade, em [27] Timnath-sera, que está no monte d’Ephraim, para o norte do monte de Gaas.

31 Serviu pois Israel [28] ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito depois de Josué, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel.

32 Tambem enterraram em Sichem os ossos [29] de José, que os filhos d’Israel trouxeram do Egypto, n’aquella parte do campo que Jacob comprara aos filhos d’Hemor, [30] pae de Sichem, por cem peças de prata: porquanto foram em herança para os filhos de José.

33 Falleceu tambem Eleazar, filho d’Aarão, e o sepultaram no outeiro de Phineas, [31] seu filho, que lhe fôra dado na montanha de Ephraim.

[1] Gen. 35.4. cap. 23.2. I Sam. 10.19.

[2] Gen. 11.26, 31.

[3] Gen. 31.53.

[4] Gen. 12.1. Act. 7.2, 3.

[5] Gen. 21.2 e 25.24, 25, 26 e 36.8. Deu. 2.5. Gen. 46.1, 6. Act. 7.15.

[6] Exo. 3.10 e 7 e 8 e 9 e 10.12.

[7] Exo. 12.37, 51 e 14.2, 9.

[8] Exo. 14.10, 20, 27, 28.

[9] Deu. 4.34 e 29.2. cap. 5.6.

[10] Num. 21.21, 33. Deu. 2.32 e 3.1.

[11] Jui. 11.25. Num. 22.5. Deu. 23.4.

[12] Deu. 23.5. Num. 23.11, 20 e 24.10.

[13] cap. 3.14, 17 e 4.10, 11, 12 e 6.1 e 10.1 e 11.1.

[14] Exo. 23.28. Deu. 7.20. Psa. 49.4, 7.

[15] Deu. 6.10, 11. cap. 11.13.

[16] Deu. 10.12. I Sam. 12.24. Gen. 17.1. Deu. 18.13. II Cor. 1.12. Eph. 6.24. ver. 2, 23. Lev. 17.7. Eze. 20.18.

[17] Ruth 1.15. I Reis 18.21. Eze. 20.39. João 6.67. Exo. 23.24, 32, 33 e 34.15. Deu. 13.7 e 29.18. Jui. 6.10. Gen. 18.19.

[18] Mat. 6.24. Lev. 19.2. I Sam. 6.20. Psa. 100.5, 9. Isa. 5.16. Exo. 20.5 e 23.21.

[19] I Chr. 28.9. II Chr. 15.2. Esd. 8.22. Isa. 1.28 e 65.11, 12. Jer. 17.13. cap. 23.15. Isa. 63.10. Act. 7.42.

[20] Psa. 119.173.

[21] ver. 14. Gen. 35.2. Jui. 10.16. I Sam. 7.3.

[22] Exo. 15.25. II Reis 11.17. ver. 26.

[23] Deu. 31.24. Jui. 9.6. Gen. 28.18. cap. 4.3. Gen. 35.4.

[24] Gen. 31.48, 52. Deu. 31.19, 21, 26. cap. 22.27, 28, 34. Deu. 32.1.

[25] Jui. 2.6.

[26] Jui. 2.8.

[27] cap. 19.50. Jui. 2.9.

[28] Jui. 2.7. Deu. 11.2 e 31.13.

[29] Gen. 50.25. Exo. 13.19.

[30] Gen. 33.19.

[31] Exo. 6.25. Jui. 20.28.

[236]


O LIVRO DOS JUIZES.

Novas conquistas pelas tribus.

Antes de Christo 1425

1 E succedeu, depois da morte de Josué, [1] que os filhos de Israel perguntaram ao Senhor, dizendo: Quem d’entre nós primeiro subirá aos cananeos, para pelejar contra elles?

2 E disse o Senhor: Judah subirá: [2] eis que lhe dei esta terra na sua mão.

3 Então disse Judah a Simeão, seu irmão: Sobe commigo á minha sorte, e pelejemos contra os cananeos, [3] e tambem eu comtigo subirei á tua sorte. E Simeão partiu com elle.

4 E subiu Judah, e o Senhor lhe deu na sua mão os cananeos e os pherezeos: e feriram [4] d’elles em Bezek a dez mil homens.

5 E acharam a Adoni-bezek em Bezek, e pelejaram contra elle: e feriram aos cananeos e aos pherezeos.

6 Porém Adoni-bezek fugiu, e o seguiram, e o prenderam, e lhe cortaram os dedos pollegares das mãos e dos pés.

7 Então disse Adoni-bezek: Setenta reis com os dedos pollegares das mãos e dos pés cortados apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa: assim como eu fiz, [5] assim Deus me pagou. E o trouxeram a Jerusalem, e morreu ali.

8 Porque os filhos [6] de Judah pelejaram contra Jerusalem, e a tomaram, e a feriram ao fio da espada: e a cidade pozeram a fogo.

9 E depois [7] os filhos de Judah desceram a pelejar contra os cananeos que habitavam nas montanhas, e no sul, e nas planicies.

10 E partiu Judah contra os cananeos que habitavam em Hebron (era porém d’antes [8] o nome de Hebron Quiriath-arba): e feriram a Sesai, e a Ahiman e a Talmai.

11 E d’ali partiu contra [9] os moradores de Debir: e era d’antes o nome de Debir Quiriath-sepher.

12 E disse Caleb: [10] Quem ferir a Quiriath-sepher, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher.

13 E tomou-a Othniel, filho de Kenaz, o irmão [11] de Caleb, mais novo do que elle: e Caleb lhe deu a sua filha Acsa por mulher.

14 E succedeu que, vindo ella a elle, o persuadiu [12] que pedisse um campo a seu pae; e ella se apeou do jumento,[237] saltando: e Caleb lhe disse: Que é o que tens?

15 E ella lhe disse: [13] Dá-me [IN] uma benção; pois me déste uma terra secca, dá-me tambem fontes de aguas. E Caleb lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

16 Tambem os filhos [14] do Keneo, sogro de Moysés, subiram da cidade das palmeiras com os filhos de Judah ao deserto de Judah, que está ao sul [15] de Arad: e foram, e habitaram com o povo.

17 Foi-se pois Judah [16] com Simeão, seu irmão, e feriram aos cananeos que habitavam em Zephath: e totalmente a destruiram, e chamaram o nome [17] d’esta cidade [IO] Horma.

18 Tomou mais Judah a Gaza [18] com o seu termo, e a Ascalon com o seu termo, e a Ecron com o seu termo.

19 E foi o Senhor com Judah, [19] e despovoou as montanhas: porém não expelliu aos moradores do valle, porquanto tinham carros [20] ferrados.

20 E deram Hebron [21] a Caleb, como Moysés o dissera: e d’ali expelliu os tres filhos d’Enak.

21 Porém os filhos [22] de Benjamin não expelliram os jebuseos que habitavam em Jerusalem; antes os jebuseos habitaram com os filhos de Benjamin em Jerusalem, até ao dia d’hoje.

22 E subiu tambem a casa de José a Beth-el, [23] e foi o Senhor com elles.

23 E fez a casa de José espiar a Beth-el: e foi d’antes o nome d’esta cidade [24] Luz.

24 E viram os espias a um homem, que sahia da cidade, e lhe disseram: Ora mostra-nos a entrada da cidade, e usaremos [25] comtigo de beneficencia.

25 E, mostrando-lhes elle a entrada da cidade, feriram a cidade ao fio da espada: porém áquelle homem e a toda a sua familia deixaram ir.

26 Então aquelle homem foi-se á terra dos hetheos, e edificou uma cidade, e chamou o seu nome Luz; este é o seu nome até ao dia d’hoje.

27 Nem Manasseh expelliu os habitantes de [26] Beth-sean, nem dos logares da sua jurisdicção; nem a Taanach, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Dor, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Ibleam, com os logares da sua jurisdicção; nem aos moradores de Megiddo, com os logares da sua jurisdicção: e quizeram os cananeos habitar na mesma terra.

28 E succedeu que, quando Israel cobrou mais forças, fez dos cananeos tributarios: porém não os expelliu de todo.

29 Tão pouco expelliu Ephraim aos [27] cananeos que habitavam em Gezer: antes os cananeos habitavam no meio d’elle, em Gezer.

30 Tão pouco expelliu Zebulon aos moradores de Kitron, [28] nem aos moradores de Nahalol: porém os cananeos habitavam no meio d’elle, e foram tributarios.

31 Tão pouco Aser [29] expelliu aos moradores d’Acco, nem aos moradores de Sidon: como nem a Acbal, nem a Acsih, nem a Chelba, nem a Aphik, nem a Recob;

32 Porém os aseritas habitaram no meio dos cananeos que habitavam na terra: [30] porquanto os não expelliram.

33 Tão pouco Naphtali expelliu [31] aos moradores de Beth-semes, nem aos moradores de Beth-anath; mas habitou no meio dos cananeos que habitavam na terra: porém lhes foram [32] tributarios os moradores de Beth-semes e Beth-anath.

34 E apertaram os amorrheos aos filhos de Dan até ás montanhas: porque nem os deixavam descer ao valle.

35 Tambem os amorrheos quizeram habitar nas montanhas de Heres, em Ajalon [33] e em Saalbim: porém prevaleceu a mão da casa de José, e ficaram tributarios.

36 E foi o termo dos amorrheos desde a [34] subida d’Akrabbim: desde a penha, e d’ali para cima.

[1] Num. 27.21. cap. 20.18.

[2] Gen. 40.8.

[3] ver. 17.

[4] I Sam. 11.8.

[5] Lev. 24.19. I Sam. 15.33. Thi. 2.13.

[6] Jos. 15.63.

[7] Jos. 10.36 e 11.21 e 15.13.

[8] Jos. 14.15 e 15.13, 14.

[9] Jos. 15.15.

[10] Jos. 16.16, 17.

[11] cap. 3.9.

[12] Jos. 15.18, 19.

[13] Gen. 33.11.

[14] cap. 4.11, 17. I Sam. 15.6. I Chr. 2.55. Jer. 35.2. Deu. 34.3.

[15] Num. 21.1 e 10.32.

[16] ver. 3.

[17] Num. 21.3. Jos. 19.4.

[18] Jos. 11.22.

[19] ver. 2. II Reis 18.7.

[20] Jos. 17.16, 18.

[21] Num. 14.24. Deu. 1.36. Job 14.9, 13 e 15.13, 14.

[22] Jos. 15.63 e 18.28.

[23] ver. 19. Jos. 2.1 e 7.2. cap. 18.2.

[24] Gen. 28.19.

[25] Jos. 2.12, 14.

[26] Jos. 17.11, 12, 13.

[27] Jos. 16.10. I Reis 9.16.

[28] Jos. 19.15.

[29] Jos. 19.24, 30.

[30] Psa. 106.34, 35.

[31] Jos. 19.38.

[32] ver. 32.

[33] Jos. 19.42.

[34] Num. 34.4. Jos. 15.3.

O anjo do Senhor reprehende os israelitas.

Antes de Christo 1406

2 E subiu o anjo do Senhor de Gilgal [1] a Bochim, e disse: Do Egypto vos fiz subir, e vos trouxe á terra que a vossos paes tinha jurado e dito: Nunca invalidarei o meu [2] concerto comvosco.

2 E, quanto a vós, não fareis concerto [3] com os moradores d’esta terra, antes derrubareis os seus altares: mas vós não obedecestes á minha voz. Porque fizestes isto?

3 Pelo que tambem eu disso: Não os[238] expellirei de diante de vós: antes estarão ás vossas ilhargas, e os seus deuses vos [4] serão por laço.

4 E succedeu que, fallando o anjo do Senhor estas palavras a todos os filhos d’Israel, o povo levantou a sua voz e chorou.

5 Pelo que chamaram áquelle logar, [IP] Bochim: e sacrificaram ali ao Senhor.

6 E havendo Josué despedido o [5] povo, foram-se os filhos d’Israel, cada um á sua herdade, para possuirem a terra.

A infidelidade dos israelitas depois da morte de Josué.

7 E serviu [6] o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué, e viram toda aquella grande obra do Senhor, que fizera a Israel.

8 Falleceu [7] porém Josué, filho de Nun, servo do Senhor, da edade de cento e dez annos;

9 E sepultaram-o [8] no termo da sua herdade, em Timnath-heres, no monte d’Ephraim, para o norte do monte de Gaas.

10 E foi tambem congregada toda aquella geração a seus paes, e outra geração após d’elles se levantou, que não conhecia ao [9] Senhor, nem tão pouco a obra, que fizera a Israel.

11 Então fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor: e serviram os baalins.

12 E deixaram [10] ao Senhor Deus de seus paes, que os tirara da terra do Egypto, e foram-se após d’outros deuses, d’entre os deuses das gentes, que havia ao redor d’elles, e encurvaram-se a elles: e provocaram ao Senhor a ira.

13 Porquanto deixaram [11] ao Senhor: e serviram a Baal e a Astaroth.

14 Pelo que a ira [12] do Senhor se accendeu contra Israel, e os deu na mão dos roubadores, e os roubaram: e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor: e não poderam mais estar em pé diante dos seus inimigos.

15 Por onde quer que sahiam, a mão do Senhor era contra elles para mal, como o Senhor tinha dito, e como o Senhor lh’o [13] tinha jurado: e estavam em grande aperto.

16 E levantou o Senhor [14] juizes, que os livraram da mão dos que os roubaram.

17 Porém tão pouco ouviram aos juizes, antes fornicaram após outros deuses, e encurvaram-se a elles: [15] depressa se desviaram do caminho, por onde andaram seus paes, ouvindo os mandamentos do Senhor; o que elles assim não fizeram.

18 E, quando o Senhor lhes [16] levantava juizes, o Senhor era com o juiz, e os livrava da mão dos seus inimigos, todos os dias d’aquelle juiz; porquanto o Senhor se arrependia pelo seu gemido, por causa dos que os apertavam e opprimiam.

19 Porém succedia que, [17] fallecendo o juiz, tornavam e se corrompiam mais do que seus paes, andando após de outros deuses, servindo-os, e encurvando-se a elles: nada deixavam das suas obras, nem do seu duro caminho.

20 Pelo que a ira [18] do Senhor se accendeu contra Israel; e disse: Porquanto este povo traspassou [19] o meu concerto, que tinha ordenado a seus paes, e não deram ouvidos á minha voz.

21 Tão pouco desapossarei mais de [20] diante d’elles a nenhuma das nações, que Josué deixou, morrendo;

22 Para por ellas provar [21] a Israel, se houvessem de guardar o caminho do Senhor, para por elle andarem, como seus paes o guardaram, ou não.

23 Assim o Senhor deixou ficar aquellas nações, e não as desterrou logo, nem as entregou na mão de Josué.

[1] ver. 5.

[2] Gen. 17.7.

[3] Deu. 7.2 e 12.3. ver. 20.

[4] Jos. 23.13. cap. 3.6. Exo. 23.33 e 34.12. Deu. 7.16. Psa. 106.36.

[5] Jos. 22.6 e 24.28.

[6] Jos. 24.31.

[7] Jos. 24.29.

[8] Jos. 24.30 e 19.50 e 24.30.

[9] Exo. 5.2. I Sam. 2.12. I Chr. 28.9. Jer. 9.3 e 22.16. Gal. 4.8. II The. 1.8. Tito 1.16.

[10] Deu. 31.16 e 6.14. Exo. 20.5.

[11] cap. 3.7 e 10.7. Psa. 106.36.

[12] cap. 3.8. Psa. 106.40, 41, 42. II Reis 17.20. cap. 3.8 e 4.2. Isa. 50.1.

[13] Lev. 26. Deu. 28.

[14] cap. 3.9, 10, 15. I Sam. 12.11. Act. 13.20.

[15] Exo. 34.15, 16. Lev. 17.7.

[16] Jos. 1.5.

[17] cap. 3.12 e 4.1 e 8.33.

[18] ver. 14.

[19] Jos. 23.16.

[20] Jos. 23.13.

[21] cap. 3.1, 4. Deu. 8.2, 16 e 13.3.

Servidão dos israelitas sob Cusan, rei da Syria ou Aram.

3 Estas pois são as nações, [1] que o Senhor deixou ficar, para por ellas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaan,

2 Tão sómente para que as gerações dos filhos d’Israel d’ellas soubessem (para lhes ensinar a guerra), pelo menos os que d’antes não sabiam d’ellas:

3 Cinco [2] principes dos philisteos, e todos os cananeos, e sidonios, e heveos, que habitavam nas montanhas do Libano, desde o monte de Baal-hermon, até á entrada d’Hamath.

4 Estes pois ficaram, [3] para por elles provar a Israel, para saber se dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor, que tinha ordenado a seus paes, pelo ministerio de Moysés.

[239]

5 Habitando pois os filhos de Israel [4] no meio dos cananeos, dos hetheos, e amorrheos, e pherezeos, e heveos, e jebuseos,

6 Tomaram [5] de suas filhas para si por mulheres, e deram aos filhos d’elles as suas filhas; e serviram a seus deuses.

7 E os filhos de Israel fizeram o que parecia mal [6] aos olhos do Senhor, e se esqueceram do Senhor seu Deus: e serviram aos baalins e a Astaroth.

8 Então a ira do Senhor se accendeu contra Israel, e elle os [7] vendeu em mão de Cusan-risathaim, rei de Mesopotamia: e os filhos d’Israel serviram a Cusan-risathaim oito annos.

Othniel livra-os.

9 E os filhos d’Israel clamaram [8] ao Senhor, e o Senhor levantou aos filhos d’Israel um libertador, e os libertou, a Othniel, [9] filho de Kenaz, irmão de Caleb, mais novo do que elle.

10 E veiu sobre elle o Espirito do Senhor, [10] e julgou a Israel, e saiu á peleja; e o Senhor deu na sua mão a Cusan-risathaim, rei da [IQ] Syria; e a sua mão prevaleceu contra Cusan-risathaim.

11 Então a terra socegou quarenta annos; e Othniel, filho de Kenaz, falleceu.

Servidão sob Eglon.

12 Porém os filhos d’Israel tornaram [11] a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor: então o Senhor esforçou a Eglon, rei dos moabitas, contra Israel: porquanto fizeram o que parecia mal aos olhos do Senhor.

13 E ajuntou comsigo aos filhos d’Ammon e aos amalekitas, [12] e foi, e feriu a Israel, e tomaram a cidade das palmeiras.

14 E os filhos d’Israel [13] serviram a Eglon, rei dos moabitas, dezoito annos.

Ehud livra-os.

Antes de Christo 1336

15 Então os filhos d’Israel clamaram [14] ao Senhor, e o Senhor lhes levantou um libertador, a Ehud, filho de Gera, filho de Jemini, homem canhoto. E os filhos d’Israel enviaram pela sua mão um presente a Eglon, rei dos moabitas.

16 E Ehud fez uma espada de dois fios, do comprimento de um covado: e cingiu-a por debaixo dos seus vestidos, á sua côxa direita.

17 E levou aquelle presente a Eglon, rei dos moabitas; e era Eglon homem mui gordo.

18 E succedeu que, acabando de entregar o presente, despediu a gente que trouxera o presente.

19 Porém voltou das [IR] imagens de esculptura que estão ao pé de Gilgal, e disse: Tenho uma palavra secreta para ti, [15] ó rei. O qual disse: Cala-te. E todos os que lhe assistiam sairam de diante d’elle.

20 E Ehud entrou a elle, a um cenaculo fresco, que para si só tinha, onde estava assentado, e disse Ehud: Tenho para ti uma palavra de Deus. E levantou-se da cadeira.

21 Então Ehud estendeu a sua mão esquerda, e lançou mão da espada da sua côxa direita, e lh’a cravou no ventre,

22 De tal maneira que entrou até á empunhadura após da folha, e a gordura encerrou a folha (porque não tirou a espada do ventre): e saiu-se-lhe o excremento.

23 Então Ehud saiu á sala, e cerrou sobre elle as portas do cenaculo, e as fechou.

24 E, saindo elle, vieram os seus servos, e viram, e eis que as portas do cenaculo estavam fechadas; e disseram: Sem duvida está cobrindo seus pés na recamara do cenaculo fresco.

25 E, esperando até se enfastiarem, eis que não abria as portas do cenaculo; então tomaram a chave, e abriram, e eis aqui seu senhor estendido morto em terra.

26 E Ehud escapou, emquanto elles se demoraram: porque elle passou pelas imagens de esculptura, e escapou para Seirath.

27 E succedeu que, entrando elle, tocou [16] a buzina nas montanhas de Ephraim: e os filhos de Israel desceram com elle das montanhas, e elle adiante d’elles,

28 E disse-lhes: Segui-me: porque o Senhor vos tem dado [17] a vossos inimigos, os moabitas, na vossa mão: e desceram após d’elle, e tomaram os váos do Jordão a Moab, e a nenhum deixaram passar.

29 E n’aquelle tempo feriram dos moabitas uns dez mil homens, todos corpulentos, e todos homens valorosos: e não escapou nenhum.

[240]

30 Assim foi subjugado Moab n’aquelle dia debaixo da mão de Israel: e a terra socegou oitenta annos.

31 Depois d’elle foi Samgar, filho d’Anath, que feriu a seiscentos homens dos philisteos com uma aguilhada de bois: e tambem elle libertou a Israel.

[1] cap. 2.21, 22.

[2] Jos. 13.3.

[3] cap. 2.22.

[4] Psa. 106.35.

[5] Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[6] cap. 2.11, 13. Exo. 34.13. Deu. 16.21. cap. 6.25.

[7] cap. 2.14. Hab. 3.7.

[8] ver. 15. cap. 4.3 e 6.7 e 10.10. I Sam. 12.10. cap. 2.16.

[9] cap. 1.13.

[10] Num. 27.18. I Sam. 11.6.

[11] cap. 2.19. I Sam. 12.9.

[12] cap. 5.14 e 1.16.

[13] Deu. 28.48.

[14] ver. 9. Psa. 78.34.

[15] Jos. 4.20.

[16] cap. 5.14 e 6.34. I Sam. 13.3. Jos. 17.15. cap. 7.24 e 17.1 e 19.1.

[17] cap. 7.9, 15. I Sam. 17.47. Jos. 2.7. cap. 12.5.

Servidão sob Jabin rei de Canaan.

Antes de Christo 1296

4 Porém os filhos [1] d’Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, depois de fallecer Ehud.

2 E vendeu-os o Senhor em [2] mão de Jabin, rei de Canaan, que reinava em Hazor: e Sisera era o capitão do seu exercito, o qual então habitava em Haroseth dos gentios.

3 Então os filhos d’Israel clamaram ao Senhor, porquanto elle tinha novecentos carros ferrados, [3] e vinte annos opprimia os filhos d’Israel violentamente.

Debora e Barac livram-os.

4 E Debora, mulher prophetiza, mulher de Lappidoth, julgava a Israel n’aquelle tempo.

5 E habitava debaixo das palmeiras de [4] Debora, entre Rama e Beth-el, nas montanhas d’Ephraim: e os filhos d’Israel subiam a ella a juizo.

6 E enviou, e chamou a Barac, filho [5] de Abinoam de Kedes de Naphtali, e disse-lhe: Porventura o Senhor Deus d’Israel não deu ordem, dizendo: Vae, e attrahe gente ao monte de Tabor, e toma comtigo dez mil homens dos filhos de Naphtali e dos filhos de Zebulon?

7 E attrahirei [6] a ti para o ribeiro de Kison a Sisera, capitão do exercito de Jabin, com os seus carros, e com a sua multidão: e o darei na tua mão.

8 Então lhe disse Barac: Se fôres comigo, irei: porém, se não fôres comigo, não irei.

9 E disse ella: Certamente irei comtigo, porém não será tua a honra pelo caminho que levas; pois á [7] mão de uma mulher o Senhor venderá a Sisera. E Debora se levantou, e partiu com Barac para Kedes.

10 Então Barac convocou a [8] Zebulon e a Naphtali em Kedes, e subiu com dez mil homens após de si: [9] e Debora subiu com elle,

11 E Heber, keneo, [10] se tinha apartado dos keneos, dos filhos de Hobab, sogro de Moysés: e tinha estendido as suas tendas até ao carvalho de Saanaim, que está junto a Kedes.

12 E annunciaram a Sisera que Barac, filho de Abinoam, tinha subido ao monte de Tabor.

13 E Sisera convocou todos os seus carros, novecentos carros ferrados, e todo o povo que estava com elle, desde Haroseth [IS] dos gentios até ao ribeiro de Kison.

14 Então disse Debora a Barac: Levanta-te; porque este é o dia em que o Senhor tem dado a Sisera na tua mão: porventura o Senhor não saiu diante de ti? [11] Barac pois desceu do monte de Tabor, e dez mil homens após d’elle.

15 E o Senhor derrotou a [12] Sisera, e a todos os seus carros, e a todo o seu exercito ao fio da espada, diante de Barac: e Sisera desceu do carro, e fugiu a pé.

16 E Barac os seguiu após dos carros, e após do exercito, até Haroseth dos gentios: e todo o exercito de Sisera caiu ao fio da espada, até não ficar um só.

17 Porém Sisera fugiu a pé á tenda de Jael, mulher de Heber, keneo: porquanto havia paz entre Jabin, rei de Hazor, e a casa de Heber, keneo.

Jael mata Sisera.

18 E Jael saiu ao encontro de Sisera, e disse-lhe: Retira-te, senhor meu, retira-te a mim, não temas. Retirou-se a ella á tenda, e cobriu-o com uma coberta.

19 Então elle lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber uma pouca d’agua; porque tenho sede. Então ella abriu um odre de leite, [13] e deu-lhe de beber, e o cobriu.

20 E elle lhe disse: Põe-te á porta da tenda; e ha de ser que se alguem vier, e te perguntar, e disser: Ha aqui alguem? responde tu então: Não.

21 Então [14] Jael, mulher d’Heber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão d’um martello, e foi-se mansamente a elle, e lhe cravou a estaca na fonte, e a pregou na terra, estando elle porém carregado d’um profundo somno, e cançado; e assim morreu.

22 E eis que, seguindo Barac a Sisera, Jael lhe saiu ao encontro, e disse-lhe: Vem, e mostrar-te-hei o homem que buscas. E veiu a ella, e eis-que Sisera jazia morto, e a estaca na fonte.

[241]

23 Assim Deus n’aquelle dia sujeitou [15] a Jabin, rei de Canaan, diante dos filhos de Israel.

24 E continuou a mão dos filhos de Israel a proseguir e endurecer-se sobre Jabin, rei de Canaan: até que exterminaram a Jabin, rei de Canaan.

[1] cap. 2.19.

[2] cap. 2.14. Jos. 11.1, 10 e 19.36. I Sam. 12.9. ver. 13, 16.

[3] cap. 1.13 e 5.8. Psa. 106.42.

[4] Gen. 35.8.

[5] Heb. 11.32. Jos. 19.37.

[6] Exo. 14.4. cap. 5.21. I Reis 18.40.

[7] cap. 2.14.

[8] cap. 5.18.

[9] Exo. 11.8. I Reis 20.10.

[10] cap. 1.16. Num. 10.29.

[11] Deu. 9.3. II Sam. 5.24. Isa. 52.12.

[12] Psa. 83.10. Jos. 10.10.

[13] cap. 5.25.

[14] cap. 5.26.

[15] Psa. 18.48.

O cantico de Debora.

5 E cantou Debora e Barac, filho de Abinoam, [1] n’aquelle mesmo dia, dizendo:

2 Porquanto os chefes se pozeram á frente em Israel, porquanto o povo se offereceu [2] voluntariamente, louvae ao Senhor.

3 Ouvi, [3] reis; dae ouvidos, principes: eu, eu cantarei ao Senhor; psalmodiarei ao Senhor Deus de Israel.

4 Ó Senhor, saindo [4] tu de Seir, caminhando tu desde o campo de Edon, a terra estremeceu; até os céus gotejaram: até as nuvens gotejaram aguas.

5 Os montes [5] se derreteram diante do Senhor, e até Sinai diante do Senhor Deus de Israel.

6 Nos dias de Samgar, [6] filho d’Anath, nos dias de Jael cessaram os caminhos de se percorrerem: e os que andavam por veredas iam por caminhos torcidos.

7 Cessaram as aldeias em Israel, cessaram: até que eu, Debora, me levantei, por mãe [7] em Israel me levantei.

8 E se escolhia deuses novos, logo a guerra estava ás portas: via-se por isso escudo ou lança entre quarenta mil em Israel?

9 Meu coração é para os legisladores de Israel, que voluntariamente se offereceram [8] entre o povo; louvae ao Senhor.

10 Vós os que cavalgaes sobre jumentas brancas, [9] que vos assentaes em juizo, e que andaes pelo caminho, fallae d’isto.

11 D’onde se ouve o estrondo dos frecheiros, entre os logares onde se tiram aguas, ali fallae das justiças do Senhor, [10] das justiças que fez ás suas aldeias em Israel: então o povo do Senhor descia ás portas.

12 Desperta, [11] desperta, Debora, desperta, desperta, entôa um cantico: levanta-te, Barac, e leva presos a teus prisioneiros, tu, filho d’Abinoam.

13 Então o Senhor fez dominar sobre os magnificos entre [12] o povo aos que ficaram de resto: fez-me o Senhor dominar sobre os valentes.

14 De Ephraim [13] saiu a sua raiz contra Amalek: e apoz de ti vinha Benjamin d’entre os teus povos: de Machir e Zebulon desceram os legisladores, passando com o cajado do escriba.

15 Tambem os principaes de Issacar, foram com Debora; e como Issacar, assim tambem Barac, [14] foi enviado a pé para o valle: nas correntes de Ruben foram grandes as resoluções do coração.

16 Porque ficaste tu entre os curraes para ouvires os balidos dos [15] rebanhos? nas correntes de Ruben tiveram grandes esquadrinhações do coração.

17 Gilead [16] se ficou d’além do Jordão, e Dan porque se deteve em navios? Aser se assentou nos portos do mar, e ficou nas suas ruinas.

18 Zebulon [17] é um povo que expoz a sua vida á morte, como tambem Naphtali, nas alturas do campo.

19 Vieram reis, pelejaram: então pelejaram os reis de Canaan em Thaanak, junto ás aguas de Megiddo: não tomaram ganho [18] de prata.

20 Desde os céus pelejaram: até [19] as estrellas desde os logares dos seus cursos pelejaram contra Sisera.

21 O ribeiro de Kison [20] os arrastou, aquelle antigo ribeiro, o ribeiro de Kison. Pisaste, ó alma minha, a força.

22 Então as unhas dos cavallos se despedaçaram: pelo galopar, o galopar dos seus valentes.

23 Amaldiçoae a Meroz, diz o anjo do Senhor, acremente amaldiçoae aos seus moradores: [21] porquanto não vieram ao soccorro do Senhor, ao soccorro do Senhor com os valorosos.

24 Bemdita seja sobre as mulheres Jael, [22] mulher d’Heber, o keneo: bemdita seja sobre as mulheres nas tendas.

25 Agua pediu elle, leite lhe deu ella: [23] em taça de principes lhe offereceu manteiga.

26 Á estaca estendeu [24] a sua mão esquerda, e ao maço dos trabalhadores a sua direita: e matou a Sisera, e rachou-lhe a cabeça, quando lhe pregou e atravessou as fontes.

27 Entre os seus pés se encurvou, caiu, ficou estirado: entre os seus pés se encurvou caiu: onde se encurvou ali ficou abatido.

28 A mãe de Sisera olhava pela janella, e exclamava pela grade: Porque tarda[242] em vir o seu carro? porque se demoram os passos dos seus carros?

29 As mais sabias das suas damas responderam; e até ella se respondia a si mesmo:

30 Porventura não achariam e repartiriam [25] despojos? uma ou duas moças a cada homem? para Sisera despojos de varias côres, despojos de varias côres de bordados; de varias côres bordadas de ambas as bandas, para os pescoços do despojo?

31 Assim, [26] ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! porém os que o amam sejam como o sol quando sae na sua força.

32 E socegou a terra quarenta annos.

[1] Exo. 15.1.

[2] Psa. 18.48. II Chr. 17.16.

[3] Deu. 32.1, 3. Psa. 2.10.

[4] Deu. 33.2. II Sam. 22.8. Isa. 64.3. Hab. 3.3, 10.

[5] Deu. 4.11. Psa. 97.5. Exo. 19.18.

[6] cap. 3.31 e 4.17. Lev. 26.22. II Chr. 15.5. Isa. 33.8. Lam. 1.4 e 4.18.

[7] Isa. 49.23.

[8] ver. 2.

[9] Psa. 105.2. cap. 10.4 e 12.14. Psa. 107.32.

[10] I Sam. 12.7. Psa. 145.7.

[11] Psa. 57.9 e 67.19.

[12] Psa. 50.15.

[13] cap. 3.27 e 3.13. Num. 32.39, 40.

[14] cap. 4.14.

[15] Num. 32.1.

[16] Jos. 13.25, 31 e 19.29, 31.

[17] cap. 4.10.

[18] cap. 4.16. ver. 30.

[19] Jos. 10.11. cap. 4.15.

[20] cap. 4.7.

[21] cap. 21.9, 10. Neh. 3.5. I Sam. 17.47 e 18.17 e 25.28.

[22] cap. 4.17. Luc. 1.28.

[23] cap. 4.19.

[24] cap. 4.21.

[25] Exo. 15.9.

[26] Psa. 83.20.

Servidão sob os midianitas.

Antes de Christo 1249

6 Porém [1] os filhos de Israel fizeram o que parecia mal aos olhos do Senhor: e o Senhor os deu na mão dos [2] midianitas por sete annos.

2 E, prevalecendo a mão dos midianitas sobre Israel, fizeram os filhos de Israel para si, por causa dos midianitas, as covas que estão [3] nos montes, e as cavernas e as fortificações.

3 Porque succedia que, semeando Israel, subiram os midianitas e os amalekitas; [4] e tambem os do oriente contra elle subiam.

4 E punham-se [5] contra elles em campo, e destruiram a novidade da terra, até chegarem a Gaza: e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois nem jumentos.

5 Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, [6] em tanta multidão que não se podia contar, nem a elles nem aos seus camelos: e entravam na terra, para a destruir.

6 Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas: então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.

7 E succedeu que, [7] clamando os filhos de Israel ao Senhor por causa dos midianitas,

8 Enviou o Senhor um homem propheta aos filhos de Israel, que lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Do Egypto eu vos fiz subir, e vos tirei da casa da servidão;

9 E vos livrei da mão dos egypcios, e da mão de todos quantos vos opprimiam; e os expelli [8] de diante de vós, e a vós dei a sua terra;

10 E vos disse: Eu sou o Senhor vosso Deus; não temaes [9] aos deuses dos amorrheos, em cuja terra habitaes: mas não déstes ouvidos á minha voz.

Um anjo falla com Gideon.

11 Então o anjo do Senhor veiu, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ophra, que pertencia a Joás, abi-ezrita: [10] e Gideon, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas.

12 Então o anjo [11] do Senhor lhe appareceu, e lhe disse: O Senhor é comtigo, varão valoroso.

13 Mas Gideon lhe respondeu: Ai, senhor meu, se o Senhor é comnosco, porque tudo isto nos sobreveiu? e que é feito de todas as suas maravilhas [12] que nossos paes nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egypto? porém agora o Senhor nos desamparou, e nos deu na mão dos midianitas.

14 Então o Senhor olhou para elle, e disse: [13] Vae n’esta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas: [14] porventura não te enviei eu?

15 E elle lhe disse: Ai, senhor meu, com que livrarei a Israel? eis-que o meu milheiro é o mais pobre em Manasseh, e eu o menor na casa de meu pae.

16 E o Senhor lhe disse: Porquanto eu hei de ser [15] comtigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um homem.

17 E elle lhe disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me [16] um signal de que és o que comigo fallas.

18 Rogo-te [17] que d’aqui te não apartes, até que eu venha a ti, e tire [IT] o meu presente, e o ponha perante ti. E disse: Eu esperarei até que voltes.

19 E entrou Gideon [18] e preparou um cabrito e bolos asmos d’um epha de farinha; a carne poz n’um açafate e o caldo poz n’uma panella: e trouxe-lh’o até debaixo do carvalho, e lh’o apresentou.

20 Porém o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos asmos, e põe-os sobre esta [19] penha e verte o caldo. E assim o fez.

21 E o anjo do Senhor estendeu a[243] ponta do cajado, que estava na sua mão, e tocou a carne e os bolos asmos: então subiu fogo da penha, [20] e consumiu a carne e os bolos asmos; e o anjo do Senhor desappareceu de seus olhos.

22 Então [21] viu Gideon que era o anjo do Senhor: e disse Gideon: Ah, Senhor, Jehovah, que eu vi o anjo do Senhor face a face.

23 Porém o Senhor lhe disse: Paz seja comtigo; [22] não temas: não morrerás.

24 Então Gideon edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou, Senhor é paz: e ainda até ao dia d’hoje está em Ophra [23] dos abi-ezritas.

25 E aconteceu, n’aquella mesma noite, que o Senhor lhe disse: Toma o boi de teu pae, a saber, o segundo boi de sete annos: e derriba o altar de Baal, que é de teu pae; [24] e corta o bosque que está ao pé d’elle.

26 E edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume d’este logar forte, n’um logar conveniente: e toma o segundo boi, e o offerecerás em holocausto com a lenha que cortares do bosque.

27 Então Gideon tomou dez homens d’entre os seus servos, e fez como o Senhor lhe dissera: e succedeu que, temendo elle a casa de seu pae, e os homens d’aquella cidade, não o fez de dia, mas fel-o de noite.

28 Levantando-se pois os homens d’aquella cidade de madrugada, eis que estava o altar de Baal derribado, e o bosque estava ao pé d’elle, cortado: e o segundo boi offerecido no altar de novo edificado.

29 E uns aos outros disseram: Quem fez esta coisa? E, esquadrinhando, e inquirindo, disseram: Gideon, o filho de Joás, fez esta coisa.

30 Então os homens d’aquella cidade disseram a Joás: Tira para fóra a teu filho, para que morra; pois derribou o altar de Baal, e cortou o bosque que estava ao pé d’elle.

31 Porém Joás disse a todos os que se pozeram contra elle: Contendereis vós por Baal? livral-o-heis vós? qualquer que por elle contender ainda esta manhã será morto: se é deus, por si mesmo contenda; pois derribaram o seu altar.

32 Pelo que n’aquelle dia lhe chamaram Jerubbaal, [25] dizendo: Baal contenda contra elle, pois derribou o seu altar.

33 E todos os midianitas, [26] e amalekitas, e os filhos do oriente se ajuntaram n’um corpo, e passaram, e pozeram o seu campo no valle de Jizreel.

34 Então o espirito do [27] Senhor revestiu a Gideon, o qual tocou a buzina, e os abi-ezritas se convocaram após d’elle.

35 E enviou mensageiros por toda a tribu de Manasseh, e elle tambem se convocou após d’elle: tambem enviou mensageiros a Eser, e a Zebulon, e a Naphtali, e sairam-lhe ao encontro.

36 E disse Gideon a Deus: Se has de livrar a Israel por minha mão, como tens dito,

37 Eis que eu porei [28] um vello de lã na eira: se o orvalho estiver sómente no vello, e secura sobre toda a terra, então conhecerei que has de livrar a Israel por minha mão, como tens dito.

38 E assim succedeu; porque ao outro dia se levantou de madrugada, e apertou o vello: e do orvalho do vello espremeu uma taça cheia d’agua.

39 E disse Gideon a Deus: Não se accenda contra mim [29] a tua ira, se ainda fallar só esta vez: rogo-te que só esta vez faça a prova com o vello; rogo-te que só no vello haja secura, e em toda a terra haja o orvalho.

40 E Deus assim o fez n’aquella noite: pois só no vello havia secura, e sobre toda a terra havia orvalho.

[1] cap. 2.19.

[2] Hab. 3.7.

[3] I Sam. 13.6. Heb. 11.38.

[4] cap. 3.13. Gen. 29.1. cap. 7.12 e 8.10. I Reis 4.30. Job 1.3.

[5] Lev. 26.16. Deu. 28.30, 33, 51. Miq. 6.15.

[6] cap. 7.12.

[7] cap. 3.15. Ose. 5.15.

[8] Psa. 44.3, 4.

[9] II Reis 17.35, 37, 38. Jer. 10.2.

[10] Jos. 17.2.

[11] cap. 13.3. Luc. 1.11, 28. Jos. 1.5.

[12] Psa. 89.50. Isa. 59.1 e 63.15. II Chr. 15.2.

[13] I Sam. 12.11. Heb. 11.32, 34.

[14] Jos. 1.9. cap. 4.6.

[15] Exo. 3.12. Jos. 1.5.

[16] Exo. 4.1, 8. ver. 36, 37. II Reis 20.8. Isa. 7.11.

[17] Gen. 18.3, 5. cap. 13.15.

[18] Gen. 18.6, 7, 8.

[19] cap. 13.19. I Reis 18.33, 34.

[20] Lev. 9.24. I Reis 18.38. II Chr. 7.1.

[21] cap. 13.21. Gen. 16.13 e 32.30. Exo. 33.20. cap. 13.22.

[22] Dan. 10.19.

[23] cap. 8.32.

[24] Exo. 34.13. Deu. 7.5.

[25] I Sam. 12.11. II Sam. 11.21.

[26] ver. 3. Jos. 17.16.

[27] cap. 3.10. I Chr. 12.18. II Chr. 24.20. Num. 10.3. cap. 3.27.

[28] Exo. 4.3, 4, 6, 7.

[29] Gen. 18.32.

Gideon com trezentos homens vence os midianitas.

7 Então Jerubbaal [1] (que é Gideon) se levantou de madrugada, e todo o povo que com elle havia, e se acamparam junto á fonte d’Harod; de maneira que tinha o arraial dos midianitas para o norte, pelo outeiro de Moreh no valle.

2 E disse o Senhor a Gideon: Muito é o povo que está comtigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel [2] se não glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou.

3 Agora pois apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: [3] Quem fôr cobarde e medroso, volte, e vá-se apressadamente das montanhas de Gilead. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.

4 E disse o Senhor a Gideon: Ainda muito povo ha; faze-os descer ás aguas, e ali t’os provarei: e será que, d’aquelle de que eu te disser: Este irá comtigo, esse comtigo irá; porém de todo aquelle, de que eu te disser: Este não irá comtigo, esse não irá.

[244]

5 E fez descer o povo ás aguas. Então o Senhor disse a Gideon: Qualquer que lamber as aguas com a sua lingua, como as lambe o cão, esse porás á parte; como tambem a todo aquelle que se abaixar de joelhos a beber.

6 E foi o numero dos que lamberam, levando a mão á bocca, trezentos homens; e todo o resto do povo se abaixou de joelhos a beber as aguas.

7 E disse o Senhor a Gideon: Com estes trezentos homens [4] que lamberam as aguas vos livrarei, e darei os midianitas na tua mão; pelo que toda a outra gente se vá cada um ao seu logar.

8 E o povo tomou na sua mão a provisão e as suas buzinas, e enviou a todos os outros homens de Israel cada um á sua tenda, porém os trezentos homens reteve: e estava o arraial dos midianitas abaixo no valle.

9 E succedeu que, n’aquella mesma noite, [5] o Senhor lhe disse: Levanta-te, e desce ao arraial, porque o tenho dado na tua mão.

10 E, se ainda temes descer, desce tu e teu moço Pura ao arraial;

11 E ouvirás [6] o que dizem, e então se esforçarão as tuas mãos e descerás ao arraial. Então desceu elle com o seu moço Pura até ao extremo das sentinellas que estavam no arraial.

12 E os midianitas, e amalekitas, [7] e todos os filhos do oriente jaziam no valle como gafanhotos em multidão: e eram innumeraveis os seus camelos, como a areia que ha na praia do mar em multidão.

13 Chegando pois Gideon, eis que estava contando um homem ao seu companheiro um sonho, e dizia: Eis que um sonho sonhei, eis que um pão de cevada torrado rodava pelo arraial dos midianitas, e chegava até ás tendas, e as feriu, e cairam, e as transtornou de cima para baixo; e ficaram abatidas.

14 E respondeu o seu companheiro, e disse: Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideon, filho de Joás, varão israelita. Deus tem dado na sua mão aos midianitas, e a todo este arraial.

15 E succedeu que, ouvindo Gideon a narração d’este sonho, e a sua explicação, adorou: e tornou ao arraial de Israel, e disse: Levantae-vos, porque o Senhor tem dado o arraial dos midianitas nas vossas mãos.

16 Então repartiu os trezentos homens em tres esquadrões: e deu-lhes a cada um nas suas mãos buzinas, e cantaros vasios, com tochas n’elles accesas.

17 E disse-lhes: Olhae para mim, e fazei como eu fizer: e eis que chegando eu ao extremo do arraial, será que, como eu fizer, assim fareis vós.

18 Tocando eu e todos os que comigo estiverem a buzina, então tambem vós tocareis a buzina ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor, e Gideon.

19 Chegou pois Gideon, e os cem homens que com elle iam, ao extremo do arraial, ao principio da guarda da meia noite, havendo-se já posto as guardas: e tocaram as buzinas, e partiram os cantaros, que tinham nas mãos.

20 Assim tocaram os tres esquadrões as buzinas, e partiram os cantaros; e tinham nas suas mãos esquerdas as tochas accesas, e nas suas mãos direitas as buzinas, que tocavam: e exclamaram: Espada do Senhor, e de Gideon.

21 E ficou-se cada um no [8] seu logar ao redor do arraial: então todo o exercito deitou a correr, e, gritando, fugiram.

22 Tocando [9] pois os trezentos as buzinas, o Senhor tornou [10] a espada d’um contra o outro, e isto em todo o arraial: e o exercito fugiu para Zererath, até Beth-sitta até aos limites de Abel-mehola, acima de Tabbath.

23 Então os homens de Israel, de Naphtali, e d’Aser e de todo o Manasseh foram convocados, e perseguiram aos midianitas.

24 Tambem Gideon enviou mensageiros a todas as montanhas d’Ephraim, [11] dizendo: Descei ao encontro dos midianitas, e tomae-lhes as aguas até Beth-bara, a saber, o Jordão. Convocados pois todos os homens d’Ephraim, [12] tomaram-lhes as aguas até Beth-bara e o Jordão.

25 E prenderam a dois principes dos midianitas, a [13] Oreb e a Zeeb; e mataram a Oreb na penha d’Oreb, e a Zeeb mataram no lagar de Zeeb, e perseguiram aos midianitas: e trouxeram as cabeças d’Oreb e de Zeeb a Gideon, d’além do Jordão.

[1] cap. 6.32.

[2] Deu. 8.17. Isa. 10.13. I Cor. 1.29. II Cor. 4.7.

[3] Deu. 20.8.

[4] I Sam. 14.6.

[5] Gen. 46.2, 3.

[6] ver. 13, 14, 15. Gen. 24.14. I Sam. 14.9, 10.

[7] cap. 6.5, 33 e 8.10.

[8] Exo. 14.13, 14. II Chr. 20.17. II Reis 7.7.

[9] Jos. 6.4, 16, 20. II Cor. 4.7.

[10] Psa. 83.10. Isa. 9.4. I Sam. 14.20. II Chr. 20.23.

[11] cap. 3.27.

[12] cap. 3.28.

[13] cap. 8.3. Isa. 10.26.

Gideon apazigua os ephraimitas e mata os reis dos midianitas.

8 Então os homens d’Ephraim lhes disseram: [1] Que é isto que nos fizeste, que não nos chamas te, quando foste pelejar contra os midianitas? E contenderam com elle fortemente.

[245]

2 Porém elle lhes disse: Que mais fiz eu agora do que vós? não são porventura os rabiscos d’Ephraim melhores do que a vindima d’Abiezer?

3 Deus vos deu [2] na vossa mão aos principes dos midianitas, Oreb e Zeeb; que mais pude eu logo fazer do que vós? então a sua ira [3] se abrandou para com elle, quando fallou esta palavra.

4 E, como Gideon veiu ao Jordão, passou com os trezentos homens que com elle estavam, cançados, mas ainda perseguindo.

5 E disse aos homens [4] de Succoth: Dae, peço-vos, alguns pedaços de pão ao povo, que segue as minhas pisadas: porque estão cançados, e eu vou em alcance de Zebah e Salmuna, reis dos midianitas.

6 Porém os principes de Succoth disseram: Está já a palma da mão [5] de Zebah e Salmuna na tua mão, para que demos pão ao teu exercito?

7 Então disse Gideon: Pois quando o Senhor dér na minha mão a Zebah e a Salmuna, trilharei [6] a vossa carne com os espinhos do deserto, e com os abrolhos.

8 E d’ali subiu a [7] Penuel, e fallou-lhes da mesma maneira: e os homens de Penuel lhe responderam como os homens de Succoth lhe haviam respondido.

9 Pelo que tambem fallou aos homens de Penuel, dizendo: Quando [8] eu voltar em paz, derribarei esta torre.

10 Estavam pois Zebah e Salmuna em Carcor, e os seus exercitos com elles, uns quinze mil homens, todos os que ficavam do exercito dos filhos [9] do oriente: e os que cairam foram cento e vinte mil homens, que arrancavam a espada.

11 E subiu Gideon pelo caminho dos que habitavam em tendas, para o oriente de Nobah [10] e Jogbehah: e feriu aquelle exercito, porquanto o exercito estava descuidado.

12 E fugiram Zebah e Salmuna; porém elle os perseguiu, e tomou [11] presos a ambos os reis dos midianitas, a Zebah e a Salmuna, e afugentou a todo o exercito.

13 Voltando pois Gideon, filho de Joás, da peleja, antes do nascer do sol,

14 Tomou preso a um moço dos homens de Succoth, e lhe fez perguntas: o qual descreveu os principes de Succoth, e os seus anciãos, setenta e sete homens.

15 Então veiu aos homens de Succoth, e disse: Vedes aqui a Zebah e a Salmuna, dos quaes desprezivelmente me deitastes em rosto, [12] dizendo: Está já a palma da mão de Zebah e Salmuna na tua mão, para que dêmos pão aos teus homens, cançados?

16 E tomou [13] os anciãos d’aquella cidade, e os espinhos do deserto, e os abrolhos: e com elles ensinou aos homens de Succoth.

17 E derribou [14] a torre de Penuel, e matou os homens da cidade.

18 Depois disse a Zebah e a Salmuna: Que homens eram os que matastes em [15] Tabor? E disseram: Qual tu, taes eram elles; cada um ao parecer, como filhos d’um rei.

19 Então disse elle: Meus irmãos eram, filhos de minha mãe: vive o Senhor, que, se os tivesseis deixado em vida, eu não vos mataria a vós.

20 E disse a Jether, seu primogenito: Levanta-te, mata-os. Porém o mancebo não arrancou da sua espada, porque temia; porquanto ainda era mancebo.

21 Então disseram Zebah e Salmuna: Levanta-te tu, e accommette-nos; porque, qual o homem, tal a sua valentia. Levantou-se pois Gideon, e matou [16] a Zebah e a Salmuna, e tomou [IU] as lunetas, que estavam aos pescoços dos seus camelos.

Gideon recusa governar, faz um ephod e morre.

22 Então os homens de Israel disseram a Gideon: Domina sobre nós, tanto tu, como teu filho e o filho de teu filho: porquanto nos livraste da mão dos midianitas.

23 Porém Gideon lhes disse: Sobre vós eu não dominarei, nem tão pouco meu filho sobre vós dominará: o Senhor sobre vós [17] dominará.

24 E disse-lhes mais Gideon: Uma petição vos farei: dae-me cada um de vós os pendentes do seu despojo (porque [18] tinham pendentes de oiro, porquanto eram ishmaelitas).

25 E disseram elles: De boamente os daremos. E estenderam uma capa, e cada um d’elles deitou ali um pendente do seu despojo.

26 E foi o pezo dos pendentes d’oiro, que pediu, mil e setecentos siclos d’oiro, afóra as lunetas, e as cadeias, e os[246] vestidos de purpura, que traziam os reis dos midianitas, e afóra as colleiras que os camelos traziam ao pescoço.

27 E fez Gideon d’elle um ephod, [19] e pôl-o na sua cidade, em Ophra; e todo o Israel fornicou ali após d’elle: e foi por tropeço a Gideon [20] e á sua casa.

28 Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos d’Israel, e nunca mais levantaram a sua cabeça: e socegou a terra [21] quarenta annos nos dias de Gideon.

29 E foi-se Jerubbaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.

30 E teve Gideon setenta filhos, que procederam da sua côxa: porque tinha muitas mulheres.

31 E sua concubina, [22] que estava em Sichem, lhe pariu tambem um filho: e poz-lhe por nome Abimelech.

32 E falleceu Gideon, filho de Joás, n’uma boa velhice: [23] e foi sepultado no sepulchro de seu pae Joás, em Ophra dos abi-ezritas.

33 E succedeu que, [24] como Gideon falleceu, os filhos d’Israel se tornaram, e fornicaram após dos baalins: e pozeram a Baal-berith por deus.

34 E os filhos d’Israel se não lembraram [25] do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos em redor.

35 Nem usaram [26] de beneficencia com a casa de Jerubbaal, a saber, de Gideon, conforme a todo o bem que elle usara com Israel.

[1] cap. 12.1. II Sam. 19.41.

[2] cap. 7.24, 25. Phi. 2.3.

[3] Pro. 15.1.

[4] Gen. 33.17.

[5] I Reis 20.11. I Sam. 25.11.

[6] ver. 16.

[7] Gen. 32.30. I Reis 12.25.

[8] I Reis 22.27. ver. 17.

[9] cap. 7.12.

[10] Num. 32.35, 42. cap. 18.27. I The. 5.3.

[11] Psa. 83.12.

[12] ver. 6.

[13] ver. 7.

[14] ver. 9. I Reis 12.25.

[15] cap. 4.6.

[16] Psa. 83.12.

[17] I Sam. 8.7 e 10.19 e 12.12.

[18] Gen. 25.13 e 37.25, 28.

[19] cap. 17.5 e 6.24. Psa. 106.39.

[20] Deu. 7.16.

[21] cap. 5.31.

[22] cap. 9.1.

[23] Gen. 25.8. Job 5.26. ver. 27. cap. 6.24.

[24] cap. 2.19 e 2.17 e 9.4, 46.

[25] Psa. 78.11, 42 e 106.13, 21.

[26] cap. 9.16, 17, 18. Ecc. 9.14, 15.

Abimelech mata os seus irmãos e se declara rei.

Antes de Christo 1209

9 E Abimelech, filho de Jerubbaal, foi-se a Sichem, aos irmãos [1] de sua mãe, e fallou-lhes e a toda a geração da casa do pae de sua mãe, dizendo:

2 Fallae, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Sichem: Qual é melhor para vós, que setenta [2] homens, todos os filhos de Jerubbaal, dominem sobre vós, ou que um homem sobre vós domine? lembrae-vos tambem de que sou osso vosso e carne vossa.

3 Então os irmãos de sua mãe fallaram ácerca d’elle perante os ouvidos de todos os cidadãos de Sichem todas aquellas palavras: e o coração d’elles se inclinou após de Abimelech, porque disseram: É nosso [3] irmão.

4 E deram-lhe setenta peças de prata, da casa [4] de Baal-berith: e com ellas alugou Abimelech uns homens ociosos e levianos, que o seguiram.

5 E veiu á casa de seu pae, a [5] Ophra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubbaal, setenta homens, sobre uma pedra. Porém Jotham, filho menor de Jerubbaal, ficou, porque se tinha escondido.

6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Sichem, e toda a casa de Millo; e foram, e levantaram a Abimelech por rei, junto ao carvalho alto que está perto de Sichem.

A parabola de Jotham.

7 E, dizendo-o a Jotham, foi-se, e poz-se no cume do [6] monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou, e disse-lhes: Ouvi-me a mim, cidadãos de Sichem, e Deus vos ouvirá a vós:

8 Foram uma vez as arvores [7] a ungir para si um rei: e disseram á oliveira: Reina tu sobre nós.

9 Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, [8] que Deus e os homens em mim prezam, e iria a labutar sobre as arvores?

10 Então disseram as arvores á figueira: Vem tu, e reina sobre nós.

11 Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fructo, e iria labutar sobre as arvores?

12 Então disseram as arvores á videira: Vem tu, e reina sobre nós.

13 Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra [9] a Deus e aos homens, e iria labutar sobre as arvores?

14 Então todas as arvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.

15 E disse o espinheiro ás arvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiae-vos debaixo da minha [10] sombra: mas se não, saia [11] fogo do espinheiro que consuma os cedros do Libano.

16 Agora, pois, se é que em verdade e sinceridade obrastes, fazendo rei a Abimelech, e se bem fizestes para com Jerubbaal e para com a sua casa, e se com elle usastes conforme ao merecimento das [12] suas mãos;

17 Porque meu pae pelejou por vós, e desprezou a sua vida, e vos livrou da mão dos midianitas:

[247]

18 Porém vós hoje [13] vos levantastes contra a casa de meu pae, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma pedra: e a Abimelech, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Sichem, porque é vosso irmão;

19 Pois, se em verdade e sinceridade usastes com Jerubbaal e com a sua casa hoje, alegrae-vos [14] com Abimelech, e tambem elle se alegre comvosco:

20 Mas, se não, saia fogo [15] de Abimelech, e consuma aos cidadãos de Sichem, e á casa de Millo: e saia fogo dos cidadãos de Sichem, e da casa de Millo, que consuma a Abimelech.

21 Então partiu Jotham, e fugiu, e foi-se a Beer: [16] e ali habitou por medo de Abimelech, seu irmão.

A conspiração de Gaal.

Antes de Christo 1206

22 Havendo pois Abimelech dominado tres annos sobre Israel,

23 Enviou Deus [17] um mau espirito entre Abimelech e os cidadãos de Sichem: [18] e os cidadãos de Sichem se houveram aleivosamente contra Abimelech;

24 Para que a violencia [19] feita aos setenta filhos de Jerubbaal viesse, e o seu sangue caisse sobre Abimelech, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Sichem, que lhe corroboraram as mãos, para matar a seus irmãos.

25 E os cidadãos de Sichem pozeram contra elle quem lhe armasse emboscadas sobre os cumes dos montes; e a todo aquelle que passava pelo caminho junto a elles o assaltavam: e contou-se a Abimelech.

26 Veiu tambem Gaal, filho de Ebed, com seus irmãos, e passaram para dentro de Sichem: e os cidadãos de Sichem se fiaram d’elle.

27 E sairam ao campo, e vindimaram as suas vinhas, e pisaram as uvas, e fizeram canções de louvor: e foram á casa de seu Deus, e comeram, e beberam, e [20] amaldiçoaram a Abimelech.

28 E disse Gaal, filho d’Ebed: Quem [21] é Abimelech, e qual é Sichem, para que o servissemos? não é porventura filho de Jerubbaal? e não é Zebul o seu mordomo? servi antes aos homens de Hemor, [22] pae de Sichem; pois por que razão nós o serviriamos a elle?

29 Ah! [23] se este povo estivera na minha mão, eu expelliria a Abimelech. E a Abimelech se disse: Multiplica o teu exercito, e sae.

30 E, ouvindo Zebul, o maioral da cidade, as palavras de Gaal, filho d’Ebed, se accendeu a sua ira;

31 E enviou astutamente mensageiros a Abimelech, dizendo: Eis que Gaal, filho d’Ebed, e seus irmãos vieram a Sichem, e eis que elles fortificam esta cidade contra ti.

32 Levanta-te pois de noite, tu e o povo que tiveres comtigo, e põe emboscadas no campo.

33 E levanta-te pela manhã ao sair o sol, e dá de golpe sobre a cidade: e eis que, saindo elle e o povo que tiver com elle contra ti, faze-lhe assim como alcançar a tua mão.

Abimelech vence Gaal e os sichemitas.

34 Levantou-se pois Abimelech, e todo o povo que com elle havia, de noite, e pozeram emboscadas a Sichem, com quatro tropas.

35 E Gaal, filho d’Ebed, saiu, e poz-se á entrada da porta da cidade: e Abimelech, e todo o povo que com elle havia, se levantou das emboscadas.

36 E, vendo Gaal aquelle povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes dos montes. Zebul, ao contrario, lhe disse: As sombras dos montes vês por homens.

37 Porém Gaal ainda tornou a fallar, e disse: Eis ali desce gente do meio da terra, e uma tropa vem do caminho do carvalho de Meonenim.

38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua bocca, com a qual dizias: [24] Quem é Abimelech, para que o servissemos? não é este porventura o povo que desprezaste? sae pois, peço-te, e peleja contra elle.

39 E saiu Gaal á vista dos cidadãos de Sichem, e pelejou contra Abimelech.

40 E Abimelech o perseguiu, porquanto fugiu de diante d’elle: e muitos feridos cairam até á entrada da porta da cidade.

41 E Abimelech ficou em Aruma. E Zebul expelliu a Gaal e a seus irmãos, para que não podessem habitar em Sichem.

42 E succedeu no dia seguinte que o povo saiu ao campo, e o disseram a Abimelech.

43 Então tomou o povo, e o repartiu em tres tropas, e poz emboscadas no campo: e olhou, e eis que o povo sahia da cidade, e levantou-se contra elles, e os feriu.

44 Porque Abimelech, e as tropas que com elle havia, deram n’elles de improviso, e pararam á entrada da porta[248] da cidade: e as outras duas tropas deram de improviso sobre todos quantos estavam no campo, e os feriram.

45 E Abimelech pelejou contra a cidade todo aquelle dia, [25] e tomou a cidade, e matou o povo que n’ella havia; e assolou a cidade, e a semeou de sal.

46 O que ouvindo todos os cidadãos da torre de Sichem, entraram na fortaleza, em casa do deus Berith.

47 E contou-se a Abimelech que todos os cidadãos da torre de Sichem se haviam congregado.

48 Subiu pois Abimelech ao monte de Salmon, [26] elle e todo o povo que com elle havia: e Abimelech tomou na sua mão machados, e cortou um ramo das arvores, e o levantou, e pôl-o ao seu hombro, e disse ao povo, que com elle havia: O que me vistes fazer apressae-vos a fazel-o assim como eu.

49 Assim pois tambem todo o povo, cada um cortou o seu ramo, e seguiram a Abimelech, os puzeram junto da fortaleza, e queimaram a fogo a fortaleza com elles: de maneira que todos os da torre de Sichem morreram, uns mil homens e mulheres.

A morte de Abimelech.

50 Então Abimelech foi-se a Thebes, e sitiou a Thebes, e a tomou.

51 Havia porém no meio da cidade uma torre forte; e todos os homens e mulheres, e todos os cidadãos da cidade se acolheram a ella, e fecharam após de si as portas, e subiram ao telhado da torre.

52 E Abimelech veiu até á torre, e a combateu: e chegou-se até á porta da torre, para a queimar a fogo.

53 Porém uma mulher [27] lançou um pedaço d’uma mó sobre a cabeça d’Abimelech: e quebrou-lhe o craneo.

54 Então chamou [28] logo ao moço, que levava as suas armas, e disse-lhe: Desembainha a tua espada, e mata-me; para que se não diga de mim: Uma mulher o matou. E seu moço o atravessou, e elle morreu.

55 Vendo pois os homens de Israel que Abimelech era morto, foram-se cada um para o seu logar.

56 Assim Deus fez tornar [29] sobre Abimelech o mal que tinha feito a seu pae, matando a seus setenta irmãos.

57 Como tambem todo o mal dos homens de Sichem fez tornar sobre a cabeça d’elles: e [30] a maldição de Jotham, filho de Jerubbaal, veiu sobre elles.

[1] cap. 8.31.

[2] cap. 8.30. Gen. 29.14.

[3] Gen. 29.15.

[4] cap. 8.33 e 11.3. II Chr. 13.7. Pro. 12.11. Act. 17.5.

[5] cap. 6.24. II Reis 11.1, 2.

[6] Deu. 11.29 e 27.12. Jos. 8.33. João 4.20.

[7] II Reis 14.9. cap. 8.22, 23.

[8] Psa. 104.15.

[9] Psa. 104.15.

[10] Isa. 30.2. Dan. 4.12. Ose. 14.7.

[11] ver. 20. Num. 21.28. Eze. 19.14. II Reis 14.9. Eze. 31.3.

[12] cap. 8.35.

[13] ver. 5, 6.

[14] Isa. 8.6. Phi. 3.3.

[15] ver. 15, 56, 57.

[16] II Sam. 20.14.

[17] I Sam. 16.14 e 18.9, 10. Isa. 19.2, 14.

[18] Isa. 33.1.

[19] I Reis 2.32. Est. 9.25. Psa. 8.17. Mat. 23.35, 36.

[20] ver. 4.

[21] I Sam. 25.10. I Reis 12.16.

[22] Gen. 34.2, 6.

[23] II Sam. 15.4.

[24] ver. 28, 29.

[25] ver. 20. Deu. 29.23. I Reis 12.25. II Reis 3.25. cap. 8.33.

[26] Psa. 68.15.

[27] II Sam. 11.21.

[28] I Sam. 31.4.

[29] ver. 24. Job 31.3. Psa. 94.23. Pro. 5.22.

[30] ver. 20.

Tola e Jair juizes dos israelitas.

Antes de Christo 1161

10 E depois de Abimelech, [1] se levantou, para livrar a Israel, Tola, filho de Puah, filho de Dodo, homem d’Issacar: e habitava em Samir, na montanha d’Ephraim.

2 E julgou a Israel vinte e tres annos: e morreu, e foi sepultado em Samir.

3 E depois d’elle se levantou Jair, gileadita, e julgou a Israel vinte e dois annos.

4 E tinha este trinta filhos, que cavalgavam [2] sobre trinta jumentos; e tinham trinta cidades, [3] a que chamaram Havoth-jair, até ao dia d’hoje; as quaes estão na terra de Gilead.

5 E morreu Jair, e foi sepultado em Camon.

Servidão sob os philisteos e os ammonitas.

6 Então tornaram os filhos de Israel [4] a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, e serviram aos baalins, e a Astaroth, e aos deuses da Syria, e aos deuses de Sidon, e aos deuses de Moab, e aos deuses dos filhos d’Ammon, e [5] aos deuses dos philisteos: e deixaram ao Senhor, e não o serviram.

7 E a ira do Senhor se accendeu contra Israel: e vendeu-os em mão dos philisteos, e em mão dos filhos d’Ammon.

8 E n’aquelle mesmo anno opprimiram e vexaram aos filhos de Israel: dezoito annos opprimiram a todos os filhos de Israel que estavam d’além do Jordão, na terra dos amorrheos, que está em Gilead.

9 Até os filhos d’Ammon passaram o Jordão, para pelejar tambem contra Judah, e contra Benjamin, e contra a casa d’Ephraim: de maneira que Israel ficou mui angustiado.

10 Então os filhos d’Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Contra ti havemos peccado, [6] em que deixámos a nosso Deus, e em que servimos aos baalins.

11 Porém o Senhor disse aos filhos de Israel: Porventura dos egypcios, e dos [7] amorrheos, e dos filhos d’Ammon, e dos philisteos,

12 E dos sidonios, [8] e dos amalekitas, e dos maonitas, que vos opprimiam, quando a mim chamastes, não vos livrei eu então da sua mão?

[249]

13 Comtudo vós me deixastes a mim, [9] e servistes a outros deuses: pelo que não vos livrarei mais.

14 Andae, [10] e clamae aos deuses que escolhestes: que vos livrem elles no tempo do vosso aperto.

15 Mas os filhos de Israel disseram ao Senhor: Peccámos, [11] faze-nos conforme a tudo quanto te parecer bem aos teus olhos; tão sómente te rogamos que nos livres n’este dia.

16 E tiraram os deuses alheios do meio de si, [12] e serviram ao Senhor: então se angustiou a sua alma por causa do trabalho d’Israel.

17 E os filhos d’Ammon se convocaram, e se pozeram em campo em Gilead: e tambem os de Israel se congregaram, e se pozeram em campo em [13] Mispah.

18 Então o povo, os principes de Gilead disseram uns aos outros: Quem será o varão que começará a pelejar contra os filhos d’Ammon? elle será por Cabeça de todos os [14] moradores de Gilead.

[1] cap. 2.16.

[2] cap. 5.10 e 12.14.

[3] Deu. 3.14.

[4] cap. 2.11 e 3.7 e 4.1 e 6.1 e 13.1 e 2.13 e 2.12. I Reis 11.33. Psa. 106.36.

[5] cap. 2.14. I Sam. 12.9.

[6] I Sam. 12.10.

[7] Exo. 14.30. Num. 21.21, 24, 25. cap. 3.12, 13, 31.

[8] cap. 5.19 e 6.3.

[9] Deu. 32.15. Jer. 2.13.

[10] Deu. 32.37, 38. II Reis 3.13. Jer. 2.28.

[11] I Sam. 3.18. II Sam. 15.26.

[12] II Chr. 7.14 e 15.8. Jer. 18.7, 8. Psa. 106.44, 45. Isa. 63.9.

[13] Gen. 31.49. cap. 11.11, 29.

[14] cap. 11.8, 11.

Jefthe livra os israelitas.

Antes de Christo 1143

11 Era então Jefthe, o gileadita, valente [1] e valoroso, porém filho d’uma prostituta: mas Gilead gerara a Jefthe.

2 Tambem a mulher de Gilead lhe pariu filhos, e, sendo os filhos d’esta mulher já grandes, expelliram a Jefthe, e lhe disseram: Não herdarás em casa de nosso pae, porque és filho d’outra mulher.

3 Então Jefthe fugiu de diante de seus irmãos, e habitou na terra de Tob: e homens levianos [2] se ajuntaram com Jefthe, e sahiam com elle.

4 E aconteceu que, depois d’alguns dias, os filhos d’Ammon pelejaram contra Israel.

5 Aconteceu pois que, como os filhos d’Ammon pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gilead buscar a Jefthe da terra de Tob.

6 E disseram a Jefthe: Vem, e sê-nos por Cabeça: para que combatamos contra os filhos d’Ammon.

7 Porém Jefthe disse aos anciãos de Gilead: Porventura não me aborrecestes a mim, [3] e não me expellistes da casa de meu pae? porque pois agora viestes a mim, quando estaes em aperto?

8 E disseram os anciãos [4] de Gilead a Jefthe: Por isso tornamos a ti, para que venhas comnosco, e combatas contra os filhos d’Ammon: e nos sejas por Cabeça [5] sobre todos os moradores de Gilead.

9 Então Jefthe disse aos anciãos de Gilead: Se me tornardes a levar para combater contra os filhos d’Ammon, e o Senhor m’os dér diante de mim, então eu vos serei por Cabeça?

10 E disseram os anciãos de Gilead a Jefthe: O Senhor [6] será [IV] testemunha entre nós, e assim o faremos conforme á tua palavra.

11 Assim Jefthe foi-se com os anciãos de Gilead, e o povo o poz por Cabeça [7] e principe sobre si: e Jefthe fallou todas as suas palavras perante o Senhor em Mispah.

12 E enviou Jefthe mensageiros ao rei dos filhos d’Ammon, dizendo: Que ha entre mim e ti, que vieste a mim a pelejar contra a minha terra?

13 E disse o rei dos filhos de Ammon aos mensageiros de Jefthe: Porquanto, saindo Israel do Egypto, [8] tomou a minha terra, desde Arnon até Jabbok, e ainda até ao Jordão: torna-m’a pois agora em paz.

14 Porém Jefthe proseguiu ainda em enviar mensageiros ao rei dos filhos d’Ammon,

15 Dizendo-lhe: Assim diz Jefthe: Israel não tomou, [9] nem a terra dos moabitas nem a terra dos filhos d’Ammon;

16 Porque, subindo Israel do Egypto, andou [10] pelo deserto até ao Mar Vermelho, e chegou até Cades.

17 E Israel enviou mensageiros [11] ao rei dos edomitas, dizendo: Rogo-te que me deixes passar pela tua terra. Porém o rei dos edomitas não lhe deu ouvidos; enviou tambem ao rei dos moabitas, o qual tambem não quiz: e assim Israel ficou em Cades.

18 Depois andou pelo deserto, e rodeou a terra dos edomitas [12] e a terra dos moabitas, e veiu do nascente do sol á terra dos moabitas, e alojaram-se d’além d’Arnon; porém não entraram nos limites dos moabitas, porque Arnon é limite dos moabitas.

[250]

19 Mas Israel enviou [13] mensageiros a Sehon, rei dos amorrheos, rei de Hesbon: e disse-lhe Israel: Deixa-nos, peço-te, passar pela tua terra até ao meu logar.

20 Porém [14] Sehon não se fiou d’Israel para este passar nos seus limites; antes Sehon ajuntou todo o seu povo, e se acamparam em Jasa, e combateu contra Israel.

21 E o Senhor Deus d’Israel deu a Sehon com todo o seu povo na mão d’Israel, e os feriram: [15] e Israel tomou por herança toda a terra dos amorrheos que habitavam n’aquella terra.

22 E por herança tomaram todos os limites [16] dos anciãos, desde Arnon até Jabbok, e desde o deserto até ao Jordão.

23 Assim o Senhor Deus d’Israel desapossou os amorrheos de diante do seu povo d’Israel: e os possuirias tu?

24 Não possuirias [17] tu aquelle que Camos, teu deus, desapossasse de diante de ti? assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós.

25 Agora pois és tu ainda melhor do que Balac, [18] filho de Zippor, rei dos moabitas? porventura contendeu elle em algum tempo com Israel, ou pelejou alguma vez contra elles?

26 Emquanto Israel habitou trezentos annos em [19] Hesbon e nas suas villas, e em Aroer e nas suas villas, em todas as cidades que estão ao longo d’Arnon, porque o não recuperastes n’aquelle tempo?

27 Tão pouco pequei eu contra ti! porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim: o Senhor, que é juiz, julgue [20] hoje entre os filhos d’Israel e entre os filhos de Ammon.

28 Porém o rei dos filhos d’Ammon não deu ouvidos ás palavras de Jefthe, que lhe enviou.

29 Então o espirito [21] do Senhor veiu sobre Jefthe, e atravessou elle por Gilead e Manasseh: porque passou até Mispah de Gilead, e de Mispah de Gilead passou até aos filhos d’Ammon.

30 E Jefthe votou [22] um voto ao Senhor, e disse: Se totalmente deres os filhos d’Ammon na minha mão,

31 [IW] Aquillo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos d’Ammon em paz, isso será do Senhor, e o offerecerei [23] em holocausto.

32 Assim Jefthe passou aos filhos d’Ammon, a combater contra elles: e o Senhor os deu na sua mão.

33 E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a [24] Minnith, vinte cidades, e até Abel-keramim; assim foram subjugados os filhos d’Ammon diante dos filhos d’Israel.

34 Vindo pois Jefthe a Mispah, [25] á sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças: e era ella só a unica; não tinha outro filho nem filha.

35 E aconteceu que, quando a viu, rasgou [26] os seus vestidos, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e és d’entre os que me turbam! porque eu abri a minha bocca ao Senhor, e não tornarei atraz.

36 E ella lhe disse: Pae meu, abriste tu a tua bocca ao Senhor, faze de mim como saiu da tua bocca: [27] pois o Senhor te vingou [28] dos teus inimigos, os filhos d’Ammon.

37 Disse mais a seu pae: Faça-se-me isto: deixa-me por dois mezes que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras.

38 E disse elle: Vae. E deixou-a ir por dois mezes: então foi-se ella com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.

39 E succedeu que, ao fim de dois mezes, tornou ella para seu pae, o qual cumpriu [29] n’ella o seu voto que tinha votado: e ella não conheceu varão; e d’aqui veiu o costume d’Israel,

40 Que as filhas d’Israel iam de anno em anno a [IX] lamentar a filha de Jefthe, o gileadita, por quatro dias no anno.

[1] Heb. 11.32. cap. 6.12. II Reis 5.1.

[2] cap. 9.4. I Sam. 22.2.

[3] Gen. 26.27.

[4] cap. 10.18. Luc. 17.4.

[5] cap. 10.18.

[6] Jer. 42.5.

[7] ver. 8. cap. 10.17 e 20.1. I Sam. 10.17 e 11.15.

[8] Num. 21.24, 25, 26. Gen. 32.22.

[9] Deu. 2.9, 19.

[10] Num. 14.25. Deu. 1.40. Jos. 5.6. Num. 13.26 e 20.1. Deu. 1.46.

[11] Num. 20.14, 18, 21 e 20.1.

[12] Num. 21.4. Deu. 2.1-8. Num. 21.11, 13 e 22.36.

[13] Num. 21.22. Deu. 2.26. Num. 21.22. Deu. 2.27.

[14] Num. 21.23. Deu. 2.32.

[15] Num. 21.24, 25. Deu. 2.33, 34.

[16] Deu. 2.36.

[17] Num. 21.29. I Reis 11.7. Jer. 48.7. Deu. 9.5, 6 e 18.12. Jos. 3.10.

[18] Num. 22.2. Jos. 24.9.

[19] Num. 21.25. Deu. 2.36.

[20] Gen. 18.25 e 16.5 e 31.53. I Sam. 24.12, 15.

[21] cap. 3.10.

[22] Gen. 28.20. I Sam. 1.11.

[23] Lev. 27.2, 3, etc. I Sam. 1.11, 28 e 2.18. Psa. 66.13. Lev. 27.11, 12.

[24] Eze. 27.17.

[25] ver. 11. cap. 10.17. Exo. 15.20. I Sam. 18.5. Psa. 68.25. Jer. 31.4.

[26] Gen. 37.29, 34. Ecc. 5.2. Num. 30.2. Psa. 15.4. Ecc. 5.4, 5.

[27] Num. 30.2.

[28] II Sam. 18.19, 31.

[29] ver. 31. I Sam. 1.22, 24 e 2.18.

Jefthe peleja contra os ephraimitas e os gileaditas.

12 Então se convocaram os homens d’Ephraim, [1] e passaram para o norte, e disseram a Jefthe: Porque passaste a combater contra os filhos d’Ammon, e não nos chamaste para ir comtigo? queimaremos a fogo a tua casa comtigo.

[251]

2 E Jefthe lhes disse: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os filhos d’Ammon: e chamei-vos, e não me livrastes da sua mão;

3 E, vendo eu que me não livraveis, puz [2] a minha alma na minha mão, e passei aos filhos de Ammon, e o Senhor m’os entregou nas mãos: porque pois subistes vós hoje contra mim, para combater contra mim?

4 E ajuntou Jefthe a todos os homens de Gilead, e combateu com Ephraim: e os homens de Gilead feriram a Ephraim; porque, estando os gileaditas entre Ephraim e Manasseh, disseram: [3] Fugitivos sois d’Ephraim.

5 Porque tomaram os gileaditas aos ephraimitas os váos [4] do Jordão: e succedeu que, quando os fugitivos d’Ephraim diziam: Passarei; então os homens de Gilead lhes diziam: És tu ephratita? E dizendo elle: Não;

6 Então lhe diziam: Dize pois, Shibboleth; porém elle dizia: Sibboleth, porque o não podia pronunciar assim bem: então pegavam d’elle, e o degolavam aos váos do Jordão: e cairam de Ephraim n’aquelle tempo quarenta e dois mil.

7 E Jefthe julgou a Israel seis annos: e Jefthe, o gileadita, falleceu, e foi sepultado nas cidades de Gilead.

Ebsan, Elon e Abdon juizes dos israelitas.

8 E depois d’elle julgou a Israel Ebsan de Beth-lehem.

9 E tinha este trinta filhos; e enviou fóra a trinta filhas; e trinta filhas trouxe de fóra para seus filhos: e julgou a Israel sete annos.

10 Então falleceu Ebsan, e foi sepultado em Beth-lehem.

11 E depois d’elle julgou a Israel Elon, o zebulonita: e julgou a Israel dez annos.

12 E falleceu Elon, o zebulonita, e foi sepultado em Ayalon, na terra de Zebulon.

13 E depois d’elle julgou a Israel Abdon, filho d’Hillel, o pirhathonita.

14 E tinha este quarenta filhos, e trinta filhos de filhos, que cavalgavam sobre [5] setenta jumentos: e julgou a Israel oito annos.

15 Então falleceu Abdon, filho d’Hillel, o pirathonita: e foi sepultado em Pirathon, na terra [6] de Ephraim, no monte do amalekita.

[1] cap. 8.1.

[2] I Sam. 19.5 e 28.21. Job 13.14.

[3] I Sam. 25.10.

[4] Jos. 22.11. cap. 3.28 e 7.24.

[5] cap. 5.10 e 10.4.

[6] cap. 3.13, 27 e 5.14.

Servidão dos israelitas sob os philisteos, e o nascimento de Sansão.

Antes de Christo 1161

13 E os filhos d’Israel tornaram a fazer o que parecia mal [1] aos olhos do Senhor, e o Senhor [2] os entregou na mão dos philisteos por quarenta annos.

2 E havia um homem de Zora, da [3] tribu de Dan, cujo nome era Manué: e sua mulher era esteril, e não paria.

3 E o anjo do Senhor [4] appareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és esteril, e nunca tens parido; porém conceberás, e parirás um filho.

4 Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho, [5] ou bebida forte, ou comas coisa immunda.

5 Porque eis que tu conceberás e parirás um filho sobre cuja cabeça não subirá navalha: [6] porquanto o menino será nazireo de Deus desde o ventre: e elle começará a livrar a Israel da mão dos philisteos.

6 Então a mulher entrou, e fallou a seu marido, dizendo: [7] Um homem de Deus veiu a mim, cuja vista era similhante á vista d’um anjo de Deus, terribilissima: e não lhe perguntei d’onde era, nem elle me disse o seu nome;

7 Porém disse-me: Eis que tu conceberás e parirás um filho: agora pois não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa immunda; porque o menino será nazireo de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte.

8 Então Manué orou instantemente ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que ha de nascer.

9 E Deus ouviu a voz de Manué: e o anjo de Deus veiu outra vez á mulher, e ella estava no campo, porém não estava com ella seu marido Manué.

10 Apressou-se pois a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquelle homem que veiu a mim o outro dia me appareceu.

11 Então Manué levantou-se, e seguiu a sua mulher, e veiu áquelle homem, e disse-lhe: És tu aquelle homem que fallaste a esta mulher? E disse: Eu sou.

12 Então disse Manué: Cumpram-se as tuas palavras: mas qual será o modo de viver e serviço do menino?

13 E disse o anjo do Senhor a Manué:[252] De tudo quanto eu disse á mulher se guardará ella.

14 De tudo quanto procede da vide de vinho não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, [8] nem coisa immunda comerá: tudo quanto lhe tenho ordenado guardará.

15 Então Manué disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e [9] te preparemos um cabrito.

16 Porém o anjo do Senhor disse a Manué: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o offerecerás ao Senhor. Porque não sabia Manué que fosse o anjo do Senhor.

17 E disse Manué ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome? para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos.

18 E o anjo do Senhor lhe disse: Porque perguntas assim pelo meu nome, [10] visto que é maravilhoso?

19 Então Manué tomou um cabrito [11] e uma offerta de manjares, e os offereceu sobre uma penha ao Senhor: e obrou o anjo maravilhosamente, vendo-o Manué e sua mulher.

20 E succedeu que, subindo a chamma do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chamma do altar: o que vendo Manué e sua mulher, cairam [12] em terra sobre seus rostos.

21 E nunca mais appareceu o anjo do Senhor a Manué, nem a sua mulher: então conheceu Manué [13] que era o anjo do Senhor.

22 E disse Manué a sua mulher: Certamente morreremos, [14] porquanto temos visto a Deus.

23 Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quizera matar, não acceitaria da nossa mão o holocausto e a offerta de manjares, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir taes coisas n’este tempo.

24 Depois pariu esta mulher um filho, e chamou o seu nome [15] Sansão: e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou.

25 E o espirito do Senhor [16] o começou a impellir de quando em quando para o campo de Dan, entre Zora e Estaol.

[1] cap. 2.11 e 3.7 e 4.1 e 6.1 e 10.6.

[2] I Sam. 12.9.

[3] Jos. 19.41.

[4] cap. 6.12. Luc. 1.11, 13, 28, 31.

[5] Num. 6.2, 3. Luc. 1.15.

[6] Num. 6.5. I Sam. 1.11. Num. 6.2. I Sam. 7.13. II Sam. 8.1. I Chr. 18.1.

[7] Deu. 33.1. I Sam. 2.27 e 9.6. I Reis 17.24. Mat. 28.3. Luc. 9.29. Act. 6.15. ver. 17, 18.

[8] ver. 4.

[9] Gen. 18.5. cap. 6.18.

[10] Gen. 32.29.

[11] cap. 6.19, 20.

[12] Lev. 9.24. I Chr. 21.16. Eze. 1.28. Mat. 17.6.

[13] cap. 6.22.

[14] Gen. 32.30. Exo. 33.20. Deu. 5.26. cap. 6.22.

[15] Heb. 11.32. I Sam. 3.19. Luc. 1.80 e 2.52.

[16] cap. 3.10. I Sam. 11.6. Mat. 4.1. Jos. 15.33. cap. 18.11.

O casamento de Sansão.

Antes de Christo 1141

14 E desceu Sansão a [1] Timnatha: e, vendo em Timnatha a uma mulher das filhas dos philisteos,

2 Subiu, e declarou-o a seu pae e sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnatha, das filhas dos philisteos; agora pois, tomae-m’a [2] por mulher.

3 Porém seu pae e sua mãe lhe disseram: Não ha porventura mulher entre as filhas de teus irmãos, [3] nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos philisteos, d’aquelles incircumcisos? E disse Sansão a seu pae: Tomae-me esta, porque ella agrada aos meus olhos.

4 Mas seu pae e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; [4] pois buscava occasião dos philisteos: porquanto n’aquelle tempo os philisteos dominavam [5] sobre Israel.

5 Desceu pois Sansão com seu pae e com sua mãe a Timnatha: e, chegando ás vinhas de Timnatha, eis que um filho de leão, bramando, lhe saiu ao encontro.

6 Então o espirito do Senhor [6] se apossou d’elle tão possantemente que o fendeu d’alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão: porém nem a seu pae nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

7 E desceu, e fallou áquella mulher, e agradou aos olhos de Sansão.

8 E depois de alguns dias voltou elle para a tomar: e, apartando-se do caminho a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão havia um enxame de abelhas com mel.

9 E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo d’elle; e foi-se a seu pae e a sua mãe, e deu-lhes d’elle, e comeram, porém não lhes deu a saber que tomara o mel do corpo do leão.

10 Descendo pois seu pae áquella mulher, fez Sansão ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os mancebos.

11 E succedeu que, como o vissem, tomaram trinta companheiros para estarem com elle.

O enigma de Sansão.

12 Disse-lhes pois Sansão: Vos darei um enigma [7] a adivinhar: e, se nos sete dias das bodas m’o declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençoes e trinta mudas de vestidos.

13 E, se m’o não poderdes declarar, vós me dareis a mim os trinta lençoes e as trinta mudas de vestidos. E elles lhe disseram: Dá-nos o teu enigma a adivinhar, para que o ouçamos.

14 Então lhes disse: Do comedor saiu[253] comida, e doçura saiu do forte. E em tres dias não poderam declarar o enigma.

15 E succedeu que, ao setimo dia, disseram á mulher de Sansão: Persuade a teu marido [8] que nos declare o enigma, para que porventura não queimemos a fogo a ti e á casa de teu pae: chamastes-nos vós aqui para possuir o que é nosso, não é assim?

16 E a mulher de Sansão chorou diante d’elle, e disse: Tão sómente me aborreces, e não me amas; [9] pois déste aos filhos do meu povo um enigma a adivinhar, e ainda m’o não declaraste a mim. E elle lhe disse: Eis que nem a meu pae nem a minha mãe o declarei, e t’o declararia a ti?

17 E chorou diante d’elle os sete dias em que celebravam as bodas: succedeu pois que ao setimo dia lh’o declarou, porquanto o importunava; então ella declarou o enigma aos filhos do seu povo.

18 Disseram-lhe pois os homens d’aquella cidade, ao setimo dia, antes de se por o sol: Que coisa ha mais doce do que o mel? e que coisa ha mais forte do que o leão? E elle lhes disse: Se vós não lavrasseis com a minha novilha, nunca terieis descoberto o meu enigma.

19 Então [10] o espirito do Senhor tão possantemente se apossou d’elle, que desceu aos ascalonitas, e matou d’elles trinta homens, e tomou os seus vestidos, e deu as mudas de vestidos aos que declararam o enigma: porém accendeu-se a sua ira, e subiu á casa de seu pae.

20 E a mulher de Sansão foi dada ao [11] seu companheiro que o acompanhava.

[1] Gen. 38.13. Jos. 15.10. Gen. 34.2.

[2] Gen. 21.21 e 34.4.

[3] Gen. 24.3, 4 e 34.14. Exo. 34.16. Deu. 7.3.

[4] Jos. 11.20. I Reis 12.15. II Reis 6.33. II Chr. 10.15 e 22.7 e 25.20.

[5] cap. 13.1. Deu. 28.48.

[6] cap. 3.10 e 13.25. I Sam. 11.6.

[7] I Sam. 10.1. Eze. 17.2. Luc. 14.7. Gen. 29.27.

[8] cap. 16.5 e 15.6.

[9] cap. 16.15.

[10] cap. 3.10 e 13.25.

[11] cap. 15.2. João 3.29.

Sansão põe fogo ás searas dos philisteos.

15 E aconteceu, depois d’alguns dias, que na sega do trigo Sansão visitou a sua mulher com um cabrito, e disse: Entrarei na camara a minha mulher. Porém o pae d’ella não o deixou entrar.

2 Porque disse seu pae: Por certo dizia eu que de todo a aborrecias: [1] de sorte que a dei ao teu companheiro: porém não é sua irmã mais nova, mais formosa do que ella? toma-a pois em seu logar.

3 Então Sansão disse ácerca d’elles: Innocente sou esta vez para com os philisteos, quando lhes fizer algum mal.

4 E foi Sansão, e tomou trezentas raposas: e, tomando tições, as virou cauda a cauda, e lhes poz um tição no meio de cada duas caudas.

5 E chegou fogo aos tições, e largou-as na seara dos philisteos: e assim abrazou os molhos com a sega do trigo, e as vinhas com os olivaes.

6 Então disseram os philisteos: Quem fez isto? E disseram: Sansão, o genro do Timnatha, porque lhe tomou a sua mulher, e a deu a seu companheiro. Então subiram os philisteos, [2] e queimaram a fogo a ella e a seu pae.

7 Então lhes disse Sansão: Assim o haveis de fazer? pois havendo-me vingado eu de vós então cessarei.

8 E feriu-os com grande ferimento, perna juntamente com côxa: e desceu, e habitou no cume da rocha d’Etam.

9 Então os philisteos subiram, e acamparam-se contra Judah, e estenderam-se por [3] Lechi,

Os homens de Judah amarram a Sansão.

Antes de Christo 1140

10 E disseram os homens de Judah: Porque subistes contra nós? E elles disseram: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a elle como elle nos fez a nós.

11 Então tres mil homens de Judah desceram até á cova da rocha d’Etam, e disseram a Sansão: Não sabias tu que [4] os philisteos dominam sobre nós? porque pois nos fizeste isto? E elle lhes disse: Assim como elles me fizeram a mim, eu lhes fiz a elles.

12 E disseram-lhe: Descemos para te amarrar, para te entregar nas mãos dos philisteos. Então Sansão lhes disse: Jurae-me que vós mesmos me não accommettereis.

13 E elles lhe fallaram, dizendo: Não, mas fortemente te amarraremos, e te entregaremos na sua mão; porém de maneira nenhuma te mataremos. E amarraram-n’o com duas cordas novas e fizeram-n’o subir da rocha.

Sansão fere mil homens com a queixada d’um jumento.

14 E, vindo elle a Lechi, os philisteos lhe sairam ao encontro, jubilando: porém [5] o espirito do Senhor possantemente se apossou d’elle, e as cordas que elle tinha nos braços se tornaram como fios de linho que se queimaram no fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.

15 E achou uma queixada fresca d’um jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu [6] com ella mil homens,

16 Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento um montão, dois montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens.

17 E aconteceu que, acabando elle de[254] fallar, lançou a queixada da sua mão: e chamou áquelle logar [IY] Ramath-lechi.

18 E como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu servo [7] tu déste esta grande salvação: morrerei eu pois agora de sede, e cairei na mão d’estes incircumcisos?

19 Então o Senhor fendeu a caverna que estava em [IZ] Lechi; e saiu d’ella agua, e bebeu; e o seu espirito tornou, [8] e reviveu: pelo que chamou o seu nome: A fonte do que clama, que está em Lechi até ao dia d’hoje.

20 E julgou a Israel, [9] nos dias dos philisteos, vinte annos.

[1] cap. 14.20.

[2] cap. 14.15.

[3] ver. 19.

[4] cap. 14.4.

[5] cap. 3.10 e 14.6.

[6] Lev. 26.8. Jos. 23.10. cap. 3.31.

[7] Psa. 3.7.

[8] Gen. 45.27. Isa. 40.29.

[9] cap. 13.1.

Sansão é trahido por Dalila.

Antes de Christo 1120

16 E foi-se Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ella.

2 E foi dito aos gazitas: Sansão entrou [1] aqui. Foram pois em roda, e toda a noite lhe puzeram espias á porta da cidade: porém toda a noite estiveram socegados, dizendo: Até á luz da manhã esperaremos; então o mataremos.

3 Porém Sansão deitou-se até á meia noite, e á meia noite se levantou, e travou das portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os hombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebron.

4 E depois d’isto aconteceu que se affeiçoou a uma mulher do valle de Sorec, cujo nome era Dalila.

5 Então os principes dos philisteos subiram a ella, e lhe disseram: Persuade-o, [2] e vê, em que consiste a sua grande força, e com que poderiamos assenhorear-nos d’elle e amarral-o, para assim o affligirmos: e te daremos cada um mil e cem [JA] moedas de prata.

6 Disse pois Dalila a Sansão: Declara-me, peco-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem affligir.

7 Disse-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete vergas de vimes frescos, que ainda não estivessem seccos, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.

8 Então os principes dos philisteos lhe trouxeram sete vergas de vimes frescos, que ainda não estavam seccos: e amarrou-o com ellas.

9 E os espias estavam assentados com ella n’uma camara. Então ella lhe disse: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. Então quebrou as vergas de vimes, como se quebra o fio da estopa ao cheiro do fogo; assim não se soube em que consistia a sua força.

10 Então disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste mentiras: ora declara-me agora com que poderias ser amarrado.

11 E elle lhe disse: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, com que se não houvesse feito obra nenhuma, então me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.

12 Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com ellas, e disse-lhe: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. E os espias estavam assentados n’uma camara. Então as quebrou de seus braços como um fio.

13 E disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras; declara-me pois agora com que poderias ser amarrado? E elle lhe disse: Se teceres sete tranças dos cabellos da minha cabeça com os liços da têa.

14 E ella as fixou com uma estaca, e disse-lhe: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. Então despertou do seu somno, e arrancou a estaca das tranças tecidas, juntamente com o liço da têa.

15 Então ella lhe disse: Como dirás: Tenho-te amor, [3] não estando comigo o teu coração? já tres vezes zombaste de mim, e ainda me não declaraste em que consiste a tua força.

16 E succedeu que, importunanado-o ella todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até á morte.

17 E descobriu-lhe todo o seu coração, [4] disse-lhe: Nunca subiu navalha á minha cabeça, porque sou nazireo de Deus desde o ventre de minha mãe: se viesse a ser rapado, ir-se-hia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como todos os mais homens.

18 Vendo pois Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou, e chamou os principes dos philisteos, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu elle todo o seu coração. E os principes dos philisteos subiram a ella, e trouxeram o dinheiro na sua mão.

19 Então ella o fez dormir [5] sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabello de sua cabeça: e começou a affligil-o, e retirou-se d’elle a sua força.

20 E disse ella: Os philisteos veem sobre ti, Sansão. E despertou do seu somno, e disse: Sairei ainda esta vez[255] como d’antes, e me sacudirei. Porque elle não sabia que já o Senhor se tinha retirado [6] d’elle.

21 Então os philisteos pegaram n’elle, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-n’o descer a Gaza, e amarraram-n’o com duas cadeias de bronze, e andava elle moendo no carcere.

22 E o cabello da sua cabeça lhe começou a ir crescendo, como quando foi rapado.

Sansão faz cair o templo de Dagon.

23 Então os principes dos philisteos se ajuntaram para offerecer um grande sacrificio ao seu deus Dagon, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.

24 Similhantemente, vendo-o o povo, [7] louvavam ao seu deus; porque diziam: Nosso deus nos entregou na mão o nosso inimigo, e ao que destruia a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos.

25 E succedeu que, alegrando-se-lhes [8] o coração, disseram: Chamae a Sansão, para que brinque diante de nós. E chamaram a Sansão do carcere, e brincou diante d’elles, e fizeram-n’o estar em pé entre as columnas.

26 Então disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Guia-me para que apalpe as columnas em que se sustém a casa, para que me encoste a ellas.

27 Ora estava a casa cheia de homens e mulheres: e tambem ali estavam todos os principes dos philisteos: e sobre o telhado havia alguns tres mil homens e mulheres, [9] que estavam vendo brincar Sansão.

28 Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: Senhor Jehovah, peço-te que te lembres [10] de mim, e esforça-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos philisteos, pelos meus dois olhos.

29 Abraçou-se pois Sansão com as duas columnas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre ellas, com a sua mão direita n’uma, e com a sua esquerda na outra.

30 E disse Sansão: Morra eu com os philisteos. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os principes e sobre todo o povo que n’ella havia: e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.

31 Então seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pae, e tomaram-n’o, e subiram com elle, e sepultaram-n’o [11] entre Tsora e Estaol, no sepulchro de Manué, seu pae: e julgou elle a Israel vinte annos.

[1] I Sam. 23.26. Act. 9.24.

[2] cap. 14.15. Pro. 2.16-19 e 5.3-11 e 6.24, 25, 26 e 7.21, 22, 23.

[3] cap. 14.16.

[4] Miq. 7.5. Num. 6.5.

[5] Pro. 7.26, 27.

[6] Num. 14.9, 42, 43. Jos. 7.12. I Sam. 16.14 e 18.12 e 28.15, 16. II Chr. 15.2.

[7] Dan. 5.4.

[8] cap. 9.27.

[9] Deu. 22.8.

[10] Jer. 15.15.

[11] cap. 13.25.

Micah e o idolo da sua casa.

Antes de Christo 1406

17 E havia um homem da montanha d’Ephraim, cujo nome era Micah.

2 O qual disse a sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa deitavas maldições, e tambem as disseste em meus ouvidos, eis que este dinheiro eu o tenho, eu o tomei. Então disse sua mãe: Bemdito [1] seja meu filho do Senhor.

3 Assim restituiu as mil e cem moedas de prata a sua mãe: porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor para meu filho, para fazer uma imagem [2] de esculptura e de fundição: de sorte que agora t’o tornarei a dar.

4 Porém elle restituiu aquelle dinheiro a sua mãe: e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez d’ellas uma imagem [3] de esculptura e de fundição, e esteve em casa de Micah.

5 E teve este homem, Micah, uma casa de deuses: e fez um ephod [4] e teraphins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote.

6 N’aquelles dias [5] não havia rei em Israel: cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos.

O levita em casa de Micah.

7 E havia um mancebo de Beth-lehem de Judah, da tribu de Judah, [6] que era levita, e peregrinava ali.

8 E este homem partiu da cidade de Beth-lehem de Judah para peregrinar onde quer que achasse commodidade: chegando elle pois á montanha d’Ephraim, até á casa de Micah, seguindo o seu caminho.

9 Disse-lhe Micah: D’onde vens? E elle lhe disse: Sou levita de Beth-lehem de Judah, e vou peregrinar onde quer que achar commodidade.

10 Então lhe disse Micah: Fica commigo, e sê-me [7] por pae e sacerdote; e cada anno te darei dez moedas de prata, e vestuario, e o teu sustento. E o levita entrou.

[256]

11 E consentiu o levita em ficar com aquelle homem: e este mancebo lhe foi como um de seus filhos.

12 E consagrou Micah ao levita, [8] e aquelle mancebo lhe foi por sacerdote; e esteve em casa de Micah.

13 Então disse Micah: Agora sei que O Senhor me fará bem: porquanto tenho um levita por sacerdote.

[1] Gen. 14.19. Ruth 3.10.

[2] Exo. 24.4, 23. Lev. 19.4.

[3] Isa. 46.6.

[4] cap. 8.27. Gen. 31.19, 30. Ose. 3.4.

[5] cap. 18.1 e 19.1 e 21.25. Deu. 33.5 e 12.8.

[6] Jos. 19.15. cap. 19.1. Ruth 1.1, 2. Miq. 5.2. Mat. 2.1, 5, 6.

[7] cap. 18.19. Gen. 45.8. Job 29.16.

[8] ver. 5. cap. 18.30.

Os daneos buscam uma herança e tomam Lais.

18 N’aquelles dias [1] não havia rei em Israel: e nos mesmos dias a tribu dos daneos buscava para si herança para habitar; porquanto até áquelle dia entre as tribus d’Israel lhe não havia caido em herança bastante sorte.

2 E enviaram os filhos de Dan [2] da sua tribu cinco homens dos seus confins, homens valorosos, de Zora e de Estaol, a espiar e rastejar a terra; e lhes disseram: Ide, rastejae a terra. E vieram á montanha d’Ephraim, até á casa de Micah, [3] e passaram ali a noite.

3 E quando elles estavam junto da casa de Micah, conheceram a voz do mancebo, do levita; e chegaram-se para lá, e lhe disseram: Quem te trouxe aqui, que fazes aqui, e que é o que tens aqui?

4 E elle lhes disse: Assim e assim me tem feito Micah; pois me tem alugado, e eu [4] lhe sirvo de sacerdote.

5 Então lhe disseram: [5] Ora pergunta a Deus, para que possamos saber se prosperará o caminho que levamos.

6 E disse-lhes o sacerdote: Ide em paz; [6] o caminho que levardes está perante o Senhor.

7 Então foram-se aquelles cinco homens, e vieram a Lais; [7] e viram que o povo que havia no meio d’ella estava seguro, conforme ao costume dos sidonios, quieto e confiado; nem havia possessor algum do reino que por causa alguma envergonhasse a alguem n’aquella terra: tambem estavam longe doa sidonios, e não tinham que fazer com ninguem.

8 Então voltaram a seus irmãos, a Zora [8] e a Estaol: e seus irmãos lhes disseram: Que dizeis vós?

9 E elles disseram: Levantae-vos, [9] e subamos a elles; porque examinámos a terra, e eis que é muitissimo boa; pois estareis tranquillos? [10] não sejaes preguiçosos em irdes para entrar a possuir esta terra.

10 Quando lá chegardes, vereis a um povo confiado, [11] e a terra é larga de extensão; porque Deus vol-a entregou na mão; logar em que não ha falta de coisa alguma que ha na terra.

11 Então partiram d’ali, da tribu dos daneos, de Zora e d’Estaol, seiscentos homens armados de armas de guerra.

12 E subiram, e acamparam-se em Kiriath-jearim, [12] em Judah; pelo que chamaram a este logar Mahaneh-dan, até ao dia de hoje; eis que está por detraz de Kiriath-jearim.

13 E d’ali passaram á montanha d’Ephraim; e vieram até [13] á casa de Micah.

Os daneos levam da casa de Micah a imagem e o levita.

14 Então responderam os cinco homens, que foram espiar a terra de Lais, e disseram [14] a seus irmãos: Sabeis vós tambem que n’aquellas casas [15] ha um ephod, e terafins, e imagem de esculptura e de fundição? vêde pois agora o que haveis de fazer.

15 Então foram-se para lá, e vieram á casa do mancebo, o levita, em casa de Micah, e o saudaram.

16 E os seiscentos [16] homens, que eram dos filhos de Dan, armados de suas armas de guerra, ficaram á entrada da porta.

17 Porém subindo os cinco homens, que foram espiar a terra, [17] entraram n’ella, e tomaram a imagem d’esculptura, o ephod, e os terafins, e a imagem de fundição, ficando o sacerdote em pé á entrada da porta, com os seiscentos homens que estavam armados com as armas de guerra.

18 Entrando elles pois em casa de Micah, e tomando a imagem de esculptura, e o ephod, e os terafins, e a imagem de fundição, disse-lhes o sacerdote: Que estaes fazendo?

19 E elles lhe disseram: Cala-te, põe [18] a mão na bocca, e vem comnosco, e sê-nos por pae e sacerdote: é-te melhor que sejas sacerdote da casa d’um só homem, do que ser sacerdote d’uma tribu e d’uma geração em Israel?

20 Então alegrou-se o coração do sacerdote, e tomou o ephod, e os terafins,[257] e a imagem de esculptura: e entrou no meio do povo.

21 Assim viraram, e partiram: e os meninos, e o gado, e a bagagem puzeram diante de si.

22 E, estando já longe da casa de Micah, os homens que estavam nas casas junto á casa de Micah, se convocaram, e alcançaram os filhos de Dan.

23 E clamaram após dos filhos de Dan, os quaes viraram os seus rostos, e disseram a Micah: Que tens, que assim te convocaste?

24 Então elle disse: Os meus deuses, que eu fiz, me tomastes, juntamente com o sacerdote, e vos fostes; que mais me fica agora? Como pois me dizeis: Que é o que tens?

25 Porém os filhos de Dan lhe disseram: Não nos faças ouvir a tua voz, para que porventura homens de animo amargoso não se lancem sobre vós, e tu percas a tua vida, e a vida dos da tua casa.

26 Assim seguiram o seu caminho os filhos de Dan: e Micah, vendo que eram mais fortes do que elle, voltou, e tornou-se a sua casa.

27 Elles pois tomaram o que Micah tinha feito, e o sacerdote que tivera, e vieram a Lais, a [19] um povo quieto e confiado, e os feriram ao fio da espada, e queimaram a cidade a fogo.

28 E ninguem houve que os livrasse, porquanto estavam longe de Sidon, [20] e não tinham que fazer com ninguem, e a cidade estava no valle que está junto a Beth-rechob: [21] depois reedificaram a cidade e habitaram n’ella.

29 E chamaram o nome [22] da cidade Dan, conforme ao nome de Dan, seu pae, que nascera a Israel: sendo porém d’antes o nome d’esta cidade Lais.

30 E os filhos de Dan levantaram para si aquella imagem de esculptura: e Jonathan, filho de Gerson, o filho de Manasseh, elle e seus filhos foram sacerdotes da tribu dos daneos, até [23] ao dia do captiveiro da terra.

31 Assim pois a imagem d’esculptura que fizera Micah, estabeleceram entre si, todos os dias que a [24] casa de Deus esteve em Silo.

[1] cap. 17.6 e 21.25. Jos. 19.47.

[2] cap. 13.25. Num. 13.17. Jos. 2.1.

[3] cap. 17.1.

[4] cap. 17.10.

[5] I Reis 22.5. Isa. 30.1. Ose. 4.12. cap. 17.5. ver. 14.

[6] I Reis 22.6.

[7] Jos. 19.47. ver. 27, 28.

[8] ver. 2.

[9] Num. 13.30. Jos. 2.23, 24.

[10] I Reis 23.3.

[11] ver. 7, 27. Deu. 8.9.

[12] Jos. 15.60.

[13] ver. 2.

[14] I Sam. 14.28.

[15] cap. 17.5.

[16] ver. 11.

[17] ver. 2, 14. cap. 17.4, 5.

[18] Job 21.5 e 29.9 e 40.4. Pro. 30.32. Miq. 7.16. cap. 17.10.

[19] ver. 7, 10. Deu. 33.22. Jos. 19.47.

[20] ver. 7.

[21] Num. 13.21. II Sam. 10.6.

[22] Jos. 19.47. Gen. 14.14. cap. 20.1. I Reis 12.29, 30 e 15.20.

[23] cap. 13.1. I Sam. 4.2, 3, 10, 11. Psa. 78.60, 61.

[24] Jos. 18.1. cap. 19.18 e 21.12.

Os homens de Gibeah abusam da mulher d’um levita.

19 Aconteceu tambem n’aquelles dias, em que não havia rei em Israel que, houve um homem levita, que peregrinando [1] aos lados da montanha de Ephraim, tomou para si uma mulher concubina, de Beth-lehem [2] de Judah.

2 Porém a sua concubina fornicou contra elle, e foi-se d’elle para casa de seu pae, a Beth-lehem de Judah, e esteve ali alguns dias, a saber, quatro mezes.

3 E seu marido se levantou, e partiu após d’ella, para lhe fallar conforme ao seu coração, e para tornar a trazel-a: e o seu moço e um par de jumentos iam com elle: e ella o levou a casa de seu pae, e, vendo-o o pae da moça, alegrou-se ao encontrar-se com elle.

4 E seu sogro, o pae da moça, o deteve, e ficou com elle tres dias: e comeram e beberam, e passaram ali a noite.

5 E succedeu que ao quarto dia pela manhã madrugaram, e elle levantou-se para partir: então o pae da moça disse a seu genro: Conforta o teu coração com [3] um bocado de pão, e depois partireis.

6 Assentaram-se pois, e comeram ambos juntos, e beberam; e disse o pae da moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passal-a aqui, e alegre-se o teu coração.

7 Porém o homem levantou-se para partir: mas seu sogro o constrangeu a tornar a passar ali a noite.

8 E, madrugando ao quinto dia pela manhã para partir, disse o pae da moça: Ora conforta o teu coração. E detiveram-se até já declinar o dia: e ambos juntos comeram.

9 Então o homem levantou-se para partir, elle, e a sua concubina, e o seu moço: e disse-lhe seu sogro, o pae da moça: Eis que já o dia se abaixa, e a tarde vem entrando, peço-te que aqui passes a noite; eis que o dia vae acabando, passa aqui a noite, e que o teu coração se alegre; e ámanhã de madrugada levantae-vos a caminhar, e vae-te para a tua tenda.

10 Porém o homem não quiz ali passar a noite, mas levantou-se, e partiu, e veiu até defronte de [4] Jebus (que é Jerusalem), e com elle o par de jumentos albardados, como tambem a sua concubina.

11 Estando pois já perto de Jebus, e tendo-se declinado muito o dia, disse o moço a seu senhor: Caminhae agora, e retiremo-nos a esta cidade dos jebuseos, [5] e passemos ali a noite.

12 Porém disse-lhe seu senhor: Não nos retiraremos a nenhuma cidade estranha,[258] que não seja dos filhos de Israel: mas passaremos até [6] Gibeah.

13 Disse mais a seu moço; Caminha, e cheguemos a um d’aquelles logares, e passemos em Gibeah ou em [7] Ramah.

14 Passaram pois adiante, e caminharam, e o sol se lhes poz junto a Gibeah, que é cidade de Benjamin.

15 E retiraram-se para lá, para entrarem a passar a noite em Gibeah; e, entrando elle, assentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em casa para ali [8] passarem a noite.

16 E eis que um homem velho vinha á tarde do seu trabalho do campo; e era este homem da montanha de Ephraim, mas peregrinava em Gibeah: eram porém os homens d’este logar filhos de Benjamin.

17 Levantando elle pois os olhos, viu a este passageiro na praça da cidade, e disse o velho: Para onde vaes, e d’onde vens?

18 E elle lhe disse: Passamos de Beth-lehem de Judah até aos lados da montanha de Ephraim, d’onde sou; porquanto fui a Beth-lehem de Judah: porém agora vou [9] á casa do Senhor; e ninguem ha que me recolha em casa,

19 Ainda que ha palha e pasto para os nossos jumentos, e tambem pão e vinho ha para mim, e para a tua serva, e para o moço que vem com os teus servos: de coisa nenhuma ha falta.

20 Então disse o velho: Paz seja comtigo; [10] tudo quanto te faltar fique ao meu cargo: tão sómente não passes a noite na praça,

21 E trouxe-o a [11] sua casa, e deu pasto aos jumentos: e, lavando-se os pés, comeram e beberam.

22 Estando elles alegrando o seu coração, eis que os homens d’aquella cidade [12] (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo á porta; e fallaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Tira para fóra o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos.

23 E o homem, senhor da [13] casa, saiu a elles, e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façaes similhante mal: já que este homem entrou em minha casa, não façaes tal loucura.

24 Eis que a minha filha [14] virgem e a concubina d’elle vol-as tirarei fóra; humilhae-as a ellas, e fazei d’ellas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façaes loucura similhante.

25 Porém aquelles homens não o quizeram ouvir: então aquelle homem pegou da sua concubina, e lh’a tirou para fóra: [15] e elles a conheceram e abusaram d’ella toda a noite até pela manhã, e, subindo a alva, a deixaram.

26 E ao romper da manhã veiu a mulher, e caiu á porta da casa d’aquelle homem, onde estava seu senhor, e ficou ali até que se fez claro.

27 E, levantando-se seu senhor pela manhã, e abrindo as portas da casa, e saindo a seguir o seu caminho, eis que a mulher, sua concubina, jazia á porta da casa, com as mãos sobre o limiar.

28 E elle lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos, porém não respondeu; [16] então pôl-a sobre o jumento, e levantou-se o homem, e foi-se para o seu logar.

29 Chegando pois á sua casa, tomou um cutelo, e pegou na sua concubina, e a despedaçou [17] com os seus ossos em doze partes: e enviou-as por todos os termos de Israel.

30 E succedeu que cada um que tal via dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos d’Israel subiram da terra do Egypto, até ao dia d’hoje: ponderae isto no coração, [18] considerae, e fallae.

[1] cap. 17.6 e 18.1 e 21.25.

[2] cap. 17.7.

[3] Gen. 18.5.

[4] Jos. 18.28.

[5] Jos. 15.8, 63. cap. 1.21. II Sam. 5.6.

[6] Jos. 18.28.

[7] Jos. 18.25.

[8] Mat. 25.43. Heb. 13.2.

[9] Jos. 18.1. cap. 18.31 e 20.18. I Sam. 1.3, 7.

[10] Gen. 43.23. cap. 6.23. Gen. 19.2.

[11] Gen. 24.32 e 43.24 e 18.4. João 13.5.

[12] Gen. 19.4. cap. 20.5. Ose. 9.9 e 10.9. Deu. 13.13. Gen. 19.5. Rom. 1.26, 27.

[13] Gen. 19.6, 7. II Sam. 13.12.

[14] Gen. 19.8 e 34.2. Deu. 21.14.

[15] Gen. 4.1.

[16] cap. 20.5.

[17] cap. 20.6. I Sam. 11.7.

[18] cap. 20.7. Pro. 13.10.

Os israelitas vingam o ultrage feito ao levita.

20 Então todos [1] os filhos d’Israel sairam, e a congregação se ajuntou, como se fôra um só homem, desde Dan até [2] Berseba como tambem a terra de Gilead, ao Senhor em Mispah.

2 E dos cantos de todo o povo se apresentaram de todas as tribus d’Israel na congregação do povo de Deus quatrocentos mil homens de pé [3] que arrancavam a espada.

3 (Ouviram pois os filhos de Benjamin que os filhos d’Israel haviam subido a Mispah) E disseram os filhos de Israel: Fallae, como succedeu esta maldade?

4 Então respondeu o homem levita, marido da mulher que fôra morta, e disse: Cheguei com a minha concubina a [4] Gibeah cidade de Benjamin, para passar a noite;

[259]

5 E os cidadãos de [5] Gibeah se levantaram contra mim, e cercaram a casa de noite: intentaram matar-me, e violaram a minha concubina, de maneira que morreu.

6 Então peguei [6] na minha concubina, e fil-a em pedaços, e a enviei por toda a terra da herança d’Israel: porquanto fizeram tal maleficio e loucura em Israel.

7 Eis que todos [7] sois filhos d’Israel: dae aqui a vossa palavra e conselho.

8 Então todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum de nós irá á sua tenda nem nenhum de nós se retirará á sua casa.

9 Porém isto é o que faremos a Gibeah: procederemos contra ella por sorte.

10 E tomaremos dez homens de cem de todas as tribus d’Israel, e cem de mil, e mil de dez mil, para tomarem mantimento para o povo: para que, vindo elles a Gibeah de Benjamin, lhe façam conforme a toda a loucura que tem feito em Israel.

11 Assim ajuntaram-se contra esta cidade todos os homens d’Israel, alliados como um só homem.

12 E as tribus d’Israel enviaram homens por toda a tribu [8] de Benjamin, dizendo: Que maldade é esta que se fez entre vós?

13 Dae-nos pois agora aquelles homens, [9] filhos de Belial, que estão em Gibeah, para que os matemos, e tiremos d’Israel o mal: porém os filhos de Benjamin não quizeram ouvir a voz de seus irmãos, os filhos d’Israel.

14 Antes os filhos de Benjamin se ajuntaram das cidades em Gibeah, para sairem a pelejar contra os filhos d’Israel.

15 E contaram-se n’aquelle dia os filhos de Benjamin, das cidades, vinte e seis mil homens que arrancavam a espada, afóra os moradores de Gibeah, de que se contaram setecentos homens escolhidos.

16 Entre todo este povo havia setecentos homens escolhidos, [10] canhotos, os quaes todos atiravam com a funda uma pedra a um cabello, e não erravam.

17 E contaram-se dos homens d’Israel, afóra os de Benjamin, quatrocentos mil homens que arrancavam da espada, e todos elles homens de guerra.

18 E levantaram-se [11] os filhos d’Israel, e subiram a Beth-el, e perguntaram a Deus, e disseram: Quem d’entre nós subirá o primeiro a pelejar contra Benjamin? E disse o Senhor: Judah subirá primeiro.

19 Levantaram-se pois os filhos d’Israel pela manhã, e acamparam-se contra Gibeah.

20 E os homens d’Israel sairam á peleja contra Benjamin: e ordenaram os homens d’Israel contra elles a peleja ao pé de Gibeah.

21 Então os filhos de Benjamin sairam [12] de Gibeah, e derribaram por terra n’aquelle dia vinte e dois mil homens d’Israel.

22 Porém esforçou-se o povo dos homens d’Israel, e tornaram a ordenar a peleja no logar onde no primeiro dia a tinham ordenado.

23 E subiram os filhos d’Israel, e choraram [13] perante o Senhor até á tarde, e perguntaram ao Senhor, dizendo: Tornar-me-hei a chegar á peleja contra os filhos de Benjamin, meu irmão? E disse o Senhor: Subi contra elle.

24 Chegaram-se pois os filhos d’Israel aos filhos de Benjamin, no dia seguinte.

25 Tambem os de Benjamin no dia seguinte lhes sairam [14] ao encontro fóra de Gibeah, e derribaram ainda por terra mais dezoito mil homens, todos dos que arrancavam a espada.

26 Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, [15] e vieram a Beth-el, e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquelle dia até á tarde: e offereceram holocaustos e offertas pacificas perante o Senhor.

27 E os filhos d’Israel perguntaram ao Senhor (porquanto a [16] arca do concerto de Deus estava ali n’aquelles dias;

28 E Phineas, [17] filho d’Eleazar, filho d’Aarão, estava perante elle n’aquelles dias), dizendo: Sairei ainda mais a pelejar contra os filhos de Benjamin, meu irmão, ou pararei? E disse o Senhor; Subi, que ámanhã eu t’o entregarei na mão.

29 Então Israel poz emboscadas [18] em redor de Gibeah.

30 E subiram os filhos d’Israel ao terceiro dia contra os filhos de Benjamin, e ordenaram a peleja junto a Gibeah, como das outras vezes.

31 Então os filhos de Benjamin sairam ao encontro do povo, e desviaram-se da cidade: e começaram a ferir alguns do povo, atravessando-os, como das outras vezes, pelos caminhos (um dos quaes sobe para Beth-el, e o outro para Gibeah pelo campo), alguns trinta dos homens d’Israel.

[260]

32 Então os filhos de Benjamin disseram: Vão derrotados diante de nós como d’antes. Porém os filhos d’Israel disseram: Fujamos, e desviemol-os da cidade para os caminhos.

33 Então todos os homens de Israel se levantaram do seu logar, e ordenaram, a peleja em Baal-tamar: e a emboscada d’Israel saiu do seu logar, da caverna de Gibeah.

34 E dez mil homens escolhidos de todo o Israel vieram contra Gibeah, e a peleja se engraveceu: porém elles não sabiam [19] que o mal lhes tocaria.

35 Então feriu o Senhor a Benjamin diante d’Israel; e desfizeram os filhos d’Israel n’aquelle dia vinte e cinco mil e cem homens de Benjamin, todos dos que arrancavam espada.

36 E viram os filhos de Benjamin que estavam feridos: porque os homens [20] d’Israel deram logar aos benjamitas, porquanto estavam confiados na emboscada que haviam posto contra Gibeah.

37 E a [21] emboscada se apressou, e accommetteu a Gibeah: e a emboscada arremetteu contra ella, e feriu ao fio da espada toda a cidade.

38 E os homens d’Israel tinham um signal determinado com a emboscada, que era quando fizessem levantar da cidade uma grande nuvem de fumo.

39 Viraram-se pois os homens d’Israel na peleja; e já Benjamin começava a ferir, dos homens de Israel, quasi trinta homens, atravessando-os, porque diziam: Já infallivelmente estão derrotados diante de nós, como na peleja passada.

40 Então a nuvem de fumo se começou a levantar da cidade, como uma columna de fumo: e, virando-se Benjamin a olhar para [22] traz de si, eis que o fumo da cidade subia ao céu.

41 E os homens d’Israel viraram os rostos, e os homens de Benjamin pasmaram; porque viram que o mal lhes tocaria.

42 E viraram as costas diante dos homens d’Israel, para o caminho do deserto; porém a peleja os apertou; e os das cidades os desfizeram no meio d’elles.

43 E cercaram a Benjamin, e o seguiram, e descançadamente o pisaram, até diante de Gibeah, para o nascente do sol.

44 E cairam de Benjamin dezoito mil homens, todos estes sendo homens valentes.

45 Então viraram as costas, e fugiram para o deserto, á penha de Rimmon; [23] rabiscaram ainda d’elles pelos caminhos uns cinco mil homens: e de perto os seguiram até Gideon, e feriram d’elles dois mil homens.

46 E foram todos os que de Benjamin n’aquelle dia cairam vinte e cinco mil homens que arrancavam a espada, todos elles homens valentes.

47 Porém seiscentos homens viraram as costas e fugiram para o deserto, á penha de [24] Rimmon: e ficaram na penha de Rimmon quatro mezes.

48 E os homens d’Israel voltaram para os filhos de Benjamin, e os feriram ao fio da espada, desde os homens da cidade até aos animaes, até a tudo quanto se achava, como tambem a todas as cidades quantas se acharam pozeram a fogo.

[1] Deu. 13.12. Jos. 22.12. cap. 21.5. I Sam. 11.7.

[2] cap. 18.29. I Sam. 3.20. II Sam. 3.10 e 24.2. Jui. 10.17 e 11.11. I Sam. 7.5 e 10.17.

[3] cap. 8.10.

[4] cap. 19.15.

[5] cap. 19.22, 25, 26.

[6] cap. 19.29. Jos. 7.15.

[7] cap. 19.30.

[8] Deu. 13.14. Jos. 22.13, 16.

[9] Deu. 13.13. cap. 19.22. Deu. 17.12.

[10] cap. 3.15. I Chr. 12.2.

[11] ver. 23, 26. Num. 27.21. cap. 1.1.

[12] Gen. 49.27.

[13] ver. 26, 27.

[14] ver. 21.

[15] ver. 18.

[16] Jos. 18.1. I Sam. 4.3, 4.

[17] Jos. 24.33. Deu. 10.8 e 18.5.

[18] Jos. 8.4.

[19] Jos. 8.14. Isa. 47.11.

[20] Jos. 8.15.

[21] Jos. 8.19.

[22] Jos. 8.20.

[23] Jos. 15.32.

[24] cap. 21.13.

A ruina de Jabes Gilead.

Antes de Christo 1322

21 Ora tinham jurado [1] os homens d’Israel em Mispah, dizendo: Nenhum de nós dará sua filha por mulher aos benjamitas.

2 Veiu pois o povo a [2] Beth-el, e ali ficaram até á tarde diante de Deus: e levantaram a sua voz, e prantearam com grande pranto,

3 E disseram: Ah! Senhor Deus d’Israel, porque succedeu isto em Israel, que hoje falte uma tribu em Israel?

4 E succedeu que, no dia seguinte, o povo pela manhã se levantou, e edificou ali [3] um altar; e offereceram holocaustos e offertas pacificas.

5 E disseram os filhos d’Israel: Quem de todas as tribus d’Israel não subiu ao ajuntamento ao Senhor? Porque se tinha feito um grande juramento [4] ácerca dos que não viessem ao Senhor a Mispah, dizendo: Morrerá certamente.

6 E arrependeram-se os filhos d’Israel ácerca de Benjamin, seu irmão, e disseram: Cortada é hoje d’Israel uma tribu.

7 Que faremos, ácerca de mulheres, com os que ficaram de resto, pois nós temos jurado pelo Senhor que nenhuma de nossas filhas lhes dariamos por mulheres?

8 E disseram: Ha alguma das tribus d’Israel que não subisse ao Senhor a Mispah? E eis que ninguem de Jabes de Gilead [5] viera ao arraial, á congregação.

9 Porquanto o povo se contou: e eis que nenhum dos moradores de Jabes de Gilead se achou ali.

10 Então o ajuntamento enviou lá doze mil homens dos mais valentes, e lhes ordenou, dizendo: Ide, [6] e ao fio da espada feri aos moradores de Jabes de Gilead, e ás mulheres e aos meninos.

11 Porém isto é o que haveis de fazer: A todo [7] o macho e a toda a mulher que se houver deitado com um homem totalmente destruireis.

12 E acharam entre os moradores de Jabes de Gilead quatrocentas moças virgens, que não conheceram homem deitando-se com macho: e as trouxeram ao arraial, a Silo, [8] que está na terra de Canaan.

Dão-se quatrocentas mulheres aos benjamitas.

13 Então todo o ajuntamento enviou, e fallou aos filhos de Benjamin, que estavam na penha de Rimmon, [9] e lhes proclamou a paz.

14 E ao mesmo tempo voltaram os benjamitas; e deram-lhes as mulheres que haviam guardado com vida, das mulheres de Jabes de Gilead: porém estas ainda lhes não bastaram.

15 Então o povo [10] se arrependeu por causa de Benjamin: porquanto o Senhor tinha feito abertura nas tribus d’Israel.

16 E disseram os anciãos do ajuntamento: Que faremos ácerca de mulheres para os que ficaram de resto? pois as mulheres são destruidas de Benjamin.

17 Disseram mais: A herança dos que ficaram de resto é de Benjamin, e nenhuma tribu de Israel deve ser destruida.

18 Porém nós não lhes poderemos dar mulheres de nossas filhas, porque os filhos d’Israel juraram, [11] dizendo: Maldito aquelle que der mulher aos benjamitas.

19 Então disseram: Eis que de anno em anno ha solemnidade do Senhor em Silo, que se celebra para o norte de Beth-el, da banda do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Beth-el a Sichem, e para o sul de Lebona.

20 E mandaram aos filhos de Benjamin, dizendo: Ide, e emboscae-vos nas vinhas,

21 E olhae, e eis ahi, saindo as filhas de Silo a dançar em ranchos, [12] sahi vós das vinhas, e arrebatae-vos cada um sua mulher das filhas de Silo, e ide-vos á terra de Benjamin.

22 E será que, quando seus paes ou seus irmãos vierem a litigar comnosco, nós lhes diremos: Por amor de nós, tende compaixão d’elles, pois n’esta guerra não tomámos mulheres para cada um d’elles: porque não lh’as déstes vós, para que agora ficasseis culpados?

23 E os filhos de Benjamin o fizeram assim, e levaram mulheres conforme ao numero d’elles, das que arrebatavam dos ranchos que dançavam: e foram-se, e voltaram á sua herança, e reedificaram as [13] cidades, e habitaram n’ellas.

24 Tambem os filhos d’Israel partiram então d’ali, cada um para a sua tribu e para a sua geração: e sairam d’ali, cada um para a sua herança.

25 N’aquelles dias não havia rei em Israel: [14] porém cada um fazia o que parecia recto aos seus olhos.

[1] cap. 20.1.

[2] cap. 20.18, 26.

[3] II Sam. 24.25.

[4] cap. 5.23.

[5] I Sam. 11.1 e 31.11.

[6] ver. 5. cap. 5.23. I Sam. 11.7.

[7] Num. 31.17.

[8] Jos. 18.1.

[9] cap. 20.47.

[10] ver. 6.

[11] ver. 1. cap. 11.35.

[12] Exo. 15.20. cap. 11.14. I Sam. 18.6. Jer. 31.13.

[13] cap. 20.48.

[14] cap. 17.6 e 18.1 e 19.1. Deu. 12.8.

[261]


O LIVRO DE RUTH.

Noemi e suas noras Orpha e Ruth.

Antes de Christo 1312

1 E succedeu que, nos dias em que os juizes [1] julgavam, houve uma fome na terra: pelo que um homem de Beth-lehem de Judah saiu [2] a peregrinar nos campos de Moab, elle e sua mulher, e seus dois filhos:

2 E era o nome d’este homem Elimelech, e o nome de sua mulher [JB] Noemi, e os nomes de seus dois filhos Mahon e Chilion, ephrateos, [3] de Beth-lehem de Judah: e vieram aos campos de Moab, [4] e ficaram ali.

3 E morreu Elimelech, marido de Noemi: e ficou ella com os seus dois filhos,

4 Os quaes tomaram para si mulheres moabitas: e era o nome d’uma Orpha, e o nome da outra Ruth; e ficaram ali quasi dez annos.

5 E morreram tambem ambos, Mahalon[262] e Chilion, ficando assim esta mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.

6 Então se levantou ella com as suas noras, e voltou dos campos de Moab: porquanto na terra de Moab ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo, [5] dando-lhe pão.

7 Pelo que saiu do logar onde estivera, e as suas duas noras com ella. E, indo ellas caminhando, para voltarem para a terra de Judah,

8 Disse Noemi ás suas duas noras: Ide, voltae cada uma á casa [6] de sua mãe; e o Senhor use comvosco de benevolencia, como vós usastes com [7] os defuntos e comigo.

9 O Senhor vos dê que acheis descanço cada uma em casa de seu marido. E, beijando-as ella, levantaram a sua voz e choraram.

10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos comtigo ao teu povo.

11 Porém Noemi disse: Tornae, minhas filhas, porque irieis comigo? tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos fossem [8] por maridos?

12 Tornae, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido: ainda quando eu dissesse, Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda parisse filhos,

13 Esperal-os-hieis até que viessem a ser grandes? deter-vos-hieis por elles, sem tomardes marido? não, filhas minhas, que mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão [9] do Senhor se descarregou contra mim.

14 Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar: e Orpha beijou a sua sogra, porém Ruth [10] se apegou a ella.

15 Pelo que disse: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo [11] e aos seus deuses: volta tu tambem após da tua cunhada.

16 Disse porém Ruth: Não me instes para que te deixe, [12] e me torne de detraz de ti; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares á noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;

17 Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada: me [13] faça assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

18 Vendo ella, pois, [14] que de todo estava resolvida para ir com ella, deixou de lhe fallar.

19 Assim pois foram-se ambas, até que chegaram a Beth-lehem: e succedeu que, entrando ellas em Beth-lehem, toda a cidade se commoveu por causa d’ellas, [15] e diziam: Não é esta Noemi?

20 Porém ella lhes dizia: Não me chameis [JC] Noemi; chamae-me [JD] Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso.

21 Cheia parti, [16] porém vazia o Senhor me fez tornar: porque pois me chamareis Noemi? pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-poderoso me tem feito tanto mal.

22 Assim Noemi voltou, e com ella Ruth a moabita, sua nora, que voltou dos campos de Moab: e chegaram a Beth-lehem [17] no principio da sega das cevadas.

[1] Jui. 2.16. Gen. 12.10 e 26.1. II Reis 8.1.

[2] Jui. 17.8.

[3] Gen. 25.19.

[4] Jui. 3.30.

[5] Exo. 4.31. Luc. 1.68. Psa. 132.15. Mat. 6.11.

[6] Jos. 24.15. II Tim. 1.16, 17, 18.

[7] ver. 5. cap. 2.20 e 3.1.

[8] Gen. 38.11. Deu. 25.5.

[9] Jui. 2.15. Job 19.21.

[10] Pro. 17.17 e 18.24.

[11] Jui. 11.24. Jos. 24.15, 19. II Reis 2.2. Luc. 24.28.

[12] II Reis 2.2, 4, 6. cap. 2.11, 13.

[13] I Sam. 3.17 e 25.22. II Sam. 19.13. II Reis 6.31.

[14] Act. 21.14.

[15] Mat. 21.10. Isa. 23.7. Lam. 2.15.

[16] Job 1.21.

[17] Exo. 9.21, 32. cap. 2.23. II Sam. 21.9.

Ruth vae rabiscar espigas.

2 E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, [1] da geração de Elimelech; e era o seu nome Boaz.

2 E Ruth a moabita disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas [2] após d’aquelle em cujos olhos eu achar graça. E ella lhe disse: Vae, minha filha.

3 Foi pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após dos segadores: e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimelech.

4 E eis que Boaz veiu de Beth-lehem, e disse aos segadores: O Senhor seja comvosco. [3] E disseram-lhe elles: O Senhor te abençoe.

5 Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?

6 E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta é a moça moabita [4] que voltou com Noemi dos campos de Moab.

7 Disse-me ella: Deixa-me colher espigas, e ajuntal-as entre [JE] as gavellas após dos segadores. Assim ella veiu, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa.

[263]

Boaz falla a Ruth benignamente.

8 Então disse Boaz a Ruth: Não ouves, filha minha? não vás colher a outro campo, nem tão pouco passes d’aqui: porém aqui te ajuntarás com as minhas moças.

9 Os teus olhos estarão attentos no campo que segarem, e irás após d’ellas; não dei ordem aos moços, que te não toquem? tendo tu sede, vae aos vasos, e bebe do que os moços tirarem.

10 Então ella caiu sobre o seu rosto, e se inclinou á [5] terra: e disse-lhe: Porque achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?

11 E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste [6] a tua sogra, depois da morte de teu marido: e deixaste a teu pae e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que d’antes não conheceste.

12 O Senhor galardoe [7] o teu feito: e seja cumprido o teu galardão do Senhor Deus de Israel, sob [8] cujas azas te vieste abrigar.

13 E disse ella: Ache eu graça [9] em teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e pois fallaste ao coração da tua serva, não sendo eu ainda como uma das tuas creadas.

14 E, sendo já horas de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ella se assentou ao lado dos segadores, e elle lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, [10] e ainda lhe sobejou.

15 E, levantando-se ella a colher, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre as gavelas deixae-a colher, e não lh’o embaraceis.

16 E deixae cair alguns punhados, e deixae-os ficar, para que os colha, e não a reprehendaes.

17 E esteve ella apanhando n’aquelle campo até á tarde: e debulhou o que apanhou, e foi quasi um epha de cevada.

18 E tomou-o, e veiu á cidade; e viu sua sogra o que tinha apanhado: tambem tirou, e deu-lhe o [11] que lhe sobejara depois de fartar-se.

19 Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? bemdito seja aquelle que [12] te reconheceu. E relatou a sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.

20 Então Noemi disse a sua nora: Bemdito [13] seja do Senhor, que ainda não tem deixado a sua beneficencia nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso parente chegado, [14] e um d’entre os nossos remidores.

21 E disse Ruth, a moabita: Tambem ainda me disse: Com os moços que tenho te ajuntarás, até que acabem toda a sega que tenho.

22 E disse Noemi a sua nora, Ruth: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que n’outro campo não te encontrem.

23 Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher até que a sega das cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra.

[1] cap. 3.2, 12 e 4.21.

[2] Lev. 19.9. Deu. 24.19.

[3] Psa. 129.8. Luc. 1.28. II The. 3.16.

[4] cap. 1.22.

[5] I Sam. 25.23.

[6] cap. 1.14, 16, 17.

[7] I Sam. 24.19.

[8] cap. 1.16. Psa. 17.8 e 35.8 e 57.2 e 63.8.

[9] Gen. 33.15. I Sam. 1.18 e 25.41.

[10] ver. 18.

[11] ver. 14.

[12] ver. 10. Psa. 41.2.

[13] cap. 3.10. II Sam. 2.5. Job 29.13. Pro. 17.17.

[14] cap. 3.9 e 4.6.

Ruth vae deitar-se aos pes de Boaz.

3 E disse-lhe [1] Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar descanço, para que fiques bem?

2 Ora pois, não é Boaz, com cujas moças estiveste, [2] de nossa parentela? eis que esta noite padejará a cevada na eira.

3 Lava-te pois, [3] e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce á eira: porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.

4 E ha de ser que, quando elle se deitar, notarás o logar em que se deitar; então entra, e descobrir-lhe-has os pés, e te deitarás, e elle te fará saber o que deves fazer.

5 E ella lhe disse: Tudo quanto me disseres, farei.

6 Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado.

7 Havendo pois Boaz comido e bebido, e estando já o seu coração alegre, [4] veiu deitar-se ao pé de uma meda; então veiu ella de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.

Boaz promette a Ruth casar com ella.

8 E succedeu que, pela meia noite, o homem estremeceu, e se voltou: e eis que uma mulher jazia a seus pés.

9 E disse elle: Quem és tu? E ella disse: Sou Ruth, tua serva; estende pois tua aba [5] sobre a tua serva, porque tu és o [6] remidor,

10 E disse elle: Bemdita sejas tu do [7] Senhor, minha filha; melhor fizeste[264] esta tua ultima beneficencia do que a primeira, pois após de nenhuns mancebos foste, quer pobres quer ricos.

11 Agora pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher [8] virtuosa.

12 Porém agora é muito verdade que eu sou [9] remidor: mas ainda outro remidor ha mais chegado do que eu.

13 Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se elle te [10] redimir, bem está, elle te redima; porém, se te não quizer redimir, vive o [11] Senhor, que eu te redimirei: deita-te aqui até ámanhã.

14 Ficou-se pois deitada a seus pés até pela manhã, e levantou-se antes que podesse [12] um conhecer a outro, porquanto disse: Não se saiba que alguma mulher veiu á eira.

15 Disse mais: Dá cá o roupão que tens sobre ti, e tem mão n’elle. E ella teve mão n’elle; e elle mediu seis medidas de cevada, e lh’as poz em cima; então entrou na cidade,

16 E veiu á sua sogra, a qual disse: Quem és tu, minha filha? E ella lhe contou tudo quanto aquelle homem lhe fizera.

17 Disse mais: Estas seis medidas de cevada me deu, porque me disse: Não vás vazia a tua sogra.

18 Então disse ella: Está quieta, minha filha, [13] até que saibas como irá o caso, porque aquelle homem não descançará até que conclua hoje este negocio.

[1] I Cor. 7.36. I Tim. 5.8. cap. 1.9.

[2] cap. 2.8.

[3] II Sam. 14.2.

[4] Jui. 19.6, 9, 22. II Sam. 13.28. Est. 1.10.

[5] Eze. 16.8.

[6] ver. 12. cap. 2.20.

[7] cap. 2.20.

[8] Pro. 12.4.

[9] ver. 9. cap. 4.1.

[10] Deu. 25.5. cap. 4.5. Mat. 22.24.

[11] Jui. 8.19. Jer. 4.2.

[12] Rom. 12.17 e 14.16. I Cor. 10.32. II Cor. 8.21. I The. 5.22.

[13] Psa. 37.3, 5.

Boaz casa com Ruth.

4 E Boaz subiu á porta, e assentou-se ali: e eis que o remidor [1] de que Boaz tinha fallado ia passando, e disse-lhe: Ó fulano, desvia-te para cá, assenta-te aqui. E desviou-se para ali, e assentou-se.

2 Então tomou dez homens [2] dos anciãos da cidade, e disse: Assentae-vos aqui. E assentaram-se.

3 Então disse ao remidor: Aquella parte da terra que foi de Elimelech, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a vendeu.

4 E disse eu: Manifestal-o-hei em teus ouvidos, dizendo: Toma-a diante dos habitantes, e diante [3] dos anciãos do meu povo; se a has de redimir, redime-a, e, se não se houver de redimir, declara-m’o, para que o saiba, pois outro não ha senão [4] tu que a redima, e eu depois de ti. Então disse elle: Eu a redimirei.

5 Disse porém Boaz: No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, tambem a tomarás da mão de Ruth, a moabita, mulher do defunto, para suscitar o nome do defunto [5] sobre a sua herdade.

6 Então disse [6] o remidor: Para mim não a poderei redimir, para que não damne a minha herdade: redime tu a minha remissão para ti, porque eu não a poderei redimir.

7 Havia, pois, [7] já de muito tempo este costume em Israel, emquanto a remissão e contracto, para confirmar todo o negocio, que o homem descalçava o sapato e o dava ao seu proximo: e isto era por testemunho em Israel.

8 Disse pois o remidor a Boaz: Toma-a para ti. E descalçou o sapato.

9 Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que tomei tudo quanto foi d’Elimelech, e de Chilion, e de Mahlon, da mão de Noemi,

10 E de que tambem tomo por mulher a Ruth, a moabita, que foi mulher de Mahlon, para suscitar o nome do defunto sobre a sua herdade, [8] para que o nome do defunto não seja desarraigado d’entre seus irmãos e da porta do seu logar: d’isto sois hoje testemunhas.

11 E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas: [9] o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Rachel e como a Leah, [10] que ambas edificaram a casa d’Israel; e ha-te já valorosamente em Ephrata, e faze-te nome afamado em Beth-lehem.

12 E seja a tua casa como a casa de Perez [11] (que Tamar pariu a Judah), da semente que o Senhor te der d’esta moça.

Ruth dá á luz Obed, avô de David.

13 Assim tomou [12] Boaz a Ruth, e ella lhe foi por mulher; e elle entrou a ella, e o Senhor lhe deu conceição, e pariu um filho.

14 Então as mulheres disseram [13] a Noemi: Bemdito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.

[265]

15 Elle te será por recreador da alma, e conservará a tua velhice, pois tua nora, que te ama, [14] o pariu, e ella te é melhor do que sete filhos.

16 E Noemi tomou o filho, e o poz no seu regaço, e foi sua ama.

17 E as visinhas [15] lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E chamaram o seu nome Obed. Este é o pae de [JF] Jessé, pae de David.

18 Estas são pois as gerações [16] de Perez: Perez gerou a Esrom,

19 E Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Amminadab,

20 E Amminadab gerou a Nahasson, e [17] Nahasson gerou a Salmon,

21 E Salmon gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obed,

22 E Obed gerou a Jessé, [18] e Jessé gerou a David.

[1] cap. 3.12.

[2] I Reis 21.8. Pro. 31.23.

[3] Jer. 32.7, 8. Gen. 23.18.

[4] Lev. 25.25.

[5] Gen. 38.8. Deu. 25.5, 6. cap. 3.13. Mat. 22.24.

[6] cap. 2.12, 13.

[7] Deu. 25.7, 9.

[8] Deu. 25.6.

[9] Psa. 127.3 e 128.3.

[10] Deu. 25.9. Gen. 35.16, 19.

[11] Gen. 38.29. I Chr. 2.4. Mat. 1.3. I Sam. 2.20.

[12] cap. 3.11. Gen. 29.31 e 33.5.

[13] Luc. 1.58. Rom. 12.15.

[14] I Sam. 1.8.

[15] Luc. 1.58, 59.

[16] I Chr. 2.4, etc. Mat. 1.3.

[17] Num. 1.7. Mat. 1.4, etc.

[18] I Chr. 2.15. Mat. 1.6.


O PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL.

Elcana e suas mulheres.

Antes de Christo 1171

1 Houve um homem de [1] Ramathaim de Zophim, da montanha de Ephraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroham, filho de Elihu, filho de Tohu, filho de Suph, ephrateo.

2 E este tinha duas mulheres: o nome d’uma era Anna, e o nome da outra Peninna: e Peninna tinha filhos, porém Anna não tinha filhos.

3 Subia pois este homem da sua cidade [2] de anno em anno a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exercitos em Silo: e estavam ali os sacerdotes do Senhor, Hophni e Phineas, os dois filhos d’Eli.

4 E succedeu que no dia em que Elcana sacrificava [3] dava elle porções a Peninna, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas.

5 Porém a Anna dava uma parte excellente; porquanto a Anna amava, porém o Senhor [4] lhe tinha cerrado a madre.

6 E a sua competidora excessivamente a irritava, [5] para a embravecer: porquanto o Senhor lhe tinha cerrado a madre.

7 E assim o fazia elle de anno em anno: desde que subia á casa do Senhor, assim a outra a irritava: pelo que chorava, e não comia.

8 Então Elcana, seu marido, lhe disse: Anna, porque choras? e porque não comes? e porque está mal o teu coração? não te sou [6] eu melhor do que dez filhos?

Anna roga a Deus que lhe dê um filho.

9 Então Anna se levantou, depois que comeram e beberam em Silo: e Eli, sacerdote, estava assentado n’uma cadeira, junto a um pilar do templo [7] do Senhor.

10 Ella pois, com amargura [8] de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.

11 E votou um voto, [9] dizendo: Senhor dos Exercitos! se benignamente attenderes para a afflicção da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas á tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não subirá [10] navalha.

12 E succedeu que, perseverando ella em orar perante o Senhor, Eli fez attenção á sua bocca.

13 Porquanto Anna no seu coração fallava, só se moviam os seus beiços, porém não se ouvia a sua voz: pelo que Eli a teve por embriagada.

14 E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? aparta de ti o teu vinho.

15 Porém Anna respondeu, e disse: Não, senhor meu, eu sou uma mulher attribulada de espirito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido: [11] porém tenho derramado a minha alma perante o Senhor.

[266]

16 Não tenhas pois a tua serva por filha [12] de Belial: porque da multidão dos meus cuidados e do meu desgosto tenho fallado até agora.

17 Então respondeu Eli, [13] e disse: Vae em paz: e o Deus de Israel te conceda a tua petição que lhe pediste.

18 E disse ella: Ache a tua serva graça em teus olhos. [14] Assim a mulher se foi seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste.

Antes de Christo 1165

19 E levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor, e tornaram-se, e vieram á sua casa, a Rama, e [15] Elcana conheceu a Anna, sua mulher, e o Senhor se lembrou d’ella.

Nasce Samuel e é consagrado a Deus.

20 E succedeu que, passado algum tempo, Anna concebeu, e pariu um filho, e chamou o seu nome [JG] Samuel; porque, dizia ella, o tenho pedido ao Senhor.

21 E subiu aquelle homem [16] Elcana com toda a sua casa, a sacrificar ao Senhor o sacrificio annual e a cumprir o seu voto.

22 Porém Anna não subiu; mas disse a seu marido: Quando o menino fôr desmamado, então o levarei, [17] para que appareça perante o Senhor, e lá fique para sempre.

23 E Elcana, [18] seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer em teus olhos, fica até que o desmames; tão sómente confirme [19] o Senhor a sua palavra: assim ficou a mulher, e deu leite a seu filho, até que o desmamou.

24 E, havendo-o desmamado, o levou [20] comsigo, com tres bezerros, e um epha de farinha, e um odre de [21] vinho, e o trouxe á casa do Senhor, a Silo, e era o menino ainda muito creança.

25 E degolaram um bezerro: [22] e assim trouxeram o menino a Eli.

26 E disse ella: Ah, meu senhor, viva [23] a tua alma, meu senhor; eu sou aquella mulher que aqui esteve comtigo, para orar ao Senhor.

27 Por este menino [24] orava eu; e o Senhor me concedeu a minha petição, que eu lhe tinha pedido.

28 Pelo que tambem ao Senhor eu o entreguei, [25] por todos os dias que viver: pois ao Senhor foi pedido. E elle adorou ali ao Senhor.

[1] I Chr. 6.27, 34. Ruth 1.2.

[2] Exo. 23.14. Deu. 16.16. Luc. 2.41. Deu. 12.5, 6, 7. Jos. 18.1.

[3] Deu. 12.17, 18 e 16.11.

[4] Gen. 30.2.

[5] Job 24.21.

[6] Ruth 4.15.

[7] cap. 3.3.

[8] Job 7.11 e 10.1.

[9] Gen. 28.20. Num. 30.3. Jui. 11.30. Gen. 29.32. Exo. 4.31. II Sam. 16.12. Psa. 25.18. Gen. 8.1 e 30.22.

[10] Num. 6.5. Jui. 13.5.

[11] Psa. 62.8 e 142.2.

[12] Deu. 13.13.

[13] Jui. 18.6. Mar. 5.34. Luc. 7.50 e 8.48. Psa. 20.4, 5.

[14] Gen. 33.15. Ruth 2.13. Ecc. 9.7.

[15] Gen. 4.1 e 30.22.

[16] ver. 3.

[17] Luc. 2.22. ver. 11, 28. cap. 2.11, 18 e 3.1. Exo. 21.6.

[18] Num. 30.7.

[19] II Sam. 7.25.

[20] Deu. 12.5, 6, 11.

[21] Jos. 18.1.

[22] Luc. 2.22.

[23] Gen. 42.15. II Reis 2.2, 4, 6.

[24] Mat. 7.7.

[25] ver. 11, 22.

O cantico de Anna.

2 Então orou Anna, e disse: O meu coração [1] exulta ao Senhor, o meu [JH] poder está exaltado no Senhor: a minha bocca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.

2 Não ha sancto [2] como é o Senhor; porque não ha outro fóra de ti: e rocha nenhuma ha como o nosso Deus.

3 Não multipliqueis palavras de altissimas altivezas, nem [3] saiam coisas arduas da vossa bocca: porque o Senhor é o Deus de conhecimento, e por elle são as obras pesadas na balança.

4 O arco [4] dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força.

5 Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos: [5] até a esteril pariu [6] sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu.

6 O Senhor é [7] o que tira a vida e a dá: faz descer á sepultura e faz tornar a subir d’ella.

7 O Senhor empobrece [8] e enriquece: abaixa e tambem exalta.

8 Levanta o pobre [9] do pó, e desde o esterco exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os principes, para os fazer herdar o throno de [10] gloria: porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre elles o mundo.

9 Os pés [11] dos seus sanctos guardará, porém os impios ficarão mudos nas trevas: porque o homem não prevalecerá pela força.

10 Os que contendem com o Senhor serão quebrantados, desde os céus [12] trovejará sobre elles: o Senhor julgará as extremidades da terra: e dará força ao seu rei, e exaltará [JI] o poder do seu ungido.

11 Então Elcana foi-se a Rama, á [13] sua casa: porém o menino ficou servindo ao Senhor, perante o sacerdote Eli.

Os crimes dos filhos de Eli.

12 Eram porém os filhos d’Eli filhos de Belial, [14] não conheciam ao Senhor.

[267]

13 Porquanto o costume d’aquelles sacerdotes com o povo era que, offerecendo alguem algum sacrificio, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo de tres dentes em sua mão;

14 E dava com elle na caldeira, ou na panella, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo quanto o garfo tirava, o sacerdote tomava para si: assim faziam a todo o Israel que ia ali a Silo.

15 Tambem antes [15] de queimarem a gordura vinha o moço do sacerdote, e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote: porque não tomará de ti carne cozida, senão crua.

16 E, dizendo-lhe o homem: Queimem primeiro a gordura de hoje, e depois toma para ti quanto desejar a tua alma, então elle lhe dizia: Não, agora a has de dar, e, se não, por força a tomarei.

17 Era pois muito grande o peccado d’estes mancebos perante [16] o Senhor, porquanto os homens desprezavam a offerta do Senhor.

O ministerio de Samuel.

18 Porém Samuel ministrava perante o Senhor, [17] sendo ainda mancebo, vestido com um ephod de linho.

19 E sua mãe lhe fazia uma tunica pequena, e de anno em anno lh’a trazia, quando [18] com seu marido subia a sacrificar o sacrificio annual.

20 E Eli abençoava [19] a Elcana e a sua mulher, e dizia: O Senhor te dê semente d’esta mulher, pela petição que fez ao Senhor. E voltaram para o seu logar.

21 Visitou pois [20] o Senhor a Anna, e concebeu, e pariu tres filhos e duas filhas: e o mancebo Samuel crescia diante do Senhor.

22 Era porém Eli muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres [21] que em bandos se ajuntavam á porta da tenda da congregação.

23 E disse-lhes: Porque fazeis taes coisas? porque ouço de todo este povo os vossos maleficios.

24 Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço: fazeis transgredir o povo do Senhor.

25 Peccando homem contra homem, os juizes o julgarão; peccando porém o homem contra o Senhor, [22] quem rogará por elle? Mas não ouviram a voz de seu pae, [23] porque o Senhor os queria matar.

26 E o mancebo Samuel ia crescendo, [24] e fazia-se agradavel, assim para com o Senhor como tambem para com os homens.

Prophecia contra a casa de Eli.

27 E veiu um homem de Deus a Eli, e disse-lhe: [25] Assim diz o Senhor. Não me manifestei, na verdade, á casa de teu pae, estando elles ainda no Egypto, na casa de Pharaó?

28 E m’o escolhi [26] d’entre todas as tribus d’Israel por sacerdote, para offerecer sobre o meu altar, para accender o incenso, e para trazer o ephod perante mim, [27] e dei á casa de teu pae todas as offertas queimadas dos filhos d’Israel.

29 Porque dáes [28] coices contra o sacrificio e contra a minha offerta de manjares, que ordenei na minha morada, e honras a teus filhos mais do que a mim, para vos engordardes do principal de todas as offertas do meu povo d’Israel?

30 Portanto, diz o Senhor Deus d’Israel: Na verdade tinha dito [29] eu que a tua casa e a casa de teu pae andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz [30] o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão envilecidos.

31 Eis que veem dias [31] em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pae, para que não haja mais velho algum em tua casa.

32 E verás o aperto da morada de Deus, em logar de todo o bem que houvera de fazer a Israel: nem haverá por todos os dias [32] velho algum em tua casa.

33 O homem porém que eu te não desarraigar do meu altar seria para vos consumir os olhos e para te entristecer a alma: e toda a multidão da tua casa morrerá quando chegar á edade varonil.

34 E isto te será por signal, a saber: o que sobrevirá a teus dois filhos, a [33] Hophni e a Phineas, que ambos morrerão no mesmo dia.

35 E eu suscitarei [34] para mim um[268] sacerdote fiel, que obrará segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, [35] e andará sempre diante do meu ungido.

36 E será [36] que todo aquelle que ficar de resto da tua casa virá a inclinar-se diante d’elle por uma moeda de prata e por um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que me admittas a algum ministerio sacerdotal, para que possa comer um pedaço de pão.

[1] Phi. 4.6. Luc. 1.46, etc. Psa. 92.10 e 112.9.

[2] Exo. 15.11. Deu. 3.24 e 32.4. Deu. 4.35. II Sam. 22.32.

[3] Psa. 94.4. Mal. 3.13. Jud. 15.

[4] Psa. 37.15, 17 e 76.4. Mal. 3.13.

[5] Psa. 34.10. Luc. 1.53.

[6] Psa. 113.9. Isa. 54.1. Jer. 15.9.

[7] Deu. 32.39. Job 5.16. Ose. 6.1.

[8] Job 1.21. Psa. 75.8.

[9] Psa. 113.7, 8. Dan. 4.17. Luc. 1.52. Job 36.7.

[10] Job 38.4, 5, 6. Psa. 24.2. Heb. 1.3.

[11] Psa. 91.11 e 121.3.

[12] Psa. 2.9. cap. 7.10.

[13] ver. 18. cap. 3.1.

[14] Deu. 13.13. Jui. 2.10. Jer. 22.16. Rom. 1.28.

[15] Lev. 3.3, 4, 5, 16.

[16] Gen. 6.11. Mal. 2.8.

[17] ver. 11. Exo. 28.4. II Sam. 6.14.

[18] cap. 1.3.

[19] Gen. 14.19.

[20] Gen. 21.1. ver. 26. Jui. 13.24. cap. 3.19. Luc. 1.80 e 2.40.

[21] Exo. 38.8.

[22] Num. 15.30.

[23] Jos. 11.20. Pro. 15.10.

[24] ver. 21. Pro. 3.4. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[25] I Reis 13.1. Exo. 4.14, 27.

[26] Exo. 28.1, 4. Num. 16.5 e 18.1, 7.

[27] Lev. 2.3, 10 e 6.16. Num. 5.9.

[28] Deu. 32.15 e 12.5, 6.

[29] Exo. 29.9.

[30] Jer. 18.9, 10. Psa. 18.21 e 91.14. Mal. 2.9.

[31] II Reis 2.27. Eze. 44.10. cap. 4.11, 18, 20 e 14.3 e 22.18, etc.

[32] Zac. 8.4.

[33] I Reis 13.3. cap. 4.11.

[34] I Reis 2.35. I Chr. 29.22. Eze. 44.15.

[35] II Sam. 7.11, 27. I Reis 11.38. Psa. 2.2 e 18.50.

[36] I Reis 2.27.

Deus falla com Samuel em sonhos.

Antes de Christo 1141

3 E o mancebo [1] Samuel servia ao Senhor perante Eli: e a palavra do Senhor era de muita valia n’aquelles dias; não havia visão manifesta.

2 E succedeu n’aquelle dia que, estando Eli deitado no seu locar (e os seus olhos se começavam [2] a escurecer, que não podia ver),

3 E estando tambem Samuel deitado, antes que a [3] lampada de Deus se apagasse no templo do Senhor, em que estava a arca de Deus,

4 O Senhor chamou a Samuel, e disse elle: Eis-me aqui.

5 E correu a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas elle disse: Não te chamei eu, torna a deitar-te. E foi e se deitou.

6 E o Senhor tornou a chamar outra vez a Samuel, e Samuel se levantou, e foi-se a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas elle disse: Não te chamei eu, filho meu, torna a deitar-te.

7 Porém Samuel [4] ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor.

8 O Senhor pois tornou a chamar a Samuel terceira vez, e elle se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o mancebo.

9 Pelo que Eli disse a Samuel: Vae te deitar, e ha de ser que, se te chamar, dirás: Falla, Senhor, porque o teu servo ouve. Então Samuel foi e se deitou no seu logar.

10 Então veiu o Senhor, e poz-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Falla, porque o teu servo ouve.

11 E disse o Senhor a Samuel: Eis aqui vou eu a fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que ouvir [5] lhe tinirão ambas as orelhas.

12 N’aquelle mesmo dia suscitarei contra Eli tudo [6] quanto tenho fallado contra a sua casa: começal-o-hei e acabal-o-hei.

13 Porque eu lhe fiz saber que julgarei [7] a sua casa para sempre, pela iniquidade que bem conhecia, porque, fazendo-se os seus filhos execraveis, não os reprehendeu.

14 Portanto, jurei á casa d’Eli [8] que nunca jámais será expiada a iniquidade da casa d’Eli com sacrificio nem com offerta de manjares.

Samuel conta a visão a Eli.

15 E Samuel ficou deitado até pela manhã, e então abriu as portas da casa do Senhor: porém temia Samuel de relatar esta visão a Eli.

16 Então chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho. E disse elle: Eis-me aqui.

17 E elle disse: Que é a palavra que te fallou? peço-te que m’a não encubras: [9] assim Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires alguma palavra de todas as palavras que te fallou.

18 Então Samuel lhe contou todas aquellas palavras, e nada lhe encobriu. E disse elle: O Senhor é, [10] faça o que bem parecer aos seus olhos.

19 E crescia Samuel, [11] e o Senhor era com elle, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra.

20 E todo o Israel, desde [12] Dan até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por propheta do Senhor.

21 E continuou o Senhor a apparecer em Silo: porquanto o Senhor se manifestava a Samuel [13] em Silo pela palavra do Senhor.

[1] cap. 2.11. Psa. 74.9. Amós 8.11. ver. 21.

[2] Gen. 27.1 e 48.10. cap. 2.22 e 4.15.

[3] Exo. 27.21. Lev. 24.3. II Chr. 13.11. cap. 1.9.

[4] Act. 19.2.

[5] II Reis 21.22. Jer. 19.3.

[6] cap. 2.30, 36.

[7] cap. 2.29, 30, 31, etc. Eze. 7.3 e 18.30. cap. 2.12, 17, 22, 23, 25.

[8] Num. 15.30, 31. Isa. 22.14.

[9] Ruth 1.17.

[10] Job 1.21 e 2.10. Psa. 39.19. Isa. 39.8.

[11] cap. 2.21. Gen. 39.2, 21, 23. cap. 9.6.

[12] Jui. 20.1.

[13] ver. 1, 4.

Os philisteos vencem os israelitas.

4 E veiu a palavra de Samuel a todo o Israel: e Israel saiu ao encontro, á peleja, aos philisteos, [1] e se acamparam junto a Eben-ezer: e os philisteos se acamparam junto a Afek.

2 E os philisteos se dispozeram em ordem de batalha, para sair ao encontro a Israel; e, estendendo-se a peleja, Israel foi ferido diante dos philisteos, porque feriram na batalha, no campo, uns quatro mil homens.

3 E tornando o povo ao arraial, disseram os anciãos d’Israel: Porque nos feriu o Senhor hoje diante dos philisteos? tragamos de Silo a arca do[269] concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos.

4 Enviou pois o povo a Silo, e trouxeram de lá a arca do concerto do Senhor dos exercitos, que habita entre [2] os cherubins: e os dois filhos d’Eli, Hophni e Phineas estavam ali com a arca do concerto de Deus.

5 E succedeu que, vindo a arca do concerto do Senhor ao arraial, todo o Israel jubilou com grande jubilo, até que a terra estremeceu.

6 E os philisteos, ouvindo a voz do jubilo, disseram: Que voz de tão grande jubilo é esta no arraial dos hebreos? então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial.

7 Pelo que os philisteos se atemorisaram; porque diziam: Deus veiu ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! que tal nunca jámais succedeu antes.

8 Ai de nós! quem nos livrará da mão d’estes grandiosos deuses? estes são os deuses que feriram aos egypcios com todas as pragas junto ao deserto.

9 Esforçae-vos, e sêde homens, [3] ó philisteos, para que porventura não venhaes a servir aos hebreos, como elles serviram a vós; [4] sêde pois homens, e pelejae.

10 Então pelejaram os philisteos, [5] e Israel foi ferido, e fugiram cada um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que cairam de Israel trinta mil homens de pé.

A arca é tomada. Hophni e Phineas são mortos.

11 E foi tomada a [6] arca de Deus: e os dois filhos d’Eli, Hophni e Phineas, morreram.

12 Então correu da batalha um homem de Benjamin, e chegou no mesmo [7] dia a Silo: e trazia os vestidos rotos, e terra sobre a cabeça.

13 E, chegando elle, eis que Eli estava assentado sobre uma [8] cadeira, vigiando ao pé do caminho; porquanto o seu coração estava tremendo pela arca de Deus: entrando pois aquelle homem a annunciar isto na cidade, toda a cidade gritou.

14 E Eli, ouvindo a voz do grito, disse: Que voz de alvoroço é esta? Então chegou aquelle homem a grande pressa, e veiu, e o annunciou a Eli.

15 E era Eli da edade de noventa e oito annos: e estavam os seus olhos tão escurecidos, [9] que não podia ver.

16 E disse aquelle homem a Eli: Eu sou o que venho da batalha; porque eu fugi hoje da batalha. E disse elle: [10] Que coisa succedeu, filho meu?

17 Então respondeu o que trazia as novas, e disse: Israel fugiu de diante dos philisteos, e houve tambem grande desfeita entre o povo: e, de mais d’isto, tambem teus dois filhos, Hophni e Phineas, morreram, e a arca de Deus é tomada.

A morte de Eli e da mulher de Phineas.

18 E succedeu que, fazendo elle menção da arca de Deus, Eli caiu da cadeira para traz, da banda da porta, e quebrou-se-lhe o pescoço e morreu: porquanto o homem era velho e pesado; e tinha elle julgado a Israel quarenta annos.

19 E, estando sua nora, a mulher de Phineas, gravida, e proxima ao parto, e ouvindo estas novas, de que a arca de Deus era tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e pariu; porquanto as dores lhe sobrevieram.

20 E, ao tempo em que ia morrendo, disseram as [11] mulheres que estavam com ella: Não temas, pois pariste um filho. Ella porém não respondeu, nem fez caso d’isso.

21 E chamou ao menino [JJ] Icabod, dizendo: [12] Foi-se [13] a gloria de Israel. Porquanto a arca de Deus foi levada presa, e por causa de seu sogro e de seu marido.

22 E disse: De Israel a gloria é levada presa: pois é tomada a arca de Deus.

[1] cap. 5.1 e 7.13.

[2] II Sam. 6.2. Psa. 80.1 e 99.1. Exo. 25.18, 22. Num. 7.89.

[3] I Cor. 16.13.

[4] Jui. 13.1.

[5] ver. 2. Lev. 26.17. Deu. 28.25. Psa. 78.9, 62.

[6] cap. 2.32. Psa. 78.61. cap. 2.34. Psa. 78.64.

[7] II Sam. 1.2. Jos. 7.6. II Sam. 13.19 e 15.32. Neh. 9.1. Job 2.12.

[8] cap. 1.9.

[9] cap. 3.2.

[10] II Sam. 1.4.

[11] Gen. 35.17.

[12] cap. 14.3.

[13] Psa. 26.8 e 78.61.

A arca, na terra dos philisteos, causa-lhes afflicções.

5 Os philisteos pois tomaram a arca de Deus, e a trouxeram [1] de Eben-ezer, a Asdod.

2 E tomaram os philisteos a arca de Deus, e a metteram na casa de Dagon, e a pozeram junto a [2] Dagon.

3 Levantando-se porém de madrugada os d’Asdod, no dia seguinte, eis que Dagon estava [3] caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor: e tomaram a Dagon, e tornaram a pôl-o no seu logar.

4 E, levantando-se de madrugada no dia seguinte pela manhã, eis que [4] Dagon[270] jazia caido com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagon e ambas as palmas das suas mãos cortadas sobre o lumiar; sómente o tronco ficou a Dagon.

5 Pelo que nem os sacerdotes de Dagon, nem nenhum de todos os que entram [5] na casa de Dagon pisam o lumiar de Dagon em Asdod, até ao dia d’hoje.

6 Porém a mão [6] do Senhor se aggravou sobre os d’Asdod, e os assollou: e os feriu com hemorrhoidas, a Asdod e aos seus termos.

7 Vendo então os homens d’Asdod que assim foi, disseram: Não fique comnosco a arca do Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós, e sobre Dagon, nosso deus.

8 Pelo que enviaram e congregaram a si todos os principes dos philisteos, e disseram: Que faremos nós da arca do Deus d’Israel? E responderam: A arca do Deus d’Israel dará volta a Gath. Assim a rodearam com a arca do Deus de Israel.

9 E succedeu que, desde que a rodearam com ella, a mão [7] do Senhor veiu contra aquella cidade, com mui grande vexação: pois feriu aos homens d’aquella cidade, desde o pequeno até ao grande: e tinham hemorrhoidas nas partes secretas.

10 Então enviaram a arca de Deus a Ekron. Succedeu porém que, vindo a arca de Deus a Ekron, os de Ekron exclamaram, dizendo: Transportaram para mim a arca do Deus de Israel, para me matarem, a mim e ao meu povo.

11 E enviaram, e congregaram a todos os principes dos philisteos, e disseram: Enviae a arca do Deus de Israel, e torne para o seu logar, para que não mate nem a mim nem ao meu povo. Porque havia mortal vexação em toda a cidade, e a mão [8] de Deus muito se aggravara ali.

12 E os homens que não morriam eram tão feridos com hemorrhoidas que o clamor da cidade subia até o céu.

[1] cap. 4.1 e 7.12.

[2] Jui. 16.23.

[3] Isa. 19.1 e 46.1, 2. Isa. 46.7.

[4] Jer. 50.2. Eze. 6.4, 6. Miq. 1.7.

[5] Sof. 1.9.

[6] ver. 7, 11. Exo. 9.3. Psa. 32.4. Act. 3.11. cap. 6.5. Deu. 28.27. Psa. 78.66.

[7] Deu. 2.15. cap. 7.13 e 12.15. ver. 6, 11. Psa. 78.66.

[8] ver. 6, 9.

Os philisteos enviam a arca para fóra da tua terra.

Antes de Christo 1140

6 Havendo pois estado a arca do Senhor na terra dos philisteos sete mezes,

2 Os philisteos [1] chamaram os sacerdotes e os adivinhadores, dizendo: Que faremos nós da arca do Senhor? fazei-nos saber com que a tornaremos a enviar ao seu logar.

3 Os quaes disseram: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis vazia, [2] porém sem falta lhe enviareis uma offerta para a expiação da culpa: então sereis curados, e se vos fará saber porque a sua mão se não tira de vós.

4 Então disseram: Qual é a expiação da culpa que lhe havemos de render? E disseram: Segundo o numero dos principes dos philisteos, cinco hemorrhoidas de oiro e [3] cinco ratos de oiro: porquanto a praga [4] é uma mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos principes.

5 Fazei pois umas imagens das vossas hemorrhoidas e as imagens dos vossos ratos, que andam destruindo a terra, e dae gloria ao Deus de Israel: porventura alliviará a sua mão de cima de vós, e de cima do vosso deus, [5] e de cima da vossa terra.

6 Porque pois endurecereis o vosso coração, como os egypcios e Pharaó endureceram o seu coração? porventura depois de os haver tratado tão mal, os não deixaram ir, e elles não se foram?

7 Agora, pois, tomae e fazei-vos [6] um carro novo, e tomae duas vaccas que criem, sobre as quaes não tenha subido o jugo, e atae as vaccas ao carro, e levae os seus bezerros d’após d’ellas a casa.

8 Então tomae a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro, e mettei n’um cofre, ao seu lado, as figuras de oiro que lhe haveis de render em expiação da culpa, e assim a enviareis, para que se vá.

9 Vêde então: se subir pelo caminho do seu termo a Beth-semes, [7] foi elle que nos fez este grande mal; e, se não, saberemos que não nos tocou a sua mão, e que isto nos succedeu por acaso.

10 E assim fizeram aquelles homens, e tomaram duas vaccas que criavam, e as ataram ao carro: e os seus bezerros encerraram em casa.

11 E pozeram a arca do Senhor sobre o carro, como tambem o cofre com os ratos de oiro e com as imagens das suas hemorrhoidas.

12 Então as vaccas se encaminharam direitamente pelo caminho de Beth-semes, e seguiam um mesmo caminho, andando e berrando, sem se desviarem[271] nem para a direita nem para a esquerda: e os principes dos philisteos foram atraz d’ellas, até ao termo de Beth-semes.

A arca chega a Beth-semes.

13 E andavam os de Beth-semes segando a sega do trigo no valle, e, levantando os seus olhos, viram a arca, e, vendo-a, se alegraram.

14 E o carro veiu ao campo de Josué, o beth-semita, e parou ali; e ali estava uma grande pedra: e fenderam a madeira do carro, e offereceram as vaccas ao Senhor em holocausto.

15 E os levitas descenderam a arca do Senhor, como tambem o cofre que estava junto a ella, em que estavam as obras de oiro, e pozeram-n’os sobre aquella grande pedra: e os homens de Beth-semes offereceram holocaustos, e sacrificaram sacrificios ao Senhor no mesmo dia.

16 E, vendo aquillo [8] os cinco principes dos philisteos, voltaram para Ekron no mesmo dia.

17 Estas [9] pois são as hemorrhoidas de oiro que enviaram os philisteos ao Senhor em expiação da culpa: por Asdod uma, por Gaza outra, por Askelon outra, por Gath outra, por Ekron outra.

18 Como tambem os ratos de oiro, segundo o numero de todas as cidades dos philisteos, pertencentes aos cinco principes, desde as cidades fortes até ás aldeias, e até Abel, a grande pedra sobre a qual pozeram a arca do Senhor, que ainda está até ao dia de hoje no campo de Josué, o beth-semita.

19 E feriu [10] o Senhor os homens de Beth-semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor, até ferir do povo cincoenta mil e setenta homens: então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera tão grande estrago entre o povo.

20 Então disseram os homens de Beth-semes: Quem poderia [11] estar em pé perante o Senhor, este Deus sancto? e a quem subirá desde nós?

21 Enviaram pois mensageiros aos habitantes de Kiriath-jearim, [12] dizendo: Os philisteos remetteram a arca do Senhor; descei, pois, e fazei-a subir para vós.

[1] Gen. 41.8. Exo. 7.11. Dan. 2.2 e 5.7. Mat. 2.4.

[2] Exo. 23.15. Deu. 16.16. Lev. 5.15, 16. ver. 9.

[3] ver. 17, 18. Jos. 13.3. Jui. 3.3.

[4] cap. 5.6. Jos. 7.19. Isa. 42.12. Mal. 2.2. João 9.24.

[5] cap. 5.4, 7. Exo. 7.13 e 8.15 e 14.17 e 12.31.

[6] II Sam. 6.3. Num. 19.2. ver. 4, 5.

[7] Jos. 15.10. ver. 3.

[8] Jos. 13.3.

[9] ver. 4.

[10] Exo. 19.21. Num. 4.5, 15, 20. II Sam. 6.7.

[11] II Sam. 6.9. Mal. 3.2.

[12] Jos. 18.14. Jui. 18.12. I Chr. 13.5, 6.

7 Então vieram os homens de [1] Kiriath-jearim, e levaram a arca do Senhor, e a trouxeram á casa de Abinadab, [2] no outeiro: e consagraram a Eleazar, seu filho, para que guardasse a arca do Senhor.

Samuel exhorta ao arrependimento.

Antes de Christo 1120

2 E succedeu que, desde aquelle dia, a arca ficou em Kiriath-jearim, e tantos dias se passaram que até chegaram vinte annos, e lamentava toda a casa de Israel após do Senhor.

3 Então fallou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com [3] todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirae d’entre vós os deuses estranhos e os astaroths, e [4] preparae o vosso coração ao Senhor, e servi a elle só, e vos livrará da mão dos philisteos.

4 Então os filhos de Israel tiraram d’entre si aos baalins e aos [5] astaroths, e serviram só ao Senhor.

5 Disse mais Samuel: [6] Congregae a todo o Israel em Mispah: e orarei por vós ao Senhor.

6 E congregaram-se em Mispah, e tiraram agua, [7] e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquelle dia, e disseram ali: Peccámos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mispah.

Os philisteos são vencidos.

7 Ouvindo pois os philisteos que os filhos d’Israel estavam congregados em Mispah, subiram os maioraes dos philisteos contra Israel: o que ouvindo os filhos de Israel, temeram por causa dos philisteos.

8 Pelo que disseram os filhos d’Israel a Samuel: Não cesses de [8] clamar ao Senhor nosso Deus por nós, para que nos livre da mão dos philisteos.

9 Então tomou Samuel um cordeiro de mama, e sacrificou-o inteiro em holocausto ao Senhor: e clamou [9] Samuel ao Senhor por Israel, e o Senhor lhe deu ouvidos.

10 E succedeu que, estando Samuel sacrificando o holocausto, os philisteos chegaram á peleja contra Israel: e trovejou [10] o Senhor aquelle dia com grande trovoada sobre os philisteos, e os aterrou de tal modo que foram derrotados diante dos filhos d’Israel.

11 E os homens d’Israel sairam de Mispah, e perseguiram os philisteos, e os feriram até abaixo de Beth-car.

12 Então tomou [11] Samuel uma pedra,[272] e a poz entre Mispah e Sen, e chamou o seu nome [JK] Eben-ezer: e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.

13 Assim os philisteos foram abatidos, [12] e nunca mais vieram aos termos d’Israel, porquanto foi a mão do Senhor contra os philisteos todos os dias de Samuel.

14 E as cidades que os philisteos tinham tomado a Israel foram restituidas a Israel, desde Ekron até Gath, e até os seus termos Israel arrebatou da mão dos philisteos; e houve paz entre Israel e entre os amorrheos.

15 E Samuel julgou [13] a Israel todos os dias da sua vida.

16 E ia de anno, em anno, e rodeava a Beth-el, e a Gilgal, e a Mispah, e julgava a Israel em todos aquelles logares.

17 Porém voltava [14] a Rama, porque estava ali a sua casa, e ali julgava a Israel: e edificou [15] ali um altar ao Senhor.

[1] cap. 6.21. Psa. 132.6.

[2] II Sam. 6.4.

[3] Deu. 30.2-10. I Reis 8.48. Isa. 55.7, 8. Jos. 24.14, 23. Jui. 2.13.

[4] II Chr. 30.19. Job 11.13, 14. Deu. 6.13 e 10.20 e 13.4. Mat. 4.10. Luc. 4.8.

[5] Jui. 2.11.

[6] Jui. 20.1. II Reis 25.23.

[7] II Sam. 14.14. Neh. 9.1, 2. Dan. 9.3, 4, 5. Joel 2.12. Jui. 10.10. I Reis 8.47. Psa. 106.6.

[8] Isa. 37.4.

[9] Psa. 99.6. Jer. 15.1.

[10] Jos. 10.10. Jui. 4.15 e 5.20. cap. 2.10. II Sam. 22.14, 15.

[11] Gen. 28.18 e 31.45 e 35.14. Jos. 4.9 e 24.26.

[12] Jui. 13.1. cap. 13.5.

[13] ver. 6. cap. 12.11. Jui. 2.16.

[14] cap. 8.4.

[15] Jui. 21.4.

Os israelitas pedem um rei e Deus concede-o.

Antes de Christo 1095

8 E succedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu [1] a seus filhos por juizes sobre Israel.

2 E era o nome do seu filho primogenito Joel, e o nome do seu segundo Abia: e foram juizes em Berseba.

3 Porém seus filhos não andaram pelos caminhos d’elle, [2] antes se inclinaram á avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juizo.

4 Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Rama.

5 E disseram-lhe: Eis que estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitue-nos [3] pois agora um rei sobre nós, para que elle nos julgue, como o teem todas as nações.

6 Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor.

7 E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disserem, pois não te teem rejeitado a ti, [4] antes a mim me teem rejeitado para eu não reinar sobre elles.

8 Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egypto até ao dia de hoje, e a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim tambem te fizeram a ti.

9 Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhes solemnemente, e declara-lhes qual será o [5] costume do rei que houver de reinar sobre elles.

10 E fallou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.

11 E disse: Este será [6] o costume do rei que houver de reinar sobre vós: elle tomará [7] os vossos filhos, e os empregará para os seus carros, e para seus cavalleiros, para que corram adiante dos seus carros.

12 E os porá por principes de milhares e por cincoentenarios; e para que lavrem a sua lavoura, e seguem a sua sega, e façam as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.

13 E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras, e padeiras.

14 E tomará [8] o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivaes, e os dará aos seus creados.

15 E as vossas, sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus [JL] eunuchos, e aos seus creados.

16 Tambem os vossos creados, e as vossas creadas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.

17 Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de creados.

18 Então n’aquelle dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá n’aquelle [9] dia.

19 Porém o povo não quiz ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós [10] um rei.

20 E nós tambem seremos como todas [11] as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.

21 Ouvindo pois Samuel todas as palavras do povo, as fallou perante os ouvidos do Senhor.

22 Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos á sua voz, [12] e constitue-lhes rei. Então Samuel disse aos filhos de Israel: Vá-se cada qual á sua cidade.

[1] Deu. 16.18. II Chr. 19.5. Jui. 10.4 e 12.14. Jui. 5.10. I Chr. 6.28.

[2] Jer. 22.15, 16, 17. Exo. 18.21. I Tim. 3.3 e 6.10. Deu. 16.19. Psa. 15.5.

[3] ver. 19, 20. Deu. 17.14. Ose. 13.10. Act. 13.21.

[4] Exo. 16.8. cap. 10.19 e 12.17, 19. Ose. 13.10, 11.

[5] ver. 11.

[6] Deu. 17.16, etc.

[7] cap. 14.52.

[8] I Reis 21.7. Eze. 46.18.

[9] Pro. 1.25, 26, 27, 28. Isa. 1.15. Miq. 3.4.

[10] Jer. 44.16.

[11] ver. 5.

[12] ver. 7. Ose. 13.11.

Saul busca as jumentas extraviadas e vae ter com Samuel.

9 E havia um homem de Benjamin, cujo nome era Kis, [1] filho de Abiel,[273] filho de Zeror, filho de Bechorath, filho de Aphia, filho d’um homem de Benjamin: varão alentado em força.

2 Este tinha um filho, cujo nome era Saul, mancebo, e tão bello que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais bello do que elle; desde os hombros [2] para cima sobresahia a todo o povo.

3 E perderam-se as jumentas de Kis, pae de Saul; pelo que disse Kis a Saul, seu filho: Toma agora comtigo um dos moços, e levanta-te e vae a buscar as jumentas.

4 Passou pois pela montanha de Ephraim, e d’ali passou á terra de Salisa, porém [3] não as acharam: depois passaram á terra de Sahalim, porém tão pouco estavam ali: tambem passou á terra de Benjamin, porém tão pouco as acharam.

5 Vindo elles então á terra de Zuph, Saul disse para o seu moço, com quem elle ia: Vem, e voltemos; para que porventura meu pae não deixe de inquietar-se pelas jumentas e se afflija por causa de nós.

6 Porém elle lhe disse: Eis que ha n’esta cidade um homem de Deus, e homem honrado é: [4] tudo quanto diz, succede assim infallivelmente: vamo-nos agora lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir.

7 Então Saul disse ao seu moço: Eis, porém, se lá formos, que levaremos então áquelle homem? porque o pão de nossos alforges se acabou, e presente nenhum temos que levar [5] ao homem de Deus: que temos?

8 E o moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda se acha na minha mão um quarto d’um siclo de prata, o qual darei ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho.

9 (Antigamente em Israel, indo qualquer consultar [6] a Deus, dizia assim: Vinde, e vamos ao vidente: porque ao propheta de hoje antigamente se chamava [7] vidente.)

10 Então disse Saul ao moço: Bem dizes, vem, pois, vamos. E foram-se á cidade onde estava o homem de Deus.

11 E, subindo elles pela subida da cidade, acharam [8] umas moças que sahiam a tirar agua; e disseram-lhes: Está cá o vidente?

12 E ellas lhes responderam, e disseram: Sim, eil-o aqui tens diante de ti: apressa-te pois, porque hoje veiu á cidade; porquanto o povo tem hoje sacrificio [9] no alto.

13 Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que suba ao alto para comer; porque o povo não comerá, até que elle venha; porque elle é o que abençoa o sacrificio, e depois comem os convidados: subi pois agora, que hoje o achareis.

14 Subiram pois á cidade: e, vindo elles no meio da cidade, eis que Samuel lhes saiu ao encontro, para subir ao alto.

15 Porque o Senhor o revelara aos ouvidos [10] de Samuel, um dia antes que Saul viesse, dizendo:

16 Ámanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamin, o qual ungirás [11] por capitão sobre o meu povo de Israel, e elle livrará o meu povo da mão dos philisteos; [12] porque tenho olhado para o meu povo; porque o clamor chegou a mim.

17 E quando Samuel viu a Saul, o Senhor lhe respondeu: Eis aqui [13] o homem de quem já te tenho dito. Este dominará sobre o meu povo.

18 E Saul se chegou a Samuel no meio da porta, e disse: Mostra-me, peço-te, onde está aqui a casa do vidente.

19 E Samuel respondeu a Saul, e disse: Eu sou o vidente; sobe diante de mim ao alto, e comei hoje comigo; e pela manhã te despedirei, e tudo quanto está no teu coração, t’o declararei.

20 E quanto ás jumentas [14] que ha tres dias se te perderam, não occupes o teu coração com ellas, porque se acharam. E para quem é todo o desejo de Israel? porventura não é para [15] ti, e para toda a casa de teu pae?

21 Então respondeu Saul, e disse: Porventura não sou eu filho de Benjamin, da mais pequena das tribus de Israel? [16] e a minha familia a mais pequena de todas as familias da tribu de Benjamin? porque pois me fallas com similhantes palavras?

22 Porém Samuel tomou a Saul e ao seu moço, e os levou á camara; e deu-lhes logar a cima de todos os convidados, que eram uns trinta homens.

23 Então disse Samuel ao cozinheiro: Dá cá a porção que te dei, de que te disse: Pôe-n’a á parte comtigo.

24 Levantou pois o cozinheiro a espadoa, [17] com o que havia n’ella, e pôl-a diante de Saul: e disse Samuel: Eis que isto é o sobejo; pôe-n’o diante de[274] ti, e come; porque se guardou para ti para esta occasião, dizendo eu: Tenho convidado o povo. Assim comeu Saul aquelle dia com Samuel.

25 Então desceram do alto para a cidade; e fallou com Saul sobre o eirado.

26 E se levantaram de madrugada; e succedeu que, quasi ao subir da alva, chamou Samuel a Saul ao eirado, dizendo: Levanta-te, e despedir-te-hei. Levantou-se Saul, e sairam para fóra ambos, elle e Samuel.

27 E, descendo elles para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao moço que passe adiante de nós; (e passou) porém tu espera agora, e te farei ouvir a palavra de Deus.

[1] cap. 14.51. I Chr. 8.33 e 9.39.

[2] cap. 10.26.

[3] II Reis 4.42.

[4] Deu. 33.1. I Reis 13.1. cap. 3.19.

[5] Jui. 6.18 e 13.17. I Reis 14.3. II Reis 4.42 e 8.8.

[6] Gen. 25.22.

[7] II Sam. 24.11. II Reis 17.13. I Chr. 26.28 e 29.29. II Chr. 16.7, 10. Isa. 30.10. Amós 7.12.

[8] Gen. 24.11.

[9] Gen. 31.54. cap. 16.2. I Reis 3.2.

[10] cap. 15.1. Act. 13.21.

[11] cap. 10.1.

[12] Exo. 2.25 e 3.7, 9.

[13] cap. 16.12. Ose. 13.11.

[14] ver. 3.

[15] cap. 8.5, 19 e 12.13.

[16] cap. 15.17. Jui. 20.46, 47, 48. Psa. 68.28. Jui. 6.15.

[17] Lev. 7.32, 33. Eze. 24.4.

Samuel unge Saul como rei de Israel.

10 Então tomou Samuel [1] um vaso de azeite, e lh’o derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Porventura te não tem ungido [2] o Senhor por capitão sobre a sua herdade?

2 Partindo-te hoje de mim, acharás dois homens junto ao [3] sepulchro de Rachel, no termo de Benjamin, em Zelsah, os quaes te dirão: Acharam-se as jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pae deixou o negocio das jumentas, e anda afflicto por causa de vós, dizendo: Que farei eu por meu filho?

3 E quando d’ali passares mais adiante, e chegares ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão tres homens, que vão subindo a [4] Deus a Beth-el: um levando tres cabritos, o outro tres bolos de pão, e o outro um odre de vinho.

4 E te perguntarão como estás, e te darão dois pães, que tomarás da sua mão.

5 Então virás ao [5] outeiro de Deus, onde está a guarnição dos philisteos; e ha de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um rancho de prophetas que descem do alto, e [6] trazem diante de si psalterios, e tambores, e flautas, e harpas; e prophetizarão.

6 E o espirito [7] do Senhor se apoderará de ti, e prophetizarás com elles, e te mudarás em outro homem.

7 E ha de ser que, quando estes signaes [8] te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é comtigo.

8 Tu porém descerás diante de mim a Gilgal, [9] e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para offerecer offertas pacificas: ali sete dias esperarás, [10] até que eu venha a ti, e te declare o que has de fazer.

9 Succedeu pois que, virando elle as costas para partir de Samuel, Deus lhe mudou o coração em outro: e todos aquelles signaes aconteceram aquelle mesmo dia.

10 E, chegando [11] elles ao outeiro, eis que um rancho de prophetas lhes saiu ao encontro: e o espirito do Senhor se apoderou d’elle, e prophetizou no meio d’elles.

11 E aconteceu que, como todos os que d’antes o conheciam viram que eis que com os prophetas prophetizava, então disse o povo, cada qual ao seu companheiro: Que é o que succedeu ao filho de Kis? Está tambem [12] Saul entre os prophetas?

12 Então um homem d’ali respondeu, e disse: Pois quem é [13] o pae d’elles? Pelo que se tornou em proverbio: Está tambem Saul entre os prophetas?

13 E, acabando de prophetizar, veiu ao alto.

14 E disse-lhe o tio de Saul, a elle e ao seu moço: Aonde fostes? E disse elle: A buscar as jumentas, e, vendo que não appareciam, viemos a Samuel.

15 Então disse o tio de Saul: Declara-me, peço-te, que é o que vos disse Samuel?

16 E disse Saul a seu tio: Declarou-nos, na verdade, que as jumentas se acharam. Porém o negocio do reino, de que Samuel fallara, lhe não declarou.

O povo escolhe Saul para seu rei.

17 Convocou pois Samuel o povo ao Senhor [14] em Mispah.

18 E disse aos filhos de Israel: [15] Assim disse o Senhor Deus de Israel: Eu fiz subir a Israel do Egypto, e livrei-vos da mão dos egypcios e da mão de todos os reinos que vos opprimiam.

19 Mas vós tendes rejeitado hoje [16] a vosso Deus, que vos livrou de todos os vossos males e trabalhos, e lhe tendes dito: Põe um rei sobre nós: agora, pois, ponde-vos perante o Senhor, pelas vossas tribus e pelos vossos milhares.

20 Fazendo pois chegar [17] Samuel todas as tribus, tomou-se a tribu de Benjamin.

21 E, fazendo chegar a tribu de Benjamin[275] pelas suas familias, tomou-se a familia de Matri: e d’ella se tomou Saul, filho de Kis; e o buscaram, porém não se achou.

22 Então tornaram a perguntar [18] ao Senhor se aquelle homem ainda viria ali. E disse o Senhor: Eis que se escondeu entre a bagagem.

23 E correram, e o tomaram d’ali, e poz-se no meio do povo: e era [19] mais alto do que todo o povo desde o hombro para cima.

24 Então disse Samuel a todo o povo: Vêdes já a quem o Senhor tem elegido? [20] pois em todo o povo não ha nenhum similhante a elle. Então jubilou todo o povo, e disseram: Viva o rei!

25 E declarou Samuel ao povo o direito do reino, [21] e escreveu-o n’um livro, e pôl-o perante o Senhor: então enviou Samuel a todo o povo, cada um para sua casa.

26 E foi-se tambem Saul a sua casa, a [22] Gibeah: e foram com elle do exercito aquelles cujos corações Deus tocara.

27 Mas os filhos [23] de Belial disseram: É este o que nos ha de livrar? E o desprezaram, [24] e não lhe trouxeram presentes: porém elle se fez como surdo.

[1] cap. 9.16 e 16.13. II Reis 9.3, 6. Psa. 2.12. Act. 13.21.

[2] Deu. 32.9. Psa. 78.71.

[3] Gen. 35.19, 20. Jos. 18.28.

[4] Gen. 28.22 e 35.1, 3, 7.

[5] ver. 10. cap. 13.3.

[6] cap. 9.12. Exo. 15.20, 21. II Reis 3.15. I Cor. 14.1.

[7] Num. 11.25. cap. 16.13. ver. 10. cap. 19.23.

[8] Exo. 4.8. Luc. 2.12. Jui. 6.12.

[9] cap. 11.14, 15 e 13.4.

[10] cap. 13.8.

[11] ver. 5. cap. 19.20. ver. 6.

[12] cap. 19.24. Mat. 13.54, 55. João 7.15. Act. 4.13.

[13] Isa. 54.13. João 6.45 e 7.16.

[14] Jui. 11.11 e 20.1. cap. 11.15 e 7.5, 6.

[15] Jui. 6.8, 9.

[16] cap. 8.7, 19 e 12.12.

[17] Jos. 7.14, 16, 17. Act. 1.24, 26.

[18] cap. 23.2, 4, 10, 11.

[19] cap. 9.2.

[20] II Sam. 21.6. I Reis 1.25, 39. II Reis 11.12.

[21] Deu. 17.14, etc. cap. 8.11.

[22] Jui. 20.14. cap. 11.4.

[23] cap. 11.12. Deu. 13.13.

[24] II Sam. 8.2. I Reis 4.21 e 10.25. II Chr. 17.5. Psa. 72.10. Mat. 2.11.

Saul vence os ammonitas.

11 Então subiu Nahas, ammonita, [1] e sitiou a Jabez-gilead: e disseram todos os homens de Jabez a Nahas: Faze alliança [2] comnosco, e te serviremos.

2 Porém Nahas, ammonita, lhes disse: Com esta condição farei alliança comvosco: que a todos vos arranque o olho direito, e assim ponha esta affronta [3] sobre todo o Israel.

3 Então os anciãos de Jabez lhe disseram: Deixa-nos por sete dias, para que enviemos mensageiros por todos os termos de Israel, e, não havendo ninguem que nos livre, então sairemos a ti.

4 E, vindo os mensageiros a Gibeah [4] de Saul, fallaram estas palavras aos ouvidos do povo. Então todo o povo levantou a sua voz, e chorou.

5 E eis que Saul vinha do campo, atraz dos bois; e disse Saul: Que tem o povo, que chora? E contaram-lhe as palavras dos homens de Jabez.

6 Então o [5] espirito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras: e accendeu-se em grande maneira a sua ira.

7 E tomou um par de bois, e cortou-os em pedaços, [6] e os enviou a todos os termos de Israel pelas mãos dos mensageiros, dizendo: Qualquer que não sair atraz [7] de Saul e atraz de Samuel, assim se fará aos seus bois. Então caiu o temor do Senhor sobre o povo, e sairam como um homem.

8 E contou-os em Bezek: [8] e houve dos filhos d’Israel trezentos mil, e dos homens de Judah trinta mil.

9 Então disseram aos mensageiros que vieram: Assim direis aos homens de Jabez-gilead: Ámanhã, em aquecendo o sol, vos virá livramento. Vindo pois os mensageiros, e annunciando-o aos homens de Jabez, se alegraram.

10 E os homens de Jabez disseram: Ámanhã sairemos a vós; então [9] nos fareis conforme a tudo o que parecer bem aos vossos olhos.

11 E succedeu que ao outro dia Saul [10] poz o povo em tres companhias, e vieram ao meio do arraial pela vela da manhã, e feriram a Ammon, até que o dia aqueceu: e succedeu que os restantes se espalharam, que não ficaram dois d’elles juntos.

12 Então disse o povo a Samuel: Quem é aquelle que [11] dizia que Saul não reinaria sobre nós? Dae aquelles homens, e os mataremos.

13 Porém Saul disse: Hoje não morrerá nenhum, [12] pois hoje tem obrado o Senhor um livramento em Israel.

14 E disse Samuel ao povo: Vinde, vamos nós a Gilgal, [13] e renovemos ali o reino.

15 E todo o povo partiu para Gilgal, e levantaram ali a Saul por rei perante o Senhor em Gilgal, [14] e offereceram ali offertas pacificas perante o Senhor: e Saul se alegrou muito ali com todos os homens d’Israel.

[1] cap. 12.12. Jui. 21.8.

[2] Gen. 26.28. Exo. 23.32. I Reis 20.34. Job 41.4. Eze. 17.13.

[3] Gen. 34.14. cap. 17.26.

[4] cap. 10.26 e 15.34. II Sam. 21.6. Jui. 2.4 e 21.2.

[5] Jui. 3.10 e 6.34 e 11.29 e 13.25 e 14.6. cap. 10.10 e 16.13.

[6] Jui. 19.29.

[7] Jui. 21.5, 8, 10.

[8] Jui. 1.5. II Sam. 24.9.

[9] ver. 3.

[10] cap. 31.11. Jui. 7.16.

[11] cap. 10.27. Luc. 19.27.

[12] II Sam. 19.22. Exo. 14.13, 30. cap. 19.5.

[13] cap. 10.8.

[14] cap. 10.17 e 10.8.

Samuel resigna o seu cargo.

12 Então disse Samuel a todo o Israel: Eis que ouvi a vossa voz em tudo quanto me dissestes, [1] e puz sobre vós um rei.

2 Agora, pois, eis que o rei [2] vae diante de vós, e já envelheci e encaneci, e eis que meus filhos estão comvosco, e eu[276] tenho andado diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje.

3 Eis-me aqui, testificae contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido, [3] a quem o boi tomei, a quem o jumento tomei, [4] e a quem defraudei, a quem tenho opprimido, e de cuja mão tenho tomado presente e com elle encobri os meus olhos, e vol-o restituirei.

4 Então disseram: Em nada nos defraudaste, nem nos opprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguem.

5 E elle lhes disse: O Senhor seja testemunha contra vós, e o seu ungido seja hoje testemunha, que nada [5] tendes achado na minha mão. E disse o povo: Seja testemunha.

6 Então disse Samuel ao povo: O Senhor é o que fez [6] a Moysés e a Aarão, e tirou a vossos paes da terra do Egypto.

7 Agora pois ponde-vos aqui em pé, e contenderei comvosco [7] perante o Senhor, sobre todas as justiças do Senhor, que fez a vós e a vossos paes.

8 Havendo entrado Jacob no Egypto, vossos paes [8] clamaram ao Senhor, e o Senhor enviou a Moysés e a Aarão, que tiraram a vossos paes do Egypto, e os fizeram habitar n’este logar.

9 Porém esqueceram-se [9] do Senhor seu Deus: então os vendeu á mão de Sisera, cabeça do exercito de Hazor, e em mão [10] dos philisteos, e em mão do rei dos moabitas, que pelejaram contra elles.

10 E clamaram ao Senhor, e disseram: Peccámos, [11] pois deixámos ao Senhor, e servimos aos baalins e astaroths: agora pois livra-nos da mão [12] de nossos inimigos, e te serviremos.

11 E o Senhor enviou a Jerubbaal, e a [13] Bedan, e a Jefte, e a Samuel; e livrou-vos da mão de vossos inimigos em redor, e habitastes seguros.

12 E vendo vós que Nahas, [14] rei dos filhos de Ammon, vinha contra vós, me dissestes: Não, mas reinará sobre nós um rei: sendo porém o [15] Senhor vosso Deus, o vosso Rei.

13 Agora [16] pois vedes ahi o rei que elegestes e que pedistes; e eis que o Senhor tem posto [17] sobre vós um rei.

14 Se temerdes [18] ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos á sua voz, e não fordes rebeldes ao dito do Senhor, assim vós, como o rei que reina sobre vós, seguireis o Senhor vosso Deus.

15 Mas se não derdes ouvidos á [19] voz do Senhor, mas antes fordes rebeldes ao dito do Senhor, a mão do Senhor será contra vós, como o era [20] contra vossos paes.

16 Ponde-vos [21] tambem agora aqui, e vêde esta grande coisa que o Senhor vae fazer diante dos vossos olhos.

17 Não é hoje a [22] sega dos trigos? [23] clamarei pois ao Senhor, e dará trovões e chuva; e sabereis e vereis que é grande a vossa maldade que tendes feito perante o Senhor, pedindo para vós um rei.

18 Então invocou Samuel ao Senhor, e o Senhor deu trovões e chuva n’aquelle dia; pelo que todo o povo temeu em grande maneira ao Senhor e a Samuel.

19 E todo o povo [24] disse a Samuel: Roga [25] pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para que não venhamos a morrer: porque a todos os nossos peccados temos accrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei.

20 Então disse Samuel ao povo: Não temaes; vós tendes commettido todo este mal; porém não vos desvieis de detraz do Senhor, mas servi ao Senhor com todo o vosso coração.

21 E não vos desvieis; [26] pois seguirieis as vaidades, que nada aproveitam, e tão pouco vos livrarão, porque vaidades são.

22 Pois o Senhor não desamparará o seu povo, por causa do seu grande nome: [27] porque aprouve ao Senhor fazer-vos o seu povo.

23 E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando [28] de orar por vós: antes vos ensinarei o caminho bom e direito.

24 Tão sómente temei [29] ao Senhor, e servi-o fielmente com todo o vosso coração: porque vede quão grandiosas coisas vos fez.

25 Porém, se perseverardes em fazer mal, perecereis, assim vós [30] como o vosso rei.

[1] cap. 8.5, 19, 20 e 10.24 e 11.14, 15.

[2] Num. 27.17. cap. 8.20 e 8.1, 6.

[3] ver. 5. cap. 10.1 e 24.6. II Sam. 1.14.

[4] Num. 16.15. Act. 20.33. I The. 2.5. Deu. 16.19.

[5] João 18.38. Act. 23.9 e 24.16, 20. Exo. 22.4.

[6] Miq. 6.4.

[7] Isa. 1.18 e 5.3, 4. Miq. 6.2, 3.

[8] Gen. 46.4, 6. Exo. 2.23 e 3.10 e 4.10.

[9] Jui. 3.7.

[10] Jui. 4.2 e 10.7 e 13.1.

[11] Jui. 3.12 e 10.10 e 2.13.

[12] Jui. 10.15, 16.

[13] Jui. 6.14, 32 e 11.1. cap. 7.13.

[14] cap. 11.1 e 8.5, 19.

[15] Jui. 8.23. cap. 8.7 e 10.19, 24.

[16] cap. 8.5 e 9.20.

[17] Ose. 13.11.

[18] Jos. 24.14. Psa. 81.14, 15, etc.

[19] Lev. 26.14, 15, etc. Deu. 28.15. Jos. 24.20.

[20] ver. 9.

[21] Exo. 14.13, 31.

[22] Pro. 26.1.

[23] Jos. 10.12. cap. 7.9, 10. Thi. 5.16, 17, 18. cap. 8.7.

[24] Exo. 14.31. Esd. 10.9.

[25] Exo. 9.28 e 10.17. Thi. 5.15. I João 5.16.

[26] Deu. 11.16. Jer. 16.19. Hab. 2.18. I Cor. 8.4.

[27] I Reis 6.13. Psa. 94.14. Jos. 7.9. Jer. 14.21. Eze. 20.9. Deu. 7.7, 6 e 14.2. Mal. 1.2.

[28] Act. 12.5. Rom. 1.9. Col. 1.9. II Tim. 1.3. Psa. 34.12. Pro. 4.11. I Reis 8.36. II Chr. 6.27. Jer. 6.16.

[29] Ecc. 12.13. Isa. 5.12. Deu. 10.21. Psa. 126.2, 3.

[30] Jos. 24.20. Deu. 28.36.

[277]

Guerra entre os israelitas e os philisteos.

Antes de Christo 1093

13 Um anno tinha estado Saul em seu reinado: e o segundo anno reinou sobre Israel.

2 Então Saul escolheu para si tres mil de Israel; e estavam com Saul dois mil em Michmas, e na montanha de Beth-el, e mil estavam com Jonathan em Gibeah [1] de Benjamin: e o resto do povo despediu, cada um para sua casa.

3 E Jonathan feriu [2] a guarnição dos philisteos que estava em Gibeah, o que os philisteos ouviram: pelo que Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreos.

4 Então todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos philisteos, e tambem Israel se fez abominavel aos philisteos. Então o povo foi convocado atraz de Saul em Gilgal.

5 E os philisteos se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavalleiros, e povo em multidão como a areia que está á borda do mar; e subiram, e se acamparam em Michmas, ao oriente de Beth-aven.

6 Vendo pois os homens de Israel que estava em angustia (porque o povo estava apertado) o povo se escondeu [3] pelas cavernas, e pelos espinhaes, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas.

7 E os hebreos passaram o Jordão para a terra de Gad e Gilead: e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo veiu atraz d’elle tremendo.

Saul offerece sacrificios e Samuel reprova-o.

8 E esperou [4] sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se espalhava d’elle.

9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e offertas pacificas. E offereceu o holocausto.

10 E succedeu que, acabando elle de offerecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar.

11 Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os philisteos já se tinham ajuntado em Michmas,

12 Eu disse: Agora descerão os philisteos sobre mim a Gilgal, e ainda á face do Senhor não orei: e violentei-me, e offereci holocausto.

13 Então disse Samuel a Saul: Obraste nesciamente, [5] e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre.

14 Porém [6] agora não subsistirá o teu reino: já tem buscado [7] o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.

15 Então se levantou Samuel, e subiu de Gilgal a Gibeah de Benjamin: e Saul numerou o povo que achou com elle, [8] uns seiscentos varões.

16 E Saul e Jonathan, seu filho, e o povo que se achou com elles, ficaram em Gibeah de Benjamin: porém os philisteos se acamparam em Michmas.

17 E os destruidores sairam do campo dos philisteos em tres companhias: uma das companhias voltou pelo caminho [9] d’Ophra á terra de Sual:

18 Outra companhia voltou pelo caminho de [10] Beth-horon: e a outra companhia voltou pelo caminho do termo que olha para o valle Zeboim contra o deserto.

19 E em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava: [11] porque os philisteos tinham dito: Para que os hebreos não façam espada nem lança.

20 Pelo que todo o Israel tinha que descer aos philisteos para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho.

21 Tinham porém limas adentadas para os seus sachos, e para as suas enxadas, e para as forquilhas de tres dentes, e para os machados, e para concertar as aguilhadas.

22 E succedeu que, no dia da peleja, se não achou [12] nem espada nem lança na mão de todo o povo que estava com Saul e com Jonathan: porém acharam-se com Saul e com Jonathan seu filho.

23 E saiu a guarnição [13] dos philisteos ao passo de Michmas.

[1] cap. 10.26.

[2] cap. 10.5.

[3] Jui. 6.2.

[4] cap. 10.8.

[5] II Chr. 16.9. cap. 15.11.

[6] cap. 15.28.

[7] Psa. 89.20. Act. 13.22.

[8] cap. 14.2.

[9] Jos. 18.23.

[10] Jos. 16.3 e 13.13, 14. Neh. 11.34.

[11] II Reis 24.14. Jer. 24.1.

[12] Jui. 5.8.

[13] cap. 14.1, 4.

A victoria de Jonathan sobre os philisteos.

Antes de Christo 1087

14 Succedeu pois que um dia disse Jonathan, filho de Saul, ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos á guarnição dos philisteos, que está lá d’aquella banda. Porém não o fez saber a seu pae.

2 E estava Saul á extremidade de Gibeah, debaixo da romeira que estava em[278] Migron; e o povo que havia com elle eram uns [1] seiscentos homens.

3 E Ahija, [2] filho d’Ahitub, irmão d’Icabod, o filho de Phineas, filho d’Eli, sacerdote do Senhor em Silo, trazia o ephod: porém o povo não sabia que Jonathan tinha ido.

4 E entre os passos pelos quaes Jonathan procurava passar á guarnição [3] dos philisteos, d’esta banda havia uma penha aguda, e da outra banda uma penha aguda: e era o nome de uma Bozez, e o nome da outra Senné.

5 Uma penha para o norte estava defronte de Michmas, e a outra para o sul defronte de Gibeah.

6 Disse pois Jonathan ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos á guarnição d’estes incircumcisos; porventura obrará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento ha de livrar [4] com muitos ou com poucos.

7 Então o seu pagem d’armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui comtigo, conforme ao teu coração.

8 Disse pois Jonathan: Eis que passaremos áquelles homens, e nos descobriremos a elles.

9 Se nos disserem assim: Parae até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso logar, e não subiremos a elles.

10 Porém, dizendo assim: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os tem entregado na nossa mão, [5] e isto nos será por signal.

11 Descobrindo-se ambos elles pois á guarnição dos philisteos, disseram os philisteos: Eis que os hebreos sairam das cavernas em que se tinham escondido.

12 E os homens da guarnição responderam a Jonathan e ao seu pagem d’armas, e disseram: Subi a nós, e nós vol-o ensinaremos. E disse Jonathan ao seu pagem d’armas: Sobe atraz de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão d’Israel.

13 Então trepou Jonathan com os pés e com as mãos, e o seu pagem d’armas atraz d’elle: e cairam diante de Jonathan, e o seu pagem d’armas os matava atraz d’elle.

14 E succedeu esta primeira desfeita, em que Jonathan e o seu pagem d’armas feriram até uns vinte homens, quasi no meio de uma geira de terra que uma junta de bois podia lavrar.

15 E houve tremor [6] no arraial, no campo e em todo o povo; tambem a mesma guarnição e os destruidores tremeram, e até a terra se alvoroçou, porquanto era tremor de Deus.

16 Olharam pois as sentinellas de Saul em Gibeah de Benjamin, e eis que a multidão se derramava, e fugia batendo-se.

17 Disse então Saul ao povo que estava com elle: Ora numerae, e vêde quem é que saiu d’entre nós. E numeraram, e eis que nem Jonathan nem o seu pagem d’armas estavam ali.

18 Então Saul disse a Ahija: Traze aqui a arca de Deus (porque n’aquelle dia estava a arca de Deus com os filhos d’Israel).

19 E succedeu que, estando Saul ainda fallando com [7] o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos philisteos ia crescendo muito, e se multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão.

20 Então Saul e todo o povo que havia com elle se convocaram, e vieram á peleja; e eis que a espada d’um era contra o outro, [8] e houve mui grande tumulto.

21 Tambem com os philisteos havia hebreos, como d’antes, que subiram com elles ao arraial em redor; e tambem estes se ajuntaram com os israelitas que estavam com Saul e Jonathan.

22 Ouvindo pois todos os homens d’Israel que se esconderam [9] pela montanha d’Ephraim que os philisteos fugiam, elles tambem os perseguiram de perto na peleja.

23 Assim livrou o Senhor a Israel n’aquelle dia: [10] e o arraial passou a Beth-aven.

O atrevido voto de Saul.

24 E estavam os homens d’Israel já exhaustos n’aquelle dia, porquanto Saul conjurou [11] o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até á tarde, para que me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de provar pão.

25 E toda [12] a terra chegou a um bosque: e havia mel na superficie do campo.

26 E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel: porém ninguem chegou a mão á bocca, porque o povo temia a conjuração.

27 Porém Jonathan não tinha ouvido quando seu pae conjurava o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão á bocca, aclararam-se os seus olhos.

[279]

28 Então respondeu um do povo, e disse: Solemnemente conjurou teu pae o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Pelo que o povo desfallecia.

29 Então disse Jonathan: Meu pae tem turbado a terra; ora vêde como se me aclararam os olhos por ter gostado um pouco d’este mel.

30 Quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos philisteos.

31 Feriram porém aquelle dia aos philisteos, desde Michmas até Ajalon, e o povo desfalleceu em extremo.

32 Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vaccas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu [13] com sangue.

33 E o annunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo pecca contra o Senhor, comendo com sangue. E disse elle: Aleivosamente obrastes; revolvei-me hoje uma grande pedra.

34 Disse mais Saul: Derramae-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolae-os aqui, e comei, e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um com a sua mão, o seu boi, e os degolaram ali.

35 Então edificou [14] Saul um altar ao Senhor: este foi o primeiro altar que edificou ao Senhor.

Jonathan é condemnado á morte.

36 Depois disse Saul: Desçamos de noite atraz dos philisteos, e despojemol-os, até que amanheça a luz, e não deixemos de resto um homem d’elles. E disseram: Tudo o que parecer bem aos teus olhos faze. Disse porém o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.

37 Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atraz dos philisteos? entregal-os-has na mão de Israel? Porém aquelle dia lhe não [15] respondeu.

38 Então disse Saul: [16] Chegae-vos para cá de todos os chefes do povo, e informae-vos, e vêde em que se commetteu hoje este peccado;

39 Porque vive [17] o Senhor que salva a Israel, que, ainda que fosse em meu filho Jonathan, certamente morrerá. E nenhum de todo o povo lhe respondeu.

40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis d’uma banda, e eu e meu filho Jonathan estaremos da outra banda. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus olhos.

41 Fallou pois Saul ao Senhor Deus d’Israel: Mostra o innocente. Então Jonathan e Saul [18] foram tomados por sorte, e o povo saiu livre.

42 Então disse Saul: Lançae a sorte entre mim e Jonathan, meu filho. E foi tomado Jonathan.

43 Disse então Saul a Jonathan: Declara-me [19] o que tens feito. E Jonathan lh’o declarou, e disse: Tão sómente gostei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis que devo morrer.

44 Então disse Saul: [20] Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jonathan.

45 Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jonathan, que obrou tão grande salvação em Israel? nunca tal succeda; vive o Senhor, [21] que não lhe ha de cair no chão um só cabello da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jonathan, para que não morresse.

46 E Saul deixou de seguir os philisteos: e os philisteos se foram ao seu logar.

47 Então tomou Saul o reino sobre Israel; e pelejou contra todos os seus inimigos em redor: contra Moab, e contra os [22] filhos de Ammon, e contra Edom, e contra os reis de Zoba, [23] e contra os philisteos, e para onde quer que se tornava executava castigos.

48 E houve-se valorosamente, e feriu [24] aos amalekitas: e libertou a Israel da mão dos que o saqueavam.

49 E os filhos [25] de Saul eram Jonathan, e Isvi, e Malchisua: e os nomes de suas duas filhas eram estes: o nome da mais velha Merab, e o nome da mais nova, Michal.

50 E o nome da mulher de Saul, Ahinoam, filha d’Ahimaas: e o nome do general do exercito, Abner, filho de Ner, tio de Saul.

51 E Kis, [26] pae de Saul, e Ner, pae d’Abner, eram filhos d’Abiel.

52 E houve uma forte guerra contra os philisteos, todos os dias de Saul: pelo que Saul a todos os homens valentes e valorosos que via os aggregava [27] a si.

[1] cap. 13.15.

[2] cap. 22.9, 11, 20 e 4.21 e 2.28.

[3] cap. 13.23.

[4] Jui. 7.4, 7. II Chr. 14.11.

[5] Gen. 24.14. Jui. 7.11.

[6] II Reis 7.7. Job 18.11.

[7] Num. 27.21.

[8] Jui. 7.22. II Chr. 20.23.

[9] cap. 13.6.

[10] Exo. 14.30. Psa. 44.7, 8. Ose. 1.7. cap. 13.5.

[11] Jos. 6.26.

[12] Deu. 9.28. Mat. 3.5. Exo. 3.8. Num. 13.27. Mat. 3.4.

[13] Lev. 3.17 e 7.26 e 17.10 e 19.26. Deu. 12.16, 23, 24.

[14] cap. 7.17.

[15] cap. 28.6.

[16] Jos. 7.14. cap. 10.19.

[17] II Sam. 12.5.

[18] Pro. 16.33. Act. 1.24. Jos. 7.16. cap. 10.20, 21.

[19] Jos. 7.19. ver. 27.

[20] Ruth 1.17. ver. 39.

[21] II Sam. 14.11. I Reis 1.52. Luc. 21.18.

[22] cap. 11.11.

[23] II Sam. 10.6.

[24] cap. 15.3, 7.

[25] cap. 31.2. I Chr. 8.33.

[26] cap. 9.1.

[27] cap. 8.11.

[280]

Samuel manda a Saul destruir os amalekitas.

Antes de Christo 1079

15 Então disse Samuel a Saul: Enviou-me [1] o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel: ouve pois agora a voz das palavras do Senhor.

2 Assim diz o Senhor dos exercitos: Eu me recordei do que fez Amalek a Israel; como se lhe oppoz [2] no caminho, quando subia do Egypto.

3 Vae pois agora e fere a Amalek; e destroe totalmente a [3] tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até á mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até ás ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.

4 O que Saul annunciou ao povo, e os contou em Teilaim, duzentos mil homens de pé, e dez mil homens de Judah.

5 Chegando pois Saul á cidade d’Amalek, poz emboscada no valle.

6 E disse Saul aos keneos: [4] Ide-vos, retirae-vos e sahi do meio dos amalekitas, para que vos não destrua juntamente com elles, porque vós usastes de misericordia [5] com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egypto. Assim os keneos se retiraram do meio dos amalekitas.

7 Então feriu Saul [6] aos amalekitas desde Havia até chegar a Sur, [7] que está defronte do Egypto.

8 E tomou [8] vivo a Agag, rei dos amalekitas; porém a todo o povo destruiu ao fio da espada.

9 E Saul e o povo [9] perdoaram a Agag, e ao melhor das ovelhas e das vaccas, e ás da segunda sorte, e aos cordeiros e ao melhor que havia, e não os quizeram destruir totalmente: porém a toda a coisa vil e desprezivel destruiram totalmente.

Deus manda Samuel reprehender a Saul.

10 Então veiu a palavra do Senhor a Samuel, dizendo:

11 Arrependo-me [10] de haver posto a Saul como rei; porquanto se tornou de detraz de mim, e não executou as minhas palavras. [11] Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao Senhor.

12 E madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã: e annunciou-se a Samuel, dizendo: Já chegou Saul ao [12] Carmelo, e eis que levantou para si uma columna. Então fez volta, e passou e desceu a Gilgal.

13 Veiu pois Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bemdito [13] tu do Senhor; executei a palavra do Senhor.

14 Então disse Samuel: Que balido pois de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de vaccas que oiço?

15 E disse Saul: De Amalek as trouxeram; porque o povo perdoou ao [14] melhor das ovelhas e das vaccas, para as offerecer ao Senhor teu Deus: o resto porém temos destruido totalmente.

16 Então disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o Senhor me disse esta noite. E elle disse-lhe: Falla.

17 E disse Samuel: Porventura, sendo tu pequeno [15] aos teus olhos, não foste por Cabeça das tribus de Israel? e o Senhor te ungiu rei sobre Israel.

18 E enviou-te o Senhor a este caminho, e disse: Vae, e destroe totalmente a estes peccadores, os amalekitas, e peleja contra elles, até que os aniquiles.

19 Porque pois não déste ouvidos á voz do Senhor, antes voaste ao despojo, e fizeste o que parecia mal aos olhos do Senhor?

20 Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos á [16] voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agag, rei de Amalek, e os amalekitas destrui totalmente;

21 Mas o povo tomou [17] do despojo ovelhas e vaccas, o melhor do [JM] interdicto, para offerecer ao Senhor teu Deus em Gilgal.

22 Porém Samuel disse: Tem porventura [18] o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrificios, como em que se obedeça á palavra do Senhor? eis que o obedecer [19] é melhor do que o sacrificar, e o attender melhor é do que a gordura de carneiros.

23 Porque a rebellião é como o peccado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, elle tambem te rejeitou [20] a ti, para que não sejas rei.

24 Então disse Saul [21] a Samuel: Pequei, porquanto tenho traspassado o dito do Senhor e as tuas palavras: porque[281] [22] temi ao povo, e dei ouvidos á sua voz.

25 Agora pois, te rogo, perdoa-me o meu peccado: e torna-te comigo, para que adore ao Senhor.

26 Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei comtigo: porquanto rejeitaste [23] a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei sobre Israel.

27 E virando-se Samuel para se ir, elle lhe pegou [24] pela borda da capa, e a rasgou.

28 Então Samuel lhe disse: O Senhor tem rasgado de ti hoje o [25] reino de Israel, e o tem dado ao teu proximo, melhor do que tu.

29 E tambem aquelle que é a Força de Israel não mente nem se [26] arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa.

30 Disse elle então: Pequei; honra-me [27] porém agora diante dos anciãos do meu povo, e diante de Israel: e torna-te comigo, para que adore ao Senhor teu Deus.

31 Então Samuel se tornou atraz de Saul: e Saul adorou ao Senhor.

Samuel mata a Agag.

32 Então disse Samuel: Trazei-me aqui a Agag, rei dos amalekitas. E Agag veiu a elle melindrosamente: e disse Agag: Na verdade já passou a amargura da morte.

33 Disse porém Samuel: Assim como [28] a tua espada desfilhou as mulheres, assim ficará desfilhada a tua mãe entre as mulheres. Então Samuel despedaçou a Agag perante o Senhor em Gilgal.

34 Então Samuel se foi a Rama: e Saul subiu a sua casa, a [29] Gibeah de Saul.

35 E [30] nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porque [31] Samuel teve dó de Saul. E o Senhor se arrependeu de que pozera a Saul rei sobre Israel.

[1] cap. 9.16.

[2] Exo. 17.8, 14. Num. 24.20. Deu. 25.17.

[3] Lev. 27.28. Jos. 6.17, 21.

[4] Num. 24.21. Jui. 1.16 e 4.11. Gen. 18.25 e 19.12, 14. Apo. 18.4.

[5] Exo. 18.10, 19. Num. 10.29, 32.

[6] cap. 14.48. Gen. 2.11 e 25.18.

[7] Gen. 16.7.

[8] I Reis 20.34, 35, etc. cap. 30.1.

[9] ver. 3, 15.

[10] ver. 35. Gen. 6.6, 7. II Sam. 24.16. Jos. 22.16. ver. 3, 9. cap. 13.13.

[11] ver. 35. cap. 16.1.

[12] Jos. 15.55.

[13] Gen. 14.19. Jui. 17.2. Ruth 3.10.

[14] ver. 9, 21. Gen. 3.12. Pro. 28.13.

[15] cap. 9.21.

[16] ver. 13.

[17] ver. 15.

[18] Psa. 50.8, 9. Pro. 21.3. Isa. 1.11, 17. Jer. 7.22. Miq. 6.6-8. Heb. 10.69.

[19] Ecc. 5.1. Ose. 6.6. Mat. 5.24 e 19.13 e 12.7. Mar. 12.33.

[20] cap. 13.14.

[21] II Sam. 12.13.

[22] Exo. 23.2. Pro. 29.25. Isa. 51.12, 13.

[23] cap. 2.30.

[24] I Reis 11.30.

[25] cap. 28.17, 18. I Reis 11.31.

[26] Num. 23.19. Eze. 24.14. II Tim. 2.13. Tito 1.2.

[27] João 5.41 e 12.43.

[28] Exo. 17.11. Num. 14.45. Jui. 1.7.

[29] cap. 11.4.

[30] cap. 19.24.

[31] ver. 11. cap. 16.1.

Deus manda Samuel ungir a David como rei.

Antes de Christo 1063

16 Então disse o Senhor a Samuel: Até quando terás dó [1] de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? enche [2] o teu [JN] vaso d’azeite, e vem, enviar-te-hei a Jessé o beth-lehemita; porque d’entre os seus filhos me tenho provido de um rei.

2 Porém disse Samuel: Como irei eu? pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então disse o Senhor: Toma uma bezerra das vaccas em tuas mãos, e dize: Vim para sacrificar [3] ao Senhor.

3 E convidarás a [JO] Jessé ao sacrificio: e eu te farei saber [4] o que has de fazer, e ungir-me-has a quem eu te disser.

4 Fez pois Samuel o que dissera o Senhor, e veiu a Beth-lehem: então os anciãos da cidade sairam [5] ao encontro, tremendo, e disseram: De paz é a tua vinda?

5 E disse elle: É de paz, vim sacrificar ao Senhor; sanctificae-vos, [6] e vinde comigo ao sacrificio. E sanctificou elle a Jessé e a seus filhos, e os convidou ao sacrificio.

6 E succedeu que, entrando elles, viu a Eliab, [7] e disse: Certamente está perante o Senhor o seu ungido.

7 Porém o Senhor disse a Samuel: Não attentes para a sua apparencia, [8] nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê [9] o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

8 Então chamou Jessé a [10] Abinadab: e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este tem escolhido o Senhor.

9 Então Jessé fez passar a Samma: porém disse: Tão pouco a este tem escolhido o Senhor.

10 Assim fez passar Jessé a seus sete filhos diante de Samuel: porém Samuel disse a Jessé: O Senhor não tem escolhido a estes.

11 Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os mancebos? E disse: Ainda falta [11] o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse pois Samuel a Jessé: Envia, e manda-o [12] chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que elle venha aqui.

12 Então mandou, e o trouxe (e era ruivo [13] e formoso de semblante e de boa presença): e disse o Senhor: Levanta-te, e unge-o, porque este mesmo é.

13 Então Samuel tomou o vaso do azeite, e ungiu-o [14] no meio de seus irmãos;[282] e desde aquelle dia em diante o espirito do Senhor se apoderou de David: então Samuel se levantou, e se tornou a Rama.

Saul é atormentado pelo espirito maligno.

14 E o espirito [15] do Senhor se retirou de Saul, e o assombrava o espirito mau [16] da parte do Senhor.

15 Então os creados de Saul lhe disseram: Eis que agora o espirito mau da parte do Senhor te assombra:

16 Diga pois nosso senhor a seus servos, que estão [17] em tua presença, que busquem um homem que saiba tocar harpa, e será que, quando o espirito mau da parte do Senhor vier sobre ti, então elle tocará [18] com a sua mão, e te acharás melhor.

17 Então disse Saul aos seus servos: Buscae-me pois um homem que toque bem, e trazei-m’o.

18 Então respondeu um dos mancebos, e disse: Eis que tenho visto a um filho de Jessé, o beth-lehemita, que sabe tocar, e é valente e animoso, [19] e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença: o Senhor é com elle.

19 E Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: Envia-me David, teu filho, o que está com as ovelhas.

20 Então tomou Jessé um [20] jumento carregado de pão, e um odre de vinho, e um cabrito, e enviou-os a Saul pela mão de David, seu filho.

21 Assim David veiu a Saul, e esteve perante [21] elle, e o amou muito, e foi seu pagem d’armas.

22 Então Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar a David perante mim, pois achou graça em meus olhos.

23 E succedia que, quando o espirito mau da parte [22] de Deus vinha sobre Saul, David tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia allivio, e se achava melhor, e o espirito mau se retirava d’elle.

[1] cap. 15.35 e 15.23.

[2] cap. 9.16. II Reis 9.1. Act. 13.22.

[3] cap. 9.12 e 20.29.

[4] Exo. 4.15. cap. 9.16.

[5] cap. 21.1. I Reis 2.13. II Reis 9.22.

[6] Exo. 19.10, 14.

[7] cap. 17.13. I Chr. 27.18. I Reis 12.26.

[8] Psa. 147.10, 11.

[9] Isa. 55.8. II Cor. 10.7. I Reis 8.39. I Chr. 28.9. Jer. 11.20 e 17.10. Act. 1.24.

[10] cap. 17.13.

[11] cap. 17.12.

[12] II Sam. 7.8. Psa. 78.70.

[13] cap. 17.42. Can. 5.10. cap. 9.17.

[14] cap. 10.1. Psa. 89.20. Num. 27.18. Jui. 11.29 e 13.25 e 14.6. cap. 10.6, 10.

[15] Jui. 16.20. cap. 11.6 e 28.15. Psa. 51.11.

[16] Jui. 9.23. cap. 18.10 e 19.9.

[17] Gen. 41.46. ver. 21, 22. I Reis 10.8.

[18] ver. 23. II Reis 3.15.

[19] cap. 17.32, 34, 35, 36.

[20] ver. 11. cap. 17.15, 34 e 10.27 e 17.18. Gen. 43.11. Pro. 18.16.

[21] Gen. 41.46. I Reis 10.8. Pro. 22.29.

[22] ver. 14, 16.

Guerra entre os israelitas e os philisteos.

17 E os philisteos [1] ajuntaram os seus arraiaes para a guerra e congregaram-se em [2] Socoh, que está em Judah, e acamparam-se entre Socoh e Azeka, no termo de Dammim.

2 Porém Saul e os homens de Israel se ajuntaram e acamparam no valle do carvalho, e ordenaram a batalha contra os philisteos.

3 E os philisteos estavam n’um monte da banda d’além, e os israelitas estavam no outro monte da banda d’áquem; e o valle estava entre elles.

4 Então saiu do arraial dos philisteos um homem guerreiro, cujo nome era Goliath, [3] de Gath, que tinha de altura seis covados e um palmo.

5 Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze.

6 E trazia grevas de bronze por cima de seus pés, e um escudo de bronze entre os seus hombros.

7 E a haste da sua lança [4] era como o orgão do tecelão, e o ferro da sua lança de seiscentos siclos de ferro, e diante d’elle ia o escudeiro.

8 E parou, e clamou ás companhias d’Israel, e disse-lhes: Para que saireis a ordenar a batalha? não sou eu philisteo e vós servos [5] de Saul? escolhei d’entre vós um homem que desça a mim.

9 Se elle puder pelejar comigo, e me ferir, a vós seremos por servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então a nós sereis por servos, e [6] nos servireis.

10 Disse mais o philisteo: Hoje desafio [7] as companhias de Israel, dizendo: Dae-me um homem, para que ambos pelejemos.

11 Ouvindo então Saul e todo o Israel estas palavras do philisteo, espantaram-se, e temeram muito.

Jessé envia David a seus irmãos.

12 E David [8] era filho de um homem, ephrateo, de Beth-lehem de Judah, cujo nome era Jessé, que tinha oito filhos: e nos dias de Saul era este homem velho e adiantado na edade entre os homens.

13 Foram-se os tres filhos mais velhos de Jessé, e seguiram a Saul á guerra: e eram os nomes [9] de seus tres filhos, que se foram á guerra, Eliab, o primogenito, e o segundo Abinadab, e o terceiro Samma.

14 E David era o menor; e os tres maiores seguiram a Saul.

15 David porém foi-se e voltou de Saul, para apascentar [10] as ovelhas de seu pae em Beth-lehem.

16 Chegava-se pois o philisteo pela manhã e á tarde; e apresentou-se por quarenta dias.

[283]

17 E disse Jessé a David, seu filho: Toma, peço-te, para teus irmãos um epha d’este grão tostado e estes dez pães, e corre a leval-os ao arraial, a teus irmãos.

18 Porém estes dez queijos de leite leva ao chefe de mil; [11] e visitarás a teus irmãos, a ver se lhes vae bem; e tomarás o seu penhor.

19 E estavam Saul, e elles, e todos os homens d’Israel no valle do carvalho, pelejando com os philisteos.

20 David então de madrugada se levantou pela manhã, e deixou as ovelhas a um guarda, e carregou-se, e partiu, como Jessé lhe ordenara: e chegou ao logar dos carros, quando já o arraial sahia em ordem de batalha, e a gritos chamavam á peleja.

21 E os israelitas e philisteos se pozeram em ordem, fileira contra fileira.

22 E David deixou a carga que trouxera na mão do guarda da bagagem, e correu á batalha; e, chegando, perguntou a seus irmãos se estavam bem.

O gigante Goliath insulta os israelitas.

23 E, estando elle ainda fallando com elles, eis que vinha subindo do exercito dos philisteos o homem guerreiro, cujo nome era Goliath, o philisteo de Gath e fallou conforme áquellas palavras, [12] e David as ouviu.

24 Porém todos os homens em Israel, vendo aquelle homem, fugiam de diante d’elle e temiam grandemente.

25 E diziam os homens de Israel: Vistes aquelle homem que subiu? pois subiu para affrontar a Israel: ha de ser pois que o homem que o ferir o rei o enriquecerá de grandes riquezas, e lhe dará [13] a sua filha, e fará franca a casa de seu pae em Israel.

26 Então fallou David aos homens que estavam com elle, dizendo: Que farão áquelle homem que ferir a este philisteo, e tirar a affronta [14] de sobre Israel? quem é pois este incircumciso philisteo, [15] para affrontar os exercitos do Deus vivo?

27 E o povo lhe tornou a fallar conforme áquella palavra dizendo: [16] Assim farão ao homem que o ferir.

28 E, ouvindo Eliab, seu irmão mais velho, fallar áquelles homens, accendeu-se a ira [17] d’Eliab contra David, e disse: Porque desceste aqui? e a quem deixaste aquellas poucas ovelhas no deserto? bem conheço a tua presumpção, e a maldade do teu coração, que desceste para ver a peleja.

29 Então disse David: Que fiz eu agora? porventura não [18] ha razão para isso?

30 E desviou-se d’elle para outro, e fallou [19] conforme áquella palavra: e o povo lhe tornou a responder conforme ás primeiras palavras.

31 E, ouvidas as palavras que David havia fallado, as annunciaram a Saul, e mandou em busca d’elle.

David dispõe-se a pelejar contra o gigante.

32 E David disse a Saul: Não desfalleça [20] o coração de ninguem por causa d’elle: teu servo irá, e pelejará contra este philisteo.

33 Porém Saul disse a David: Contra este philisteo não poderás [21] ir para pelejar com elle: pois tu ainda és moço, e elle homem de guerra desde a sua mocidade.

34 Então disse David a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pae; e vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho;

35 E eu sahi após elle, e o feri, e livrei-a da sua bocca: e, levantando-se elle contra mim, lancei-lhe mão da barba, e o feri, e o matei.

36 Assim feriu o teu servo o leão, como o urso: assim será este incircumciso philisteo como um d’elles; porquanto affrontou os exercitos do Deus vivo.

37 Disse mais David: O Senhor me livrou [22] da mão do leão, e da do urso; elle me livrará da mão d’este philisteo. Então disse Saul a David: Vae-te embora, e o Senhor [23] seja comtigo.

38 E Saul vestiu a David dos seus vestidos, e poz-lhe sobre a cabeça um capacete de bronze: e o vestiu de uma couraça.

39 E David cingiu a espada sobre os seus vestidos, e começou a andar; porém nunca o havia experimentado: então disse David a Saul: Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei. E David tirou aquillo de sobre si.

40 E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pôl-os no alforge de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda: e foi-se chegando ao philisteo.

41 O philisteo tambem veiu e se vinha chegando a David: e o que lhe levava o escudo ia diante d’elle.

42 E, olhando o philisteo, e vendo a David, [24] o desprezou, porquanto era mancebo, ruivo, e de gentil aspecto.

[284]

43 Disse pois o philisteo a David: Sou eu algum cão, [25] para tu vires a mim com paus? E o philisteo amaldiçoou a David pelos seus deuses.

44 Disse mais o philisteo a David: Vem a mim, [26] e darei a tua carne ás aves do céu e ás bestas do campo.

45 David porém disse ao philisteo: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos exercitos, o Deus dos exercitos [27] de Israel, a quem tens affrontado.

46 Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão, e ferir-te-hei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos [28] philisteos darei hoje mesmo ás aves do céu e ás bestas da terra: e toda a terra saberá que ha Deus em Israel:

47 E saberá toda esta congregação que o Senhor salva, [29] não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e elle vos entregará na nossa mão.

David encontra-se com o gigante e mata-o.

48 E succedeu que, levantando-se o philisteo, e indo encontrar-se com David, apressou-se David, e correu ao combate, a encontrar-se com o philisteo.

49 E David metteu a mão no alforge, e tomou d’ali uma pedra e com a funda lh’a atirou, e feriu o philisteo na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.

50 Assim David [30] prevaleceu contra o philisteo, com uma funda e com uma pedra, e feriu o philisteo, e o matou sem que David tivesse uma espada na mão.

51 Pelo que correu David, e poz-se em pé sobre o philisteo, e tomou a sua espada, e tirou-a da bainha, e o matou, e lhe cortou com ella a cabeça: vendo então os philisteos, que o seu [JP] campeão era morto, [31] fugiram.

52 Então os homens de Israel e Judah se levantaram, e jubilaram, e seguiram os philisteos, até chegar ao valle, e até ás portas d’Ekron: e cairam os feridos dos philisteos pelo caminho de Saaraim [32] até Gath e até Ekron.

53 Então voltaram os filhos de Israel de perseguirem os philisteos, e despojaram os seus arraiaes.

54 E David tomou a cabeça do philisteo, e a trouxe a Jerusalem: porém poz as armas d’elle na sua tenda.

55 Vendo porém Saul sair David a encontrar-se com o philisteo, disse a Abner, o chefe do exercito: [33] De quem é filho este mancebo, Abner? E disse Abner: Vive a tua alma, ó rei, que o não sei.

56 Disse então o rei: Pergunta, pois, de quem é filho este mancebo.

57 Voltando pois David de ferir o philisteo, Abner o tomou comsigo, e o trouxe á presença de Saul, trazendo elle na mão a cabeça [34] do philisteo.

58 E disse-lhe Saul: De quem és filho, mancebo? E disse David: [35] Filho de teu servo Jessé, beth-lehemita.

[1] cap. 13.5.

[2] Jos. 15.35. II Chr. 28.18.

[3] II Sam. 21.19. Jos. 11.22.

[4] II Sam. 21.19.

[5] cap. 8.17.

[6] cap. 11.1.

[7] ver. 26. II Sam. 21.21.

[8] ver. 58. Ruth 4.22. cap. 16.1. Gen. 35.19.

[9] cap. 16.6, 8, 9. I Chr. 2.13.

[10] cap. 16.19.

[11] Gen. 37.14.

[12] ver. 8.

[13] Jos. 15.16.

[14] cap. 11.2.

[15] cap. 14.6. ver. 10. Deu. 5.26.

[16] ver. 25.

[17] Gen. 37.4, 8, 11. Mat. 10.36.

[18] ver. 17.

[19] ver. 26, 27.

[20] Deu. 20.1, 3. cap. 16.18.

[21] Num. 13.31. Deu. 9.2.

[22] II Cor. 1.10. II Tim. 4.17, 18.

[23] cap. 20.13. I Chr. 22.11, 16.

[24] I Cor. 1.27, 28. cap. 16.12.

[25] cap. 24.14. II Sam. 3.8 e 9.8 e 16.9. II Reis 8.13.

[26] I Reis 20.10, 11.

[27] II Sam. 22.33, 35. Psa. 124.8 e 125.1. II Cor. 10.4. Heb. 11.33, 34.

[28] Deu. 28.26. Jos. 4.24. II Reis 19.19. Isa. 52.10.

[29] Psa. 44.6, 7. Ose. 1.7. Zac. 4.6. II Chr. 20.15.

[30] cap. 21.9. Jui. 3.31 e 15.15. II Sam. 23.21.

[31] Heb. 11.34.

[32] Jos. 15.36.

[33] cap. 16.21, 22.

[34] ver. 54.

[35] ver. 12.

Amizade de Jonathan para com David.

18 E succedeu que, acabando elle de fallar com Saul, [1] a alma de Jonathan se ligou com a alma de David: e Jonathan o amou, como á sua propria alma.

2 E Saul n’aquelle dia o tomou, [2] e não lhe permittiu que tornasse para casa de seu pae.

3 E Jonathan e David fizeram alliança: porque Jonathan o amava como á sua propria alma.

4 E Jonathan se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a David, como tambem os seus vestidos, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.

5 E sahia David aonde quer que Saul o enviava, e conduzia-se com prudencia, e Saul o poz sobre a gente de guerra: e era acceito aos olhos de todo o povo, e até aos olhos dos servos de Saul.

6 Succedeu porém que, vindo elles, quando David voltava de ferir os philisteos, [3] as mulheres de todas as cidades de Israel sairam ao encontro do rei Saul, cantando, e em danças, com adufes, com alegria, e com instrumentos de musica.

O cantico das mulheres indigna a Saul.

7 E as mulheres tangendo, se respondiam umas ás outras, [4] e diziam: Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares.

8 Então Saul se indignou muito, e aquella palavra pareceu [5] mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a David, e a mim sómente milhares; na[285] verdade, que lhe falta, senão [6] só o reino?

9 E, desde aquelle dia em diante, Saul tinha David em suspeita.

10 E aconteceu ao outro dia, que o mau espirito [7] da parte de Deus se apoderou de Saul, e prophetizava no meio da casa: e David tangia com a sua mão, como de dia em dia: [8] Saul porém tinha na mão uma lança.

11 E Saul atirou [9] com a lança, dizendo: Encravarei a David na parede. Porém David se desviou d’elle por duas vezes.

12 E temia [10] Saul a David, porque o Senhor era com elle e se tinha retirado de Saul.

13 Pelo que Saul o desviou de si, e o poz por chefe de mil: e sahia e [11] entrava diante do povo.

14 E David se conduzia com prudencia em todos os seus caminhos, e o Senhor era [12] com elle.

15 Vendo então Saul que tão prudentemente se conduzia, tinha receio d’elle.

16 Porém todo o Israel e Judah amava [13] a David, porquanto sahia e entrava diante d’elles.

Saul intenta matar David pela astucia.

17 Pelo que Saul disse a David: Eis que Merab, [14] minha filha mais velha, te darei por mulher; sê-me somente filho valoroso, e guerreia as guerras do Senhor (porque Saul dizia comsigo: Não seja contra elle a minha mão, mas sim a dos philisteos).

18 Mas David disse a Saul: Quem sou eu, [15] e qual é a minha vida e a familia de meu pae em Israel, para vir a ser genro do rei?

19 Succedeu, porém, que ao tempo que Merab, filha de Saul, devia ser dada a David, ella foi dada [16] por mulher a Adriel, meholathita.

Michal, a filha de Saul, ama a David e casa com elle.

20 Mas Michal, [17] a outra filha de Saul amava a David: o que, sendo annunciado a Saul, pareceu isto bom aos seus olhos.

21 E Saul disse: Eu lh’a darei, para que lhe sirva [18] de laço, e para que a mão dos philisteos venha a ser contra elle. Pelo que Saul disse a David: Com a outra serás hoje meu genro.

22 E Saul deu ordem aos seus servos: Fallae em segredo a David, dizendo: Eis que o rei te está mui affeiçoado, e todos os seus servos te amam; agora, pois, consente em ser genro do rei.

23 E os servos de Saul fallaram todas estas palavras aos ouvidos de David. Então disse David: Parece-vos pouco aos vossos olhos ser genro do rei, sendo eu homem pobre e desprezivel?

24 E os servos de Saul lhe annunciaram isto, dizendo: Foram taes as palavras que fallou David.

25 Então disse Saul: Assim direis a David: O rei não tem necessidade de dote, senão de cem [19] prepucios de philisteos, para se tomar vingança dos inimigos do rei. Porquanto Saul tentava fazer cair a David pela mão dos philisteos.

26 E annunciaram os seus servos estas palavras a David, e este negocio pareceu bem aos olhos de David, de que fosse genro do rei: porém ainda os dias se não haviam cumprido.

27 Então David se levantou, e partiu elle com os seus homens, [20] e feriram d’entre os philisteos duzentos homens, e David trouxe os seus prepucios, [21] e os entregaram todos ao rei, para que fosse genro do rei: então Saul lhe deu por mulher a sua filha.

28 E viu Saul, e notou que o Senhor era com David: e Michal, filha de Saul, o amava.

29 Então Saul temeu muito mais a David: e Saul foi todos os seus dias inimigo de David.

30 E, saindo [22] os principes dos philisteos, succedeu que, saindo elles, David se conduziu mais prudentemente do que todos os servos de Saul: portanto o seu nome era mui estimado.

[1] Gen. 44.30. cap. 19.2 e 20.17. II Sam. 1.26. Deu. 13.6.

[2] cap. 17.15.

[3] Exo. 15.20. Jui. 11.34.

[4] Exo. 15.21. cap. 21.11 e 29.5.

[5] Ecc. 4.4.

[6] cap. 15.28.

[7] cap. 16.14 e 19.24. I Reis 18.29. Act. 16.16.

[8] cap. 19.9.

[9] cap. 19.20 e 20.33. Pro. 27.4.

[10] ver. 15, 29. cap. 16.13, 18 e 16.14 e 28.15.

[11] ver. 16. Num. 27.17. II Sam. 5.2.

[12] Gen. 39.2, 3, 23. Jos. 6.27.

[13] ver. 5.

[14] cap. 17.25. Num. 32.20, 27, 29. cap. 25.28. ver. 21, 25. II Sam. 12.9.

[15] ver. 23. cap. 9.21. II Sam. 7.18.

[16] II Sam. 21.8. Jui. 7.22.

[17] ver. 28.

[18] Exo. 10.7. ver. 17.

[19] Gen. 34.12. Exo. 14.24. cap. 22.17. ver. 17.

[20] ver. 13.

[21] II Sam. 3.14.

[22] II Sam. 11.1. ver. 5.

Jonathan aplaca o ciume que seu pae tem de David.

Antes de Christo 1062

19 E fallou Saul a Jonathan, seu filho, e a todos os seus servos, para que matassem a David. Porém Jonathan, filho de Saul, estava [1] mui affeiçoado a David.

2 E Jonathan o annunciou a David, dizendo: Meu pae, Saul, procura matar-te, pelo que agora guarda-te pela manhã, e fica-te em occulto, e esconde-te.

[286]

3 E sairei eu, e estarei á mão de meu pae no campo em que estiveres, e eu fallarei de ti a meu pae, e verei o que houver, e t’o annunciarei.

4 Então Jonathan fallou [2] bem de David a Saul, seu pae, e disse-lhe: Não peque o rei contra seu servo David, porque elle não peccou contra ti, e porque os seus feitos te são mui bons.

5 Porque poz a [3] sua alma na mão, e feriu aos philisteos, e fez o Senhor um grande livramento a todo o Israel; tu mesmo o viste, e te alegraste: porque, pois, peccarias [4] contra o sangue innocente, matando a David sem causa?

6 E Saul deu ouvidos á voz de Jonathan, e jurou Saul: Vive o Senhor, que não morrerá.

7 E Jonathan chamou a David, e contou-lhe todas estas palavras: e Jonathan levou David a Saul, e esteve perante elle [5] como d’antes.

8 E tornou a haver guerra: e saiu David, e pelejou contra os philisteos, e feriu-os de grande ferida, e fugiram diante d’elle.

9 Porém o espirito mau [6] da parte do Senhor se tornou sobre Saul, estando elle assentado em sua casa, e tendo na mão a sua lança, e tangendo David com a mão o instrumento de musica.

10 E procurava Saul encravar a David com a parede, porém elle se desviou de diante de Saul, o qual feriu com a lança na parede: então fugiu David, e escapou n’aquella mesma noite.

11 Porém Saul mandou mensageiros á casa de David, que o guardassem, e o matassem pela manhã: do que Michal, sua mulher, avisou a David, dizendo: Se não salvares a tua vida esta noite, ámanhã te matarão.

Michal engana a seu pae e salva a David.

12 Então Michal desceu [7] a David por uma janella: e elle se foi, e fugiu, e escapou.

13 E Michal tomou [JQ] uma estatua e a deitou na cama, e poz-lhe á cabeceira uma pelle de cabra, e a cobriu com uma coberta.

14 E, mandando Saul mensageiros que trouxessem a David, ella disse: Está doente.

15 Então Saul mandou mensageiros que viessem a David, dizendo: Trazei-m’o na cama, para que o mate.

16 Vindo pois os mensageiros, eis aqui a estatua na cama, e a pelle de cabra á sua cabeceira.

17 Então disse Saul a Michal: Porque assim me enganaste, e deixaste ir e escapar o meu inimigo? E disse Michal a Saul: Porque elle me disse: Deixa-me ir, porque [8] hei de eu matar-te?

18 Assim David fugiu e escapou, e veiu a Samuel, a Rama, e lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera: e foram, elle e Samuel, e ficaram em Naioth.

19 E o annunciaram a Saul, dizendo: Eis que David está em Naioth, em Rama.

20 Então enviou Saul mensageiros para [9] trazerem a David, os quaes viram uma congregação de prophetas prophetizando, onde estava Samuel que presidia sobre elles: e o espirito de Deus veiu sobre os mensageiros de Saul, e tambem [10] elles prophetizaram.

21 E, avisado d’isto Saul, enviou outros mensageiros, e tambem estes prophetizaram: então enviou Saul ainda uns terceiros mensageiros, os quaes tambem prophetizaram.

22 Então foi tambem elle mesmo a Rama, e chegou ao poço grande que estava em Secu; e, perguntando, disse: Onde estão Samuel e David? E disseram-lhe: Eis que estão em Naioth, em Rama.

23 Então foi-se lá para Naioth, em Rama: e o mesmo espirito de Deus veiu [11] sobre elle, e ia prophetizando, até chegar a Naioth, em Rama.

24 E elle tambem despiu [12] os seus vestidos, e elle tambem prophetizou diante de Samuel, e esteve nú por terra todo aquelle dia e toda aquella noite; pelo que se diz: Está tambem Saul entre os prophetas?

[1] cap. 18.1.

[2] Pro. 31.8, 9. Gen. 42.22. Psa. 35.12 e 109.5. Pro. 17.13. Jer. 18.20.

[3] Jui. 9.17 e 12.3. cap. 28.21. cap. 17.49, 50. I Sam. 11.13. I Chr. 11.14.

[4] cap. 20.32. Mat. 27.4.

[5] cap. 16.21 e 18.2, 13.

[6] cap. 16.14 e 18.10, 11.

[7] Jos. 2.15. Act. 9.24.

[8] II Sam. 2.22.

[9] João 7.32, 45, etc. cap. 10.5. I Cor. 14.3, 24, 25.

[10] Num. 11.25. Joel 2.28.

[11] cap. 10.10.

[12] Isa. 20.2. Miq. 1.8. II Sam. 6.14, 20. cap. 10.11.

A entrevista de David com Jonathan.

20 Então fugiu David de Naioth, em Rama: e veiu, e disse perante Jonathan: Que fiz eu? qual é o meu crime? e qual é o meu peccado diante de teu pae, que procura tirar-me a vida?

2 E elle lhe disse: Tal não haja: não morrerás; eis que meu pae não faz coisa nenhuma grande, nem pequena, sem primeiro me dar parte; porque pois meu pae me encobriria este negocio? não ha tal.

3 Então David tornou a jurar, e disse:[287] Mui bem sabe teu pae que achei graça em teus olhos; pelo que disse: Não saiba isto Jonathan, para que se não magõe, e, na verdade, vive o Senhor, e vive a tua alma, que apenas ha um passo entre mim e a morte.

4 E disse Jonathan a David: O que disser a tua alma, eu te farei.

5 Disse David a Jonathan: Eis que ámanhã é a [1] lua nova, em que costumo assentar-me com o rei para comer: deixa-me tu ir, porém, e esconder-me-hei no campo, até á terceira tarde.

6 Se teu pae notar a minha ausencia, dirás: David me pediu muito que o deixasse ir correndo a Beth-lehem, [2] sua cidade; porquanto se faz lá o sacrificio annual para toda a linhagem.

7 Se disser assim, [3] Está bem; então teu servo tem paz: porém se muito se indignar, sabe que já está inteiramente determinado no mal.

8 Usa pois de misericordia [4] com o teu servo, porque fizeste a teu servo entrar comtigo em alliança do Senhor: se porém ha em mim crime, mata-me tu mesmo: [5] porque me levarias a teu pae?

9 Então disse Jonathan: Longe de ti tal coisa: porém se d’alguma maneira soubesse que já este mal está inteiramente determinado por meu pae, para que viesse sobre ti, não t’o descobriria eu?

10 E disse David a Jonathan: Quem tal me fará saber, se por acaso teu pae te responder asperamente?

Jonathan faz um pacto com David.

11 Então disse Jonathan a David: Vem e saiamos ao campo. E sairam ambos ao campo.

12 E disse Jonathan a David: Ó Senhor Deus de Israel, se, sondando eu a meu pae ámanhã a estas horas, ou depois d’ámanhã, e eis que houver coisa favoravel para David: e eu então não enviar a ti, e não t’o fizer saber;

13 O Senhor [6] faça assim com Jonathan outro tanto; que se aprouver a meu pae fazer-te mal, tambem t’o farei saber, e te deixarei partir, e irás em paz: e o Senhor seja comtigo, [7] assim como foi com meu pae.

14 E, se eu então ainda viver, porventura não usarás comigo da beneficencia do Senhor, para que não morra?

15 Nem tão pouco cortarás [8] da minha casa a tua beneficencia eternamente: nem ainda quando o Senhor desarraigar da terra a cada um dos inimigos de David.

16 Assim fez Jonathan alliança com a casa de David, dizendo: O Senhor o [9] requeira da mão dos inimigos de David.

17 E Jonathan fez jurar a David de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor [10] da sua alma.

18 E disse-lhe Jonathan: [11] Ámanhã é a lua nova, e não te acharão no teu logar, pois o teu assento se achará vazio.

19 E, ausentando-te tu tres dias, desce apressadamente, e vae áquelle logar [12] onde te escondeste no dia do negocio: e fica-te junto á pedra de Ezel.

20 E eu atirarei tres frechas para aquella banda, como se atirara ao alvo.

21 E eis que mandarei o moço dizendo: Anda, busca as frechas: se eu expressamente disser ao moço: Olha que as frechas estão para cá de ti; toma-o comtigo, e vem; porque ha paz para ti, e não ha nada, vive o Senhor.

22 Porém se disser ao moço assim: Olha que as frechas estão para lá de ti; vae-te embora; porque o Senhor te deixa ir.

23 E quanto ao negocio [13] de que eu e tu fallámos, eis que o Senhor está entre mim e ti eternamente.

24 Escondeu-se pois David no campo: e, sendo a lua nova, assentou-se o rei para comer pão.

25 E, assentando-se o rei no seu assento, como as outras vezes, no logar junto á parede, Jonathan se levantou, e assentou-se Abner ao lado de Saul: e o logar de David appareceu vasio.

26 Porém n’aquelle dia não disse Saul nada, porque dizia: Aconteceu-lhe alguma coisa, pela qual não está limpo; certamente [14] não está limpo.

27 Succedeu tambem ao outro dia, o segundo da lua nova, que o logar de David appareceu vasio: disse pois Saul a Jonathan, seu filho: Porque não veiu o filho de Jessé nem hontem nem hoje a comer pão?

28 E respondeu [15] Jonathan a Saul: David me pediu encarecidamente que o deixasse ir a Beth-lehem,

29 Dizendo: Peço-te que me deixes ir, porquanto a nossa linhagem tem um sacrificio na cidade, e meu irmão mesmo me mandou ir: se pois agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que me deixes partir, para que veja a meus irmãos: por isso não veiu á mesa do rei.

[288]

30 Então se accendeu a ira de Saul contra Jonathan, e disse-lhe: Filho da perversa em rebeldia; não sei eu que tens elegido o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha da nudez de tua mãe?

31 Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu serás firme, nem o teu reino: pelo que envia, e traze-m’o n’esta hora; porque é digno de morte.

32 Então respondeu Jonathan a Saul, seu pae, e lhe disse: Porque [16] ha de elle morrer? que tem feito?

33 Então Saul atirou-lhe com a lança, [17] para o ferir: assim entendeu Jonathan que já seu pae tinha determinado matar a David.

34 Pelo que Jonathan, todo encolerisado, se levantou da mesa: e no segundo dia da lua nova não comeu pão; porque se magoava por causa de David, porque seu pae o tinha maltratado.

35 E aconteceu, pela manhã, que Jonathan saiu ao campo, ao tempo que tinha ajustado com David, e um moço pequeno com elle.

36 Então disse ao seu moço: Corre a buscar as frechas que eu atirar. Correu pois o moço, e elle atirou uma frecha, que fez passar além d’elle.

37 E, chegando o moço ao logar da frecha que Jonathan tinha atirado, gritou Jonathan atraz do moço, e disse: Não está porventura a frecha mais para lá de ti?

38 E tornou Jonathan a gritar atraz do moço: Apressa-te, avia-te, não te demores. E o moço de Jonathan apanhou as frechas, e veiu a seu senhor.

39 E o moço não entendeu coisa alguma: só Jonathan e David sabiam d’este negocio.

40 Então Jonathan deu as suas armas ao moço que trazia, e disse-lhe: Anda, e leva-as á cidade.

41 E, indo-se o moço, levantou-se David da banda do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se tres vezes: e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos até que David chorou muito mais.

42 E disse Jonathan a David: Vae-te [18] em paz: o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha semente e a tua semente, seja perpetuamente.

43 Então se levantou David, e se foi; e Jonathan entrou na cidade.

[1] Num. 10.10 e 28.11. cap. 19.2.

[2] cap. 16.4.

[3] Deu. 1.23. II Sam. 17.4.

[4] Jos. 2.14. ver. 16. cap. 18.3 e 23.18.

[5] II Sam. 14.32.

[6] Ruth 1.17.

[7] Jos. 1.5. cap. 17.37. I Chr. 22.11, 16.

[8] II Sam. 9.1, 3, 7 e 21.7.

[9] cap. 25.22 e 31.2. II Sam. 4.7 e 21.8.

[10] cap. 18.1.

[11] ver. 5.

[12] cap. 19.2.

[13] ver. 14, 15, 42.

[14] Lev. 7.21 e 15.5, etc.

[15] ver. 6.

[16] cap. 19.5. Mat. 27.23. Luc. 23.22.

[17] cap. 18.11. ver. 7.

[18] cap. 1.17.

David vae ter com o sacerdote Achimelech.

21 Então veiu David a Nob, ao sacerdote [1] Achimelech; e Achimelech, tremendo, saiu ao encontro de David, e disse-lhe: Porque vens só, e ninguem comtigo?

2 E disse David ao sacerdote Achimelech: O rei me encommendou um negocio, e me disse: Ninguem saiba d’este negocio, pelo qual eu te enviei, e o qual te ordenei; quanto aos mancebos, apontei-lhes tal e tal logar.

3 Agora, pois, que tens á mão? dá-me cinco pães na minha mão, ou o que se achar.

4 E, respondendo o sacerdote a David, disse: Não tenho pão commum á mão; ha porém pão sagrado, [2] se ao menos os mancebos se abstiveram das mulheres.

5 E respondeu David ao sacerdote, e lhe disse: Sim, em boa fé, as mulheres se nos vedaram desde hontem: e ante hontem, quando eu sahi, os vasos [3] dos mancebos tambem eram sanctos: e em alguma maneira é pão commum, quanto mais que hoje se sanctificará outro nos vasos.

6 Então o sacerdote lhe deu o pão sagrado, [4] porquanto não havia ali outro pão senão os pães da proposição, que se tiraram de diante do Senhor para se pôr ali pão quente no dia em que aquelle se tirasse.

7 Estava, porém, ali n’aquelle dia um dos creados de Saul, detido perante o Senhor, e era seu nome Doeg, idumeo, [5] o mais poderoso dos pastores de Saul.

8 E disse David a Achimelech: Não tens aqui á mão lança ou espada alguma? porque não trouxe á mão nem a minha espada nem as minhas armas, porque o negocio do rei era apressado.

9 E disse o sacerdote: A espada de Goliath, o philisteo, a quem tu feriste no [6] valle do carvalho, eis que aquella aqui está envolta n’um panno detraz do ephod: se tu a queres tomar, toma-a, porque nenhuma outra ha aqui, senão aquella. E disse David: Não ha outra similhante; dá-m’a.

David foge para Achis rei de Gath.

10 E David levantou-se, e fugiu aquelle dia de diante de Saul, e veiu a Achis, rei de Gath.

11 Porém os creados de Achis lhe disseram: Não é este David, o rei da terra? não se cantava d’este nas danças,[289] dizendo: [7] Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares?

12 E David considerou [8] estas palavras no seu animo, e temeu muito diante d’Achis, rei de Gath.

13 Pelo que se contrafez diante dos olhos d’elles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas do portal, e deixava correr a saliva pela barba.

14 Então disse Achis aos seus creados: Eis que bem vêdes que este homem está louco; porque m’o trouxestes a mim?

15 Faltam-me a mim doidos, para que trouxesseis a este que fizesse doidices diante de mim? ha de este entrar na minha casa?

[1] cap. 14.3 e 16.4.

[2] Exo. 25.30. Lev. 24.5. Mat. 12.4.

[3] I The. 4.4.

[4] Lev. 8.26. Mat. 12.3. Mar. 2.25. Luc. 6.3. Lev. 24.8.

[5] cap. 22.9.

[6] cap. 17.2, 50 e 31.10.

[7] cap. 18.7 e 29.5.

[8] Luc. 2.19.

David esconde-se na caverna de Adullam.

22 Então David se retirou d’ali, e escapou para a caverna de Adullam: e [1] ouviram-n’o seus irmãos e toda a casa de seu pae, e desceram ali para elle.

2 E ajuntou-se a elle todo [2] o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espirito desgostoso, e elle se fez chefe d’elles: e eram com elle uns quatrocentos homens.

3 E foi-se David d’ali a Mispeh dos moabitas, e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pae e minha mãe comvosco, até que saiba o que Deus ha de fazer de mim.

4 E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com elle todos os dias que David esteve no logar forte.

5 Porém o propheta [3] Gad disse a David: Não fiques n’aquelle logar forte; vae, e entra na terra de Judah. Então David se foi, e veiu para o bosque de Chereth.

Saul mata todos os sacerdotes de Nob.

6 E ouviu Saul que já se sabia de David e dos homens que estavam com elle: e estava Saul em Gibeah, debaixo d’um arvoredo, em Rama, e tinha na mão a sua lança, e todos os seus creados estavam com elle.

7 Então disse Saul a todos os seus creados que estavam com elle: Ouvi, peço-vos, filhos de Benjamin, [4] dar-vos-ha tambem o filho de Jessé, a todos vós, terras e vinhas, e far-vos-ha a todos chefes de milhares e chefes de centenas?

8 Para que todos vos tenhaes conspirado contra mim, e ninguem ha que me dê aviso de que meu filho tem feito alliança [5] com o filho de Jessé, e nenhum d’entre vós ha que se dôa de mim, e m’o participe, pois meu filho tem contra mim sublevado a meu servo, para me armar ciladas, como se vê n’este dia.

9 Então [6] respondeu Doeg, o idumeo, que tambem estava com os creados de Saul, e disse: Ao filho de Jessé vi vir a Nob, a Achimelech, [7] filho de Ahitub,

10 O qual consultou [8] por elle ao Senhor, e lhe deu mantimento, e lhe deu tambem a espada de Goliath, o philisteo.

11 Então o rei mandou chamar a Achimelech, sacerdote, filho de Ahitub, e a toda a casa de seu pae, os sacerdotes que estavam em Nob; e todos elles vieram ao rei.

12 E disse Saul: Ouve, peço-te, filho d’Ahitub. E elle disse: Eis-me aqui, senhor meu.

13 Então lhe disse Saul: Porque conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé? pois deste-lhe pão e espada, e consultaste por elle a Deus, para que se levantasse contra mim a armar-me ciladas, como se vê n’este dia?

14 E respondeu Achimelech ao rei, e disse: E quem, entre todos os teus creados, ha tão fiel como David, o genro do rei, prompto na sua obediencia, e honrado na tua casa?

15 Comecei, porventura, hoje a consultar por elle a Deus? longe de mim tal! não impute o rei coisa nenhuma a seu servo, nem a toda a casa de meu pae, pois o teu servo não soube nada de tudo isso, nem muito nem pouco.

16 Porém o rei disse: Achimelech, morrerás certamente, tu e toda a casa de teu pae.

17 E disse o rei aos da sua guarda que estavam com elle: Virae-vos, e matae os sacerdotes do Senhor, porque tambem a sua mão é com David, e porque souberam que fugiu e não m’o fizeram saber. Porém os creados do rei não quizeram estender [9] as suas mãos para arremetter contra os sacerdotes do Senhor.

18 Então disse o rei a Doeg: Vira-te tu, e arremette contra os sacerdotes. Então se virou Doeg, o idumeo, e arremetteu contra os sacerdotes, e matou n’aquelle dia oitenta e cinco homens [10] que vestiam ephod de linho.

19 Tambem a Nob, [11] cidade d’estes sacerdotes, passou a fio de espada, desde o homem até á mulher, desde os meninos até aos de mama, e até os bois,[290] jumentos e ovelhas passou a fio de espada.

Abiathar um dos sacerdotes escapa e vem ter com David.

20 Porém escapou [12] um dos filhos de Achimelech, filho de Ahitub, cujo nome era Abiathar, o qual fugiu atraz de David.

21 E Abiathar annunciou a David que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor.

22 Então David disse a Abiathar: Bem sabia eu n’aquelle dia que, estando ali Doeg, o idumeo, não deixaria de o denunciar a Saul: eu dei occasião contra todas as almas da casa de teu pae.

23 Fica comigo, não temas, porque quem procurar [13] a minha morte tambem procurará a tua, pois estarás salvo comigo.

[1] II Sam. 23.13.

[2] Jui. 11.3.

[3] II Sam. 24.11. I Chr. 21.9. II Chr. 29.25.

[4] cap. 8.14.

[5] cap. 18.3 e 20.30.

[6] cap. 21.7. Psa. 52.2. ver. 1, 2, 3.

[7] cap. 21.1 e 14.3.

[8] Num. 27.21.

[9] Exo. 1.17.

[10] cap. 2.31.

[11] ver. 9, 11.

[12] cap. 23.6 e 2.33.

[13] I Reis 2.26.

David livra Keila.

Antes de Christo 1061

23 E foi annunciado a David, dizendo: Eis que os philisteos pelejam contra Keila, [1] e saqueiam as eiras.

2 E consultou [2] David ao Senhor, dizendo: Irei eu, e ferirei a estes philisteos? E disse o Senhor a David: Vae, e ferirás aos philisteos, e livrarás a Keila.

3 Porém os homens de David lhe disseram: Eis que tememos aqui em Judah, quanto mais indo a Keila contra os esquadrões dos philisteos.

4 Então David tornou a consultar ao Senhor, e o Senhor lhe respondeu, e disse: Levanta-te, desce a Keila, porque te dou os philisteos na tua mão.

5 Então David partiu com os seus homens a Keila, e pelejou contra os philisteos, e levou os gados, e fez grande estrago entre elles: e David livrou os moradores de Keila.

6 E succedeu que, quando Abiathar, filho de Achimelech, fugiu [3] para David, a Keila, desceu com o ephod na mão.

7 E foi annunciado a Saul que David era vindo a Keila, e disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos, pois está encerrado, entrando n’uma cidade de portas e ferrolhos.

8 Então Saul mandou chamar a todo o povo á peleja, para que descessem a Keila, para cercar a David e os seus homens.

9 Sabendo pois David, que Saul maquinava este mal contra elle, disse a Abiathar, sacerdote: [4] Traze aqui o ephod.

10 E disse David: Ó Senhor, Deus de Israel, teu servo decerto tem ouvido que Saul procura vir a Keila, para destruir a [5] cidade por causa de mim.

11 Entregar-me-hão os cidadãos de Keila na sua mão? descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? ah Senhor Deus d’Israel! fal-o saber ao teu servo. E disse o Senhor: Descerá.

12 Disse mais David: Entregar-me-hiam os cidadãos de Keila, a mim e aos meus homens, nas mãos de Saul? E disse o Senhor: Entregariam.

13 Então se levantou David com os seus homens, [6] uns seiscentos, e sairam de Keila, e foram-se aonde poderam: e sendo annunciado a Saul, que David escapara de Keila, cessou de sair contra elle.

Saul persegue David no deserto de Ziph.

14 E David permaneceu no deserto, nos logares fortes, e ficou em um monte [7] no deserto de Ziph: e Saul o buscava todos os dias, [8] porém Deus não o entregou na sua mão.

15 Vendo pois David, que Saul sairá á busca da sua vida, David esteve no deserto de Ziph, n’um bosque.

16 Então se levantou Jonathan, filho de Saul, e foi para David ao bosque, e confortou a sua mão em Deus;

17 E disse-lhe: Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pae, porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei comtigo o segundo: o que tambem Saul [9] meu pae, bem sabe.

18 E ambos fizeram [10] alliança perante o Senhor: David ficou no bosque, e Jonathan voltou para a sua casa.

19 Então [11] subiram os zipheos a Saul, a Gibeah, dizendo: Não se escondeu David entre nós, nos logares fortes no bosque, no outeiro de Hachila, que está á mão direita de Jesimon?

20 Agora pois, ó rei, apressadamente desce conforme a todo o desejo da tua alma; por nós fica [12] entregar-mol-o nas mãos do rei.

21 Então disse Saul: Bemditos sejaes vós do Senhor, porque vos compadecestes de mim.

22 Ide pois, e diligenciae ainda mais, e sabei e notae o logar que frequenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito que é astutissimo.

23 Pelo que attentae bem, e informae-vos ácerca de todos os esconderijos, em[291] que elle se esconde; e então voltae para mim com toda a certeza, e ir-me-hei comvosco; e ha de ser que, se estiver n’aquella terra, o buscarei entre todos os milhares de Judah.

24 Então se levantaram elles, e se foram a Ziph, diante de Saul: David porém e os seus homens estavam no deserto de Maon, [13] na campanha, á direita de Jesimon.

25 E Saul e os seus homens se foram em busca d’elle; o que annunciaram a David, e desceu para aquella penha, e ficou no deserto de Maon: o que ouvindo Saul, seguiu a David para o deserto de Maon.

26 E Saul ia d’esta banda do monte, e David e os seus homens da outra banda do monte: e succedeu que David se apressou [14] a escapar de Saul; Saul porém e os seus homens cercaram a David e aos seus homens, para lançar mão d’elles.

27 Então veiu [15] um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os philisteos com impeto entraram na terra.

28 Pelo que Saul voltou de perseguir a David, e foi-se ao encontro dos philisteos: por esta razão aquelle logar se chamou [JR] Sela-hammahlecoth.

29 E subiu David d’ali, e ficou nos logares fortes de Engedi.

[1] Jos. 15.44.

[2] ver. 4, 6, 9. cap. 30.8. II Sam. 5.19, 23.

[3] cap. 22.20.

[4] Num. 27.21. cap. 30.7.

[5] cap. 22.19.

[6] cap. 22.2 e 25.13.

[7] Psa. 11.2. Jos. 15.55.

[8] Psa. 54.3, 4.

[9] cap. 24.20.

[10] cap. 18.3 e 20.16, 42. II Sam. 21.7.

[11] cap. 26.1.

[12] Psa. 54.3.

[13] Jos. 15.55. cap. 25.2.

[14] Psa. 31.22 e 17.9.

[15] II Reis 19.9.

David corta a orla do manto de Saul.

24 E succedeu que, voltando Saul de perseguir os philisteos, lhe annunciaram, dizendo: Eis que David está no deserto [1] de Engedi.

2 Então tomou Saul [2] tres mil homens, escolhidos d’entre todo o Israel, e foi á busca [3] de David e dos seus homens, até sobre os cumes das penhas das cabras montezes.

3 E chegou a uns curraes de ovelhas no caminho, onde estava uma caverna; e entrou n’ella Saul, [4] a cobrir seus pés: e David e os seus homens estavam aos lados da caverna.

4 Então os homens de David lhe disseram: [5] Eis aqui o dia, do qual o Senhor te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-has como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se David, e mansamente cortou a orla do manto de Saul.

5 Succedeu, porém, que depois [6] o coração picou a David, por ter cortado a orla do manto de Saul.

6 E disse aos seus homens: O Senhor me guarde [7] de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra elle; pois é o ungido do Senhor.

7 E com estas palavras [8] David conteve os seus homens, e não lhes permittiu que se levantassem contra Saul: e Saul se levantou da caverna, e proseguiu o seu caminho.

8 Depois tambem David se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detraz de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para traz, David se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou.

9 E disse David a Saul: Porque [9] dás tu ouvidos ás palavras dos homens que dizem: Eis que David procura o teu mal?

10 Eis que este dia os teus olhos viram, que o Senhor hoje te poz em minhas mãos n’esta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou: porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor.

11 Olha pois, meu pae, vês aqui a orla do teu manto na minha mão; porque, cortando-te eu a orla do manto, te não matei. Adverte, pois, e [10] vê que não ha na minha mão nem mal nem prevaricação nenhuma, e não pequei contra ti; porém tu andas á caça da minha vida, para m’a tirar.

12 Julgue o Senhor [11] entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; porém a minha mão não será contra ti.

13 Como diz o proverbio dos antigos: Dos impios procede a impiedade; porém a minha mão não será contra ti.

14 Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues? a um cão [12] morto? a uma pulga?

15 O Senhor porém será [13] juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão.

16 E succedeu que, acabando David de fallar a Saul todas estas palavras, disse Saul: É esta a tua voz, [14] meu filho David? Então Saul alçou a sua voz e chorou.

17 E disse a David: [15] Mais justo és do que eu; pois tu me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal.

[292]

18 E tu mostraste hoje que usaste comigo bem; pois o Senhor me tinha posto em tuas mãos, [16] e tu me não mataste.

19 Porque, quem ha que, encontrando o seu inimigo, o deixaria ir por bom caminho? o Senhor pois te pague com bem, pelo que hoje me fizeste.

20 Agora [17] pois eis que bem sei que certamente has de reinar, e que o reino de Israel ha de ser firme na tua mão.

21 Portanto agora jura-me pelo Senhor [18] que não desarreigarás a minha semente depois de mim, nem desfarás o meu nome da casa de meu pae.

22 Então jurou David a Saul. E foi Saul para a sua casa; porém David e os seus homens subiram ao logar forte.

[1] II Chr. 20.2.

[2] cap. 23.28.

[3] Psa. 38.12.

[4] Psa. 141.6. Jui. 3.24.

[5] cap. 26.8.

[6] II Sam. 24.10.

[7] cap. 26.11.

[8] Psa. 7.4. Mat. 5.44. Rom. 12.17, 19.

[9] Psa. 141.6. Pro. 16.28 e 17.9.

[10] Psa. 7.3 e 35.7. cap. 26.20.

[11] Gen. 16.5. Jui. 11.27. cap. 26.10. Job 5.8.

[12] cap. 17.43. II Sam. 9.8. cap. 26.20.

[13] ver. 12. II Chr. 24.22.

[14] cap. 26.17.

[15] cap. 26.21. Gen. 38.26. Mat. 5.44.

[16] cap. 26.23.

[17] cap. 23.17.

[18] Gen. 21.23. II Sam. 21.6, 8.

A morte de Samuel e a retirada de David para o deserto de Paran.

Antes de Christo 1060

25 E falleceu [1] Samuel, e todo o Israel se ajuntou, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Rama. E David, se levantou e desceu ao deserto de Paran.

2 E havia um homem em [2] Maon, que tinha as suas possessões no Carmelo: e era este homem mui poderoso, e tinha tres mil ovelhas e mil cabras: e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo.

3 E era o nome d’este homem Nabal, e o nome de sua mulher Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa, porém o homem era duro, e maligno nas obras, e era da casa de Caleb.

4 E ouviu David no deserto que Nabal tosquiava [3] as suas ovelhas,

5 E enviou David dez mancebos, e disse aos mancebos: Subi ao Carmelo, e, vindo a Nabal, perguntae-lhe, em meu nome, como está.

6 E assim direis áquelle prospero: Paz tenhas, [4] e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz!

7 Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores: ora os pastores que tens estiveram comnosco; aggravo nenhum lhes fizemos, nem [5] coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo.

8 Pergunta-o aos teus mancebos, e elles t’o dirão; estes mancebos pois achem graça em teus olhos, [6] porque viemos em bom dia: dá pois a teus servos e a David, teu filho, o que achares á mão.

9 Chegando pois os mancebos de David, e fallando a Nabal todas aquellas palavras em nome de David, se calaram.

Nabal recusa dar viveres aos servos de David.

10 E Nabal respondeu aos creados de David, e disse: [7] Quem é David, e quem o filho de Jessé? muitos servos ha hoje, que cada um foge a seu senhor.

11 Tomaria [8] eu pois o meu pão, e a minha agua, e a carne das minhas rezes que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que eu não sei d’onde veem?

12 Então os mancebos de David se tornaram para o seu caminho: e voltaram, e vieram, e lhe annunciaram tudo conforme a todas estas palavras.

13 Pelo que disse David aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu tambem David a sua: e subiram após David uns quatrocentos homens, [9] e duzentos ficaram com a bagagem.

14 Porém um d’entre os mancebos o annunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que David enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém elle se lançou a elles.

15 Todavia, aquelles homens teem-nos sido muito bons, [10] e nunca fomos aggravados d’elles, e nada nos faltou em todos os dias que conversámos com elles quando estavamos no campo.

16 De muro em redor nos [11] serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andámos com elles apascentando as ovelhas.

17 Olha pois, agora, e vê o que has de fazer, porque de todo determinado está [12] o mal contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e elle é um tal filho de Belial, que não ha quem lhe possa fallar.

Abigail apazigua David.

18 Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, [13] e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os poz sobre jumentos.

19 E disse aos seus mancebos: [14] Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. O que, porém, não declarou a seu marido Nabal.

20 E succedeu que, andando ella montada n’um jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que David[293] e os seus homens lhe vinham ao encontro, e encontrou-se com elles.

21 E disse David: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este tem no deserto, e nada lhe faltou de tudo quanto tem, e elle me pagou mal [15] por bem.

22 Assim faça [16] Deus aos inimigos de David, e outro tanto, se eu deixar até á manhã de tudo o que tem, mesmo até [JS] um menino.

23 Vendo pois Abigail a David, apressou-se, e desceu [17] do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de David, e se inclinou á terra.

24 E lançou-se a seus pés, e disse: Ah, Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa pois fallar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva.

25 Meu senhor, agora não faça este homem de Belial, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é elle qual é o seu nome. [JT] Nabal é o seu nome, e a loucura está com elle, e eu, tua serva, não vi os mancebos de meu senhor, que enviaste.

26 Agora, pois, meu senhor, [18] vive o Senhor, e vive a tua alma, que o Senhor te impediu [19] de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse: e, agora, taes quaes Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor.

27 E agora esta é a benção [20] que trouxe a tua serva a meu senhor: dê-se aos mancebos que andam após das pisadas de meu senhor.

28 Perdôa pois á tua serva esta transgressão, porque certamente [21] fará o Senhor casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia [22] as guerras do Senhor, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias.

29 E, levantando-se algum homem para te perseguir, e para procurar a tua morte; comtudo a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o Senhor teu Deus; porém a vida de teus inimigos se arrojará ao longe, como do meio do concavo de uma funda.

30 E ha de ser que, usando o Senhor com o meu senhor conforme a todo o bem que já tem dito de ti, e te tiver estabelecido chefe sobre Israel,

31 Então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pezar no coração, o sangue que sem causa derramaste, nem tão pouco o haver-se salvado meu senhor a si mesmo: e quando o Senhor fizer bem a meu senhor, lembra-te então da tua serva.

32 Então David disse a Abigail: Bemdito [23] o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro.

33 E bemdito o teu conselho, e bemdita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue, e de que a minha mão me salvasse.

34 Porque, na verdade, vive o Senhor Deus d’Israel, que me [24] impediu de que te fizesse mal, que se tu não te apressaras, e me não vieras ao encontro, não ficaria a Nabal pela luz da manhã nem mesmo um menino.

35 Então David tomou da sua mão o que tinha trazido, e lhe disse: Sobe em paz á [25] tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos á tua voz, e tenho acceitado a tua face.

36 E, vindo Abigail a Nabal, eis que tinha [26] em sua casa um banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre n’elle, e elle mui embriagado, pelo que não lhe deu a entender palavra alguma, pequena nem grande, até á luz da manhã.

37 Succedeu pois que pela manhã, havendo saido de Nabal o vinho, sua mulher lhe deu a entender aquellas palavras: e se amorteceu n’elle, o seu coração, e ficou elle como pedra.

38 E aconteceu que, passados quasi dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu.

39 E, ouvindo David que Nabal morrera, disse: Bemdito [27] seja o Senhor, que pleiteou o pleito da minha affronta da mão de Nabal, e deteve a seu servo do mal, fazendo o Senhor tornar o mal de Nabal [28] sobre a sua cabeça. E mandou David fallar a Abigail, para tomal-a por sua mulher.

40 Vindo pois os creados de David a Abigail, no Carmelo, lhe fallaram, dizendo: David nos tem mandado a ti, para te tomar por sua mulher.

41 Então ella se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis aqui a tua serva servirá de creada para [29] lavar os pés dos creados de meu senhor.

42 E Abigail se apressou, [30] e se levantou, e montou n’um jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas[294] pisadas: e ella seguiu os mensageiros de David, e foi sua mulher.

43 Tambem tomou David a Achinoam de Jizreel: e tambem ambas foram suas mulheres.

44 Porque Saul tinha dado [31] sua filha Michal, mulher de David, a Phalti, filho de Lais, o qual era de Gallim.

[1] cap. 28.3. Num. 20.29. Deu. 34.8. Gen. 21.21. Psa. 120.5.

[2] cap. 23.24. Jos. 15.55.

[3] Gen. 38.13. II Sam. 13.23.

[4] I Chr. 12.18. Psa. 122.7. Luc. 10.5.

[5] ver. 15, 21.

[6] Neh. 8.10. Est. 9.19.

[7] Jui. 9.28. Psa. 73.7, 8 e 123.3, 4.

[8] Jui. 8.6.

[9] cap. 30.24.

[10] ver. 7.

[11] Exo. 14.22. Job 1.10.

[12] cap. 20.7. Deu. 13.13. Jui. 19.22.

[13] Gen. 32.13. Pro. 18.16 e 21.14.

[14] Gen. 32.16, 20.

[15] Psa. 109.5. Pro. 17.13.

[16] Ruth 1.17. cap. 3.17 e 20.13, 16. ver. 34. I Reis 14.10 e 21.21. II Reis 9.8.

[17] Jos. 15.18. Jui. 1.14.

[18] II Reis 2.2.

[19] ver. 33. Gen. 20.6. Rom. 12.19. II Sam. 18.32.

[20] Gen. 33.11. cap. 30.26. II Reis 5.15.

[21] II Sam. 7.11, 27. I Reis 9.5. I Chr. 17.10, 25.

[22] cap. 18.17 e 24.11. Jer. 10.18.

[23] Gen. 24.27. Exo. 18.10. Psa. 41.3 e 72.18. Luc. 18.6.

[24] ver. 26, 22.

[25] cap. 20.42. II Sam. 15.9. II Reis 5.19. Luc. 7.50 e 8.48. Gen. 19.21.

[26] II Sam. 13.23.

[27] ver. 32. Pro. 22.23. ver. 26, 34.

[28] I Reis 2.44. Psa. 7.17.

[29] Ruth 2.10, 13. Pro. 15.33.

[30] Jos. 15.56. cap. 27.3 e 30.5.

[31] II Sam. 3.14. Isa. 10.30.

David poupa outra vez a vida de Saul.

26 E vieram os zipheos a Saul, a Gibeah, dizendo: Não [1] está David escondido no outeiro d’Hachila, á entrada de Jesimon?

2 Então Saul se levantou, e desceu ao deserto de Ziph, e com elle tres mil homens escolhidos de Israel, a buscar a David no deserto de Ziph.

3 E acampou-se Saul no outeiro d’Hachila, que está á entrada de Jesimon, junto ao caminho: porém David ficou no deserto, e viu que Saul vinha após d’elle ao deserto.

4 Pois David enviou espias, e soube que Saul vinha decerto.

5 E David se levantou, e veiu ao logar onde Saul se tinha acampado; viu David o logar onde se tinha deitado Saul, e Abner, [2] filho de Ner, chefe do seu exercito: e Saul estava deitado dentro do logar dos carros, e o povo estava acampado ao redor d’elle.

6 E respondeu David, e fallou a Achimelech, o hetheo, e a Abisai, filho de [3] Zeruia, irmão de Jacob, dizendo: Quem descerá comigo a Saul ao arraial? E disse Abisai: Eu descerei comtigo.

7 Vieram pois David e Abisai de noite ao povo, e eis que Saul estava deitado dormindo dentro do logar dos carros, e a sua lança estava pregada na terra á sua cabeceira: e Abner e o povo deitavam-se ao redor d’elle.

8 Então disse Abisai a David: Deus te entregou hoje nas mãos a teu inimigo; deixa-m’o pois agora encravar com a lança d’uma vez com a terra, e não o ferirei segunda vez.

9 E disse David a Abisai: Nenhum damno lhe faças: porque quem [4] estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor, e ficou innocente?

10 Disse mais David: Vive o Senhor, [5] que o Senhor o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou descerá para a batalha e perecerá;

11 O Senhor me guarde, [6] de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor: agora porém toma lá a lança que está á sua cabeceira e a bilha da agua, e vamo-nos.

12 Tomou pois David a lança e a bilha da agua, da cabeceira de Saul, e foram-se: e ninguem houve que o visse, nem que o advertisse, nem que acordasse; porque todos estavam dormindo, [7] porque havia caido sobre elles um profundo somno do Senhor.

13 E David, passando á outra banda, poz-se no cume do monte ao longe, de maneira que entre elles havia grande distancia.

14 E David bradou ao povo, e a Abner, filho de Ner, dizendo: Não responderás, Abner? Então Abner respondeu e disse: Quem és tu, que bradas ao rei?

15 Então disse David a Abner: Porventura não és varão? e quem ha em Israel como tu, porque, pois, não guardaste tu o rei teu senhor? porque um do povo veiu para destruir o rei teu senhor.

16 Não é bom isto, que fizeste; vive o Senhor, que sois dignos de morte, vós que não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor: vede pois agora onde está a lança do rei, e a bilha da agua, que tinha á sua cabeceira.

17 Então conheceu Saul a voz de David, e disse: Não é esta a tua voz, meu [8] filho David? E disse David: Minha voz é, ó rei meu senhor.

18 Disse mais: Porque persegue o meu senhor assim o seu servo? porque, [9] que fiz eu? e que maldade se acha nas minhas mãos?

19 Ouve pois agora, te rogo, rei meu senhor, as palavras de teu servo: Se o Senhor te incita [10] contra mim, cheire elle a offerta de manjares; porém se os filhos dos homens, malditos sejam perante o Senhor: pois elles me teem expellido [11] hoje para que eu não fique apegado á herança do Senhor, dizendo: Vae, serve a outros deuses.

20 Agora pois não se derrame o meu sangue na terra diante do Senhor: pois saiu o rei d’Israel em busca d’uma pulga; [12] como quem persegue uma perdiz nos montes.

21 Então disse Saul: Pequei; [13] volta, meu filho David, porque não ordenarei a fazer-te mal; porque foi hoje [14] preciosa a minha vida aos teus olhos: eis que fiz loucamente, e errei grandissimamente.

22 David então respondeu, e disse:[295] Eis aqui a lança do rei; passe cá um dos mancebos, e leve-a.

23 O Senhor porém [15] pague a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o Senhor te tinha dado hoje na minha mão, porém não quiz estender a minha mão contra o ungido do Senhor.

24 E eis que assim como foi a tua vida hoje de tanta estima aos meus olhos, d’outra tanta estima seja a minha vida aos olhos do Senhor, e elle me livre de toda a tribulação.

25 Então Saul disse a David: Bemdito sejas tu, meu filho David; pois grandes coisas farás e [16] tambem prevalecerás. Então David se foi pelo seu caminho e Saul voltou para o seu logar.

[1] cap. 23.19.

[2] cap. 14.50 e 17.55.

[3] I Chr. 2.16. Jui. 7.10, 11.

[4] cap. 24.6, 7. II Sam. 1.16.

[5] cap. 25.38. Psa. 94.1, 2, 23. Luc. 18.7. Rom. 12.19. Gen. 47.29.

[6] cap. 24.6, 12.

[7] Gen. 2.21 e 15.12.

[8] cap. 24.16.

[9] cap. 24.9, 11.

[10] II Sam. 16.11 e 24.1.

[11] Deu. 4.28. Psa. 120.5. II Sam. 14.16 e 20.19.

[12] cap. 24.14.

[13] cap. 15.24 e 24.17.

[14] cap. 18.30.

[15] Psa. 7.8, 18.20.

[16] Gen. 32.28.

David vae ter outra vez com Achis rei de Gath.

Antes de Christo 1058

27 Disse porém David no seu coração: Ora ainda algum dia perecerei pela mão de Saul; não ha coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos philisteos, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão.

2 Então David se levantou, [1] e passou com os seiscentos homens que com elle estavam a Achis, filho de Maoch, rei de Gath.

3 E David ficou com [2] Achis em Gath, elle e os seus homens, cada um com a sua casa: David com ambas as suas mulheres, Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

4 E, sendo Saul avisado que David tinha fugido para Gath, não cuidou mais em o buscar.

5 E disse David a Achis: Se eu tenho achado graça em teus olhos, dá-me logar n’uma das cidades da terra, para que ali habite: pois por que razão habitaria o teu servo comtigo na cidade real?

6 Então lhe deu Achis n’aquelle dia a cidade de Siclag: (pelo que Siclag pertence [3] aos reis de Judah, até ao dia de hoje.)

7 E foi o numero dos dias, que David habitou na terra dos philisteos, um anno e quatro mezes.

8 E subia David com os seus homens, e deram sobre [4] os gesuritas, e os gersitas, e os amalekitas; porque antigamente foram estes os moradores da terra desde como quem vae para Sur [5] até á terra do Egypto.

9 E David feria aquella terra, e não dava vida nem a homem nem a mulher, e tomava ovelhas, e vaccas, e jumentos, e camelos, e vestidos; e voltava, e vinha a Achis.

10 E dizendo Achis: Sobre onde déstes hoje? David dizia: Sobre o sul de Judah, e sobre o sul dos [6] jerahmeleos, e sobre o sul dos keneos.

11 E David não dava vida nem a homem nem a mulher, para trazel-os a Gath, dizendo: Para que porventura não nos denunciem, dizendo: Assim David o fazia. E este era o seu costume por todos os dias que habitou na terra dos philisteos.

12 E Achis se confiava de David, dizendo: Fez-se elle por certo aborrecivel para com o seu povo em Israel; pelo que me será por servo para sempre.

[1] cap. 25.13 e 21.10.

[2] cap. 25.43.

[3] Jos. 15.31 e 19.5.

[4] Jos. 13.2 e 16.10. Jui. 1.29. Exo. 17.16. cap. 15.7, 8.

[5] Gen. 25.18.

[6] I Chr. 2.9, 25. Jui. 1.16.

Saul consulta uma pythonissa de Endor.

28 E succedeu [1] n’aquelles dias que, juntando os philisteos os seus exercitos á peleja, para fazer guerra contra Israel, disse Achis a David: Sabe de certo que comigo sairás ao arraial, tu e os teus homens.

2 Então disse David a Achis: Assim saberás tu o que fará o teu servo. E disse Achis a David: Por isso te terei por guarda da minha cabeça para sempre.

3 E já Samuel [2] era morto, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha sepultado em Rama, que era a sua cidade: e Saul tinha desterrado os [3] adivinhos e os encantadores.

4 E ajuntaram-se os philisteos, e vieram, e acamparam-se em Sunem: e ajuntou Saul [4] a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.

5 E, vendo Saul o arraial dos philisteos, temeu, e estremeceu muito [5] o seu coração.

6 E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor lhe [6] não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por prophetas.

7 Então disse Saul aos seus creados: Buscae-me uma mulher que tenha o espirito de feiticeira, para que vá a ella, e consulte por ella. E os seus creados lhe disseram: Eis que em Endor ha uma mulher que tem o espirito d’adivinhar.

8 E Saul se disfarçou e vestiu outros vestidos, e foi elle, e com elle dois homens, e de noite vieram á mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes [7] pelo[296] espirito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser.

9 Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruido [8] da terra os adivinhos e os encantadores: porque, pois, me armas um laço á minha vida, para me fazer matar?

10 Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso.

11 A mulher então lhe disse: A quem te farei subir? E disse elle: Faze-me subir a Samuel.

12 Vendo pois a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e a mulher fallou a Saul, dizendo: Porque me tens enganado? pois tu mesmo és Saul.

13 E o rei lhe disse: Não temas: porém que é o que vês? Então a mulher disse a Saul: Vejo deuses [9] que sobem da terra.

14 E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ella: Vem subindo um homem ancião, e está envolto n’uma capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.

15 Samuel disse a Saul: Porque me desinquietaste, [10] fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os philisteos guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministerio dos prophetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.

16 Então disse Samuel: Porque pois a mim me perguntas, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?

17 Porque o Senhor tem feito para comtigo como pela minha bocca te disse, e tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu companheiro David.

18 Como tu não déste ouvidos [11] á voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amalek, por isso o Senhor te fez hoje isto.

19 E o Senhor entregará tambem a Israel comtigo na mão dos philisteos, e ámanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos philisteos.

20 E immediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa d’aquellas palavras de Samuel: e não houve força n’elle; porque não tinha comido pão todo aquelle dia e toda aquella noite.

21 Então veiu a mulher a Saul, e, vendo que estava tão perturbado, disse-lhe: Eis que deu ouvidos a tua creada á tua voz, e puz a minha vida na minha mão, e ouvi as palavras que disseste.

22 Agora pois ouve tambem tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come, para que tenhas forças para te pôres a caminho.

23 Porém elle o recusou, e disse: Não comerei. Porém os seus creados e a mulher o constrangeram; e deu ouvidos á sua voz: e levantou-se do chão, e se assentou sobre uma cama.

24 E tinha a mulher em casa uma bezerra cevada, e se apressou, e a degolou, e tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos asmos.

25 E os trouxe diante de Saul e de seus creados, e comeram: depois levantaram-se e se foram n’aquella mesma noite.

[1] cap. 29.1.

[2] cap. 25.1.

[3] ver. 9. Exo. 22.18. Lev. 19.31 e 20.27. Deu. 18.10, 11.

[4] Jos. 19.18. II Reis 4.8. cap. 31.1.

[5] Job 18.11.

[6] cap. 14.37. Pro. 1.28. Lam. 2.9. Num. 12.6. Exo. 28.30. Num. 27.21. Deu. 33.8.

[7] Deu. 18.11. I Chr. 10.13. Isa. 8.19.

[8] ver. 3.

[9] Exo. 22.28.

[10] Pro. 5.11.

[11] I Reis 20.42.

David marcha com Achis contra os israelitas.

29 E ajuntaram os philisteos todos os seus exercitos em [1] Aphek: e acamparam-se os israelitas junto á fonte que está em Jizreel.

2 E os principes dos philisteos se foram para lá com centenas e com milhares: porém David e os seus homens iam com [2] Achis na rectaguarda.

3 Disseram então os principes dos philisteos: Que fazem aqui estes hebreos? E disse Achis aos principes dos philisteos: Não é este David, o creado de Saul, rei de Israel, que esteve comigo ha alguns dias ou annos? e coisa nenhuma achei [3] n’elle desde o dia em que se revoltou, até ao dia d’hoje.

4 Porém os principes dos philisteus muito se indignaram contra elle; e disseram-lhe os principes dos philisteus: Faze voltar a este homem, [4] e torne ao seu logar em que tu o pozeste, e não desça comnosco á batalha, para que não se nos torne na batalha em adversario: porque com que aplacaria este a seu senhor? porventura não seria com as cabeças d’estes homens?

5 Não é este aquelle David, de quem uns aos outros respondiam nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, [5] porém David as suas dezenas de milhares?

6 Então Achis chamou a David e disse-lhe: Vive o Senhor, que tu és recto, e que a tua entrada e a tua saida [6] comigo no arraial é boa aos meus olhos; porque nenhum mal em ti achei, desde o dia em que a mim vieste, até[297] ao dia d’hoje; porém aos olhos dos principes não agradas.

7 Volta pois agora, e volta em paz: para que não faças mal aos olhos dos principes dos philisteos.

8 Então David disse a Achis: Porque? que fiz? ou que achaste no teu servo, desde o dia em que estive diante de ti, até ao dia d’hoje, para que não vá e peleje contra os inimigos do rei meu senhor?

9 Respondeu porém Achis, e disse a David: Bem o sei; e que na verdade aos meus olhos és bom como [7] um anjo de Deus: porém disseram os principes dos philisteos: Não suba este comnosco á batalha.

10 Agora pois ámanhã de madrugada levanta-te com os creados de teu senhor, que teem vindo comtigo: e, levantando-vos pela manhã de madrugada, e havendo luz, parti.

11 Então David de madrugada se levantou, elle e os seus homens, para partirem pela manhã, e voltarem á terra dos philisteos: e os [8] philisteos subiram a Jizreel.

[1] cap. 4.1.

[2] cap. 28.1, 2.

[3] Dan. 6.5.

[4] I Chr. 12.19.

[5] cap. 18.7 e 21.11.

[6] II Sam. 3.25. II Reis 19.27.

[7] II Sam. 14.17 e 19.27.

[8] II Sam. 4.4.

Siclag é saqueada pelos amalekitas.

30 Succedeu pois que, chegando David e os seus homens ao terceiro dia a Siclag, [1] os amalekitas com impeto tinham dado sobre o sul, e sobre Siclag, e tinham ferido a Siclag e a tinham queimado a fogo.

2 E as mulheres que estavam n’ella levaram captivas, porém a ninguem mataram, nem pequenos nem grandes; tão sómente os levaram comsigo, e foram pelo seu caminho.

3 E David e os seus homens vieram á cidade, e eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados captivos.

4 Então David e o povo que se achava com elle alçaram a sua voz, e choraram, até que n’elles não houve mais força para chorar.

5 Tambem as duas [2] mulheres de David foram levadas captivas; Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

6 E David muito se angustiou, porque o povo [3] fallava de apedrejal-o, porque o animo de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas: todavia David se esforçou no Senhor seu Deus.

David persegue os amalekitas e livra os captivos.

7 E disse David a Abiathar, o sacerdote, filho de Achimelech: Traze-me, peço-te, aqui o ephod. E Abiathar trouxe o ephod a David.

8 Então consultou David [4] ao Senhor, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? alcançal-a-hei? E o Senhor lhe disse: Persegue-a, porque decerto a alcançarás, e tudo libertarás.

9 Partiu pois David, elle e os seiscentos homens que [5] com elle se achavam, e chegaram ao ribeiro de Besor, onde os que ficaram atraz pararam.

10 E seguiu-os David, elle e os quatrocentos homens, pois que duzentos homens ficaram, por não poderem, de cançados que estavam, passar o ribeiro de Besor.

11 E acharam no campo um homem egypcio, e o trouxeram a David: deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber agua.

12 Deram-lhe tambem um pedaço de massa de figos seccos e dois cachos de passas, e comeu, e voltou-lhe o seu espirito, porque havia tres dias e tres noites que não tinha comido pão nem bebido agua.

13 Então David lhe disse: De quem és tu, e d’onde és? E disse o moço egypcio: Sou servo d’um homem amalekita, e meu senhor me deixou, porque adoeci ha tres dias.

14 Nós démos com impeto para a banda do sul dos cherethitas, [6] e para a banda de Judah, e para a banda do sul de [7] Caleb, e pozemos fogo a Siclag.

15 E disse-lhe David: Poderias, descendo, guiar-me a essa tropa? E disse-lhe: Por Deus me jura que me não matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor, e, descendo, te guiarei a essa tropa.

16 E, descendo, o guiou e eis que estavam espalhados sobre a face de toda a terra, comendo, e bebendo, [8] e dançando, por todo aquelle grande despojo que tomaram da terra dos philisteos e da terra de Judah.

17 E feriu-os David, desde o crepusculo até á tarde do dia seguinte, e nenhum d’elles escapou, senão só quatrocentos mancebos que, montados sobre camelos, fugiram.

18 Assim livrou David tudo quanto tomaram aos amalekitas: tambem as suas duas mulheres livrou David.

19 E ninguem lhes faltou, desde o menor até ao maior, e até os filhos e as filhas; e tambem desde o despojo até tudo quanto lhes tinham tomado, [9] tudo David tornou a trazer.

[298]

20 Tambem tomou David todas as ovelhas e vaccas, e levavam-n’as diante do outro gado, e diziam: Este é o despojo de David.

21 E, chegando David aos [10] duzentos homens que, de cançados que estavam, não poderam seguir a David, e que deixaram ficar no ribeiro de Besor, estes sairam ao encontro de David e do povo que com elle vinha: e, chegando-se David ao povo, os saudou em paz.

David estabelece a lei da divisão da presa.

22 Então todos os maus, e filhos de Belial, d’entre os homens que tinham ido com David, responderam, [11] e disseram: Visto que não foram comnosco, não lhes daremos do despojo que libertámos; mas que leve cada um sua mulher e seus filhos, e se vá.

23 Porém David disse: Não fareis assim, irmãos meus, com o que nos deu o Senhor, que nos guardou, e entregou a tropa que contra nós vinha nas nossas mãos.

24 E quem a tal vos daria ouvidos? porque qual é a parte dos que desceram á [12] peleja, tal tambem será a parte dos que ficaram com a bagagem; egualmente repartirão.

25 O que assim foi desde aquelle dia em diante, porquanto o poz por estatuto e direito em Israel até ao dia de hoje.

26 E, chegando David a Siclag, enviou do despojo aos anciãos de Judah, seus amigos, dizendo: Eis ahi para vós uma benção do despojo dos inimigos do Senhor;

27 Aos de Beth-el, e aos de Ramoth do [13] sul, e aos de Jatter,

28 E aos [14] d’Aroer, e aos de Siphmoth, e aos [15] d’Esthemoa,

29 E aos de Rachal, e aos que estavam nas cidades [16] jerahmeelitas e nas cidades dos [17] keneos,

30 E aos [18] d’Horma, e aos de Corasan, e aos d’Athak,

31 E aos [19] d’Hebron, e a todos os logares em que andara David, elle e os seus homens.

[1] cap. 15.7 e 27.8.

[2] cap. 25.42. II Sam. 2.2.

[3] Exo. 17.4. Hab. 3.17, 18.

[4] cap. 23.2, 4.

[5] ver. 21.

[6] ver. 16. II Sam. 8.18.

[7] Jos. 14.13.

[8] I The. 5.3.

[9] ver. 8.

[10] ver. 10.

[11] Deu. 13.13. Jui. 19.22.

[12] Num. 31.27. Jos. 22.8.

[13] Jos. 19.8 e 15.48.

[14] Jos. 13.16.

[15] Jos. 15.50.

[16] cap. 27.10.

[17] Jui. 1.16.

[18] Jui. 1.17.

[19] Jos. 14.13. II Sam. 2.1.

A matança dos israelitas e a morte de Saul.

31 Os philisteos, [1] pois, pelejaram contra Israel: e os homens de Israel fugiram de diante dos philisteos, e cairam atravessados [2] na montanha de Gilboa.

2 E os philisteos apertaram com Saul e seus filhos: e os philisteos mataram a Jonathan, [3] e a Abinadab, e a Malchisua, filhos de Saul.

3 E a peleja se aggravou [4] contra Saul, e os frecheiros o alcançaram; e muito temeu por causa dos frecheiros.

4 Então disse [5] Saul ao seu pagem d’armas: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ella, para que porventura não venham estes incircumcisos, e me atravessem e escarneçam de mim. Porém o seu pagem d’armas não quiz, porque [6] temia muito: então Saul tomou a espada, e se lançou sobre ella.

5 Vendo pois o seu pagem d’armas que Saul já era morto, tambem elle se lançou sobre a sua espada, e morreu com elle.

6 Assim falleceu Saul, e seus tres filhos, e o seu pagem d’armas, e tambem todos os homens morreram juntamente n’aquelle dia.

7 E, vendo os homens d’Israel, que estavam d’esta banda do valle e d’esta banda do Jordão, que os homens d’Israel fugiram, e que Saul e seus filhos estavam mortos, desampararam as cidades, e fugiram; e vieram os philisteos, e habitaram n’ellas.

8 Succedeu pois que, vindo os philisteos ao outro dia a despojar os mortos, acharam a Saul e a seus tres filhos estirados na montanha de Gilboa.

9 E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e enviaram pela terra dos philisteos, em redor, a annuncial-o no templo dos seus idolos e [7] entre o povo.

10 E pozeram [8] as suas armas no templo d’Astaroth, e o seu corpo o affixaram no muro de Beth-san.

11 Ouvindo então isto os [9] moradores de Jabez-gilead, o que os philisteos fizeram a Saul,

12 Todo o homem valoroso [10] se levantou, e caminharam toda a noite, e tiraram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos do muro de Beth-san, e, vindo a Jabez, os queimaram.

13 E tomaram os seus ossos, e os sepultaram debaixo d’um [11] arvoredo, em Jabez, e jejuaram sete dias.

[1] I Chr. 10.1-12.

[2] cap. 28.4.

[3] cap. 14.49. I Chr. 8.33.

[4] II Sam. 1.6, etc.

[5] Jui. 9.54. cap. 14.6 e 17.26.

[6] II Sam. 1.14.

[7] II Sam. 1.20.

[8] cap. 21.9. Jui. 2.13. II Sam. 21.12. Jos. 17.11. Jui. 1.27.

[9] cap. 11.3, 9, 11.

[10] cap. 11.1-11. II Sam. 2.4, 7. II Chr. 16.14. Jer. 34.5. Amós 6.10.

[11] II Sam. 2.4, 5 e 21.12, 13, 14. Gen. 50.10.

[299]


O SEGUNDO LIVRO DE SAMUEL.

David mata o amalekita que lhe traz a noticia da morte de Saul.

Antes de Christo 1056

1 E succedeu, depois da morte de Saul, voltando David da [1] derrota dos amalekitas, e ficando David dois dias em Siclag,

2 Succedeu ao terceiro dia que eis que um homem [2] veiu do arraial de Saul com os vestidos rotos e com terra sobre a cabeça; e, succedeu que chegando elle a David, se lançou no chão, e se inclinou.

3 E David lhe disse: D’onde vens? E elle lhe disse: Escapei do exercito d’Israel.

4 E disse-lhe David: Como foi lá isso? peço-te, dize-m’o. E elle lhe respondeu: O povo fugiu da batalha, e muitos do povo cairam, e morreram, assim como tambem Saul e Jonathan, seu filho, foram mortos.

5 E disse David ao mancebo que lhe trazia as novas: Como sabes tu que Saul e Jonathan, seu filho, são mortos?

6 Então disse o mancebo que lhe dava a noticia: Cheguei por acaso [3] á montanha de Gilboa, e eis que Saul estava encostado sobre a sua lança, e eis que carros e capitães de cavallaria apertavam com elle.

7 E, olhando elle para traz de si, viu-me a mim, e chamou-me; e eu disse: Eis-me aqui.

8 E elle me disse: Quem és tu? E eu lhe disse: Sou amalekita.

9 Então elle me disse: Peço-te, arremessa-te sobre mim, e mata-me, porque angustias me teem cercado, pois toda a minha vida está ainda em mim.

10 Arremessei-me pois sobre [4] elle, e o matei, porque bem sabia eu que não viveria depois da sua queda, e tomei a corôa que tinha na cabeça, e a manilha que trazia no braço, e as trouxe aqui a meu senhor.

11 Então apanhou David os seus vestidos, e os rasgou, [5] como tambem todos os homens que estavam com elle.

12 E prantearam, e choraram, e jejuaram até á tarde por Saul, e por Jonathan, seu filho, e pelo povo do Senhor, e pela casa de Israel, porque tinham caido á espada.

13 Disse então David ao mancebo que lhe trouxera a nova: D’onde és tu? E disse elle: Sou filho de um homem estrangeiro, amalekita.

14 E David lhe disse: Como [6] não temeste tu estender a mão para matares ao ungido do Senhor?

15 Então chamou [7] David a um dos mancebos, e disse: Chega, e lança-te sobre elle. E elle o feriu, e morreu.

16 E disse-lhe David: O [8] teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a tua propria bocca testificou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do Senhor.

O pranto de David por Saul e Jonathan.

17 E lamentou David a Saul e a Jonathan, seu filho, com esta lamentação,

18 Dizendo [9] elle que ensinassem aos filhos de Judah o uso do arco: Eis que está escripto no livro do Recto:

19 Ah, ornamento d’Israel! nos teus altos fui ferido: como cairam [10] os valentes!

20 Não o noticieis [11] em Gath, não o publiqueis nas ruas d’Ascalon, para que não se alegrem as filhas dos philisteos, para que não saltem de contentamento as filhas dos incircumcisos.

21 Vós, montes de Gilboa, [12] nem orvalho, nem chuva caia sobre vós, nem sobre vós, campos de offertas alçadas, pois ahi desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fôra ungido [13] com oleo.

22 Do sangue dos feridos, da gordura dos valentes, nunca se retirou para traz o arco de Jonathan, nem voltou vazia a espada de Saul.

[300]

23 Saul e Jonathan, tão amados [14] e queridos na sua vida, tambem na sua morte se não separaram: eram mais ligeiros do que as aguias, mais [15] fortes do que os leões.

24 Vós, filhas d’Israel, chorae por Saul, que vos vestia de escarlata em delicias, que vos fazia trazer ornamentos de oiro sobre os vossos vestidos.

25 Como cairam os valentes no meio da peleja! Jonathan nos teus altos foi ferido.

26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jonathan; quão amabilissimo me eras! mais maravilhoso me era o teu amor [16] do que o amor das mulheres.

27 Como cairam [17] os valentes, e pereceram as armas de guerra!

[1] I Sam. 30.17, 26.

[2] cap. 4.10. I Sam. 4.12.

[3] I Sam. 31.1, 2, 3, 4.

[4] Jui. 9.54.

[5] cap. 3.31 e 13.31.

[6] Num. 12.8. I Sam. 31.4 e 24.6 e 26.9.

[7] cap. 4.10, 12.

[8] I Sam. 26.9. I Reis 2.32, 33, 37. ver. 10. Luc. 19.22.

[9] I Sam. 31.3. Jos. 10.13.

[10] ver. 27.

[11] I Sam. 31.9. Miq. 1.10. Jui. 16.23 e 11.34. I Sam. 18.6 e 31.4.

[12] I Sam. 31.1. Jui. 5.23. Job 3.3, 4. Jer. 20.14.

[13] I Sam. 10.1.

[14] I Sam. 18.4.

[15] Jui. 14.18.

[16] I Sam. 18.1, 3 e 19.2 e 20.17, 41 e 23.16.

[17] ver. 19.

David é acclamado rei de Judah.

Antes de Christo 1055

2 E succedeu depois d’isto que David consultou [1] ao Senhor, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judah? E disse-lhe o Senhor: Sobe. E disse David: Para onde subirei? E disse: [2] Para Hebron.

2 E subiu David para lá, e tambem as suas duas mulheres, [3] Achinoam, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

3 Fez tambem [4] David subir os homens que estavam com elle, cada um com a sua familia: e habitaram nas cidades de Hebron.

4 Então vieram os homens de Judah, e [5] ungiram ali a David rei sobre a casa de Judah. E deram avisos a David, dizendo: Os homens de Jabez-gilead são os que sepultaram a Saul.

5 Então enviou David mensageiros aos homens de Jabez-gilead, e disse-lhes: Bemditos [6] sejaes vós do Senhor, que fizestes tal beneficencia a vosso senhor, a Saul, e o sepultastes!

6 Agora, pois, [7] o Senhor use comvosco de beneficencia e fidelidade: e tambem eu vos farei este bem, porquanto fizestes isto.

7 Esforcem-se pois agora as vossas mãos, e sêde homens valentes, pois Saul, vosso senhor, é morto, mas tambem os da casa de Judah já me ungiram a mim rei sobre si.

Abner faz Isboseth rei de Israel.

8 Porém Abner, [8] filho de Ner, capitão do exercito de Saul, tomou a Isboseth, filho de Saul, e o fez passar a Mahanaim,

9 E o constituiu rei sobre Gilead, e sobre os assuritas, e sobre Jizreel, e sobre Ephraim, e sobre Benjamin, e sobre todo o Israel.

10 Da edade de quarenta annos era Isboseth, filho de Saul, quando começou a reinar sobre Israel, e reinou dois annos: mas os da casa de Judah seguiam a David.

11 E foi o numero dos dias que David [9] reinou em Hebron, sobre a casa de Judah, sete annos e seis mezes.

Victoria de David sobre Isboseth.

12 Então saiu Abner, filho de Ner, com os servos de Isboseth, filho de Saul, de Mahanaim a [10] Gibeon.

13 Sairam tambem Joab, filho de Zeruia, e os servos de David, e se encontraram uns com os outros perto [11] do tanque de Gibeon: e pararam estes d’esta banda do tanque, e os outros d’aquella banda do tanque.

14 E disse Abner a Joab: Deixa levantar os mancebos, e joguem diante de nós. E disse Joab: Levantem-se.

15 Então se levantaram, e passaram, por conta, doze de Benjamin, da parte d’Isboseth, filho de Saul, e doze dos servos de David.

16 E cada um lançou mão da cabeça do outro, metteu-lhe a espada pela ilharga, e cairam juntamente: d’onde se chamou áquelle logar [JU] Helkath-hazzurim, que está junto a Gibeon.

17 E seguiu-se n’aquelle dia uma crua peleja: porém Abner e os homens de Israel foram feridos diante dos servos de David.

18 E estavam ali [12] os tres filhos de Zeruia, Joab, Abisai, e Asael: e Asael era ligeiro de pés, como uma das cabras montezes que ha no campo.

19 E Asael perseguiu a Abner: e não declinou de detraz de Abner, nem para a direita nem para a esquerda.

20 E Abner, olhando para traz, disse: És tu este Asael? E disse elle: Eu sou.

21 Então lhe disse Abner: Desvia-te para a direita, ou para a esquerda, e lança mão d’um dos mancebos, e toma os seus despojos. Porém Asael não quiz desviar-se de detraz d’elle.

22 Então Abner tornou a dizer a Asael: Desvia-te de detraz de mim:[301] porque hei de eu ferir-te e dar comtigo em terra? e como levantaria eu o meu rosto diante de Joab teu irmão?

23 Porém, não se querendo elle desviar, Abner o feriu com o conto da lança pela quinta costella, [13] e a lança lhe saiu por detraz, e caiu ali, e morreu n’aquelle mesmo logar; e succedeu que todos os que chegavam ao logar onde Asael caiu e morreu paravam.

24 Porém Joab e Abisai perseguiram a Abner: e poz-se o sol, chegando elles ao outeiro de Amma, que está diante de Giah, junto ao caminho do deserto de Gibeon.

25 E os filhos de Benjamin se ajuntaram detraz d’Abner, e fizeram um batalhão, e pozeram-se no cume d’um outeiro.

26 Então Abner gritou a Joab, e disse: Consumirá a espada para sempre? não sabes tu que por fim haverá amargura? e até quando não has de dizer ao povo que se torne de detraz de seus irmãos?

27 E disse Joab: Vive Deus, que, se não tivesses fallado, [14] já desde pela manhã o povo teria cessado cada um de perseguir a seu irmão.

28 Então Joab tocou a bozina, e todo o povo parou, e não perseguiram mais a Israel: e tão pouco pelejaram mais.

29 E caminharam Abner e os seus homens toda aquella noite pela planicie: e, passando o Jordão, caminharam por todo o Bithron, e vieram a Mahanaim.

30 Tambem Joab se tornou de detraz d’Abner, e ajuntou todo o povo: e dos servos de David faltaram dezenove homens, e Asael.

31 Porém os servos de David feriram d’entre os de Benjamin, e d’entre os homens d’Abner, a trezentos e sessenta homens, que ali ficaram mortos.

32 E levantaram a Asael, e sepultaram-n’o na sepultura de seu pae, que estava em Beth-lehem: e Joab e seus homens caminharam toda aquella noite, e amanheceu-lhes em Hebron.

[1] Jui. 1.1. I Sam. 23.2, 4, 9 e 30.7, 8.

[2] I Sam. 30.31. ver. 11. cap. 5.1, 3. I Reis 2.11.

[3] I Sam. 30.5.

[4] I Sam. 27.2, 3 e 30.1. I Sam. 12.1.

[5] ver. 11. cap. 5.5. I Sam. 31.11, 13.

[6] Ruth 2.20 e 3.10. Psa. 115.15.

[7] II Tim. 1.16, 18.

[8] I Sam. 14.50.

[9] cap. 5.5. I Reis 2.11.

[10] Jos. 18.25.

[11] Jer. 41.12.

[12] I Chr. 2.16 e 12.3. Can. 2.17 e 8.14.

[13] cap. 3.27 e 4.6 e 20.10.

[14] ver. 14. Pro. 17.14.

3 E houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de David: porém David se ia fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo.

Os filhos de David que nasceram em Hebron.

Antes de Christo 1053

2 E a David [1] nasceram filhos em Hebron: e foi o seu primogenito Amnon, de Achinoam a jizreelita;

3 E seu segundo Chileab, de Abigail, mulher de Nabal, o carmelita; e o terceiro Absalão, filho de Maaka, filha de Talmai, rei de [2] Gesur;

4 E o quarto Adonias, [3] filho d’Haggith; e o quinto Sephatias, filho d’Abital;

5 E o sexto Jithream, d’Egla, tambem mulher de David: estes nasceram a David em Hebron.

6 E, havendo guerra entre a casa de Saul, e a casa de David, succedeu que Abner se esforçava na casa de Saul.

Abner faz alliança com David.

Antes de Christo 1048

7 E tinha tido Saul uma concubina, cujo nome era Rispa, [4] filha de Aia: e disse Isboseth a Abner: Porque entraste á [5] concubina de meu pae?

8 Então se irou muito Abner pelas palavras de Isboseth, e disse: Sou eu cabeça de cão, [6] que pertença a Judah? ainda hoje faço beneficencia á casa de Saul, teu pae, a seus irmãos, e a seus amigos, e te não entreguei nas mãos de David, e tu hoje buscas motivo para me arguires por respeito da maldade d’uma mulher.

9 Assim faça Deus [7] a Abner, e outro tanto, que como o Senhor jurou a David assim lhe hei de fazer,

10 Transferindo o reino da casa de Saul, e levantando o throno de David sobre Israel, e sobre Judah, desde [8] Dan até Berseba.

11 E nem ainda uma palavra podia responder a Abner: porque o temia.

12 Então ordenou Abner da sua parte mensageiros a David, dizendo: De quem é a terra? E disse: Comigo faze a tua alliança, e eis que a minha mão será comtigo, para tornar a ti todo o Israel.

13 E disse David: Bem, eu farei comtigo alliança, porém uma coisa te peço, que é: não verás [9] a minha face, se primeiro me não trouxeres a Michal, filha de Saul, quando vieres ver a minha face.

14 Tambem enviou David mensageiros a Isboseth, filho de Saul, dizendo: Dá-me minha mulher Michal, que eu desposei [10] comigo por cem prepucios de philisteos.

15 E enviou Isboseth, [11] e a tirou a seu marido, a Phaltiel, filho de Lais.

16 E ia com ella seu marido, caminhando, e chorando detraz d’ella, até Baurim. [12] Então lhe disse Abner: Vae-te agora, volta. E elle voltou.

[302]

17 E praticava Abner com os anciãos de Israel, dizendo: Muito tempo ha que procuraveis que David reinasse sobre vós.

18 Fazei-o pois agora, porque o Senhor fallou [13] a David, dizendo: Pela mão de David meu servo livrarei o meu povo das mãos dos philisteos e das mãos de todos os seus inimigos.

19 E fallou tambem Abner o mesmo aos ouvidos de Benjamin: [14] e foi tambem Abner dizer aos ouvidos de David, em Hebron, tudo o que era bom aos olhos de Israel e aos olhos de toda a casa de Benjamin.

20 E veiu Abner a David, a Hebron, e vinte homens com elle: e David fez um banquete a Abner e aos homens que com elle vinham.

21 Então disse Abner a David: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei [15] ao rei meu senhor todo o Israel, para fazerem alliança comtigo; e tu reinarás sobre tudo o que [16] desejar a tua alma. Assim despediu David a Abner, e foi-se elle em paz.

Joab mata Abner á traição.

22 E eis que os servos de David e Joab vieram d’uma sortida, e traziam comsigo grande despojo; e Abner não estava com David em Hebron, porque o tinha despedido, e se tinha ido em paz.

23 Chegando pois Joab, e todo o exercito que vinha com elle, deram aviso a Joab, dizendo: Abner, filho de Ner, veiu ao rei, e o despediu, e foi-se em paz.

24 Então Joab entrou ao rei, e disse: Que fizeste? eis que Abner veiu ter comtigo; porque pois o despediste, de maneira que se fosse assim livremente?

25 Bem conheces a Abner, filho de Ner, que te veiu enganar, e saber a tua saida [17] e a tua entrada, e entender tudo quanto fazes.

26 E Joab, retirando-se de David, enviou mensageiros atraz d’Abner, e o fizeram voltar desde o poço de Sira, sem que David o soubesse.

27 Tornando pois Abner a Hebron, Joab o tirou á parte, á entrada da porta, [18] para lhe fallar em segredo: e feriu-o ali pela quinta costella, e morreu, por causa do sangue de Asael seu irmão.

28 O que David depois ouvindo, disse: Innocente sou eu, e o meu reino, para com o Senhor, para sempre, do sangue d’Abner, filho de Ner.

29 Fique-se [19] sobre a cabeça de Joab e sobre toda a casa de seu pae, e nunca da casa de Joab falte quem tenha fluxo, nem quem seja [20] leproso, nem quem se atenha a bordão, nem quem caia á espada, nem quem necessite de pão.

30 Joab pois e Abisai, seu irmão, mataram a Abner, por ter morto a Asael, seu irmão, [21] na peleja em Gibeon.

David lamenta a morte de Abner.

31 Disse pois David a Joab, e a todo o povo que com elle estava: Rasgae os vossos vestidos; [22] e cingi-vos de saccos e ide pranteando diante de Abner. E o rei David ia seguindo o feretro.

32 E, sepultando a Abner em Hebron, o rei levantou a sua voz, e chorou junto da sepultura de Abner; e chorou todo o povo.

33 E o rei, pranteando a Abner, disse: Não morreu Abner como [23] morre o vilão?

34 As tuas mãos não estavam atadas, nem os teus pés carregados de grilhões de bronze, mas caiste como os que caem diante dos filhos da maldade! Então todo o povo chorou muito mais por elle.

35 Então todo o povo veiu fazer que David comesse pão, sendo ainda dia, porém David jurou, [24] dizendo: Assim Deus me faça, e outro tanto, se, antes que o sol se ponha, eu provar pão ou alguma coisa.

36 O que todo o povo entendendo, pareceu bem aos seus olhos, assim como tudo quanto o rei fez pareceu bem aos olhos de todo o povo.

37 E todo o povo e todo o Israel entenderam n’aquelle mesmo dia que não procedera do rei que matassem a Abner, filho de Ner.

38 Então disse o rei aos seus servos: Não sabeis que hoje caiu em Israel um principe e um grande?

39 Que eu ainda sou tenro, ainda que ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são [JV] mais [25] duros do que eu: o Senhor pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.

[1] I Chr. 3.1-4. I Sam. 25.43.

[2] I Sam. 27.8. cap. 13.37.

[3] I Reis 1.5.

[4] cap. 21.8, 10.

[5] cap. 16.21.

[6] Deu. 23.18. I Sam. 24.14. cap. 9.8 e 16.9.

[7] Ruth 1.17. I Reis 19.2. I Sam. 15.28 e 16.1, 12 e 28.17. I Chr. 12.23.

[8] Jui. 20.1. cap. 17.11. I Reis 4.25.

[9] Gen. 43.3. I Sam. 18.20.

[10] I Sam. 18.25, 27.

[11] I Sam. 25.44.

[12] cap. 19.16.

[13] ver. 9.

[14] I Chr. 12.29.

[15] ver. 10, 12.

[16] I Reis 11.37.

[17] I Sam. 29.6. Isa. 37.28.

[18] I Reis 2.5. cap. 20.9, 10 e 4.6 e 2.23.

[19] I Reis 2.32, 33.

[20] Lev. 15.2.

[21] cap. 2.23.

[22] Jos. 7.6. cap. 1.2, 11. Gen. 37.34.

[23] cap. 13.12, 13.

[24] cap. 12.17. Jer. 16.7. Ruth 1.17. cap. 1.12.

[25] cap. 19.7. I Reis 2.5, 6, 33, 34.

Dois servos de Isboseth o matam e trazem a cabeça a David.

4 Ouvindo pois o filho de Saul que Abner morrera em Hebron, as mãos se lhe afrouxaram: [1] e todo o Israel pasmou.

2 E tinha o filho de Saul dois homens capitães de tropas: e era o nome d’um[303] Baena, e o nome do outro Rekab, filhos de Rimmon, o beerothita, dos filhos de Benjamin, porque tambem Beeroth se reputava [2] de Benjamin.

3 E tinham fugido os beerothitas para [3] Gittaim, e ali tinham peregrinado até ao dia de hoje.

4 E Jonathan, [4] filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés: era da edade de cinco annos quando as novas de Saul e Jonathan vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu: e succedeu que, apressando-se ella a fugir, elle caiu, e ficou côxo; e o seu nome era Mephiboseth.

5 E foram os filhos de Rimmon, o beerothita, Rekab e Baena, e entraram em casa de Isboseth no maior calor do dia, estando elle deitado a dormir, ao meio dia.

6 E ali entraram até ao meio da casa, como que vindo tomar trigo, e o feriram na quinta costella: e Rekab e Baena, seu irmão, [5] escaparam;

7 Porque entraram na sua casa, estando elle na cama deitado, na sua recamara, e o feriram, e o mataram, e lhe cortaram a cabeça; e, tomando a sua cabeça, andaram toda a noite caminhando pela planicie.

8 E trouxeram a cabeça d’Isboseth a David, a Hebron, e disseram ao rei: Eis aqui a cabeça de Isboseth, filho de Saul, teu inimigo, que te procurava [6] a morte: assim o Senhor vingou hoje ao rei meu senhor de Saul e da sua semente.

9 Porém David, respondendo a Rekab e a Baena, seu irmão, filhos de Rimmon, o beerothita, disse-lhes: Vive o Senhor, que remiu [7] a minha alma de toda a angustia,

10 Que, pois se áquelle [8] que me trouxe novas (dizendo: Eis que Saul morto é, parecendo-lhe porém aos seus olhos que era como quem trazia boas novas), eu logo lancei mão d’elle, e o matei em Siclag, cuidando elle que eu por isso lhe désse alviçaras;

11 Quanto mais a impios homens, que mataram um homem justo em sua casa, sobre a sua cama: agora, pois, não requereria [9] eu o seu sangue de vossas mãos, e não vos exterminaria da terra?

12 E deu David ordem [10] aos seus mancebos que os matassem: e cortaram-lhes os pés e as mãos, e os penduraram sobre o tanque de Hebron: tomaram porém a cabeça d’Isboseth, e a sepultaram na sepultura [11] de Abner, em Hebron.

[1] Esd. 4.4. Isa. 13.7. Mat. 2.3.

[2] Jos. 18.25.

[3] Neh. 11.33.

[4] cap. 9.3. I Sam. 29.1, 11.

[5] cap. 2.23.

[6] I Sam. 19.2, 10, 11 e 23.15 e 25.29.

[7] Gen. 48.16. I Reis 1.29.

[8] cap. 1.2, 4, 15.

[9] Gen. 9.5, 6.

[10] cap. 1.15.

[11] cap. 3.32.

David é constituido rei de todo o Israel.

Antes de Christo 1043

5 Então [1] todas as tribus d’Israel vieram a David, a Hebron, e fallaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.

2 E tambem d’antes, sendo Saul ainda [2] rei sobre nós, eras tu o que sahias e entravas com Israel; e tambem o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo d’Israel, [3] e tu serás chefe sobre Israel.

3 Assim pois todos [4] os anciãos d’Israel vieram ao rei, a Hebron; e o rei David fez com elles alliança em Hebron, perante o Senhor: e ungiram a David rei sobre Israel.

4 Da edade de trinta annos era David quando começou a [5] reinar: quarenta annos reinou.

5 Em Hebron reinou sobre Judah sete annos [6] e seis mezes, e em Jerusalem reinou trinta e tres annos sobre todo o Israel e Judah.

6 E partiu o rei com os seus homens a Jerusalem, [7] contra os jebuseos que habitavam n’aquella terra; e fallaram a David, dizendo: Não entrarás aqui, que os cegos e os côxos te rechaçaram d’aqui (querendo dizer: Não entrará David aqui).

7 Porém David tomou a fortaleza de Sião: esta [8] é a cidade de David.

8 Porque David disse n’aquelle dia: Qualquer que ferir aos jebuseos, e chegar ao canal, e aos côxos e aos cegos, que [9] a alma de David aborrece, será cabeça e capitão. Por isso se diz: Nem cego nem côxo entrará n’esta casa.

9 Assim habitou David na fortaleza, e a chamou [10] a cidade de David: e David foi edificando em redor, desde Millo até dentro.

10 E David se ia cada vez mais augmentando e crescendo, porque o Senhor Deus dos exercitos era com elle.

11 E Hirão, [11] rei de Tyro, enviou mensageiros a David, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros: edificaram a David uma casa.

12 E entendeu David que o Senhor o confirmara rei sobre Israel, e que exaltara o seu reino por amor do seu povo.

[304]

Os filhos de David que nasceram em Jerusalem.

13 E tomou [12] David mais concubinas e mulheres de Jerusalem, depois que viera de Hebron: e nasceram a David mais filhos e filhas.

14 E estes [13] são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalem: Sammua, e Sobab, e Nathan, e Salomão,

15 E Ibhar, e Elisua, e Nepheg, e Japhia,

16 E Elisama, e Eliada, e Eliphelet.

17 Ouvindo [14] pois os philisteos que haviam ungido a David rei sobre Israel, todos os philisteos subiram em busca de David: o que ouvindo David, desceu á fortaleza.

18 E os philisteos vieram, e se estenderam pelo valle [15] de Rephaim.

19 E David consultou [16] ao Senhor, dizendo: Subirei contra os philisteos? entregar-m’os-has nas minhas mãos? E disse o Senhor a David: Sobe, porque certamente entregarei os philisteos nas tuas mãos.

20 Então veiu David a Baal-perasim; [17] e feriu-os ali David, e disse: Rompeu o Senhor a meus inimigos diante de mim, como quem rompe aguas. Por isso chamou o nome d’aquelle logar Baal-perasim.

21 E deixaram [18] ali os seus idolos; e David e os seus homens os tomaram.

22 E os philisteos tornaram a subir, e se estenderam pelo valle de Rephaim.

23 E David consultou [19] ao Senhor, o qual disse: Não subirás: mas rodeia por detraz d’elles, e virás a elles por defronte das amoreiras.

24 E ha de ser que, ouvindo tu um estrondo [20] de marcha pelas copas das amoreiras, então te apressarás: porque o Senhor saiu então [21] diante de ti, a ferir o arraial dos philisteos.

25 E fez David assim como o Senhor lhe tinha ordenado: e feriu os philisteos desde Gibeah, [22] até chegar a Gezer.

[1] I Chr. 11.1 e 12.23. Gen. 29.14.

[2] I Sam. 18.13.

[3] I Sam. 16.1, 2. Psa. 78.70. cap. 7.7.

[4] I Chr. 11.3. II Reis 11.17. Jui. 11.11. I Sam. 23.18.

[5] I Chr. 26.31 e 29.27.

[6] cap. 2.11. I Chr. 3.4.

[7] Jui. 1.21. Jos. 15.63. Jui. 1.8 e 19.11, 12.

[8] ver. 9. I Reis 2.10 e 8.1.

[9] I Chr. 11.6-9.

[10] ver. 7.

[11] I Reis 5.2. I Chr. 14.1.

[12] Deu. 17.17. I Chr. 3.9 e 14.3.

[13] I Chr. 3.5 e 14.4.

[14] I Chr. 11.16 e 14.8. cap. 23.14.

[15] Jos. 15.8. Isa. 17.5.

[16] I Sam. 23.2, 4 e 30.8. cap. 2.1.

[17] Isa. 28.21.

[18] Deu. 7.5, 25. I Chr. 14.12.

[19] ver. 19.

[20] II Reis 7.6.

[21] Jui. 4.14.

[22] I Chr. 14.16. Jos. 16.10.

David traz a arca para Jerusalem.

Antes de Christo 1042

6 E tornou David a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em numero de trinta mil.

2 E levantou-se [1] David, e partiu com todo o povo que tinha comsigo de Baalim de Judah, para levarem d’ali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do Senhor dos exercitos, que se [2] assenta entre os cherubins.

3 E puzeram a arca de Deus em um [3] carro novo, e a levaram da casa de Abinadab, que está em Gibeah: e Uza e Ahio, filhos de Abinadab, guiavam o carro novo.

4 E levando-o da casa [4] d’Abinadab, que está em Gibeah, com a arca de Deus, Ahio ia diante da arca.

5 E David, e toda a casa de Israel, fazia alegrias perante o Senhor, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia: como com harpas, e com psalterios, e com tamboris, e com pandeiros, e com cymbalos.

6 E, chegando [5] á eira de Nachon, estendeu Uza a mão á arca de Deus, e teve mão n’ella; porque os bois a deixavam pender.

7 Então a ira do Senhor se accendeu contra Uza, e Deus o feriu [6] ali por esta imprudencia: e morreu ali junto á arca de Deus.

8 E David se contristou, porque o Senhor abrira rotura em Uza; e chamou aquelle logar [JW] Peres-uza, até ao dia d’hoje.

9 E temeu [7] David ao Senhor n’aquelle dia; e disse: Como virá a mim a arca do Senhor?

10 E não quiz David retirar a si a arca do Senhor á cidade de David; mas David a fez levar á casa [8] de Obed-edom, o getheo.

11 E ficou a arca do Senhor em casa d’Obed-edom, o getheo, [9] tres mezes: e abençoou [10] o Senhor a Obed-edom, e a toda a sua casa.

12 Então avisaram a David, dizendo: Abençoou o Senhor a casa d’Obed-edom, e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus; [11] foi pois David, e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obed-edom, á cidade de David, com alegria.

13 E succedeu que, quando os que levavam a [12] arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava bois e carneiros cevados.

14 E David saltava [13] com todas as suas forças diante do Senhor: e estava David cingido d’um ephod de linho.

15 Assim subindo, levavam David [14] e[305] todo o Israel a arca do Senhor, com jubilo, e ao som das trombetas.

16 E succedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de David, [15] Michal, a filha de Saul, estava olhando pela janella: e, vendo ao rei David, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.

17 E introduzindo [16] a arca do Senhor, a puzeram no seu logar, na tenda que David lhe armara: e offereceu David holocaustos e offertas pacificas perante o Senhor.

18 E acabando David de offerecer os holocaustos e offertas pacificas, abençoou [17] o povo em nome do Senhor dos exercitos.

19 E repartiu [18] a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, desde os homens até ás mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então foi-se todo o povo, cada um para sua casa.

20 E, voltando David para abençoar a sua casa, Michal, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com David, e disse: Quão honrado foi o rei d’Israel, descobrindo-se [19] hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos vadios.

21 Disse porém David a Michal: Perante o Senhor, [20] que me escolheu a mim antes do que a teu pae, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel: perante o Senhor tenho feito alegrias.

22 E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos: e das servas, de quem fallaste, d’ellas serei honrado.

23 E Michal, a filha de Saul, [21] não teve filhos, até ao dia da sua morte.

[1] I Chr. 13.5, 6.

[2] I Sam. 4.4.

[3] Num. 7.9. I Sam. 6.7.

[4] I Sam. 7.1.

[5] I Chr. 13.9. Num. 4.15.

[6] I Sam. 6.19.

[7] Luc. 5.8, 9.

[8] I Chr. 13.13.

[9] I Chr. 13.14.

[10] Gen. 30.27 e 39.5.

[11] I Chr. 15.25.

[12] Num. 4.15. Jos. 3.3. I Chr. 15.2, 15. I Reis 8.5. I Chr. 15.26.

[13] Exo. 15.20. I Sam. 2.18. I Chr. 15.27.

[14] I Chr. 15.28.

[15] I Chr. 15.29.

[16] I Chr. 16.1 e 15.1. I Reis 8.5, 62, 63.

[17] I Reis 8.55. I Chr. 16.2.

[18] I Chr. 16.3.

[19] ver. 14, 16. I Sam. 19.24. Jui. 9.4.

[20] I Sam. 13.14 e 15.28.

[21] I Sam. 15.35. Isa. 22.14. Mat. 1.25.

David deseja edificar um templo ao Senhor.

7 E Succedeu que, [1] estando o rei David em sua casa, e que o Senhor lhe tinha dado descanço de todos os seus inimigos em redor:

2 Disse o rei ao propheta Nathan: Ora olha, eu moro em casa de [2] cedros, e a arca de Deus mora dentro de cortinas.

3 E disse Nathan ao rei: Vae, e faze tudo quanto está no teu coração; porque [3] o Senhor é comtigo.

4 Porém succedeu n’aquella mesma noite, que a palavra do Senhor veiu a Nathan, dizendo:

5 Vae, e dize a meu servo, a David: Assim diz o Senhor: Edificar-me-hias [4] tu casa para minha habitação?

6 Porque em casa nenhuma habitei desde o [5] dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egypto até ao dia d’hoje: mas andei em tenda e em tabernaculo.

7 E em todo o logar em que andei [6] com todos os filhos d’Israel, fallei porventura alguma palavra com alguma das tribus d’Israel, a quem mandei apascentar [7] o meu povo d’Israel, dizendo: Porque me não edificaes uma casa de cedros?

8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo, a David: Assim diz o Senhor dos exercitos: Eu te tomei [8] da malhada detraz das ovelhas, para que fosses o chefe sobre o meu povo, sobre Israel.

9 E fui comtigo, [9] por onde quer que foste, e destrui a teus inimigos diante de ti: e fiz para ti um grande [10] nome, como o nome dos grandes que ha na terra.

10 E prepararei logar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, [11] para que habite no seu logar e não mais seja movido, e nunca mais os filhos de perversidade o afflijam, como d’antes,

11 E desde o dia [12] em que mandei, que houvesse juizes sobre o meu povo Israel: a ti porém te dei descanço de todos os teus inimigos: tambem o Senhor te faz saber que o Senhor te fará casa.

12 Quando teus dias forem completos, [13] e vieres a dormir com teus paes, então farei levantar depois de ti a tua semente, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.

13 Este edificará [14] uma casa ao meu nome, e confirmarei o throno do seu reino para sempre.

14 Eu lhe serei por pae, [15] e elle me será por filho: e, se vier a transgredir, castigal-o-hei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.

15 Mas a minha benignidade se não apartará d’elle; como [16] a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.

16 Porém a tua casa [17] e o teu reino será affirmado para sempre diante de ti: teu throno será firme para sempre.

[306]

17 Conforme a todas estas palavras, e conforme a toda esta visão, assim fallou Nathan a David.

18 Então entrou o rei David, e ficou perante o Senhor, e disse: Quem sou eu, [18] Senhor Jehovah, e qual é a minha casa, que me trouxeste até aqui?

19 E ainda foi isto [19] pouco aos teus olhos, Senhor Jehovah, senão que tambem fallaste da casa de teu servo para tempos distantes: é isto [JX] o costume dos homens, ó Senhor Jehovah?

20 E que mais te fallará ainda David? pois tu conheces bem [20] a teu servo, ó Senhor Jehovah.

21 Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza: fazendo-a saber a teu servo.

22 Portanto, grandioso és, ó Senhor Jehovah, [21] porque não ha similhante a ti, e não ha outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.

23 E quem [22] ha como o teu povo, como Israel, gente unica na terra? a quem Deus foi resgatar para seu povo; e a fazer-se nome, e a fazer-vos estas grandes e terriveis coisas á tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egypto, desterrando as nações e a seus deuses.

24 E confirmaste [23] a teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, Senhor, te fizeste o seu Deus.

25 Agora, pois, ó Senhor Jehovah, esta palavra que fallaste ácerca de teu servo e ácerca da sua casa, confirma-a para sempre, e faze como tens fallado.

26 E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: O Senhor dos exercitos é Deus sobre Israel; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti.

27 Pois tu, Senhor dos exercitos, Deus d’Israel, revelaste aos ouvidos de teu servo, dizendo: Edificar-te-hei casa. Portanto o teu servo achou no seu coração o fazer-te esta oração.

28 Agora, pois, Senhor Jehovah, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras serão verdade, [24] e tens fallado a teu servo este bem.

29 Sejas pois agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor Jehovah, disseste; e com a tua benção será para sempre [25] bemdita a casa de teu servo.

[1] I Chr. 17.1, etc.

[2] cap. 5.11. Act. 7.46.

[3] I Reis 8.17, 18. I Chr. 22.7 e 28.2.

[4] I Reis 5.3 e 8.19. I Chr. 22.8 e 28.3.

[5] I Reis 8.16. Exo. 40.18, 19, 34.

[6] Lev. 26.11, 12. Deu. 23.14.

[7] cap. 5.2. Mat. 2.6. Act. 20.28.

[8] I Sam. 16.11, 12.

[9] I Sam. 18.14. cap. 5.10 e 8.6, 14. I Sam. 31.6. Psa. 89.24.

[10] Gen. 12.2.

[11] Jer. 24.6. Amós 9.15.

[12] Jui. 2.14, 15, 16. I Sam. 12.9, 11. ver. 1. Exo. 1.21. ver. 27. I Reis 11.38.

[13] I Reis 2.1. Deu. 31.16. I Reis 1.21. Act. 13.36. I Reis 11.38.

[14] I Reis 5.5 e 6.12 e 8.19. I Chr. 22.10 e 28.6. ver. 16.

[15] Psa. 89.27, 28. Heb. 1.5.

[16] I Sam. 15.23 e 16.14. I Reis 11.13, 34.

[17] ver. 13. Psa. 89.37, 38. João 12.34.

[18] Gen. 32.10.

[19] ver. 12, 13. Isa. 55.8.

[20] Gen. 18.19.

[21] I Chr. 16.25. II Chr. 2.5. Jer. 10.6. Deu. 3.24 e 4.35 e 32.39. I Sam. 2.2. Isa. 45.5, 18, 22.

[22] Deu. 4.7, 32, 34 e 33.29. Psa. 148.20. Deu. 9.26. Neh. 1.10.

[23] Deu. 26.18.

[24] João 17.17.

[25] cap. 22.51.

As victorias de David sobre varias nações.

Antes de Christo 1040

8 E Succedeu depois [1] d’isto que David feriu os philisteos, e os sujeitou: e David tomou a [JY] Metheg-ammah das mãos dos philisteos.

2 Tambem feriu [2] os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois cordeis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida: ficaram assim os moabitas por servos [3] de David, trazendo presentes.

3 Feriu tambem David a Hadadezer, filho de Rechob, rei de Zoba, indo [4] elle a virar a sua mão para o rio Euphrates.

4 E tomou-lhe David mil e seiscentos cavalleiros e vinte mil homens de pé: e David jarretou [5] a todos os cavallos dos carros, e reservou d’elles cem carros.

5 E vieram [6] os syros de Damasco a soccorrer a Hadadezer, rei de Zoba: porém David feriu dos syros vinte e dois mil homens.

6 E David poz guarnições em Syria de Damasco, e os syros ficaram por servos de [7] David, trazendo presentes: e o Senhor guardou a David por onde quer que ia.

7 E David tomou [8] os escudos de oiro que havia com os servos de Hadadezer, e os trouxe a Jerusalem.

8 Tomou mais o rei David uma quantidade mui grande de bronze de Betah e de Berothai, cidades de Hadadezer.

9 Ouvindo então Toi, rei de Hamath, que David ferira a todo o exercito de Hadadezer,

10 Mandou Toi seu filho Joram [9] ao rei David, para lhe perguntar como estava, e para lhe dar os parabens por haver pelejado contra Hadadezer, e por o haver ferido (porque Hadadezer de continuo fazia guerra a Toi); e na sua mão trazia vasos de prata, e vasos de oiro, e vasos de bronze,

11 Os quaes tambem o rei David [10] consagrou ao Senhor, juntamente com a prata e oiro que já havia consagrado de todas as nações que sujeitara,

12 De Syria, e de Moab, e dos filhos d’Ammon, e dos philisteos, e d’Amalek, e dos despojos de Hadadezer, filho de Rechob, rei de Zoba.

[307]

13 Tambem David ganhou nome, voltando elle de ferir os syros no valle do sal, a saber, [11] a dezoito mil.

14 E poz guarnições em Edom, em todo o Edom poz guarnições, e todos os idumeos [12] ficaram por servos de David: e o Senhor ajudava a David por onde quer que ia.

15 Reinou pois David sobre todo o Israel: e David fazia direito e justiça a todo o seu povo.

16 E Joab, [13] filho de Zeruia, era sobre o exercito; e Josaphat, filho de Ahilud, era chronista.

17 E Zadok, [14] filho de Ahitub, e Ahimelek, filho de Abiathar, eram sacerdotes, e Seraias escrivão,

18 Tambem Benaia, filho de Joiada, estava [15] com os cheretheos e peletheos: porém os filhos de David eram [JZ] principes.

[1] I Chr. 18.1, etc.

[2] Num. 24.17.

[3] ver. 6, 14. I Sam. 10.27.

[4] cap. 10.6. Gen. 15.18.

[5] Jos. 11.6, 9.

[6] I Reis 11.23, 24, 25.

[7] ver. 2, 14. cap. 7.9.

[8] I Reis 10.16.

[9] I Chr. 18.10.

[10] I Reis 7.51. I Chr. 18.11 e 26.26.

[11] I Chr. 18.12.

[12] Gen. 27.29, 37, 40. Num. 24.18. ver. 6.

[13] cap. 19.13 e 20.23. I Chr. 11.6 e 18.15. I Reis 4.3.

[14] I Chr. 24.3.

[15] I Chr. 18.17. I Sam. 30.14.

A bondade de David para com o filho de Jonathan.

9 E disse David: Ha ainda alguem que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça beneficencia [1] por amor de Jonathan?

2 E havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba: [2] e o chamaram que viesse a David, e disse-lhe o rei: És tu Ziba? E elle disse: Servo teu.

3 E disse o rei: Não ha ainda algum da casa de Saul para que use com elle de [3] beneficencia de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda ha um filho de Jonathan, aleijado de ambos os pés.

4 E disse-lhe o rei: Onde está? E disse Ziba ao rei: Eis que está em casa de [4] Machir, filho d’Ammiel, em Lo-debar.

5 Então mandou o rei David, e o tomou da casa de Machir, filho d’Ammiel, de Lo-debar.

6 E entrando Mephiboseth, filho de Jonathan, o filho de Saul, a David, se prostrou com o rosto por terra e se inclinou; e disse David: Mephiboseth! E elle disse: Eis aqui teu servo.

7 E disse-lhe David: Não temas, porque [5] decerto usarei comtigo de beneficencia por amor de Jonathan, teu pae, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pae, e tu de continuo comerás pão á minha mesa.

8 Então se inclinou, e disse: Quem é teu servo, para tu teres olhado para um [6] cão morto tal como eu?

9 Então chamou David a Ziba, moço de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a Saul, e de toda a sua casa, tenho dado [7] ao filho de teu senhor.

10 Trabalhar-lhe-heis pois a terra, tu e teus filhos, e teus servos, e recolherás os fructos, para que o filho de teu senhor tenha pão que coma, e Mephiboseth, filho de teu senhor, de continuo comerá [8] pão á minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos [9] e vinte servos.

11 E disse Ziba ao rei: Conforme a tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo; porém Mephiboseth comerá á minha mesa como um dos filhos do rei.

12 E tinha Mephiboseth um filho pequeno, cujo nome era [10] Mica: e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mephiboseth.

13 Morava pois Mephiboseth em Jerusalem, porquanto de continuo comia á mesa do rei, [11] e era côxo de ambos os pés.

[1] I Sam. 18.3 e 20.14, 15, 16, 17, 42. Pro. 27.10.

[2] cap. 16.1 e 19.17, 29.

[3] I Sam. 20.14. cap. 4.4.

[4] cap. 17.27.

[5] ver. 1, 3.

[6] I Sam. 24.14. cap. 16.9.

[7] cap. 16.4 e 19.29.

[8] ver. 7, 11, 13. cap. 19.28.

[9] cap. 19.17.

[10] I Chr. 8.34.

[11] ver. 7, 10 e 3.

David derrota os ammonitas e os syros.

Antes de Christo 1037

10 E aconteceu depois d’isto que morreu o rei dos filhos de Ammon, [1] e seu filho Hanun reinou em seu logar.

2 Então disse David: Usarei de beneficencia com Hanun, filho de Nahas, como seu pae usou de beneficencia comigo. E enviou David a consolal-o, pelo ministerio de seus servos, ácerca de seu pae: e vieram os servos de David á terra dos filhos de Ammon.

3 Então disseram os principes dos filhos d’Ammon a seu senhor, Hanun: Porventura honra David a teu pae aos teus olhos, porque te enviou consoladores? porventura não te enviou David os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espial-a, e para transtornal-a?

4 Então tomou Hanun os servos de David, e lhes rapou metade da barba, e lhes cortou metade dos vestidos, até ás nadegas, [2] e os despediu.

5 O que fazendo saber a David, enviou a encontral-os; porque estavam estes homens sobremaneira envergonhados; e disse o rei: Deixae-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba; e então vinde.

[308]

6 Vendo pois os filhos de Ammon, que se tinham feito abominaveis [3] para David, enviaram os filhos d’Ammon, e alugaram dos syros de Beth-rechob e dos syros de Zoba vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens e dos homens de Tob doze mil homens.

7 O que ouvindo David, enviou a [4] Joab e a todo o exercito dos valentes.

8 E sairam os filhos d’Ammon, e ordenaram a batalha á entrada da porta: mas os syros de Zoba e [5] Rechob, e os homens de Tob e Maaca estavam á parte no campo.

9 Vendo pois Joab que estava preparada contra elle a frente da batalha, por diante e por detraz, escolheu d’entre todos os escolhidos de Israel, e formou-os em linha contra os syros.

10 E o resto do povo entregou na mão de Abisai seu irmão, o qual formou em linha contra os filhos de Ammon.

11 E disse: Se os syros forem mais fortes do que eu, tu me virás em soccorro; e, se os filhos de Ammon forem mais fortes do que tu, irei a soccorrer-te a ti.

12 Esforça-te, pois, [6] e esforcemo-nos pelo nosso povo, e pelas cidades de nosso Deus: e faça o Senhor então o que bem parecer aos seus olhos.

13 Então se achegou Joab, e o povo que estava com elle, á peleja contra os syros; e fugiram de diante d’elle.

14 E, vendo os filhos d’Ammon que os syros fugiam, tambem elles fugiram de diante de Abisai, e entraram na cidade: e voltou Joab dos filhos d’Ammon, e veiu para Jerusalem.

15 Vendo pois os syros que foram feridos diante d’Israel, tornaram a refazer-se.

16 E enviou Hadadezer, e fez sair os syros que estavam da outra banda do rio, e vieram a Helam: e Sobach, chefe do exercito de Hadadezer, marchava diante d’elles.

17 Do que informado David, ajuntou a todo o Israel, e passou o Jordão, e veiu a Helam: e os syros se pozeram em ordem contra David, e pelejaram com elle.

18 Porém os syros fugiram de diante de Israel, e David feriu d’entre os syros aos homens de setecentos carros, e quarenta mil homens de cavallo: [7] tambem ao mesmo Sobach, general do exercito, feriu, e morreu ali.

19 Vendo pois todos os reis, servos de Hadadezer, que foram feridos diante de Israel, [8] fizeram paz com Israel, e o serviram: e temeram os syros de soccorrer mais aos filhos de Ammon.

[1] I Chr. 19.1, etc.

[2] Isa. 20.4 e 47.2.

[3] Gen. 24.30. Exo. 5.21. I Sam. 13.4. cap. 8.3, 5.

[4] cap. 23.8.

[5] ver. 6.

[6] Deu. 31.6. I Sam. 4.9. I Cor. 16.13. I Sam. 3.18.

[7] I Chr. 19.18.

[8] cap. 8.6.

David commette um adulterio e um homicidio.

Antes de Christo 1035

11 E aconteceu que, tendo decorrido um anno, no tempo em que os reis saem, enviou [1] David a Joab, e a seus servos com elle, e a todo o Israel, para que destruissem os filhos de Ammon, e cercassem a Rabba; porém David ficou em Jerusalem.

2 E aconteceu á hora da tarde que David se levantou do seu leito, e andava passeando [2] no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando: e era esta mulher mui formosa á vista.

3 E enviou David, e perguntou por aquella mulher: e disseram: Porventura não é esta Bathseba, filha d’Eliam, mulher [3] de Urias, o hetheo?

4 Então enviou David mensageiros, e a mandou trazer; e, entrando ella a elle, se deitou [4] com ella (e ella se tinha purificado da sua immundicia): então voltou ella para sua casa.

5 E a mulher concebeu; e enviou, e fel-o saber a David, e disse: Prenhe estou.

6 Então enviou David a Joab, dizendo: Envia-me Urias o hetheo. E Joab enviou Urias a David.

7 Vindo pois Urias a elle, perguntou David como ficava Joab, e como ficava o povo, e como ia a guerra.

8 Depois disse David a Urias: Desce a tua casa, e lava [5] os teus pés. E, saindo Urias da casa real, logo saiu atraz d’elle iguaria do rei.

9 Porém Urias se deitou á porta da casa real, com todos os servos do seu senhor: e não desceu á sua casa.

10 E o fizeram saber a David, dizendo: Urias não desceu a sua casa. Então disse David a Urias: Não vens tu d’uma jornada? Porque não desceste a tua casa?

11 E disse Urias a David: [6] A arca, e Israel, e Judah ficam em tendas; e Joab meu senhor e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.

12 Então disse David a Urias: Fica cá ainda hoje, e ámanhã te despedirei.[309] Urias pois ficou em Jerusalem aquelle dia e o seguinte.

13 E David o convidou, e comeu e bebeu diante d’elle, e [7] o embebedou: e á tarde saiu a deitar-se na sua cama como os servos de seu senhor; porém não desceu a sua casa.

14 E succedeu que pela manhã David [8] escreveu uma carta a Joab: e mandou-lh’a por mão de Urias.

15 Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirae-vos de detraz d’elle, para que seja ferido [9] e morra.

16 Aconteceu, pois, que, tendo Joab observado bem a cidade, poz a Urias no logar onde sabia que havia homens valentes.

17 E, saindo os homens da cidade, e pelejando com Joab, cairam alguns do povo, dos servos de David: e morreu tambem Urias, o hetheo.

18 Então enviou Joab, e fez saber a David todo o successo d’aquella peleja.

19 E deu ordem ao mensageiro, dizendo: Acabando tu de contar ao rei todo o successo d’esta peleja;

20 E succedendo que o rei se encolerize, e te diga: Porque vos chegastes tão perto da cidade a pelejar? Não sabieis vós que haviam de atirar do muro?

21 Quem feriu a Abimelech, [10] filho de Jerubbeseth? Não lançou uma mulher sobre elle do muro um pedaço d’uma mó corredora, de que morreu em Thebes? Porque vos chegastes ao muro? Então dirás: Tambem morreu teu servo Urias, o hetheo.

22 E foi o mensageiro, e entrou, e fez saber a David tudo, porque Joab o enviara dizer.

23 E disse o mensageiro a David: Na verdade que mais poderosos foram aquelles homens do que nós, e sairam a nós ao campo; porém nós fomos contra elles, até á entrada da porta.

24 Então os frecheiros atiraram contra os teus servos desde o alto do muro, e morreram alguns dos servos do rei: e tambem morreu o teu servo Urias, o hetheo.

25 E disse David ao mensageiro: Assim dirás a Joab: Não te pareça isto mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquelle: esforça a tua peleja contra a cidade, e a derrota: esforça-o tu assim.

26 Ouvindo pois a mulher de Urias que Urias seu marido era morto, lamentou a seu senhor.

27 E, passado o nojo, enviou David, e a recolheu em sua casa, e lhe foi por mulher, [11] e pariu-lhe um filho. Porém esta coisa que David fez pareceu mal aos olhos do Senhor.

[1] I Chr. 20.1.

[2] Deu. 22.8. Gen. 34.2. Job 31.1. Mat. 5.28.

[3] cap. 23.39.

[4] Thi. 1.14. Lev. 15.19, 28 e 18.19.

[5] Gen. 18.4 e 19.2.

[6] cap. 7.2, 6 e 20.6.

[7] Gen. 19.33, 35. ver. 9.

[8] I Reis 21.8, 9.

[9] cap. 12.9.

[10] Jui. 9.53 e 6.32.

[11] cap. 12.9.

Nathan, o propheta, reprehende a David.

Antes de Christo 1034

12 E o Senhor enviou Nathan a David: e, entrando elle a David, disse-lhe: Havia [1] n’uma cidade dois homens, um rico e outro pobre.

2 O rico tinha muitissimas ovelhas e vaccas;

3 Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e creara; e ella tinha crescido com elle e com seus filhos egualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.

4 E, vindo ao homem rico um viajante, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vaccas para guizar para o viajante que viera a elle: e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a elle.

5 Então o furor de David se accendeu em grande maneira contra aquelle homem, e disse a Nathan: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso.

6 E pela cordeira [2] tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu.

7 Então disse Nathan a David: Tu és este homem. Assim diz o Senhor Deus d’Israel: Eu te ungi [3] rei sobre Israel, e eu te livrei das mãos de Saul,

8 E te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e tambem te dei a casa d’Israel e de Judah, e, se isto é pouco, mais te accrescentaria taes e taes coisas.

9 Porque, pois, [4] desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o hetheo, feriste á espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a elle mataste com a espada dos filhos d’Ammon:

10 Agora, pois, [5] não se apartará a espada jámais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o hetheo, para que te seja por mulher.

11 Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres [6] perante os teus olhos, e as darei a teu proximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.

[310]

12 Porque tu o fizeste em occulto, mas eu farei [7] este negocio perante todo o Israel e perante o sol.

13 Então disse David a Nathan: [8] Pequei contra o Senhor. E disse Nathan a David: [9] Tambem o Senhor traspassou o teu peccado; não morrerás.

14 Todavia, porquanto com este feito déste logar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasphemem, [10] tambem o filho que te nasceu certamente morrerá.

15 Então Nathan se foi para sua casa; e o Senhor feriu a creança que a mulher de Urias parira a David, e adoeceu gravemente.

16 E buscou David a Deus pela creança; e jejuou David, e entrou, e passou a noite prostrado [11] sobre a terra:

17 Então os anciãos da sua casa se levantaram a elle, para o levantar da terra; porém elle não quiz, e não comeu pão com elles.

18 E succedeu que ao setimo dia morreu a creança: e temiam os servos de David dizer-lhe que a creança era morta, porque diziam: Eis que, sendo a creança ainda viva, lhe fallavamos, porém não dava ouvidos á nossa voz; como pois lhe diremos que a creança é morta? Porque mais mal lhe faria.

19 Viu porém David que seus servos fallavam baixo, e entendeu David que a creança era morta, pelo que disse David a seus servos: É morta a creança? E elles disseram: É morta.

20 Então David se levantou da terra, e se lavou, [12] e se ungiu, e mudou de vestidos, e entrou na casa do Senhor, e adorou: então veiu a sua casa, e pediu pão; e lhe pozeram pão, e comeu.

21 E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela creança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a creança te levantaste e comeste pão.

22 E disse elle: Vivendo ainda a creança, jejuei e chorei, porque dizia: [13] Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, e viva a creança?

23 Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu agora? Poderei eu fazel-a mais voltar? Eu irei a ella, porém [14] ella não voltará para mim.

24 Então consolou David a Bath-seba, sua mulher, e entrou a ella, e se deitou [15] com ella: e pariu ella um filho, e chamou o seu nome Salomão: e o Senhor o amou.

25 E enviou pela mão do propheta Nathan, e chamou o seu nome Jedid-jah, por amor do Senhor.

26 Entretanto [16] pelejou Joab contra Rabba, dos filhos de Ammon, e tomou a cidade real.

27 Então mandou Joab mensageiros a David, e disse: Pelejei contra Rabba, e tambem tomei a cidade das aguas.

28 Ajunta, pois, agora o resto do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que, tomando eu a cidade, não se acclame sobre ella o meu nome.

29 Então ajuntou David a todo o povo, e marchou para Rabba, e pelejou contra ella, e a tomou.

30 E tirou a corôa da cabeça [17] do seu rei, cujo peso era d’um talento de oiro, e havia n’ella pedras preciosas, e foi posta sobre a cabeça de David: e da cidade levou mui grande despojo.

31 E, trazendo o povo que havia n’ella, o poz ás serras, e ás talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Ammon: e voltou David e todo o povo para Jerusalem.

[1] cap. 14.5, etc. I Reis 20.35-41. Isa. 5.3.

[2] Exo. 22.1. Luc. 19.8.

[3] I Sam. 16.13.

[4] I Sam. 15.19. Num. 15.31. cap. 11.15, 16, 17, 27.

[5] Amós 7.9.

[6] Deu. 28.30. cap. 16.22.

[7] cap. 16.22.

[8] I Sam. 15.24. cap. 24.10. Job 7.20. Pro. 28.13.

[9] cap. 24.10. Job 7.21. Miq. 7.18. Zac. 3.4.

[10] Isa. 52.5. Eze. 36.20, 23. Rom. 2.24.

[11] cap. 13.31.

[12] Ruth 3.3. Job 1.20.

[13] Isa. 38.1, 5. Jon. 3.9.

[14] Job 7.8, 9, 10.

[15] Mat. 1.6. I Chr. 22.9.

[16] I Chr. 20.1. Deu. 3.11.

[17] I Chr. 20.2.

Amnon ama Tamar e commette um incesto.

Antes de Christo 1033

13 E aconteceu depois d’isto que, tendo Absalão, [1] filho de David, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnon, filho de David, amou-a.

2 E angustiou-se Amnon, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem: e parecia aos olhos de Amnon difficultoso fazer-lhe coisa alguma.

3 Tinha porém Amnon um amigo, cujo nome era Jonadab, filho de Simea, irmão de David: e era Jonadab homem mui [2] sagaz.

4 O qual lhe disse: Porque tu de manhã em manhã tanto emmagreces, sendo filho do rei? não m’o farás saber a mim? Então lhe disse Amnon: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão,

5 E Jonadab lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pae te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e apreste a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão.

6 Deitou-se pois Amnon, e fingiu-se doente; e, vindo o rei visital-o, disse Amnon ao rei: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e apreste dois bolos diante[311] dos meus olhos, [3] que eu coma de sua mão.

7 Mandou então David a casa, a Tamar, dizendo: Vae a casa de Amnon, teu irmão, e faze-lhe alguma comida.

8 E foi Tamar a casa de Amnon, seu irmão (elle porém estava deitado), e tomou massa, e a amassou, e fez bolos diante dos seus olhos, e cozeu os bolos.

9 E tomou a sertã, e os tirou diante d’elle; porém elle recusou comer. E disse Amnon: Fazei retirar [4] a todos da minha presença. E todos se retiraram d’elle.

10 Então disse Amnon a Tamar: Traze a comida á camara, e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera, e os trouxe a Amnon, seu irmão, á camara.

11 E chegando-lh’os, para que comesse, pegou [5] d’ella, e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, irmã minha.

12 Porém ella lhe disse: Não, irmão meu, não me forces, [6] porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura.

13 Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos d’Israel. Agora, pois, peço-te que falles ao rei, porque não me negará a [7] ti.

14 Porém elle não quiz dar ouvidos á sua voz; antes, sendo mais forte do que ella, a forçou, [8] e se deitou com ella.

15 Depois Amnon a aborreceu com grandissimo aborrecimento, porque maior era o aborrecimento com que a aborrecia do que o amor com que a amara, E disse-lhe Amnon: Levanta-te, e vae-te.

16 Então ella lhe disse: Não ha razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quiz dar ouvidos.

17 E chamou a seu moço que o servia, e disse: Deita a esta fóra, e fecha a porta após ella.

18 E trazia [9] ella uma roupa de muitas côres (porque assim se vestiam as filhas virgens dos reis, com capas), e seu creado a deitou fóra, e fechou a porta após ella.

19 Então Tamar tomou cinza [10] sobre a sua cabeça, e a roupa de muitas côres que trazia rasgou: e poz as mãos sobre a cabeça, [11] e foi-se andando e clamando.

20 E Absalão, seu irmão, lhe disse: Esteve Amnon, teu irmão, comtigo? Ora pois, irmã minha, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o teu coração por isto. Assim ficou Tamar, e esteve solitaria em casa d’Absalão seu irmão.

21 E, ouvindo o rei David todas estas coisas, muito se accendeu em ira.

22 Porém Absalão não fallou com Amnon, nem mal [12] nem bem; porque Absalão aborrecia a Amnon, por ter forçado a Tamar sua irmã.

Absalão mata Amnon.

23 E aconteceu que, passados dois annos inteiros, Absalão tinha tosquiadores [13] em Bal-hasor, que está junto a Ephraim: e convidou Absalão a todos os filhos do rei.

24 E veiu Absalão ao rei, e disse: Eis que teu servo tem tosquiadores: peço que o rei e os seus servos venham com o teu servo.

25 O rei porém disse a Absalão: Não, filho meu, não vamos todos juntos, para não te sermos pezados. E instou com elle; porém elle não quiz ir, mas o abençoou.

26 Então disse Absalão: Quando não, deixa ir comnosco Amnon, meu irmão. Porém o rei lhe disse: Para que iria comtigo?

27 E, instando Absalão com elle, deixou ir com elle a Amnon, e a todos os filhos do rei.

28 E Absalão deu ordem aos seus moços, dizendo: Tomae sentido; quando o coração d’Amnon estiver [14] alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnon, então o matareis; não temaes; porque porventura não sou eu quem vol-o ordenei? Esforçae-vos, e sede valentes.

29 E os moços d’Absalão fizeram a Amnon como Absalão lh’o havia ordenado. Então todos os filhos do rei se levantaram, e montaram cada um no seu mulo, e fugiram.

30 E aconteceu que, estando elles ainda no caminho, veiu a nova a David, dizendo-se: Absalão feriu a todos os filhos do rei, e nenhum d’elles ficou.

31 Então o rei [15] se levantou, e rasgou os seus vestidos, e se lançou por terra: da mesma maneira todos os seus servos estavam com vestidos rotos.

32 Mas Jonadab, [16] filho de Simea, irmão de David, respondeu, e disse: Não diga o meu senhor que mataram a todos os mancebos filhos do rei, porque só morreu Amnon: porque assim o tinha resolvido fazer Absalão, desde o dia em que forçou a Tamar sua irmã.

33 Não [17] se lhe metta pois agora no coração do rei meu senhor tal coisa, dizendo:[312] Morreram todos os filhos do rei: porque só morreu Amnon.

34 E Absalão fugiu: [18] e o mancebo que estava de guarda, levantou os seus olhos, e olhou; e eis que muito povo vinha pelo caminho por detraz d’elle, pela banda do monte.

35 Então disse Jonadab ao rei: Eis aqui veem os filhos do rei: conforme á palavra de teu servo, assim succedeu.

36 E aconteceu que, como acabou de fallar, os filhos do rei vieram, e levantaram a sua voz, e choraram: e tambem o rei e todos os seus servos choraram com mui grande choro.

Absalão foge para Talmai e depois de tres annos volta para Jerusalem.

37 Assim Absalão fugiu, e se foi a Talmai, [19] filho d’Ammihur, rei de Gesur. E David trouxe dó por seu filho todos aquelles dias.

38 Assim Absalão fugiu, e foi para Gesur: [20] esteve ali tres annos.

39 Então tinha o rei David saudades de Absalão: porque já se tinha consolado ácerca de Amnon, [21] que era morto.

[1] cap. 3.2, 3. I Chr. 3.9.

[2] I Sam. 16.9.

[3] Gen. 18.6.

[4] Gen. 45.1.

[5] Gen. 39.12.

[6] Lev. 18.9, 11 e 20.17. Gen. 34.7. Jui. 19.23 e 20.6.

[7] Lev. 18.9, 11.

[8] Deu. 22.25. cap. 12.11.

[9] Gen. 37.2. Jui. 5.30.

[10] Jos. 7.6. cap. 1.2. Job 2.12.

[11] Jer. 2.37.

[12] Gen. 24.50 e 31.21. Lev. 19.17, 18.

[13] Gen. 38.12, 13. I Sam. 25.4, 36.

[14] Jui. 19.6, 9, 22. Ruth 3.7. I Sam. 25.36. Est. 1.10.

[15] cap. 1.11 e 12.16.

[16] ver. 3.

[17] cap. 19.19.

[18] ver. 38.

[19] cap. 3.3.

[20] cap. 14.23, 32 e 15.8.

[21] Gen. 38.12.

14 Conhecendo pois Joab, filho de Zeruia, que o coração do rei [1] era inclinado para Absalão,

Antes de Christo 1030

2 Enviou Joab a Tecoa, e tomou de lá uma mulher [2] sabia, e disse-lhe: Ora finge que estás de nojo; veste vestidos de nojo, e não te unjas [3] com oleo, e sejas como uma mulher que ha muitos dias está de nojo por algum morto.

3 E entra ao rei, e falla-lhe conforme a esta palavra. E Joab lhe poz as palavras na [4] bocca.

4 E a mulher tecoita fallou ao rei, e, deitando-se com o rosto [5] em terra, se prostrou e disse: Salva-me, ó rei.

5 E disse-lhe o rei: Que tens? E disse ella: Na verdade que [6] sou uma mulher viuva, e morreu meu marido.

6 Tinha pois a tua serva dois filhos, e ambos estes brigaram no campo, e não houve quem os apartasse: assim um feriu ao outro, e o matou.

7 E eis que toda a [7] linhagem se levantou contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquelle que feriu a seu irmão, para que o matemos, por causa da vida de seu irmão, a quem matou, e para que destruamos tambem ao herdeiro. Assim apagarão a braza que me ficou, de sorte que não deixam a meu marido nome, nem resto sobre a terra.

8 E disse o rei á mulher: Vae para tua casa: e eu mandarei ordem ácerca de ti.

9 E disse a mulher tecoita ao rei: [8] A injustiça, rei meu senhor, venha sobre mim e sobre a casa de meu pae: e o rei e o seu throno fique inculpavel.

10 E disse o rei: Quem fallar contra ti, traze-m’o a mim: e nunca mais te tocará.

11 E disse ella: Ora lembre-se o rei do Senhor seu Deus, para que os vingadores do sangue se não multipliquem a deitar-nos a perder, e não destruam a meu filho. Então disse elle: Vive o Senhor, [9] que não ha de cair no chão nem um dos cabellos de teu filho.

12 Então disse a mulher: Peço-te que a tua serva falle uma palavra ao rei meu senhor. E disse elle: Falla.

13 E disse a mulher: Porque pois pensaste tu uma tal coisa contra [10] o povo de Deus? Porque, fallando o rei tal palavra, fica como culpado; visto que o rei não torna a trazer o seu [11] desterrado.

14 Porque certamente [12] morreremos, e seremos como aguas derramadas na terra, que não se ajuntam mais: Deus pois lhe não tirará a vida, mas ideiará pensamentos, [13] para que se não desterre d’elle o seu desterrado.

15 E que eu agora vim fallar esta palavra ao rei, meu senhor, é porque o povo me atemorisou: dizia pois a tua serva: Fallarei pois ao rei; porventura fará o rei segundo a palavra da sua serva.

16 Porque o rei ouvirá, para livrar a sua serva da mão do homem que intenta destruir juntamente a mim e a meu filho da herança de Deus.

17 Dizia mais a tua serva: Seja agora a palavra do rei meu senhor para descanço: [14] porque como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para ouvir o bem e o mal; e o Senhor teu Deus será comtigo.

18 Então respondeu o rei, e disse á mulher: Peço-te que não me encubras o que eu te perguntar. E disse a mulher: Ora falle o rei, meu senhor.

19 E disse o rei: Não é verdade que a mão de Joab anda comtigo em tudo isto? E respondeu a mulher, e disse: Vive a tua alma, ó rei meu senhor, que ninguem se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo quanto o rei, meu senhor, tem dito;[313] porque Joab, teu servo, é quem me deu ordem, e foi elle que poz na bocca da tua serva todas [15] estas palavras:

20 Que eu virasse a fórma d’este negocio, Joab, teu servo, fez isto: porém sabio [16] é meu senhor, conforme á sabedoria d’um anjo de Deus, para entender tudo o que ha na terra.

21 Então o rei disse a Joab: Eis que fiz isto: vae pois, e torna a trazer o mancebo Absalão.

22 Então Joab se prostrou sobre o seu rosto em terra, e se inclinou, e o agradeceu ao rei; e disse Joab: Hoje conheceu o teu servo que achei graça aos teus olhos, ó rei meu senhor, porque o rei fez segundo a palavra do teu servo.

23 Levantou-se pois [17] Joab, e foi a Gesur, e trouxe Absalão a Jerusalem.

24 E disse o rei: Torne para a sua casa, e não veja [18] a minha face. Tornou pois Absalão para sua casa, e não viu a face do rei.

25 Não havia porém em todo o Israel homem tão bello e tão aprazivel como Absalão, [19] desde a planta do pé até á cabeça não havia n’elle defeito algum.

26 E, quando tosquiava a sua cabeça (e succedia que no fim de cada anno a tosquiava, porquanto muito lhe pesava, e por isso a tosquiava), pesava o cabello da sua cabeça duzentos siclos, segundo o peso real.

27 Tambem nasceram [20] a Absalão tres filhos e uma filha, cujo nome era Tamar; e esta era mulher formosa á vista.

Antes de Christo 1027

28 Assim ficou Absalão dois annos inteiros em Jerusalem, e não viu [21] a face do rei.

29 Mandou pois Absalão chamar a Joab, para o enviar ao rei; porém não quiz vir a elle: e enviou ainda segunda vez, e, comtudo, não quiz vir.

30 Então disse aos seus servos: Vêdes ali o pedaço de campo de Joab pegado ao meu, e tem cevada n’elle; ide, e ponde-lhe fogo. E os servos de Absalão pozeram fogo ao pedaço de campo.

31 Então Joab se levantou, e veiu a Absalão, em casa, e disse-lhe: Porque pozeram os teus servos fogo ao pedaço de campo que é meu?

32 E disse Absalão a Joab: Eis que enviei a ti, dizendo: Vem cá, para que te envie ao rei, a dizer-lhe: Para que vim de Gesur? Melhor me fôra estar ainda lá. Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se ha ainda em mim alguma culpa, que me mate.

33 Então entrou Joab ao rei, e assim lh’o disse. Então chamou a Absalão, e elle entrou ao rei, e se inclinou sobre o seu rosto em terra diante do rei: e o rei [22] beijou a Absalão.

[1] cap. 13.39.

[2] II Chr. 11.6.

[3] Ruth 3.3.

[4] ver. 19. Exo. 4.15.

[5] I Sam. 20.41. cap. 1.2. II Reis 6.26, 28.

[6] cap. 12.1.

[7] Num. 35.19. Deu. 19.12.

[8] Gen. 27.13. I Sam. 25.24. Mat. 27.25. cap. 3.28, 29. I Reis 2.33.

[9] Num. 35.19. I Sam. 14.45. Act. 27.34.

[10] Jui. 20.2.

[11] cap. 13.37, 38.

[12] Job 34.15. Heb. 9.27.

[13] Num. 35.15, 25, 28.

[14] ver. 20. cap. 19.27.

[15] ver. 3.

[16] ver. 17. cap. 19.27.

[17] cap. 13.37.

[18] Gen. 43.3. cap. 3.13.

[19] Isa. 1.6.

[20] cap. 18.18.

[21] ver. 24.

[22] Gen. 33.4 e 45.15. Luc. 15.20.

A rebellião de Absalão e a fuga de David.

15 E aconteceu depois [1] d’isto que Absalão fez apparelhar carros e cavallos, e cincoenta homens que corressem adiante d’elle.

2 Tambem Absalão se levantou pela manhã, e parava a uma banda do caminho da porta. E succedia que a todo o homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juizo, o chamava Absalão a si, e lhe dizia: De que cidade és tu? E, dizendo elle: D’uma das tribus d’Israel é teu servo;

3 Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negocios são bons e rectos, porém não tens quem te ouça da parte do rei.

4 Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na [2] terra! para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça.

5 Succedia tambem que, quando alguem se chegava a elle para se inclinar diante d’elle, elle estendia a sua mão, e pegava d’elle, e o beijava.

6 E d’esta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juizo: assim furtava Absalão [3] o coração dos homens de Israel.

Antes de Christo 1023

7 Aconteceu, pois, ao cabo de quarenta annos, que Absalão disse ao rei: Deixa-me ir pagar em Hebron o meu voto que votei ao Senhor.

8 Porque, morando eu em Gesur, em Syria, votou o teu servo um voto, [4] dizendo: Se o Senhor outra vez me fizer tornar a Jerusalem, servirei ao Senhor.

9 Então lhe disse o rei: Vae em paz, Levantou-se, pois, e foi para Hebron.

10 E enviou Absalão espias por todas as tribus d’Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão reina em Hebron.

11 E de Jerusalem foram com Absalão duzentos homens convidados, [5] porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam d’aquelle negocio.

12 Tambem Absalão enviou por Achitophel, o gilonita, do conselho [6] de David, á sua cidade de Gilo, estando elle sacrificando os seus sacrificios: e a conjuração se fortificava, e vinha o povo, e se augmentava com Absalão.

13 Então veiu um mensageiro a[314] David, dizendo: O coração [7] de cada um em Israel segue a Absalão.

14 Disse pois David a todos os seus servos que estavam com elle em Jerusalem: Levantae-vos, [8] e fujamos, porque não poderiamos escapar diante de Absalão. Dae-vos pressa a caminhar, para que porventura não se apresse elle, e nos alcance, e lance sobre nós algum mal, e fira a cidade a fio de espada.

15 Então os servos do rei disseram ao rei: Eis aqui os teus servos, para tudo quanto determinar o rei, nosso senhor.

16 E saiu o rei, com toda a sua casa, a pé: deixou porém o rei dez mulheres concubinas, para guardarem a casa.

17 Tendo pois saido o rei com todo o povo a pé, pararam n’um logar distante.

18 E todos os seus servos iam a seu lado, como tambem todos os cheretheos e todos [9] os peletheos: e todos os getheos, seiscentos homens que vieram de Gath a pé, caminhavam diante do rei.

19 Disse pois o rei a Ittai, [10] o getheo: Porque irias tu tambem comnosco? Volta, e fica-te com o rei, porque estranho és, e tambem te tornarás a teu logar.

20 Hontem vieste, e te levaria eu hoje comnosco a caminhar? Pois força me é ir aonde quer que podér ir: volta, pois, [11] e torna a levar teus irmãos comtigo, com beneficencia e fidelidade.

21 Respondeu porém Ittai ao rei, e disse: Vive o Senhor, [12] e vive o rei meu senhor, que no logar em que estiver o rei meu senhor, seja para morte seja para vida, ahi certamente estará tambem o teu servidor.

22 Então David disse a Ittai: Vem pois, e passa adiante. Assim passou Ittai, o getheo, e todos os seus homens, e todas as creanças que havia com elle.

23 E toda a terra chorava a grandes vozes, passando todo o povo: tambem o rei passou o ribeiro de Cedron, e passou todo o povo na direcção do caminho do [13] deserto.

24 Eis que tambem Zadok ali estava, e com elle todos os levitas que levavam [14] a arca do concerto de Deus; e pozeram ali a arca de Deus, e subiu Abiathar, até que todo o povo acabou de passar da cidade.

25 Então disse o rei a Zadok: Torna a levar a arca de Deus á cidade; que, se achar graça nos olhos do Senhor, elle me tornará a trazer para lá, e me deixará vêr a ella e a sua habitação.

26 Se porém disser assim: Não tenho prazer em [15] ti; eis-me aqui, faça de mim [16] como parecer bem aos seus olhos.

27 Disse mais o rei a Zadok, o sacerdote: Não és tu porventura o vidente? [17] torna pois em paz para a cidade, e comvosco tambem vossos dois filhos, Ahimaas, teu filho, e Jonathan, filho d’Abiathar.

28 Olhae que me demorarei [18] nas campinas do deserto até que tenha novas vossas.

29 Zadok pois e Abiathar tornaram a levar para Jerusalem a arca de Deus: e ficaram ali.

30 E subiu David pela subida das oliveiras, subindo e chorando, e com a cabeça coberta; [19] e caminhava com os pés descalços: e todo o povo que ia com elle cobria cada um a sua cabeça, e subiam chorando sem cessar.

31 Então fizeram saber a David, dizendo: Tambem Achitophel [20] está entre os que se conjuraram com Absalão. Pelo que disse David: Ó Senhor, enlouquece o conselho de Achitophel.

32 E aconteceu, que chegando David ao cume, para adorar ali a Deus, eis que Husai, o archita, [21] veiu encontrar-se com elle com o vestido rasgado e terra sobre a cabeça.

33 E disse-lhe David: Se passares comigo, ser-me-has [22] pesado.

34 Porém se voltares para a cidade, e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo; [23] bem fui d’antes servo de teu pae, mas agora serei teu servo: dissipar-me-has então o conselho de Achitophel.

35 E não estão ali comtigo Zadok e Abiathar, sacerdotes? E será que todas as coisas que ouvires da casa do rei, farás saber [24] a Zadok e a Abiathar, sacerdotes.

36 Eis que estão tambem ali com elles [25] seus dois filhos, Ahimaas filho de Zadok, e Jonathan filho de Abiathar: pela mão d’elles aviso me mandareis pois de todas as coisas que ouvirdes.

37 Husai pois, amigo de [26] David, veiu para a cidade: e Absalão entrou em Jerusalem.

[1] cap. 12.11. I Reis 1.5.

[2] Jui. 9.29.

[3] Rom. 16.18.

[4] I Sam. 16.2. Gen. 28.20, 21. cap. 13.38.

[5] I Sam. 9.13 e 16.3, 5.

[6] Gen. 20.5. Jos. 15.51. Psa. 3.2.

[7] ver. 6. Jui. 9.3.

[8] cap. 19.9 e 16.21, 22.

[9] cap. 8.18.

[10] cap. 18.2.

[11] I Sam. 23.13.

[12] Ruth 1.16, 17. Pro. 17.17 e 18.24.

[13] cap. 16.2.

[14] Num. 4.15.

[15] Num. 14.8. cap. 22.20. I Reis 10.9. II Chr. 9.8. Isa. 62.4.

[16] I Sam. 3.18.

[17] I Sam. 9.9. cap. 17.17.

[18] cap. 17.16.

[19] cap. 19.4. Est. 6.12. Isa. 20.2, 4. Jer. 14.3, 4.

[20] Psa. 3.2, 3. cap. 16.23 e 17.14, 23.

[21] Jos. 16.2. cap. 1.2.

[22] cap. 19.35.

[23] cap. 16.19.

[24] cap. 17.15, 16.

[25] ver. 27.

[26] cap. 16.16. I Chr. 27.33. cap. 16.15.

[315]

David é enganado por Ziba e amaldiçoado por Semei.

16 E passando [1] David um pouco mais adiante do cume, eis que Ziba, o [2] moço de Mephiboseth, veiu encontrar-se com elle, com um par de jumentos albardados, e sobre elles duzentos pães, com cem cachos de passas, e cem de fructas de verão e um odre de vinho.

2 E disse o rei a Ziba: Que pretendes com isto? E disse Ziba: Os jumentos são para a casa do rei, para se montarem n’elles; e o pão e as fructas de verão para comerem os moços; e o vinho para beberem os cançados no [3] deserto.

3 Então disse o rei: Ora, onde está o filho de teu senhor? E disse Ziba [4] ao rei: Eis que ficou em Jerusalem; porque disse: Hoje me restaurará a casa de Israel o reino de meu pae.

4 Então disse [5] o rei a Ziba: Eis que teu é tudo quanto tem Mephiboseth. E disse Ziba: Eu me inclino, que eu ache graça em teus olhos, ó rei meu senhor.

5 E, chegando o rei David a Bahurim, eis que d’ali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, [6] filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando.

6 E apedrejava com pedras a David, e a todos os servos do rei David: ainda que todo o povo e todos os valentes iam á sua direita e á sua esquerda.

7 E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sae, sae, homem de sangue, [7] e homem de Belial:

8 O Senhor te deu agora a [8] paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo logar tens reinado; já deu o Senhor o reino na mão de Absalão teu filho; e eis-te agora na tua desgraça, porque és um homem de sangue.

9 Então disse Abisai, filho de Zeruia, ao rei: Porque amaldiçoaria este cão morto [9] ao rei meu senhor? Deixa-me passar, e lhe tirarei a cabeça.

10 Disse porém o rei: Que tenho eu [10] comvosco, filhos de Zeruia? Ora deixae-o amaldiçoar; pois o Senhor lhe disse: Amaldiçôa a David; quem pois diria: [11] Porque assim fizeste?

11 Disse mais David a Abisai, e a todos os seus servos: [12] Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura a minha morte: quanto mais ainda este filho de Jemini? Deixae-o, que amaldiçoe; porque o Senhor lh’o disse.

12 Porventura o Senhor olhará para a minha miseria: e o Senhor me pagará com bem [13] sua maldição d’este dia.

13 Proseguiam pois o seu caminho, David e os seus homens: e tambem Simei ia ao longo do monte, defronte d’elle, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras contra elle, e levantava poeira.

14 E o rei e todo o povo que ia com elle chegaram cansados, e refrescaram-se ali.

Os conselhos que Achitophel e Husai dão a Absalão.

15 Absalão pois, [14] e todo o povo, os homens de Israel, vieram a Jerusalem: e Achitophel com elle.

16 E succedeu que, chegando Husai, o archita, [15] amigo de David, a Absalão, disse Husai a Absalão: Viva o rei, viva o rei!

17 Porém Absalão disse a Husai: É esta a tua beneficencia para com o teu amigo? Porque não foste [16] com o teu amigo?

18 E disse Husai a Absalão: Não, porém d’aquelle que eleger o Senhor, e todo este povo, e todos os homens de Israel, d’elle serei e com elle ficarei.

19 E, demais d’isto, [17] a quem serviria eu? Porventura não seria diante de seu filho? Como servi diante de teu pae, assim serei diante de ti.

20 Então disse Absalão a Achitophel: Dae conselho entre vós sobre o que devemos fazer.

21 E disse Achitophel a Absalão: Entra ás concubinas [18] de teu pae, que deixou para guardarem a casa; e assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecivel para [19] com teu pae; e se esforçarão as mãos de todos os que estão comtigo.

22 Estenderam pois para Absalão uma tenda no terrado: [20] e entrou Absalão ás concubinas de seu pae, perante os olhos de todo o Israel.

23 E era o conselho de Achitophel, que aconselhava n’aquelles dias, como se a palavra de Deus se consultara: tal era todo o conselho de Achitophel, assim para com David [21] como para com Absalão.

[1] cap. 15.30, 32.

[2] cap. 9.2.

[3] cap. 15.23 e 17.29.

[4] cap. 19.27.

[5] Pro. 18.13.

[6] cap. 19.16. I Reis 2.8, 44.

[7] Deu. 13.13.

[8] Jui. 9.24, 56, 57. I Reis 2.32, 33. cap. 1.16 e 3.28, 29 e 4.11, 12.

[9] I Sam. 24.14. cap. 9.8. Exo. 23.28.

[10] cap. 19.22. I Ped. 2.23. II Reis 18.25. Lam. 3.38.

[11] Rom. 9.20.

[12] cap. 12.11.

[13] Rom. 8.28.

[14] cap. 15.37.

[15] cap. 15.37.

[16] cap. 19.25. Pro. 17.17.

[17] cap. 15.34.

[18] cap. 15.16 e 20.3.

[19] Gen. 13.4. I Sam. 13.4. cap. 2.7. Zac. 8.13.

[20] cap. 12.11, 12.

[21] cap. 15.12.

[316]

17 Disse mais Achitophel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei, e seguirei após David esta noite.

2 E virei sobre elle, pois está cançado [1] e frouxo das mãos: e o espantarei, e fugirá todo o povo que está com elle; e então ferirei o rei só.

3 E farei tornar a ti todo o povo; pois o homem a quem tu buscas é como se tornassem todos; assim todo o povo estará em paz.

4 E esta palavra pareceu boa aos olhos de Absalão, e aos olhos de todos os anciãos de Israel.

5 Disse porém Absalão: Chamae agora tambem a Husai o archita: e ouçamos tambem o que elle dirá.

6 E, chegando Husai a Absalão, lhe fallou Absalão, dizendo: D’esta maneira fallou Achitophel: faremos conforme á sua palavra? Se não, falla tu.

7 Então disse Husai a Absalão: O conselho que Achitophel esta vez aconselhou não é bom.

8 Disse mais Husai: Bem conheces tu a teu pae, e a seus homens, que são valorosos, e que estão com o espirito amargurado, como a ursa [2] no campo, roubada dos cachorros: e tambem teu pae é homem de guerra, e não passará a noite com o povo.

9 Eis que agora estará escondido n’alguma cova, ou em qualquer outro logar: e será que, caindo no principio alguns d’entre elles, cada um que o ouvir então dirá: Houve derrota no povo que segue a Absalão.

10 Então até o homem valente, cujo coração é como coração de leão, sem duvida desmaiará; [3] porque todo o Israel sabe que teu pae é valoroso, e homens valentes os que estão com elle.

11 Eu porém aconselho que com toda a pressa se ajunte a ti todo o Israel desde [4] Dan até Ber-seba, em multidão como a areia do mar: e tu em pessoa vás com elle á peleja.

12 Então viremos a elle, em qualquer logar que se achar, e facilmente viremos sobre elle, como o orvalho cae sobre a terra: e não ficará d’elle e de todos os homens que estão com elle nem ainda um só.

13 E, se elle se retirar para alguma cidade, todo o Israel trará cordas áquella cidade: e arrastal-a-hemos até ao ribeiro, até que não se ache ali nem uma só pedrinha.

14 Então disse Absalão e todos os homens d’Israel: Melhor é o conselho de Husai, o archita, do que o conselho d’Achitophel (porém assim o Senhor o ordenara, para aniquilar [5] o bom conselho d’Achitophel, para que o Senhor trouxesse o mal sobre Absalão).

15 E disse Husai [6] a Zadok e a Abiathar, sacerdotes: Assim e assim aconselhou Achitophel a Absalão e aos anciãos d’Israel; porém assim e assim aconselhei eu.

16 Agora, pois, enviae apressadamente, e avisae a David, dizendo: Não passes esta noite nas campinas [7] do deserto, e logo tambem passa á outra banda, para que o rei e todo o povo que com elle está não seja devorado.

17 Estavam pois Jonathan [8] e Ahimaas junto á fonte de Rogel: e foi uma creada, e lh’o disse, e elles foram, e o disseram ao rei David, porque não podiam ser vistos entrar na cidade,

18 Mas viu-os todavia um moço, e avisou a Absalão; porém ambos logo partiram apressadamente, e entraram em casa de um homem, em Bahurim, [9] o qual tinha um poço no seu pateo, e ali dentro desceram.

19 E tomou a mulher [10] a tampa, e a estendeu sobre a bocca do poço, e espalhou grão descascado sobre ella: assim nada se soube.

20 Chegando pois os servos de Absalão á mulher, áquella casa, disseram: Onde estão Ahimaas e Jonathan? E a mulher lhes disse: [11] Já passaram o vão das aguas. E, havendo-os buscado, e não os achando, voltaram para Jerusalem.

21 E succedeu que, depois que se foram, sairam do poço, e foram, e annunciaram a David; e disseram a David: Levantae-vos, [12] e passae depressa as aguas, porque assim aconselhou contra vós Achitophel.

22 Então David e todo o povo que com elle estava se levantou, e passaram o Jordão: e pela luz da manhã nem ainda faltava um só que não passasse o Jordão.

23 Vendo pois Achitophel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa e para a [13] sua cidade, e deu ordem a sua casa, e se enforcou: e morreu, [14] e foi sepultado na sepultura de seu pae.

24 E David [15] veiu a Mahanaim; e Absalão passou o Jordão, elle e todo o homem d’Israel com elle,

25 E Absalão constituiu a Amasa em logar de Joab sobre o arraial: e era Amasa filho de um homem cujo nome era Jethra, o israelita, o qual entrara[317] a Abigal, [16] filha de Nahas, irmã de Zeruia, mãe de Joab.

26 Israel, pois, e Absalão acamparam na terra de Gilead.

A victoria do exercito de David sobre o de Absalão.

27 E succedeu que, chegando David a Mahanaim, Sobi, [17] filho de Nahas, de Rabba, dos filhos de Ammon, e Machir, filho de Ammiel, de Lo-debar, e Barzillai, o gileadita, de Rogelim,

28 Tomaram camas e bacias, e vasilhas de barro, e trigo, e cevada, e farinha, e grão torrado, e favas, e lentilhas, tambem torradas,

29 E mel, e manteiga, e ovelhas, e queijos de vaccas, e os trouxeram a David e ao povo que com elle estava, para comerem, porque disseram: Este povo no [18] deserto está faminto, e cançado, e sedento.

[1] Deu. 25.18. cap. 16.14. Zac. 13.7.

[2] Ose. 13.8.

[3] Ose. 2.11.

[4] Jui. 20.1. Gen. 22.17.

[5] cap. 15.31, 34.

[6] cap. 15.31, 34.

[7] cap. 15.28.

[8] cap. 15.27, 36. Jos. 2.4, etc. e 15.7 e 13.16.

[9] cap. 16.5.

[10] Jos. 2.6.

[11] Exo. 1.19. Jos. 2.4, 5.

[12] ver. 15, 16.

[13] cap. 15.12.

[14] Mat. 27.5.

[15] Gen. 32.2. Jos. 13.26. cap. 2.8.

[16] I Chr. 2.1, 17.

[17] cap. 10.1 e 12.29 e 9.4 e 19.31, 32. I Reis 2.7.

[18] cap. 16.2.

18 E David contou o povo que tinha comsigo, e poz sobre elles capitães de cento.

2 E David enviou o povo, um terço debaixo da mão de Joab, e outro terço debaixo da mão de Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joab, e outro terço debaixo [1] da mão de Ittai, o getheo; e disse o rei ao povo: Eu tambem juntamente sairei comvosco.

3 Porém o povo disse: [2] Não sairás, porque, se formos obrigados a fugir, não porão o coração em nós; e, ainda que metade de nós morra, não porão o coração em nós, porque ainda, taes como nós somos, ajuntarás dez mil: melhor será pois que da cidade nos sirvas de soccorro.

4 Então David lhes disse: O que bem parecer aos vossos olhos, farei. E o rei se poz da banda da porta, e todo o povo saiu em centenas e em milhares.

5 E o rei deu ordem a Joab, e a Abisai, e a Ittai, dizendo: Brandamente tratae por amor de mim ao mancebo, a Absalão. E todo o povo ouviu [3] quando o rei deu ordem a todos os capitães ácerca de Absalão.

6 Saiu pois o povo ao campo, a encontrar-se com Israel, e deu-se a batalha [4] no bosque d’Ephraim.

7 E ali foi ferido o povo d’Israel, diante dos servos de David: e n’aquelle mesmo dia houve ali uma grande derrota de vinte mil.

8 Porque ali se derramou a batalha sobre a face de toda aquella terra; e foram mais os do povo que consumiu o bosque do que os que a espada consumiu n’aquelle dia.

Absalão fica suspenso de uma arvore e Joab mata-o.

9 E Absalão se encontrou com os servos de David; e Absalão ia montado n’um mulo; e, entrando o mulo debaixo da espessura doe ramos d’um grande carvalho, pegou-se-lhe a cabeça no carvalho, e ficou pendurado entre o céu e a terra: e o mulo, que estava debaixo d’elle, passou adiante.

10 O que vendo um homem, o fez saber a Joab, e disse: Eis que vi a Absalão pendurado d’um carvalho.

11 Então disse Joab ao homem que lh’o fizera saber: Pois que o viste, porque o não feriste logo ali em terra? E forçoso seria o eu dar-te dez moedas de prata e um cinto.

12 Disse porém aquelle homem a Joab: Ainda que eu podesse pesar nas minhas mãos mil moedas de prata, não estenderia a minha mão contra o filho do rei, pois bem ouvimos [5] que o rei te deu ordem a ti, e a Abisai, e a Ittai, dizendo: Guardae, cada um de vós, de tocar ao mancebo, a Absalão.

13 Ainda que commettesse mentira a risco da minha vida, nem por isso coisa nenhuma se esconderia ao rei; e tu mesmo te opporias.

14 Então disse Joab: Não me demorarei assim comtigo aqui. E tomou tres dardos, e traspassou com elles o coração de Absalão, estando elle ainda vivo no meio do carvalho.

15 E o cercaram dez mancebos, que levavam as armas de Joab. E feriram a Absalão, e o mataram.

16 Então tocou Joab a buzina, e voltou o povo de perseguir a Israel, porque Joab deteve o povo.

17 E tomaram a Absalão, e o lançaram no bosque, n’uma grande cova, e levantaram [6] sobre elle um mui grande montão de pedras: e todo o Israel fugiu, cada um para a sua tenda.

18 Ora Absalão, quando ainda vivia, tinha tomado e levantado [7] para si uma columna, que está no valle do rei, porque dizia: Filho nenhum tenho para conservar a memoria do meu nome. E chamou aquella columna pelo seu proprio nome; pelo que até ao dia d’hoje se chama o Pilar d’Absalão.

David, sabendo da morte de Absalão, chora amargamente.

19 Então disse Ahimaas, filho de Zadok: Deixa-me correr, e denunciarei ao rei que já o Senhor o vingou da mão de seus inimigos.

[318]

20 Mas Joab lhe disse: Tu não serás hoje o portador de novas, porém outro dia as levarás; mas hoje não darás a nova, porque é morto o filho do rei.

21 E disse Joab a Cusi: Vae tu, e dize ao rei o que viste. E Cusi se inclinou a Joab, e correu.

22 E proseguiu Ahimaas, filho de Zadok, e disse a Joab: Seja o que fôr, deixa-me tambem correr após Cusi. E disse Joab: Para que agora correrias tu, meu filho, pois não tens mensagem conveniente?

23 Seja o que fôr, disse Ahimaas, correrei. E Joab lhe disse: Corre. E Ahimaas correu pelo caminho da planicie, e passou a Cusi.

24 E David estava assentado entre as duas portas; e a sentinella [8] subiu ao terraço da porta junto ao muro: e levantou os olhos, e olhou, e eis que um homem corria só.

25 Gritou pois a sentinella, e o disse ao rei: Se vem só, ha novas em sua bocca. E vinha andando e chegando.

26 Então viu a sentinella outro homem que corria, e a sentinella gritou ao porteiro, e disse: Eis que lá vem outro homem correndo só. Então disse o rei: Tambem traz este novas.

27 Disse mais a sentinella: Vejo o correr do primeiro, que parece ser o correr de Ahimaas, filho de Zadok. Então disse o rei: Este é homem de bem, e virá com boas novas.

28 Gritou pois Ahimaas, e disse ao rei: Paz. E inclinou-se ao rei com o rosto em terra, e disse: Bemdito seja o Senhor, que entregou os homens que levantaram a mão contra o rei meu senhor.

29 Então disse o rei: Vae bem com o mancebo, com Absalão? E disse Ahimaas: Vi um grande alvoroço, quando Joab mandou o servo do rei, e a mim teu servo; porém não sei o que era.

30 E disse o rei: Vira-te, e põe-te aqui. E virou-se, e parou.

31 E eis que vinha Cusi: e disse Cusi: Annunciar-se-ha ao rei meu senhor que hoje o Senhor te julgou da mão de todos os que se levantaram contra ti.

32 Então disse o rei a Cusi: Vae bem com o mancebo, com Absalão? E disse Cusi: [9] Sejam como aquelle mancebo os inimigos do rei meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para mal.

33 Então o rei se perturbou, e subiu á sala que estava por cima da porta, e chorou: e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, [10] meu filho, Absalão! quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!

[1] cap. 15.19.

[2] cap. 21.17.

[3] ver. 12.

[4] Jos. 17.15, 18.

[5] ver. 5.

[6] Jos. 7.26.

[7] Gen. 14.17.

[8] II Reis 9.17.

[9] I Sam. 25.26.

[10] cap. 19.4.

19 E disseram a Joab: Eis que o rei anda chorando, e lastima-se por Absalão.

2 Então a victoria se tornou n’aquelle mesmo dia em tristeza para todo o povo: porque aquelle mesmo dia o povo ouvira dizer: Mui triste está o rei por causa de seu filho.

3 E aquelle mesmo dia o povo se escoou ás furtadellas na cidade, [1] como o povo de vergonhoso se escoa escondidamente quando fogem da peleja.

4 Estava pois o rei com o [2] rosto coberto; e o rei gritava a alta voz: [3] Meu filho Absalão, Absalão meu filho, meu filho!

5 Então entrou Joab ao rei em casa, e disse: Hoje envergonhaste as caras de todos os teus servos, que livraram hoje a tua vida, e a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida de tuas mulheres, e a vida de tuas concubinas.

6 Amando tu aos que te aborrecem, e aborrecendo aos que te amam: porque hoje dás a entender que nada valem para comtigo capitães e servos; porque entendo hoje que se Absalão vivesse, e todos nós hoje fossemos mortos, então bem te parecera aos teus olhos.

7 Levanta-te pois agora; sae, e falla conforme ao coração de teus servos: porque pelo Senhor te juro que, se não saires, nem um homem ficará comtigo esta noite; e mais mal te será isto do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora.

8 Então o rei se levantou, e se assentou á porta: e fizeram saber a todo o povo, dizendo: Eis que o rei está assentado á porta. [4] Então todo o povo veiu apresentar-se diante do rei; porém Israel fugiu cada um para as suas tendas.

9 E todo o povo, em todas as tribus de Israel, andava porfiando entre si, dizendo: O rei nos tirou das mãos de nossos inimigos, e elle nos livrou das mãos dos philisteos; e agora fugiu da terra por causa de Absalão.

10 E Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na peleja: agora, pois, porque vos calaes, e não fazeis voltar o rei?

David volta para Jerusalem.

11 Então o rei David enviou a Zadok e a Abiathar, sacerdotes, dizendo: Fallae aos anciãos de Judah, dizendo: Porque serieis vós os ultimos em tornar a trazer o rei para a sua casa? (porque as palavras[319] de todo o Israel chegaram ao rei, até á sua casa.)

12 Vós sois meus irmãos, meus ossos [5] e minha carne sois vós: porque pois serieis os ultimos em tornar a trazer o rei?

13 E a Amasa direis: [6] Porventura não és tu meu osso e minha carne? assim me faça Deus, e outro tanto, se não fores chefe do arraial diante de mim para sempre, em logar de Joab.

14 Assim moveu o coração de todos os homens de Judah, como [7] o d’um só homem: e enviaram ao rei, dizendo: Volta tu com todos os teus servos.

15 Então o rei voltou, e chegou até ao Jordão; e Judah veiu a Gilgal, [8] para ir encontrar-se com o rei, á outra banda do Jordão.

16 E apressou-se Simei, [9] filho de Gera, filho de Jemini, que era de Bahurim: e desceu com os homens de Judah a encontrar-se com o rei David,

17 E com elle mil varões de Benjamin, como tambem Ziba, [10] servo da casa de Saul, e seus quinze filhos, e seus vinte servos com elle: e promptamente passaram o Jordão adiante do rei.

18 E, passando a barca, para fazer passar a casa do rei e para trazer o que bem parecesse aos seus olhos, então Simei, filho de Gera, se prostrou diante do rei, passando elle o Jordão.

19 E disse ao rei: [11] Não me impute meu senhor a minha culpa, e não te lembres do que tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei meu senhor saiu de Jerusalem, para o rei conserval-o no coração.

20 Porque teu servo devéras confessa que eu pequei: porém eis que eu sou o primeiro que de toda [12] a casa de José desci a encontrar-me com o rei meu senhor.

21 Então respondeu Abisai, filho de Zeruia, e disse: Não morreria pois Simei por isto, havendo amaldiçoado ao [13] ungido do Senhor?

22 Porém David disse: [14] Que tenho eu comvosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejaes adversarios? morreria alguem hoje [15] em Israel? porque porventura não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?

23 E disse o rei a Simei: [16] Não morrerás. E o rei lh’o jurou.

Mephiboseth encontra-se com David.

24 Tambem Mephiboseth, [17] filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba, nem tinha lavado os seus vestidos desde o dia em que o rei tinha saido até ao dia em que voltou em paz.

25 E succedeu que, vindo elle a Jerusalem a encontrar-se com o rei, disse-lhe o rei: [18] Porque não foste comigo, Mephiboseth?

26 E disse elle: Ó rei meu senhor, o meu servo me enganou; porque o teu servo dizia: Albardarei um jumento, e n’elle montarei, e irei com o rei; pois o teu servo é côxo.

27 De mais d’isto, falsamente accusou [19] a teu servo diante do rei meu senhor; porém o rei meu senhor é como um anjo de Deus; faze pois o que parecer bem aos teus olhos.

28 Porque toda a casa de meu pae não era senão de homens dignos de morte diante do rei meu senhor; [20] e comtudo puzeste a teu servo entre os que comem á tua mesa: e que mais direito tenho eu de clamar ao rei?

29 E disse-lhe o rei: Porque ainda mais fallas de teus negocios? disse eu: Tu e Ziba reparti as terras.

30 E disse Mephiboseth ao rei: Tome elle tambem tudo; pois já veiu o rei meu senhor em paz á sua casa.

Barzillai encontra-se com David.

31 Tambem Barzillai, [21] o gileadita, desceu de Rogelim, e passou com o rei o Jordão, para o acompanhar á outra banda do Jordão.

32 E era Barzillai mui velho, da edade de oitenta annos; [22] e elle tinha sustentado o rei, quando tinha a sua morada em Mahanaim, porque era homem mui grande.

33 E disse o rei a Barzillai: Passa tu comigo, e sustentar-te-hei comigo em Jerusalem.

34 Porém Barzillai disse ao rei: Quantos serão os dias dos annos da minha vida, para que suba com o rei a Jerusalem?

35 Da edade de oitenta annos sou eu hoje; poderia eu discernir entre bom e mau? poderia o teu servo ter gosto no que comer e beber? Poderia eu mais ouvir a voz dos cantores e cantoras? E porque será o teu servo ainda pesado ao rei meu senhor?

36 Com o rei passará teu servo ainda um pouco mais além do Jordão: e porque me recompensará o rei com tal recompensa?

37 Deixa voltar o teu servo, e morrerei na minha cidade, junto á sepultura de[320] meu pae e de minha mãe: mas eis ahi está o teu servo [23] Chimham, o qual passe com o rei meu senhor, e faze-lhe o que bem parecer aos teus olhos.

38 Então disse o rei: Chimham passará comigo, e eu lhe farei como bem parecer aos teus olhos, e tudo quanto me pedires te farei.

39 Havendo pois todo o povo passado o Jordão, e passando tambem o rei, beijou o rei a Barzillai, [24] e o abençoou: e elle voltou para o seu logar.

40 E d’ali passou o rei a Gilgal, e Chimham passou com elle: e todo o povo de Judah conduziu o rei, como tambem a metade do povo d’Israel.

41 E eis que todos os homens d’Israel vieram ao rei, e disseram ao rei: Porque te furtaram nossos irmãos, os homens de Judah, [25] e conduziram o rei e a sua casa d’além do Jordão, e todos os homens de David com elles?

42 Então responderam todos os homens de Judah aos homens de Israel: Porquanto o rei é [26] nosso parente; e porque vos iraes por isso? Porventura comemos ás costas do rei, ou nos apresentou algum presente?

43 E responderam os homens d’Israel aos homens de Judah, e disseram: Dez partes temos no rei, e até em David mais temos nós do que vós; porque pois não fizestes conta de nós, para que a nossa palavra não fosse a primeira, para tornar a trazer o nosso rei? Porém a palavra dos homens de Judah foi [27] mais forte do que a palavra dos homens d’Israel.

[1] ver. 32.

[2] cap. 15.30.

[3] cap. 18.33.

[4] cap. 18.17.

[5] cap. 5.1.

[6] cap. 17.25. Ruth 1.17.

[7] Jui. 20.1.

[8] Jos. 5.9.

[9] cap. 16.5. I Reis 2.8.

[10] cap. 9.2, 10 e 16.1, 2.

[11] I Sam. 22.15. cap. 33.

[12] cap. 16.5.

[13] Exo. 22.28.

[14] cap. 16.10.

[15] I Sam. 11.13.

[16] I Reis 2.8, 9, 37, 46.

[17] cap. 9.6.

[18] cap. 16.17.

[19] cap. 16.3 e 14.17, 20.

[20] cap. 9.7, 10, 13.

[21] I Reis 2.7.

[22] cap. 17.27.

[23] I Reis 2.6. Jer. 41.17.

[24] Gen. 31.55.

[25] ver. 15.

[26] ver. 12.

[27] Jui. 8.1 e 12.1.

A sedição de Seba e a sua morte.

Antes de Christo 1022

20 Então se achou ali por acaso um homem de Belial, cujo nome era Seba, filho de Bichri, homem de Benjamin, o qual tocou a buzina, e disse: [1] Não temos parte em David, nem herança no filho de Jessé; cada um ás suas tendas, ó Israel.

2 Então todos os homens d’Israel subiram de detraz de David, e seguiram Seba, filho de Bichri; porém os homens de Judah se uniram ao seu rei desde o Jordão até Jerusalem.

3 Vindo pois David para sua casa, a Jerusalem, tomou o rei as dez mulheres, suas concubinas, [2] que deixara para guardarem a casa, e as poz n’uma casa em guarda, e as sustentava; porém não entrou a ellas: e estiveram encerradas até ao dia da sua morte, vivendo como viuvas.

4 Disse mais o rei a Amasa: [3] Convoca-me os homens de Judah para o terceiro dia: e tu então apresenta-te aqui.

5 E foi Amasa para convocar a Judah: porém demorou-se além do tempo que lhe tinha designado.

6 Então disse David a Abisai: Mais mal agora nos fará Seba, o filho de Bichri, do que Absalão: pelo que toma tu os servos [4] de teu senhor, e persegue-o, para que porventura não ache para si cidades fortes, e escape dos nossos olhos.

7 Então sairam atraz d’elle os homens de Joab, e os cheretheos, [5] e os peletheos, e todos os valentes: estes sairam de Jerusalem para irem atraz de Seba, filho de Bichri.

8 Chegando elles pois á pedra grande que está junto a Gibeon, Amasa veiu: e estava Joab cingido da sua roupa que vestiu, e sobre ella um cinto, ao qual estava pegada a espada a seus lombos na sua bainha; e, adiantando-se elle, lhe caiu.

9 E disse Joab a Amasa: Vae comtigo bem, meu irmão? E Joab, com a mão direita, [6] pegou da barba de Amasa, para o beijar.

10 E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joab, de sorte que este o feriu [7] com ella na quinta costella, e lhe derramou por terra as entranhas, e não o feriu segunda vez, e morreu: então Joab e Abisai, seu irmão, foram atraz de Seba, filho de Bichri.

11 Mas algum d’entre os moços de Joab parou junto a elle, e disse: Quem ha que bem queira a Joab? e quem seja por David siga a Joab.

12 E Amasa estava envolto no seu sangue no meio do caminho: e, vendo aquelle homem que todo o povo parava, desviou a Amasa do caminho para o campo, e lançou sobre elle um manto; porque via que todo aquelle que chegava a elle parava.

13 E, como estava apartado do caminho, todos os homens seguiram a Joab, para perseguirem a Seba, filho de Bichri.

14 E passou por todas as tribus d’Israel até Abel, a saber, a [8] Beth-maaca e a todos os beritas: e ajuntaram-se, e tambem o seguiram.

15 E vieram, e o cercaram em Abel de Beth-maaca, e levantaram uma tranqueira contra a cidade, assim que estava em frente do antemuro: e todo o povo que estava com Joab batia o muro, para o derribar.

[321]

16 Então uma mulher sabia gritou de dentro da cidade: Ouvi, ouvi, peço-vos que digaes a Joab: Chega-te cá, para que eu te falle.

17 Chegou-se a ella, e disse a mulher: Tu és Joab? E disse elle: Eu sou. E ella lhe disse: Ouve as palavras de tua serva. E disse elle: Ouço.

18 Então fallou ella, dizendo: Antigamente costumava-se fallar, dizendo: Certamente pediram conselho a Abel; e assim o concluiam.

19 Sou eu uma das pacificas e das fieis em Israel: e tu procuras matar uma cidade que é madre em Israel: porque pois devorarias [9] a herança do Senhor?

20 Então respondeu Joab, e disse: Longe, longe de mim que eu tal faça, que eu devore ou arruine!

21 A coisa não é assim; porém um homem do monte d’Ephraim, cujo nome é Seba, filho de Bichri, levantou a mão contra o rei, contra David; entregae-me só este, e retirar-me-hei da cidade. Então disse a mulher a Joab; Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro.

22 E a mulher, na sua [10] sabedoria, entrou a todo o povo, e cortaram a cabeça de Seba, filho de Bichri, e a lançaram a Joab; então tocou a buzina, e se retiraram da cidade, cada um para as suas tendas, e Joab voltou a Jerusalem, ao rei.

23 E Joab [11] estava sobre todo o exercito d’Israel; e Benaia, filho de Joiada, sobre os cheretheos e sobre os peletheos;

24 E Adoram sobre [12] os tributos; e Josaphat, filho de Ahilud, era o chanceller;

25 E Seva o escrivão; e Zadok [13] e Abiathar os sacerdotes;

26 E tambem Ira, [14] o jairita, era o [KA] official-mór de David.

[1] cap. 19.43. I Reis 12.16. II Chr. 10.16.

[2] cap. 15.16 e 16.21, 22.

[3] cap. 19.13.

[4] cap. 11.11. I Reis 1.33.

[5] cap. 8.18. I Reis 1.38.

[6] Mat. 26.49. Luc. 22.47.

[7] I Reis 2.5. cap. 2.23.

[8] II Reis 15.29. II Chr. 16.4. II Reis 19.32.

[9] I Sam. 26.19. cap. 21.3.

[10] Ecc. 9.14, 15.

[11] cap. 8.16, 18.

[12] I Reis 4.6. cap. 8.16. I Reis 4.3.

[13] cap. 8.17. I Reis 4.4.

[14] cap. 23.28.

Fome em Israel, e a sua causa.

Antes de Christo 1021

21 E houve em dias de David uma fome de tres annos, de anno em anno; e David consultou ao Senhor, e o Senhor lhe disse: É por causa de Saul e da sua casa sanguinaria, porque matou os gibeonitas.

2 Então chamou o rei aos gibeonitas, e lhes fallou (ora os gibeonitas não eram dos filhos de Israel, mas do resto [1] dos amorrheos, e os filhos de Israel lhes tinham jurado, porém Saul procurou feril-os no seu zelo á causa dos filhos de Israel e de Judah).

3 Disse pois David aos gibeonitas: Que quereis que eu vos faça? e que satisfação vos darei, para que abençoeis a [2] herança do Senhor?

4 Então os gibeonitas lhe disseram: Não é por prata nem oiro que temos questão com Saul e com sua casa; nem tão pouco pretendemos matar pessoa alguma em Israel. E disse elle: Que é pois que quereis que vos faça?

5 E disseram ao rei: O homem que nos destruiu, e intentou contra nós que fossemos assollados, sem que podessemos subsistir em termo algum de Israel,

6 De seus filhos se nos dêem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em Gibeah [3] de Saul, o eleito do Senhor. E disse o rei: Eu os darei.

7 Porém o rei poupou a Mephiboseth, filho de Jonathan, filho de Saul, por [4] causa do juramento do Senhor, que entre elles houvera, entre David e Jonathan, filho de Saul.

8 Porém tomou o rei os dois filhos de [5] Rispa, filha d’Aia, que tinha parido a Saul, a saber a Armoni e a Mephiboseth; como tambem os cinco filhos da irmã de Michal, filha de Saul, que parira a Adriel, filho de Barzillai, meholathita.

9 E os entregou na mão dos gibeonitas, os quaes os enforcaram no monte, perante [6] o Senhor; e cairam estes sete juntamente: e foram mortos nos dias da sega, nos dias primeiros, no principio da sega das cevadas.

10 Então Rispa, [7] filha d’Aia, tomou um panno de cilicio, e estendeu-lh’o sobre uma penha, desde o principio da sega, até que distillou a agua sobre elles do céu: e não deixou as aves do céu pousar sobre elles de dia, nem os animaes do campo de noite.

11 E foi dito a David o que fizera Rispa, filha d’Aia, concubina de Saul.

12 Então foi David, e tomou os ossos de Saul, e os ossos de Jonathan seu filho, dos moradores de [8] Jabéz-gilead, os quaes os furtaram da rua de Beth-san, onde os [9] philisteos os tinham pendurado, quando os philisteos feriram a Saul em Gilboa.

13 E fez subir d’ali os ossos de Saul, e os ossos de Jonathan seu filho: e ajuntaram tambem os ossos dos enforcados.

[322]

14 Enterraram os ossos de Saul, e de Jonathan seu filho na terra de Benjamin, [10] em Zela, na sepultura de seu pae Kis, e fizeram tudo o que o rei ordenara; e depois d’isto Deus se aplacou com a terra.

Quatro guerras contra os philisteos.

Antes de Christo 1019

15 Tiveram mais os philisteos uma peleja contra Israel: e desceu David, e com elle os seus servos: e tanto pelejaram contra os philisteos, que David se cançou.

16 E Isbi-benob, que era dos filhos do gigante, e o peso de cuja lança tinha trezentos siclos de peso de cobre, e que cingia uma espada nova, este intentou ferir a David.

17 Porém Abisai, filho de Zeruia, o soccorreu, e feriu o philisteo, e o matou: então os homens de David lhe juraram, dizendo: Nunca mais [11] sairás comnosco á peleja, para que não apagues a lampada de Israel.

18 E aconteceu [12] depois d’isto que houve em Gob ainda outra peleja contra os philisteos: então Sibbechai, o husatita, feriu a Saph, que era dos filhos do gigante.

19 Houve mais outra peleja contra os philisteos em Gob: e El-hanan, filho de Jaaré-oregim, o beth-lehemita [13] feriu Goliath, o getheo, de cuja lança era a haste como orgão de tecelão.

20 Houve ainda tambem [14] outra peleja em Gath, onde estava um homem d’alta estatura, que tinha em cada mão seis dedos, e em cada pé outros seis, vinte e quatro por todos, e tambem este nascera do gigante.

21 E injuriava a Israel: porém Jonathan, filho de [15] Simea, irmão de David, o feriu.

22 Estes [16] quatro nasceram ao gigante em Gath: e cairam pela mão de David e pela mão de seus servos.

[1] Jos. 9.3, 15, 16, 17.

[2] cap. 20.19.

[3] I Sam. 10.26 e 11.4 e 10.24.

[4] I Sam. 18.3 e 20.8, 15, 42 e 23.18.

[5] cap. 3.7.

[6] cap. 6.17.

[7] ver. 8. cap. 3.7. Deu. 21.23.

[8] I Sam. 31.11, 12, 13.

[9] I Sam. 1.10.

[10] Jos. 18.28 e 7.26. cap. 24.25.

[11] cap. 18.3. I Reis 11.36 e 15.4. Psa. 132.17.

[12] I Chr. 20.4 e 11.29.

[13] I Chr. 20.5.

[14] I Chr. 20.6.

[15] I Sam. 16.9.

[16] I Chr. 20.8.

Cantico de David em acção de graças.

Antes de Christo 1018

22 E fallou [1] David ao Senhor as palavras d’este cantico, no dia em que o Senhor o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.

2 Disse pois: O Senhor [2] é o meu rochedo, e o meu logar forte, e o meu libertador.

3 Deus é o meu rochedo, [3] n’elle confiarei: o meu escudo, e [KB] a força da minha salvação, o meu alto retiro, e o meu refugio. O meu Salvador, de violencia me salvaste.

4 O Senhor, digno de louvor, invoquei, e de meus inimigos fiquei livre.

5 Porque me cercaram as ondas de morte: as torrentes de Belial me assombraram.

6 Cordas [4] do inferno me cingiram; encontraram-me laços de morte.

7 Estando [5] em angustia, invoquei ao Senhor, e a meu Deus clamei: do seu templo ouviu elle a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

8 Então se abalou e tremeu a [6] terra, os fundamentos dos céus se moveram e abalaram, porque elle se irou.

9 Subiu [7] o fumo de seus narizes, e da sua bocca um fogo devorador: carvões se incenderam d’elle.

10 E abaixou [8] os céus, e desceu: e uma escuridão havia debaixo de seus pés.

11 E subiu sobre um cherubim, e voou: e foi visto sobre as azas do vento.

12 E por tendas poz [9] as trevas ao redor de si: ajuntamento d’aguas, nuvens dos céus.

13 Pelo resplendor da sua presença brasas de fogo se [10] accendem.

14 Trovejou desde os céus o Senhor: [11] e o Altissimo fez soar a sua voz.

15 E disparou [12] frechas, e os dissipou: raios e os perturbou.

16 E appareceram as profundezas do mar, os fundamentos do mundo se descobriram: pela reprehensão [13] do Senhor, pelo sopro do vento dos seus narizes.

17 Desde o alto enviou, e me tomou: tirou-me das muitas aguas.

18 Livrou-me [14] do meu possante inimigo, e d’aquelles que me tinham odio, porque eram mais fortes do que eu.

19 Encontraram-me no dia da minha calamidade: porém o Senhor se fez o meu esteio.

20 E [15] tirou-me á largura, e arrebatou-me d’ali; porque tinha prazer em mim.

21 Recompensou-me o Senhor conforme [16] á minha justiça: conforme á pureza de minhas mãos me retribuiu.

[323]

22 Porque guardei [17] os caminhos do Senhor: e não me apartei impiamente do meu Deus.

23 Porque todos os seus [18] juizos estavam diante de mim: e de seus estatutos me não desviei.

24 Porém fui [19] sincero perante elle: e guardei-me da minha iniquidade.

25 E me retribuiu [20] o Senhor conforme á minha justiça, conforme á minha pureza diante dos seus olhos.

26 Com o benigno te mostras benigno: [21] com o varão sincero te mostras sincero.

27 Com o puro te mostras puro: mas com o perverso te mostras avesso.

28 E o povo afflicto livras: mas teus [22] olhos são contra os altivos, e tu os abaterás.

29 Porque tu, Senhor, és a minha candeia: e o Senhor esclarece as minhas trevas.

30 Porque comtigo passo pelo meio d’um esquadrão: pelo meu Deus salto um muro.

31 O caminho [23] de Deus é perfeito, e a palavra do Senhor refinada; e é o escudo de todos os que n’elle confiam.

32 Porque, quem é Deus, [24] senão o Senhor? e quem é rochedo, senão o nosso Deus?

33 Deus é a minha [25] fortaleza e a minha força, e elle perfeitamente desembaraça o meu caminho.

34 Faz elle os meus [26] pés como os das cervas, e me põe sobre as minhas alturas.

35 Instrue as minhas mãos para a peleja, de maneira que um arco de cobre se quebra pelos meus braços.

36 Tambem me déste o escudo da tua salvação, e pela tua brandura me vieste a engrandecer.

37 Alargaste [27] os meus passos debaixo de mim, e não vacillaram os meus artelhos.

38 Persegui os meus inimigos, e os derrotei, e nunca me tornei até que os consumisse.

39 E os consumi, e os atravessei, de modo que nunca mais se levantaram, mas cairam debaixo [28] dos meus pés.

40 Porque me cingiste [29] de força para a peleja, fizeste abater-se debaixo de mim os que se levantaram contra mim.

41 E deste-me o pescoço [30] de meus inimigos, d’aquelles que me tinham odio, e os destrui.

42 Olharam, porém não houve libertador: sim, para o Senhor, [31] porém não lhes respondeu.

43 Então os moí [32] como o pó da terra; como a lama das ruas os trilhei e dissipei.

44 Tambem me livraste [33] das contendas do meu povo; guardaste-me para cabeça das nações; o povo que não conhecia [34] me servirá.

45 Os filhos [35] de estranhos se me sujeitaram; ouvindo a minha voz, me obedeceram.

46 Os filhos de estranhos descairam; e, cingindo-se, sairam dos seus encerramentos.

47 Vive o Senhor, e bemdito seja o meu rochedo; e exaltado seja Deus, a rocha da minha salvação:

48 O Deus que me dá inteira vingança, e sujeita os povos debaixo de mim.

49 E o que me tira d’entre os meus inimigos: e tu me exaltas sobre os que contra mim se levantam; do homem violento me livras.

50 Por isso, ó Senhor, te louvarei entre [36] as gentes, e entoarei louvores ao teu nome.

51 Elle é a torre [37] das salvações do seu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com David, e com a sua semente para sempre.

[1] Exo. 15.1. Jui. 5.1.

[2] Deu. 32.4.

[3] Heb. 2.13. Gen. 15.1. Luc. 1.69. Pro. 18.10. Jer. 16.19.

[4] Psa. 116.3.

[5] Psa. 116.4. Jon. 2.2. Exo. 3.7.

[6] Jui. 5.4. Job 26.11.

[7] Psa. 97.3. Hab. 3.5. Heb. 12.29.

[8] Isa. 64.1. Exo. 20.21. I Reis 8.12. Psa. 97.2.

[9] ver. 10. Psa. 97.2.

[10] ver. 9.

[11] Jui. 5.20. I Sam. 2.10 e 7.10. Isa. 30.30.

[12] Deu. 32.23. Hab. 3.11.

[13] Exo. 15.8. Psa. 106.9. Nah. 1.4. Mat. 8.26.

[14] ver. 1.

[15] Psa. 31.9. cap. 15.26.

[16] ver. 25. I Sam. 25.23. I Reis 8.32.

[17] Gen. 18.19. Pro. 8.32.

[18] Deu. 7.12.

[19] Gen. 6.9 e 17.1. Job 1.1.

[20] ver. 21.

[21] Mat. 5.7. Lev. 26.23, 24, 27, 28.

[22] Exo. 3.7, 8. Job 40.11, 12. Isa. 2.11, 12, 17 e 5.15. Dan. 4.37.

[23] Deu. 32.4. Dan. 4.37. Apo. 15.3. Pro. 30.5.

[24] I Sam. 2.2. Isa. 45.5, 6.

[25] Exo. 15.2. Isa. 12.2. Heb. 13.21. Deu. 18.13. Job 22.3.

[26] cap. 2.18. Hab. 3.19. Deu. 32.13. Isa. 33.16 e 58.14.

[27] Pro. 4.12.

[28] Mal. 4.3.

[29] Psa. 18.33, 40.

[30] Gen. 49.8. Exo. 23.27. Jos. 10.24.

[31] Jos. 27.9. Pro. 1.28. Isa. 1.15. Miq. 3.4.

[32] II Reis 13.7. Dan. 2.35. Isa. 10.6. Miq. 7.10. Zac. 10.5.

[33] cap. 3.1 e 5.1 e 19.9, 14 e 20.1, 2, 22.

[34] Deu. 28.13. cap. 8.1-14. Isa. 55.5.

[35] Miq. 7.17. Psa. 89.27.

[36] Rom. 15.9.

[37] Psa. 144.10. cap. 7.12, 13.

As ultimas palavras de David.

23 E estas são as ultimas palavras de David: Diz David, filho de Jessé, e diz [1] o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacob, e o suave em psalmos d’Israel:

2 O [2] espirito do Senhor fallou por mim, e a sua palavra esteve em minha bocca.

3 Disse o Deus d’Israel, [3] a Rocha d’Israel a mim me fallou: Haverá um justo que domine sobre os homens, [4] que domine no temor de Deus.

4 E será como [5] a luz da manhã, quando sae o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplandor e pela chuva a herva brota da terra.

5 Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, [6] comtudo estabeleceu[324] comigo um concerto eterno, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está n’elle, apezar de que ainda não o faz brotar.

6 Porém os filhos de Belial todos serão como os espinhos que se lançam fóra, porque se lhes não pode pegar com a mão.

7 Mas qualquer que os tocar se armará de ferro e da haste de uma lança; e a fogo serão totalmente queimados no mesmo logar.

Os trinta e sete valentes que David teve.

8 Estes são os nomes dos valentes que David teve: Joseb-bashebeth, filho de Tachemoni, o principal dos capitães: este era Adino, o esnita, que se oppozera a oitocentos, e os feriu d’uma vez.

9 E depois d’elle Eleazar, [7] filho de Dodó, filho de Ahohi, entre os tres valentes que estavam com David quando provocaram os philisteos que ali se ajuntaram á peleja, e quando d’Israel os homens subiram.

10 Este se levantou, e feriu os philisteos, até lhe cançar a mão e ficar a mão pegada á espada: e n’aquelle dia o Senhor obrou um grande livramento; e o povo voltou atraz d’elle, sómente a tomar o despojo.

11 E depois d’elle [8] Samma, filho de Agé, o hararita, quando os philisteos se ajuntaram n’uma multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos philisteos.

12 Este pois se poz no meio d’aquelle pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os philisteos: e o Senhor obrou um grande livramento.

13 Tambem tres dos trinta cabeças desceram, [9] e vieram no tempo da sega a David, á caverna de Adullam: e a multidão dos philisteos acampara no valle de Rephaim.

14 David estava [10] então n’um logar forte, e a guarnição dos philisteos estava então em Beth-lehem.

15 E teve David desejo, e disse: Quem me déra beber da agua da cisterna de Beth-lehem, que está junto á porta!

16 Então aquelles tres valentes romperam pelo arraial dos philisteos, e tiraram agua da cisterna de Beth-lehem, que está junto á porta, e a tomaram, e a trouxeram a David; porém elle não a quiz beber, mas derramou-a perante o Senhor,

17 E disse: Guarda-me, ó Senhor, de que tal faça; beberia eu [11] o sangue dos homens que foram a risco da sua vida? De maneira que não a quiz beber: isto fizeram aquelles tres valentes.

18 Tambem Abisai, irmão de Joab, filho de Zeruia, [12] era cabeça de tres; e este alçou a sua lança contra trezentos feridos: e tinha nome entre os tres.

19 Porventura este não era o mais nobre d’entre estes tres? pois era o primeiro d’elles; porém aos primeiros tres não chegou.

20 Tambem Benaia, filho de Joiada, [13] filho d’um homem valoroso de Cabseel, grande em obras, este feriu dois fortes leões de Moab; e desceu elle, e feriu um leão no meio d’uma cova, no tempo da neve.

21 Tambem este feriu um homem egypcio, homem de respeito; e na mão do egypcio havia uma lança, porém elle desceu a elle com um cajado, e arrancou a lança da mão do egypcio, e o matou com a sua propria lança.

22 Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre tres valentes.

23 D’entre os trinta elle era o mais nobre, porém aos tres primeiros não chegou: e David [14] o poz sobre os seus guardas.

24 Asael, [15] irmão de Joab, estava entre os trinta, que eram: El-hanan, filho de Dodó, de Beth-lehem,

25 Samma, [16] harodita, Elika, harodita,

26 Heles, paltita, Ira, filho de Ikkes, tekoita,

27 Abiezer, anathothita, Mebunnai, husathita,

28 Zalmon, ahohita, Maharai, netophathita,

29 Heleb, filho de Baena, netophathita, Ittai, filho de Ribai, de Gibeah dos filhos de Benjamin,

30 Benaia, pirhathonita, Hiddai, do ribeiro [17] de Gaás,

31 Abi-albon, arbathita, Azmaveth, barhumita,

32 Eliaba, saalbonita, os filhos de Jasen e Jonathan,

33 Samma, hararita, Ahiam, filho de Sarar, ararita,

34 Eliphelet, filho de Ahasbai, filho d’um maacathita, Eliam, filho de Achitophel, gilonita,

35 Hesrai, carmelita, Paarai, arbita,

36 Ighal, filho de Nathan, de Zoba, Bani, gadita,

37 Zelek, ammonita, Naharai, beerothita, o que trazia as armas de Joab, filho de Zeruia,

[325]

38 Ira, [18] jethrita, Gareb, jethrita,

39 Urias, hetheo: trinta e sete por todos.

[1] cap. 7.8, 9. I Sam. 16.12, 13.

[2] II Ped. 1.21.

[3] Deu. 32.4, 31.

[4] Exo. 18.21. II Chr. 19.7, 9.

[5] Jui. 5.31. Pro. 4.18. Ose. 6.5.

[6] cap. 7.15, 16. Isa. 55.3.

[7] I Chr. 11.12 e 27.4.

[8] I Chr. 11.27 e 11.13, 14.

[9] I Chr. 11.15. I Sam. 22.1. cap. 5.18.

[10] I Sam. 22.4, 5.

[11] Lev. 17.10.

[12] I Chr. 11.20.

[13] Jos. 15.21. Exo. 15.15. I Chr. 11.22.

[14] cap. 8.18 e 20.23.

[15] cap. 2.18.

[16] I Chr. 11.27.

[17] Jui. 2.9.

[18] cap. 20.26.

A numeração do povo e o castigo que Deus enviou.

24 E a ira do Senhor se tornou [1] a accender contra Israel: e incitou a David contra elles, dizendo: Vae, numera a Israel e a Judah.

2 Disse pois o rei a Joab, chefe do exercito, o qual tinha comsigo: Agora rodeia por todas as tribus de Israel, [2] desde Dan até Berseba, e numera o povo: para que eu saiba o numero do povo.

3 Então disse Joab ao rei: Ora, multiplique o Senhor teu Deus a este povo cem vezes tanto quanto agora é, e os olhos do rei meu senhor o vejam: mas porque deseja o rei meu senhor este negocio?

4 Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joab, e contra os chefes do exercito: Joab pois saiu com os chefes do exercito diante da face do rei, a numerar o povo de Israel.

5 E passaram o Jordão: e pozeram-se em campo junto a [3] Aroer, á direita da cidade que está no meio do ribeiro de Gad, e junto a Jazer.

6 E vieram a Gilead, e á terra baixa de Hodsi: [4] tambem vieram até Dan-jaan, e ao redor de Zidon.

7 E vieram á fortaleza de Tyro, e a todas as cidades dos heveos e dos cananeos; e sairam para a banda do sul de Judah, a Berseba.

8 Assim rodeiaram por toda a terra: e ao cabo de nove mezes e vinte dias voltaram a Jerusalem.

Antes de Christo 1017

9 E Joab deu ao rei a somma do numero do povo contado: [5] e havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que arrancavam espada; e os homens de Judah eram quinhentos mil homens.

10 E o coração feriu a [6] David, depois de haver numerado o povo: e disse David ao Senhor: Muito pequei [7] no que fiz: porém agora, ó Senhor, peço-te que traspasses a iniquidade do teu servo; porque tenho feito mui loucamente.

11 Levantando-se pois David pela manhã, veiu a palavra do Senhor ao propheta [8] Gad, vidente de David, dizendo:

12 Vae, e dize a David: Assim diz o Senhor: Tres coisas te offereço; escolhe uma d’ellas, para que t’a faça.

13 Veiu pois Gad a David, e fez-lh’o saber; e disse-lhe: Queres que sete annos de fome [9] te venham á tua terra; ou que por tres mezes fujas diante de teus inimigos, e elles te persigam; ou que por tres dias haja peste na tua terra? Delibera agora, e vê que resposta hei de tornar ao que me enviou.

14 Então disse David a Gad: Estou em grande angustia: porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as [10] suas misericordias; mas nas mãos dos homens não caia eu.

15 Então enviou [11] o Senhor a peste a Israel, desde pela manhã até ao tempo determinado: e desde Dan até Berseba, morreram setenta mil homens do povo.

16 Estendendo pois [12] o anjo a sua mão sobre Jerusalem, para a destruir, o Senhor se arrependeu d’aquelle mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto á eira d’Arauna, [13] o jebuseo.

17 E, vendo David ao anjo que feria o povo, fallou ao Senhor, e disse: Eis que eu sou o que pequei, [14] e eu o que iniquamente obrei; porém estas ovelhas que fizeram? seja pois a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pae.

18 E Gad veiu n’aquelle mesmo dia a David; e disse-lhe: Sobe, levanta ao Senhor [15] um altar na eira de Arauna, o jebuseo.

19 David subiu conforme á palavra de Gad, como o Senhor lhe tinha ordenado.

20 E olhou Arauna, e viu que vinham para elle o rei e os seus servos: saiu pois Arauna, e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra.

21 E disse Arauna: Porque vem o rei meu Senhor ao seu servo? E disse David: [16] Para comprar de ti esta eira, afim de edificar n’ella um altar ao Senhor, para que este castigo cesse [17] de sobre o povo.

22 Então disse Arauna a David: Tome, e offereça o rei meu senhor o que bem parecer aos seus olhos: eis ahi [18] bois para o holocausto, e os trilhos, e o apparelho dos bois para a lenha.

23 Tudo isto deu Arauna ao rei; disse mais Arauna ao rei; O Senhor teu Deus [19] tome prazer em ti.

24 Porém o rei disse a Arauna: Não, porém por certo preço t’o comprarei, porque não offerecerei ao Senhor meu[326] Deus holocaustos que me não custem nada. Assim David comprou [20] a eira e os bois por cincoenta siclos de prata.

25 E edificou ali David ao Senhor um altar, e offereceu holocaustos, e offertas pacificas. [21] Assim o Senhor se aplacou com a terra, e cessou aquelle castigo de sobre Israel.

[1] cap. 21.1. I Chr. 27.23, 24.

[2] Jui. 20.1. Jer. 17.5.

[3] Deu. 2.36. Jos. 13.9, 16.

[4] Jos. 19.47. Jui. 18.29. Jos. 19.28. Jui. 18.28.

[5] I Chr. 21.5.

[6] I Sam. 24.5.

[7] cap. 12.13. I Sam. 13.13.

[8] I Sam. 9.9. I Chr. 29.29.

[9] I Chr. 21.12.

[10] Psa. 103.8, 13, 14. Isa. 47.6. Zac. 1.16.

[11] I Chr. 21.14 e 27.24.

[12] Exo. 12.23. I Chr. 21.15. Gen. 6.6. I Sam. 15.11. Joel 2.13, 14.

[13] I Chr. 21.15. II Chr. 3.1.

[14] I Chr. 21.17.

[15] I Chr. 21.18, etc.

[16] Gen. 23.8-16.

[17] Num. 16.48, 50.

[18] I Reis 19.21.

[19] Eze. 20.40, 41.

[20] I Chr. 21.24, 25.

[21] cap. 21.14. ver. 21.


O PRIMEIRO LIVRO DOS REIS.

A velhice de David.

Antes de Christo 1015

1 Sendo pois o rei David já velho, e entrado em dias, cobriam-n’o de vestes, porém não aquecia.

2 Então disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei meu senhor uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado d’elle: e durma no seu seio, para que o rei meu senhor aqueça.

3 E buscaram por todos os termos de Israel uma moça formosa: e acharam a [1] Abisag, sunamita; e a trouxeram ao rei.

4 E era a moça sobre maneira formosa: e tinha cuidado do rei, e o servia; porém o rei não a conheceu.

5 Então Adonias, [2] filho d’Haggith, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros, [3] e cavalleiros, e cincoenta homens, que corressem diante d’elle.

6 E nunca seu pae o tinha contrariado, dizendo: Porque fizeste assim? E era elle tambem mui formoso [4] de parecer; e Haggith o parira depois de Absalão.

7 E tinha intelligencia com Joab, filho de Zeruia, e [5] com Abiathar o sacerdote; os quaes o ajudavam, seguindo a Adonias.

8 Porém Zadok o sacerdote, e Benaia, filho de Joiada, e Nathan, o propheta, [6] e Simei, e Rei, e os valentes que David tinha, não estavam com Adonias,

9 E matou Adonias ovelhas, e vaccas, e bestas cevadas, junto á pedra de Zoheleth, que está junto á fonte de Rogel: e convidou a todos os seus irmãos, os filhos do rei, e a todos os homens de Judah, servos do rei.

10 Porém a Nathan, propheta, e a Benaia, e aos valentes, e a Salomão, seu irmão, não convidou.

11 Então fallou Nathan a Bath-seba, mãe de Salomão, dizendo: Não ouviste que Adonias, [7] filho de Haggith, reina? e que nosso senhor David não o sabe?

12 Vem pois agora, e deixa-me dar-te um conselho, para que salves a tua vida, e a de Salomão teu filho.

13 Vae, e entra ao rei David, e dize-lhe: Não juraste tu, rei senhor meu, á tua serva, dizendo: Certamente teu [8] filho Salomão reinará depois de mim, e elle se assentará no meu throno? porque pois reina Adonias?

14 Eis que, estando tu ainda ahi fallando com o rei, eu tambem entrarei depois de ti, e acabarei as tuas palavras.

15 E entrou Bath-seba ao rei na recamara; e o rei era mui velho: e Abisag, a sunamita, servia ao rei.

16 E Bath-seba inclinou a cabeça, e se prostrou perante o rei: e disse o rei: Que tens?

17 E ella lhe disse: [9] Senhor meu, tu juraste á tua serva pelo Senhor teu Deus, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e elle se assentará no meu throno.

18 E agora eis que Adonias reina: e agora, ó rei meu senhor, tu não o sabes.

19 E matou [10] vaccas, e bestas cevadas, e ovelhas em abundancia, e convidou a todos os filhos do rei, e a Abiathar, o sacerdote, e a Joab, general do exercito, mas a teu servo Salomão não convidou.

20 Porém tu, ó rei meu senhor, os olhos de todo o Israel estão sobre ti, para que lhes declares quem se assentará sobre o throno do rei meu senhor, depois d’elle.

21 D’outro modo [11] succederá que, quando o rei meu senhor dormir com seus paes, eu e Salomão meu filho seremos os peccantes.

22 E, estando ella ainda fallando com o rei, eis que entra o propheta Nathan.

23 E o fizeram saber ao rei, dizendo: Eis ali está o propheta Nathan. E entrou á presença do rei, e prostrou-se diante do rei com o rosto em terra.

[327]

24 E disse Nathan: Ó rei meu senhor, disseste tu: Adonias reinará depois de mim, e elle se assentará sobre o meu throno?

25 Porque [12] hoje desceu, e matou vaccas, e bestas cevadas, e ovelhas em abundancia, e convidou a todos os filhos do rei, e aos capitães do exercito, e a Abiathar, o sacerdote, e eis que estão comendo e bebendo perante elle: e dizem: [13] Viva o rei Adonias!

26 Porém a mim, sendo eu teu servo, e a Zadok, o sacerdote, e a Benaia, filho de Joiada, e a Salomão, teu servo, não convidou.

27 Foi feito isto da parte do rei meu senhor? e não fizeste saber a teu servo quem se assentaria no throno do rei meu senhor depois d’elle?

28 E respondeu o rei David, e disse: Chamae-me a Bath-seba. E ella entrou á presença do rei; e estava em pé diante do rei.

29 Então jurou o rei e disse: Vive o Senhor, [14] o qual remiu a minha alma de toda a angustia,

30 Que, [15] como te jurei pelo Senhor Deus de Israel, dizendo: Certamente teu filho Salomão reinará depois de mim, e elle se assentará no meu throno, em meu logar, assim o farei no dia d’hoje.

31 Então Bath-seba se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou diante do rei, e disse: Viva [16] o rei David meu senhor para sempre!

Salomão é constituido rei.

32 E disse o rei David: Chamae-me a Zadok, o sacerdote, e a Nathan, o propheta, e a Benaia, filho de Joiada. E entraram á presença do rei.

33 E o rei lhes disse: Tomae comvosco [17] os servos de vosso senhor, e fazei subir a meu filho Salomão na mula que é minha; e fazei-o descer a Gihon.

34 E Zadok, o sacerdote, com Nathan, [18] o propheta, ali o ungirão rei sobre Israel: então tocareis a trombeta, e direis: Viva o rei Salomão!

35 Então subireis apoz elle, e virá e se assentará no meu throno, e elle reinará em meu logar: porque tenho ordenado que elle seja guia sobre Israel e sobre Judah.

36 Então Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei, e disse: Amen: assim o diga o Senhor Deus do rei meu senhor.

37 Como [19] o Senhor foi com o rei meu senhor, assim o seja com Salomão, e faça que o seu throno seja maior do que o throno do rei David meu senhor.

38 Então desceu Zadok, o sacerdote, e Nathan, o propheta, [20] e Benaia, filho de Joiada, e os cheretheos, e os peletheos, e fizeram montar a Salomão na mula do rei David, e o levaram a Gihon.

39 E Zadok, o sacerdote tomou o [KC] vaso do azeite do tabernaculo, e [21] ungiu a Salomão: e tocaram a, trombeta, e todo o povo disse: [22] Viva o rei Salomão!

40 E todo o povo subiu apoz elle, e o povo tangia com gaitas, e alegrava-se com grande alegria: de maneira que com o seu clamor a terra retiniu.

41 E o ouviu Adonias, e todos os convidados que estavam com elle, que tinham acabado de comer: tambem Joab ouviu o sonido das trombetas, e disse: Porque ha tal ruido na cidade alvoroçada?

42 Estando elle ainda fallando, eis que vem Jonathan, filho de Abiathar, o sacerdote, e disse Adonias: [23] Entra, porque és homem valente, e trarás boas novas.

43 E respondeu Jonathan, e disse a Adonias: Certamente nosso senhor rei David constituiu rei a Salomão.

44 E o rei enviou com elle a Zadok, o sacerdote, e a Nathan, o propheta, e a Benaia, filho de Joiada, e aos cheretheos e aos peletheos: e o fizeram montar na mula do rei.

45 E Zadok, o sacerdote, e Nathan, o propheta, o ungiram rei em Gihon, e d’ali subiram alegres, e a cidade está alvoroçada: este é o clamor que ouviste.

46 E tambem Salomão [24] está assentado no throno do reino.

47 E tambem os servos do rei vieram abençoar a nosso senhor, o [25] rei David, dizendo: Faça teu Deus que o nome de Salomão seja melhor do que o teu nome; e faça que o seu throno seja maior do que o teu [26] throno. E o rei se inclinou no leito.

48 E tambem disse o rei assim: Bemdito o Senhor Deus de Israel, que hoje tem dado quem se assente no meu throno, e que os meus [27] olhos o vissem.

49 Então estremeceram e se levantaram todos os convidados que estavam[328] com Adonias: e cada um se foi ao seu caminho.

50 Porém Adonias temeu a Salomão: e levantou-se, e foi, [28] e pegou dos cornos do altar.

51 E fez-se saber a Salomão, dizendo: Eis que Adonias teme ao rei Salomão: porque eis que pegou dos cornos do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará a seu servo á espada.

52 E disse Salomão: Se fôr homem de bem, nem um de seus cabellos cairá em [29] terra: porém, se se achar n’elle maldade, morrerá.

53 E enviou o rei Salomão, e o fizeram descer do altar; e veiu, e prostrou-se perante o rei Salomão, e Salomão lhe disse: Vae para tua casa.

[1] Jos. 19.18.

[2] II Sam. 3.4.

[3] II Sam. 15.1.

[4] II Sam. 3.3, 4. I Chr. 3.2.

[5] II Sam. 20.25. cap. 2.22, 28.

[6] cap. 4.18. II Sam. 23.8.

[7] II Sam. 3.4.

[8] I Chr. 22.9.

[9] ver. 13, 30.

[10] ver. 7, 8, 9, 25.

[11] Deu. 31.16. cap. 2.10.

[12] ver. 19.

[13] I Sam. 10.24.

[14] II Sam. 4.9.

[15] ver. 17.

[16] Neh. 2.3. Dan. 2.4.

[17] II Sam. 20.6.

[18] I Sam. 10.1 e 16.3, 12. II Sam. 2.4 e 5.3. cap. 19.16. II Reis 9.3 e 11.12.

[19] Jos. 1.5, 17. I Sam. 20.13. ver. 47.

[20] II Sam. 8.18 e 23.20-23.

[21] Exo. 30.23, 25, 32. I Chr. 29.22.

[22] I Sam. 10.24.

[23] II Sam. 18.27.

[24] I Chr. 29.23.

[25] ver. 37.

[26] Gen. 47.31.

[27] cap. 3.6.

[28] cap. 2.28.

[29] I Sam. 14.45. II Sam. 14.11. Act. 27.34.

David dá conselhos a Salomão e morre.

2 E approximaram-se [1] os dias da morte de David: e deu elle ordem a Salomão, seu filho, dizendo:

2 Eu vou pelo [2] caminho de toda a terra: esforça-te pois e sê homem.

3 E guarda a observancia do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juizos, e os seus testemunhos, como está escripto na lei de Moysés: para que [3] prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que te voltares.

4 Para que o Senhor confirme a palavra, que [4] fallou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará successor ao throno de Israel.

5 E tambem tu sabes o que me fez Joab, [5] filho de Zeruia, e o que fez aos dois chefes do exercito de Israel, [6] a Abner, filho de Ner, e a Amasa, filho de Jether, os quaes matou, e em paz derramou o sangue de guerra, e poz o sangue de guerra no seu cinto que tinha nos lombos, e nos seus sapatos que trazia nos pés.

6 Faze pois [7] segundo a tua sabedoria, e não permittas que suas cãs desçam á sepultura em paz.

7 Porém com os filhos de Barzillai, o gileadita, usarás de beneficencia, e estarão entre os que [8] comem á tua mesa, porque assim se chegaram elles a mim, quando eu fugia por causa de teu irmão Absalão.

8 E eis que tambem comtigo [9] está Simei, filho de Gera, filho de Benjamin, de Bahurim, que me maldisse com maldição atroz, no dia em que ia a Mahanaim; porém elle saiu a encontrar-se comigo junto ao Jordão, e eu pelo Senhor lhe [10] jurei, dizendo que o não mataria á espada.

9 Mas agora o [11] não tenhas por inculpavel, pois és homem sabio, e bem saberás o que lhe has de fazer para que faças com que as suas cãs desçam á sepultura com sangue.

10 E David dormiu [12] com seus paes, e foi sepultado [13] na cidade de David.

11 E foram os dias que David [14] reinou sobre Israel quarenta annos: sete annos reinou em Hebron, e em Jerusalem reinou trinta e tres annos.

Salomão reina, e mata Adonias, Joab e Simei.

Antes de Christo 1014

12 E Salomão se assentou [15] no throno de David, seu pae, e o seu reino se fortificou sobremaneira.

13 Então veiu Adonias, filho de Haggith, a Bath-seba, mãe de Salomão; e disse ella: [16] De paz é a tua vinda? E elle disse: É de paz.

14 Então disse elle: Uma palavra tenho que dizer-te. E ella disse: Falla.

15 Disse pois elle: Bem sabes que o reino era [17] meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar, ainda que o reino se transferiu e veiu a ser de meu irmão, porque [18] foi feito seu pelo Senhor.

16 Assim que agora uma só petição te faço; não m’a rejeites. E ella lhe disse: Falla.

17 E elle disse: Peço-te que falles ao rei Salomão (porque elle t’o não rejeitará) que me dê por mulher a Abisag, [19] a sunamita.

18 E disse Bath-seba: Bem, eu fallarei por ti ao rei.

19 Assim veiu Bath-seba ao rei Salomão, a fallar-lhe por Adonias: e o rei se levantou a encontrar-se com ella, e se inclinou diante [20] d’ella; então se assentou no seu throno, e fez pôr uma cadeira para a mãe do rei, e ella se assentou á sua mão direita.

20 Então disse ella: uma pequena petição te faço; não m’a rejeites. E o[329] rei lhe disse: Pede, minha mãe, porque te não farei virar o rosto.

21 E ella disse: Dê-se Abisag, a sunamita, a Adonias, teu irmão, por mulher.

22 Então respondeu o rei Salomão, e disse a sua mãe: E porque pedes a Abisag, a sunamita, para Adonias? pede tambem para elle o reino (porque é meu irmão maior), para elle, digo, e tambem para [21] Abiathar, sacerdote, e para Joab, filho de Zeruia.

23 E jurou o rei Salomão pelo Senhor, dizendo: Assim Deus [22] me faça, e outro tanto, se não fallou Adonias esta palavra contra a sua vida.

24 Agora, pois, vive o Senhor, que me confirmou, e me fez assentar no throno de David, meu pae, e que me tem feito casa, [23] como tinha dito, que hoje morrerá Adonias.

25 E enviou o rei Salomão pela mão de Benaia, filho de Joiada, o qual deu sobre elle, e morreu.

26 E a Abiathar, o sacerdote, disse o rei; Para [24] Anathoth vae, para os teus campos, porque és homem digno de morte: porém hoje te não matarei, porquanto [25] levaste a arca do Senhor Deus diante de David, meu pae, e porquanto foste afflicto em tudo quanto meu pae foi afflicto.

27 Lançou pois Salomão fóra a Abiathar, para que não fosse sacerdote do Senhor, para cumprir [26] a palavra do Senhor, que tinha dito sobre a casa d’Eli em Silo.

28 E veiu a fama até Joab (porque Joab se tinha desviado seguindo [27] a Adonias, ainda que se não tinha desviado seguindo a Absalão), e Joab fugiu para o tabernaculo do Senhor, e pegou dos cornos do altar.

29 E disseram ao rei Salomão que Joab tinha fugido para o tabernaculo do Senhor; e eis que está junto ao altar: então enviou Salomão Benaia, filho de Joiada, dizendo: Vae, dá sobre elle.

30 E veiu Benaia ao tabernaculo do Senhor, e lhe disse: Assim diz o rei: Sae d’ahi. E disse elle: Não, porém aqui morrerei. E Benaia tornou com a resposta ao rei, dizendo: Assim fallou Joab, e assim me respondeu.

31 E disse-lhe o rei: Faze [28] como elle disse, e dá sobre elle, e sepulta-o, para que tires de mim e da casa de meu pae o sangue que Joab sem causa derramou.

32 Assim o Senhor fará [29] recair o sangue d’elle sobre a sua cabeça, porque deu sobre dois homens mais justos e melhores do que elle, e os matou á espada, sem que meu pae David o soubesse, a saber: a Abner, filho de Ner, chefe do exercito de Israel, e a Amasa, filho de Jether, chefe do exercito de Judah.

33 Assim recairá o sangue d’estes sobre a cabeça de Joab e [30] sobre a cabeça da sua semente para sempre; mas a David, e á sua semente, e á sua casa, e ao seu throno, dará o Senhor paz para todo o sempre.

34 E subiu Benaia, filho de Joiada, e deu sobre elle, e o matou: e foi sepultado em sua casa, no deserto.

35 E o rei poz a Benaia, filho de Joiada, em seu logar sobre o exercito, [31] e a Zadok, o sacerdote, poz o rei em logar d’Abiathar.

36 Depois enviou o rei, e chamou a Simei, [32] e disse-lhe: Edifica-te uma casa em Jerusalem, e habita ahi, e d’ahi não saias, nem para uma nem para outra parte.

37 Porque ha de ser que no dia em que saires e passares o ribeiro [33] de Cedron, saibas de certo que certamente morrerás: o teu sangue [34] será sobre a tua cabeça.

38 E Simei disse ao rei: Boa é essa palavra; como tem dito o rei meu senhor, assim fará o teu servo. E Simei habitou em Jerusalem muitos dias.

39 Succedeu porém que, ao cabo de tres annos, dois servos de Simei fugiram para Achis, [35] filho de Maaca, rei de Gath: e deram parte a Simei, dizendo: Eis que teus servos estão em Gath.

40 Então Simei se levantou, e albardou o seu jumento, e foi a Gath, para Achis, a buscar a seus servos: assim foi Simei, e trouxe os seus servos de Gath.

41 E disseram a Salomão como Simei de Jerusalem fôra a Gath, e tinha já voltado.

42 Então enviou o rei, e chamou a Simei, e disse-lhe: Não te conjurei eu pelo Senhor, e protestei contra ti, dizendo: No dia em que saires para uma ou outra parte, sabe de certo que certamente morrerás? E tu me disseste: Boa é essa palavra que ouvi.

43 Porque pois não guardaste o juramento do Senhor, nem o mandado que te mandei?

44 Disse mais o rei a Simei: Bem[330] sabes tu toda [36] a maldade que o teu coração reconhece, que fizeste a David, meu pae; pelo que o Senhor fez recair a tua maldade sobre a tua cabeça.

45 Mas o rei Salomão será abençoado, e o throno de David será confirmado perante o Senhor para sempre.

46 E o rei mandou a Benaia, filho de Joiada, o qual saiu, e deu sobre elle, e morreu: assim foi confirmado o reino na mão de Salomão.

[1] Gen. 47.29. Deu. 31.14.

[2] Jos. 23.14. Deu. 17.19, 20.

[3] Deu. 29.9. Jos. 1.7. I Chr. 22.12, 13.

[4] II Sam. 7.25. II Reis 20.3. II Sam. 7.12, 13. cap. 8.25.

[5] II Sam. 3.39 e 18.5, 12, 14 e 19.5, 6, 7.

[6] II Sam. 3.27 e 20.10.

[7] ver. 9. Pro. 20.26.

[8] II Sam. 19.31, 38 e 9.7, 10 e 17.27.

[9] II Sam. 16.5 e 19.18.

[10] II Sam. 19.33.

[11] Exo. 20.7. Job 9.28. Gen. 42.38 e 44.31.

[12] cap. 1.21. Act. 2.29 e 13.36.

[13] II Sam. 5.7.

[14] II Sam. 5.4. I Chr. 29.26, 27.

[15] I Chr. 29.23. II Chr. 1.1.

[16] I Sam. 16.4, 5.

[17] cap. 1.5.

[18] I Chr. 22.9, 10 e 28.5, 6, 7. Pro. 21.30. Dan. 2.21.

[19] cap. 1.3, 4.

[20] Exo. 20.12.

[21] cap. 1.7.

[22] Ruth 1.17.

[23] II Sam. 7.11, 13. I Chr. 22.10.

[24] Jos. 21.18.

[25] I Sam. 23.6. II Sam. 15.24, 29. I Sam. 22.20, 23. II Sam. 15.24.

[26] I Sam. 2.31-35.

[27] cap. 1.7, 50.

[28] Exo. 21.14. Num. 35.33. Deu. 19.13 e 21.8, 9.

[29] Jui. 9.24, 57. II Chr. 21.13. II Sam. 3.27 e 20.10.

[30] II Sam. 3.29. Pro. 25.5.

[31] Num. 25.11, 12, 13. ver. 27.

[32] ver. 8. II Sam. 16.5.

[33] II Sam. 15.23.

[34] Lev. 20.9. Jos. 2.19. II Sam. 1.16.

[35] I Sam. 27.2.

[36] II Sam. 16.5. Eze. 17.19.

Salomão casa com a filha de Pharaó.

3 E Salomão se aparentou com Pharaó, rei do Egypto: [1] e tomou a filha de Pharaó, e a trouxe á cidade de David, até que acabasse de edificar a sua casa, e [2] a casa do Senhor, e a muralha de Jerusalem em roda.

2 Sómente [3] que o povo sacrificava sobre os altos: porque até áquelles dias ainda se não tinha edificado casa ao nome do Senhor.

3 E Salomão [4] amava ao Senhor, andando [5] nos estatutos de David seu pae: sómente que nos altos sacrificava, e queimava incenso.

4 E foi [6] o rei a Gibeon para lá sacrificar, porque aquelle era o alto grande: mil holocaustos sacrificou Salomão n’aquelle altar.

5 E em Gibeon appareceu [7] o Senhor a Salomão de noite em sonhos: e disse-lhe Deus: Pede o que quizeres que te dê.

6 E disse Salomão: [8] De grande beneficencia usaste tu com teu servo David meu pae, como tambem elle andou comtigo em verdade, e em justiça, e em rectidão de coração, perante a tua face: e guardaste-lhe esta grande beneficencia, e lhe déste [9] um filho que se assentasse no seu throno, como se vê n’este dia.

7 Agora pois, ó Senhor meu Deus, tu fizeste reinar a teu servo em logar de David meu pae: e sou [10] ainda menino pequeno; nem sei sair, nem entrar.

8 E teu servo está no meio do teu povo que elegeste: [11] povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão.

9 A teu servo pois dá [12] um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discerna entre o bem e o mal: porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?

10 E esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, de que Salomão pedisse esta coisa.

11 E disse-lhe Deus: Porquanto pediste esta coisa, e não pediste [13] para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas pediste para ti entendimento, para ouvir causas de juizo;

12 Eis que [14] fiz segundo as tuas palavras: eis que te dei um coração tão sabio e entendido, que antes de ti teu egual não houve, e depois de ti teu egual se não levantará.

13 E tambem até o que não pediste te [15] dei, assim riquezas como gloria: que não haja teu egual entre os reis, por todos os teus dias.

14 E, se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos, e os meus mandamentos, [16] como andou David teu pae, tambem prolongarei os teus dias.

15 E [17] acordou Salomão, e eis que era sonho. E veiu a Jerusalem, e poz-se perante a arca do concerto do Senhor, e sacrificou holocaustos, e preparou sacrificios pacificos, e [18] fez um banquete a todos os seus servos.

Salomão julga a causa de duas mulheres.

16 Então [19] vieram duas mulheres prostitutas ao rei, e se pozeram perante elle.

17 E disse-lhe uma das mulheres: Ah! senhor meu, eu e esta mulher moramos n’uma casa; e pari, morando com ella n’aquella casa.

18 E succedeu que, ao terceiro dia depois do meu parto, pariu tambem esta mulher: estavamos juntas; estranho nenhum estava comnosco na casa, senão nós ambas n’aquella casa.

19 E de noite morreu o filho d’esta mulher, porquanto se deitara sobre elle.

20 E levantou-se á meia noite, e me tirou a meu filho do meu lado, dormindo a tua serva, e o deitou no seu seio: e a seu filho morto deitou no meu seio.

21 E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto: mas, attentando[331] pela manhã para elle, eis que não era meu filho, que eu havia parido.

22 Então disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho o vivo. Assim fallaram perante o rei.

23 Então disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho o morto; e esta outra diz: Não, por certo; o morto é teu filho e meu filho o vivo.

24 Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei.

25 E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo: e dae metade a uma, e metade a outra.

26 Mas a mulher, cujo filho era o vivo, fallou ao rei (porque as suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho), [20] e disse: Ah! senhor meu, dae-lhe o menino vivo, e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o antes.

27 Então respondeu o rei, e disse: Dae a esta o menino vivo, e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe.

28 E todo o Israel ouviu o juizo que julgara o rei, e temeu ao rei: porque viram que havia n’elle a [21] sabedoria de Deus, para fazer justiça.

[1] cap. 7.8 e 9.24. II Sam. 5.7. cap. 7.1.

[2] cap. 6 e 9.15, 19.

[3] Lev. 17.3, 4, 5. Deu. 12.2, 4, 5. cap. 22.43.

[4] Deu. 6.5 e 30.16, 20. Rom. 8.28. I Cor. 8.3.

[5] ver. 6, 14.

[6] II Chr. 1.3. I Chr. 16.39. II Chr. 1.3.

[7] cap. 9.2. II Chr. 1.7. Num. 12.6. Mat. 1.20 e 2.13, 19.

[8] II Chr. 1.8, etc. cap. 2.4 e 9.4. II Reis 20.3.

[9] cap. 1.48.

[10] I Chr. 29.1. Num. 27.17.

[11] Deu. 7.6. Gen. 13.16 e 15.5.

[12] II Chr. 1.10. Pro. 2.3-9. Thi. 1.5. Heb. 5.14.

[13] Thi. 4.3.

[14] I João 5.14, 15. cap. 4.29, 30, 31 e 5.12 e 10.24. Ecc. 1.16.

[15] Mat. 6.33. Eph. 3.20. cap. 4.21, 24 e 10.23, 25, etc. Pro. 3.16.

[16] cap. 15.5. Pro. 3.2.

[17] Gen. 41.7.

[18] Gen. 40.20. cap. 8.65. Est. 1.3. Dan. 5.1. Mar. 6.21.

[19] Num. 27.2.

[20] Gen. 43.30. Isa. 49.15. Jer. 31.20. Ose. 11.8.

[21] ver. 9, 11, 12.

Os principes de Salomão e a grandeza do seu reino.

4 Assim foi Salomão rei sobre todo o Israel.

2 E estes eram os principes que tinha: Azarias, filho de Zadok, sacerdote;

3 Elihoreph e Ahia, filhos de Sisa, secretarios; Josaphat, [1] filho de Ahilud, chanceller;

4 Benaia, [2] filho de Joiada, sobre o exercito; e Zadok e Abiathar eram sacerdotes;

5 E Azarias, filho de Nathan, sobre os provedores; [3] e Zabud, filho de Nathan, official-mór, amigo do rei;

6 E Ahisar, mordomo; [4] Adoniram, filho d’Abda, sobre o tributo.

7 E tinha Salomão doze provedores sobre todo o Israel, que proviam ao rei e á sua casa: e cada um tinha a prover um mez no anno.

8 E estes são os seus nomes: Ben-hur, nas montanhas de Ephraim;

9 Ben-deker em Makas, e em Saalbim, e em Beth-semes, e em Elon, e em Bethanan:

10 Ben-hesed em Arubboth; tambem este tinha a Sochó e a toda a terra de Hepher;

11 Ben-abinadab em todo o termo de Dor: tinha este a Taphath, filha de Salomão, por mulher;

12 Baana, filho d’Ahilud, tinha a Tanach, e a Megiddo, e a toda a Beth-sean, que está junto a Zartana, abaixo de Jezreel, desde Beth-sean até Abel-meola, até d’além de Jokneam;

13 O filho de Geber em Ramoth-gilead; tinha este as [5] aldeias de Jair, filho de Manassés, as quaes estão em Gilead; tambem tinha o termo de Argob, o qual está em Basan, sessenta grandes cidades com muros e ferrolhos de cobre;

14 Ahinadab, filho d’Iddo, em Mahanaim;

15 Ahimaas em Nafthali; tambem este tomou a Basmath, filha de Salomão, por mulher;

16 Baana, filho de Husai, em Aser e em Aloth;

17 Josaphat, filho de Paruah, em Issacar;

18 Simei, filho de Ela, em Benjamin;

19 Geber, filho de Uri, na terra [6] de Gilead, a terra de Sihon, rei dos amorrheos, e de Og, rei de Basan; e só uma guarnição havia n’aquella terra.

20 Eram pois os de Judah e Israel muitos, [7] como a areia que está ao pé do mar em multidão, comendo, e bebendo, e alegrando-se.

21 E dominava Salomão [8] sobre todos os reinos desde o rio até á terra dos philisteos, e até ao termo do Egypto; os quaes traziam presentes, e serviram a Salomão todos os dias da sua vida.

22 Era pois o provimento de Salomão, cada dia, trinta coros de flor de farinha, e sessenta coros de farinha:

23 Dez vaccas gordas, e vinte vaccas de pasto, e cem carneiros; afóra os veados e as cabras montezes, e os corços, e aves cevadas.

24 Porque dominava sobre tudo quanto havia da banda de cá do rio de Tiphsah até Gaza, sobre todos os reis da banda de cá do rio: e tinha [9] paz de todas a bandas em roda d’elle.

25 E Judah [10] e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dan até Berseba, todos os dias de Salomão.

26 Tinha tambem Salomão [11] quarenta mil estrebarias de cavallos para os seus carros, e doze mil cavalleiros.

[332]

27 Proviam pois estes [12] provedores, cada um no seu mez, ao rei Salomão e a todos quantos se chegavam á mesa do rei Salomão: coisa nenhuma deixavam faltar.

28 E traziam a cevada e a palha para os cavallos e para os ginetes, para o logar onde estava, cada um segundo o seu cargo.

A sabedoria de Salomão.

29 E deu Deus [13] a Salomão sabedoria, e muitissimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar.

30 E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria [14] de todos os do oriente e do que toda a sabedoria dos egypcios.

31 E era elle ainda mais sabio [15] do que todos os homens, e do que Ethan, ezrahita, e Heman, e Calcal, e Darda, filho de Mahol: e correu o seu nome por todas as nações em redor.

32 E disse [16] tres mil proverbios, e foram os seus canticos mil e cinco.

33 Tambem fallou das arvores, desde o cedro que está no Libano até ao hyssopo que nasce na parede: tambem fallou dos animaes e das aves, e dos reptis e dos peixes.

34 E vinham de todos os [17] povos a ouvir a sabedoria de Salomão, e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria.

[1] II Sam. 8.16 e 20.24.

[2] cap. 2.35 e 2.27.

[3] ver. 7. II Sam. 8.18 e 20.26 e 15.37 e 16.16. I Chr. 27.33.

[4] cap. 5.14.

[5] Num. 32.41. Deu. 3.4.

[6] Deu. 3.8.

[7] Gen. 22.17. cap. 3.8. Pro. 14.28. Miq. 4.4.

[8] II Chr. 9.26. Gen. 15.18. Jos. 1.4.

[9] I Chr. 22.9.

[10] Jer. 23.6. Miq. 4.4. Zac. 3.10. Jui. 20.1.

[11] cap. 10.26. II Chr. 1.14 e 9.25. Deu. 17.16.

[12] ver. 7.

[13] cap. 3.12.

[14] Gen. 25.6. Act. 7.22.

[15] cap. 3.12. I Chr. 15.19 e 2.6 e 6.33.

[16] Pro. 1.1. Ecc. 12.9. Can. 1.1.

[17] cap. 10.1. II Chr. 9.1, 23.

Salomão faz alliança com Hirão, rei de Tyro.

5 E enviou [1] Hirão, rei de Tyro, os seus servos a Salomão (porque ouvira que ungiram a Salomão rei em logar de seu pae), porquanto Hirão sempre [2] tinha amado a David.

2 Então Salomão enviou [3] a Hirão, dizendo:

3 Bem sabes tu que David, meu pae, não poude edificar uma casa ao nome do Senhor seu Deus, por causa da guerra [4] com que o cercaram, até que o Senhor os poz debaixo das plantas dos pés.

4 Porém agora o Senhor meu Deus me tem dado descanço [5] de todos os lados: adversario não ha, nem algum mau encontro.

5 E eis que eu, meu Deus, [6] intento edificar uma casa ao nome do Senhor, como fallou o Senhor a [7] David, meu pae, dizendo: Teu filho, que porei em teu logar no teu throno, elle edificará uma casa ao meu nome.

6 Dá ordem pois agora que do Libano me cortem [8] cedros, e os meus servos estarão com os teus servos, e eu te darei a soldada dos teus servos, conforme a tudo o que disseres; porque bem sabes tu que entre nós ninguem ha que saiba cortar a madeira como os sidonios.

7 E aconteceu que, ouvindo Hirão as palavras de Salomão, muito se alegrou, e disse: Bemdito seja hoje o Senhor, que deu a David um filho sabio sobre este tão grande povo.

8 E enviou Hirão a Salomão, dizendo: Ouvi o que me mandaste dizer. Eu farei toda a tua vontade ácerca dos cedros e ácerca das faias.

9 Os meus servos os levarão desde o Libano até ao mar, e eu [9] os farei conduzir em jangadas pelo mar até ao logar que me designares, e ali os desamarrarei; e tu os tomarás: tu tambem farás a minha vontade, dando sustento [10] á minha casa.

10 Assim deu Hirão a Salomão madeira de cedros e madeira de faias, conforme a toda a sua vontade.

11 E Salomão deu [11] a Hirão vinte mil coros de trigo, para sustento da sua casa, e vinte coros de azeite batido: isto dava Salomão a Hirão de anno em anno.

12 Deu pois o Senhor a Salomão sabedoria, como [12] lhe tinha dito: e houve paz entre Hirão e Salomão, e ambos fizeram alliança.

Os preparativos para edificar o templo.

13 E o rei Salomão fez subir leva de gente d’entre todo o Israel: e foi a leva de gente trinta mil homens.

14 E os enviou ao Libano, cada mez dez mil por suas vezes: um mez estavam no Libano, e dois mezes cada um em sua casa: e Adoniram [13] estava sobre a leva de gente.

15 Tinha tambem Salomão [14] setenta mil que levavam as cargas, e oitenta mil que cortavam nas montanhas,

16 Afóra os chefes dos officiaes de Salomão, os quaes estavam sobre aquella obra, tres mil e trezentos que davam as ordens ao povo que fazia aquella obra.

17 E mandou o rei que trouxessem pedras grandes, e pedras preciosas, pedras lavradas, para [15] fundarem a casa.

[333]

18 E as lavravam os edificadores de Hirão e os giblitas: e preparavam a madeira e as pedras para edificar a casa.

[1] ver. 10, 18. II Chr. 2.3.

[2] II Sam. 5.11. I Chr. 14.1. Amós 1.9.

[3] II Chr. 2.3.

[4] I Chr. 22.8 e 28.3.

[5] cap. 4.24. I Chr. 22.9.

[6] II Chr. 2.4.

[7] II Sam. 7.13. I Chr. 17.12 e 22.10.

[8] II Chr. 2.8, 10.

[9] II Chr. 2.16.

[10] Esd. 3.7. Eze. 27.17. Act. 12.20.

[11] II Chr. 2.10.

[12] cap. 3.12.

[13] cap. 4.6.

[14] cap. 9.21. II Chr. 2.17, 18.

[15] I Chr. 22.2.

Salomão edifica o templo.

6 E Succedeu [1] que no anno de quatrocentos e oitenta, depois de sairem os filhos de Israel do Egypto, no anno quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mez de Ziv (este é o mez segundo), começou a [2] edificar a casa do Senhor.

2 E a casa [3] que o rei Salomão edificou ao Senhor era de sessenta covados de comprimento, e de vinte covados de largura, e de trinta covados de altura.

3 E o portico diante do templo da casa era de vinte covados de comprimento, segundo a largura da casa, e de dez covados de largura diante da casa.

4 E fez á casa janellas [4] de vista estreita.

5 Edificou em redor da parede da casa camaras, [5] em redor das paredes da casa, tanto do templo como do oraculo: e assim lhe fez camaras collateraes em redor.

6 A camara de baixo era de cinco covados de largura, e a do meio de seis covados de largura, e a terceira de sete covados de largura; porque pela parte de fóra da casa em redor fizera encostos, para não travarem das paredes da casa.

7 E edificava-se a casa [6] com pedras preparadas, como as traziam se edificava; de maneira que nem martelo, nem machado, nem nenhum outro instrumento de ferro se ouviu na casa quando a edificavam.

8 A porta da camara do meio estava á banda direita da casa, e por corações se subia á do meio, e da do meio á terceira.

9 Assim pois edificou [7] a casa, e a aperfeiçoou: e cobriu a casa com pranchões e taboados de cedro.

10 Tambem edificou as camaras a toda a casa de cinco covados de altura, e as travou com a casa com madeira de cedro.

11 Então veiu a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:

12 Quanto a esta casa que tu edificas, [8] se andares nos meus estatutos, e fizeres os meus juizos, e guardares todos os meus mandamentos, andando n’elles, confirmarei para comtigo a minha palavra, a qual fallei a [9] David, teu pae;

13 E habitarei [10] no meio dos filhos d’Israel, e não desampararei o meu povo d’Israel.

14 Assim edificou Salomão [11] aquella casa, e a aperfeiçoou.

15 Tambem cobriu as paredes da casa por dentro com taboas de cedro; desde o soalho da casa até ao tecto tudo cobriu com madeira por dentro: e cobriu o soalho da casa com taboas de faia.

16 Edificou mais vinte covados de taboas de cedro nos lados da casa, desde o soalho até ás paredes: e por dentro lh’as edificou para o oraculo, para [12] o Sancto dos Sanctos.

17 Era pois a casa de quarenta covados, a saber: o templo interior.

18 E o cedro da casa por dentro era lavrado de botões e flores abertas: tudo era cedro, pedra nenhuma se via.

19 E por dentro da casa interior preparou o oraculo, para pôr ali a arca do concerto do Senhor.

20 E o oraculo no interior era de vinte covados de comprimento, e de vinte covados de largura, e de vinte covados de altura: e o cobriu de oiro puro: tambem cobriu de cedro o altar.

21 E cobriu Salomão a casa por dentro de oiro puro: e com cadeias de oiro poz um véu diante do oraculo, e o cobriu com oiro.

22 Assim toda a casa cobriu de oiro, até acabar toda a casa: tambem todo o altar que estava [13] diante do oraculo cobriu de oiro.

23 E no oraculo fez dois [14] cherubins de madeira olearia, cada um da altura de dez covados.

24 E uma aza d’um cherubim era de cinco covados, e a outra aza do cherubim de outros cinco covados; dez covados havia desde a extremidade d’uma das suas azas até á extremidade da outra das suas azas.

25 Assim era tambem de dez covados o outro cherubim: ambos os cherubins eram d’uma mesma medida e d’um mesmo talhe.

26 A altura d’um cherubim de dez covados, e assim a do outro cherubim.

27 E poz a estes cherubins no meio da casa de dentro; e os cherubins estendiam as azas, de [15] maneira que a aza d’um tocava na parede, e a aza do outro cherubim tocava na outra parede: e as suas azas no meio da casa tocavam uma na outra.

28 E cobriu de oiro os cherubins.

29 E todas as paredes da casa em redor[334] lavrou de esculpturas e entalhes de cherubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fóra.

30 Tambem cobriu de oiro o soalho da casa, por dentro e por fóra.

31 E á entrada do oraculo fez portas de madeira olearia: o umbral de cima com as hombreiras faziam a quinta parte da parede.

32 Tambem as duas portas eram de madeira olearia; e lavrou n’ellas entalhes de cherubins, e de palmas, e de flores abertas, os quaes cobriu de oiro: tambem estendeu oiro sobre os cherubins e sobre as palmas.

33 E assim fez á porta do templo hombreiras de madeira olearia, da quarta parte da parede.

34 E eram as duas portas de madeira de faia; e as duas folhas d’uma porta [16] eram dobradiças, assim como eram tambem dobradiças as duas folhas entalhadas das outras portas.

35 E as lavrou de cherubins, e de palmas, e de flores abertas, e as cobriu de oiro acommodado ao lavor.

36 Tambem edificou o pateo interior de tres ordens de pedras lavradas e d’uma ordem de vigas de cedro.

37 No anno quarto se poz o fundamento da casa do Senhor, [17] no mez de Ziv.

38 E no anno undecimo, no mez de Bul, que é o mez oitavo, se acabou esta casa com todos os seus apparelhos, e com tudo o que lhe convinha: e a edificou em sete [18] annos.

[1] II Chr. 3.1, 2.

[2] Act. 7.47.

[3] Eze. 41.1, etc.

[4] Eze. 40.16 e 41.16.

[5] Eze. 41.6. ver. 16, 19, 20, 21, 31.

[6] Deu. 27.5, 6. cap. 5.18.

[7] ver. 14, 38.

[8] cap. 2.4 e 9.4.

[9] II Sam. 7.13. I Chr. 22.10.

[10] Exo. 25.8. Lev. 26.11. II Cor. 6.16. Apo. 21.3. Deu. 31.6.

[11] ver. 38.

[12] Exo. 26.33. Lev. 16.2. cap. 8.6. II Chr. 3.8. Eze. 45.3. Heb. 9.3.

[13] Exo. 30.1, 3, 6.

[14] Exo. 37.7, 8, 9. II Chr. 3.10, 11, 12.

[15] Exo. 25.20 e 37.9. II Chr. 5.8.

[16] Eze. 41.23, 24, 25.

[17] ver. 1.

[18] ver. 1.

Salomão edifica um palacio.

Antes de Christo 1006

7 Porém a sua casa edificou Salomão em [1] treze annos: e acabou toda a sua casa.

2 Tambem edificou a casa do bosque do Libano de cem covados de comprimento, e de cincoenta covados de largura, e de trinta covados de altura, sobre quatro ordens de columnas de cedro, e vigas de cedro sobre as columnas.

3 E por cima estava coberta de cedro sobre as costas, que estavam sobre quarenta e cinco columnas, quinze em cada ordem.

4 E havia tres ordens de janellas; e uma janella estava defronte da outra janella, em tres ordens.

5 Tambem todas as portas e hombreiras quadradas eram d’uma mesma vista; e uma janella estava defronte da outra, em tres ordens.

6 Depois fez um portico de columnas de cincoenta covados de comprimento e de trinta covados de largura; e o portico estava defronte d’ellas, e as columnas com as grossas vigas defronte d’ellas.

7 Tambem fez o portico para o throno onde julgava, para portico do juizo, que estava coberto de cedro de soalho a soalho.

8 E em sua casa em que morava havia outro pateo por dentro do portico, de obra similhante a este: tambem para a filha de Pharaó, [2] que Salomão tomara por mulher, fez uma casa similhante áquelle portico.

9 Todas estas coisas eram de pedras finissimas, cortadas á medida, serradas á serra por dentro e por fóra; e isto desde o fundamento até ás beiras do tecto, e por fóra até ao grande pateo.

10 Tambem estava fundado sobre pedras finas, pedras grandes; sobre pedras de dez covados e pedras de oito covados.

11 E em cima sobre pedras finas, lavradas segundo as medidas, e cedros.

12 E era o pateo grande em redor de tres ordens de pedras lavradas, com uma ordem de vigas de cedro: assim era tambem o pateo interior da casa do Senhor e o portico [3] d’aquella casa.

Diversas obras para o templo.

13 E enviou o rei Salomão, e mandou trazer a [4] Hirão de Tyro.

14 Era este filho d’uma [5] mulher viuva, da tribu de Naphtali, e fôra seu pae um homem de Tyro, que trabalhava em cobre; e era cheio de sabedoria, e de entendimento, e de sciencia para fazer toda a obra de cobre: este veiu ao rei Salomão, e fez toda a sua obra.

15 Porque formou duas [6] columnas de cobre: a altura de cada columna era de dezoito covados, e um fio de doze covados cercava cada uma das columnas.

16 Tambem fez dois capiteis de fundição de cobre para pôr sobre as cabeças das columnas: de cinco covados era a altura d’um capitel, e de cinco covados a altura do outro capitel.

17 As redes eram de obra de rede, as ligas de obra de cadeia para os capiteis que estavam sobre a cabeça das columnas, sete para um capitel e sete para o outro capitel.

18 Assim fez as columnas, juntamente com duas fileiras em redor sobre uma rede, para cobrir os capiteis que estavam sobre a cabeça das romãs; assim tambem fez com o outro capitel.

[335]

19 E os capiteis que estavam sobre a cabeça das columnas eram de obra de lirios no portico, de quatro covados.

20 Os capiteis pois sobre as duas columnas estavam tambem defronte, em cima da barriga que estava junto á rede; e duzentas romãs, [7] em fileiras em redor, estavam tambem sobre o outro capitel.

21 Depois levantou as columnas [8] no portico do templo: e levantando a columna direita, chamou o seu nome Jachin; e levantando a columna esquerda, chamou o seu nome Boaz.

22 E sobre a cabeça das columnas estava a obra de lirios: e assim se acabou a obra das columnas.

23 Fez mais o mar [9] de fundição, de dez covados d’uma borda até á outra borda, redondo ao redor, e de cinco covados de alto; e um cordão de trinta covados o cingia em redor.

24 E por baixo da sua borda em redor havia botões que o cingiam; por dez covados cercavam [10] aquelle mar em redor; duas ordens d’estes botões foram fundidas na sua fundição.

25 E firmava-se sobre [11] doze bois, tres que olhavam para o norte, e tres que olhavam para o occidente, e tres que olhavam para o sul, e tres que olhavam para o oriente: e o mar em cima estava sobre elles, e todas as suas partes posteriores para a banda de dentro.

26 E a grossura era d’um palmo, e a sua borda como a obra da borda d’um copo, ou de flor de lirios; elle levava [12] dois mil batos.

27 Fez tambem as dez bases de cobre: o comprimento d’uma base de quatro covados, e de quatro covados a sua largura, e tres covados a sua altura.

28 E esta era a obra das bases: tinham cintas, e as cintas estavam entre as molduras.

29 E sobre as cintas que estavam entre as molduras havia leões, bois, e cherubins, e sobre as molduras uma base por cima: e debaixo dos leões e dos bois junturas d’obra estendida.

30 E uma base tinha quatro rodas de metal, e laminas de cobre; e os seus quatro cantos tinham hombros: debaixo da pia estavam estes hombros fundidos, da banda de cada uma das junturas.

31 E a sua bocca estava dentro da corôa, e d’um covado por cima: e era a sua bocca redonda da obra da base de covado e meio: e tambem sobre a sua bocca havia entalhes, e as suas cintas eram quadradas, não redondas.

32 E as quatro rodas estavam debaixo das cintas, e os eixos das rodas na base: e era a altura de cada roda de covado e meio.

33 E era a obra das rodas como a obra da roda de carro: seus eixos, e suas caibras, e seus cubos, e seus raios, todos eram fundidos.

34 E havia quatro hombros aos quatro cantos de cada base: seus hombros sahiam da base.

35 E no alto de cada base havia uma altura redonda de meio covado ao redor: tambem sobre o alto de cada base havia azas e cintas, que sahiam d’ellas.

36 E nas planchas das suas azas e nas suas cintas lavrou cherubins, leões, e palmas, segundo o vazio de cada uma, e junturas em redor.

37 Conforme a esta fez as dez bases: todas tinham uma mesma fundição, uma mesma medida, e um mesmo entalhe.

38 Tambem fez duas pias [13] de cobre: em cada pia cabiam quarenta batos, e cada pia era de quatro covados, e sobre cada uma das dez bases estava uma pia.

39 E poz cinco bases á direita da casa, e cinco á esquerda da casa: porém o mar poz ao lado direito da casa para a banda do oriente, da parte do sul.

40 Depois fez Hirão as pias, e as pás, e as bacias: e acabou Hirão de fazer toda a obra que fez para o rei Salomão, para a casa do Senhor:

41 A saber: as duas columnas, e os globos dos capiteis que estavam sobre a cabeça das duas columnas: e as duas [14] redes, para cobrir os dois globos dos capiteis que estavam sobre a cabeça das columnas.

42 E as quatrocentas romãs para as duas redes, a saber: duas carreiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capiteis que estavam em cima das columnas;

43 Juntamente com as dez bases, e as dez pias sobre as bases;

44 Como tambem um mar, e os doze bois debaixo d’aquelle mar;

45 E os caldeirões, [15] e as pás, e as bacias, e todos estes vasos que fez Hirão para o rei Salomão, para a casa do Senhor, todos eram de cobre burnido.

46 Na planicie do Jordão, o rei os fundiu, [16] em terra barrenta: entre Succoth e Zarthan.

47 E deixou Salomão de pezar todos os vasos, pelo seu excessivo numero: nem se averiguou o peso do cobre.

[336]

48 Tambem fez Salomão todos os vasos que convinham á casa do Senhor: o altar de oiro, [17] e a mesa d’oiro, sobre a qual estavam os pães da proposição.

49 E os castiçaes, cinco á direita e cinco á esquerda, diante do oraculo, d’oiro finissimo; e as flores, e as lampadas, e os espivitadores, tambem d’oiro.

50 Como tambem as taças, e os apagadores, e as bacias, e [KD] os perfumadores, e os brazeiros, de oiro finissimo: e as couceiras para as portas da casa interior para o logar sanctissimo, e as das portas da casa do templo, tambem d’oiro.

51 Assim se acabou toda a obra que fez o rei Salomão para a casa do Senhor: então trouxe Salomão as coisas sanctas de seu pae David; a prata, e o oiro, e os vasos poz entre [18] os thesouros da casa do Senhor.

[1] cap. 9.10. II Chr. 8.1.

[2] cap. 3.1. II Chr. 8.11.

[3] João 10.23. Act. 3.11.

[4] II Chr. 4.11.

[5] II Chr. 2.14 e 4.16. Exo. 31.3 e 36.1.

[6] II Reis 25.17. II Chr. 3.15 e 4.12. Jer. 52.21.

[7] II Chr. 3.16 e 4.13. Jer. 52.23.

[8] II Chr. 3.17. cap. 6.3.

[9] II Reis 25.13. II Chr. 4.2. Jer. 52.17.

[10] II Chr. 4.3. II Chr. 4.4, 5.

[11] Jer. 52.20.

[12] II Chr. 4.5.

[13] II Chr. 4.6.

[14] ver. 17, 18.

[15] Exo. 27.3. II Chr. 4.16.

[16] II Chr. 4.17. Gen. 33.17. Jos. 3.15.

[17] Exo. 37.25, etc. e 37.10, etc. e 25.30. Lev. 24.5, 8.

[18] II Sam. 8.11. II Chr. 5.1.

Dedicação do templo.

Antes de Christo 1004

8 Então [1] congregou Salomão os anciãos de Israel, e todos os Cabeças das tribus, os principes dos paes, d’entre os filhos de Israel, ao rei Salomão em Jerusalem; para fazerem subir a arca do concerto do Senhor da cidade de David, que é Sião.

2 E todos os homens de Israel se congregaram na festa, ao rei Salomão, no [2] mez de Ethanim, que é o setimo mez.

3 E vieram todos os anciãos de Israel: e os sacerdotes alçaram [3] a arca.

4 E trouxeram a arca do Senhor para cima, e o tabernaculo da [4] congregação, juntamente com todos os vasos sagrados que havia no tabernaculo; assim os trouxeram para cima os sacerdotes e os levitas.

5 E o rei Salomão, e toda a congregação de Israel, que se congregara a elle, estava com elle diante da arca, sacrificando [5] ovelhas e vaccas, que se não podiam contar nem numerar pela multidão.

6 Assim trouxeram [6] os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao seu logar, ao oraculo da casa, ao logar sanctissimo, até debaixo das azas dos cherubins.

7 Porque os cherubins estendiam ambas as azas sobre o logar da arca: e cobriam os cherubins a arca e os seus varaes por cima.

8 E os varaes sobresairam tanto, [7] que as pontas dos varaes se viam desde o sanctuario diante do oraculo, porém de fóra se não viam: e ficaram ali até ao dia d’hoje.

9 Na arca nada havia, senão só [8] as duas taboas de pedra, que Moysés ali pozera junto a Horeb, quando o Senhor contratou com os filhos de Israel, saindo elles da terra do Egypto.

10 E succedeu que, saindo os sacerdotes do sanctuario, uma nuvem encheu [9] a casa do Senhor.

11 E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a gloria do Senhor enchera a casa do Senhor.

Salomão falla ao povo.

12 Então [10] disse Salomão: O Senhor disse que habitaria nas trevas.

13 Certamente [11] te edifiquei uma casa para morada, assento para a tua eterna habitação.

14 Então virou o rei o seu rosto, e abençoou [12] toda a congregação de Israel: e toda a congregação de Israel estava em pé.

15 E disse: Bemdito [13] seja o Senhor, o Deus de Israel, que fallou [14] pela sua bocca a David meu pae, e pela sua mão o cumpriu, dizendo:

16 Desde [15] o dia em que eu tirei o meu povo Israel do Egypto, não escolhi cidade alguma de todas as tribus de Israel, para edificar alguma casa para ali estabelecer o meu nome: porém escolhi a David, para que presidisse sobre o meu povo Israel.

17 Tambem David, [16] meu pae, propozera em seu coração o edificar casa ao nome do Senhor, o Deus de Israel.

18 Porém o Senhor disse [17] a David, meu pae: Porquanto propozeste no teu coração o edificar casa ao meu nome bem fizeste em o propôr no teu coração.

19 Todavia [18] tu não edificarás esta casa: porém teu filho, que sair de teus lombos, edificará esta casa ao meu nome.

20 Assim confirmou o Senhor a sua palavra que tinha dito: porque me levantei em logar de David, meu pae, e me assentei no throno de Israel, como tem [19] dito o Senhor; e edifiquei uma casa ao nome do Senhor, o Deus d’Israel.

21 E constitui ali logar para a arca em[337] que está [20] o concerto do Senhor, o qual fez com nossos paes, quando os tirou da terra do Egypto.

Salomão ora a Deus.

22 E poz-se Salomão diante do altar [21] do Senhor, em frente de toda a congregação d’Israel: e estendeu as suas mãos para os céus,

23 E disse: Ó Senhor Deus de Israel, não ha Deus [22] como tu, em cima nos céus nem em baixo na terra: que guardas o concerto e a beneficencia a teus servos que andam com todo o seu coração diante de ti.

24 Que guardaste a teu servo David, meu pae, o que lhe disseras: porque com a tua bocca o disseste, e com a tua mão o cumpriste, como n’este dia se vê.

25 Agora pois, ó Senhor Deus d’Israel, guarda a teu servo David, meu pae, o que lhe fallaste, dizendo: Não te faltará [23] successor diante de mim, que se assente no throno d’Israel: sómente que teus filhos guardem o seu caminho, para andarem diante de mim como tu andaste diante de mim.

26 Agora [24] tambem, ó Deus d’Israel, cumpra-se a tua palavra que disseste a teu servo David, meu pae.

27 Mas, na verdade, [25] habitaria Deus na terra? eis que os céus, e até o céu dos céus, [26] te não comprehenderiam, quanto menos esta casa que eu tenho edificado.

28 Volve-te pois para a oração de teu servo, e para a sua supplica, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor e a oração que o teu servo hoje faz diante de ti.

29 Para que os teus olhos noite e dia estejam abertos sobre esta casa, sobre este logar, do qual disseste: O meu nome estará [27] ali; para ouvires a oração que o teu servo fizer n’este logar.

30 Ouve pois a supplica [28] do teu servo, e do teu povo Israel, que orarem n’este logar; tambem ouve tu no logar da tua habitação nos céus; ouve tambem, e perdôa.

31 Quando alguem peccar contra o seu proximo, e pozerem sobre [29] elle juramento de maldição, para o ajuramentarem a si mesmo, e vier juramento de maldição diante do teu altar n’esta casa,

32 Ouve tu então nos céus, e obra, e julga a teus servos, condemnando ao injusto, [30] fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça, e justificando ao justo, rendendo-lhe segundo a sua justiça.

33 Quando [31] o teu povo Israel fôr ferido diante do inimigo, por ter peccado contra ti, e se converterem a ti, e confessarem o teu nome, e orarem e supplicarem a ti n’esta casa,

34 Ouve tu então nos céus, e perdôa o peccado do teu povo Israel, e torna-o a levar á terra que tens dado a seus paes.

35 Quando [32] os céus se cerrarem, e não houver chuva, por terem peccado contra ti, e orarem n’este logar, e confessarem o teu nome, e se converterem dos seus peccados, havendo-os tu affligido.

36 Ouve tu então nos céus, e perdôa o peccado de teus servos e do teu povo Israel, ensinando-lhe o bom [33] caminho em que andem, e dá chuva na tua terra que déste ao teu povo em herança.

37 Quando houver [34] fome na terra, quando houver peste, quando houver queima de searas, ferrugem, gafanhotos e pulgão, quando o seu inimigo o cercar na terra das suas portas, ou houver alguma praga ou doença.

38 Toda a oração, toda a supplica, que qualquer homem de todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração, e estendendo as suas mãos para esta casa.

39 Ouve tu então nos céus, assento da tua habitação, e perdôa, e obra, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só tu conheces [35] o coração de todos os filhos dos homens.

40 Para que te temam todos os dias que viverem na terra que déste a nossos paes.

41 E tambem ouve ao estrangeiro, que não fôr do teu povo Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome

42 (Porque ouvirão do teu grande nome, e da tua [36] forte mão, e do teu braço estendido), e vier orar para esta casa,

43 Ouve tu nos céus, assento da tua habitação, e faze conforme a tudo o que o estrangeiro a ti clamar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te [37] temerem como o teu povo Israel, e para saberem que o[338] teu nome é invocado sobre esta casa que tenho edificado.

44 Quando o teu povo sair á guerra contra o seu inimigo, pelo caminho por que os enviares, e orarem ao Senhor, para a banda d’esta cidade, que tu elegeste, e d’esta casa, que edifiquei ao teu nome,

45 Ouve então nos céus a sua oração e a sua supplica, e faze-lhes justiça.

46 Quando peccarem contra ti (pois não ha [38] homem que não peque), e tu te indignares contra elles, e os entregares ás mãos do inimigo, para que os captivarem os levem em captiveiro á terra do inimigo, quer longe ou perto esteja,

47 E na terra aonde forem [39] levados em captiveiro tornarem em si, e se converterem, e na terra do seu captiveiro te supplicarem, dizendo: Peccámos, e perversamente obrámos, e commettemos iniquidade;

48 E se converterem [40] a ti com todo o seu coração e com toda a sua alma, na terra de seus inimigos que os levaram em captiveiro, e orarem [41] a ti para a banda da sua terra que déste a seus paes, para esta cidade que elegeste, e para esta casa que edifiquei ao teu nome;

49 Ouve então nos céus, assento da tua habitação, a sua oração e a sua supplica, e faze-lhes justiça;

50 E perdôa ao teu povo que houver peccado contra ti, e [42] todas as suas prevaricações com que houverem prevaricado contra ti; e dá-lhes misericordia perante aquelles que os teem captivos, para que d’elles tenham compaixão.

51 Porque [43] são o teu povo e a tua herança que tiraste da terra do Egypto, do meio do forno de ferro.

52 Para que teus olhos estejam abertos á supplica do teu servo e á supplica do teu povo Israel, a fim de os ouvirdes em tudo quanto clamarem a ti.

53 Pois tu para tua herança os elegeste de todos os povos da terra, como tens [44] dito pelo ministerio de Moysés, teu servo, quando tiraste a nossos paes do Egypto, Senhor Jehovah.

Salomão abençoa o povo.

54 Succedeu pois que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta supplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou de diante do altar do Senhor.

55 E poz-se [45] em pé, e abençoou a toda a congregação d’Israel em alta voz, dizendo:

56 Bemdito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo Israel, segundo tudo o que disse: nem [46] uma só palavra caiu de todas as suas boas palavras que fallou pelo ministerio de Moysés, seu servo.

57 O Senhor nosso Deus seja comnosco, como foi com nossos paes; não nos desampare, e não [47] nos deixe.

58 Inclinando a si o nosso coração, para andar em todos os seus caminhos, e para guardar os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juizos que ordenou a nossos paes.

59 E que estas minhas palavras, com que suppliquei perante o Senhor, estejam perto, diante do Senhor nosso Deus, de dia e de noite, para que execute o juizo do seu servo e o juizo do seu povo Israel, a cada qual no seu dia,

60 Para que todos [48] os povos da terra saibam que o Senhor é Deus, e que não ha outro.

61 E seja [49] o vosso coração inteiro para com o Senhor nosso Deus, para andardes nos seus estatutos, e guardardes os seus mandamentos como hoje.

62 E o rei [50] e todo o Israel com elle sacrificaram sacrificios perante a face do Senhor.

63 E offereceu Salomão em sacrificio pacifico o que sacrificou ao Senhor, vinte e duas mil vaccas e cento e vinte mil ovelhas: assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram a casa do Senhor.

64 No mesmo dia [51] sanctificou o rei o meio do atrio que estava diante da casa do Senhor; porquanto ali preparara os holocaustos e as offertas com a gordura dos sacrificios pacificos: porque o altar de cobre [52] que estava diante da face do Senhor era muito pequeno para n’elle caberem os holocaustos, e as offertas, e a gordura dos sacrificios pacificos.

65 No mesmo tempo celebrou Salomão a festa, [53] e todo o Israel com elle, uma grande congregação, desde a entrada[339] de Hamath até ao rio do Egypto, perante a face do Senhor nosso Deus; por sete dias, e mais [54] sete dias: quatorze dias.

66 E no oitavo dia [55] despediu o povo, e elles abençoaram o rei: então se foram ás suas tendas, alegres e gozosos de coração, por causa de todo o bem que o Senhor fizera a David seu servo, e a Israel seu povo.

[1] II Chr. 5.2, etc. II Sam. 6.17 e 5.7, 9 e 6.12, 16.

[2] Lev. 23.34. II Chr. 7.8.

[3] Num. 4.15. Deu. 31.9. Jos. 3.3, 6. I Chr. 15.14, 15.

[4] cap. 3.4. II Chr. 1.3.

[5] II Sam. 6.13.

[6] II Sam. 6.17. Exo. 26.33, 34. cap. 6.19, 27.

[7] Exo. 25.14, 15.

[8] Exo. 25.21. Deu. 10.2, 5. Heb. 9.4. Exo. 40.20 e 34.27, 28. Deu. 4.13. ver. 21.

[9] Exo. 40.34, 35. II Chr. 5.13, 14 e 7.2.

[10] II Chr. 6.1, etc. Lev. 16.2.

[11] II Sam. 7.13.

[12] II Sam. 6.18.

[13] Luc. 1.68.

[14] II Sam. 7.5, 25.

[15] II Sam. 7.6. II Chr. 6.5, etc. ver. 29. Deu. 12.11. I Sam. 16.1. II Sam. 7.8. I Chr. 28.4.

[16] II Sam. 7.2. I Chr. 17.1.

[17] II Chr. 6.8, 9.

[18] II Sam. 7.5, 12, 13. cap. 5.3, 5.

[19] I Chr. 28.5, 6.

[20] ver. 9. Deu. 31.26.

[21] II Chr. 6.12, etc. Exo. 9.33. Esd. 9.5. Isa. 1.15.

[22] Exo. 15.11. II Sam. 7.22. Deu. 7.9. Neh. 1.5. Dan. 9.4. Gen. 17.1. cap. 3.6. II Reis 20.3.

[23] II Sam. 7.12, 16. cap. 2.4.

[24] II Sam. 7.25.

[25] II Chr. 2.6. Isa. 66.1. Jer. 23.24. Act. 7.49 e 17.24.

[26] II Cor. 12.2.

[27] Deu. 12.11. Dan. 6.10.

[28] II Chr. 20.9. Neh. 1.6.

[29] Exo. 22.11.

[30] Deu. 25.1.

[31] Lev. 26.17. Deu. 28.25. Lev. 26.39, 40. Neh. 1.9.

[32] Lev. 26.19. Deu. 28.23.

[33] I Sam. 12.23.

[34] Lev. 26.16, 25, 26. Deu. 28.21, 22, 27, 38, 42, 52. II Chr. 20.9.

[35] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Jer. 17.10. Act. 1.24.

[36] Deu. 3.24.

[37] I Sam. 17.46. II Reis 19.19.

[38] II Chr. 6.36. Pro. 20.9. Ecc. 7.20. Thi. 3.2. I João 1.8, 10.

[39] Lev. 26.34, 44. Deu. 28.37, 64. Lev. 26.40. Neh. 1.6. Dan. 9.5.

[40] Jer. 29.12, 13, 14.

[41] Dan. 6.10.

[42] Esd. 7.6.

[43] Deu. 9.29. Neh. 1.10. Deu. 4.20. Jer. 11.4.

[44] Exo. 19.5. Deu. 19.26, 29 e 14.2.

[45] II Sam. 6.18.

[46] Deu. 12.10. Jos. 21.45 e 8.14.

[47] Deu. 31.6. Jos. 1.5.

[48] Jos. 4.24. I Sam. 17.46. II Reis 19.19. Deu. 4.35, 39.

[49] cap. 11.4 e 15.3, 14. II Reis 20.3.

[50] II Chr. 7.4, etc.

[51] II Chr. 7.7.

[52] II Chr. 4.1.

[53] ver. 2. Lev. 23.34. Num. 34.8. Jos. 38.5. Jui. 3.3. II Reis 14.25. Gen. 15.18. Num. 34.5.

[54] II Chr. 7.8.

[55] II Chr. 7.9, 10.

O Senhor apparece a Salomão pela segunda vez.

9 Succedeu [1] pois que, acabando Salomão de edificar a casa do Senhor, e a casa do rei, e todo o desejo de Salomão, que lhe veiu á vontade fazer,

2 O Senhor tornou a apparecer a Salomão; como [2] lhe tinha apparecido em Gibeon.

3 E o Senhor lhe disse: Ouvi a [3] tua oração, e a tua supplica que supplicando fizeste perante mim; sanctifiquei a casa que edificaste, afim de pôr ali o meu nome para sempre: e [4] os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias.

4 E se tu [5] andares perante mim como andou David teu pae, com inteireza de coração e com sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei, e guardares os meus estatutos e os meus juizos,

5 Então confirmarei o throno de teu reino sobre Israel para sempre: como fallei ácerca de [6] teu pae David, dizendo: Não te faltará varão sobre o throno d’Israel:

6 Porém [7] se vós e vossos filhos de qualquer maneira vos apartardes de apoz mim, e não guardardes os meus mandamentos, e os meus estatutos, que vos tenho proposto, mas fôrdes, e servirdes a outros deuses, e vos curvardes perante elles,

7 Então destruirei [8] a Israel da terra que lhes dei; e a esta casa, que sanctifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença: e Israel será por ditado e mote, entre todos os povos.

8 E esta casa [9] será tão exaltada, que todo aquelle que por ella passar pasmará, e assobiará, e dirá: Porque [10] fez o Senhor assim a esta terra e a esta casa?

9 E dirão: Porque deixaram ao Senhor seu Deus, que tirou da terra do Egypto a seus paes, e se apegaram a deuses alheios, e se encurvaram perante elles, e os serviram: por isso trouxe o Senhor sobre elles todo este mal.

Antes de Christo 992

10 E succedeu, ao fim de vinte annos, [11] que Salomão edificara as duas casas; a casa do Senhor e a casa do rei

11 (Para o que [12] Hirão, rei de Tyro, trouxera a Salomão madeira de cedro e de faia, e oiro, segundo todo o seu desejo): então deu o rei Salomão a Hirão vinte cidades na terra de Galiléa.

12 E saiu Hirão de Tyro a ver as cidades que Salomão lhe déra, porém não foram boas aos seus olhos.

13 Pelo que disse: Que cidades são estas que me déste, irmão meu? [13] E chamaram-n’as: Terra de [KE] Cabuli, até hoje.

14 E enviara Hirão ao rei cento e vinte talentos de oiro.

O tributo que Salomão impoz.

15 E esta é a causa do tributo [14] que impoz o rei Salomão, para edificar a casa do Senhor e a sua casa e Millo, e o muro de Jerusalem, como tambem a Hasor, e a Megiddo, e a Gezer.

16 Porque Pharaó, rei do Egypto, subiu e tomou a Gezer, e a queimou a fogo, e matou os cananeos [15] que moravam na cidade, e a deu em dote a sua filha, mulher de Salomão.

17 Assim edificou Salomão a Gezer, e Beth-horon, [16] a baixa,

18 E a Baalath, [17] e a Tadmor, no deserto d’aquella terra,

19 E a todas as cidades das munições que Salomão tinha, e as cidades dos carros, [18] e as cidades dos cavalleiros, e o que o desejo de Salomão quiz edificar em Jerusalem, e no Libano, e em toda a terra do seu dominio.

20 Quanto a todo [19] o povo que restou dos amorrheos, hetheos, pherezeos, heveos, e jebuseos, e que não eram dos filhos de Israel,

21 A seus filhos, que [20] restaram depois d’elles na terra, os quaes os filhos de Israel não poderam destruir totalmente,[340] Salomão os reduziu a tributo servil, até hoje.

22 Porém dos filhos de Israel não fez Salomão servo algum: porém [21] eram homens de guerra, e seus creados, e seus principes, e seus capitães, e chefes dos seus carros e dos seus cavalleiros.

23 Estes eram os chefes dos officiaes que estavam sobre a obra de Salomão, quinhentos e cincoenta, que davam ordens ao povo que trabalhava na obra.

24 Subiu porém a filha [22] de Pharaó da cidade de David á sua casa, que Salomão lhe edificara; então edificou a Millo.

25 E offerecia [23] Salomão tres vezes cada anno holocaustos e sacrificios pacificos sobre o altar que edificaram ao Senhor, e queimava incenso sobre o que estava perante o Senhor: e assim acabou a casa.

26 Tambem o [24] rei Salomão fez náos em Eseon-geber, que está junto a Eloth, á praia do mar de Suph, na terra de Edom.

27 E mandou Hirão [25] com aquellas náos a seus servos, marinheiros, que sabiam do mar, com os servos de Salomão.

28 E vieram a [26] Ophir, e tomaram de lá quatrocentos e vinte talentos de oiro, e o trouxeram ao rei Salomão.

[1] II Chr. 7.11, etc. cap. 7.1. II Chr. 8.6.

[2] cap. 3.5.

[3] II Reis 20.5. cap. 8.29.

[4] Deu. 11.12.

[5] Gen. 17.1. cap. 11.4, 6, 38 e 14.8 e 15.5.

[6] II Sam. 7.12, 16. cap. 2.4 e 6.12. I Chr. 22.10.

[7] II Sam. 7.14. II Chr. 7.19, 20.

[8] Deu. 4.26. II Reis 17.23 e 25.21. Jer. 7.14. Deu. 28.37.

[9] II Chr. 7.21.

[10] Deu. 29.24, 25, 26. Jer. 22.8, 9.

[11] cap. 6.37, 38 e 7.1. II Chr. 8.1.

[12] II Chr. 8.2.

[13] Jos. 19.27.

[14] cap. 5.13. ver. 24. II Sam. 5.9. Jos. 19.36 e 17.11 e 16.10. Jui. 1.29.

[15] Jos. 16.10.

[16] Jos. 16.3 e 21.22. II Chr. 8.5.

[17] Jos. 19.44. II Chr. 8.4, 6, etc.

[18] cap. 4.26.

[19] II Chr. 8.7, etc.

[20] Jui. 1.21, 27, 29 e 3.1. Jos. 15.63 e 17.12. Jui. 1.28. Gen. 9.25, 26. Esd. 2.55, 58. Neh. 7.57 e 11.3.

[21] Lev. 25.39.

[22] cap. 3.1. II Chr. 8.11. cap. 7.8. II Sam. 5.9. cap. 11.27. II Chr. 32.5.

[23] II Chr. 8.12, 13, 16.

[24] II Chr. 8.17, 18. Num. 33.35. Deu. 2.8. cap. 22.48.

[25] cap. 10.11.

[26] Job 22.24.

A rainha de Saba vem visitar Salomão.

10 E ouvindo [1] a rainha de Saba a fama de Salomão, ácerca do nome do Senhor, veiu proval-o por enigmas.

2 E veiu a Jerusalem com um mui grande exercito; com camelos carregados de especiarias, e muitissimo oiro, e pedras preciosas: e veiu a Salomão, e disse-lhe tudo quanto tinha no seu coração.

3 E Salomão lhe declarou todas as suas palavras: nenhuma coisa se escondeu ao rei, que não lhe declarasse.

4 Vendo pois a rainha de Saba toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara,

5 E a comida da sua mesa, e o assentar de seus servos, e o estar de seus creados, e os vestidos d’elles, e os seus copeiros, e a sua subida, pela qual subia á casa do Senhor, não houve mais espirito n’ella.

6 E disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra, das tuas coisas e da tua sabedoria.

7 E eu não cria n’aquellas palavras, até que vim, e os meus olhos o viram; eis que me não disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi.

8 Bemaventurados [2] os teus homens, bemaventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria!

9 Bemdito seja [3] o Senhor teu Deus, que teve agrado em ti, para te pôr no throno de Israel: porque o Senhor ama a Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei, para fazeres juizo e justiça.

10 E deu ao rei cento e vinte talentos de oiro, e muitissimas especiarias, e pedras preciosas: nunca veiu especiaria em tanta abundancia, como a que a rainha de Saba deu ao rei Salomão.

11 Tambem as náos [4] d’Hirão, que de Ophir levavam oiro, traziam de Ophir muitissima madeira de Almug, e pedras preciosas.

12 E d’esta madeira d’Almug [5] fez o rei balaustres para a casa do Senhor, e para a casa do rei, como tambem harpas e alaúdes para os cantores: nunca veiu tal madeira [6] de Almug, nem se viu até o dia d’hoje.

13 E o rei Salomão deu á rainha de Saba tudo quanto lhe pediu o seu desejo, de mais do que lhe deu, segundo a largueza do rei Salomão: então voltou e partiu para a sua terra, ella e os seus servos.

As riquezas de Salomão.

14 E era o peso do oiro que se trazia a Salomão cada anno seiscentos e sessenta e seis talentos de oiro;

15 Além do dos negociantes, e do contracto dos especieiros, e de todos os reis [7] da Arabia, e dos governadores da mesma terra.

16 Tambem o rei Salomão fez duzentos pavezes de oiro batido; seiscentos siclos de oiro mandou pesar para cada pavez;

17 Assim mesmo trezentos [8] escudos de oiro batido; tres arrateis de oiro mandou pesar para cada escudo; e o rei os poz na casa do bosque do Libano.

18 Fez mais [9] o rei um grande throno de marfim, e o cobriu de oiro purissimo.

19 Tinha este throno seis degraus, e era a cabeça do throno por detraz redonda, e de ambas as bandas tinha encostos até ao assento: e dois leões estavam junto aos encostos.

20 Tambem doze leões estavam ali sobre[341] os seis degraus de ambas as bandas: nunca se tinha feito obra similhante em nenhum dos reinos.

21 Tambem todos [10] os vasos de beber do rei Salomão eram de oiro, e todos os vasos da casa do bosque do Libano eram de oiro puro; não havia n’elles prata; porque nos dias de Salomão não tinha estimação alguma.

22 Porque o rei tinha no mar as náos de Tarsis, com as náos de Hirão: uma vez em tres annos tornavam as náos de [11] Tarsis, e traziam oiro e prata, marfim, e bugios, e pavões.

23 Assim o rei Salomão excedeu [12] a todos os reis da terra: tanto em riquezas como em sabedoria.

24 E toda a terra buscava a face de Salomão, para ouvir a sua sabedoria, que Deus tinha posto no seu coração.

25 E traziam cada um por seu presente vasos de prata e vasos de oiro, e vestidos, e armaduras, e especiarias, cavallos e mulas: cada coisa de anno em anno.

26 Tambem ajuntou [13] Salomão carros e cavalleiros, de sorte que tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavalleiros: e os levou ás cidades dos carros, e junto ao rei em Jerusalem.

27 E fez [14] o rei que em Jerusalem houvesse prata como pedras: e cedros em abundancia como figueiras bravas que estão nas planicies.

28 E tiravam [15] cavallos do Egypto para Salomão: e ás manadas as recebiam os mercadores do rei, cada manada por um certo preço.

29 E subia e sahia o carro do Egypto por seiscentos siclos de prata, e o cavallo por cento e cincoenta: e assim, por meio d’elles, os tiravam [16] para todos os reis dos hetheos e para os reis da Syria.

[1] II Chr. 9.1, etc. Mat. 12.42. Luc. 11.31. Jui. 14.12. Pro. 1.6.

[2] Pro. 8.34.

[3] cap. 5.7. II Sam. 8.15. Pro. 8.15.

[4] cap. 9.27.

[5] II Chr. 9.11.

[6] II Chr. 9.10.

[7] II Chr. 9.24.

[8] cap. 14.26 e 7.2.

[9] II Chr. 9.17, etc.

[10] II Chr. 9.20, etc.

[11] Gen. 10.4. II Chr. 20.36.

[12] cap. 3.12, 13 e 4.30.

[13] cap. 4.26. II Chr. 1.14 e 9.25. Deu. 17.16.

[14] II Chr. 1.15, 17.

[15] Deu. 17.16. II Chr. 1.16 e 9.28. Eze. 27.7.

[16] Jos. 1.4. II Reis 7.6.

A idolatria de Salomão e a ira de Deus contra elle.

Antes de Christo 984

11 E o rei Salomão amou [1] muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Pharaó, moabitas, ammonitas, idumeas, zidonias e hetheas.

2 Das nações de que o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a [2] ellas, e ellas não entrarão a vós; d’outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.

3 E tinha setecentas mulheres, princezas, e trezentas concubinas: e suas mulheres lhe perverteram o seu coração.

4 Porque succedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram [3] o seu coração para seguir outros deuses: e o seu coração não era inteiro para com o Senhor seu Deus, como o coração de David, seu pae,

5 Porque Salomão andou em seguimento [4] de Astaroth, deus dos zidonios, e em seguimento de Milkom, a abominação dos ammonitas.

6 Assim fez Salomão o que parecia mal aos olhos do Senhor: e não perseverou em seguir ao Senhor, como David seu pae.

7 Então [5] edificou Salomão um alto a Camos, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalem, e a Molech, a abominação dos filhos d’Ammon.

8 E assim fez para com todas as suas mulheres estranhas; as quaes queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses.

9 Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão: [6] porquanto desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe apparecera.

10 E ácerca d’esta materia lhe tinha dado ordem [7] que não andasse em seguimento d’outros deuses: porém não guardou o que o Senhor lhe ordenara.

11 Pelo que disse o Senhor a Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti [8] este reino, e o darei a teu servo.

12 Todavia nos teus dias não o farei, por amor de David teu pae: da mão de teu filho o rasgarei:

13 Porém todo o reino não rasgarei; uma [9] tribu darei a teu filho, por amor de meu servo David, e por amor de Jerusalem, que [10] tenho elegido.

Deus excita adversarios contra Salomão.

14 Levantou [11] pois o Senhor a Salomão um adversario, a Hadad, o idumeo: elle era da semente do rei em Edom.

15 Porque succedeu que, estando David [12] em Edom, e subindo Joab, o chefe do exercito, a enterrar os mortos, feriu a todo o varão em Edom.

[342]

16 (Porque Joab ficou ali seis mezes com todo o Israel, até que destruiu a todo o varão em Edom.)

17 Hadad porém fugiu, elle e alguns homens idumeos, dos servos de seu pae, com elle, para ir ao Egypto: era porém Hadad um rapaz pequeno.

18 E levantaram-se de Midian, e vieram a Paran, e tomaram comsigo homens de Paran, e vieram ao Egypto a Pharaó, rei do Egypto, o qual lhe deu uma casa, e lhe prometteu sustento, e lhe deu uma terra.

19 E achou Hadad grande graça aos olhos de Pharaó: de maneira que a irmã de sua mulher lhe deu por mulher, a irmã de Tachpenes, a rainha.

20 E a irmã de Tachpenes lhe pariu a seu filho Genubath, o qual Tachpenes criou na casa de Pharaó: e Genubath estava na casa de Pharaó, entre os filhos de Pharaó.

21 Ouvindo [13] pois Hadad no Egypto que David adormecera com seus paes, e que Joab, chefe do exercito, era morto, disse Hadad a Pharaó: Despede-me, para que vá á minha terra.

22 Porém Pharaó lhe disse: Pois que te falta comigo, que eis que procuras partir para a tua terra? E disse elle: Nada, mas todavia despede-me.

23 Tambem Deus lhe levantou outro adversario, a Rezon, filho de Eliada, que tinha fugido de seu senhor Hadadezer, [14] rei de Zoba,

24 Contra quem tambem ajuntou homens, e foi capitão [15] d’um esquadrão, quando David os matou: e indo-se para Damasco, habitaram ali, e reinaram em Damasco.

25 E foi adversario de Israel por todos os dias de Salomão, e isto além do mal que Hadad fazia: porque detestava a Israel, e reinava sobre a Syria.

26 Até Jeroboão, [16] filho de Nebat, ephrateo, de Zereda, servo de Salomão (cuja mãe era mulher viuva, por nome Zerua), tambem levantou a mão contra o rei.

27 E esta foi a causa, por que levantou a mão contra o rei: Salomão tinha [17] edificado a Millo, e cerrou as aberturas da cidade de David, seu pae.

28 E o homem Jeroboão era varão valente; e, vendo Salomão a este mancebo, que era laborioso, elle o poz sobre todo o cargo da casa de José.

Antes de Christo 980

29 Succedeu pois n’aquelle tempo que, saindo Jeroboão de Jerusalem, o encontrou o propheta Ahias, [18] o silonita, no caminho, e elle se tinha vestido d’um vestido novo, e sós estavam os dois no campo.

30 E Ahias pegou no vestido novo que sobre si tinha, e o rasgou [19] em doze pedaços.

31 E disse a Jeroboão: Toma para ti os dez pedaços, [20] porque assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei as dez tribus.

32 Porém elle terá uma tribu, por amor de David, meu servo, e por amor de Jerusalem, a cidade que elegi de todas as tribus de Israel.

33 Porque [21] me deixaram, e se encurvaram a Astaroth, deus dos sidonios, a Camos, deus dos moabitas, e a Milkom, deus dos filhos d’Ammon; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que parece recto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juizos, como David, seu pae.

34 Porém não tomarei nada d’este reino da sua mão: mas por principe o ponho por todos os dias da sua vida, por amor de David, meu servo, a quem elegi, o qual guardou os meus mandamentos e os meus estatutos.

35 Mas da mão de seu filho [22] tomarei o reino, e t’o darei a ti, as dez tribus d’elle.

36 E a seu filho darei uma tribu; para que David, meu servo, sempre tenha [23] uma lampada diante de mim em Jerusalem, a cidade que elegi para pôr ali o meu nome.

37 E te tomarei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel.

38 E ha de ser que, se ouvires tudo o que eu te mandar, e andares pelos meus caminhos, e fizeres o que é recto aos meus olhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez David, meu servo, eu [24] serei comtigo, e te edificarei uma casa firme, como edifiquei a David, e te darei Israel.

39 E por isso affligirei a semente de David; todavia não para sempre.

40 Pelo que Salomão procurou matar Jeroboão; porém Jeroboão se levantou, e fugiu para o Egypto, a Sisak, rei do Egypto: e esteve no Egypto até que Salomão morreu.

A morte de Salomão.

41 Quanto ao [25] mais dos successos de Salomão, e a tudo quanto fez, e á sua sabedoria, porventura não está escripto[343] no livro dos successos de Salomão?

42 E o tempo [26] que reinou Salomão em Jerusalem sobre todo o Israel foram quarenta annos.

43 E adormeceu [27] Salomão com seus paes, e foi sepultado na cidade de David, seu pae: e Roboão, seu filho, reinou em seu logar.

[1] Neh. 13.26. Deu. 17.17.

[2] Exo. 34.16. Deu. 7.3, 4.

[3] Deu. 17.17. Neh. 13.26. cap. 8.61 e 9.4.

[4] ver. 33. Jui. 2.13. II Reis 23.13.

[5] Num. 33.52 e 21.29. Jui. 11.24. II Reis 23.13.

[6] ver. 2, 3. cap. 3.5 e 9.2.

[7] cap. 6.12 e 9.6.

[8] ver. 31. cap. 12.15, 16.

[9] II Sam. 7.15. cap. 12.20.

[10] Deu. 12.11.

[11] I Chr. 5.26.

[12] II Sam. 8.14. I Chr. 18.12, 13. Num. 24.19. Deu. 20.13.

[13] I Reis 2.10, 34.

[14] II Sam. 8.3.

[15] II Sam. 8.3 e 10.8, 18.

[16] cap. 12.2. II Chr. 13.6. II Sam. 20.21.

[17] cap. 9.24.

[18] cap. 14.2.

[19] I Sam. 15.27 e 24.5.

[20] ver. 11, 13.

[21] ver. 5, 6, 7.

[22] cap. 12.16, 17.

[23] cap. 15.4. II Reis 8.19.

[24] Jos. 1.5. II Sam. 7.11, 27.

[25] II Chr. 9.29.

[26] II Chr. 9.30.

[27] II Chr. 9.31.

Roboão causa separação entre as tribus.

Antes de Christo 975

12 E foi Roboão [1] para Sichem; porque todo o Israel veiu a Sichem, para o fazerem rei.

2 Succedeu pois que, ouvindo-o Jeroboão, [2] filho de Nebat, estando ainda no Egypto (porque fugira de diante do rei Salomão, e habitava Jeroboão no Egypto),

3 Enviaram, e o mandaram chamar; e Jeroboão e toda a congregação d’Israel vieram, e fallaram a Roboão, dizendo:

4 Teu pae aggravou o nosso [3] jugo; agora, pois, allivia tu a dura servidão de teu pae, e o seu pesado jugo que nos impoz, e nós te serviremos.

5 E elle lhes disse: Ide-vos até ao terceiro dia, e voltae a mim. E o povo se foi.

6 E teve o rei Roboão conselho com os anciãos que estavam na presença de Salomão, seu pae, quando este ainda vivia, dizendo: Como aconselhaes vós que se responda a este povo?

7 E elles lhe fallaram, dizendo: Se hoje [4] fores servo d’este povo, e o servires, e, respondendo-lhe, lhe fallares boas palavras, todos os dias teus servos serão.

8 Porém elle deixou o conselho que os anciãos lhe tinham aconselhado, e teve conselho com os mancebos que haviam crescido com elle, que estavam diante d’elle.

9 E disse-lhes: Que aconselhaes vós que respondamos a este povo, que me fallou, dizéndo: Allivia o jugo que teu pae nos impoz?

10 E os mancebos que haviam crescido com elle lhe fallaram, dizendo: Assim fallarás a este povo que te fallou, dizendo: Teu pae fez pesadissimo o nosso jugo, mas tu o allivia de sobre nós; assim lhe fallarás: Meu dedo minimo é mais grosso do que os lombos de meu pae.

11 Assim que, se meu pae vos carregou d’um jugo pesado, ainda eu augmentarei o vosso jugo: meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.

12 Veiu pois Jeroboão e todo o povo, ao terceiro dia, a Roboão, como o rei havia fallado, dizendo: Voltae a mim ao terceiro dia.

13 E o rei respondeu ao povo duramente; porque deixara o conselho que os anciãos lhe haviam aconselhado.

14 E lhe fallou conforme ao conselho dos mancebos, dizendo: Meu pae aggravou o vosso jugo, porém eu ainda augmentarei o vosso jugo; meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.

15 O rei pois não deu ouvidos ao povo; porque esta revolta vinha do Senhor, [5] para confirmar a sua palavra que o Senhor tinha dito pelo ministerio de Ahias, o [6] silonita, a Jeroboão, filho de Nebat.

Dez tribus seguem Jeroboão.

16 Vendo pois todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, tornou-lhe o povo a responder, dizendo: Que parte temos nós com David? e não ha para nós herança [7] no filho de Jessé. Ás tuas tendas, ó Israel! Provê agora a tua casa, ó David. Então Israel se foi ás suas tendas.

17 No tocante porém [8] aos filhos d’Israel que habitavam nas cidades de Judah, tambem sobre elles reinou Roboão.

18 Então o rei Roboão enviou [9] a Adoram, que estava sobre os tributos; e todo o Israel o apedrejou com pedras, e morreu: mas o rei Roboão se animou a subir ao carro para fugir para Jerusalem.

19 Assim descairam [10] os israelitas da casa de David até ao dia de hoje.

20 E succedeu que, ouvindo todo o Israel que Jeroboão tinha voltado, enviaram, e o chamaram para a congregação, e o fizeram rei sobre todo o Israel: e ninguem seguiu a casa de David senão sómente a [11] tribu de Judah.

21 Vindo pois Roboão [12] a Jerusalem, ajuntou toda a casa de Judah e a tribu de Benjamin, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa d’Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.

22 Porém veiu a palavra de Deus a [13] Semaias, homem de Deus, dizendo:

23 Falla a Roboão, filho de Salomão, rei de Judah, e a toda a casa de Judah, e a Benjamin, e ao resto do povo, dizendo:

[344]

24 Assim diz o Senhor: Não subireis nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos d’Israel; volte cada um para a sua casa, porque [14] eu é que fiz esta obra. E ouviram a palavra do Senhor, e voltaram segundo a palavra do Senhor.

25 E Jeroboão edificou a Sichem, no [15] monte de Ephraim, e habitou ali; e saiu d’ali, e edificou a [16] Penuel.

A idolatria de Jeroboão.

26 E disse Jeroboão no seu coração: Agora tornará o reino á casa de David.

27 Se este povo subir [17] para fazer sacrificios na casa do Senhor, em Jerusalem, o coração d’este povo se tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judah: e me matarão, e tornarão a Roboão, rei de Judah.

28 Pelo que o rei tomou conselho, e fez dois bezerros [18] de oiro; e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalem; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egypto.

29 E poz um em Bethel, [19] e collocou o outro em Dan.

30 E este feito se tornou [20] em peccado: pois que o povo ia até Dan cada um a adorar.

31 Tambem fez casa dos altos: [21] e fez sacerdotes dos mais baixos do povo, que não eram dos filhos de Levi.

32 E fez Jeroboão uma festa no oitavo mez, no dia decimo quinto do mez, como a festa que se fazia [22] em Judah, e sacrificou no altar; similhantemente fez em Bethel, sacrificando os bezerros que fizera: tambem em Bethel estabeleceu sacerdotes dos altos que fizera.

33 E sacrificou no altar que fizera em [23] Bethel, no dia decimo quinto do oitavo mez, que elle tinha imaginado no seu coração: assim fez a festa aos filhos de Israel, e sacrificou no altar, queimando incenso.

[1] II Chr. 10.1, etc.

[2] cap. 11.26, 40.

[3] I Sam. 8.11, 18. cap. 4.7.

[4] II Chr. 10.7. Pro. 15.1.

[5] ver. 24. Jui. 14.4. II Chr. 10.15 e 22.7 e 25.20.

[6] cap. 11.11, 31.

[7] II Sam. 20.1.

[8] cap. 11.13, 36.

[9] cap. 4.6 e 5.14.

[10] II Reis 17.21.

[11] cap. 11.13, 32.

[12] II Chr. 11.1.

[13] II Chr. 11.2.

[14] ver. 15.

[15] Jui. 9.45.

[16] Jui. 8.17.

[17] Deu. 12.5, 6.

[18] II Reis 10.29 e 17.16. Exo. 32.4, 8.

[19] Gen. 28.19. Ose. 4.15. Jui. 18.29.

[20] cap. 13.34. II Reis 17.21.

[21] cap. 13.32. Num. 3.10. cap. 13.33. II Reis 17.32. II Chr. 11.14, 15. Eze. 44.7, 8.

[22] Lev. 23.33, 34. Num. 29.12. cap. 8.2, 5. Amós 7.13.

[23] Num. 15.39. cap. 13.1.

Um propheta prediz contra o altar.

13 E eis que [1] um homem de Deus veiu de Judah com a palavra do Senhor a Bethel: e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso.

2 E clamou contra o altar com a palavra do Senhor, e disse: Altar, altar! assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá á casa de David, cujo nome será [2] Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti.

3 E deu n’aquelle mesmo dia um [3] signal, dizendo: Este é o signal de que o Senhor fallou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza, que n’elle está, se derramará.

4 Succedeu pois, que, ouvindo o rei a palavra do homem de Deus, que clamara contra o altar de Bethel, Jeroboão estendeu a sua mão de sobre o altar, dizendo: Pegae d’elle. Mas a sua mão, que estendera contra elle, se seccou, e não a podia tornar a trazer a si.

5 E o altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar; segundo o signal que o homem de Deus apontara pela palavra do Senhor.

6 Então respondeu o rei, e disse ao homem de Deus: Ora á [4] face do Senhor teu Deus, e roga por mim, que a minha mão se me restitua. Então o homem de Deus orou á face do Senhor, e a mão do rei se lhe restituiu, e ficou como d’antes.

7 E o rei disse ao homem de Deus: Vem comigo a casa, e conforta-te; [5] e dar-te-hei um presente.

8 Porém o homem de Deus disse ao rei: Ainda que me désses metade [6] da tua casa, não iria comtigo, nem comeria pão nem beberia agua n’este logar.

9 Porque assim me ordenou o Senhor pela sua palavra, dizendo: [7] Não comerás pão nem beberás agua; e não voltarás pelo caminho por onde foste.

10 E foi-se por outro caminho; e não voltou pelo caminho, por onde viera a Bethel.

Um leão mata o propheta.

11 E morava em Bethel um propheta velho; e veiu seu filho, e contou-lhe tudo o que o homem de Deus fizera aquelle dia em Bethel, e as palavras que dissera ao rei; e as contaram a seu pae.

12 E disse-lhes seu pae: Por que caminho se foi? E viram seus filhos o caminho por onde fôra o homem de Deus que viera de Judah.

13 Então disse a seus filhos: Albardae-me um jumento. E albardaram-lhe o jumento, e montou n’elle.

14 E foi-se apoz o homem de Deus, e o achou assentado debaixo d’um carvalho: e disse-lhe: És tu o homem[345] de Deus que vieste de Judah? E elle disse: Eu sou.

15 Então lhe disse: Vem comigo a casa, e come pão.

16 Porém elle disse: Não [8] posso voltar comtigo, nem entrarei comtigo; nem tão pouco comerei pão, nem beberei comtigo agua n’este logar.

17 Porque me foi mandado pela [9] palavra do Senhor: Ali nem comerás pão, nem beberás agua; nem tornarás a ir pelo caminho por que foste.

18 E elle lhe disse: Tambem eu sou propheta como tu, e um anjo me fallou pela palavra do Senhor, dizendo: Faze-o voltar comtigo a tua casa, para que coma pão e beba agua (Porém mentiu-lhe).

19 E tornou elle, e comeu pão em sua casa e bebeu agua.

20 E succedeu que, estando elles á mesa, a palavra do Senhor veiu ao propheta que o tinha feito voltar.

21 E clamou ao homem de Deus, que viera de Judah, dizendo: Assim diz o Senhor: Porquanto foste rebelde á bocca do Senhor, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te mandara;

22 Antes voltaste, e comeste pão e bebeste agua no logar [10] de que te dissera: Não comerás pão nem beberás agua; o teu cadaver não entrará no sepulchro de teus paes.

23 E succedeu que, depois que comeu pão, e depois que bebeu, albardou elle o jumento para o propheta que fizera voltar.

24 Foi-se pois, e um leão [11] o encontrou no caminho, e o matou: e o seu cadaver estava lançado no caminho, e o jumento estava parado junto a elle, e o leão estava junto ao cadaver.

25 E eis que os homens passaram, e viram o corpo lançado no caminho, como tambem o leão, que estava junto ao corpo: e vieram, e o disseram na cidade onde o propheta velho habitava.

26 E, ouvindo-o o propheta que o fizera voltar do caminho, disse: É o homem de Deus, que foi rebelde á bocca do Senhor: por isso o Senhor o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o Senhor lhe tinha dito.

27 Então disse a seus filhos: Albardae-me o jumento. Elles o albardaram.

28 Então foi, e achou o seu cadaver lançado no caminho, e o jumento e o leão, que estavam parados junto ao cadaver: o leão não tinha devorado o corpo, nem tinha despedaçado o jumento.

29 Então o propheta levantou o cadaver do homem de Deus, e pôl-o em cima do jumento e o tornou a levar; assim veiu o propheta velho á cidade, para o chorar e enterrar.

30 E metteu o seu cadaver no seu proprio sepulchro; e prantearam sobre elle, dizendo: Ah irmão [12] meu!

31 E succedeu que, depois de o haver sepultado, fallou a seus filhos, dizendo: Morrendo eu, sepultae-me no sepulchro em que o homem de Deus está sepultado: ponde os meus ossos junto [13] aos ossos d’elle.

32 Porque certamente [14] se cumprirá o que pela palavra do Senhor exclamou contra o altar que está em Bethel, como tambem contra todas as casas dos altos que estão nas cidades [15] de Samaria.

33 Depois [16] d’estas coisas, Jeroboão não tornou do seu máu caminho; antes dos mais baixos do povo tornou a fazer sacerdotes dos logares altos; a quem queria lhe enchia a mão, e assim era um dos sacerdotes dos logares altos.

34 E isso foi causa de peccado [17] á casa de Jeroboão, para destruil-a e extinguil-a da terra.

[1] II Reis 23.17. cap. 12.32, 33.

[2] II Reis 23.15, 16.

[3] Isa. 7.14. João 2.18. I Cor. 1.22.

[4] Exo. 8.8 e 9.28 e 10.17. Num. 21.7. Act. 8.24. Thi. 5.16.

[5] I Sam. 9.7. II Sam. 5.15.

[6] Num. 22.18 e 24.13.

[7] I Cor. 5.11.

[8] ver. 8, 9.

[9] cap. 20.35. I The. 4.15.

[10] ver. 9.

[11] cap. 20.36.

[12] Jer. 22.18.

[13] II Reis 23.17, 18.

[14] ver. 2. II Reis 23.16, 19.

[15] cap. 16.24.

[16] cap. 12.31, 32. II Chr. 11.15 e 13.9.

[17] cap. 12.30 e 14.10.

Ahias prediz a ruina da casa de Jeroboão.

Antes de Christo 956

14 N’aquelle tempo adoeceu Ahias filho de Jeroboão.

2 E disse Jeroboão a sua mulher: Levanta-te agora, e disfarça-te, para que não conheçam que és mulher de Jeroboão: e vae a Silo. Eis que lá está o propheta Ahias, o qual fallou de mim, que eu seria rei [1] sobre este povo.

3 E toma [2] na tua mão dez pães, e bolos, e uma botija de mel, e vae a elle: elle te declarará o que ha de succeder a este menino.

4 E a mulher de Jeroboão assim fez, e se levantou, e [3] foi a Silo, e entrou na casa de Ahias: e já Ahias não podia ver, porque os seus olhos estavam já escurecidos por causa da sua velhice.

5 Porém o Senhor disse a Ahias: Eis que a mulher de Jeroboão vem consultar-te sobre seu filho, porque está doente: assim e assim lhe fallarás: e ha de ser que, entrando ella, fingirá ser outra.

6 E succedeu que, ouvindo Ahias o ruido de seus pés, entrando ella pela[346] porta, disse elle: Entra, mulher de Jeroboão: porque te disfarças assim? pois eu sou enviado a ti com duras novas.

7 Vae, dize a Jeroboão: Assim diz o Senhor Deus d’Israel: Porquanto te levantei [4] do meio do povo, e te puz por chefe sobre o meu povo d’Israel,

8 E rasguei [5] o reino da casa de David, e a ti t’o dei, e tu não foste como o meu servo David, que guardou [6] os meus mandamentos e que andou após mim com todo o seu coração para fazer sómente o que parecia recto aos meus olhos,

9 Antes tu fizeste o mal, peior do que todos os [7] que foram antes de ti; e foste, e fizeste outros deuses e imagens de fundição, para provocar-me á ira, e me lançaste para traz das tuas costas;

10 Portanto, eis que trarei [8] mal sobre a casa de Jeroboão, e destruirei de Jeroboão todo o homem até [KF] ao menino, tanto o encerrado [9] como o desamparado em Israel; e lançarei fóra os descendentes da casa de Jeroboão, como se lança fóra o esterco, até que de todo se acabe.

11 Quem [10] morrer a Jeroboão na cidade os cães o comerão, e o que morrer no campo as aves do céu o comerão, porque o Senhor o disse.

12 Tu pois levanta-te, e vae-te para tua casa: entrando [11] os teus pés na cidade, o menino morrerá.

13 E todo o Israel o pranteará, e o sepultará; porque este só entrará em sepultura de Jeroboão, porquanto se achou [12] n’elle coisa boa para com o Senhor Deus de Israel em casa de Jeroboão.

14 O Senhor porém levantará [13] para si um rei sobre Israel, que destruirá a casa de Jeroboão no mesmo dia: mas que será tambem agora?

15 Tambem o Senhor ferirá a Israel como se move a cana nas aguas; e arrancará [14] a Israel d’esta boa terra que tinha dado a seus paes, e o espargirá para além do rio; porquanto fizeram os seus bosques, provocando o Senhor á ira.

16 E entregará a Israel por causa dos [15] peccados de Jeroboão, o qual peccou, e fez peccar a Israel.

17 Então a mulher de Jeroboão se levantou, e foi, [16] e veiu a Tirza: chegando ella ao lumiar da porta, morreu o menino.

18 E o sepultaram, e todo o Israel o pranteou, conforme [17] á palavra do Senhor, a qual dissera pelo ministerio de seu servo Ahias, o propheta.

19 Quanto ao mais dos successos de Jeroboão, como [18] guerreou, e como reinou, eis que está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel.

20 E foram os dias que Jeroboão reinou vinte e dois annos: e dormiu com seus paes; e Nadab, seu filho, reinou em seu logar.

A impiedade de Roboão.

Antes de Christo 971

21 E Roboão, [19] filho de Salomão, reinava em Judah: de quarenta e um annos de edade era Roboão quando começou a reinar, e dezesete annos reinou em Jerusalem, na cidade que o Senhor [20] elegera de todas as tribus de Israel para pôr ali o seu nome: e era o nome de sua mãe Naama, ammonita.

22 E fez Judah o que parecia mal aos olhos do Senhor; e o provocaram a zelo, mais do que todos os seus paes fizeram, [21] com os seus peccados que commetteram.

23 Porque tambem elles [22] edificaram altos, e [KG] estatuas, e imagens do bosque sobre todo o alto outeiro e debaixo de toda a arvore verde.

24 Havia tambem rapazes escandalosos [23] na terra: fizeram conforme a todas as abominações das nações que o Senhor tinha lançado da sua possessão de diante dos filhos d’Israel.

25 Succedeu pois que, no [24] quinto anno do rei Roboão, Sisak, rei do Egypto, subiu contra Jerusalem,

26 E tomou [25] os thesouros da casa do Senhor e os thesouros da casa do rei; e ainda tomou tudo; tambem tomou todos os escudos de oiro que Salomão tinha feito.

27 E em logar d’elles fez o rei Roboão escudos de cobre, e os entregou nas mãos dos capitães da guarda que guardavam a porta da casa do rei.

28 E succedeu que, quando o rei entrava na casa do Senhor, os da guarda os levavam, e os tornavam á camara dos da guarda.

[347]

29 Quanto [26] ao mais dos successos de Roboão, e a tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

30 E houve [27] guerra entre Roboão e Jeroboão todos os seus dias.

31 E Roboão [28] dormiu com seus paes, e foi sepultado com seus paes na cidade de David: e era o nome de sua mãe Naama, [29] ammonita: e Abião, seu filho, reinou em seu logar.

[1] cap. 11.31.

[2] I Sam. 9.7, 8.

[3] cap. 11.29.

[4] II Sam. 12.7, 8. cap. 16.2.

[5] cap. 11.31.

[6] cap. 11.33, 38 e 15.5.

[7] cap. 12.28. II Chr. 11.15. Neh. 9.26. Eze. 23.35.

[8] cap. 15.29.

[9] cap. 21.21. II Reis 9.2. Deu. 32.36. II Reis 14.26.

[10] cap. 16.4 e 21.24.

[11] ver. 17.

[12] II Chr. 12.12 e 19.3.

[13] cap. 15.27, 28, 29.

[14] II Reis 17.6. Jos. 23.15, 16. II Reis 15.29. Exo. 31.13. Deu. 12.3, 4.

[15] cap. 12.30 e 13.34 e 15.30, 34 e 16.2.

[16] cap. 16.6, 8, 15, 23. Can. 6.4. ver. 12.

[17] ver. 13.

[18] II Chr. 13.2, etc.

[19] II Chr. 12.13.

[20] cap. 11.36.

[21] ver. 31.

[22] Deu. 12.2. Eze. 16.24, 25. II Reis 17.9, 10. Isa. 57.5.

[23] Deu. 23.17. cap. 15.12 e 22.46. II Reis 23.7.

[24] cap. 11.40. II Chr. 12.2.

[25] II Chr. 12.9, 10, 11. cap. 10.17.

[26] II Chr. 12.15.

[27] cap. 12.24 e 15.6. II Chr. 12.15.

[28] II Chr. 12.16.

[29] ver. 21. II Chr. 12.16. Mat. 1.7.

Abião imita a impiedade de seu pae Roboão.

Antes de Christo 951

15 E no decimo [1] oitavo anno do rei Jeroboão, filho de Nebat, Abião começou a reinar sobre Judah.

2 E tres annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe [2] Maaca, filha de Abisalom.

3 E andou em todos os peccados de seu pae, que tinha feito antes d’elle: e seu coração não [3] foi inteiro para com o Senhor seu Deus como o coração de David, seu pae.

4 Mas por amor de David o Senhor lhe deu [4] uma lampada em Jerusalem, levantando a seu filho depois d’elle, e confirmando a Jerusalem.

5 Porquanto [5] David tinha feito o que parecia recto aos olhos do Senhor, e não se tinha desviado de tudo o que lhe ordenara em todos os dias da sua vida, [6] senão só no negocio de Urias, o hetheo.

6 E houve guerra [7] entre Roboão e Jeroboão todos os dias da sua vida.

7 Quanto [8] ao mais dos successos de Abião, e a tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah? Tambem houve guerra entre Abião e Jeroboão.

8 E Abião [9] dormiu com seus paes, e o sepultaram na cidade de David: e Asa, seu filho, reinou em seu logar.

Asa é bom rei sobre Israel.

9 E no vigesimo anno de Jeroboão, rei d’Israel, começou Asa a reinar em Judah.

10 E quarenta e um annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Maaca, filha de Abisalom.

11 E Asa fez [10] o que parecia recto aos olhos do Senhor, como David, seu pae.

12 Porque tirou [11] da terra os rapazes escandalosos, e tirou todos os idolos que seus paes fizeram.

13 E até a Maaca, sua mãe, [12] removeu para que não fosse rainha, porquanto tinha feito um horrivel idolo a Asera: tambem Asa desfez o seu idolo horrivel, e o queimou [13] junto ao ribeiro de Cedron.

14 Os altos porém se não [14] tiraram: todavia foi o coração de Asa recto para com o Senhor todos os seus dias.

15 E á casa do Senhor trouxe as coisas consagradas de seu pae, e as coisas que elle mesmo consagrara: prata e oiro, e vasos.

16 E houve guerra entre Asa e Baása, rei d’Israel, todos os seus dias.

17 Porque Baása, [15] rei d’Israel, subiu contra Judah, e edificou a Rama, para que a ninguem deixasse sair nem entrar a Asa, rei de Judah.

18 Então Asa tomou toda a prata e oiro que ficara nos thesouros da casa do Senhor, e os thesouros da casa do rei, e os entregou nas mãos de seus servos: e o rei Asa os enviou a [16] Benhadad, filho de Tabrimmon, filho de Hezion, rei da Syria, que habitava em Damasco, dizendo:

19 Alliança ha entre mim e ti, entre meu pae e teu pae: vês aqui que te mando um presente, prata e oiro; vae, e annulla a tua alliança com Baása, rei d’Israel, para que se retire de sobre mim.

20 E Benhadad deu ouvidos ao rei Asa, e enviou aos capitães dos exercitos que tinha contra as cidades d’Israel; e feriu a Ijon, [17] e a Dan, e a Abel, de Beth-maaca, e a toda a Chinneroth, com toda a terra de Naphtali.

21 E succedeu que, ouvindo-o Baása, deixou de edificar a Rama: e ficou-se em Tirza.

22 Então o rei Asa [18] fez apregoar por toda a Judah que todos, sem excepção, trouxessem as pedras de Rama, e a sua madeira com que Baása edificara: e com ellas edificou o rei Asa a Geba [19] de Benjamin e a Mispah.

23 Quanto ao mais de todos os successos de Asa, e a todo o seu poder, e a tudo quanto fez, e as cidades que edificou, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de[348] Judah? Porém, no tempo [20] da sua velhice, padeceu dos pés.

24 E Asa dormiu com seus paes, e foi sepultado com seus paes na cidade de David, seu pae: e Josaphat, seu [21] filho, reinou em seu logar.

Nadab filho de Jeroboão é mau rei.

Antes de Christo 914

25 E Nadab, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel no anno segundo d’Asa, rei de Judah: e reinou sobre Israel dois annos.

26 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: e andou nos caminhos de seu pae, e no seu peccado [22] com que tinha feito peccar a Israel.

27 E conspirou contra elle [23] Baása, filho d’Ahias, da casa de Issacar, e feriu-o Baása em Gibbethon, [24] que era dos philisteos, quando Nadab e todo o Israel cercavam a Gibbethon.

28 E matou-o Baása no anno terceiro d’Asa, rei de Judah, e reinou em seu logar.

29 Succedeu pois que, reinando elle, feriu a toda a casa de Jeroboão: nada de Jeroboão deixou que tivesse folego, até o destruir, conforme á palavra [25] do Senhor que dissera pelo ministerio de seu servo Ahias, o silonita.

30 Por causa dos peccados de Jeroboão, o qual peccou, e fez peccar a Israel, e por causa da provocação com que provocara ao Senhor Deus d’Israel.

31 Quanto ao mais dos successos de Nadab, e a tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel?

32 E houve guerra [26] entre Asa e Baása, rei d’Israel, todos os seus dias.

A prophecia de Jehu contra Baása rei de Judah.

33 No anno terceiro d’Asa, rei de Judah, Baása, filho de Ahias, começou a reinar sobre todo o Israel em Tirza, e reinou vinte e quatro annos.

34 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: e andou no caminho [27] de Jeroboão, e no seu peccado com que tinha feito peccar a Israel.

[1] II Chr. 13.1, 2.

[2] II Chr. 11.20, 21, 22 e 13.2.

[3] cap. 11.4.

[4] cap. 11.32, 36. II Chr. 21.7.

[5] cap. 14.8.

[6] II Sam. 11.4, 15 e 12.9.

[7] cap. 14.30.

[8] II Chr. 13.2, 3, 22.

[9] II Chr. 14.1.

[10] II Chr. 14.2.

[11] cap. 14.24 e 22.46.

[12] II Chr. 15.16.

[13] Exo. 32.20.

[14] cap. 22.43. II Chr. 15.17, 18.

[15] II Chr. 16.1, etc. Jos. 18.25. cap. 12.27.

[16] II Chr. 16.2. cap. 11.23, 24.

[17] II Reis 15.29. Jui. 18.29. II Sam. 20.14.

[18] II Chr. 16.6.

[19] Jos. 21.17 e 18.26.

[20] II Chr. 16.12.

[21] II Chr. 17.1. Mat. 1.8.

[22] cap. 12.30 e 14.16.

[23] cap. 14.14.

[24] Jos. 19.34 e 21.23. cap. 16.15.

[25] cap. 14.10, 14.

[26] ver. 16.

[27] cap. 12.28, 29 e 13.33 e 14.16.

16 Então veiu a palavra do Senhor [1] a Jehu, filho de Hanani, contra Baása, dizendo:

Antes de Christo 930

2 Porquanto [2] te levantei do pó, e te puz por chefe sobre o meu povo Israel, e tu andaste no caminho de Jeroboão, e fizeste peccar a meu povo Israel, irritando-me com os seus peccados,

3 Eis que tirarei [3] os descendentes de Baása, e os descendentes da sua casa, e farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebat.

4 Quem [4] morrer a Baása na cidade os cães o comerão; e o que d’elle morrer no campo as aves do céu o comerão.

5 Quanto ao mais dos successos de Baása, e ao que fez, e a seu poder, porventura não está [5] escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

6 E Baása dormiu com seus paes, e foi sepultado em Tirza: [6] e Ela, seu filho, reinou em seu logar.

7 Assim veiu tambem a palavra do Senhor, pelo ministerio do propheta Jehu, [7] filho de Hanani, contra Baása e contra a sua casa; e isso por todo o mal que fizera aos olhos do Senhor, irritando-o com a obra de suas mãos, para ser como a casa de Jeroboão; e porquanto [8] o ferira.

A conspiração de Zimri.

8 No anno vinte e seis d’Asa, rei de Judah, Ela, filho de Baása, começou a reinar em Tirza sobre Israel: e reinou dois annos.

9 E Zimri, seu servo, chefe de metade dos carros, conspirou [9] contra elle, estando elle em Tirza bebendo e embriagando-se em casa d’Arsa, mordomo em Tirza.

10 Entrou pois Zimri, e o feriu, e o matou, no anno vigesimo setimo d’Asa, rei de Judah: e reinou em seu logar.

11 E succedeu que, reinando elle, e estando assentado no seu throno, feriu [10] a toda a casa de Baása; não lhe deixou homem algum, nem a seus parentes, nem a seus amigos.

12 Assim destruiu Zimri toda a casa de Baása, conforme [11] á palavra do Senhor que fallara pelo ministerio do propheta Jehu, sobre Baása,

13 Por todos os peccados de Baása, e os peccados de Ela, seu filho, com que peccaram, e com que fizeram peccar a Israel, irritando ao Senhor Deus d’Israel com as [12] suas vaidades.

14 Quanto ao mais dos successos de Ela, e a tudo quanto fez, não está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

Antes de Christo 929

15 No anno vigesimo setimo d’Asa, rei de Judah, reinou Zimri sete dias em[349] Tirza: e o povo estava acampado contra [13] Gibbethon, que era dos philisteos.

16 E ouviu dizer o povo que estava acampado: Zimri tem conspirado, e até feriu o rei. Todo o Israel pois no mesmo dia fez rei sobre Israel a Omri, chefe do exercito no arraial.

17 E subiu Omri, e todo o Israel com elle, de Gibbethon, e cercaram a Tirza.

18 E succedeu que Zimri, vendo que a cidade era tomada, se foi ao paço da casa do rei: e queimou sobre si a casa do rei a fogo, e morreu,

19 Por causa dos seus peccados que commettera, fazendo o que parecia mal aos olhos do Senhor, andando no [14] caminho de Jeroboão, e no seu peccado que fizera, fazendo peccar a Israel.

20 Quanto ao mais dos successos de Zimri, e á conspiração que fez porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

Omri vence a Tibni e reina.

21 Então o povo d’Israel se dividiu em dois partidos: metade do povo seguia a Tibni, filho de Ginath, para o fazer rei, e a outra metade seguia a Omri.

22 Mas o povo que seguia a Omri foi mais forte do que o povo que seguia a Tibni, filho de Ginath: e Tibni morreu, e Omri reinou.

23 No anno trinta e um d’Asa, rei de Judah, Omri começou a reinar sobre Israel, e reinou doze annos: e em Tirza reinou seis annos.

24 E de Semer comprou o monte de Samaria por dois talentos de prata: e [KH] edificou em o monte, e chamou o nome da cidade que edificou do nome de Semer, senhor do [15] monte de Samaria.

25 E fez Omri [16] o que parecia mal aos olhos do Senhor; e fez peior do que todos quantos foram antes d’elle.

26 E andou [17] em todos os caminhos de Jeroboão, filho de Nebat, como tambem nos seus peccados com que tinha feito peccar a Israel, irritando ao Senhor Deus d’Israel com as [18] suas vaidades.

27 Quanto ao mais dos successos de Omri, ao que fez, e ao seu poder que manifestou, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

28 E Omri dormiu com seus paes, e foi sepultado em Samaria: e Achab, seu filho, reinou em seu logar.

Achab reina e casa com Jezabel.

Antes de Christo 918

29 E Achab, filho de Omri, começou a reinar sobre Israel no anno trigesimo oitavo d’Asa, rei de Judah: e reinou Achab, filho de Omri, sobre Israel em Samaria vinte e dois annos.

30 E fez Achab, filho de Omri, o que parecia mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes d’elle.

31 E succedeu que (como se fôra coisa leve andar nos peccados de Jeroboão, filho de Nebat) ainda tomou [19] por mulher a Jezabel, filha de Ethbaal, rei dos sidonios: e foi e serviu a Baal, e se encurvou diante d’elle.

32 E levantou um altar a [20] Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria.

33 Tambem Achab fez um bosque: de maneira que Achab [21] fez muito mais para irritar ao Senhor Deus d’Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes d’elle.

34 Em seus dias Hiel, o bethelita, edificou a Jericó: morrendo Abiram, seu primogenito a fundou, e morrendo Segub, seu ultimo, poz as suas portas: conforme [22] á palavra do Senhor, que fallara pelo ministerio de Josué, filho de Nun.

[1] ver. 7. II Chr. 19.2 e 20.34.

[2] cap. 14.7 e 15.34.

[3] ver. 11. cap. 14.10 e 15.29.

[4] cap. 14.11.

[5] II Chr. 16.1.

[6] cap. 14.17 e 15.21.

[7] ver. 1.

[8] cap. 15.27, 29. Ose. 1.4.

[9] II Reis 9.31.

[10] I Sam. 25.2.

[11] ver. 1, 3.

[12] Deu. 32.21. I Sam. 12.21. Isa. 41.29. Jon. 2.8. I Cor. 8.4 e 10.19.

[13] cap. 15.27.

[14] cap. 12.28 e 15.26, 34.

[15] cap. 13.32. II Reis 17.24. João 4.4.

[16] Miq. 6.16.

[17] ver. 19.

[18] ver. 13.

[19] Deu. 7.3. Jui. 18.7. cap. 21.25, 26. II Reis 10.18 e 17.16.

[20] II Reis 10.21, 26, 27.

[21] II Reis 13.6 e 17.10 e 21.3. Jer. 17.2. ver. 30. cap. 21.25.

[22] Jos. 6.26.

Elias prediz contra Achab, e é sustentado pelos corvos.

Antes de Christo 910

17 Então Elias, o tesbita, dos moradores de Gilead, disse a Achab: Vive o Senhor, [1] Deus de Israel, perante cuja face estou, que n’estes annos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.

2 Depois veiu a elle a palavra do Senhor, dizendo:

3 Vae-te d’aqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Carith, que está diante do Jordão.

4 E ha de ser que beberás do ribeiro: e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.

5 Foi pois, e fez conforme á palavra do Senhor: porque foi, e habitou junto ao ribeiro de Carith, que está diante do Jordão.

6 E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã; como tambem pão e carne á noite: e bebia do ribeiro.

7 E succedeu que, passados dias, o ribeiro se seccou; porque não tinha havido chuva na terra.

[350]

A viuva de Sarepta.

8 Então veiu a elle a palavra do Senhor, dizendo:

9 Levanta-te, e vae-te a [2] Sarepta, que é de Zidon, e habita ali: eis que eu ordenei ali a uma mulher viuva que te sustente.

10 Então elle se levantou, e se foi a Sarepta; e, chegando á porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viuva apanhando lenha; e elle a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, n’um vaso um pouco d’agua que beba,

11 E, indo ella a trazel-a, elle a chamou e lhe disse: Traze-me agora tambem um bocado de pão na tua mão.

12 Porém ella disse: Vive o Senhor teu Deus, que nem um bolo tenho, senão sómente um punhado de farinha n’uma panella, e um pouco d’azeite n’uma botija: e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou preparal-o para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos.

13 E Elias lhe disse: Não temas; vae, faze conforme á tua palavra: porém faze d’elle primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-m’o para fóra; depois farás para ti e para teu filho.

14 Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panella não se acabará, e o azeite da botija não faltará, até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra.

15 E foi ella, e fez conforme á palavra de Elias: e assim comeu ella, e elle, e a sua casa muitos dias.

16 Da panella a farinha se não acabou, e da botija o azeite não faltou: conforme á palavra do Senhor, que fallara pelo ministerio de Elias.

17 E depois d’estas coisas succedeu que adoeceu o filho d’esta mulher, da dona da casa: e a sua doença se aggravou muito, até que n’elle nenhum folego ficou.

18 Então ella disse a Elias: [3] Que tenho eu comtigo, homem de Deus? vieste tu a mim cara trazeres á memoria a minha iniquidade, e matares a meu filho?

19 E elle lhe disse: Dá-me o teu filho. E elle o tomou do seu regaço, e o levou para cima, ao quarto, onde elle mesmo habitava, e o deitou em sua cama,

20 E clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, tambem até a esta viuva, com quem eu moro, affligiste, matando-lhe seu filho?

21 Então [4] se mediu sobre o menino tres vezes, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, rogo-te que torne a alma d’este menino a entrar n’elle.

22 E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar n’elle, [5] e reviveu.

23 E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto á casa, e o deu a sua mãe; e disse Elias: Vês ahi teu filho vive.

24 Então a mulher disse a Elias: N’isto conheço [6] agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do Senhor na tua bocca é verdade.

[1] II Reis 3.14. Deu. 10.8. Thi. 5.17. Luc. 4.25.

[2] Abd. 20. Luc. 4.26.

[3] Luc. 5.8.

[4] II Reis 4.34, 35.

[5] Heb. 11.35.

[6] João 3.2 e 16.30.

Elias apresenta-se diante de Achab.

Antes de Christo 906

18 E succedeu que, depois [1] de muitos dias, a palavra do Senhor veiu a Elias no terceiro anno, dizendo: Vae, mostra-te a Achab; porque darei chuva sobre a terra.

2 E foi Elias mostrar-se a Achab: e a fome era extrema em Samaria.

3 E Achab chamou a Obadias, o mordomo: e Obadias temia muito ao Senhor,

4 Porque succedeu que, destruindo Jezabel os prophetas do Senhor, Obadias tomou cem prophetas, e de cincoenta em cincoenta os escondeu n’uma cova, e os sustentou com pão e agua.

5 E dissera Achab a Obadias: Vae pela terra a todas as fontes de agua, e a todos os rios: pode ser que achemos herva, para que em vida conservemos os cavallos e mulas, e não estejamos privados das bestas.

6 E repartiram entre si a terra, para passarem por ella: Achab foi á parte por um caminho, e Obadias tambem foi á parte por outro caminho.

7 Estando pois Obadias já em caminho, eis que Elias o encontrou; e, conhecendo-o elle, prostrou-se sobre o seu rosto, e disse: És tu o meu senhor Elias?

8 E disse-lhe elle: Eu sou: vae, e dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias.

9 Porém elle disse: Em que pequei, para que entregues a teu servo na mão e Achab, para que me mate?

10 Vive o Senhor teu Deus que não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse em busca de ti; e dizendo elles: Aqui não está, então ajuramentava os reinos e as nações, se elles te não tinham achado.

11 E agora dizes tu: Vae, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias.

12 E poderia ser que, apartando-me eu de ti, [2] o Espirito do Senhor te tomasse, não sei para onde, e, vindo eu a dar as[351] novas a Achab, e não te achando elle, me mataria: porém eu, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade.

13 Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os prophetas do Senhor? como escondi a cem homens dos prophetas do Senhor, de cincoenta em cincoenta, n’umas covas, e os sustentei com pão e agua?

14 E agora dizes tu: Vae, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias: e me mataria.

15 E disse Elias: Vive o Senhor dos Exercitos, perante cuja face estou, que devéras hoje me mostrarei a elle.

16 Então foi Obadias encontrar-se com Achab, e lh’o annunciou: e foi Achab encontrar-se com Elias.

17 E succedeu que, vendo Achab a Elias, disse-lhe Achab: [3] És tu o perturbador de Israel?

18 Então disse elle: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pae, porque deixastes [4] os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim.

19 Agora pois envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo: como tambem os quatrocentos e cincoenta prophetas de Baal, [5] e os quatrocentos prophetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.

20 Então enviou Achab a todos os filhos de Israel: e ajuntou os [6] prophetas no monte Carmelo.

21 Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando [7] coxeareis entre dois pensamentos? se o Senhor é Deus, segui-o; e se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.

Elias e os prophetas de Baal.

22 Então disse Elias ao povo: Eu só [8] fiquei por propheta do Senhor, e os prophetas de Baal são quatrocentos e cincoenta homens.

23 Dêem-se-nos pois dois bezerros, e elles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe mettam fogo, e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe metterei fogo.

24 Então invocae o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor: e ha de ser que o deus que responder por fogo [9] esse será Deus. E todo o povo respondeu, e disseram: É boa esta palavra.

25 E disse Elias aos prophetas de Baal: Escolhei para vós um dos bezerros, e preparae-o primeiro, porque sois muitos, e invocae o nome do vosso deus, e não lhe mettaes fogo.

26 E tomaram o bezerro que lhes déra, e o prepararam; e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio dia, dizendo: Ah Baal, responde-nos! Porém nem havia [10] voz, nem quem respondesse: e saltavam sobre o altar que se tinha feito.

27 E succedeu que ao meio dia Elias zombava d’elles, e dizia: Clamae em altas vozes, porque elle é um deus; pode ser que esteja fallando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; porventura dorme, e despertará.

28 E elles clamavam a grandes vozes, e se retalhavam com facas [11] e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si.

29 E succedeu que, passado o meio dia, prophetizaram [12] elles, até que a offerta de manjares se offerecesse: porém não houve voz, nem resposta, nem attenção alguma.

30 Então Elias disse a todo o povo: Chegae-vos a mim. E todo o povo se chegou a elle; e reparou [13] o altar do Senhor, que estava quebrado.

31 E Elias tomou doze pedras, conforme ao numero das tribus dos filhos de Jacob, ao qual veiu a palavra do Senhor, dizendo: [14] Israel será o teu nome.

32 E com aquellas pedras edificou o altar em nome [15] do Senhor: depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente.

33 Então armou [16] a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o poz sobre a lenha,

34 E disse: Enchei de agua quatro cantaros, e derramae-a [17] sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez: e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez: e o fizeram terceira vez;

35 De maneira que a agua corria ao redor do altar: e ainda até o [18] rego encheu de agua.

36 Succedeu pois que, offerecendo-se a offerta de manjares, o propheta Elias se chegou, e disse: Ó Senhor, Deus de Abrahão, [19] de Isaac e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme á tua palavra fiz todas estas coisas.

37 Responde-me, Senhor, responde-me,[352] para que este povo conheça que tu, Senhor, és Deus, e que tu fizeste tornar o seu coração para traz.

38 Então caiu fogo [20] do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a agua que estava no rego.

39 O que vendo todo o povo, cairam sobre os seus rostos, e disseram: [21] o Senhor é Deus! o Senhor é Deus!

40 E Elias lhe disse: [22] Lançae mão dos prophetas de Baal, que nenhum d’elles escape. E lançaram mão d’elles: e Elias os fez descer ao ribeiro de Kison, e ali os [23] matou.

41 Então disse Elias a Achab: Sobe, come e bebe, porque ruido ha d’uma abundante chuva.

42 E Achab subiu a comer e a beber; mas Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou [24] por terra, e metteu o seu rosto entre os seus joelhos.

43 E disse ao seu moço: Sobe agora, e olha para a banda do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não ha nada. Então disse elle: Torna sete vezes.

44 E succedeu que, á setima vez, disse: Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão d’um homem, subindo do mar. Então disse elle: Sobe, e dize a Achab: Apparelha o teu carro, e desce, para que a chuva te não apanhe.

45 E succedeu que, entretanto, os céus se ennegreceram com nuvens e vento, e veiu uma grande chuva: e Achab subiu ao carro, e foi para Jezreel.

46 E a mão do Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu [25] os lombos, e veiu correndo perante Achab, até á entrada de Jezreel.

[1] Luc. 4.25. Thi. 5.17. Deu. 28.12.

[2] II Reis 2.16. Eze. 3.12, 14. Mat. 4.1. Act. 8.39.

[3] cap. 21.20. Jos. 7.25. Act. 16.20.

[4] II Chr. 15.2.

[5] Jos. 19.26. cap. 16.33.

[6] cap. 22.6.

[7] II Reis 17.41. Mat. 6.24. Jos. 24.15.

[8] cap. 19.10, 14. ver. 19.

[9] ver. 38. I Chr. 21.26.

[10] Jer. 10.5. I Cor. 8.4 e 12.2.

[11] Lev. 19.28. Deu. 14.1.

[12] I Cor. 11.4, 5. ver. 26.

[13] cap. 19.10.

[14] Gen. 32.28 e 35.10. II Reis 17.34.

[15] Col. 3.17.

[16] Lev. 1.6, 7, 8.

[17] Jui. 6.20.

[18] ver. 32, 38.

[19] Exo. 3.6. cap. 8.43. II Reis 19.19. Num. 16.28.

[20] Lev. 9.24. Jui. 6.21. I Chr. 21.26. II Chr. 7.1.

[21] ver. 24.

[22] II Reis 10.25.

[23] Deu. 13.5 e 18.20.

[24] Thi. 5.17, 18.

[25] II Reis 4.29 e 9.1.

Jezabel ameaça Elias.

19 E Achab fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara [1] todos os prophetas á espada.

2 Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam [2] os deuses, e outro tanto, se de certo ámanhã a estas horas não pozer a tua vida como a d’um d’elles.

3 O que vendo elle, se levantou, e, para escapar com vida, se foi, e veiu a Berseba, que é de Judah, e deixou ali o seu moço.

4 E elle se foi ao deserto, caminho de um dia, e veiu, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu em seu [3] animo a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus paes.

5 E deitou-se, e dormiu debaixo d’um zimbro: e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come.

6 E olhou, e eis que á sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brazas, e uma botija de agua: e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se.

7 E o anjo do Senhor tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho.

Elias no monte de Horeb.

8 Levantou-se pois, e comeu e bebeu: e com a força d’aquella comida caminhou quarenta dias [4] e quarenta noites até Horeb, o monte de Deus.

9 E ali entrou n’uma caverna e passou ali a noite: e eis que a palavra do Senhor veiu a elle, e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

10 E elle disse: [5] Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos Exercitos, porque os filhos d’Israel deixaram o teu concerto, derribaram [6] os teus altares, e mataram os teus prophetas á espada, e eu só fiquei, e buscam a minha vida para m’a tirarem.

11 E elle lhe disse: Sae para fóra, [7] e põe-te n’este monte perante a face do Senhor. E eis que passava o Senhor, como tambem um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor; porém o Senhor não estava no vento: e depois do vento um terremoto: tambem o Senhor não estava no terremoto:

12 E depois do terremoto um fogo; porém tambem o Senhor não estava no fogo: e depois do fogo uma voz mansa e delicada.

13 E succedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu [8] o seu rosto na sua capa, e saiu para fóra, e poz-se á entrada da caverna: e eis que veiu a elle uma voz, que dizia: [9] Que fazes aqui, Elias?

14 E elle disse: Eu tenho sido em extremo [10] zeloso pelo Senhor Deus dos exercitos, porque os filhos d’Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares, e mataram os teus prophetas á espada, e só eu fiquei; e buscam a minha vida para m’a tirarem.

15 E o Senhor lhe disse: Vae, torna-te pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e vem, [11] e unge a Hazael rei sobre a Syria.

16 Tambem a Jehu, [12] filho de Nimsi,[353] ungirás rei d’Israel: e tambem a Eliseo, filho de Saphat de Abel-mehola, ungirás propheta em teu logar.

17 E ha de ser que [13] o que escapar da espada de Hazael matal-o-ha Jehu: e o que escapar da espada de Jehu matal-o-ha [14] Eliseo.

18 Tambem eu fiz ficar [15] em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda a bocca [16] que o não beijou.

19 Partiu pois Elias d’ali, e achou a Eliseo, filho de Saphat, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante d’elle, e elle estava com a duodecima: e Elias passou por elle, e lançou a sua capa sobre elle.

20 Então deixou elle os bois, e correu apoz Elias: e disse: Deixa-me [17] beijar a meu pae e a minha mãe, e então te seguirei. E elle lhe disse: Vae, e volta; porque que te tenho eu feito?

21 Voltou pois de atraz d’elle, e tomou uma junta de bois, e os matou, e com os apparelhos dos bois cozeu [18] as carnes, e as deu ao povo, e comeram: então se levantou e seguiu a Elias, e o servia.

[1] cap. 18.40.

[2] Ruth 1.17. cap. 20.10. II Reis 6.31.

[3] Num. 11.15. Jon. 4.3, 8.

[4] Exo. 34.28. Deu. 9.9, 18. Mat. 4.2. Exo. 3.1.

[5] Rom. 11.3. Num. 25.11, 13. Psa. 69.9.

[6] cap. 18.4. cap. 18.22. Rom. 11.3.

[7] Exo. 24.12. Eze. 1.4 e 37.7.

[8] Exo. 3.6. Isa. 6.2.

[9] ver. 9.

[10] ver. 10.

[11] II Reis 8.12, 13.

[12] II Reis 9.1, 3.

[13] II Reis 8.12 e 9.14, etc. e 10.6, etc. e 13.3.

[14] Ose. 6.5.

[15] Rom. 11.4.

[16] Ose. 13.2.

[17] Mat. 8.21, 22. Luc. 9.61, 62.

[18] II Sam. 24.22.

Guerra entre Achab e o rei da Syria.

Antes de Christo 901

20 E Ben-hadad, rei da Syria, ajuntou todas as suas forças: e trinta e dois reis, e cavallos e carros havia com elle: e subiu, e cercou a Samaria, e pelejou contra ella.

2 E enviou á cidade mensageiros, a Achab, rei de Israel.

3 E disse-lhe: Assim diz Ben-hadad: A tua prata e o teu oiro são meus; e tuas mulheres e os melhores de teus filhos são meus.

4 E respondeu o rei de Israel, e disse: Conforme a tua palavra, ó rei meu senhor, teu sou eu, e tudo quanto tenho.

5 E tornaram a vir os mensageiros, e disseram: Assim falla Ben-hadad, dizendo: Ainda que eu te mandei dizer: Tu me has de dar a tua prata, e o teu oiro, e as tuas mulheres e os teus filhos;

6 Todavia ámanhã a estas horas enviarei os meus servos a ti, e esquadrinharão a tua casa, e as casas dos teus servos: e ha de ser que tudo o que fôr aprazivel aos teus olhos o metterão nas suas mãos, e o levarão.

7 Então o rei de Israel chamou a todos os anciãos da terra, e disse: Notae agora, e vêde como este busca mal; pois enviara a mim por minhas mulheres, e por meus filhos, e pela minha prata, e pelo meu oiro, e não lh’o neguei.

8 E todos os anciãos e todo o povo lhe disseram: Não lhe dês ouvidos, nem consintas.

9 Pelo que disse aos mensageiros de Ben-hadad: Dizei ao rei, meu senhor: Tudo o que primeiro mandaste pedir a teu servo, farei, porém isto não posso fazer. E foram os mensageiros, e lhe tornaram a dar esta resposta.

10 E Ben-hadad enviou a elle, e disse: Assim me façam os [1] deuses, e outro tanto, que o pó de Samaria não bastará para encher as mãos de todo o povo que me segue.

11 Porém o rei de Israel respondeu, e disse: Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge, como aquelle que se descinge.

12 E succedeu que, ouvindo elle esta palavra, estando bebendo [2] elle e os reis nas tendas, disse aos seus servos: Ponde-vos em ordem contra a cidade.

13 E eis que um propheta se chegou a Achab rei de Israel, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Viste toda esta grande multidão? eis que hoje t’a entregarei [3] nas tuas mãos, para que saibas que eu sou o Senhor.

14 E disse Achab: Por quem? E elle disse: Assim diz o Senhor: Pelos moços dos principes das provincias. E disse: Quem começará a peleja? E disse: Tu.

15 Então contou os moços dos principes das provincias, e foram duzentos e trinta e dois: e depois d’elles contou a todo o povo, todos os filhos de Israel, sete mil.

16 E sairam ao meio dia: e Ben-hadad estava bebendo [4] e embriagando-se nas tendas, elle e os reis, os trinta e dois reis, que o ajudavam.

17 E os moços dos principes das provincias sairam primeiro: e Ben-hadad enviou a alguns, que lhe deram avisos, dizendo: Sairam de Samaria uns homens.

18 E elle disse: Ainda que para paz saissem, tomae-os vivos: e ainda que á peleja saissem, vivos os tomae.

19 Sairam pois da cidade os moços dos principes das provincias, e o exercito que os seguia.

20 E elles feriram cada um o seu homem, e os syros fugiram, e Israel os perseguiu: porém Ben-hadad, rei da Syria, escapou a cavallo, com alguns cavalleiros.

21 E saiu o rei de Israel, e feriu os cavallos e os carros: e feriu os syros com grande estrago.

22 Então o propheta chegou-se ao rei de Israel e lhe disse: Vae, esforça-te, e[354] attenta, e olha o que has de fazer; porque [5] no decurso d’um anno o rei da Syria subirá contra ti.

23 Porque os servos do rei da Syria lhe disseram: Seus deuses são deuses dos montes, por isso foram mais fortes do que nós: mas pelejemos com elles em campo raso, e por certo, veremos, se não somos mais fortes do que elles!

24 Faze pois isto: tira os reis, cada um do seu logar, e põe capitães em seu logar.

25 E numera outro exercito, como o exercito que caiu de ti, e cavallos como aquelles cavallos, e carros como aquelles carros, e pelejemos com elles em campo raso, e veremos se não somos mais fortes do que elles! E deu ouvidos á sua voz, e assim fez.

26 E succedeu que, passado um anno, Ben-hadad fez revista dos syros, e subiu a [6] Afek, para pelejar contra Israel.

27 Tambem dos filhos d’Israel se fez revista, e providos de viveres marcharam contra elles; e os filhos de Israel acamparam-se defronte d’elles, como dois pequenos rebanhos de cabras; mas os syros enchiam a terra.

28 E chegou o homem de Deus, e fallou ao rei de Israel, e disse: Assim diz o Senhor: Porquanto os syros disseram: O Senhor é Deus dos montes, e não Deus dos valles: toda esta grande multidão [7] entregarei nas tuas mãos: para que saibas que eu sou o Senhor.

29 E sete dias estiveram estes acampados defronte dos outros: e succedeu ao setimo dia que a peleja começou, e os filhos de Israel feriram dos syros cem mil homens de pé, n’um dia.

30 E os restantes fugiram a Afek, á cidade; e caiu o muro sobre vinte e sete mil homens, que restaram: Ben-hadad porém fugiu, e veiu á cidade, andando de camara em camara.

Achab vence os syros e faz alliança com o seu rei.

31 Então lhe disseram os seus servos: Eis que já temos ouvido que os reis da casa de Israel são reis clementes: ponhamos pois saccos [8] aos lombos, e cordas ás cabeças, e saiamos ao rei de Israel; pode ser que guarde em vida a tua alma.

32 Então cingiram saccos aos lombos e cordas ás cabeças, e vieram ao rei de Israel, e disseram: Diz o teu servo Ben-hadad: Deixa-me viver. E disse elle: Pois ainda vive? é meu irmão.

33 E aquelles homens tomaram isto por bom presagio, e apressaram-se em apanhar a sua palavra, e disseram: Teu irmão Ben-hadad vive. E elle disse: Vinde, trazei-m’o. Então Ben-hadad saiu a elle, e elle o fez subir ao carro.

34 E disse elle: As cidades que meu pae tomou de teu pae t’as restituirei, [9] e faze para ti ruas em Damasco, como meu pae as fez em Samaria. E eu, respondeu Achab, te deixarei ir com esta alliança. E fez com elle alliança e o deixou ir.

Antes de Christo 900

35 Então um [10] dos homens dos filhos dos prophetas disse ao seu companheiro, pela palavra do Senhor: Ora fere-me. E o homem recusou feril-o.

36 E elle lhe disse: Porque não obedeceste á voz do Senhor, eis que, em te apartando de mim, um leão te ferirá. E, como d’elle se apartou, [11] um leão o encontrou e o feriu.

37 Depois encontrou outro homem, e disse-lhe: Ora fere-me. E feriu-o aquelle homem, ferindo-o e vulnerando-o.

38 Então foi o propheta, e poz-se perante o rei no caminho: e disfarçou-se com cinza sobre os seus olhos.

39 E succedeu que, [12] passando o rei, clamou elle ao rei, e disse: Teu servo saiu ao meio da peleja, e eis que, desviando-se um homem, me trouxe outro homem, e disse: Guarda-me este homem; se vier a faltar, será a tua vida em logar da vida d’elle, [13] ou pagarás um talento de prata.

40 Succedeu pois que, estando o teu servo occupado d’uma e d’outra parte, entretanto desappareceu. Então o rei de Israel lhe disse: Esta é a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste.

41 Então elle se apressou, e tirou a cinza de sobre os seus olhos; e o rei de Israel o reconheceu, que era um dos prophetas.

42 E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Porquanto [14] soltaste da mão o homem que eu havia posto para destruição, a tua vida será em logar da sua vida, e o teu povo em logar do seu povo.

43 E foi-se o rei de Israel a sua casa, [15] desgostoso e indignado: e veiu a Samaria.

[1] cap. 19.2.

[2] ver. 16.

[3] ver. 28.

[4] ver. 12. cap. 16.9.

[5] II Chr. 11.1.

[6] Jos. 13.4.

[7] ver. 13.

[8] Gen. 37.34.

[9] cap. 15.20.

[10] II Reis 2.3, 5, 7, 15. cap. 13.17, 18.

[11] cap. 13.24.

[12] II Sam. 12.1, etc.

[13] II Reis 10.24.

[14] cap. 22.31-37.

[15] cap. 21.4.

Naboth recusa vender a sua vinha a Achab.

Antes de Christo 899

21 E succedeu depois d’estas coisas, tendo Naboth, o jezreelita uma vinha, que em Jezreel estava junto ao palacio de Achab, rei de Samaria,

2 Que Achab fallou a Naboth, dizendo:[355] Dá-me a tua vinha, [1] para que me sirva de horta pois está visinha ao pé da minha casa; e te darei por ella outra vinha melhor do que ella: ou, se parece bem aos teus olhos, dar-te-hei a sua valia em dinheiro.

3 Porém Naboth disse a Achab: [2] Guarde-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus paes.

4 Então Achab veiu desgostoso e indignado á sua casa, por causa da palavra que Naboth, o jezreelita, lhe fallara, dizendo: Não te darei a herança de meus paes. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.

5 Porém, vindo a elle Jezabel, sua mulher, lhe disse: Que ha, que está tão desgostoso o teu espirito, e não comes pão?

6 E elle lhe disse: Porque fallei a Naboth, o jezreelita, e lhe disse: Dá-me a tua vinha por dinheiro; ou, se te apraz, te darei outra vinha em seu logar. Porém elle disse: Não te darei a minha vinha.

7 Então Jezabel, sua mulher lhe disse: Governas tu agora no reino de Israel? levanta-te, come pão, e alegre-se o teu coração: eu te darei a vinha de Naboth, o jezreelita.

Jezabel ordena a morte de Naboth.

8 Então escreveu cartas em nome de Achab, e as sellou com o seu sinete; e mandou as cartas aos anciãos e aos nobres que havia na sua cidade e habitavam com Naboth.

9 E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoae um jejum, e ponde a Naboth acima do povo.

10 E ponde defronte d’elle dois homens, filhos de Belial, que testemunhem contra elle, dizendo: Blasphemaste [3] contra Deus e contra o rei: e trazei-o fóra, e apedrejae-o para que morra.

11 E os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que habitavam na sua cidade, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava escripto nas cartas que lhes mandara.

12 Apregoaram [4] um jejum, e pozeram a Naboth acima do povo.

13 Então vieram dois homens, filhos de Belial, e pozeram-se defronte d’elle; e os homens, filhos de Belial, testemunharam contra elle, contra Naboth, perante o povo, dizendo: Naboth blasphemou contra Deus e contra o rei. E o levaram [5] para fóra da cidade, e o apedrejaram com pedras, e morreu.

14 Então enviaram a Jezabel, dizendo: Naboth foi apedrejado, e morreu.

15 E succedeu que, ouvindo Jezabel que já fôra apedrejado Naboth, e morrera, disse Jezabel a Achab: Levanta-te, e possue a vinha de Naboth, o jezreelita, a qual te recusou dar por dinheiro; porque Naboth não vive, mas é morto.

16 E succedeu que, ouvindo Achab, que Naboth era morto, Achab se levantou, para descer para a vinha de Naboth, o jezreelita, para a possuir.

Deus manda Elias ameaçar a Achab.

17 Então veiu a palavra do Senhor a Elias, o tesbita, dizendo:

18 Levanta-te, desce para encontrar-te com Achab, rei de Israel, que está [6] em Samaria: eis que está na vinha de Naboth, aonde tem descido para a possuir.

19 E fallar-lhe-has, dizendo: Assim diz o Senhor: Porventura não mataste e tomaste a herança? Fallar-lhe-has mais, dizendo: Assim diz o Senhor: No [7] logar em que os cães lamberam o sangue de Naboth os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo,

20 E disse Achab a Elias: Já me achaste, [8] inimigo meu? E elle disse: Achei-te; porquanto já [9] te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor.

21 Eis que trarei [10] mal sobre ti, e arrancarei a tua posteridade, e arrancarei de Achab a todo o homem, como tambem o encerrado e o desamparado em Israel;

22 E farei a tua casa como a casa de Jeroboão, [11] filho de Nebat, e como a casa de Baása, filho de Ahias: por causa da provocação, com que me provocaste e fizeste peccar a Israel.

23 E tambem ácerca de [12] Jezabel fallou o Senhor, dizendo: Os cães comerão a Jezabel junto ao antemuro de Jezreel.

24 Aquelle que de Achab [13] morrer na cidade os cães o comerão: e o que morrer no campo as aves do céu o comerão.

25 Porém [14] ninguem fôra como Achab, que se vendera para fazer o que era máu aos olhos do Senhor: porque [15] Jezabel, sua mulher, o incitava.

26 E fez grandes abominações, seguindo[356] [16] os idolos, conforme a tudo o que fizeram os amorrheos, os quaes o Senhor lançou fóra da sua possessão, de diante dos filhos de Israel.

27 Succedeu pois que Achab, ouvindo estas palavras, rasgou os seus vestidos, e cobriu a sua carne de [17] sacco, e jejuou: e jazia em sacco, e andava mansamente.

28 Então veiu a palavra do Senhor a Elias tesbita, dizendo:

29 Não viste que Achab se humilha perante mim? porquanto pois se humilha perante mim, não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho trarei este mal [18] sobre a sua casa.

[1] I Sam. 8.14.

[2] Lev. 25.23. Num. 36.7. Eze. 46.18.

[3] Exo. 22.38. Lev. 24.15, 16. Act. 6.11. Lev. 24.14.

[4] Isa. 58.4.

[5] II Reis 9.26.

[6] cap. 13.32. II Chr. 22.9.

[7] cap. 22.38.

[8] cap. 18.17.

[9] II Reis 17.17. Rom. 7.14.

[10] cap. 14.10. II Reis 9.8. I Sam. 25.22. cap. 14.10.

[11] cap. 15.29. cap. 16.3, 11.

[12] II Reis 9.36.

[13] cap. 14.11 e 16.4.

[14] cap. 16.30, etc.

[15] cap. 16.31.

[16] Gen. 15.16. II Reis 21.11.

[17] Gen. 37.34.

[18] II Reis 9.25.

Achab faz alliança com Josaphat.

Antes de Christo 897

22 E estiveram quietos tres annos, não havendo guerra entre Syria e Israel.

2 Porém no terceiro anno succedeu que [1] Josaphat, rei de Judah, desceu para o rei de Israel.

3 E o rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que [2] Ramoth de Gilead é nossa? e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Syria?

4 Então disse a Josaphat: Irás tu comigo á peleja a Ramoth de Gilead? E disse Josaphat ao rei de Israel: Serei como tu, e [3] o meu povo como o teu povo, e os meus cavallos como os teus cavallos.

5 Disse mais Josaphat ao rei d’Israel: Consulta porém primeiro hoje a palavra do Senhor.

6 Então o rei de Israel ajuntou [4] os prophetas até quasi quatrocentos homens, e disse-lhes: Irei á peleja contra Ramoth de Gilead, ou deixarei de ir? E elles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará na mão do rei.

7 Disse porém Josaphat: [5] Não ha aqui ainda algum propheta do Senhor, ao qual possamos consultar?

8 Então disse o rei de Israel a Josaphat: Ainda ha um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o aborreço, porque nunca prophetiza de mim bem, mas só mal; este é Micha, filho de Imla. E disse Josaphat: Não falle o rei assim.

9 Então o rei de Israel chamou um eunucho, e disse: Traze-me depressa a Micha, filho de Imla,

10 E o rei de Israel e Josaphat, rei de Judah, estavam assentados cada um no seu throno, vestidos de vestiduras reaes, na praça, á entrada da porta de Samaria: e todos os prophetas prophetizavam na sua presença.

11 E Zedekias, filho de Chanaana, fez para si uns cornos de ferro, e disse: Assim diz o Senhor: Com estes escornearás aos syros, até de todo os consumir.

12 E todos os prophetas prophetizaram assim, dizendo: Sobe a Ramoth de Gilead, e prosperarás, porque o Senhor a entregará na mão do rei.

13 E o mensageiro que foi chamar a Micha fallou-lhe, dizendo: Vês aqui que as palavras dos prophetas a uma voz predizem coisas boas para o rei: seja pois a tua palavra como a palavra d’um d’elles, e falla bem.

14 Porém Micha disse: Vive o Senhor, que o que o [6] Senhor me disser isso fallarei.

15 E, vindo elle ao rei, o rei lhe disse: Micha, iremos a Ramoth de Gilead á peleja, ou deixaremos de ir? E elle lhe disse: Sobe, e serás prospero; porque o Senhor a entregará na mão do rei.

16 E o rei lhe disse: Até quantas vezes te conjurarei, que me não falles senão a verdade em nome do Senhor?

17 Então disse elle: Vi a todo o Israel disperso [7] pelos montes, como ovelhas que não teem pastor; e disse o Senhor: Estes não teem senhor; torne cada um em paz para sua casa.

18 Então o rei de Israel disse a Josaphat: Não te disse eu, que nunca prophetizará de mim bem, senão só mal?

19 Então disse elle: Ouve [8] pois a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado sobre o seu throno, e todo o exercito do céu estava junto a elle, á sua mão direita e á sua esquerda.

20 E disse o Senhor: Quem induzirá Achab, a que suba, e caia em Ramoth de Gilead? E um dizia d’esta maneira e outro d’outra.

21 Então saiu um espirito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu induzirei. E o Senhor lhe disse: Com que?

22 E disse elle: Eu sairei, e serei um espirito de mentira na bocca de todos os seus prophetas. E elle disse: Tu o induzirás, [9] e ainda prevalecerás; sae, e faze assim.

23 Agora pois, eis que [10] o Senhor poz o espirito de mentira na bocca de todos[357] estes teus prophetas, e o Senhor fallou mal contra ti.

24 Então Zedekias, filho de Chanaana, chegou, e feriu a Micha no queixo: e disse: [11] Por onde passou de mim o espirito do Senhor para fallar a ti?

25 E disse Micha: Eis que o verás n’aquelle mesmo dia, quando entrares de camara em camara, para te esconderes.

26 Então disse o rei de Israel: Tomae a Micha, e tornae a trazel-o a Amon, o chefe da cidade, e a Joás filho do rei,

27 E direis: Assim diz o rei: Mettei este homem na casa do carcere, e sustentae-o com o pão de angustia, e com agua de amargura, até que eu venha em paz.

28 E disse Micha: Se tu voltares em paz, o Senhor não tem fallado [12] por mim. Disse mais: Ouvi todos os povos!

A guerra contra os syros, e a morte de Achab.

29 Assim o rei de Israel e Josaphat, rei de Judah, subiram a Ramoth de Gilead.

30 E disse o rei de Israel a Josaphat: Eu me disfarçarei, e entrarei na peleja; tu porém veste os teus vestidos. Disfarçou-se [13] pois o rei de Israel, e entrou na peleja.

31 E o rei da Syria deu ordem aos chefes dos carros, de que tinha trinta e dois, dizendo: Não pelejareis nem contra pequeno nem contra grande, mas só contra o rei de Israel.

32 Succedeu pois que, vendo os chefes dos carros a Josaphat, disseram elles: Certamente este é o rei de Israel. E chegaram-se a elle, para pelejar com elle: porém Josaphat [14] exclamou.

33 E succedeu que, vendo os chefes dos carros que não era o rei d’Israel deixaram de seguil-o.

34 Então um homem entesou o arco, na sua simplicidade, e feriu o rei d’Israel por entre as fivelas e as couraças; então elle disse ao seu carreteiro: Vira a tua mão, e tira-me do exercito, porque estou gravemente ferido.

35 E a peleja foi crescendo n’aquelle dia, e o rei parou no carro defronte dos syros: porém elle morreu á tarde; e o sangue da ferida corria no fundo do carro.

36 E depois do sol posto passou um pregão pelo exercito, dizendo: Cada um para a sua cidade, e cada um para a sua terra!

37 E morreu o rei, e o levaram a Samaria: e sepultaram o rei em Samaria.

38 E, lavando-se o carro no tanque de Samaria, os cães lamberam o seu sangue (ora [KI] as prostitutas se lavavam ali), [15] conforme á palavra do Senhor, que tinha dito.

39 Quanto ao mais dos successos d’Achab, e a tudo quanto fez, e á casa de [16] marfim que edificou, e a todas as cidades que edificou, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel?

40 Assim dormiu Achab com seus paes; e Achazias, seu filho, reinou em seu logar.

O reinado de Josaphat e a sua morte.

41 E Josaphat, [17] filho de Asa, começou a reinar sobre Judah no quarto anno d’Achab, rei d’Israel.

42 E era Josaphat da edade de trinta e cinco annos quando começou a reinar; e vinte e cinco annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Azuba, filha de Silchi.

43 E andou [18] em todos os caminhos de seu pae Asa, não se desviou d’elles, fazendo o que era recto aos olhos do Senhor.

44 Todavia os altos não [19] se tiraram; ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos.

45 E Josaphat [20] esteve em paz com o rei de Israel.

46 Quanto ao mais dos successos de Josaphat, e ao poder que mostrou, e como guerreou, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

47 Tambem desterrou da terra o resto dos rapazes escandalosos, que [21] ficaram nos dias de seu pae Asa.

48 Então não havia [22] rei em Edom, porém um vice-rei.

49 E fez Josaphat [23] navios de Tarsis, para irem a Ophir por causa do oiro; porém não foram, porque os navios se quebraram em Ezion-geber.

50 Então Achazias, filho de Achab, disse a Josaphat: Vão os meus servos com os teus servos nos navios. Porém Josaphat não quiz.

51 E Josaphat dormiu [24] com seus paes, e foi sepultado junto a seus paes, na cidade de David, seu pae: e Jorão, seu filho, reinou em seu logar.

52 E Achazias, [25] filho d’Achab, começou a reinar em Samaria, no anno,[358] dezesete de Josaphat, rei de Judah: e reinou dois annos sobre Israel.

53 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; porque [26] andou no caminho de seu pae, como tambem no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

54 E serviu [27] a Baal, e se inclinou diante d’elle: e indignou ao Senhor Deus de Israel, conforme a tudo quanto fizera seu pae.

[1] II Chr. 18.2, etc.

[2] Deu. 4.43.

[3] II Reis 3.7.

[4] cap. 18.19.

[5] II Reis 3.11.

[6] Num. 22.38.

[7] Mat. 9.36.

[8] Psa. 6.1. Dan. 7.9. Job 1.6 e 2.1. Dan. 7.10. Zac. 1.10. Mat. 18.16. Heb. 1.7, 14.

[9] Jui. 9.23. Job 12.16. Eze. 14.9. II The. 2.11.

[10] Eze. 14.9.

[11] II Chr. 18.23.

[12] Num. 16.29. Deu. 18.20, 21, 22.

[13] II Chr. 35.22.

[14] II Chr. 18.31. Pro. 13.20.

[15] cap. 21.19.

[16] Amós 3.15.

[17] II Chr. 20.31.

[18] II Chr. 17.3.

[19] cap. 14.23 e 15.14. II Reis 12.3.

[20] II Chr. 18.2. II Cor. 6.14.

[21] cap. 14.24 e 15.12.

[22] Gen. 25.23. II Sam. 8.14. II Reis 3.9 e 8.20.

[23] II Chr. 20.35, etc. cap. 10.22. II Chr. 20.37. cap. 9.26.

[24] II Sam. 21.1.

[25] ver. 40.

[26] cap. 15.26.

[27] Jui. 2.11. cap. 16.31.


O SEGUNDO LIVRO DOS REIS.

Moab rebella-se contra Israel e Achazias adoece.

Antes de Christo 896

1 E depois da morte de Achab, [1] Moab se rebellou contra Israel.

2 E caiu Achazias pelas grades d’um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu: e enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntae a Baal-zebub, deus de Ekron, [2] se sararei d’esta doença.

3 Mas o anjo do Senhor disse a Elias tesbita: Levanta-te, sobe para encontrar-te com os mensageiros do rei de Samaria: e dize-lhes: Porventura não ha Deus em Israel, que vades consultar a Baal-zebub, deus de Ekron?

4 E por isso assim diz o Senhor: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu.

5 E os mensageiros voltaram para elle; e elle lhes disse: Que ha, que voltastes?

6 E elles lhe disseram: Um homem nos saiu ao encontro, e nos disse: Ide, voltae para o rei que vos mandou, e dizei-lhe: Assim diz o Senhor: Porventura não ha Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-zebub, deus de Ekron? Portanto da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás.

7 E elle lhes disse: Qual era o trajo do homem que vos veiu ao encontro e vos fallou estas palavras?

8 E elles lhe disseram: Um homem era vestido de pellos, [3] e com os lombos cingidos d’um cinto de coiro. Então disse elle: É Elias, o tesbita.

O fogo do céu consome cem homens.

9 Então lhe enviou um capitão de cincoenta: e, subindo a elle, (porque eis que estava assentado no cume do monte), disse-lhe: Homem de Deus, o rei diz: Desce.

10 Mas Elias respondeu, e disse ao capitão de cincoenta: Se eu pois sou homem de Deus, desça fogo [4] do céu, e te consuma a ti e aos teus cincoenta. Então fogo desceu do céu, e o consumiu a elle e aos seus cincoenta.

11 E tornou a enviar-lhe outro capitão de cincoenta, com os seus cincoenta; este lhe fallou, e disse: Homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa.

12 E respondeu Elias, e disse-lhe: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cincoenta. Então fogo de Deus desceu do céu, e o consumiu a elle e aos seus cincoenta.

13 E tornou a enviar outro capitão dos terceiros cincoenta, com os seus cincoenta: então subiu o capitão de cincoenta, e veiu, e poz-se de joelhos diante de Elias, e supplicou-lhe, e disse-lhe: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos [5] a minha vida, e a vida d’estes cincoenta teus servos.

14 Eis que fogo desceu do céu, e consumiu aquelles dois primeiros capitães de cincoenta, com os seus cincoenta: porém agora seja preciosa aos teus olhos a minha vida.

15 Então o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este, não temas. E levantou-se, e desceu com elle ao rei.

16 E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Porque enviaste mensageiros a consultar a Baal-zebub, deus d’Ekron? Porventura é porque não ha Deus em Israel, para consultar a sua palavra? portanto d’esta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás.

17 Assim pois morreu, conforme á palavra do Senhor, que Elias fallara; e Jorão começou a reinar no seu logar no anno segundo de Jehorão, filho de Josaphat rei de Judah: porquanto não tinha filho.

[359]

18 O mais dos feitos de Achazias, que tinha feito, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel?

[1] II Sam. 8.2. cap. 3.5.

[2] I Sam. 5.10.

[3] Zac. 13.4. Mat. 3.4.

[4] Luc. 9.54.

[5] I Sam. 26.21.

Elias é elevado ao céu n’um carro de fogo.

2 Succedeu [1] pois que, havendo o Senhor de elevar a Elias n’um redemoinho ao céu, Elias partiu com Eliseo de Gilgal.

2 E disse Elias a Eliseo: Fica-te aqui, [2] porque o Senhor me enviou a Bethel. Porém Eliseo disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim foram a Bethel.

3 Então os filhos dos prophetas que estavam em Bethel sairam [3] a Eliseo, e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? E elle disse: Tambem eu bem o sei; calae-vos.

4 E Elias lhe disse: Eliseo, fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Jericó. Porém elle disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim vieram a Jericó.

5 Então os filhos dos prophetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseo, e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? E elle disse: Tambem eu bem o sei; calae-vos.

6 E Elias disse: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou ao Jordão. Mas elle disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim ambos foram juntos.

7 E foram cincoenta homens dos filhos dos prophetas, e de longe pararam defronte: e elles ambos pararam junto ao Jordão.

8 Então Elias tomou a sua capa, e a dobrou, e feriu as aguas, as quaes se [4] dividiram para as duas bandas: e passaram ambos em secco.

9 Succedeu pois que, havendo elles passado, Elias disse a Eliseo: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseo: Peço-te que haja porção dobrada de teu espirito sobre mim.

10 E disse: Coisa dura pediste; se me vires quando fôr tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará.

11 E succedeu que, indo elles andando e fallando, eis que [5] um carro de fogo, com cavallos de fogo, os separou um do outro: e Elias subiu ao céu n’um redemoinho.

Eliseo, o successor de Elias.

12 O que vendo Eliseo, clamou: Meu pae, [6] meu pae, carros de Israel, e seus cavalleiros! E nunca mais o viu: e, travando dos seus vestidos, os rasgou em duas partes.

13 Tambem levantou a capa de Elias, que lhe caira: e tornou-se, e parou á borda do Jordão.

14 E tomou a capa de Elias, que lhe caira, e feriu as aguas, e disse: Onde está o Senhor, Deus de Elias? Então feriu [7] as aguas, e se dividiram ellas d’uma e outra banda; e Eliseo passou.

15 Vendo-o pois os filhos dos prophetas que estavam defronte em Jericó, disseram: [8] O espirito de Elias repousa sobre Eliseo. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante d’elle em terra.

16 E disseram-lhe: Eis que com teus servos ha cincoenta homens valentes; ora deixa-os ir para buscar a teu senhor; pode ser [9] que o elevasse o Espirito do Senhor, e o lançasse n’algum dos montes, ou n’algum dos valles. Porém elle disse: Não os envieis.

17 Mas elles apertaram com elle, até se enfastiar; e disse-lhes: Enviae. E enviaram cincoenta homens, que o buscaram tres dias, porém não o acharam.

18 Então voltaram para elle, tendo elle ficado em Jericó: e disse-lhes: Eu não vos disse que não fosseis?

19 E os homens da cidade disseram a Eliseo: Eis que boa é a habitação d’esta cidade, como o meu senhor vê; porém as aguas são más, e a terra é esteril.

20 E elle disse: Trazei-me uma salva nova, e ponde n’ella sal. E lh’a trouxeram.

21 Então saiu elle ao manancial das aguas, e deitou [10] sal n’elle; e disse: Assim diz o Senhor: Sararei a estas aguas; não haverá mais n’ellas morte nem esterilidade.

22 Ficaram pois sãs aquellas aguas até ao dia d’hoje, conforme á palavra que Eliseo tinha dito.

23 Então subiu d’ali a Bethel: e, subindo elle pelo caminho, uns moços pequenos sairam da cidade, e zombavam d’elle, e diziam-lhe: Sobe, calvo, sobe, calvo!

24 E, virando-se elle para traz, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor: então duas ursas sairam do bosque, e[360] despedaçaram d’elles quarenta e dois meninos.

25 E foi-se d’ali para o monte Carmelo: e d’ali voltou para Samaria.

[1] Gen. 5.24. I Reis 19.21.

[2] Ruth 1.15, 16. ver. 4, 6. I Sam. 1.26. cap. 4.30.

[3] ver. 5, 7, 15. I Reis 20.35. cap. 4.1, 38 e 9.1.

[4] Exo. 14.21. Jos. 3.16. ver. 14.

[5] cap. 6.17.

[6] cap. 13.14.

[7] ver. 8.

[8] ver. 7.

[9] I Reis 18.12. Eze. 8.3. Act. 8.39.

[10] Exo. 15.25. cap. 4.41 e 6.6. João 9.6.

Eliseo salva tres reis com os seus exercitos.

Antes de Christo 895

3 E Jorão, [1] filho de Achab, começou a reinar sobre Israel em Samaria no decimo oitavo anno de Josaphat, rei de Judah: e reinou doze annos.

2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; porém não como seu pae, nem como sua mãe; porque tirou a [KJ] estatua de Baal, que seu pae [2] fizera.

3 Comtudo adheriu aos peccados [3] de Jeroboão, filho de Nebat, que fizera peccar a Israel; não se apartou d’elles.

4 Então Mesa, rei dos moabitas, era contratante de gado, e pagava ao rei de Israel [4] cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã.

5 Succedeu porém que, morrendo Achab, [5] se rebellou o rei dos moabitas contra o rei de Israel.

6 Por isso Jorão ao mesmo tempo saiu de Samaria, e fez revista de todo o Israel.

7 E foi, e enviou a Josaphat, rei de Judah, dizendo: O rei dos moabitas se rebellou contra mim; irás tu comigo á guerra contra os moabitas? E disse elle: Subirei; e eu serei como tu, o meu povo [6] como o teu povo, e os meus cavallos como os teus cavallos.

8 E elle disse: Por que caminho subiremos? Então disse elle: Pelo caminho do deserto d’Edom.

9 E partiu o rei de Israel, e o rei de Judah, e o rei de Edom; e andaram rodeando com uma marcha de sete dias, e o exercito, e o gado que os seguia não tinham agua.

10 Então disse o rei de Israel: Ah! que o Senhor chamou a estes tres reis, para os entregar nas mãos dos moabitas.

11 E disse Josaphat: [7] Não ha aqui algum propheta do Senhor, para que consultemos ao Senhor por elle? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, e disse: Aqui está Eliseo, filho de Saphat, que deitava agua sobre as mãos de Elias.

12 E disse Josaphat: Está com elle a palavra do Senhor. Então o [8] rei de Israel, e Josaphat e o rei de Edom desceram a elle.

13 Mas Eliseo disse ao rei de Israel: Que tenho [9] eu comtigo? Vae aos prophetas de teu pae e aos prophetas de tua mãe. Porém o rei d’Israel lhe disse: Não, porque o Senhor chamou a estes tres reis para os entregar nas mãos dos moabitas.

14 E disse Eliseo: Vive [10] o Senhor dos Exercitos, em cuja presença estou, que se eu não respeitasse a presença de Josaphat, rei de Judah, não olharia para ti nem te veria.

15 Ora, pois, trazei-me [11] um tangedor. E succedeu que, tangendo o tangedor, veiu sobre elle a mão [12] do Senhor.

16 E disse: Assim diz o Senhor: [13] Fazei n’este valle muitas covas;

17 Porque assim diz o Senhor: Não vereis vento, e não vereis chuva; todavia este valle se encherá de tanta agua, que bebereis vós, e o vosso gado e os vossos animaes.

18 E ainda isto é pouco aos olhos do Senhor: tambem entregará elle os moabitas nas vossas mãos.

19 E ferireis a todas as cidades fortes, e a todas as cidades escolhidas, e todas as boas arvores cortareis, e entupireis todas as fontes d’agua, e damnificareis com pedras todos os bons campos.

20 E succedeu que pela manhã, offerecendo-se [14] a offerta de manjares, eis que vinham as aguas pelo caminho d’Edom: e a terra se encheu d’agua.

21 Ouvindo pois todos os moabitas que os reis tinham subido para pelejarem contra elles, convocaram a todos os que cingiam cinto e d’ahi para cima, e pozeram-se ás fronteiras.

22 E, levantando-se de madrugada, e saindo o sol sobre as aguas, viram os moabitas defronte d’elles as aguas vermelhas como o sangue.

23 E disseram: Isto é sangue; certamente que os reis se destruiram á espada e se mataram um ao outro! agora pois á preza, moabitas!

24 Porém, chegando elles ao arraial de Israel, os israelitas se levantaram, e feriram os moabitas, os quaes fugiram diante d’elles; e ainda os feriram nas suas terras, ferindo ali tambem os moabitas.

25 E arrazaram as cidades, e cada um lançou a sua pedra em todos os bons campos, e os entulharam, e entupiram todas as fontes d’aguas, e cortaram todas as boas arvores, até que em Kir-hareseth deixaram ficar as pedras, [15] mas os fundeiros a cercaram e a feriram.

[361]

26 Mas, vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra elle, tomou comsigo setecentos homens que arrancavam espada, para romperem contra o rei de Edom, porém não poderam.

27 Então [16] tomou a seu filho primogenito, que havia de reinar em seu logar, e o offereceu em holocausto sobre o muro; pelo que houve grande indignação em Israel: por isso retiraram-se [17] d’elle, e voltaram para a sua terra.

[1] cap. 1.17.

[2] I Reis 16.31, 32.

[3] I Reis 12.28, 31, 32.

[4] Isa. 16.1.

[5] cap. 1.1.

[6] I Reis 22.4.

[7] I Reis 22.7.

[8] cap. 2.25.

[9] Eze. 14.3. Jui. 10.14. Ruth 1.15. I Reis 18.10.

[10] I Reis 17.1. cap. 5.16.

[11] I Sam. 10.5.

[12] Eze. 1.3 e 3.14, 22 e 8.1.

[13] cap. 4.3.

[14] Exo. 29.39, 40.

[15] Isa. 16.7, 11.

[16] Amós 2.1.

[17] cap. 8.20.

Eliseo augmenta o azeite da viuva.

4 E uma mulher [1] das mulheres dos filhos dos prophetas, clamou a Eliseo, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor; e veiu o credor, a levar-me [2] os meus dois filhos para serem servos.

2 E Eliseo lhe disse: Que te hei de eu fazer? declara-me que é o que tens em casa. E ella disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija d’azeite.

3 Então disse elle: Vae, pede para ti vasos emprestados, [3] a todos os teus visinhos, vasos vasios, não poucos.

4 Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos aquelles vasos, e põe á parte o que estiver cheio.

5 Partiu pois d’elle, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e elles lhe traziam os vasos, e ella os enchia.

6 E succedeu que, cheios que foram os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém elle lhe disse: Não ha mais vaso nenhum. Então o azeite parou.

7 Então veiu ella, e o fez saber ao homem de Deus; e disse elle: Vae, vende o azeite, e paga a tua divida; e tu e teus filhos vivei do resto.

A sunamita e o seu filho.

8 Succedeu tambem um dia que, indo Eliseo a [4] Sunem, havia ali uma mulher grave, a qual o reteve a comer pão: e succedeu que todas as vezes que passava para ali se retirava a comer pão.

9 E ella disse a seu marido: Eis que tenho observado, que este que sempre passa por nós é um sancto homem de Deus.

10 Façamos-lhe pois um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, e uma mesa, e uma cadeira e um candieiro: e ha de ser que, vindo elle a nós, para ali se retirará.

11 E succedeu um dia que veiu ali, e retirou-se áquelle quarto, e se deitou ali.

12 Então disse ao seu moço Geazi: Chama esta sunamita. E chamando-a elle, ella se poz diante d’elle.

13 Porque lhe tinha dito: Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com todo o disvelo; que se ha de fazer por ti? haverá alguma coisa de que se falle por ti ao rei, ou ao chefe do exercito? E dissera ella: Eu habito no meio do meu povo.

14 Então disse elle: Que se ha de fazer pois por ella? E Geazi disse: Ora ella não tem filho, e seu marido é velho.

15 Pelo que disse elle: Chama-a. E, chamando-a elle, ella se poz á porta.

16 E elle disse: A este tempo determinado, [5] segundo o tempo da vida, abraçarás um filho. E disse ella: Não, meu senhor, homem de Deus, [6] não mintas á tua serva.

17 E concebeu a mulher, e pariu um filho, ao tal tempo determinado, segundo o tempo da vida que Eliseo lhe dissera.

18 E, crescendo o filho, succedeu que um dia saiu para seu pae que estava com os segadores.

19 E disse a seu pae: Ai, a minha cabeça! ai, a minha cabeça! Então disse a um moço: Leva-o a sua mãe.

20 E elle o tomou, e o levou a sua mãe: e esteve sobre os seus joelhos até ao meio dia, e morreu.

21 E subiu ella, e o deitou sobre a cama do homem de Deus; e fechou sobre elle a porta, e saiu.

22 E chamou a seu marido, e disse: Manda-me já um dos moços, e uma das jumentas, para que corra ao homem de Deus, e para que volte.

23 E disse elle: Porque vaes a elle hoje? não é lua nova nem sabbado. E ella disse: Tudo vae bem.

24 Então albardou a jumenta, e disse ao seu moço: Guia e anda, e não te detenhas no caminhar, senão quando eu t’o disser.

25 Partiu ella pois e veiu ao homem de Deus, ao monte [7] Carmelo: e succedeu que, vendo-a o homem de Deus de longe, disse a Geazi, seu moço: Eis ahi a sunamita.

26 Agora pois corre-lhe ao encontro e dize-lhe: Vae bem comtigo? vae bem com teu marido? Vae bem com teu filho? E ella disse: Vae bem.

27 Chegando ella pois ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés;[362] mas chegou Geazi para empuxal-a: disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma n’ella está triste de amargura, e o Senhor m’o encobriu, e não m’o manifestou.

28 E disse ella: Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me [8] enganes?

29 E elle disse a Geazi: Cinge [9] os teus lombos, e toma o meu bordão na tua mão, e vae; [10] se encontrares alguem, não o saudes; e se alguem te saudar, não lhe respondas: e põe o meu bordão sobre o rosto do menino.

30 Porém disse a mãe do menino: Vive o Senhor, [11] e vive a tua alma, que não te hei de deixar. Então elle se levantou, e a seguiu.

31 E Geazi passou diante d’elles, e poz o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia n’elle voz nem sentido; e voltou a encontrar-se com elle, e lhe trouxe aviso, dizendo: [12] Não despertou o menino.

32 E, chegando Eliseo áquella casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua cama.

33 Então [13] entrou elle, e fechou a porta sobre elles ambos, e orou ao Senhor.

34 E subiu, e deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua bocca sobre a bocca d’elle, e os seus olhos sobre os olhos d’elle, e as suas mãos sobre as mãos d’elle, se estendeu sobre elle: [14] e a carne do menino aqueceu.

35 Depois voltou, e passeou n’aquella casa d’uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre [15] elle; então o menino espirrou sete vezes, e o menino abriu os olhos.

36 Então chamou a Geazi, e disse: Chama esta sunamita. E chamou-a, e veiu a elle. E disse elle: Toma o teu filho.

37 E veiu ella, e se prostrou a seus pés, e se inclinou á terra; e tomou [16] o seu filho, e saiu.

A morte que havia na panella é tirada.

38 E, voltando Eliseo a Gilgal, havia fome [17] n’aquella terra, e os filhos dos prophetas estavam assentados na sua presença: e disse ao seu moço: Põe a panella grande ao lume, e faze um caldo de hervas para os filhos dos prophetas.

39 Então um saiu ao campo a apanhar hervas, e achou uma parra brava, e colheu d’ella a sua capa cheia de coloquintidas: e veiu, e as cortou na panella do caldo; porque as não conheciam.

40 Assim tiraram de comer para os homens. E succedeu que, comendo elles d’aquelle caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, ha morte na panella. [18] Não poderam comer.

41 Porém elle disse: [19] Trazei pois farinha. E deitou-a na panella, e disse: Tirae de comer para o povo. Então não havia mal nenhum na panella.

Vinte pães satisfazem cem homens.

42 E um homem veiu de Baal-salisha, [20] e trouxe ao homem de Deus pães das primicias, vinte pães de cevada, e espigas verdes na sua palha, e disse: Dá ao povo, para que coma.

43 Porém seu servo disse: Como [21] hei de eu pôr isto diante de cem homens? E disse elle: Dá-o ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comer-se-ha, e sobejará.

44 Então lh’os poz diante, e comeram, e deixaram sobejos, [22] conforme a palavra do Senhor.

[1] I Reis 20.35.

[2] Lev. 25.39. Mat. 18.25.

[3] cap. 3.16.

[4] Jos. 19.18.

[5] Gen. 18.10, 14.

[6] ver. 28.

[7] cap. 2.25.

[8] ver. 16.

[9] I Reis 18.46. cap. 9.1.

[10] Luc. 10.4. Exo. 7.19 e 14.16. cap. 2.8, 14. Act. 19.12.

[11] cap. 2.2.

[12] João 11.11.

[13] ver. 4. Mat. 6.6. I Reis 17.20.

[14] I Reis 17.21. Act. 20.10.

[15] I Reis 17.21. cap. 8.1, 5.

[16] I Reis 17.23. Heb. 11.35.

[17] cap. 2.1 e 8.1 e 2.3. Luc. 10.39. Act. 22.3.

[18] Exo. 10.17.

[19] Exo. 15.25. cap. 2.21 e 5.10. João 9.6.

[20] I Sam. 9.4 e 9.7. I Cor. 9.11. Gal. 6.6.

[21] Luc. 9.13. João 6.9. Luc. 9.17. João 6.11.

[22] Mat. 14.20 e 15.37. João 6.13.

Naaman é curado da lepra.

Antes de Christo 894

5 E Naaman, [1] chefe do exercito do rei da Syria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito; porque por elle o Senhor déra livremente aos syros: e era este varão homem valoroso, porém leproso.

2 E sairam tropas da Syria, da terra d’Israel e, levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naaman.

3 E disse esta á sua senhora: Oxalá que o meu senhor estivesse diante do propheta que está em Samaria: elle o restauraria da sua lepra.

4 Então entrou Naaman e o notificou a seu senhor, dizendo: Assim e assim fallou a menina que é da terra de Israel.

5 Então disse o rei da Syria: Vae, anda, e enviarei a carta ao rei de Israel. E foi, [2] e tomou na sua mão dez talentos de prata, e seis mil siclos de oiro e dez mudas de vestidos.

6 E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naaman,[363] meu servo, para que o restaures da sua lepra.

7 E succedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou os seus vestidos, e disse: [3] Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim, para eu restaurar a um homem da sua lepra? Pelo que devéras notae, peço-vos, e vede que busca occasião contra mim.

8 Succedeu porém que, ouvindo Eliseo, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara os seus vestidos, mandou dizer ao rei: Porque rasgaste os teus vestidos? deixa-o vir a mim, e saberá que ha propheta em Israel.

9 Veiu pois Naaman com os seus cavallos, e com o seu carro, e parou á porta da casa de Eliseo.

10 Então Eliseo lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vae, e lava-te sete [4] vezes no Jordão, e a tua carne te tornará, e ficarás purificado.

11 Porém Naaman muito se indignou, e se foi dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente elle sairá, pôr-se-ha em pé, e invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o logar, e restaurará o leproso.

12 Não são porventura Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as aguas de Israel? Não me poderia eu lavar n’elles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação.

13 Então chegaram-se a elle os seus servos, e lhe fallaram, e disseram: Meu pae, se o propheta te dissera alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te elle: Lava-te, e ficarás purificado.

14 Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus: e a sua [5] carne tornou, como a carne d’um menino, e ficou purificado.

15 Então voltou ao homem de Deus, elle e toda a sua comitiva, e veiu, e poz-se diante d’elle, e disse: Eis que tenho conhecido que em toda a terra não ha [6] Deus senão em Israel: agora pois te peço que tomes uma benção do teu servo.

16 Porém elle disse: [7] Vive o Senhor, em cuja presença estou, que a não tomarei. E instou com elle para que a tomasse, mas elle recusou.

17 E disse Naaman: Quando não, comtudo dê-se a este teu servo uma carga de terra d’um jugo de mulas; porque nunca mais offerecerá este teu servo holocausto nem sacrificio a outros deuses, senão ao Senhor.

18 N’isto perdoe o Senhor a teu servo: quando meu senhor entra na casa de Rimmon para ali se encurvar, [8] e elle se encosta na minha mão, e eu tambem me hei de encurvar na casa de Rimmon; quando assim me encurvar na casa de Rimmon, n’isto perdoe o Senhor a teu servo.

19 E elle lhe disse: Vae em paz. E foi-se d’elle a uma pequena distancia.

Geazi é atacado de lepra.

20 Então Geazi, moço d’Eliseo, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor impediu a este syro Naaman que da sua mão se désse alguma coisa do que trazia; porém, vive o Senhor que hei de correr atraz d’elle, e tomar d’elle alguma coisa.

21 E foi Geazi em alcance de Naaman; e Naaman, vendo que corria atraz d’elle, saltou do carro a encontral-o, e disse-lhe: Vae tudo bem?

22 E elle disse: Tudo vae bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos prophetas da montanha d’Ephraim; dá-lhes pois um talento de prata e duas mudas de vestidos.

23 E disse Naaman: Sê servido tomar dois talentos. E instou com elle, e amarrou dois talentos de prata em dois saccos, com duas mudas de vestidos; e pôl-os sobre dois dos seus moços, os quaes os levaram diante d’elle.

24 E, chegando elle á altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou na casa: e despediu aquelles homens, e foram-se.

25 Então elle entrou, e poz-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseo: D’onde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte.

26 Porém elle lhe disse: Porventura não foi comtigo o meu coração, quando aquelle homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isto tempo para tomares prata, e para tomares vestidos, e olivaes, e vinhas, e ovelhas, e bois e servos e servas?

27 Portanto a lepra de Naaman se pegará a [9] ti e á tua semente para sempre. Então saiu de diante d’elle leproso, branco como a neve.

[1] Luc. 4.27. Exo. 11.3.

[2] I Sam. 9.8. cap. 8.8, 9.

[3] Gen. 30.2. Deu. 32.39. I Sam. 2.6.

[4] cap. 4.41. João 9.7.

[5] Job 33.25. Luc. 4.27.

[6] Dan. 2.47 e 3.29 e 6.26, 27. Gen. 33.11.

[7] cap. 3.14. Gen. 14.23. Mat. 10.8. Act. 8.18, 20.

[8] cap. 7.2, 17.

[9] I Tim. 6.10. Exo. 4.6. Num. 12.10. cap. 15.5.

O ferro d’um machado é feito fluctuar.

Antes de Christo 893

6 E disseram os filhos [1] dos prophetas a Eliseo: Eis que o logar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito.

[364]

2 Vamos pois até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um logar, para habitar ali: e disse elle: Ide.

3 E disse um: Serve-te d’ires com os teus servos. E disse: Eu irei.

4 E foi com elles: e, chegando elles ao Jordão, cortaram madeira.

5 E succedeu que, derribando um d’elles uma viga, o ferro caiu na agua: e clamou, e disse: Ai, meu senhor! porque era emprestado.

6 E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe elle o logar, cortou um páo, e o lançou [2] ali, e fez nadar o ferro.

7 E disse: Levanta-o. Então elle estendeu a sua mão e o tomou.

Eliseo adivinha os conselhos do rei da Syria.

8 E o rei da Syria fazia guerra a Israel: e consultou com os seus servos, dizendo: Em tal e em tal logar estará o meu acampamento.

9 Mas o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passares por tal logar; porque os syros desceram ali.

10 Pelo que o rei de Israel enviou áquelle logar, de que o homem de Deus lhe dissera, e de que o tinha avisado, e se guardou ali, não uma nem duas vezes.

11 Então se turbou com este incidente o coração do rei da Syria, e chamou os seus servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel?

12 E disse um dos seus servos: Não, ó rei meu senhor; mas o propheta Eliseo, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu fallas na tua camara de dormir.

13 E elle disse: Vae, e vê onde elle está, para que envie, e mande trazel-o. E fizeram-lhe saber, dizendo: [3] Eis que está em Dothan.

14 Então enviou para lá cavallos, e carros, e um grande exercito, os quaes vieram de noite, e cercaram a cidade.

15 E o moço do homem de Deus se levantou mui cedo, e saiu, e eis que um exercito tinha cercado a cidade com cavallos e carros; então o seu moço lhe disse: Ai, meu senhor! que faremos?

16 E elle disse: Não temas; porque mais são os que estão comnosco do que os que estão [4] com elles.

17 E orou Eliseo, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavallos e [5] carros de fogo, em redor de Eliseo.

18 E, como desceram a elle, Eliseo orou ao Senhor, e disse: [6] Fere, peço-te, esta gente de cegueira. E feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseo.

19 Então Eliseo lhes disse: Não é este o caminho, nem é esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-hei ao homem que buscaes. E os guiou a Samaria.

20 E succedeu que, chegando elles a Samaria, disse Eliseo: Ó Senhor, abre a estes os olhos para que vejam. O Senhor lhes abriu os olhos, para que vissem, e eis que estavam no meio de Samaria.

21 E, quando o rei de Israel os viu, disse a Eliseo: Feril-os-hei, feril-os-hei, meu pae?

22 Mas elle disse: Não os ferirás; feririas tu os que tomasses prisioneiros com a tua espada e com o teu arco? [7] põe-lhes diante pão e agua, para que comam e bebam, e se vão para seu senhor.

23 E apresentou-lhes um grande banquete, e comeram e beberam; e os despediu e foram para seu senhor: e não entraram mais tropas [8] de syros na terra d’Israel.

Samaria é cercada.

24 E succedeu, depois d’isto, que Ben-hadad, rei da Syria, ajuntou todo o seu exercito: e subiu, e cercou a Samaria.

25 E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram, até que se vendeu uma cabeça d’um jumento por oitenta [KK] peças de prata, e a quarta parte d’um cabo d’esterco de pombas por cinco peças de prata.

26 E succedeu que, passando o rei pelo muro, uma mulher lhe bradou, dizendo: Acode-me, ó rei meu senhor.

27 E elle lhe disse: Se o Senhor te não acode, d’onde te acudirei eu? da eira ou do lagar?

28 Disse-lhe mais o rei: Que tens? E disse ella: Esta mulher me disse: Dá o teu filho, para que hoje o comamos, e ámanhã comeremos o meu filho.

29 Cozemos pois [9] o meu filho, e o comemos; mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho.

30 E succedeu que, ouvindo o rei as palavras d’esta mulher, rasgou os seus [10] vestidos, e ia passando pelo muro; e[365] o povo viu que eis que trazia cilicio por dentro, sobre a sua carne.

31 E disse: Assim me faça [11] Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseo, filho de Saphat, hoje ficar sobre elle.

32 Estava então Eliseo assentado em sua casa, e tambem os [12] anciãos estavam assentados com elle. E enviou o rei um homem de diante de si; mas, antes que o mensageiro viesse a elle, disse elle aos anciãos: [13] Vistes como o filho do homicida mandou tirar-me a cabeça? olhae pois que, quando vier o mensageiro lhe fecheis a porta, e o empuxeis para fóra com a porta; porventura não vem o ruido dos pés de seu senhor após elle?

33 E, estando elle ainda fallando com elles, eis que o mensageiro descia a elle; e disse: Eis que este mal vem do Senhor, [14] que mais pois esperaria do Senhor?

[1] cap. 4.38.

[2] cap. 2.21.

[3] Gen. 37.17.

[4] II Chr. 32.7. Rom. 8.31.

[5] cap. 2.11. Zac. 1.8 e 6.1-7.

[6] Gen. 19.11.

[7] Rom. 12.20.

[8] ver. 8, 9. cap. 5.2.

[9] Lev. 26.26. Deu. 28.53, 57.

[10] I Reis 21.27.

[11] Ruth 1.17. I Reis 19.2.

[12] Eze. 8.1 e 20.1.

[13] Luc. 13.32. I Reis 18.4.

[14] Job 2.9.

Eliseo prediz a abundancia de viveres.

Antes de Christo 892

7 Então disse Eliseo: Ouvi a palavra do Senhor: assim diz o Senhor: Ámanhã, [1] quasi a este tempo, uma medida de farinha haverá por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, á porta de Samaria.

2 Porém um capitão, [2] em cuja mão o rei se encostava, respondeu ao homem de Deus e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janellas no céu, poder-se-hia fazer isso? E elle disse: Eis que o verás com os teus olhos, porém d’ahi não comerás.

3 E quatro homens leprosos estavam á entrada [3] da porta, os quaes disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui até morrermos?

4 Se dissermos: Entremos na cidade, ha fome na cidade, e morreremos ahi; e se ficarmos aqui, tambem morreremos: vamos nós pois agora, e demos comnosco no arraial dos syros: se nos deixarem viver, viveremos, e se nos matarem, tão sómente morreremos.

5 E levantaram-se ao crepusculo, para se irem ao arraial dos syros: e, chegando á entrada do arraial dos syros, eis que não havia ali ninguem.

6 Porque o Senhor fizera [4] ouvir no arraial dos syros ruido de carros e ruido de cavallos, como o ruido d’um grande exercito; de maneira que disseram uns aos outros: Eis que o rei d’Israel alugou contra nós os reis dos hetheos e [5] os reis dos egypcios, para virem contra nós.

7 Pelo que se levantaram, [6] e fugiram no crepusculo, e deixaram as suas tendas, e os seus cavallos, e os seus jumentos, e o arraial como estava: e fugiram para salvarem a sua vida.

8 Chegando pois estes leprosos á entrada do arraial, entraram n’uma tenda, e comeram e beberam e tomaram d’ali prata, e oiro, e vestidos, e foram e os esconderam: então voltaram, e entraram em outra tenda, e d’ali tambem tomaram, e o esconderam.

9 Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem: este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até á luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; pelo que agora vamos, e o annunciemos á casa do rei.

10 Vieram pois, e bradaram aos porteiros da cidade, e lhes annunciaram, dizendo: Fomos ao arraial dos syros e eis que lá não havia ninguem, nem voz de homem, porém só cavallos atados, e jumentos atados, e as tendas como estavam d’antes.

11 E chamaram os porteiros, e o annunciaram dentro da casa do rei.

12 E o rei se levantou de noite, e disse a seus servos: Agora vos farei saber o que é que os syros nos fizeram: bem sabem elles que esfaimados estamos, pelo que sairam do arraial, a esconder-se pelo campo, dizendo: Quando sairem da cidade, então os tomaremos vivos, e entraremos na cidade.

13 Então um dos seus servos respondeu e disse: Tomem-se pois cinco dos cavallos do resto que ficaram aqui dentro (eis que são como toda a multidão dos israelitas que ficaram aqui de resto, e eis que são como toda a multidão dos israelitas que pereceram) e enviemol-os, e vejamos.

14 Tomaram pois dois cavallos de carro; e o rei os enviou após o exercito dos syros, dizendo: Ide, e vêde.

15 E foram após elles até ao Jordão, e eis que todo o caminho estava cheio de vestidos e de aviamentos, que os syros, apressando-se, lançaram fóra: e voltaram os mensageiros, e o annunciaram ao rei:

16 Então saiu o povo, e saqueou o arraial dos syros: e havia uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, conforme [7] a palavra do Senhor.

17 E pozera o rei á porta o capitão em cuja mão se encostava; e o povo o atropellou na porta, e morreu, como fallara o [8] homem de Deus, o que fallou quando o rei descera a elle.

18 Porque assim succedeu como o homem de Deus fallara ao rei dizendo: Ámanhã, quasi a este tempo, [9] haverá[366] duas medidas de cevada por um siclo, e uma medida de farinha por um siclo, á porta de Samaria.

19 E aquelle capitão respondeu ao homem de Deus, e disse: Eis que ainda que o Senhor fizesse janellas no céu, poder-se-hia isso fazer conforme essa palavra? E elle disse: Eis que o verás com os teus olhos, porém d’ahi não comerás.

20 E assim lhe succedeu, porque o povo o atropellou á porta, e morreu.

[1] ver. 18, 19.

[2] ver. 17, 19, 20. Mal. 3.10.

[3] Lev. 13.46.

[4] II Sam. 5.24. cap. 19.7. Job 15.21.

[5] I Reis 10.29.

[6] Pro. 28.1.

[7] ver. 1.

[8] ver. 2. cap. 6.32.

[9] ver. 1.

A sunamita volta para a sua terra.

Antes de Christo 885

8 E fallou Eliseo áquella mulher cujo [1] filho vivificara, dizendo: Levanta-te, e vae-te, tu e a tua familia, e peregrina onde poderes peregrinar; porque o Senhor chamou [2] a fome, a qual tambem virá á terra por sete annos.

2 E levantou-se a mulher, e fez conforme a palavra do homem de Deus: porque foi ella com a sua familia, e peregrinou na terra dos philisteos sete annos.

3 E succedeu que, ao cabo dos sete annos, a mulher voltou da terra dos philisteos, e saiu a clamar ao rei pela sua casa e pelas suas terras.

4 Ora o rei fallava [3] a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseo tem feito.

5 E succedeu que, contando elle ao rei [4] como vivificara a um morto, eis que a mulher cujo filho vivificara clamou ao rei pela sua casa e pelas suas terras: então disse Geazi: Ó rei meu senhor, esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseo vivificou.

6 E o rei perguntou á mulher, e ella lh’o contou: então o rei lhe deu um eunucho, dizendo: Faze-lhe restituir tudo quanto era seu, e todas as rendas das terras desde o dia em que deixou a terra até agora.

Hazael mata a Benhadad.

7 Depois veiu Eliseo a Damasco, estando Benhadad, rei da Syria, doente; e lh’o annunciaram, dizendo: O homem de Deus é chegado aqui.

8 Então o rei disse a [5] Hazael: Toma um presente na tua mão, e vae a encontrar-te com o homem de Deus; e pergunta [6] por elle ao Senhor, dizendo: Hei de eu sarar d’esta doença?

9 Foi pois Hazael a encontrar-se com elle, e tomou um presente na sua mão, a saber: de todo o bom de Damasco, quarenta camelos carregados; e veiu, e se poz diante d’elle, e disse: Teu filho Benhadad, rei da Syria, me enviou a ti, a dizer: Sararei eu d’esta doença?

10 E Eliseo lhe disse: Vae, e dize-lhe: Certamente não sararás. Porque o Senhor me tem mostrado que [7] certamente morrerá.

11 E affirmou a sua vista, e fitou os olhos n’elle até se envergonhar: [8] e chorou o homem de Deus.

12 Então disse Hazael: Porque chora, meu senhor? E elle disse: Porque sei o mal que [9] has de fazer aos filhos d’Israel: porás fogo ás suas fortalezas, e os seus mancebos matarás á espada, e os seus meninos [10] despedaçarás, e as suas prenhadas fenderás.

13 E disse Hazael: Pois que é teu servo, [11] que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa? E disse Eliseo: O Senhor me tem mostrado [12] que tu has de ser rei da Syria.

14 Então partiu de Eliseo, e veiu a seu senhor, o qual lhe disse: Que te disse Eliseo? E disse elle: Disse-me que certamente sararás.

15 E succedeu ao outro dia que tomou um cobertor, e o molhou na agua, e o estendeu sobre o seu rosto, e morreu: e Hazael reinou em seu logar.

O reinado de Jorão.

16 E no anno quinto de [13] Jorão, filho de Achab, rei de Israel, reinando ainda Josaphat em Judah, começou a reinar Jehorão, filho de Josaphat, rei de Judah.

17 Era elle da edade de trinta [14] e dois annos quando começou a reinar, e oito annos reinou em Jerusalem.

18 E andou no caminho dos reis d’Israel, como tambem fizeram os da casa de Achab, porque tinha por mulher a filha [15] de Achab, e fez o que parecia mal aos olhos do Senhor.

19 Porém o Senhor não quiz destruir a Judah por amor de David, seu servo, [16] como lhe tinha dito que lhe daria para sempre uma lampada a seus filhos.

20 Nos seus dias se rebellaram os [17] edomitas de debaixo do mando de Judah, e [18] pozeram sobre si um rei.

21 Pelo que Jehorão passou a Zair, e todos os carros com elle: e elle se levantou de noite, e feriu os edomitas[367] que estavam ao redor d’elle, e os capitães dos carros; e o povo se foi para as suas tendas.

22 Todavia os edomitas ficaram rebeldes de debaixo do mando de Judah até ao dia de hoje: então tambem se rebellou [19] Libna no mesmo tempo.

23 O mais dos successos de Jehorão, e tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas de Judah?

24 E Jehorão dormiu com seus paes, e foi sepultado com seus paes na cidade de David: [20] e Achazias, seu filho, reinou em seu logar.

O reinado de Achazias.

25 No anno doze de Jorão, filho de Achab, rei d’Israel, começou a reinar Achazias, filho de Jehorão, rei de Judah.

26 Era Achazias [21] de vinte e dois annos de edade quando começou a reinar, e reinou um anno em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Athalia, filha de Omri, rei d’Israel.

27 E andou [22] no caminho da casa de Achab, e fez mal aos olhos do Senhor, como a casa de Achab, porque era genro da casa de Achab.

28 E foi com [23] Jorão, filho de Achab, a Ramoth de Gilead, á peleja contra Hazael, rei da Syria; e os syros feriram a Jorão.

29 Então [24] se voltou o rei Jorão para se curar em Jizreel das feridas que os syros lhe fizeram em Rama, quando pelejou contra Hazael, rei da Syria; e desceu Achazias, [25] filho de Jehorão, rei de Judah, para ver a Jorão, filho de Achab, em Jizreel, porquanto estava doente.

[1] cap. 4.35.

[2] Agg. 1.11.

[3] cap. 5.27.

[4] cap. 4.35.

[5] I Reis 19.15. I Sam. 9.7. I Reis 14.3. cap. 5.5.

[6] cap. 1.2.

[7] ver. 15.

[8] Luc. 19.41.

[9] cap. 10.32 e 12.17 e 13.3, 7. Amós 1.3.

[10] cap. 15.16. Ose. 13.16. Amós 1.13.

[11] I Sam. 17.43.

[12] I Reis 19.15.

[13] II Chr. 21.3, 4.

[14] II Chr. 21.5, etc.

[15] ver. 26.

[16] II Sam. 7.13. I Reis 11.36 e 15.4. II Chr. 21.7.

[17] Gen. 27.40. cap. 3.27. II Chr. 21.8, 9, 10.

[18] I Reis 22.47.

[19] II Chr. 21.10.

[20] II Chr. 22.1.

[21] II Chr. 22.2.

[22] II Chr. 22.3, 4.

[23] II Chr. 22.5.

[24] cap. 9.15.

[25] cap. 9.16. II Chr. 22.6, 7.

Jehu é ungido rei de Israel e mata a Jorão e a Jezabel.

Antes de Christo 884

9 Então o propheta Eliseo chamou um dos filhos [1] dos prophetas, e lhe disse: Cinge os teus lombos, e toma esta almotolia de azeite na tua mão, e vae-te a Ramoth de Gilead;

2 E, chegando lá, vê onde está Jehu, filho de Josaphat, filho de Nimsi: e entra, e faze que elle se levante do meio de seus irmãos, [2] e leva-o á camara interior.

3 E toma [3] a almotolia de azeite, e derrama-o sobre a sua cabeça, e dize: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel. Então abre a porta, e foge, e não te detenhas.

4 Foi pois o mancebo, o joven propheta, a Ramoth de Gilead.

5 E, entrando elle, eis que os capitães do exercito estavam assentados ali; e disse: Capitão, tenho uma palavra que te dizer. E disse Jehu: A qual de todos nós? E disse: A ti, capitão!

6 Então se levantou, e entrou na casa, e derramou o azeite sobre a sua cabeça, e lhe disse: [4] Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei sobre o povo do Senhor, sobre Israel.

7 E ferirás a casa de Achab, teu senhor, para que eu vingue [5] o sangue de meus servos, os prophetas, e o sangue de todos os servos do Senhor da mão de Jezabel.

8 E toda a casa de Achab perecerá; [6] e destruirei d’Achab todo o varão, tanto o encerrado como o desamparado em Israel.

9 Porque á casa d’Achab hei de fazer como á casa de Jeroboão, [7] filho de Nebat, e como á casa de Baása, filho d’Ahias.

10 E os cães comerão a Jezabel no pedaço [8] de campo de Jizreel; não haverá quem a enterre. Então abriu a porta, e fugiu.

11 E, saindo Jehu aos servos do seu senhor, disseram-lhe: Vae tudo bem? porque veiu a ti [9] este louco? E elle lhes disse: Bem conheceis o homem e o seu fallar.

12 Mas elles disseram: É mentira; agora faze-nol-o saber. E disse: Assim e assim me fallou, dizendo: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel.

13 Então se apressaram, e tomou cada [10] um o seu vestido, e o poz debaixo d’elle, no mais alto degrau: e tocaram a buzina, e disseram: Jehu reina!

14 Assim Jehu, filho de Josaphat, filho de Nimsi, conspirou contra Jorão. Tinha porém Jorão cercado a Ramoth de Gilead, elle e todo o Israel, por causa de Hazael, rei da Syria.

15 Porém o rei Jorão voltou [11] para se curar em Jizreel das feridas que os syros lhe fizeram, quando pelejou contra Hazael, rei da Syria. E disse Jehu: Se é da vossa vontade, ninguem saia da cidade, nem escape, para ir denunciar isto em Jizreel.

16 Então Jehu subiu a um carro, e[368] foi-se a Jizreel, porque Jorão estava deitado ali: e tambem Achazias, [12] rei de Judah, descera para vêr a Jorão.

17 E o atalaia estava na torre de Jizreel, e viu a tropa de Jehu, que vinha, e disse: Vejo uma tropa. Então disse Jorão: Toma um cavalleiro, e envia-lh’o ao encontro; e diga: Ha paz?

18 E o cavalleiro lhe foi ao encontro, e disse: Assim diz o rei: Ha paz? E disse Jehu: Que tens tu que fazer com a paz? Vira-te para traz de mim. E o atalaia o fez saber, dizendo: Chegou a elles o mensageiro, porém não volta.

19 Então enviou outro cavalleiro; e, chegando este a elles, disse: Assim diz o rei: Ha paz? E disse Jehu: Que tens tu que fazer com a paz? Vira-te para traz de mim.

20 E o atalaia o fez saber, dizendo: Tambem este chegou a elles, porém não volta; e o andar parece como o andar de Jehu, filho de Nimsi, porque anda furiosamente.

21 Então disse Jorão: Apparelha o carro. E apparelharam o seu carro. E saiu Jorão, [13] rei de Israel, e Achazias, rei de Judah, cada um em seu carro, e sairam ao encontro a Jehu, e o acharam no pedaço de campo de Naboth, o jizreelita.

22 E succedeu que, vendo Jorão a Jehu, disse: Ha paz, Jehu? E disse elle: Que paz, emquanto as fornicações da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias são tantas?

23 Então Jorão voltou as mãos, e fugiu; e disse a Achazias: Traição ha, Achazias.

24 Mas Jehu entesou o seu arco com toda a força, e feriu a Jorão entre os braços, e a frecha lhe saiu pelo coração; e se encurvou no seu carro.

25 Então Jehu disse a Bidkar, seu capitão: Toma-o, lança-o no pedaço do campo de Naboth, o jizreelita; porque, lembra-te de que, indo eu e tu juntos a cavallo após seu pae, Achab, [14] o Senhor poz sobre elle esta carga, dizendo:

26 Por certo que se eu não visse hontem á tarde o sangue de Naboth e o sangue de seus filhos, diz o Senhor, tambem não t’o [15] pagaria n’este pedaço de campo, diz o Senhor. Agora, pois, toma-o, e lança-o n’este pedaço de campo, conforme a palavra do Senhor.

27 O que vendo Achazias, rei de Judah, fugiu pelo caminho da casa do jardim, porém Jehu seguiu após elle, e disse: Tambem feri a este no carro á subida de Gur, que está junto a Jibleam. E fugiu a [16] Megiddo, e morreu ali.

28 E seus servos o levaram n’um carro a Jerusalem, e o sepultaram na sua sepultura junto a seus paes, na cidade de David.

29 (E no anno undecimo de Jorão, filho d’Achab, começou Achazias a reinar sobre Judah.)

30 E Jehu veiu a Jizreel, o que ouvindo Jezabel, se pintou em volta dos olhos, [17] e enfeitou a sua cabeça, e olhou pela janella.

31 E, entrando Jehu pelas portas, disse ella: Teve paz Zimri, [18] que matou a seu senhor?

32 E levantou elle o rosto para a janella e disse: Quem é comigo? quem? E dois ou tres eunuchos olharam para elle.

33 Então disse elle: Lançae-a d’alto abaixo. E lançaram-a d’alto abaixo: e foram salpicados com o seu sangue a parede e os cavallos, e elle a atropellou.

34 Entrando elle pois, e havendo comido e bebido, disse: Olhae por aquella maldita, e sepultae-a, [19] porque é filha de rei.

35 E foram para a sepultar; porém não acharam d’ella senão sómente a caveira, e os pés, e as palmas das mãos.

36 Então voltaram, e lh’o fizeram saber; e elle disse: Esta é a palavra do Senhor, a qual fallou pelo ministerio de Elias, o tesbita, seu servo, dizendo: No pedaço do [20] campo de Jizreel os cães comerão a carne de Jezabel.

37 E o cadaver de Jezabel será como esterco sobre o campo, no pedaço de Jizreel: que se não possa dizer: Esta é Jezabel.

[1] I Reis 20.35. cap. 4.29. Jer. 1.17. cap. 8.28, 29.

[2] ver. 5, 11.

[3] I Reis 19.16.

[4] I Reis 19.16. II Chr. 22.7.

[5] I Reis 18.4 e 21.15.

[6] I Reis 14.10 e 21.21. I Sam. 25.22. Deu. 32.36.

[7] I Reis 14.10 e 15.29 e 21.22. I Reis 16.3, 11.

[8] ver. 35, 36. I Reis 21.23.

[9] Jer. 29.26. João 10.20. Act. 26.24. I Cor. 4.10.

[10] Mat. 21.7.

[11] cap. 8.29.

[12] cap. 8.29.

[13] II Chr. 22.7.

[14] I Reis 21.29.

[15] I Reis 21.19.

[16] II Chr. 22.9.

[17] Eze. 23.40.

[18] I Reis 16.9-20.

[19] I Reis 16.31.

[20] I Reis 21.23.

Jehu extermina a casa de Achab.

10 E Achab tinha setenta filhos em Samaria: e Jehu escreveu cartas, e as enviou a Samaria, aos chefes de Jizreel, aos anciãos, e aos aios de Achab, dizendo:

2 Logo, em chegando a vós esta carta, pois estão comvosco os filhos de vosso senhor, como tambem os carros, e os cavallos, e a cidade fortalecida, e as armas,

3 Olhae pelo melhor e mais recto dos filhos de vosso senhor, o qual ponde sobre o throno de seu pae, e pelejae pela casa de vosso senhor.

4 Porém elles temeram muitissimo, e disseram: Eis que dois reis não[369] poderam parar diante d’elle; como pois poderemos nós resistir-lhe?

5 Então o que tinha cargo da casa, e o que tinha cargo da cidade, e os anciãos, e os aios enviaram a Jehu, dizendo: Teus servos somos, e tudo quanto nos disseres faremos; a ninguem poremos rei: faze o que for bom aos teus olhos.

6 Então segunda vez lhe escreveu outra carta, dizendo: Se sois meus, e ouvirdes a minha voz, tomae as cabeças dos homens, filhos de vosso senhor, e ámanhã, a este tempo vinde a mim a Jizreel (e os filhos do rei, setenta homens, estavam com os grandes da cidade, que os mantinham.)

7 Succedeu pois que, chegada a elles a carta, tomaram os filhos do rei, e os mataram, setenta homens: e pozeram as [1] suas cabeças n’uns cestos, e lh’as mandaram a Jizreel.

8 E um mensageiro veiu, e lhe annunciou dizendo: Trouxeram as cabeças dos filhos do rei. E elle disse: Ponde-as em dois montões á entrada da porta, até ámanhã.

9 E succedeu que pela manhã, saindo elle, parou, e disse a todo o povo: Vós sois justos: [2] eis que eu conspirei contra o meu senhor, e o matei; mas quem feriu a todos estes?

10 Sabei pois agora [3] que, da palavra do Senhor, que o Senhor fallou contra a casa de Achab, nada cairá em terra, porque o Senhor tem feito o que fallou [4] pelo ministerio de seu servo Elias.

11 Tambem Jehu feriu a todos os restantes da casa de Achab em Jizreel, como tambem a todos os seus grandes, e os seus conhecidos, e seus sacerdotes, até que nenhum lhe deixou ficar de resto.

12 Então se levantou e partiu, e foi a Samaria. E, estando no caminho, em [KL] Beth-eked dos pastores,

13 Jehu achou [5] os irmãos de Achazias, rei de Judah, e disse: Quem sois vós? E elles disseram: Os irmãos de Achazias somos; e descemos a saudar os filhos do rei e os filhos da rainha.

14 Então disse elle: Apanhae-os vivos. E elles os apanharam vivos, e os mataram junto ao poço de Beth-eked, quarenta e dois homens; e a nenhum d’elles deixou de resto.

Jehu encontra a Jonadab e mata os servos de Baal.

15 E, partindo d’ali, encontrou a [6] Jonadab, filho de Recab, que lhe vinha ao encontro, o qual saudou e lhe disse: Recto é o teu coração, como o meu coração é com o teu coração? E disse Jonadab: É. Então se é, dá-me [7] a mão. E deu-lhe a mão, e fel-o subir comsigo ao carro.

16 E disse: Vae comigo, e verás o meu zelo [8] para com o Senhor. E o pozeram no seu carro.

17 E, chegando a Samaria, feriu [9] a todos os que ficaram de Achab em Samaria, até que o destruiu, conforme a [10] palavra do Senhor, que dissera a Elias,

18 E ajuntou Jehu a todo o povo, e disse-lhe: Pouco serviu [11] Achab a Baal; Jehu porém muito o servirá.

19 Pelo que chamae-me agora todos os prophetas de Baal, [12] todos os seus servos e todos os seus sacerdotes; não falte nenhum, porque tenho um grande sacrificio a Baal; todo aquelle que faltar não viverá. Porém Jehu fazia isto com astucia, para destruir os servos de Baal.

20 Disse mais Jehu: Consagrae a Baal uma assembléa solemne. E a apregoaram.

21 Tambem Jehu enviou por todo o Israel: e vieram todos os servos de Baal, e nenhum homem d’elles ficou que não viesse: e entraram na [13] casa de Baal, e encheu-se a casa de Baal, d’um lado ao outro.

22 Então disse ao que tinha cargo das vestimentas: Tira as vestimentas para todos os servos de Baal. E elle lhes tirou para fóra as vestimentas.

23 E entrou Jehu com Jonadab, filho de Recab, na casa de Baal, e disse aos servos de Baal: Examinae, e vede bem, que porventura nenhum dos servos do Senhor aqui haja comvosco, senão sómente os servos de Baal.

24 E, entrando elles a fazerem sacrificios e holocaustos, Jehu preparou da parte de fóra oitenta homens, e disse-lhes: Se escapar algum dos homens que eu entregar em vossas mãos, a vossa vida [14] será pela vida d’elle.

25 E succedeu que, acabando de fazer o holocausto, disse Jehu aos da sua guarda, e aos capitães: Entrae, feri-os, não escape nenhum. E os feriram ao fio da espada; e os da guarda e os capitães os lançaram fóra, e se foram á cidade, á casa de Baal.

26 E tiraram [KM] as estatuas da casa de Baal, [15] e as queimaram.

[370]

27 Tambem quebraram a estatua de Baal: e derrubaram a casa de Baal, e fizeram d’ella [16] latrinas, até ao dia d’hoje.

28 E assim Jehu destruiu a Baal de Israel.

29 Porém não se apartou Jehu de seguir os peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel, a saber: dos bezerros [17] d’oiro, que estavam em Bethel e em Dan.

30 Pelo que disse o Senhor a Jehu: Porquanto bem obraste em fazer o que é recto aos meus olhos e, conforme tudo quanto eu tinha no meu coração, se fizesse á casa de Achab, [18] teus filhos até á quarta geração se assentarão no throno de Israel.

31 Mas Jehu não teve cuidado de andar com todo o seu coração na lei do Senhor Deus de Israel, nem se apartou dos peccados [19] de Jeroboão, que fez peccar a Israel.

32 N’aquelles dias começou o Senhor a diminuir os termos d’Israel; [20] porque Hazael os feriu em todas as fronteiras d’Israel,

33 Desde o Jordão até ao nascente do sol, a toda a terra de Gilead; os gaditas, e os rubenitas, e os manassitas, desde Aroer, que está junto ao ribeiro d’Arnon, a saber, Gilead, e [21] Basan.

34 Ora o mais dos successos de Jehu, e tudo quanto fez, e todo o seu poder, porventura não está escripto no livro das chronicas d’Israel?

35 E Jehu dormiu com seus paes, e o sepultaram em Samaria: e Joachaz, seu filho, reinou em seu logar.

36 E os dias que Jehu reinou sobre Israel em Samaria foram vinte e oito annos.

[1] I Reis 21.21.

[2] cap. 9.14, 24.

[3] I Sam. 3.19.

[4] I Reis 21.19, 29.

[5] cap. 8.29. II Chr. 22.8.

[6] Jer. 35.6, etc. I Chr. 2.55.

[7] Esd. 10.19.

[8] I Reis 19.10.

[9] cap. 9.8. II Chr. 22.8.

[10] I Reis 21.21.

[11] I Reis 16.31, 32.

[12] I Reis 22.6.

[13] I Reis 16.32.

[14] I Reis 20.39.

[15] I Reis 14.23.

[16] Esd. 6.11. Dan. 2.5 e 3.29.

[17] I Reis 12.28, 29.

[18] ver. 35. cap. 13.1, 10 e 14.23 e 15.8, 12.

[19] I Reis 14.16.

[20] cap. 8.12.

[21] Amós 1.3.

Athalia manda matar a familia real—Joás escapa e é ungido rei.

Antes de Christo 878

11 Vendo pois Athalia, [1] mãe de Achazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu toda a semente real.

2 Mas Josebath, filha do rei Jorão, irmã de Achazias, tomou a Joás, filho de Achazias, e o furtou d’entre os filhos do rei, aos quaes matavam, e o poz, a elle e á sua ama na recamara, e o escondeu d’Athalia, e assim não o mataram.

3 E esteve com ella escondido na casa do Senhor seis annos: e Athalia reinava sobre a terra.

4 E no setimo [2] anno enviou Joiada, e tomou os centuriões, com os capitães, e com os da guarda, e os metteu comsigo na casa do Senhor: e fez com elles um concerto e os ajuramentou na casa do Senhor, e lhes mostrou o filho do rei.

5 E deu-lhes ordem, dizendo: Esta é a obra que vós haveis de fazer: uma terça parte de vós, que entra no sabbado, fará a guarda da casa do rei:

6 E outra terça parte estará á porta Sur; e a outra terça parte á porta detraz [3] dos da guarda: assim fareis a guarda d’esta casa, affastando a todos.

7 E as duas partes de vós, a saber, todos os que saem no sabbado, farão a guarda da casa do Senhor junto ao rei.

8 E rodeareis o rei, cada um com as suas armas nas mãos, e aquelle que entrar entre as fileiras o matarão; e vós estareis com o rei quando sair e quando entrar.

9 Fizeram pois os centuriões [4] conforme tudo quanto ordenara o sacerdote Joiada, tomando cada um os seus homens, tanto aos que entravam no sabbado como aos que sahiam no sabbado; e vieram ao sacerdote Joiada.

10 E o sacerdote deu aos centuriões as lanças, e os escudos que haviam sido do rei David, que estavam na casa do Senhor.

11 E os da guarda se pozeram, cada um com as armas na mão, desde o lado direito da casa até ao lado esquerdo da casa, da banda do altar, e da banda da casa, junto ao rei em redor.

12 Então elle tirou o filho do rei, e lhe poz a corôa, e lhe deu o testemunho; e o fizeram rei, e o ungiram, e bateram as mãos, e disseram: [5] Viva o rei!

13 E Athalia, ouvindo [6] a voz dos da guarda e do povo, entrou ao povo na casa do Senhor.

14 E olhou, e eis que o rei estava junto á columna, conforme o [7] costume, e os capitães e as trombetas junto ao rei, e todo o povo da terra estava alegre e tocava as trombetas: então Athalia rasgou os seus vestidos, e clamou: Traição! Traição!

15 Porém o sacerdote Joiada deu ordem aos centuriões que commandavam as tropas, e disse-lhes: Tirae-a para fóra das fileiras, e a quem a seguir matae-o á espada. Porque o sacerdote disse: Não a matem na casa do Senhor.

16 E lançaram-lhe as mãos a ella, e foi pelo caminho da entrada dos cavallos á casa do rei, e ali a mataram.

[371]

17 E Joiada [8] fez um concerto entre o Senhor e o rei e o povo, que seria o povo do Senhor; como tambem entre o rei e o povo.

18 Então todo o povo da terra entrou na casa de [9] Baal, e a derribaram, como tambem os seus altares, e as suas imagens totalmente quebraram, e a Mattan, sacerdote de Baal, mataram perante os altares: então o sacerdote poz officiaes sobre a casa do Senhor.

19 E tomou os centuriões, e os capitães, e os da guarda, e todo o povo da terra: e conduziram da casa do Senhor o rei, e vieram, pelo caminho da porta dos da guarda, á casa do rei, e se assentou no throno dos reis.

20 E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade repousou, depois que mataram a Athalia á espada junto á casa do rei.

21 Era Joás da edade de sete annos quando o fizeram rei.

[1] II Chr. 22.10. cap. 8.26.

[2] II Chr. 23.1, etc.

[3] I Chr. 9.2, 5.

[4] II Chr. 23.8.

[5] I Sam. 10.24.

[6] II Chr. 23.12, etc.

[7] cap. 23.3. II Chr. 34.31.

[8] II Chr. 23.16. II Sam. 5.3.

[9] cap. 10.26. Deu. 12.3. II Chr. 23.17, 18, etc.

Joás manda reparar o templo.

Antes de Christo 856

12 No anno setimo de Jehu começou a reinar [1] Joás, e quarenta annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Zibia, de Berseba.

2 E fez Joás o que era recto aos olhos do Senhor todos os dias em que o sacerdote Joiada o dirigia.

3 Tão sómente os [2] altos se não tiraram: porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos.

4 E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro [3] das coisas sanctas que se trouxer á casa do Senhor, a saber, o dinheiro d’aquelle que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente [4] para a casa do Senhor,

5 Os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e elles reparem as [KN] quebraduras da casa, segundo toda a quebradura que se achar n’ella.

6 Succedeu porém que, no anno vinte e tres do rei Joás, os sacerdotes ainda [5] não tinham reparado as quebraduras da casa.

7 Então o rei Joás chamou [6] o sacerdote Joiada e os mais sacerdotes, e lhes disse: Porque não reparaes as quebraduras da casa? Agora, pois, não tomeis mais dinheiro de vossos conhecidos, mas dae-o pelas quebraduras da casa.

8 E consentiram os sacerdotes em não tomarem mais dinheiro do povo, nem em repararem as quebraduras da casa.

9 Porem o sacerdote Joiada tomou uma [KO] arca, [7] e fez um buraco na tampa; e a poz ao pé do altar, á mão direita dos que entravam na casa do Senhor: e os sacerdotes que guardavam a entrada da porta mettiam ali todo o dinheiro que se trazia á casa do Senhor.

10 Succedeu pois que, vendo elles que já havia muito dinheiro na arca, o escrivão do rei subia com o summo sacerdote, e contavam e ensacavam o dinheiro que se achava na casa do Senhor.

11 E o dinheiro, depois de pesado, davam nas mãos dos que faziam a obra, que tinham a seu cargo a casa do Senhor: e elles o distribuiam aos carpinteiros, e aos edificadores que reparavam a casa do Senhor;

12 Como tambem aos pedreiros e aos cabouqueiros, e para se comprar madeira e pedras de cantaria para repararem as quebraduras da casa do Senhor, e para tudo quanto para a casa se dava para a repararem.

13 Todavia, do [8] dinheiro que se trazia á casa do Senhor não se faziam nem taças de prata, nem garfos, nem bacias, nem trombetas, nem nenhum vaso de oiro ou vaso de prata para a casa do Senhor.

14 Porque o davam aos que faziam a obra, e reparavam com elle a casa do Senhor.

15 Tambem não pediam contas [9] aos homens em cujas mãos entregavam aquelle dinheiro, para o dar aos que faziam a obra, porque obravam com fidelidade.

16 Mas o dinheiro de sacrificio por delictos, e o dinheiro [10] por sacrificio de peccados, se não trazia á casa do Senhor; porém era para os sacerdotes.

17 Então subiu Hazael, [11] rei da Syria, e pelejou contra Gath, e a tomou: depois Hazael fez rosto a marchar contra Jerusalem.

18 Porém Joás, rei de Judah, tomou todas [12] as coisas sanctas que Josaphat, e Jorão, e Achazias, seus paes, reis de Judah, consagraram, como tambem todo o oiro que se achou nos thesouros da casa do Senhor e na casa do rei: e o mandou a Hazael, rei da Syria; e então se retirou de Jerusalem.

19 Ora o mais dos successos de Joás,[372] e tudo quanto fez mais, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

20 E levantaram-se os [13] seus servos, e conspiraram contra elle: e feriram a Joás na casa de Millo, que desce para Silla.

21 Porque Jozacar, [14] filho de Simeath, e Jozabad, filho de Somer, seus servos, o feriram, e morreu, e o sepultaram com seus paes na cidade de David: e Amasias, [15] seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Chr. 24.1.

[2] I Reis 15.14 e 22.43. cap. 14.4.

[3] cap. 22.4. Exo. 30.13.

[4] Exo. 35.5. I Chr. 29.9.

[5] II Chr. 24.5.

[6] II Chr. 24.6.

[7] II Chr. 24.8, etc.

[8] II Chr. 24.14.

[9] cap. 22.7.

[10] Lev. 5.15, 18. Lev. 7.7. Num. 18.9.

[11] cap. 8.12. II Chr. 24.23.

[12] I Reis 15.18. cap. 18.15, 16.

[13] cap. 14.5. II Chr. 24.25.

[14] II Chr. 24.26.

[15] II Chr. 24.27.

Joachaz e Jehoás, reis de Israel.

Antes de Christo 839

13 No anno vinte e tres de Joás, filho d’Achazias, rei de Judah, começou a reinar Joachaz, filho de Jehu, sobre Israel, em Samaria, e reinou dezesete annos.

2 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor; porque seguiu os peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel; não se apartou d’elles.

3 Pelo que a ira [1] do Senhor se accendeu contra Israel: e deu-os na mão de Hazael, rei da Syria, e na mão de Ben-hadad, filho de Hazael, todos aquelles dias.

4 Porém Joachaz supplicou diante da face do Senhor: [2] e o Senhor o ouviu; pois viu a oppressão de Israel, porque os opprimia o rei da Syria.

5 E o Senhor deu um salvador a Israel, [3] e sairam de debaixo das mãos dos syros: e os filhos de Israel habitaram nas suas tendas, como d’antes.

6 (Comtudo não se apartaram dos peccados da casa de Jeroboão, que fez peccar a Israel; porém elle andou n’elles: e tambem o bosque ficou em pé [4] em Samaria.)

7 Porque não deixou a Joachaz mais povo, senão cincoenta cavalleiros, e dez carros, e dez mil homens de pé: porquanto o rei da Syria os tinha destruido e os tinha feito como [5] o pó, [KP] trilhando-os.

8 Ora o mais dos successos de Joachaz, e tudo quanto fez mais, e o seu poder, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel?

9 E Joachaz dormiu com seus paes, e o sepultaram em Samaria: e Jehoás, seu filho, reinou em seu logar.

10 No anno trinta e sete de Joás, rei de Judah, começou a reinar Jehoás, filho de Joachaz, sobre Israel, em Samaria, e reinou dezeseis annos.

11 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: não se apartou de nenhum dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel, porém andou n’elles.

12 Ora [6] o mais dos successos de Jehoás, e tudo quanto fez mais, e o seu poder, com que pelejou contra Amasias, rei de Judah, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel?

13 E Jehoás dormiu com seus paes, e Jeroboão se assentou no seu throno: e Jehoás foi sepultado em Samaria, junto aos reis de Israel.

Eliseo adoece e Jehoás vem ter com elle.

14 E Eliseo estava doente da sua doença de que morreu: e Jehoás, rei de Israel, desceu a elle, e chorou sobre o seu rosto, e disse: Meu pae, meu pae, o carro de Israel, [7] e seus cavalleiros!

15 E Eliseo lhe disse: Toma um arco e frechas. E tomou um arco e frechas.

16 Então disse ao rei de Israel: Põe a tua mão sobre o arco. E poz sobre elle a sua mão; e Eliseo poz as suas mãos sobre as mãos do rei.

17 E disse: Abre a janella para o oriente. E abriu-a. Então disse Eliseo: Atira. E atirou; e disse: A frecha do livramento do Senhor é a frecha do livramento contra os syros; porque ferirás os syros em [8] Afek, até os consumir.

18 Disse mais: Toma as frechas. E tomou-as. Então disse ao rei de Israel: Fere a terra. E feriu-a tres vezes, e cessou.

19 Então o homem de Deus se indignou muito contra elle, e disse: Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido: então feririas os syros até os consumir: porém agora [9] tres vezes ferirás os syros.

A morte de Eliseo.

Antes de Christo 842

20 Depois morreu Eliseo, e o sepultaram. Ora as tropas dos moabitas invadiram a terra á entrada do anno.

21 E succedeu que, enterrando elles um homem, eis que viram uma tropa, e lançaram o homem na sepultura de Eliseo: e, caindo n’ella o homem, e tocando os ossos de Eliseo, reviveu, e se levantou sobre os seus pés.

22 E Hazael, [10] rei da Syria, opprimiu a Israel todos os dias de Jehoás.

23 Porém o Senhor teve [11] misericordia d’elles, e se compadeceu d’elles, e tornou[373] para elles, por amor do seu concerto em Abrahão, Isaac e Jacob: e não os quiz destruir, e não os lançou ainda da sua presença.

24 E morreu Hazael, rei da Syria: e Ben-hadad, seu filho, reinou em seu logar.

25 E Jehoás, filho de Joachaz, tornou a tomar as cidades das mãos de Ben-hadad, que elle tinha tomado das mãos de Joachaz, seu pae, na guerra: tres vezes Jehoás [12] o feriu, e recuperou as cidades de Israel.

[1] Jui. 2.14. cap. 8.12.

[2] Exo. 3.7. cap. 14.26.

[3] ver. 25. cap. 14.25, 27.

[4] I Reis 16.33.

[5] Amós 1.3.

[6] cap. 14.15. ver. 14, 25. cap. 14.9, etc. II Chr. 25.17, etc.

[7] cap. 2.12.

[8] I Reis 20.26.

[9] ver. 25.

[10] cap. 8.12.

[11] cap. 14.27. Exo. 2.24, 25. Exo. 32.13.

[12] ver. 18, 19.

Amasias mata os matadores de seu pae.

Antes de Christo 839

14 No segundo [1] anno de Jehoás, filho de Joachaz, rei de Israel, começou a reinar Amasias, filho de Joás, rei de Judah.

2 Tinha vinte e cinco annos quando começou a reinar, e vinte e nove annos reinou em Jerusalem. E era o nome de sua mãe Joaddan, de Jerusalem.

3 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, ainda que não como seu pae David: fez porém conforme tudo o que fizera Joás seu pae.

4 Tão sómente [2] os altos se não tiraram; porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos.

5 Succedeu pois que, sendo já o reino confirmado na sua mão, matou os seus servos que tinham [3] morto o rei seu pae.

6 Porém os filhos dos matadores não matou, como está escripto no livro da lei de Moysés, no qual o Senhor deu ordem, dizendo: [4] Não matarão os paes por causa dos filhos, e os filhos não matarão por causa dos paes; mas cada um será morto pelo seu peccado.

7 Este feriu a [5] dez mil edomitas no valle do Sal, e tomou a Sela na guerra: e chamou o seu nome Jocteel, até ao dia d’hoje.

8 Então Amasias, enviou [6] mensageiros a Jehoás, filho de Joachaz, filho de Jehu, rei de Israel, dizendo: Vem, vejamo-nos cara a cara.

9 Porém Jehoás, rei de Israel, enviou a Amasias, rei de Judah, dizendo: O cardo que está no Libano enviou [7] ao cedro que está no Libano, dizendo: Dá tua filha por mulher a meu filho: mas os animaes do campo, que eram no Libano, passaram e pizaram o cardo.

10 Na verdade feriste os moabitas, e o teu coração [8] se ensoberbeceu: gloria-te d’isso, e fica em tua casa; e porque te entremetterias no mal, para caires tu, e Judah comtigo?

11 Mas Amasias não o ouviu; e subiu Jehoás, rei de Israel, e Amasias, rei de Judah, e viram-se cara a cara, [9] em Beth-semes, que está em Judah.

12 E Judah foi ferido diante de Israel, e fugiu cada um para as suas tendas.

13 E Jehoás, rei de Israel, tomou a Amasias, rei de Judah, filho de Joás, filho de Achazias, em Beth-semes: e veiu a Jerusalem, e rompeu o muro [10] de Jerusalem, desde a porta de Ephraim até á porta da esquina, quatrocentos covados.

14 E tomou todo o oiro [11] e a prata, e todos os vasos que se acharam na casa do Senhor e nos thesouros da casa do rei, como tambem os refens: e voltou para Samaria.

15 Ora [12] o mais dos successos de Jehoás, o que fez, e o seu poder, e como pelejou contra Amasias, rei de Judah, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

16 E dormiu Jehoás com seus paes, e foi sepultado em Samaria, junto aos reis d’Israel: e Jeroboão, seu filho, reinou em seu logar.

17 E viveu Amasias, [13] filho de Jehoás, rei de Judah, depois da morte de Jehoás, filho de Joachaz, rei d’Israel, quinze annos.

18 Ora o mais dos successos de Amasias, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

19 E conspiraram contra elle [14] em Jerusalem, e fugiu para Lachis; porém enviaram após elle até Lachis, e o mataram ali.

20 E o trouxeram em cima de cavallos: e o sepultaram em Jerusalem, junto a seus paes, na cidade de David.

21 E todo o povo de Judah tomou a Azarias, [15] que já era de dezeseis annos, e o fizeram rei em logar de Amasias, seu pae.

22 Este edificou a [16] Elath, e a restituiu a Judah, depois que o rei dormiu com seus paes.

O reinado de Jeroboão II.

Antes de Christo 826

23 No decimo quinto anno de Amasias, filho de Joás, rei de Judah, começou a reinar em Samaria, Jeroboão, filho de Jehoás rei de Israel e reinou quarenta e um annos.

[374]

24 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: nunca se apartou de nenhum dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

25 Tambem este restituiu [17] os termos d’Israel, desde a entrada de Hamath até ao mar da planicie: conforme a palavra do Senhor, Deus d’Israel, a qual fallara pelo ministerio de seu servo [18] Jonas, filho do propheta Amithai, o qual era de Gath-hepher.

26 Porque viu [19] o Senhor que a miseria d’Israel era mui amarga, e que nem havia encerrado, nem desamparado, nem quem ajudasse a Israel.

27 E ainda [20] não fallara o Senhor em apagar o nome d’Israel de debaixo do céu; porém os livrou por mão de Jeroboão, filho de Joás.

28 Ora o mais dos successos de Jeroboão, tudo quanto fez, e seu poder, como pelejou, e como [21] restituiu a Damasco e a Hamath, pertencentes a Judah, sendo rei em Israel, porventura não está escripto no livro das chronicas de Israel?

29 E Jeroboão dormiu com seus paes, com os reis de Israel: [22] e Zacharias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] cap. 13.10. II Chr. 25.1.

[2] cap. 12.3.

[3] cap. 12.20.

[4] Deu. 24.16. Eze. 18.4, 20.

[5] II Chr. 25.11. II Sam. 8.13. Jos. 15.38.

[6] II Chr. 25.17, 18, etc.

[7] Jui. 9.8. I Reis 4.33.

[8] Deu. 8.14. II Chr. 32.25. Eze. 28.2, 5, 17. Hab. 2.4.

[9] Jos. 19.38 e 21.16.

[10] Neh. 8.16 e 12.33. Jer. 31.38. Zac. 14.10.

[11] I Reis 7.51.

[12] cap. 13.12.

[13] II Chr. 25.25, etc.

[14] II Chr. 25.27. Jos. 10.31.

[15] cap. 15.13. II Chr. 26.1.

[16] cap. 16.6. II Chr. 26.2.

[17] Num. 13.21 e 34.8. Deu. 3.17.

[18] Jon. 1.1. Mat. 12.39, 40. Jos. 19.13.

[19] cap. 13.4. Deu. 32.36.

[20] cap. 13.5.

[21] II Sam. 8.6. I Reis 11.24. II Chr. 8.3.

[22] cap. 15.8.

Azarias, rei de Judah.

Antes de Christo 824

15 No anno vinte e sete de Jeroboão, rei d’Israel, começou a reinar Azarias, [1] filho d’Amasias, rei de Judah.

2 Tinha dezeseis annos quando começou a reinar, e cincoenta e dois annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Jecolia, de Jerusalem.

3 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Amasias, seu pae.

4 Tão [2] sómente os altos se não tiraram: porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos.

5 E o Senhor feriu [3] o rei, e ficou leproso até ao dia da sua morte; e habitou n’uma casa separada: porém Jothão, filho do rei, tinha o cargo da casa, julgando o povo da terra.

6 Ora o mais dos successos de Azarias, e tudo o que fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

7 E Azarias dormiu com seus paes, e o sepultaram [4] junto a seus paes, na cidade de David: e Jothão, seu filho, reinou em seu logar.

Zacharias reina seis mezes.

Antes de Christo 758

8 No anno trinta e oito d’Azarias, rei de Judah, reinou Zacharias, filho de Jeroboão, sobre Israel, em Samaria, seis mezes.

9 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, como tinham feito seus paes; nunca se apartou dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

10 E Sallum, filho de Jabés, conspirou contra elle e o feriu diante do povo, [5] e o matou; e reinou em seu logar.

11 Ora o mais dos successos de Zacharias, eis que está escripto no livro das chronicas dos reis de Israel.

12 Esta foi a palavra do Senhor, que fallou a [6] Jehu, dizendo: Teus filhos, até á quarta geração, se assentarão sobre o throno d’Israel. E assim foi.

Sallum reina em Samaria um mez.

13 Sallum, filho de Jabés, começou a reinar no anno trinta e nove de Uzias, [7] rei de Judah: e reinou um mez inteiro em Samaria.

14 Porque Menahem, [8] filho de Gadi, subiu de Tirza, e veiu a Samaria; e feriu a Sallum, filho de Jabés, em Samaria, e o matou, e reinou em seu logar.

15 Ora o mais dos successos de Sallum, e a conspiração que fez, eis que está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel.

16 Então Menahem feriu a [9] Tiphsah, e a todos os que n’ella havia, como tambem a seus termos desde Tirza, porque não lhe tinham aberto; e os feriu pois, [10] e a todas as mulheres gravidas fendeu pelo meio.

Menahem reina sobre Israel.

17 Desde o anno trinta e nove de Azarias, rei de Judah, Menahem, filho de Gadi, começou a reinar sobre Israel, e reinou dez annos em Samaria.

18 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: todos os seus dias se não apartou dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

19 Então veiu Pul, [11] rei d’Assyria, contra a terra: e Menahem deu a Pul mil talentos de prata, para que a sua mão fosse com elle, [12] a fim de firmar o reino na sua mão.

20 E Menahem tirou este dinheiro d’Israel, de todos os poderosos e ricos,[375] para o dar ao rei da Assyria, por cada homem cincoenta siclos de prata: assim voltou o rei d’Assyria, e não ficou ali na terra.

21 Ora o mais dos successos de Menahem, e tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel?

22 E Menahem dormiu com seus paes: e Pekaia, seu filho, reinou em seu logar.

Pekaia rei de Israel.

Antes de Christo 771

23 No anno cincoenta de Azarias, rei de Judah, começou a reinar Pekaia, filho de Menahem, e reinou sobre Israel, em Samaria, dois annos.

24 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: nunca se apartou dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

25 E Peka, filho de Remalias, seu capitão, conspirou contra elle, e o feriu em Samaria, no paço da casa do rei, juntamente com Argob e com Arieh, e com elle cincoenta homens dos filhos dos gileaditas: e o matou, e reinou em seu logar.

26 Ora o mais dos successos de Pekaia, e tudo quanto fez, eis que está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel.

27 No anno cincoenta e dois de Azarias, rei de Judah, começou a reinar Peka, [13] filho de Remalias, e reinou sobre Israel, em Samaria, vinte annos.

28 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor: nunca se apartou dos peccados de Jeroboão, filho de Nebat, que fez peccar a Israel.

29 Nos dias de Peka, rei de Israel, veiu Tiglath-pileser, [14] rei d’Assyria, e tomou a Ijon, e a Abel-beth-maaca, e a Janoah, e a Kedes, e a Hasor, e a Gilead, e a Galilea, e a toda a terra de Naphtali, e os levou a Assyria.

30 E Hoseas, filho de Ela, conspirou contra Peka, filho de Remalias, e o feriu, e o matou, e reinou em seu logar, no vigesimo anno de Jothão, filho de Uzias.

31 Ora o mais dos successos de Peka, e tudo quanto fez, eis que está escripto no livro das chronicas dos reis d’Israel.

Jothão rei de Judah.

32 No anno segundo de Peka, filho de Remalias, rei d’Israel, começou a reinar Jothão, [15] filho de Uzias, rei de Judah.

33 Tinha vinte e cinco annos de edade quando começou a reinar, e reinou dezeseis annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Jerusa, filha de Zadok.

34 E fez o que era recto aos olhos do Senhor: [16] fez conforme tudo quanto fizera seu pae Uzias.

35 Tão sómente os altos se não tiraram; porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos: [17] este edificou a porta alta da casa do Senhor.

36 Ora o mais dos successos de Jothão, e tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

37 N’aquelles dias começou o Senhor a enviar contra Judah, [18] a Resin, rei da Syria, e a Peka, filho de Remalias.

38 E Jothão dormiu com seus paes, e foi sepultado junto a seus paes, na cidade de David, seu pae: e Achaz, seu filho, reinou em seu logar.

[1] cap. 14.21. II Chr. 26.1, 3, 4.

[2] ver. 35. cap. 12.3 e 14.4.

[3] II Chr. 26.19-21. Lev. 13.46.

[4] II Chr. 26.23.

[5] Amós 7.9.

[6] cap. 10.30.

[7] Mat. 1.8, 9.

[8] I Reis 14.17.

[9] I Reis 4.24.

[10] cap. 8.12.

[11] I Chr. 5.26. Isa. 9.1. Ose. 8.9.

[12] cap. 14.5.

[13] Isa. 7.1.

[14] I Chr. 5.26. Isa. 9.1. I Reis 15.20.

[15] II Chr. 27.1.

[16] ver. 3.

[17] II Chr. 27.3, etc.

[18] cap. 16.5. Isa. 7.1. ver. 27.

Achaz, rei de Judah.

Antes de Christo 758

16 No anno dezesete de Peka, filho de Remalias, começou a reinar Achaz, [1] filho de Jothão, rei de Judah.

2 Tinha Achaz vinte annos de edade quando começou a reinar, e reinou dezeseis annos em Jerusalem, e não fez o que era recto aos olhos do Senhor seu Deus, como David, seu pae.

3 Porque andou no caminho dos reis de Israel: [2] e até a seu filho fez passar pelo fogo, segundo as abominações dos gentios que o Senhor lançára fóra de diante dos filhos de Israel.

4 Tambem sacrificou, e queimou incenso nos altos [3] e nos outeiros, como tambem debaixo de todo o arvoredo.

5 Então subiu [4] Resin, rei da Syria, com Peka, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalem, á peleja; e cercaram a Achaz, porém não o poderam vencer.

6 N’aquelle mesmo tempo Resin, rei da Syria, [5] restituiu Elath á Syria, e lançou fóra de Elath os judeus: e os syros vieram a Elath, e habitaram ali até ao dia d’hoje.

7 E Achaz enviou mensageiros [6] a Tiglath-pileser, rei da Assyria, dizendo: Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Syria, e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim.

8 E tomou Achaz [7] a prata e o oiro que se achou na casa do Senhor e nos thesouros da casa do rei, e mandou um presente ao rei da Assyria.

9 E o rei da Assyria lhe deu ouvidos; pois o rei da Assyria [8] subiu contra Damasco,[376] e tomou-a, e levou-os presos a Kir, e matou a Resin.

O altar de Damasco.

Antes de Christo 740

10 Então o rei Achaz foi a Damasco, a encontrar-se com Tiglath-pileser, rei da Assyria, e, vendo um altar que estava em Damasco, o rei Achaz enviou ao sacerdote Urias a similhança do altar, e o modelo, conforme toda a sua feição.

11 E Urias, o sacerdote, edificou um altar conforme tudo o que o rei Achaz tinha ordenado de Damasco; assim o fez o sacerdote Urias, entretanto que o rei Achaz viesse de Damasco.

12 Vindo pois o rei de Damasco, o rei viu o altar; e o rei se chegou ao altar, [9] e sacrificou n’elle.

13 E queimou o seu holocausto, e a sua offerta de manjares, e derramou a sua libação: e espargiu o sangue dos seus sacrificios pacificos n’aquelle altar.

14 Porém o altar [10] de cobre, que estava perante o Senhor, tirou de diante da casa, de entre o seu altar e a casa do Senhor, e pôl-o ao lado do seu altar, da banda do norte.

15 E o rei Achaz mandou a Urias o sacerdote, dizendo: [11] No grande altar queima o holocausto de pela manhã, como tambem a offerta de manjares de noite, e o holocausto do rei, e a sua offerta de manjares, e o holocausto de todo o povo da terra, a sua offerta de manjares, e as suas offertas de bebida e todo o sangue dos holocaustos, e todo o sangue dos sacrificios espargirás n’elle; porém o altar de cobre será para mim, para inquirir d’elle.

16 E fez Urias, o sacerdote, conforme tudo quanto o rei Achaz lhe ordenara.

17 E o rei [12] Achaz cortou as cintas das bases, e de cima d’ellas tomou a pia, e o mar tirou de sobre os bois de cobre, que estavam debaixo d’elle, e pôl-o sobre um soalho de pedra.

18 Tambem a coberta do sabbado, que edificaram na casa, e a entrada de fóra do rei, retirou da casa do Senhor, por causa do rei da Assyria.

19 Ora o mais dos successos de Achaz, e o que fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

20 E dormiu Achaz com seus paes, [13] e foi sepultado junto a seus paes, na cidade de David: e Ezequias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Chr. 28.1, etc.

[2] Lev. 18.21. II Chr. 28.3. Deu. 12.31.

[3] Deu. 12.2. I Reis 14.23.

[4] Isa. 7.1, 4, etc.

[5] cap. 14.22.

[6] cap. 15.29.

[7] cap. 12.18. II Chr. 28.21.

[8] Amós 1.5.

[9] II Chr. 26.16, 19.

[10] II Chr. 4.1.

[11] Exo. 29.39, 40, 41.

[12] II Chr. 28.24. I Reis 7.27, 28. I Reis 7.23, 25.

[13] II Chr. 28.27.

Hoseas, rei de Israel.

Antes de Christo 730

17 No anno duodecimo de Achaz, rei de Judah, começou a reinar Hoseas, [1] filho de Ela, e reinou sobre Israel, em Samaria, nove annos.

2 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, comtudo não como os reis de Israel que foram antes d’elle.

3 Contra elle subiu [2] Salmanasar, rei da Assyria: e Hoseas ficou sendo servo d’elle, e pagava-lhe presentes.

4 Porém o rei da Assyria achou em Hoseas conspiração; porque enviara mensageiros a So, rei do Egypto, e não pagava presentes ao rei da Assyria cada anno, como d’antes: então o rei d’Assyria o encerrou e aprisionou na casa do carcere.

5 Porque o rei da Assyria [3] subiu por toda a terra, e veiu até Samaria, e a cercou tres annos.

6 No anno nono [4] de Hoseas, o rei da Assyria tomou a Samaria, e transportou a Israel para a Assyria; e fel-os habitar em Halah, e em Habor, junto ao rio de Gozan, e nas cidades dos medos.

7 Porque succedeu, que os filhos de Israel peccaram contra o Senhor seu Deus, que os fizera subir da terra do Egypto, de debaixo da mão de Pharaó, rei do Egypto; e temeram a outros deuses,

8 E andaram nos [5] estatutos das nações que o Senhor lançara fóra de diante dos filhos de Israel, e nos dos reis de Israel, que elles fizeram.

9 E os filhos de Israel fizeram secretamente coisas que não eram rectas, contra o Senhor seu Deus; e edificaram altos em todas as suas cidades, [6] desde a torre das atalaias até á cidade forte.

10 E levantaram estatuas [7] e imagens do bosque, em todos os altos outeiros, e debaixo de todas as arvores verdes.

11 E queimaram ali incenso em todos os altos, como as nações, que o Senhor transportara de diante d’elles: e fizeram coisas ruins, para provocarem á ira o Senhor.

12 E serviram os idolos, [8] dos quaes o Senhor lhes disséra: Não fareis estas coisas.

13 E o Senhor protestou a Israel e a Judah, pelo ministerio de todos os prophetas e de todos os videntes, [9] dizendo: Converte-os de vossos maus caminhos, e guardae os meus mandamentos e os[377] meus estatutos, conforme toda a lei que ordenei a vossos paes e que eu vos enviei pelo ministerio de meus servos, os prophetas.

Antes de Christo 721

14 Porém não deram ouvidos; [10] antes endureceram a sua cerviz, como a cerviz de seus paes, que não creram no Senhor seu Deus.

15 E rejeitaram os seus [11] estatutos, e o seu concerto, que fizera com seus paes, como tambem os seus testemunhos, com que protestara contra elle: e andaram após a vaidade, e ficaram vãos; como tambem após as nações, que estavam em roda d’elles, das quaes o Senhor lhes tinha ordenado que não fizessem como ellas.

16 E deixaram todos os mandamentos do Senhor seu Deus, [12] e fizeram imagens de fundição, dois bezerros: e fizeram um idolo do bosque, e se prostraram perante todo o exercito do céu, e serviram a Baal.

17 Tambem fizeram passar pelo fogo [13] a seus filhos e suas filhas, e deram-se a adivinhações, e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, para o provocarem á ira.

18 Pelo que o Senhor muito se indignou sobre Israel, e os tirou de diante da sua face: [14] nada mais ficou, senão só a tribu de Judah.

19 Até Judah não [15] guardou os mandamentos do Senhor seu Deus; antes andaram nos estatutos de Israel, que elles fizeram.

20 Pelo que o Senhor rejeitou a toda a semente de Israel, e os opprimiu, [16] e os deu nas mãos dos despojadores, até que os tirou de diante da sua presença.

21 Porque [17] rasgou a Israel da casa de David, e fizeram rei a Jeroboão, filho de Nebat: e Jeroboão apartou a Israel de após o Senhor, e os fez peccar um grande peccado.

22 Assim andaram os filhos de Israel em todos os peccados de Jeroboão, que tinha feito: nunca se apartaram d’elles.

23 Até que o Senhor tirou a Israel de diante da sua presença, [18] como fallara pelo ministerio de todos os seus servos, os prophetas: assim foi Israel transportado da sua terra a Assyria até ao dia de hoje.

O rei da Assyria leva para Samaria muitos estrangeiros.

Antes de Christo 678

24 E o rei da Assyria trouxe gente de Babel, [19] e de Cutha, e de Ava, e de Hamath e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em logar dos filhos d’Israel: e tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades.

25 E succedeu que, no principio da sua habitação ali, não temeram ao Senhor: e mandou entre elles o Senhor leões, que mataram a alguns d’elles.

26 Pelo que fallaram ao rei da Assyria, dizendo: A gente que transportaste, e fizeste habitar nas cidades de Samaria, não sabe o costume do Deus da terra: pelo que mandou leões entre ellas, e eis que os matam, porquanto não sabem o culto do Deus da terra.

27 Então o rei d’Assyria mandou dizer: Levae ali um dos sacerdotes que transportastes de lá; e vão-se, e habitem lá: e elle lhes ensine o costume do Deus da terra.

28 Veiu pois um dos sacerdotes que transportaram de Samaria, e habitou em Bethel, e lhes ensinou como deviam temer ao Senhor.

29 Porém cada nação fez os seus deuses, e os pozeram nas casas dos altos que os samaritanos fizeram, cada nação nas suas cidades, nas quaes habitavam.

30 E os de Babel [20] fizeram Succoth-benoth; e os de Cutha fizeram Nergal; e os de Hamath fizeram Asima.

31 E os aveos [21] fizeram Nibha e Tartak: e os sepharvitas queimavam seus filhos a fogo, a Adram-melech, e a Anam-melech, deuses de Sepharvaim.

32 Tambem temiam ao Senhor: [22] e dos mais baixos se fizeram sacerdotes dos logares altos, os quaes lhes faziam o ministerio nas casas dos logares altos.

33 Assim que ao Senhor temiam, [23] e tambem a seus deuses serviam, segundo o costume das nações d’entre as quaes transportaram aquellas.

34 Até ao dia de hoje fazem segundo os primeiros costumes: não temem ao Senhor, nem fazem segundo os seus estatutos, e segundo as suas ordenanças, e segundo a lei, e segundo o mandamento que o Senhor ordenou aos filhos de Jacob, [24] a quem deu o nome d’Israel.

35 Comtudo o Senhor tinha feito um concerto com elles, e lhes ordenara, dizendo: [25] Não temereis a outros deuses, nem vos inclinareis diante d’elles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis.

[378]

36 Mas o Senhor, [26] que vos fez subir da terra do Egypto com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a elle vos inclinareis, e a elle sacrificareis.

37 E os estatutos, e as ordenanças, e a lei, e o mandamento, que vos escreveu, [27] tereis cuidado de fazer todos os dias: e não temereis a outros deuses.

38 E do concerto [28] que fiz comvosco vos não esquecereis: e não temereis a outros deuses.

39 Mas ao Senhor vosso Deus temereis, e elle vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos.

40 Porém elles não ouviram; antes fizeram segundo o seu primeiro costume.

41 Assim estas [29] nações temiam ao Senhor e serviam as suas imagens de esculptura: tambem seus filhos, e os filhos de seus filhos, como fizeram seus paes, assim fazem elles até ao dia de hoje.

[1] cap. 15.30.

[2] cap. 18.9.

[3] cap. 18.9.

[4] cap. 18.10, 11. Ose. 13.16. Lev. 26.32, 33. Deu. 28.36, 64 e 29.27, 28. I Chr. 5.26.

[5] Lev. 18.3. Deu. 18.9. cap. 16.3.

[6] cap. 18.8.

[7] I Reis 14.23. Isa. 57.5. Exo. 34.13. Deu. 16.21. Miq. 5.14. Deu. 12.2. cap. 16.4.

[8] Exo. 20.3, 4. Lev. 26.1. Deu. 5.7, 8. Deu. 4.19.

[9] I Sam. 9.9. Jer. 18.11 e 25.5 e 35.15.

[10] Deu. 31.27. Pro. 29.1.

[11] Deu. 29.25. Deu. 32.21. I Reis 16.13. I Cor. 8.4. Rom. 1.21. Deu. 12.30, 31.

[12] Exo. 32.8. I Reis 12.28. I Reis 14.15, 23 e 15.13 e 16.33. I Reis 16.31 e 22.53. cap. 11.18.

[13] Lev. 18.21. cap. 16.3. Eze. 23.37. Deu. 18.10. I Reis 21.20.

[14] I Reis 11.13, 31.

[15] Jer. 3.8.

[16] cap. 13.3 e 15.29.

[17] I Reis 11.11, 31. I Reis 12.20, 28.

[18] I Reis 14.16. ver. 6.

[19] Esd. 4.2, 10. ver. 30. cap. 18.34.

[20] ver. 24.

[21] Esd. 4.9. Lev. 18.21. Deu. 12.31.

[22] I Reis 12.31.

[23] Sof. 1.5.

[24] Gen. 32.28 e 35.10. I Reis 11.31.

[25] Jui. 6.10. Exo. 20.5.

[26] Exo. 6.6. Deu. 10.20.

[27] Deu. 5.32.

[28] Deu. 4.23.

[29] ver. 32, 33.

Ezequias restabelece o culto do Senhor.

Antes de Christo 726

18 E succedeu que, no terceiro anno de Hoseas, filho de Ela, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, [1] filho de Achaz, rei de Judah.

2 Tinha vinte e cinco annos de edade quando começou a reinar, e vinte e nove annos reinou em Jerusalem: [2] e era o nome de sua mãe Abi, filha de Zacharias.

3 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera David, seu pae.

4 Este tirou [3] os altos, e quebrou as estatuas, e deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente [4] de metal que Moysés fizera; porquanto até áquelle dia os filhos d’Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram [KQ] Nehustan.

5 No [5] Senhor Deus d’Israel confiou, de maneira que depois d’elle não houve seu similhante entre todos os reis de Judah, nem entre os que foram antes d’elle.

6 Porque se chegou [6] ao Senhor, não se apartou de após elle, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moysés.

7 Assim foi o Senhor [7] com elle; para onde quer que saiu se conduzia com prudencia: e se rebellou contra o rei da Assyria, e não o serviu.

8 Elle feriu [8] os philisteos até Gaza, como tambem os termos d’ella, desde a torre dos atalaias até á cidade forte.

9 E succedeu, no quarto anno do rei Ezequias (que era o setimo anno de Hoseas, filho de Ela, rei d’Israel), que Salmanasar, [9] rei d’Assyria, subiu contra Samaria, e a cercou.

10 E a tomaram ao fim de tres annos, no anno sexto d’Ezequias, [10] que era o anno nono de Hoseas, rei d’Israel, quando tomaram Samaria.

11 E o rei d’Assyria [11] transportou a Israel para a Assyria: e os fez levar a Halah e a Habor, junto ao rio de Gozan, e ás cidades dos medos;

12 Porquanto [12] não obedeceram á voz do Senhor seu Deus, antes traspassaram o seu concerto; e tudo quanto Moysés, servo do Senhor, tinha ordenado, nem o ouviram nem o fizeram.

Sanherib invade Judah.

Antes de Christo 710

13 Porém no anno [13] decimo quarto do rei Ezequias subiu [KR] Sanherib, rei d’Assyria, contra todas as cidades fortes de Judah, e as tomou.

14 Então Ezequias, rei de Judah, enviou ao rei d’Assyria, a Lachis, dizendo: Pequei; torna-te de mim; tudo o que me impozeres levarei. Então o rei d’Assyria impoz a Ezequias, rei de Judah, trezentos talentos de prata e trinta talentos de oiro.

15 Assim deu Ezequias [14] toda a prata que se achou na casa do Senhor e nos thesouros da casa do rei.

16 N’aquelle tempo cortou Ezequias o oiro das portas do templo do Senhor, e das hombreiras, de que Ezequias, rei de Judah, as cobrira, e o deu ao rei d’Assyria.

17 Comtudo enviou o rei d’Assyria a Tartan, e a Rabsaris, e a Rabsaké, de Lachis, com um grande exercito ao rei Ezequias, a Jerusalem: e subiram, e vieram a Jerusalem; e, subindo e vindo elle, pararam ao pé do aqueducto da piscina superior, que está junto [15] ao caminho do campo do lavandeiro.

18 E chamaram o rei, e saiu a elles Eliakim, filho de Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceler.

19 E Rabsaké lhes disse: Ora dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei d’Assyria: [16] Que confiança é esta em que confias?

[379]

20 Dizes tu (porém palavra de beiços é): Ha conselho e poder para a guerra. Em quem pois agora confias, que contra mim te rebellas?

21 Eis que [17] agora tu confias n’aquelle bordão de cana quebrada, no Egypto, no qual, se alguem se encostar, entrar-lhe-ha pela mão e lh’a furará: assim é Pharaó, rei do Egypto, para com todos os que n’elle confiam.

22 Se porém me disserdes: No Senhor nosso Deus confiamos: porventura não é este aquelle cujos altos e cujos altares [18] Ezequias tirou, e disse a Judah e a Jerusalem: Perante este altar vos inclinareis em Jerusalem?

23 Ora pois dá agora refens ao meu senhor, o rei da Assyria, e dar-te-hei dois mil cavallos, se tu poderes dar cavalleiros para elles.

24 Como pois farias virar o rosto d’um só principe dos menores servos de meu senhor? Porém tu confias no Egypto, por causa dos carros e cavalleiros.

25 Agora pois subi eu porventura sem o Senhor contra este logar, para o destruir? O Senhor me disse: Sobe contra esta terra, e destroe-a.

26 Então disse Eliakim, filho de Hilkias, e Sebna, e Joah, a Rabsaké: Rogamos-te que falles aos teus servos em syriaco; porque bem o entendemos; e não nos falles em judaico, aos ouvidos do povo que está em cima do muro.

27 Porém Rabsaké lhes disse: Porventura mandou-me meu senhor a teu senhor e a ti, para fallar estas palavras? e não antes aos homens, que estão sentados em cima do muro, para que juntamente comvosco comam o seu esterco e bebam a sua urina?

28 Rabsaké pois se poz em pé, e clamou em alta voz em judaico, e fallou, e disse: Ouvi a palavra do grande rei, do rei da Assyria.

29 Assim diz o rei: [19] Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da sua mão;

30 Nem tão pouco vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo: Certamente nos livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue na mão do rei da Assyria.

31 Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assyria: Contratae comigo por presentes, e sahi a mim, e coma cada um da sua vide, e da sua figueira, e beba cada um a agua da sua cisterna,

32 Até que eu venha, e vos leve para uma terra como a vossa, terra de trigo e de mosto, [20] terra de pão e de vinhas, terra de oliveiras, de azeite, e de mel; e assim vivereis, e não morrereis: e não deis ouvidos a Ezequias; porque vos incita, dizendo: O Senhor nos livrará.

33 Porventura [21] os deuses das nações poderam livrar, cada um a sua terra, das mãos do rei da Assyria?

34 Que é feito [22] dos deuses de Hamath e de Arpad? Que é feito dos deuses de Sepharvaim, Hena e Iva? porventura livraram a Samaria da minha mão?

35 Quaes são elles, d’entre todos os deuses das terras, que livraram a sua terra da minha mão? [23] para que o Senhor livrasse a Jerusalem da minha mão?

36 Porém calou-se o povo, e não lhe respondeu uma só palavra; porque mandado do rei havia, dizendo: Não lhe respondereis.

37 Então Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho de Asaph, o chanceler, [24] vieram a Ezequias com os vestidos rasgados, e lhe fizeram saber as palavras de Rabsaké.

[1] II Chr. 28.27 e 29.1. Mat. 1.9.

[2] II Chr. 29.1.

[3] II Chr. 31.1.

[4] Num. 21.9.

[5] cap. 19.10. Job 13.15. cap. 23.25.

[6] Deu. 10.20. Jos. 23.8.

[7] II Chr. 15.2. I Sam. 18.5, 14. cap. 16.7.

[8] I Chr. 4.41. Isa. 14.29. cap. 17.9.

[9] cap. 17.3.

[10] cap. 17.6.

[11] I Chr. 5.26.

[12] cap. 17.7. Dan. 9.6, 10.

[13] II Chr. 32.1, etc. Isa. 36.1, etc.

[14] cap. 16.8.

[15] Isa. 7.3.

[16] II Chr. 32.10, etc.

[17] Eze. 29.6, 7.

[18] II Chr. 31.1 e 32.12. ver. 4.

[19] II Chr. 32.15.

[20] Deu. 8.7, 8.

[21] cap. 19.12. II Chr. 32.14. Isa. 10.10, 11.

[22] cap. 19.13. cap. 17.24.

[23] Dan. 3.15.

[24] Isa. 33.7.

Ezequias ora na casa do Senhor.

19 E aconteceu que Ezequias, [1] tendo-o ouvido, rasgou os seus vestidos, e se cubriu de sacco, e entrou na casa do Senhor.

2 Então enviou a Eliakim, o mordomo, e a Sebna, o escrivão, e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de saccos, [2] ao propheta Isaias, filho de Amós.

3 E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angustia, e de vituperação, e de blasphemia; porque os filhos chegaram ao parto, e não ha força para parir.

4 Bem pode ser que o Senhor teu Deus [3] ouça todas as palavras de Rabsaké, a quem enviou o seu senhor, o rei da Assyria, para affrontar o Deus vivo, e para vituperal-o com as palavras que o Senhor teu Deus tem ouvido: faze pois oração pelo resto que se acha.

5 E os servos do rei Ezequias vieram a Isaias.

6 E Isaias [4] lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: Não temas as palavras que ouviste, [5] com as quaes os servos do rei da Assyria me blasphemaram.

7 Eis que metterei n’elle [6] um espirito, e elle ouvirá um arroido, e voltará[380] para a sua terra: á espada o farei cair na sua terra.

8 Voltou pois Rabsaké, e achou o rei da Assyria pelejando contra Libna, [7] porque tinha ouvido que se havia partido de Lachis.

9 E, ouvindo [8] elle dizer de Tirhaká, rei de Cus: Eis que ha saido para te fazer guerra; tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:

10 Assim fallareis a Ezequias, rei de Judah, dizendo: [9] Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalem não será entregue na mão do rei d’Assyria.

11 Eis que já tens ouvido o que fizeram os reis da Assyria a todas as terras, [KS] destruindo-as totalmente, e tu te livrarás?

12 Porventura [10] as livraram os deuses das nações, a quem destruiram, como a Gozan e a Haran? e a Reseph, [11] e aos filhos de Eden, que estavam em Telassar?

13 Que é feito [12] do rei de Hamath, e do rei de Arpad, e do rei da cidade de Sepharvaim, Hena e Iva?

14 Recebendo [13] pois Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e lendo-as, subiu á casa do Senhor, e Ezequias as estendeu perante o Senhor.

15 E orou Ezequias perante o Senhor, e disse: Ó Senhor Deus de Israel, [14] que habitas entre os cherubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra: tu fizeste os céus e a terra.

16 Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, Senhor, os teus olhos, e olha: [15] e ouve as palavras de Sanherib, que enviou a este, para affrontar o Deus vivo.

17 Verdade é, ó Senhor, que os reis da Assyria assolaram as nações e as suas terras,

18 E lançaram os seus deuses no fogo; porquanto deuses não eram, [16] mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruiram.

19 Agora pois, ó Senhor nosso Deus, sê servido de nos livrar da sua mão: e assim saberão todos os reinos da terra que só tu és o Senhor Deus.

Isaias conforta a Ezequias.

20 Então Isaias, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor Deus de Israel: [17] O que me pediste ácerca de Sanherib, rei da Assyria, ouvi.

21 Esta é a palavra que o Senhor fallou d’elle: [18] A virgem, a filha de Sião, te despreza, de ti zomba; [19] a filha de Jerusalem menea a cabeça por detraz de ti.

22 A quem affrontaste e blasphemaste? E contra quem alçaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? [20] Contra o Sancto de Israel?

23 Por meio de teus [21] mensageiros affrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão de meus carros subo eu ao alto dos montes, aos lados do Libano, e cortarei os seus altos cedros, e as suas mais formosas faias, e entrarei nas suas pousadas extremas, até no bosque do seu campo fertil.

24 Eu cavei, e bebi aguas estranhas; e com as plantas de meus pés sequei todos os rios dos logares fortes.

25 Porventura não ouviste que já d’antes fiz [22] isto, e desde os dias antigos o formei? agora porém o fiz vir, para que fosses tu que reduzisses as cidades fortes a montões desertos.

26 Por isso os moradores d’ellas, com as mãos encolhidas, ficaram pasmados e confundidos: eram como a herva do campo, e a hortaliça verde, e o feno dos telhados, e o trigo queimado, antes que se levante.

27 Porém o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, eu o sei, e o teu furor contra mim.

28 Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua revolta subiu aos meus ouvidos; portanto porei o meu anzol no teu nariz, [23] e o meu freio nos teus beiços, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste.

29 E isto te será por [24] signal: este anno se comerá o que nascer por si mesmo, e no anno seguinte o que d’ahi proceder; porém o terceiro anno semeae e segae, e plantae vinhas, e comei os seus fructos.

30 Porque o que escapou [25] da casa de Judah, e ficou de resto, tornará a lançar raizes para baixo, e dará fructo para cima.

31 Porque de Jerusalem sairá o restante, e do monte de Sião o que escapou: [26] o zelo do Senhor fará isto.

32 Portanto, assim diz o Senhor ácerca do rei d’Assyria: Não entrará n’esta[381] cidade, nem lançará n’ella frecha alguma: tão pouco virá perante ella com escudo, nem levantará contra ella tranqueira alguma.

33 Pelo caminho por onde vier por elle voltará; porém n’esta cidade não entrará, diz o Senhor.

34 Porque eu ampararei a [27] esta cidade, para a livrar, por amor de mim e por amor do meu servo David.

Deus fere os syros e livra Judah.

35 Succedeu [28] pois que n’aquella mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assyrios a cento e oitenta e cinco mil d’elles; e, levantando-se pela manhã cedo, eis que todos eram corpos mortos.

36 Então Sanherib, rei d’Assyria, partiu, e se foi, e voltou: [29] e ficou em Ninive.

37 E succedeu que, estando elle prostrado na casa de Nisroch, seu deus, [30] Adram-melech e Sarezer, seus filhos, o feriram á [31] espada; porém elles escaparam para a terra d’Ararat: e Esarhaddon, seu filho, reinou em seu logar.

[1] Isa. 37.1, etc.

[2] Luc. 3.4.

[3] II Sam. 16.12. cap. 18.35.

[4] Isa. 37.6, etc.

[5] cap. 18.17.

[6] ver. 35, 36, 37. Jer. 51.1.

[7] cap. 18.14.

[8] I Sam. 23.27.

[9] cap. 18.5.

[10] cap. 18.33.

[11] Eze. 27.23.

[12] cap. 18.34.

[13] Isa. 37.14, etc.

[14] I Sam. 4.4. I Reis 18.39. Isa. 44.6. Jer. 10.10, 11, 12.

[15] II Chr. 6.40. ver. 4.

[16] Jer. 10.3.

[17] Isa. 37.21, etc.

[18] Lam. 2.13.

[19] Job 16.4. Lam. 2.15.

[20] Isa. 5.24. Jer. 51.5.

[21] cap. 18.17.

[22] Isa. 45.7. Isa. 10.5.

[23] Job 41.2. Eze. 29.4 e 38.4. Amós 4.2. ver. 33, 36, 37.

[24] I Sam. 2.34. cap. 20.8, 9. Isa. 7.11, 14. Luc. 2.12.

[25] II Chr. 32.22, 23.

[26] Isa. 9.7.

[27] cap. 20.6. I Reis 11.12, 13.

[28] II Chr. 32.21. Isa. 37.36.

[29] Gen. 10.11.

[30] II Chr. 32.21.

[31] ver. 7. Esd. 4.2.

Ezequias adoece.

20 N’aquelles dias [1] adoeceu Ezequias de morte: e o propheta Isaias, filho d’Amós, veiu a elle, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Ordena a tua casa, porque morrerás, e não viverás.

2 Então virou o rosto para a parede, e orou ao Senhor, dizendo:

3 Ah, Senhor! [2] Sê servido de te lembrar de que andei diante de ti em verdade, e com o coração perfeito, e fiz o que era recto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitissimo.

4 Succedeu pois que, não havendo Isaias ainda saido do meio do pateo, veiu a elle a palavra do Senhor, dizendo:

5 Volta, e dize a Ezequias, [3] chefe do meu povo: Assim diz o Senhor Deus de teu pae David: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lagrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás á casa do Senhor.

6 E accrescentarei aos teus dias quinze annos, e das mãos do rei d’Assyria te livrarei, a ti e a esta cidade; [4] e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de David, meu servo.

7 Disse mais Isaias: [5] Tomae uma pasta de figos. E a tomaram, e a pozeram sobre a chaga; e elle sarou.

8 E Ezequias disse a Isaias: [6] Qual é o signal de que o Senhor me sarará, e de que ao terceiro dia subirei á casa do Senhor?

9 E disse Isaias: [7] Isto te será signal, da parte do Senhor, de que o Senhor cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-ha a sombra dez graus, ou voltará dez graus atraz?

10 Então disse Ezequias: É facil que a sombra decline dez graus; não, mas volte a sombra dez graus atraz.

11 Então o propheta Isaias clamou ao Senhor; [8] e fez voltar a sombra dez graus atraz, pelos graus que tinha declinado nos graus do relogio de sol d’Achaz.

A embaixada do rei de Babylonia.

Antes de Christo 713

12 N’aquelle tempo [9] enviou Berodac Baladan, filho de Baladan, rei de Babylonia, cartas e um presente a Ezequias; porque ouvira que Ezequias tinha estado doente.

13 E Ezequias [10] lhes deu ouvidos, e lhes mostrou toda a casa de seu thesouro, a prata, e o oiro, e as especiarias, e os melhores unguentos, e a sua casa d’armas, e tudo quanto se achou nos seus thesouros: coisa nenhuma houve que lhes não mostrasse, nem em sua casa, nem em todo o seu dominio.

14 Então o propheta Isaias veiu ao rei Ezequias, e lhe disse: Que disseram aquelles homens, e d’onde vieram a ti? E disse Ezequias: De um paiz mui remoto vieram, de Babylonia.

15 E disse elle: Que viram em tua casa? E disse Ezequias: Tudo quanto ha em minha casa viram: [11] coisa nenhuma ha nos meus thesouros que eu lhes não mostrasse.

16 Então disse Isaias a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor:

17 Eis que veem dias em que tudo quanto houver em tua casa, [12] e o que enthesouraram teus paes até ao dia de hoje, será levado a Babylonia: não ficará coisa alguma, disse o Senhor.

18 E ainda até de teus filhos, que procederem de ti, e que tu gerares, tomarão, [13] para que sejam eunuchos no paço do rei de Babylonia.

19 Então disse Ezequias a Isaias: [14] Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: E pois não o seria? pois em meus dias haverá paz e verdade.

20 Ora o mais dos successos de Ezequias,[382] e todo o seu poder, [15] e como fez a piscina e o aqueducto, e como fez vir a agua á cidade, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

21 E Ezequias dormiu [16] com seus paes: e Manasseh, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Chr. 32.24, etc. Isa. 38.1, etc.

[2] Neh. 13.22. Gen. 17.1. I Reis 3.6.

[3] I Sam. 9.16 e 10.1. cap. 19.20.

[4] cap. 19.34.

[5] Isa. 38.21.

[6] Jui. 6.17, 37, 39. Isa. 7.11, 14 e 38.22.

[7] Isa. 38.7, 8.

[8] Jos. 10.12, 14. Isa. 38.8.

[9] Isa. 39.1, etc.

[10] II Chr. 32.27, 31.

[11] ver. 13.

[12] cap. 24.13 e 25.13. Jer. 27.21, 22 e 52.17.

[13] cap. 24.12. II Chr. 33.11.

[14] I Sam. 3.18. Job 1.21.

[15] II Chr. 32.32. Neh. 3.16. II Chr. 32.30.

[16] II Chr. 32.33.

A impiedade de Manasseh e as ameaças de Deus.

Antes de Christo 698

21 Tinha Manasseh [1] doze annos de edade quando começou a reinar, e cincoenta e cinco annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Hephsiba.

2 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, [2] conforme as abominações dos gentios que o Senhor desterrara de suas possessões de diante dos filhos d’Israel.

3 Porque tornou a edificar [3] os altos que Ezequias, seu pae, tinha destruido, e levantou altares a Baal, e fez um bosque como o que fizera Achab, rei d’Israel, e se inclinou diante de todo o exercito dos céus, e os serviu.

4 E edificou altares [4] na casa do Senhor, de que o Senhor tinha dito: [5] Em Jerusalem porei o meu nome.

5 Tambem edificou altares a todo o exercito dos céus em ambos os atrios da casa do Senhor.

6 E até fez passar a seu filho pelo fogo, [6] e adivinhava pelas nuvens, e era agoureiro, e ordenou adivinhos e feiticeiros: [7] e proseguiu em fazer mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira.

7 Tambem poz uma imagem de esculptura, do bosque que tinha feito, na casa de que o Senhor dissera a David e a Salomão, seu filho: [8] N’esta casa e em Jerusalem, que escolhi de todas as tribus d’Israel, porei o meu nome para sempre.

8 E mais não [9] farei mover o pé d’Israel d’esta terra que tenho dado a seus paes; comtanto sómente que tenham cuidado de fazer conforme tudo o que lhes tenho ordenado, e conforme toda a lei que Moysés, meu servo, lhes ordenou.

9 Porém não ouviram; [10] porque Manasseh de tal modo os fez errar, que fizeram peior do que as nações, que o Senhor tinha destruido de diante dos filhos de Israel.

10 Então o Senhor fallou pelo ministerio de seus servos, os prophetas, dizendo:

11 Porquanto [11] Manasseh, rei de Judah, fez estas abominações, fazendo peior do que quanto fizeram os amorrheos, que antes d’elle [12] foram, e até tambem a Judah fez peccar com os seus idolos;

12 Por isso assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que hei de trazer um mal sobre Jerusalem e Judah, que qualquer que ouvir, [13] lhe ficarão retinindo ambas as orelhas.

13 E estenderei sobre Jerusalem o cordel [14] de Samaria e o prumo da casa de Achab: e limparei a Jerusalem, como quem limpa a escudela, a limpa e a vira sobre a sua face.

14 E desampararei o resto da minha herança, entregal-os-hei na mão de seus inimigos; e far-se-hão roubo e despojo para todos os seus inimigos.

15 Porquanto fizeram o que parecia mal aos meus olhos, e me provocaram á ira, desde o dia em que seus paes sairam do Egypto até hoje.

16 De mais [15] d’isto, tambem Manasseh derramou muitissimo sangue innocente, até que encheu a Jerusalem de um ao outro extremo, afóra o seu peccado, com que fez peccar a Judah, fazendo o que parecia mal aos olhos do Senhor.

17 Quanto [16] ao mais dos filhos de Manasseh, e a tudo quanto fez mais, e ao seu peccado, que peccou, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

18 E Manasseh [17] dormiu com seus paes, e foi sepultado no jardim da sua casa, no jardim de Uza: e Amon, seu filho, reinou em seu logar.

Amon é um mau rei, e os seus servos o matam.

19 Tinha Amon [18] vinte e dois annos de edade quando começou a reinar, e dois annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Mesullemeth, filha d’Harus, de Jotba.

20 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, [19] como fizera Manasseh, seu pae.

21 Porque andou em todo o caminho em que andara seu pae: e serviu os idolos, a que seu pae tinha servido, e se inclinou diante d’elles.

22 Assim deixou [20] ao Senhor, Deus de seus paes, e não andou no caminho do Senhor.

[383]

23 E os servos [21] de Amon conspiraram contra elle, e mataram o rei em sua casa.

24 Porém o povo da terra feriu a todos os que conspiraram contra o rei Amon: e o povo da terra poz a Josias, seu filho, rei em seu logar.

25 Quanto ao mais dos successos de Amon, que fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

26 E o sepultaram na sua sepultura, no jardim de Usa: [22] e Josias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Chr. 33.1, etc.

[2] cap. 16.3.

[3] cap. 18.4. I Reis 16.32, 33. Deu. 4.19 e 17.3. cap. 17.16.

[4] Jer. 32.34.

[5] II Sam. 7.13. I Reis 8.29 e 9.3.

[6] Lev. 18.21 e 20.2. cap. 16.3 e 17.17.

[7] Lev. 18.26, 31. Deu. 18.10, 11. cap. 17.17.

[8] II Sam. 7.13. I Reis 8.29 e 9.3. cap. 23.27. Jer. 32.34.

[9] II Sam. 7.10.

[10] Pro. 29.12.

[11] cap. 23.26 e 24.3, 4. I Reis 21.26.

[12] ver. 9.

[13] I Sam. 3.11. Jer. 19.3.

[14] Isa. 34.11. Lam. 2.8. Amós 7.7, 8.

[15] cap. 24.4.

[16] II Chr. 33.11-19.

[17] II Chr. 33.20.

[18] II Chr. 33.21-23.

[19] ver. 2, etc.

[20] I Reis 11.33.

[21] II Chr. 33.24, 25.

[22] Mat. 1.10.

Josias repara o templo.

Antes de Christo 641

22 Tinha Josias [1] oito annos d’edade quando começou a reinar, e reinou trinta e um annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe, Jedida, filha de Adais, de Boskath.

2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor; e andou em todo o caminho de David, seu pae, [2] e não se apartou d’elle nem para a direita nem para a esquerda.

3 Succedeu pois que, no anno decimo oitavo do rei Josias, [3] o rei mandou ao escrivão Saphan, filho de Asalias, filho de Mesullam, á casa do Senhor, dizendo:

4 Sobe a Hilkias, o summo sacerdote, para que tome o dinheiro [4] que se trouxe á casa do Senhor, o qual os guardas do umbral da porta ajuntaram do povo,

5 E que o [5] dêem na mão dos que teem cargo da obra, e estão encarregados da casa do Senhor; para que o dêem áquelles que fazem a obra que ha na casa do Senhor, para repararem as [KT] quebraduras da casa:

6 Aos carpinteiros, e aos edificadores, e aos pedreiros: e para comprar madeira e pedras lavradas, para repararem a casa.

7 Porém [6] com elles se não fez conta do dinheiro que se lhes entregara nas suas mãos, porquanto obravam com fidelidade.

Hilkias acha o livro da lei.

8 Então disse o summo sacerdote Hilkias, ao escrivão Saphan: [7] Achei o livro da lei na casa do Senhor. E Hilkias deu o livro a Saphan, e elle o leu.

9 Então o escrivão Saphan veiu ao rei, e referiu ao rei a resposta; e disse: Teus servos ajuntaram o dinheiro que se achou na casa, e o entregaram na mão dos que teem cargo da obra, que estão encarregados da casa do Senhor.

10 Tambem Saphan, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilkias me deu um livro. E Saphan o leu diante do rei.

11 Succedeu pois que, ouvindo o rei as palavras do livro da lei, rasgou os seus vestidos.

12 E o rei mandou a Hilkias, o sacerdote, e a Ahikam, filho de Saphan, [8] e a Acbor, filho de Micaias, e a Saphan, o escrivão, e a Asaias, o servo do rei, dizendo:

13 Ide, e consultae ao Senhor por mim, e pelo povo, e por todo o Judah, ácerca das palavras d’este livro que se achou; [9] porque grande é o furor do Senhor, que se accendeu contra nós; porquanto nossos paes não deram ouvidos ás palavras d’este livro, para fazerem conforme tudo quanto de nós está escripto.

Hulda, a prophetiza.

Antes de Christo 624

14 Então foi o sacerdote Hilkias, e Ahikam, e Acbor, e Saphan, e Asaias á prophetiza Hulda, mulher de Sallum, [10] filho de Tikva, o filho de Harhas, o guarda das vestiduras (e ella habitava em Jerusalem, na segunda parte,) e lhe fallaram.

15 E ella lhes disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim:

16 Assim diz o Senhor: [11] Eis que trarei mal sobre este logar, e sobre os seus moradores, a saber: todas as palavras do livro que leu o rei de Judah.

17 Porquanto me deixaram, [12] e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem á ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se accendeu contra este logar, e não se apagará.

18 Porém ao [13] rei de Judah, que vos enviou a consultar ao Senhor, assim lhe direis: Assim diz o Senhor o Deus de Israel ácerca das palavras, que ouviste:

19 Porquanto o teu [14] coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que fallei contra este logar, e contra os seus moradores, que seria para assolação e para maldição, [15] e que rasgaste os[384] teus vestidos, e choraste perante mim, tambem eu te ouvi, diz o Senhor.

20 Pelo que eis que eu te ajuntarei a teus paes, [16] e tu serás ajuntado em paz á tua sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este logar. Então tornaram a trazer ao rei a resposta.

[1] II Chr. 34.1. Jos. 15.39.

[2] Deu. 5.32.

[3] II Chr. 34.8, etc.

[4] cap. 12.4. cap. 12.9.

[5] cap. 12.11, 12, 14.

[6] cap. 12.15.

[7] Deu. 31.24, etc. II Chr. 34.14, etc.

[8] II Chr. 34.20.

[9] Deu. 29.27.

[10] II Chr. 34.22.

[11] Deu. 29.27. Dan. 9.11, 12, 13, 14.

[12] Deu. 29.25, 26, 27.

[13] II Chr. 34.26, etc.

[14] Isa. 57.15. I Reis 21.29.

[15] Lev. 26.31, 32. Jer. 26.6 e 44.22.

[16] Isa. 57.1, 2.

Josias ajunta todo o povo e renova o pacto do Senhor.

23 Então o rei enviou, [1] e todos os anciãos de Judah e de Jerusalem se ajuntaram a elle.

2 E o rei subiu á casa do Senhor, e com elle todos os homens de Judah, e todos o moradores de Jerusalem, e os sacerdotes, e os prophetas, e todo o povo, desde o mais pequeno até ao maior: [2] e leu aos ouvidos d’elles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na casa do Senhor.

3 E o rei se poz [3] em pé junto á columna, e fez o concerto perante o Senhor, para andarem atraz do Senhor, e guardarem os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o coração, e com toda a alma, confirmando as palavras d’este concerto, que estavam escriptas n’aquelle livro; e todo o povo esteve por este concerto.

4 E o rei mandou ao summo sacerdote Hilkias, e aos sacerdotes da segunda ordem, e aos guardas do umbral da porta, que se tirassem do templo do Senhor todos os vasos que se tinham feito para Baal, [4] e para o bosque, e para todo o exercito dos céus: e os queimou fóra de Jerusalem, nos campos de Cedron, e levou o pó d’elles a Bethel.

5 Tambem abrogou os sacerdotes que os reis de Judah estabeleceram para incensarem sobre os altos nas cidades de Judah, e ao redor de Jerusalem, como tambem os que incensavam a Baal, ao sol, e á lua, e aos mais planetas, [5] e a todo o exercito dos céus.

6 Tambem tirou da casa do [6] Senhor o bosque para fóra de Jerusalem até ao ribeiro de Cedron, e o queimou junto ao ribeiro de Cedron, e o desfez em pó, [7] e lançou o seu pó sobre as sepulturas dos filhos do povo.

7 Tambem derribou as casas dos rapazes escandalosos [8] que estavam na casa do Senhor, em que as mulheres teciam casinhas para o bosque.

8 E a todos os sacerdotes trouxe das cidades de Judah, e profanou os altos em que os sacerdotes incensavam, [9] desde Geba até Berseba: e derribou os altos das portas, o que estava á entrada da porta de Josué, o chefe da cidade, que estava á mão esquerda d’aquelle que entrava pela porta da cidade.

9 Mas [10] os sacerdotes dos altos não sacrificavam sobre o altar do Senhor em Jerusalem; porém comiam pães asmos no meio de seus irmãos.

10 Tambem profanou [11] a Topheth, que está no valle dos filhos de Hinnom; para que ninguem fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Molech.

11 Tambem tirou os cavallos que os reis de Judah tinham ordenado para o sol, á entrada da casa do Senhor, perto da camara de Nathan-melech, o eunucho, que estava no precinto: e os carros do sol queimou a fogo.

12 Tambem o rei derribou os altares que estavam sobre [12] o terraço do cenaculo de Achaz, os quaes fizeram os reis de Judah, como tambem o rei derribou os altares que fizera Manasseh nos dois atrios da casa do Senhor: e esmiuçados os tirou d’ali, e lançou o pó d’elles no ribeiro de Cedron.

13 O rei profanou tambem os altos que estavam defronte de Jerusalem, á mão direita do monte de Mashith, os quaes edificara Salomão, [13] rei d’Israel, a Astoreth, a abominação dos sidonios, e a Camos, a abominação dos moabitas, e a Milcom, a abominação dos filhos d’Ammon.

14 Similhantemente quebrou [14] as estatuas, e cortou os bosques, e encheu o seu logar com ossos de homens.

O altar de Bethel é profanado e derribado.

15 E tambem o altar que estava em Bethel, [15] e o alto que fez Jeroboão, filho de Nebat, que tinha feito peccar a Israel, juntamente com aquelle altar tambem o alto derribou; queimando o alto, em pó o esmiuçou, e queimou o bosque.

16 E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte, e enviou, e tomou os ossos das sepulturas, e os queimou sobre aquelle altar, e assim o profanou, [16] conforme palavra do Senhor, que apregoara o homem de Deus, quando apregoou estas palavras.

17 Então disse: Que é este monumento que vejo? E o homens da cidade lhe disseram: [17] É a sepultura do homem[385] de Deus que veiu de Judah, e apregoou estas coisas que fizeste contra este altar de Bethel.

18 E disse: Deixae-o estar; ninguem mexa nos seus ossos. [18] Assim deixaram estar os seus ossos com os ossos do propheta que viera de Samaria.

19 De mais d’isto tambem Josias tirou todas as casas dos altos que havia nas cidades [19] de Samaria, e que os reis d’Israel tinham feito para provocarem á ira; e lhes fez conforme todos os feitos que tinha feito em Bethel.

20 E sacrificou [20] todos os sacerdotes dos altos, que havia ali, sobre os altares, e queimou ossos de homens sobre elles: depois voltou a Jerusalem.

A celebração da paschoa.

21 E o rei deu ordem a todo o povo, dizendo: [21] Celebrae a paschoa ao Senhor vosso Deus, como está escripto no livro do concerto.

22 Porque nunca se celebrou [22] tal paschoa como esta desde os dias dos juizes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis d’Israel, nem tão pouco dos reis de Judah.

23 Porém no anno decimo oitavo do rei Josias esta paschoa se celebrou ao Senhor em Jerusalem.

24 E tambem [23] os adivinhos, e os feiticeiros, e os terafins, e os idolos, e todas as abominações que se viam na terra de Judah e em Jerusalem, os extirpou Josias, [24] para confirmar as palavras da lei, que estavam escriptas no livro que o sacerdote Hilkias achara na casa do Senhor.

25 E antes d’elle não houve [25] rei similhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moysés: e depois d’elle nunca se levantou outro tal.

26 Todavia o Senhor se não tornou do ardor da sua grande ira, com que ardia a sua ira contra Judah, [26] por todas as provocações com que Manasseh o tinha provocado.

27 E disse o Senhor: Tambem a Judah hei de tirar de diante da minha face, [27] como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalem que elegi, como tambem a casa de que disse: [28] Estará ali o meu nome.

28 Ora o mais dos successos de Josias, e tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

29 Nos seus [29] dias subiu Pharaó Neco, rei do Egypto, contra o rei d’Assyria, ao rio Euphrates: e o rei Josias lhe foi ao encontro; e, vendo-o elle, o matou em Megiddo.

30 E seus servos [30] o levaram morto de Megiddo, e o trouxeram a Jerusalem, e o sepultaram na sua sepultura: e o povo da terra tomou a Joachaz, filho de Josias, e o ungiram, e o fizeram rei em logar de seu pae.

Joachaz reina, e é levado captivo para o Egypto.

Antes de Christo 610

31 Tinha Joachaz vinte e tres annos de edade quando começou a reinar, e tres mezes reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Hamutal, [31] filha de Jeremias, de Libna.

32 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizeram seus paes.

33 Porém Pharaó Neco o mandou prender em Ribla, [32] em terra de Hamath, para que não reinasse em Jerusalem: e á terra impoz pena de cem talentos de prata e um talento de oiro.

34 Tambem Pharaó Neco [33] estabeleceu rei a Eliakim, filho de Josias, em logar de seu pae Josias, e lhe mudou o nome em Joaquim: porém a Joachaz tomou comsigo, [34] e veiu ao Egypto e morreu ali.

35 E Joaquim deu aquella prata [35] e aquelle oiro a Pharaó; porém fintou a terra, para dar esse dinheiro conforme o mandado de Pharaó: a cada um segundo a sua avaliação demandou a prata e o oiro do povo da terra, para o dar a Pharaó Neco.

36 Tinha Joaquim [36] vinte e cinco annos de edade quando começou a reinar, e reinou onze annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Zebuda, filha de Pedaia, de Ruma.

37 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizeram seus paes.

[1] II Chr. 34.29, 30, etc.

[2] cap. 22.8.

[3] cap. 11.14, 17.

[4] cap. 21.3, 7.

[5] cap. 21.3.

[6] cap. 21.7.

[7] II Chr. 34.4.

[8] I Reis 14.24 e 15.12. Eze. 16.16.

[9] I Reis 15.22.

[10] Eze. 44.10-14. I Sam. 2.36.

[11] Isa. 30.33. Jer. 7.31 e 19.6, 11, 12, 13. Jos. 15.8. Lev. 18.21. Deu. 18.10. Eze. 23.37, 39.

[12] Jer. 19.13. Sof. 1.5. cap. 21.5.

[13] I Reis 11.7.

[14] Exo. 23.24. Deu. 7.5, 25.

[15] I Reis 12.28, 33.

[16] I Reis 13.2.

[17] I Reis 13.1, 30.

[18] I Reis 13.31.

[19] II Chr. 34.6, 7.

[20] I Reis 13.2. Exo. 22.20. I Reis 18.40. cap. 11.18. II Chr. 34.5.

[21] II Chr. 35.1. Exo. 12.3. Lev. 23.5. Num. 9.2. Deu. 16.2.

[22] II Chr. 35.18, 19.

[23] cap. 21.6.

[24] Lev. 19.31 e 20.27. Deu. 18.11.

[25] cap. 18.5.

[26] cap. 21.11, 12 e 24.3, 4. Jer. 15.4.

[27] cap. 17.18, 20 e 18.11 e 21.13.

[28] I Reis 8.29 e 9.3. cap. 21.4, 7.

[29] II Chr. 35.20. Zac. 12.11. cap. 14.8.

[30] II Chr. 35.24. II Chr. 36.1.

[31] cap. 24.18.

[32] cap. 25.6. Jer. 52.27.

[33] II Chr. 36.4. cap. 24.17. Dan. 1.7. Mat. 1.11.

[34] Jer. 22.11, 12. Eze. 19.3, 4.

[35] ver. 33.

[36] II Chr. 36.5.

24 Nos seus dias [1] subiu Nabucodonosor, rei de Babylonia, e Joaquim ficou tres annos seu servo; depois se virou, e se rebellou contra elle.

2 E Deus enviou contra [2] elle as tropas[386] dos chaldeos, e as tropas dos syros, e as tropas dos moabitas, e as tropas dos filhos d’Ammon; e as enviou contra Judah, para o destruir, [3] conforme a palavra do Senhor, que fallara pelo ministerio de seus servos, os prophetas.

3 E, na verdade, conforme o mandado do Senhor, assim succedeu a Judah, que a tirou de diante da sua face, [4] por causa dos peccados de Manasseh, conforme tudo quanto fizera.

4 Como tambem por [5] causa do sangue innocente que derramou, enchendo a Jerusalem de sangue innocente: e por isso o Senhor não quiz perdoar.

5 Ora o mais dos successos de Joaquim, e tudo quanto fez, porventura não está escripto no livro das chronicas dos reis de Judah?

6 E Joaquim dormiu [6] com seus paes: e Joachin, seu filho, reinou em seu logar.

7 E o rei do Egypto [7] nunca mais saiu da sua terra; porque o rei de Babylonia tomou tudo quanto era do rei do Egypto, desde o rio do Egypto até ao rio Euphrates.

O principio da captividade de Judah.

Antes de Christo 599

8 Tinha Joachin [8] dezoito annos de edade quando começou a reinar, e reinou tres mezes em Jerusalem: e era o nome de sua mãe, Nehustha, filha de Elnathan, de Jerusalem.

9 E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera seu pae.

10 N’aquelle tempo [9] subiram os servos de Nabucodonosor, rei de Babylonia, a Jerusalem, e a cidade foi cercada.

11 Tambem veiu Nabucodonosor, rei de Babylonia, contra a cidade, quando já os seus servos a estavam cercando.

12 Então saiu Joachin, [10] rei de Judah, ao rei de Babylonia, elle, e sua mãe, e seus servos, e seus principes, e seus eunuchos; [11] e o rei de Babylonia o tomou preso, no anno oitavo do seu reinado.

13 E tirou [12] d’ali todos os thesouros da casa do Senhor, e os thesouros da casa do rei: e fendeu todos os vasos d’oiro, que fizera Salomão, rei de Israel, no templo do Senhor, como o Senhor tinha dito.

14 E transportou [13] a toda a Jerusalem, como tambem a todos os principes, e a todos os homens valorosos, dez mil presos, e a todos os carpinteiros e ferreiros: ninguem ficou senão [14] o povo pobre da terra.

15 Assim transportou [15] Joachin a Babylonia; como tambem a mãe do rei, e as mulheres do rei, e os seus eunuchos, e os poderosos da terra levou presos de Jerusalem a Babylonia.

16 E todos [16] os homens, valentes, até sete mil, e carpinteiros e ferreiros até mil, e todos os varões dextros na guerra, a estes o rei de Babylonia, levou presos para Babylonia.

17 E o [17] rei de Babylonia estabeleceu a Mathanias, seu tio, rei em seu logar: e lhe mudou o nome em Zedekias.

Zedekias reina, e é levado, com o seu povo, captivo para Babylonia.

Antes de Christo 600

18 Tinha Zedekias [18] vinte e um annos de edade quando começou a reinar, e reinou onze annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.

19 E fez o que parecia mal [19] aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera Joaquim.

20 Porque assim succedeu por causa da ira do Senhor contra Jerusalem, e contra Judah, até os rejeitar de diante da sua face: [20] e Zedekias se rebellou contra o rei de Babylonia.

[1] II Chr. 36.6. Jer. 25.1, 9. Dan. 1.1.

[2] Jer. 25.9 e 32.28. Eze. 19.8.

[3] cap. 20.17 e 21.12, 13, 14 e 23.27.

[4] cap. 21.2, 11 e 23.26.

[5] cap. 21.16.

[6] II Chr. 36.6, 8. Jer. 22.18, 19 e 36.30.

[7] Jer. 37.5, 7. Jer. 46.2.

[8] II Chr. 36.9.

[9] Dan. 1.1.

[10] Jer. 24.1 e 29.1, 2. Eze. 17.12.

[11] Jer. 25.1. cap. 25.27. Jer. 52.28.

[12] cap. 20.17. Isa. 39.6. Dan. 5.2, 3. Jer. 20.5.

[13] Jer. 24.1. Jer. 52.28. I Sam. 13.19, 22.

[14] cap. 25.12. Jer. 40.7.

[15] II Chr. 36.10. Est. 2.6. Jer. 22.24, etc.

[16] Jer. 52.28.

[17] Jer. 37.1. I Chr. 3.15. II Chr. 36.10. cap. 23.34. II Chr. 36.4.

[18] II Chr. 36.11. Jer. 37.1 e 52.1. cap. 23.31.

[19] II Chr. 36.12.

[20] II Chr. 36.13. Eze. 17.15.

25 E succedeu [1] que, no non o anno do seu reinado, no mez decimo, aos dez do mez, Nabucodonosor, rei de Babylonia, veiu contra Jerusalem, elle e todo o seu exercito, e se acampou contra ella, e levantaram contra ella tranqueiras em redor.

Antes de Christo 588

2 E a cidade foi sitiada até ao undecimo anno do rei Zedekias.

3 Aos [2] nove do mez quarto, quando a cidade se via apertada da fome, nem havia pão para o povo da terra.

4 Então a cidade [3] foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram de noite pelo caminho da porta, entre os dois muros que estavam junto ao jardim do rei (porque os chaldeos estavam contra a cidade em redor), [4] e o rei se foi pelo caminho da campina.

5 Porém o exercito dos chaldeos perseguiu o rei, e o alcançaram nas campinas[387] de Jericó: e todo o seu exercito se dispersou d’elle.

6 E tomaram o rei, e o fizeram subir ao rei de Babylonia, a Ribla: [5] e procederam contra elle.

7 E aos filhos de Zedekias degolaram diante dos seus olhos: e vasaram os olhos a Zedekias, [6] e o ataram com duas cadeias de bronze, e o levaram a Babylonia.

8 E no quinto [7] mez no setimo dia do mez (este era o anno decimo nono de Nabucodonosor rei de Babylonia), veiu Nebuzaradan, capitão da guarda, servo do rei de Babylonia, a Jerusalem,

9 E queimou [8] a casa do Senhor e a casa do rei, como tambem todas as casas de Jerusalem, e todas as casas dos grandes, queimou.

10 E todo o exercito dos chaldeos, que estava com o capitão da guarda, [9] derribou os muros em redor de Jerusalem.

11 E o mais do povo [10] que deixaram ficar na cidade, e os rebeldes que se renderam ao rei de Babylonia, e o mais da multidão, Nebuzaradan, o capitão da guarda, levou presos.

12 Porém dos mais pobres da terra deixou [11] o capitão da guarda ficar alguns para vinheiros e para lavradores.

13 Quebraram mais os chaldeos as columnas [12] de cobre que estavam na casa do Senhor, como tambem as bases e o mar de cobre que estavam na casa do Senhor: e levaram o seu bronze para Babylonia.

14 Tambem tomaram as caldeiras, [13] e as pás, e os apagadores, e os [KU] perfumadores, e todos os vasos de cobre, com que se ministrava.

15 Tambem o capitão da guarda tomou os braseiros, e as bacias, o que era de puro oiro, em oiro e o que era de prata, em prata.

16 As duas columnas, [14] um mar, e as bases, que Salomão fizera para a casa do Senhor: o cobre de todos estes vasos não tinha peso.

17 A altura d’uma [15] columna era de dezoito covados, e sobre ella havia um capitel de cobre, e de altura tinha o capitel tres covados; e a rede, e as romãs em roda do capitel, tudo era de cobre; e similhante a esta era a outra columna com a rede.

18 Tambem o capitão da guarda tomou a [16] Seraias, primeiro sacerdote, e a Zephanias segundo sacerdote, e aos tres guardas do umbral da porta.

19 E da cidade tomou a um eunucho, que tinha cargo da gente de guerra, [17] e a cinco homens dos que viam a face do rei, e se acharam na cidade, como tambem ao escrivão-mór do exercito, que registrava o povo da terra para a guerra, e a sessenta homens do povo da terra, que se acharam na cidade.

20 E tomando-os Nebuzaradan, o capitão da guarda, os trouxe ao rei de Babylonia, a Ribla.

21 E o rei de Babylonia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamath: [18] e Judah foi levado preso para fóra da sua terra.

22 Porém, quanto ao povo que ficava [19] na terra de Judah, e Nabucodonosor, rei de Babylonia, deixou ficar, poz sobre elle por maioral a Gedalias, filho de Ahikam, filho de Saphan.

Gedalias governa, mas Ishmael mata-o.

23 Ouvindo pois os [20] capitães dos exercitos, elles e os seus homens, que o rei de Babylonia puzera a Gedalias por maioral, vieram a Gedalias, a Mispah, a saber: Ishmael, filho de Nethanias, e Johanan, filho de Kareath, e Seraias, filho de Tanhumeth, o netophatita, e Jazanias, filho do Maacatita, elles e os seus homens.

24 E Gedalias jurou a elles e aos seus homens, e lhes disse: Não temaes ser servos dos chaldeos; ficae na terra, e servi ao rei de Babylonia, e bem vos irá.

25 Succedeu, porém, que, no setimo mez, [21] veiu Ishmael, filho de Nethanias, o filho de Elisama, da semente real, e dez homens com elle, e feriram a Gedalias, e elle morreu, como tambem aos judeos, e aos chaldeos que estavam com elle em Mispah.

26 Então todo o povo se levantou, desde o mais pequeno até ao maior, como tambem os capitães dos exercitos, e vieram ao Egypto, [22] porque temiam os chaldeos.

27 Depois d’isto succedeu [23] que, no anno trinta e sete do captiveiro de Joaquim, rei de Judah, no mez duodecimo, aos vinte e sete do mez, Evil-merodac, rei de Babylonia, levantou, no anno em que reinou, a cabeça de[388] Joaquim, rei de Judah, [24] da casa da prisão.

28 E lhe fallou benignamente: e poz o seu throno acima do throno dos reis que estavam com elle em Babylonia.

29 E lhe mudou os vestidos da prisão, [25] e de continuo comeu pão na sua presença todos os dias da sua vida.

30 E, quanto á sua subsistencia, pelo rei lhe foi dada subsistencia continua, a porção de cada dia no seu dia, todos os dias da sua vida.

[1] II Chr. 36.17. Jer. 34.2 e 39.1 e 52.4, 5. Eze. 24.1.

[2] Jer. 30.2 e 52.6.

[3] Jer. 39.2 e 52.7, etc.

[4] Jer. 39.4-7 e 52.7. Eze. 12.12.

[5] cap. 23.33. Jer. 52.9.

[6] Jer. 39.7. Eze. 12.13.

[7] Jer. 52.12-14. ver. 27. cap. 24.12. Jer. 39.9.

[8] II Chr. 36.19. Jer. 39.8. Amós 2.5.

[9] Neh. 1.3. Jer. 52.14.

[10] Jer. 39.9 e 52.15.

[11] cap. 24.14. Jer. 39.10 e 40.7 e 52.16.

[12] cap. 20.17. Jer. 27.19, 22 e 52.17, etc. I Reis 7.15.

[13] Exo. 27.3. I Reis 7.45, 50.

[14] I Reis 7.47.

[15] I Reis 7.15. Jer. 52.21.

[16] Jer. 52.24, etc. I Chr. 6.14. Esd. 7.1. Jer. 21.1 e 29.25.

[17] Jer. 52.2.

[18] Lev. 26.33. Deu. 28.36, 64. cap. 23.27.

[19] Jer. 40.5.

[20] Jer. 40.7, 8, 9.

[21] Jer. 41.1, 2.

[22] Jer. 43.4, 7.

[23] Jer. 52.31, etc.

[24] Gen. 40.13, 20.

[25] II Sam. 9.7.


O PRIMEIRO LIVRO DAS CHRONICAS.

Genealogia desde Adão até Noé. Os filhos de Noé, e seus descendentes.

Antes de Christo 1676

1 Adão, Seth, [1] Enos,

2 Canan, Mahalaleel, Jared,

3 Henoch, Methusalah, Lamech,

4 Noé, Sem, Cão, e Japhet.

5 Os filhos [2] de Japhet foram: Gomer, e Magog, e Madai, e Javan, e Tubal, e Mesech, e Tiras.

6 E os filhos de Gomer: Asquenaz, e Riphat, e Togarma.

7 E os filhos de Javan: Elisa, e Tarsis, e Chittim, e Dodanim.

8 Os filhos [3] de Cão: Cus, e Mitsraim, e Put e Canaan.

9 E os filhos de Cus eram Seba, e Havila, e Sabta, e Raema, e Sabtecha: e os filhos de Raema eram Seba e Dedan.

10 E Cus [4] gerou a Nemrod, que começou a ser poderoso na terra.

11 E Mitsraim gerou aos ludeos, e aos anameos, e aos lehabeos, e aos naphtuheos,

12 E aos pathruseos, e aos casluchros (dos quaes procederam os philisteos), e [5] aos caftoreos.

13 E Canaan [6] gerou a Sidon, seu primogenito, e a Het,

14 E aos jebuseos, e aos amorrheos, e aos girgaseos,

15 E aos heveos, e aos arkeos, e aos sineos,

16 E aos arvadeos, e aos zemareos, e aos hamatheos.

17 E foram os filhos [7] de Sem: Elam, e Assur, e Arphaxad, e Lud, e Aram, e Uz, e Hul, e Gether, e Mesech.

18 E Arphaxad gerou a Selah: e Selah gerou a Heber.

19 E a Heber nasceram dois filhos: o nome d’um foi Peleg, porquanto nos seus dias se repartiu a terra, e o nome de seu irmão era Joktan.

20 E Joktan [8] gerou a Almodad, e a Seleph, e a Hasarmaveth, e a Jarah,

21 E a Hadoram, e a Husal, e a Dikla,

22 E a Ebad, e a Abimael, e a Seba,

23 E a Ophir, e a Havila, e a Jobab: todos estes foram filhos de Joktan.

24 Sem, [9] Arphaxad, Selah,

25 Heber, [10] Peleg, Rehu,

26 Serug, Nahor, Thare,

27 Abrão, [11] que é Abrahão.

28 Os filhos de Abrahão foram Isaac e [12] Ishmael.

29 Estas são as suas gerações: o primogenito [13] de Ishmael foi Nebaioth, e Kedar, e Adbeel, e Mibsam,

30 Misma, e Duma, e Masca, Hadar e Tema,

31 Jetur, e Naphis e Kedma: estes foram os filhos de Ishmael.

32 Quanto aos filhos de [14] Ketura, concubina de Abrahão, esta pariu a Zimran, e a Joksan, e a Medan, e a Midian, e a Jisbak, e a Suah: e os filhos de Joksan foram Seba e Dedan.

33 E os filhos de Midian: Epha, e Epher, e Hanoch, e Abidah, e Eldah: todos estes foram filhos de Ketura.

34 Abrahão [15] pois gerou a Isaac: e foram os filhos de Isaac Esaú e Israel.

35 Os filhos [16] de Esaú: Eliphaz, Reuel, e Jehus, e Jalam, e Corah.

36 Os filhos [17] de Eliphaz: Teman, e Omar, e Zephi, e Gaetam, e Quenaz, e Timna, e Amalek.

37 Os filhos de Reuel: Nahath, Zerah, Samma, e Missa.

38 E os filhos de Seir: Lothan, e Sobal, e Zibeon, e Ana, e Dison, e Eser, e Disan.

[389]

39 E os filhos de Lothan: Hori e Homam; e a irmã de Lothan foi Timna.

40 Os filhos de Sobal eram Alian, e Manahath, e Ebel, Sephi e Onam: e os filhos de Zibeon eram Aya e Ana.

41 Os filhos de Ana foram Dison: e os filhos de [18] Dison foram Hamran, e Esban, e Ithran, e Cheran.

42 Os filhos de Eser eram Bilhan, e Zaavan, e Jaakan: os filhos de Disan eram Uz e Aran.

43 E estes são os reis [19] que reinaram na terra d’Edom, antes que reinasse rei sobre os filhos d’Israel: Bela, filho de Beor; e era o nome da sua cidade Dinhaba.

44 E morreu Bela, e reinou em seu logar Jobab, filho de Zerah, de Bosra.

45 E morreu Jobab, e reinou em seu logar Husam, da terra dos temanitas.

46 E morreu Husam, e reinou em seu logar Hadad, filho de Bedad: este feriu os midianitas no campo de Moab; e era o nome da sua cidade Avith.

47 E morreu Hadad, e reinou em seu logar Samla, de Masreka.

48 E morreu Samla, [20] e reinou em seu logar Saul, de Rehoboth, junto ao rio.

49 E morreu Saul, e reinou em seu logar Baal-hanan, filho de Acbor.

50 E, morrendo Baal-hanan, Hadad reinou em seu logar; e era o nome da sua cidade Pae: e o nome de sua mulher era Mehetabeel, filha de Matred, a filha de Mezahab.

51 E, morrendo Hadad, foram principes em Edom [21] o principe Timna, o principe Alya, o principe Jetheth,

52 O principe Aholibama, o principe Ela, o principe Pinon,

53 O principe Quenaz, o principe Teman, o principe Mibzar,

54 O principe Magdiel, o principe Iram: estes foram os principes d’Edom.

[1] Gen. 4.25, 26 e 5.3, 9.

[2] Gen. 10.2, etc.

[3] Gen. 10.6, etc.

[4] Gen. 10.8, 13, etc.

[5] Deu. 2.23.

[6] Gen. 10.15, etc.

[7] Gen. 10.22 e 11.10.

[8] Gen. 10.26.

[9] Gen. 11.10, etc. Luc. 3.34, etc.

[10] Gen. 11.15.

[11] Gen. 17.5.

[12] Gen. 16.11, 15.

[13] Gen. 25.13-16.

[14] Gen. 25.1, 2.

[15] Gen. 21.2, 3. Gen. 25.25, 26.

[16] Gen. 36.9, 10.

[17] Gen. 23.20.

[18] Gen. 36.20.

[19] Gen. 36.31, etc.

[20] Gen. 36.37.

[21] Gen. 36.40.

Os doze filhos de Jacob, e os descendentes de Judah.

Antes de Christo 1752

2 Estes são os filhos de Israel: [1] Ruben, Simeão, Levi, Judah, Issacar e Zebulon;

2 Dan, José e Benjamin, Naphtali, Gad e Aser.

3 Os filhos de [2] Judah foram Er, e Onan, e Sela: estes tres lhe nasceram da filha de Sua, a cananea: e Er, o primogenito de Judah, foi mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou.

4 Porém [3] Tamar, sua nora, lhe pariu a Perez e a Serah: todos os filhos de Judah foram cinco.

5 Os filhos de [4] Perez foram Hezron e Hamul.

6 E os filhos de Serah: [KV] Zimri, [5] e Ethan, e Heman, e Calcol, e Dara: cinco ao todo.

7 E os filhos de [6] Carmi foram [KW] Acar, o perturbador de Israel, que peccou no anathema.

8 E os filhos de Ethan foram Azarias.

9 E os filhos de Hezron, que lhe nasceram, foram Jerahmeel, e Ram, e Chelubai.

10 E Ram [7] gerou a Amminadab, e Amminadab gerou a Nahasson, principe dos filhos de Judah.

11 E Nahasson gerou a Salma, e Salma gerou a Booz.

12 E Booz gerou a Obed, e Obed gerou a Jessé.

13 E Jessé [8] gerou a Eliah, seu primogenito, e Abinadab, o segundo, e Simea, o terceiro,

14 Nathanael, o quarto, Radda, o quinto,

15 Osem, o sexto, David, o setimo.

16 E foram suas irmãs Zeruia e Abigail: e foram os filhos [9] de Zeruia: Abisai, e Joab, e Asael, tres.

17 E Abigail [10] pariu a Amasa: e o pae de Amasa foi Jether, o ishmaelita.

18 E Caleb, filho de Hezron, gerou filhos de Azuba, sua mulher, e de Jerioth: e os filhos d’esta foram estes: Jeser, e Sobab, e Ardon.

19 E morreu Azuba; [11] e Caleb tomou para si a Ephrath, a qual lhe pariu a Hur.

20 E Hur gerou a Uri, e Uri gerou a [12] Besaleel.

21 Então Hezron entrou á filha de Machir, [13] pae de Gilead, e, sendo elle de sessenta annos, a tomou: e ella lhe pariu a Segub.

22 E Segub gerou a Jair: e este tinha vinte e tres cidades na terra de Gilead.

23 E Gesur e Aram tomaram [14] d’elles as aldeias de Jair, e Kenath, e seus logares, sessenta cidades: todos estes foram filhos de Machir, pae de Gilead.

24 E, depois da morte de Hezron, em Caleb de Ephrata, Abia, mulher de Hezron, lhe pariu a [15] Ashur, pae de Tekoa.

25 E os filhos de Jerahmeel, primogenito[390] de Hezron, foram Ram, o primogenito, e Buna, e Oren, e Osem, e Ahija.

26 Teve tambem Jerahmeel ainda outra mulher cujo nome era Atara: esta foi a mãe de Onam.

27 E foram os filhos de Ram, primogenito de Jerahmeel: Maas, e Jamin, e Eker.

28 E foram os filhos de Onam: Sammai e Judah; e os filhos de Sammai: Nadab e Abisur.

29 E era o nome da mulher de Abisur Abiail, que lhe pariu a Ahban e a Molid.

30 E foram os filhos de Nadab Seled e Appaim: e Seled morreu sem filhos.

31 E os filhos d’Appaim foram Ishi; e os filhos de Ishi: Sesan. [16] E os filhos de Sesan: Ahlai.

32 E os filhos de Jada, irmão de Sammai, foram Jether e Jonathan: e Jether morreu sem filhos.

33 E os filhos de Jonathan foram Peleth e Zaza: estes foram os filhos de Jerahmeel.

34 E Sesan não teve filhos, mas filhas: e tinha Sesan um servo egypcio, cujo nome era Jarha.

35 Deu pois Sesan sua filha por mulher a Jarha, seu servo: e lhe pariu a Attai.

36 E Attai gerou a Nathan, e Nathan gerou a [17] Zabad.

37 E Zabad gerou a Eflal, e Eflal gerou a Obed.

38 E Obed gerou a Jehu, e Jehu gerou a Azarias.

39 E Azarias gerou a Heles, e Heles gerou a Eleasa.

40 E Eleasa gerou a Sismai, e Sismai gerou a Sallum.

41 E Sallum gerou a Jekamias, e Jekamias gerou a Elisama.

42 E foram os filhos de Caleb, irmão de Jerahmeel, Mesa, seu primogenito (este foi o pae de Ziph), e os filhos de Maresa, pae de Hebron.

43 E foram os filhos de Hebron: Korah, e Tappuah, e Rekem, e Sema.

44 E Sema gerou a Raham, pae de Jorkeam: e Rekem gerou a Sammai.

45 E foi o filho de Sammai Maon: e Maon foi pae de Bethzur.

46 E Epha, a concubina de Caleb, pariu a Haran, e a Mosa, e a Gazez: e Haran gerou a Gazez.

47 E foram os filhos de Johdai: Regem, e Jotham, e Gesan, e Pelet, e Epha, e Saaph.

48 De Maaca, concubina, gerou Caleb a Seber e a Tirhana.

49 E a mulher de Saaph, pae de Madmanna, pariu a Seva, pae de Machbena e pae de Gibea; e foi a filha de Caleb [18] Acsa.

50 Estes foram os filhos de Caleb, filho de Hur, o primogenito de Ephrata: Sobal, pae de Kiriath-jearim,

51 Salma, pae dos bethlehemitas, Hareph, pae de Beth-gader.

52 E foram os filhos de Sobal, pae de Kiriath-jearim: Haroe e metade dos menuhitas.

53 E as familias de Kiriath-jearim foram os jethreos, e os putheos, e os sumatheos, e os misraeos: d’estes sairam os zoratheos, e os esthaoleos.

54 Os filhos de Salma foram Bethlehem e os nethophatitas, Atroth, e Beth-joab, e metade dos manahthitas, e os zoritas.

55 E as familias dos escribas que habitavam em Jabez foram os thirathitas, os simathitas, e os sucathitas: estes são os kineos, que vieram de Hammath, pae da casa de Rechab.

[1] Gen. 29.32 e 30.5, etc. e 35.18, 22 e 46.8, etc.

[2] Gen. 38.3 e 46.12. Num. 26.19. Gen. 38.2. Gen. 38.7.

[3] Gen. 38.29, 30. Mat. 1.3.

[4] Gen. 46.12. Ruth 4.18.

[5] I Reis 4.31.

[6] cap. 4.1. Jos. 6.18 e 7.1.

[7] Ruth 4.19, 20. Mat. 1.4. Num. 1.7 e 2.3.

[8] I Sam. 16.6.

[9] II Sam. 2.18.

[10] II Sam. 17.25.

[11] ver. 50.

[12] Exo. 31.2.

[13] Num. 27.1.

[14] Num. 32.41. Deu. 3.14. Jos. 13.30.

[15] cap. 4.5.

[16] ver. 34, 35.

[17] cap. 11.41.

[18] Jos. 15.17.

Descendentes de David.

Antes de Christo 1471

3 E Estes foram os filhos de David, que lhe nasceram em Hebron: o primogenito, Amnon, [1] de Ahinoam, a jizreelita; o segundo, Daniel, de Abigail, a carmelita;

2 O terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur; o quarto, Adonias, filho de Haggith;

3 O quinto, Sephatias, d’Abital; o sexto, Ithream, de Egla, [2] sua mulher.

4 Seis lhe nasceram em Hebron, [3] porque ali reinou sete annos e seis mezes: e trinta e tres annos reinou em Jerusalem.

5 E estes lhe nasceram em Jerusalem: [4] Simea, e Sobab, e Nathan, e Salomão: estes quatro lhe nasceram de [KX] Bath-sua, filha de Ammiel.

6 Nasceram-lhe mais Ibehar, e Elisama, e Eliphelet,

7 E Nogath, e Nepheg, e Japhia,

8 E Elisama, e Eliad, e Eliphelet, [5] nove.

9 Todos estes foram filhos de David, afóra os filhos das concubinas, e Tamar, [6] irmã d’elles.

10 E filho de Salomão foi [7] Roboão; e seu filho Abias; e seu filho Asa; e seu filho Josaphat;

[391]

11 E seu filho Jorão; e seu filho Achazias; e seu filho Joás;

12 E seu filho Amasias; e seu filho Jotham;

13 E seu filho Achaz; e seu filho Ezequias; e seu filho Manassés;

14 E seu filho Amon; e seu filho Josias.

15 E os filhos de Josias foram: o primogenito, Johanan; o segundo, Joaquim; o terceiro, Zedekias; o quarto, Sallum.

16 E os filhos de [8] Joaquim: Jechonias, seu filho, e Zedekias, seu filho.

17 E os filhos de Jechonias: Assir, e seu filho Sealthiel.

18 Os filhos d’este foram: Malchiram, e Pedaia, e Senazzar, Jekamias, Hosama, e Nedabias.

19 E os filhos de Pedaia: Zorobabel e Simei; e os filhos de Zorobabel: Messullam, e Hananias, e Selomith, sua irmã,

20 E Hasuba, e Obel, e Berechias, e Hasadias, e Jusab-hesed, cinco.

21 E os filhos de Hananias: Pelatias e Jesaias: os filhos de Rephaias, os filhos d’Arnan, os filhos de Obadias, e os filhos de Secanias.

22 E os filhos de Secanias foram Semaias: e os filhos de Semaias: [9] Hattus, e Igeal, e Bariah, e Nearias, e Saphat, seis.

23 E os filhos de Nearias: Elioenai, e Ezequias, e Azrikam, tres.

24 E os filhos de Elioenai: Hodavias, e Eliasib, e Pelaias, e Akkub, e Johanan, e Delaias, e Anani, sete.

[1] II Sam. 3.2. Jos. 15.56.

[2] II Sam. 3.5.

[3] II Sam. 2.11. II Sam. 5.5.

[4] II Sam. 5.14. cap. 14.4. II Sam. 12.24.

[5] II Sam. 5.14, 15, 16.

[6] II Sam. 13.1.

[7] I Reis 11.33 e 15.6, 13 e 15.5.

[8] Mat. 1.11, 12.

[9] Esd. 8.2.

Os descendentes de Judah.

Antes de Christo 1300

4 Os filhos de Judah foram: [1] Perez, e Hezron, e Carmi, e Hur, e Sobal.

2 E Reaias, filho de Sobal, gerou a Jahath, e Jahath gerou a Ahumai e a Lahad: estas são as familias dos zorathisas.

3 E estes foram os filhos do pae de Etam: Jezreel, e Isma, e Idbas: e era o nome de sua irmã Hazzelelponi.

4 E mais Penuel, pae de Gedor, e Ezer, pae de Husa: estes foram os filhos de [2] Hur, o primogenito de Ephrata, pae de Beth-lehem.

5 E tinha Ashur, [3] pae de Tekoa, duas mulheres: Hela e Naara.

6 E Naara lhe pariu a Ahuzzam, e a Hepher, e a Temeni, e a Haahastari; estes foram os filhos de Naara.

7 E os filhos de Hela: Zereth, Jesohar, e Ethnan.

8 E Kos gerou a Anub e a Zobeba: e as familias d’Aharhel, filho de Harum.

9 E foi [4] Jabes mais illustre do que seus irmãos: e sua mãe chamou o seu nome Jabes, dizendo: Porquanto com dôres o pari.

10 Porque Jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Se me abençoares muitissimo, e meus termos amplificares, e a tua mão fôr comigo, e fizeres que do mal não seja afflicto! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

11 E Chelub, irmão de Suha, gerou a Mehir: este é o pae de Esthon.

12 E Esthon gerou a Bethrapha, e a Peseah, e a Tehinna, pae de Ir-nahas: estes foram os homens de Reca.

13 E foram os filhos de Kenas: [5] Othniel e Seraias; e filhos de Othniel: Hathath.

14 E Meonothai gerou a Ophra, e Seraias gerou a Joab, pae dos do valle [6] dos artifices; porque foram artifices.

15 E foram os filhos de Caleb, filho de Jefone: Iru, Ela, e Naam: e os filhos de Ela, a saber, Kenas.

16 E os filhos de Jehalelel: Ziph, e Zipha, e Tiria e Asareel.

17 E os filhos de Ezra: Jether, e Mered, e Epher, e Jalon: e ella pariu a Miriam, e Sammai, e Isbah, pae de Esthemo.

18 E sua mulher, judia, pariu a Jered, pae de Gedor, e a Heber, pae de Soco, e a Jekuthiel, pae de Zanohah; e estes foram os filhos de Bitia, filha de Pharaó, que Mered tomou.

19 E foram os filhos da mulher de Hodias, irmã de Naham: Abikeila, o garmita, e Esthemo, o maacatita.

20 E os filhos de Simeão: Amnon, e Rinna, e Ben-hanan, e Tilon: e os filhos de Ishi: Zoheth e Benzoheth.

21 Os filhos de Sela, [7] filho de Judah: Er, pae de Lecha, e Lada, pae de Maresa, e as familias da casa dos obreiros de linho, em casa de Asbea.

22 Como tambem Jokim, e os homens de Cozeba, e Joás, e Saraph (que dominaram sobre os moabitas), e Jasubi-lehem: porém estas coisas já são antigas.

23 Estes foram oleiros, e habitavam nas hortas e nos cerrados: estes ficaram ali com o rei na sua obra.

24 Os filhos de Simeão foram Nemuel, e Jamin, e Jarib, e Zera, e Saul,

25 Cujo filho foi Sallum, e seu filho Mibsam, e seu filho Misma.

26 E os filhos de Misma foram: Hammuel, seu filho, cujo filho foi Zaccur, e seu filho Simei.

[392]

27 E Simei teve dezeseis filhos, e seis filhas, porém seus irmãos não tiveram muitos filhos: e toda a sua familia não se multiplicou tanto como as dos filhos de Judah.

28 E habitaram em [8] Berseba, e em Moluda, e em Hasar-sual,

29 E em Bilha, e em Esem, e em Tholad,

30 E em Bethuel, e em Horma, e em Ziklag,

31 E em Beth-marcaboth, e em Hasar-susim, e Beth-biri, e em Saaraim: estas foram as suas cidades, até que David reinou.

32 E foram as suas aldeias: Etam, e Ain, e Rimmon, e Tochen, e Asan: cinco cidades.

33 E todas as suas aldeias, que estavam em redor d’estas cidades, até Baal, estas foram as suas habitações e suas genealogias para elles.

34 Porém Mesobab, e Jamlech, e Josa, filho de Amasias,

35 E Joel, e Jehu, filho de Josibias, filho de Seraias, filho de Asiel,

36 E Elioenai, e Jaakoba, e Jeshoaias, e Asaias, e Adiel, e Jesimiel, e Benaias,

37 E Ziza, filho de Siphi, filho de Allon, filho de Jedaias, filho de Simri, filho de Semaia:

38 Estes, registrados por seus nomes, foram principes nas suas familias: e as familias de seus paes se multiplicaram abundantemente.

39 E chegaram até á entrada de Gedor, ao oriente do valle, a buscar pasto para as suas ovelhas.

40 E acharam pasto fertil e terra espaçosa, e quieta, e descançada; porque os de Cão habitaram ali d’antes.

41 Estes pois, que estão descriptos por seus nomes, vieram nos dias de Ezequias, rei de Judah, [9] e feriram as tendas e habitações dos que se acharam ali, e as destruiram totalmente até ao dia d’hoje, e habitaram em seu logar: porque ali havia pasto para as suas ovelhas.

42 Tambem d’elles, dos filhos de Simeão, quinhentos homens foram ás montanhas de Seir; e a Pelatias, e a Nearias, e a Rephaias, e a Uzziel, filhos de Ishi, levaram por cabeças.

43 E feriram o restante dos que escaparam dos amalekitas, e habitaram ali até ao dia d’hoje.

[1] Gen. 38.29 e 46.12.

[2] cap. 2.50.

[3] cap. 2.24.

[4] Gen. 34.19.

[5] Jos. 15.17.

[6] Neh. 11.35.

[7] Gen. 38.1, 5 e 46.12.

[8] Jos. 19.2.

[9] II Reis 18.8.

5 Quanto aos filhos de Ruben, o primogenito de Israel;—porque elle era [1] o primogenito, mas porque profanara [2] a cama de seu pae, deu-se a sua primogenitura aos filhos de José, filho de Israel; para assim não ser contado na genealogia da primogenitura.

2 Porque Judah foi poderoso [3] entre seus irmãos, e d’elle vem o principe; porém a primogenitura foi de José;—

3 Foram pois os filhos de [4] Ruben, o primogenito de Israel: Hanoch, e Pallu, e Hezron, e Carmi.

4 Os filhos de Joel: Semaias, seu filho, Gog, seu filho, Simei seu filho,

5 Micha, seu filho, Reaia, seu filho, Baal, seu filho,

6 Beera, seu filho, o qual Tilgath-pilneser, rei da Assyria, levou preso: este foi principe dos rubenitas.

7 Quanto a seus irmãos para suas familias, [5] quando pozeram nas genealogias segundo as suas descendencias, foram chefes Jeiel e Zacharias,

8 E Bela, filho de Azaz, filho de Sema, filho de Joel, que habitou em [6] Aroer até Nebo e Baal-meon,

9 Tambem habitou da banda do oriente, até á entrada do deserto, desde o rio Euphrates; porque seu gado se tinha multiplicado na terra [7] de Gilead.

10 E nos dias de Saul fizeram guerra aos [8] hagarenos, que cairam pela sua mão: e elles habitaram nas suas tendas defronte de toda a banda oriental de Gilead.

11 E os filhos de Gad habitaram defronte d’elles, na terra de [9] Basan, até Salcha.

12 Joel foi chefe, e Sapham o segundo: porém Jaanai e Saphat ficaram em Basan.

13 E seus irmãos, segundo as suas casas paternas, foram: Michael, e Mesullam, e Seba, e Jorai, e Jachan, e Zia, e Eber, sete.

14 Estes foram os filhos de Abiail, filho de Huri, filho de Jaroah, filho de Gilead, filho de Michael, filho de Jesisai, filho de Jahdo, filho de Buz;

15 Ahi, filho de Abdiel, filho de Guni, foi chefe da casa de seus paes.

16 E habitaram em Gilead, em Basan, e nos logares da sua jurisdicção; como tambem em todos os arrabaldes de [10] Saron, até ás suas saidas.

17 Todos estes foram registrados, segundo as suas genealogias, nos dias de Jothão, [11] rei de Judah, e nos dias de Jeroboão, rei de Israel.

[393]

18 Dos filhos de Ruben, e dos gaditas, e da meia tribu de Manassés, homens muito bellicosos, que traziam escudo e espada, e entesavam o arco, e eram destros na guerra: quarenta e quatro mil e setecentos e sessenta, que sahiam á peleja.

19 E fizeram guerra aos hagarenos, [12] como a Jetur, e a Naphis e a Nodab.

20 E [13] foram ajudados contra elles, e os hagarenos e todos quantos estavam com elles foram entregues em sua mão; porque clamaram a Deus na peleja, e lhes deu ouvidos, porquanto confiaram n’elle.

21 E levaram preso o seu gado: seus camelos, cincoenta mil, e duzentas e cincoenta mil ovelhas, e dois mil jumentos, e cem mil almas de homens.

22 Porque muitos feridos cairam, porque de Deus era a peleja; [14] e habitaram em seu logar, até ao captiveiro.

23 E os filhos da meia tribu de Manassés habitaram n’aquella terra: de Basan até Baal-hermon, e Senir, e o monte de Hermon, elles se multiplicaram.

24 E estes foram cabeças de suas casas paternas, a saber: Hepher, e Ishi, e Eliel, e Azriel, e Jeremias, e Hodavias, e Jahdiel, homens valentes, homens de nome, e chefes das casas de seus paes.

25 Porém transgrediram contra o Deus de seus paes: [15] e fornicaram após os deuses dos povos da terra, os quaes Deus destruira de diante d’elles.

26 Pelo que o Deus de Israel suscitou o espirito de Pul, [16] rei d’Assyria, e o espirito de Tiglath-pilneser, rei d’Assyria, que os levaram presos, a saber: os rubenitas e gaditas, e a meia tribu de Manassés; e os trouxeram a [17] Halah, e a Habor, e a Hara, e ao rio de Gozan, até ao dia de hoje.

[1] Gen. 29.31 e 49.3.

[2] Gen. 35.22 e 49.4. Gen. 48.15, 22.

[3] Gen. 49.8, 10. Miq. 5.2. Mat. 2.6.

[4] Gen. 46.9. Exo. 6.14. Num. 26.5.

[5] ver. 17.

[6] Jos. 13.15, 16.

[7] Jos. 22.9.

[8] Gen. 25.12.

[9] Jos. 13.11, 24.

[10] cap. 27.29.

[11] II Reis 15.5, 32. II Reis 14.16, 28.

[12] Gen. 25.15. cap. 1.31.

[13] ver. 22. Psa. 22.4, 5.

[14] II Reis 15.29 e 17.6.

[15] II Reis 17.7.

[16] II Reis 15.19. II Reis 15.29.

[17] II Reis 17.6 e 18.11.

Descendentes de Levi, seu ministerio e suas cidades.

6 Os filhos de Levi foram: [1] Gerson, Kohath, e Merari.

2 E os filhos de Kohath: [2] Amram, e Ishar, e Hebron, e Uzziel.

3 E os filhos d’Amram: Aarão, [3] e Moysés, e Miriam: e os filhos d’Aarão: Nadab, e Abihu, e Eleazar, e Ithamar.

4 E Eleazar gerou a Phineas, e Phineas gerou a Abisua,

5 E Abisua gerou a Bukki, e Bukki gerou a Uzzi,

6 E Uzzi gerou a Zerahias, e Zerahias gerou a Meraioth,

7 E Meraioth gerou a Amarias, e Amarias gerou a Ahitub,

8 E Ahitub [4] gerou a Zadok, e Zadok gerou a Ahimaas,

9 E Ahimaas gerou a Azarias, e Azarias gerou a Johanan,

10 E Johanan gerou a Azarias: este é o que administrou [5] o sacerdocio na casa que Salomão tinha edificado em Jerusalem.

11 E Azarias [6] gerou a Amarias, e Amarias gerou a Ahitub,

12 E Ahitub gerou a Zadok, e Zadok gerou a Sallum,

13 E Sallum gerou a Hilkias, e Hilkias gerou a Azarias,

14 E Azarias gerou [7] a Seraias, e Seraias gerou a Josadak,

15 E Josadak foi levado captivo quando o Senhor levou [8] presos a Judah e a Jerusalem pela mão de Nabucodonozor.

16 Os filhos de Levi foram [9] pois Gersom, Kohath, e Merari.

17 E estes são os nomes dos filhos de Gersom: Libni e Simei.

18 E os filhos de Kohath: Amram, e Ishar, e Hebron, e Uzziel.

19 Os filhos de Merari: Maheli e Musi: estas são as familias dos levitas, segundo seus paes.

20 De Gersom: Libni, seu filho, Jahath, seu filho, Zimma, [10] seu filho,

21 Joah, seu filho, Iddo, seu filho, Zerah, seu filho, Jeaterai, seu filho.

22 Os filhos de Kohath foram: Amminadab, seu filho, Korah, seu filho, Assir, seu filho,

23 Elkana, seu filho, Ebiasaph, seu filho, Assir, seu filho,

24 Tahath, seu filho, Uriel, seu filho, Uzias, seu filho, e Saul, seu filho.

25 E os filhos d’Elkana: Amasai [11] e Ahimoth.

26 Quanto a Elkana: os filhos d’Elkana foram Zophai, seu filho, e seu filho Nahath,

27 Seu filho Eliab, [12] seu filho Jeroham, seu filho Elkana.

28 E os filhos de Samuel: [KY] Vasni, seu primogenito, e o segundo Abias.

29 Os filhos de Merari: Maheli, seu filho Libni, seu filho Simei, seu filho Uzza,

30 Seu filho Simea, seu filho Haggias, seu filho Asaias.

31 Estes são pois os que David constituiu para o officio do canto na casa do Senhor, [13] depois que a arca teve repouso.

[394]

Antes de Christo 1280

32 E ministravam diante do tabernaculo da tenda da congregação com cantares, até que Salomão edificou a casa do Senhor em Jerusalem: e estiveram, segundo o seu costume, no seu ministerio.

33 Estes são pois os que ali estavam com seus filhos: dos filhos dos kohathitas, Heman, o cantor, filho de Joel, filho de Samuel,

34 Filho d’Elkana, filho de Jeroham, filho d’Eliel, filho de Toa,

35 Filho de Zuph, filho d’Elkana, filho de Mahath, filho de Amasai,

36 Filho d’Elkana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Zephanias,

37 Filho de Tahat, filho d’Assir, filho d’Ebiasaph, [14] filho de Korah,

38 Filho de Ishar, filho de Kohat, filho de Levi, filho d’Israel.

39 E seu irmão Asaph estava á sua direita: e era Asaph filho de Berequias, filho de Simea,

40 Filho de Michael, filho de Baeseias, filho de Malchias,

41 Filho d’Ethni, [15] filho de Zerah, filho de Adaias,

42 Filho d’Ethan, filho de Zimma, filho de Simei,

43 Filho de Jahath, filho de Gersom, filho de Levi.

44 E seus irmãos, os filhos de Merari, estavam á esquerda; a saber: Ethan, filho de Kisi, filho de Abdi, filho de Malluch,

45 Filho de Hasabias, filho de Amazias, filho de Hilkias,

46 Filho d’Amsi, filho de Bani, filho de Semer,

47 Filho de Maheli, filho de Musi, filho de Merari, filho de Levi.

48 E seus irmãos, os levitas, foram postos para todo o ministerio do tabernaculo da casa de Deus.

49 E Aarão e seus filhos offereceram sobre [16] o altar do holocausto e sobre o altar do incenso, por toda a obra do logar sanctissimo, e para fazer expiação por Israel, conforme tudo quanto Moysés, servo de Deus, tinha ordenado.

50 E estes foram os filhos de Aarão: seu filho Eleazar, seu filho Phinéas, seu filho Abisua,

51 Seu filho Bukki, seu filho Uzzi, seu filho Serahias,

52 Seu filho Meraioth, seu filho Amarias, seu filho Ahitub,

53 Seu filho Zadok, seu filho Ahimaas.

Antes de Christo 1444

54 E estas [17] foram as suas habitações, segundo os seus castellos, no seu termo, a saber: dos filhos d’Aarão, da familia dos kohathitas, porque n’elles caiu a sorte.

55 Deram-lhes [18] pois a Hebron, na terra de Judah, e os seus arrabaldes que a rodeiam.

56 Porém o territorio [19] da cidade e as suas aldeias deram a Caleb, filho de Jefoné.

57 E aos filhos d’Aarão deram [20] as cidades de refugio: Hebron, e Libna e os seus arrabaldes, e Jattir, e Esthemo e os seus arrabaldes,

58 E Hilen e os seus arrabaldes, e Debir e os seus arrabaldes,

59 E Asan e os seus arrabaldes, e Beth-semes e os seus arrabaldes.

60 E da tribu de Benjamin, Geba e os seus arrabaldes, e Allemeth e os seus arrabaldes, e Anathoth e os seus arrabaldes: todas as suas cidades, pelas suas familias, foram treze cidades.

61 Mas os filhos de Kohath, [21] que restaram da familia da tribu, da meia tribu, de meio Manassés, por sorte tiveram dez cidades.

62 E os filhos de Gersom, segundo as suas familias, da tribu de Issacar, e da tribu de Aser, e da tribu de Naphtali, e da tribu de Manassés, em Basan, tiveram treze cidades.

63 Os filhos de Merari, segundo as suas familias, da tribu de Ruben, e da tribu de Gad, e da tribu de Zebulon, por sorte, tiveram [22] doze cidades.

64 Assim deram os filhos de Israel aos levitas estas cidades e os seus arrabaldes.

65 E deram-lhes por sorte estas cidades, da tribu dos filhos de Judah, da tribu dos filhos de Simeão, e da tribu dos filhos de Benjamin, ás quaes deram os seus nomes.

66 E quanto ao mais [23] das familias dos filhos de Kohath, as cidades do seu termo se lhes deram da tribu de Ephraim.

67 Porque lhes deram [24] as cidades de refugio, Sichem e os seus arrabaldes, nas montanhas de Ephraim, como tambem Gezer e os seus arrabaldes.

68 E Jokmeam [25] e os seus arrabaldes, e Beth-horon e os seus arrabaldes,

69 E Aijalon e os seus arrabaldes, e Gath-rimmon e os seus arrabaldes.

70 E da meia tribu de Manassés, Aner e os seus arrabaldes, e Bileam e os seus arrabaldes: estas cidades tiveram os que ficaram da familia dos filhos de Kohath.

71 Os filhos de Gersom, da familia da meia tribu de Manassés, tiveram a Golan, em Basan, e os seus arrabaldes, e Astharoth e os seus arrabaldes.

[395]

72 E da tribu de Issacar, Kedes e os seus arrabaldes, e Dobrath e os seus arrabaldes,

73 E Ramoth e os seus arrabaldes, e Anem e os seus arrabaldes.

74 E da tribu de Aser, Masal e os seus arrabaldes, e Abdon e os seus arrabaldes,

75 E Hukok e os seus arrabaldes, e Rehob e os seus arrabaldes.

76 E da tribu de Naphtali, Kedes, em Galilea, e os seus arrabaldes, e Hammon e os seus arrabaldes, e Kiriathaim e os seus arrabaldes.

77 Os que ficaram dos filhos de Merari, da tribu de Zabulon, tiveram a Rimmon e os seus arrabaldes, a Tabor e os seus arrabaldes.

78 E d’além do Jordão, da banda de Jericó, ao oriente de Jordão, da tribu de Ruben, a Beser, no deserto, e os seus arrabaldes, e a Jassa e os seus arrabaldes,

79 E a Kedmoth e os seus arrabaldes, e a Mephaath e os seus arrabaldes.

80 E da tribu de Gad, a Ramoth, em Gilead, e os seus arrabaldes, e a Mahanaim e os seus arrabaldes,

81 E a Hesbon e os seus arrabaldes, e a Jazer e os seus arrabaldes.

[1] Gen. 46.11. Exo. 6.16. Num. 26.57. cap. 23.6.

[2] ver. 22.

[3] Lev. 10.1.

[4] II Sam. 8.17. II Sam. 15.27.

[5] II Chr. 26.17, 18. I Reis 6. II Chr. 3.

[6] Esd. 7.3.

[7] Neh. 11.11.

[8] II Reis 25.18.

[9] Exo. 6.16.

[10] ver. 42.

[11] ver. 35, 36.

[12] ver. 34.

[13] cap. 16.1.

[14] Exo. 6.24.

[15] ver. 21.

[16] Lev. 1.9. Exo. 30.7.

[17] Jos. 21.

[18] Jos. 21.11, 12.

[19] Jos. 14.13 e 15.13.

[20] Jos. 21.13.

[21] ver. 66. Jos. 21.5.

[22] Jos. 21.7, 34.

[23] ver. 61.

[24] Jos. 21.21.

[25] Jos. 21.22-35.

Descendentes de Issacar.

7 E quanto aos filhos de Issacar, foram: Tola, [1] e Pua, Jasib, e Simron, quatro.

2 E os filhos de Tola foram: Uzzi, e Rephaias, e Jeriel, e Jahmai, e Ibsam, e Samuel, chefes das casas de seus paes, de Tola, varões de valor nas suas gerações: [2] o seu numero nos dias de David foi de vinte e dois mil e seiscentos.

3 E quanto aos filhos de Uzzi, houve Izraias; e os filhos de Izraias foram Michael e Obadias, e Joel, e Issias; todos estes cinco chefes.

4 E houve com elles nas suas gerações, segundo as suas casas paternas, em tropas de gente de guerra, trinta e seis mil; porque tiveram muitas mulheres e filhos.

5 E seus irmãos, em todas as familias de Issacar, varões de valor, foram oitenta e sete mil, todos contados pelas suas genealogias.

De Benjamin.

6 Os filhos de Benjamin [3] foram: Bela, e Becher, e Jediael, tres.

Antes de Christo 1400

7 E os filhos de Bela: Esbon, e Uzzi, e Uzziel, e Jerimoth, e Iri, cinco chefes da casa dos paes, varões de valor, que foram contados pelas suas genealogias, vinte e dois mil e trinta e quatro.

8 E os filhos de Becher: Zemira, e Joás, e Elezer, e Elioenai, e Omri, e Jeremoth, e Abias, e Anathoth, e Alameth: todos estes foram filhos de Becher.

9 E foram contados pelas suas genealogias, segundo as suas gerações, e chefes das casas de seus paes, varões de valor, vinte mil e duzentos.

10 E foram os filhos de Jediael, Bilhan; e os filhos de Bilhan foram Jeus, e Benjamin, e Ehud, e Chenaana, e Zethan, e Tarsis, e Ahisahar.

11 Todos estes filhos de Jediael foram chefes das familias dos paes, varões de valor, dezesete mil e duzentos, que sahiam no exercito á peleja.

12 E Suppim, [4] e Huppim, filho de Ir, e Husim, dos filhos d’Aher.

13 Os filhos de Naphtali: Jahsiel, e Guni, e Jezer, e Sallum, [5] filhos de Bilha.

De Manassés.

14 Os filhos de Manassés: Asriel, que a mulher de Gilead pariu (porém a sua concubina, a syra, pariu a Machir, pae de Gilead.

15 E Machir tomou a irmã de Huppim e Suppim por mulher, e era o seu nome Maaca), e foi o nome do segundo Selophad; e Selophad teve filhas.

16 E Maaca, mulher de Machir, pariu um filho, e chamou o seu nome Perez: e o nome de seu irmão foi Seres: e foram seus filhos Ulam e Rekem.

17 E os filhos d’Ulam, [6] Bedan: estes foram os filhos de Gilead, filho de Machir, filho de Manassés.

18 E quanto á sua irmã Hammolecheth, pariu a Ishod, e a [7] Abiezer, e a Mahla.

19 E foram os filhos de Semida: Ahian, e Sechem, e Likhi, e Aniam.

20 E os filhos [8] de Ephraim: Suthelah, e seu filho Bered, e seu filho Tahath, e seu filho Elada, e seu filho Tahath,

21 E seu filho Zabad, e seu filho Suthelah, e Ezer, e Elead; e os homens de Gath, naturaes da terra, os mataram, porque desceram para tomar os seus gados.

22 Pelo que Ephraim, seu pae, por muitos dias os chorou; e vieram seus irmãos para o consolar.

23 Depois entrou a sua mulher, e ella concebeu, e pariu um filho; e chamou o seu nome Beria; porque ia mal na sua casa.

[396]

24 E sua filha foi Sera, que edificou a Beth-horon, a baixa e a alta, como tambem a Uzzen-sera.

25 E foi seu filho Rephah, e Reseph, e Telah, seu filho, e Tahan, seu filho,

26 Seu filho Ladan, seu filho Ammihud, seu filho Elisama,

27 Seu filho Nun, seu filho Josué.

28 E foi a sua possessão e habitação Beth-el e os logares da sua jurisdicção: e ao oriente Naaran, [9] e ao occidente Gezer e os logares da sua jurisdicção, e Sichem e os logares da sua jurisdicção, até Azza e os logares da sua jurisdicção;

29 E da banda dos filhos de Manassés, [10] Beth-sean e os logares da sua jurisdicção, Taanach e os logares da sua jurisdicção, Megiddo e os logares da sua jurisdicção, Dor e os logares da sua jurisdicção: n’estas habitaram os filhos de José, filho de Israel.

De Aser.

30 Os [11] filhos de Aser foram: Imna, e Isva, e Isvi, e Beria, e Sera, sua irmã.

31 E os filhos de Beria: Heber e Malchiel: este foi o pae de Birzavith.

32 E Heber gerou a Jaflet, [12] e a Somer, e a Hotham, e a Sua, sua irmã.

33 E foram os filhos de Jaflet: Pasach, e Bimhal e Asvath; estes foram os filhos de Jaflet.

34 E os filhos de Semer: [13] Ahi, Rohega, Jehubba, e Aram.

35 E os filhos de seu irmão Helem: Zophah, e Imna, e Seles, e Amal.

36 Os filhos de Zophah: Suah, e Harnepher, e Sual, e Beri, e Imra,

37 Beser, e Hod, e Samma, e Silsa, e Ithran, e Beera.

38 E os filhos de Jether: Jefone, e Pispa e Ara.

39 E os filhos de Ulla: Arah, e Hanniel e Risia.

40 Todos estes foram filhos de Aser, chefes das casas paternas, escolhidos varões de valor, chefes dos principes, e contados nas suas genealogias, no exercito para a guerra; foi seu numero de vinte e seis mil homens.

[1] Gen. 46.13. Num. 26.23.

[2] II Sam. 24.1, 2. cap. 27.1.

[3] Gen. 46.21. Num. 26.38. cap. 8.1, etc.

[4] Num. 26.39.

[5] Gen. 46.24.

[6] I Sam. 12.11.

[7] Num. 26.30.

[8] Num. 26.35.

[9] Jos. 16.7.

[10] Jos. 17.7. Jos. 17.11.

[11] Gen. 46.17. Num. 26.44.

[12] ver. 34.

[13] ver. 32.

Descendentes de Benjamin e de Saul.

8 E Benjamin gerou a Bela, [1] seu primogenito, a Asbel o segundo, e a Ahrah o terceiro,

2 A Noha o quarto, e a Rapha o quinto.

3 E Bela teve estes filhos: Addar, e Gera, e Abihud,

4 E Abisua, e Naaman, e Ahoah,

5 E Gera, e Sephuphan, e Huram.

6 E estes foram os filhos de Ehud: estes foram chefes dos paes dos moradores de Geba; e os transportaram [2] a Manahath,

7 E a Naaman, e Ahias, e Gera; a estes transportou; e gerou a Uzza e a Ahihud.

8 E Saharaim (depois de os enviar), na terra de Moab, gerou filhos d’Husim e Baara, suas mulheres.

9 E de Hodes, sua mulher, gerou a Jobab, e a Zibia, e a Mesa, e a Malcam,

10 E a Jeus, e a Sachias, e a Mirma: estes foram seus filhos, chefes dos paes.

11 E de Husim gerou a Abitud e a Elpaal.

12 E foram os filhos d’Elpaal: Eber, e Misam, e Semer: este edificou a Ono e a Lod e os logares da sua jurisdicção.

13 E Beria e Sema [3] foram cabeças dos paes dos moradores de Aijalon; estes afugentaram os moradores de Gath.

14 E Ahio, e Sasak, e Jeremoth,

15 E Zebadias, e Arad, e Eder,

16 E Michael, e Ispa, e Joha, foram filhos de Beria:

17 E Zebadias, e Mesullam, e Hizki, e Heber,

18 E Ismerai, e Izlias, e Jobab, filhos de Elpaal:

19 E Jakim, e Zichri, e Zabdi,

20 E Elienai, e Zillethai, e Eliel,

21 E Adaias, e Beraias, e Simrath, filhos de Simei:

22 E Ispan, e Eber, e Eliel,

23 E Abdon, e Zichri, e Hanan,

24 E Hananias, e Elam, e Anthothija,

25 E Iphdias, e Penuel, filhos de Sasak:

26 E Samserai, e Seharias, e Athalias,

27 E Jaaresias, e Elias, e Zichri, filhos de Jeroham.

28 Estes foram chefes dos paes, segundo as suas gerações, e estes habitaram em Jerusalem.

29 E em Gibeon habitou o pae de Gibeon: [4] e era o nome de sua mulher Maaka;

30 E seu filho primogenito Abdon; depois Zur, e Kis, e Baal, e Nadab,

31 E Gedor, e Ahio, e Zecher.

32 E Mikloth gerou a Simea: e tambem estes, defronte de seus irmãos, habitaram em Jerusalem com seus irmãos.

33 E Ner [5] gerou a Kis, e Kis gerou a Saul; e Saul gerou a Jonathan, e a Malchi-sua, e a Abinadab, e a Es-baal.

34 E filho de Jonathan foi Merib-baal: [6] e Merib-baal gerou a Micha.

[397]

35 E os filhos de Micha foram: Pithon, e Melech, e Tarea, e Achaz.

36 E Achaz gerou [7] a Joadda, e Joadda gerou a Alemeth, e a Azmaveth, e a Zimri; e Zimri gerou a Mosa,

37 E Mosa gerou a Bina, cujo filho foi [8] Rapha, cujo filho foi Elasa, cujo filho foi Asel.

38 E teve Asel seis filhos, e estes foram os seus nomes: Azrikam, e Boceru, e Ishmael, e Searias, e Obadias, e Hanan: todos estes foram filhos de Asel.

39 E os filhos de Esek, seu irmão: Ulam, seu primogenito, Jeus o segundo, e Eliphelet o terceiro.

40 E foram os filhos de Ulam varões heroes, valentes, e frecheiros destros; e tiveram muitos filhos, e filhos de filhos, cento e cincoenta: todos estes foram dos filhos de Benjamin.

[1] Gen. 46.21. Num. 26.38. cap. 7.6.

[2] cap. 2.52.

[3] ver. 21.

[4] cap. 9.35.

[5] I Sam. 14.51. I Sam. 14.49.

[6] II Sam. 9.12.

[7] cap. 9.42.

[8] cap. 9.43.

Habitantes de Jerusalem depois da volta do captiveiro.

Antes de Christo 1536

9 E todo [1] o Israel foi contado por genealogia: eis que estão escriptos no livro dos reis de Israel: e os de Judah foram transportados a Babylonia, por causa da sua transgressão.

2 E os primeiros habitadores, [2] que moravam na sua possessão e nas suas cidades, foram os israelitas, os sacerdotes, os levitas, e os nethineos.

3 Porém dos filhos de [3] Judah, e dos filhos de Benjamin, e dos filhos de Ephraim e Manasseh, habitaram em Jerusalem:

4 Uthai, filho de Ammihud, filho de Omri, filho de Imri, filho de Bani, dos filhos de Peres, filho de Judah;

5 E dos silonitas: Assias o primogenito, e seus filhos;

6 E dos filhos de Zerah: Jeuel, e seus irmãos, seiscentos e noventa;

7 E dos filhos de Benjamin: Sallu, filho de Mesullam, filho de Hodavias, filho de Hassenua,

8 E Ibneias, filho de Jeroham, e Ela, filho de Uzzi, filho de Michri, e Mesullam, filho de Sephatias, filho de Reuel, filho d’Ibnijas;

9 E seus irmãos, segundo as suas gerações, novecentos e cincoenta e seis: todos estes homens foram cabeças dos paes nas casas de seus paes.

10 E dos sacerdotes: [4] Jedaias, e Jehoiarib, e Jachin,

11 E Azarias, filho de Hilkias, filho de Mesullam, filho de Zadok, filho de Meraioth, filho de Ahitub, maioral da casa de Deus:

12 Adaias, filho de Jeroham, filho de Pashur, filho de Malchias, e Masai, filho de Adiel, filho de Jahzera, filho de Mesullam, filho de Mesillemith, filho de Immer;

13 Como tambem seus irmãos, cabeças nas casas de seus paes, mil, setecentos e sessenta, varões valentes para a obra do ministerio da casa de Deus.

14 E dos levitas: Semaias, filho de Hassub, filho de Azrikam, filho de Hasabias, dos filhos de Merari;

15 E Bakbakkar, Heres, e Galal; e Matthanias, filho de Micha, filho de Zichri, filho de Asaph;

16 E Obadias, filho de Semaias, filho de Galal, filho de Jeduthun; e Berechias, filho de Asa, filho de Elkana, morador das aldeias dos netophathitas.

17 E foram porteiros: Sallum, e Akkub, e Talmon, e Ahiman, e seus irmãos, cuja cabeça era Sallum.

18 E até áquelle tempo estavam de guarda á porta do rei para o oriente; estes foram os porteiros entre os arraiaes dos filhos de Levi.

19 E Sallum, filho de Kore, filho de Ebiasaph, filho de Korah, e seus irmãos da casa de seu pae, os korahitas, tinham cargo da obra do ministerio, e eram guardas dos umbraes do tabernaculo: e seus paes foram capitães do arraial do Senhor, e guardadores da entrada.

20 Phineas, [5] filho de Eleazar, d’antes entre elles guia, com o qual era o Senhor,

21 E Zacharias, filho de Meselemias porteiro da porta da tenda da congregação.

22 Todos estes, escolhidos para serem porteiros dos umbraes, foram duzentos e doze: e foram estes, segundo as suas aldeias, postos em suas genealogias; [6] e David e Samuel, o vidente, os constituiram no seu cargo.

23 Estavam pois elles, e seus filhos, ás portas da casa do Senhor, na casa da tenda, junto aos guardas.

24 Os porteiros estavam aos quatro ventos: ao oriente, ao occidente, ao norte, e ao sul.

25 E seus irmãos estavam nas suas aldeias, e no setimo dia, [7] de tempo em tempo, entravam a servir com elles.

26 Porque havia n’aquelle officio quatro porteiros-móres que eram levitas, e tinham cargo das camaras e dos thesouros da casa de Deus.

27 E de noite ficavam á roda da casa de Deus, porque a guarda lhes estava encarregada, e tinham cargo de abrir, e isto cada manhã.

[398]

Antes de Christo 1200

28 E alguns d’elles tinham cargo dos vasos do ministerio, porque por conta os traziam e por conta os tiravam.

29 Porque d’elles alguns havia que tinham cargo dos [KZ] vasos e de todos os vasos sagrados; como tambem da flor de farinha, e do vinho, e do azeite, e do incenso, e da especiaria.

30 E dos filhos dos sacerdotes eram os obreiros da confecção [8] das especiarias.

31 E Mattithias, d’entre os levitas, o primogenito de Sallum, o korahita, [9] tinha cargo da obra que se fazia em sartãs.

32 E dos filhos dos kohatitas, [10] de seus irmãos houve alguns que tinham cargo dos pães da proposição, para os prepararem em todos os sabbados.

33 D’estes foram tambem os cantores, [11] cabeças dos paes entre os levitas nas camaras, exemptos de serviços; porque de dia e de noite estava a seu cargo occuparem-se n’aquella obra.

34 Estes foram cabeças dos paes entre os levitas, chefes em suas gerações: estes habitaram em Jerusalem.

35 Porém em Gibeon habitaram Jeiel, pae de Gibeon (e era o nome de sua mulher [12] Maaca),

36 E seu filho primogenito Abdon: depois Zur, e Kis, e Baal, e Ner, e Nadab,

37 E Gedor, e Ahio, e Zacharias, e Mikloth.

38 E Mikloth gerou a Simeão: e tambem estes, defronte de seus irmãos, habitaram em Jerusalem com seus irmãos.

39 E Ner [13] gerou a Kis, e Kis gerou a Saul, e Saul gerou a Jonathan, e a Malchi-sua, e a Abinadab, e a Es-baal.

40 E filho de Jonathan foi Merib-baal: e Merib-baal gerou a Micha.

41 E os filhos de Micha foram Pithon, e Melech, [14] e Tarea.

42 E Achaz gerou a Jaera, e Jaera gerou a Alemeth, e a Azmaveth, e a Zimri: e Zimri gerou a Mosa.

43 E Mosa gerou a Binea, cujo filho foi Rephaias, cujo filho foi Elasa, cujo filho foi Asel.

44 E teve Asel seis filhos, e estes foram os seus nomes: Azrikam, e Boceru, e Ishmael, e Seraias, e Obadias, e Hanan: estes foram os filhos d’Asel.

[1] Esd. 2.59.

[2] Esd. 2.70. Neh. 7.73. Jos. 9.27. Esd. 2.43 e 8.20.

[3] Neh. 11.1.

[4] Neh. 11.10, etc.

[5] Num. 31.6.

[6] cap. 36.1, 2. I Sam. 9.9.

[7] II Reis 11.5.

[8] Exo. 30.23.

[9] Lev. 2.5 e 6.21.

[10] Lev. 24.8.

[11] cap. 6.31 e 25.1.

[12] cap. 8.29.

[13] cap. 8.33.

[14] cap. 8.35.

A morte de Saul e de seus filhos.

Antes de Christo 1056

10 E os philisteos [1] pelejaram com Israel: e os homens de Israel fugiram de diante dos philisteos, e cairam feridos nas montanhas de Gilboa.

2 E os philisteos apertaram com Saul e com seus filhos, e feriram os philisteos a Jonathan, e a Abinadab, e a Malchisua, filhos de Saul.

3 E a peleja se aggravou contra Saul, e os frecheiros o acharam: e temeu muito aos frecheiros.

4 Então disse Saul ao seu escudeiro: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ella; para que porventura não venham estes incircumcisos e escarneçam de mim. Porém o seu escudeiro não quiz, porque temia muito; então tomou Saul a espada, e se lançou sobre ella.

5 Vendo pois o seu escudeiro que Saul estava morto, tambem elle se lançou sobre a espada, e morreu.

6 Assim morreram Saul e seus tres filhos; e toda a sua casa morreu juntamente.

7 E, vendo todos os homens de Israel, que estavam no valle, que haviam fugido, e que Saul e seus filhos eram mortos, deixaram as suas cidades, e fugiram: então vieram os philisteos, e habitaram n’ellas.

8 E succedeu que, no dia seguinte, vindo os philisteos a despojar os mortos, acharam a Saul e a seus filhos estirados nas montanhas de Gilboa.

9 E o despojaram, e tomaram a sua cabeça e as suas armas, e as enviaram pela terra dos philisteos em redor, para o annunciarem a seus idolos e ao povo.

10 E pozeram [2] as suas armas na casa do seu deus, e a sua cabeça affixaram na casa de Dagon.

11 Ouvindo pois toda a Jabes de Gilead tudo quanto os philisteos fizeram a Saul,

12 Então todos os homens bellicosos se levantaram, e tomaram o corpo de Saul, e os corpos de seus filhos, e os trouxeram a Jabes; e sepultaram os seus ossos debaixo d’um carvalho em Jabes, e jejuaram sete dias.

13 Assim morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra [3] o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e tambem porque buscou a adivinhadora para a consultar.

14 E não buscou ao Senhor, pelo que o matou, e transferiu [4] o reino a David, filho de Jessé.

[1] I Sam. 31.1, 2.

[2] I Sam. 31.10.

[3] I Sam. 13.13 e 15.23. I Sam. 28.7.

[4] I Sam. 15.28. II Sam. 3.9, 10 e 5.3.

[399]

David é ungido rei.

Antes de Christo 1048

11 Então [1] todo o Israel se ajuntou a David em Hebron, dizendo: Eis que somos teus ossos e tua carne.

2 E tambem já d’antes, sendo Saul ainda rei, eras tu o que fazias sair e entrar a Israel: [2] tambem o Senhor teu Deus te disse: Tu apascentarás o meu povo Israel, e tu serás chefe sobre o meu povo Israel.

3 Tambem vieram todos os anciãos d’Israel ao rei, a Hebron, e David fez com elles alliança em Hebron, perante o Senhor: e ungiram a David rei sobre Israel, conforme a palavra do Senhor pelo ministerio [3] de Samuel.

4 E partiu David [4] e todo o Israel para Jerusalem, que é Jebus: porque ali estavam os jebuseos, moradores da terra.

5 E disseram os moradores de Jebus a David: Tu não entrarás aqui. Porém David ganhou a fortaleza de Sião, que é a cidade de David.

6 Porque disse David: Qualquer que primeiro ferir os jebuseos será chefe e maioral. Então Joab, filho de Zeruia, subiu primeiro a ella; pelo que foi feito chefe.

7 E David habitou na fortaleza; pelo que se chamou a cidade de David.

8 E edificou a cidade ao redor, desde Millo até ao circuito: e Joab renovou o resto da cidade.

9 E ia-se David cada vez mais augmentando e crescendo; porque o Senhor dos Exercitos era com elle.

Os valentes que David teve.

10 E estes [5] foram os chefes dos varões que David tinha, e que o apoiaram fortemente no seu reino, com todo o Israel, para o fazerem rei, [6] conforme a palavra do Senhor, tocante a Israel.

11 E estes foram do numero dos varões que David tinha: Jasobeam, hachmonita, o principal dos capitães, o qual, brandindo a sua lança contra trezentos, d’uma vez os matou.

12 E, depois d’elle, Eleazar, filho de Dodo, o ahohita: elle estava entre os tres varões.

13 Este esteve com David em Pasdammim, quando os philisteos ali se ajuntaram á peleja, e o pedaço de campo estava cheio de cevada: e o povo fugiu de diante dos philisteos.

Antes de Christo 1047

14 E pozeram-se no meio d’aquelle pedaço, e o defenderam, e feriram os philisteos; e obrou o Senhor um grande livramento.

15 E tres dos trinta chefes desceram á penha, [7] a David, na caverna d’Adullam: e o arraial dos philisteos estava acampado no valle de Rephaim.

16 E David estava então no logar forte: e o alojamento dos philisteos estava então em Beth-lehem.

17 E desejou David, e disse: Quem me dará a beber da agua do poço de Beth-lehem, que está junto á porta?

18 Então aquelles tres romperam pelo arraial dos philisteos, e tiraram agua do poço de Beth-lehem, que estava á porta, e tomaram d’ella, e a trouxeram a David; porém David não a quiz beber, mas a derramou ao Senhor,

19 E disse: Nunca meu Deus permitta que faça tal! beberia eu o sangue d’estes varões com as suas vidas? Pois com perigo das suas vidas a trouxeram. E elle não a quiz beber: isto fizeram aquelles tres varões.

20 E tambem Abisai, irmão de Joab, foi chefe de tres, o qual, brandindo a sua lança contra trezentos, os feriu: e teve nome entre os tres.

21 Dos tres foi [8] mais illustre do que os outros dois, pelo que foi chefe d’elles; porém não chegou aos primeiros tres.

22 Tambem Benaias, filho de Joiada filho de um valente varão, grande em obras, de Kabseel: elle feriu a dois [LA] fortes leões de Moab; e tambem desceu, [9] e feriu um leão dentro d’uma cova, no tempo da neve.

23 Tambem feriu elle a um homem egypcio, homem de grande altura, de cinco covados: e trazia o egypcio uma lança na mão, como o orgão do tecelão; mas desceu contra elle com uma vara, e arrancou a lança da mão do egypcio, e o matou com a sua propria lança.

24 Estas coisas fez Benaias, filho de Joiada; pelo que teve nome entre aquelles tres varões.

25 Eis que dos trinta foi elle o mais illustre; comtudo não chegou aos tres: e David o poz sobre os da sua guarda.

26 E foram os varões dos exercitos: Asael, [10] irmão de Joab, Elhanan, filho de Dodo, de Beth-lehem,

27 Sammoth, o harodita, Heles, o pelonita,

28 Ira, filho de Ikkes, o tekoita, Abiezer, o anathothita,

29 Sibbechai, o husathita, Ilai, o ahohita,

30 Maharai, o netophathita, Heled, filho de Baena, o netophathita,

[400]

31 Ithai, filho de Ribai, de Gibeah, dos filhos de Benjamin, Benaias, o pirathonita,

32 Hurai, do ribeiro de Gaas, Abiel, o arbathita,

33 Asmaveth, o baharumita, Eliahba, o saalbonita.

34 Dos filhos de Hasem, o gizonita: Jonathan, filho de Sage, o hararita,

35 Ahiam, filho de Sachar, o hararita, Eliphal, filho de Ur,

36 Hepher, o mecheratita, Ahias, o pelonita,

37 Hesro, o carmelita, Naari, filho d’Esbai,

38 Joel, irmão de Nathan, Mibhar, filho de Geri,

39 Zelek, o ammonita, Nahrai, o berothita, escudeiro de Joab, filho de Zeruia,

40 Ira, o ithrita, Gareb, o ithrita,

41 Urias, o hethita, Zabad, filho de Ahlai,

42 Adina, filho de Siza, o rubenita, chefe dos rubenitas; todavia sobre elle havia trinta;

43 Hanam, filho de Maacha, e Josaphat, o mithnita,

44 Uzias, o astharathita, Sama e Jeiel, filhos de Hotham, o aroerita,

45 Jediael, filho de Simri, e Joha, seu irmão, o tisita,

46 Eliel, o mahavita, e Jeribai, e Joshavias, filhos d’Elnaam, e Ithma, o moabita,

47 Eliel, e Obed, e Jaasiel, e Mesobaia.

[1] II Sam. 5.1.

[2] Psa. 78.71.

[3] II Sam. 5.3. I Sam. 16.1, 12, 13.

[4] II Sam. 5.6. Jui. 1.21 e 19.10.

[5] II Sam. 23.8.

[6] I Sam. 16.1, 12.

[7] II Sam. 23.13. cap. 14.9.

[8] II Sam. 23.19.

[9] II Sam. 23.20.

[10] II Sam. 23.24.

Os que vieram a David em Siclag.

Antes de Christo 1058

12 Estes [1] porém são os que vieram a David, a Siclag, estando elle ainda encerrado, por causa de Saul, filho de Kis: e eram dos valentes que ajudaram a esta guerra,

2 Armados de arco, [2] e usavam da mão direita e esquerda em atirar pedras e em despedir frechas com o arco: eram estes dos irmãos de Saul, benjamitas.

3 Ahiezer, o chefe, e Joás, filho de Semaa, o gibeathita, e Jeziel e Pelet, filhos de Azmaveth, e Beracha, e Jehu, o anathotita,

4 E Ismaias, o gibeonita, valente entre os trinta, e capitão dos trinta, e Jeremias, e Jahaziel, e Johanan, e Jozabad, o gederathita,

5 Eluzai, e Jerimoth, e Bealias, e Samarias, e Saphatias, o haruphita,

6 Elkana, e Issias, e Azareel, e Joezer, e Jasobeam, os korahitas,

7 E Joela, e Zabadias, filhos de Jeroham de Gedor.

8 E dos gaditas se retiraram a David, ao logar forte no deserto, varões valentes, homens de guerra para pelejar, armados com rodela e lança: e seus rostos eram como rostos de leões, e ligeiros [3] como corças sobre os montes:

9 Ezer, o cabeça, Obadias, o segundo, Eliab, o terceiro,

10 Mismanna, o quarto, Jeremias, o quinto,

11 Atthai, o sexto, Eliel, o setimo,

12 Johanan, o oitavo, Elzabad, o nono,

13 Jeremias, o decimo, Machbannai, o undecimo.

14 Estes, dos filhos de Gad, foram os capitães do exercito: um dos menores tinha o cargo de cem, e o maior de mil.

15 Estes são os que passaram o Jordão no mez primeiro, [4] quando elle trasbordava por todas as suas ribanceiras, e fizeram fugir a todos os dos valles para o oriente e para o occidente.

16 Tambem vieram alguns dos filhos de Benjamin e de Judah a David, ao logar forte.

17 E David lhes saiu ao encontro, e lhes fallou, dizendo: Se vós vindes a mim pacificamente e para me ajudar, o meu coração se unirá comvosco; porém se é para me entregar aos meus inimigos, sem que haja deslealdade nas minhas mãos, o Deus de nossos paes o veja e o reprehenda.

18 Então [5] entrou o espirito em Amasai, chefe de trinta, e disse: Nós somos teus, ó David! e comtigo estamos, ó filho de Jessé! paz, paz comtigo! e paz com quem te ajuda! pois que teu Deus te ajuda. E David os recebeu, e os fez capitães das tropas.

19 Tambem de Manassés alguns passaram a David, [6] quando veiu com os philisteos para a batalha contra Saul, ainda que não os ajudaram; porque os principes dos philisteos, com conselho, o despediram, dizendo: [7] Á custa de nossas cabeças passará a Saul, seu senhor.

20 Voltando elle pois a Siclag, passaram para elle, de Manassés, Adnah, e Jozabad, e Jediael, e Michael, e Jozabad, e Elihu, e Zillethai, chefes de milhares dos de Manassés.

21 E estes ajudaram [8] a David contra aquella tropa, porque todos elles eram heroes valentes, e foram capitães no exercito.

22 Porque n’aquelle tempo, de dia em dia, vinham a David para o ajudar, até que se fez um grande exercito, como exercito de Deus,

[401]

Os que vieram a David em Hebron.

Antes de Christo 1048

23 Ora este é o numero dos chefes armados para a peleja, [9] que vieram a David em Hebron, para transferir a elle o reino de Saul, conforme a palavra do Senhor.

24 Dos filhos de Judah, que traziam rodela e lança, seis mil e oitocentos, armados para a peleja.

25 Dos filhos de Simeão, varões valentes para pelejar, sete mil e cem.

26 Dos filhos de Levi, quatro mil e seiscentos.

27 Joiada porém era o chefe dos de Aarão, e com elle tres mil e setecentos.

28 E Zadok, [10] sendo ainda mancebo, varão valente; e da familia de seu pae, vinte e dois principes.

29 E dos filhos de Benjamin, irmãos de Saul, tres mil; [11] porque até então havia ainda muitos d’elles que eram pela casa de Saul.

30 E dos filhos de Ephraim vinte mil e oitocentos varões valentes, homens de nome em casa de seus paes.

31 E da meia tribu de Manassés dezoito mil, que foram apontados pelos seus nomes para vir a fazer rei a David.

32 E dos filhos d’Issacar, [12] destros na sciencia dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos de seus chefes, e todos os seus irmãos seguiam a sua palavra.

33 De Zebulon, dos que sahiam ao exercito, ordenados para a peleja com todas as armas de guerra, cincoenta mil; como tambem destros para ordenarem uma batalha com coração constante.

34 E de Naphtali, mil capitães, e com elles trinta e sete mil com rodela e lança.

35 E dos danitas, ordenados para a peleja, vinte e oito mil e seiscentos.

36 E de Aser, dos que sahiam para o exercito, para ordenarem a batalha, quarenta mil.

37 E da banda d’além do Jordão, dos rubenitas e gaditas, e da meia tribu de Manassés, com toda a sorte de instrumentos de guerra para pelejar, cento e vinte mil.

38 Todos estes homens de guerra, postos em ordem de batalha, com coração inteiro, vieram a Hebron para levantar a David rei sobre todo o Israel: e tambem todo o mais d’Israel tinha o mesmo coração para levantar a David rei.

39 E estiveram ali com David tres dias, comendo e bebendo; porque seus irmãos lhes tinham preparado as provisões.

40 E tambem seus visinhos de mais perto, até Issacar, e Zebulon, e Naphtali, trouxeram pão sobre jumentos, e sobre camelos, e sobre mulos, e sobre bois, provisões de farinha, pastas de figos e cachos de passas, e vinho, e azeite, e bois, e gado miudo em multidão; porque havia alegria em Israel.

[1] I Sam. 27.2. I Sam. 27.6.

[2] Jui. 20.16.

[3] II Sam. 2.18.

[4] Jos. 3.15.

[5] II Sam. 17.25.

[6] I Sam. 29.2.

[7] I Sam. 29.4.

[8] I Sam. 30.1, 9, 10.

[9] II Sam. 2.3, 4 e 5.1. cap. 11.1. cap. 10.14. I Sam. 16.1, 3.

[10] II Sam. 8.17.

[11] II Sam. 2.8, 9.

[12] Est. 1.13.

A arca é depositada em casa de Obed-edom.

13 E teve David conselho com os capitães dos milhares, e dos centos, e com todos os principes.

2 E disse David a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e que vem do Senhor nosso Deus, enviemos depressa mensageiros [1] a todos os nossos outros irmãos em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com elles nas cidades e nos seus arrabaldes, para que se ajuntem comnosco.

3 E tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; [2] porque não a buscámos nos dias de Saul.

4 Então disse toda a congregação que assim se fizesse; porque este negocio pareceu recto aos olhos de todo o povo.

5 Ajuntou pois David [3] a todo o Israel desde Sihor do Egypto até chegar a Hamath; para trazer a arca de Deus de Kiriath-jearim.

6 E então David com todo o Israel subiu a Baala e d’ali [4] a Kiriath-jearim, que está em Judah, para fazer subir d’ali a arca de Deus, o Senhor que habita entre os cherubins, [5] sobre a qual é invocado o seu nome.

7 E levaram a arca de Deus sobre um carro novo, [6] da casa de Abinadab: e Uza e Ahio guiavam o carro.

8 E David, [7] e todo o Israel, tocava perante Deus com toda a sua força; em canticos, e com harpas, e com alaudes, e com tamboris, e com cymbalos, e com trombetas.

9 E, chegando á eira de Chidon, estendeu Uza a sua mão, para ter mão na arca; porque os bois tropeçavam.

10 Então se accendeu a ira do Senhor contra Uza, [8] e o feriu, por ter estendido a sua mão á arca: e morreu ali perante Deus.

11 E David se encheu de tristeza de que o Senhor houvesse aberto brecha em Uza; pelo que chamou áquelle logar Perez-uza, até ao dia d’hoje.

[402]

12 E aquelle dia temeu David ao Senhor, dizendo: Como trarei a mim a arca de Deus?

13 Pelo que David não trouxe a arca a si, á cidade de David; porém a fez retirar á casa de Obed-edom, o getheo.

14 Assim ficou a arca [9] de Deus com a familia de Obed-edom, tres mezes em sua casa: e o Senhor abençoou a casa de Obed-edom, e tudo quanto tinha.

[1] I Sam. 31.1. Isa. 37.4.

[2] I Sam. 7.1, 2.

[3] I Sam. 7.5. II Sam. 6.1. Jos. 13.3. I Sam. 6.21 e 7.1.

[4] Jos. 15.9, 60.

[5] I Sam. 4.4. II Sam. 6.2.

[6] Num. 4.14. cap. 15.2, 13. I Sam. 7.1.

[7] II Sam. 6.5.

[8] Num. 4.15. cap. 15.13, 15. Lev. 10.2.

[9] II Sam. 6.11. Gen. 30.27. cap. 26.5.

David faz alliança com Hirão.

Antes de Christo 1045

14 Então Hirão, [1] rei de Tyro, mandou mensageiros a David, e madeira de cedro, e pedreiros, e carpinteiros, para lhe edificar uma casa.

2 E entendeu David que o Senhor o tinha confirmado rei sobre Israel; porque o seu reino se tinha muito exaltado por amor do seu povo Israel.

3 E David tomou ainda mais mulheres em Jerusalem; e gerou David ainda mais filhos e filhas.

4 E estes são os nomes [2] dos filhos que tinha em Jerusalem: Sammua, e Shobab, Nathan, e Salomão,

5 E Jibhar, e Elisua, e Elpelet,

6 E Nogah, e Nepheg, e Japhia,

7 E Elisama, e Beeliada, e Eliphelet.

8 Ouvindo pois os philisteos que David [3] havia sido ungido rei sobre todo o Israel, todos os philisteos subiram em busca de David: o que David ouvindo, logo saiu contra elles.

9 E vindo os philisteos, se estenderam pelo valle [4] de Rephaim.

10 Então consultou David a Deus, dizendo: Subirei contra os philisteos, e nas minhas mãos os entregarás? E o Senhor lhe disse: Sobe, porque os entregarei nas tuas mãos.

11 E, subindo a Baal-perasim, David ali os feriu; e disse David: Por minha mão Deus derrotou a meus inimigos, como a rotura das aguas. Pelo que chamaram o nome d’aquelle logar, Baal-perasim.

12 E deixaram ali seus deuses; e ordenou David que se queimassem a fogo.

13 Porém os philisteos tornaram, [5] e se estenderam pelo valle.

14 E tornou David a consultar a Deus; e disse-lhe Deus: Não subirás atraz d’elles; mas anda em roda por detraz d’elles, [6] e vem a elles por defronte das amoreiras;

15 E ha de ser que, ouvindo tu um ruido de andadura pelas copas das amoreiras, então sae á peleja; porque Deus haverá saido diante de ti, a ferir o exercito dos philisteos.

16 E fez David como Deus lhe ordenara: [7] e feriram o exercito dos philisteos desde Gibeon até Gazor.

17 Assim se espalhou [8] o nome de David por todas aquellas terras: e o Senhor poz o seu temor sobre todas aquellas gentes.

[1] II Sam. 5.11, etc.

[2] cap. 3.5.

[3] II Sam. 5.17.

[4] cap. 11.15.

[5] II Sam. 5.22.

[6] II Sam. 5.23.

[7] II Sam. 5.25.

[8] Jos. 6.27. II Chr. 26. Deu. 2.25 e 11.25.

A arca é levada da casa de Obed-edom para Jerusalem.

Antes de Christo 1047

15 Fez tambem casa para si na cidade de David; e preparou um logar para a arca de Deus, [1] e armou-lhe uma tenda.

2 Então disse David: [2] Ninguem pode levar a arca de Deus, senão os levitas; porque o Senhor os elegeu, para levar a arca de Deus, e para o servirem eternamente.

3 E David ajuntou [3] a todo o Israel em Jerusalem, para fazerem subir a arca do Senhor ao seu logar, que lhe tinha preparado.

4 E David ajuntou os filhos de Aarão e os levitas.

5 Dos filhos de Kohath: Uriel, o principe, e de seus irmãos cento e vinte.

6 Dos filhos de Merari: Asaias, o principe, e de seus irmãos duzentos e vinte.

7 Dos filhos de Gersom: Joel, o principe, e de seus irmãos cento e trinta.

8 Dos filhos [4] de Elisaphan: Semaias o principe, e de seus irmãos duzentos.

9 Dos filhos [5] de Hebron: Eliel, o principe, e de seus irmãos oitenta.

10 Dos filhos de Uziel: Amminadab, o principe, e de seus irmãos cento e doze.

11 E chamou David os sacerdotes Zadok e Abiathar, e os levitas, Uriel, Asaias, Joel, Semaias, Eliel, e Amminadab;

12 E disse-lhes: Vós sois os chefes dos paes entre os levitas: sanctificae-vos, vós e vossos irmãos, para que façaes subir a arca do Senhor, Deus de Israel, ao logar que lhe tenho preparado.

13 Pois que, porquanto [6] primeiro vós assim o não fizestes, o Senhor fez rotura em nós, porque o não buscámos segundo a ordenança.

14 Sanctificaram-se pois os sacerdotes e levitas, para fazerem subir a arca do Senhor Deus de Israel.

15 E os filhos dos levitas trouxeram[403] a arca de Deus aos hombros, como Moysés tinha ordenado, [7] conforme a palavra do Senhor, com as varas que tinham sobre si.

16 E disse David aos principes dos levitas que constituissem a seus irmãos, os cantores, com instrumentos musicos, com alaudes, harpas e cymbalos, para que se fizessem ouvir, levantando a voz com alegria.

17 Ordenaram pois os levitas a Heman, [8] filho de Joel; e dos seus irmãos, a Asaph, filho de Berechias, e dos filhos de Merari, seus irmãos, a Ethan, filho de Kusaias.

18 E com elles a seus irmãos da segunda ordem: a Zacharias, Ben, e Jaaziel, e Semiramoth, e Jehiel, e Uni, Eliab, e Benaias, e Maaseias, e Mattithias, e Eliphelehu, e Mikneias, e Obed-edom, e Jeiel, os porteiros.

19 E os cantores, Heman, Asaph e Ethan, se faziam ouvir com cymbalos de metal;

20 E Zacharias, e Aziel, e Semiramoth, e Jehiel, e Uni, e Eliab, e Maaseias, e Benaias, com alaudes, sobre Alamoth:

21 E Mattithias e Eliphelehu, e Mikneias, e Obed-edom, e Jeiel, e Azazias, com harpas, sobre Seminith, para esforçar o tom.

22 E Chenanias, principe dos levitas, tinha cargo de [LB] entoar o canto; ensinava-os a entoal-o, porque era entendido.

23 E Berechias e Elkana eram porteiros da arca.

24 E Sebanias, e Josaphat, e Nethaneel, e Amasai, e Zacharias, e Benaias, e Eliezer, os sacerdotes, [9] tocavam as trombetas perante a arca de Deus: e Obed-edom e Jehias eram porteiros da arca.

25 Succedeu pois que David [10] e os anciãos d’Israel, e os capitães dos milhares, foram para fazer subir a arca do concerto do Senhor, da casa de Obed-edom, com alegria.

26 E succedeu que, ajudando Deus os levitas que levavam a arca do concerto do Senhor, sacrificaram sete novilhos e sete carneiros.

27 E David ia vestido de um roupão de linho fino, como tambem todos os levitas que levavam a arca, e os cantores, e Chenanias, chefe dos que levavam a arca e dos cantores; tambem David levava sobre si um ephod de linho.

28 E todo [11] o Israel fez subir a arca do concerto do Senhor, com jubilo, e com sonido de buzinas, e com trombetas, e com cymbalos, fazendo sonido com alaudes e com harpas.

29 E succedeu que, [12] chegando a arca do concerto do Senhor á cidade de David, Michal, a filha de Saul, olhou d’uma janella, e, vendo a David dançar e tocar, o desprezou no seu coração.

[1] cap. 16.1.

[2] Num. 4.2, 15. Deu. 10.8 e 31.9.

[3] I Reis 8.1. cap. 13.5.

[4] Exo. 6.22.

[5] Exo. 6.18.

[6] II Sam. 6.3. cap. 13.7. cap. 13.10, 11.

[7] Exo. 25.14. Num. 4.15 e 7.9.

[8] cap. 6.33. cap. 6.39. cap. 6.44.

[9] Num. 10.8.

[10] II Sam. 6.12, 13, etc. I Reis 8.1.

[11] cap. 13.8.

[12] II Sam. 6.16.

16 Trazendo [1] pois a arca de Deus, a pozeram no meio da tenda que David lhe tinha armado; e offereceram holocaustos e sacrificios pacificos perante Deus.

Antes de Christo 1042

2 E, acabando David de offerecer os holocaustos e sacrificios pacificos, abençoou o povo em nome do Senhor.

3 E repartiu a todos em Israel, tanto a homens como a mulheres, a cada um um pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho.

Acção de graças e cantico de David.

4 E poz perante a arca do Senhor alguns dos levitas por ministros; e isto para recordarem, e louvarem, e celebrarem ao Senhor Deus d’Israel.

5 Era Asaph o chefe, e Zacharias o segundo depois d’elle: Jeiel, e Semiramoth, e Jehiel, e Mattithias, e Eliab, e Benaias, e Obed-edom, e Jeiel, com alaudes e com harpas; e Asaph se fazia ouvir com cymbalos;

6 Tambem Benaias, e Jahaziel, os sacerdotes, continuamente com trombetas, perante a arca do concerto de Deus.

7 Então n’aquelle mesmo dia entregou David em primeiro [2] logar o Psalmo seguinte, para louvarem ao Senhor, pelo ministerio de Asaph e de seus irmãos:

8 Louvae ao Senhor, invocae o seu nome, fazei conhecidos entre os povos os seus feitos.

9 Cantae-lhe, psalmodiae-lhe, attentamente fallae de todas as suas maravilhas.

10 Gloriae-vos no seu sancto nome; alegre-se o coração dos que buscam ao Senhor.

11 Buscae ao Senhor, e a sua força; buscae a sua face continuamente.

12 Lembrae-vos das suas maravilhas que tem feito, de seus prodigios, e dos juizos da sua bocca.

13 Vós, semente d’Israel, seus servos, vós, filhos de Jacob, seus eleitos.

14 Elle é o Senhor nosso Deus; em toda a terra estão os seus juizos.

15 Lembrae-vos perpetuamente do seu concerto e da palavra que prescreveu para mil gerações;

16 Do concerto que contratou [3] com Abrahão, e do seu juramento a Isaac;

[404]

17 O qual tambem a Jacob ratificou por estatuto, e a Israel por concerto eterno,

18 Dizendo: A ti te darei a terra de Canaan, quinhão da vossa herança.

19 Sendo vós em [4] pequeno numero, poucos homens, e estrangeiros n’ella.

20 E andaram de nação em nação, e d’um reino para outro povo.

21 A ninguem permittiu que os opprimisse, [5] e por amor d’elles reprehendeu reis, dizendo:

22 Não toqueis os meus ungidos, e aos meus prophetas não façaes mal.

23 Cantae ao Senhor em toda a terra; annunciae de dia em dia a sua salvação.

24 Contae entre as nações a sua gloria, entre todos os povos as suas maravilhas.

25 Porque grande é o Senhor, e muito para louvar, e mais tremendo é do que todos os deuses.

26 Porque todos os deuses [6] das nações são vaidades; porém o Senhor fez os céus.

27 Magestade e esplendor ha diante d’elle, força e alegria no seu logar.

28 Dae ao Senhor, ó familias das nações, dae ao Senhor gloria e força.

29 Dae ao Senhor a gloria de seu nome; trazei presentes, e vinde perante Elle: adorae ao Senhor na belleza da sua sanctidade.

30 Trema perante Elle, trema toda a terra; pois o mundo se affirmará, para que se não abale.

31 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; e diga-se entre as nações: O Senhor reina.

32 Brama o mar com a sua plenitude; exulte o campo com tudo o que ha n’elle.

33 Então jubilarão as arvores dos bosques perante o Senhor; porquanto vem a julgar a terra.

34 Louvae ao Senhor, porque é bom; pois a sua benignidade dura perpetuamente.

35 E dizei: Salva-nos, ó Deus da nossa salvação, e ajunta-nos, e livra-nos das nações; para que louvemos o teu sancto nome, e nos gloriemos do teu louvor.

36 Louvado [7] seja o Senhor Deus de Israel, de seculo em seculo. E todo o povo disse: Amen! e louvou ao Senhor.

37 Então deixou ali, diante da arca do concerto do Senhor, a Asaph e a seus irmãos, para ministrarem continuamente perante a arca, segundo se ordenara para cada dia.

38 E mais a Obed-edom, com seus irmãos, sessenta e oito; a este Obed-edom, filho de Jeduthun, e a Hosa, ordenou por porteiros.

39 E mais a Zadok, o sacerdote, e a seus irmãos, os sacerdotes, [8] diante do tabernaculo do Senhor, no alto que está em Gibeon,

40 Para offerecerem ao Senhor os holocaustos sobre o altar dos holocaustos continuamente, [9] pela manhã e á tarde: e isto segundo tudo o que está escripto na lei do Senhor que tinha prescripto a Israel.

41 E com elles a Heman, e a Jeduthun, e aos mais escolhidos, que foram apontados pelos seus nomes, para louvarem ao Senhor, [10] porque a sua benignidade dura perpetuamente.

42 Com elles pois estavam Heman e Jeduthun, com trombetas e cymbalos, para os que se faziam ouvir, e com instrumentos de musica de Deus: porém os filhos de Jeduthun estavam á porta.

43 Então se foi todo [11] o povo, cada um para a sua casa: e tornou David, para abençoar a sua casa.

[1] I Sam. 6.17-19.

[2] II Sam. 23.1. Psa. 105.1-15.

[3] Gen. 17.2 e 26.3 e 28.13 e 35.11.

[4] Gen. 34.30.

[5] Gen. 12.17 e 20.3. Exo. 7.15-18.

[6] Lev. 19.4.

[7] I Reis 8.15. Deu. 27.15.

[8] cap. 21.29. II Chr. 1.3. I Reis 3.4.

[9] Exo. 29.38. Num. 28.3.

[10] ver. 34. II Chr. 5.13 e 7.3. Esd. 3.11. Jer. 33.11.

[11] II Sam. 6.19, 20.

David deseja edificar o templo, mas Deus não permitte.

17 Succedeu pois que, [1] morando David já em sua casa, disse David ao propheta Nathan: Eis que moro em casa de cedros, mas a arca do concerto do Senhor está debaixo de cortinas.

2 Então Nathan disse a David: Tudo quanto tens no teu coração faze, porque Deus é comtigo.

3 Mas succedeu, na mesma noite, que a palavra do Senhor veiu a Nathan, dizendo:

4 Vae, e dize a David meu servo: Assim diz o Senhor: Tu me não edificarás uma casa para morar;

5 Porque em casa nenhuma morei, desde o dia em que fiz subir a Israel até ao dia de hoje; mas fui de tenda em tenda, e de tabernaculo em tabernaculo.

6 Por todas as partes por onde andei com todo o Israel, porventura fallei alguma palavra a algum dos juizes de Israel, a quem ordenei que apascentasse o meu povo, dizendo: Porque me não edificaes uma casa de cedros?

7 Agora pois assim dirás a meu servo, a David: Assim diz o Senhor dos Exercitos: Eu te tirei do curral, de detraz das ovelhas, para que fosses chefe do meu povo Israel.

8 E estive comtigo por toda a parte,[405] por onde foste, e de diante de ti exterminei todos os teus inimigos, e te fiz um nome como o nome dos grandes que estão na terra.

9 E ordenei um logar para o meu povo Israel, e o plantei, para que habite no seu logar, e nunca mais seja removido d’uma para outra parte; e nunca mais os debilitarão os filhos da perversidade, como ao principio;

10 E desde os dias em que ordenei juizes sobre o meu povo Israel; porém abati a todos os teus inimigos: tambem te fiz saber que o Senhor te edificaria uma casa.

11 E ha de ser que, quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus paes, suscitarei a tua semente depois de ti, a qual será dos teus filhos, e confirmarei o seu reino.

12 Este me edificará casa; e eu confirmarei o seu throno para sempre.

13 Eu lhe [2] serei por pae, e elle me será por filho: e a minha benignidade não desviarei d’elle, como a tirei d’aquelle, que foi antes de ti.

14 Mas o confirmarei [3] na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu throno será firme para sempre.

15 Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim fallou Nathan a David.

A oração de David.

16 Então entrou o rei David, [4] e ficou perante o Senhor: e disse: Quem sou eu, Senhor Deus? e qual é a minha casa, que me trouxestes até aqui?

17 E ainda isto, ó Deus, foi pouco aos teus olhos; pelo que fallaste da casa de teu servo para tempos distantes: e proveste-me, segundo o costume dos homens, com esta exaltação, ó Senhor Deus.

18 Que mais te dirá David, ácerca da honra feita a teu servo? porém tu bem conheces a teu servo.

19 Ó Senhor, por amor de teu servo, e segundo o teu coração, fizeste todas estas grandezas, para fazer notorias todas estas grandes coisas.

20 Senhor, ninguem ha como tu, e não ha Deus fóra de ti, conforme tudo quanto ouvimos com os nossos ouvidos.

21 E quem ha como o teu povo Israel, unica gente na terra? a quem Deus foi remir para seu povo, fazendo-te nome com coisas grandes e temerosas, lançando as nações de diante do teu povo, que remiste do Egypto.

22 E tomaste o teu povo Israel para ser teu povo para sempre: e tu, Senhor, lhe foste por Deus.

23 Agora pois, Senhor, a palavra que fallaste de teu servo, e ácerca da sua casa, seja certa para sempre: e faze como fallaste.

24 Confirme-se com effeito, e que o teu nome se engrandeça para sempre, e diga-se: O Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel, é Deus para Israel; e fique firme diante de ti a casa de David teu servo.

25 Porque tu, Deus meu, revelaste ao ouvido de teu servo que lhe edificarias casa; pelo que o teu servo achou confiança para orar em tua presença.

26 Agora pois, Senhor, tu és o mesmo Deus, e fallaste este bem ácerca de teu servo.

27 Agora pois foste servido abençoares a casa de teu servo, para que esteja perpetuamente diante de ti: porque tu, Senhor, a abençoaste, e ficará abençoada para sempre.

[1] II Sam. 7.1, etc.

[2] II Sam. 7.14, 15.

[3] Luc. 1.33.

[4] II Sam. 7.18.

Diversas victorias de David.

Antes de Christo 1040

18 E depois d’isto [1] aconteceu que David feriu os philisteos, e os abateu; e tomou a Gath, e os logares da sua jurisdicção, da mão dos philisteos.

2 Tambem feriu os moabitas; e os moabitas ficaram servos de David, trazendo presentes.

3 Tambem David feriu a Hadar-ezer, rei de Zoba, junto a Hamath, indo elle estabelecer os seus dominios pelo Euphrates.

4 E David lhe tomou mil cavallos de carros, [2] e sete mil cavalleiros, e vinte mil homens de pé: e David jarretou todos os cavallos dos carros; porém reservou d’elles cem cavallos.

5 E vieram os syros de Damasco a ajudar a Hadar-ezer, rei de Zoba: porém dos syros feriu David vinte e dois mil homens.

6 E David poz guarnições em Syria de Damasco, e os syros ficaram servos de David, trazendo presentes: e o Senhor guardava a David, por onde quer que ia.

7 E tomou David os escudos de oiro, que tinham os servos de Hadar-ezer, e os trouxe a Jerusalem.

8 Tambem de Tibhath, e de Chun, cidades de Hadar-ezer, tomou David muitissimo cobre, de que Salomão [3] fez o mar de cobre, e as columnas, e os vasos de cobre.

9 E ouvindo Tou, rei de Hamath, que David destruira todo o exercito de Hadar-ezer, rei de Zoba,

[406]

10 Mandou seu filho Hadoram a David, para lhe perguntar como estava, e para o abençoar, por haver pelejado com Hadar-ezer, e o destruir (porque Hadar-ezer fazia guerra a Tou), enviando-lhe juntamente toda a sorte de vasos de oiro, e de prata, e de cobre.

11 Os quaes David tambem consagrou ao Senhor, juntamente com a prata e oiro que trouxera de todas as mais nações: dos idumeos, e dos moabitas, e dos filhos de Ammon, e dos philisteos, e dos amalekitas.

12 Tambem Abisai, filho de Zeruia, [4] feriu a dezoito mil idumeos no Valle do Sal.

13 E poz [5] guarnição em Edom, e todos os idumeos ficaram servos de David: e o Senhor guardava a David, por onde quer que ia.

14 E David reinou sobre todo o Israel: e fazia juizo e justiça a todo o seu povo.

15 E Joab, filho de Zeruia, tinha cargo do exercito: e Josaphat, filho de Ahilud, era chanceller.

16 E Zadok, filho de Ahitub, e Abimelech, filho de Abiathar, eram sacerdotes: e Sausa escrivão.

17 E Benaias, [6] filho de Joiada, tinha cargo dos cheretheos e peletheos: porém os filhos de David, os primeiros, estavam á mão do rei.

[1] II Sam. 8.1, etc.

[2] II Sam. 8.4.

[3] I Reis 7.15, 23. II Chr. 4.12, 15, 16.

[4] II Sam. 8.13.

[5] II Sam. 8.14, etc.

[6] II Sam. 8.18.

O rei dos ammonitas ultraja os mensageiros de David, e este castiga-o.

Antes de Christo 1037

19 E aconteceu, [1] depois d’isto, que Nahas, rei dos filhos d’Ammon, morreu; e seu filho reinou em seu logar.

2 Então disse David: Usarei de beneficencia com Hanun, filho de Nahas, porque seu pae usou de beneficencia comigo. Pelo que David enviou mensageiros para o consolarem ácerca de seu pae. E, vindo os servos de David á terra dos filhos de Ammon, a Hanun, para o consolarem,

3 Disseram os principes dos filhos de Ammon a Hanun: Porventura honra David a teu pae aos teus olhos, porque te mandou consoladores? não vieram seus servos a ti, a esquadrinhar, e a transtornar, e a espiar a terra?

4 Pelo que Hanun tomou os servos de David, e os rapou, e lhes cortou os vestidos no meio até á coxa da perna, e os despediu.

5 E foram-se, e avisaram a David ácerca d’estes homens, e mandou ao encontro d’elles; porque aquelles homens estavam sobremaneira envergonhados. Disse pois o rei: Deixae-vos ficar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então tornae.

6 Vendo pois os filhos de Ammon que se tinham feito odiosos para com David, então enviou Hanun, e os filhos de Ammon, mil talentos de prata, para alugarem para si carros e cavalleiros de Mesopotamia, e da Syria de Maaca, [2] e de Zoba.

7 E alugaram para si trinta e dois mil carros, e o rei de Maaca e a sua gente, e elles vieram, e se acamparam diante de Medeba; tambem os filhos de Ammon se ajuntaram das suas cidades, e vieram para a guerra.

8 O que ouvindo David, enviou Joab e todo o exercito dos homens valorosos.

9 E, saindo os filhos d’Ammon, ordenaram a batalha á porta da cidade: porém os reis que vieram se pozeram á parte no campo.

10 E, vendo Joab que a frente da batalha estava contra elle por diante e por detraz, fez escolha d’entre os mais escolhidos de Israel, e os ordenou contra os syros:

11 E o resto do povo entregou na mão de Abisai, seu irmão; e pozeram-se em ordem de batalha contra os filhos d’Ammon.

12 E disse: Se os syros forem mais fortes do que eu, tu virás soccorrer-me; e, se os filhos de Ammon forem mais fortes do que tu, então eu te soccorrerei a ti.

13 Esforça-te, e esforcemo-nos pelo nosso povo, e pelas cidades do nosso Deus, e faça o Senhor o que parecer bem aos seus olhos.

14 Então se chegou Joab, e o povo que tinha comsigo, diante dos syros, para a batalha; e fugiram de diante d’elle.

15 Vendo pois os filhos d’Ammon que os syros fugiram, tambem elles fugiram de diante de Abisai, seu irmão, e entraram na cidade; e veiu Joab para Jerusalem.

16 E, vendo os syros que foram derrotados diante d’Israel, enviaram mensageiros, e fizeram sair os syros que habitavam da banda d’além do rio: e Sophac, capitão do exercito de Hadar-ezer, marchava diante d’elles.

17 Do que avisado David, ajuntou a todo o Israel, e passou o Jordão, e veiu ter com elles, e ordenou contra elles a batalha: e, tendo David ordenado a batalha contra os syros, pelejaram contra elle.

18 Porém os syros fugiram de diante d’Israel, e feriu David, dos syros, sete mil cavallos de carros, e quarenta mil[407] homens de pé: e a Sophac, capitão do exercito, matou.

19 Vendo pois os servos d’Hadar-ezer que tinham sido feridos diante d’Israel, fizeram paz com David, e o serviram: e os syros nunca mais quizeram soccorrer os filhos d’Ammon.

[1] II Sam. 10.1, etc.

[2] cap. 18.5, 9.

20 Aconteceu [1] pois que, no decurso de um anno, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, Joab levou o exercito, e destruiu a terra dos filhos de Ammon, e veiu, e cercou a Rabba, porém David ficou em Jerusalem: [2] e Joab feriu a Rabba, e a destruiu.

Antes de Christo 1036

2 E David tirou [3] da cabeça do rei a corôa d’este, e achou n’ella o peso d’um talento de oiro, e havia n’ella pedras preciosas; e foi posta sobre a cabeça de David: e levou da cidade mui grande despojo.

3 Tambem o povo que estava n’ella levou, e os fez serrar com a serra, e cortar com talhadeiras de ferro e com machados; e assim fez David com todas as cidades dos filhos de Ammon: então voltou David, com todo o povo, para Jerusalem.

4 E depois d’isto aconteceu que, [4] levantando-se guerra em Gazer, com os philisteos, então Sibbechai, o husathita, feriu a Sippai, dos filhos [LC] de Rapha: e ficaram abatidos.

5 E tornou a haver guerra com os philisteos: e Elhanan, filho de Jair, feriu a Lahmi, irmão de Goliath, o getheo, cuja haste da lança era como orgão de tecelão.

6 E tornou a haver guerra [5] em Gath; e havia ali um homem de grande estatura, e tinha vinte e quatro dedos, seis em cada mão, e seis em cada pé, e tambem era da raça [LD] de Rapha.

7 E injuriou a Israel: porém Jonathan, filho de Simea, irmão de David, o feriu.

8 Estes nasceram [LE] a Rapha em Gath: e cairam pela mão de David e pela mão dos seus servos.

[1] II Sam. 11.1.

[2] II Sam. 12.26.

[3] II Sam. 12.30, 31.

[4] II Sam. 21.18. cap. 11.29.

[5] II Sam. 21.20.

David numera o povo, e Deus castiga-o.

21 Então [LF] Satanaz se levantou [1] contra Israel, e incitou David a numerar a Israel.

Antes de Christo 1018

2 E disse David a Joab e aos maioraes do povo: Ide, numerae a Israel, desde Berseba até Dan; [2] e trazei-me a conta, para que saiba o numero d’elles.

3 Então disse Joab: O Senhor accrescente ao seu povo cem vezes tanto como é; porventura, ó rei meu senhor, não são todos servos de meu senhor? Porque procura isto o meu senhor? Porque seria causa de delicto para com Israel.

4 Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joab; pelo que saiu Joab, e passou por todo o Israel; então voltou para Jerusalem.

5 E Joab deu a David a somma do numero do povo: e era todo o Israel um milhão e cem mil homens, dos que arrancavam espada; e de Judah quatrocentos e setenta mil homens, dos que arrancavam espada.

6 Porém os de Levi [3] e Benjamin não contou entre elles, porque a palavra do rei foi abominavel a Joab.

7 E este negocio tambem pareceu mal aos olhos de Deus: pelo que feriu a Israel.

8 Então disse David a Deus: [4] Gravemente pequei em fazer este negocio; porém agora sê servido tirar a iniquidade de teu servo, porque obrei mui loucamente.

9 Fallou pois o Senhor a Gad, [5] o vidente de David, dizendo:

10 Vae, e falla a David, dizendo: Assim diz o Senhor: Tres coisas te proponho: escolhe uma d’ellas, para que eu t’a faça.

11 E Gad veiu a David, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Escolhe para ti,

12 Ou [6] tres annos de fome, ou que tres mezes te consumas diante de teus adversarios, e a espada de teus inimigos te alcance, ou que tres dias a espada do Senhor, isto é, a peste na terra, e o anjo do Senhor destruam todos os termos de Israel; vê pois agora que resposta hei de levar a quem me enviou.

13 Então disse David a Gad: Estou em grande angustia; caia eu pois nas mãos do Senhor, porque são muitissimas as suas misericordias; mas que eu não caia nas mãos dos homens.

14 Mandou pois o Senhor a peste a Israel; e cairam d’Israel setenta mil homens.

15 E o Senhor mandou [7] um anjo a Jerusalem para a destruir; e, destruindo-a elle, o Senhor o viu, e se arrependeu d’aquelle mal, e disse ao anjo destruidor: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto á eira de Ornan, jebuseo.

16 E, levantando David os seus olhos, [8] viu o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, com a sua espada desembainhada na sua mão estendida[408] contra Jerusalem: então David e os anciãos, cobertos de saccos, se prostraram sobre os seus rostos.

Antes de Christo 1017

17 E disse David a Deus: Não sou eu o que disse que se contasse o povo? E eu mesmo sou o que pequei, e fiz muito mal; mas estas ovelhas que fizeram? Ah! Senhor, meu Deus, seja a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pae, e não para castigo de teu povo.

18 Então [9] o anjo do Senhor disse a Gad que dissesse a David que subisse David para levantar um altar ao Senhor na eira d’Ornan, jebuseo.

19 Subiu pois David, conforme a palavra de Gad, que fallara em nome do Senhor.

20 E, virando-se Ornan, viu o anjo, e se esconderam com elle seus quatro filhos: e Ornan estava trilhando o trigo.

21 E David veiu a Ornan: e olhou Ornan, e viu a David, e saiu da eira, e se prostrou perante David com o rosto em terra.

22 E disse David a Ornan: Dá-me este logar da eira, para edificar n’elle um altar ao Senhor; dá-m’o pelo seu valor, para que cesse este castigo sobre o povo.

23 Então disse Ornan a David: Toma-a para ti, e faça o rei meu Senhor d’ella o que parecer bem aos seus olhos: eis que dou os bois para holocaustos, e os trilhos para lenha, e o trigo para offerta de manjares; tudo dou.

24 E disse o rei David a Ornan: Não, antes pelo seu valor a quero comprar: porque não tomarei o que é teu, para o Senhor; para que não offereça holocausto sem custo.

25 E David [10] deu a Ornan por aquelle logar o peso de seiscentos siclos de oiro.

26 Então David edificou ali um altar ao Senhor, e offereceu n’elle holocaustos e sacrificios pacificos: e invocou o Senhor, [11] o qual lhe respondeu com fogo do céu sobre o altar do holocausto.

27 E o Senhor deu ordem ao anjo, e elle tornou a sua espada á bainha.

28 Vendo David, no mesmo tempo, que o Senhor lhe respondera na eira de Ornan, jebuseo, sacrificou ali.

29 Porque o tabernaculo [12] do Senhor, que Moysés fizera no deserto, e o altar do holocausto, [13] estavam n’aquelle tempo no alto de Gibeon.

30 E não podia David ir perante elle buscar ao Senhor; porque estava aterrorisado por causa da espada do anjo do Senhor.

[1] II Sam. 24.1, etc.

[2] cap. 27.23.

[3] cap. 27.24.

[4] II Sam. 24.10. II Sam. 12.13.

[5] I Sam. 9.9.

[6] II Sam. 24.13.

[7] II Sam. 24.16. Gen. 6.6.

[8] II Chr. 3.1.

[9] II Chr. 3.1.

[10] II Sam. 24.24.

[11] Lev. 9.24. II Chr. 3.1 e 7.1.

[12] cap. 16.39.

[13] I Reis 3.4. cap. 16.39. II Chr. 1.3.

David faz preparativos para edificar o templo.

22 E disse David: [1] Esta será a casa do Senhor Deus, e este será o altar do holocausto para Israel.

2 E deu ordem David que se ajuntassem os estranhos [2] que estavam na terra de Israel: e ordenou cortadores de pedras, para que lavrassem pedras de cantaria, para edificar a casa de Deus.

3 E apparelhou David ferro em abundancia, para os pregos das portas das entradas, e para as junturas: como tambem cobre em abundancia, [3] sem peso;

4 E madeira de cedro sem conta: [4] porque os sidonios e tyrios traziam a David madeira de cedro em abundancia.

5 Porque dizia David: [5] Salomão, meu filho, ainda é moço e tenro, e a casa que se ha de edificar para o Senhor se ha de fazer magnifica em excellencia, para nome e gloria em todas as terras; eu pois agora lhe prepararei materiaes. Assim preparou David materiaes em abundancia, antes da sua morte.

6 Então chamou a Salomão seu filho, e lhe ordenou que edificasse uma casa ao Senhor Deus de Israel.

7 E disse David a Salomão: Filho meu, quanto a mim, [6] tive em meu coração o edificar casa [7] ao nome do Senhor meu Deus.

8 Porém a mim a palavra do Senhor veiu, dizendo: Tu derramaste sangue em abundancia, e fizeste grandes guerras; não edificarás casa ao meu nome; [8] porquanto muito sangue tens derramado na terra, perante a minha face.

9 Eis que o filho [9] que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor; portanto [LG] Salomão será o seu nome, e paz e descanço darei a Israel nos seus dias.

10 Este [10] edificará casa ao meu nome, e elle me será por filho, e eu a elle por pae; e confirmarei o throno de seu reino sobre Israel, para sempre.

11 Agora pois, meu filho, [11] o Senhor seja comtigo; e prospera, e edifica a[409] casa do Senhor teu Deus, como elle disse de ti.

12 O Senhor te dê [12] tão sómente prudencia e entendimento, e te instrua ácerca de Israel; e isso para guardar a lei do Senhor teu Deus.

13 Então prosperarás, [13] se tiveres cuidado de fazer os estatutos e os juizos, que o Senhor mandou a Moysés ácerca de Israel: esforça-te, e tem bom animo; não temas, nem tenhas pavor.

14 Eis que na minha oppressão preparei para a casa do Senhor cem mil talentos de oiro, e um milhão de talentos de prata, e de cobre e de ferro sem peso, [14] porque em abundancia é: tambem madeira e pedras preparei, e tu suppre o que faltar.

15 Tambem tens comtigo officiaes mechanicos em multidão, cortadores e artifices em obra de pedra e madeira; e toda a sorte de sabios em toda a sorte de obra.

16 Do oiro, da prata, e do cobre, e do ferro não ha numero: levanta-te pois, e faze a obra, [15] e o Senhor seja comtigo.

17 E David deu ordem a todos os principes de Israel que ajudassem a Salomão, seu filho, dizendo:

18 Porventura não está comvosco o Senhor vosso Deus, e não vos deu [16] repouso em roda? porque tem entregado na minha mão os moradores da terra; e a terra foi sujeita perante o Senhor e perante o seu povo.

19 Disponde [17] pois agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes ao Senhor vosso Deus; e levantae-vos, [18] e edificae o sanctuario do Senhor Deus, para que a arca do concerto do Senhor, e os vasos sagrados de Deus se tragam a esta casa, que se ha de edificar ao nome do Senhor.

[1] Deu. 12.5. II Sam. 24.18. cap. 21.18, 19, 26, 28. I Chr. 3.11.

[2] I Reis 9.21.

[3] ver. 14. I Reis 7.47.

[4] I Reis 5.6.

[5] cap. 29.1.

[6] II Sam. 7.2. I Reis 8.17. cap. 17.1 e 28.2.

[7] Deu. 12.5, 11.

[8] I Reis 5.3. cap. 28.3.

[9] cap. 28.5. I Reis 4.25 e 5.4.

[10] II Sam. 7.13. I Reis 5.5. cap. 17.12, 13 e 28.6. Heb. 1.5.

[11] ver. 16.

[12] I Reis 3.9, 12.

[13] Jos. 1.7, 8. cap. 28.7. Deu. 31.7, 8. Jos. 1.6, 7, 9. cap. 28.20.

[14] ver. 3.

[15] ver. 11.

[16] Deu. 12.10. Jos. 22.4. II Sam. 7.1. cap. 23.25.

[17] II Chr. 20.3.

[18] I Reis 8.6, 21. II Chr. 5.7 e 6.11. ver. 7. I Reis 5.3.

David faz Salomão rei e ordena os turnos e funcções dos levitas.

Antes de Christo 1045

23 Sendo pois David já velho, e cheio de dias, fez a Salomão seu [1] filho rei sobre Israel.

2 E ajuntou a todos os principes de Israel, como tambem aos sacerdotes e levitas.

3 E foram contados os levitas de trinta annos [2] e d’ahi para cima: e foi o numero d’elles, segundo as suas cabeças, trinta e oito mil homens.

4 D’estes havia vinte e quatro mil, [3] para promoverem a obra da casa do Senhor, e seis mil officiaes e juizes,

5 E quatro mil porteiros, e quatro mil para louvarem ao Senhor com os instrumentos, [4] que eu fiz para o louvar, disse David,

6 E David [5] os repartiu por turnos, segundo os filhos de Levi, Gerson, Kohath e Merari.

7 Dos gersonitas: [6] Ladan e Simei.

8 Os filhos de Ladan; Jehiel o chefe, e Zetham, e Joel, tres.

9 Os filhos de Simei: Selomith, e Haziel, e Haran, tres: estes foram os chefes dos paes de Ladan.

10 E os filhos de Simei: Jahath, Ziza, e Jeus, e Berias: estes foram os filhos de Simei, quatro.

11 E Jahath era o chefe, e Ziza o segundo, mas Jeus e Berias não tiveram muitos filhos; pelo que foram contados em casa de seus paes por uma familia.

12 Os filhos [7] de Kohath: Amram, Ishar, Hebron, e Uziel, quatro.

13 Os filhos [8] de Amram: Aarão e Moysés; e Aarão foi separado para sanctificar a sanctidade das sanctidades, elle e seus filhos, eternamente; para incensar diante do Senhor, para o servirem, e para darem a benção em seu nome eternamente.

14 E quanto [9] a Moysés, homem de Deus, seus filhos foram contados entre a tribu de Levi.

15 Foram pois os filhos [10] de Moysés, Gersom e Eliezer.

16 Dos filhos de Gersom foi [11] Sebuel o chefe.

17 E quanto aos filhos de Eliezer, foi Rehabias [12] o chefe: e Eliezer não teve outros filhos; porém os filhos de Rehabias se multiplicaram grandemente.

18 Dos filhos de Ishar foi Selomith o chefe.

19 Quanto aos filhos [13] de Hebron, foi Jerias o chefe, Amarias o segundo, Jahaziel o terceiro, e Jekamam o quarto.

20 Quanto aos filhos de Uziel, Micha o chefe, e Issias o segundo.

21 Os filhos de [14] Merari: Maheli e Musi; os filhos de Maheli: Eleazar e Kis.

22 E morreu Eleazar, e não [15] teve filhos, porém filhas; e os filhos de Kis, seus irmãos, as tomaram por mulheres.

[410]

23 Os filhos de [16] Musi: Maheli, e Eder, e Jeremath, tres.

24 Estes são os filhos de Levi, [17] segundo a casa de seus paes, chefes dos paes, segundo foram contados pelo numero dos nomes, segundo os seus chefes, que faziam a obra do ministerio da casa o Senhor, [18] da edade de vinte annos e d’ahi para cima.

25 Porque disse David: O Senhor Deus de Israel deu repouso [19] ao seu povo, e habitará em Jerusalem para sempre.

26 E tambem, quanto aos levitas, [20] que nunca mais levassem o tabernaculo, nem algum de seus apparelhos pertencentes ao seu ministerio.

27 Porque, segundo as ultimas palavras de David, foram contados os filhos de Levi da edade de vinte annos e d’ahi para cima.

28 Porque o seu cargo era de estar ao mandado dos filhos de Aarão no ministerio da casa do Senhor, nos atrios, e nas camaras, e na purificação de todas as coisas sagradas, e na obra do ministerio da casa de Deus,

29 A saber: [21] para os pães da proposição, e para a flor de farinha, para a offerta de manjares, e para os coscorões asmos, e para as sartãs, e para o tostado, e para toda a medida e [LH] mensura;

30 E para estarem cada manhã em pé para louvarem e celebrarem ao Senhor; e similhantemente á tarde;

31 E para cada offerecimento dos holocaustos do Senhor, [22] nos sabbados, nas luas novas, e nas solemnidades, por conta, segundo o seu costume, continuamente perante o Senhor:

32 E para que tivessem [23] cuidado da guarda da tenda da congregação, e da guarda do sanctuario, e da guarda dos filhos de Aarão, seus irmãos, no ministerio da casa do Senhor.

[1] I Reis 1.33-39. cap. 28.5.

[2] Num. 4.3, 47.

[3] Deu. 16.18. cap. 26.29. II Chr. 19.8.

[4] II Chr. 29.25, 26. Amós 6.5.

[5] Exo. 6.16. Num. 26.57. cap. 6.1, etc. II Chr. 8.14 e 29.25.

[6] cap. 26.21.

[7] Exo. 6.18.

[8] Exo. 6.20. Exo. 28.1. Heb. 5.4. Exo. 30.7. Num. 16.40. I Sam. 2.28. Deu. 21.5. Num. 6.23.

[9] cap. 26.23, 24, 25.

[10] Exo. 2.22 e 18.3, 4.

[11] cap. 26.24.

[12] cap. 26.25.

[13] cap. 24.23.

[14] cap. 24.26. cap. 24.29.

[15] cap. 24.28. Num. 36.6, 8.

[16] cap. 24.30.

[17] Num. 10.17, 21.

[18] ver. 27. Num. 1.3 e 4.3 e 8.24. Esd. 3.8.

[19] cap. 22.18.

[20] Num. 4.5, etc.

[21] Exo. 25.30. Lev. 6.20. cap. 9.23, etc. Lev. 2.4. Lev. 2.5, 7. Lev. 19.35.

[22] Num. 10.10. Lev. 23.4.

[23] Num. 1.53. Num. 3.6-9.

David divide os sacerdotes em vinte e quatro turnos.

24 E quanto aos filhos de Aarão, estes foram as suas divisões: [1] os filhos de Aarão foram Nadab, e Abihu, e Eleazar e Ithamar.

2 E morreram Nadab [2] e Abihu antes de seu pae, e não tiveram filhos: e Eleazar e Ithamar administravam o sacerdocio.

3 E David os repartiu, como tambem a Zadok, dos filhos de Eleazar, e Abimelech, dos filhos de Ithamar, segundo o seu officio no seu ministerio.

4 E achou-se que eram muitos mais os filhos de Eleazar entre os chefes de familias do que os filhos de Ithamar, quando os repartiram: dos filhos de Eleazar dezeseis chefes das casas dos paes, mas dos filhos de Ithamar, segundo as casas de seus paes, oito.

5 E os repartiram por sortes, uns com os outros; porque houve maioraes do sanctuario e maioraes da casa de Deus, assim d’entre os filhos de Eleazar, como d’entre os filhos de Ithamar.

6 E os registou Semaias, filho de Nathanael, o escrivão d’entre os levitas, perante o rei, e os principes, e Zadok, o sacerdote, e Abimelech, filho de Abiathar, e os chefes dos paes entre os sacerdotes, e entre os levitas: uma d’entre as casas dos paes se tomou para Eleazar, e se tomou outra para Ithamar.

7 E saiu a primeira sorte a Jojarib, a segunda a Jedaias,

8 A terceira a Harim, a quarta a Seorim,

9 A quinta a Malchias, a sexta a Mihamin,

10 A setima a Hakkos, a oitava [3] a Abias,

11 A nona a Jesua, a decima a Sechanias,

12 A undecima a Eliasib, a duodecima a Jakim,

13 A decima terceira a Huppa, a decima quarta a Jesebeab,

14 A decima quinta a Bilga, a decima sexta a Immer,

15 A decima setima a Hezir, a decima oitava a Happises,

16 A decima nona a Petahias, a vigesima a Jehezkel,

17 A vigesima primeira a Jachin, a vigesima segunda a Gamul,

18 A vigesima terceira a Delaias, a vigesima quarta a Maazias.

19 O officio d’estes no seu ministerio [4] era entrar na casa do Senhor, segundo lhes fôra ordenado por Aarão seu pae, como o Senhor Deus de Israel lhe tinha ordenado.

20 E do resto dos filhos de Levi: dos filhos de Amram, Subael: dos filhos de Subael, [5] Jehdias.

21 Quanto a Rehabias: [6] dos filhos de Rehabias Issias era chefe;

[411]

22 Dos isharitas, [7] Selomoth; dos filhos de Selomoth, Jahoth;

23 E dos filhos de Hebron, Jerias o primeiro, Amarias o segundo, Jahaziel o terceiro, Jekamam o quarto;

24 Dos filhos de Uziel, Micha; dos filhos de Micha, Samir;

25 O irmão de Micha, Issias; dos filhos de Issias, Zacharias;

26 Os filhos de Merari, Maheli e Musi; dos filhos de Jaazias, Beno;

27 Os filhos de Merari de Jaazias, Beno, e Soham, e Zaccur, e Hibri;

28 De Maheli, Eleazar: [8] e este não teve filhos.

29 Quanto a Kis: dos filhos de Kis, Jerahmeel;

30 E os filhos, [9] de Musi, Maheli, e Eder, e Jerimoth; estes foram os filhos dos levitas, segundo as suas casas paternas.

31 E tambem elles lançaram sortes egualmente com seus irmãos, os filhos de Aarão, perante o rei David, e Zadok, e Abimelech, e os chefes dos paes entre os sacerdotes e entre os levitas: o chefe da casa dos paes e bem assim seu irmão menor.

[1] Lev. 10.1, 6. Num. 26.60.

[2] Num. 3.4 e 26.61.

[3] Neh. 12.4, 17. Luc. 1.5.

[4] cap. 9.25.

[5] cap. 23.16.

[6] cap. 23.17.

[7] cap. 23.18.

[8] cap. 23.22.

[9] cap. 23.23.

Funcções dos cantores em seus turnos.

25 E David, juntamente com os capitães do exercito, [1] separou para o ministerio os filhos de Asaph, e de Heman, e de Jeduthun, para prophetizarem com harpas, com alaudes, e com psalterios: e este foi o numero dos homens aptos para a obra do seu ministerio.

2 Dos filhos de Asaph foram Zaccur, e José, e Nethanias, e Asarela, filhos de Asaph: a cargo de Asaph, que prophetizava debaixo da direcção do rei David.

3 Quanto a Jeduthun, foram os filhos de Jeduthun: Gedalias, e Zeri, e Jesaias, e Hasabias, e Mattithias, seis, a cargo de seu pae Jeduthun, para tanger harpas, o qual prophetizava, louvando e dando graças ao Senhor.

4 Quanto a Heman: os filhos de Heman: Bukkias, Matthanias, Uziel, Sebuel, e Jerimoth, Hananias, Hanani, Eliatha, Giddalti, e Romamthi-ezer, Josbekasa, Mallothi, Hothir, e Mahazioth.

5 Todos estes foram filhos de Heman, o vidente do rei nas palavras de Deus, para exaltar a corneta: porque Deus dera a Heman quatorze filhos e tres filhas.

6 Todos estes estavam ao lado de seu pae para o canto da casa do Senhor, com psalterios, alaudes e harpas, para o ministerio da casa de Deus; [2] e, ao lado do rei, Asaph, Jeduthun, e Heman.

7 E era o numero d’elles, juntamente com seus irmãos instruidos no canto do Senhor, todos os mestres, duzentos e oitenta e oito.

8 E deitaram as sortes ácerca da guarda egualmente, assim o pequeno como o grande, [3] o mestre juntamente com o discipulo.

9 Saiu pois a primeira sorte a Asaph, a saber: a José; a segunda a Gedalias; e eram elle, e seus irmãos, e seus filhos, ao todo, doze.

10 A terceira a Zaccur, seus filhos e seus irmãos; doze.

11 A quarta a Isri, seus filhos, e seus irmãos; doze.

12 A quinta a Nethanias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

13 A sexta a Bukkias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

14 A setima a Jesarela, seus filhos, e seus irmãos; doze.

15 A oitava a Jesaias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

16 A nona a Matthanias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

17 A decima a Simei, seus filhos, e seus irmãos; doze.

18 A undecima a Azareel, seus filhos, e seus irmãos; doze.

19 A duodecima a Hasabias, seus filhos e seus irmãos; doze.

20 A decima terceira a Subael, seus filhos, e seus irmãos; doze.

21 A decima quarta a Mattithias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

22 A decima quinta a Jeremoth, seus filhos, e seus irmãos; doze.

23 A decima sexta a Hananias, seus filhos, e seus irmãos; doze.

24 A decima setima a Josbekasa, seus filhos, e seus irmãos; doze.

25 A decima oitava a Hanani, seus filhos, e seus irmãos; doze.

26 A decima nona a Mallothi, seus filhos, e seus irmãos; doze.

27 A vigesima a Eliatha, seus filhos, e seus irmãos; doze.

28 A vigesima primeira a Hothir, seus filhos, e seus irmãos; doze.

29 A vigesima segunda a Giddalthi, seus filhos, e seus irmãos; doze.

30 A vigesima terceira a Mahazioth, seus filhos, e seus irmãos; doze.

31 A vigesima quarta a Romamthi-ezer, seus filhos, e seus irmãos; doze.

[1] cap. 6.33, 39, 44.

[2] ver. 2.

[3] II Chr. 23.13.

[412]

Funcções dos porteiros.

26 Quanto aos repartimentos dos porteiros, dos korahitas foi Meselemias, filho de Kore, dos filhos de Asaph.

2 E foram os filhos de Meselemias: Zacharias o primogenito, Jediael o segundo, Zebadias o terceiro, Jathniel o quarto,

3 Elam o quinto, Johanan o sexto, Elioenai o setimo.

4 E os filhos d’Obed-edom foram: Semaias o primogenito, Jozabad o segundo, Joah o terceiro, e Sachar o quarto, e Nathanael o quinto,

5 Ammiel o sexto, Issacar o setimo, Peullethai o oitavo: porque Deus o tinha abençoado.

6 Tambem a seu filho Semaias nasceram filhos, que dominaram sobre a casa de seu pae; porque foram varões valentes.

7 Os filhos de Semaias: Othni, e Raphael, e Obed, e Elzabad, seus irmãos, homens valentes: Elihu e Semachias.

8 Todos estes foram dos filhos d’Obed-edom; elles e seus filhos, e seus irmãos, homens valentes de força para o ministerio: por todos sessenta e dois, de Obed-edom.

9 E os filhos e os irmãos de Mesalemias, homens valentes, foram dezoito.

10 E de [1] Hosa, d’entre os filhos de Merari, foram os filhos: Simri o chefe (ainda que não era o primogenito, comtudo seu pae o constituiu chefe),

11 Hilkias o segundo, Tabalias o terceiro, Zacharias o quarto: todos os filhos e irmãos de Hosa foram treze.

12 D’estes se fizeram as turmas dos porteiros, entre os chefes dos homens da guarda, egualmente com os seus irmãos, para ministrarem na casa do Senhor.

13 E lançaram sortes, assim os pequenos como os grandes, segundo as casas de seus paes, para cada porta.

14 E caiu a sorte do oriente a Selemias: e lançou-se a sorte por seu filho Zacharias, conselheiro entendido, e saiu-lhe a sorte do norte.

15 E por Obed-edom a do sul: e por seus filhos a casa das thesourarias.

16 Por Suppim e Hosa a do occidente, com a porta Sallecheth, junto ao caminho da subida: uma guarda defronte d’outra guarda.

17 Ao oriente seis levitas; ao norte quatro por dia, ao sul quatro por dia, porém ás thesourarias de dois em dois.

18 Em Parbar ao occidente: quatro junto ao caminho, dois junto a Parbar.

19 Estas são as turmas dos porteiros d’entre os filhos dos korahitas, e d’entre os filhos de Merari.

Os guardas dos thesouros.

20 E quanto aos levitas: [2] Ahias tinha cargo dos thesouros da casa de Deus e dos thesouros das coisas sagradas.

21 Quanto aos filhos de Ladan, filhos de Ladan gersonita: de Ladan gersonita, foi chefe dos paes Jehieli.

22 Os filhos de Jehieli: Zetham e Joel, seu irmão; estes tinham cargo dos thesouros da casa do Senhor.

23 Para os amramitas, para os isharitas, para os hebronitas, para os ozielitas.

24 E [3] Sebuel, filho de Gersom, o filho de Moysés, era maioral dos thesouros.

25 E seus irmãos foram, da banda de Eliezer, Rehabias seu filho, e Isaias seu filho, e Jorão seu filho, e Zichri seu filho, [4] e Selomith, seu filho.

26 Este Selomith e seus irmãos tinham cargo de todos os thesouros das coisas sagradas que o rei David e os chefes dos paes, capitães de milhares, e de centenas, e capitães do exercito tinham consagrado.

27 Dos despojos das guerras as consagraram, para repararem a casa do Senhor.

28 Como tambem tudo quanto tinha consagrado Samuel [5] o vidente, e Saul filho de Kis, e Abner filho de Ner, e Joab filho de Zeruia: tudo quanto quem quer tinha consagrado estava debaixo da mão de Selomith e seus irmãos.

Os officiaes e os juizes.

29 Dos isharitas, Chenanias, e seus filhos foram postos sobre Israel para a obra de fóra, [6] por officiaes e por juizes.

30 Dos hebronitas foram Hasabias e seus irmãos, homens valentes, mil e setecentos, que tinham cargo dos officios em Israel, de áquem do Jordão para o occidente, em toda a obra do Senhor, e para o serviço do rei.

31 Dos hebronitas era [7] Jerias o chefe dos hebronitas, de suas gerações entre os paes: no anno quarenta do reino de David se buscaram e acharam entre elles varões valentes em [8] Jaezer de Gilead.

32 E seus irmãos, homens valentes, dois mil e setecentos, chefes dos paes: e o rei David os constituiu sobre os rubenitas e os gaditas, e a meia tribu dos manassitas, para todos os negocios de Deus, [9] e para todos os negocios do rei.

[1] cap. 16.3.

[2] cap. 28.12. Mal. 3.10.

[3] cap. 23.16.

[4] cap. 23.18.

[5] I Sam. 9.9.

[6] cap. 23.4.

[7] cap. 23.19.

[8] Jos. 21.39.

[9] II Chr. 19.11.

[413]

O numero do povo, e as turmas de serviço para cada mez.

27 Estes são os filhos de Israel segundo o seu numero, os chefes dos paes, e os capitães dos milhares e das centenas, com os seus officiaes, que serviam ao rei em todos os negocios das turmas entrando e saindo de mez em mez, em todos os mezes do anno: cada turma de vinte e quatro mil.

2 Sobre a primeira turma do mez primeiro estava [1] Jasobeam, filho de Zabdiel: e em sua turma havia vinte e quatro mil.

3 Era este dos filhos de Phares, chefe de todos os capitães dos exercitos, para o primeiro mez.

4 E sobre a turma do segundo mez era Dodai, o ahohita, com a sua turma, cujo chefe era Mikloth: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

5 O terceiro capitão do exercito do terceiro mez era Benaias, filho de Joiada, official maior e chefe: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

6 Era este Benaias um varão [2] entre os trinta, e sobre os trinta: e sobre a sua turma estava Ammizabad, seu filho.

7 O quarto do quarto mez [3] Asael, irmão de Joab, e depois d’elle Zebadias, seu filho: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

8 O quinto do quinto mez o maioral Samhuth, o israhita: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

9 O sexto do sexto mez [4] Ira, filho de Ikkes, o tekoita: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

10 O setimo do setimo mez [5] Heles, o pelonita, dos filhos de Ephraim: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

11 O oitavo do oitavo mez [6] Sibbechai, o husathita, dos zarithas: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

12 O nono do nono mez [7] Abiezer, o anathotita, dos benjaminitas: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

13 O decimo do decimo mez [8] Maharai, o netophatita, dos zarithas: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

14 O undecimo do undecimo mez Benaia, [9] o pirathonita, dos filhos de Ephraim: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

15 O duodecimo do duodecimo mez Heldia, o nethophatita, de Othniel: tambem em sua turma havia vinte e quatro mil.

16 Porém sobre as tribus de Israel eram estes: sobre os rubenitas era chefe Eliezer, filho de Zichri; sobre os simeonitas Sephatias, filho de Maaca;

17 Sobre os levitas [10] Hasabias, filho de Kemuel; sobre os aaronitas Zadok;

18 Sobre Judah, [11] Elihu, dos irmãos de David; sobre Issacar, Omri, filho de Michael;

19 Sobre Zebulon, Irmaias, filho de Obadias; sobre Naphtali, Jerimoth, filho de Azriel;

20 Sobre os filhos de Ephraim, Hoseas, filho de Azazias; sobre a meia tribu de Manasseh Joel, filho de Pedaias;

21 Sobre a outra meia tribu de Manasseh em Gilead, Iddo, filho de Zacharias; sobre Benjamin, Jaasiel, filho de Abner;

22 Sobre Dan, Azarel, filho de Jeroham: estes eram os capitães das tribus d’Israel.

23 Não tomou porém David o numero dos de vinte annos e d’ahi para baixo, [12] porquanto o Senhor tinha dito que havia de multiplicar a Israel como as estrellas do céu.

24 Joab, filho de Zeruia, tinha começado a numeral-os, porém não acabou; [13] porquanto viera por isso grande ira sobre Israel: pelo que o numero se não poz na conta das chronicas do rei David.

25 E sobre os thesouros do rei estava Azmaveth, filho de Adiel; e sobre os thesouros da terra, das cidades, e das aldeias, e das torres, Jonathan, filho de Uzias,

26 E sobre os que faziam a obra do campo, na lavoura da terra, Ezri, filho de Chelub.

27 E sobre as vinhas Simei, o ramathita: porém sobre o que das vides entrava nos thesouros do vinho Zabdi, o siphmita.

28 E sobre os olivaes e figueiras bravas que havia nas campinas, Baal Hanan, o gederita: porém Joás sobre os thesouros do azeite.

29 E sobre os gados que pasciam em Saron, Sitrai, o saronita: porém sobre os gados dos valles, Saphat, filho de Adlai.

30 E sobre os camelos, Obil, o ishmaelita: e sobre as jumentas, Jehdias, o meronothita.

31 E sobre o gado miudo, Jaziz, o hagarita; todos estes eram maioraes da fazenda que tinha o rei David.

32 E Jonathan, tio de David, era do conselho, homem entendido, e tambem[414] escriba: e Jehiel, filho de Haemoni, estava com os filhos do rei.

33 E Achitophel [14] era do conselho do rei: e Husai, o archita, amigo do rei.

34 E depois de Achitophel, Joiada, filho de Benaias, [15] e Abiathar; porém Joab era chefe do exercito do rei.

[1] II Sam. 23.8. cap. 11.11.

[2] II Sam. 23.20, 22, 23. cap. 11.22, etc.

[3] II Sam. 23.24. cap. 11.26.

[4] cap. 11.28.

[5] cap. 11.27.

[6] II Sam. 21.18. cap. 11.29.

[7] cap. 11.28.

[8] II Sam. 23.28. cap. 11.30.

[9] cap. 11.31.

[10] cap. 26.30.

[11] I Sam. 16.6.

[12] Gen. 15.5.

[13] II Sam. 24.15. cap. 21.7.

[14] II Sam. 15.12. II Sam. 15.37 e 16.16.

[15] I Reis 1.7. cap. 11.6.

David exhorta os principes e seu filho Salomão.

28 Então David convocou em Jerusalem todos os principes de Israel, os [1] principes das tribus, e os capitães das turmas, que serviam o rei, e os capitães dos milhares, e os capitães das centenas, e os maioraes de toda a fazenda e possessão do rei, e de seus filhos, como tambem os eunuchos e varões, e todo o varão valente.

2 E poz-se o rei David em pé, e disse: Ouvi-me, irmãos meus, e povo meu: [2] Em meu coração propuz eu edificar uma casa de repouso para a arca do concerto do Senhor e para o escabello dos pés do nosso Deus, e eu tinha feito o preparo para a edificar.

3 Porém Deus me disse: [3] Não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de guerra, e derramaste muito sangue.

4 E o Senhor Deus de Israel escolheu-me [4] de toda a casa de meu pae, para que eternamente fosse rei sobre Israel; porque a Judah escolheu por principe, [5] e a casa de meu pae na casa de Judah: e entre os filhos de meu pae se agradou de mim para me fazer reinar sobre todo o Israel.

5 E, [6] de todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o Senhor), escolheu elle o meu filho Salomão para se assentar no throno do reino do Senhor sobre Israel.

6 E me disse: [7] Teu filho Salomão, elle edificará a minha casa e os meus atrios; porque o escolhi para filho, e eu lhe serei por pae.

7 E estabelecerei [8] o seu reino para sempre, se perseverar em cumprir os meus mandamentos e os meus juizos, como até ao dia de hoje.

8 Agora, pois, perante os olhos de todo o Israel, a congregação do Senhor, e perante os ouvidos do nosso Deus, guardae e buscae todos os mandamentos do Senhor vosso Deus, para que possuaes esta boa terra, e a façaes herdar a vossos filhos depois de vós, para sempre.

9 E tu, meu filho Salomão, [9] conhece o Deus de teu pae, e serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntaria; porque esquadrinha o Senhor todos os corações, e entende todas as imaginações dos pensamentos: se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-ha para sempre.

10 Olha pois agora, [10] porque o Senhor te escolheu para edificares uma casa para o sanctuario; esforça-te, e faze a obra.

David dá a Salomão o desenho do templo.

11 E deu David a Salomão, seu filho, [11] o risco do alpendre com as suas casarias, e as suas thesourarias, e os seus cenaculos, e as suas recamaras de dentro, como tambem da casa do propiciatorio.

12 E tambem o risco de tudo quanto tinha no seu animo, a saber; dos atrios da casa do Senhor, e de todas as camaras do redor, [12] para os thesouros da casa de Deus, e para os thesouros das coisas sagradas:

13 E das turmas dos sacerdotes, e dos levitas, e de toda a obra do ministerio da casa do Senhor, e de todos os vasos do ministerio da casa do Senhor.

14 O oiro deu, segundo o peso do oiro, para todos os vasos de cada ministerio: tambem a prata, por peso, para todos os vasos de prata, para todos os vasos de cada ministerio:

15 E o peso para os castiçaes de oiro, e suas candeias de oiro, segundo o peso de cada castiçal e as suas candeias: tambem para os castiçaes de prata, segundo o peso do castiçal e as suas candeias, segundo o ministerio de cada castiçal.

16 Tambem deu o oiro por peso para as mesas da proposição, para cada mesa: como tambem a prata para as mesas de prata.

17 E oiro puro para os garfos, e para as bacias, e para as escudelas, e para as taças de oiro, para cada taça seu peso; como tambem para as taças de prata, para cada taça seu peso.

18 E para o altar do incenso, oiro purificado, por seu peso: como tambem o oiro para o modelo do carro, a saber, dos cherubins, [13] que haviam de estender as azas, e cobrir a arca do concerto do Senhor.

19 Tudo isto, disse David, por escripto me deram a entender por mandado do[415] Senhor, a saber, [14] todas as obras d’este risco.

20 E disse David a Salomão seu filho: [15] Esforça-te e tem bom animo, e obra; não temas, nem te espavoreças; porque o Senhor Deus, meu Deus, ha de ser comtigo; não te deixará, nem te desamparará, até que acabes toda a obra do serviço da casa do Senhor.

21 E eis que ahi tens as turmas [16] dos sacerdotes e dos levitas para todo o ministerio da casa de Deus: estão tambem comtigo, [17] para toda a obra, voluntarios com sabedoria de toda a especie para todo o ministerio; como tambem todos os principes, e todo o povo, para todos os teus mandados.

[1] cap. 27.16. cap. 27.1, 2. cap. 27.25. cap. 11.10.

[2] II Sam. 7.2.

[3] II Sam. 7.5, 13. I Reis 5.3. cap. 17.4 e 22.8.

[4] I Sam. 16.7-13. Gen. 49.8. cap. 5.2.

[5] I Sam. 16.1. I Sam. 16.12, 13.

[6] cap. 3.1, etc. e 23.1. cap. 22.9.

[7] II Sam. 7.13, 14. cap. 22.9, 10. II Chr. 1.9.

[8] cap. 22.13.

[9] Jer. 9.24. Ose. 4.1. João 17.3. II Reis 20.3. I Sam. 16.7. I Reis 8.39. cap. 29.17.

[10] ver. 6.

[11] Exo. 25.40. ver. 19.

[12] cap. 26.20.

[13] Exo. 25.18-22. I Sam. 4.4. I Reis 6.23, etc.

[14] Exo. 25.40. ver. 11, 12.

[15] Deu. 31.7, 8. Jos. 1.6, 7, 9. cap. 22.13. Jos. 1.5.

[16] cap. 24 e 25 e 26.

[17] Exo. 35.25, 26 e 36.1, 2.

As offertas de David, dos principes, e do povo para a construcção do templo.

29 Disse mais o rei David a toda a congregação: Salomão meu filho, a quem só Deus escolheu, [1] é ainda moço e tenro, e esta obra é grande; porque não é o palacio para homem, senão para o Senhor Deus.

2 Eu pois com todas as minhas forças tenho preparado para a casa de meu Deus oiro para as obras de oiro, e prata para as de prata, e cobre para as de cobre, ferro para as de ferro e madeira para as de madeira, pedras sardonicas, [2] e as de engaste, e pedras ornatorias, e obra de embutido, e toda a sorte de pedras preciosas, e pedras marmoreas em abundancia.

3 E ainda, na minha propria vontade para a casa de meu Deus, o oiro e prata particular que tenho de mais eu dou para a casa do meu Deus, afóra tudo quanto tenho preparado para a casa do sanctuario.

4 Tres mil talentos de oiro, [3] do oiro de Ophir: e sete mil talentos de prata purificada, para cobrir as paredes das casas:

5 Oiro para os vasos de oiro, e prata para os de prata; e para toda a obra da mão dos artifices. Quem pois está disposto a encher a sua mão, para offerecer hoje voluntariamente ao Senhor?

6 Então [4] os chefes dos paes, e os principes das tribus d’Israel, e os capitães dos milhares e das centenas, até os capitães da obra do rei, voluntariamente contribuiram;

7 E deram para o serviço da casa de Deus cinco mil talentos de oiro, e dez mil drachmas, e dez mil talentos de prata, e dezoito mil talentos de cobre, e cem mil talentos de ferro.

8 E os que se acharam com pedras preciosas, as deram para o thesouro da casa do Senhor, [5] na mão de Jehiel o gersonita.

9 E o povo se alegrou do que deram voluntariamente; porque com coração perfeito [6] voluntariamente deram ao Senhor: e tambem o rei David se alegrou com grande alegria.

10 Pelo que David louvou ao Senhor perante os olhos de toda a congregação; e disse David: Bemdito és tu, Senhor, Deus de nosso pae Israel, de eternidade em eternidade.

11 Tua [7] é, Senhor, a magnificencia, e o poder, e a honra, e a victoria, e a magestade; porque teu é tudo quanto ha nos céus e na terra; teu é, Senhor, o reino, e tu te exaltaste sobre todos por chefe.

12 E riquezas e gloria veem de diante de ti, [8] e tu dominas sobre tudo, e na tua mão ha força e poder: e na tua mão está o engrandecer e esforçar a tudo.

13 Agora pois, ó Deus nosso, graças te damos, e louvamos o nome da tua gloria.

14 Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que tivessemos poder para tão voluntariamente dar similhantes coisas? porque tudo vem de ti, e da tua mão t’o damos.

15 Porque [9] somos estranhos diante de ti, e peregrinos como todos os nossos paes: como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não ha outra esperança.

16 Senhor, Deus nosso, toda esta abundancia, que preparámos, para te edificar uma casa ao teu sancto nome, vem da tua mão, e toda é tua.

17 E bem sei eu, Deus meu, [10] que tu provas os corações, e que das sinceridades te agradas: eu tambem na sinceridade de meu coração voluntariamente dei todas estas coisas: e agora vi com alegria que o teu povo, que se acha aqui, voluntariamente te deu.

18 Senhor, Deus de nossos paes Abrahão, Isaac, e Israel, conserva isto para sempre no intento dos pensamentos do coração de teu povo; e encaminha o seu coração para ti.

19 E a Salomão, meu filho, dá um coração perfeito, para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos, e os teus estatutos; e para fazer tudo, [11] e para[416] edificar este palacio que tenho preparado.

20 Então disse David a toda a congregação: Agora louvae ao Senhor vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao Senhor Deus de seus paes, e inclinaram-se, e prostraram-se perante o Senhor, e perante o rei.

21 E ao outro dia sacrificaram ao Senhor sacrificios, e offereceram holocaustos ao Senhor, mil bezerros, mil carneiros, mil cordeiros, com as suas libações; e sacrificios em abundancia por todo o Israel.

22 E comeram e beberam n’aquelle dia perante o Senhor, com grande gozo: e a segunda vez fizeram rei a Salomão filho de David, [12] e o ungiram ao Senhor por [LI] guia, e a Zadok por sacerdote.

23 Assim Salomão se assentou no throno do Senhor, rei, em logar de David seu pae, e prosperou: e todo o Israel lhe deu ouvidos.

24 E todos os principes, e os varões, e até todos os filhos do rei David, [13] deram a mão de que estariam debaixo do rei Salomão.

25 E o Senhor magnificou a Salomão grandissimamente, perante os olhos de todo o Israel: [14] e deu-lhe magestade real, qual antes d’elle não teve nenhum rei em Israel.

26 Assim David, filho de Jessé, reinou sobre todo o Israel.

27 E foram [15] os dias que reinou sobre Israel, quarenta annos: em Hebron reinou sete annos, e em Jerusalem reinou trinta e tres.

28 E morreu [16] n’uma boa velhice, cheio de dias, riquezas e gloria: e Salomão seu filho, reinou em seu logar.

29 Os successos pois do rei David, assim os primeiros como os ultimos, eis que estão escriptos nas chronicas de Samuel, o vidente, e nas chronicas do propheta Nathan, e nas chronicas de Gad, o vidente;

30 Juntamente com todo o seu reino e o seu poder; [17] e os tempos que passaram sobre elle, e sobre Israel, e sobre todos os reinos d’aquellas terras.

[1] I Reis 3.7. cap. 22.5. Pro. 4.3.

[2] Isa. 54.11, 12. Apo. 21.18, etc.

[3] I Reis 9.28.

[4] cap. 27.1. cap. 27.25, etc.

[5] cap. 26.21.

[6] II Cor. 9.7.

[7] Mat. 6.13. I Tim. 1.17. Apo. 5.13.

[8] Rom. 11.36.

[9] Heb. 11.13. I Ped. 2.11. Job 14.2.

[10] I Sam. 16.7. cap. 28.9. Pro. 11.20.

[11] ver. 2. cap. 22.14.

[12] I Reis 1.35, 39.

[13] Ecc. 8.2.

[14] I Reis 3.13. II Chr. 1.12. Ecc. 2.9.

[15] II Sam. 5.4. I Reis 2.11. II Sam. 5.5.

[16] Gen. 25.8. cap. 23.1.

[17] Dan. 2.21.


O SEGUNDO LIVRO DAS CHRONICAS.

Salomão offerece sacrificios.

Antes de Christo 1015

1 E Salomão, [1] filho de David, se esforçou no seu reino; e o Senhor seu Deus era com elle, e o magnificou grandemente.

2 E fallou Salomão a todo o Israel, aos capitães [2] de milhares e das centenas, e aos juizes, e a todos os principes em todo o Israel, chefes dos paes.

3 E foram Salomão e toda a congregação com elle ao alto que estava em [3] Gibeon; porque ali estava a tenda da congregação de Deus, que Moysés, servo do Senhor, tinha feito no deserto.

4 Mas David tinha feito [4] subir a arca de Deus de Kiriath-jearim ao logar que David lhe tinha preparado; porque lhe tinha armado uma tenda em Jerusalem.

5 Tambem o altar de [5] cobre que tinha feito Besaleel, filho d’Uri, filho d’Hur, estava ali diante do tabernaculo do Senhor: e Salomão e a congregação [LJ] o visitavam.

6 E Salomão offereceu ali sacrificios perante o Senhor, sobre o altar de cobre que estava na tenda da congregação, [6] e offereceu sobre elle mil holocaustos.

Salomão pede a Deus sabedoria.

7 N’aquella [7] mesma noite Deus appareceu a Salomão, e disse-lhe: Pede o que quizeres que eu te dê.

8 E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande beneficencia com meu pae David: e a mim me fizeste [8] rei em seu logar.

9 Agora pois, ó Senhor Deus, confirme-se a tua palavra, dada a meu pae David; [9] porque tu me fizeste reinar sobre um povo numeroso como o pó da terra.

[417]

10 Dá-me [10] pois agora sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo: porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?

11 Então Deus [11] disse a Salomão: Porquanto houve isto no teu coração, e não pediste riquezas, fazenda, ou honra, nem a morte dos que te aborrecem, nem tão pouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te puz rei,

12 Sabedoria e conhecimento te são dados: e te darei [12] riquezas, e fazenda, e honra, qual nenhuns reis antes de ti tiveram: e depois de ti taes não haverá.

As forças e as riquezas de Salomão.

13 Assim Salomão veiu a Jerusalem, do alto que está em Gibeon, de diante da tenda da congregação: e reinou sobre Israel.

14 E Salomão ajuntou [13] carros e cavalleiros, e teve mil e quatrocentos carros, e doze mil cavalleiros: e pôl-os nas cidades dos carros, e junto ao rei em Jerusalem.

15 E fez o rei que [14] houvesse oiro e prata em Jerusalem como pedras: e cedros em tanta abundancia como [LK] figueiras bravas que ha pelas campinas.

16 E os cavallos, [15] que tinha Salomão, se traziam do Egypto, e, [LL] quanto ao fio de linho os mercadores do rei tomavam o fio de linho por um certo preço.

17 E faziam subir e sair do Egypto cada carro por seiscentos siclos de prata, e cada cavallo por cento e cincoenta; e assim por meio d’elles os tiravam para todos os reis dos hetheos, e para os reis da Syria.

[1] I Reis 2.46. Gen. 39.2. I Chr. 29.25.

[2] I Chr. 27.1.

[3] I Reis 3.4. I Chr. 16.39 e 21.29.

[4] II Sam. 6.2, 17. I Chr. 15.1.

[5] Exo. 27.1, 2 e 38.1, 2. Exo. 31.2.

[6] I Reis 3.4.

[7] I Reis 3.5, 6.

[8] I Chr. 28.5.

[9] I Reis 3.7, 8.

[10] I Reis 3.9. Num. 27.17. Deu. 31.2.

[11] I Reis 3.11, 12, 13.

[12] I Chr. 29.25. cap. 9.22. Ecc. 2.9.

[13] I Reis 4.26 e 10.26, etc. cap. 9.25.

[14] I Reis 10.27. cap. 9.27. Job 22.24.

[15] I Reis 10.28, 29. cap. 9.28.

Salomão pede a Hirão, rei de Tyro, que o ajude na construcção do templo.

2 E determinou [1] Salomão edificar uma casa ao nome do Senhor, como tambem uma casa para o seu reino.

2 E contou Salomão [2] setenta mil homens de carga, e oitenta mil, que cortassem na montanha; e tres mil e seiscentos inspectores sobre elles.

3 E Salomão enviou a Hurão, rei de Tyro, dizendo: [3] Como usaste com David meu pae, e lhe mandaste cedros, para edificar-se uma casa em que morasse, assim tambem usa comigo.

4 Eis-que estou [4] para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante elle incenso aromatico, e para o pão continuo da proposição, e para os holocaustos da manhã e da tarde, para [5] os sabbados, e para as luas novas, e para as festividades do Senhor nosso Deus: o que é perpetuamente a obrigação d’Israel.

5 E a casa que estou para edificar ha de ser grande; porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses.

6 Porém [6] quem teria a força, para lhe edificar uma casa? visto que os céus e até os céus dos céus o não podem conter: e quem sou eu, que lhe edificasse casa, salvo para queimar incenso perante elle?

7 Manda-me pois agora um homem sabio para obrar em oiro, e em prata, e em bronze, e em ferro, e em purpura, e em carmezim, e em azul; e que saiba lavrar ao buril, juntamente com os sabios que estão comigo em Judah e em Jerusalem, [7] os quaes David meu pae preparou.

8 Manda-me [8] tambem madeira de cedros, faias, e [LM] algums do Libano; porque bem sei eu que os teus servos sabem cortar madeira no Libano; e eis-que os meus servos estarão com os teus servos.

9 E isso para prepararem muita madeira; porque a casa que estou para fazer ha de ser grande e maravilhosa.

10 E [9] eis-que a teus servos, os cortadores, que cortarem a madeira, darei vinte mil coros de trigo malhado, e vinte mil coros de cevada, e vinte mil batos de vinho, e vinte mil batos d’azeite.

11 E Hurão, rei de Tyro, respondeu por escripto, e enviou a Salomão, dizendo: Porquanto o Senhor ama [10] o seu povo, te poz sobre elle rei.

12 Disse mais Hurão; Bemdito seja [11] o Senhor Deus d’Israel, que fez os céus e a terra; o que deu ao rei David um filho sabio, de grande prudencia e entendimento, que edifique casa ao Senhor, e para o seu reino.

13 Agora pois envio um homem sabio de grande entendimento, a saber [LN] Hurão Abihu,

[418]

14 Filho [12] d’uma mulher das filhas de Dan, e cujo pae foi homem de Tyro; este sabe lavrar em oiro, e em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira, em purpura, em azul, e em linho fino, e em carmezim, e é capaz para toda a obra do buril, e para todas as engenhosas invenções, qualquer coisa que se lhe propuzer, juntamente com os teus sabios, e os sabios de David, meu senhor, teu pae.

15 Agora pois, [13] meu senhor, mande para os seus servos o trigo, e a cevada, e o azeite, e o vinho, de que fallou.

16 E nós [14] cortaremos tanta madeira no Libano, quanta houveres mister, e t’a traremos em jangadas pelo mar a Japho, e tu a farás subir a Jerusalem.

17 E Salomão [15] contou a todos os homens estranhos, que havia na terra d’Israel, conforme a conta [16] com que os contara David seu pae: e acharam-se cento e cincoenta e tres mil e seiscentos.

18 E fez d’elles setenta mil carreteiros, e oitenta mil cortadores na montanha: como tambem tres mil e seiscentos inspectores, para fazerem trabalhar o povo.

[1] I Reis 5.5.

[2] ver. 18. I Reis 5.15.

[3] I Chr. 14.1.

[4] ver. 1. Exo. 30.7. Exo. 25.30. Lev. 24.8.

[5] Num. 28.3, 9, 11.

[6] I Reis 8.27. cap. 6.18. Isa. 66.1.

[7] I Chr. 22.15.

[8] I Reis 5.6.

[9] I Reis 5.11.

[10] I Reis 10.9. cap. 9.8.

[11] I Reis 5.7. Gen. 1 e 2. Act. 4.24 e 14.15, 16. Apo. 10.

[12] I Reis 7.13, 14.

[13] ver. 10.

[14] I Reis 5.8, 9.

[15] ver. 2. I Reis 5.13, 15, 16 e 9.20, 21. cap. 8.7, 8.

[16] I Chr. 22.2.

A construcção do templo começa.

Antes de Christo 1012

3 E começou Salomão [1] a edificar a casa do Senhor em Jerusalem, no monte de Moria, onde o Senhor se tinha mostrado a David seu pae, no logar que David tinha preparado na [2] eira d’Ornan, jebuseo.

2 E começou a edificar no segundo mez, no dia segundo, no anno quarto do seu reinado.

3 E estes foram os fundamentos [3] que Salomão poz para edificar a casa de Deus: o comprimento em covados, segundo a medida primeira, de sessenta covados, e a largura de vinte covados.

4 E o alpendre, [4] que estava na frente, de comprimento segundo a largura da casa, era de vinte covados, e a altura de cento e vinte: o que dentro cobriu com oiro puro.

5 E a casa grande cobriu [5] com madeira de faia; e então a cobriu com oiro fino: e fez sobre ella palmas e cadeias.

6 Tambem a casa adornou de pedras preciosas para ornamento: e o oiro era oiro de Parvaim.

7 Tambem na casa cobriu as traves, os umbraes, e as suas paredes, e as suas portas, com oiro: e lavrou cherubins nas paredes.

8 Fez mais a casa [LO] da sanctidade das sanctidades, cujo comprimento, segundo a largura da casa, era de vinte covados, e a sua largura de vinte covados: e cobriu-a de oiro fino, do peso de seiscentos talentos.

9 O peso dos pregos era de cincoenta siclos d’oiro: e os cenaculos cobriu d’oiro.

Os dois cherubins.

10 Tambem fez [6] na casa da sanctidade das sanctidades dois cherubins [LP] de feição d’andantes, e cobriu-os d’oiro.

11 E, quanto ás azas dos cherubins, o seu comprimento era de vinte covados; a aza d’um d’elles de cinco covados, e tocava na parede da casa; e a outra aza de cinco covados, e tocava na aza do outro cherubim.

12 Tambem a aza do outro cherubim era de cinco covados, e tocava na parede da casa: era tambem a outra aza de cinco covados, e estava pegada á aza do outro cherubim.

13 E as azas d’estes cherubins se estendiam vinte covados: e estavam postos em pé, e os seus rostos virados para a casa.

14 Tambem fez o véu [7] de azul, e purpura, e carmezim, e linho fino: e poz sobre elle cherubins.

15 Fez tambem diante da casa duas columnas [8] de trinta e cinco covados d’altura; e o capitel, que estava sobre cada uma, era de cinco covados.

16 Tambem fez as cadeias, como no oraculo, e as poz sobre as cabeças das columnas; fez tambem cem romãs, as quaes poz entre as cadeias.

17 E levantou as [9] columnas diante do templo, uma á direita, e outra á esquerda; e chamou o nome da que estava á direita [LQ] Jachin, e o nome da que estava á esquerda Boaz.

[1] I Reis 6.1, etc. Gen. 22.2, 14.

[2] I Chr. 21.18 e 22.1.

[3] I Reis 6.2.

[4] I Reis 6.3.

[5] I Reis 6.17.

[6] I Reis 6.23, etc.

[7] Exo. 26.31. Mat. 27.51. Heb. 9.3.

[8] I Reis 7.15-21. Jer. 52.21.

[9] I Reis 7.20. I Reis 7.21.

O altar e o mar de bronze.

4 Tambem fez [1] um altar de metal de vinte covados de comprimento, e de vinte covados de largura, e de dez covados d’altura.

2 Fez tambem [2] o mar de fundição, de dez covados d’uma borda até a outra, redondo ao redor, e de cinco covados d’alto; cingia-o em roda um cordão de trinta covados.

[419]

3 E por baixo [3] d’elle havia figuras de bois, que ao redor o cingiam, e por dez covados cercavam aquelle mar ao redor: e tinha duas carreiras de bois, fundidos na sua fundição.

4 E estava sobre doze bois, tres que olhavam para o norte, e tres que olhavam para o occidente, e tres que olhavam para o sul, e tres que olhavam para o oriente; e o mar estava posto sobre elles: e as suas partes posteriores eram para a banda de dentro.

5 E tinha um palmo de grossura, e a sua borda foi feita como a borda d’um copo, ou como uma flôr de lis, da capacidade de tres mil batos.

6 Tambem fez [4] dez pias; e poz cinco á direita, e cinco á esquerda, para lavarem n’ellas; o que pertencia ao holocausto o lavavam n’ellas: porém o mar era para que os sacerdotes se lavassem n’elle.

7 Fez [5] tambem dez castiçaes d’oiro, segundo a sua forma, e pôl-os no templo, cinco á direita, e cinco á esquerda.

8 Tambem fez [6] dez mesas, e pôl-as no templo, cinco á direita, e cinco á esquerda: tambem fez cem bacias d’oiro.

9 Fez mais [7] o pateo dos sacerdotes, e o pateo grande: como tambem as portadas para o pateo, e as suas portas cobriu de cobre.

10 E [8] o mar poz ao lado direito, para a banda do oriente, defronte do sul.

11 Tambem Hurão [9] fez as caldeiras, e as pás, e as bacias: assim acabou Hurão de fazer a obra, que fazia para o rei Salomão, na casa de Deus.

12 As duas columnas, e os globos, e os dois capiteis [10] sobre as cabeças das columnas: e as duas redes, para cobrir os dois globos dos capiteis, que estavam sobre a cabeça das columnas.

13 E as quatrocentas [11] romãs para as duas redes: duas carreiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capiteis que estavam em cima das columnas.

14 Tambem fez [12] as bases: e as pias poz sobre as bases;

15 Um mar, e os doze bois debaixo d’elle;

16 Similhantemente os potes, e as pás, e os garfos, e todos os seus vasos, fez Hurão Abihu [13] ao rei Salomão, para a casa do Senhor, de cobre purificado.

17 Na campina [14] do Jordão os fundiu o rei na terra argillosa, entre Succoth e Zeredatha.

18 E fez Salomão todos [15] estes vasos em grande abundancia: porque o peso do cobre se não esquadrinhava.

19 Fez [16] tambem Salomão todos os vasos que eram para a casa de Deus: como tambem o altar d’oiro, e as mesas, sobre as quaes estavam os pães da proposição.

20 E os castiçaes com as suas alampadas d’oiro finissimo, para as accenderem segundo [17] o costume, perante o oraculo.

21 E as flores, [18] e as alampadas, e os [LR] espivitadores d’oiro, do mais perfeito oiro.

22 Como tambem os [LS] garfos, e as bacias, e as [LT] taças, e os incensarios d’oiro finissimo: e quanto á entrada da casa, as suas portas de dentro da sanctidade das sanctidades, e as portas da casa do templo, eram d’oiro.

[1] Exo. 27.1, 2. II Reis 16.14. Eze. 43.13, 16.

[2] I Reis 7.23.

[3] I Reis 7.24, 25, 26.

[4] I Reis 7.26. I Reis 7.38.

[5] I Reis 7.49. Exo. 25.31, 40. I Chr. 28.12, 19.

[6] I Reis 7.48.

[7] I Reis 6.36.

[8] I Reis 7.39.

[9] I Reis 7.40.

[10] I Reis 7.41.

[11] I Reis 7.20.

[12] I Reis 7.27, 43.

[13] I Reis 7.14, 45.

[14] I Reis 7.46.

[15] I Reis 7.47.

[16] I Reis 7.48, 49, 50. Exo. 25.30.

[17] Exo. 27.20, 21.

[18] Exo. 25.31, etc.

5 Assim se acabou toda a obra, que Salomão fez para a casa do Senhor, então trouxe [1] Salomão as coisas consagradas de seu pae David, e a prata, e o oiro, e todos os vasos, e pôl-os entre os thesouros da casa de Deus.

A arca é levada para o sanctuario do templo.

Antes de Christo 1004

2 Então [2] Salomão convocou em Jerusalem os anciãos de Israel, e a todos os chefes das tribus, os principes dos paes entre os filhos d’Israel, para fazerem [3] subir a arca do concerto do Senhor, da cidade de David, que é Sião.

3 E todos os homens [4] d’Israel se congregaram ao rei na festa, que era no setimo mez.

4 E vieram todos os anciãos d’Israel; e os levitas levantaram a arca.

5 E fizeram subir a arca, e a tenda da congregação, com todos os vasos sagrados, que estavam na tenda: os sacerdotes e os levitas os fizeram subir.

6 Então o rei Salomão, e toda a congregação d’Israel, que se tinha congregado com elle diante da arca, sacrificaram carneiros, e bois, que se não podiam contar, nem numerar, por causa da sua multidão.

7 Assim trouxeram os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao seu logar, ao oraculo da casa, á [LU] sanctidade das sanctidades, até debaixo das azas dos cherubins.

8 Porque os cherubins estendiam ambas[420] as azas sobre o logar da arca, e os cherubins por cima cobriam a arca e os seus varaes.

9 Então os varaes sobresairam para que as pontas dos varaes da arca se vissem perante o oraculo, mas não se vissem de fóra: e esteve ali até o dia d’hoje.

10 Na arca não havia, senão sómente as duas taboas, que Moysés tinha posto junto a [5] Horeb, quando o Senhor fez concerto com os filhos d’Israel, saindo elles do Egypto.

11 E succedeu que, saindo os sacerdotes do sanctuario (porque todos os sacerdotes, que se acharam, se sanctificaram, sem guardarem as suas turmas.

12 E [6] os levitas, cantores de todos elles, d’Asaph, d’Heman, de Jeduthun, e de seus filhos, e de seus irmãos, vestidos de linho fino, com cymbalos, e com alaudes, e com harpas, estavam em pé para o oriente do altar; e [7] com elles até cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas),

13 Elles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam para fazerem ouvir uma só voz, bemdizendo e louvando ao Senhor: e levantando elles a voz com trombetas, e cymbalos, e outros instrumentos musicos, e bemdizendo ao Senhor, porque era bom, [8] porque a sua benignidade durava para sempre, a casa se encheu d’uma nuvem, a saber: a casa do Senhor.

14 E não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem: porque [9] a gloria do Senhor encheu a casa de Deus.

[1] I Reis 7.51.

[2] I Reis 8.1, etc.

[3] II Sam. 6.13.

[4] I Reis 8.2. cap. 7.8, 9, 10.

[5] Deu. 10.2, 5. cap. 6.11.

[6] I Chr. 25.1.

[7] I Chr. 15.24.

[8] I Chr. 16.34, 41.

[9] Exo. 40.35. cap. 7.2.

Salomão abençoa o povo e dá graças ao Deus de Israel.

6 Então [1] disse Salomão: O Senhor tem dito que habitaria nas trevas.

2 E eu te tenho edificado uma casa para morada, e um logar para a tua eterna habitação.

3 Então o rei virou o seu rosto, e abençoou a toda a congregação d’Israel, e toda a congregação d’Israel estava em pé.

4 E elle disse: Bemdito seja o Senhor Deus d’Israel, que fallou pela sua bocca a David meu pae; e pelas suas mãos o cumpriu, dizendo:

5 Desde o dia em que tirei a meu povo da terra do Egypto, não escolhi cidade alguma de todas as tribus d’Israel, para edificar n’ella uma casa em que estivesse o meu nome; nem escolhi homem algum para ser chefe do meu povo, Israel.

6 Porém escolhi [2] a Jerusalem, para que ali estivesse o meu nome; e escolhi a David, para que tivesse cargo do meu povo, Israel.

7 Tambem David [3] meu pae teve no seu coração o edificar uma casa ao nome do Senhor, Deus d’Israel.

8 Porém o Senhor disse a David meu pae: Porquanto tiveste no teu coração o edificar uma casa ao meu nome, bem fizeste, de ter isto no teu coração.

9 Comtudo tu não edificarás a casa, mas teu filho, que ha de proceder de teus lombos, esse edificará a casa ao meu nome.

10 Assim confirmou o Senhor a sua palavra, que elle fallou; porque eu me levantei em logar de David meu pae, e me assentei sobre o throno d’Israel, como o Senhor disse, e edifiquei a casa ao nome do Senhor, Deus d’Israel.

11 E puz n’ella a arca, em que está o concerto do Senhor [4] que fez com os filhos d’Israel.

A oração de Salomão.

12 E poz-se [5] em pé perante o altar do Senhor, defronte de toda a congregação d’Israel, e estendeu as suas mãos.

13 Porque Salomão tinha feito uma base de metal, de cinco covados de comprimento, e de cinco covados de largura, e de tres covados d’altura, e a tinha posto no meio do pateo, e poz-se n’ella em pé, e ajoelhou-se de joelhos em presença de toda a congregação d’Israel, e estendeu as suas mãos para o céu:

14 E disse: Ó Senhor, Deus d’Israel, não ha Deus similhante [6] a ti, nem nos céus nem na terra; que guardas o concerto e a beneficencia aos teus servos que caminham perante ti de todo o seu coração.

15 Que guardaste [7] ao teu servo David, meu pae, o que lhe fallaste: porque tu pela tua bocca o disseste, e pela tua mão o cumpriste, como se vê n’este dia.

16 Agora pois, Senhor, Deus d’Israel, guarda ao teu servo David, meu pae, o que fallaste, dizendo: Nunca faltará [8] de ti varão de diante de mim que se assente sobre o throno d’Israel; tão sómente que teus filhos guardem seu caminho, andando na minha lei, como tu andaste diante de mim.

17 E agora, Senhor Deus d’Israel,[421] verifique-se a tua palavra, que fallaste ao teu servo, a David.

18 Mas verdadeiramente habitará Deus com os homens na terra? eis que [9] os céus e o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?

19 Attende pois á oração do teu servo, e á sua supplica, ó Senhor meu Deus: para ouvires o clamor, e a oração, que o teu servo ora perante ti.

20 Que os teus olhos estejam dia e noite abertos sobre este logar, de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo orar n’este logar.

21 Ouve pois as supplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que orarem n’este logar; e ouve tu do logar da tua habitação, desde os céus; ouve pois, e perdoa.

22 Quando alguem peccar contra o seu proximo, e lhe impuzer juramento de maldição, para se amaldiçoar a si mesmo, e o juramento de maldição vier perante o teu altar, n’esta casa,

23 Ouve tu então desde os céus, e obra, e julga a teus servos, pagando ao impio, lançando o seu proceder sobre a sua cabeça: e justificando ao justo, dando-lhe segundo a sua justiça.

24 Quando tambem o teu povo Israel fôr ferido diante do inimigo, por ter peccado contra ti, e elles se converterem, e confessarem o teu nome, e orarem e supplicarem perante ti n’esta casa,

25 Então ouve tu desde os céus, e perdoa os peccados de teu povo Israel; e fal-os tornar á terra que lhes tens dado a elles e a seus paes.

26 Quando os céus se [10] cerrarem, e não houver chuva, por terem peccado contra ti, e orarem n’este logar, e confessarem teu nome, e se converterem dos seus peccados, quando tu os affligires,

27 Então ouve tu desde os céus, e perdoa o peccado de teus servos, e do teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que andem; e dá chuva sobre a tua terra, que déste ao teu povo em herança.

28 Havendo fome [11] na terra, havendo peste, havendo queimadura dos trigos, ou ferrugem, gafanhotos, ou lagarta, cercando-a algum dos seus inimigos nas terras das suas portas, ou quando houver qualquer praga, ou qualquer enfermidade,

29 Toda a oração, e toda a supplica, que qualquer homem fizer, ou todo o teu povo Israel, conhecendo cada um a sua praga, e a sua dôr, e estender as suas mãos para esta casa,

30 Então ouve tu desde os céus, do assento da tua habitação, e perdoa, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, segundo conheces [12] o seu coração (pois só tu conheces o coração dos filhos dos homens),

31 A fim de que te temam, para andarem nos teus caminhos, todos os dias que viverem na terra que déste a nossos paes.

32 Assim tambem ao estrangeiro, que [13] não fôr do teu povo Israel, mas vier de terras remotas por amor do teu grande nome, e da tua poderosa mão, e do teu braço estendido: vindo elles e orando n’esta casa,

33 Então ouve tu desde os céus, do assento da tua habitação, e faze conforme a tudo o que o estrangeiro te supplicar; a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, e te temam, como o teu povo Israel; e afim de saberem que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei.

34 Quando o teu povo sair á guerra contra os seus inimigos, pelo caminho que os enviares, e orarem a ti para a banda d’esta cidade que escolheste, e d’esta casa, que edifiquei ao teu nome;

35 Ouve então desde os céus a sua oração, e a sua supplica, e executa o seu direito.

36 Quando peccarem contra ti (pois não ha homem [14] que não peque), e tu te indignares contra elles, e os entregares diante do inimigo, para que os que os captivarem os levem em captiveiro para alguma terra, remota ou visinha,

37 E na terra, para onde forem levados em captiveiro, tornarem em si, e se converterem, e na terra do seu captiveiro, a ti supplicarem, dizendo: Peccámos, perversamente fizemos, e impiamente obrámos;

38 E se converterem a ti com todo o seu coração e com toda a sua alma, na terra do seu captiveiro, a que os levaram presos, e orarem para a banda da sua terra, que déste a seus paes, e d’esta cidade que escolheste, e d’esta casa que edifiquei ao teu nome,

39 Ouve então desde os céus, do assento da tua habitação, a sua oração e as suas supplicas, e executa o seu direito; e perdoa ao teu povo que houver peccado contra ti.

40 Agora pois, ó meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos attentos á oração d’este logar.

41 Levanta-te pois agora, Senhor Deus, para o teu repouso, [15] tu e a arca da tua[422] fortaleza: os teus sacerdotes, ó Senhor Deus, sejam vestidos de salvação, e os teus sanctos se [16] alegrem do bem.

42 Ah! Senhor Deus, não faças virar o rosto do teu ungido: lembra-te [17] das misericordias de David teu servo.

[1] I Reis 8.12, etc. Lev. 16.2.

[2] cap. 12.13. I Chr. 28.4.

[3] II Sam. 7.2. I Chr. 17.1 e 28.2.

[4] cap. 5.10.

[5] I Reis 8.22.

[6] Exo. 15.11. Deu. 4.39 e 7.9.

[7] I Chr. 22.9.

[8] II Sam. 7.12, 16. I Reis 2.4 e 6.12. cap. 7.18.

[9] II Sam. 6.13.

[10] I Reis 17.1.

[11] cap. 20.9.

[12] I Chr. 28.9.

[13] João 12.20. Act. 8.27.

[14] Pro. 20.9. Ecc. 7.20. Thi. 3.2. I João 1.8.

[15] I Chr. 28.2.

[16] Neh. 9.25.

[17] Isa. 55.3.

O fogo e a gloria de Deus são os signaes da sua approvação.

7 E acabando [1] Salomão de orar, desceu o fogo do céu, e consumiu o holocausto e os sacrificios: e a gloria do Senhor encheu a casa.

2 E [2] os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor; porque a gloria do Senhor tinha enchido a casa do Senhor.

3 E todos os filhos d’Israel vendo descer o fogo, e a gloria do Senhor sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram e louvaram ao Senhor: porque é bom, porque a sua benignidade dura para sempre.

4 E [3] o rei e todo o povo offereciam sacrificios perante o Senhor.

5 E o rei Salomão offereceu sacrificios de bois, vinte e dois mil, e d’ovelhas cento e vinte mil: e o rei e todo o povo consagraram a casa de Deus.

6 E os sacerdotes segundo as suas turmas estavam [4] em pé; como tambem os levitas com os instrumentos musicos do Senhor, que o rei David tinha feito, para louvarem ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre, quando David o louvava pelo ministerio d’elles: e os sacerdotes tocavam [5] as trombetas defronte d’elles, e todo o Israel estava em pé.

7 E Salomão [6] sanctificou o meio do pateo, que estava diante da casa do Senhor; porquanto ali tinha elle offerecido os holocaustos e a gordura dos sacrificios pacificos; porque no altar de metal, que Salomão tinha feito, não podia caber o holocausto, e a offerta de manjares, e a gordura.

8 E n’aquelle mesmo tempo celebrou [7] Salomão a festa sete dias e todo o Israel com elle, uma mui grande congregação, desde a entrada d’Hamath, até ao [8] rio do Egypto.

9 E ao dia oitavo celebraram o [LV] dia de prohibição; porque sete dias celebraram a consagração do altar, e sete dias a festa.

10 E [9] no dia vigesimo terceiro do setimo mez, deixou ir o povo para as suas tendas, alegres e de bom animo, pelo bem que o Senhor tinha feito a David, e a Salomão, e a seu povo Israel.

Deus apparece a Salomão pela segunda vez e lhe faz promessas.

11 Assim Salomão acabou [10] a casa do Senhor, e a casa do rei: e tudo quanto Salomão intentou fazer na casa do Senhor e na sua casa prosperamente o effeituou.

12 E o Senhor appareceu de noite a Salomão, e disse-lhe: Ouvi a tua oração, e [11] escolhi para mim este logar para casa de sacrificio.

13 Se eu cerrar os [12] céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo:

14 E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face [13] e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei [14] dos céus, e perdoarei os seus peccados, e sararei a sua terra.

15 Agora [15] estarão abertos os meus olhos e attentos os meus ouvidos á oração d’este logar.

16 Porque agora escolhi [16] e sanctifiquei esta casa, para que o meu nome esteja n’ella perpetuamente: e n’ella estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.

17 E, quanto [17] a ti, se andares diante de mim, como andou David teu pae, e fizeres conforme a tudo o que te ordenei, e guardares os meus estatutos e os meus juizos,

18 Tambem confirmarei o throno do teu reino, conforme o concerto que fiz com David, teu pae, dizendo: Não [18] te faltará varão que domine em Israel.

19 Porém [19] se vós vos desviardes, e deixardes os meus estatutos, e os meus mandamentos, que vos tenho proposto, e fordes, e servirdes a outros deuses, e vos prostrardes a elles,

20 Então os arrancarei da minha terra que lhes dei, e lançarei da minha presença esta casa que consagrei ao meu nome, e farei com que seja por proverbio e mote entre todas as gentes.

21 E d’esta casa, que fôra tão exaltada, qualquer que passar por ella se espantará e dirá: [20] Porque fez o Senhor assim com esta terra e com esta casa?

[423]

22 E dirão: Porquanto deixaram ao Senhor Deus de seus paes, que os tirou da terra do Egypto, e se deram a outros deuses, e se prostraram a elles, e os serviram: por isso elle trouxe sobre elles todo este mal.

[1] I Reis 8.54. Lev. 9.24. Jui. 6.21. I Chr. 21.26. I Reis 8.10, 11.

[2] cap. 5.14.

[3] I Chr. 16.41. cap. 20.21. I Reis 8.62, 63.

[4] I Chr. 15.16.

[5] cap. 5.12.

[6] I Reis 8.64.

[7] I Reis 8.65.

[8] Jos. 13.3.

[9] I Reis 8.66.

[10] I Reis 9.1, etc.

[11] Deu. 12.5.

[12] cap. 6.26, 28.

[13] Thi. 4.10.

[14] cap. 6.27, 30.

[15] cap. 6.40.

[16] I Reis 9.3. cap. 6.6.

[17] I Reis 9.4, etc.

[18] cap. 6.16.

[19] Lev. 26.14, 33. Deu. 28.15, 36, 37.

[20] Deu. 29.24. Jer. 22.8, 9.

Salomão edifica cidades.

8 E succedeu, [1] ao cabo de vinte annos, nos quaes Salomão edificou a casa do Senhor, e a sua propria casa,

2 Que Salomão edificou as cidades que Hurão lhe tinha dado; e fez habitar n’ellas os filhos d’Israel.

3 Depois foi Salomão a Hamath Zoba, e a tomou.

4 Tambem [2] edificou a Tadmor no deserto, e todas as cidades das munições, que edificou em Hamath.

5 Edificou tambem a alta Beth-horon, e a baixa Beth-horon; cidades fortes com muros, portas e ferrolhos;

6 Como tambem a Baalath, e todas as cidades das munições, que Salomão tinha, e todas as cidades dos carros e as cidades dos cavalleiros; e tudo quanto, conforme ao seu desejo, Salomão quiz edificar em Jerusalem, e no Libano, e em toda a terra do seu dominio.

Salomão faz tributarios os hetheos.

7 Quanto a todo o povo, [3] que tinha ficado dos hetheos, e amorrheos, e pherezeos, e heveos, e jebuseos, que não eram d’Israel,

8 Dos seus filhos, que ficaram depois d’elles na terra, os quaes os filhos d’Israel não destruiram, Salomão os fez tributarios, até ao dia d’hoje.

9 Porém dos filhos d’Israel, a quem Salomão não fez servos para sua obra (mas eram homens de guerra, chefes dos seus capitães, e chefes dos seus carros, e dos seus cavalleiros),

10 D’estes pois eram os chefes dos officiaes que o rei Salomão [4] tinha, duzentos e cincoenta, que presidiam sobre o povo.

11 E Salomão fez subir [5] a filha de Pharaó da cidade de David para a casa que lhe tinha edificado; porque disse: Minha mulher não morará na casa de David, rei d’Israel, porquanto sanctos são os logares nos quaes entrou a arca do Senhor.

12 Então Salomão offereceu holocaustos ao Senhor, sobre o altar do Senhor, que tinha edificado diante do portico;

13 E isto segundo a ordem de cada dia, [6] offerecendo o mandamento de Moysés, nos sabbados e nas luas novas, e nas solemnidades, [7] tres vezes no anno: na festa dos pães asimos, e na festa das semanas, e na festa das tendas.

14 Tambem, conforme á ordem de David seu pae, ordenou as turmas [8] dos sacerdotes nos seus ministerios, como tambem as dos levitas ácerca de suas guardas, para louvarem a Deus, e ministrarem diante dos sacerdotes, segundo a ordenação de cada dia, e os porteiros [9] pelas suas turmas a cada porta; porque tal era o mandado de David, o homem de Deus.

15 E não se desviaram do mandado do rei aos sacerdotes e levitas, em negocio nenhum, nem ácerca dos thesouros.

16 Assim se preparou toda a obra de Salomão, desde o dia da fundação da casa do Senhor, até se acabar: e assim se aperfeiçoou a casa do Senhor.

17 Então foi Salomão [10] a Esion-geber, e a Eloth, á praia do mar, na terra d’Edom.

18 E enviou-lhe Hurão, [11] por mão de seus servos, navios, e servos praticos do mar, e foram com os servos de Salomão a Ophir, e tomaram de lá quatrocentos e cincoenta talentos d’oiro: e os trouxeram ao rei Salomão.

[1] I Reis 9.10, etc.

[2] I Reis 9.17, etc.

[3] I Reis 9.20, etc.

[4] I Reis 9.23.

[5] I Reis 3.1 e 7.8 e 9.24.

[6] Exo. 29.38. Num. 28.3, 9, 11, 26 e 29.1, etc.

[7] Exo. 23.14. Deu. 16.16.

[8] I Chr. 24.1. I Chr. 25.1.

[9] I Chr. 9.17 e 26.1.

[10] I Reis 9.26.

[11] I Reis 9.27. cap. 9.10, 13.

A rainha de Saba vem ver a Salomão.

Antes de Christo 992

9 E ouvindo [1] a rainha de Saba a fama de Salomão, veiu a Jerusalem, provar a Salomão com enigmas, com um mui grande exercito, e camelos carregados d’especiarias, e oiro em abundancia e pedras preciosas; e veiu a Salomão, e fallou com elle de tudo o que tinha no seu coração.

2 E Salomão lhe declarou todas as suas palavras: e nenhuma coisa se occultou a Salomão, que lhe não declarasse.

3 Vendo pois a rainha de Saba a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara;

4 E as iguarias da sua mesa, e o assentar dos seus servos, e o estar dos seus creados, e os vestidos d’elles; e os seus copeiros, e os vestidos d’elles; e a sua subida pela qual elle subia á casa do Senhor, [LW] ella ficou como fóra de si.

5 Então disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra ácerca dos teus feitos e da tua sabedoria.

6 Porém não cria as suas palavras, até que vim, e meus olhos o viram, e eis-que me não disseram a metade da grandeza[424] da tua sabedoria: sobrepujaste á fama que ouvi.

7 Bemaventurados os teus homens, e bemaventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti, e ouvem a tua sabedoria!

8 Bemdito seja o Senhor teu Deus, que se agradou em ti para te pôr como rei sobre o seu throno, pelo Senhor teu Deus: porquanto teu Deus ama a Israel, para estabelecel-o perpetuamente; e poz-te por rei sobre elles, para fazeres juizo e justiça.

9 E deu ao rei cento e vinte talentos d’oiro, e especiarias em grande abundancia, e pedras preciosas: e nunca houve taes especiarias, quaes a rainha de Saba deu ao rei Salomão.

10 E tambem os servos d’Hurão, e os servos de Salomão, que de Ophir tinham trazido [2] oiro, trouxeram madeira d’algum, e pedras preciosas.

11 E fez o rei corredores de madeira d’algum, para a casa do Senhor, e para a casa do rei, como tambem harpas e alaudes para os cantores, quaes nunca d’antes se viram na terra de Judah.

12 E o rei Salomão deu á rainha de Saba tudo quanto lhe agradou, e o que lhe pediu, alem do que ella mesma trouxera ao rei: assim virou-se e foi para a sua terra, ella e os seus servos.

As riquezas e a magnificencia de Salomão.

13 E era o peso do oiro, que vinha em um anno a Salomão, seiscentos e sessenta e seis talentos d’oiro,

14 Afóra do que os negociantes e mercadores traziam: tambem todos os reis da Arabia, e os principes da mesma terra traziam a Salomão oiro e prata.

15 Tambem fez Salomão duzentos pavezes d’oiro batido: para cada pavez mandou pesar seiscentos siclos d’oiro batido.

16 Como tambem trezentos escudos d’oiro batido; para cada escudo mandou pezar trezentos siclos d’oiro: e Salomão os poz na casa do bosque do Libano.

17 Fez mais o rei um grande throno de marfim; e o cobriu d’oiro puro.

18 E o throno tinha seis degráus, e um estrado d’oiro, pegado ao throno, e encostos d’ambas as bandas no logar do assento: e dois leões estavam junto aos encostos.

19 E doze leões estavam ali d’ambas as bandas, sobre os seis degraus: outro tal se não fez em nenhum reino.

20 Tambem todos os vasos de beber do rei Salomão eram d’oiro, e todos os vasos da casa do bosque do Libano, d’oiro puro: a prata reputava-se por nada nos dias de Salomão.

21 Porque, indo os navios do rei com os servos d’Hurão, a Tharsis, tornavam os navios de Tharsis, uma vez em tres annos, e traziam oiro e prata, marfim, e bugios, e pavões.

22 Assim excedeu o rei Salomão todos os reis da terra, em riqueza e sabedoria.

23 E todos os reis da terra procuravam ver o rosto de Salomão, para ouvirem a sua sabedoria, que Deus lhe dera no seu coração.

24 E elles traziam cada um o seu presente, vasos d’oiro, e vestidos, armaduras, e especiarias, cavallos e mulos: cada coisa d’anno em anno.

25 Teve tambem Salomão [3] quatro mil estrebarias de cavallos e carros, e doze mil cavalleiros: e pôl-os nas cidades dos carros, e com o rei em Jerusalem.

26 E dominava [4] sobre todos os reis, desde o rio até á terra dos philisteos, e até ao termo do Egypto.

27 Tambem o rei fez [5] que houvesse prata em Jerusalem como pedras, e cedros em tanta abundancia como [LX] as figueiras bravas que ha pelas campinas.

28 E do Egypto e de todas aquellas terras traziam [6] cavallos a Salomão.

A morte de Salomão.

29 Os mais successos pois de Salomão, tanto os primeiros como os ultimos, porventura não estão escriptos no livro das fallas de Nathan, o propheta, e na prophecia d’Ahias [7], o silonita, e nas visões de Iddo, o vidente, ácerca de Jeroboão, filho de Nebat?

30 E reinou [8] Salomão em Jerusalem quarenta annos sobre todo o Israel.

31 E dormiu Salomão com seus paes, e o sepultaram na cidade de David seu pae: e Roboão, seu filho, reinou em seu logar.

[1] I Reis 10.1, etc. Mat. 12.42. Luc. 11.31.

[2] cap. 8.18. I Reis 10.11.

[3] I Reis 4.26 e 10.26. cap. 1.14.

[4] I Reis 4.21. Gen. 15.18.

[5] I Reis 10.27. cap. 1.15.

[6] I Reis 10.28. cap. 1.16.

[7] I Reis 11.41. I Reis 11.29. cap. 12.15 e 13.22.

[8] I Reis 11.42, 43.

A revolta de dez tribus de Israel.

Antes de Christo 975

10 E foi [1] Roboão a Sichem, porque todo o Israel tinha vindo a Sichem para o fazerem rei.

2 Succedeu pois que, ouvindo-o Jeroboão, filho de Nebat (o qual estava então no Egypto [2] para onde fugira da presença do rei Salomão), voltou Jeroboão do Egypto.

3 Porque enviaram a elle, e o chamaram:[425] e veiu pois Jeroboão com todo o Israel: e fallaram a Roboão dizendo:

4 Teu pae fez duro o nosso jugo, allivia tu pois agora a dura servidão de teu pae, e o pesado jugo d’elle, que nos tinha imposto, e servir-te-hemos.

5 E elle lhes disse: D’aqui a tres dias tornae a mim. Então o povo se foi.

6 E teve Roboão conselho com os anciãos, que estiveram perante Salomão seu pae, emquanto viveu, dizendo: Como aconselhaes vós que se responda a este povo?

7 E elles lhe fallaram, dizendo: Se te fizeres benigno e affavel com este povo, e lhes fallares boas palavras, todos os dias serão teus servos.

8 Porém elle deixou o conselho, que os anciãos lhe deram: e teve conselho com os mancebos, que haviam crescido com elle, e estavam perante elle.

9 E disse-lhes: Que aconselhaes vós, que respondamos a este povo? que me fallou, dizendo: Allivia-nos o jugo que teu pae nos impoz?

10 E os mancebos, que com elle haviam crescido, lhe fallaram, dizendo: Assim dirás a este povo, que te fallou, dizendo: Teu pae aggravou o nosso jugo, tu porém allivia-nos: assim pois lhes fallarás: O meu dedo minimo é mais grosso do que os lombos de meu pae.

11 Assim que se meu pae vos fez carregar d’um jugo pesado, eu ainda accrescentarei sobre o vosso jugo: meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.

12 Veiu pois Jeroboão, e todo o povo a Roboão, no terceiro dia, como o rei tinha ordenado, dizendo: Tornae a mim ao terceiro dia.

13 E o rei lhe respondeu asperamente: porque o rei Roboão deixou o conselho dos anciãos.

14 E fallou-lhes conforme ao conselho dos mancebos, dizendo: Meu pae aggravou o vosso jugo, porém eu lhe accrescentarei mais: meu pae vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.

15 Assim o rei não deu ouvidos ao povo, [3] porque esta mudança vinha de Deus, para que o Senhor confirmasse a sua palavra, a qual fallara pelo ministerio d’Ahias, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebat.

16 Vendo pois todo o Israel, que o rei lhes não dava ouvidos, então o povo respondeu ao rei, dizendo: Que parte temos nós com David? não temos herança no filho d’Isai; Israel, cada um ás suas tendas! Olha agora pela tua casa, ó David. Assim todo o Israel se foi para as suas tendas.

17 Porém, quanto aos filhos de Israel, que habitavam nas cidades de Judah, sobre elles reinou Roboão.

18 Então o rei Roboão enviou a Hadoram, que tinha cargo dos tributos; porém os filhos d’Israel o apedrejaram com pedras, de que morreu: então o rei Roboão se esforçou a subir para o seu carro, e fugiu para Jerusalem.

19 Assim se rebellaram [4] os israelitas contra a casa de David, até ao dia d’hoje.

[1] I Reis 12.1, etc.

[2] I Reis 11.40.

[3] I Sam. 2.25. I Reis 12.15, 24. I Reis 11.29.

[4] I Reis 12.19.

Deus prohibe fazer guerra contra as dez tribus.

11 Vindo pois Roboão [1] a Jerusalem, ajuntou da casa de Judah e Benjamin cento e oitenta mil escolhidos, dextros na guerra para pelejarem contra Israel, e para restituirem o reino a Roboão.

2 Porém a palavra [2] do Senhor veiu a Semaias, homem de Deus, dizendo:

3 Falla a Roboão, filho de Salomão, rei de Judah, e a todo o Israel, em Judah e Benjamin, dizendo:

4 Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos, tornae cada um á sua casa; porque de mim proveiu isto. E ouviram as palavras do Senhor, e tornaram d’irem contra Jeroboão.

5 E Roboão habitou em Jerusalem: e edificou cidades para fortalezas, em Judah.

6 Edificou pois a Bethlehem, e a Etam, e a Tekoa,

7 E a Beth-zur, e a Soco, e a Adullam,

8 E a Gath, e a Maresa, e a Ziph,

9 E a Adoraim, e a Lachis, e a Azeka,

10 E a Zora, e a Aijalon, e a Hebron, que estavam em Judah e em Benjamin; cidades fortes.

11 E fortificou estas fortalezas e poz n’ellas maioraes, e armazens de viveres, e d’azeite, e de vinho.

12 E poz em cada cidade pavezes e lanças; fortificou-as em grande maneira: e Judah e Benjamin foram seus.

Todos os que temem a Deus veem a Jerusalem.

13 Tambem os sacerdotes, e os levitas, que havia em todo o Israel, se ajuntaram a elle de todos os seus termos.

14 Porque os levitas deixaram os seus [3] arrabaldes, e a sua possessão, e vieram a Judah e a Jerusalem (porque Jeroboão[426] e seus filhos os lançaram fóra para que não ministrassem ao Senhor.

15 E elle [4] constituiu para si sacerdotes, para os altos, e para os demonios, e para os bezerros, que fizera.)

16 Depois d’esses [5] tambem de todas as tribus d’Israel, os que deram o seu coração a buscarem ao Senhor Deus d’Israel, vieram a Jerusalem, para offerecerem sacrificios ao Senhor Deus de seus paes.

17 Assim [6] fortaleceram o reino de Judah e corroboraram a Roboão, filho de Salomão, por tres annos: porque tres annos andaram no caminho de David e Salomão.

18 E Roboão tomou para si, por mulher, a Mahalat, filha de Jerimoth, filho de David; e a Abihail, filha d’Eliab, filho de Jessé.

19 A qual lhe pariu filhos, a Jeus, e a Samarias, e a Zaham,

20 E depois d’ella [7] tomou a Maaca, filha d’Absalão; esta lhe pariu a Abias, e a Atthai, e a Ziza, e a Selomith.

21 E amava Roboão mais a Maaca, filha d’Absalão, do que a todas as suas outras mulheres e concubinas; porque elle tinha tomado dezoito mulheres, e sessenta concubinas; e gerou vinte e oito filhos, e sessenta filhas.

22 E Roboão poz [8] por cabeça a Abias, filho de Maaca, para ser maioral entre os seus irmãos; porque o queria fazer rei.

23 E usou de prudencia, e de todos os seus filhos alguns espalhou por todas as terras de Judah e Benjamin, por todas as cidades fortes; e deu-lhes viveres em abundancia: e lhes desejou uma multidão de mulheres.

[1] I Reis 12.21, etc.

[2] cap. 12.15.

[3] Num. 35.2. cap. 13.9.

[4] I Reis 12.31 e 13.33 e 14.9. Ose. 13.2. Lev. 17.7. I Cor. 10.20. I Reis 12.28.

[5] cap. 15.9 e 30.11, 18.

[6] cap. 12.1.

[7] I Reis 15.2. cap. 13.2.

[8] Deu. 21.15, 16, 17.

Deus castiga Roboão por causa da idolatria.

Antes de Christo 971

12 Succedeu pois [1] que, havendo Roboão confirmado o reino, e havendo-se fortalecido, deixou a lei do Senhor, e com elle todo o Israel.

2 Pelo que succedeu, [2] no anno quinto do rei Roboão, que Sisak, rei do Egypto, subiu contra Jerusalem (porque tinham transgredido contra o Senhor)

3 Com mil e duzentos carros, e com sessenta mil cavalleiros; e era innumeravel a gente que vinha com elle do Egypto, [3] de lybios, suchitas e ethiopes.

4 E tomou as cidades fortes, que Judah tinha; e veiu a Jerusalem.

5 Então veiu Semaias, o propheta, a [4] Roboão e aos principes de Judah que se ajuntaram em Jerusalem por causa de Sisak, e disse-lhes: Assim diz o Senhor: Vós me deixastes a mim, pelo que eu tambem vos deixei na mão de Sisak.

6 Então se humilharam os principes d’Israel, e o rei, [5] e disseram: O Senhor é justo.

7 Vendo pois o Senhor que se humilhavam, veiu a palavra do Senhor [6] a Semaias, dizendo: Humilharam-se, não os destruirei; antes em breve lhes darei logar d’escaparem, para que o meu furor se não derrame sobre Jerusalem, por mão de Sisak.

8 Porém [7] serão seus servos: para que conheçam a differença da minha servidão e da servidão dos reinos da terra.

9 Subiu pois [8] Sisak, rei do Egypto, contra Jerusalem, e tomou os thesouros da casa do Senhor, e os thesouros da casa do rei; levou tudo: tambem tomou os escudos d’oiro, que Salomão fizera.

10 E fez o rei Roboão em logar d’elles escudos de cobre, e os entregou [9] na mão dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei.

11 E succedeu que, entrando o rei na casa do Senhor, vinham os da guarda, e os traziam, e os tornavam a pôr na camara da guarda.

12 E humilhando-se elle, a ira do Senhor se desviou d’elle, para que o não destruisse de todo; porque ainda em Judah havia boas coisas.

13 Fortificou-se pois o rei Roboão em Jerusalem, e reinou; porque Roboão era da edade [10] de quarenta e um annos, quando começou a reinar; e dezesete annos reinou em Jerusalem, a cidade que o Senhor escolheu d’entre todas as tribus d’Israel, para pôr ali o seu nome; e era o nome de sua mãe Naama, ammonita.

14 E fez o que era mal; porquanto não preparou o seu coração para buscar ao Senhor.

15 Os successos pois de Roboão, assim os primeiros, como os ultimos, porventura não estão escriptos nos livros de Semaias, o propheta, [11] e de Iddo, o vidente, na relação das genealogias? E havia guerras entre Roboão e Jeroboão em todos os seus dias.

16 E Roboão dormiu com seus paes, e foi sepultado na cidade de David: e [12] Abias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] cap. 11.17. I Reis 14.22, 23, 24.

[2] I Reis 14.24, 25.

[3] cap. 16.8.

[4] cap. 11.2. cap. 15.2.

[5] Thi. 4.10. Exo. 9.27.

[6] I Reis 21.28, 29.

[7] Isa. 26.13. Deu. 28.47, 48.

[8] I Reis 14.25, 26. I Reis 10.16, 17. cap. 9.15, 16.

[9] II Sam. 8.18.

[10] I Reis 14.21. cap. 6.6.

[11] cap. 9.29 e 13.22. I Reis 14.30.

[12] I Reis 14.31.

[427]

Abias reina e peleja contra Jeroboão.

Antes de Christo 958

13 No [1] anno decimo oitavo do rei Jeroboão reinou Abias sobre Israel.

2 Tres annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe [2] Michaia, filha d’Uriel de Gibea: e houve guerra entre Abias e Jeroboão.

3 E Abias ordenou a peleja com um exercito de varões bellicosos, de quatrocentos mil homens escolhidos: e Jeroboão dispoz contra elle a batalha de oitocentos mil homens escolhidos, todos varões valentes.

4 E poz-se Abias em pé em cima do monte de [3] Zemaraim, que está na montanha d’Ephraim, e disse: Ouvi-me, Jeroboão e todo o Israel:

5 Porventura não vos convem saber que o Senhor Deus d’Israel [4] deu para sempre a David a soberania sobre Israel, a elle e a seus filhos, por um concerto de sal?

6 Comtudo levantou-se Jeroboão, filho de Nebat, servo de Salomão, filho de David, e se [5] rebellou contra seu senhor.

7 E ajuntaram-se a [6] elle homens vadios, filhos de Belial; e fortificaram-se contra Roboão, filho de Salomão, sendo Roboão ainda mancebo, e terno de coração, e não se podia esforçar contra elles.

8 E agora cuidaes d’esforçar-vos contra o reino do Senhor, que está na mão dos filhos de David: bem sois vós uma grande multidão, e tendes comvosco os bezerros d’oiro que [7] Jeroboão vos fez para deuses.

9 Não [8] lançastes vós fora os sacerdotes do Senhor, os filhos d’Aarão, e os levitas, e não fizestes para vós sacerdotes, como as gentes das outras terras? qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote d’aquelles que não são deuses.

10 Porém, quanto a nós, o Senhor é nosso Deus, e nunca o deixámos: e os sacerdotes, que ministram ao Senhor são filhos d’Aarão, e os levitas se occupam na sua obra.

11 E queimam ao Senhor cada [9] manhã e cada tarde holocaustos, incenso aromatico, com os pães da proposição sobre a mesa pura, e o castiçal d’oiro, e as suas alampadas para se accenderem cada tarde, porque nós temos cuidado do serviço do Senhor nosso Deus; porém vós o deixastes.

12 E eis-que Deus está comnosco na dianteira, como tambem [10] os seus sacerdotes, tocando com as trombetas, para dar alarme contra vós, ó filhos d’Israel; não pelejeis contra o Senhor Deus de vossos paes; porque não prosperareis.

13 Mas Jeroboão fez uma emboscada em volta, para darem sobre elles por detraz; de maneira que estavam defronte de Judah e a emboscada por detraz d’elles.

14 Então Judah olhou, e eis-que tinham a pelejar por diante e por detraz: então clamaram ao Senhor; e os sacerdotes tocaram as trombetas.

15 E os homens de Judah gritaram: e succedeu que, gritando os homens de Judah, Deus [11] feriu a Jeroboão e a todo o Israel diante d’Abias e de Judah.

16 E os filhos d’Israel fugiram de diante de Judah; e Deus os entregou na sua mão.

17 De maneira que Abias e o seu povo fez grande estrago entre elles; porque cairam feridos d’Israel quinhentos mil homens escolhidos.

18 E foram abatidos os filhos d’Israel n’aquelle tempo; e os filhos de Judah [12] prevaleceram porque confiaram no Senhor Deus de seus paes.

19 E Abias seguiu após Jeroboão; e tomou a Bethel com os logares da sua jurisdicção, e a Jesana com os logares da sua jurisdicção, e a Ephron [13] com os logares da sua jurisdicção.

20 E Jeroboão não reteve mais nenhuma força nos dias d’Abias: porém o Senhor [14] o feriu, e morreu.

21 Abias pois se fortificou, e tomou para si quatorze mulheres, e gerou vinte e dois filhos e dezeseis filhas.

22 Os mais successos pois d’Abias, tanto os seus caminhos como as suas palavras, estão escriptos na [15] historia do propheta Iddo.

[1] I Reis 15.1, etc.

[2] cap. 11.20.

[3] Jos. 18.22.

[4] II Sam. 7.12, 13, 16. Num. 18.

[5] I Reis 11.26 e 12.20.

[6] Jui. 9.4.

[7] I Reis 12.28 e 14.9. Ose. 8.6.

[8] cap. 11.14, 15. Exo. 29.35.

[9] cap. 2.4. Lev. 24.6. Exo. 27.20, 21. Lev. 24.2, 3.

[10] Num. 10.8. Act. 5.39.

[11] cap. 14.12.

[12] I Chr. 5.20.

[13] Jos. 15.9.

[14] I Sam. 25.38. I Reis 14.20.

[15] cap. 12.15.

Asa reina, e vence a Zera o ethiope.

Antes de Christo 951

14 E Abias dormiu com seus paes e o sepultaram na cidade de David; e [1] Asa, seu filho, reinou em seu logar: nos seus dias esteve a terra em paz dez annos.

2 E Asa fez o que era bom e recto aos olhos do Senhor seu Deus.

3 Porque tirou os altares dos deuses estranhos, [2] e os altos: e quebrou [3] [LY] as estatuas, e cortou os bosques.

4 E mandou a Judah que buscassem ao Senhor Deus de seus paes, e que observassem a lei e o mandamento.

5 Tambem tirou de todas as cidades[428] de Judah os altos e as imagens do sol: e o reino esteve quieto diante d’elle.

6 E edificou cidades fortes em Judah: porque a terra estava quieta, e não havia guerra contra elle n’aquelles annos; porquanto o Senhor lhe dera repouso.

7 Disse pois a Judah: Edifiquemos estas cidades, e cerquemol-as de muros e torres, portas e ferrolhos, emquanto a terra ainda está quieta diante de nós, pois buscámos ao Senhor nosso Deus; buscámol-o, e deu-nos repouso em redor. Edificaram, pois, e prosperaram.

8 Tinha pois Asa um exercito de trezentos mil de Judah que traziam pavez e lança; e duzentos e oitenta mil de Benjamin, que traziam escudo e atiravam d’arco; todos estes eram varões valentes.

9 E Zera, o ethiope, [4] saiu contra elles, com um exercito de mil milhares, e trezentos carros, e chegou até Maresa.

10 Então Asa saiu contra elle: e ordenaram a batalha no valle de Zephatha, junto a Maresa.

11 E [5] Asa clamou ao Senhor seu Deus, e disse: Senhor, nada para ti é ajudar, quer o poderoso quer o de nenhuma força; ajuda-nos, pois, Senhor nosso Deus, porque em ti confiamos, e no teu nome viemos contra esta multidão: Senhor, tu és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem.

12 E [6] o Senhor feriu os ethiopes diante d’Asa e diante de Judah: e fugiram os ethiopes.

13 E Asa, e o povo que estava com elle os perseguiram até [7] Gerar, e cairam tantos dos ethiopes, que já não havia n’elles vigor algum; porque foram quebrantados diante do Senhor, e diante do seu exercito: e levaram d’ali mui grande despojo.

14 E feriram todas as cidades nos arredores de Gerar; porque [8] o terror do Senhor estava sobre elles; e saquearam todas as cidades, porque havia n’ellas muita preza.

15 Tambem feriram as [LZ] malhadas do gado; e levaram ovelhas em abundancia, e camelos, e voltaram para Jerusalem.

[1] I Reis 15.8, etc.

[2] I Reis 15.14. cap. 15.17.

[3] Exo. 34.13. I Reis 11.7.

[4] cap. 16.8. Jos. 15.44.

[5] Exo. 14.10. cap. 13.14. Psa. 22.6. I Sam. 14.6. I Sam. 17.45. Pro. 18.10.

[6] cap. 13.15.

[7] Gen. 10.19 e 20.1.

[8] Gen. 35.5. cap. 17.10.

Asa abole a idolatria e renova o pacto do Senhor.

Antes de Christo 941

15 Então veiu [1] o Espirito de Deus sobre Azarias, filho d’Obed.

2 E saiu ao encontro d’Asa, e disse-lhe: Ouvi-me, Asa, e todo o Judah e Benjamin: [2] O Senhor está comvosco, emquanto vós estaes com elle, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará.

3 E Israel esteve por [3] muitos dias sem o verdadeiro Deus, e sem sacerdote que o ensinasse, e sem lei.

4 Mas [4] quando na sua angustia se convertiam ao Senhor, Deus d’Israel, e o buscavam, o achavam.

5 E n’aquelles [5] tempos não havia paz, nem para o que sahia, nem para o que entrava, mas muitas perturbações sobre todos os habitantes d’aquellas terras.

6 Porque gente contra gente, e cidade [6] contra cidade se despedaçavam; porque Deus os perturbara com toda a angustia.

7 Mas esforçae-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa.

8 Ouvindo pois Asa estas palavras, e a prophecia do propheta, filho d’Obed, esforçou-se, e tirou as abominações de toda a terra de Judah e de Benjamin, como tambem das cidades que tomára nas [7] montanhas d’Ephraim: e renovou o altar do Senhor, que estava diante do portico do Senhor.

9 E ajuntou a todo o Judah, e Benjamin, e com elles [8] os estrangeiros d’Ephraim e Manasseh, e de Simeão; porque d’Israel descahiam a elle em grande numero, vendo que o Senhor seu Deus era com elle.

10 E ajuntaram-se em Jerusalem no terceiro mez; no anno decimo do reinado d’Asa.

11 E no mesmo dia offereceram em sacrificio [9] ao Senhor, do despojo que trouxeram, seiscentos bois e seis mil ovelhas.

12 E entraram no [10] concerto de buscarem o Senhor, Deus de seus paes, com todo o seu coração, e com toda a sua alma;

13 E de que todo aquelle [11] que não buscasse ao Senhor, Deus d’Israel, morresse; desde o menor até ao maior, e desde o homem até á mulher.

14 E juraram ao Senhor, em alta voz, com jubilo e com trombetas e buzinas.

15 E todo o Judah se alegrou d’este juramento; porque com todo o seu coração juraram, [12] e com toda a sua[429] vontade o buscaram, e o acharam: e o Senhor lhes deu repouso em redor.

16 E tambem a Maaca, [13] mãe do rei Asa, elle a depoz, para que não fosse mais rainha; porquanto fizera a Aserá um horrivel idolo; e Asa destruiu o seu horrivel idolo, e o despedaçou, e o queimou junto ao ribeiro de Cedron.

17 Os altos porém não se tiraram d’Israel; [14] comtudo o coração d’Asa foi perfeito todos os seus dias.

18 E trouxe as coisas que tinha consagrado seu pae, e as coisas que mesmo tinha consagrado á casa de Deus: prata, e oiro, e vasos.

19 E não houve guerra até ao anno trigesimo quinto do reino d’Asa.

[1] Num. 24.2. Jui. 3.10. cap. 20.14 e 24.20.

[2] Thi. 4.8. ver. 4, 15. I Chr. 28.9. cap. 33.12, 13. Jer. 29.13. Mat. 7.7. cap. 24.20.

[3] Ose. 3.4. Lev. 10.11.

[4] Deu. 4.29.

[5] Jui. 5.6.

[6] Mat. 24.7.

[7] cap. 13.19.

[8] cap. 11.16.

[9] cap. 14.15. cap. 14.13.

[10] II Reis 23.3. cap. 34.31. Neh. 10.29.

[11] Exo. 22.20. Deu. 13.5, 9, 15.

[12] ver. 2.

[13] I Reis 15.13.

[14] cap. 14.3, 5. I Reis 15.14, etc.

Asa e o rei da Syria pelejam contra Baása.

16 No anno trigesimo sexto do reinado d’Asa, Baása, [1] rei d’Israel, subiu contra Judah e edificou a Rama, para ninguem deixar sair nem entrar a Asa, rei de Judah.

2 Então tirou a Asa a prata e o oiro dos thesouros da casa de Deus, e da casa do rei; e enviou a Benhadad, rei da Syria, que habitava em Damasco, dizendo:

3 Alliança ha entre mim e ti, como houve entre meu pae e teu: eis que te envio prata e oiro; vae, pois, e anniquila a tua alliança com Baása, rei d’Israel, para que se retire de sobre mim.

4 E Benhadad deu ouvidos ao rei Asa, e enviou o capitão dos exercitos que tinha, contra as cidades d’Israel, e feriram a Ijon, e a Dan, e a Abelmaim; e a todas as cidades das munições de Naphtali.

5 E succedeu que, ouvindo-o Baása, deixou d’edificar a Rama; e descontinuou a sua obra.

6 Então o rei Asa tomou a todo o Judah e levaram as pedras de Rama, e a sua madeira, com que Baása edificara; e edificou com isto a Geba e a Mispah.

7 N’aquelle mesmo tempo veiu Hanani, [2] o vidente, a Asa rei de Judah, e disse-lhe: Porquanto confiaste no rei da Syria, e não confiaste no Senhor teu Deus, portanto o exercito do rei da Syria escapou da tua mão.

8 Porventura não foram os ethiopes [3] e os lybios um grande exercito, com muitissimos carros e cavalleiros? confiando tu porém no Senhor, elle os entregou nas tuas mãos.

9 Porque, quanto ao Senhor, seus olhos [4] passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aquelles cujo coração é perfeito para com elle; n’isto pois fizeste loucamente [5] porque desde agora haverá guerras contra ti.

10 Porém Asa se indignou contra [6] o vidente, e lançou-o na casa do tronco; porque d’isto grandemente se alterou contra elle; tambem Asa no mesmo tempo opprimiu a alguns do povo.

11 E eis que os [7] successos d’Asa, tanto os primeiros, como os ultimos, estão escriptos no livro dos reis de Judah e Israel.

12 E caiu Asa doente de seus pés no anno trinta e nove do seu reinado; grande por extremo era a sua enfermidade, e comtudo na sua enfermidade não buscou [8] ao Senhor, mas antes aos medicos.

13 E Asa dormiu com seus paes; e morreu no anno quarenta e um do seu reinado.

14 E o sepultaram no seu sepulchro, que tinha cavado para si na cidade de David, havendo-o deitado na cama, que se enchera de cheiros e [9] especiarias preparadas segundo a arte dos perfumistas: e fizeram-lhe queima mui grande.

[1] I Reis 15.17, etc. cap. 15.9.

[2] I Reis 16.1. cap. 19.2. Isa. 31.1. Jer. 17.5.

[3] cap. 14.9. cap. 12.3.

[4] Job 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 16.17 e 32.19. Zac. 4.10.

[5] I Sam. 13.13. I Reis 15.32.

[6] cap. 18.26. Jer. 20.2. Mat. 14.3.

[7] I Reis 15.23.

[8] Jer. 17.5.

[9] Gen. 50.2. Mar. 16.1. João 19.39, 40. cap. 21.19. Jer. 34.5.

Josaphat e o seu cuidado em instruir o povo.

Antes de Christo 914

17 E Josaphat [1] seu filho reinou em seu logar; e fortificou-se contra Israel.

2 E poz gente de guerra em todas as cidades fortes de Judah e poz guarnições na terra de Judah, como tambem nas cidades d’Ephraim, que Asa seu pae [2] tinha tomado.

3 E o Senhor foi com Josaphat; porque andou nos primeiros caminhos de David seu pae, e não buscou a Baalim.

4 Antes buscou ao Deus de seu pae, e andou nos seus mandamentos, e [3] não segundo as obras d’Israel.

5 E o Senhor confirmou o reino na sua mão, e todo o Judah deu presentes a Josaphat: e teve riquezas e [4] gloria em abundancia.

6 E exaltou-se o seu coração nos caminhos do Senhor [5] e ainda de[430] mais tirou os altos e os bosques de Judah.

7 E no terceiro anno do seu reinado enviou elle os seus principes, a Benchail, e a Obadias, e a Zacharias, e a Nathanael, e a Michaia, para ensinarem [6] nas cidades de Judah.

8 E com elles os levitas, Semaias e Nethanias, e Zebadias, e Asael, e Semiramoth, e Jonathan, e Adonias, e Tobias, e Tobadonias, levitas: e com elles os sacerdotes, Elisama e Jorão.

9 E ensinaram em [7] Judah e tinham comsigo o livro da lei do Senhor: e rodearam todas as cidades de Judah, e ensinaram entre o povo.

10 E veiu [8] o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras, que estavam em roda de Judah e não guerrearam contra Josaphat.

11 E alguns d’entre os philisteos traziam presentes [9] a Josaphat, com o dinheiro do tributo: tambem os arabios lhe trouxeram gado miudo; sete mil e setecentos carneiros, e sete mil e setecentos bodes.

12 Cresceu pois Josaphat e se engrandeceu extremamente: e edificou fortalezas e cidades de munições em Judah.

13 E teve muitas obras nas cidades de Judah e gente de guerra, varões valentes em Jerusalem.

14 E este é o numero d’elles segundo as casas de seu paes: em Judah eram chefes dos milhares: o chefe Adna, e com elle trezentos mil varões valentes;

15 E após elle o chefe Johanan, e com elle duzentos e oitenta mil;

16 E após elle Amasias, filho de Zichri, que voluntariamente se [10] entregou ao Senhor, e com elle duzentos mil varões valentes:

17 E de Benjamin Eliada, varão valente, e com elle duzentos mil, armados d’arco e d’escudo;

18 E após elle Jozabad: e com elle cento e oitenta mil armados para a guerra.

19 Estes estavam no serviço do rei; afóra os que [11] o rei tinha posto nas cidades fortes por todo o Judah.

[1] I Reis 15.24.

[2] cap. 15.8.

[3] I Reis 12.28.

[4] I Sam. 10.27. I Reis 10.25. I Reis 10.27. cap. 18.1.

[5] I Reis 22.43. cap. 15.17 e 19.3 e 20.33.

[6] cap. 15.3.

[7] cap. 35.3. Neh. 8.7.

[8] Gen. 35.5.

[9] II Sam. 8.2.

[10] Jui. 5.2, 9.

[11] ver. 2.

Alliança entre Josaphat e Achab.

Antes de Christo 897

18 Tinha pois Josaphat riquezas [1] e gloria em abundancia: e aparentou-se com Achab.

2 E ao cabo d’alguns [2] annos desceu elle para Achab a Samaria; e Achab matou ovelhas e bois em abundancia, para elle e para o povo que vinha com elle: e o persuadiu a subir com elle a Ramoth-gilead.

3 Porque Achab, rei d’Israel, disse a Josaphat rei de Judah: Irás tu commigo a Ramoth-gilead? e elle lhe disse: Como tu és, serei eu; e o meu povo, como o teu povo; seremos comtigo n’esta guerra.

4 Disse mais Josaphat ao rei d’Israel: Consulta [3] hoje, peço-te, a palavra do Senhor.

5 Então o rei d’Israel ajuntou os prophetas, quatrocentos homens, e disse-lhes: Iremos á guerra contra Ramoth-gilead, ou deixal-o-hei? E elles disseram: Sobe; porque Deus a dará na mão do rei.

6 Disse porém Josaphat: Não ha ainda aqui propheta algum do Senhor, para que o consultemos?

7 Então o rei d’Israel disse a Josaphat: Ainda ha um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o aborreço; porque nunca prophetiza de mim bem, senão sempre mal; este é Micha, filho de Imla. E disse Josaphat: Não falle o rei assim.

8 Então chamou o rei d’Israel um [MA] eunucho, e disse: Traze aqui depressa a Micha filho de Imla.

9 E o rei d’Israel, e Josaphat rei de Judah estavam assentados cada um no seu throno, vestidos de vestiduras, e estavam assentados na praça á entrada da porta de Samaria, e todos os prophetas prophetizavam na sua presença.

10 E Zedekias, filho de Canana, fez para si uns cornos de ferro, e disse: Assim diz o Senhor: Com estes escornearás aos syros, até de todo os consumires.

11 E todos os prophetas prophetizavam o mesmo, dizendo: Sobe a Ramoth-gilead, e prosperarás; porque o Senhor a dará na mão do rei.

12 E o mensageiro, que foi chamar a Micha, lhe fallou, dizendo: Eis-que as palavras dos prophetas, a uma bocca, são boas para com o rei: seja pois tambem a tua palavra como a d’um d’elles, e falla o que é bom.

13 Porém Micha disse: Vive o Senhor, que o que meu Deus [4] me disser, isso fallarei.

14 Vindo pois ao rei, o rei lhe disse: Micha, iremos a Ramoth-gilead á guerra, ou deixal-o-hei? E elle disse: Subi, e prosperareis; e serão dados na vossa mão.

15 E o rei lhe disse: Até quantas[431] vezes te conjurarei, para que me não falles senão a verdade no nome do Senhor?

16 Então disse elle: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não teem pastor: e disse o Senhor: Estes não teem senhor; torne cada um em paz para sua casa.

17 Então o rei d’Israel disse a Josaphat: Não te disse eu, que este não prophetizaria de mim bem, porém mal?

18 Disse mais: Pois ouvi a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado no seu throno, e a todo o exercito celestial em pé á sua mão direita, e á sua esquerda.

19 E disse o Senhor: Quem persuadirá a Achab rei d’Israel, a que suba, e caia em Ramoth-gilead? disse mais: Um diz d’esta maneira, e outro diz d’outra.

20 Então saiu um espirito [5] e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o persuadirei. E o Senhor lhe disse: Com que?

21 E elle disse: Eu sairei, e serei um espirito de mentira na bocca de todos os seus prophetas. E disse o Senhor: Tu o persuadirás, e tambem prevalecerás; sae, e faze-o assim.

22 Agora pois, eis que o Senhor enviou um espirito [6] de mentira na bocca d’estes teus prophetas: e o Senhor fallou o mal a teu respeito.

23 Então Zedekias, filho de Canana, se chegou, e [7] feriu a Micha no queixo; e disse: Porque caminho passou de mim o Espirito do Senhor para fallar a ti?

24 E disse Micha: Eis que o verás n’aquelle dia, quando andares de camara em camara, para te esconderes.

25 Então disse o rei d’Israel: Tomae a Micha, e tornae a leval-o a Amon, o governador da cidade, e a Joás filho do rei.

26 E direis: Assim diz o rei: Mettei [8] este homem na casa do carcere; e sustentae-o com pão de angustia, e com agua d’angustia, até que eu volte em paz.

27 E disse Micha: Se é que tornares em paz, o Senhor não tem fallado por mim. Disse mais: Ouvi, povos todos!

A guerra contra Ramoth-gilead e a morte de Achab.

28 Subiram pois o rei d’Israel e Josaphat rei de Judah, a Ramoth-gilead.

29 E disse o rei d’Israel a Josaphat: Disfarçando-me eu, então entrarei na peleja; tu porém veste as tuas vestiduras. Disfarçou-se pois o rei d’Israel, e entraram na peleja.

30 Deu ordem porém o rei da Syria aos capitães dos carros que tinha, dizendo: Não pelejareis nem contra pequeno, nem contra grande: senão só contra o rei d’Israel.

31 Succedeu pois que, vendo os capitães dos carros a Josaphat, disseram: Este é o rei d’Israel, e o cercaram para pelejarem; porém Josaphat clamou, e o Senhor o ajudou. E Deus os desviou d’elle.

32 Porque succedeu que, vendo os capitães dos carros, que não era o rei d’Israel, tornaram de seguil-o.

33 Então um homem armou o arco na sua simplicidade, e feriu o rei d’Israel entre as junturas e a couraça: então disse ao carreteiro: Vira a tua mão, e tira-me do exercito, porque estou mui ferido.

34 E aquelle dia cresceu a peleja, mas o rei d’Israel susteve-se em pé no carro defronte dos syros até á tarde; e morreu ao tempo do pôr do sol.

[1] cap. 17.5. II Reis 8.18.

[2] I Reis 22.2, etc.

[3] I Sam. 23.2, 4, 9. II Sam. 2.1.

[4] Num. 22.18, 20, 35 e 23.12, 26 e 24.13. I Reis 22.14.

[5] Job 1.6.

[6] Job 12.16. Isa. 19.14. Eze. 14.9.

[7] Jer. 26.2. Mar. 14.65. Act. 23.2.

[8] cap. 16.10.

O propheta Jehu reprehende a Josaphat.

19 E Josaphat, rei de Judah, voltou á sua casa em paz a Jerusalem.

2 E Jehu, filho d’Hanani, [1] o vidente, lhe saiu ao encontro, e disse ao rei Josaphat: Devias tu ajudar ao impio, e amar aquelles que ao Senhor aborrecem? por isso virá sobre ti [2] grande ira de diante do Senhor.

3 Boas coisas comtudo se acharam [3] em ti; porque tiraste os bosques da terra, e preparaste [4] o teu coração, para buscar a Deus.

4 Habitou pois Josaphat em Jerusalem: e tornou a passar pelo povo desde Berseba até as montanhas d’Ephraim, e fez com que tornassem ao Senhor Deus de seus paes.

5 E estabeleceu juizes na terra, em todas as cidades fortes, de cidade em cidade.

6 E disse aos juizes: Vede o que fazeis; [5] porque não julgaes da parte do homem, senão da parte do Senhor, e elle está comvosco no negocio do juizo.

7 Agora pois, seja o temor do Senhor comvosco: guardae-o, e fazei-o; porque não ha no Senhor nosso Deus [6] iniquidade nem acceitação de pessoas, nem acceitação de presentes.

8 E tambem estabeleceu Josaphat a alguns dos levitas [7] e dos sacerdotes e[432] dos chefes dos paes d’Israel sobre o juizo do Senhor, e sobre as causas judiciaes: e tornaram a Jerusalem.

9 E deu-lhes ordem, dizendo: Assim fazei [8] no temor do Senhor com fidelidade, e com coração inteiro.

10 E em toda a [9] differença que vier a vós de vossos irmãos que habitam nas suas cidades, entre sangue e sangue, entre lei e mandamento, entre estatutos e juizos, e admoestae-os, que se não façam culpados para com o Senhor, e não venha grande ira sobre [10] vós, e sobre vossos irmãos: fazei assim, e não vos fareis culpados.

11 E eis que Amarias, o summo sacerdote, presidirá sobre vós em todo o [11] negocio do Senhor; e Zebadias, filho d’Ishmael, principe da casa de Judah, em todo o negocio do rei; tambem os officiaes, os levitas, estão perante vós: esforçae-vos, [12] pois, e fazei-o; e o Senhor será com os bons.

[1] I Sam. 9.9.

[2] cap. 32.25.

[3] cap. 17.4, 6. cap. 12.12.

[4] cap. 30.19. Esd. 7.10.

[5] Deu. 1.17. Ecc. 5.8.

[6] Deu. 32.4. Rom. 9.14. Deu. 10.17. Job 34.19. Act. 10.34. Rom. 2.11. Gal. 2.6. Eph. 6.9. Col. 3.25. I Ped. 1.17.

[7] Deu. 16.18. cap. 17.8.

[8] II Sam. 23.3.

[9] Deu. 17.8, etc.

[10] Num. 16.46. Eze. 3.18.

[11] I Chr. 26.30.

[12] cap. 15.2.

Deus concede a Josaphat victoria sobre os seus inimigos.

Antes de Christo 896

20 E succedeu que, depois d’isto, os filhos de Moab, e os filhos d’Ammon, e com elles outros de mais dos ammonitas, vieram á peleja contra Josaphat.

2 Então vieram alguns que deram aviso a Josaphat, dizendo: Vem contra ti uma grande multidão d’além do mar e da Syria: e eis-que já estão em Hatson-thamar, [1] que é Engedi.

3 Então Josaphat temeu, e poz-se a buscar o Senhor; e apregoou [2] jejum em todo o Judah.

4 E Judah se ajuntou, para pedir soccorro ao Senhor: tambem de todas as cidades de Judah vieram para buscarem ao Senhor.

5 E poz-se Josaphat em pé na congregação de Judah e de Jerusalem, na casa do Senhor, diante do pateo novo.

6 E disse: Ah Senhor, Deus de nossos paes, porventura não és tu Deus nos céus? [3] pois tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mão ha força e potencia, e não ha quem te possa resistir.

7 Porventura, ó Deus [4] nosso, não lançaste tu fóra os moradores d’esta terra, de diante do teu povo Israel, e a déste á semente d’Abrahão, teu amigo, para sempre?

8 E habitaram n’ella; e edificaram-te n’ella um sanctuario ao teu nome, dizendo:

9 Se algum [5] mal nos sobrevier, espada, juizo, peste, ou fome, nós nos apresentaremos diante d’esta casa e diante de ti; pois teu nome [6] está n’esta casa; e clamaremos a ti na nossa angustia, e tu nos ouvirás e livrarás.

10 Agora, pois, eis que os filhos d’Ammon e de Moab, e os das montanhas de Seir, [7] pelos quaes não permittiste passar a Israel, quando vinham da terra do Egypto; mas d’elles se desviaram e não os destruiram;

11 Eis que nos dão o pago, vindo para lançar-nos fóra da tua herança, que nos fizeste herdar.

12 Ah Deus nosso, porventura não os [8] julgarás? porque em nós não ha força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti.

13 E todo o Judah estava em pé perante o Senhor, como tambem as suas creanças, as suas mulheres, e os seus filhos.

14 Então veiu [9] o espirito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jahaziel, filho de Zacharias, filho de Benaias, filho de Jehiel, filho de Mattanias, levita, dos filhos de Asaf,

15 E disse: Dae ouvidos todo o Judah, e vós, moradores de Jerusalem, e tu, ó rei Josaphat: assim o Senhor vos diz: Não temaes, nem vos assusteis [10] por causa d’esta grande multidão; pois a peleja não é vossa, senão de Deus.

16 Ámanhã descereis contra elles; eis que sobem pela ladeira de Zis, e os achareis no fim do valle, diante do deserto de Jeruel.

17 N’esta peleja não [11] tereis que pelejar: parae-vos, estae em pé, e vêde a salvação do Senhor para comvosco, ó Judah e Jerusalem; não temaes, nem vos assusteis, ámanhã sahi-lhes ao encontro, porque [12] o Senhor será comvosco.

18 Então Josaphat [13] se prostrou com o rosto em terra: e todo o Judah e os moradores de Jerusalem se lançaram perante o Senhor, adorando ao Senhor.

19 E levantaram-se os levitas, dos filhos dos kohathitas, e dos filhos dos[433] korathitas, para louvarem ao Senhor Deus d’Israel, com grande voz até ao alto.

20 E pela manhã cedo se levantaram e sairam ao deserto de Tekoa: e, saindo elles, poz-se em pé Josaphat, e disse: Ouvi-me, ó Judah, e vós, moradores de Jerusalem: [14] Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus prophetas, e sereis prosperados.

21 E aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o Senhor, que louvassem [15] a Magestade sancta, saindo diante dos armados, e dizendo: Louvae ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre.

22 E, ao tempo que começaram com jubilo e louvor, o Senhor poz emboscadas [16] contra os filhos d’Ammon e de Moab, e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judah e foram desbaratados.

23 Porque os filhos d’Ammon e de Moab se levantaram contra os moradores das montanhas de Seir, para os destruir e exterminar: e, acabando elles com os moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se.

24 Entretanto chegou Judah á atalaia do deserto: e olharam para a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, e nenhum escapou.

25 E vieram Josaphat e o seu povo para saquear os seus despojos, e acharam n’elles fazenda e cadaveres em abundancia, assim como vasos preciosos, e tomaram para si tanto, que não podiam levar mais: e tres dias saquearam o despojo, porque era muito.

26 E ao quarto dia se ajuntaram no valle de [MB] Beracha; porque ali louvaram o Senhor; por isso chamaram o nome d’aquelle logar o valle de Beracha, até ao dia d’hoje.

27 Então voltaram todos os homens de Judah e de Jerusalem, e Josaphat á frente d’elles, para virem a Jerusalem com alegria: porque o Senhor os alegrara ácerca [17] dos seus inimigos.

28 E vieram a Jerusalem com alaudes, e com harpas, e com trombetas, para a casa do Senhor.

29 E veiu o temor [18] de Deus sobre todos os reinos d’aquellas terras, ouvindo elles que o Senhor havia pelejado contra os inimigos d’Israel.

30 E o reino de Josaphat ficou quieto: e o seu Deus lhe [19] deu repouso em redor.

31 E Josaphat [20] reinou sobre Judah: era da edade de trinta e cinco annos quando começou a reinar e vinte e cinco annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe, Azuba, filha de Silhi.

32 E andou no caminho d’Asa, seu pae, e não se desviou d’elle, fazendo o que era recto nos olhos do Senhor.

33 Comtudo os altos se não tiraram, [21] porque o povo não tinha ainda preparado o seu coração para com o Deus de seus paes.

34 Ora o resto dos successos de Josaphat, assim primeiros, como ultimos, eis que está escripto nas notas de Jehu, filho de Hanani, que lhe fizeram apontar [22] no livro dos reis de Israel.

35 Porém depois d’isto [23] Josaphat, rei de Judah, se alliou com Achazias, rei de Israel, que obrou com toda a impiedade.

36 E alliou-se com elle, para fazerem navios que fossem a Tharsis: e fizeram os navios em Esion-geber.

37 Porém Eliezer, filho de Dodava, de Maresa, prophetizou contra Josaphat, dizendo: Porquanto te alliaste com Achazias, o Senhor despedaçou as tuas obras. E os navios [24] se quebraram, e não poderam ir a Tharsis.

[1] Gen. 14.7. Jos. 15.62.

[2] cap. 19.3. Esd. 8.21. Jer. 36.9. Jon. 3.5.

[3] Deu. 4.39. Jos. 2.11. I Reis 8.23. Dan. 4.17, 25, 32. I Chr. 29.12. Mat. 6.13.

[4] Gen. 17.7. Exo. 6.7. Isa. 41.8. Thi. 2.23.

[5] I Reis 8.33, 37. cap. 6.28, 29, 30.

[6] cap. 6.20.

[7] Deu. 2.4, 9, 19. Num. 20.21.

[8] I Sam. 3.13.

[9] Num. 11.25, 26 e 24.2. cap. 15.1 e 24.20.

[10] Exo. 14.13, 14. Deu. 1.29, 30 e 31.6, 8. cap. 32.7.

[11] Exo. 14.13, 14.

[12] Num. 14.9. cap. 15.2 e 32.8.

[13] Exo. 4.31.

[14] Isa. 7.9.

[15] I Chr. 16.29. I Chr. 16.34. I Chr. 16.41. cap. 5.13 e 7.3, 6.

[16] Jui. 7.22. I Sam. 14.20.

[17] Neh. 12.43.

[18] cap. 17.10.

[19] cap. 15.15. Job 34.29.

[20] I Reis 22.41, etc.

[21] cap. 17.6. cap. 12.14 e 19.3.

[22] I Reis 16.1, 7.

[23] I Reis 22.48, 49.

[24] I Reis 22.48. cap. 9.21.

A morte de Josaphat e a impiedade de Jorão.

Antes de Christo 892

21 Depois Josaphat dormiu [1] com seus paes, e o sepultaram com seus paes na cidade de David: e Jorão, seu filho, reinou em seu logar.

2 E teve irmãos, filhos de Josaphat: Azarias, e Jehiel, e Zacharias, e Asarias, e Michael, e Sephatias: todos estes foram filhos de Josaphat, rei d’Israel.

3 E seu pae lhes deu muitos dons de prata, e d’oiro, e de coisas preciosissimas, com cidades fortes em Judah: porém o reino deu a Jorão, porquanto era o primogenito.

4 E, subindo Jorão ao reino de seu pae, e havendo-se fortificado, matou a todos os seus irmãos á espada, como tambem a alguns dos principes d’Israel.

5 Da edade de trinta [2] e dois annos era Jorão quando começou a reinar; e reinou oito annos em Jerusalem.

6 E andou no caminho dos reis d’Israel, como fazia a casa de Achab; porque tinha a filha [3] de Achab por[434] mulher: e fazia o que parecia mal aos olhos do Senhor.

7 Porém o Senhor não quiz destruir a casa de David, em attenção ao concerto que tinha feito com David: e porque tambem tinha dito que lhe daria por todos os dias uma lampada, [4] a elle e a seus filhos.

8 Nos seus dias [5] se revoltaram os idumeos de debaixo do mando de Judah, e constituiram para si um rei.

9 Pelo que Jorão passou adiante com os seus chefes, e todos os carros com elle: e levantou-se de noite, e feriu aos idumeos, que o tinham cercado, como tambem aos capitães dos carros.

10 Todavia os idumeos se revoltaram de debaixo do mando de Judah até ao dia d’hoje; então no mesmo tempo Libna se revoltou de debaixo de seu mando; porque deixara ao Senhor, Deus de seus paes.

11 Elle tambem fez altos nos montes de Judah: e fez com que fornicassem [6] os moradores de Jerusalem, e até a Judah impelliu a isso.

12 Então lhe veiu um escripto da parte d’Elias o propheta, que dizia: Assim diz o Senhor, Deus de David teu pae: Porquanto não andaste nos caminhos de Josaphat, teu pae, e nos caminhos d’Asa, rei de Judah,

13 Mas andaste no caminho dos reis d’Israel, e fizeste fornicar a [7] Judah e aos moradores de Jerusalem, segundo a fornicação da casa d’Achab, e tambem mataste a teus irmãos, da casa de teu pae, melhores do que tu,

14 Eis-que o Senhor ferirá com um grande [MC] flagello ao teu povo, e aos teus filhos, e ás tuas mulheres e a todas as tuas fazendas.

15 Tu tambem terás uma grande enfermidade por causa d’uma doença de tuas entranhas, [8] até que te saiam as tuas entranhas, por causa da enfermidade, de dia em dia.

16 Despertou [9] pois o Senhor, contra Jorão o espirito dos philisteos e dos arabios, que estão da banda dos ethiopes.

17 Estes subiram a Judah, e deram sobre ella, e levaram toda a fazenda, que se achou na casa do rei, como tambem a seus filhos [10] e a suas mulheres; de modo que lhe não deixaram filho, senão a Joachaz, o mais moço de seus filhos.

18 E depois de tudo isto o Senhor [11] o feriu nas suas entranhas com uma enfermidade incuravel.

19 E succedeu que, depois de muitos dias, e chegado que foi o fim de dois annos, sairam-lhe as entranhas com a doença; e morreu de más enfermidades: e o seu povo lhe não fez uma queimada como a queimada [12] de seus paes.

20 Era da edade de trinta e dois annos quando começou a reinar, e reinou em Jerusalem oito annos: e foi-se sem deixar de si saudades algumas; e o sepultaram na cidade de David, porém não nos sepulchros dos reis.

[1] I Reis 22.50.

[2] II Reis 8.17, etc.

[3] cap. 22.2.

[4] II Sam. 7.12, 13. I Reis 11.36.

[5] II Reis 8.20, etc.

[6] Lev. 17.7 e 20.5. ver. 13.

[7] ver. 11. Exo. 34.15. Deu. 31.16. I Reis 16.31-33. II Reis 9.22.

[8] ver. 18, 19.

[9] I Reis 11.14, 23.

[10] cap. 24.7.

[11] ver. 15.

[12] cap. 16.14.

Achazias reina e é morto por Jehu.

Antes de Christo 887

22 E os moradores de Jerusalem fizeram rei a Achazias, [1] seu filho mais moço, em seu logar: porque a tropa, que viera com os arabios ao arraial, tinha morto a todos os mais velhos: e assim reinou Achazias, filho de Jorão, rei de Judah.

2 Era da edade [2] de quarenta e dois annos, quando começou a reinar, e reinou um anno em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Athalia, filha d’Omri.

3 Tambem este andou nos caminhos da casa d’Achab; porque sua mãe era sua conselheira, para obrar impiamente.

4 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, como a casa d’Achab, porque elles eram seus conselheiros depois da morte de seu pae, para a sua perdição.

5 Tambem andou no seu conselho, e foi-se [3] com Jorão, filho d’Achab, rei d’Israel, á peleja contra Hazael, rei da Syria, junto a Ramoth-gilead: e os syros feriram a Jorão.

6 E tornou [4] a curar-se em Jezreel, das feridas que se lhe deram junto a Rama, pelejando contra Hazael, rei da Syria: e Azarias, filho de Jorão, rei de Judah, desceu para ver a Jorão, filho d’Achab, em Jezreel; porque estava doente.

7 Veiu pois [5] de Deus o abatimento d’Achazias, para que viesse a Jorão; porque vindo elle, saiu com Jorão contra Jehu, filho de Nimsi, a quem o Senhor tinha ungido para desarreigar a casa d’Achab.

8 E succedeu que, executando Jehu juizo [6] contra a casa d’Achab, achou os principes de Judah e os filhos dos irmãos d’Achazias, que serviam a Achazias, e os matou.

9 Depois buscou [7] a Achazias (porque se tinha escondido em Samaria), e o[435] alcançaram, e o trouxeram a Jehu, e o mataram, e o sepultaram; porque disseram: Filho é de Josaphat, que buscou ao Senhor com todo o seu coração. E não tinha já a casa d’Achazias ninguem que tivesse força para o reino.

Athalia manda matar a familia real, mas Joás escapa.

Antes de Christo 884

10 Vendo pois [8] Athalia, mãe d’Achazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu, toda a semente real da casa de Judah.

11 Porém Josebath, [9] filha do rei, tomou a Joás, filho d’Achazias, e furtou-o d’entre os filhos do rei, a quem matavam, e o poz com a sua ama na camara dos leitos: assim Josebath, filha do rei Jorão, mulher do sacerdote Joiada (porque era irmã d’Achazias), o escondeu de diante d’Athalia, de modo que o não matou.

12 E esteve com elles escondido na casa de Deus seis annos: e Athalia reinou sobre a terra.

[1] II Reis 8.24, etc. ver. 6. cap. 21.17.

[2] II Reis 8.26. cap. 21.6.

[3] II Reis 8.28, etc.

[4] II Reis 9.15.

[5] Jui. 14.4. I Reis 12.15. cap. 10.15.

[6] II Reis 10.10, 11.

[7] II Reis 9.27. cap. 17.4.

[8] II Reis 11.1, etc.

[9] II Reis 11.2.

Joiada, o sacerdote, unge a Joás, como rei de Judah.

Antes de Christo 878

23 Porém no setimo [1] anno Joiada se esforçou, e tomou comsigo em alliança os chefes das centenas, a Azarias, filho de Joroão, e a Ishmael, filho de Jahanan, e a Azarias, filho d’Obed, e a Maaseias, filho d’Adaias, e a Elisaphat, filho de Sicri.

2 Estes rodeiaram a Judah e ajuntaram os levitas de todas as cidades de Judah e os cabeças dos paes d’Israel, e vieram para Jerusalem.

3 E toda aquella congregação fez alliança com o rei na casa de Deus: e Joiada lhes disse: Eis que o filho do rei reinará, como o Senhor fallou a respeito [2] dos filhos de David.

4 Esta é a coisa que haveis de fazer: uma terça parte de vós, os sacerdotes e os levitas que entram de sabbado, serão porteiros das portas;

5 E uma terça parte estará [3] na casa do rei; e a outra terça parte á porta do fundamento: e todo o povo estará nos pateos da casa do Senhor.

6 Porém ninguem entre na casa do Senhor, senão os sacerdotes e os levitas que [4] ministram; estes entrarão, porque sanctos são; mas todo o povo vigiará a guarda do Senhor,

7 E os levitas rodeiarão ao rei em volta, cada um com as suas armas na mão; e qualquer que entrar na casa morrerá; porém vós estareis com o rei, quando entrar e quando sair.

8 E fizeram os levitas e todo o Judah conforme a tudo o que ordenara o sacerdote Joiada; e tomou cada um os seus homens, os que entravam no sabbado com os que sahiam do sabbado; porque o sacerdote Joiada não tinha despedido as turmas.

9 Tambem o sacerdote Joiada deu aos chefes das centenas as lanças, e os escudos, e as rodelas que foram do rei [5] David os quaes estavam na casa de Deus.

10 E dispoz todo o povo, e a cada um com as suas armas na sua mão, desde a banda direita da casa até á banda esquerda da casa, da banda do altar e da casa, á roda do rei.

11 Então tiraram para fóra ao filho do rei, e lhe pozeram a corôa; deram-lhe o testemunho, [6] e o fizeram rei: e Joiada e seus filhos o ungiram, e disseram: Viva o rei!

12 Ouvindo pois Athalia a voz do povo que concorria e louvava o rei, veiu ao povo, á casa do Senhor.

13 E olhou: e eis-que o rei estava perto da sua columna, á entrada, e os chefes, e as trombetas junto ao rei; e todo o povo da terra estava alegre, e tocava as trombetas; e tambem os cantores tocavam instrumentos musicos, e davam a entender que se deviam cantar louvores: então Athalia rasgou [7] os seus vestidos, e clamou: Traição, traição!

14 Porém o sacerdote Joiada tirou para fóra os centuriões que estavam postos sobre o exercito e disse-lhes: Tirae-a para fóra das fileiras, e o que a seguir, morrerá á espada: porque dissera o sacerdote: Não a matareis na casa do Senhor.

15 E elles lhe lançaram as mãos, e ella foi á entrada da porta dos cavallos, da [8] casa do rei: e ali a mataram.

O pacto que Joiada fez.

16 E Joiada fez alliança entre si, e o povo, e o rei, que seriam o povo do Senhor.

17 Depois todo o povo entrou na casa de Baal, e a derribaram, e quebraram os seus altares, e as suas imagens, [9] e a Mathan, sacerdote de Baal, mataram diante dos altares.

18 E Joiada ordenou os officios na casa do Senhor, debaixo da mão dos sacerdotes, os levitas a quem David [10] repartira na casa do Senhor, para offerecerem[436] os holocaustos do Senhor, como está escripto na lei de Moysés, com alegria e com canto, conforme a instituição de David.

19 E poz porteiros [11] ás portas da casa do Senhor, para que não entrasse n’ella ninguem immundo em coisa alguma.

20 E tomou [12] os centuriões, e os poderosos, e os que tinham dominio entre o povo e todo o povo da terra, e conduziu o rei da casa do Senhor, e entraram na casa do rei pelo meio da porta maior, e assentaram o rei no throno do reino.

21 E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz, depois que mataram a Athalia á espada.

[1] II Reis 11.4, etc.

[2] II Sam. 7.12. I Reis 2.4 e 9.5.

[3] I Chr. 9.25.

[4] I Chr. 23.28, 29.

[5] I Chr. 24 e 25.

[6] Deu. 17.18.

[7] I Chr. 25.8.

[8] Neh. 3.28.

[9] Deu. 13.9.

[10] I Chr. 23.6, 30, 31 e 24.1. Num. 28.2.

[11] I Chr. 26.1, etc.

[12] II Reis 11.19.

Joás dá ordens para concertar o templo.

Antes de Christo 856

24 Tinha Joás [1] sete annos d’edade quando começou a reinar, e quarenta annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Zibia, de Berseba.

2 E fez [2] Joás o que era recto aos olhos do Senhor, todos os dias do sacerdote Joiada.

3 E tomou-lhe Joiada duas mulheres, e gerou filhos e filhas.

4 E succedeu depois d’isto que veiu ao coração de Joás de renovar a casa do Senhor.

5 Ajuntou pois os sacerdotes e os levitas, e disse-lhes: Sahi pelas cidades de Judah, e ajuntae o dinheiro de todo o Israel [3] para reparar a casa do vosso Deus de anno em anno; e vós apressae este negocio. Porém os levitas não se apressaram.

6 E o [4] rei chamou a Joiada, o chefe, e disse-lhe: Porque não fizeste inquirição entre os levitas: para que trouxessem de Judah e de Jerusalem a offerta de [5] Moysés, servo do Senhor, e da congregação d’Israel, á tenda do testemunho?

7 Porque, sendo Athalia impia, seus filhos [6] arruinaram a casa de Deus, e até todas as coisas sagradas da casa do Senhor empregaram em Baalin.

8 E deu o rei ordem e [7] fizeram uma arca, e a pozeram fóra, á porta da casa do Senhor.

9 E publicou-se em Judah e em Jerusalem que trouxessem ao Senhor a offerta [8] de Moysés, o servo do Senhor, imposta a Israel no deserto.

10 Então todos os principes, e todo o povo se alegraram, e a trouxeram e a lançaram na arca, até que a acabaram de lançar.

11 E succedeu que, ao tempo que traziam a arca pelas mãos dos levitas, segundo o mandado do rei, e vendo que [9] já havia muito dinheiro, vinha o escrivão do rei, e o deputado do summo sacerdote, e esvaziavam a arca, e a tomavam, e a tornavam ao seu logar: assim faziam de dia em dia, e ajuntaram dinheiro em abundancia,

12 O qual o rei e Joiada davam aos que tinham cargo da obra do serviço da casa do Senhor; e alugaram pedreiros e carpinteiros, para renovarem a casa do Senhor; como tambem ferreiros e serralheiros, para repararem a casa do Senhor.

13 E os que tinham cargo da obra faziam que a reparação da obra fosse crescendo pela sua mão: e restauraram a casa de Deus no seu estado, e a fortaleceram.

14 E, depois de acabarem, trouxeram o resto do dinheiro para diante do rei e de Joiada, e d’elle [10] fez vasos para a casa do Senhor, vasos para ministrar, e offerecer, e [MD] perfumadores e vasos d’oiro e de prata. E continuamente sacrificaram holocaustos na casa do Senhor, todos os dias de Joiada.

15 E envelheceu Joiada, e morreu farto de dias: era da edade de cento e trinta annos quando morreu.

16 E o sepultaram na cidade de David com os reis; porque tinha feito bem em Israel, e para com Deus e a sua casa.

A idolatria de Joás.

17 Porém depois da morte de Joiada vieram os principes de Judah e prostraram-se perante o rei: e o rei os ouviu.

18 E deixaram a casa do Senhor, Deus de seus paes, e serviram as imagens do bosque [11] e os idolos: então veiu grande ira sobre Judah e Jerusalem por causa d’esta sua culpa.

19 Porém enviou [12] prophetas entre elles, para os fazer tornar ao Senhor, os quaes protestaram contra elles; mas elles não deram ouvidos.

20 E o Espirito [13] de Deus revestiu a Zacharias, filho do sacerdote Joiada, o qual se poz em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Porque transgredis os mandamentos do Senhor? portanto não prosperareis; porque[437] [14] deixastes ao Senhor, tambem elle vos deixará.

Antes de Christo 840

21 E elles conspiraram contra elle, e o apedrejaram [15] com pedras, pelo mandado do rei, no pateo da casa do Senhor.

22 Assim o rei Joás não se lembrou da beneficencia que seu pae Joiada lhe fizera, porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá, e o requererá.

O juizo de Deus sobre Joás.

23 E succedeu, no decurso de um anno, que o exercito [16] da Syria subiu contra elle, e vieram a Judah e a Jerusalem, e destruiram d’entre o povo a todos os principes do povo; e todo o seu despojo enviaram ao rei de Damasco.

24 Porque, ainda que o exercito dos syros viera com poucos [17] homens, comtudo o Senhor deu na sua mão um exercito de grande multidão, porquanto deixaram ao Senhor, Deus de seus paes. Assim executaram os juizos [18] contra Joás.

25 E, retirando-se d’elle (porque em grandes enfermidades o deixaram) seus servos conspiraram contra elle por causa do sangue do filho do sacerdote Joiada, e o mataram na sua cama, [19] e morreu: e o sepultaram na cidade de David, porém não o sepultaram nos sepulchros dos reis.

26 Estes pois foram os que conspiraram contra elle: Zabad, filho de Simeath, a ammonita, e Jozabat, filho de Simreth, a moabita.

27 E, quanto a seus filhos, e á grandeza do cargo que [20] se lhe impôz, e ao estabelecimento da casa de Deus, eis que está escripto na historia do livro dos reis: e Amasias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Reis 11.21 e 12.1, etc.

[2] cap. 26.5.

[3] II Reis 12.4.

[4] II Reis 12.7.

[5] Exo. 30.12, 13, 14, 16. Num. 1.50. Act. 7.44.

[6] cap. 21.17. II Reis 12.4.

[7] II Reis 12.9.

[8] ver. 6.

[9] II Reis 12.10.

[10] II Reis 12.13.

[11] I Reis 14.23. Jui. 5.8.

[12] cap. 36.15. Jer. 7.25, 26 e 25.4.

[13] cap. 15.1 e 20.14.

[14] Num. 14.41. cap. 15.2.

[15] Mat. 23.35. Act. 7.58, 59.

[16] II Reis 12.17.

[17] Lev. 26.8. Deu. 32.30. Isa. 30.17.

[18] cap. 22.8. Isa. 10.5.

[19] II Reis 12.20. ver. 21.

[20] II Reis 12.18. II Reis 12.21.

Amasias vence os edomitas.

Antes de Christo 839

25 Era Amasias [1] da edade de vinte e cinco annos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Joadan, de Jerusalem.

2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, [2] porém não com coração inteiro.

3 Succedeu pois [3] que, sendo-lhe o reino já confirmado, matou a seus servos que feriram o rei seu pae;

4 Porém não matou a seus filhos: mas fez como na lei está escripto, no livro de Moysés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os paes [4] pelos filhos, nem os filhos morrerão pelos paes; mas cada um morrerá pelo seu peccado.

5 E Amasias ajuntou a Judah e os poz segundo as casas dos paes, por chefes de milhares, e por chefes de centenas, por todo o Judah e Benjamin; e os numerou, de vinte annos e [5] d’ahi para cima, e achou d’elles trezentos mil escolhidos que sahiam ao exercito, e levavam lança e escudo.

6 Tambem d’Israel tomou a soldo cem mil varões valentes, por cem talentos de prata.

7 Porém um homem de Deus veiu a elle, dizendo: Oh rei, não deixes ir comtigo o exercito de Israel: porque o Senhor não é com Israel, a saber, com os filhos d’Ephraim.

8 Se porém fôres, faze-o, esforça-te para a peleja; Deus te fará cair diante do inimigo; porque força ha em Deus [6] para ajudar e para fazer cair.

9 E disse Amasias ao homem de Deus: Que se fará pois dos cem talentos de prata que dei ás tropas d’Israel? E disse o homem de Deus: Mais tem o Senhor que te [7] dar do que isso.

10 Então separou Amasias as tropas que lhe tinham vindo de Ephraim, para que se fossem ao seu logar; pelo que se accendeu a sua ira contra Judah, e voltaram para o seu logar em ardor d’ira.

11 Esforçou-se pois Amasias, e conduziu o seu povo, [8] e foi-se ao valle do sal; e feriu dos filhos de Seir dez mil.

12 Tambem os filhos de Judah prenderam vivos dez mil, e os trouxeram ao cume da rocha; e do mais alto da rocha os lançaram d’alto abaixo, e todos arrebentaram.

13 Porém os homens das tropas que Amasias despedira, para que não fossem com elle á peleja, deram sobre as cidades de Judah desde Samaria, até Beth-horon; e feriram d’elles tres mil, e saquearam grande despojo.

Deus castiga Amasias por causa da idolatria.

Antes de Christo 827

14 E succedeu que, depois que Amasias veiu da matança dos idumeos, e trouxe comsigo os deuses dos filhos de Seir, tomou-os por seus deuses, [9] e prostrou-se diante d’elles, e queimou-lhes incenso.

[438]

15 Então a ira do Senhor se accendeu contra Amasias; e mandou-lhe um propheta que lhe disse: Porque buscaste deuses do povo, que a seu [10] povo não livraram da tua mão?

16 E succedeu que, fallando-lhe elle, lhe respondeu: Pozeram-te por conselheiro do rei? cala-te, porque te feririam? então o propheta parou, e disse: Bem vejo eu que já o Senhor deliberou [11] destruir-te; porquanto fizeste isto, e não déste ouvidos a meu conselho.

17 E, tendo tomado conselho, Amasias, [12] rei de Judah, enviou a Joás, filho de Joachaz, filho de Jehu, rei d’Israel, a dizer: Vem, vejamo-nos cara a cara.

18 Porém Joás, rei d’Israel, mandou dizer a Amasias, rei de Judah: O cardo que estava no Libano mandou dizer ao cedro que estava no Libano: Dá tua filha a meu filho por mulher; porém os animaes do campo que estão no Libano passaram e pizaram o cardo.

19 Tu dizes: Eis que tenho ferido os idumeos; e elevou-se o teu coração, para te gloriares: agora pois fica em tua casa; porque te entremetterias no mal, para caires tu e Judah comtigo?

20 Porém Amasias não lhe deu ouvidos, porque isto vinha [13] de Deus, para entregal-os na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos idumeos.

21 E Joás, rei d’Israel, subiu; e elle e Amasias, rei de Judah, se viram cara a cara em Beth-semes, que está em Judah.

22 E Judah foi ferido diante d’Israel: e foram-se cada um para as suas tendas.

23 E Joás, rei d’Israel, prendeu a Amasias, rei de Judah, filho de Joás, o filho de [14] Joachaz em Beth-semes, e o trouxe a Jerusalem; e derribou o muro de Jerusalem, desde a porta d’Ephraim até á porta da esquina, quatrocentos covados.

24 Tambem tomou todo o oiro, e a prata, e todos os vasos que se acharam na casa de Deus com Obed-edom, e os thesouros da casa do rei, e os refens; e voltou para Samaria.

25 E viveu Amasias, [15] filho de Joás, rei de Judah, depois da morte de Joás, filho de Joachaz, rei d’Israel, quinze annos.

26 Quanto ao mais dos successos d’Amasias, tanto os primeiros como os ultimos, eis-que porventura não estão escriptos no livro dos reis de Judah e d’Israel?

27 E desde o tempo que Amasias se desviou d’após o Senhor, conspiraram contra elle em Jerusalem, porém elle fugiu para Lachis, mas enviaram após elle a Lachis, e o mataram ali.

28 E o trouxeram sobre cavallos e o sepultaram com seus paes na cidade de Judah.

[1] II Reis 14.1, etc.

[2] II Reis 14.4. ver. 14.

[3] II Reis 14.5, etc.

[4] Deu. 24.16. II Reis 14.6. Jer. 31.30. Eze. 18.20.

[5] Num. 1.3.

[6] cap. 20.6.

[7] Pro. 10.22.

[8] II Reis 14.7.

[9] cap. 28.23. Exo. 20.3, 5.

[10] ver. 11.

[11] I Sam. 2.25.

[12] II Reis 14.8, 9, etc.

[13] I Reis 12.15. cap. 22.7. ver. 14.

[14] cap. 21.17 e 22.1, 6.

[15] II Reis 14.17.

Uzias reina e prospera.

Antes de Christo 810

26 Então todo o povo [1] tomou a Uzias, que era da edade de dezeseis annos, e o fizeram rei em logar de seu pae Amasias.

2 Este edificou a Elod, e a restituiu a Judah, depois que o rei adormeceu com seus paes.

3 Era Uzias da edade de dezeseis annos quando começou a reinar, e cincoenta e cinco annos reinou em Jerusalem; e era o nome de sua mãe Jecholia, de Jerusalem.

4 E fez o que era recto aos olhos do Senhor; conforme a tudo o que fizera Amasias seu pae.

5 Porque deu-se a [2] buscar a Deus nos dias de Zacharias, entendido nas visões de Deus; e nos dias em que buscou ao Senhor Deus o fez prosperar.

6 Porque saiu, e guerreou [3] contra os philisteos, e quebrou o muro de Gath, e o muro de Jabne, e o muro d’Asdod: e edificou cidades em Asdod, e entre os philisteos.

7 E Deus o ajudou contra [4] os philisteos e contra os arabios que habitavam em Gur-baal, e contra os meunitas.

8 E os ammonitas [5] deram presentes a Uzias: e o seu renome foi espalhado até á entrada do Egypto, porque se fortificou altamente.

9 Tambem Uzias edificou torres em Jerusalem, [6] á porta da esquina, e á porta do valle, e aos angulos, e as fortificou.

10 Tambem edificou torres no deserto, e cavou muitos poços; porque tinha muito gado, tanto nos valles como nas campinas; lavradores e vinhateiros, nos montes e nos campos ferteis; porque era amigo da agricultura.

11 Tinha tambem Uzias um exercito d’homens destros na guerra, que sahiam ao exercito em tropas, segundo o numero da sua mostra, por mão de Jeiel, chanceler, e Maaseias, official, debaixo da mão d’Hananias, um dos principes do rei.

12 Todo o numero dos chefes dos paes, varões valentes, era de dois mil e seiscentos.

[439]

13 E debaixo das suas ordens havia um exercito guerreiro de trezentos e sete mil e quinhentos homens, que faziam a guerra com força bellicosa, para ajudar o rei contra os inimigos.

14 E preparou-lhes Uzias, para todo o exercito, escudos, e lanças, e capacetes, e couraças e arcos; e até fundas para atirar pedras.

15 Tambem fez em Jerusalem machinas da invenção d’engenheiros, que estivessem nas torres e nos cantos, para atirarem frechas e grandes pedras: e voou a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se fortificou.

Uzias é atacado de lepra.

16 Mas, havendo-se já [7] fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper: e transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou [8] no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso.

17 Porém o sacerdote Azarias entrou após elle, [9] e com elle oitenta sacerdotes do Senhor, varões valentes.

18 E resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, [10] filhos d’Aarão, que são consagrados para queimar incenso; sae do sanctuario, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus.

19 Então Uzias se indignou: e tinha o incensario na sua mão para queimar incenso: indignando-se elle pois contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu á [11] testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso;

20 Então o summo sacerdote Azarias olhou para elle, como tambem todos os sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa, e apressuradamente o lançaram fóra: e até elle mesmo se deu pressa a sair, visto que o Senhor o ferira.

21 Assim ficou leproso [12] o rei Uzias até ao dia da sua morte: e morou, por ser leproso, n’uma casa separada, porque foi excluido da casa do Senhor: e Jothão, seu filho, tinha o cargo da casa do rei, julgando o povo da terra.

22 Quanto ao mais dos successos d’Uzias, [13] tanto os primeiros como os derradeiros, o propheta Isaias, filho d’Amós, o escreveu.

23 E dormiu [14] Uzias com seus paes, e o sepultaram com seus paes no campo do sepulchro que era dos reis; porque disseram: Leproso é. E Jothão, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Reis 14.21, 22 e 15.1, etc.

[2] cap. 24.2. Gen. 41.15. Dan. 1.17 e 2.19 e 10.1.

[3] Isa. 14.29.

[4] cap. 21.16.

[5] II Sam. 8.2. cap. 17.11.

[6] II Reis 14.13. Neh. 3.13, 19, 32. Zac. 14.10.

[7] Deu. 32.15. Deu. 8.14. cap. 25.19.

[8] II Reis 16.12, 13.

[9] I Chr. 6.10.

[10] Num. 16.40 e 18.7. Exo. 30.7, 8.

[11] Num. 12.10. II Reis 5.27.

[12] II Reis 15.5. Lev. 13.46. Num. 5.2.

[13] Isa. 1.1.

[14] II Reis 15.7. Isa. 6.1.

Jothão reina bem e vence os ammonitas.

Antes de Christo 765

27 Tinha Jothão [1] vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Jerusa, filha de Zadok.

2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme a tudo o que fizera Uzias, seu pae, excepto que não entrou no templo do Senhor. [2] E ainda o povo se corrompia.

3 Este edificou a porta alta da casa do Senhor, e tambem edificou muito sobre o muro d’Ophel.

4 Tambem edificou cidades nas montanhas de Judah, e edificou nos bosques castellos e torres.

5 Elle tambem guerreou contra o rei dos filhos d’Ammon, e prevaleceu sobre elles, de modo que os filhos d’Ammon n’aquelle anno lhe deram cem talentos de prata, e dez mil coros de trigo, e dez mil de cevada: isto lhe trouxeram os filhos d’Ammon tambem o segundo e o terceiro anno.

6 Assim se fortificou Jothão, porque dirigiu os seus caminhos na presença do Senhor seu Deus.

7 O resto pois dos successos de Jothão, e todas as suas guerras e os seus caminhos eis que está escripto no livro dos reis d’Israel e de Judah.

8 Tinha vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem.

9 E dormiu Jothão [3] com seus paes, e o sepultaram na cidade de David: e Achaz, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Reis 15.32, etc.

[2] II Reis 15.35.

[3] II Reis 15.38.

Achaz é impio e os syros affligem-n’o.

Antes de Christo 741

28 Tinha Achaz [1] vinte annos d’edade, quando começou a reinar, e dezeseis annos reinou em Jerusalem: e não fez o que era recto aos olhos do Senhor, como David seu pae.

2 Antes andou nos caminhos dos reis d’Israel, e, de mais d’isto, fez imagens [2] fundidas a Baalim.

3 Tambem queimou incenso no valle do filho d’Hinnom, [3] e queimou a seus filhos no fogo, conforme ás abominações dos gentios que o Senhor tinha desterrado de diante dos filhos d’Israel.

4 Tambem sacrificou, e queimou incenso[440] nos altos e nos outeiros, como tambem debaixo de toda a arvore verde.

5 Pelo que o Senhor seu Deus [4] o entregou na mão do rei dos syros, os quaes o feriram, e levaram d’elle em captiveiro uma grande multidão de presos, que trouxeram a Damasco: tambem foi entregue na mão do rei d’Israel, o qual o feriu de grande ferida.

6 Porque [5] Peka, filho de Remalias, matou n’um dia em Judah cento e vinte mil, todos homens bellicosos; porquanto deixaram ao Senhor, Deus de seus paes.

7 E Zichri, varão potente de Ephraim, matou a Maasias, filho do rei, e a Azrikam, o mordomo, e a Elkana, o segundo depois do rei.

8 E os filhos [6] d’Israel levaram presos de seus irmãos duzentos mil, mulheres, filhos e filhas: e saquearam tambem d’elles grande despojo, e trouxeram o despojo para Samaria.

9 E estava ali um propheta do Senhor, cujo nome era Oded, o qual saiu ao encontro do exercito que vinha para Samaria, e lhe disse: [7] Eis que, irando-se o Senhor Deus de vossos paes contra Judah, os entregou na vossa mão, e vós os matastes com uma raiva tal, [8] que chegou até aos céus.

10 E agora vós cuidaes em sujeitar a vós os filhos de Judah e Jerusalem, como [9] captivos e captivas: porventura não sois vós mesmos aquelles entre os quaes ha culpas contra o Senhor vosso Deus?

11 Agora pois ouvi-me, e tornae a enviar os prisioneiros que trouxestes presos de vossos irmãos; porque o ardor da ira [10] do Senhor está sobre vós.

12 Então se levantaram alguns homens d’entre os chefes dos filhos d’Ephraim; Azarias, filho de Johanan, Berechias, filho de Mesillemoth, e Jehizkias filho de Sallum, e Amasa, filho de Hadlai, contra os que voltavam da batalha.

13 E lhes disseram: Não fareis entrar aqui estes presos, porque, em relação á nossa culpa contra o Senhor, vós intentaes accrescentar mais a nossos peccados e a nossas culpas, sendo que já temos tanta culpa, e já o ardor da ira está sobre Israel.

14 Então os homens armados deixaram os presos e o despojo diante dos maioraes e de toda a congregação.

15 E os homens [11] que foram apontados por seus nomes se levantaram, e tomaram os presos, e vestiram do despojo a todos os que d’entre elles estavam nús; e os vestiram, e os calçaram, e lhes deram [12] de comer e de beber, e os ungiram, e a todos os que estavam fracos levaram sobre jumentos, e os trouxeram a Jericó, á cidade das palmeiras, a seus irmãos: depois voltaram para Samaria.

Achaz busca o soccorro dos reis d’Assyria e não o acha.

16 N’aquelle tempo [13] o rei Achaz enviou aos reis d’Assyria, a pedir que o ajudassem.

17 De mais d’isto tambem os idumeos vieram, e feriram a Judah, e levaram presos em captiveiro.

18 Tambem os philisteos [14] deram sobre as cidades da campina e do sul de Judah, e tomaram a Beth-semes, e Aijalon, e a Gederot e a Socoh, e os logares da sua jurisdicção, e a Thimna, e os logares da sua jurisdicção, e a Gimzo, e os logares da sua jurisdicção: e habitaram ali.

19 Porque o Senhor humilhou a Judah por causa [15] d’Achaz, rei d’Israel; porque abandonou a Judah, que de todo se dera a prevaricar contra o Senhor.

20 E veiu a elle [16] Tilgath-pilneser, rei d’Assyria; porém o poz em aberto, e não o corroborou.

21 Porque Achaz tomou uma porção da casa do Senhor, e da casa do rei, e dos principes, e a deu ao rei d’Assyria; porém não o ajudou.

22 E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o Senhor, tal era o rei Achaz.

23 Porque sacrificou [17] aos deuses de Damasco, que o feriram, e disse: Visto que os deuses dos reis da Syria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a [18] mim. Porém elles foram a sua ruina, e de todo o Israel.

24 E ajuntou Achaz os vasos da casa do Senhor, e fez em pedaços os vasos da casa de Deus, e fechou [19] as portas da casa do Senhor, e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalem.

25 Tambem em cada cidade de Judah fez altos para queimar incenso a outros deuses: assim provocou á ira o Senhor, Deus de seus paes.

26 O resto [20] pois de seus successos e de todos os seus caminhos, tanto os primeiros como os derradeiros, eis que[441] está escripto no livro dos reis de Judah e de Israel.

27 E dormiu Achaz com seus paes, e o sepultaram na cidade, em Jerusalem, porém não o pozeram nos sepulchros dos reis de Israel: e Ezequias, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Reis 16.2.

[2] Exo. 34.17. Lev. 19.4. Jui. 2.11.

[3] II Reis 23.10. Lev. 18.21. II Reis 16.3. cap. 33.6.

[4] Isa. 7.1. II Reis 16.5, 6.

[5] II Reis 15.27.

[6] cap. 11.4.

[7] Isa. 10.5 e 47.6. Eze. 25.12, 15 e 26.2. Zac. 1.15.

[8] Esd. 9.6. Apo. 18.5.

[9] Lev. 25.39, 42, 43, 46.

[10] Thi. 2.13.

[11] ver. 12.

[12] II Reis 6.22. Pro. 25.21, 22. Luc. 6.27. Rom. 12.20.

[13] II Reis 16.7.

[14] cap. 21.2. Eze. 16.27, 57.

[15] cap. 21.2. Exo. 32.25.

[16] II Reis 15.29 e 16.7, 8, 9.

[17] cap. 25.14.

[18] Jer. 44.17, 18.

[19] cap. 29.3, 7.

[20] II Reis 16.19, 20.

Ezequias manda purificar o templo.

Antes de Christo 726

29 Tinha Ezequias [1] vinte e cinco annos de edade, quando começou a reinar e reinou vinte e nove annos em Jerusalem: e era o nome de sua mãe Abia, [2] filha de Zacharias.

2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto fizera David seu pae.

3 Este, no anno primeiro do seu reinado, no mez [3] primeiro, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou.

4 E trouxe os sacerdotes, e os levitas, e os ajuntou na praça oriental,

5 E lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, sanctificae-vos agora, [4] e sanctificae a casa do Senhor, Deus de vossos paes, e tirae do sanctuario a immundicia.

6 Porque nossos paes transgrediram, e fizeram o que era mal aos olhos do Senhor nosso Deus, e o deixaram; e desviaram [5] os seus rostos do tabernaculo do Senhor, e lhe deram as costas.

7 Tambem fecharam [6] as portas do alpendre, e apagaram as lampadas, e não queimaram incenso nem offereceram holocaustos no sanctuario, ao Deus de Israel.

8 Pelo que veiu [7] grande ira do Senhor sobre Judah e Jerusalem, e os entregou á perturbação, á [8] assolação, e ao assobio, como vós o estaes vendo com os vossos olhos.

9 Porque eis que [9] nossos paes cairam á espada, e nossos filhos, e nossas filhas, e nossas mulheres por isso estiveram em captiveiro.

10 Agora me tem vindo ao coração, que façamos um concerto [10] com o Senhor, Deus de Israel; para que se desvie de nós o ardor da sua ira.

11 Agora, filhos meus, não sejaes negligentes; pois o [11] Senhor vos tem escolhido para estardes diante d’elle para o servirdes, e para serdes seus ministros e queimadores de incenso.

Os levitas purificam o templo.

12 Então se levantaram os levitas, Mahath, filho d’Amasai, e Joel filho de Azarias, dos filhos dos kohathitas: e dos filhos de Merari, Kis, filho d’Abdi, e Azarias, filho de Jehalelel: e dos gersonitas, Joah, filho de Zimma, e Eden filho de Joah;

13 E d’entre os filhos de Elisaphan, Simri e Jeiel: d’entre os filhos d’Asaph, Zacharias e Matthanias:

14 E d’entre os filhos d’Heman, Jehiel e Simei: e d’entre os filhos de Jeduthun, Semaias e Uziel.

15 E ajuntaram a seus irmãos, e sanctificaram-se [12] e vieram conforme ao mandado do rei, pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor.

16 E os sacerdotes entraram dentro da casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fóra, ao pateo da casa do Senhor, toda a immundicia que acharam no templo do Senhor: e os levitas a tomaram, para a levarem para fóra, ao ribeiro de Cedron.

17 Começaram pois a sanctificar ao primeiro do mez primeiro: e ao oitavo dia do mez vieram ao alpendre do Senhor, e sanctificaram a casa do Senhor em oito dias: e no dia decimo sexto do primeiro mez acabaram.

18 Então entraram para dentro, ao rei Ezequias, e disseram: Já purificámos toda a casa do Senhor, como tambem o altar do holocausto com todos os seus vasos e a mesa da proposição com todos os seus vasos.

19 Tambem todos os vasos que o rei Achaz [13] no seu reinado lançou fóra, na sua transgressão, já preparámos e sanctificámos: e eis que estão diante do altar do Senhor.

Ezequias restabelece o culto de Deus.

20 Então o rei Ezequias se levantou de madrugada, e ajuntou os maioraes da cidade, e subiu á casa do Senhor.

21 E trouxeram sete novilhos e sete carneiros, e sete cordeiros, e sete bodes, para sacrificio pelo peccado, [14] pelo reino, e pelo sanctuario, e por Judah, e disse aos filhos de Aarão, os sacerdotes, que os offerecessem sobre o altar do Senhor.

22 E elles mataram os bois, e os sacerdotes tomaram o sangue [15] e o espargiram sobre o altar: tambem mataram os carneiros, e espargiram o sangue sobre o altar: similhantemente mataram os cordeiros, e espargiram o sangue sobre o altar.

23 Então trouxeram os bodes para sacrificio pelo peccado, perante o rei[442] e a congregação, e lhes impozeram [16] as suas mãos.

24 E os sacerdotes os mataram, e com o seu sangue fizeram expiação [17] do peccado sobre o altar, para reconciliar a todo o Israel: porque o rei tinha ordenado que se fizesse aquelle holocausto e sacrificio pelo peccado, por todo o Israel.

25 E poz [18] os levitas na casa do Senhor com cymbalos, com alaudes, e com harpas, conforme ao mandado de David e de Gad, o vidente do rei, e do propheta Nathan: porque este mandado veiu do Senhor, por mão de seus prophetas.

26 Estavam pois os levitas em pé com os instrumentos [19] de David, e os sacerdotes com as trombetas.

27 E deu ordem Ezequias que offerecessem o holocausto sobre o altar, e ao tempo em que começou o holocausto, [20] começou tambem o canto do Senhor, com as trombetas e com os instrumentos de David, rei de Israel.

28 E toda a congregação se prostrou, quando cantavam o canto, e as trombetas se tocavam: tudo isto até o holocausto se acabar.

29 E acabando de o offerecer, o rei [21] e todos quantos com elle se acharam se prostraram e adoraram.

30 Então disse o rei Ezequias, e os maioraes, aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de David, e d’Asaph, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram.

31 E respondeu Ezequias, e disse: Agora vos consagrastes a vós mesmos ao Senhor; chegae-vos e trazei sacrificios e offertas de louvor á casa do Senhor. E a congregação trouxe sacrificios e offertas [22] de louvor, e todo o voluntario de coração, holocaustos.

32 E o numero dos holocaustos, que a congregação trouxe, foi de setenta bois, cem carneiros, duzentos cordeiros: tudo isto em holocausto para o Senhor.

33 Houve, tambem de coisas consagradas, seiscentos bois e tres mil ovelhas.

34 Eram porém os sacerdotes mui poucos, e não podiam esfolar a todos os holocaustos; pelo que seus irmãos os levitas [23] os ajudaram, até a obra se acabar, e até que os outros sacerdotes se sanctificaram; porque os levitas foram mais rectos de coração, para se sanctificarem, do que os sacerdotes.

35 E houve tambem holocaustos em abundancia, com a gordura das offertas pacificas, e com as offertas de licor [24] para os holocaustos. Assim se estabeleceu o ministerio da casa do Senhor.

36 E Ezequias, e todo o povo se alegraram, de que Deus tinha preparado o povo; porque apressuradamente se fez esta obra.

[1] II Reis 18.1.

[2] cap. 26.5.

[3] cap. 28.24. ver. 7.

[4] I Chr. 15.12. cap. 35.6.

[5] Jer. 2.27. Eze. 8.16.

[6] cap. 28.24.

[7] cap. 24.18.

[8] I Reis 9.8. Jer. 18.16 e 19.8 e 25.9, 18 e 29.18.

[9] cap. 28.5, 6, 8, 17.

[10] cap. 15.12.

[11] Num. 3.6 e 8.14 e 18.2, 6.

[12] ver. 5. I Chr. 23.28.

[13] cap. 28.24.

[14] Lev. 4.3, 14.

[15] Lev. 8.14, 15, 19, 24. Heb. 9.21.

[16] Lev. 4.15, 24.

[17] Lev. 14.20.

[18] I Chr. 16.4 e 25.6. I Chr. 23.5 e 25.1. cap. 8.14. II Sam. 24.11. cap. 30.12.

[19] I Chr. 23.5. Amós 6.5. Num. 10.8, 10. I Chr. 15.24 e 16.6.

[20] cap. 23.18.

[21] cap. 20.18.

[22] Lev. 7.12.

[23] cap. 35.11. cap. 30.3.

[24] Lev. 3.16. Num. 15.5, 7, 10.

Ezequias convida todo o povo a vir a Jerusalem para celebrar a paschoa.

30 Depois d’isto Ezequias enviou por todo o Israel e Judah, e escreveu tambem cartas a Ephraim e a Manasseh que viessem á casa do Senhor a Jerusalem, para celebrarem a paschoa ao Senhor Deus de Israel.

2 Porque o rei tivera conselho com os seus maioraes, e com toda a congregação em Jerusalem, para celebrarem [1] a paschoa no segundo mez.

3 Porquanto no mesmo tempo não a poderam celebrar, [2] porque se não tinham sanctificado bastantes sacerdotes, e o povo se não tinha ajuntado em Jerusalem.

4 E foi isto recto aos olhos do rei, e aos olhos de toda a congregação.

5 E ordenaram que se fizesse passar pregão por todo o Israel, desde Berseba até Dan, para que viessem a celebrar a paschoa ao Senhor, Deus de Israel, a Jerusalem; porque muitos a não tinham celebrado como estava escripto.

6 Foram pois os correios com as cartas, da mão do rei e dos seus principes, por todo o Israel e Judah, e segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos d’Israel, [3] convertei-vos ao Senhor, Deus d’Abrahão, d’Isaac e de Israel; para que elle se torne para aquelles de vós que escaparam, e ficaram da mão [4] dos reis d’Assyria.

7 E não sejaes como vossos paes [5] e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor, Deus de seus paes, [6] pelo que os deu em assolação como o vêdes.

8 Não endureçaes [7] agora a vossa cerviz, como vossos paes; dae a mão ao Senhor, e vinde ao seu sanctuario que elle sanctificou para sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós.

9 Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericordia perante os que os levaram captivos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é[443] piedoso [8] e misericordioso, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a elle.

10 E os correios foram passando de cidade em cidade, pela terra d’Ephraim e Manasseh até Zebulon; porém riram-se e zombaram [9] d’elles.

11 Todavia [10] alguns d’Aser, e de Manasseh, e de Zebulon, se humilharam, e vieram a Jerusalem.

12 E em Judah esteve a mão de [11] Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos principes, conforme á palavra do Senhor.

13 E ajuntou-se em Jerusalem muito povo, para celebrar a festa dos pães asmos, no segundo mez; uma mui grande congregação.

14 E levantaram-se, e tiraram os altares [12] que havia em Jerusalem: tambem tiraram todos os vasos de incenso, e os lançaram no ribeiro de Cedron.

15 Então sacrificaram a paschoa no dia decimo quarto do segundo mez; e os sacerdotes e levitas [13] se envergonharam e se sanctificaram e trouxeram holocaustos á casa do Senhor.

16 E pozeram-se no seu posto, segundo o seu costume, conforme a lei de Moysés o homem de Deus: e os sacerdotes espargiam o sangue, tomando-o da mão dos levitas.

17 Porque havia muitos na congregação que se não tinham sanctificado; pelo que [14] os levitas tinham cargo de matarem os cordeiros da paschoa por todo aquelle que não estava limpo, para o sanctificarem ao Senhor.

18 Porque uma multidão [15] do povo, muitos d’Ephraim e Manasseh, Issacar e Zebulon, se não tinham purificado, e comtudo comeram a paschoa, não como está escripto; porém Ezequias orou por elles, dizendo: O Senhor, que é bom, faça reconciliação com aquelle

19 Que tem preparado o seu coração para buscar [16] ao Senhor, Deus, o Deus de seus paes, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do sanctuario.

20 E ouviu o Senhor a Ezequias, e sarou o povo.

21 E os filhos de Israel, que se acharam em Jerusalem, celebraram a festa dos pães asmos [17] sete dias com grande alegria: e os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia com instrumentos fortemente retinintes ao Senhor.

22 E Ezequias fallou benignamente a todos os levitas, que tinham entendimento no bom [18] conhecimento do Senhor: e comeram as offertas da solemnidade por sete dias, offerecendo offertas pacificas, e louvando ao Senhor, Deus de seus paes.

23 E, tendo toda a congregação conselho para celebrarem outros sete dias, [19] celebraram ainda sete dias com alegria.

24 Porque Ezequias, [20] rei de Judah, apresentou á congregação mil novilhos e sete mil ovelhas; e os principes apresentaram á congregação mil novilhos e dez mil ovelhas: e os sacerdotes [21] se sanctificaram em grande numero.

25 E alegraram-se, toda a congregação de Judah, e os sacerdotes, e os levitas, [22] toda a congregação de todos os que vieram de Israel; como tambem os estrangeiros que vieram da terra de Israel e os que habitavam em Judah.

26 E houve grande alegria em Jerusalem; porque desde os dias de Salomão, filho de David, rei de Israel, tal não houve em Jerusalem.

27 Então os sacerdotes, os levitas, se levantaram [23] e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida: porque a sua oração chegou até á sua sancta habitação, aos céus.

[1] Num. 9.10, 11.

[2] Exo. 12.18. cap. 29.34.

[3] Jer. 4.1. Joel 2.13.

[4] II Reis 15.19, 29.

[5] Eze. 20.18.

[6] cap. 29.8.

[7] Deu. 10.16. cap. 29.10.

[8] Exo. 34.6. Isa. 55.7.

[9] cap. 36.10.

[10] cap. 11.16. ver. 18, 21.

[11] Phi. 2.13. cap. 29.25.

[12] cap. 28.24.

[13] cap. 29.34.

[14] cap. 29.34.

[15] ver. 11. Exo. 12.43, etc.

[16] cap. 19.3.

[17] Exo. 12.15 e 13.6.

[18] Deu. 33.10. cap. 17.9 e 35.3. Esd. 10.11.

[19] I Reis 8.65.

[20] cap. 35.7, 8.

[21] cap. 29.34.

[22] ver. 11, 18.

[23] Num. 6.23.

31 E acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se acharam sairam ás cidades de Judah e quebraram [ME] as estatuas [1] cortaram os bosques, e derribaram os altos e altares por toda Judah e Benjamin, como tambem em Ephraim e Manasseh, até que tudo destruiram: então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para sua possessão, para as cidades d’elles.

Ezequias regula as turmas dos sacerdotes e levitas.

2 E estabeleceu [2] Ezequias as turmas dos sacerdotes e levitas, segundo as suas turmas, a cada um segundo o seu ministerio; aos sacerdotes e levitas [3] para o holocausto e para as offertas pacificas; para ministrarem, e louvarem, e cantarem, ás portas dos arraiaes do Senhor.

3 Tambem estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos; para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sabbados, e das luas novas, e das solemnidades: como está escripto na [4] lei do Senhor.

4 E ordenou ao povo, aos moradores[444] de [5] Jerusalem, que dessem a parte dos sacerdotes e levitas; para que se podessem esforçar na lei do Senhor.

5 E, depois que este dito se divulgou, [6] os filhos de Israel trouxeram muitas primicias de trigo, mosto, e azeite, e mel, e de toda a novidade do campo: tambem os dizimos de tudo trouxeram em abundancia.

6 E aos filhos de Israel e de Judah, que habitavam na cidade de Judah tambem trouxeram dizimos das vaccas e das ovelhas, e dizimos das coisas sagradas que foram [7] consagradas ao Senhor seu Deus: e fizeram muitos montões.

7 No terceiro mez começaram a fazer os primeiros montões: e no setimo mez acabaram.

8 Vindo pois Ezequias e os principes, e vendo aquelles montões, bemdisseram ao Senhor e ao seu povo Israel.

9 E perguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas ácerca d’aquelles montões.

10 E Azarias, o summo sacerdote da casa de Zadok, lhe fallou, dizendo: Desde [8] que esta offerta se começou a trazer á casa do Senhor, houve que comer e de que se fartar, e ainda sobejo em abundancia; porque o Senhor bemdisse ao seu povo, e sobejou esta abastança.

11 Então disse Ezequias que se preparassem camaras na casa do Senhor, e as prepararam.

12 Ali metteram fielmente as offertas, e os dizimos, e as coisas consagradas: e tinha cargo d’isto Conanias, [9] o levita maioral, e Simei, seu irmão, o segundo.

13 E Jehiel, e Azarias, e Nahath, e Asahel, e Jerimoth, e Jozabad, e Eliel, e Ismachias, e Mahath, e Benaias, eram superintendentes debaixo da mão de Conanias e Simei seu irmão, por mandado do rei Ezequias, e de Azarias, maioral da casa de Deus.

14 E Kore filho de Jimna, o levita, porteiro da banda do oriente, tinha cargo das offertas voluntarias de Deus, para distribuir as offertas alçadas do Senhor e as coisas sanctissimas.

15 E [MF] debaixo das suas ordens estavam Eden, e Miniamin, e Jesua, e Semaias, Amorias, e Sechanias, nas cidades [10] dos sacerdotes, para distribuirem com fidelidade a seus irmãos, segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos grandes;

16 Além dos que estavam contados pelas genealogias dos machos, da edade de tres annos e d’ahi para cima; a todos os que entravam na casa do Senhor, para a obra de cada dia no seu dia, pelo seu ministerio [MG] nas suas guardas, segundo as suas turmas.

17 E os que estavam contados pelas genealogias dos sacerdotes, segundo a casa de seus paes; como tambem os levitas, da edade de vinte annos [11] e d’ahi para cima, nas suas guardas, segundo as suas turmas:

18 Como tambem conforme ás genealogias, com todas as suas creanças, suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, por toda a congregação: porque com fidelidade estes se sanctificavam nas coisas consagradas.

19 Tambem d’entre os filhos d’Aarão havia [12] sacerdotes nos campos dos arrabaldes das suas cidades, em cada cidade, homens que foram contados pelos seus nomes para distribuirem as porções a todo o macho entre os sacerdotes e a todos os que estavam contados pelas genealogias entre os levitas.

20 E assim fez Ezequias em todo o Judah: e fez [13] o que era bom, e recto, e verdadeiro, perante o Senhor seu Deus.

21 E em toda a obra que começou no serviço da casa de Deus, e na lei, e nos mandamentos, para buscar a seu Deus, com todo o seu coração o fez, e prosperou.

[1] II Reis 18.4.

[2] I Chr. 23.6 e 24.1.

[3] I Chr. 23.30, 31.

[4] Num. 28 e 29.

[5] Num. 18.8, etc. Neh. 13.10. Mal. 2.7.

[6] Exo. 22.29. Neh. 13.12.

[7] Lev. 27.30. Deu. 14.28.

[8] Mal. 3.10.

[9] Neh. 13.13.

[10] Jos. 21.9.

[11] I Chr. 23.24, 27.

[12] Lev. 25.34. Num. 35.2. ver. 12, 13, 14, 15.

[13] II Reis 20.3.

Sennaquerib invade Judah, e Deus destroe o seu exercito.

Antes de Christo 713

32 Depois [1] d’estas coisas e d’esta fidelidade, veiu Sennaquerib, rei d’Assyria, e entrou em Judah, e acampou-se contra as cidades fortes, e intentou separal-as para si.

2 Vendo pois Ezequias que Sennaquerib vinha, e que o seu rosto se dirigia á guerra contra Jerusalem,

3 Teve conselho com os seus principes e os seus varões, para que se tapassem as fontes das aguas que havia fóra da cidade: e elles o ajudaram.

4 Porque muito povo se ajuntou, que tapou todas as fontes, como tambem o ribeiro que se estendia pelo meio da terra, dizendo: Porque viriam os reis d’Assyria, e achariam tantas aguas?

5 E elle [2] se fortificou, e edificou todo o muro quebrado até ás torres, e levantou o outro muro para fóra; e fortificou a [3] Millo na cidade de David, e fez armas e escudos em abundancia.

[445]

6 E poz officiaes de guerra sobre o povo, e ajuntou-os a si na praça da porta da cidade, e fallou-lhes ao coração, dizendo:

7 Esforçae-vos, [4] e tende bom animo; não temaes, nem vos espanteis, por causa do rei d’Assyria, nem por causa de toda a multidão que está com elle, [5] porque ha um maior comnosco do que com elle.

8 Com elle está [6] o braço de carne, mas comnosco o Senhor nosso Deus, para nos ajudar, e para guerrear nossas guerras. E o povo descançou nas palavras d’Ezequias, rei de Judah.

9 Depois [7] d’isto Sennaquerib, rei d’Assyria, enviou os seus servos a Jerusalem (elle porém estava diante de Lachis, com todo o seu dominio), a Ezequias, rei de Judah, e a todo o Judah que estava em Jerusalem, dizendo:

10 Assim [8] diz Sennaquerib, rei d’Assyria: Em que confiaes vós, que vos ficaes na fortaleza em Jerusalem?

11 Porventura não vos incita Ezequias, para morrerdes á fome e á sede, dizendo: O Senhor nosso [9] Deus nos livrará das mãos do rei d’Assyria?

12 Não [10] é Ezequias o mesmo que tirou os seus altos e os seus altares, e fallou a Judah e a Jerusalem, dizendo: Diante do unico altar vos prostrareis, e sobre elle queimareis incenso?

13 Não sabeis vós o que eu e meus paes fizemos a todos os povos das terras? [11] porventura poderam de qualquer maneira os deuses das nações d’aquellas terras livrar a sua terra da minha mão?

14 Qual é, de todos os deuses d’aquellas nações que meus paes destruiram, que podesse livrar o seu povo da minha mão, para que vosso Deus vos possa livrar da minha mão?

15 Agora, pois, não vos engane [12] Ezequias, nem vos incite assim, nem lhe deis credito; porque nenhum deus de nação alguma, nem de reino algum, pode livrar o seu povo da minha mão, nem da mão de meus paes: quanto menos vos poderá livrar o vosso Deus da minha mão?

16 Tambem seus servos fallaram ainda mais contra o Senhor Deus, e contra Ezequias, o seu servo.

17 Escreveu [13] tambem cartas, para blasphemar do Senhor Deus d’Israel, e para fallar contra elle, dizendo: Assim como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo da minha mão, assim tambem o Deus d’Ezequias não livrará o seu povo da minha mão.

18 E [14] clamaram em alta voz em judaico contra o povo de Jerusalem, que estava em cima do muro, para os atemorisarem e os perturbarem, para que tomassem a cidade.

19 E fallaram do Deus de Jerusalem, como dos deuses dos povos da [15] terra, obras das mãos dos homens.

20 Porém o rei Ezequias e o propheta Isaias, filho d’Amós, [16] oraram contra isso, e clamaram ao céu.

21 Então o Senhor [17] enviou um anjo que destruiu a todos os varões valentes, e os principes, e os chefes no arraial do rei d’Assyria: e tornou com vergonha de rosto á sua terra: e, entrando na casa de seu deus, os mesmos que sairam das suas entranhas, o mataram ali á espada.

22 Assim livrou o Senhor a Ezequias, e aos moradores de Jerusalem, da mão de Sennaquerib, rei d’Assyria, e da mão de todos: e de todos os lados os guiou.

23 E muitos traziam presentes a Jerusalem ao Senhor, e coisas preciosissimas a [18] Ezequias, rei de Judah, de modo que depois d’isto foi exaltado perante os olhos de todas as nações.

Doença e morte de Ezequias.

24 N’aquelles dias Ezequias adoeceu [19] de morte; e orou ao Senhor, o qual lhe fallou, e lhe deu um [MH] signal.

25 Mas não [20] correspondeu Ezequias ao beneficio que se lhe fez; porque o seu coração se exaltou; pelo que veiu grande indignação sobre elle, e sobre Judah e Jerusalem.

26 Ezequias [21], porém, se humilhou pela exaltação do seu coração, elle e os habitantes de Jerusalem: e a grande indignação do Senhor não veiu sobre elles, nos dias de Ezequias.

27 E teve Ezequias riquezas e gloria em grande abundancia: e fez-se thesouros de prata, e de oiro, e de pedras preciosas, e de especiarias, e d’escudos, e de todo o aviamento que se podia desejar.

28 Tambem armazens para a colheita do trigo, e do mosto, e do azeite; e estrebarias para toda a casta d’animaes, e curraes para os rebanhos.

29 Fez-se tambem cidades, e possessões[446] d’ovelhas e vaccas em abundancia: porque Deus lhe tinha [22] dado muitissima fazenda.

30 Tambem [23] o mesmo Ezequias tapou o manancial superior das aguas de Gihon, e as fez correr por baixo para o occidente da cidade de David: porque Ezequias prosperou em toda a sua obra.

31 Comtudo, no negocio dos embaixadores dos principes de Babylonia, que foram enviados a [24] elle, a perguntarem ácerca do prodigio que se fez n’aquella terra, Deus o desamparou, para tental-o, para saber tudo o que havia no seu coração.

32 Quanto ao resto dos successos d’Ezequias, e as suas beneficencias, eis que estão escriptos na visão [25] do propheta Isaias, filho d’Amós, e no livro dos reis de Judah e d’Israel.

33 E dormiu [26] Ezequias com seus paes, e o sepultaram no mais alto dos sepulchros dos filhos de David; e todo o Judah e os habitantes de Jerusalem lhe fizeram honras [27] na sua morte: e Manasses, seu filho, reinou em seu logar.

[1] II Reis 18.13, etc. Isa. 36.1, etc.

[2] Isa. 22.9, 10. cap. 25.23.

[3] II Sam. 5.9. I Reis 9.24.

[4] Deu. 31.6. cap. 20.15.

[5] II Reis 6.16.

[6] Jer. 17.5. I João 4.4. cap. 13.12. Rom. 8.31.

[7] II Reis 18.17.

[8] II Reis 18.19.

[9] II Reis 18.30.

[10] II Reis 18.22.

[11] II Reis 18.33, 34, 35.

[12] II Reis 18.29.

[13] II Reis 19.9. II Reis 19.12.

[14] II Reis 18.28. II Reis 18.26, 27, 28.

[15] II Reis 19.18.

[16] II Reis 19.15. II Reis 19.2, 4.

[17] II Reis 19.35, etc.

[18] cap. 17.5. cap. 1.1.

[19] II Reis 20.1. Isa. 38.1.

[20] cap. 26.16. Hab. 2.4. cap. 24.2.

[21] Jer. 26.18, 19. II Reis 20.19.

[22] I Chr. 29.12.

[23] Isa. 22.9, 11.

[24] II Sam. 20.12. Isa. 39.1. Deu. 8.2.

[25] Isa. 36 e 37 e 38 e 39. II Reis 18 e 19 e 20.

[26] II Reis 20.21.

[27] Pro. 10.7.

A idolatria de Manassés.

Antes de Christo 698

33 Tinha Manasses [1] doze annos d’edade, quando começou a reinar, e cincoenta e cinco annos reinou em Jerusalem.

2 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, conforme ás abominações dos gentios que o Senhor lançara fóra de diante dos filhos d’Israel.

3 Porque tornou a edificar os altos que Ezequias [2], seu pae, tinha derribado; e levantou altares a Baalim, e fez bosques, e prostrou-se diante de todo o exercito dos céus, e o serviu.

4 E edificou altares na casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: [3] Em Jerusalem estará o meu nome eternamente.

5 Edificou altares a todo o exercito dos céus, em ambos os pateos da casa do Senhor.

6 Fez elle [4] tambem passar seus filhos pelo fogo no valle do filho de Hinnom, e usou d’adivinhações e d’agoiros, e de feitiçarias, e ordenou adivinhos e encantadores: e fez muitissimo mal aos olhos do Senhor, para o provocar á ira.

7 Tambem poz [5] uma imagem esculpida, o idolo que tinha feito, na casa de Deus, da qual Deus tinha dito a David e a Salomão seu filho: N’esta casa, em Jerusalem, que escolhi de todas as tribus d’Israel, porei eu o meu nome para sempre;

8 E nunca mais [6] removerei o pé d’Israel da terra que ordenei a vossos paes; comtanto que tenham cuidado de fazer tudo o que eu lhes ordenei, conforme a toda a lei, e estatutos, e juizos, dados pela mão de Moysés.

9 E Manasses tanto fez errar a Judah e aos moradores de Jerusalem, que fizeram peior do que as nações que o Senhor tinha destruido de diante dos filhos d’Israel.

10 E fallou o Senhor a Manasses e ao seu povo, porém não deram ouvidos.

O captiveiro de Manasses, sua oração e morte.

11 Pelo [7] que o Senhor trouxe sobre elles os principes do exercito do rei d’Assyria, os quaes prenderam a Manasses entre os espinhaes; e o amarraram com cadeias, e o levaram a Babylonia.

12 E elle, angustiado, orou devéras ao Senhor seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus paes;

13 E lhe fez oração, e Deus se aplacou para com elle, e ouviu a sua supplica, e o tornou a trazer a Jerusalem, ao seu reino: então conheceu Manasses que o Senhor era Deus.

14 E depois d’isto edificou o muro de fóra da cidade de David, ao occidente de Gihon, no valle, e á entrada da porta do peixe, e á roda, até Ophel, e o levantou mui alto: tambem poz officiaes valentes em todas as cidades fortes de Judah.

15 E tirou da casa do Senhor os deuses estranhos e o idolo, como tambem todos os altares que tinha edificado no monte da casa do Senhor, e em Jerusalem, e os lançou fóra da cidade.

16 E reparou o altar do Senhor, e offereceu sobre elle offertas pacificas e de louvor: e mandou a Judah que servissem ao Senhor Deus d’Israel.

17 Mas ainda [8] o povo sacrificava nos altos, mas sómente ao Senhor seu Deus.

18 O resto pois dos successos de Manasses, e a sua oração ao seu Deus, e as palavras dos videntes que lhe fallaram no nome do Senhor, Deus d’Israel, eis que estão nos successos dos reis d’Israel.

19 E a sua oração, e como Deus se aplacou para com elle, e todo o seu peccado, e a sua transgressão, e os logares onde edificou altos, e poz bosques e[447] imagens d’esculptura, antes que se humilhasse, eis que está escripto nos livros dos videntes.

20 E dormiu [9] Manasses com seus paes, e o sepultaram em sua casa; Amon, seu filho, reinou em seu logar.

O reinado de Amon e a sua impiedade.

Antes de Christo 677

21 Era Amon [10] de edade de vinte e dois annos, quando começou a reinar, e dois annos reinou em Jerusalem.

22 E fez o que era mal aos olhos do Senhor, como [11] havia feito Manasses, seu pae; porque Amon sacrificou a todas as imagens d’esculptura que Manasses, seu pae, tinha feito, e as serviu.

23 Mas não se humilhou perante o Senhor, como Manasses, seu pae, se humilhara: antes multiplicou Amon os seus delictos.

24 E conspiraram [12] contra elle os seus servos, e o mataram em sua casa.

25 Porém o povo da terra feriu a todos quantos conspiraram contra o rei Amon: e o povo da terra fez reinar em seu logar a Josias, seu filho.

[1] Deu. 18.9. II Chr. 28.3.

[2] II Reis 18.4. cap. 30.14 e 31.1 e 32.12. Deu. 16.21. Deu. 17.3.

[3] Deu. 12.11. I Reis 8.29 e 9.3. cap. 6.6 e 7.16.

[4] cap. 28.3. Eze. 23.37, 39. Deu. 18.10, 11. II Reis 21.6.

[5] II Reis 21.7.

[6] II Sam. 7.10.

[7] Deu. 28.36. Job 36.8.

[8] cap. 32.12.

[9] II Reis 21.18.

[10] II Reis 21.19, etc.

[11] ver. 12.

[12] II Reis 21.23, 24.

Josias abole a idolatria.

Antes de Christo 624

34 Tinha Josias [1] oito annos quando começou a reinar, e trinta e um annos reinou em Jerusalem.

2 E fez o que era recto aos olhos do Senhor: e andou nos caminhos de David, seu pae, sem se desviar d’elles nem para a direita nem para a esquerda.

3 Porque no oitavo anno do seu reinado, sendo ainda moço, começou [2] a buscar o Deus de David, seu pae; e no duodecimo anno começou a purificar [3] a Judah e a Jerusalem, dos altos, e dos bosques, e das imagens d’esculptura e de fundição.

4 E derribaram [4] perante elle os altares de Baalim; e cortou as imagens do sol, que estavam acima d’elles: e os bosques, e as imagens d’esculptura e de fundição quebrou e reduziu a pó, e o espargiu [5] sobre as sepulturas dos que lhes tinham sacrificado.

5 E os ossos [6] dos sacerdotes queimou sobre os seus altares: e purificou a Judah e a Jerusalem.

6 O mesmo fez nas cidades de Manasseh, e d’Ephraim, e de Simeão, e ainda até Naphtali; em seus logares ao redor, assolados.

7 E, tendo derribado os altares, e os bosques, e as [7] imagens de esculptura, até reduzil-os a pó, e tendo cortado todas as imagens do sol em toda a terra d’Israel, então voltou para Jerusalem.

Josias repara o templo. Hilkias acha o livro da lei.

8 E no anno [8] decimo oitavo do seu reinado, havendo já purificado a terra e a casa, enviou a Saphan, filho d’Asalias, e a Maaseias, maioral da cidade, e a Joah, filho de Joachaz, registrador, para repararem a casa do Senhor, seu Deus.

9 E vieram a Hilkias, summo sacerdote, e deram [9] o dinheiro que se tinha trazido á casa do Senhor, e que os levitas que guardavam o umbral tinham colligido da mão de Manasseh, e d’Ephraim, e de todo o resto de Israel, como tambem de todo o Judah e Benjamin: e voltaram para Jerusalem.

10 E o deram na mão dos que tinham cargo da obra, e superintendiam sobre a casa do Senhor: e estes o deram aos que faziam a obra, e trabalhavam na casa do Senhor, para concertarem e repararem a casa.

11 E o deram aos mestres da obra, e aos edificadores, para comprarem pedras lavradas, e madeira para as junturas: e para sobradarem as casas que os reis de Judah tinham destruido.

12 E estes homens trabalhavam fielmente na obra; e os superintendentes sobre elles eram: Johath e Obadias, levitas, dos filhos de Merari, como tambem Zacharias e Mesullam, dos filhos dos kohathitas, para avançarem a obra: estes levitas todos eram entendidos em instrumentos de musica.

13 Estavam tambem sobre os carregadores e os inspectores de todos os que trabalhavam em alguma obra; e d’entre os [10] levitas eram os escrivães, e os officiaes e os porteiros.

14 E, tirando elles o dinheiro que se tinha trazido á casa do Senhor, Hilkias, o sacerdote, achou o [11] livro da lei do Senhor, dada pela mão de Moysés.

15 E Hilkias respondeu, e disse a Saphan, o escrivão: Achei o livro da lei na casa do Senhor. E Hilkias deu o livro a Saphan.

16 E Saphan levou o livro ao rei, e deu conta tambem ao rei, dizendo: Teus servos fazem tudo quanto se lhes encommendou.

17 E ajuntaram o dinheiro que se achou na casa do Senhor, e o deram na mão dos superintendentes e na mão dos que faziam a obra.

18 De mais d’isto, Saphan, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilkias me deu um livro. E Saphan leu n’elle perante o rei.

[448]

19 Succedeu pois que, ouvindo o rei as palavras da lei, rasgou os seus vestidos.

20 E o rei mandou a Hilkias, e a Ahikam, filho de Saphan, e a Abdon, filho de Micah, e a Saphan, o escrivão, e a Asaias, ministro do rei, dizendo:

21 Ide, consultae ao Senhor por mim, e pelo que fica de resto em Israel e em Judah, sobre as palavras d’este livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se derramou sobre nós; porquanto nossos paes não guardaram a palavra do Senhor, para fazerem conforme a tudo quanto está escripto n’este livro.

Hulda a prophetiza prediz a ruina de Jerusalem.

22 Então Hilkias, e os enviados do rei, foram ter com a prophetiza Hulda, mulher de Sallum, filho de Tokhath, [12] filho d’Hasra, guarda dos vestimentos (e habitava ella em Jerusalem na segunda parte); e fallaram-lhe segundo isto,

23 E ella lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus d’Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim:

24 Assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre este logar, e sobre os seus habitantes, a saber: todas as maldições que estão escriptas no livro que se leu perante o rei de Judah.

25 Porque me deixaram, e queimaram incenso perante outros deuses, para me provocarem á ira com toda a obra das suas mãos; portanto o meu furor se derramou sobre este logar, e não se apagará.

26 Porém ao rei de Judah, que vos enviou a consultar ao Senhor, assim lhe direis: Assim diz o Senhor, Deus d’Israel, quanto ás palavras que ouviste:

27 Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as suas palavras contra este logar, e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante mim, e rasgaste os teus vestidos, e choraste perante mim, tambem eu te tenho ouvido, diz o Senhor.

28 Eis que te ajuntarei a teus paes, e tu serás recolhido ao teu sepulchro em paz, e os teus olhos não verão todo este mal que hei de trazer sobre este logar e sobre os seus habitantes. E tornaram com esta resposta ao rei.

29 Então enviou o rei, [13] e ajuntou a todos os anciãos de Judah e Jerusalem.

30 E o rei subiu á casa do Senhor, com todos os homens de Judah, e os habitantes de Jerusalem, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao mais pequeno: e elle leu aos ouvidos d’elles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na casa do Senhor.

31 E poz-se [14] o rei em pé em seu logar, e fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor, e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração, e com toda a sua alma, fazendo as palavras do concerto, que estão escriptas n’aquelle livro.

32 E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalem e em Benjamin; e os habitantes de Jerusalem fizeram conforme ao concerto de Deus, do Deus de seus paes.

33 E Josias tirou [15] todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos d’Israel; e a todos quantos se acharam em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor seu Deus: [16] todos os seus dias não se desviaram d’após o Senhor, Deus de seus paes.

[1] II Reis 22.1, etc.

[2] cap. 15.2.

[3] I Reis 13.2. cap. 33.17, 22.

[4] Lev. 26.30. II Reis 23.4.

[5] II Reis 23.6.

[6] I Reis 13.2.

[7] Deu. 9.21.

[8] II Reis 22.3.

[9] II Reis 12.4, etc.

[10] I Chr. 23.4, 5.

[11] II Reis 22.8, etc.

[12] II Reis 22.14.

[13] II Reis 23.1, etc.

[14] II Reis 11.14 e 23.3. cap. 6.13.

[15] I Reis 11.5.

[16] Jer. 3.10.

A celebração da paschoa em Jerusalem.

Antes de Christo 623

35 Então Josias [1] celebrou a paschoa ao Senhor em Jerusalem: e mataram o cordeiro da paschoa no decimo quarto dia do mez primeiro.

2 E estabeleceu [2] os sacerdotes nas suas guardas, e os animou ao ministerio da casa do Senhor.

3 E disse aos levitas [3] que ensinavam a todo o Israel e estavam consagrados ao Senhor: Ponde a arca sagrada na casa que [4] edificou Salomão, filho de David, rei d’Israel; não tereis mais este cargo aos hombros: agora servi ao Senhor vosso Deus, e ao seu povo Israel.

4 E preparae-vos segundo as casas de vossos paes, [5] segundo as vossas turmas, conforme á prescripção de David rei d’Israel, e conforme á prescripção de Salomão, seu filho.

5 E estae no sanctuario segundo as divisões das casas paternas de vossos irmãos, os filhos do povo; e haja para cada um uma porção das casas paternas dos levitas.

6 E sacrificae a paschoa: e sanctificae-vos, [6] e preparae-a para vossos irmãos,[449] fazendo conforme á palavra do Senhor, dada pela mão de Moysés.

7 E apresentou [7] Josias, aos filhos do povo, cordeiros e cabritos do rebanho, todos para os sacrificios da paschoa, por todo o que ali se achou, em numero de trinta mil, e de bois tres mil: isto era da fazenda do rei.

8 Tambem apresentaram os seus principes offertas voluntarias ao povo, aos sacerdotes e aos levitas: Hilkias, e Zacharias, e Jehiel, maioral da casa de Deus, deram aos sacerdotes para os sacrificios da paschoa duas mil e seiscentas rezes de gado miudo, e trezentos bois.

9 E Conanias, e Semaias, e Nathanael, seus irmãos, como tambem Hasabias, e Jeiel, e Jozabad, maioraes dos levitas, apresentaram aos levitas, para os sacrificios da paschoa, cinco mil rezes de gado miudo, e quinhentos bois.

10 Assim se preparou [8] o serviço: e pozeram-se os sacerdotes nos seus postos, e os levitas nas suas turmas, conforme ao mandado do rei.

11 Então sacrificaram a paschoa: [9] e os sacerdotes espargiam o sangue recebido das suas mãos, e os levitas esfollavam as rezes.

12 E pozeram de parte os holocaustos para os darem aos filhos do povo, segundo as divisões das casas paternas, para o offerecerem ao Senhor, [10] como está escripto no livro de Moysés: e assim fizeram com os bois.

13 E assaram [11] a paschoa no fogo, segundo o rito: e as offertas sagradas cozeram em panellas, e em caldeiras e em sertãs; e promptamente as repartiram entre todo o povo.

14 Depois prepararam para si e para os sacerdotes; porque os sacerdotes, filhos d’Aarão, se occuparam até á noite com o sacrificio dos holocaustos e da gordura; pelo que os levitas prepararam para si e para os sacerdotes, filhos d’Aarão.

15 E os cantores, filhos d’Asaph, estavam no seu posto, segundo o mandado [12] de David, e d’Asaph, e d’Heman, e de Jeduthun, vidente do rei, como tambem os porteiros [13] a cada porta; não necessitaram de se desviarem do seu ministerio; porquanto seus irmãos, os levitas, preparavam para elles.

16 Assim se estabeleceu todo o serviço do Senhor n’aquelle dia, para celebrar a paschoa, e sacrificar holocaustos sobre o altar do Senhor, segundo o mandado do rei Josias.

17 E os filhos d’Israel que ali se acharam celebraram a paschoa n’aquelle tempo, e a festa dos [14] pães asmos, sete dias.

18 Nunca [15] pois se celebrou tal paschoa em Israel, desde os dias do propheta Samuel: nem nenhuns reis d’Israel celebraram tal paschoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judah e Israel, que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalem.

19 No anno decimo oitavo do reinado de Josias se celebrou esta paschoa.

Josias provoca o rei do Egypto e é morto.

20 Depois [16] de tudo isto, havendo Josias já preparado [MI] a casa, subiu Necho, rei do Egypto, para guerrear contra Carchemis, junto ao Euphrates: e Josias lhe saiu ao encontro.

21 Então elle lhe mandou mensageiros, dizendo: Que tenho eu que fazer comtigo, rei de Judah? quanto a ti, contra ti não venho hoje, senão contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasse: guarda-te de te oppores a Deus, que é comigo, para que não te destrua.

22 Porém Josias não virou d’elle o seu rosto, antes se [17] disfarçou, para pelejar com elle; e não deu ouvidos ás palavras de Necho, que sairam da bocca de Deus; antes veiu pelejar no valle de Megiddo.

23 E os frecheiros atiraram ao rei Josias: então o rei disse a seus servos: Tirae-me d’aqui, porque estou gravemente ferido.

24 E seus servos [18] o tiraram do carro, e o levaram no carro segundo que tinha, e o trouxeram a Jerusalem; e morreu, e o sepultaram nos sepulchros de seus paes: e todo [19] o Judah e Jerusalem tomaram luto por Josias.

25 E Jeremias fez uma [20] lamentação sobre Josias; e todos os cantores e cantoras fallaram de Josias nas suas lamentações, até ao dia d’hoje; porque as deram por estatuto em Israel; e eis que estão escriptas nas lamentações.

26 Quanto ao mais dos successos de Josias, e as suas beneficencias, conforme está escripto na lei do Senhor,

27 E os seus successos, tanto os primeiros como os ultimos, eis que estão escriptos no livro dos reis d’Israel e de Judah.

[1] II Reis 23.21, 22. Exo. 12.6. Esd. 6.19.

[2] cap. 23.18. Esd. 6.18. cap. 29.5, 11.

[3] Deu. 33.10. cap. 30.22. Mal. 2.7.

[4] cap. 34.14. cap. 5.7. I Chr. 23.26.

[5] I Chr. 9.10. I Chr. 23 e 24 e 25 e 26. cap. 8.14.

[6] cap. 29.5, 15 e 30.3, 15. Esd. 6.20.

[7] cap. 30.24.

[8] Esd. 6.18.

[9] cap. 29.22. cap. 29.34.

[10] Lev. 3.3.

[11] Exo. 12.8, 9. Deu. 16.7. I Sam. 2.13, 14, 15.

[12] I Chr. 25.1, etc.

[13] I Chr. 9.17, 18 e 26.11, etc.

[14] Exo. 12.15 e 13.6. cap. 30.21.

[15] II Reis 23.22, 23.

[16] II Reis 23.29. Jer. 46.2.

[17] I Reis 22.30.

[18] II Reis 23.30.

[19] Zac. 12.11.

[20] Lam. 4.20. Mat. 9.23. Jer. 22.20.

[450]

Joachaz é levado captivo para o Egypto.

Antes de Christo 610

36 Então o povo [1] da terra tomou a Joachaz, filho de Josias, e o fizeram rei em logar de seu pae, em Jerusalem.

2 Era Joachaz da edade de vinte e tres annos, quando começou a reinar: e tres mezes reinou em Jerusalem.

3 Porque o rei do Egypto o depoz em Jerusalem: e condemnou a terra á contribuição de cem talentos de prata e um talento de oiro.

4 E o rei do Egypto poz a Eliakim, seu irmão, rei sobre Judah e Jerusalem, e mudou-lhe o nome em Joaquim: mas a seu irmão Joachaz tomou Necho, e levou-o para o Egypto.

Joaquim reina.

5 Era Joaquim [2] de vinte e cinco annos d’edade, quando começou a reinar: e onze annos reinou em Jerusalem: e fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus.

6 Subiu pois contra [3] elle Nabucodonosor, rei de Babylonia, e o amarrou com [4] cadeias, para o levar a Babylonia.

7 Tambem [5] alguns dos vasos da casa do Senhor levou Nabucodonosor, a Babylonia, e pôl-os no seu [MJ] templo em Babylonia.

8 Quanto ao mais dos successos de Joaquim, e as suas abominações que fez, e o mais que se achou n’elle, eis que está escripto no livro dos reis d’Israel e de Judah: e Joaquim, seu filho, reinou em seu logar.

9 Era Joaquim [6] da edade d’oito annos, quando começou a reinar: e tres mezes e dez dias reinou em Jerusalem: e fez o que era mau aos olhos do Senhor.

10 E no decurso d’um anno enviou o [7] rei Nabucodonosor, e mandou trazel-o a Babylonia, com os mais preciosos vasos da casa do Senhor; e poz a Zedekias, seu irmão, rei sobre Judah e Jerusalem.

Zedekias reina.

Antes de Christo 593

11 Era Zedekias [8] da edade de vinte e cinco annos, quando começou a reinar: e onze annos reinou em Jerusalem.

12 E fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus; nem se humilhou perante o propheta Jeremias, que fallava da parte do Senhor.

13 De mais d’isto, tambem se rebellou contra o [9] rei Nabucodonosor, que o tinha ajuramentado por Deus; mas endureceu a sua [10] cerviz, e tanto se obstinou no seu coração, que se não converteu ao Senhor, Deus d’Israel.

14 Tambem todos os chefes dos sacerdotes e o povo augmentavam de mais em mais as transgressões, segundo todas as abominações dos gentios: e contaminaram a casa do Senhor, que elle tinha sanctificado em Jerusalem.

15 E o Senhor, Deus [11] de seus paes, lhes enviou a sua palavra pelos seus mensageiros, madrugando, e enviando-lh’os; porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.

16 Porém zombaram [12] dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus prophetas; até o furor do Senhor tanto subiu contra o seu povo, que mais nenhum remedio houve.

17 Porque [13] fez subir contra elles o rei dos chaldeos, o qual matou os seus mancebos á espada, na casa do seu sanctuario; e não teve piedade nem dos mancebos, nem das donzellas, nem dos velhos, nem dos decrepitos: a todos os deu na sua mão.

18 E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, e os thesouros da casa do Senhor, e os thesouros do rei e dos seus principes, tudo levou [14] para Babylonia.

19 E queimaram [15] a casa do Senhor, e derrubaram o muro de Jerusalem: e todos os seus palacios queimaram a fogo, destruindo tambem todos os seus preciosos vasos.

20 E os que escaparam [16] da espada levou para Babylonia: e fizeram-se servos, d’elle e de seus filhos, até ao [MK] reinado do reino da Persia.

21 Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela bocca de [17] Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sabbados: todos os dias da assolação repousou, até que os setenta annos se cumpriram.

22 Porém, [18] no primeiro anno de Cyro, rei da Persia (para que se cumprisse a[451] palavra do Senhor pela bocca de Jeremias), despertou o Senhor o espirito de Cyro, [19] rei da Persia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como tambem por escripto, dizendo:

23 Assim diz Cyro, [20] rei da Persia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalem, que está em Judah; quem de vós ha entre todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com elle, e suba.

[1] II Reis 23.30, etc.

[2] II Reis 23.36, 37.

[3] II Reis 24.1. Hab. 1.6.

[4] II Reis 24.6. Jer. 22.18, 19 e 36.30.

[5] II Reis 24.13. Dan. 1.1, 2 e 5.2.

[6] II Reis 24.8.

[7] II Reis 24.10-17. Dan. 1.1, 2 e 5.2.

[8] Jer. 37.1. II Reis 24.18. Jer. 52.1, etc.

[9] Jer. 52.3. Eze. 17.15, 18.

[10] II Reis 17.14.

[11] Jer. 25.3, 4 e 35.15 e 44.4.

[12] Jer. 5.12, 13. Pro. 1.25, 30. Jer. 32.3 e 38.6. Mat. 23.34.

[13] Deu. 28.49. II Reis 25.1, etc. Eze. 9.7.

[14] II Reis 25.13, etc.

[15] II Reis 25.9.

[16] II Reis 25.11. Jer. 27.7.

[17] Jer. 25.9, 11, 12 e 26.6, 7 e 29.10. Lev. 26.34, 35, 43. Dan. 9.2. Lev. 25.4, 5.

[18] Esd. 1.1. Jer. 25.12, 13 e 29.10 e 33.10, 11, 14.

[19] Isa. 44.28.

[20] Esd. 1.2, 3.


O LIVRO DE ESDRAS.

Cyro convida os judeos a voltarem para Jerusalem e edificarem o templo.

Antes de Christo 536

1 No primeiro anno de Cyro, rei da Persia (para que se cumprisse a palavra [1] do Senhor, por bocca de Jeremias) despertou o Senhor o espirito de Cyro, rei da Persia o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como tambem por escripto, dizendo:

2 Assim diz Cyro, rei da Persia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra: e elle me [2] encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalem, que está em Judah.

3 Quem ha entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com elle, e suba a Jerusalem, que está em Judah, e edifique a casa do Senhor, Deus d’Israel; elle é o [3] Deus que habita em Jerusalem.

4 E todo aquelle que ficar atraz em alguns logares em que andar peregrinando, os homens do seu logar o ajudarão com prata, e com oiro, e com fazenda, e com gados, afóra das dadivas voluntarias para a casa do Senhor, que habita em Jerusalem.

5 Então se levantaram os chefes dos paes de Judah e Benjamin, e os sacerdotes e os levitas, com todos aquelles cujo espirito Deus despertou, [4] para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalem.

6 E todos os que habitavam nos arredores lhes confortaram as mãos com vasos de prata, com oiro, com fazenda, e com gados, e com as coisas preciosas; afóra tudo o que voluntariamente se deu.

7 Tambem o rei Cyro [5] tirou os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalem, e que tinha posto na casa de seus deuses.

8 Estes tirou Cyro, rei da Persia, pela mão de Mithredath, o thesoureiro, que os deu por conta a Sesbazar, [6] principe de Judah.

9 E este é o numero d’elles: trinta bacias d’oiro, mil bacias de prata, vinte e nove facas,

10 Trinta taças d’oiro, mais outras quatrocentas e dez taças de prata, e mil outros vasos.

11 Todos os vasos d’oiro e de prata foram cinco mil e quatrocentos: todos estes levou Sesbazar, quando os do captiveiro subiram de Babylonia para Jerusalem.

[1] II Chr. 36.22, 23. Jer. 25.12 e 29.10. cap. 5.13, 14.

[2] Isa. 44.28 e 45.1, 13.

[3] Dan. 6.26.

[4] Phi. 2.13.

[5] cap. 5.14 e 6.5. II Reis 24.13. II Chr. 36.7.

[6] cap. 5.14.

A lista dos que voltaram de Babylonia para Jerusalem com Zorobabel.

2 Estes são [1] os filhos da provincia, que subiram do captiveiro, dos transportados, que Nabucodonosor, rei de Babylonia, tinha transportado a Babylonia, e tornaram a Jerusalem e a Judah, cada um para a sua casa;

2 Os quaes vieram com Zorobabel, Josué, Nehemias, Seraias, Reelaias, Mardocheo, Bilsan, Mispar, Bigvai, Rehum e Baana. O numero dos homens do povo de Israel:

3 Os filhos de Paros, dois mil, cento e setenta e dois.

4 Os filhos de Sephtias, trezentos e setenta e dois.

5 Os filhos d’Arah, [2] setecentos e setenta e cinco.

6 Os filhos de [3] Pahath-moab, dos filhos de Jesua-joab, dois mil, oitocentos e doze.

7 Os filhos d’Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.

8 Os filhos de Zatthu, novecentos e quarenta e cinco.

9 Os filhos de Zaccai, setecentos e sessenta.

[452]

10 Os filhos de Bani, seiscentos e quarenta e dois.

11 Os filhos de Bebai, seiscentos e vinte e tres.

12 Os filhos de Azgad, mil, duzentos e vinte e dois.

13 Os filhos de Adonikam, seiscentos e sessenta e seis.

14 Os filhos de Bigvai, dois mil e cincoenta e seis.

15 Os filhos de Adin, quatrocentos e cincoenta e quatro.

16 Os filhos d’Ater, d’Hizkia, noventa e oito.

17 Os filhos de Besai, trezentos e vinte e tres.

18 Os filhos de Jora, cento e doze.

19 Os filhos de Hasum, duzentos e vinte e tres.

20 Os filhos de Gibbar, noventa e cinco.

21 Os filhos de Bethlehem, cento e vinte e tres.

22 Os homens de Netopha, cincoenta e seis.

23 Os homens d’Anathoth, cento e vinte e oito.

24 Os filhos d’Azmaveth, quarenta e dois.

25 Os filhos de Kiriath-arim, Chephira e Bearoth, setecentos e quarenta e tres.

26 Os filhos de Rama, e Gibeah, seiscentos e vinte e um.

27 Os homens de Micmas, cento e vinte e dois.

28 Os homens de Bethel e Ai, duzentos e vinte e tres.

29 Os filhos de Nebo, cincoenta e dois.

30 Os filhos de Magbis, cento e cincoenta e seis.

31 Os filhos do outro [4] Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.

32 Os filhos d’Harim, trezentos e vinte.

33 Os filhos de Lod, Hadid e Ono, setecentos e vinte e cinco.

34 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.

35 Os filhos de Senaa, tres mil, seiscentos e trinta.

36 Os sacerdotes: [5] os filhos de Jedaias, da casa de Jesua, novecentos e setenta e tres.

37 Os filhos [6] d’Immer, mil e cincoenta e dois.

38 Os filhos de [7] Pashur, mil, duzentos e quarenta e sete.

39 Os filhos [8] d’Harim, mil e dezesete.

40 Os levitas: os filhos de Jesua e Kadmiel, dos filhos d’Hodavias, setenta e quatro.

41 Os cantores: os filhos de Asaph, cento e vinte e oito.

42 Os filhos dos porteiros: os filhos de Sallum, os filhos d’Ater, os filhos de Talmon, os filhos d’Akkub, os filhos d’Hatita, os filhos de Sobai: por todos, cento e trinta e nove.

43 Os nethineos: [9] os filhos de Ziha, os filhos d’Hasupha, os filhos de Tabbaoth,

44 Os filhos de Keros, os filhos de Siaha, os filhos de Padon,

45 Os filhos de Lebana, os filhos d’Hagaba, os filhos d’Akkub,

46 Os filhos d’Hagab, os filhos de Samlai, os filhos d’Hanan,

47 Os filhos de Giddel, os filhos de Gahar, os filhos de Reaias,

48 Os filhos de Resin, os filhos de Nekoda, os filhos de Gazam,

49 Os filhos d’Uzar, os filhos de Paseah, os filhos de Besai,

50 Os filhos d’Asna, os filhos dos meuneos, os filhos dos nephuseos,

51 Os filhos de Bakbuk, os filhos d’Hakupha, os filhos d’Harhur,

52 Os filhos de Basluth, os filhos de Mehida, os filhos d’Harsa,

53 Os filhos de Barkos, os filhos de Sisera, os filhos de Temah,

54 Os filhos de Nesiah, os filhos d’Hatipha.

55 Os filhos dos servos de Salomão: [10] os filhos de Sotai, os filhos de Sophereth, os filhos de Peruda,

56 Os filhos de Jaala, os filhos de Darkon, os filhos de Giddel,

57 Os filhos de Sephatias, os filhos d’Hattil, os filhos de Pochereth-hat-sebaim, os filhos de Ami.

58 Todos os [11] nethineos, e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa e dois.

59 Tambem estes subiram de Tel-melah e Tel-harsa, Cherub, Addan e Immer: porém não poderam mostrar a casa de seus paes, e sua linhagem, se d’Israel eram.

60 Os filhos de Dalaias, os filhos de Tobias, os filhos de Nekoda, seiscentos e cincoenta e dois.

61 E dos filhos dos sacerdotes: os filhos d’Habaias, os filhos de Kos, os filhos de [12] Barzillai, que tomou mulher das filhas de Barzillai, o gileadita, e que foi chamado do seu nome.

62 Estes buscaram o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam n’ellas; pelo que por immundos foram rejeitados do sacerdocio.

[453]

63 E o [ML] tirsatha lhes disse que não comessem das coisas sagradas, [13] até que houvesse sacerdote com Urim e com Thummim.

64 Toda esta congregação junta [14] foi, quarenta e dois mil trezentos e sessenta,

65 Afóra os seus servos e as suas servas, que foram sete mil, trezentos e trinta e sete: tambem tinha duzentos cantores e cantoras.

66 Os seus cavallos, setecentos e trinta e seis: os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco;

67 Os seus camelos, quatrocentos e trinta e cinco: os jumentos, seis mil, setecentos e vinte.

68 E alguns [15] dos chefes dos paes, vindo á casa do Senhor, que habita em Jerusalem, deram voluntarias offertas para a casa de Deus, para a fundarem no seu logar.

69 Conforme ao seu poder, deram para o thesouro [16] da obra, em oiro, sessenta e um mil [MM] drachmas, e em prata cinco mil libras, e cem vestes sacerdotaes.

70 E habitaram os sacerdotes [17] e os levitas, e alguns do povo, tanto os cantores, como os porteiros, e os nethineos, nas suas cidades; como tambem todo o Israel nas suas cidades.

[1] Neh. 7.6, etc. II Reis 24.14, 15, 16 e 25.11. II Chr. 36.20.

[2] Neh. 7.10.

[3] Neh. 7.11.

[4] ver. 7.

[5] I Chr. 24.7.

[6] I Chr. 24.14.

[7] I Chr. 9.12.

[8] I Chr. 24.8.

[9] I Chr. 9.2.

[10] I Reis 9.21.

[11] Jos. 9.21, 27. I Chr. 9.2. I Reis 9.21.

[12] II Sam. 17.27.

[13] Num. 3.10. Lev. 22.2, 10, 15, 16. Exo. 28.30. Num. 27.21.

[14] Neh. 7.66, etc.

[15] Neh. 7.70.

[16] I Chr. 26.20.

[17] cap. 6.16, 17. Neh. 7.73.

É levantado o altar.

3 Chegando pois o setimo mez, e estando os filhos d’Israel nas cidades, se ajuntou o povo, como um só homem, em Jerusalem.

2 E levantou-se Josué, filho de Josadak, e seus irmãos, os sacerdotes, e Zorobabel, [1] filho de Sealthiel, e seus irmãos, e edificaram o altar do Deus d’Israel, para offerecerem sobre elle holocausto, como está escripto [2] na lei de Moysés, o homem de Deus.

3 E firmaram o altar sobre as suas bases, porque o terror estava sobre elles, por causa dos povos das terras: e offereceram sobre elle holocaustos ao Senhor, holocaustos [3] de manhã e de tarde.

4 E celebraram [4] a festa dos tabernaculos, como está escripto: offereceram holocaustos de dia em dia por ordem, conforme ao rito, cada coisa no seu dia.

5 E depois d’isto o holocausto [5] continuo, e os das luas novas e de todas as solemnidades sanctificadas do Senhor; como tambem de qualquer que offerecia offerta voluntaria ao Senhor:

6 Desde o primeiro dia do setimo mez começaram a offerecer holocaustos ao Senhor: porém ainda não estavam postos os fundamentos do templo do Senhor.

7 Deram pois o dinheiro aos [MN] cortadores e artifices, como tambem comida e bebida, [6] e azeite aos sidonios, e aos tyrios, para trazerem do Libano madeira de cedro ao mar de Joppe, segundo a concessão que lhes tinha feito Cyro, rei da Persia.

São postos os alicerces do templo.

8 E no segundo anno da sua vinda á casa de Deus em Jerusalem, no segundo mez, começaram Zorobabel, filho de Sealthiel, e Josué, filho de Josadak, e os outros seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do captiveiro a Jerusalem; e constituiram [7] os levitas da edade de vinte annos e d’ahi para cima, para que aviassem a obra da casa do Senhor.

9 Então se levantou [8] Josué, seus filhos, e seus irmãos, Kadmiel e seus filhos, os filhos de Judah, como um só homem, para aviarem os que faziam a obra na casa de Deus, com os filhos d’Henadad, seus filhos e seus irmãos, os levitas.

10 Quando pois os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, então apresentaram-se [9] os sacerdotes, vestidos e com trombetas, e os levitas, filhos d’Asaph, com psalterios, para louvarem ao Senhor, conforme á instituição de David, rei d’Israel.

11 E cantavam [10] a revezes, louvando e celebrando ao Senhor; porque é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com grande jubilo, quando louvaram ao Senhor, pela fundação da casa do Senhor.

12 Porém muitos dos sacerdotes, e levitas e chefes dos paes, velhos, que viram a primeira casa, sobre o seu fundamento, vendo perante os seus olhos esta casa, choraram em altas vozes; mas muitos levantaram as vozes com jubilo e com alegria.

13 De maneira que não discernia o povo as vozes do jubilo d’alegria, das vozes do choro do povo; porque o povo[454] jubilava com tão grande jubilo, que as vozes se ouviam de mui longe.

[1] Mat. 1.12. Luc. 3.27.

[2] Deu. 12.5.

[3] Num. 28.3, 4.

[4] Neh. 8.14. Zac. 14.16, 17.

[5] Exo. 29.38. Num. 28.3, 11, 19, 26 e 29.2, 8, 13.

[6] I Reis 5.6, 9. II Chr. 2.10. Act. 12.20. Act. 9.36.

[7] I Chr. 23.24, 27.

[8] cap. 2.40.

[9] I Chr. 16.5, 6, 42. I Chr. 6.31 e 16.4 e 25.1.

[10] Exo. 15.21. II Chr. 7.3. Neh. 12.24. I Chr. 16.41. Jer. 33.11.

Os samaritanos accusam os judeos ao rei Artaxerxes, e a construcção do templo é prohibida.

Antes de Christo 535

4 Ouvindo pois os adversarios [1] de Judah e Benjamin que os que tornaram do captiveiro, edificavam o templo ao Senhor Deus d’Israel,

2 Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos paes, e disseram-lhes: Deixae-nos edificar comvosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como tambem lhe sacrificamos desde os dias [2] d’Asar-haddon, rei d’Assur, que nos fez subir aqui.

3 Porém Zorobabel, e Josué, e os outros chefes dos paes d’Israel lhes disseram: Não convem [3] que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós sós a edificaremos ao Senhor, Deus d’Israel, como nos ordenou o rei Cyro, rei da Persia.

4 Todavia [4] o povo da terra debilitava as mãos do povo de Judah, e inquietava-os no edificar.

5 E alugaram contra elles conselheiros, para frustrarem o seu conselho, todos os dias de Cyro, rei da Persia, até ao reinado de Dario, rei da Persia.

Antes de Christo 522

6 E sob o reino d’Ahasuero, no principio do seu reinado, escreveram uma accusação contra os habitantes de Judah e de Jerusalem.

7 E nos dias d’Artaxerxes escreveu Bislam, Mithredath, Tabeel, e os outros da sua companhia, a Artaxerxes, rei da Persia: e a carta estava escripta em caracteres syriacos, e na lingua syriaca.

8 Escreveram pois Rhehum, o chanceller, e Simsai, o escrivão, uma carta contra Jerusalem, ao rei Artaxerxes, n’esta maneira:

9 Então escreveu Rhehum, o chanceller, e Simsai, o escrivão, e os outros da sua companhia: [5] os dinaitas e apharsathehitas, tarpelitas, apharsitas, archevitas, babylonios, susanchitas, dehavitas, elamitas.

10 E os outros [6] povos, que transportou o grande e afamado Asnappar, e que elle fez habitar na cidade de Samaria, e os outros d’áquem do rio, e em tal tempo.

11 Este pois é o teor da carta que ao rei Artaxerxes lhe mandaram: “Teus servos, os homens d’áquem do rio, e em tal tempo.

12 Saiba o rei que os judeos que subiram de ti vieram a nós a Jerusalem, e edificam aquella rebelde e malvada cidade, e vão restaurando os seus muros, e reparando os seus fundamentos.

13 Agora saiba o rei que, se aquella cidade se reedificar, e os muros se restaurarem, não pagarão os direitos, os tributos [7] e as rendas; e assim se damnificará a fazenda dos reis.

14 Agora pois, porquanto assalariados somos do paço, e não nos convem ver a deshonra do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei,

15 Para que se busque no livro das chronicas de teus paes, e acharás no livro das chronicas, e saberás que aquella foi uma cidade rebelde, e damnosa aos reis e provincias, e que n’ella fizeram rebellião de tempos antigos; pelo que foi aquella cidade destruida.

16 Nós pois fazemos notorio ao rei que, se aquella cidade se reedificar, e os seus muros se restaurarem, d’esta maneira não terás porção alguma d’esta banda do rio.”

17 E o rei enviou esta resposta a Rhehum, o chanceller, e a Simsai, o escrivão, e aos mais da sua companhia, que habitavam em Samaria; como tambem ao resto dos que estavam d’além do rio: Paz hajaes! e em tal tempo.

18 A carta que nos enviastes foi explicitamente lida diante de mim.

19 E, ordenando-o eu, buscaram e acharam, que de tempos antigos aquella cidade se levantou contra os reis, e n’ella se tem feito rebellião e sedição.

20 Tambem houve reis poderosos sobre Jerusalem que d’além do rio dominaram [8] em todo o logar, e se lhes pagaram direitos, e tributos, e rendas.

21 Agora pois dae ordem para impedirdes aquelles homens, afim de que não se edifique aquella cidade, até que se dê uma ordem por mim.

22 E guardae-vos de commetterdes erro n’isto; porque cresceria o damno para prejuizo dos reis?

23 Então, depois que a copia da carta do rei Artaxerxes se leu perante Rhehum, e Simsai, o escrivão, e seus companheiros, apressadamente foram elles a Jerusalem, aos judeos, e os impediram á força de braço e com violencia.

24 Então cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalem: e cessou até ao anno segundo do reinado de Dario rei da Persia.

[1] ver. 7, 8, 9.

[2] II Reis 17.24, 32, 33 e 19.37.

[3] Neh. 2.20. cap. 1.1, 2, 3.

[4] cap. 3.3.

[5] II Reis 17.30, 31.

[6] ver. 1.

[7] cap. 7.24.

[8] I Reis 4.21. Gen. 15.18. Jos. 1.4.

Aggeo e Zacharias exhortam os judeos a continuarem a construcção do templo.

Antes de Christo 520

5 E Aggeo [1], propheta, e Zacharias, filho d’Iddo, prophetas, prophetizaram aos judeos que estavam em Judah,[455] e em Jerusalem: em nome do Deus de Israel lhes prophetizaram.

2 Então se levantaram [2] Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Josadak, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalem; e com elles os prophetas de Deus, que os ajudavam.

3 N’aquelle tempo veiu a [3] elles Tattenai, governador d’áquem do rio, e Sethar-boznai, e os seus companheiros, e disseram-lhes assim: Quem vos deu ordem para edificardes esta casa, e restaurardes este muro?

4 Então [4] assim lhes dissemos: E quaes são os nomes dos homens que edificaram este edificio?

5 Porém os olhos de [5] Deus estavam sobre os anciãos dos judeos, e não os impediram, até que o negocio viesse a Dario, e então respondessem por carta sobre isso.

6 Copia da carta que Tattenai, o governador d’áquem do rio, com Sethar-boznai [6] e os seus companheiros, os apharsachitas, que estavam d’áquem do rio, enviaram ao rei Dario.

7 Enviaram-lhe uma relação; e assim estava escripto n’ella: “Toda a paz ao rei Dario.

8 Seja notorio ao rei, que nós fomos á provincia de Judah, á casa do grande Deus, que se edifica com grandes pedras, e a madeira se está pondo sobre as paredes; e esta obra apressuradamente se faz, e se adianta em suas mãos.

9 Então perguntámos aos anciãos, e assim lhes dissemos: Quem vos deu ordem [7] para edificardes esta casa, e restaurardes este muro?

10 De mais d’isto, lhes perguntámos tambem pelos seus nomes, para t’os declararmos: para que te podessemos escrever os nomes dos homens que são entre elles os chefes.

11 E esta resposta nos deram, dizendo: Nós somos servos de Deus dos céus e da terra, e reedificamos a casa que foi edificada muitos annos antes; porque um grande rei d’Israel a edificou [8] e aperfeiçoou.

12 Mas depois [9] que nossos paes provocaram á ira o Deus dos céus, elle os entregou na mão de Nabucodonosor, rei de Babylonia, o chaldeo, o qual destruiu esta casa, e transportou o seu povo para Babylonia.

13 Porém no primeiro anno de Cyro, rei [10] de Babylonia, o rei Cyro deu ordem para que esta casa de Deus se edificasse.

14 E até [11] os vasos de oiro e prata, da casa de Deus, que Nabucodonosor tomou do templo que estava em Jerusalem e os metteu no templo de Babylonia, o rei Cyro os tirou do templo de Babylonia, e foram dados a um homem cujo nome era Sesbazar, [12] a quem nomeou governador.

15 E disse-lhe: Toma estes vasos, vae, e leva-os ao templo que está em Jerusalem, e faze edificar a casa de Deus, no seu logar.

16 Então veiu o dito Sesbazar, e poz os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalem [13] e desde então para cá se está edificando, e ainda não está acabada.

17 Agora, pois, se parece bem ao rei, [14] busque-se lá na casa dos thesouros do rei, que está em Babylonia, se é verdade que se deu uma ordem pelo rei Cyro para edificar esta casa de Deus em Jerusalem; e sobre isto se nos manda saber a vontade do rei.”

[1] Agg. 1.1. Zac. 1.1.

[2] cap. 3.2.

[3] ver. 6. cap. 6.6.

[4] ver. 10.

[5] cap. 7.6, 28 e 6.6.

[6] cap. 4.9.

[7] ver. 3, 4.

[8] I Reis 6.1.

[9] II Chr. 36.16, 17.

[10] cap. 1.1.

[11] cap. 1.7, 8 e 6.5.

[12] Agg. 1.14 e 2.2, 21.

[13] cap. 3.8, 10. cap. 6.15.

[14] cap. 6.1, 2.

O rei Dario confirma a ordem de edificar o templo.

Antes de Christo 536

6 Então o rei Dario deu ordem, e buscaram [1] na chancellaria, onde se mettiam os thesouros em Babylonia.

2 E em Achmetha, no paço, que está na provincia de Media, se achou um rôlo, e n’elle estava escripto um memorial que dizia assim:

3 No anno primeiro do rei Cyro, o rei Cyro deu esta ordem: A casa de Deus em Jerusalem, esta casa se edificará para logar em que se offereçam sacrificios, e seus fundamentos serão firmes: a sua altura de sessenta covados, e a sua largura de sessenta covados;

4 Com tres carreiras [2] de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova: e a despeza se fará da casa do rei.

5 De mais d’isto, os vasos [3] de oiro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor transportou do templo que estava em Jerusalem, e levou para Babylonia, se tornarão a dar, para que vão ao seu logar, ao templo que está em Jerusalem, e os levarão á casa de Deus.

6 Agora [4] pois Tattenai, governador de além do rio, Sethar-boznai, e os seus companheiros, os apharsachitas, que estaes de além do rio, apartae-vos d’ali.

7 Deixa-os na obra d’esta casa de Deus; para que o governador dos judeos e os judeus edifiquem esta casa de Deus no seu logar.

[456]

8 Tambem por mim se decreta o que haveis de fazer com os anciãos dos judeos, para edificar esta casa de Deus, a saber: que da fazenda do rei dos tributos d’além do rio se dê promptamente a despeza a estes homens, para que não sejam impedidos.

9 E o que fôr necessario, como bezerros, e carneiros, e cordeiros, por holocausto ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalem; e dê-se-lhes, de dia em dia, para que não haja falta.

10 Para que offereçam [5] sacrificios de cheiro suave ao Deus dos céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos.

11 Tambem por mim se decreta que todo o homem que mudar este decreto, um madeiro se arrancará da sua casa, e, levantado, o pendurarão n’elle, [6] e da sua casa se fará por isso um monturo.

12 O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome [7] derribe a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para o mudarem e para destruirem esta casa de Deus, que está em Jerusalem. Eu, Dario, dei o decreto; apressuradamente se faça.

Acaba-se o templo e é consagrado.

Antes de Christo 519

13 Então Tattenai, o governador de além do rio, Sethar-boznai e os seus companheiros, assim fizeram apressuradamente, conforme ao que decretara o rei Dario.

14 E os anciãos [8] dos judeos iam edificando e prosperando pela prophecia do propheta Aggeo, e de Zacharias, filho d’Iddo: e a edificaram e aperfeiçoaram conforme ao mandado do Deus de Israel, [9] e conforme ao mandado de Cyro e Dario, e d’Artaxerxes rei da Persia.

15 E acabou-se esta casa no dia terceiro do mez d’Adar que era o sexto anno do reinado do rei Dario.

Antes de Christo 515

16 E os filhos d’Israel, os sacerdotes, e os levitas, e o resto dos filhos do captiveiro, fizeram a consagração [10] d’esta casa de Deus com alegria.

17 E offereceram [11] para a consagração d’esta casa de Deus cem novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros, e doze cabritos por expiação do peccado de todo o Israel; segundo o numero das tribus d’Israel.

18 E pozeram os sacerdotes nas suas turmas [12] e os levitas nas suas divisões, para o ministerio de Deus, que está em Jerusalem; conforme ao escripto do livro de Moysés.

19 E os que vieram do captiveiro celebraram [13] a paschoa no dia quatorze do primeiro mez.

20 Porque os sacerdotes e levitas se purificaram [14] como se fossem um só homem, todos estavam limpos: e mataram o cordeiro da paschoa para todos os filhos do captiveiro, e para seus irmãos, os sacerdotes, e para si mesmos.

21 Assim comeram os filhos d’Israel que tinham voltado do captiveiro, com todos os que a elles se apartaram da immundicia [15] das gentes da terra, para buscarem o Senhor, Deus d’Israel:

22 E celebraram [16] a festa dos pães asmos os sete dias com alegria, porque o Senhor os tinha alegrado, e tinha mudado [17] o coração do rei de Assyria a favor d’elles; para lhes esforçar as mãos na obra da casa de Deus, o Deus d’Israel.

[1] cap. 5.17.

[2] I Reis 6.36.

[3] cap. 1.7, 8 e 5.14.

[4] cap. 5.3.

[5] cap. 7.23. Jer. 29.7. I Tim. 2.1, 2.

[6] Dan. 2.5 e 3.29.

[7] I Reis 9.3.

[8] cap. 5.1, 2.

[9] cap. 1.1 e 5.13. ver. 3.

[10] I Reis 8.63. II Chr. 7.5.

[11] cap. 8.35.

[12] I Chr. 24.1. I Chr. 23.6. Num. 3.6 e 8.9.

[13] Exo. 12.6.

[14] II Chr. 30.15. II Chr. 35.11.

[15] cap. 9.11.

[16] Exo. 12.15 e 13.6. II Chr. 30.21 e 35.17.

[17] Pro. 21.1. II Reis 23.29.

Artaxerxes envia Esdras a Jerusalem para proclamar o edicto em favor dos judeos.

Antes de Christo 457

7 E passadas estas coisas do reinado d’Artaxerxes, [1] rei da Persia, Esdras, filho de Seraias, filho d’Azarias, filho d’Hilkias,

2 filho de Sallum, filho de Zadok, filho d’Ahitub,

3 filho d’Amarias, filho d’Azarias, filho de Meraioth,

4 filho de Zerachias, filho de Uzi, filho de Bukki,

5 filho d’Abisua, filho de Phineas, filho d’Eleazar, filho d’Aarão, o summo sacerdote;

6 Este Esdras subiu de Babylonia; e era escriba [2] habil na lei de Moysés, que deu o Senhor Deus d’Israel; e, segundo a mão do Senhor seu Deus, que estava sobre elle, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.

7 Tambem [3] subiram a Jerusalem alguns dos filhos d’Israel, e dos sacerdotes, e dos levitas, e dos cantores, e dos porteiros, e dos nethineos, no anno setimo do rei Artaxerxes.

8 E no mez quinto veiu a Jerusalem; que era o setimo anno d’este rei.

9 Porque no primeiro dia do primeiro mez foi o principio da subida de Babylonia: e no primeiro dia do quinto mez[457] chegou a Jerusalem, segundo a boa mão [4] do seu Deus sobre elle.

10 Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para fazel-a e para [5] ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos.

11 Esta é pois a copia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras dos mandamentos do Senhor, e dos seus estatutos sobre Israel.

12 “Artaxerxes, [6] rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu, paz perfeita, e em tal tempo.

13 Por mim se decreta que no meu reino todo aquelle do povo d’Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quizer ir comtigo a Jerusalem, vá.

14 Porquanto da parte do rei e dos seus [7] sete conselheiros és mandado, para fazeres inquirição em Judah e em Jerusalem, conforme á lei do teu Deus, que está na tua mão;

15 E para levares a prata e o oiro que o rei e os seus conselheiros voluntariamente deram ao Deus d’Israel, cuja habitação está [8] em Jerusalem;

16 E toda a prata e o oiro que achares em toda a provincia de Babylonia, com as offertas voluntarias do povo [9] e dos sacerdotes, que voluntariamente offerecerem, para a casa de seu Deus, que está em Jerusalem.

17 Portanto, logo compra com este dinheiro novilhos, carneiros, cordeiros, com as suas offertas de manjares, e as suas libações, e offerece-as [10] sobre o altar da casa de vosso Deus, que está em Jerusalem.

18 Tambem o que a ti e a teus irmãos bem te parecer fazerdes do resto da prata e do oiro, o fareis conforme á vontade do vosso Deus.

19 E os vasos que te foram dados para o serviço da casa de teu Deus, restitue-os perante o Deus de Jerusalem.

20 E o resto do que fôr necessario para a casa de teu Deus, que te convenha dar, o darás da casa dos thesouros do rei.

21 E por mim mesmo, o rei Artaxerxes, se decreta a todos os thesoureiros que estão d’além do rio que tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus dos céus, apressuradamente se faça,

22 Até cem talentos de prata, e até cem coros de trigo, e até cem batos de vinho, e até cem batos d’azeite; e sal sem conta.

23 Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do céu, promptamente se faça para a casa do Deus do céu: porque para que haveria grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos?

24 Tambem vos fazemos saber ácerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, nethineos, e ministros da casa d’este Deus, que se lhes não possa impôr, nem direito, nem antigo tributo, nem renda.

25 E tu, Esdras, conforme á sabedoria do teu Deus, [11] que está na tua mão, põe regedores e juizes, que julguem a todo o povo que está d’além do rio, a todos os que sabem as leis de teu Deus; [12] e ao que as não sabe, as fareis saber.

26 E todo aquelle que não fizer a lei do teu Deus e a lei do rei, logo se faça justiça d’elle: quer seja morte, quer degredo, quer multa sobre os seus bens, quer prisão.

27 Bemdito [13] seja o Senhor Deus de nossos paes, que tal inspirou ao coração do rei, para ornarmos a casa do Senhor, que está em Jerusalem;

28 E que estendeu [14] para mim a sua beneficencia perante o rei e os seus conselheiros e todos os principes poderosos do rei: assim me esforcei, segundo a mão do Senhor [15] sobre mim, e ajuntei d’entre Israel uns chefes para subirem comigo.”

[1] Neh. 2.1. I Chr. 6.14.

[2] ver. 11, 12, 21.

[3] ver. 9. cap. 8.22, 31. cap. 8.1.

[4] ver. 6. Neh. 2.8, 10.

[5] ver. 6, 25. Deu. 33.10. Neh. 8.1-8. Mal. 2.7.

[6] Eze. 26.7. Dan. 2.37.

[7] Est. 1.14.

[8] II Chr. 6.2.

[9] cap. 8.25. I Chr. 29.6, 9.

[10] Deu. 12.5, 11.

[11] Exo. 18.21, 22. Deu. 16.18.

[12] ver. 10. II Chr. 17.7. Mal. 2.7. Mat. 23.2, 3.

[13] I Chr. 29.10. cap. 6.22.

[14] cap. 9.9.

[15] cap. 5.5. ver. 6, 9. cap. 8.18.

A lista dos que voltaram de Babylonia com Esdras.

8 Estes pois são os chefes de seus paes, com as suas genealogias, dos que subiram comigo de Babylonia no reinado do rei Artaxerxes:

2 Dos filhos de Phineas, Gersom; dos filhos d’Ithamar, Daniel; dos filhos de David, [1] Hatus;

3 Dos filhos de Sechanias, e dos filhos de Pareos, [2] Zacharias; e com elle por genealogias se contaram até cento e cincoenta homens.

4 Dos filhos de Pahath-moab, Elie-hoeni, filho de Zerachias; e com elle duzentos homens.

5 Dos filhos de Sechanias, o filho de Jehaziel; e com elle trezentos homens.

6 E dos filhos d’Adin, Ebed, filho de Jonathan; e com elle cincoenta homens.

7 E dos filhos d’Elam, Jesaias, filho d’Athalias; e com elle setenta homens.

8 E dos filhos de Sephatias, Zebadias, filho de Michael; e com elle oitenta homens.

9 Dos filhos de Joab, Obadias filho de Jehiel; e com elle duzentos e dezoito homens.

[458]

10 E dos filhos de Selomith, o filho de Josiphias; e com elle cento e sessenta homens.

11 E dos filhos de Bebai, Zacharias, o filho de Bebai; e com elle vinte e oito homens.

12 E dos filhos d’Azgad, Johanan, o filho de Katan; e com elle cento e dez homens.

13 E dos ultimos filhos d’Adonikam, cujos nomes eram estes: Eliphelet, Jeiel e Semais; e com elles sessenta homens.

14 E dos filhos de Bigvai, Uthai e Zabbud; e com elles setenta homens.

15 E ajuntei-os para o rio que vae a Ahava, e ficámos ali acampados tres dias: então attentei para o povo e para os sacerdotes, e não achei ali nenhum dos filhos [3] de Levi.

16 Enviei pois Eliezer, Ariel, Semaias, e Elnathan, e Jarib, e Elnathan, e Nethan, e Zacharias, e Mesullam, os chefes: como tambem a Joiarib, e a Elnathan, que eram sabios.

17 E dei-lhes mandado para Iddo, chefe no logar de Casiphia: e lhes puz palavras na bocca para dizerem a Iddo, seu irmão, e aos nethineos, no logar de Casiphia, que nos trouxessem ministros para a casa do nosso Deus.

18 E trouxeram-nos segundo a boa mão de Deus sobre nós, um [4] homem entendido, dos filhos de Machli, filho de Levi, filho de Israel: a saber: Serebias, com os seus filhos e irmãos, dezoito;

19 E a Hasabias, e com elle Jesaias, dos filhos de Merari; com seus irmãos e os filhos d’elles, vinte;

20 E dos nethineos [5] que David e os principes deram para o ministerio dos levitas, duzentos e vinte nethineos: que todos foram expressos por seus nomes.

21 Então apregoei ali um jejum junto ao rio Ahava, [6] para nos humilharmos diante da face de nosso Deus, para lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda.

22 Porque me [7] envergonhei de pedir ao rei exercito e cavalleiros para nos defenderem do inimigo no caminho: porquanto tinhamos fallado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam para o bem d’elles, mas a sua força e a sua ira sobre todos os que o [8] deixam.

23 Nós pois jejuámos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-se [9] pelas nossas orações.

24 Então separei doze dos maioraes dos sacerdotes: Serebias, Hasabias, e com elles dez dos seus irmãos.

25 E pesei-lhes a prata, [10] e o oiro, e os vasos: que era a offerta para a casa de nosso Deus, que offereceram o rei e os seus conselheiros, e os seus principes, e todo o Israel que ali se achou.

26 E pesei em suas mãos seiscentos e cincoenta talentos de prata, e em vasos de prata cem talentos, e cem talentos de oiro.

27 E vinte taças d’oiro, de mil [MO] drachmas, e dois vasos de bom metal lustroso, tão desejavel como oiro.

28 E disse-lhes: Consagrados [11] sois do Senhor, e sagrados são estes vasos, como tambem esta prata e este oiro, offerta voluntaria, offerecida ao Senhor Deus de vossos paes,

29 Vigiae pois, e guardae-os até que os peseis na presença dos maioraes dos sacerdotes e dos levitas, e dos principes dos paes de Israel, em Jerusalem, nas camaras da casa de Deus.

30 Então receberam os sacerdotes e os levitas o peso da prata, e do oiro, e dos vasos, para o trazerem a Jerusalem, á casa do nosso Deus.

31 E partimos do rio d’Ahava, no dia doze do primeiro mez, para irmos para Jerusalem: e a mão [12] do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos da mão dos inimigos, e dos que nos armavam ciladas no caminho.

32 E viemos [13] a Jerusalem, e repousámos ali tres dias.

33 E no dia quatro [14] se pesou a prata, e o oiro, e os vasos, na casa do nosso Deus, por mão de Meremoth, filho do sacerdote Urias, e com elle Eleazar, filho de Phineas: e com elles Jozabad, filho de Jesué, e Noadias, filho de Binui, levitas;

34 Conforme ao numero e conforme ao peso de tudo aquillo; e todo o peso se descreveu no mesmo tempo.

35 E os transportados, que vieram do captiveiro, [15] offereceram holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros, e doze bodes em sacrificio pelo peccado: tudo em holocausto ao Senhor.

36 Então deram as [16] ordens do rei aos satrapas do rei, e aos governadores de áquem do rio; e ajudaram o povo e a casa de Deus.

[1] I Chr. 3.22.

[2] cap. 2.3.

[3] cap. 7.7.

[4] Neh. 8.7 e 9.4, 5.

[5] cap. 2.43.

[6] II Chr. 20.3. Lev. 16.29 e 23.29. Isa. 58.3, 5.

[7] I Cor. 9.15. cap. 7.6, 9, 28. Rom. 8.28.

[8] II Chr. 15.2.

[9] I Chr. 5.20. II Chr. 33.13. Isa. 19.22.

[10] cap. 7.15, 16.

[11] Lev. 21.6, 7, 8. Deu. 33.8. Lev. 22.2, 3. Num. 4.4, 15, 19, 20.

[12] cap. 7.6, 9, 28.

[13] Neh. 2.11.

[14] ver. 25, 30.

[15] cap. 6.17.

[16] cap. 7.21.

[459]

Esdras sabe que muitos israelitas casaram com mulheres hetheas, e faz oração e confissão a Deus.

9 Acabadas pois estas coisas, chegaram-se a mim os principes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, se não [1] teem separado dos povos d’estas terras; segundo as suas abominações, a saber: dos cananeos, dos hetheos, dos pherezeos, dos jebuseos, dos amonitas, dos moabitas, dos egypcios, e dos amorrheos.

2 Porque tomaram [2] das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente sancta com os povos d’estas terras: e até a mão dos principes e magistrados foi a primeira n’esta transgressão.

3 E, ouvindo eu tal coisa, rasguei [3] o meu vestido e o meu manto, e arranquei os cabellos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei attonito.

4 Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das [4] palavras do Deus d’Israel por causa da transgressão dos do captiveiro: porém eu me fiquei assentado attonito até ao sacrificio [5] da tarde.

5 E perto do sacrificio da tarde me levantei da minha afflicção, havendo rasgado o meu vestido e o meu manto, e me puz de joelhos, [6] e estendi as minhas mãos para o Senhor meu Deus;

6 E disse: Meu Deus! Estou confuso [7] e envergonhado, de levantar a ti a minha face, meu Deus: porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até aos céus.

7 Desde os dias de nossos paes até ao dia de hoje estamos [8] em grande culpa, e por causa das nossas iniquidades somos entregues, nós, os nossos reis, e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, á espada, ao captiveiro, e ao roubo, e á confusão do rosto, como hoje se vê.

8 E agora, como por um pequeno momento, se nos fez graça da parte do Senhor, nosso Deus, para nos deixar aquelles que escapem, e para dar-nos uma estaca no seu sancto logar: para nos alumiar os olhos, ó Deus nosso, e para nos dar uma pouca de vida na nossa servidão;

9 Porque servos somos; porém na nossa servidão não nos desamparou [9] o nosso Deus; antes estendeu sobre nós beneficencia perante os reis da Persia, para que nos desse vida, para levantarmos a casa do nosso Deus, e para restaurarmos as suas assolações; e para que nos desse uma parede [10] em Judah e em Jerusalem.

10 Agora pois, ó nosso Deus, que diremos depois d’isto? pois deixámos os teus mandamentos,

11 Os quaes mandaste pelo ministerio de teus servos, os prophetas, dizendo: A terra em que entraes para a possuir, terra immunda é [11] pelas immundicias dos povos das terras, pelas suas abominações com que a encheram, d’uma extremidade á outra, com a sua immundicia.

12 Agora pois vossas [12] filhas não dareis a seus filhos, e suas filhas não tomareis para vossos filhos, e nunca procurareis a sua paz e o seu bem; para que vos esforceis, e comaes o bem da terra, e a façaes possuir a [13] vossos filhos para sempre.

13 E depois de tudo o que nos tem succedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa: porquanto tu, ó nosso Deus, estorvaste que fossemos destruidos, por causa da nossa iniquidade, e ainda nos deste livramento como este;

14 Tornaremos pois agora a violar os [14] teus mandamentos, e a aparentar-nos com os povos d’estas abominações? não te indignarias tu assim contra nós até de todo nos consumir, até que não ficasse resto nem quem escapasse?

15 Ah! Senhor Deus d’Israel, [15] justo és: pois ficamos escapos, como hoje se vê: eis que estamos diante de ti no nosso delicto; porque depois d’isto ninguem ha que possa estar na tua presença.

[1] cap. 6.21. Neh. 9.2. Deu. 12.30, 31.

[2] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Neh. 13.23. II Cor. 6.14.

[3] Job 1.20.

[4] cap. 10.3. Isa. 66.2.

[5] Exo. 29.39.

[6] Exo. 9.29, 33.

[7] Dan. 9.7, 8.

[8] Dan. 9.5, 6, 8. Deu. 28.36, 64. Neh. 9.30. Dan. 9.7, 8.

[9] Neh. 9.36. cap. 7.28.

[10] Isa. 5.2.

[11] cap. 6.21.

[12] Exo. 23.32 e 34.16. Deu. 7.3. Deu. 23.6.

[13] Pro. 13.22 e 20.7.

[14] João 5.14. II Ped. 2.20, 21. ver. 2. Neh. 13.23, 27. Deu. 9.8.

[15] Neh. 9.33. Dan. 9.14. Rom. 3.19. I Cor. 15.17.

Os israelitas arrependem-se e despedem suas mulheres hetheas.

10 E orando [1] Esdras assim, e fazendo esta confissão, chorando, e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a elle d’Israel uma mui grande congregação, de homens e de mulheres, e de crianças; porque o povo chorava com grande choro.

2 Então respondeu Sechanias, filho de Jehiel, um dos filhos de Elam, e disse a Esdras: Nós temos transgredido [2] contra[460] o nosso Deus, e casámos com mulheres estranhas do povo da terra, mas, no tocante a isto, ainda ha esperança para Israel.

3 Agora pois façamos [3] concerto com o nosso Deus de que despediremos todas as mulheres, e tudo o que é nascido d’ellas, conforme ao conselho do Senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a lei.

4 Levanta-te, pois, porque te pertence este negocio, e nós seremos comtigo; [4] esforça-te, e obra.

5 Então Esdras se levantou, e ajuramentou os maioraes dos sacerdotes e dos levitas, e a todo o Israel, de que fariam conforme a esta palavra, [5] e juraram.

6 E Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na camara de Johanan, filho de Eliasib: e, vindo lá, pão [6] não comeu, e agua não bebeu; porque estava annojado pela transgressão dos do captiveiro.

7 E fizeram passar pregão por Judah e Jerusalem, e todos os que vieram do captiveiro, para que se ajuntassem em Jerusalem.

8 E que todo aquelle que em tres dias não viesse, segundo o conselho dos principes e dos anciãos, toda a sua fazenda se poria em interdicto, e elle seria separado da congregação dos do captiveiro.

9 Então todos os homens de Judah e Benjamin em tres dias se ajuntaram em Jerusalem: era o nono mez, no dia vinte do mez: e todo [7] o povo se assentou na praça da casa de Deus, tremendo por este negocio e por causa das grandes chuvas.

10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estranhas, multiplicando o delicto d’Israel.

11 Agora pois fazei [8] confissão ao Senhor Deus de vossos paes; e fazei a sua vontade; e apartae-vos dos povos das terras, e das mulheres estranhas.

12 E respondeu toda a congregação, e disseram em altas vozes: Assim seja, conforme ás tuas palavras nos convem fazer.

13 Porém o povo é muito, e tambem é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fóra: nem é obra d’um dia nem de dois, porque somos muitos os que transgredimos n’este negocio.

14 Ora ponham-se os nossos principes, por toda a congregação sobre este negocio; e todos os que em nossas cidades casaram com mulheres estranhas venham em tempos apontados, e com elles os anciãos de cada cidade, e os seus juizes, até que desviemos de nós o ardor da ira [9] do nosso Deus, por esta causa.

15 Porém sómente Jonathan, filho d’Asael, e Jehazias, filho de Tikva, se pozeram sobre este negocio: e Mesullam, e Sabbethai, levita, os ajudaram.

16 E assim o fizeram os que tornaram do captiveiro: e apartaram-se o sacerdote Esdras e os homens, cabeças dos paes, segundo a casa de seus paes, e todos pelos seus nomes; e assentaram-se no primeiro dia do decimo mez, para inquirirem n’este negocio.

17 E acabaram-n’o com todos os homens que casaram com mulheres estranhas, até ao primeiro dia do primeiro mez.

18 E acharam-se dos filhos dos sacerdotes que casaram com mulheres estranhas: dos filhos de Josué, filho de Josadak, e seus irmãos, Maaseias, e Eliezer, e Jarib, e Gadalias.

19 E deram a sua mão de que despediriam [10] suas mulheres: e, achando-se culpados, offereceram um carneiro do rebanho pelo seu delicto.

20 E dos filhos d’Immer: Hanani, e Zabadias.

21 E dos filhos d’Harim: Maaseias, e Elias, e Semaias, e Jehiel, e Uzias.

22 E dos filhos de Pashur: Elioenai, Maseias, Ishmael, Nathanel, Jozabad, e Elasa.

23 E dos levitas: Jozabad, e Simei, e Kelaias (este é Kelitas), Pethahias, Judah, e Eliezer.

24 E dos cantores: Eliasib: e dos porteiros: Sallum, e Telem, e Uri.

25 E d’Israel, dos filhos de Paros: Ramias, e Jezias, e Malchias, e Miamin, e Eleazer, e Malchias, e Benaias.

26 E dos filhos d’Elam: Matthanias, Zacharias, e Jehiel, e Abdi, e Jeremoth, e Elias.

27 E dos filhos de Zattu: Elioenai, Eliasib, Matthanias, e Jeremoth, e Zabad, e Aziza.

28 E dos filhos de Bebai: Johanan, Hananias, Zabbai, Athlai.

29 E dos filhos de Bani: Mesullam, Malluch, e Adaias, Jasub, e Seal, Jeremoth.

30 E dos filhos de Pahath-moab: Adna, e Chelal, Benaias, Maseias, Matthanias, Besaleel, e Binnui, e Manasseh.

31 E dos filhos d’Harim: Eliezer, Jesias, Malchias, Semaias, Simeão,

32 Benjamin, Malluch, Semarias.

33 Dos filhos d’Hasum: Mathnai, Matthattha, Zabad, Eliphelet, Jeremai, Manasseh, Simei.

34 Dos filhos de Bani: Maadai, Amram, e Uel,

35 Benaias, Bedias, Cheluhi,

36 Vanias, Meremoth, Eliasib,

37 Matthanias, Mathnai, e Jaasai,

38 E Bani, e Binnui, Simei,

39 E Selemias, e Nathan, e Adaias,

40 Machnadbai, Sasai, Sarai,

41 Azareel, e Selemias, Semarias,

42 Sallum, Amarias, José.

43 Dos filhos de Nebo: Jeiel, Mattithias, Zabad, Zebina, Jaddai, Joel, e Benaias.

44 Todos estes tomaram mulheres estranhas: e alguns d’elles tinham mulheres de quem alcançaram filhos.

[1] Dan. 9.20. II Chr. 20.9.

[2] Neh. 13.27.

[3] II Chr. 34.31. cap. 9.4. Deu. 7.2, 3.

[4] I Chr. 28.10.

[5] Neh. 5.12.

[6] Deu. 9.18.

[7] I Sam. 12.18.

[8] Jos. 7.19. Pro. 28.13. ver. 3.

[9] II Chr. 30.8.

[10] II Reis 10.15. I Chr. 29.24. II Chr. 30.8. Lev. 6.4, 6.

[461]


O LIVRO DE NEHEMIAS.

Nehemias, sabendo o triste estado de Jerusalem, ora a Deus.

Antes de Christo 456

1 As palavras de Nehemias, [1] filho d’Hacalias. E succedeu no mez de chisleu, no anno vigesimo, estando eu em Susan, [MP] a fortaleza,

2 Que veiu Hanani, um de meus irmãos, elle e alguns de Judah; e perguntei-lhes pelos judeos que escaparam, e que restaram do captiveiro, e ácerca de Jerusalem.

3 E disseram-me: Os restantes, que restaram do captiveiro, lá na provincia estão em grande miseria e desprezo: [2] e o muro de Jerusalem fendido, e as suas portas queimadas a fogo.

4 E succedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias: e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.

5 E disse: Ah Senhor, [3] Deus dos céus, Deus grande e terrivel! que guarda [4] o concerto e a benignidade para com aquelles que o amam e guardam os seus mandamentos;

6 Estejam pois attentos os teus ouvidos, e os teus olhos [5] abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje oro perante ti, de dia e de noite, pelos filhos d’Israel, teus servos: e faço confissão pelos peccados dos filhos d’Israel, que peccámos contra ti; tambem eu e a casa de meu pae peccámos.

7 De todo nos corrompemos contra ti, e não guardámos os mandamentos, nem os [6] estatutos, nem os juizos, que ordenaste a Moysés teu servo.

8 Lembra-te pois da palavra que ordenaste a Moysés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, [7] e eu vos espalharei entre os povos.

9 E vós [8] vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os fareis: então, ainda que os vossos rejeitados estiverem no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao logar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome.

10 Ainda são [9] teus servos e o teu povo que resgataste com a tua grande força e com a tua forte mão.

11 Ah, Senhor, estejam [10] pois attentos os teus ouvidos á oração do teu servo, e á oração dos teus servos que desejam [11] temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu servo, e dá-lhe graça perante este homem. Então era eu copeiro do rei.

[1] cap. 10.1.

[2] cap. 2.17. II Reis 25.10.

[3] Dan. 9.4.

[4] Exo. 20.6.

[5] II Reis 8.28, 29. II Chr. 6.40. Dan. 9.17, 18.

[6] Deu. 28.15.

[7] Lev. 26.33. Deu. 4.25, 26, 27 e 28.64.

[8] Lev. 26.39, etc. Deu. 4.29, 30, 31 e 30.2. Deu. 30.4.

[9] Deu. 9.29. Dan. 9.15.

[10] ver. 6.

[11] Isa. 26.8. Heb. 13.18. cap. 2.1.

Artaxerxes permitte a Nehemias ir a Jerusalem e edificar os muros.

Antes de Christo 445

2 Succedeu pois no mez de nisan, no anno vigesimo do rei [1] Artaxerxes, que estava posto vinho diante d’elle, e eu tomei o vinho, e o dei ao rei; porém nunca estivera triste diante d’elle.

2 E o rei me disse: Porque está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração: [2] então temi muito em grande maneira.

3 E disse ao rei: Viva o rei para sempre! [3] Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o logar dos sepulchros de meus paes, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?

4 E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,

[462]

5 E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é acceito em tua presença, peço-te que me envies a Judah, á cidade dos sepulchros de meus paes, para que eu a edifique.

6 Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a elle: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? [4] E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo.

7 Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores d’além do rio, para que me dêem passagem até que chegue a Judah.

8 Como tambem uma carta para Asaph, guarda do jardim do rei, que me dê madeira para cobrir [5] as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei m’as deu, segundo a boa [6] mão de Deus sobre mim.

9 Então vim aos governadores d’além do rio, e dei-lhes as cartas do rei: e o rei tinha enviado comigo chefes do exercito e cavalleiros.

10 O que ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, lhes desagradou com grande desagrado que alguem viesse a procurar o bem dos filhos d’Israel.

11 E cheguei [7] a Jerusalem, e estive ali tres dias.

12 E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguem o que o meu Deus me poz no coração para fazer em Jerusalem: e não havia comigo animal algum, senão aquelle em que estava montado.

13 E de noite sahi pela [8] porta do valle, e para a banda da fonte do dragão, e para a porta do monturo, e contemplei os muros de Jerusalem, que estavam fendidos, [9] e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.

14 E passei á porta da [10] fonte, e ao viveiro do rei; e não havia logar por onde podesse passar a cavalgadura debaixo de mim.

15 Então de noite subi pelo ribeiro, e [11] contemplei o muro: e voltei, e entrei pela porta do valle, e assim voltei.

16 E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia: porque ainda nem aos judeos, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra, até então tinha declarado coisa alguma.

17 Então lhes disse: Bem vêdes vós a miseria em que estamos, que Jerusalem está assolada, e que as suas portas teem sido queimadas a fogo: vinde pois e reedifiquemos o muro de Jerusalem, [12] e não sejamos mais em opprobrio.

18 Então lhes declarei [13] como a mão do meu Deus me fôra favoravel, como tambem as palavras do rei, que elle me tinha dito: então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos [14] para o bem.

19 O que ouvindo Sanballat, o horonita, e Tobias, o servo ammonita, e Gesem, o arabio, zombaram de nós, e desprezaram-n’os, e disseram: Que é isto que fazeis? quereis [15] rebellar-vos contra o rei?

20 Então lhes respondi, e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos: [16] que vós não tendes parte, nem justiça, nem memoria em Jerusalem.

[1] Esd. 7.4. cap. 1.11.

[2] Pro. 15.13.

[3] I Reis 1.31. cap. 1.3.

[4] cap. 5.14 e 13.6.

[5] cap. 3.7.

[6] ver. 18. Esd. 5.5 e 7.6, 9, 28.

[7] Esd. 8.32.

[8] II Chr. 26.9. cap. 3.13.

[9] cap. 1.3. ver. 17.

[10] cap. 3.15.

[11] II Sam. 15.23. Jer. 31.40.

[12] cap. 1.3. Jer. 24.9. Eze. 5.14, 15 e 22.4.

[13] ver. 8.

[14] II Sam. 2.7.

[15] cap. 6.6.

[16] Esd. 4.3.

Dos que trabalharam na edificação dos muros.

3 E levantou-se [1] Eliasib, o summo sacerdote, com os seus irmãos, os sacerdotes, e edificaram a porta do gado, a qual consagraram; e levantaram as suas portas: e até a torre de Meah consagraram, e até a torre d’Hananel.

2 E junto a elle [2] edificaram os homens de Jericó: tambem ao seu lado edificou Zaccur, filho d’Imri.

3 E a porta do [3] peixe edificaram os filhos de Senaa; a qual emmadeiraram, e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.

4 E ao seu lado reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kós; e ao seu lado reparou Mesullam, filho de Berechias, o filho de Mesezabel; e ao seu lado reparou Zadok, filho de Baana.

5 E ao seu lado repararam os tekoitas: porém os seus illustres não metteram [4] o seu pescoço ao serviço de seu senhor.

6 E a porta velha repararam-n’a Joiada, filho de Paseah, e Mesullam, filho de Besodias: [5] estes a emmadeiraram, e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.

7 E ao seu lado repararam Melatias, o gibeonita, e Jadon, meronothita, homens de Gibeon e Mispah, até ao assento do governador [6] d’áquem do rio.

[463]

8 Ao seu lado reparou Uziel, filho d’Harhaias, um dos ourives; e ao seu lado reparou Hananias, filho d’um dos boticarios; e deixaram a Jerusalem até ao muro [7] largo.

9 E ao seu lado reparou Rephaias, filho d’Hur, maioral d’ametade de Jerusalem.

10 E ao seu lado reparou Jedaias, filho d’Harumaph, e defronte de sua casa; e ao seu lado reparou Hattus, filho d’Hasabneias.

11 A outra porção reparou Malchias, filho d’Harim, e Hasub, filho de Pahath-moab: como tambem a torre [8] dos fornos.

12 E ao seu lado reparou Sallum, filho de Lohes, maioral da outra meia parte de Jerusalem, elle e suas filhas.

13 A porta [9] do valle reparou-a Hanun e os moradores de Zanoah: estes a edificaram, e lhe levantaram as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como tambem mil covados no muro, até á porta do [10] monturo.

14 E a porta do monturo reparou-a Malchias, filho de Rechab, maioral do districto de Beth-cherem: este a edificou, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos.

15 E a porta [11] da fonte reparou-a Sallum, filho de Col-hose, maioral do districto de Mispah: este a edificou, e a cobriu, e lhe levantou as portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos, como tambem o muro do viveiro [12] de Selah, ao pé do jardim do rei, e até aos degraus que descem da cidade de David.

16 Depois d’elle edificou Nehemias, filho d’Azbuk, maioral da metade de Beth-zur, até defronte dos sepulchros de David, e até ao viveiro [13] artificial, e até á casa dos varões.

17 Depois d’elle repararam os levitas, Rehum, filho de Bani: ao seu lado reparou Hasabias, maioral da metade de Keila, no seu districto.

18 Depois d’elle repararam seus irmãos, Bavai, filho d’Henadad, maioral da outra meia parte de Keila.

19 Ao seu lado reparou Ezer, filho de Josué, maioral de Mispah, outra porção, defronte da subida [14] á casa das armas, á esquina.

20 Depois d’elle reparou com grande ardor Baruch, filho de Zabbai, outra medida, desde a esquina até á porta da casa d’Eliasib, o summo sacerdote.

21 Depois d’elle reparou Meremoth, filho d’Urias, o filho de Kos, outra porção, desde a porta da casa d’Eliasib, até á extremidade da casa d’Eliasib.

22 E depois d’elle repararam os sacerdotes que habitavam na campina.

23 Depois reparou Benjamin e Hasub, defronte da sua casa: depois d’elle reparou Azarias, filho de Maaseias, o filho d’Ananias, junto á sua casa.

24 Depois d’elle reparou Binnui, filho d’Henadad, outra porção, desde a casa d’Azarias até á [15] esquina, e até ao canto.

25 Palal, filho d’Uzai, defronte da esquina, e a torre que sae da casa real superior, que está junto [16] ao pateo da prisão: depois d’elle Pedaias, filho de Parós.

26 E os nethineos [17] que habitavam em Ophel, até defronte da porta das aguas, para o oriente, e até á torre alta.

27 Depois repararam os tekoitas outra porção, defronte da torre grande e alta, e até ao muro d’Ophel.

28 Desde acima da porta [18] dos cavallos repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa.

29 Depois d’elles reparou Zadok, filho d’Immer, defronte de sua casa: e depois d’elle reparou Semaias, filho de Sechanias, guarda da porta oriental.

30 Depois d’elle reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanun, filho de Zalaph, o sexto, outra porção: depois d’elle reparou Mesullam, filho de Berechias, defronte da sua camara.

31 Depois d’elle reparou Malchias, filho d’um ourives, até á casa dos nethineos e mercadores, defronte da porta de Miphkad, e até á camara do canto.

32 E entre a camara do canto e a porta do gado, repararam os ourives e os mercadores.

[1] cap. 12.10. João 5.2. cap. 12.39.

[2] Esd. 2.34.

[3] II Chr. 33.14. cap. 12.39.

[4] Jui. 5.23.

[5] cap. 12.39.

[6] cap. 2.8.

[7] cap. 12.38.

[8] cap. 12.38.

[9] cap. 2.13.

[10] cap. 2.13.

[11] cap. 2.14.

[12] João 9.7.

[13] Jui. 5.23.

[14] II Chr. 26.9.

[15] ver. 19.

[16] Jer. 32.2 e 33.1 e 37.21.

[17] Esd. 2.43. cap. 11.21. II Chr. 27.3.

[18] II Reis 11.16. II Chr. 23.15. Jer. 31.40.

Os inimigos pretendem retardar a edificação dos muros.

4 E succedeu [1] que, ouvindo Sanballat que edificavamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito; e escarneceu dos judeos.

2 E fallou na presença de seus irmãos, e do exercito de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeos? permittir-se-lhes-ha isto? sacrificarão? acabal-o-hão n’um dia? vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?

3 E estava com elle Tobias, [2] o ammonita, e disse: Ainda que edifiquem,[464] comtudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra.

4 Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados, e torna o seu opprobrio sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, na terra do captiveiro.

5 E não cubras a sua iniquidade, [3] e não se risque diante de ti o seu peccado, pois que te irritaram defronte dos edificadores.

6 Porém edificámos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade: porque o coração do povo se inclinava a trabalhar.

7 E succedeu que, [4] ouvindo Sanballat e Tobias, e os arabios, e os ammonitas, e os asdoditas, que tanto ia crescendo a reparação dos muros de Jerusalem, que já as roturas se começavam a tapar, iraram-se sobremodo,

8 E ligaram-se entre si todos, para virem guerrear a Jerusalem, e para os desviarem do seu intento.

9 Porém nós orámos ao nosso Deus, e pozemos uma guarda contra elles, de dia e de noite, por causa d’elles.

10 Então disse Judah: Já desfalleceram as forças dos acarretadores, e o pó é muito, e nós não poderemos edificar o muro.

11 Disseram porém os nossos inimigos: Nada saberão d’isto, nem verão, até que entremos no meio d’elles, e os matemos; assim faremos cessar a obra.

12 E succedeu que, vindo os judeos que habitavam entre elles, dez vezes nol-o disseram, de todos os logares, porque tornavam a nós.

13 Pelo que puz guardas nos logares baixos por detraz do muro e nos altos: e puz ao povo pelas suas familias com as suas espadas, com as suas lanças, e com os seus arcos.

14 E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os temaes: [5] lembrae-vos do grande e terrivel Senhor, e pelejae pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas.

15 E succedeu que, ouvindo os nossos inimigos que nol-o fizeram saber, e que Deus [6] tinha dissipado o conselho d’elles, todos voltámos ao muro, cada um á sua obra.

16 E succedeu que desde aquelle dia metade dos meus moços trabalhava na obra, e metade d’elles tinha as lanças, os escudos, os arcos, e as couraças; e os chefes estavam por detraz de toda a casa de Judah.

17 Os que edificavam o muro, e os que traziam as cargas, e os que carregavam, cada um com uma mão fazia a obra e na outra tinha as armas.

18 E os edificadores cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e edificavam: e o que tocava a trombeta estava junto comigo.

19 E disse eu aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos apartados do muro, longe uns dos outros.

20 No logar onde ouvirdes o som da buzina ali vos ajuntareis comnosco; o nosso Deus pelejará [7] por nós.

21 Assim trabalhavamos na obra: e metade d’elles tinha as lanças desde a subida da alva até ao sair das estrellas.

22 Tambem n’aquelle tempo disse ao povo: Cada um com o seu moço passe a noite em Jerusalem, para que de noite nos sirvam de guarda, e de dia na obra.

23 E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largavamos os nossos vestidos: cada um tinha suas armas e agua.

[1] cap. 2.10, 19.

[2] cap. 2.10, 19.

[3] Pro. 3.34. Jer. 18.23.

[4] ver. 1.

[5] Num. 14.9. Deu. 1.29 e 10.17.

[6] Job 5.12.

[7] Exo. 14.14, 25. Deu. 1.30 e 3.22 e 20.4. Jos. 23.10.

Os pobres murmuram contra os ricos, e Nehemias reprehende os ultimos.

5 Foi porém grande [1] o clamor do povo e de suas mulheres, contra os judeos, seus irmãos.

2 Porque havia quem dizia: Com nossos filhos, e nossas filhas, nós somos muitos; pelo que tomámos trigo, para que comamos e vivamos.

3 Tambem havia quem dizia: As nossas terras, as nossas vinhas, e as nossas casas empenhámos, para tomarmos trigo n’esta fome.

4 Tambem havia quem dizia: Tomámos emprestado dinheiro até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e as nossas vinhas.

5 Agora pois a nossa carne [2] é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos como seus filhos; e eis que sujeitámos nossos filhos e nossas filhas para serem servos: e até algumas de nossas filhas são tão sujeitas, que não estão no poder de nossas mãos; e outros teem as nossas terras e as nossas vinhas.

6 Ouvindo eu pois o seu clamor, e estas palavras, muito me enfadei.

7 E considerei comigo mesmo no meu coração; depois pelejei com os nobres e com os magistrados, e disse-lhes: [3] Usura tomaes cada um de seu irmão. E ajuntei contra elles um grande ajuntamento.

[465]

8 E disse-lhes: Nós resgatámos [4] os judeos, nossos irmãos, que foram vendidos ás gentes segundo nossas posses; e vós outra vez venderieis a vossos irmãos, ou vender-se-hão a nós? Então se callaram, e não acharam que responder.

9 Disse mais: Não é bom o que fazeis: Porventura não andarieis no temor do nosso Deus, [5] por causa do opprobrio dos gentios, os nossos inimigos?

10 Tambem eu, meus irmãos e meus moços, ao ganho lhes temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho.

11 Restitui-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivaes, e as suas casas; como tambem a centena do dinheiro, do trigo, do mosto, e do azeite, que vós exigis d’elles.

12 Então disseram: Restituir-lh’o-hemos, e nada procuraremos d’elles; faremos assim como dizes. Então chamei os sacerdotes, e os fiz [6] jurar que fariam conforme a esta palavra.

13 Tambem o meu regaço sacudi, e disse: [7] Assim sacuda Deus todo o homem da sua casa e do seu trabalho que não confirmar esta palavra, e assim seja sacudido e vazio. E toda a congregação disse: Amen! E louvaram ao Senhor; e o povo [8] fez conforme a esta palavra.

14 Tambem desde o dia em que me mandou que eu fosse seu governador na terra de Judah, [9] desde o anno vinte, até ao anno trinta e dois do rei Artaxerxes, doze annos, nem eu nem meus irmãos comemos o [10] pão do governador.

15 Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, opprimiram o povo, e tomaram-lhe pão e vinho, e além d’isso, quarenta siclos de prata, como tambem os seus moços dominavam sobre o povo: porém eu assim não fiz, por causa do [11] temor de Deus.

16 Como tambem na obra d’este muro fiz reparação, e terra nenhuma comprámos: e todos os meus moços se ajuntaram ali á obra.

17 Tambem dos judeos e dos magistrados, cento e cincoenta homens, e os que vinham a nós, d’entre as gentes, que estão á roda de nós, se [12] punham á minha mesa.

18 E o que se preparava para cada dia era [13] um boi e seis ovelhas escolhidas; tambem aves se me preparavam, e de dez em dez dias de todo o vinho muitissimo: e nem por isso exigi [14] o pão do governador, porquanto a servidão d’este povo era grande.

19 Lembra-te [15] de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo.

[1] Isa. 5.7. Lev. 25.35, 36, 37. Deu. 15.7.

[2] Isa. 58.7. Exo. 21.7. Lev. 25.39.

[3] Exo. 22.25. Lev. 35.36. Eze. 22.12.

[4] Lev. 25.48.

[5] Lev. 25.36. II Sam. 12.14. Rom. 2.24. I Ped. 2.12.

[6] Esd. 10.5. Jer. 34.8, 9.

[7] Mat. 10.14. Act. 13.51 e 18.6.

[8] II Reis 23.3.

[9] cap. 13.6.

[10] I Cor. 9.4, 15.

[11] II Cor. 11.9 e 12.13. ver. 9.

[12] II Sam. 9.7. I Reis 18.19.

[13] I Reis 4.22.

[14] ver. 14, 15.

[15] cap. 13.22.

Os inimigos conspiram para surprehender e intimidar Nehemias.

6 Succedeu mais [1] que, ouvindo Sanballat, Tobias, Gesem, o arabio, e o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro, e que n’elle não havia brecha alguma; ainda que [2] até este tempo não tinha posto as portas nos portaes;

2 Sanballat e Gesem [3] enviaram a dizer: Vem, e congreguemo-nos juntamente nas aldeias, no valle [4] d’Ono. Porém intentavam fazer-me mal.

3 E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que não poderei descer: porque cessaria esta obra, emquanto eu a deixasse, e fosse ter comvosco?

4 E da mesma maneira enviaram a mim quatro vezes; e da mesma maneira lhes respondi.

5 Então Sanballat da mesma maneira a quinta vez me enviou seu moço com uma carta aberta na sua mão;

6 E na qual estava escripto: Entre as gentes se ouviu, e Gusmu diz: Tu e [5] os judeos intentaes rebellar-vos, pelo que edificas o muro; e tu te farás rei d’elles segundo estas palavras;

7 E que pozeste prophetas, para prégarem de ti em Jerusalem, dizendo: Este é rei em Judah: de modo que o rei o ouvirá, segundo estas palavras: vem pois agora e consultemos juntamente.

8 Porém eu enviei a dizer-lhe: De tudo o que dizes coisa nenhuma succedeu; mas tu do teu coração o inventas.

9 Porque todos elles nos procuravam atemorizar, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e não se effeituará. Agora pois, ó Deus, esforça as minhas mãos.

10 E, entrando eu em casa de Semaias, filho de Delaias, o filho de Mehetabel (que estava encerrado), disse elle: Vamos juntamente á casa de Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas do templo; porque virão matar-te: sim, de noite virão matar-te.

11 Porém eu disse: Um homem como eu fugiria? e quem ha, como eu, que[466] entre no templo e viva? de maneira nenhuma entrarei.

12 E conheci que eis-que não era Deus quem o enviara; mas esta prophecia fallou contra mim, porquanto Tobias e Sanballat o alugaram.

13 Para isto o alugaram, para me atemorisar, e para que assim fizesse, e peccasse, para que tivessem alguma causa para me infamarem, e assim me vituperarem.

14 Lembra-te, [6] meu Deus, de Tobias e de Sanballat, conforme a estas suas obras: e tambem da prophetiza Noadia, e dos mais prophetas que procuraram atemorisar-me.

15 Acabou-se pois o muro aos vinte e cinco d’elul: em cincoenta e dois dias.

16 E succedeu que, ouvindo-o todos os nossos [7] inimigos, temeram, todos os gentios que havia em roda de nós, e abateram-se muito em seus proprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.

17 Tambem n’aquelles dias alguns nobres de Judah escreveram muitas cartas, que iam para Tobias: e as cartas de Tobias vinham para elles.

18 Porque muitos em Judah se lhe ajuramentaram, porque era genro de Sechanias, filho d’Arah; e seu filho Johanan tomara a filha de Mesullam, filho de Berechias.

19 Tambem as suas bondades contavam perante mim, e as minhas palavras lhe levavam a elle: portanto Tobias escrevia cartas para me atemorizar.

[1] cap. 2.10, 19 e 4.1, 7.

[2] cap. 3.1, 3.

[3] Pro. 26.24, 25.

[4] I Chr. 8.12. cap. 11.35.

[5] cap. 2.19.

[6] cap. 13.29. Eze. 13.17.

[7] cap. 2.10 e 4.1, 7 e 6.1.

Nehemias estabelece guardas e faz uma relação dos que primeiro vieram a Jerusalem.

Antes de Christo 536

7 Succedeu mais que, depois que o muro fôra edificado, eu levantei as portas; e [1] foram estabelecidos os porteiros, e os cantores, e os levitas.

2 Eu nomeei a Hanani, meu irmão, e a Hananias, maioral da fortaleza em [2] Jerusalem: porque era como homem fiel e temente [3] a Deus, mais do que muitos.

3 E disse-lhes: Não se abram as portas de Jerusalem até que o sol aqueça, e emquanto os que assistirem ali fechem as portas, e vós trancae-as: e ponham-se guardas dos moradores de Jerusalem, cada um na sua guarda, e cada um diante da sua casa.

4 E era a cidade larga d’espaço, e grande, porém pouco povo havia dentro d’ella: e ainda as casas não estavam edificadas.

5 Então o meu Deus me poz no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias: e achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escripto n’elle:

6 Estes [4] são os filhos da provincia, que subiram do captiveiro dos transportados, que transportara Nabucodonosor, rei de Babylonia; e voltaram para Jerusalem e para Judah, cada um para a sua cidade.

7 Os quaes vieram com Zorobabel, Jesué, Nehemias, Azarias, Raamias, Nahamani, Mardiques, Bilsan, Mispereth, Bigvai, Nehum, e Baana: este é o numero dos homens do povo d’Israel.

8 Foram os filhos de Paros, dois mil, cento e setenta e dois.

9 Os filhos de Sephatias, trezentos e setenta e dois.

10 Os filhos d’Arah, seiscentos e cincoenta e dois.

11 Os filhos de Pahath-moab, dos filhos de Jesué e de Joab, dois mil, oitocentos e dezoito.

12 Os filhos d’Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.

13 Os filhos de Zatthu, oitocentos e quarenta e cinco.

14 Os filhos de Zaccai, setecentos e sessenta.

15 Os filhos de Binnui, seiscentos e quarenta e oito.

16 Os filhos de Babai, seiscentos e vinte e oito.

17 Os filhos d’Azgad, dois mil, trezentos e vinte e dois.

18 Os filhos d’Adonikam, seiscentos e sessenta e sete.

19 Os filhos de Bigvai, dois mil e sessenta e sete.

20 Os filhos d’Adin, seiscentos e cincoenta e cinco.

21 Os filhos d’Ater, d’Hizkia, noventa e oito.

22 Os filhos d’Hassum, trezentos e vinte e oito.

23 Os filhos de Besai, trezentos e vinte e quatro.

24 Os filhos d’Hariph, cento e doze.

25 Os filhos de Gibeon, noventa e cinco.

26 Os homens de Bethlehem e de Netopha, cento e oitenta e oito.

27 Os homens d’Anathoth, cento e vinte e oito.

28 Os homens de Beth-azmaveth, quarenta e dois.

29 Os homens de Kiriath-jearim, Cephira, e Beeroth, setecentos e quarenta e tres.

[467]

30 Os homens de Rama e Gaba, seiscentos e vinte e um.

31 Os homens de Michmas, cento e vinte e dois.

32 Os homens de Beth-el e Ai, cento e vinte e tres.

33 Os homens d’outra Nebo, cincoenta e dois.

34 Os filhos d’outro [5] Elam, mil, duzentos e cincoenta e quatro.

35 Os filhos d’Harim, trezentos e vinte.

36 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.

37 Os filhos de Lod, Hadid e Ono, setecentos e vinte e um.

38 Os filhos de Senaa, tres mil, novecentos e trinta.

39 Os sacerdotes: Os filhos de [6] Jedaias, da casa de Jesué, novecentos e setenta e tres.

40 Os filhos [7] d’Immer, mil e cincoenta e dois.

41 Os filhos de [8] Pashur, mil, duzentos e quarenta e sete.

42 Os filhos [9] d’Harim, mil e dezesete.

43 Os levitas: Os filhos de Jesué, de Kadmiel, dos filhos d’Hodeva, setenta e quatro.

44 Os cantores: os filhos d’Asaph, cento e quarenta e oito.

45 Os porteiros: os filhos de Sallum, os filhos d’Ater, os filhos de Talmon, os filhos d’Hacub, os filhos d’Hattita, os filhos de Sobai, cento e trinta e oito.

46 Os nethineos: os filhos de Ziha, os filhos d’Hasupha, os filhos de Tabbaoth,

47 Os filhos de Keros, os filhos de Sia, os filhos de Padon,

48 Os filhos de Lebana, os filhos d’Hagaba, os filhos de Salmai,

49 Os filhos d’Hanan, os filhos de Giddel, os filhos de Gahar,

50 Os filhos de Reaias, os filhos de Resin, os filhos de Nekoda,

51 Os filhos de Gazam, os filhos d’Uza, os filhos de Paseah,

52 Os filhos de Besai, os filhos de Meunim, os filhos de Nephussim,

53 Os filhos de Bakbuk, os filhos d’Hakupha, os filhos d’Harhur,

54 Os filhos de Baslith, os filhos de Mehida, os filhos d’Harsa,

55 Os filhos de Barkos, os filhos de Sisera, os filhos de Tamah,

56 Os filhos de Nesiag, os filhos d’Hatipha.

57 Os filhos dos servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de Sophereth, os filhos de Perida,

58 Os filhos de Jaela, os filhos de Darkon, os filhos de Giddel,

59 Os filhos de Sephatias, os filhos d’Hattil, os filhos de Pochereth-zebaim, os filhos de Amon.

60 Todos os nethineos e os filhos dos servos de Salomão, trezentos e noventa e dois.

61 Tambem [10] estes subiram de Thel-melah, e Thel-harsa, Cherub, Addon, Immer: porém não poderam mostrar a casa de seus paes e a sua linhagem, se eram d’Israel.

62 Os filhos de Dalaias, os filhos de Tobias, os filhos de Nekoda, seiscentos e quarenta e dois.

63 E dos sacerdotes: os filhos d’Habaias, os filhos de Kos, os filhos de Barzillai, que tomara uma mulher das filhas de Barzillai, o gileadita, e se chamou do nome d’ellas.

64 Estes buscaram o seu registro, querendo contar a sua geração, porém não se achou: pelo que, como immundos, foram excluidos do sacerdocio.

65 E o tirsatha lhes disse, que não comessem das coisas sagradas, até que se apresentasse o sacerdote com Urim e Thummim.

66 Toda esta congregação junta foi de quarenta e dois mil, trezentos e sessenta,

67 Afóra os seus servos e as suas servas, que foram sete mil, trezentos e trinta e sete: e tinham duzentos e quarenta e cinco cantores e cantoras.

68 Os seus cavallos, setecentos e trinta e seis; os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco.

69 Camelos, quatrocentos e trinta e cinco; jumentos, seis mil, setecentos e vinte.

70 E uma parte dos cabeças dos paes deram para a obra: o tirsatha deu [11] para o thesouro, em oiro, mil [MQ] drachmas, cincoenta bacias, e quinhentas e trinta vestes sacerdotaes.

71 E alguns mais dos cabeças dos paes deram para o thesouro da obra, em oiro, vinte mil drachmas: e em prata, duas mil e duzentas libras.

72 E o que deu o resto do povo, foi, em oiro, vinte mil drachmas: [12] e em prata duas mil libras: e sessenta e sete vestes sacerdotaes.

73 E habitaram os sacerdotes, e os levitas, e os porteiros, e os cantores, e alguns do povo, e os nethineos, e todo o Israel nas suas cidades.

[1] cap. 6.1.

[2] cap. 2.5.

[3] Exo. 18.21.

[4] Esd. 2.1, etc.

[5] ver. 12.

[6] I Chr. 24.7.

[7] I Chr. 24.14.

[8] I Chr. 9.12 e 24.9.

[9] I Chr. 24.8.

[10] Esd. 2.59.

[11] cap. 8.9.

[12] Esd. 2.69.

Esdras lê a lei diante do povo.

Antes de Christo 445

8 E chegado o setimo mez, e estando os filhos d’Israel nas suas cidades, todo o povo [1] se ajuntou como um[468] só homem, na praça, diante da porta das aguas: e disseram a Esdras, [2] o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moysés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.

2 E Esdras, [3] o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, assim d’homens como de mulheres, e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do setimo mez.

3 E leu n’elle diante da praça, que está diante da porta das aguas, desde a alva até ao meio dia, perante homens e mulheres, e entendidos: e os ouvidos de todo o povo estavam attentos ao livro da lei.

4 E Esdras, o escriba, estava sobre um pulpito de madeira, que fizeram para aquillo: e estava em pé junto a elle, á sua mão direita, Mattithias, e Sema, e Anaias, e Urias, e Hilkias, e Maaseias; e á sua mão esquerda, Pedaias, e Misael, e Melchias, e Hasum, e Hasbaddana, Zacharias, e Mesullam.

5 E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o elle, todo o povo se poz [4] em pé.

6 E Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus: e todo o povo [5] respondeu, Amen, Amen! levantando as suas mãos; e inclinaram-se, e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra.

7 E Jesua, e Bani, e Serebias, Jamin, Akkub, Sabbethai, Hodias, Maaseias, Kelita, Azarias, Jozabad, Hanan, Pelaias, e os levitas ensinavam [6] o povo na lei: e o povo estava no seu posto.

8 E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.

9 E [7] Nehemias (que era o [MR] tirsatha), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, [8] ouvindo as palavras da lei.

10 Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e [9] enviae porções aos que não teem nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor: portanto não vos entristeçaes: porque a alegria do Senhor é a vossa força.

11 E os levitas fizeram calar a todo o povo, dizendo: Calae-vos; porque este dia é santo: por isso não vos entristeçaes.

12 Então todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes alegrias: porque [10] entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

A festa dos tabernaculos.

13 E no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças dos paes de todo o povo, os sacerdotes, e os levitas, a Esdras, o escriba: e isto para attentarem nas palavras da lei.

14 E acharam escripto na lei que o Senhor ordenara, pelo ministerio de Moysés, que os filhos d’Israel habitassem em cabanas, [11] na solemnidade da festa, no setimo mez.

15 Assim o publicaram, e fizeram passar pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalem, dizendo: [12] Sahi ao monte, e trazei ramos d’oliveiras, e ramos d’arvores olearias, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos d’arvores espessas, para fazer cabanas, como está escripto.

16 Saiu pois o povo, e os trouxeram, e fizeram para si cabanas, cada um no seu [13] terrado, e nos seus pateos, e nos atrios da casa de Deus, e na praça da porta das aguas, e na praça da porta d’Ephraim.

17 E toda a congregação dos que voltaram do captiveiro fizeram cabanas e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos d’Israel, desde os dias de Josué, filho de Nun, até áquelle dia: e houve mui [14] grande alegria.

18 E de dia em dia se leu no livro da lei de Deus, [15] desde o primeiro dia até ao derradeiro; e celebraram a solemnidade da festa sete dias, e no oitavo dia, o dia da prohibição, segundo o rito.

[1] Esd. 3.1. cap. 3.26.

[2] Esd. 7.6.

[3] Deu. 31.11, 12. Lev. 23.24.

[4] Jui. 3.20.

[5] I Cor. 14.16. I Tim. 2.8. Exo. 4.31 e 12.27.

[6] Lev. 10.11. Deu. 33.10. II Chr. 17.7, 8, 9. Mal. 2.7.

[7] Esd. 2.63. cap. 7.65 e 10.1. II Chr. 35.3. ver. 8. Lev. 23.24. Num. 29.1.

[8] Deu. 16.14, 15. Ecc. 3.4.

[9] Est. 9.19, 22. Apo. 11.10.

[10] ver. 7, 8.

[11] Lev. 23.34, 42. Deu. 16.13.

[12] Lev. 23.4. Deu. 16.16. Lev. 23.40.

[13] Deu. 22.8. cap. 12.37. II Reis 14.13. cap. 12.39.

[14] II Chr. 30.21.

[15] Deu. 31.10, etc. Lev. 23.36. Num. 29.35.

Arrependimento e confissão do peccado.

9 E no dia vinte e quatro d’este mez [1] se ajuntaram os filhos d’Israel com jejum e com saccos, e traziam terra sobre si.

2 E a geração [2] d’Israel se apartou de todos os estranhos, e pozeram-se em pé, e fizeram confissão pelos seus peccados e pelas iniquidades de seus paes.

[469]

3 Porque, levantando-se no seu posto, leram [3] no livro da lei do Senhor seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus.

4 E Jesué, Bani, Kadmiel, Sebanias, Bunni, Serebias, Bani e Chenani se pozeram em pé no logar alto dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus.

5 E os levitas, Jesué, e Kadmiel, Bani, Hasabneias, Serebias, Hodias, Sebanias, Pethachias, disseram: Levantae-vos, bemdizei ao Senhor vosso Deus d’eternidade em eternidade: ora bemdigam o nome [4] da tua gloria, que está levantado sobre toda a benção e louvor.

6 Tu [5]és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exercito; a terra e tudo quanto n’ella ha; os mares e tudo quanto n’elles ha, e tu os guardas em vida a todos; e o exercito dos céus te adora.

7 Tu és Senhor, o Deus, que elegeste a [6] Abrão, e o tiraste d’Ur dos chaldeos, e lhe pozeste por nome Abrahão.

8 E achaste o seu coração fiel perante ti, [7] e fizeste com elle o concerto, que lhe darias a terra dos cananeos, dos hetheos, dos amorrheos, e dos pherezeos, e dos jebuseos, e dos girgaseos, para a dares á sua semente: e confirmaste [8] as tuas palavras, porquanto és justo.

9 E viste [9] a afflicção de nossos paes no Egypto: e ouviste o seu clamor junto ao Mar Vermelho.

10 E déste [10] signaes e prodigios a Pharaó, e a todos os seus servos, e a todo o povo da sua terra; porque soubeste que [11] soberbamente os trataram; e assim te adquiriste nome, como hoje se vê.

11 E o mar [12] fendeste perante elles, e passaram pelo meio do mar, em secco: e lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como [13] uma pedra nas aguas violentas.

12 E os [14] guiaste de dia por uma columna de nuvem, e de noite por uma columna de fogo, para os alumiares no caminho por onde haviam de ir.

13 E sobre o [15] monte de Sinai desceste, e fallaste com elles desde os céus: e déste-lhes juizos rectos, e leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons.

14 E o teu sancto [16] sabbado lhes fizeste saber: e preceitos, e estatutos, e lei lhes mandaste pelo ministerio de Moysés, teu servo.

15 E pão dos céus lhes déste [17] na sua fome, e agua da penha lhes produziste na sua sêde: e lhes disseste que entrassem para possuirem a terra pela qual alçaste a tua mão, que lh’a havias de dar.

16 Porém [18] elles e nossos paes se houveram soberbamente: e endureceram a sua cerviz, e não deram ouvidos aos teus mandamentos.

17 E recusaram ouvir-te, e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste, e endureceram a sua cerviz, e na [19] sua rebellião levantaram um chefe, afim de voltarem para a sua servidão: porém tu, [20] ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficencia, comtudo os não desamparaste.

18 Ainda [21] mesmo quando elles fizeram para si um bezerro de fundição, e disseram: Este é o teu Deus, que te tirou do Egypto; e commetteram grandes blasphemias:

19 Todavia tu, pela [22] multidão das tuas misericordias, os não deixaste no deserto: a columna de nuvem nunca d’elles se apartou de dia, para os guiar pelo caminho, nem a columna de fogo de noite, para os alumiar: e isto pelo caminho por onde haviam de ir.

20 E déste [23] o teu bom espirito, para os ensinar: e o teu manná não retiraste da sua bocca; e agua lhes déste na sua sêde.

21 De tal modo os sustentaste [24] quarenta annos no deserto: falta nenhuma tiveram: os seus vestidos se não envelheceram, e os seus pés se não incharam.

22 Tambem lhes déste reinos e povos, e os repartiste em porções: e elles possuiram a terra de [25] Sihon, a saber, a terra do rei d’Hesbon, e a terra d’Og, rei de Basan.

23 E multiplicaste [26] os seus filhos como as estrellas do céu, e trouxeste-os á terra de que tinhas dito a seus paes que entrariam n’ella para a possuirem.

24 Assim entraram n’ella [27] os filhos, e tomaram aquella terra: e abateste perante elles os moradores da terra, os[470] cananeos, e lh’os entregaste na mão, como tambem os reis, e os povos da terra, para fazerem d’elles conforme á sua vontade.

25 E tomaram cidades fortes e terra [28] grossa, e possuiram casas cheias de toda a fartura, cisternas cavadas, vinhas e olivaes, e arvores de mantimento, em abundancia: e comeram e se fartaram [29] e engordaram, e viveram em delicias, pela tua grande bondade.

26 Porém se obstinaram, e se rebellaram contra [30] ti, e lançaram a tua lei para traz das suas costas, e mataram [31] os teus prophetas, que protestavam contra elles, para que voltassem para ti: assim fizeram grandes abominações.

27 Pelo que os entregaste [32] na mão dos seus angustiadores, que os angustiaram: mas no tempo de sua angustia, clamando a ti, desde os céus tu ouviste; e segundo a tua grande misericordia lhes déste libertadores que os libertaram da mão de seus angustiadores.

28 Porém, em tendo repouso, tornavam [33] a fazer o mal diante de ti: e tu os deixavas na mão dos seus inimigos, para que dominassem sobre elles; e convertendo-se elles, e clamando a ti, tu os ouviste desde os céus, e segundo a tua misericordia os livraste muitas vezes.

29 E protestaste contra elles, para que voltassem para a tua lei; porém elles [34] se houveram soberbamente, e não deram ouvidos aos teus mandamentos, mas peccaram contra os teus juizos pelos quaes o homem que os fizer viverá; e te deram o hombro rebelde, e endureceram a sua cerviz, e não ouviram.

30 Porém estendeste a tua benignidade sobre elles por muitos annos, e protestaste contra elles [35] pelo teu Espirito, pelo ministerio dos teus prophetas; porém elles não deram ouvidos: pelo que os entregaste na mão dos povos das terras.

31 Mas pela tua grande misericordia [36] os não destruiste nem desamparaste: porque és um Deus clemente e misericordioso.

32 Agora pois, ó Deus nosso, ó Deus [37] grande, poderoso e terrivel, que guardas o concerto e beneficencia, não tenhas em pouca conta todo o trabalho que nos alcançou a nós, aos nossos reis, aos nossos principes, e aos nossos sacerdotes, e aos nossos prophetas, e aos nossos paes, e a todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assyria até ao dia de hoje.

33 Porém tu és justo [38] em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu tens obrado fielmente, e nós temos obrado impiamente.

34 E os nossos reis, os nossos principes, os nossos sacerdotes, e os nossos paes não guardaram a tua lei, e não deram ouvidos aos teus mandamentos e aos teus testemunhos, que protestaste contra elles.

35 Porque elles nem no seu reino, [39] nem na muita abundancia de bens que lhes déste nem na terra espaçosa e gorda que déste diante d’elles, te serviram, nem se converteram de suas más obras.

36 Eis-que hoje [40] somos servos: e até na terra que déste a nossos paes, para comerem o seu fructo e o seu bem, eis que somos servos n’ella.

37 E ella multiplica os seus productos [41] para os reis, que pozeste sobre nós, por causa dos nossos peccados: e conforme a sua vontade dominam [42] sobre os nossos corpos e sobre as nossas bestas; e estamos n’uma grande angustia.

38 E com tudo isto fizemos um [43] firme concerto, e o escrevemos: e sellaram-n’o os nossos principes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes.

[1] cap. 8.2. Jos. 7.6. II Sam. 1.2. Job 2.12.

[2] Esd. 10.11. cap. 13.3, 30.

[3] cap. 8.7, 8.

[4] I Chr. 29.13.

[5] II Reis 19.15, 19. Isa. 37.16, 20. Gen. 1.1. Apo. 14.7. Deu. 10.14.

[6] Gen. 11.31 e 12.1. Gen. 17.5.

[7] Gen. 15.6. Gen. 12.7 e 15.18 e 17.7, 8.

[8] Jos. 23.14.

[9] Exo. 2.25 e 3.7. Exo. 14.10.

[10] cap. 7, 8, 9, 10, 12 e 14.

[11] Exo. 18.11. Exo. 9.16. Isa. 63.12, 14. Jer. 32.20.

[12] Exo. 14.21, 22, 27, 28.

[13] Exo. 15.5, 10.

[14] Exo. 13.21.

[15] Exo. 19.20 e 20.1.

[16] Gen. 2.3. Exo. 20.8, 11.

[17] Exo. 16.14, 15. João 6.31. Exo. 17.6. Num. 20.9, etc. Deu. 1.8.

[18] ver. 29. Deu. 31.37. II Reis 17.14. Jer. 19.15.

[19] Num. 14.4.

[20] Exo. 34.6. Num. 14.18. Joel 2.13.

[21] Exo. 32.4.

[22] ver. 27. Exo. 13.21, 22. Num. 14.14. I Cor. 10.1.

[23] Num. 11.17. Isa. 63.11. Exo. 16.15. Jos. 5.12. Exo. 17.6.

[24] Deu. 2.7 e 8.4 e 29.5.

[25] Num. 21.21, etc.

[26] Gen. 22.17.

[27] Jos. 1.2, etc.

[28] ver. 35. Num. 13.27. Deu. 8.7, 8. Eze. 20.6. Deu. 6.11.

[29] Deu. 32.15. Ose. 3.5.

[30] Jui. 2.11, 12. Eze. 20.21. I Reis 14.9.

[31] I Reis 18.4 e 19.10. II Chr. 24.20, 21. Mat. 23.37. Act. 7.52.

[32] Jui. 2.14 e 3.8, etc. Jui. 2.18 e 3.9.

[33] Jui. 3.11, 12, 30 e 4.1 e 5.31 e 6.1.

[34] ver. 16. Lev. 18.5. Eze. 20.11. Rom. 10.5. Gal. 3.12.

[35] II Reis 17.13. II Chr. 36.15. Jer. 7.25 e 25.4. I Ped. 1.11. II Ped. 1.21. Isa. 5.5 e 42.24.

[36] Jer. 4.27 e 5.10, 18. ver. 17.

[37] Exo. 34.6, 7. cap. 1.5.

[38] II Reis 17.3. Dan. 9.14 e 9.5, 6, 8.

[39] Deu. 28.47. ver. 25.

[40] Deu. 28.48. Esd. 9.9.

[41] Deu. 28.33, 51.

[42] Deu. 28.48.

[43] II Reis 23.3. II Chr. 29.10 e 34.31. Esd. 10.3. cap. 10.29.

Os nomes dos que sellaram o concerto.

10 E os que sellaram foram [1] Nehemias, o [MS] tirsatha, filho de Hacalias, e Zedekias,

2 Seraias, [2] Azarias, Jeremias,

3 Pashur, Amarias, Malchias,

4 Hattus, Sebanias, Malluch,

5 Harim, Meremoth, Obadias,

6 Daniel, Ginnethon, Baruch,

7 Mesullum, Abias, Miamin,

8 Maasias, Bilgai, Semaias: estes foram os sacerdotes.

9 E os levitas: Jesué, filho de Azanias, Binnui, dos filhos de Henadad, Kadmiel,

10 E seus irmãos: Sebanias, Hodias, Kelita, Pelaias, Hanan,

11 Micha, Rehob, Hasabias,

[471]

12 Zacchur, Serebias, Sebanias,

13 Hodias, Bani, Beninu.

14 Os chefes do povo: [3] Pareos, Pahat-moab, Elam, Zatthu, Bani,

15 Bunni, Asgad, Bebai,

16 Adonias, Bigvai, Adin,

17 Ater, Hiskias, Azur,

18 Hodias, Hasum, Besai,

19 Hariph, Anathoth, Nebai,

20 Magpias, Mesullum, Hezir,

21 Mezezabeel, Zadok, Jaddua,

22 Pelatias, Hanan, Anaias,

23 Hoseas, Hananias, Hassub,

24 Hollohes, Pilha, Sobek,

25 Rehum, Hasabna, Maaseias;

26 E Ahias, Hanan, Anan,

27 Malluch, Harim, Baana.

28 E o resto [4] do povo, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, os nethineos, todos os que se tinham separado dos povos das terras para [5] a lei de Deus, suas mulheres, seus filhos, e suas filhas; todos os sabios e entendidos;

29 Firmemente adheriam a seus irmãos os mais nobres de entre elles, e convieram n’um anathema e n’um juramento, de que andariam na lei de Deus, que foi dada pelo ministerio de Moysés, servo de Deus; e de que guardariam e fariam todos os mandamentos do Senhor, nosso Senhor, e os seus juizos e os seus estatutos;

30 E que não dariamos as nossas filhas [6] aos povos da terra, nem tomariamos as filhas d’elles para os nossos filhos.

31 E que, trazendo [7] os povos da terra no dia de sabbado algumas fazendas, e qualquer grão para venderem, não a tomariamos d’elles no sabbado, nem no dia sanctificado: e livre deixariamos o [8] anno setimo, e toda e qualquer cobrança.

32 Tambem nos pozemos preceitos, impondo-nos cada anno a terça parte d’um siclo, para o ministerio da casa do nosso Deus;

33 Para os pães [9] da proposição, e para a continua offerta de manjares, e para o continuo holocausto dos sabbados, das luas novas, para as festas solemnes, e para as coisas sagradas, e para os sacrificios pelo peccado, para reconciliar a Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.

34 Tambem lançámos as sortes entre os sacerdotes, levitas, e o povo, ácerca da offerta da [10] lenha que se havia de trazer á casa do nosso Deus, segundo as casas de nossos paes, a tempos determinados, de anno em anno, para se queimar sobre o altar do Senhor nosso Deus, como está escripto [11] na lei.

35 Que tambem trariamos [12] as primeiras novidades da nossa terra, e todos os primeiros fructos de todas as arvores, de anno em anno, á casa do Senhor.

36 E os primogenitos dos nossos filhos, e os das nossas bestas, como está escripto [13] na lei: e que os primogenitos das nossas vaccas e das nossas ovelhas trariamos á casa do nosso Deus, aos sacerdotes, que ministram na casa do nosso Deus.

37 E que as primicias da nossa massa, e as nossas offertas alçadas, e o fructo de toda a arvore, o mosto e o azeite, [14] trariamos aos sacerdotes, ás camaras da casa do nosso Deus; e os dizimos [15] da nossa terra aos levitas: e que os levitas pagariam os dizimos em todas as cidades da nossa lavoura.

38 E que o sacerdote, filho de Aarão, estaria com os levitas quando os levitas recebessem os dizimos, [16] e que os levitas trariam os dizimos dos dizimos á casa do nosso Deus, ás camaras da casa do thesouro.

39 Porque áquellas camaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem [17] trazer offertas alçadas do grão, do mosto e do azeite: porquanto ali estão os vasos do sanctuario, como tambem os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores: e que assim não [18] desamparariamos a casa do nosso Deus.

[1] cap. 8.9. cap. 1.1.

[2] cap. 12.1, 24.

[3] Esd. 2.3, etc. cap. 7.8, etc.

[4] Esd. 2.36, 43 e 9.1 e 10.11, 12, 19. cap. 13.3.

[5] Deu. 29.12, 14. cap. 5.12, 13. II Reis 23.3. II Chr. 34.31.

[6] Exo. 34.16. Deu. 7.3. Esd. 9.12, 14.

[7] Exo. 20.10. Lev. 23.3. Deu. 5.12. cap. 13.15, etc.

[8] Exo. 23.10, 11. Lev. 25.4. Deu. 15.1, 2. cap. 5.12.

[9] Lev. 24.5, etc. II Chr. 2.4. Num. 28 e 29.

[10] cap. 13.31. Isa. 40.16.

[11] Lev. 6.12.

[12] Exo. 23.19 e 34.26. Lev. 19.23. Num. 18.12. Deu. 26.2.

[13] Exo. 13.2, 12, 13. Lev. 27.26, 27. Num. 18.15, 16.

[14] Lev. 23.17. Num. 15.19 e 18.12, etc. Deu. 18.4 e 26.2.

[15] Lev. 27.30. Num. 18.21, etc.

[16] Num. 18.26.

[17] Deu. 12.6, 11. II Chr. 31.12. cap. 13.12.

[18] cap. 13.10, 11.

Relação dos que habitaram em Jerusalem.

11 E os principes do povo habitaram em Jerusalem, porém o resto do povo lançou sortes, para tirar um de dez, que habitasse na sancta [1] cidade de Jerusalem, e as nove partes nas outras cidades.

2 E o povo bemdisse a todos os homens que voluntariamente se offereciam [2] para habitarem em Jerusalem.

3 E estes [3] são os chefes da provincia, que habitaram em Jerusalem (porém nas cidades de Judah habitou cada um na sua possessão, nas suas cidades, Israel, os sacerdotes, e os levitas, e os [4] nethineos, e os filhos dos servos de Salomão):

[472]

4 Habitaram pois em [5] Jerusalem alguns dos filhos de Judah e dos filhos de Benjamin: dos filhos de Judah, Athaias, filho d’Uzias, filho de Zacharias, filho de Amarias, filho de Sephatias, filho de Mahalaleel, [6] dos filhos de Peres;

5 E Maaseias, filho de Baruch, filho de Col-hose, filho d’Hazaias, filho d’Adaias, filho de Joiarib, filho de Zacharias, filho de Siloni.

6 Todos os filhos de Peres, que habitaram em Jerusalem, foram quatrocentos e sessenta e oito homens valentes.

7 E estes são os filhos de Benjamin: Sallu, filho de Messullam, filho de Joed, filho de Pedaias, filho de Kolaias, filho de Maaseias, filho d’Ithiel, filho de Jesaias.

8 E depois d’elle Gabbai, Sallai: novecentos e vinte e oito.

9 E Joel, filho de Zichri, superintendente sobre elles: e Judah, filho de Senua, segundo sobre a cidade.

10 Dos [7] sacerdotes: Jedaias, filho de Joiarib, Jachin,

11 Seraias, filho d’Hilkias, filho de Mesullam, filho de Zadok, filho de Meraioth, filho d’Ahitub, maioral da casa de Deus.

12 E seus irmãos, que faziam a obra na casa, oitocentos e vinte e dois: e Adaias, filho de Jeroham, filho de Pelalias, filho de Amsi, filho de Zacharias, filho de Pashur, filho de Malchias.

13 E seus irmãos, cabeças dos paes, duzentos e quarenta e dois; e Amasai, filho d’Azareel, filho d’Ahazai, filho de Mesillemoth, filho d’Immer.

14 E os irmãos d’elles, varões valentes, cento e vinte e oito, e superintendente sobre elles Zabdiel, filho de Gedolim.

15 E dos levitas: Semaias, filho d’Hassub, filho d’Azrikam, filho d’Hasabias, filho de Buni;

16 E Sabbethai, e Jozabad, dos cabeças dos levitas, presidiam sobre [8] a obra de fóra da casa de Deus;

17 E Matthanias, filho de Micha, filho de Zabdi, filho d’Asaph, o cabeça, que começava a dar graças na oração, e Bakbukias, o segundo de seus irmãos: depois Abda, filho de Sammua, filho de Galal, filho de Jeduthun.

18 Todos os levitas na sancta [9] cidade, foram duzentos e oitenta e quatro.

19 E os porteiros, Akkub, Talmon, com seus irmãos, os guardas das portas, cento e setenta e dois.

Dos que habitaram nas cidades de Judah.

20 E o resto d’Israel, dos sacerdotes e levitas, esteve em todas as cidades de Judah, cada um na sua herdade.

21 E os [10] nethineos habitaram em Ophel; e Ziha e Gispa presidiam sobre os nethineos.

22 E o superintendente dos levitas em Jerusalem foi Uzzi, filho de Bani, filho d’Hasabias, filho de Matthanias, filho de Micha: dos filhos d’Asaph os cantores, no serviço da casa de Deus.

23 Porque havia um mandado do rei ácerca [11] d’elles: a saber, uma certa porção para os cantores, cada qual no seu dia.

24 E Petahias, filho de Mesezabeel, dos filhos de [12] Zerah, filho de Judah, estava á mão do rei, em todos os negocios do povo.

25 E nas aldeias, nas suas terras, alguns dos filhos de Judah habitaram em [13] Kiriath-arba, e nos logares da sua jurisdicção; e em Dibon, e nos logares da sua jurisdicção; e em Jekabseel, e nas suas aldeias,

26 E em Jesua, e em Molada, e em Beth-pelet,

27 E em Hasar-sual, e em Berseba, e nos logares da sua jurisdicção,

28 E em Siclag, e em Mechona, e nos logares da sua jurisdicção,

29 E em En-rimmon, e em Zora, e em Jarmuth;

30 Em Zanoah, Adullam, e nas suas aldeias; em Lachis, e nas suas terras; em Azaka, e nos logares da sua jurisdicção: acamparam-se desde Berseba até ao valle de Hinnom.

31 E os filhos de Benjamin, de Geba, habitaram em Michmas, e Aia, e Beth-el, e nos logares da sua jurisdicção,

32 E em Anathoth, em Nob, em Anania,

33 Em Hasor, em Rama, em Gitthaim,

34 Em Hadid, em Zeboim, em Neballat,

35 Em Lod, e em Ono, no valle [14] dos artifices.

36 E alguns dos levitas nos repartimentos de Judah e de Benjamin.

[1] ver. 18. Mat. 4.5 e 27.53.

[2] Jui. 5.9.

[3] I Chr. 9.2, 3.

[4] Esd. 2.43. Esd. 2.55.

[5] I Chr. 9.3, etc.

[6] Gen. 38.29.

[7] I Chr. 9.10, etc.

[8] I Chr. 26.29.

[9] ver. 1.

[10] cap. 3.26.

[11] Esd. 6.8, 9 e 7.20, etc.

[12] Gen. 38.30. I Chr. 18.17 e 23.28.

[13] Jos. 14.15.

[14] I Chr. 4.14.

Os sacerdotes que vieram para Jerusalem com Zorobabel.

Antes de Christo 536

12 Estes são sacerdotes [1] e levitas que subiram com Zorobabel, filho de Sealthiel, e com Jesué: [2] Seraias, Jeremias, Esdras,

2 Amarias, Malluch, Hattus,

3 Sechanias, Rehun, Meremoth,

4 Iddo, Ginnethoi, [3] Abias,

5 Miamin, Maadias, Bilga,

6 Semaias, e Joiarib, Jedaias,

[473]

7 Sallu, Amok, Hilkias, Jedaias: estes foram os chefes dos sacerdotes e de seus irmãos, nos dias de [4] Jesué.

8 E foram os levitas: Jesué, Binnui, Kadmiel, Serebias, Judah, Matthanias: este e seus irmãos presidiam sobre os louvores.

9 E Bakbukias e Uni, seus irmãos, defronte d’elle, nas guardas.

10 E Jesué gerou a Joaquim, e Joaquim gerou a Eliasib, e Eliasib gerou a Joiada,

11 E Joiada gerou a Jonathan, e Jonathan gerou a Jaddua.

12 E nos dias de Joaquim foram sacerdotes, cabeças dos paes: de Seraias, Meraias; de Jeremias, Hananias;

13 D’Esdras, Messullam; de Amarias, Johanan;

14 De Melichu, Jonathan; de Sebanias, José;

15 D’Harim, Adna; de Meraioth, Helkai;

16 D’Iddo, Zacharias; de Ginnethon, Messullam;

17 D’Abias, Zichri; de Miamin e de Moadias, Piltai;

18 De Bilga, Sammua; de Semaias, Jonathan;

19 E de Joiarib, Matthenai; de Jedaias, Ezzi;

20 De Sallai, Kallai; de Amok, Eber;

21 D’Hilkias, Hasabias; de Jedaias, Nethanael.

22 Dos levitas foram nos dias d’Eliasib escriptos como cabeças de paes, Joiada, e Johnan, e Jaddua; como tambem os sacerdotes, até ao reinado de Dario [5] o persa.

23 Os filhos de Levi escriptos como cabeças de paes no livro das chronicas, até aos dias de Johanan, filho d’Eliasib.

24 Foram pois os cabeças dos levitas: Hasabias, Serabias, e Jesué, filho de Kadmiel, e seus irmãos defronte d’elles, para louvarem e darem graças, [6] segundo o mandado de David, homem de Deus: guarda contra guarda.

25 Matthanias, e Bakbukias, Obadias, Mesullam, Talmon, e Akkub, eram porteiros, que faziam a guarda ás thesourarias das portas.

26 Estes foram nos dias de Joaquim, filho de Jesué, o filho de Josadak; como tambem nos dias de Nehemias, o governador, [7] e do sacerdote Esdras, o escriba.

A dedicação dos muros.

Antes de Christo 445

27 E na dedicação [8] dos muros de Jerusalem buscaram os levitas de todos os seus logares, para os trazerem, afim de fazerem a dedicação com alegrias, e com louvores, e com canto, psalterios, alaudes, e com harpas.

28 E assim ajuntaram os filhos dos cantores, tanto da campina dos arredores de Jerusalem, como das aldeias de Netophati;

29 Como tambem da casa de Gilgal, e dos campos de Gibeah, e Azmaveth: porque os cantores se edificaram aldeias nos arredores de Jerusalem.

30 E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo, e as portas, e o muro.

31 Então fiz subir os principes de Judah sobre o muro, e ordenei dois grandes coros e procissões, um á mão direita [9] sobre o muro da banda da porta do monturo.

32 E após elles ia Hosaias, e a metade dos principes de Judah,

33 E Azarias, Esdras, e Mesullam,

34 Judah, e Benjamin, e Semaias, e Jeremias.

35 E dos filhos dos sacerdotes, com trombetas: Zacharias, filho de Jonathan, o filho de Semaias, filho de Matthanias, filho de Michaias, filho de Zacchur, filho d’Asaph,

36 E seus irmãos, Semaias, e Azareel, Milalai, Gilalai, Maai, Nethanael, e Judah, e Hanani, com [10] os instrumentos musicos de David, homem de Deus; e Esdras o escriba ia adiante d’elles.

37 Indo assim para a porta da fonte, e defronte d’elles, subiram as escadas da cidade de David pela subida do muro, desde cima da casa de David, até á porta das aguas, [11] da banda do oriente.

38 E o coro segundo ia defronte, e eu após elle; e a metade do povo ia sobre o muro, desde a torre dos fornos, até á muralha larga;

39 E desde a porta d’Ephraim, e para a porta velha, e para a porta do peixe, e a torre [12] d’Hananeel, e a torre de Mea, até á porta do gado; e pararam á porta da prisão.

40 Então ambos os coros pararam na casa de Deus; como tambem eu, e a metade dos magistrados comigo.

41 E os sacerdotes Eliakim, Maaseias, Miniamin, Michaias, Elioenai, Zacharias, e Hananias, com trombetas,

42 Como tambem, Maaseias, e Semaias, e Eleazar, e Uzzi, e Johanan, e Malchias, e Elam, e Ezer; e faziam-se ouvir[474] os cantores, juntamente com Jezrahias, o superintendente.

43 E sacrificaram no mesmo dia grandes sacrificios, e se alegraram; porque Deus os alegrara com grande alegria; e até as mulheres e os meninos se alegraram, que a alegria de Jerusalem se ouviu até de longe.

O ministerio do templo.

44 Tambem no [13] mesmo dia se nomearam homens sobre as camaras, para os thesouros, para as offertas alçadas, para as primicias, e para os dizimos, para ajuntarem n’ellas, das terras das cidades, as partes da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judah estava alegre por causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali.

45 E faziam a guarda do seu Deus, e a guarda da purificação; como tambem os cantores e porteiros, conforme ao [14] mandado de David e de seu filho Salomão.

46 Porque já nos dias de David e Asaph, desde a antiguidade, havia cabeças dos cantores, e dos canticos de louvores, e d’acção de graças a Deus.

47 Pelo que todo o Israel, nos dias de Zorobabel, nos dias de Nehemias, dava as partes dos cantores e dos porteiros a cada um no seu dia; e sanctificavam [15] as porções aos levitas, e os levitas sanctificavam aos filhos d’Aarão.

[1] Esd. 2.1, 2.

[2] cap. 10.2, 8.

[3] Luc. 1.5.

[4] Esd. 3.2. Agg. 1.1. Zac. 3.1.

[5] I Chr. 9.14, etc.

[6] I Chr. 23 e 25 e 26. Esd. 3.11.

[7] cap. 8.9. Esd. 7.6, 11.

[8] Deu. 20.5. I Chr. 25.6. II Chr. 5.13 e 7.6.

[9] ver. 38. cap. 2.13 e 3.13.

[10] Num. 10.2, 8.

[11] cap. 2.14. cap. 3.15.

[12] cap. 3.1. cap. 3.32. Jer. 32.2.

[13] II Chr. 31.11, 12. cap. 13.5, 12, 13.

[14] I Chr. 25 e 26.

[15] Num. 18.21, 24, 26.

Nehemias remove diversos abusos.

Antes de Christo 434

13 N’aquelle dia [1] leu-se no livro de Moysés, aos ouvidos do povo: e achou-se escripto [2] n’elle que os ammonitas e os moabitas não entrassem jámais na congregação de Deus,

2 Porquanto não sairam ao encontro dos filhos d’Israel com pão e agua; antes alugaram contra [3] elles a Balaão para os amaldiçoar; ainda que o nosso Deus converteu a maldição em benção.

3 Succedeu pois que, ouvindo elles esta lei, apartaram [4] d’Israel toda a mistura.

4 E d’antes Eliasib, sacerdote, que presidia sobre a camara da casa do nosso Deus, se tinha aparentado com Tobias;

5 E fizera-lhe uma camara grande, onde d’antes se mettiam as offertas de manjares, [5] o incenso, e os vasos, e os dizimos do grão, do mosto, e do azeite, que se ordenaram para os levitas, e cantores, [6] e porteiros, como tambem a offerta alçada para os sacerdotes.

6 Porém em tudo isto não estava eu em Jerusalem; [7] porque no anno trinta e dois de Artaxerxes, rei de Babylonia, vim eu ter com o rei; mas ao cabo de alguns dias tornei a alcançar licença do rei.

7 E vim a Jerusalem, e entendi o mal que Eliasib fizera para Tobias, [8] fazendo-lhe uma camara nos pateos da casa de Deus.

8 O que muito me desagradou: de sorte que lancei todos os moveis da casa de Tobias fóra da camara.

9 E, ordenando-o eu, purificaram [9] as camaras: e tornei a trazer ali os vasos da casa de Deus, com as offertas de manjares, e o incenso.

10 Tambem entendi que o quinhão dos levitas [10] se lhes não dava: de maneira que os levitas e os cantores, que faziam a obra, tinham fugido cada um para a sua terra.

11 Então [11] contendi com os magistrados, e disse: Porque se desamparou a casa de Deus? Porém eu os ajuntei, e os restaurei no seu posto.

12 Então todo o Judah trouxe [12] os dizimos do grão, e do mosto, e do azeite aos celleiros.

13 E por thesoureiros [13] puz sobre os celleiros a Selemias o sacerdote, e a Zadok o escrivão, e a Pedaias, d’entre os levitas; e á mão d’elles Hanan, filho de Zacchur, o filho de Matthanias: porque se tinham achado [14] fieis: e se lhes encarregou a elles a distribuição para seus irmãos.

14 (Por isto, Deus meu, lembra-te de mim: [15] e não risques as minhas beneficencias que eu fiz á casa de meu Deus e ás suas guardas.)

15 N’aquelles dias vi em Judah os que pisavam lagares ao sabbado [16] e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como tambem vinho, uvas e figos, e toda a casta de [17] cargas, que traziam a Jerusalem no dia de sabbado; e protestei contra elles no dia em que vendiam mantimentos.

16 Tambem tyrios habitavam dentro, que traziam peixe, e toda a mercadoria, que no sabbado vendiam aos filhos de Judah, e em Jerusalem.

[475]

17 E contendi [18] com os nobres de Judah, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, e profanaes o dia de sabbado?

18 Porventura [19] não fizeram vossos paes assim, e nosso Deus não trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? e vós ainda mais accrescentaes o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o sabbado.

19 Succedeu pois que, dando [20] as portas de Jerusalem já sombra antes do sabbado, ordenando-o eu, as portas se fecharam; e mandei que as não abrissem até passado o sabbado; e puz ás portas alguns [21] de meus moços, para que carga nenhuma entrasse no dia de sabbado.

20 Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fóra de Jerusalem, uma ou duas vezes.

21 Protestei pois contra elles, e lhes disse: Porque passaes a noite defronte do muro? se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós: d’aquelle tempo em diante não vieram no sabbado.

22 Tambem disse aos levitas que se [22] purificassem, e viessem guardar as portas, para sanctificar o sabbado. (N’isto tambem, Deus meu, lembra-te de mim; e perdoa-me segundo a abundancia da tua benignidade.)

23 Vi tambem n’aquelles dias judeos que tinham [23] casado com mulheres asdoditas, ammonitas, e moabitas.

24 E seus filhos fallavam meio asdotita, e não podiam fallar judaico, senão segundo a lingua de cada povo.

25 E contendi [24] com elles, e os amaldiçoei e espanquei alguns d’elles, e lhes arranquei os cabellos, e os fiz jurar por [25] Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos, e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos.

26 Porventura [26] não peccou n’isto Salomão, rei d’Israel, não havendo entre muitas gentes rei similhante a elle, e sendo amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? e comtudo as mulheres estranhas o fizeram peccar.

27 E dar-vos-hiamos nós ouvidos, para [27] fazermos todo este grande mal, prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres estranhas?

28 Tambem um dos filhos de Joiada, [28] filho d’Eliasib, o summo sacerdote, era genro de Sanballat, o horonita, pelo que o afugentei de mim.

29 Lembra-te d’elles, [29] Deus meu, pois contaminaram o sacerdocio, como tambem o concerto do sacerdocio e dos levitas.

30 Assim os alimpei [30] de todo o estranho, e ordenei as guardas dos sacerdotes e dos levitas, cada um na sua obra.

31 Como tambem para com as offertas [31] da lenha em tempos determinados, e para com as primicias: lembra-te de mim, Deus meu, para bem.

[1] Deu. 31.11, 12. II Reis 23.2. cap. 8.3, 8 e 9.3. Isa. 34.16.

[2] Deu. 23.3, 4.

[3] Num. 22.5. Jos. 24.9, 10. Num. 23.11 e 24.10. Deu. 23.5.

[4] cap. 9.2 e 10.28.

[5] cap. 12.44.

[6] Num. 18.21, 24.

[7] cap. 5.14.

[8] ver. 1, 5.

[9] II Chr. 29.5, 15, 16, 18.

[10] Mal. 3.8. Num. 35.2.

[11] ver. 17, 25. Pro. 28.4. cap. 10.39.

[12] cap. 10.38, 39 e 12.44.

[13] II Chr. 31.12. cap. 12.44.

[14] cap. 7.2. I Cor. 4.2.

[15] ver. 22, 31. cap. 5.19.

[16] Exo. 20.10.

[17] cap. 10.31. Jer. 17.21, 22.

[18] ver. 11.

[19] Jer. 17.21, 22, 23.

[20] Lev. 23.32.

[21] Jer. 17.21, 22.

[22] cap. 12.30. ver. 14, 31.

[23] Esd. 9.2.

[24] ver. 11. Pro. 28.4.

[25] Esd. 10.5. cap. 10.29, 30.

[26] I Reis 11.1, etc. I Reis 3.13. II Chr. 1.12. II Sam. 12.24. I Reis 11.4, etc.

[27] Est. 10.2.

[28] cap. 12.10, 22.

[29] cap. 6.14. Mal. 2.4, 11, 12.

[30] cap. 10.30 e 12.1, etc.

[31] cap. 10.34. ver. 14, 22.


O LIVRO DE ESTHER.

O banquete de Assuero.

Antes de Christo 519

1 E succedeu nos dias [1] de Assuero (este é aquelle Assuero que reinou desde a India até Ethiopia, sobre cento e vinte e sete provincias):

2 N’aquelles dias, assentando-se [2] o rei Assuero sobre o throno do seu reino, que está na fortaleza de Susan,

3 No terceiro anno do seu reinado, fez [3] um convite a todos os seus principes e seus servos (o poder da Persia e Media e os maiores senhores das provincias estavam perante elle),

4 Para mostrar as riquezas da gloria do seu reino, e o esplendor da sua excellente grandeza, por muitos dias, a saber: cento e oitenta dias.

5 E, acabados aquelles dias, fez o rei um convite a todo o povo que se achou na fortaleza de Susan, desde o maior até ao menor, por sete dias, no pateo do jardim do palacio real.

6 As tapeçarias eram de branco, verde, e azul celeste, pendentes de cordões de linho fino e purpura, e argolas de prata, e columnas de marmore: [4] os leitos d’oiro e de prata, sobre um pavimento de[476] porphyro, e de marmore, e d’alabastro, e de pedras preciosas.

7 E dava-se de beber em vasos d’oiro, e os vasos eram differentes uns dos outros; e havia muito vinho real, segundo o estado do rei.

8 E o beber era por lei, que ninguem forçasse a outro: porque assim o tinha ordenado o rei expressamente a todos os grandes da sua casa, que fizessem conforme á vontade de cada um.

9 Tambem a rainha Vasthi fez um convite ás mulheres, na casa real, que tinha o rei Assuero.

Vasthi, a rainha, recusa assistir ao banquete.

10 E ao setimo dia, [5] estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a Mehuman, Biztha, [6] Harbona, Bigtha, e Abagtha, Zethar, e a Carchas, os sete eunuchos que serviam na presença do rei Assuero,

11 Que introduzissem na presença do rei a rainha Vasthi, com a corôa real, para mostrar aos povos e aos principes a sua formosura, porque era formosa á vista.

12 Porém a rainha Vasthi recusou vir conforme á palavra do rei, pela mão dos eunuchos; pelo que o rei muito se enfureceu, e ardeu n’elle a sua ira.

13 Então disse o rei aos sabios que entendiam [7] dos tempos (porque assim se tratavam os negocios do rei na presença de todos os que sabiam a lei e o direito;

14 E os mais chegados a elle eram: Carsena, Sethar, Admatha, Tarsis, Meres, Marsena, Memuchan, os [8] sete principes dos persas e dos medos, que viam a face do rei, e se assentavam os primeiros no reino).

15 Que, segundo a lei, se devia fazer da rainha Vasthi, por não haver feito o mandado do rei Assuero, pela mão dos eunuchos?

16 Então disse Memuchan na presença do rei e dos principes: Não sómente peccou contra o rei a rainha Vasthi, porém tambem contra todos os principes, e contra todos os povos que ha em todas as provincias do rei Assuero.

17 Porque a noticia d’este feito da rainha sairá a todas as mulheres, [9] de modo que desprezarão a seus maridos aos seus olhos quando se disser: Mandou o rei Assuero que introduzissem á sua presença a rainha Vasthi, porém ella não veiu.

18 E n’este mesmo dia as princezas da Persia e da Media dirão o mesmo a todos os principes do rei, ouvindo o feito da rainha: e assim haverá assaz desprezo e indignação.

19 Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edicto real, e escreva-se nas leis dos persas e dos medos, e não se quebrante, a saber: que Vasthi não entre mais na presença do rei Assuero, e o rei dê o reino d’ella á sua companheira que seja melhor do que ella.

20 E, ouvindo-se o mandado, que o rei mandar em todo o seu reino (ainda que é grande), todas [10] as mulheres darão honra a seus maridos, desde a maior até á menor.

21 E pareceram bem estas palavras aos olhos do rei e dos principes: e fez o rei conforme á palavra de Memuchan.

22 Então enviou cartas a todas [11] as provincias do rei, a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo a sua lingua: [12] que cada homem fosse senhor em sua casa, e que se publicasse conforme á lingua do seu povo.

[1] Esd. 4.6. Dan. 9.1. cap. 8.9. Dan. 6.1.

[2] I Reis 1.46. Neh. 1.1.

[3] Gen. 40.20. cap. 2.18. Mar. 6.21.

[4] cap. 7.8. Eze. 23.41. Amós 2.8 e 6.4.

[5] II Sam. 13.28.

[6] cap. 7.9.

[7] Jer. 10.7. Dan. 2.12. Mat. 2.1. I Chr. 12.32.

[8] Esd. 7.14. II Reis 25.19.

[9] Eph. 5.33.

[10] Eph. 5.33. Col. 3.18. I Ped. 3.1.

[11] cap. 8.9.

[12] Eph. 5.22, 23, 24. I Tim. 2.12.

Assuero casa com Esther.

Antes de Christo 518

2 Passadas estas coisas, e apaziguado já o furor do rei Assuero, lembrou-se de Vasthi, e do que fizera, e do que se tinha decretado [1] a seu respeito.

2 Então disseram os mancebos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens, formosas á vista.

3 E ponha o rei commissarios em todas as provincias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens, formosas á vista, na fortaleza de Susan, na casa das mulheres, debaixo da mão d’Hegai, eunucho do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.

4 E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em logar de Vasthi. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e assim fez.

5 Havia então um homem judeo na fortaleza de Susan, cujo nome era Mardoqueo, filho de Jair, filho de Simei, filho de Kis, homem benjamita,

6 Que [2] fôra transportado de Jerusalem, com os transportados que foram transportados com Jechonias, rei de Judah, o qual transportara Nabucodonosor, rei de Babylonia.

7 Este criara a [3] Hadassa (que é Esther, filha de seu tio), porque não tinha pae nem mãe: e era moça bella de parecer, e formosa á vista; e, morrendo seu pae e sua mãe, Mardoqueo a tomara por sua filha.

[477]

8 Succedeu pois que, divulgando-se o mandado do rei e a sua lei, e ajuntando-se muitas moças na fortaleza de [4] Susan, debaixo da mão d’Hegai, tambem levaram Esther á casa do rei, debaixo da mão d’Hegai, guarda das mulheres.

9 E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante elle; pelo que se apressurou [5] com os seus enfeites, e em lhe dar os seus quinhões, como tambem em lhe dar sete moças de respeito da casa do rei; e a fez passar com as suas moças ao melhor logar da casa das mulheres.

10 Esther [6] porém não declarou o seu povo e a sua parentela; porque Mardoqueo lhe tinha ordenado que o não declarasse.

11 E passeava Mardoqueo cada dia diante do pateo da casa das mulheres, para se informar de como Esther passava, e do que lhe succederia.

12 E, chegando já a vez de cada moça, para vir ao rei Assuero, depois que fôra feito a ella segundo a lei das mulheres, por doze mezes (porque assim se cumpriam os dias das suas purificações), seis mezes com oleo de myrrha, e seis mezes com especiarias, e com as coisas para a purificação das mulheres:

13 D’esta maneira pois entrava a moça ao rei: tudo quanto ella dizia se lhe dava, para se ir com aquillo da casa das mulheres á casa do rei:

14 Á tarde entrava, e pela manhã tornava á segunda casa das mulheres, debaixo da mão de Saasgaz, eunucho do rei, guarda das concubinas: não tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e fosse chamada por nome.

15 Chegando pois a vez d’Esther, filha [7] d’Abihail, tio de Mardoqueo (que a tomara por sua filha), para ir ao rei, coisa nenhuma pediu, senão o que disse Hegai, eunucho do rei, guarda das mulheres: e alcançava Esther graça aos olhos de todos quantos a viam.

Antes de Christo 514

16 Assim foi levada Esther ao rei Assuero, á sua casa real, no decimo mez, que é o mez de tebeth, no setimo anno do seu reinado.

17 E o rei amou a Esther mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante elle graça e benevolencia mais do que todas as virgens: e poz a corôa real na sua cabeça, e a fez rainha em logar de Vasthi.

18 Então o rei fez um grande convite a [8] todos os seus principes e aos seus servos, que era o convite d’Esther: e deu repouso ás provincias, e fez presentes segundo o estado do rei.

19 E ajuntando-se segunda vez as virgens, [9] Mardoqueo estava assentado á porta do rei.

20 Esther [10] porém não declarava a sua parentela e o seu povo, como Mardoqueo lhe ordenara; porque Esther fazia o mandado de Mardoqueo, como quando a criara.

Mardoqueo descobre uma conspiração.

21 N’aquelles dias, assentando-se Mardoqueo á porta do rei, dois eunuchos do rei, dos guardas da porta, Bigthan e Theres, grandemente se indignaram, e procuraram pôr as mãos no rei Assuero.

22 E veiu isto ao conhecimento de Mardoqueo, [11] e elle fez saber á rainha Esther, e Esther o disse ao rei, em nome de Mardoqueo.

23 E inquiriu-se o negocio, e se descobriu, e ambos foram enforcados n’uma forca: e foi escripto [12] nas chronicas perante o rei.

[1] cap. 1.19, 20.

[2] II Reis 24.14, 15. II Chr. 36.10, 20. Jer. 24.1.

[3] ver. 15.

[4] ver. 3.

[5] ver. 3, 12.

[6] ver. 20.

[7] ver. 7.

[8] cap. 1.3.

[9] ver. 21. cap. 3.2.

[10] ver. 10.

[11] cap. 6.2.

[12] cap. 6.1.

Haman é exaltado, e cria odio a Mardoqueo.

Antes de Christo 510

3 Depois d’estas coisas o rei Assuero engrandeceu a Haman, filho d’Hammedatha, [1] agagita, e o exaltou: e poz o seu assento acima de todos os principes que estavam com elle.

2 E todos os servos do rei, que estavam [2] á porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Haman; porque assim tinha ordenado o rei ácerca d’elle: porém Mardoqueo [3] não se inclinava nem se prostrava.

3 Então os servos do rei, que estavam á porta do rei, disseram a Mardoqueo: Porque traspassas o [4] mandado do rei?

4 Succedeu pois que, dizendo-lhe elles isto de dia em dia, e não lhes dando elle ouvidos, o fizeram saber a Haman, para verem se as palavras de Mardoqueo se sustentariam, porque elle lhes tinha declarado que era judeo.

5 Vendo pois Haman que Mardoqueo se não inclinava nem se prostrava diante d’elle, [5] Haman se encheu de furor.

6 Porém em seus olhos teve em pouco de pôr as mãos só em Mardoqueo (porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueo); Haman pois procurou destruir a todos os judeos que havia em todo o reino d’Assuero, ao povo de Mardoqueo.

Haman pretende matar todos os judeos.

7 No primeiro mez (que é o mez de nisan), no anno duodecimo do rei Assuero,[478] se lançou pur, isto [6] é, sorte, perante Haman, de dia em dia, e de mez em mez, até ao duodecimo mez, que é o mez d’adar.

8 E Haman disse ao rei Assuero: Ha um povo espargido e dividido entre os povos em todas as provincias do teu reino, [7] cujas leis são differentes das leis de todos os povos, e tão pouco fazem as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixal-os ficar.

9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem: e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que se mettam nos thesouros do rei.

10 Então tirou o rei [8] o seu annel da sua mão, e o deu a Haman, filho d’Hammedatha, agagita, adversario dos judeos.

11 E disse o rei a Haman: Essa prata te é dada, como tambem esse povo, para fazeres d’elle o que bem parecer aos teus olhos.

12 Então [9] chamaram os escrivães do rei no primeiro mez, no dia treze do mesmo, e conforme a tudo quanto Haman mandou se escreveu aos principes do rei, e aos governadores que havia sobre cada provincia, e aos principaes de cada povo; a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo segundo [10] a sua lingua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o annel do rei se sellou.

13 E as cartas se enviaram pela mão [11] dos correios a todas as provincias do rei, que destruissem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeos desde o moço até ao velho, creanças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodecimo mez (que é o mez d’adar), [12] e que saqueassem o seu despojo.

14 Uma copia [13] do escripto que se proclamasse lei em cada provincia era publicada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquelle dia.

15 Os correios, pois, impellidos pela palavra do rei, sairam, e a lei se proclamou na fortaleza de Susan; e o rei e Haman se assentaram a beber; porém a cidade de Susan [14] estava confusa.

[1] Num. 24.7. I Sam. 15.8.

[2] cap. 2.19.

[3] ver. 5.

[4] ver. 2.

[5] ver. 2. cap. 5.9. Dan. 3.19.

[6] cap. 9.24.

[7] Esd. 4.13. Act. 16.20.

[8] Gen. 41.42. cap. 8.2, 8.

[9] cap. 8.9.

[10] cap. 1.22 e 8.9.

[11] I Reis 21.8. cap. 8.8, 10, 12, etc.

[12] cap. 8.11.

[13] cap. 8.13, 14.

[14] cap. 8.15. Pro. 29.2.

A consternação e tristeza dos judeos.

4 Quando Mardoqueo soube tudo quanto havia passado, [1] rasgou Mardoqueo os seus vestidos, e vestiu-se de um sacco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor;

2 E chegou até diante da porta do rei: porque ninguem vestido de sacco podia entrar pelas portas do rei.

3 E em todas as provincias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeos grande luto, com jejum, e choro, e lamentação: e muitos estavam deitados em sacco e em cinza.

4 Então vieram as moças de Esther, e os seus eunuchos, e fizeram-lh’o saber, do que a rainha muito se doeu: e mandou vestidos para vestir a Mardoqueo, e tirar-lhe o seu sacco; porém elle os não acceitou.

5 Então Esther chamou a Hathach (um dos eunuchos do rei, que este tinha posto na presença d’ella), e deu-lhe mandado para Mardoqueo; para saber que era aquillo; e para quê.

6 E, saindo Hathach a Mardoqueo, á praça da cidade, que estava diante da porta do rei,

7 Mardoqueo lhe fez saber tudo quanto lhe tinha succedido; como tambem a offerta [2] da prata, que Haman dissera que daria para os thesouros do rei, pelos judeos, para os lançar a perder.

8 Tambem lhe deu a copia da lei escripta, [3] que se publicara em Susan, para os destruir, para a mostrar a Esther, e a fazer saber: e para lhe ordenar que, se fosse ter com o rei, e lhe pedisse e supplicasse na sua presença pelo seu povo.

9 Veiu pois Hathach, e fez saber a Esther as palavras de Mardoqueo.

10 Então disse Esther a Hathach, e mandou-lhe dizer a Mardoqueo:

11 Todos os servos do rei, e o povo das provincias do rei, bem sabem que todo o homem ou mulher que entrar no pateo interior ao rei [4] sem ser chamado não ha senão uma sentença, que morra, salvo se o rei estender para elle o sceptro d’oiro, para que viva; e eu estes trinta dias não sou chamada para entrar ao rei.

12 E fizeram saber a Mardoqueo as palavras d’Esther.

13 Então disse Mardoqueo que tornassem a dizer a Esther: Não imagines em teu animo que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeos.

14 Porque, se de todo te calares n’este tempo, soccorro e livramento d’outra parte sairá para os judeos, mas tu e a casa de teu pae perecereis: e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?

15 Então disse Esther que tornassem a dizer a Mardoqueo:

[479]

16 Vae, ajunta a todos os judeos que se acharem em Susan, e jejuae por mim, e não comaes nem bebaes por [5] tres dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças tambem assim jejuaremos: e assim entrarei a ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereça.

17 Então Mardoqueo foi, e fez conforme a tudo quanto Esther lhe ordenou.

[1] II Sam. 1.11. Jos. 7.6. Eze. 27.30. Gen. 27.34.

[2] cap. 3.9.

[3] cap. 3.14, 15.

[4] cap. 5.1. Dan. 2.9. cap. 5.2 e 8.4.

[5] cap. 3.5.

Esther entra á presença do rei, e convida-o, e a Haman, para dois banquetes.

5 Succedeu pois que ao terceiro dia [1] Esther se vestiu de seus vestidos reaes, e se poz no pateo interior da casa do rei, defronte do aposento do rei: e o rei estava assentado sobre o seu throno real, na casa real defronte da porta do aposento.

2 E succedeu que, vendo o rei a rainha Esther, que estava no pateo, alcançou graça aos seus [2] olhos, que o rei apontou para Esther com o sceptro d’oiro, que tinha na sua mão, e Esther chegou, e tocou a ponta do sceptro.

3 Então o rei lhe disse: Que é o que tens, rainha Esther? ou qual é a tua petição? até metade [3] do reino se te dará:

4 E disse Esther: Se bem parecer ao rei, venha o rei e Haman hoje ao convite que lhe tenho preparado.

5 Então disse o rei: Fazei apressar a Haman, que faça o mandado d’Esther. Vindo pois o rei e Haman ao banquete, que Esther tinha preparado,

6 Disse [4] o rei a Esther, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? e se te dará: e qual é o teu requerimento? e se fará ainda até metade do reino.

7 Então respondeu Esther, e disse: Minha petição e requerimento é:

8 Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição, e outorgar-me o meu requerimento, venha o rei com Haman ao banquete que lhes hei de preparar, e ámanhã farei conforme ao mandado do rei.

9 Então saiu Haman n’aquelle dia alegre e de bom animo: porém, vendo Haman a Mardoqueo á porta do rei, e que não se levantara [5] nem se movera por elle, então Haman se encheu de furor contra Mardoqueo.

10 Haman porém se refreou, e veiu á sua casa: e enviou, e mandou vir os seus amigos, e a Zeres sua mulher.

11 E contou-lhes Haman a gloria das suas riquezas [6] e a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e o em que o tinha exaltado sobre os principes e servos do rei.

12 Disse mais Haman: Tão pouco a rainha Esther a ninguem fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim: e tambem para ámanhã estou convidado por ella juntamente com o rei.

13 Porém tudo isto me não satisfaz, emquanto vir o judeo Mardoqueo assentado á porta do rei.

14 Então lhe disse Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca [7] de cincoenta covados d’altura, e ámanhã dize ao rei que enforquem n’ella Mardoqueo, e então entra com o rei alegre ao convite. E este conselho bem pareceu a Haman, e mandou fazer [8] a forca.

[1] cap. 4.16. cap. 4.11. cap. 6.4.

[2] Pro. 21.1. cap. 4.11 e 8.4.

[3] Mar. 6.23.

[4] cap. 7.2 e 9.12.

[5] cap. 3.5.

[6] cap. 9.7, etc. cap. 3.1.

[7] cap. 7.9. cap. 6.4.

[8] cap. 7.10.

O rei lê as chronicas e determina honrar Mardoqueo.

6 N’aquella mesma noite fugiu o somno do rei: então mandou trazer o livro [1] das memorias das chronicas, e se leram diante do rei.

2 E achou-se escripto que Mardoqueo tinha dado noticia de Bigthan e de Teres, dois eunuchos do rei, dos da guarda da porta, que procuraram pôr as mãos no rei Assuero.

3 Então disse o rei: Que honra e magnificencia se fez por isto a Mardoqueo? E os mancebos do rei, seus servos, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez.

4 Então disse o rei: Quem está no pateo? E Haman tinha [2] entrado no pateo exterior do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueo na forca que lhe tinha preparado.

5 E os mancebos do rei lhe disseram: Eis que Haman está no pateo. E disse o rei que entrasse.

6 E, entrando Haman, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Haman disse no seu coração: De quem se agradará o rei para lhe fazer honra mais do que a mim?

7 Pelo que disse Haman ao rei: O homem de cuja honra o rei se agrada,

8 Traga o vestido real de que o rei se costuma vestir, como tambem o cavallo em que o rei costuma andar montado, [3] e ponha-se-lhe a corôa real na sua cabeça;

9 E entregue-se o vestido e o cavallo,[480] á mão d’um dos principes do rei, dos maiores senhores, e vistam d’elle aquelle homem de cuja honra se agrada: e levem-n’o a cavallo pelas ruas da cidade, [4] e apregôe-se diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!

10 Então disse o rei a Haman: Apressa-te, toma o vestido e o cavallo, como disseste, e faze assim para com o judeo Mardoqueo, que está assentado á porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto disseste.

11 E Haman tomou o vestido e o cavallo, e vestiu a Mardoqueo, e o levou a cavallo pelas ruas da cidade, e apregoou diante d’elle: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!

12 Depois d’isto Mardoqueo voltou para a porta do rei: porém Haman se retirou [5] correndo a sua casa, anojado, e coberta a cabeça.

13 E contou Haman a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo quanto lhe tinha succedido. Então os seus sabios, e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueo, diante de quem começaste a cair, é da semente dos judeos, não prevalecerás contra elle, antes certamente cairás perante elle.

14 Estando elles ainda fallando com elle, chegaram os eunuchos do rei, e se apressaram a levar Haman [6] ao banquete que Esther preparara.

[1] cap. 2.23.

[2] cap. 5.1, 14.

[3] I Reis 1.33.

[4] Gen. 41.43.

[5] II Chr. 26.20.

[6] cap. 5.8.

Esther denuncia Haman.

7 Vindo pois o rei com Haman, para beber com a rainha Esther,

2 Disse tambem o rei a Esther no segundo dia, [1] no banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Esther? e se te dará: e qual é o teu requerimento? até metade do reino, se fará.

3 Então respondeu a rainha Esther, e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição, e o meu povo como meu requerimento.

4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, [2] para nos destruirem, matarem, e lançarem a perder: se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-hia; ainda que o oppressor não recompensaria a perda do rei.

5 Então fallou o rei Assuero, e disse á rainha Esther: Quem é esse? e onde está esse, cujo coração o instigou a assim fazer?

6 E disse Esther: O homem, o oppressor, e o inimigo, é este mau Haman. Então Haman se perturbou perante o rei e a rainha.

7 E o rei no seu furor se levantou do banquete do vinho para o jardim do palacio; e Haman se poz em pé, para rogar á rainha Esther pela sua vida; porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.

8 Tornando pois o rei do jardim do palacio á casa do banquete do vinho, Haman tinha caido prostrado [3] sobre o leito em que estava Esther. Então disse o rei: Porventura quereria elle tambem forçar a rainha perante mim n’esta casa? Saindo esta palavra da bocca do rei, cobriram a Haman [4] o rosto.

9 Então disse Harbona, [5] um dos eunuchos que serviam diante do rei: Eis aqui tambem a [6] forca de cincoenta covados de altura que Haman fizera para Mardoqueo, que fallara para bem do rei, está junto á casa de Haman. Então disse o rei: Enforcae-o n’ella.

10 Enforcaram pois a [7] Haman na forca, que elle tinha preparado para Mardoqueo. Então o furor do rei se aplacou.

[1] cap. 5.6.

[2] cap. 3.9 e 4.7.

[3] cap. 1.6.

[4] Job 9.24.

[5] cap. 1.10.

[6] cap. 5.14. Pro. 11.5, 6.

[7] Dan. 6.24.

O rei concede a Mardoqueo um edicto em favor dos judeos.

8 N’aquelle mesmo dia deu o rei Assuero á rainha Esther a casa d’Haman, inimigo dos judeos: e Mardoqueo veiu perante o rei; porque Esther tinha declarado [1] o que lhe era.

2 E tirou [2] o rei o seu annel, que tinha tomado a Haman, e o deu a Mardoqueo. E Esther ordenou a Mardoqueo sobre a casa d’Haman.

3 Fallou mais Esther perante o rei, e se lhe lançou aos pés: e chorou, e lhe supplicou que revogasse a maldade d’Haman, o agagita, e o seu intento que tinha intentado contra os judeos.

4 E estendeu o rei [3] para Esther o sceptro de oiro. Então Esther se levantou, e se poz em pé perante o rei,

5 E disse: Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante elle, e se este negocio é recto diante do rei, e se eu lhe agrado aos seus olhos, escreva-se que se revoguem as cartas e o intento d’Haman filho d’Hammedatha, o agagita, as quaes elle escreveu para lançar a perder os judeos, que ha em todas as provincias do rei.

6 Porque [4] como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? e como poderei ver a perdição da minha geração?

7 Então disse o rei Assuero á rainha Esther e ao judeo Mardoqueo: Eis-que[481] dei [5] a Esther a casa de Haman, e a elle enforcaram n’uma forca, porquanto quizera pôr as mãos nos judeos.

8 Escrevei pois aos judeos, como parecer bem aos vossos olhos, em nome do rei, e sellae-o com o annel do rei; porque [6] a escriptura que se escreve em nome do rei, e se sella com o annel do rei, não é para revogar.

9 Então foram chamados [7] os escrivães do rei, n’aquelle mesmo tempo, e no mez terceiro (que é o mez de sivan), aos vinte e tres do mesmo, e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueo aos judeos, como tambem aos satrapas, e aos governadores, e aos maioraes das provincias, que se estendem [8] da India até Ethiopia, cento e vinte e sete provincias, a cada provincia segundo a sua escriptura, e a cada povo conforme a sua lingua: como tambem aos judeos segundo a sua escriptura, e conforme a sua lingua.

10 E se escreveu [9] em nome do rei Assuero, e se sellou com o annel do rei: e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavallo, e que cavalgavam sobre ginetes, e sobre mulas e filhos